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	<title>Arquivos 20th Century Studios &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 20th Century Studios &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Nas Terras Selvagens, sobrevive o Predador que melhor se adapta</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: esse texto contém spoilers Guilherme Moraes Um dos grandes desafios para as franquias decenais não é de se reinventar, mas de inserir uma ideia original dentro da mesma fórmula. A necessidade do estúdio de lucrar sempre irá se sobrepor ao do artista na indústria americana, dessa forma, a reinvenção vira apenas um discurso, pois &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-predador-terras-selvagens/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nas Terras Selvagens, sobrevive o Predador que melhor se adapta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">esse texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36246" aria-describedby="caption-attachment-36246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-800x450.jpg" alt="Cena de Predador: Terras Selvagens. Um close-up frontal e intenso do Predador. Ele ruge, mostrando suas mandíbulas abertas e presas afiadas. Seus olhos amarelados estão focados à frente, e ao fundo, uma cena de batalha com fogo e fumaça aparece desfocada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36246" class="wp-caption-text">Dan Trachtenberg também dirigiu O Predador: A Caçada (2022) que saiu diretamente no Disney+ (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes desafios para as franquias decenais não é de se reinventar, mas de inserir uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcista-o-devoto-critica/"><span style="font-weight: 400;">ideia original</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da mesma fórmula. A necessidade do estúdio de lucrar sempre irá se sobrepor ao do artista na indústria americana, dessa forma, a reinvenção vira apenas um discurso, pois apostar no conhecido se paga e ainda faz dinheiro – aliás, é exatamente por esses motivos que esses filmes são refilmados ou recebem uma continuação. O que resta para alguns cineastas é fazer um trabalho de artesanato e criar algo singular dentro desse sistema. Longe de dizer que Dan Trachtenberg é um artesão da Sétima Arte, porém, pelo menos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Predador: Terras Selvagens</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o diretor consegue instaurar uma relação entre os personagens e o ambiente de maneira criativa.</span></p>
<p><span id="more-36245"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é um pouco diferente de seus pares, pois, desta vez, o protagonista não é um humano que será perseguido por um alienígena, e sim o próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CmXbiLipXVo"><span style="font-weight: 400;">Yautja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi) é enviado para um outro planeta com uma missão: levar a cabeça de um grande predador para seu clã. A falha da missão significa a sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto cultural como base para a história já está se tornando uma marca de Dan Trachtenberg. Em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-predador-a-cacada/"><i><span style="font-weight: 400;">O Predador: A Caçada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma guerreira Comanche precisa provar o seu valor e salvar a sua tribo, e para isso ela precisa enfrentar o alien. Neste, o irmão do herói é assassinado pelo próprio pai, por mostrar misericórdia com o mais fraco – no caso, Dek –, um crime imperdoável entre os Yautja. No entanto, o que torna essa característica especial é como o cineasta toma cuidado em não julgar tais culturas, ao mesmo tempo que dá liberdade aos seus personagens para se entenderem dentro delas. O herói do filme não adquire um ódio contra seu clã, apenas começa a se compreender fora dele a partir do contato com outros seres e dessa maneira ele conquista sua liberdade.</span></p>
<figure id="attachment_36247" aria-describedby="caption-attachment-36247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-2-800x450.jpg" alt="Cena de Predador: Terras Selvagens. Em um cenário ao ar livre, a atriz Elle Fanning, com cabelos loiros curtos e o rosto sujo, olha para a esquerda com uma expressão séria. Ela está de costas para um Predador, que por sua vez está de perfil e olha para a direita, criando uma composição de costas com costas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Predador-2.jpg 924w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36247" class="wp-caption-text">“O alfa não é aquele que mais mata, mas o que melhor cuida da sua alcateia”(Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que a cultura modificando o indivíduo, a obra também coloca o ambiente como peça fundamental nessa mudança. Agora, o Yautja se encontra em um lugar desconhecido, sempre tensionando ele entre predador e presa; ele é apenas um animal precisando sobreviver. No final de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2pI8KsHhwe0"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: A Guerra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017), uma avalanche mata todos os humanos, restando apenas os macacos, que se penduram nas árvores para se proteger; na natureza se perdura aquele que melhor se adapta. </span><i><span style="font-weight: 400;">Predador: Terras Selvagens </span></i><span style="font-weight: 400;">segue essa mesma linha; Dek, ao perder suas armas, precisa usar seus conhecimentos sobre aquele planeta para criar novos equipamentos, que se tornam mais vantajosos que os seus antigos, afinal a tecnologia também é contextual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a presença de Thia e Tessa (ambas interpretadas por </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elle Fanning</span></a><span style="font-weight: 400;">) é fundamental. As personagens são uma máquina que detém as informações de todas as criaturas daquele universo, entretanto, a primeira – que se torna aliada do protagonista – se humaniza, não apenas pelos sentimentos e pensamentos próprios que ela passa a adquirir, como também pela sua capacidade de observação e interpretação do mundo. Thia e Dek começam a compreender as criaturas a partir do contato e das experiências – como quando eles descobrem a familiaridade da criatura que estava com eles com o grande predador daquele mundo –; Tessa tem dados programados, e sua incapacidade de entender a interrelação de diferentes espécies é o que leva a sua ruína.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns pontos, ainda assim, causam incômodo, como o final que deixa um gancho para a sequência, porém, parece mais uma cena pós-créditos, tirando um pouco a unicidade da obra. As cenas de ação também não são tão marcantes como as da saga </span><a href="https://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, pelo menos, a franquia parece estar trilhando um caminho interessante nas mãos de Dan Trachtenberg, sempre relacionando ser, natureza e cultura, de maneira própria.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Predador: Terras Selvagens | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w4HNJqkooZo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 13:36:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Após a Depressão de 1929, os Estados Unidos entraram em uma crise profunda que afetou diversas áreas, dentre elas, a agrária. Nesse contexto entra As Vinhas da Ira (1939), livro de John Steinbeck que foi adaptado aos cinemas por John Ford em 1940. Ainda que seja um pouco ofuscado pela outras obras-primas do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-as-vinhas-da-ira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35198" aria-describedby="caption-attachment-35198" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-4.png" alt="Na imagem está Tom Joad do lado esquerdo. Ele usa uma boina, uma camisa de botão por baixo e um sobretudo preto e sujo por cima. Ele está olhando para a esquerda, para algo fora do plano. Ao seu lado está Ma Joad, ela olha para Tom com uma expressão preocupada. Ela usa uma blusa velha." width="768" height="616" /><figcaption id="caption-attachment-35198" class="wp-caption-text">As Vinhas da Ira é uma adaptação do livro de John Steinbeck (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a Depressão de 1929, os Estados Unidos entraram em uma crise profunda que afetou diversas áreas, dentre elas, a agrária. Nesse contexto entra </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1939), livro de John Steinbeck que foi adaptado aos cinemas por </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DIrnPrApzM7/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1940. Ainda que seja um pouco ofuscado pela outras obras-primas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Grapes of Wrath</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original, se consolidou na história do Cinema como uma grande análise sociopolítica, feita a partir da destruição de uma família em meio a instabilidade econômica que, de certa forma, dialoga com o quadro </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1944) de Candido Portinari.</span></p>
<p><span id="more-35195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Tom Joad (Henry Fonda) retorna para casa depois de anos cumprindo sua pena. No entanto, o que ele encontra é um lar abandonado, com madeiras desgastadas e ambiente escuro. Dentro do local, o personagem Muley Graves (John Qualen) explica ao protagonista e a Casy (John Carradine) – ex-pregador que irá acompanhar Tom em sua jornada – que a sua família, assim como todas as outras da região, foram expulsas de suas terras. Ao encontrar seus parentes, os dois, junto com os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/acervo/saiba-mais-livro-vinhas-ira-john-steinbeck-689443.phtml"><span style="font-weight: 400;">Joad’s</span></a><span style="font-weight: 400;">, saem em direção a Califórnia, em busca de oportunidades.</span></p>
<figure id="attachment_35199" aria-describedby="caption-attachment-35199" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-800x549.png" alt="Na imagem está Tom Joad, à esquerda, e Casy, à direita. Tom está olhando para a direita, para algo fora do plano. Casy está olhando para Tom. Uma luz que vem de baixo, ilumina o rosto dos dois." width="800" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-800x549.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-1024x703.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-768x527.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1.png 1049w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35199" class="wp-caption-text">“Então porque está fazendo isso? Contra sua própria gente” (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A inteligência político-social de John Ford, na década de 1940, está acima da maioria dos cineastas ‘politizados’ de hoje. Com uma cena simples ele expõe a contradição do sistema vigente. No </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;"> em que a família está sendo despejada, eles ameaçam o informante; este, por sua vez, diz que quem está expulsando-os são as companhias donas das propriedades, que também estão recebendo ordens dos </span><a href="https://www.paulogala.com.br/da-terra-a-industria-a-concentracao-fundiaria-e-o-fim-da-agricultura-familiar-nos-eua-em-as-vinhas-da-ira/#:~:text=As%20Vinhas%20da%20Ira%2C%20de,d%C3%ADvida%20e%20%C3%A0%20mecaniza%C3%A7%C3%A3o%20agr%C3%ADcola"><span style="font-weight: 400;">bancos</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Devem ter um presidente. Alguém que sabe o que é uma espingarda</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os moradores buscam a culpabilização de um indivíduo, porém, o problema está em toda a sistematização do país, Ford não cai na tentação de achar um vilão contra quem lutar, ao invés disso, aceita o futuro trágico e realista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, Muley relembra o momento em que sua moradia é destruída por um trator, dirigido por um conhecido, alguém da mesma classe do fazendeiro. Quando questionado o porquê de estar trabalhando contra o seu povo, a realidade recai sobre os personagens: ele é só mais um tentando salvar a sua família. O diretor sabe o que faz com a câmera para não dar a ideia errada. O jogo de luz e sombras e os contrastes são pouco dramáticos nesse momento, o </span><a href="https://cinemacao.com/2020/03/25/be-a-ba-cinematografico-o-que-e-plongee-e-contra-plongee/"><span style="font-weight: 400;">contra-</span><i><span style="font-weight: 400;">plongée</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não empodera aquele que está em cima da máquina, a ideia não é criar vilões. Neste sentido, a técnica é utilizada para contrastar o Muley antes e depois dos acontecimentos. A perda de seu teto, também lhe tirou a vitalidade, vagando como um fantasma pelos sobrados abandonados, do qual se acostumou a ver a vida inteira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pessimismo toma conta do filme, da sua temática, a maneira como a história se desenvolve, até como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sxUbMrz-wBw"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é pensada. A Fotografia, bem contrastada, evidencia os rostos tristes e desesperançosos, os infortúnios não são apenas inevitáveis, como também esperados pelos personagens. Chama a atenção o momento em que o avô da família morre e precisa ser enterrado no meio do nada, pois não tem dinheiro nem para dar dignidade aos seus mortos. Fica ainda mais melancólico quando a câmera dá um </span><i><span style="font-weight: 400;">close</span></i><span style="font-weight: 400;"> na carta que será deixada no túmulo e o escritor muda a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">funeral</span></i><span style="font-weight: 400;">” por “</span><i><span style="font-weight: 400;">funerais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pois ele crê que haverá ainda mais mortes.</span></p>
<figure id="attachment_35196" aria-describedby="caption-attachment-35196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x788.jpg" alt="Na foto está o quadro Os Retirantes de Cândido Portinari. O quadro mostra uma família com corpos desnutridos, rostos sem expressão e roupas surradas. O quadro passa a sensação de fome e seca." width="800" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x788.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1024x1009.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-768x757.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1536x1514.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1200x1183.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5.jpg 1599w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35196" class="wp-caption-text">“O alvo da minha pintura é o sentimento. Para mim, a técnica é meramente um meio. Porém um meio indispensável” (Foto: Guilherme Moraes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1944, Candido Portinari pintou </span><a href="https://www.todamateria.com.br/retirantes-candido-portinari/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores quadros da pintura brasileira. A imagem representa uma família de emigrantes nordestinos que estão se mudando em busca de melhores condições de vida, fugindo da fome e da miséria. O pintor retratou memórias que tinha dos retirantes na sua infância, no contexto de grande seca na região nordeste, que levou milhares de pessoas a se deslocarem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte de </span><a href="https://www.culturagenial.com/quadro-retirantes-de-candido-portinari/#:~:text=Portinari%20fala%20como%20os%20retirantes,migrantes%20passando%20pela%20sua%20cidade"><span style="font-weight: 400;">Portinari</span></a><span style="font-weight: 400;"> conversa muito bem com a de John Ford. Apesar de não se saberem se uma influencia a outra, é possível encontrar paralelos, ainda que, em diferentes circunstâncias. </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i><span style="font-weight: 400;"> estampa a desgraça dos Joad’s de maneira muito dramática, porém, pouco apelativa. O diretor evidencia os problemas e a crise, entretanto, não força algum sentimento no espectador. Deixa que ele consiga olhar para algo maior do que a destruição e entender o panorama geral do país. O pintor já faz de forma diferente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra potente, tão dramática quanto o filme, todavia, é muito mais expressivo e impactante. Ambas expõem a destruição humana, contudo, o fazem em diferentes cenários e com intenções e maneiras distintas, afinal, são linguagens diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A desenvoltura de John Ford para aplicar as técnicas cinematográficas na </span><a href="https://arthurtuoto.com/2025/03/01/o-que-foi-a-era-de-ouro-de-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Era de Ouro de Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentro de um modelo de produção que tendia a suprimir a autoria, foi muito marcante em sua filmografia. Aliás, é admirável assistir um filme tão questionador conseguir espaço em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TLbNGmodP50"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">. Todavia, se engana quem pensa que seu legado se baseava em encontrar sua própria voz naquele contexto. Ainda hoje impressiona como ele discute a sociedade norte-americana de forma crítica, algo que inspirou e inspira cineastas como Clint Eastwood.</span></p>
<figure id="attachment_35197" aria-describedby="caption-attachment-35197" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4.png" alt="Na imagem está Tom. Ele está sozinho, no centro da imagem e olha para a direita, para algo fora do plano. Ele está se apoiando em um pedaço de madeira." width="640" height="492" /><figcaption id="caption-attachment-35197" class="wp-caption-text">O filme faz parte da Era de Ouro de Hollywood (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Grapes of Wrath</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde suas opiniões políticas, não tem medo de incomodar, inclusive, faz com muita clareza. A abordagem que tem em relação a </span><a href="https://www.migalhas.com.br/depeso/366132/policia-e-democracia-os-donos-do-poder-e-a-manutencao-do-status-quo"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma boa demonstração: o policial acompanha o empresário, com a função de fazer a manutenção do </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto, o homem de negócios se aproveita da fome e desemprego em massa para gerar empregos exploratórios, o homem da lei garante a segurança e integridade física do primeiro, contendo qualquer revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, o longa consegue discutir conceitos apenas pela imagem, sem cair na armadilha de colocar monólogos ou conversas explicativas. Chegando à reta final, os Joad’s conseguem uma casa e um emprego que paga bem. No entanto, conforme o tempo passa, eles vão vendo a </span><a href="https://www.paulogala.com.br/conceitos-de-exercito-industrial-de-reserva-e-mais-valia-em-marx/"><span style="font-weight: 400;">remuneração diminuir</span></a><span style="font-weight: 400;">, por causa do número de pessoas que estão implorando por um trabalho. Ou seja, o salário desvaloriza e a pressão aumenta, de acordo com o aumento da procura.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6aywSrXKrQo"><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">entrou para a história do Cinema como um grande retrato da falência sistêmica. John Ford é um cineasta extraordinário, capaz de entender e representar os Estados Unidos e suas crises de maneira crítica, sem ser apelativo ou taxativo. Seus filmes não estão interessados em educar, mas sim em gerar debates sobre as profundas contradições do país em que vive. Todavia, não se pode pensar que fica apenas no discurso, Ford entende de cinema, sabe trabalhar ideias por imagens, e ninguém filma como ele.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-as-vinhas-da-ira/">Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 10 anos, Kingsman: Serviço Secreto mostrava que um cavalheiro também pode bater em caras maus</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Mar 2025 18:00:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Lançado em 2015, Kingsman: Serviço Secreto trouxe um novo fôlego para os filmes de espionagem ao combinar ação estilizada, humor ácido e uma estética sofisticada. Dirigido por Matthew Vaughn, o longa subverteu clichês do gênero ao transformar um jovem marginalizado em um agente de elite, sob a tutela do carismático Harry Hart (Colin &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kingsman-servico-secreto-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Kingsman: Serviço Secreto mostrava que um cavalheiro também pode bater em caras maus"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34900" aria-describedby="caption-attachment-34900" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34900" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-1-800x453.jpg" alt="A cena mostra um homem de meia-idade, alto e de aparência refinada, usa um terno cinza risca de giz, gravata listrada e óculos de armação grossa. Seu cabelo é loiro-acinzentado, bem penteado, e ele tem uma expressão séria e autoritária enquanto levanta a mão para um jovem. O rapaz, de pele clara e aparência jovem, veste um boné azul, uma jaqueta preta acolchoada e uma camisa polo listrada. Ele tem um rosto anguloso, sobrancelhas marcadas e mantém uma expressão desconfiada ou desafiadora. A cena ocorre em uma sala de estilo clássico, com paredes verdes, quadros e uma mesa de bilhar ao fundo." width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-1-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34900" class="wp-caption-text">O filme arrecadou mais de US$ 414 milhões mundialmente, tornando-se o maior sucesso comercial de Vaughn até o ano de 2014 (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Marcela Jardim</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2015, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman: Serviço Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe um novo fôlego para os filmes de espionagem ao combinar ação estilizada, humor ácido e uma estética sofisticada. Dirigido por Matthew Vaughn, o longa subverteu clichês do gênero ao transformar um jovem marginalizado em um agente de elite, sob a tutela do carismático Harry Hart (Colin Firth). Inspirado na HQ </span><a href="https://panini.com.br/kingsman-vol-1-servico-secreto"><i><span style="font-weight: 400;">The Secret Service</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Mark Millar, a obra se destacou pela violência coreografada e pelo tom irreverente, equilibrando homenagens aos clássicos de James Bond com uma abordagem moderna e exagerada. O roteiro dinâmico e repleto de reviravoltas, aliado às atuações cativantes, fizeram do longa uma experiência única, misturando o charme britânico com sequências de ação eletrizantes.</span></p>
<p><span id="more-34899"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Eggsy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taron Egerton</span></a><span style="font-weight: 400;">), um jovem problemático recrutado para uma agência de espionagem secreta chamada Kingsman. Ele é treinado por Harry Hart (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mothering-sunday-critica/"><span style="font-weight: 400;">Colin Firth</span></a><span style="font-weight: 400;">), um agente veterano que vê potencial nele. Enquanto Eggsy passa por um rigoroso processo de seleção, um vilão bilionário, Richmond Valentine (Samuel L. Jackson), planeja lançar um plano mortal para “</span><i><span style="font-weight: 400;">salvar o planeta</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">eliminando grande parte da população mundial por meio de sinais transmitidos via cartão </span><i><span style="font-weight: 400;">SIM</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34901" aria-describedby="caption-attachment-34901" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-2.jpeg" alt="A cena mostra dois homens em uma loja luxuosa de alfaiataria. O mais velho, um cavalheiro de postura ereta, veste um terno cinza bem ajustado, camisa branca e gravata escura. Seus cabelos loiros grisalhos são penteados para trás, e ele usa óculos elegantes. Ele mantém um semblante calmo enquanto conversa com um jovem. O rapaz, de estatura média e físico esguio, veste um moletom amarelo vibrante com estampas pretas de letras e símbolos, além de um boné branco. Ele tem traços jovens, cabelo castanho curto e um olhar atento, sugerindo curiosidade ou aprendizado. Atrás deles, prateleiras bem organizadas exibem sapatos de couro, relógios e acessórios sofisticados que, na verdade, são artefatos de espionagem." width="770" height="465" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-2.jpeg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-2-768x464.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34901" class="wp-caption-text">Colin Firth treinou por cerca de seis meses para estar em ótima forma física e de luta para interpretar o cavalheiro espião Galahad (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman </span></i><span style="font-weight: 400;">se equilibra entre a sátira e a homenagem ao Cinema de </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-198771/similar/"><span style="font-weight: 400;">espionagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, misturando luta de classes, feminismo, relacionamento abusivo, estereótipos e violência estilizada. Se, por um lado, exalta a nobreza e a sofisticação dos agentes britânicos, por outro, ridiculariza a fama vazia e o poder do dinheiro. Eggsy é um herói vindo da periferia, mas sua origem é retratada com preconceito: enquanto ele se destaca, seus vizinhos são caricaturas da ignorância e da grosseria. O filme traz personagens femininas fortes, como Gazelle (Sofia Boutella) e Roxy (Sophie Cookson), sem subordina-las a interesses românticos. A direção de Matthew Vaughn dá um tom de quadrinhos à violência extrema, transformando o choque em espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segredo para evitar o colapso dessa mistura está no equilíbrio entre opostos, refletido na escolha de elenco. Colin Firth, conhecido por papéis de realeza e cavalheirismo, interpreta um assassino letal sem perder a compostura. O vilão Valentine inverte expectativas: Samuel L. Jackson abandona sua voz marcante por uma dicção afetada, quase ingênua, que contrasta com sua periculosidade. A presença de Mark Hamill, às vésperas de reassumir </span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Luke Skywalker</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma piscadela ao público </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">, reforçando o jogo metalinguístico da produção.</span></p>
<figure id="attachment_34902" aria-describedby="caption-attachment-34902" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-3-800x451.png" alt="A cena mostra o interior de uma sala submersa, um grupo de jovens luta para se manter à tona. No centro da cena, um rapaz de pele clara e físico atlético nada com determinação em direção a um espelho, seu corpo estendido e músculos tensionados. Ele tem cabelo castanho-claro curto, um rosto definido e veste apenas uma calça clara. Atrás dele, outros jovens, também de aparência jovem e físicos variados, demonstram expressões de tensão e esforço enquanto tentam sobreviver à prova. A água tem uma iluminação azul fria, criando uma atmosfera de urgência e desafio." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-3-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-3-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-3.png 840w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34902" class="wp-caption-text">O protagonista Taron Egerton também é conhecido por interpretar Elton John no filme sobre a vida do cantor, Rocketman (2019) (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nesse contexto de metalinguagem, assim como Thanos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Guerra Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, Richmond Valentine em </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman </span></i><span style="font-weight: 400;">assume o papel de um ‘messias deturpado’, decidido a salvar o mundo a partir de um sacrifício calculado. Ambos compartilham a crença de que a humanidade está condenada pelo próprio excesso e que apenas uma intervenção radical pode garantir a sobrevivência do planeta. No entanto, enquanto Thanos se apresenta como um agente do equilíbrio, eliminando metade da vida de forma aleatória, Valentine adota um critério ainda mais perverso: só os mais ricos e poderosos merecem viver. Seu plano reflete uma lógica eugenista disfarçada de pragmatismo ambiental, onde os privilegiados escapam do caos enquanto as massas se aniquilam entre si. No fundo, tanto ele quanto Thanos personificam a visão distorcida de que a salvação exige genocídio, mas Valentine escancara a hipocrisia de um mundo onde o poder sempre define quem tem direito ao futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrariando as premissas de </span><a href="https://kingsman.fandom.com/wiki/Richmond_Valentine"><span style="font-weight: 400;">Valentine</span></a><span style="font-weight: 400;">, a trajetória de Eggsy mostra que é sim possível manter suas origens e ser digno de ascender socialmente. O protagonista passa por diversas barreiras sociais até alcançar seu lugar no grupo de elite. Mesmo mudando seu comportamento, modos e até mesmo figurino, sua essência é o diferencial que o torna um agente talentoso e empático. Enquanto seus colegas de elite confiam no berço e na tradição, Eggsy sobreviveu a desafios reais, desenvolvendo instintos que o tornam mais adaptável e estratégico. O filme poderia cair na narrativa comum do pobre que precisa se moldar para ser aceito, mas, ao invés disso, reafirma que ele não precisa provar nada – apenas mostrar que sempre teve valor, mesmo quando o sistema insistia em ignorá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_34903" aria-describedby="caption-attachment-34903" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-4-800x480.jpg" alt="Na imagem, dois homens saem de uma estrutura metálica semelhante a um metro. O homem à esquerda é alto, de meia-idade, com cabelos loiros grisalhos bem penteados e óculos de armação grossa. Ele veste um terno risca de giz escuro, gravata listrada e sapatos pretos bem polidos. Sua postura é ereta e confiante, caminhando com um semblante sério e determinado. Ao seu lado, um jovem de estatura média e físico esguio parece acompanhá-lo com expressão alerta e corpo levemente inclinado para frente, sugerindo urgência e curiosidade. Ele tem cabelos curtos castanho-claros e traços marcantes. Veste um boné azul escuro, uma jaqueta preta acolchoada com mangas cinza, uma camisa polo listrada em tons de azul e branco, jeans escuros e tênis brancos. O ambiente tem um tom industrial, com paredes metálicas e iluminação artificial, reforçando um clima de mistério e ação." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/kingsman-4.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34903" class="wp-caption-text">Durante e antes da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, os Serviços de Inteligência Britânicos frequentemente usavam alfaiatarias como fachada para suas atividades, assim como acontece no longa (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span><i><span style="font-weight: 400;"> Serviço Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi imediato, tornando-se um sucesso de bilheteria e consolidando Matthew Vaughn como um dos diretores mais inovadores do gênero. A recepção positiva do público e da crítica garantiu sequências e até um prelúdio, tentando expandir o universo da saga. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Nxc-3WpMbg"><i><span style="font-weight: 400;">O Círculo Dourado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) manteve a identidade estilizada do original, mas sua história recebeu críticas por exagerar na extravagância, tornando-se menos coeso. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">King’s Man: A Origem</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) tentou dar profundidade ao universo dos agentes secretos ao explorar as origens da organização, mas acabou dividindo opiniões, não conseguindo replicar o impacto inovador do primeiro filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=no0d18qvw0o"><span style="font-weight: 400;">franquia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman</span></i><span style="font-weight: 400;"> influenciou diversas outras produções que mesclam violência estilizada e humor irreverente, reforçando a tendência de filmes de ação com identidade visual marcante e narrativa ousada. A estética visual e o uso criativo da câmera, como na icônica cena da igreja, tornaram-se referência no Cinema de ação moderno. Mesmo após uma década, o longa continua sendo um marco para o gênero, provando que a espionagem pode ser reinventada para novas gerações sem perder o carisma e a sofisticação que marcaram os clássicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do sucesso inicial, o futuro da franquia permanece incerto. Com a recepção morna das sequências, há dúvidas sobre sua capacidade de continuar inovando sem perder sua essência. Entretanto, o impacto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SkeKxAdNkDM"><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman: Serviço Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já está consolidado, e sua mistura de ação explosiva, irreverência e estética refinada garantiu seu lugar como uma das obras mais memoráveis do Cinema de espionagem contemporâneo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kingsman: Serviço Secreto | Trailer Oficial Legendado HD | 2014" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ydox4Iy8pCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O amor, a fé e a cultura em Planeta dos Macacos: O Reinado</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 18:20:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoilers. Davi Marcelgo Em Planeta dos Macacos: A Guerra (2017), Caesar (Andy Serkis) foi inserido numa narrativa inspirada na trajetória de Moisés e a terra prometida; levar seu povo a um lar sem violência. O novo Planeta dos Macacos: O Reinado (2024), persiste na dinâmica religiosa, mas não ficando somente no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/planeta-dos-macacos-o-reinado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O amor, a fé e a cultura em Planeta dos Macacos: O Reinado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso</i></b><i><span style="font-weight: 400;">: o texto contém spoilers.</span></i></p>
<figure id="attachment_34008" aria-describedby="caption-attachment-34008" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.png" alt="Cena do filme Planeta dos Macacos: O Reinado Na imagem, o personagem Proximus, criado digitalmente, está olhando para frente, com a cabeça inclinada para a esquerda. Ele está com a expressão tranquila e com a boca aberta mostrando os dentes. Proximus é um chimpanzé com os pelos e face escura. Ele usa uma coroa na cor bronze, com pontas nos cantos e no meio. Ele também usa um colar com ombreiras, feito de couro e metal. Atrás dele há bandeiras vermelhas. " width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34008" class="wp-caption-text">Planeta dos Macacos: O Reinado é o décimo filme da franquia (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.maisgoias.com.br/blogs/telemania/critica-planeta-dos-macacos-a-guerra-2017-relembrando/"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: A Guerra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), Caesar (Andy Serkis) foi inserido numa narrativa inspirada na trajetória de Moisés e a terra prometida; levar seu povo a um lar sem violência. O novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: O Reinado </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), persiste na dinâmica religiosa, mas não ficando somente no terreno da referência e, sim, tornando-a temática. Décadas após a morte de Caesar, o jovem Noa (Owen Teague) é a única esperança de salvar sua aldeia da tirania do rei Proximus (Kevin Durand). </span></p>
<p><span id="more-34005"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O crítico </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/05/com-mel-lisboa-filme-de-frases-pomposas-e-sem-nexo-lembra-a-vera-cruz.shtml"><span style="font-weight: 400;">Arthur Tuoto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em seu comentário sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), dirigido por Matt Reeves, ressalta a dificuldade do filme equilibrar entretenimento com autoria. Tal problema não está, de forma alguma, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Reinado</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Wes Ball, que consegue ser um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> com ações pitorescas ao mesmo tempo que te convida a desbravar esse mundo (velho) novo, com uma pegada mais autoral. Por isso, assistir a distopia da Gripe Símia é ter a mesma sensação de testemunhar o mergulho intenso nos oceanos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as duas horas e 25 minutos do longa, </span><a href="https://br.ign.com/the-maze-runner/123472/news/maze-runner-recebera-um-reboot-com-wes-ball-como-produtor-diz-site"><span style="font-weight: 400;">Ball</span></a><span style="font-weight: 400;"> passeia por muitos cenários e dedica várias sequências para o público conhecer não somente o relacionamento das personagens, como também a cultura. A primeira cena de Noa e seus amigos é uma empreitada por uma tradição da aldeia, chamada de “</span><i><span style="font-weight: 400;">vínculo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ritual em que os jovens ganham suas águias. Vínculo é o que vamos criar com o filme: são muitos os detalhes referente aos hábitos dos macacos, desde canções, fé, vestimentas e até a organização hierárquica da sociedade.  </span></p>
<figure id="attachment_34007" aria-describedby="caption-attachment-34007" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-8.png" alt="Cena do filme Planeta dos Macacos: O ReinadoNa imagem, os personagens Noa e a mãe, criados digitalmente, estão olhando para a frente, com expressão de preocupação. Noa é um chimpanzé de pelos escuros e face de cor clara. Ele é um macaco jovem. Sua mãe é mais velha e também possui pêlos escuros e a face de cor clara. Na sua testa, há um risco na vertical, chegando até o meio dos olhos, na cor vermelha. Atrás deles está o céu azul, o mar e pedaços de madeira em desfoque. " width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-8.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-8-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-8-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-8-768x322.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34007" class="wp-caption-text">O longa teve a maior abertura em bilheteria do primeiro semestre de 2024 (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Wes Ball rejeita os atuais filmes de ação hollywoodianos</span> <span style="font-weight: 400;">que precisam a todo momento ganhar a atenção do público com explosões e ritmo frenético. Para o autor, emular um </span><a href="https://diamondfilms.com/br/noticia/1381-o-que-%EF%BF%BD-um-road-movie-ou-filme-de-estradaa"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com pinceladas de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais encantador. A saída do jovem Noa da tribo, muda a sua perspectiva do cotidiano, fé, história da sua espécie e a forma como ele enxerga os humanos. O desenvolvimento do personagem é carregado de sutileza, ele vai cozinhando todos os conhecimentos adquiridos em sua cruzada para usá-los no final – não no clássico molde da jornada do herói, mas em sua postura nas relações com humanos e macacos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desdobramentos sucedem a partir de diálogos entre Raka (</span><a href="https://www.ajc.com/things-to-do/georgia-entertainment-scene/atlantan-peter-macon-plays-in-kingdom-of-the-planet-of-the-apes/SXA3WNXNIBGWVDNWTYJMHLDK6U/"><span style="font-weight: 400;">Peter Macon</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Noa, arquétipos de mestre e aprendiz, respectivamente, seja em volta de fogueiras ou andando à cavalo. O cineasta cria uma atmosfera serena ao unir seus enquadramentos com a trilha sonora de John Paesano, que evoca com violinos o sentimento de isolamento que uma distopia provoca, fazendo do ‘arrasa-quarteirões’ um filme preocupado com uma estilização correspondente ao cenário em que se desenrola. Apesar dos momentos silenciosos e introspectivos, ainda é um ‘filmaço’ de </span><a href="https://www.blog.365filmes.com.br/2017/05/summer-movies-confira-7-estreias-entenda-termo.html"><span style="font-weight: 400;">verão norte-americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando é para ser um grande filme de ação, o diretor de </span><a href="https://isabelaboscov.com/2015/09/09/maze-runner-prova-de-fogo/#:~:text=Embora%20n%C3%A3o%20se%20compare%20em,a%20sua%20mitologia%20(a%20s%C3%A9rie"><i><span style="font-weight: 400;">Maze Runner</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">usa os corpos dos macacos a sua disposição. Os golpes de gorilas são fortes quando comparados aos primatas menores; a coreografia traz a sensação de perigo – um macaco te atacando pelas costas é, no mínimo, assustador –, os pulos e escaladas são filmadas com tensão e movimento. Assim como as cenas de perseguição te grudam na poltrona do cinema. </span></p>
<figure id="attachment_34006" aria-describedby="caption-attachment-34006" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34006" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-7.png" alt="Cena do filme Planeta dos Macacos: O ReinadoNa cena, Noa, um macaco criado digitalmente, está montado num cavalo, de costas para a câmera. Ele possui pêlos escuros e está usando uma bolsa transversal. À sua frente, o cenário é de uma cidade pós-apocalíptica tomada por arbustos e árvores. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-7.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-7-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34006" class="wp-caption-text">A cidade tomada pela natureza é um clássico das distopias (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme sobre macacos celebra a humanidade e o que ela tem de bom, abordando o amor, a fé e cultura com registros de livros, canções, alfabetização, brinquedos de crianças, encontros românticos para ver as estrelas, amizade e irmandade. São muitos os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos </span></i><span style="font-weight: 400;">que nos faz refletir sobre nossa humanidade. Abrindo o longa com um enterro, ver animais tendo a </span><a href="https://g1.globo.com/natureza/noticia/2016/09/existe-luto-no-reino-animal.html"><span style="font-weight: 400;">compreensão da morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fazendo um evento para chorar a perda é, de fato, humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como também na ganância, a impotência de conviver com a diferença são representados por Proximus e Nova (</span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/planeta-dos-macacos-o-reinado-final-alternativo"><span style="font-weight: 400;">Freya Allan</span></a><span style="font-weight: 400;">). O enredo fisga o espectador por usar as características e invenções humanas que já são conhecidas – afinal, vivemos nesses corpos e nesse mundo –, e por dar novos significados a partir de uma abordagem fictícia de uma ótica ingênua; personagens antropomórficos que não viveram aquela época e precisam dar sentidos a partir de seus referenciais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trio de roteiristas, Josh Friedman, Amanda Silver e Rick Jaffa (Silver e Jaffa participaram de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/avatar-2-ajudou-planeta-dos-macacos-o-reinado-entenda"><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), escreve o enredo em uma estrutura bem ‘redondinha’. É fácil identificar quando começa um ato e termina outro, sempre antecedidos por morte e revelação. Essa fórmula dá dinamismo para trama e ‘dá gás’ para o público ir para a próxima metade com a energia lá em cima. O grupo também sabe guardar os pequenos momentos de clímax, incitando um acontecimento, mas só de fato acontecendo no momento ideal. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">twists </span></i><span style="font-weight: 400;">da história aparecem no instante máximo de cada ato e fazem com que o espectador fique ansioso para saber para onde ela vai. E se ele pensa que acertou, está enganado: Friedman, Silver e Jaffa vão te pegar de surpresa. </span></p>
<p><figure id="attachment_34010" aria-describedby="caption-attachment-34010" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.png" alt="Cena do filme Planeta dos Macacos: O ReinadoNa imagem, a personagem Noa olha para frente com expressão de medo. Ela é uma mulher branca, na faixa dos vinte anos, com cabelos longos e lisos, na cor loira. Seus olhos são azuis. Ela veste uma regata velha na cor cinza. Ela está com sujeira de terra pelo corpo. O cenário é a margem de um rio, com árvores em volta. Atrás dela, há muitas pessoas de costas correndo, essas pessoas se vestem como homem das cavernas. " width="1100" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5.png 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-768x322.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34010" class="wp-caption-text">Freya Allan (Witcher) é Nova, nome inspirado em personagem de Planeta dos Macacos (1968) [Foto: 20th Century Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">De macaco sádico a empresário engravatado, nenhum vilão da franquia desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QL9Visme8ic"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: A Origem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011) é marcante, por exceção do imperador Proximus, que é um antagonista interessantíssimo. Fissurado pelo Império Romano, o primata invade aldeias, escraviza a população e se apropria da cultura humana e de macacos. Se autodeclarando como o próximo Caesar – daí seu nome Proximus –, o visual usando coroa e a ótima interpretação de Kevin Durand trazem muito charme ao personagem. O que poderia ser um vilão genérico, na verdade, é conceitualmente interessante e ameaçador pela ambiguidade dos traços de personalidade. Proximus fala calmo, abraça os protagonistas, mas consegue manipular os personagens à sua volta e o público, quando tenta descobrir ‘qual é a dele’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história brinca com o conceito de falso messias, lendas e pós-verdade. Antes, se o </span><a href="https://www.todabiologia.com/zoologia/simios.htm"><span style="font-weight: 400;">símio</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado pelo mestre da captura de movimento, podia ser comparado com Moisés, agora remete a Jesus Cristo. Afinal, Caesar se tornou um mito e ganhou seguidores de seus ensinamentos; os lemas “</span><i><span style="font-weight: 400;">Macaco não mata macaco</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">Macacos unidos, macacos fortes</span></i><span style="font-weight: 400;">” tornaram-se mantras. Porém, na garganta de Proximus, o discurso é subvertido e o que era um lema de irmandade e revolução é transformado em promoção de trabalho neo-liberal. São contadas histórias sobre o primeiro macaco inteligente e seus feitos, algumas, partem de fatos verídicos, mas outras, são puro exagero de uma lenda passada por gerações. O efeito é falar diretamente com o espectador; os fãs da saga conhecem o que realmente aconteceu. </span></p>
<figure id="attachment_34009" aria-describedby="caption-attachment-34009" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.png" alt="Cena do filme Planeta dos Macacos: O ReinadoNa cena, três macacos andando a cavalo se dirigem a um navio naufragado em uma praia. Os macacos estão de costas e levam amarrados consigo mais dois macacos. O navio está no fundo da imagem, na cor de ferrugem, deteriorado pelo tempo. Os macacos andam na areia da praia. Os macacos e os cavalos possuem pelo na cor preta. " width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1200x503.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34009" class="wp-caption-text">Em entrevista ao portal de entretenimento Collider, Wes Ball declarou que gravou a maior parte das cenas em locações reais (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual espécie é herdeira da Terra? Essa é a dúvida que percorre os debates do longa, enquanto os macacos estão seguindo com suas vidas e formando suas próprias sociedades e costumes, alguns grupos de humanos não desistiram de tomar o controle do planeta e de subjugar outras espécies. Proximus aprende sobre isso com Trevathan (</span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/william-h-macy-e-dificil-ser-homem-nos-dias-de-hoje/"><span style="font-weight: 400;">William H. Macy</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu professor de história da humanidade. Foi através desse estudo que ele se inspirou em uma das maiores </span><a href="https://www.todamateria.com.br/imperio-romano/#:~:text=O%20Imp%C3%A9rio%20Romano%20%C3%A9%20considerado,Europa%2C%20a%20%C3%81sia%20e%20%C3%81frica."><span style="font-weight: 400;">civilizações</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ocidente, e se isso já é conceitualmente excitante, a forma como a coroa cai é soberana; a aldeia de Noa canta a música do vínculo com as águias que, atraídas pela canção, trucidam Proximus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, um escravocrata que se apropria de culturas humanas e de primatas para fins nefastos é tombado pela gnose da aldeia oprimida. O vilão não é derrotado porque há uma posição de hierarquia e um líder que pode bater de frente com ele, mas pela união de um povo que se reconhece. A cena vai de encontro com os ensinamentos de Caesar, mencionados várias vezes, inclusive por Proximus. A sequência, épica por si só, é combinada com o texto, desaguando em uma </span><a href="https://www.todamateria.com.br/o-que-e-catarse/"><span style="font-weight: 400;">catarse </span></a><span style="font-weight: 400;">deliciosa. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: O Reinado </span></i><span style="font-weight: 400;">é um dos melhores filmes de 2024. Bonito e empolgante, o longa não perde energia em momento algum e usa os elementos da saga para criar sua própria assinatura. Partindo da religião como o coração temático e de reflexões sobre o que é ser humano, o filme expande a </span><a href="https://nuckturp.com.br/dicionario/lore/#:~:text=A%20Lore%20%C3%A9%2C%20resumidamente%2C%20o,0%20Compart."><i><span style="font-weight: 400;">lore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com inteligência do roteiro ao enredo, pendura o espectador em cipós e o faz torcer (mais uma vez) pela prosperidade dos macacos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Planeta Dos Macacos: O Reinado | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NmTPDA15lPA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 21:13:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em Com Amor, Simon, filme lançado em 2018, baseado no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, escrito por Becky Albertalli, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/com-amor-simon-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Com Amor, Simon permanece necessário às gerações atuais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30555" aria-describedby="caption-attachment-30555" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, observa-se o personagem Simon sentado, segurando um garfo, com um moletom preto e uma jaqueta jeans com pelo bege." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.4.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30555" class="wp-caption-text">Ambientado no típico Ensino Médio americano, Com Amor, Simon, inova ao abordar os anseios da juventude LGBTQIAP+ (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Machado Leal</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2018, baseado no livro </span><a href="https://seriesbrasil.com.br/com-amor-simon-universo/"><i><span style="font-weight: 400;">Simon vs. A Agenda Homo Sapiens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www.beckyalbertalli.com/"><span style="font-weight: 400;">Becky Albertalli</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história retratada é a de um adolescente que guarda um segredo a sete chaves. Simon Spier (Nick Robinson) teme, ao revelar que é gay, ser discriminado pelos seus colegas de aula e, por isso, esconde sua orientação sexual. No entanto, em certo momento da história, o protagonista decide conversar com um outro garoto em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blog</span></i><span style="font-weight: 400;"> – com os codinomes Jacques e Blue, respectivamente –, dando espaço para conhecermos o íntimo do jovem.</span></p>
<p><span id="more-30554"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou igual a você</span></i><span style="font-weight: 400;">” é uma das primeiras frases ditas por Simon, e é ela que serve como fio condutor do longa. Durante os 110 minutos do filme, o roteiro de </span><a href="https://screenrant.com/how-met-father-isaac-aptaker-elizabeth-berger-interview/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Klausner e Elizabeth Berger</span></a><span style="font-weight: 400;"> – com o auxílio da autora – lembra aos seus espectadores de que a homossexualidade, assim como a heterossexualidade, é algo natural. O lema pregado pelo protagonista reconhece que o caráter do indivíduo está acima da sua sexualidade e que, se os entes queridos realmente se importam, eles estarão ao seu lado. Não é difícil se surpreender com o pensamento de Simon, já que o personagem possui uma família livre de preconceitos.</span></p>
<figure id="attachment_30556" aria-describedby="caption-attachment-30556" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon ambientada no pátio de uma escola de ensino médio. Da esquerda para a direita, é possível reconhecer seis personagens, são eles: um homem negro de jaqueta cinza com um boné, uma mulher negra de cabelo cacheado, uma mulher branca de cabelo cacheado, um homem branco com uma camiseta cinza e uma jaqueta verde amarronzada, um homem branco louro com um moletom cinza e um homem negro com um moletom preto com listras brancas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.2.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30556" class="wp-caption-text">Ao fazer parte de um filme necessário, o elenco de Com Amor, Simon entrega atuações comprometidas com a seriedade do tema (Foto: Ben Rothstein/20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, o medo de Simon acerca de sua sexualidade é exclusivo da dinâmica repressiva do ambiente escolar. O conflito principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Simon </span></i><span style="font-weight: 400;">se dá pela descoberta do antagonista Martin Addison (Logan Miller) em relação à sexualidade do protagonista e de seus </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> trocados com Blue. A partir desse momento, o personagem ameaçado faz de tudo para que seu segredo não seja revelado aos demais estudantes do colégio Creekwood, provocando o rompimento de uma relação de fidelidade com seus amigos próximos. Nessa perspectiva, o longa se destaca ao abordar precisamente a angústia vivida por jovens da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> no momento em que precisam se assumir aos seus pais e colegas, algo que não acontece com pessoas heterossexuais – e que é até ironizado em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=49r_PFnri_E"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o humor é uma ferramenta fundamental na história, pois é usado para dizer o que deve ser dito de uma forma que seja compreensível, para o maior número de pessoas. É visível qual era a intenção de todos os envolvidos na produção de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">: fazer com que o filme ressoe entre as diferentes gerações, para que a conversa não seja restrita à juventude moderna. É nesse ponto em que a obra se fundamenta como necessária às gerações atuais, por ser </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/cinema/2018/04/com-amor-simon-e-primeiro-romance-adolescente-gay-de-um-grande-estudio.shtml"><span style="font-weight: 400;">o primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre um adolescente gay produzido por um grande estúdio. Com a sua linguagem simples e direta, o longa dirigido por Greg Berlanti é capaz de servir como um guia confiável, em que os adolescentes podem se basear ao terem dilemas em relação a sua orientação sexual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto causado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é surpreendente, uma vez que, ao lado de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CK-g0OqzQHQ"><i><span style="font-weight: 400;">Para Todos os Garotos que Já Amei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é um respiro para o gênero das comédias ambientadas no Ensino Médio, que teve o seu ápice nos anos 90 e 2000, com filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tD76OqlJRwQ"><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Meninas Malvadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Embora não tenha sido deixado totalmente de lado, o estilo sofreu um perceptível declínio em suas histórias recheadas de clichês. É notável que obras transgressoras, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, foram fundamentais para o ressurgimento de histórias focadas em adolescentes, uma vez que, após cinco anos do seu lançamento, o longa é recorrentemente lembrado nas </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/os-melhores-filmes-adolescentes"><span style="font-weight: 400;">listas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de melhores </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/110641-10-dramas-e-comedias-teen-para-assistir-na-netflix-durante-as-ferias.htm"><span style="font-weight: 400;">comédias </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_30559" aria-describedby="caption-attachment-30559" style="width: 779px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30559" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, pode-se ver o protagonista Simon, interpretado pelo ator Nick Robinson, que usa uma jaqueta jeans com pelo bege." width="779" height="462" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon.png 779w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/simon-768x455.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30559" class="wp-caption-text">Nick Robinson (Simon) é a alma do filme e dá ao público o melhor de si ao retratar os anseios<br />do jovem LGBTQIAP+ [Foto: 20th Century Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Outro ponto essencial para a aclamação da obra é a atuação de Nick Robinson. Conhecido por</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S2_aWPGZwhs"><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic World</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">: O Mundo Dos Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DxCntPIs38U"><i><span style="font-weight: 400;">A 5ª Onda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele obtém não só o prestígio da </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/love-simon-1088293/"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também o do público, uma vez que, por conta de sua interpretação, é natural se conectar com o protagonista logo no início. A escolha do ator também reflete no recorte determinado pelos produtores Wyck Godfrey (</span><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i><span style="font-weight: 400;">), Marty Bowen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sorria-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sorria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Pouya Shahbazian (</span><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Isaac Klausne (</span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alguém Avisa?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), posto que Simon é um jovem gay, branco e heteronormativo que, quando comparado ao personagem Ethan (Clark Moore) – um garoto gay, negro e afeminado, que serve como alvo de zombaria dos valentões da escola –, é perceptível o privilégio que tem por estar no armário. Aliás, essa questão pode desagradar os mais engajados na causa LGBTQIAP+, devido à falta de representatividade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6XpaIBNiVzIetEPCWDvAFP"><span style="font-weight: 400;">Whitney Houston</span></a><span style="font-weight: 400;">, seria um erro falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não mencionar a sua excelente </span><a href="https://open.spotify.com/album/1JHZTusMlrbbTBC3xHt2Gw"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jack-antonoff/"><span style="font-weight: 400;">produtor de sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jack Antonoff. A música de Houston é utilizada de uma forma genial na história, ao mostrar os estereótipos de homens gays, como se, por causa da sexualidade, o indivíduo precisasse gostar de musicais e de divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ser aceito no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o objetivo de conversar com as gerações atuais, a trilha de Antonoff ainda conta com diversas canções de sua banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/2eam0iDomRHGBypaDQLwWI"><span style="font-weight: 400;">Bleachers</span></a><span style="font-weight: 400;">, além do </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso </span><a href="https://open.spotify.com/album/4CEAev7neETRdqBFtzA8B9?highlight=spotify:track:45Egmo7icyopuzJN0oMEdk"><i><span style="font-weight: 400;">Love Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos cantores Khalid e Normani.</span></p>
<figure id="attachment_30558" aria-describedby="caption-attachment-30558" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem.3.webp" alt="Cena do filme Com Amor, Simon. Nela, encontram-se quatro pessoas. Da esquerda para a direita, são elas: um homem branco de cabelo liso com uma camiseta verde listrada, uma menina branca e loura com uma blusa rosa, uma mulher branca com o cabelo ondulado e um homem com o cabelo grisalho e uma roupa cinza. Todos estão sentados e sorrindo." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-30558" class="wp-caption-text">É nos diálogos entre Simon e sua família que o longa mostra ao espectador a tamanha importância de se ter uma rede de apoio (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, é impressionante – e, de certa forma, incomum – a forma como os pais de Simon, interpretados pelos carismáticos Josh Duhamel e Jennifer Garner, aceitam a sua sexualidade. A mãe, por exemplo, deseja que o jovem seja a melhor versão de si mesmo. Por esse mesmo ângulo,  em uma das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j9EGUdzp42Y"><span style="font-weight: 400;">cenas mais impactantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa, há a conversa entre o protagonista e o seu pai, Jack (Duhamel), que revela ao filho que não mudaria nada nele. São nessas cenas, carregadas de emoção, que levam o público a amar </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> com toda a intensidade, dado que é rara a ocorrência de produções delicadas e bem pensadas para um público que não se vê nas telas por uma óptica tão cuidadosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos momentos finais da história, Simon é tirado do armário e se vê sozinho. Entretanto, ele tem uma ideia e decide convocar os seus colegas em uma missão: encontrar o anônimo Blue na roda-gigante do parque de diversões de sua cidade, para se declarar ao amado. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5fwifVyRX0M"><span style="font-weight: 400;">É nesse momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que há a revelação da identidade do interesse amoroso do protagonista. Nesse ponto do longa, todos estão esperando ansiosamente por algo a mais entre os dois garotos, que cedem à pressão popular e aos seus desejos pessoais, proporcionando ao público um dos beijos mais carinhosos vistos até então em um filme adolescente. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Simon</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz-se </span><a href="https://theknowfresno.org/04/06/2018/love-simon-important-movie/#:~:text=Love%2C%20Simon%20explores%20the%20complexities%20that%20come%20with,see%20yourself%20being%20positively%20represented%20on%20the%20screen."><span style="font-weight: 400;">imprescindível</span></a><span style="font-weight: 400;"> na hora de se escolher uma obra cinematográfica que represente tão bem os anseios da comunidade LGBTQIAP+. É por causa de longas-metragens como esse que histórias plurais e diversas podem e devem ser contadas na ficção. A essa altura, torna-se indiscutível a importância de se ter um personagem tão imponente como Simon, no que se relaciona ao desafio vivido por jovens do mundo inteiro &#8211; seja esse desafio a descoberta da própria sexualidade ou o medo de ser abandonado após se assumir. No seu aniversário de cinco anos de lançamento, a bela história de Simon Spier se mantém mais atemporal e necessária como nunca.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dUfrVyIxBiY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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