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	<title>Arquivos 46 Mostra &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Saída Está À Nossa Frente: as portas de emergência não se abrem para todos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2022 12:43:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  A narrativa do modo de vida americano presente em comerciais, produtos culturais e campanhas estadunidenses nos mostram uma realidade brilhante – moldada pela visão liberal do que isso significa. A ideia de desenvolvimento e sucesso escondem realidades nas quais o luxo e a tecnologia não estão presentes. Em A Saída Está À Nossa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-saida-esta-a-nossa-frente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Saída Está À Nossa Frente: as portas de emergência não se abrem para todos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29292" aria-describedby="caption-attachment-29292" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2.jpg" alt="Cena do filme A Saída Está À Nossa Frente. Na imagem, Tracy Staggs aparece de costas colocando uma mesa desmontável no chão. A personagem é branca e está de pé. Ela veste um conjunto de calça e casaco de moletom, as peças de roupa são cinza com detalhes em rosa e preto. O cabelo é loiro e está preso. Ao redor há grama e uma árvore seca, também aparecem uma bicicleta rosa e uma azul no canto inferior direito. No lado esquerdo há alguns objetos atulhados." width="1600" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29292" class="wp-caption-text">A Saída Está À Nossa Frente aborda a vida norte-americana de uma perspectiva alternativa; o filme fez parte da Competição Novos Diretores na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa do </span><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">modo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente em comerciais, produtos culturais e campanhas estadunidenses nos mostram uma realidade brilhante – moldada pela visão liberal do que isso significa. A ideia de desenvolvimento e sucesso escondem realidades nas quais o luxo e a tecnologia não estão presentes. Em </span><a href="https://vimeo.com/533699391?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=34518939"><i><span style="font-weight: 400;">A Saída Está À Nossa Frente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do diretor Rob Rice, o valor das pessoas que não vivem sob os holofotes de Hollywood caminha em linhas retas, sem possibilidades de pontos de fuga. A produção independente fez parte da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo na Competição Novos Diretores, e com imagens tremidas e baixo orçamento, invade um horizonte tão real quanto cruel. </span></p>
<p><span id="more-29291"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação dos personagens expõe um núcleo familiar – por mais que isso seja feito de maneira pouco clara. Mark e Tracy Staggs são um casal, interpretado por pessoas comuns que cedem seus nomes aos personagens, e juntos tem uma filha chamada Cassie (</span><a href="https://psfilmfest.org/2021-shortfest/film-finder/prude"><span style="font-weight: 400;">Nikki DeParis</span></a><span style="font-weight: 400;">). Os três viveram a vida toda em um vilarejo de beira de estrada distante dos vislumbres da modernidade, mas a jovem recebe a chance de se mudar para Los Angeles e ganhar um novo destino. Ali, em uma garota tomada por otimismo e esperança, vive a saída. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é real, quase um registro documental guardado por uma só lente – já que Alexey Kurbatov trabalhou com a fotografia assim. As imagens, visivelmente francas, se misturam aos entulhos e espaços improvisados para construir um universo em que o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53562958"><span style="font-weight: 400;">Estado</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um pai ausente. Ainda assim, entre as marcas da pobreza, o afeto e a cumplicidade são capazes de alimentar sentimentos genuinamente doces. Uma pena o amor não ser capaz de passar por cima da crueldade de um sistema que prioriza acumular desigualdades. </span></p>
<figure id="attachment_29294" aria-describedby="caption-attachment-29294" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1.jpeg" alt="Cena do filme A Saída Está À Nossa Frente. Na imagem Tracy Staggs aparece olhando para frente. A personagem veste uma blusa de manga longa azul escura e cinza. Sua pele é branca e seus cabelos loiros estão presos" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-768x432.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29294" class="wp-caption-text">A Saída Está À Nossa Frente foi exibido na 33ª edição do festival FIDMarseille (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do enredo, também roteirizado por Rice, Cassie acumula despedidas. Passando pelos lugares e pessoas que marcaram sua vida, ela acomoda as lembranças com carinho, enquanto se prepara para ganhar novas possibilidades. Os moradores com os quais conversa revelam o quanto a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">negligência</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a residente mais antiga daquele lugar arenoso e deserto. Um primo com histórico de dependência química, um senhor que passou anos no sistema carcerário e usa a religiosidade como uma maneira de seguir em frente e o próprio pai escondendo uma doença terminal são reflexos disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que esteja debruçada sobre as margens dos </span><a href="https://www.bbc.com/reel/video/p07ks5pp/is-this-the-end-of-an-iconic-american-way-of-life-"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Way Out Ahead of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">– nome original da obra – não nos prepara em momento algum para caminhos pouco acesos. Por mais aflitivos que Mark e Tracy estejam com a evolução da condição do personagem, a vontade de fazer a filha sair daquele lugar move todos os seus passos com leveza. A sutileza acaba contagiando o espectador, que por muitos momentos se vê acreditando em </span><a href="https://pbnews.com.br/noticia/32083/louro-de-tolor-e-a-ilusao-de-ascensao-social"><span style="font-weight: 400;">futuros iluminados</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela boa vontade e esforço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conquista seu clímax com uma reviravolta moldada por um misto muito bem feito de surpresa e obviedade. Depois que Cassie já chegou na cidade grande, seu pai, dentro de um carro, a liga e deixa um recado trajado de adeus, pega uma arma e não precisamos ver mais nada para saber o que aconteceu. A tal </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">saída</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parece mais uma luz no fim do túnel, mas uma ilusão construída em tons crus. </span></p>
<figure id="attachment_29293" aria-describedby="caption-attachment-29293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-768x432.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29293" class="wp-caption-text">A atriz iniciante Nikki DeParis atuou nos curta metragens Prude e Amaranthine (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Saída Está À Nossa Frente</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um sopro: rápido, leve e capaz de derrubar coisas. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mark não precisa tomar muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> para causar impacto em quem assiste a produção, mas deixa para traz questionamentos silenciosos. Em um mundo que dá muito a poucos e pouco a muitos, a saúde mental é um adereço pouco acessível. Afinal, os direitos humanos são para quantos? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rob Rice trabalha com pouco e isso é o suficiente para o propósito do filme. Atrás da fotografia distante da perfeição e dos atores improvisados, existe tanta verdade e provocação que o resultado é admirável. Um espetáculo que não se assume como tal, mas é baseado em fatos tão </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/eua-estao-virando-as-costas-as-familias-mais-pobres.shtml"><span style="font-weight: 400;">reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto eu e você. O grito silencioso e melancólico das vidas que existem atrás das cortinas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando os ratos de laboratório são colocados para realizar um percurso de teste, seguem o cheiro do queijo em busca do momento premiado sem saber que estão presos por paredes de acrílico. Assim também acontece com as pessoas: buscam os resultados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/"><span style="font-weight: 400;">meritocracia</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem saber das barreiras ao seu redor. Nos destroços do capitalismo, a saída não leva a lugar algum. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/57hydG24TgI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 20:33:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O que parece ser unânime em relação a Alejandro González Iñárritu é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bardo-falsa-cronica-de-algumas-verdades-critica/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades é a autocrítica de Alejandro G. Iñárritu</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29204" aria-describedby="caption-attachment-29204" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29204" class="wp-caption-text">O longa foi exibido no Festival de Veneza e teve uma pré-estreia presencial no Brasil, na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que parece ser unânime em relação a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/inarritu-encara-seus-criticos-e-alfineta-os-eua-em-bardo-destaque-da-mostra-de-sp.shtml">Alejandro González Iñárritu</a></span><span style="font-weight: 400;"> é que ele nunca se esforça em agradar. Disso surgem virtudes e defeitos: ele pode criar obras originais e autênticas, com refinado valor estético, mas também pode cair no escárnio, na decepção, na epopeia que pode ser o ego de um diretor. </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/bardo-or-false-chronicle-of-a-handful-of-truths-review-alejandro-gonzalez-inarritu-1235355356/">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> parece ser o meio termo entre essas duas situações. Com uma trama que se propõe a traçar a história de um renomado jornalista e documentarista mexicano, Silverio Gama (Daniel Giménez Cacho) – personagem marcado por uma profunda crise existencial –, o longa integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29201"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns elementos presentes no filme são marcas de Iñárritu (as mesmas marcas que o fizeram vencer o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor dois anos consecutivos, por </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/bardo-netflix-inarritu/">Birdman, ou a Inesperada Virtude da Ignorância</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2014] e </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://pixelnerd.com.br/10-curiosidades-sobre-o-filme-o-regresso/">O Regresso</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">[2015]): a câmera lenta e espaçada que passa por todos os cantos, quase nunca estacionada em um só lugar; o fluxo verborrágico do protagonista que se mistura às pequenas tramas narrativas que ele próprio descreve; o </span><span style="font-weight: 400;"><i>nonsense</i></span><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se mostra apenas uma realidade vista de longe, interpolada pela criatividade da memória; e, principalmente, a representação da consciência do personagem principal.</span></p>
<figure id="attachment_29205" aria-describedby="caption-attachment-29205" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg" alt="" width="2235" height="1257" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29205" class="wp-caption-text">Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades foi lançado oficialmente em 17 de novembro de 2022, mas só entrará no catálogo da Netflix em 16 de dezembro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o título do filme diz tudo o que se precisa saber. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;">” é o termo tibetano para o lugar entre a vida, a morte e o renascimento, presente no texto sagrado do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2022/05/como-entender-a-expansao-da-consciencia-mediada-por-psicodelicos.shtml">Livro Tibetano dos Mortos</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O resto fica a cargo da composição narrativa do roteiro de Iñárritu e Nicolás Giacobone, roteirista argentino responsável pela trama de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;">. Essa informação também é de se atentar, visto que, em muitos aspectos, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman</i></span><span style="font-weight: 400;"> 2”, cujos elementos se assemelham em muitos níveis, inclusive sob a perspectiva de um protagonista artista (no longa de 2014, um ator em decadência; no filme de 2022, um documentarista no auge), que não sabe qual caminho seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.forbes.com.mx/forbes-life/entretenimiento-bardo-pelicula-gonzalez-inarritu/">Daniel Giménez Cacho</a></span><span style="font-weight: 400;">, que integrou o elenco de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/23/siberia-review-abel-ferrara-willem-dafoe">Siberia</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2020), de Abel Ferrara – filme que aborda igualmente o limiar entre vida e morte (o “bardo”) –, que dá vida ao protagonista menos caótico da filmografia de Iñárritu. Na trama, há 20 anos, ele foi um apresentador de TV, mas se afastou desse papel quando percebeu que estava vendendo uma versão comercial da realidade. Ele queria falar “</span><span style="font-weight: 400;"><i>algumas verdades</i></span><span style="font-weight: 400;">”, as quais tornaram-se cada vez mais difíceis de serem ditas num México que se curvou aos efeitos nocivos de uma mídia violenta. Silverio Gama consegue realizar seu desejo e se transforma em um repórter de renome em Los Angeles. Ainda assim, a obra não se propõe a ser uma odisséia de sua redenção (como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Birdman </i></span><span style="font-weight: 400;">é, por exemplo), e Iñárritu mistura realidade e ficção, acenando às interpretações de que as duas, na verdade, podem ser a mesma coisa – tudo depende do ponto de vista do observador. Na prática, o personagem percebe que a realidade, por si só, é pura ficção.</span></p>
<figure id="attachment_29203" aria-describedby="caption-attachment-29203" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Alejandro-Gonzalez-Inarritu-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29203" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Vanity Fair, <a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/09/awards-insider-alejandro-g-inarritu-interview-about-bardo-reviews">Alejandro G. Iñárritu</a> disse que “é uma pena que Bardo tenha sido incompreendido” (Foto: Jason LaVeris)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma temporada premiada com </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Regresso</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpolada pelo curta-metragem </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://youtu.be/zF-focK30WE">Carne y arena</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2017) – resultado de um projeto de realidade virtual que recebeu um </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;"> Especial da Academia –, o novo projeto do diretor não conseguiu os mesmos feitos. Após as primeiras exibições, o longa</span> <span style="font-weight: 400;">(que chega em breve aos cinemas brasileiros) teve um mau desempenho. Tentando remediar o que parece inevitável, o diretor cortou quase 30 minutos de filme, além de gerar uma reedição de diversas outras partes – é essa versão reeditada que integrou a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e chega à </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;"> no dia 16 de dezembro, numa nova estratégia de distribuição da empresa, que o lançará primeiro nos cinemas. Ainda assim, o longa totaliza praticamente três horas de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é interessante perceber como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo, Falsa Crónica de unas Cuantas Verdades </i></span><span style="font-weight: 400;">(no original) </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/inarritu-meu-filme-bardo-e-incerto-muito-desconfortavel-e-pode-ser-irritante/">antecipa as próprias críticas</a></span><span style="font-weight: 400;"> que recebeu. Em uma das sequências do filme, durante a festa em homenagem à Silvério, ele entra num embate com Luis (Francisco Rubio), um ex-colega que se tornou uma estrela do sensacionalismo na televisão mexicana. Luis ataca Silverio por sua auto-indulgência e pretensão, acusando-o de se autoproclamar “artista” para os norte-americanos, esquecendo, assim, suas origens. Como resposta, o protagonista profere um discurso sobre a hipocrisia de uma mídia que sacrifica integridade e decência pelo altar das críticas e curtidas nas redes sociais. De alguma forma, Iñárritu esperava que seu filme fosse condenado por aquilo que atacou.</span></p>
<figure id="attachment_29202" aria-describedby="caption-attachment-29202" style="width: 2034px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29202" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp" alt="" width="2034" height="1046" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM.webp 2034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-800x411.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1024x527.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-768x395.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1536x790.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Screen-Shot-2022-09-22-at-9.14.52-AM-1200x617.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29202" class="wp-caption-text">Nicolás Giacobone, que levou o Oscar de Melhor Roteiro por Birdman, repete a parceria com Alejandro Iñárritu em Bardo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena, na qual Gama discute com o filho – o adolescente Lorenzo (Íker Sánchez Solano) –, questões sobre o colonialismo e a relação Estados Unidos — México surgem de forma visceral. Durante o embate entre os dois, o filho defende os ianques e elenca todas as “virtudes tecnológicas” de um país regido pelo dinheiro, ainda que o pai tente jogar luz na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2022/10/alejandro-gonzalez-inarritu-cada-pais-e-formado-por-varias-narrativas.ghtml">memória histórica do país</a></span><span style="font-weight: 400;"> latino-americano, argumentando acerca das tradições mexicanas. O curioso é, para além do debate, perceber como esse diálogo foi construído no roteiro: Lorenzo começa, lentamente, a inserir palavras em inglês durante o confronto, enquanto Silverio permanece falando o espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim da discussão, Lorenzo está falando totalmente em inglês, sinalizando para a colonização do próprio garoto na conversa. Como consequência, o pai grita: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>fale espanhol, estamos no México</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Segundos depois, o próprio Silverio está redigindo um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_56dnQF4NNI&amp;t=92s&amp;ab_channel=Oscars">discurso do prêmio</a></span><span style="font-weight: 400;"> que irá receber nos Estados Unidos – o inimigo que, agora, lhe concede reconhecimento. Parte da crise existencial dele surge daí, no que também parece uma autocrítica do próprio Alejandro G. Iñárritu: depois de uma história marcada por questões nacionalistas, elencando elementos de seu próprio crescimento e país de origem nas concepções artísticas, o reconhecimento se consolida, somente, após passar pelo crivo da Academia norte-americana – e, pior: depois de aceitar tudo isso. Como Silverio diz em uma das cenas, &#8220;</span><span style="font-weight: 400;"><i>o sucesso tem sido meu maior fracasso&#8221;</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29206" aria-describedby="caption-attachment-29206" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/bardo4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29206" class="wp-caption-text">Iñárritu demorou 5 anos para finalizar Bardo; o filme ainda traz as atrizes Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid no elenco (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Submissão do México no </span><span style="font-weight: 400;"><em>Oscar</em></span><span style="font-weight: 400;"> 2023, o filme tem um enredo que parece uma mensagem do próprio diretor a ele mesmo, uma autocrítica expandida com um personagem que em muito poderia ser um alter ego. Além de ter consciência do baixo envolvimento que o grande público deve ter com a obra, o diretor também disse em entrevista que incluiu “</span><span style="font-weight: 400;"><i>alguns pensamentos que eu tenho comigo mesmo</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Ele sabe que o </span><span style="font-weight: 400;"><i>establishment</i></span><span style="font-weight: 400;"> estadunidense passou a enxergá-lo como uma fraude, um indivíduo pretensioso que ninguém entende como entrou para a História com dois </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar</i></span><span style="font-weight: 400;">’s seguidos (algo que não acontecia na categoria desde 1950). Talvez por isso o roteiro avance para o caricatural em diversos momentos, ao mesmo tempo em que dá piscadelas de que tudo não passa de um grande sonho </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q29iibXXiOs&amp;ab_channel=Radiohead-Topic">no limbo</a></span><span style="font-weight: 400;"> da morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, e talvez de forma cíclica, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Bardo</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa em que Iñárritu retorna ao cenário mexicano, depois de sua elogiada estreia com </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/amores-brutos-alejandro-g-inarritu-critica/">Amores Brutos</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2000). De qualquer forma, trata-se de uma produção cinematográfica que é, em muitos aspectos, psicodélica, e por isso soa desigual. O que em algumas produções seria o seu maior feito, aqui fica confuso, e a ausência de distinção entre memória, verdade, mentira, realidade e ficção coloca tudo numa “cama de gato”. Existem trechos que apelam para o drama e outros para o surrealismo, cuja ligação não é forte o suficiente para sustentar essas mudanças bruscas. Mesmo que autorizadas pelo subconsciente de Silverio Gama, as variações só acenam para o enlouquecedor, e o final, propriamente, não parece finalizar nada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BARDO, False Chronicle of a Handful of Truths | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lCQimQfDuTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 18:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez “A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em A Mãe. Integrante da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29195" aria-describedby="caption-attachment-29195" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29195" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg" alt="" width="1024" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-768x383.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29195" class="wp-caption-text">Presente na seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Mãe estreou nacionalmente no Festival de Gramado (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;">. Integrante da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, o longa mescla ficção à realidade para escancará-la: para Maria (Marcélia Cartaxo), mãe solo e residente da periferia, o desaparecimento do seu filho pelas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uqxYLi6rLWo"><span style="font-weight: 400;">mãos da polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a burocracia para encontrá-lo se assemelha a incontáveis outros casos do cotidiano da Grande São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29194"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradora do extremo leste &#8211; como o filho adolescente canta em suas rimas -, a protagonista sustenta a casa sozinha com o trabalho de camelô, no centro da cidade. Quando retorna ao lar, Valdo (Dunstin Farias) não voltou. Não há notícias dele na escola, entre os amigos próximos ou no boca a boca da vizinhança. Daí em diante, a personagem, interpretada visceralmente por Cartaxo, inicia uma incansável jornada de investigação e busca para encontrar o primogênito &#8211; ou, pelo menos, saber de seu paradeiro. Recorrendo até ao traficante do bairro, Maria descobre que a </span><a href="https://ponte.org/o-estado-no-banco-dos-reus-mp-pede-indenizacao-a-564-vitimas-dos-crimes-de-maio/"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter sido a responsável pelo desaparecimento do filho.</span></p>
<figure id="attachment_29197" aria-describedby="caption-attachment-29197" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg" alt="" width="2362" height="1329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29197" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo já venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por A Hora da Estrela, em 1986, e o Kikito de Melhor Atriz em 2019, por Pacarrete (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá trégua. </span><a href="https://ponte.org/cristiano-burlan-uma-mae-que-perde-o-filho-deve-ter-direito-ao-enterro-e-ao-luto/"><span style="font-weight: 400;">Atormentada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo desaparecimento do filho, o cotidiano de Maria se torna ainda mais cansativo com o peso esmagador da dúvida e da incerteza. A protagonista roda a vizinhança e os locais que Valdo frequentava até partir para as delegacias, onde tira as mesmas conclusões: nem a polícia, instituição supostamente encarregada de proteger o adolescente, está disposta a ajudá-la. Para piorar, denunciando à PM que a própria organização pode ter encabeçado o desaparecimento do jovem, Maria arruma um novo problema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Karla Salvoni, as residências e arredores em que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">passa são familiares, amplificando ainda mais o desespero com os rumos que a investigação toma. Desde o centro de São Paulo, com suas inconfundíveis galerias e assentos de ônibus, até a casa da personagem principal, o cenário é o de uma família brasileira &#8211; esta, formada por mãe e filho. Quando o enquadro da polícia invade porta adentro, o refúgio em que Maria poderia encontrar paz e descanso, o único em que Valdo poderia estar a salvo, mas não está, é violado. Nem dentro de suas quatro paredes ambos estão seguros, o sentimento de impotência cresce, e o trabalho de direção de </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/nao-podia-estetizar-a-morte-de-minha-mae-diz-diretor-cristiano-burlan"><span style="font-weight: 400;">Cristiano Burlan</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos angustia junto dà Mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da protagonista, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/26o-festival-de-vitoria-duas-vezes-marcelia-cartaxo/"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> canaliza a inquietação e a desesperança de uma matriarca que não sabe o paradeiro da sua criança. Ela externaliza sua dor gritando com os negligentes agentes militares, desafiando os moradores locais por informações e rindo ao, de frente para um corpo morto no Instituto Médico Legal, constatar que aquele não é seu filho. Há esperança? Se sim, o sentimento está adormecido. Depois de dias sem ter sinal de Valdo, o roteiro de Cristiano e Ana Carolina Marinho faz a personagem procurar alento de outra maneira: Maria recorre às instituições de mães de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/05/13/surgido-da-dor-maes-de-maio-se-tornam-referencia-no-combate-a-violencia-do-estado/"><span style="font-weight: 400;">filhas e filhos desaparecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29196" aria-describedby="caption-attachment-29196" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29196 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg" alt="" width="1200" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-800x411.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-1024x527.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-768x395.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29196" class="wp-caption-text">As rimas cantadas por Valdo são de autoria do seu intérprete, Dunstin Farias (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A impotência frente à atuação da polícia e a dificuldade em enfrentar as burocracias da máquina militar levam Maria e as integrantes dos grupos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJ1xIZr5LEI"><span style="font-weight: 400;">Mães da Sé</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mães de Maio &#8211; e muitas outras no Brasil &#8211; a resistirem juntas à opressão do Estado em localizar essas pessoas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Como mãe pobre e mãe negra, a gente não pode perder as forças jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Débora Maria da Silva, que interpreta a si mesma no longa-metragem. Símbolo de força, ambas mulheres, a fundadora da organização e A Mãe que dá nome ao filme, cutucam e lutam contra a atuação assassina da Polícia Militar nas periferias de São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, o diretor Cristiano Burlan não surgiu com a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">da observação de outras realidades. Criado no Capão Redondo, ele próprio viu o irmão ser assassinado por agentes policiais, o que rendeu o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Mataram Meu Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Antes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">investigava a morte do pai, falecido em uma obra em que trabalhava por descuidos do local. Em 2017, fechando a série de produções documentais que ficou conhecida como </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/trilogia-do-luto-filme-como-instrumento-de-vinganca/"><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elegia de Um Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">reconstitui a morte da mãe, assassinada pelo parceiro. Assim como nas obras passadas, o longa mais recente de Burlan segue trazendo humanidade às populações periféricas.</span></p>
<figure id="attachment_29198" aria-describedby="caption-attachment-29198" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-768x478.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29198" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Málaga, A Mãe foi filmado no centro de São Paulo e no bairro Jardim Romano, na zona leste (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/maes-maio"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas periferias é constante no cotidiano das populações, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara a realidade. O filme pouco se preocupa em mascarar a história em prol de uma narrativa facilmente digerida &#8211; a conclusão nos minutos finais é tão desesperadora quanto os primeiros 90 -, e projeta a realidade nua e crua da vulnerabilidade nas mãos daqueles que juraram proteger as comunidades. A máquina militar, além de matar, acoberta os assassinatos e as investigações em nome dos seus. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. E nós também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial A MÃE, de Cristiano Burlan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WZRMi30Q5G8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A beleza de Pedro repousa no retrato bruto da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2022 17:41:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Obra do Cinema indiano, Pedro conta a história de um homem de casta inferior que se vê perdido ao acidentalmente matar uma vaca, símbolo sagrado da sua cultura. O ato somente ocorre porque o protagonista tenta incessavelmente encontrar o responsável pelo assassinato de seu cachorro e fiel escudeiro, em uma das tragédias envolvendo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A beleza de Pedro repousa no retrato bruto da vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29187" aria-describedby="caption-attachment-29187" style="width: 1134px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, aparece contemplando algo com um olhar longínquo. A suas vestes são tecidos de cores neutras como o marrom. O cenário é um matagal verde iluminado por uma chama no período noturno. A fotografia captura a cintura, sentado no matagal onde apoia as mãos para trás." width="1134" height="1034" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7.jpg 1134w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-800x729.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-1024x934.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-768x700.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29187" class="wp-caption-text">Originário da Índia, Pedro participa da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obra do Cinema indiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um homem de casta inferior que se vê perdido ao acidentalmente matar uma vaca, símbolo sagrado da sua cultura. O ato somente ocorre porque o protagonista tenta incessavelmente encontrar o responsável pelo assassinato de seu cachorro e fiel escudeiro, em uma das tragédias envolvendo animais mais tristes desde a cadela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WriQmEI_EGI"><span style="font-weight: 400;">Baleia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Graciliano Ramos. Estreia do diretor </span><a href="https://www.cinestaan.com/articles/2022/may/30/34611/nothing-is-apolitical-for-me-says-pedro-filmmaker-natesh-hegde"><span style="font-weight: 400;">Natesh Hegde</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a longa-metragens, a obra foi exibida no festival IndieLisboa e, agora, participa da seção Perspectiva Internacional na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29186"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem do título do filme &#8211; e do nome de seu personagem principal &#8211; é grega e admite como significado os termos “pedra” e “rochedo”. De certa forma, o roteiro, também de Hegde, converge para a dureza com um </span><a href="https://indianexpress.com/article/express-sunday-eye/natesh-hegde-pedro-extraordinary-story-of-an-ordinary-man-shubhra-column-7569267/"><span style="font-weight: 400;">retrato bruto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida nos vilarejos da Índia. Se Pedro é um dos chamamentos mais disseminados da história do mundo, o criador enxerga a oportunidade de tratar do universal a partir de um recorte local, que se reflete como um microcosmo. Em comparação a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estranho-caso-de-jacky-caillou-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho Caso de Jacky Caillou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra película que compõe a 46ª Mostra, aqui a </span><a href="https://www.filmcompanion.in/reviews/pedro-kannada-movie-review-is-a-breath-of-fresh-air-raj-b-shetty"><span style="font-weight: 400;">beleza do comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue ser registrada.</span></p>
<figure id="attachment_29188" aria-describedby="caption-attachment-29188" style="width: 819px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, aparece deitado em um matagal enquanto ainda há raios de Sol. A fotografia captura todo o seu corpo, as suas vestimentas são tecidos de cores neutras como o marrom. O cenário é a mata verde por onde há barrancos e um fio de água do rio que corta a paisagem." width="819" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7-768x405.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29188" class="wp-caption-text">As passagens de longa duração são o calcanhar de Aquiles de Pedro (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio às cenas que parecem nunca acabar, a produção do cineasta </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/rishab-shetty-natesh-hegde-busan-tigers-pond-1235392397/"><span style="font-weight: 400;">Rishab Shetty</span></a><span style="font-weight: 400;"> comete o erro de se </span><a href="https://www.thenewsminute.com/article/its-slow-paced-narrative-pedro-manages-tell-scary-reality-162268"><span style="font-weight: 400;">alongar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o bastante para desintegrar o raciocínio do público. Mesmo com poucos diálogos, é nítido que a proposta não mira no contemplativo e, por isso, a trama de </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/pedro-natesh-hegde-busan-london-festival-1235075008/"><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria melhor absorvida com alguns minutos a menos. Até porque os próprios atores são amadores: Gopal Hegde é pai do diretor e o guia atordoante dos acontecimentos na pele do protagonista, uma grata surpresa e a escolha certa para viver tais cenários. Em adição a entrega do elenco, o jogo de câmeras e a fotografia de Vikas Urs são peças fundamentais para a ilustração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu cachorro de ouro morreu</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com a relação entre homem e animal em mente, o filme remete à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=btm67Cr8lnc"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura de Graciliano Ramos em </span><a href="https://todoprosa.com.br/que-cena-a-morte-de-baleia-em-vidas-secas/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, quanto vale a vida de um homem? Na pequena comunidade que cerca a fazenda onde o povoado trabalha, certamente menos que a figura divina de uma vaca; Pedro é obrigado a se afastar de tudo e de todos após atingir o animal com um tiro enquanto embriagado. Assim como na prosa do escritor brasileiro, em momentos o personagem é animalizado, permitindo, em contrapartida, a humanização da </span><a href="https://www.deccanherald.com/entertainment/entertainment-news/decoding-the-natural-sounds-of-pedro-a-film-festival-hit-1088091.html"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> indomável. </span></p>
<figure id="attachment_29189" aria-describedby="caption-attachment-29189" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-9.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, olha para cima enquanto segura a mão de seu filho pela janela posicionada a suas costas. A fotografia captura a sua face, sua mão e a mão de seu filho. Ao fundo, o cenário é uma casa de parede simples, repleta de rupturas." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-29189" class="wp-caption-text">Gopal Hegde carrega o drama de Pedro nos olhos (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo jus ao microcosmo particular de sua ambientação, o núcleo familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca grande parte dos conflitos do enredo. Com a forte camada de casos amorosos clandestinos entre castas, a montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t90RxVuE-X4"><span style="font-weight: 400;">Natesh Hegde</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Paresh Kamdar ganha a </span><a href="https://www.deccanherald.com/entertainment/entertainment-news/pedro-review-when-the-unsaid-haunts-you-1142649.html"><span style="font-weight: 400;">dramaticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> necessária para conduzir os eventos, em especial, as ótimas sequências iniciais. No entanto, o ápice é alcançado com a abordagem única da </span><a href="https://personaunesp.com.br/magdala-critica/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem estereótipos ou sensibilidade excessiva, fato que a faz transbordar pela narrativa ao atingir o pico de autenticidade e ritmo no terceiro ato.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> captura a vivência de um vilarejo tradicional indiano, mas, ao mesmo tempo, diz muito sobre o </span><a href="https://www.ottplay.com/interview/exclusive-my-films-have-flaws-a-reflection-of-how-we-are-as-human-beings-pedromaker-natesh-hegde/55c43e7bf8699"><span style="font-weight: 400;">planeta Terra</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo. Desde os costumes sagrados, passando pela desigualdade social até o uso da violência em nome de algo maior, a obra consegue se adaptar a diferentes </span><a href="https://www.ndtv.com/entertainment/pedro-review-natesh-hegdes-film-is-a-sharp-cut-gem-that-shines-bright-4-stars-2569729"><span style="font-weight: 400;">realidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o retrato bruto da vida, no qual repousa a sua beleza. Através do olhar carregado de um homem simples, a </span><a href="https://www.cinemaexpress.com/kannada/news/2022/jul/30/critically-acclaimed-pedro-to-premiere-in-australia-at-the-indian-film-festival-of-melbourne-2022-33230.html"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hegde faz a presença de um protagonista como Pedro na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ser vital.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pedro - Official Trailer | Natesh Hegde | Gopal Hegde | Rishab Shetty Films" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YVjBp5pOOi0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Boy From Heaven desnuda a política por trás da religião</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 20:22:57 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29173" aria-describedby="caption-attachment-29173" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29173" class="wp-caption-text">Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Boy From Heaven integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra SP (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há sempre um suspense em torno de tramas políticas. Talvez o mistério seja o formato mais funcional em atrair a atenção do público para o assunto – mais do que serena, a política é sempre mortalmente séria. Ainda assim, é através das eleições que os indivíduos percebem sua importância social; é a manifestação contemporânea que, apesar dos ataques, mais tem resistido às mudanças pós-modernas, mesmo que a maneira e os motivos pelos quais se vote sejam diametralmente outros. Em períodos normais, se vota pelo futuro; em momentos perigosos, se vota para cessar a destruição. Sob essa perspectiva, </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/boy-from-heaven-cannes-review/5170901.article"><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista do premiado </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/may/20/boy-from-heaven-review-cannes-2022"><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa que integrou a seção Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, vislumbra como o mundo está constantemente inventando maneiras de garantir o resultado desejado.</span></p>
<p><span id="more-29172"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adam Tala (Tawfeek Barhom), filho de um pescador, recebe o priviégio de estudar na Universidade de Al-Azhar do Cairo – instituição anexada à mesquita de mesmo nome –, o epicentro político do islamismo sunita. Pouco após sua chegada na cidade, a maior liderança religiosa da universidade, o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/quais-sao-os-principais-cargos-religiosos-e-politicos-do-mundo-islamico/"><span style="font-weight: 400;">Grande Imã</span></a><span style="font-weight: 400;">, morre repentinamente. Entre as figuras religiosas e a elite egípcia, Tala logo se torna uma peça central em torno dessa morte. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta que o processo eleitoral no país sequer finge ser democrático: o candidato escolhido é selecionado por um pequeno Conselho Supremo de Acadêmicos, cujas considerações e motivações do voto jamais serão exteriorizadas para o mundo.</span></p>
<figure id="attachment_29177" aria-describedby="caption-attachment-29177" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-3-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29177" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, de Tarik Saleh, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tarik Saleh, que desde de 2017 <a href="https://www.aljazeera.com/news/2022/5/28/boy-from-heaven-cannes-film-festival-tarik-saleh-egypt-al-azhar">não pode entrar no Egito</a> sob risco de ser preso, depois do lançamento de seu penúltimo filme, </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/9392-O-INCIDENTE-NO-NILE-HILTON"><i><span style="font-weight: 400;">O Incidente no Nile Hilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que discute também a corrupção política no país –, dobra a aposta no novo lançamento. Devido a essa restrição pessoal, as gravações do longa precisaram ser feitas em Istambul, na Turquia, e a Universidade de Al-Azhar na verdade é a Mesquita Süleymanye. Ao longo do filme, o diretor amplia sua discussão sobre os desvios governamentais para preencher o cargo religioso mais alto da nação, mostrando os interesses por trás da eleição do candidato escolhido pelo presidente. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A terra não pode sustentar dois faraós</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz o general Al Sakran (Mohammad Bakri), ordenando ao coronel Ibrahim (Fares Fares) que torne o seu concorrente pessoal eleito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que deixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mais interessante é que, sob nenhuma perspectiva, Tarik Saleh tenta manchar a fé do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">Islã</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu roteiro desenvolto mostra como o perigo reside, sempre, nas apropriações egoístas e delirantes pelo poder, que na prática não obedecem aos ensinamentos dogmáticos. Esse tratamento, por si só, aponta a grande diferença que o mesmo tema vem recebendo de cineastas ocidentais ao longo dos anos. Submissão da Suécia no <em>Oscar</em> 2023, o longa chegou aos cinemas da América do Norte sob o título <em><a href="https://deadline.com/2022/11/samuel-goldwyn-films-acquires-cairo-conspiracy-boy-from-heaven-sweden-oscar-1235161352/">Cairo Conspiracy</a> – </em>talvez numa tentativa de deixá-lo mais comercial. </span></p>
<figure id="attachment_29175" aria-describedby="caption-attachment-29175" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg" alt="" width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29175" class="wp-caption-text">Com o título original Walad Min Al Janna, o longa chegou à Mostra SP sob seu título em inglês, Boy From Heaven (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, Ibrahim tem um infiltrado dentro da universidade há tempos, que é assassinado logo no início, devido a sua falta de discrição e erros consecutivos. Em busca de um novo “anjo”, o coronel cruza com o protagonista Adam – um calouro nos estudos e também na vida adulta, distante da própria casa. Em muitos aspectos, a trama desse personagem se assemelha à narrativa de </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/the-greatest-american-novel-youve-never-heard-of"><i><span style="font-weight: 400;">Stoner</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1965), romance de </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/03/18/john-williams-and-the-canon-that-might-have-been"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um jovem de família rural aceito na Universidade do Missouri para estudar Ciências Agrárias (após uma aula de Literatura, ele muda seu curso para se dedicar à escrita, de forma silenciosa e escondida, com medo da reação do pai). No longa, Adam é aceito na universidade e seu progenitor, um indivíduo conservador e abusivo – que bate nos três filhos pelo erro de um –, aceita com ressalvas, apenas porque “</span><i><span style="font-weight: 400;">não se pode ir contra as vontades de Alláh</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É nesse contexto que Adam Tala se torna o espião perfeito para o coronel Ibrahim: um indivíduo descartável em todos os aspectos, um simples pescador invisível aos olhos do governo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> político funcional e interligado, com o islamismo e as conveções estadistas do país como pano de fundo. Nesse sentido, lembra </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0303201009.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Profeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2009) – vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes e que concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional em 2010 –, sobre o jovem muçulmano Malik El Djebena (Tahar Rahim), que tenta sobreviver em uma prisão francesa. A similaridade entre ambas as produções está no que o longa de 2022 evidencia no seu título: trata-se da construção mítica de um personagem que, oculto, segregado à pobreza e escolhido diante de muitos, é destinado a mudar os rumos de uma nação, como a própria escolha de uma figura divina.</span></p>
<figure id="attachment_29176" aria-describedby="caption-attachment-29176" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29176" class="wp-caption-text">Boy From Heaven, cuja trama é ambientada no Egito, foi filmado na Turquia e Suécia, e teve produção na França, Finlândia e Dinamarca (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o suspense em torno da trama seja, em muitos níveis, convencional, o entorno e o tratamento previsto no roteiro – merecidamente premiado – guarda o verdadeiro mérito do filme. Além desse cuidado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy From Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">se trata também de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">história sobre amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> repaginado que, diferente do que se convencionou a fazer nas produções do gênero, mostra o protagonista entendendo a vida adulta sob a ótica corrupta e perigosa. Não se trata de melancolia ou de sofrimento, propriamente, mas da percepção de que a vida agora é como está, e sua única alternativa é se tornar mais esperto do que aqueles que pretendem te dominar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso Adam Tale perde, paulatinamente, sua inocência. Mais próximo ao fim, no qual todo o clímax da trama está guardado, após negociar com o cego Sheik Negm (Makram Khoury) – evitando, assim, sua morte –, todos, inclusive o general, olham para Adam como se ele próprio fosse o Grande Imã. Iluminado pela sabedoria, ele retorna ao campo e é questionado sobre o que aprendeu na universidade, sem poder jamais dizer tudo o que fez. Talvez a moral seja essa: não é sobre o que se aprende, mas sobre o que se ensina – essa é a nossa marca no mundo.</span></p>
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		<title>Leonor Jamais Morrerá usa a metalinguagem como poucos</title>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado O Cinema é capaz de mostrar mundos fantasiosos, realidades alternativas, novas perspectivas de grupos marginalizados da sociedade… As possibilidades são infinitas. No caso de Leonor Jamais Morrerá, produção filipina que faz parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a Sétima Arte é utilizada como meio de reconciliação entre mãe e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/leonor-jamais-morrera-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Leonor Jamais Morrerá usa a metalinguagem como poucos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29165" aria-describedby="caption-attachment-29165" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1.jpg" alt="Cena do filme Leonor Jamais Morrerá exibe uma idosa filipina parada em meio ao jardim de sua casa. Ela olha para cima, com os olhos fechados e a luz do sol batendo em seu rosto. Ela usa um vestido colorido. À esquerda, vemos uma cerca-viva repleta de plantas e à direita vemos mais plantas na parede da cada, com alguns vasos em cima de um balcão perto do canto inferior direito da imagem. " width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29165" class="wp-caption-text">Leonor Jamais Morrerá faz parte da Competição Novos Diretores na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema é capaz de mostrar mundos fantasiosos, realidades alternativas, novas perspectivas de grupos marginalizados da sociedade… As possibilidades são infinitas. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção filipina que faz parte da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a Sétima Arte é utilizada como meio de reconciliação entre mãe e filho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Leonor Reyes (Sheila Francisco) já foi uma figura consagrada do cinema de ação filipino, responsável pela criação de uma série de filmes de sucesso, mas agora sua família sofre com dificuldades para pagar as contas. Após ver o anúncio de um concurso de roteiros no jornal, ela decide continuar um esboço inacabado sobre a jornada de Ronwaldo (Rocky Salumbides), que busca <a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/">vingança</a> pelo assassinato de seu irmão. Enquanto a imaginação ajuda Leonor a escapar das dificuldades da vida real, um acidente envolvendo a queda de uma televisão a deixa em coma, transportando-a para dentro da obra inacabada. Agora, ela pode descobrir o melhor final para a história.  </span></p>
<p><span id="more-29164"></span></p>
<figure id="attachment_29166" aria-describedby="caption-attachment-29166" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2.jpg" alt="ena do filme Leonor Jamais Morrerá mostra uma idosa filipina com os olhos arregalados e segurando um martelo nas mãos. Ela olha para algo dentro de uma abertura circular, que funciona como uma moldura para sua imagem na cena. " width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29166" class="wp-caption-text">Sheila Francisco entrega uma atuação comovente no papel da personagem-título (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa da estreante Martika Ramirez Escobar parte de uma abordagem cotidiana tão próxima do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para estabelecer a rotina de Leonor e seu filho, Rudi (Bong Cabrera), que não torna difícil se perguntar se aquelas pessoas exibidas em frente às câmeras existem mesmo ou estão interpretando personagens. O carteiro entrega a conta atrasada, Leonor canta enquanto cozinha, Rudi conversa com alguém ao telefone sobre seu desejo de sair de casa e a câmera de Martika capta tudo isso sem denunciar que está lá, estática. Desde o início, a fronteira entre realidade e ficção é quase inexistente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos atritos de Rudi e Leonor, a tentativa de um homem para se eleger como líder comunitário e uma criança que vende DVDs piratas em uma banca, o Cinema está sempre presente, mais especificamente o de ação. O olhar sensível da cineasta mostra o poder que a arte tem para dar vazão à criatividade, ajudar na conexão com um ente querido e provocar sentimentos intensos em uma pessoa ou em multidões. De forma bem-humorada e emotiva, o longa reconhece que </span><a href="https://www.exibidor.com.br/clipping/link.php?u=aHR0cHM6Ly93d3cxLmZvbGhhLnVvbC5jb20uYnIvaWx1c3RyYWRhLzIwMjIvMTAvY2luZW1hLWNlbGVicmEtdml0b3JpYS1kZS1sdWxhLWUtZGl6LXF1ZS1ib2xzb25hcm8tZm9pLXplcm8tYS1lc3F1ZXJkYS1uYS1jdWx0dXJhLnNodG1s"><span style="font-weight: 400;">um filme nunca é “só” um filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. É algo trabalhoso, envolvendo muitas pessoas e, por ser uma atividade profundamente humana, é capaz de mexer com questões internas de um indivíduo, como o luto pela morte trágica de um filho. </span></p>
<figure id="attachment_29167" aria-describedby="caption-attachment-29167" style="width: 2126px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3.jpg" alt="Cena do filme Leonor Jamais Morrerá mostra um homem filipino carregando canos no ombro direito. Ele veste uma regata rosa com calça jeans e tem cabelo preto. Na imagem, vemos a mira de uma arma em cima dele. " width="2126" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3.jpg 2126w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29167" class="wp-caption-text">O longa também mostra como os filmes de ação filipinos se diferenciam dos americanos (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca por mergulhar na própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/desventuras-em-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada vez mais, depois que Leonor entra em coma. Até então, o longa mantinha os pés no chão, com um clima fácil de ser confundido com a realidade. Depois, a obra se liberta das amarras do convencional e se permite experimentar. Em dado momento, próximo do fim do filme, há três linhas narrativas: a de Rudi, no hospital, aguardando a mãe acordar do coma; a de Leonor, inserida em sua jornada como heroína dentro do produto de ação; e a de uma criança que possui o DVD do filme em que Leonor está inserida e assiste-o na TV. O espectador assiste a um longa-metragem, que possui outro dentro dele, enquanto um personagem também assiste a esse segundo. Se pareceu confuso, é porque realmente é. Tentar refletir sobre isso é um convite para se perder ainda mais no raciocínio e a produção sabe disso, convidando o público a aceitar e embarcar nessa reta final explosiva e sentimental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como fechar uma obra assim, tão imersa no próprio mundo? É difícil. A própria diretora faz uma pausa para refletir. O caminho optado é o da alegria e é impossível não terminar </span><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá </span></i><span style="font-weight: 400;">com um sorriso no rosto, assim como a protagonista. A produção filipina, apesar de um pouco confusa, vale a pena de ser vista por apresentar um exercício inovador de metalinguagem, testando os limites entre real e ficcional. Com bom humor e sinceridade, a película mostra como a Sétima Arte mexe com cada ser humano, desde a </span><a href="https://personaunesp.com.br/scooby-o-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> à velhice, e serve como uma poderosa forma de conexão com outras pessoas. É um belo e mágico trabalho de estreia de Martika Ramirez Escobar. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LEONOR WILL NEVER DIE | Official US Theatrical Trailer | In Select Theaters November 25" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ro6xty9NWe0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 22:47:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em Objetos de Luz, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/objetos-de-luz-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29157" aria-describedby="caption-attachment-29157" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29157 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, o Homem da Luz colocando a mão em frente a um projetor de imagens. O personagem é um homem branco de barba branca, seu rosto apresenta algumas rugas. Ele veste uma blusa de mangas longas na cor cinza, além de um boné preto e óculos arredondados. O projetor exibe partículas de brilho amarelas e laranjas" width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29157" class="wp-caption-text">Documentando as luzes cinematográficas, Objetos de Luz fez parte da Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra o início e o fim. Pertencente à Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme nos dá a certeza de que a luz nos eterniza.</span></p>
<p><span id="more-29154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário não poderia ser mais metalinguístico: uma produção cinematográfica construída em meio a pilhas e mais pilhas de bobinas de vídeo. Os retroprojetores indicam a que vieram e se tornam protagonistas de uma narrativa singular. </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/objetos-de-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, entre muitas coisas, um filme sobre memória. Lembranças guardadas uma a uma por lentes que captam imagens além do tempo e as sintetizam em maquinários para o futuro.</span></p>
<figure id="attachment_29156" aria-describedby="caption-attachment-29156" style="width: 1570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29156 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das pessoas do filme em frente a uma tela de cinema. O personagem é um homem branco com cabelos brancos que apresenta algumas rugas. Ele veste uma camisa cinza de mangas longas. Atrás há uma imagem preta e branca do mesmo homem mais jovem" width="1570" height="883" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg 1570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29156" class="wp-caption-text">Objetos de Luz ou Objectos de Luz – nome original – é uma obra portuguesa, e a estreia de Maria Carré como diretora (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ganha uma voz, o Homem da Luz. Enquanto a fotografia – também responsabilidade de </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/entrevista-acacio-de-almeida-em-objectos-de-luz-estao-coisas-do-meu-passado-mas-tambem-esta-o-passado-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">Acácio de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;"> – desemboca em uma viagem a múltiplos destinos, o narrador expõe reflexões mais plurais ainda. Assim, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dedica a esclarecer os intimismos da iluminação. São citados os fótons, as estrelas, os reflexos e tudo que há de teórico na função da luz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o destaque fica para aquilo que não é teórico, as partes difíceis de mensurar em qualquer conceito pronto. Do dar à luz ao ir para a mesma, a existência humana é atravessada por raios presentes até na formação das imagens a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">visão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os efeitos que transformam nossas vivências em cenas vívidas transgredindo para todos os aspectos de ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz faz parte do processo da captação da imagem, ilumina os rostos que dão vida aos roteiros e é dimensionada em um objeto que precisa dela para reproduzir o que gravou. Um ciclo capaz de congelar o tempo em imagens incapazes de serem vividas novamente, mas passíveis de serem assistidas infinitas vezes e causar efeitos em todas as histórias que as cruzarem.</span></p>
<figure id="attachment_29158" aria-describedby="caption-attachment-29158" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29158 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg" alt="Descrição de imagem: Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das personagens do filme olhando no espelho. Ela é uma mulher branca mais velha, tem cabelos curtos em castanho escuro. A mulher veste um vestido claro com detalhes transparentes. A sua frente há uma imagem dela mais jovem. No reflexo do espelho aparece a figura da morte em vestes pretas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29158" class="wp-caption-text">O filme foi exibido esse ano no Festival de Locarno (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se dispõe a muitas coisas; com certeza, homenagear o </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/por-que-o-cinema-e-a-setima-arte"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma delas. Assim, suas montagens imprimem em imagens cinéticas a capacidade brilhante dos enredos memoriais como um dos mais importantes produtos da luz. Sejam interpretadas ou fruto da espontaneidade, tudo que é gravado e abrigado em um filme ganha uma passagem para a vida eterna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrar essa fascinação à luminescência das produções audiovisuais retoma uma questão muito pessoal para Acácio de Almeida, já que sua trajetória na fotografia cinematográfica é de longa data. O português tem um histórico vasto em colaborações com diretores como António da Cunha Telles, Paulo Rocha e Rita Azevedo Gomes, e agora traz sua esposa, a atriz </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/a-vinganca-de-uma-mulher/"><span style="font-weight: 400;">Maria Carré</span></a><span style="font-weight: 400;">, à espreita desses holofotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é essa intimidade que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> perder a força nos interesses dos telespectadores. A obra é uma ode às contemplações, mas se perde nos subjetivismos de </span><a href="https://novaresearch.unl.pt/en/publications/the-role-of-directors-of-photography-in-cinema-interview-with-aca"><span style="font-weight: 400;">Acácio</span></a><span style="font-weight: 400;">. São precisos poucos minutos para ficar óbvio que o filme é muito mais relevante para ele e seu universo pessoal do que para quem chega de surpresa procurando uma narrativa por passatempo. Dessa forma, nos sentimos de fora, invasores de pensamentos particulares demais.</span></p>
<figure id="attachment_29155" aria-describedby="caption-attachment-29155" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29155 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, pequenas partículas de brilho em tons de vermelho e laranja passam por um buraco escuro." width="1024" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29155" class="wp-caption-text">“O que somos então, em relação à luz?” (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem diálogos corridos e uma disposição temporal lógica, a proposta é incitar algum pensamento – talvez até fazer o público enxergar a luz de novas maneiras. Em cerca de uma hora, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> esmiúça cada partícula da iluminação em suas singularidades e infinitudes. Aquilo que vemos e o que não, fundidos em imagens colocadas lado a lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um filme apaixonante, mas carrega consigo sinceridade e delicadeza. O retrato é sensível e nos coloca para pensar na luz para além das lâmpadas. Seja no nascer ou no </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-era-um-homem-comum-critica/"><span style="font-weight: 400;">morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, nossas vidas não passam de raios luminosos caminhando de um lado a outro na espera de algo que nos torne imortais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OBJECTOS DE LUZ | LOVE LIGHTS - TRAILER" src="https://player.vimeo.com/video/706158024?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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		<title>Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:51:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes “Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam Alcarràs, longa de Carla Simón exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alcarras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Terra e tradição se abrem sob os pés da família de Alcarràs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29148" aria-describedby="caption-attachment-29148" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está em pé, todos virados de lado, olhando na direção esquerda da imagem. O fundo tem montanhas e plantações verdes." width="1960" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29148" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa não esquece que uma tradicional família agricultora na Europa sempre conta com o trabalho braçal de imigrantes pretos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não canto pela voz, [&#8230;] por quem canto é por minha terra, terra firme, casa amada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dizem os versos cantados por Rogelio (Josep Abad), patriarca dos Solés que protagonizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de Carla Simón exibido na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, na Competição Novos Diretores. A obra, uma coprodução espanhola e italiana, conta como uma família de agricultores no interior da Catalunha se vê sendo expulsa de sua propriedade após anos cultivando pêssegos naquela terra. E não há nada que se possa fazer. Diante das perdas inevitáveis, Rogelio acompanha em silêncio, assistindo com olhos carregados de tristeza a tradição de gerações se desfazer, bem como sua própria família.</span></p>
<p><span id="more-29147"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem documento formalmente escrito e assinado, o terreno foi “dado” aos Solés há muitos anos, um agradecimento dos Pinyols por terem sido protegidos durante a guerra espanhola. Este é </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/em-cartaz-no-brasil-drama-catalao-alcarras-expoe-o-desafio-das-mudancas/"><span style="font-weight: 400;">o cânone que fundamenta a narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com o passar do tempo e as mudanças geracionais, o novo primogênito que comanda a família não se contenta mais com plantações de pêssegos, mas quer o dinheiro que a energia gerada por painéis solares pode prover. Agora, o vínculo que um dia tiveram não importa mais. Sem compreender como os simbolismos são tão importantes para si e tão desprezíveis ao outro, o que resta ao avô Solé é tentar guardar os laços que mantém a tradição até o fim da colheita.</span></p>
<figure id="attachment_29149" aria-describedby="caption-attachment-29149" style="width: 1788px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Uma família branca está reunida, sentada em uma mesa repleta de comidas. Eles estão virados para a direção da foto. Todos sorriem, se movimentam ou conversam uns com os outros." width="1788" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998.jpeg 1788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-800x483.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1024x619.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-768x464.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1536x928.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/alcarras-3-baja-1651143998-1200x725.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29149" class="wp-caption-text">O sentimentalismo de Rogelio mistura decepção e relutância com a transição de gerações, de forma que mal assume o erro que levou os Solé àquela situação (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa da vida real. Não só por levar o nome da pequena cidade da Catalunha onde a própria família da diretora cultivava pêssegos, mas também pelo seu </span><a href="https://youtu.be/GM5-UtbZrQE?t=166"><span style="font-weight: 400;">elenco de atores amadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, residentes daquele mesmo interior espanhol. O protagonismo é horizontal, todos ganham luz por completo, de forma igualitária; esta característica brilhante exemplifica como a vida simplesmente acontece. Além de Josep como o patriarca Solé, conhecemos seu sucessor e único filho homem Quimet (Jordi Pujol), a mulher dele, Dolors (Anna Otín), e seus filhos Roger (Albert Bosch), Mariona (Xènia Roset) e Iris (Ainet Jounou). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo os Solé, ainda, estão as irmãs de Quimet, Glòria (Berta Pipó) e Nati (Montse Oró), com seu marido Cisco (Carles Cabós) e filhos, os gêmeos Pau (Isaac Rovira) e Pere (Joel Rovira). Como uma família tradicional, os membros se relacionam uns com os outros de acordo com suas idades, o machismo geracional e o tradicionalismo aparecem, dando mais palco para os homens do que para as mulheres, mas sem caracterizar tais contrastes como tóxicos ou necessariamente opressores. Aos poucos, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/alcarras-berlin-2022-1235094690/"><span style="font-weight: 400;">os conflitos explodem</span></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente como deve ser. É quase como se eu estivesse assistindo a minha própria família.</span></p>
<figure id="attachment_29150" aria-describedby="caption-attachment-29150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29150 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg" alt="Imagem retangular que mostra uma cena do filme Algarràs. Na imagem um jovem branco está deitado em uma cama, uma criança de cabelos castanhos está deitada em seu peito e tem um braço transpassado por ele. Ambos olham na direção esquerda onde uma jovem está agachada atrás da cama, apenas seu pescoço e cabeça aparecem, olhando de volta para os dois." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ALCARRAS6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29150" class="wp-caption-text">O protagonismo horizontal permite que cada personagem transmita frustração à sua maneira: enquanto Roger toma porre e deixa a plantação encharcar até que os pés das pessegueiras virem pura lama, Íris toca flauta nos ouvidos do pai o dia todo (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso que a narrativa linear de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs </span></i><span style="font-weight: 400;">seja, ao mesmo tempo, um ponto fraco e um ponto positivo. Sua semelhança com a realidade é tamanha que até a </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/alcarras-review-1235182126/"><span style="font-weight: 400;">progressão de acontecimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> imita a vida: não abrimos os olhos todos os dias aguardando o clímax, a chegada de problemas ou da vitória. Na verdade, vivemos na simplicidade com que os segundos correm. Tal lentidão do cotidiano enfraquece o longa tanto quanto o constrói artisticamente, tecendo as teias de uma família silenciosamente frustrada. A inevitabilidade da desgraça que virá provoca fervor interno em suas personagens, esses que, tendo pouco direito de externalizá-lo, se mantêm quietos, transparecendo a raiva e a decepção em momentos específicos e de formas diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://www.cineset.com.br/verao-1993-longa-sensivel-e-pessoal-e-estreia-digna-do-cinema-espanhol/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão 1993</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Simón estreou na direção narrando sua própria história, agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alcarràs, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela transbordou realidade cultural. A iniciativa inteligentíssima de levar pessoas comuns para contar a obra fictícia que escreveu ao lado de Arnau Vilaró, este que também cresceu em uma família agricultora na Espanha, é o que dá brilhantismo à composição. A empreitada trabalhosa e brilhante trouxe a conquista do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/filme-espanhol-alcarras-ganha-urso-de-ouro-em-berlim/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro de Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Berlim de 2022. Mas, para além dos prêmios, a produção faz mais do que é possível medir através de estatuetas: transborda verdade. Assim, ao lado de um elenco com pertencimento, sua ficção é dotada de realismo, um retrato fielmente protagonizado por quem está inserido naquele contexto. </span></p>
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		<title>Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional</title>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de Aftersun. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: uma viagem de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aftersun-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29143" aria-describedby="caption-attachment-29143" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha dançando abraçados. Ao fundo, vemos pessoas desfocadas. " width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29143" class="wp-caption-text">Irlandesa radicada em Nova Iorque, Charlotte Wells impressionou Cannes e Toronto antes de trazer Aftersun para vencer a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">uma viagem de férias à Turquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado do pai, e seu apreço pela imagem como instrumento de ternura e captura do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pequena Sophie (Frankie Corio) é a bússola do longa de estreia de Wells, parte da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/aftersun-de-charlotte-wells-ganha-principal-premio-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">eleito o Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Júri com o Troféu Bandeira Paulista. Ao lado do pai Calum (Paul Mescal), ela comemora o aniversário de 11 anos entre o quarto de hotel, a piscina, o oceano e as muitas caminhadas pelo ensolarado país euro-asiático, gravando as aventuras por meio de uma filmadora </span><i><span style="font-weight: 400;">miniDV</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29140"></span></p>
<figure id="attachment_29142" aria-describedby="caption-attachment-29142" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg" alt="Foto da diretora e de seu pai nas férias que inspiraram o filme. Está de noite e o flash ilumina o rosto deles. A menina sorri com um copo na mão e uma colher na boca e o pai também sorri, segurando um copo." width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29142" class="wp-caption-text">Sophie é escrita com a força e a curiosidade de uma criança nada estereotipada ou clichê, e elevada pela performance memorável de Frankie Corio; na foto, Charlotte Wells e seu pai nas férias que inspiraram o filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage </span></i><span style="font-weight: 400;">das gravações caseiras é o que aclima </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">, com destaque imediato para o trabalho de mescla que o diretor de fotografia Gregory Oke realiza ao longo dos quase cem minutos. Aliado ao som etéreo de Jovan Ajder e a montagem sentimentalmente carregada de Blair McClendon, o texto e a direção de Wells tomam forma pela </span><a href="https://blockbusteronline.com.br/escrevendo-de-dentro-para-fora-charlotte-wells-em-aftersun-entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">veia nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No tempo em que virou moda o exercício de transformar em filmes de ‘prestígio’ os  anos formadores da adolescência, tendência refletida no arrojado </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no enfadonho </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte realiza um trabalho de afeto nada gratuito. Para analisar sua guinada artística e o papel que ocupa aos 30 anos e em emergente estado de ebulição criativa, ela revisita as férias na Turquia, um conjunto isolado de eventos banais e corriqueiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fator decisivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><a href="https://cinepop.com.br/normal-people-a-arte-de-levar-a-banalidade-a-serio-entrevista-258385/"><span style="font-weight: 400;">contratação de Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> no protagonismo e as escolhas de atuação que o astro irlandês opta por seguir na pele de Calum. Silencioso, extremamente observativo e calmo, também na casa dos trinta, ele transmite no olhar e na linguagem corporal retraída todo o medo que acumula.</span></p>
<figure id="attachment_29145" aria-describedby="caption-attachment-29145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha numa piscina de lama, se sujando. Eles sorriem um para o outro e está de dia e ensolarado. " width="2560" height="1211" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1024x484.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-768x363.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1536x727.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2048x969.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1200x568.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29145" class="wp-caption-text">Com produção de Barry Jenkins e Adele Romanski, de Moonlight, <a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/">The Underground Railroad</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, Aftersun tem dedo internacional da BBC e da A24 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a filha Sophie, Calum é farol de </span><a href="https://laestatuilla.com/columnas/entrevista-con-charlotte-wells-directora-de-aftersun/"><span style="font-weight: 400;">segurança, austeridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e companheirismo. Ela, que vive em um mundo constantemente povoado por figuras masculinas, enxerga na ternura e na amizade dele o exato oposto do que sua mãe viu. Presente em linhas rápidas do roteiro de Wells e numa sequência singela gravada no estiloso telefone público cor de tomate, a mãe do filme é ausente de espaço físico, mas presente na aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionado pela garota o motivo de trocar alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu te amo” </span></i><span style="font-weight: 400;">com a ex-esposa, Calum justifica que, independente da separação, ela faz parte de sua família. Sentimento conjurado pela afetuosidade que Charlotte Wells dirige Paul Mescal, um profissional recente do mundo cinematográfico, mas que descolou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma vitrine de seus talentos e alcance, e mesmo com pinta de astro comercial, ainda pensa com carinho e cuidado a respeito dos papéis que escolhe dedicar seu tempo e ofício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias da diretora, que perdeu o pai quando tinha dezesseis anos, não se curam com facilidade, tal qual o gesso molhado que Mescal empunha como armadura. Ele não se preocupa em mergulhar o braço no cloro da piscina ou nem mesmo liga de dar braçadas na água salgada do mar. A restauração da ferida, nebulosa nas explicações quando Sophie pergunta como aconteceu, se dá por meio da </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/aftersun-paul-mescal-entra-para-o-time-dos-grandes-pais-do-cinema-em-filme-pessoal-da-diretora-estreante-charlotte-wells/"><span style="font-weight: 400;">persistência e do esquecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29141" aria-describedby="caption-attachment-29141" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha posando para uma foto, sorrindo. Por trás da menina, ele faz “chifrinho” com a mão na cabeça dela." width="1920" height="1036" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29141" class="wp-caption-text">Grande lançamento independente do ano, o filme é uma co-produção entre EUA e Reino Unido e recebeu 4 indicações ao <a href="https://www.screendaily.com/news/aftersun-in-contention-for-four-prizes-as-us-gotham-awards-unveils-nominees/5175805.article">Gotham Awards</a>, destacando as performances de Mescal e Corio, e a direção de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma hora, ele corta a branquidão dura com uma tesoura sem ponta; na outra, o machucado sumiu, por mais que o aspecto cru da pele sem o calor do sol apareça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é assim: como maré branda, começa algo, termina outro, </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aftersun"><span style="font-weight: 400;">não se atenta a linearidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como evoca os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes </span></i><span style="font-weight: 400;">temporais nas sequências noturnas de uma espécie de balada. Entre as luzes da boate, Calum e uma Sophie adulta (Celia Rowlson-Hall) se misturam como água e açúcar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a essa experimentação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prova do poder do filme de Wells. Aos 11, Sophie enxerga o pai como uma figura de autoridade e amparo. Aos 31, Calum vê na filha alguém a ser guiada e defendida, com muito a aprender na jornada. No meio termo entre as duas caminhadas da vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">brinca com as expectativas e com os pontos de vista de um espectador no limiar entre a juventude e a vida adulta em sua complexa integridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, por isso, evocar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sfYpolGCu8"><span style="font-weight: 400;">enjoo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja a maneira mais compatível para definir o sentimento. É como viajar de carro com os vidros fechados e sentir o estômago embrulhar, mas ao invés do motivo ser um sanduíche de presunto duvidoso, o mal-estar nasce de uma situação não resolvida, um amor esfarelado ou a mera sensação de crescer para além dos moldes em que nos encontramos.</span></p>
<figure id="attachment_29144" aria-describedby="caption-attachment-29144" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra o pai sozinho em um corredor vazio, segurando uma alça da mochila no ombro e olhando para a câmera." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29144" class="wp-caption-text">“Eu tenho enjoo emocional, alguém abra as janelas, não existem palavras na língua inglesa que eu poderia gritar para te calar”, canta Phoebe Bridgers em Motion Sickness, numa passagem que muito se relaciona com o filme de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sophie não ressente propriamente o pai, mas entende que o homem que conhece não é Calum </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, quando confessa para ele as artes que aprontou no local, desde a troca de primeiros beijos até uma pulseira com créditos infinitos no bar, a garota espera essa troca mútua de confidências. Ou, por mais que a menina do filme não espere, a mulher que dirige essa quase biografia o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Forma de examinar o não tão distante ontem e compreender o muito ascendente hoje, o trabalho de Charlotte Wells em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é digno de menção nas proficiências que executa com ilustre e célebre aptidão. Um drama de amadurecimento, uma história sensorial sobre um pai e uma filha em constante processo de conexão e apego, uma aventura europeia com pique de verão e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudo sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o que fazer com todo o amor que não possui mais remetente físico. O que vem depois do sol é tudo isso e um bocado mais, e fica a congratulação de Sophie: que mágico e virtuoso é poder viver tudo isso e, no processo, dividir com nossos queridos o mesmo céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFTERSUN | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vXKcWRu8K_U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 17:26:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de Carvão, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carvao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29135" aria-describedby="caption-attachment-29135" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg" alt="" width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29135" class="wp-caption-text">O enredo explosivo de Carvão faz parte da lista da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o longa desmonta a farsa do conservadorismo e a transforma em cinzas. </span></p>
<p><span id="more-29130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história nos guia pelas vidas de Irene (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/maeve-jinkings-sobre-carvao-o-absurdo-do-filme-talvez-soe-familiar"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho Jean (Jean Costa) e o marido Jairo (Rômulo Braga). A protagonista acumula responsabilidades com o trabalho, cuidados com a casa e com a família, e ainda tem um pai doente e acamado para somar às demandas. Enquanto isso, o esposo se mostra machista e impaciente, mas nada interessado em trabalhar para contribuir com os interesses da residência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18293_sobrecarga-da-mulher-aumenta-e-atrapalha-vida-profissional-o-que-as-empresas-tem-a-ver-com-isso.html"><span style="font-weight: 400;">desigual</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra insustentável e, é claro,  na primeira oportunidade o fio que segura os princípios éticos é o primeiro a se romper. Cansada de lidar com o parente, Irene recebe uma proposta irrecusável da nova enfermeira do posto de saúde. A solução é simples e mata dois coelhos com uma cajadada só: se livrar do pai enfermo e ganhar uma boa quantia em dinheiro. </span></p>
<figure id="attachment_29137" aria-describedby="caption-attachment-29137" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-2-1.jpg" alt="" width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29137" class="wp-caption-text">Carvão, co-produção Brasil-Argentina, foi exibido nos festivais de Toronto, San Sebastian e Rio (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sumir com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">idoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fácil, ele não se movimenta sozinho e a família é dona de uma carvoaria com o forno grande o suficiente para que uma pessoa desapareça. A parte difícil vem depois, com a hospedagem de um argentino foragido por tráfico dentro de casa. A situação se desenrola em incômodo e encorajamento, e a chegada de Miguel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4HK40llCP7A"><span style="font-weight: 400;">César Bordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) desperta em cada personagem uma reação singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a presença do estrangeiro revela a frustração do casamento de Irene e Jairo. A mulher passa a ver na visita uma forma de expor seus desejos, iniciando uma tentativa de sedução e adultério. A infelicidade é mútua, o marido, versado em uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/17-de-maio-a-homofobia-como-produto-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">virilidade danosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, na realidade mantém um caso amoroso com o vizinho. No meio das pontas soltas temos Jean, a criança lidando com uma criação tão ausente a ponto de ver no traficante uma oportunidade de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme cada uma dessas questões nos vai sendo apresentada, mais absurdo todo o cenário parece. Ao mesmo tempo, as peças se movimentam com uma fluidez ímpar, promovida pelas características atraentes do roteiro – também assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vp9LeV2N5PU"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com elementos simples e uma casa pouco luxuosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue nos levar para um universo muito identificável na </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual, aquele em que a imagem familiar é puramente um produto da hipocrisia. </span></p>
<figure id="attachment_29132" aria-describedby="caption-attachment-29132" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29132" class="wp-caption-text">Carvão tentou vaga para representar o Oscar 2023, ao lado de títulos como Marte Um e Paloma (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores influências da capacidade arrebatadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0nAOkzkxgw"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrela as cenas com tanta naturalidade e verdade que somos capazes de sentir a tensão presente em seus movimentos inquietos, exposta a cada possibilidade de alguém encontrar Miguel escondido no quarto de seu pai. O traficante também não fica para trás e, de maneira sincera, César Bordon cria um personagem encantador – mesmo esse ironicamente sendo o único a assumir seus desvios de moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque fica para o desempenho de Jean, que, com a típica sinceridade das crianças, dá à narrativa os pingos cômicos necessários. Sua performance também carrega uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase dolorosa: em diversos momentos, ao presenciar as cenas grotescas da atitude dos pais, vemos as </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/negligencia-e-a-forma-de-violencia-mais-comum-contra-criancas-e-adolescentes/"><span style="font-weight: 400;">consequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> refletidas em sua composição como ser humano. Instintivamente, a vontade do telespectador é tirar a criança de dentro da tela e a proteger de toda a crueldade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção fotográfica da produção também não poderia ser melhor. As escolhas do diretor de fotografia, </span><a href="https://www.pepemendes.com/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçam o cenário autêntico que abriga a narrativa, sem perder o foco nas feições. As imagens ainda abraçam pequenos detalhes, como o suor e a sujeira nas peles da família, a fumaça da carvoaria e o plano geral com a presença da natureza característica das pequenas cidades brasileiras.  </span></p>
<figure id="attachment_29138" aria-describedby="caption-attachment-29138" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg" alt="" width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29138" class="wp-caption-text">Carvão chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de novembro (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de muito para levantar grandes reflexões, sendo capaz de gerar debates sobre o valor do idoso no Brasil, a negligência com a infância e os limites das aparências. À primeira vista, sua história pode parecer um exagero, mas se pensarmos bem o disparate mora ao lado. E exatamente por isso o filme consegue nos prender: tudo é tão ficcional quanto um </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-o-assassinato-de-daniella-perez-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino que defende a moral, a pátria e a família</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece na vida, muitas vezes nossos erros são pagos por terceiros. Irene e Jairo têm seus desfechos como começos, em uma </span><a href="https://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/06/27/conservadorismo-religiao-e-politica-um-dialogo-entre-brasil-e-argentina/"><span style="font-weight: 400;">igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém parece ter medo do julgamento dos céus e muito menos do dos homens, aquilo que permanece no fogo vira cinza e não fantasma. Para Jean, o caminho parece pautado pelo sangue da mão dos pais &#8211; infelizmente alguém carrega as pedras do caminho, é inevitável. O importante é que em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, a mesa do jantar permaneça intacta. </span></p>
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