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	<title>Arquivos 70 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 70 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 21:21:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Quem não gosta de uma boa fofoca? Daquelas que descobrimos podres, segredos e detalhes da vida alheia. Alguns poucos – talvez por vergonha de admitir – podem afirmar que não gostam desse ato, enquanto a maioria responderá, com empolgação, que o faz todos os dias. A realidade é que fofocar faz parte do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="620" class="wp-image-34649" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1024x620.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo da cintura para cima está Lisa, uma mulher jovem branca, cabelo na altura dos ombros loiro e olhos azuis. Ela usa um vestido preto de manga curta e um colar de pérolas. Na direita, aparecendo só o busto, está Jefferies, um homem de meia idade branco, ele tem cabelo curto grisalho e olho azul. Ele está sentado em uma cadeira de rodas, veste um pijama de botão azul e está olhando por um binóculos. No fundo tem uma prateleira branca com livros e outros objetos desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1024x620.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-800x484.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-768x465.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1536x929.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1200x726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515.jpg 1785w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O clássico suspense de Hitchcock completa 70 anos em 2024 (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nathan Sampaio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem não gosta de uma boa fofoca? Daquelas que descobrimos podres, segredos e detalhes da vida alheia. Alguns poucos – talvez por vergonha de admitir – podem afirmar que não gostam desse ato, enquanto a maioria responderá, com empolgação, que o faz todos os dias. A realidade é que fofocar faz parte do nosso cotidiano, e segundo <a href="https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1948550619837000?journalCode=sppa&amp;">estudos</a>, podemos passar até 52 minutos do nosso dia praticando a arte do mexerico. Em um ambiente urbanizado, o simples ato de se debruçar sobre a janela e olhar o prédio ao lado já é uma forma de futricar o dia a dia da vizinhança. Porém, o que você faria se, ao buscar se entreter com a rotina de outros, acidentalmente descobrisse que seu vizinho cometeu um crime? Há 70 anos, <a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/413407/especial-hitchcock-conheca-a-vida-e-obra-do-mestre-do-suspense/">Alfred Hitchcock</a> fazia essa mesma pergunta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_NwFxGr7zp0"><em>Janela Indiscreta</em></a>, lançado em 1954, surge com a proposta de unir esse interesse pela vida alheia com um intenso suspense criminal. No longa, acompanhamos L.B. Jefferies (<a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/jimmy-stewart-participacao-em-guerras-e-o-auge-nos-classicos-de-hollywood.phtml">James Stewart</a>), um fotógrafo renomado, que está com a perna quebrada e por isso é obrigado a passar todos os seus dias dentro de casa. Como forma de vencer a monotonia e o tédio do cotidiano, ele passa a observar a rotina de seus vizinhos. Até que, certo dia, o protagonista enxerga uma movimentação suspeita de um dos moradores do prédio ao lado: Lars Thorwald (Raymond Burr) aparenta ter assassinado sua esposa. O personagem central decide se unir com sua namorada – Lisa Carol Fremont (<a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-grace-kelly-atriz.phtml">Grace Kelly</a>) –, sua enfermeira – Stella (Thelma Ritter) – e o Tenente Thomas J. Doyle (Wendell Corey) para tentar solucionar o caso.</p>



<p><span id="more-34655"></span></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" class="wp-image-34650" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-1024x683.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem uma pessoa na imagem. No centro aparecendo o torso, está Jefferies. Ele está sentado na cadeira de rodas, veste um pijama de botão azul e segura uma câmera fotográfica com uma lente teleobjetiva nas mãos. No fundo tem uma prateleira branca com objetos desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">James Stewart trabalhou com Hitchcock em Festim diabólico (1948), O homem que sabia demais (1956) e Um corpo que cai (1958) [Fonte: Paramount Pictures]</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6gpY4r_MG1A">direção</a> de Hitchcock coloca o espectador na mesma posição do protagonista, de forma que a trama surge e se desenrola por meio da perspectiva de Jefferies. Seguimos seus olhares e ouvimos suas conclusões sobre a vida dos seus vizinhos, bem como ficamos curiosos e titubeantes diante de comportamentos tão estranhos do suposto assassino. A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ugpo4amGyAs">experiência</a> de observar e incapacidade de agir diante dos acontecimentos é o que torna o filme genial e angustiante ao mesmo tempo: o protagonista e o espectador estão do mesmo lado, e são passivos e dependentes da ação de outros personagens para avançar suas hipóteses do que ocorreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O longa-metragem – baseado no conto <a href="https://www.sjsu.edu/people/edwin.sams/courses/c5/s0/woolrich.pdf"><em>It Had To Be Murder</em></a>, escrito por Cornell Woolrich em 1942 – é uma quebra, muito bem executada, da estrutura padrão de uma história de investigação e suspense. Ao invés do detetive conversar com várias pessoas e circular por locais de interesse, o protagonista é forçado a tirar suas conclusões apenas observando o comportamento do suspeito pela janela de casa. Essa linha narrativa escolhida apresenta limitações, como o espaço em que os atores observados aparecem e a falta de diálogos, – que foram muito bem contornados pela direção.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="800" height="484" class="wp-image-34651" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-800x484.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. A imagem mostra três prédios de tijolos à vista. Na esquerda tem a lateral de um prédio de tijolos marrons, é possível ver uma escada de incêndio nele. No centro tem um prédio bege, nele tem dois apartamentos, um em cima e outro embaixo, o de cima está com as janelas e porta abertas. Na direita tem um prédio de três andares marrom, cada andar tem um apartamento e todos estão com as janelas abertas." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-800x484.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O cenário foi inteiramente construído: foram erguidos 31 apartamentos, sendo que 12 foram totalmente mobiliados (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wuy8HD5gVUk">cenário</a> do prédio foi construído com janelas grandes, que permitem que os investigadores tenham bastante visibilidade do espaço e do que os vizinhos – principalmente o suspeito –, estão fazendo dentro de seus apartamentos. O <a href="https://pnc.gov.pt/glossary/m">posicionamento dos atores</a> nas casas e uso de linguagem corporal de cada um deles são magníficos. Sem esse tipo de trabalho, seria difícil para o espectador tirar suas próprias conclusões dos acontecimentos, tornando-o eternamente dependente de explicações dos protagonistas, o que raramente acontece. A trama é feita para que o público crie suas hipóteses e ouça os pontos de vista dos personagens, de forma que é possível confiar ou desacreditar totalmente do crime, que supostamente ocorreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o mistério seja a parte mais envolvente do longa, há ainda <a href="https://youtu.be/DKCGcHQSvHw?si=WCUbswCNJPkMA8Gn">subtramas</a> em cada apartamento que são tão cativantes quanto a narrativa principal. Esses personagens não têm um nome, mas um apelido que está ligado ao seu drama particular ou a uma característica definidora. Srta. Torso (Georgine Darcy), por exemplo, é uma bailarina que vive cercada de homens, mas não parece amar nenhum deles;  já a Srta. Coração Solitário (Judith Evelyn) é uma mulher de meia-idade que sente falta de um companheiro para si. Essas mini-histórias fazem com que o ambiente pareça vivo e natural, e são tão bem contadas que podemos nos apegar a vizinhos que mal sabemos o som da sua voz.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="548" class="wp-image-34652" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1024x548.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. A imagem mostra um prédio com duas janelas abertas, em cada uma tem uma pessoa, mas elas estão no mesmo apartamento. Na esquerda aparece Thorwald, um homem de meia idade branco, ele tem cabelo curto grisalho e olho azul. Ele veste uma camisa branca e uma calça azul. Ele olha as horas no relógio e segura seu óculos com a mão direita. Na direita tem Anna Thorwald, uma mulher de meia idade branca, ela tem cabelo nos ombros loiro, não é possível ver a cor dos seus olhos. Ela veste uma camisola branca e está deitada na cama. O prédio é de tijolo a vista marrom." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1200x642.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634.jpg 1386w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">Hitchcock ficava em um dos apartamentos dirigindo os atores, que recebiam instruções através de fones de ouvido (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto marcante do longa, que o destaca na filmografia de Hitchcock, é o uso constante de <a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-som-do-cinema-trilhas-diegeticas-e-extra-diegeticas">som diegético</a>, ou seja, efeitos e trilha sonora são ouvidos tanto pelo espectador quanto pelos personagens em cena. Esse recurso foi empregado para aumentar a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mY-rxqSGFJ4&amp;ab_channel=EntrePlanos">imersão</a>, pois dessa forma, podemos enxergar e ouvir o mesmo que Jefferies ouve. Ainda que a sonorização seja composta de ruídos urbanos e músicas instrumentais, é possível obter pistas sobre o caso, pois toda vez que Thorwald está em cena pode-se ouvir sirenes, buzinas e outros barulhos de alerta, indicando que algo está fora do comum naquele apartamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://youtu.be/zEGSrc2BIao?si=qymQH9tQalVr-VDF">James Stewart</a> faz uma interpretação que beira a paranoia e obsessão. Sua busca incessante pela verdade do que aconteceu com a vizinha é algo que pode até ser irritante para os espectadores, ainda mais que essa compulsão faz com que ele se afaste de Lisa, que mesmo assim permanece irredutível em buscá-lo. A relação entre os dois é o ponto mais baixo do filme, pois em muitos momentos é difícil simpatizar com o protagonista, que julga o modo de vida de sua namorada, dizendo que jamais combinaria com o seu modo aventureiro de viver.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="619" class="wp-image-34653" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-1024x619.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem uma pessoa na imagem. No centro, da cintura para cima, aparece Lisa. Ela usa um vestido de manga cavada branco com estampa de flores em dourado. Ela segura uma bolsa marrom nas mãos e olha na direção da câmera. No fundo tem uma cama com malas." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O figurino de Grace Kelly foi feito pela estilista Edith Head, que, ao longo de sua vida, ganhou 8 estatuetas do Oscar por seu trabalho (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o arco de Lisa é construído para rebater completamente os argumentos de Jefferies. <a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/03/bgrace-kellyb-nascida-para-reinar.html">Grace Kelly</a> rouba a cena, e, até mesmo, o protagonismo em alguns momentos, ao interpretar uma personagem sagaz, inteligente e corajosa, isto porque, assim que se envolve no mistério, ela já cria suas próprias hipóteses e faz apontamentos que irão se provar certeiros. Além disso, a designer de moda tem um papel importantíssimo no final, sendo a responsável por reunir evidências essenciais para o caso. O fato dela atuar de forma direta na investigação e por colocar sua própria vida em risco em muitos momentos sem perder nenhum traço das suas características, é impecável e desafia tudo o que seu parceiro dizia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, o longa foi indicado em quatro categorias do <a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/1955"><em>Oscar</em></a>: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Mixagem de Som; mas infelizmente não venceu nenhuma delas. Embora não tenha sido indicada na maior premiação do cinema, Grace Kelly chegou a receber outros prêmios de Melhor Atriz, como o <a href="https://nationalboardofreview.org/"><em>National Board of Review Awards</em></a> e o <a href="https://www.nyfcc.com/awards/"><em>New York Film Critics Circle Awards</em></a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="619" class="wp-image-34654" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1024x619.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, sentado na cadeira de rodas está Jeffereis, ele veste um pijama de botão azul e segura um copo nas mãos. Ele está olhando para Lisa. Na direita está Lisa, aparecendo do joelho para cima. Ela veste uma camiseta branca de manga curta, uma saia branca com estampa de flores em preto, uma pulseira grossa de joias brilhantes e um colar de pérolas. Ela também segura um copo com as mãos. No fundo tem um conjunto de prédios desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1200x725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348.jpg 1341w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">A relação dos protagonistas foi baseado no relacionamento do fotógrafo Robert Capa e da atriz Ingrid Bergman (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Rare Window</em> (no original) permanece atual e relevante até hoje, por ter fundado um subgênero do suspense: observar um crime pela janela e, a partir disso, começar uma investigação. A reutilização deste <a href="https://www.projetoescritacriativa.com/2022/08/o-que-sao-tropos-narrativos.html">tropo narrativo</a> muito se deve à atualidade da obra original, afinal, com o passar dos anos e a criação da internet e redes sociais, a população mundial se torna cada vez mais interessada pela vida alheia. Os filmes <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fg65NRH9w3U"><em>Paranóia</em></a> (2007), <a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9OjUWn3LrE"><em>A Mulher na Janela</em></a> (2021) e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=R0FJnvHGbYw"><em>Observador</em></a> (2022) são alguns exemplos de obras similares, que bebem muito do suspense feito por Hitchcock.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrito, produzido e filmado há 70 anos, <em>Janela Indiscreta</em> ainda é um suspense muito charmoso, que consegue proporcionar uma experiência bem cativante e divertida. Depois de assistir esse clássico do cinema é impossível olhar pela janela de casa da mesma forma, afinal poderemos nos deparar com os dramas do cotidiano ou com segredos obscuros, que os nossos vizinhos buscam esconder ao máximo.</p>



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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/">Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 22:19:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (Ran) lançou ao mundo Ikiru. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano Oliver Hermanus (O Rio Sem Fim) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de best-sellers como Vestígios do Dia e Não Me Abandone Jamais, para prestar tributo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/living-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_30341" aria-describedby="caption-attachment-30341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30341" class="wp-caption-text">Por Living, Bill Nighy recebeu a primeira indicação ao Oscar de sua carreira, ativa há mais de 40 anos (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure></p>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;">) lançou ao mundo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VeLN3IDjzQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97uQo0qTLK0"><span style="font-weight: 400;">Oliver Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rio Sem Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestígios do Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Me Abandone Jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">, para prestar tributo ao longa original através de um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado dessa empreitada é sentido nas expressivas indicações do filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2023 </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado para o escritor e Melhor Ator para Bill Nighy (</span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Amor, Piratas do Caribe</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel principal. </span></p>
<p><span id="more-30340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa está longe de ser a primeira vez que um filme de Kurosawa é refeito para uma linguagem ocidental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Um Punhado de Dólares </span></i><span style="font-weight: 400;">(1964), por exemplo, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e4WtoDB6PTs"><i><span style="font-weight: 400;">Yojimbo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961), enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete Homens e um Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/vida-de-inseto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Inseto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998)</span> <span style="font-weight: 400;">ecoam diretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954). Até George Lucas diz ter se inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fortaleza Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958)</span> <span style="font-weight: 400;">para conceber </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977). Contudo, é apenas agora que estamos presenciando o debute de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">nessa mesma linha, pois a maioria dos realizadores sempre esteve ciente da grande dificuldade de adaptá-lo para uma nova roupagem. Felizmente, o tributo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">faz ao clássico mantém a sua essência desde o nome, pois ambas as palavras titulares têm o mesmo significado em tradução: viver. </span></p>
<p><figure id="attachment_30342" aria-describedby="caption-attachment-30342" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-6.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30342" class="wp-caption-text">Akira Kurosawa vê a burocracia com ares extremamente pessimistas em Ikiru (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários e o período histórico são evidentemente diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">troca o Japão pós-guerra onde se passa </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Londres de 1953, no entanto, ambos se situam na mesma estafante burocracia do mercado de trabalho. No que tange a sua representação em cena, talvez o primeiro se saia melhor em como integra a cultura local com a sensação de aprisionamento do protagonista, ao se utilizar dos tradicionais costumes britânicos de educação e da finesse dos figurinos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sandy Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> para surtir tal efeito. Ainda assim, tanto um quanto o outro recorrem ao mesmo recurso na direção de arte: o ambiente que sufoca os trabalhadores com pilhas gigantes de documentos ao redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente da época de produção, fato é que a história naturalmente começa se voltando para um olhar bastante pessimista da burocracia como uma sugadora de almas. Para ilustrar esse ponto, acompanhamos as diversas tentativas de um grupo de mulheres para conseguir aprovar a construção de um parque infantil numa região desolada de Londres. O que se sucede é uma rápida edição de movimento entre um setor e outro, cujas transições laterais (que também aparecem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">até </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8wnhXORcA9U"><span style="font-weight: 400;">hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">), organizadas pelo montador Chris Wyatt em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, prestam homenagem as mesmas que Koichi Iwashita organizou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_30343" aria-describedby="caption-attachment-30343" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30343" class="wp-caption-text">Takashi Shimura também colaborou com Akira Kurosawa nos aclamados Rashomon e Os Sete Samurais (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos primeiros minutos de imersão dentro desse universo, somos introduzidos ao personagem principal, um homem idoso que dedicou grande parte de sua vida aos mecanismos do trabalho e se esqueceu de vivê-la no decorrer dos anos. Essa noção fica clara com o diagnóstico de uma doença terminal, que o condena a poucos meses de vida. A cena da descoberta dessa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=alC_vQOV9Bs"><span style="font-weight: 400;">fatalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como um meio para entendermos a dicotomia entre os filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">, o recebimento dessa notícia pelo burocrata Kanji Watanabe vem acompanhado de uma grande dramaticidade, onde o intérprete </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nx5M4AkIeTE"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rashomon</span></i><span style="font-weight: 400;">) incorpora fortes e notáveis expressões de medo e angústia. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista, aqui chamado Rodney Williams, reage de maneira melancólica e triste, mas menos intensa. Imediatamente, a câmera de Hermanus o captura quieto nas sombras de sua sala de estar, como se estivesse completamente engolido por esses sentimentos. </span></p>
<p><figure id="attachment_30344" aria-describedby="caption-attachment-30344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30344" class="wp-caption-text">O distanciamento entre pais e filhos é uma temática que Living herda de Ikiru (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda obra artística é produto do seu tempo e, assim sendo, do seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa de Kurosawa, por exemplo, é carregado de uma teatralidade que remete às raízes do texto na literatura de Tolstói (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EYn9L8P0Uk8"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte de Ivan Ilitch</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a maior referência). Além disso, também toma liberdades mais expressivas. Uma delas é a poética, através do uso da narração para situar o espectador no estado de espírito do protagonista, nos confidenciando a informação de sua iminente morte antes mesmo dele ter conhecimento dela. A outra é a comercial, tendo em vista a sua longa duração com  ritmo lento, que naturalmente afasta as gerações mais novas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hermanus</span> <span style="font-weight: 400;">opta por um caminho oposto, apesar de ainda manter essa notável qualidade poética. Ela se faz presente na trilha sonora melódica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOQ_rxdoa-g&amp;list=OLAK5uy_kfZe4Zyrtl5fhYbGbNQxvjsp3KHczhoFg"><span style="font-weight: 400;">Emilie Levienaise-Farrouch</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na cinematografia de Jamie D. Ramsay, que transita brilhantemente entre a dor da escuridão, o calor da boemia e o sentimento pitoresco de aproveitar um belo passeio no parque. Por outro lado, existe uma concisão tão forte na forma como os temas são explorados que os impede de ecoar de modo tão complexo quanto o clássico. O melhor representante disso são os minutos de farra de Williams nas noitadas londrinas ao lado do Sr. Sutherland de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Burke</span></a><span style="font-weight: 400;">, que são comprimidos em breves montagens. </span></p>
<p><figure id="attachment_30345" aria-describedby="caption-attachment-30345" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30345" class="wp-caption-text">Living marca a primeira empreitada do cultuado escritor Kazuo Ishiguro na escrita para o Cinema (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as aspirações mais sutis de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zNxC6tc3i6Q"><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não deixam de ter eficiência própria. A cena do jantar entre Williams, seu filho Michael (Barney Fishwick) e sua nora Fiona (Patsy Ferran) é um ótimo exemplo disso. Desde o início, onde vemos Nighy treinando em frente ao espelho para revelar a verdade e falhando, até o desfecho, em que o silêncio prevalece sobre a mesa e o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som faz rugir cada tilintar dos talheres nos pratos, sente-se perfeitamente o desconforto e as tensões entre os três, tão acumuladas que o simples gesto de pegar uma colher de comida fala mais alto que suas vozes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas sutilezas são a base da interpretação de Nighy e fazem valer a sua indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ator britânico trabalha com gestos muito delicados ao longo de toda rodagem, seja em sua fala vagarosa ou em sua hiper postura de cavalheiro inglês. Contudo, há de ser dito que nenhum elemento de sua performance é tão fascinante quanto o seu olhar, principalmente em uma de suas últimas conversas com a amiga Margaret Harris (Aimee Lou Wood), onde ele finalmente se abre sobre o estado de sua saúde. No decorrer da cena, percebemos a transformação orgânica de seu olhar, conforme ele se conforma com a inevitabilidade de seu desfecho e retoma o ânimo para aproveitar o pouco que lhe resta de vida. </span></p>
<p><figure id="attachment_30346" aria-describedby="caption-attachment-30346" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-2.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30346" class="wp-caption-text">O aclamado diretor Martin Scorsese incluiu Ikiru em sua lista de 39 filmes estrangeiros essenciais para qualquer cineasta (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se segue, a partir daí, é um terço final que esmiúça as memórias de seus companheiros de trabalho sobre sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgOm-L7TsEQ"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e personalidade. Enquanto todos os burocratas sufocados por ternos e gravatas chiques tentam chegar a uma explicação lógica para o legado que o protagonista deixou, somos pouco a pouco apresentados a uma imagem belíssima e contemplativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela acontece no parque que tanto Williams em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living, </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto Watanabe em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">construíram para as crianças de um bairro carente, conforme os desejos das mulheres que foram apresentadas nos minutos iniciais. Isolados em meio a neve, eles permanecem cantando e sentados em um balanço, num contexto extremamente interessante metaforicamente falando. São homens à beira do fim de suas vidas, que escolheram morrer num local que é símbolo de seus estágios iniciais. A cena encanta na sua versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umLtGRl_WE4"><span style="font-weight: 400;">52</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também na atual. Logo, percebemos que, independente do momento histórico, de escolhas estilísticas e de diferentes abordagens cinematográficas, a importância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver </span></i><span style="font-weight: 400;">continua a mesma. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LIVING | Official Trailer (2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OVo5kLt_-BU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Apanhador no Campo de Centeio: a voz do jovem que nunca se cala</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 15:47:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cultuado livro de J.D. Salinger completa 70 anos em 2021; nova tradução chegou ao mercado editorial em 2019. &#160; Bruno Andrade “Se você quer mesmo ouvir a história toda…” — então lá vai. Em 1951, um certo feito literário mudou os rumos da literatura produzida nos EUA e, posteriormente, na literatura mundial. Jerome David Salinger, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Apanhador no Campo de Centeio: a voz do jovem que nunca se cala"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Cultuado livro de J.D. Salinger completa 70 anos em 2021; nova tradução chegou ao mercado editorial em 2019.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><figure id="attachment_17810" aria-describedby="caption-attachment-17810" style="width: 320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17810 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM2-1.png" alt="A imagem é uma foto da capa do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Na capa, há o desenho de um cavalo vermelho, com uma lança atravessando o seu corpo. Na parte superior, acima do cavalo, há o título do livro, escrito em um fundo vermelho com uma fonte de cor amarela. Abaixo do cavalo, na parte inferior direita, sob um fundo branco, está o nome do autor em fonte de cor preta." width="320" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM2-1.png 320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM2-1-192x300.png 192w" sizes="auto, (max-width: 320px) 85vw, 320px" /><figcaption id="caption-attachment-17810" class="wp-caption-text">A mais recente edição brasileira foi publicada pela editora Todavia, em 2019, com tradução de Caetano Galindo e capa da 1ª edição (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Se você quer mesmo ouvir a história toda…”</span></i><span style="font-weight: 400;"> — então lá vai. Em 1951, um certo feito literário mudou os rumos da literatura produzida nos EUA e, posteriormente, na literatura mundial. Jerome David Salinger, veterano de guerra e já conhecido no cenário literário após a publicação de alguns contos, lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">O Apanhador no Campo de Centeio</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro que, em pouco tempo, se transformou em um clássico norte-americano, e que completa 70 anos no dia 16 de julho.</span></p>
<p><span id="more-17807"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez — e de maneira séria —, um autor colocava no centro do debate na cultura do </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> a figura do adolescente. O protagonista do livro, Holden Caulfield, é um jovem abastado de 17 anos. A voz de Holden é autêntica e quer a qualquer custo acabar com a falsidade no mundo, buscando o caminho para a verdade. A revolta é presente em toda a narrativa e, embora tenha sido escrita para o público adulto, tornou-se relevante entre os jovens. O livro é escrito em primeira pessoa, o que em diversos momentos faz com que se tenha raiva do protagonista, ao mesmo tempo em que se tem uma identificação com suas reivindicações. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Apanhador no Campo de Centeio </span></i><span style="font-weight: 400;">narra apenas um final de semana na vida de Caulfield, que retorna para a casa de sua família em Nova York após ter sido expulso do colégio interno. Ao longo do percurso, o jovem reflete sobre sua curta vida e, com medo de enfrentar os pais e dizer que havia sido expulso, parte à procura de amigos e um ex-professor para pedir conselhos. O romance aborda questões consideradas tabus na época, como homossexualidade, alienação, identidade e inocência, carregado de uma crítica à superficialidade da sociedade.</span></p>
<p><figure id="attachment_17808" aria-describedby="caption-attachment-17808" style="width: 1854px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17808 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1.jpg" alt="A imagem é uma fotografia em preto e branco do autor J.D. Salinger. Salinger era um homem branco de cabelos curtos lisos, formando um pequeno topete. Ele está vestindo um terno com uma camisa e gravata. Atrás dele, é possível ver uma estante de livros." width="1854" height="1390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1.jpg 1854w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17808" class="wp-caption-text">J.D. Salinger ficou recluso de 1953 até o fim de sua vida, em 2010 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe um certo tipo de abismo entre Holden e o amadurecimento. No livro, há uma passagem emblemática em que o protagonista se lembra de como o museu é fascinante e confortável por manter as coisas do jeito que são. Esse trecho evidencia o medo que ele carregava de envelhecer, pois perderia o acesso à verdadeira realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Holden não chega a ser o baderneiro típico dos filmes norte-americanos. Ele é um jovem observador e revoltado, que não quer fazer nada por obrigação, não quer se sentir sozinho ou demonstrar que, no fundo, é uma criatura frágil. Embora hoje se tenha a imagem do adolescente rebelde ligada à cultura </span><a href="https://personaunesp.com.br/35-anos-bad-brains-punk-negro/"><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem de terninho e chapéu de caça vermelho mantém o diálogo com problemas muito maiores que seu estilo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São questões sobre a existência humana e a difícil convivência em um mundo onde tudo pode ser falso. A identificação com Caulfield vem quando percebemos que a nossa realidade é bem diferente daquela em que ele vivia, mas a vontade de mudar a própria vida e não querer viver sob regras impostas continua existindo.</span></p>
<p><figure id="attachment_17813" aria-describedby="caption-attachment-17813" style="width: 1250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17813 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3.png" alt="A imagem é uma fotografia em preto e branco do autor J. D. Salinger. Na imagem, o autor está sentado ao lado de uma mesa, no que aparenta ser um jardim. Salinger era um homem branco de cabelos curtos lisos e bigode. Ele está vestindo uma camisa de mangas compridas e uma calça larga. Seu braço direito está apoiado em cima da mesa, segurando o que aparenta ser um lápis, ao lado de um caderno. E o seu braço esquerdo está apoiado em sua perna. O escritor está olhando diretamente para a câmera. " width="1250" height="834" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3.png 1250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM3-1200x801.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17813" class="wp-caption-text">Na biografia de David Shields e Shane Salerno, há o depoimento de veteranos afirmando que não podiam descansar durante a guerra, pois, se assim fizessem, Salinger começaria a escrever (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários momentos, Caulfield também demonstra todo o seu desprezo pelos adultos, colocando-os como falsos e desagradáveis. Em contrapartida, a maneira como trata os mais jovens é repleta de carinho, como se enxergasse a verdadeira pureza das crianças — em especial Phoebe, sua irmã mais nova. Para ele, o único momento da vida em que se vive verdadeiramente é a infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Salinger começou a escrever o romance com pouco mais de 20 anos, e as alterações eram constantes. Alguns dos rascunhos foram destruídos na Segunda Guerra (onde participou como sargento no </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/20/album/1558364074_276724.html"><span style="font-weight: 400;">desembarque da Normandia</span></a><span style="font-weight: 400;">), e o autor precisou reescrever vários trechos. Durante a batalha, Jerome manteve sua repulsa com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/hiroshima-insigne-relato-antiguerra-frenetico-seculo-xx/"><span style="font-weight: 400;">falso idealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aplicado pelo governo norte-americano em relação aos combatentes; essa repulsa depois se tornaria a principal voz de Holden.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o fim da guerra, os jovens sobreviventes voltaram para os EUA com seus sonhos destroçados, e Salinger soube captar esse momento. O livro teve um sucesso tão grande que alguns críticos argumentam que foi o </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,biografia-revela-que-mesmo-recluso-jd-salinger-sabia-tudo-o-que-se-falava-dele-e-de-sua-obra,1119712"><span style="font-weight: 400;">motivo da reclusão do autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> — que durou de 1953 até o fim de sua vida —, além das situações curiosas que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Apanhador no Campo de Centeio </span></i><span style="font-weight: 400;">esteve envolvido. Em 1980, o assassino de John Lennon, Mark Chapman, afirmou que </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,veja-quem-e-mark-chapman-o-assassino-de-john-lennon,70003542883"><span style="font-weight: 400;">cometeu o crime após a leitura do livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que ele próprio seria a personificação de Holden. O atirador que tentou </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/686061-o-apanhador-no-campo-de-centeio-carrega-pecha-de-inspirar-psicopatas.shtml"><span style="font-weight: 400;">matar Ronald Reagan</span></a><span style="font-weight: 400;"> também alegou que tirou da obra sua motivação.</span></p>
<p><figure id="attachment_17811" aria-describedby="caption-attachment-17811" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17811 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4.jpg" alt="A imagem é uma fotografia do livro O Apanhador no Campo de Centeio aberto em sua capa e quarta capa. Ao lado esquerdo, na quarta capa, há uma fotografia do autor J. D. Salinger. Enquanto, à direita, há a imagem da capa e orelha do livro." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM4-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17811" class="wp-caption-text">A primeira edição do livro trazia uma foto de Salinger na quarta capa e um resumo na orelha do livro; a experiência foi traumatizante e ele obrigou a retirada nas edições seguintes, alegando que os leitores não poderiam ter interferência na leitura (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a bem da verdade, seria injusto atribuir somente esses acontecimentos à reclusão de Salinger. Com o passar dos anos, em especial durante a guerra, ele desenvolveu um interesse pela cultura do </span><a href="http://www.viazen.org.br/si/site/0100/p/O%20que%20%C3%A9%20o%20Zen-budismo"><i><span style="font-weight: 400;">Zen Budismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a fama era uma pedra no sapato nesse estilo de vida. As coisas deveriam ser do jeito que são e os livros não precisavam de foto do autor ou textos de apoio, apenas as páginas escritas pelo próprio, o texto em seu estado “puro”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é um dos pontos mais curiosos entre o autor e o personagem: diferente de Salinger, Holden era um inconformado por natureza; talvez a construção dele seja impulsionada justamente por esse motivo. Sendo o oposto (ou complemento, se pensarmos no </span><a href="https://clubedechines.com.br/blog/o-que-e-yin-yang/"><span style="font-weight: 400;">Yin-yang</span></a><span style="font-weight: 400;"> do taoísmo) de Holden, Jerome poderia evidenciar os problemas que os jovens estavam passando depois do impacto da Segunda Guerra, e ainda apontar o dedo para a enorme negligência e hipocrisia da sociedade. O </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/American_way_of_life"><i><span style="font-weight: 400;">american way of life</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi totalmente pulverizado nas páginas do livro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Apanhador </span></i><span style="font-weight: 400;">é o único romance que J.D. Salinger escreveu, ao lado dos contos </span><i><span style="font-weight: 400;">Nove Histórias</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1953) e das novelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey </span></i><span style="font-weight: 400;">(1961)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour — uma introdução </span></i><span style="font-weight: 400;">(1963). Todas essas produções foram publicadas individualmente na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com suas respectivas antologias editadas posteriormente, sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Apanhador no Campo de Centeio </span></i><span style="font-weight: 400;">a única publicação inédita do autor. </span></p>
<p><figure id="attachment_17809" aria-describedby="caption-attachment-17809" style="width: 925px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17809 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM5.png" alt="A imagem é uma fotografia em preto e branco de uma fila de soldados à caminho da guerra. Em segundo, da esquerda para a direita, está J. D. Salinger. O escritor está vestindo um uniforme de soldado, com uma camisa de manga comprida, calça, capacete e uma mochila nas costas. Ele segura em seu braço esquerdo o que aparenta ser um casaco. Todos os outros soldados da fila estão vestidos da mesma forma." width="925" height="647" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM5.png 925w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM5-300x210.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/IMAGEM5-768x537.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17809" class="wp-caption-text">Salinger, segundo da esquerda para a direita, à caminho da guerra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Holden é, de fato, única na trajetória de Salinger (pelo menos até o momento, já que existem rumores de uma </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filho-de-jd-salinger-garante-que-textos-ineditos-do-pai-serao-publicados-23737387"><span style="font-weight: 400;">publicação de inéditos do autor</span></a><span style="font-weight: 400;">). Não somente na forma como o livro foi escrito, na prosódia de um adolescente, mas pelo fato de que seu romance é o único a apresentar os Caulfield, enquanto os contos e novelas seguem os passos da disfuncional família Glass (influência de </span><a href="https://domtotal.com/noticia/1419460/2020/02/salinger-tece-minuciosos-perfis-em-franny-zooey/"><span style="font-weight: 400;">Wes Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;"> no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Excêntricos Tenenbaums</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger faleceu de causas naturais em 27 de janeiro de 2010, aos 91 anos. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Apanhador no Campo de Centeio </span></i><span style="font-weight: 400;">é um alerta sobre o amadurecimento, um ato de libertação, e a voz de Holden Caulfield, o adolescente rebelde, deve continuar ecoando por muito tempo.</span></p>
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