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	<title>Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 15:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No filme dirigido por Liliane Mutti, a história de Alaíde Costa é retratada a partir da adaptação de sua biografia Talita Mutti A história da Bossa Nova costuma ser associada a nomes como João Gilberto, Tom Jobim e tantos outros ligados à classe média carioca branca. Mas, entre os artistas que contribuíram para a construção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/liliane-mutti-resgata-historia-e-questiona-apagamento-na-bossa-nova-em-a-noite-de-alaide/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">No filme dirigido por Liliane Mutti, a história de Alaíde Costa é retratada a partir da adaptação de sua biografia</span></em></p>
<figure id="attachment_37644" aria-describedby="caption-attachment-37644" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37644 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/dn_2026-07-15_8fdo7y6t_A-NOITE-DE-ALAIDE.avif" alt="Fotografia em preto e branco de Alaíde Costa sorrindo, em enquadramento fechado que destaca seu rosto, olhos delineados, sobrancelhas marcadas e brincos de argola. Sobre a imagem, pontos circulares de luz em tons de branco, vermelho, laranja e azul criam um efeito visual colorido." width="580" height="326" /><figcaption id="caption-attachment-37644" class="wp-caption-text">Aos 90 anos, Alaíde Costa segue se apresentando em palcos no Brasil e no exterior (foto: Toca Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da </span><a href="https://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova</span></a><span style="font-weight: 400;"> costuma ser associada a nomes como João Gilberto, Tom Jobim e tantos outros ligados à classe média carioca branca. Mas, entre os artistas que contribuíram para a construção do movimento, </span><a href="https://www.instagram.com/alaidecostaoficial/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Alaíde Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> nem sempre recebeu o reconhecimento correspondente à sua importância. Cantora e compositora, ela atravessou diferentes momentos da música brasileira sem se limitar às expectativas de sua época. É essa história que a cineasta Liliane Mutti reconstrói em </span><a href="https://www.canalcurta.tv.br/filme/?name=a_noite_de_alaide"><i><span style="font-weight: 400;">A Noite de Alaíde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por meio de animações e imagens de arquivo.</span><span id="more-37642"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a </span><a href="https://www.instagram.com/reels/DXMTEEus5gN/"><span style="font-weight: 400;">roteirista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alaíde é uma referência artística e humana, tanto pela contribuição à música brasileira quanto pela maneira como preservou suas escolhas ao longo dos anos. Sua voz destoava dos padrões associados às cantoras de rádio, o que, segundo a diretora, não foi compreendido pela indústria musical. Essa postura diante da própria arte ajuda a explicar por que sua história merece ser revisitada, sobretudo em um cenário que nem sempre reconheceu artistas que fugiam dos modelos estabelecidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ela tem uma lealdade, consciência e um respeito pela própria arte</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma. A cineasta destaca a capacidade de Alaíde de preservar sua identidade artística sem fazer concessões que contrariasse seus princípios. Para ela, a cantora também serve de referência para </span><a href="https://www.instagram.com/reels/DK7JkMjOLTl/"><span style="font-weight: 400;">novas gerações</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em um cenário marcado pela precarização da arte e pelo consumo acelerado, o cuidado com o próprio trabalho ajuda a compreender sua permanência na música brasileira aos 90 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora destaca que a história de Alaíde precisava ser contada por revelar uma perspectiva pouco explorada sobre a Bossa Nova. A imagem consolidada do gênero não contempla toda a diversidade de músicos que contribuíram para sua formação. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu queria contar essa outra história da Bossa Nova, e ninguém melhor do que a Alaíde Costa e o </span></i><a href="https://www.jazzmansion.com/post/um-dos-pais-da-bossa-nova-era-negro-e-gay-conhe%C3%A7a-johnny-alf/"><i><span style="font-weight: 400;">Johnny Alf</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, que é o coprotagonista do filme”</span></i><span style="font-weight: 400;">, explica. Johnny Alf já explorava a mistura entre o jazz norte-americano e o samba carioca antes da consolidação da Bossa Nova. Apesar de sua contribuição para a música brasileira, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/08/6921940-silenciamento-uma-historia-de-racismo-na-cultura-brasileira.html"><span style="font-weight: 400;">o racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a homofobia contribuíram para que o artista não recebesse o reconhecimento correspondente à sua importância.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Essas forças aparentemente ocultas vão limando alguns artistas, porque é a música da moda, é a música do momento, ou porque tem um perfil que está sendo buscado. E Alaíde, não que ela não fosse, mas ela em vários momentos esteve na contramão como o Johnny, ele inclusive fala no filme, muitas vezes foi chamado de maldito.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noite de Alaíde </span></i><span style="font-weight: 400;">partiu da escassez de registros audiovisuais da infância e dos primeiros anos da cantora. Nascida em 1935, Alaíde não dispunha de um acervo capaz de sustentar um documentário baseado apenas em imagens de arquivo. Diante disso, Liliane encontrou na </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2024/07/31/alaide-costa-tem-biografia-atualizada-com-texto-narrado-na-primeira-pessoa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">biografia da artista</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrita por </span><a href="https://www.instagram.com/ricardosanthiago/"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Santhiago</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ponto de partida para desenvolver o roteiro. A adaptação permitiu reconstruir episódios de sua vida por meio de uma linguagem que combina a narrativa biográfica com recursos visuais, incluindo animações e imagens de arquivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A animação surgiu como alternativa à falta de registros e ganhou espaço na construção visual e estética do filme. A montagem contou com a </span><a href="https://olhardigital.com.br/2024/06/03/cinema-e-streaming/o-que-e-rotoscopia-tecnica-utilizada-nos-cinemas-e-videogames/"><span style="font-weight: 400;">rotoscopia</span></a><span style="font-weight: 400;">, técnica em que desenhos são feitos sobre imagens de atores reais. O recurso permitiu trabalhar com cores e elementos visuais que acompanham as emoções das cenas, aproximando a reconstrução dos acontecimentos da dimensão afetiva das lembranças de Alaíde. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tem um apagamento, que ele é da esfera do simbólico e da esfera também do material, do concreto</span></i><span style="font-weight: 400;">”, observa a diretora, ao explicar a falta de arquivos sobre mulheres negras e periféricas na história do cinema e da música brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_37645" aria-describedby="caption-attachment-37645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Still-Animacao2_A-Noite-de-Alaide-800x444.jpg" alt="Ilustração em tons de rosa, preto e cinza mostra uma jovem negra sentada de pernas cruzadas no chão, com os cabelos presos em um coque e usando uma blusa branca de mangas compridas e uma saia escura. De cabeça baixa, ela escreve em um caderno apoiado sobre as pernas. À esquerda, há um pequeno rádio sobre o chão. Ao fundo, grandes janelas retangulares ocupam a parede rosa. A menina e o rádio estão em tons de cinza e preto, enquanto todo o resto está em diferentes tons de rosa." width="800" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Still-Animacao2_A-Noite-de-Alaide-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Still-Animacao2_A-Noite-de-Alaide-768x426.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Still-Animacao2_A-Noite-de-Alaide.jpg 960w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37645" class="wp-caption-text">A Rotoscopia combina desenhos e imagens de atores reais e contribui para a reconstrução visual das lembranças de Alaíde em A Noite de Alaíde (Foto:divulgação/Toca Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das dificuldades profissionais, o longa destaca as relações pessoais que acompanharam Alaíde ao longo da vida. Johnny Alf, Milton Nascimento, Baden Powell, </span><a href="https://www.instagram.com/reels/C59WuJ9vzOA/"><span style="font-weight: 400;">Vinicius de Moraes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros artistas aparecem como figuras importantes em diferentes momentos. Essas amizades ajudam a compreender como os vínculos construídos ao longo dos anos contribuíram para que a cantora atravessasse períodos difíceis e permanecesse ligada à música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a diretora, Johnny Alf ocupa um lugar especial nessa história. A relação entre os dois músicos atravessou décadas, e o pianista esteve presente até os últimos anos de vida. Mutti também destaca as afinidades musicais entre eles, já que ambos tinham o piano como instrumento e compartilhavam experiências artísticas. Outro episódio marcante foi o convite de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-clube-da-esquina/"><span style="font-weight: 400;">Milton Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que Alaíde participasse de uma gravação, após um período em que ela enfrentou problemas de audição e se afastou dos estúdios. A colaboração resultou em uma interpretação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Deixe em Paz</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se tornou uma das passagens de destaque de sua carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Liliane, as amizades retratadas no filme não aparecem para validar a importância da artista, mas para mostrar como as relações de apoio podem fazer diferença diante das dificuldades impostas pela indústria musical. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Como ela diz: não eram os colegas, era o sistema, o sistema das </span></i><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/separado-e-desigual-como-musica-pop-escondeu-os-artistas-negros/"><i><span style="font-weight: 400;">grandes gravadoras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, afirma. A diretora aponta que os critérios comerciais e os padrões estéticos de cada época contribuíram para limitar as oportunidades de artistas que não correspondiam ao perfil procurado pelo mercado. Nesse cenário, os vínculos entre músicos ajudaram a criar redes de apoio quando o reconhecimento profissional não vinha das instituições.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Milton Nascimento -  Alaíde Costa - Me Deixa Em Paz" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/wh-eSlqi900?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de Alaíde, o racismo também atravessou sua carreira. Em seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YUSYBrNq_8c&amp;xstg=CAMSEBUJ_b-oH-PhF0yjBgbwzzE%3D"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora diz ter enfrentado expectativas que restringiam as possibilidades de atuação de artistas negras na música brasileira, sobretudo quando suas escolhas estéticas não correspondiam às imagens que o mercado associava a elas. A diretora relaciona a timidez da artista ao receio de julgamento e às violências provocadas pelo racismo. Ao abordar essas questões, o filme mostra como as barreiras da indústria musical ultrapassam as oportunidades de trabalho e afetam a forma como artistas ocupam seus espaços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de Alaíde como personagem também está relacionada ao interesse de Mutti em revisitar histórias de mulheres da música brasileira que permaneceram à margem das narrativas mais conhecidas. Antes da produção, a cineasta dirigiu um filme sobre </span><a href="https://www.canalcurta.tv.br/filme/?name=miucha_a_voz_da_bossa_nova"><span style="font-weight: 400;">Miúcha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, agora, trabalha em um projeto sobre Angela Ro Ro. As produções partem de histórias que despertam seu interesse pessoal e que, segundo ela, ainda não haviam recebido espaço suficiente no cinema. Em comum, as artistas permitem questionar as formas como a música brasileira foi registrada e reconhecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou feminista, para mim isso é uma identidade muito clara na minha existência, mais até do que na minha carreira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma Mutti. Para a diretora, essa perspectiva atravessa seus filmes sem restringir o público a quem já se interessa pelas discussões </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/10/13/metamorfose-de-miucha-para-voar-como-mulher-e-cantora-e-o-mote-de-filme-de-sensibilidade-feminina.ghtml"><span style="font-weight: 400;">feministas</span></a><span style="font-weight: 400;">. As personagens são escolhidas tanto pela força de suas histórias quanto pela possibilidade de apresentar experiências pouco exploradas. No caso de Alaíde, essa abordagem também permite discutir o racismo e as expectativas sobre o lugar de mulheres negras na música brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_37643" aria-describedby="caption-attachment-37643" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/images-6.jpg" alt="Liliane à esquerda, de pele clara e cabelos escuros curtos, está de pé atrás do carro e ri com a boca aberta. Ela veste uma jaqueta off-white sobre uma camisa verde estampada, calça verde folgada e uma alça de bolsa em preto e branco. Barbara Maria à direita, de pele negra e cabelo afro escuro com uma flor rosa presa, está apoiada no teto do carro com a mão direita e sorri abertamente. Ela usa um cropped laranja e uma saia roxa plissada. O carro está em uma área externa, ao lado de um prédio com janelas grandes e uma cerca preta ao fundo. A luz do dia brilha nas laterais do carro." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-37643" class="wp-caption-text">A Noite de Alaíde reconstrói diferentes fases da vida da cantora para recuperar episódios pouco conhecidos de sua história (Foto: Divulgação/Toca Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora também destaca a troca entre Alaíde e </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/05/emicida-sobre-a-cantora-alaide-costa-o-mundo-precisa-ver-essa-mulher.ghtml"><span style="font-weight: 400;">músicos mais jovens</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mantêm contato com a cantora e demonstram interesse por seu trabalho. Durante a circulação do filme, Mutti acompanhou sessões em diferentes cidades e países e participou de apresentações marcantes. Em Paris, por exemplo, Alaíde cantou ao lado do pianista Philippe Baden Powell e afirmou no palco que havia esperado 70 anos para viver aquele momento, considerando o início de sua carreira profissional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao recuperar a história de </span><a href="https://billboard.com.br/alaide-costa-e-a-homenageada-do-wme-awards/"><span style="font-weight: 400;">Alaíde Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noite de Alaíde </span></i><span style="font-weight: 400;">questiona os limites das narrativas tradicionais sobre a música brasileira. A experiência da cantora evidencia as barreiras enfrentadas por artistas negras, mas também a capacidade de preservar uma identidade artística diante das expectativas do mercado. Ao reconstruir episódios de sua vida e destacar os vínculos que a acompanharam, o documentário abre espaço para que o público conheça uma parte da história da Bossa Nova que nem sempre recebeu a mesma atenção que seus nomes mais consagrados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Noite de Alaíde | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XnT9oi6DsZM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2026 15:00:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vencedores do Grammy Latino apresentam show envolvente e cheio de groove no Sesc Bauru Talita Mutti e André Aguiar Na última quinta-feira (15), o trio carioca Os Garotin se apresentou no Sesc Bauru com um show composto, principalmente, pelos destaques do disco mais recente do grupo, FORÇA DA JUVENTUDE (2026). Um pouco depois das 20h, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-garotin-conquistam-bauru-e-mostram-que-estao-na-boca-do-povo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Vencedores do Grammy Latino apresentam show envolvente e cheio de </span><span style="font-weight: 400;">groove</span><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></em></p>
<figure id="attachment_37657" aria-describedby="caption-attachment-37657" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM-800x450.jpeg" alt="Registro do show de Os Garotin. À esquerda da imagem, com perspectiva da lateral do palco, o trio está na plataforma sob uma iluminação azul. Cupertino toca guitarra. À direita, os fãs assistem à apresentação. Alguns levantando o smartphone para tirar fotos e gravar vídeos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.45-PM.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37657" class="wp-caption-text">A turnê Força da Juventude marca um período crucial na carreira do trio de São Gonçalo, após vitória no Grammy e aclamação de grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso (Foto: Talita Mutti)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti e André Aguiar</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na última quinta-feira (15), o trio carioca Os Garotin se apresentou no Sesc Bauru com um show composto, principalmente, pelos destaques do disco mais recente do grupo, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1rjWs2gqsxkKVP9LIs2Luo?si=JQTM3XMPScyFXt18EepdvQ"><i><span style="font-weight: 400;">FORÇA DA JUVENTUDE (2026)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Um pouco depois das 20h, o ginásio do Sesc estava cheio de fãs apaixonados, com as letras sensuais da banda na ponta da língua e prontos para dançar no que durou aproximadamente uma hora e 15 minutos de apresentação.</span><span id="more-37654"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O show é uma versão adaptada do que os gonçalenses Anchietx, Cupertino e Léo Guima fazem na </span><a href="https://osgarotindesg.com.br/?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAcGRvZgJzcnRjBmFwcF9pZA85MzY2MTk3NDMzOTI0NTkAAaebamUIXEohGRIaDrzZDArB7q5a8XlDdrRPN7INQOUHQUtyB6RWTXOiDcnRPg_aem_cuDNBolR8WPOv6YRZGatYg"><span style="font-weight: 400;">turnê Força Da Juventude</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que passa por quatro capitais no mês de outubro: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Nas poucas datas em cidades do interior paulista e do nordeste, Os Garotin tocam com banda reduzida, mas sem perder o carisma e o charme das músicas, que já fazem metade do trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre a recepção do público ao novo repertório, Os Garotin comentam em entrevista ao Persona que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe cantar tudo no show. Vem uma nostalgia do álbum que foi lançado no passado, da nossa carreira solo. Então, a galera tem cantado tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma </span><a href="https://youtu.be/YJ1P0q2rSes?si=Aa0xqP3sPljYAXK-"><span style="font-weight: 400;">Leo Guima</span></a><span style="font-weight: 400;">, minutos antes de isso se provar verdade e sucessos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rq_2gjb2d0A"><i><span style="font-weight: 400;">calor do momento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CyldFhKrlvI"><i><span style="font-weight: 400;">curva escura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ressoarem em coro nas arquibancadas do ginásio.</span></p>
<figure id="attachment_37656" aria-describedby="caption-attachment-37656" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-37656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.44-PM-600x800.jpeg" alt="Registro do show de Os Garotin. A imagem mostra, da esquerda para a direita, Cupertino tocando guitarra, Leo Guima e Anchietx. A iluminação do palco mescla tons de verde e amarelo. Alguns fãs à frente levantam as mãos." width="574" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.44-PM-600x800.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.44-PM-768x1024.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.44-PM.jpeg 960w" sizes="auto, (max-width: 574px) 85vw, 574px" /><figcaption id="caption-attachment-37656" class="wp-caption-text">Durante o show, o trio faz algumas coreografias simples sincronizadas, imitando grupos de vocalistas do soul e black music estadunidenses das décadas de 1960 e 1970 (Foto: Talita Mutti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O outro álbum mencionado por Leo é </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/07C0GZEXLAELHVNkBNeVXZ?si=fp0tDvxRSt2bT8Fqki7cAw"><i><span style="font-weight: 400;">OS GAROTIN DE SÃO GONÇALO (2024)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, categoria a qual disputavam contra grandes nomes da nova geração de </span><span style="font-weight: 400;">artistas brasileiros, como Jão, Luísa Sonza, IZA e Melly. O projeto foi essencial para pavimentar a sonoridade que mistura </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, lapidando o diferencial da banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com </span><a href="https://youtu.be/8LDJRgNC0nI?si=tQXaAbOtKVPK_hen"><span style="font-weight: 400;">Cupertino</span></a><span style="font-weight: 400;">, a pressão para criar algo maior e melhor depois de uma conquista como essa é real, no entanto, superável: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O primeiro álbum é um álbum que foi super bem-quisto, aí veio uma pressão. Mas eu acho que a gente lida bem com ela, e não deixa isso influenciar na hora de fazer música</span></i><span style="font-weight: 400;">”, comenta. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu acho que a gente tem um jeito de compor, respeitando muito a música. A gente tem muito tempo para as inspirações, para as ideias, para falar sobre isso, e vamos fazendo com o nosso coração. Isso não pode mudar nunca, é uma fórmula sagrada</span></i><span style="font-weight: 400;">”, acrescenta Leo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas do disco de estreia ainda são as que mais puxam energia, tanto dos três vocalistas quanto dos fãs – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qp80R3efukg"><i><span style="font-weight: 400;">queda livre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, é um bis infalível. Ainda assim, as novas faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">FORÇA DA JUVENTUDE são uma</span></i><span style="font-weight: 400;"> contribuição muito bem-vinda à </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Perguntados sobre qual composição é o ponto alto do show, Os Garotin respondem em consenso: “</span><a href="https://youtu.be/rlf-D9UUHL4?si=wyOhhkpkl13J-iDL"><i><span style="font-weight: 400;">soul brasileiro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, considerando o momento que a gente tá vivendo agora</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<figure id="attachment_37655" aria-describedby="caption-attachment-37655" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM-800x450.jpeg" alt=" Registro do show de Os Garotin. Sobre o palco estão o trio, o baterista Felipão e o baixista Júlio Raposo. O palco tem iluminação mais avermelhada, com uma imagem projetada no telão, que mostra um mural com elementos que fazem referência à estética do álbum Força da Juventude. É possível ver alguns celulares gravando o show." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-16-at-10.09.46-PM.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37655" class="wp-caption-text">Colaborações com BK, Marina Sena, Liniker, Lenine e Arthur Verocai mostram versatilidade musical do novo disco (Foto: Talita Mutti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os menos familiarizados, “soul brasileiro” pode soar como o título de mais um </span><i><span style="font-weight: 400;">groove</span></i><span style="font-weight: 400;"> sambado e envolvente dos cariocas, mas só quem estava no Sesc Bauru semanas antes do </span><a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/16/quando-sera-o-segundo-turno-das-eleicoes-2026-veja-a-data.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segundo turno</span></a><span style="font-weight: 400;"> das eleições presidenciais de 2026 pôde experimentar do subtexto mais profundo da faixa. Uma letra sobre a importância de se reconhecer brasileiro, se expandiu para uma reflexão coletiva a respeito da proteção à democracia e à Arte brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o refrão final de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul brasileiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontrava a pista, a audiência respondia em um mar de L’s feitos com as mãos, aplausos e gritos. Antes da música seguinte, </span><a href="https://youtu.be/z8V1ffEBt8k?si=95poMlW5_kdeOHt4"><span style="font-weight: 400;">Anchietx</span></a> <span style="font-weight: 400;">aproveitou o momento para discursar e incentivar os fãs a irem às urnas no próximo dia 25 e exercer seu direito ao voto. Ao repetir a frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">isso é a força da juventude</span></i><span style="font-weight: 400;">” algumas vezes, estar ali deixou de ser apenas lazer, tornando-se um lembrete do que de fato está em jogo no cenário político do país nestes próximos dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anchietx, Cupertino e Leo esbanjam </span><a href="https://youtu.be/MEG_W_R4uVw?si=qCh6Q7cEsQFsMFoG"><span style="font-weight: 400;">talento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Durante o show, cada um tem sua hora de brilhar, seja através de seus respectivos solos ou em outras frentes que exibem para os fãs. Anchietx tem um número de dança de alguns minutos no meio da apresentação, por exemplo, e Cupertino assume a guitarra em músicas específicas também. Para quem busca arte consciente, qualidade musical e carisma à potência máxima, o saldo é mais que positivo.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-garotin-conquistam-bauru-e-mostram-que-estao-na-boca-do-povo/">Os Garotin conquistam Bauru e mostram que estão na boca do povo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>20 anos depois, Death Note ainda sabe provocar e entreter</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/20-anos-depois-death-note-ainda-sabe-provocar-e-entreter/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Attack on Titan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Lara Fagundes Um adolescente recebe um dom: pode decidir quando acabar com a vida de alguém apenas escrevendo seu nome. Death Note surgiu como um mangá de sucesso, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, contando a história de um garoto brincando de Deus e um detetive que o investiga de mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/20-anos-depois-death-note-ainda-sabe-provocar-e-entreter/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos depois, Death Note ainda sabe provocar e entreter"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_37617" aria-describedby="caption-attachment-37617" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37617" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/images-dn.jpeg" alt="Cena do anime Death Note. Em um fundo cinza, com alguns galhos escuros e caveiras ao chão de ambos os lados, vemos três personagens. Na esquerda, ao fundo, está um homem pálido de cabelos pretos e longos, usando uma camiseta branca. Sua franja cobre seus olhos, permitindo a visão apenas de seu nariz e boca. Ele está com uma expressão séria, de perfil, olhando para o lado esquerdo. No centro, mais à frente, está um homem branco de cabelos e olhos castanhos. Ele olha diretamente para frente com uma expressão séria e um sorriso malicioso. Ele usa uma camisa branca com gola alta e segura um caderno preto com uma das mãos, o levando para perto de seu rosto. No caderno, vemos as palavras “Death Note”. Ao lado direito, ao fundo, vemos uma criatura com a pele azul clara, olhos amarelos e cabelo arrepiado para cima, azul escuro. Sua boca é grande, com dentes afiados aparecendo e lábios azuis escuros. A criatura olha para o lado direito, de perfil." width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-37617" class="wp-caption-text">O anime foi lançado no Japão em 3 de Outubro de 2006 (Foto: Madhouse)</figcaption></figure>
<p><b>Lara Fagundes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um adolescente recebe um dom: pode decidir quando acabar com a vida de alguém apenas escrevendo seu nome. </span><i><span style="font-weight: 400;">Death Note</span></i><span style="font-weight: 400;"> surgiu como um mangá de sucesso, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, contando a história de um garoto brincando de Deus e um detetive que o investiga de mais perto do que imagina. A adaptação em anime, sob direção de Tetsurō Araki, teve seu primeiro episódio lançado poucos meses após o final do mangá ser publicado. Em 2026, já é um clássico do gênero e permanece presente na </span><a href="https://www.crunchyroll.com/pt-pt/news/latest/2025/2/12/death-note-big-brother-brasil-2025"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não apenas como um grande </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">narrativo, mas pelo jogo de gato e rato que entretém qualquer um.</span></p>
<p><span id="more-37615"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 37 episódios, somos guiados por Light Yagami, um jovem no final do ensino médio, filho de policial, um pouco ‘mesquinho’, que encontra um caderno misterioso. Esse objeto vem de um </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/shinigamis-death-note-tudo-sobre.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">Shinigami</span></a><span style="font-weight: 400;">, nome associado a entidades relacionadas à morte no imaginário japonês moderno, e que é representado por uma criatura que acompanha o personagem durante a série. Com tanto poder nas mãos de um adolescente, observamos sua tentativa de colocar fim na criminalidade mundial da forma como considera mais correta, se tornando um assassino apelidado de Kira. As atitudes cada vez mais extremas dele são um ponto central na narrativa. </span></p>
<figure id="attachment_37616" aria-describedby="caption-attachment-37616" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37616" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/20230204-death-note-capa-1024x536-1-800x419.jpg" alt="Cena do anime Death Note. A imagem mostra um homem próximo de uma estante de livros. Ao lado esquerdo, está um homem branco de cabelos e olhos castanhos. Ele olha diretamente para frente com uma expressão séria e um sorriso malicioso. Ele usa uma camisa branca com gola alta e uma gravata vermelha. Ele segura um caderno preto em uma das mãos, o levando para perto de seu rosto. No caderno, vemos as palavras “Death Note”. Ao fundo, vemos uma parede azul claro e uma estante verde com livros da mesma cor, seus títulos estão em japonês. " width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/20230204-death-note-capa-1024x536-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/20230204-death-note-capa-1024x536-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/20230204-death-note-capa-1024x536-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37616" class="wp-caption-text">O autor do mangá utilizou um pseudônimo na publicação e, até hoje, seu rosto nunca foi visto (Foto: Madhouse)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada ação de </span><a href="https://contilnetnoticias.com.br/esports/12-bons-animes-com-protagonistas-frios-e-calculistas/"><span style="font-weight: 400;">Light</span></a><span style="font-weight: 400;"> é iniciada por um motivo, na teoria, nobre: a busca por um mundo melhor. Ele é apresentado como alguém que sabe que suas ações podem ser questionadas, mas que acredita tão fielmente em seus ideais, e que, do início ao fim, se coloca como um bom moço, que apenas busca um mundo mais seguro. Assim, conforme os episódios, a história vai mostrando a distância entre o discurso dele e aquilo que faz, levando-o a enlouquecer por trás das páginas do caderno. Logo que os policiais percebem seus passos, L entra no jogo, um grande nome na investigação, que se torna um dos personagens mais interessantes da obra por ser o único capaz de acompanhar e desafiar o protagonista intelectualmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a imprevisibilidade de suas ações, a investigação passa a se entrelaçar cada vez mais nos planos de Kira. Os dois possuem personalidades opostas, mas constroem um vínculo peculiar dentro da rivalidade, baseado na inteligência que os torna ‘diferente de todos’. O suspense é construído pela curiosidade de entender qual será o próximo passo na rivalidade. Isso inicia logo no segundo episódio, quando L utiliza uma transmissão televisiva para enganar o adversário, fingindo se expor. Light acredita estar no controle naquele momento, mas o investigador usa sua reação à armadilha como pista. Esse é o principal diferencial </span><i><span style="font-weight: 400;">de </span></i><a href="https://foradoplastico.com.br/death-note-ganha-jogo-de-tabuleiro-pela-kana-na-franca/"><i><span style="font-weight: 400;">Death Note</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: o mistério não depende da necessidade de desvendar quem é o assassino. O espectador já sabe da verdade o tempo todo. Assim, a atenção é mantida pela expectativa de descobrir quem antecipará o movimento do outro primeiro.</span></p>
<p><figure id="attachment_37620" aria-describedby="caption-attachment-37620" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37620" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.37-800x449.jpeg" alt="Cena do anime Death Note. A imagem centraliza um homem pálido, com cabelos pretos e longos, usando uma camiseta branca. Ele possui uma expressão séria e possui olheiras escuras abaixo de seus olhos, parece cansado. Ao fundo, vemos paredes da cor bege." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.37-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.37-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.37-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.37.jpeg 1187w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37620" class="wp-caption-text">Uma teoria de fãs sobre o personagem L lutar capoeira se tornou tão famosa que o autor confirmou a habilidade em um spin off da série (Death Note: Another Note) [Foto: Madhouse]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O autor, </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/tsugumi-ohba-criador-death-note.html"><span style="font-weight: 400;">Tsugumi Ohba</span></a><span style="font-weight: 400;">, contou no guia oficial da série (</span><i><span style="font-weight: 400;">Death Note 13: How To Read</span></i><span style="font-weight: 400;">), lançado em 2006, que, durante a criação do mangá, seu objetivo era aprnas elaborar uma história que soubesse entreter o público. Porém,</span> <span style="font-weight: 400;">a obra conseguiu cumprir tanto seu papel original dentro do entretenimento, quanto provocar discussões sobre as atitudes dos personagens, o que o autor nem pretendia. Apesar de acompanhar predominantemente a perspectiva de Light, Ohba estrutura uma narrativa ao redor do confronto entre diferentes concepções de justiça, onde até os próprios protagonistas debatem entre si sobre os limites do caderno quando começam investigações em conjunto. Ao explorar os lados, questionamentos são apresentados assim como justificativas, o que permite que o leitor, ou o espectador, escolha sua torcida, ou até torça para ambos, com foco total na tensão causada pela batalha entre eles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, ao lidar com um mangá marcado por mais falas e pensamentos do que ações, o diretor da adaptação, Tetsurō Araki – que também foi responsável pelas primeiras temporadas de </span><a href="https://br.ign.com/attack-on-titan/155860/comemorando-17-anos-de-lancamento-attack-on-titan-acaba-de-se-tornar-um-feriado-no-japao"><i><span style="font-weight: 400;">Attack on Titan</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013) –, conseguiu tornar as investigações dinâmicas por meio de muitas jogadas visuais. Sua direção destaca atos banais por meio de cores, focos nos detalhes de cada personagem, montagens exageradas e uma trilha sonora (composta por Hideki Taniuchi e Yoshihisa Hirano) com muitas melodias dramáticas. Araki entende que o lápis encostando no caderno deve ser tão impactante quanto apertar o gatilho de uma arma, e a união desses recursos audiovisuais conseguiu trazer a sensação de um assassinato real sendo cometido a partir de um nome sendo escrito.</span></p>
<figure id="attachment_37619" aria-describedby="caption-attachment-37619" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37619" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-800x395.jpeg" alt="Cena do anime Death Note. Vemos um homem segurando uma caneta. Ao lado esquerdo, sua mão está levantada, onde podemos ver a caneta. Ao lado esquerdo, vemos seu rosto. O homem é branco, com cabelos e olhos castanhos e usa uma camisa branca com gola, além de uma gravata marrom. Ele olha para baixo com uma expressão séria, onde podemos ver uma mesa e um papel. Ao fundo, vemos uma estante cheia de livros e um quarto escuro." width="800" height="395" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-800x395.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1024x505.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-768x379.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38.jpeg 1194w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37619" class="wp-caption-text">A faixa Requiem da trilha sonora original do anime é inspirada pela obra Requiem do compositor e músico Mozart (Foto: Madhouse)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Araki traz a personalidade de cada personagem para a tela, com enquadramentos que pontuam suas diferenças e suas similaridades. Contrastes visuais surgem principalmente com Light em cores quentes, sendo representado ora como uma divindade, ora com um olhar maligno, dependendo de como a iluminação e os ângulos são utilizados. Além disso, as </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_n4IwW4XsIf3gw8ivBvFFcyagYEVA6C7o0"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> unem elementos de rock metal e de ópera com cantos em coral, refletindo sua dualidade moral. L, por sua vez, aparece em cores frias, com ar de mistério e destaques em suas peculiaridades comportamentais. A relação entre os dois é uma das maiores forças da história, principalmente por não construir nenhum deles como herói, deixando claro que ambos apresentam atitudes que testam limites éticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da história e dos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Death Note </span></i><span style="font-weight: 400;">também foi reconhecido por sua qualidade artística e técnica. Em 2007, recebeu o prêmio de Obra Notável no</span><i><span style="font-weight: 400;"> Tokyo Anime Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, concedido a produções aclamadas pelo júri, mesmo sem vencerem o prêmio máximo. No ano seguinte, em 2008, voltou a ser mencionado com Mamoru Miyano, dublador original de Light no prêmio de Melhor Dublador. Depois, a série ainda repercutiu com seis filmes, sendo cinco live-actions e uma recapitulação animada em duas partes. Apesar de nenhuma nova adaptação ter alcançado o sucesso da primeira, a produção segue ganhando novos produtos duas décadas depois, como o lançamento de bonecos </span><a href="https://www.funko.com.br/blog/post/20-anos-de-death-note-relembre-o-anime-que-conquistou-uma-geracao-e-conheca-os-novos-funko-pop"><i><span style="font-weight: 400;">Funko</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em celebração ao aniversário.</span></p>
<p><figure id="attachment_37618" aria-describedby="caption-attachment-37618" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37618" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1-800x440.jpeg" alt="Cena do anime Death Note. Vemos homens sentados em uma perspectiva lateral. À frente, ao lado direito, vemos um homem pálido de cabelos escuros, iluminados em azul, assim como seus olhos. Ele usa uma camiseta branca. Ao lado dele, mais para trás, está um homem branco de cabelos castanhos, iluminados por um tom de vermelho, assim como seus olhos. Ele usa um terno marrom, uma camisa branca e uma gravata listrada em tons de preto e marrom. Ao fundo, ao lado esquerdo, vemos outros homens à distância, todos em tons de preto, branco e cinza. O fundo da imagem é preto." width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1-800x440.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1-1024x563.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1-768x422.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Image-11-10-26-at-21.38-1.jpeg 1194w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37618" class="wp-caption-text">A produtora Madhouse também foi responsável por grandes títulos como Hunter x Hunter (2011) e Monster (2005) [Foto: Madhouse]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mesmo 20 anos depois, o anime não sobrevive apenas da memória afetiva dos fãs, mas também nas constantes representações para novas gerações, sendo uma ótima indicação para quem nunca assistiu ao gênero e precisa </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/animes-e-mangas/animes-para-quem-nao-e-otaku"><span style="font-weight: 400;">escolher seu primeiro título</span></a><span style="font-weight: 400;">. É uma obra que continua funcionando pois consegue debater questões morais com personagens intrigantes, além de oferecer um thriller extremamente divertido em que cada novo movimento parece abrir uma variedade de possibilidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Death Note</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está apenas nas discussões que provoca, como também na capacidade de construir uma obra para prender o público, com um duelo de mentes impossíveis de ignorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">trailer: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NlJZ-YgAt-c"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=NlJZ-YgAt-c</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><br style="font-weight: 400;" /></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/20-anos-depois-death-note-ainda-sabe-provocar-e-entreter/">20 anos depois, Death Note ainda sabe provocar e entreter</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>A passagem de bastão geracional: Se eu fosse você 3 tenta inovar mas cai na mesmice da trilogia</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 13:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Rodrigues Se eu fosse você 3 chega aos cinemas com o intuito de resgatar a franquia clássica após quase duas décadas. Sob direção de Anita Barbosa, o longa traz Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) como personagens secundários, vivendo uma fase tranquila em seu casamento com a comemoração de sua segunda lua de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-se-eu-fosse-voce-3/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A passagem de bastão geracional: Se eu fosse você 3 tenta inovar mas cai na mesmice da trilogia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37623" aria-describedby="caption-attachment-37623" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37623" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-800x600.jpg" alt="À esquerda, Tony Ramos (de camisa social listrada de mangas dobradas) e Glória Pires (de camisa de cetim amarela/esverdeada) estão em pé aplaudindo. À direita, Cleo Pires veste um vestido rosa-choque e é abraçada por trás por Rafael Infante, que veste uma jaqueta jeans escura. Os dois se abraçam sorrindo com expressões carinhosas. Ao fundo, a decoração conta com quadros artísticos nas paredes e arranjos de balões metalizados em tons de verde e azul-escuro." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-1200x900.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1.jpg 1212w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37623" class="wp-caption-text">Tony Ramos e Gloria Pires acompanham os novos protagonistas Cleo e Rafael Infante no novo longa da trilogia (Foto: Total International)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Rodrigues</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Se eu fosse você 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas com o intuito de resgatar a franquia clássica após quase duas décadas. Sob direção de </span><a href="https://share.google/yvpD6MheEHDAwn1zt"><span style="font-weight: 400;">Anita Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa traz Cláudio (</span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/tony-ramos-e-gloria-pires-explicam-motivo-de-retorno-de-se-eu-fosse-voce-e-revelam-pegadinha-em-cena-famosa,f430877fc1140003895672c3d7c86f60ifm570vd.html"><span style="font-weight: 400;">Tony Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Helena (</span><a href="https://www.gloriapires.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Glória Pires</span></a><span style="font-weight: 400;">) como personagens secundários, vivendo uma fase tranquila em seu casamento com a comemoração de sua segunda lua de mel longe do Brasil. O foco da história passa para a filha do casal, Bia (</span><a href="https://www.instagram.com/reel/DeUCNprPZhg/"><span style="font-weight: 400;">Cleo Pires</span></a><span style="font-weight: 400;">), que agora é uma chef de cozinha e vive com seu companheiro Aquiles (</span><a href="https://soubh.uai.com.br/noticias/entrevista-especial/sou-bh-na-pre-estreia-de-se-eu-fosse-voce-3/"><span style="font-weight: 400;">Rafael Infante</span></a><span style="font-weight: 400;">), um guia turístico de esportes radicais. Quando a relação dos dois entra em crise, o surpreendente ‘raio’ da franquia atinge a família outra vez.</span></p>
<p><span id="more-37622"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a mudança de corpos, Bia se encontra obrigada a superar seu medo paralisante de altura, enquanto Aquiles precisa assumir a pressão de comandar uma cozinha sob o assombro de possíveis críticos culinários que irão avaliar o restaurante – tudo isso em meio às complicações de uma gravidez. No meio da tentativa de realizar esses objetivos, ambos percebem que desconhecem a vida de seu parceiro e que há mais do que o supérfluo no dia a dia rotineiro de seus trabalhos, como as amizades (</span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/celebridades/noticia/2026/09/na-vida-real-e-na-tv-yohama-eshima-rompe-padroes-ao-viver-casamento-com-homem-35-anos-mais-velho.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Yohanna Eshima</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistaquem.globo.com/famoso/dan-ferreira/"><span style="font-weight: 400;">Dan Ferreira</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_37624" aria-describedby="caption-attachment-37624" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37624" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-800x600.jpg" alt="Três pessoas colaboram em uma cozinha profissional. Cleo Pires, à esquerda, com um lenço vermelho vibrante e avental floral, foca em fatiar cenouras. Ela troca olhares com Rafael Infante, que veste um avental azul e uma bandana, e está apoiado na bancada com uma expressão curiosa e engajada. Uma terceira pessoa, mais jovem e de jaqueta jeans, observa a interação em silêncio à direita. A cozinha é moderna, com equipamentos de inox e prateleiras organizadas ao fundo." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37624" class="wp-caption-text">“Um raio não cai 3 vezes no mesmo lugar” (foto: Total International)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão de transformar a sequência em uma ‘continuação legado’, transferindo a Maldição da Troca de Corpos para a geração mais jovem, traz um fôlego renovado ao formato. Os dois primeiros filmes se tornaram clássicos da comédia brasileira com um enredo já formulado pelo cinema norte-americano dos anos 1980, como o longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nR_WJ-SjctM"><i><span style="font-weight: 400;">Vice-Versa </span></i><span style="font-weight: 400;">(1988),</span></a><span style="font-weight: 400;"> devido ao diferencial da entrega dos atores protagonistas. Glória Pires e Tony Ramos trazem consigo química e conexão, criando trejeitos físicos e comportamentais que fazem com que o público se encante e acredite neles como um casal. Ao decorrer da trama, é provado que fórmulas importadas podem funcionar muito bem quando adaptadas com identidade cultural própria e, acima de tudo, elencos talentosos. Enquanto o primeiro estabelece a dinâmica e o choque de realidades, o segundo expande os limites do absurdo com maturidade cômica. São obras que definiram o padrão do cinema cômico comercial brasileiro da sua época, apoiadas inteiramente no carisma magnético de sua dupla principal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia de passar o bastão para a filha do casal, Bia, indica um começo promissor, mas falha em pontos importantes. A sintonia em cena entre </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/honra-x-medo-cleo-pires-e-rafael-infante-revelam-tensao-por-protagonismo-em-se-eu-fosse-voce-3,0901c4f705c1950d3a9e21a0c73b7a29w6k693ps.html"><span style="font-weight: 400;">Cleo e Rafael Infante</span></a><span style="font-weight: 400;"> garante os melhores momentos do filme, principalmente Infante, que se destaca ao usar sua bagagem no humor físico para capturar os maneirismos de Cleo com leveza, fugindo de estereótipos rasos. Além disso, a presença de Glória Pires e Tony Ramos como o suporte maduro da trama serve como um presente nostálgico aos fãs. No entanto, o roteiro (</span><a href="https://www.agazeta.com.br/hz/cultura/conheca-o-capixaba-criador-de-vai-que-cola-e-roteirista-de-se-eu-fosse-voce-3-0426"><span style="font-weight: 400;">Leandro Soares</span></a><span style="font-weight: 400;">) aposta em uma estrutura bastante segura e simplificada, o que faz com que a comédia perca parte da densidade emocional que consagrou os originais. A dinâmica de papéis invertidos em cenários de trabalho (cozinha profissional vs parque radical) rende boas discrepâncias visuais; em contraste, o ritmo geral depende fortemente das performances do elenco principal para sustentar o interesse do público.</span></p>
<figure id="attachment_37625" aria-describedby="caption-attachment-37625" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37625" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image3.jpg" alt="Uma cena de quarto com duas pessoas na cama. À esquerda, Infante com cabelo escuro e uma camiseta cinza está sentado com uma expressão de dor visível, segurando o peito com a mão direita e olhando para a frente com angústia. À direita, Cleo com longo cabelo preto e uma blusa azul-clara de mangas compridas está sentada, olhando para o homem com uma expressão de preocupação e confusão, os lábios entreabertos. Eles estão em uma cama de casal com lençóis brancos e travesseiros brancos, e uma coberta bege está visível nos pés da cama. A parede branca atrás deles tem três molduras simples em tons de madeira clara e branco penduradas. O ambiente é bem iluminado, sugerindo luz natural suave." width="600" height="338" /><figcaption id="caption-attachment-37625" class="wp-caption-text">Novo casal protagonista traz uma mesclagem de comédia e química nas telas (Foto: Total International)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa teve uma boa quebra de expectativa com a troca de protagonistas, porém o enredo não soube inovar como o esperado. Com a mudança na direção para Anita Barbosa (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vu94lROMOaw&amp;xstg=CAMSEBUJ_b-oH-PhF0yjBgb_zzE%3D"><span style="font-weight: 400;">Amor.com</span></a><span style="font-weight: 400;">), a especulação de uma comédia nacional que se desprende de fórmulas já desgastadas nos últimos anos foi criada, no entanto não concretizada. Veículos como o </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/631057/critica-se-eu-fosse-voce-3-2026-troca-pela-metade/"><span style="font-weight: 400;">Cinema com Rapadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontuaram que, embora o filme ainda divirta e funcione como entretenimento familiar leve, há uma clara dificuldade em replicar a densidade cômica e o volume de gargalhadas dos dois primeiros. O roteiro é previsível com conflitos superficiais, e faz com que a obra toda se materialize apenas através do carisma dos atores. Infante, mais uma vez, cumpre esse papel trazendo um ar cômico sem exageros e estereótipos para as cenas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um encerramento – ou reinício – simpático que atende à nostalgia dos fãs, mas sem o mesmo impacto do clássico de 2006 ou de sua sequência. Peca em alguns âmbitos cinematográficos, contudo alcança uma mudança contemporânea e um ritmo visual dinâmico que entretém os telespectadores e difere-se do resto da trilogia.</span> <span style="font-weight: 400;">Apesar dos seus entraves, pode se consolidar como uma comédia nacional de </span><a href="https://share.google/ngdszw0nGUxbVI1Uo"><span style="font-weight: 400;">Sessão da Tarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> na TV Globo como um ‘filme pra família toda’.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Se Eu Fosse Você 3 | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/E7JNpaMVKN4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 13:00:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes O Outro Lado das Redes foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de A Rede Social (2010) de David &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-outro-lado-das-redes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Outro Lado das Redes é corrupto e o homem por trás da câmera é inapto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37606" aria-describedby="caption-attachment-37606" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37606" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-outro-lado-das-redes-2-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-outro-lado-das-redes-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-outro-lado-das-redes-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-outro-lado-das-redes-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37606" class="wp-caption-text">Esse foi o primeiro filme exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas para a imprensa (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Outro Lado das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi exibido em uma cabine de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e fará parte da programação do evento na seção Perspectiva Internacional. Antes de mais nada, é preciso dizer que o longa não é uma continuação de </span><a href="https://letterboxd.com/contracampo100/film/the-social-network/"><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) de David Fincher; são apenas duas obras que adaptam passagens da vida de Mark Zuckerberg e do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">/</span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">/</span><i><span style="font-weight: 400;">Meta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primeiro porque os personagens não são os mesmos, ou têm qualquer relação; segundo porque o Aaron Sorkin é tão ineficiente em articular os elementos cinematográficos que mal é um filme.</span></p>
<p><span id="more-37604"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é cinema? Antes de tudo, cinema é imagem, geralmente em movimento, porém, acima de tudo, imagens que encontram sua limitação no tempo. No entanto, parece que alguns cineastas sequer pensam sobre o que é de fato a arte que fazem. Aparentemente, quanto mais tecnologias para produção e maior a acessibilidade às obras, parece que menos importante ficam as imagens, pelo menos no cinema hollywoodiano. </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/os-7-de-chicago/"><span style="font-weight: 400;">Aaron Sorkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> se enquadra nesses quesitos, seu longa, que retrata as investigações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">/</span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre 2019 até 2021, se apega tanto aos diálogos que parece mais um </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nada é contado a partir de cenas, de seus personagens e da maneira como filma. Os atores estão sempre falando sobre o que está acontecendo da maneira mais burocrática possível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa até tenta se aprofundar em questões diversas sobre o sistema adotado pela empresa e como ele alimenta discursos de ódio e preserva o anonimato. Ele fala sobre as consequências na vida de adolescentes que sofrem </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">sem conseguir se defender, ou pessoas sendo cooptadas pela extrema-direita e adotando uma mentalidade facista sem perceber. No entanto, faz tudo de maneira porca e preguiçosa. Em um momento, a protagonista Frances Haugen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/anora-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mikey Madison</span></a><span style="font-weight: 400;">) está bebendo em um bar e escuta uma garota comentando com os pais que está sendo perseguida em uma rede social. A fita se apega muito a essas ‘iscas’ sobre como a sociedade é afetada, mas sem desenvolvimento crítico sobre esses assuntos. Nem se pode dizer que Sorkin está mostrando os efeitos desse sistema, já que, como dito anteriormente, ele nem se importa com as imagens.</span></p>
<figure id="attachment_37605" aria-describedby="caption-attachment-37605" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-Outro-lado-das-redes-1-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-Outro-lado-das-redes-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-Outro-lado-das-redes-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-Outro-lado-das-redes-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/O-Outro-lado-das-redes-1.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37605" class="wp-caption-text">Jeremy Strong faz um Mark Zuckerberg que lembra bastante seu Kendall Roy (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de tudo, pode-se dizer que é um filme covarde. Como falar sobre a influência dessas </span><a href="https://apublica.org/2025/09/as-big-techs-lucram-com-o-odio-nas-redes-diz-david-nemer/"><i><span style="font-weight: 400;">big techs</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no mundo e nas eleições sem citar Donald Trump? Por favor, dê nome aos bois. São vários casos de políticos sendo ajudados indiretamente e até diretamente por essas plataformas. Aqui no Brasil vemos isso claramente com a família Bolsonaro e Nikolas Ferreira, por exemplo. Você está fazendo uma obra política, em uma democracia e bancado por uma empresa como a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony </span></i><span style="font-weight: 400;">com a promessa de rodar o mundo. Fique tranquilo que seu filme não será arquivado se der os nomes. Obviamente a obra não precisa citar essas pessoas fora do polo estadunidense, e nem sequer precisaria mencionar o atual presidente dos EUA, no entanto, é embaraçoso ser tão esquivo e referenciá-lo apenas como “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para finalizar, é necessário falar da péssima atuação da trinca Mikey Madison, Jeremy Allen White e </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, é preciso dizer que são três atores muito talentosos que já fizeram trabalhos incríveis e encontraram aqui um roteiro (Aaron Sorkin) terrível. É difícil crucificá-los quando eles sequer estão interpretando personagens. Não há ambição, desejo, pulsão, ou seja, não há humanidade. Eles agem de forma burocrática. Todos eles são meros dispositivos para que a informação chegue ao público. Mikey faz X, White faz Y e Strong faz Z, e é assim por duas horas. Tem uma passagem quase no encerramento em que Frances muda de ideia sobre testemunhar, mas a explicação do porquê é racional demais e não tem qualquer componente sentimental, porém, nós humanos não somos controlados apenas pela razão. Pelo menos, em defesa da Mikey Madison, ela tenta empregar um pouco de pessoalidade na protagonista, ainda que o espaço para isso seja quase nulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abrindo uma exceção aqui para uma marca mais pessoal, sei que este não é meu melhor texto, sequer é um grande texto, não há uma ideia central a não ser convencer que essa obra mal pode ser considerada um filme. No entanto, também acredito que as melhores críticas vêm dos melhores longas. Quanto melhor o filme, mais rica é a discussão sobre ele. Ou por vezes, nem sempre os melhores, e sim os mais arriscados, os mais ‘sujos’ – fazendo coro com o </span><a href="https://cinebocadolixo.wixsite.com/transmidia"><span style="font-weight: 400;">Cinema Marginal</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, os mais curiosos ou até os mais contraditórios. Infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Outro Lado das Redes </span></i><span style="font-weight: 400;">não é nada disso, e Aaron Sorkin me parece um inapto a fazer cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Outro Lado das Redes | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_OV2we0faJs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Verity tenta surpreender, mas se perde na falsa complexidade</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Vitória Mendes Corromper a realidade e distorcer dilemas éticos é a especialidade de autores, em especial ao criarem um universo pelos olhos do vilão. Quando um escritor mergulha na mente e nos sentimentos mais sombrios de suas criações, o quanto disso é parte dele mesmo e o quanto é apenas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-verity/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Verity tenta surpreender, mas se perde na falsa complexidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37599" aria-describedby="caption-attachment-37599" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-800x454.png" alt="Uma mulher branca de cabelo escuro e liso está sentada à mesa com as mãos sobre o teclado de um computador. Ela veste um casaco vermelho no mesmo tom de seu batom, enquanto olha fixamente para a câmera. Na mesa e no móvel ao fundo, há objetos de escritório e vasos com flores. A cena é iluminada pela luz de uma lâmpada alaranjada e pelo brilho azulado da tela do computador" width="800" height="454" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-800x454.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2-768x435.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image2.png 947w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37599" class="wp-caption-text">“Esse é o seu aviso final. Apenas escuridão à frente” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Corromper a realidade e distorcer dilemas éticos é a especialidade de autores, em especial ao criarem um universo pelos olhos do vilão. Quando um escritor mergulha na mente e nos sentimentos mais sombrios de suas criações, o quanto disso é parte dele mesmo e o quanto é apenas ficção? Esse é o questionamento que permeia </span><i><span style="font-weight: 400;">Verity</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado no </span><a href="https://exame.com/pop/verity-quais-sao-as-principais-diferencas-entre-o-livro-original-e-o-filme/"><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sucesso de </span><a href="https://www.terra.com.br/nos/colleen-hoover-e-criticada-por-versao-para-colorir-de-livro-sobre-relacionamento-abusivo,13c65eb3fa536904779baca2ca3fb056cpndigjs.html"><span style="font-weight: 400;">Colleen Hoover</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme acompanha a trajetória de Lowen Ashleigh (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-amores-materialistas/"><span style="font-weight: 400;">Dakota Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma autora com pouco reconhecimento que recebe uma proposta milionária para terminar os últimos livros da famosa série de Verity Crawford (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-fim-da-rua/"><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway</span></a><span style="font-weight: 400;">), que está debilitada. Tendo acabado de perder a mãe e sendo despejada de seu apartamento, a protagonista aceita a proposta e se muda para a casa da família. </span></p>
<p><span id="more-37597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao adentrar o espaço de trabalho da romancista, ela nota que há outras anotações além do conteúdo do livro que deveria finalizar, aspecto que o roteiro de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/diretor-de-verity-revela-por-que-cortou-uma-parte-muito-importante-do-livro-de-colleen-hoover-na-adaptacao,20f8f8ca791fe9e03f8eee739d3a0fd1ucgsmvpq.html"><span style="font-weight: 400;">Nick Antosca</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por não aprofundar. Quase de imediato, Lowen mergulha na autobiografia de Verity e se vê envolvida em segredos que abalam sua visão sobre o acidente de carro que resultou no estado vegetativo da mulher, a morte da filha e o trauma da família. Com um </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/como-eram-feitos-os-manuscritos?srsltid=AU7gw4W76TR8aD7nQciTcrB9LCkVAyh-RevHy2Sw4oi8vhqSvsVGMMLT"><span style="font-weight: 400;">manuscrito</span></a><span style="font-weight: 400;"> que apresenta as piores ações da escritora, principalmente voltadas à filha Harper (Sienna Kulovitz), e sentimentos ocultos a seus fãs, a recém-chegada logo percebe que a realidade pode ser pior do que imaginava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, nada impede que a relação sem química entre ela e Jeremy Crawford (</span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Josh Hartnett</span></a><span style="font-weight: 400;">), marido de Verity, se aprofunde e a sensualidade seja evidenciada ao longo da narrativa, inclusive em paralelos entre as </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/verity-beijo-de-anne-hathaway-e-dakota-johnson-foi-ideia-das-atrizes/"><span style="font-weight: 400;">duas mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso influencia na forma como a visitante começa a sonhar com a dona da casa, em uma mistura fascinante e macabra que alimenta sua confusão mental. O relacionamento se desenvolve sem motivações ou uma construção que desperte alguma empatia ou compreensão no espectador. Assim, fica evidenciado a falta de profundidade dos envolvidos, em especial da própria Lowen. Não há nada que a torne </span><a href="https://www.backstage.com/magazine/article/art-building-believable-character-924/"><span style="font-weight: 400;">crível</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou complexa, tanto psicologicamente quanto moralmente, deixando-a tão rasa quanto um pires, mesmo nas cenas que tentam mostrar lapsos de julgamento e expressões maquiavélicas. </span></p>
<figure id="attachment_37600" aria-describedby="caption-attachment-37600" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image3-800x441.png" alt="Uma mulher branca de cabelo castanho e franja está sentada com as pernas dobradas e os braços apoiados nela. Em suas mãos, há o livro “Hospitality” de Verity Crawford. Na contracapa, está destacada a foto da autora, uma mulher de cabelo escuro e batom vermelho. O fundo é iluminado por uma luminária com luz alaranjada e o primeiro plano exibe uma mesa com objetos desfocados." width="800" height="441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image3-800x441.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image3-768x424.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image3.png 955w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37600" class="wp-caption-text">Uma das mudanças do filme foi a remoção da irmã gêmea de Harper, Chastin Crawford, devido ao tempo limitado para desenvolver a dinâmica (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se assiste a um </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/thrillers-psicologicos-que-voce-deveria-assistir-se-gosta-do-tema"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">, a expectativa é de ser surpreendido e envolvido pela história, o que definitivamente não acontece aqui. Apesar de a ideia original ser interessante e apelativa para os amantes do gênero, o roteiro narrativamente fraco segue exatamente o que o espectador espera que aconteça a cada cena, ignorando diversos caminhos que fugiriam da obviedade. As reviravoltas e os </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/08/28/segredos-do-cinema-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">claramente tinham o objetivo de chocar e criar uma aura de mistério e confusão, especialmente nas cenas em que a câmera dá um foco extra em Verity que, estando acamada, de repente se move. Além disso, com a necessidade constante de explicar tudo por meio da narração do manuscrito e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, a direção abandona a sutileza e não deixa espaço para a interpretação do público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa previsibilidade ocorre principalmente por já existirem obras no mesmo estilo e com enredos similares em outros formatos de mídia, em especial na literatura, o que faz os elementos surpresa deixarem de funcionar, destruindo o que deveria ser essencial em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">: a tensão dramática e a antecipação. É nessa tentativa de tornar tudo mais sombrio do que realmente é que a trilha sonora entra para ditar o momento e o ritmo dos acontecimentos. De certa forma, a composição de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/1nO0SRSfsukVmUASnuravA"><span style="font-weight: 400;">Volker Bertelmann</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma expectativa, porém ao mesmo tempo diminui o impacto das revelações e evidencia uma tentativa fraca e desesperada de chocar o público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="VERITY Cast Explain the Raw Performances and Real Scares Behind Their Movie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lMRv3AKlayw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway é a grande estrela nessa nova parceria com o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-dropout-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michael Showalter</span></a><span style="font-weight: 400;">, e personifica Verity de forma tão intensa que o debate sobre qual documento, carta ou manuscrito, revela a verdade sobre ela ganha mais força. Com o brilho de Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett ficam apagados em meio à carga emocional que ela apresenta, mesmo permanecendo catatônica por grande parte do filme, o que prejudica ainda mais a construção dramática dos dois. A falta de </span><a href="https://www.teatrotpc.com.br/interpreta%C3%A7%C3%A3o-e-emo%C3%A7%C3%A3o-t%C3%A9cnicas-de-atua%C3%A7%C3%A3o"><span style="font-weight: 400;">expressividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Johnson torna a protagonista ainda mais insossa, o que não é difícil. Os poucos momentos que apelam genuinamente para o emocional são com as crianças, Harper e Crew (Brady Wagner), que são essenciais para o início de tudo</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/SMdd2t4MX2s?si=ksUPlPw8-Fnn0qqE"><span style="font-weight: 400;">Carta ou manuscrito</span></a><span style="font-weight: 400;">, vítima ou vilã. Cada versão apresenta seus próprios argumentos e desenha dois extremos: a escritora surge como uma pessoa boa e injustiçada na carta ou como cruel e culpada no manuscrito, o que por consequência reflete na posição de Jeremy e nas decisões de Lowen. Apesar de a maior parte da história se apoiar no texto autobiográfico, logo pende para a carta, por ter sido escrita antes da chegada de Lowen, endereçada ao marido e reforçada pela boa relação com o filho sobrevivente. Apesar disso, há a inconsistência de Verity não ter pedido ajuda à cuidadora ou à própria visitante. Independente desses fatos, o manuscrito se fortalece pelas entrevistas nas quais a autora revela o desejo de corromper a realidade e manipular seus leitores, seja como for. </span></p>
<figure id="attachment_37598" aria-describedby="caption-attachment-37598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-800x445.png" alt="Uma mulher de cabelos castanhos e lisos está sentada em uma cadeira de rodas, olhando em direção à câmera. Ela veste um casaco marrom e óculos escuros ovais. Sua pele está pálida e a boca ligeiramente aberta. O ambiente ao seu redor está coberto de neve." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-800x445.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1-768x428.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image1.png 952w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37598" class="wp-caption-text">“Eu queria ver até onde dava para ir, quanta certeza eu podia dar ao leitor até mostrar que a certeza pode não ser a escolha mais sábia” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No aspecto técnico, um dos pontos perdidos pela produção foi não utilizar os recursos de figurino e maquiagem para evidenciar o estado mental dos personagens. Tendo à sua disposição a designer Jacqueline Demeterio, vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, e vestidos da </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/filmes/noticia/2026/10/anne-hathaway-e-dakota-johnson-usam-vestidos-versace-com-ligacao-secreta-em-verity-entenda.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Versace</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria possível explorar melhor a dualidade da anfitriã e as ambições de Lowen em substituí-la. Para além da cena do </span><a href="https://youtu.be/jHWRmaXnHpc?si=ChrPhaRagN7PhuIF"><span style="font-weight: 400;">vestido vermelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da caracterização física da mulher debilitada, o potencial visual foi perdido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo acontece com a </span><a href="https://www.cntraveler.com/story/where-was-verity-filmed-anne-hathaway-and-dakota-johnson-go-toe-to-toe-in-and-around-new-york"><span style="font-weight: 400;">ambientação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, apesar de visualmente bonita, não contribui para o sentimento de tensão e perigo iminente.</span> <span style="font-weight: 400;">A casa reflete a riqueza da família com um espaço vasto banhado em luz solar e uma vista natural. Ainda que o gênero não necessite de espaços desconfortáveis, decadentes, escuros ou claustrofóbicos para provocar incômodo, como bem ilustrado em </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o longa não apresenta nenhum elemento que cumpra o papel. No final, se torna apenas mais um item na lista de oportunidades desperdiçadas pela direção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma tentativa falha de criar um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico complexo e cheio de reviravoltas, a produção se perde nas próprias expectativas e entrega uma obra previsível e posicionada no lado mais frágil do gênero. Nessa onda recente de </span><a href="https://www.instagram.com/p/DdpObucGBPh/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">adaptações literárias</span></a><span style="font-weight: 400;">, é esperado que omitam detalhes pelo tempo limitado de tela. Contudo, mesmo para quem não leu o livro, fica claro que o recorte escolhido não foi o ideal. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verity </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba se tornando um exemplo dos limites do suspense contemporâneo e da urgência em inovar o gênero e construir narrativas ousadas e capazes de instigar o espectador em vez de se limitar ao previsível.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Verity | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NTiqVJ8vVQM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 15:57:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Este texto contém um vídeo que amplia a discussão sobre o papel político dos heróis, assista aqui: https://www.instagram.com/p/Dd9zR8LhU6p/ A primeira edição de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, chegou às bancas em 1986 e a adaptação cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, veio às telonas em 2009. O cineasta já era grandinho à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-watchmen/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando a carapuça serve: Watchmen (1986) e a adaptação de Zack Snyder"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37583" aria-describedby="caption-attachment-37583" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/watchmen-destacada-800x480.jpg" alt="Arte do quadrinho Watchmen Na imagem, cinco heróis estão reunidos, quatros estão um ao lado do outro e o Dr. Manhattan está atrás, no meio. Da esquerda para a direita, está Ozymandias, um homem branco e de cabelos loiros. Ele veste uma túnica roxa com um ornamento egipcício no pescoço e peito com o desenho de um olho no centro. Na testa, há uma argola encaixada que contorna a cabeça. Espectral é uma mulher branca de cabelos castanhos. Ela veste uma roupa amarela com detalhes em preto. Nas orelhas, um brinco em forma de “S”. O Dr. Manhattan, um ser com aparência humana, mas de pele em tom azul e sem vestimentas vem logo em seguida, ao fundo. Ele possui uma mira desenhada na testa. Coruja vem logo depois, o personagem veste um uniforme que lembra o animal: capuz no formato das orelhas e bico, uma capa que se estende para os lados do corpo e deixa o peito aberto, como um pássaro. A roupa é na cor marrom. Ele é um homem branco e usa óculos redondos e amarelos de lentes escuras. Por último, no canto direito, está Rorschach, vestindo um chapéu marrom com uma faixa roxa. Ele usa um sobretudo também no marrom e cachecol branco. Sua máscara remete aos desenhos abstratos do teste Rorschach, daí vem seu nome. Ao fundo, há uma parede azul com um círculo amarelo." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/watchmen-destacada-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/watchmen-destacada-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/watchmen-destacada-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/watchmen-destacada.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37583" class="wp-caption-text">Encontrar uma imagem que não ovacione os heróis de Watchmen é uma tarefa difícil (Foto: DC Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><i>Este texto contém um vídeo que amplia a discussão sobre o papel político dos heróis, assista aqui: <a href="https://www.instagram.com/p/Dd9zR8LhU6p/">https://www.instagram.com/p/Dd9zR8LhU6p/</a></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, de</span><a href="https://foradoplastico.com.br/alan-moore-diz-que-quadrinhos-deixaram-de-ser-acessiveis-a-classe-trabalhadora/"> <span style="font-weight: 400;">Alan Moore</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dave Gibbons, chegou às bancas em 1986 e a adaptação cinematográfica, dirigida por Zack Snyder, veio às telonas em 2009. O cineasta já era grandinho à época da revista, tinha 20 anos. Ele teve, pelo menos, 23 anos para compreender a obra original até ser capaz de adaptá-la. O problema é que o americano é um fã de quadrinhos – como ele mesmo diz em uma entrevista para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Direto de Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> à época da produção – adaptando uma obra que rejeita tanto os fãs quanto a mídia de HQs.</span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"> <span style="font-weight: 400;">Zack Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o tipo de pessoa que Alan Moore critica: o homem branco devoto à violência.</span><span id="more-37582"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isto não é uma afirmação sobre Snyder ser agressivo ou algo do gênero, mas que sua direção é seduzida pelas cenas de ação e o que deveria ser visto com repulsa ou piada é filmado com glória; além do ex-publicitário ser incapaz de compreender a crítica em volta dos gibis. Claro que a culpa não é somente dele, a dupla de roteiristas David Hayter e Alex Tse passam a impressão de que apenas leram a última edição, pois Rorschach (Jackie Earle Haley), uma espécie de </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/taxi-driver-motorista-de-taxi-o-filme-que-redefiniu-a-nova-hollywood/"><i><span style="font-weight: 400;">Táxi Driver</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976) fascista e com </span><i><span style="font-weight: 400;">mommy issues</span></i><span style="font-weight: 400;">, é endeusado. Porém, o diretor prossegue as ideias, tornando os personagens, deuses. O </span><i><span style="font-weight: 400;">slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> é utilizado para o público apreciar cada golpe, cada pose, cada entrada com fumaça ao fundo. A título de comparação, na obra original, antes do trecho em que Rorschach é preso, ele pula da janela e logo é imobilizado pelos policiais. No longa, Snyder quer mostrar o quão forte o personagem é, por isso, ele enfrenta os tiras e, claro, há câmera lenta em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns momentos da revistinha condenam o vigilante, como quando ele diz que o estupro cometido pelo Comediante foi um lapso moral e que não comenta as falhas de &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">homens que morreram servindo seu país</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, afinal, para ele, ser nacionalista é o passe livre para ser perdoado de todos os crimes. É a cara dos Estados Unidos. Enfim, Rorschach chama a Espectral pelo seu sobrenome americano em vez do judeu e, principalmente, o nojento tortura um homem que ele nem sabe se é o culpado de um homicídio (ainda que fosse um assassino, seu destino não é a responsabilidade de um homem comum). Este trecho é adaptado com o senhor confessando o crime. É como se </span><a href="https://ovicio.com.br/zack-snyder-enfrenta-serias-dificuldades-para-achar-distribuidora-para-seu-filme-dos-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os roteiristas dissessem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">olha, ele matou, então podemos matar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A justiça com as próprias mãos que Moore critica, como na passagem &#8220;[&#8230;] </span><i><span style="font-weight: 400;">todos </span></i><span style="font-weight: 400;">[os heróis]</span><i><span style="font-weight: 400;"> optamos por trajar vistosas fantasias operísticas e expressar a noção de bem e mal em termos simples e infantis</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, é deturpada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Diretor Zack Snyder fala sobre o trabalho em Watchmen" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fAMqcw5U0gY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A matéria acima apresenta algumas visões do Snyder muito pertinentes para entender o que ele pensa sobre </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-watchmen-1986-1987/"><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1986). Primeiro: ele argumenta que preferiu manter a história na década ambientada para conservar as metáforas do quadrinho e deixar o público tirar suas próprias conclusões (como se a opinião de alguém sobre uma obra não fosse mediada pelo próprio diretor). Contudo, Moore é bem direto em sua crítica e não fica com medo de se posicionar. Os heróis são horríveis e os Estados Unidos é podre. É incabível essa afirmação do cineasta, afinal, o filme sequer tem uma abordagem sutil, possui um caráter limitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não faltam exemplos que demonstrem que é balela a alegação do americano. Há um plano fechado na estátua de um anjo, a câmera se afasta e revela que o lugar é um cemitério. Não contente, Snyder mostra a placa com o escrito &#8220;cemitério&#8221;. Noutra cena, o Dr. Manhattan (Billy Crudup) diz para a Espectral (</span><a href="https://cinepop.com.br/brittany-snow-e-malin-akerman-retornam-nas-imagens-da-2a-temporada-de-casadas-e-cacadoras-confira-763767/"><span style="font-weight: 400;">Malin Åkerman</span></a><span style="font-weight: 400;">), sua companheira, chamar Dan/Coruja (Patrick Wilson) para jantar, pois ela vai se sentir sozinha, já que o azulão está distante. É impressionante a preguiça deste texto em construir seus personagens e deixar que o público perceba que esse casal não tem futuro. No enredo dos anos 1980, Espectral é quem tem a ideia de chamar Dan para sair, e Gibbons ilustra o quadro com ela ao fundo e seu namorado maravilhado com alguma invenção, não dando a mínima para o que acontece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rorschach protagoniza o golpe final na narrativa imagética. A transformação dele de questionável para assassino acontece na HQ por uma sequência de quadros sem falas. Moore e o </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/ilustrador-de-watchmen-dave-gibbons-ficou-mais-de-15-anos-sem-olhar-para-a-hq-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">ilustrador</span></a><span style="font-weight: 400;"> revelam, por meio da associação, que os ossos devorados por alguns cachorros são de uma menina desaparecida, parte de um caso que o mascarado investiga. Um quadro com as roupas queimadas, seguido de outro com armários repletos de facas, uma tábua com sinais de corte até chegar aos animais devorando os restos mortais. Porém, o dito fã de quadrinhos resolveu colocar um sapatinho no osso para simplificar ao público. Ele acaba por fazer um exercício que os gibis das décadas de 1960 até 1980 tinham de costume: explicar o que está no desenho. Ao simplificá-las, o projeto audiovisual suspende a construção dramática e reitera o quão estúpidas são as histórias de super-heróis.</span></p>
<figure id="attachment_37585" aria-describedby="caption-attachment-37585" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-800x443.png" alt="Cena do filme WatchmenNa imagem, o personagem Dr. Manhattan, um ser de pele na cor azul, careca e sem usar roupas, está andando em direção aos vietnamitas, que vestem roupas militares e um chapéu pontudo de palha. Manhattan está levantando a mão, pronto para atacá-los. Ao fundo, o sol está grande e à esquerda há uma grande fumaça preta. O cenário é de um campo com fogo nele. " width="800" height="443" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-800x443.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-1024x567.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-768x425.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-1536x851.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette-1200x665.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WATCHMEN-colorpalette.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37585" class="wp-caption-text">Parece piada o uso da ópera Marcha das Valquírias nesta cena (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A posição de Snyder ao evitar um discurso sobre a invasão dos Estados Unidos no Iraque, quando unida a todas essas escolhas já comentadas (justiça com as próprias mãos e nacionalismo), reforça sua visão ‘anti-</span><i><span style="font-weight: 400;">watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A cena da imagem acima trata-se de uma operação do Comediante (</span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-vs-superman-uma-batalha-perdida/"><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Dean Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;">) e do Dr. Manhattan no Vietnã, este desintegrando vietnamitas e aquele incinerando-os. Nem é preciso descrever como o diretor imagina esse ato. Então, quando ele alude de forma positiva à intervenção dos Estados Unidos em outro país, cai como uma luva a esquiva de comentar sobre atitudes imperialistas recentes de sua nação. Tal postura vai de encontro às atitudes dos heróis fictícios de se envolverem com problemas de outros países, enquanto carregam as cores da bandeira americana no corpo. Como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Super-Homem: Paz na Terra</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1998), de Alex Ross e Paul Dini, publicação em que o </span><i><span style="font-weight: 400;">kryptoniano</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra em conflito por tentar acabar com a fome no mundo&#8230; aquela velha desculpa que os EUA sempre deram sobre levar a </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/na-onu-lula-defende-cooperacao-contra-crime-organizado-em-meio-a-divergencia-com-eua-sobre-pcc-e-cv.ghtml"><span style="font-weight: 400;">liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> às Américas e para o Oriente Médio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os super-heróis sempre foram utilizados para validar os atos intervencionistas do país e seu envolvimento em guerras, como na criação do Capitão América em 1941 e seu soco no rosto de Hitler ou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-de-ferro-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem de Ferro</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008)</span></a><span style="font-weight: 400;">, também lançado durante a Invasão no Iraque como </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, que facilmente lida com terroristas sozinho. Óbvio que Hitler merecia muito mais que um soco e terrorismo não está sendo apoiado aqui, mas a representação dos Estados Unidos pelos heróis que vestem as cores vermelho e azul sempre foram usadas para os interesses políticos do governo e das indústrias que detém seus direitos autorais. E assim, regressamos à crítica do quadrinho sobre o quão simplificado o mundo se torna quando os heróis mandam os inimigos para a cadeia, os problemas são resolvidos com tecnologia de ponta (e então qual a validação se dá para a posição dos EUA neste mercado) e com um homem só. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As eleições presidenciais do Brasil de 2026 refletem esses discursos. Veja o caso do candidato Augusto Cury, que em agosto do mesmo ano, em entrevista ao </span><a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/29/entrevista-augusto-cury-ministerio-da-ia-drones-contra-feminicidios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jornal Nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, tinha como proposta o uso de drones para acionar a delegacia em casos de violência contra a mulher. Terceiriza-se o papel do estado na robótica e tenta resolver o problema na sua última etapa: a violação do corpo feminino. Propostas que realizem uma mudança no escopo da sociedade estão fora do horizonte. Tudo é limitado, simples e fácil de resolver quando se tem máquinas e homens dispostos a enfrentar o ‘mal’. A adaptação de Zack Snyder subverte a crítica de Moore e dá impulso à roda punitivista do Ocidente.</span></p>
<figure id="attachment_37587" aria-describedby="caption-attachment-37587" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa-800x450.jpg" alt="Capa da primeira edição do quadrinho Capitão AméricaNa imagem, o personagem Capitão América dá um soco com a mão direita no rosto de Hitler, que cai em gritos de dor. O herói utiliza uma fantasia com as cores da bandeira dos Estados Unidos (vermelho e azul), com uma estrela branca no peito e listras brancas e vermelhas no abdômen. Utiliza botas e luvas vermelhas, o antebraço é branco e o resto do uniforme azul. O pescoço está à mostra e os olhos e os cabelos estão cobertos por uma máscara azul com um A escrito na testa e asas de anjo nos cantos. Na mão esquerda, ele usa um escudo em formato de noz (triangular) com as mesmas cores da bandeira, listras e três estrelas no topo. O escudo ricocheteia uma bala. Capitão América é um homem branco. Ao fundo, há soldados de Hitler empunhando armas e atirando. Hitler é um homem branco, de cabelos escuros e bigode. Ele usa um terno marrom e no braço direito usa a suástica nazista. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capitao_america_1_capa.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37587" class="wp-caption-text">Capa de Capitão América #1, lançada em março de 1941 (Foto: Marvel Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os figurinos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aladdin-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Michael Wilkinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> também são problemáticos, pelo menos de acordo com a visão do diretor: se é belo, é o que importa. Por serem fantasias bonitas, o ridículo proposto pelo quadrinho se perde. A beleza também está presente no sexo de Coruja com a Espectral, filmado de uma forma que só um homem poderia: com glória. Essa relação não deveria ser digna de louros, pois ela é uma piada sobre o fato do homem só conseguir ficar ereto distante de seu fracasso e imerso em sua fantasia. Dan só consegue transar porque está vestido de herói. De fato, o Zack Snyder não entendeu seu material base.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A forma como o Veidt (Matthew Goode) é tratado evidencia isso, pois o mocinho que vira antagonista e representa frontalmente o quão hipócritas os vigilantes são é o que tem menos tempo de tela e o único que não tem </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seria arriscado demais fazer com que o público percebesse a contradição do filme. Os únicos dois elementos capazes de se aproximar da proposta de Alan Moore e Dave Gibbons, flertando com a ironia, são os créditos iniciais mostrando os uniformes cafonas e o fim ridículo que alguns heróis tiveram, enquanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bob Dylan</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz a cena; e a mãe da Espectral que é repulsiva, como em 1986. Ela tem o visual bem caricato e sua intérprete, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/pequenos-espioes-elenco-reune-25-anos"><span style="font-weight: 400;">Carla Gugino</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz uma pose de megera que consegue condensar a ideia do quadrinho.</span></p>
<figure id="attachment_37589" aria-describedby="caption-attachment-37589" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1-1-800x450.jpg" alt="Arte do quadrinho WatchmenNa imagem, o personagem Veidt está sentado com as pernas cruzadas. Uma das mãos está no queixo em sinal de dúvida. A outra está apoiada na cabeça de um animal, que só aparece as antenas e o topo da cabeça, de coloração marrom. O fundo é preto e à esquerda há um balão de fala, Veidt diz, em inglês: “Everything 's All Right”. Veidt é um homem branco e de cabelos loiros. Ele veste uma túnica roxa com um ornamento egipcício no pescoço e peito com o desenho de um olho no centro. Na testa, há uma argola encaixada que contorna a cabeça. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1-1.jpg 825w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37589" class="wp-caption-text">Veidt (Ozymandias) é o personagem que mais acumulou riquezas após abandonar a vida de vigilante (Foto: DC Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a montagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><span style="font-weight: 400;">William Hoy</span></a><span style="font-weight: 400;"> separa o filme em núcleos de cada personagem e o passado dele. No quadrinho, as edições focam em um protagonista e na trama principal, mas isso funciona porque cada volume era lançado mensalmente, uma história contada em doses. Um longa é direto e essa divisão não só atrapalha o desenvolvimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo com que ele seja esquecido por bastante tempo, como também remete à atmosfera episódica de um gibi, algo que a obra original não quer fazer, negando onomatopeias, utilizando a metalinguagem para comparar a história de um gibi de pirata diegético com a realidade e inserindo trechos de livros (obrigando o leitor preguiçoso a ler). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência de assistir a </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009), de Zack Snyder, é como ver uma criança brincando de casinha. Ela não entende as nuances e os respaldos de papéis de gênero que essa brincadeira possui no mundo real, apenas acha divertida e sem significado. É como os fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não leem como uma história de luta por </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/zack-snyder-foto-selfie-clark-kent-lois-lane"><span style="font-weight: 400;">direitos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Anos depois, o americano teve aval da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros</span></i><span style="font-weight: 400;">. para brincar com outros </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/zack-snyder-foto-selfie-clark-kent-lois-lane"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o resultado vocês já sabem: um punhado de produções com alusões aos ideais </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/zack-snyder-rebate-acusacoes-de-ser-fascista-fiz-o-filme-mais-gay-de-todos-os-tempos/"><span style="font-weight: 400;">fascistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e muito </span><i><span style="font-weight: 400;">slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Há 10 anos, Solange ocupa a cabeceira da mesa com A Seat at the Table</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 13:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila  Com uma carreira artística consolidada, Solange é a prova de que a maturidade é uma raiz protuberante do sucesso. Através das objeções delicadas presentes no processo de crescimento pessoal, é desabrochado o trabalho mais emblemático e auspicioso da caçula da família Knowles, visto seu contato direto e familiar com a indústria fonográfica. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-10-anos-a-seat-at-the-table/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Solange ocupa a cabeceira da mesa com A Seat at the Table"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37567" aria-describedby="caption-attachment-37567" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37567" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image2-800x800.jpg" alt="Retrato aproximado de Solange, de frente para a câmera. Ela tem os cabelos soltos e volumosos, presos por diversos grampos coloridos, principalmente rosas e prateados. Usa maquiagem discreta e expressão serena. O fundo é claro e desfocado." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37567" class="wp-caption-text">O álbum parte da experiência da dor para construir um espaço de cura (Foto: Carlota Guerrero)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma carreira artística consolidada, </span><a href="https://saintheronica.pinupmagazine.org/"><span style="font-weight: 400;">Solange</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a prova de que a maturidade é uma raiz protuberante do sucesso. Através das objeções delicadas presentes no processo de crescimento pessoal, é desabrochado o trabalho mais emblemático e auspicioso da caçula da família Knowles, visto seu contato direto e familiar com a indústria fonográfica. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Seat at the Table</span></i><span style="font-weight: 400;">, que completa 10 anos em 2026, rompe com a temporalidade, uma vez que as questões abordadas e o talento que o permeia são acrônicos. </span></p>
<p><span id="more-37565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo seu terceiro álbum de estúdio, o disco transpõe todas as produções anteriores de Solange. A cantora, que iniciou sua carreira ainda na adolescência como </span><i><span style="font-weight: 400;">backing vocal</span></i><span style="font-weight: 400;"> e compositora, lançou trabalhos que já evidenciavam sua personalidade musical – como </span><i><span style="font-weight: 400;">Solo Star</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu álbum de estreia, lançado em 2002 –, mas que, até então, não faziam jus ao tom marcante e maduro que conhecemos hoje. Após um hiato na carreira, a texana deteve a atenção do público novamente com o lançamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hy9W_mrY_Vk"><i><span style="font-weight: 400;">Losing You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2012. Sobrepondo uma melodia quase anedótica, Solange canta sobre os questionamentos dolorosos que surgem ao notar que uma relação está prestes a terminar – ou, pelo menos, mudar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que seu portfólio já impressione, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Seat at the Table</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue alcançar um outro patamar. Isso porque o disco funciona como um declaração fonográfica que atesta, sobretudo, a luta de Knowles como mulher negra, confrontando injustiças historicamente impostas e se situando enquanto sujeito. Através dos interlúdios com as falas de sua mãe, </span><a href="http://tinaknowlesbook.com/"><span style="font-weight: 400;">Tina</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de seu pai, Matthew, Solange cria um canal onde é possível transmitir as experiências de seus antepassados sem perder a ternura e a compreensão emocional. Nesse caminho, para além dos traumas geracionais cunhados pelo racismo, o álbum destrincha o luto e o autoconhecimento oriundos da experiência humana da artista. </span></p>
<figure id="attachment_37568" aria-describedby="caption-attachment-37568" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image3.jpg" alt="Foto de uma piscina em ambiente interno, com cinco mulheres negras usando biquínis claros. Algumas estão sentadas na borda da piscina, enquanto outras permanecem em pé dentro ou próximas à água. A mulher ao centro usa biquíni verde-claro e tem o cabelo decorado com diversas contas. A imagem tem iluminação baixa e uma tonalidade rosada, com reflexos das luzes na água." width="800" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image3-768x627.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37568" class="wp-caption-text">Solange aborda identidade, racismo e pertencimento a partir de experiências pessoais e coletivas (Foto: Carlota Guerrero)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A canção que inaugura o álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rise</span></i><span style="font-weight: 400;">, funciona quase como um esboço: ocorre de maneira breve, mas nada tímida, no qual a melodia doce do piano somada a voz em tons de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">de Solange cria uma narrativa com teor afortunado. Na faixa, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/positions-ariana-grande-critica/"><span style="font-weight: 400;">canceriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> tranquiliza o ouvinte sobre o processo amargo – e quase virtuoso – de permitir sentir a dor como ela é, tendo esta como um caminho efêmero para atingir a plenitude. O verso “</span><i><span style="font-weight: 400;">Caia nos seus caminhos, para que possa acordar e se levantar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, funciona como um incentivo sereno, no qual, apesar dos percalços, será possível sobressair e prosperar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa mesma esfera, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UQeql3Wjogs"><i><span style="font-weight: 400;">Cranes in the Sky</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> surge para ilustrar de maneira engenhosa os mais atrevidos e viciantes mecanismos de fuga que se pode ter ao sermos confrontados com o peso das emoções. Com a estética etérea do videoclipe, a beleza da canção recai na humanidade crua que Solange nos apresenta: ela se permite ser vulnerável ao ouvinte, documentando de maneira intransigível sua busca por alívios temporários, ainda que mundanos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Solange - Cranes in the Sky (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/S0qrinhNnOM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Berço da linhagem da família Knowles, uma parcela significativa do álbum foi gravado na Louisiana, mais precisamente em New Iberia. Ultrapassando a ideia comercial, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Seat at the Table</span></i><span style="font-weight: 400;"> também ocupa o lugar de manifesto e exaltação da música negra. Ao escutar o álbum, é perceptível que Solange bebeu de fontes musicais relevantes da indústria, como Minnie Riperton, Janet Jackson e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TC5YefhKZqc&amp;t=76s"><span style="font-weight: 400;">Aaliyah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, o LP se torna um monumento de valor cultural, visto que, introjetado em suas letras e melodias, está a memória de um acervo admirável de artistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos técnicos, o disco aperfeiçoa seus arranjos a cada faixa, com a voz da norte-americana sempre em seu cerne. </span><a href="https://raphaelsaadiqmusic.com/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Saadiq</span></a><span style="font-weight: 400;">, co-produtor executivo do álbum, equilibra e divaga perfeitamente entre instrumentações clássicas e o futurismo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Touch My Hair</span></i><span style="font-weight: 400;">, com participação de Sampha, Solange canta sobre a desvalorização da mulher negra, expondo fatos enquanto sua voz é emoldurada pelo baixo aveludado de Saadiq. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Não toque em meu cabelo</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Quando são os sentimentos que eu uso </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não toque em minha alma </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Quando nela está o ritmo que conheço – Don’t Touch My Hair (ft. Sampha)</span></i></p></blockquote>
<figure id="attachment_37569" aria-describedby="caption-attachment-37569" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1.jpg" alt="Solange aparece em pé, em um estúdio, usando uma regata rosa-clara, calcinha branca e uma peça de tecido bege sobre os ombros. Ela segura uma bolsa ou tecido volumoso preenchido com pequenos blocos brancos. Ao fundo, há um grande painel claro com marcas e manchas, sobre um piso de concreto." width="800" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image1-768x627.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37569" class="wp-caption-text">O conceito de pertencimento atravessa toda a construção do disco (Foto: Carlota Guerrero)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira palpável, o título da obra reforça a ideia de acolhimento, visto que seu sentido político – e metafísico – repousa na ideia de estar em espaços que historicamente foram negados ou apagados. “</span><a href="https://www.kqed.org/arts/12333305/weve-always-had-a-seat-at-the-table-solange-on-conversations-that-heal?utm_source=chatgpt.com"><i><span style="font-weight: 400;">Um lugar à mesa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, em tradução livre, sintetiza a reivindicação por pertencimento e resgata a experiência individual de Solange a um olhar mais amplo quanto à identidade e as estruturas sociais que relegaram pessoas negras às margens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Seat at the Table</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser caracterizada enquanto genuína, sendo um cântico ao processo de cura de mulheres negras. Ao cantar suas inquietações, contradições e afirmações, Solange ainda encontra eco no presente e prova que sua forma de criar arte permanece ímpar. Fazendo jus ao verso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scales</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua parceria com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_GT9SmA1vlI&amp;list=RD_GT9SmA1vlI&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">Kelela</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela, de fato, é uma superestrela e transformou sua forma de ver o mundo em uma obra musical coesa e sofisticada. É um álbum que permanece aberto a novas interpretações e que, mesmo uma década depois, ainda sabe exatamente o que quer dizer. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: A Seat at the Table" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3Yko2SxDk4hc6fncIBQlcM?si=x7MfTSp0SUyOM6nsaSdXqg&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-10-anos-a-seat-at-the-table/">Há 10 anos, Solange ocupa a cabeceira da mesa com A Seat at the Table</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Algumas coisas só existem quando o sol se põe, e BUDAH nos apresenta a complexidade do universo noturno em FREQUÊNCIA LUNAR</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 13:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sofia Ferreira Santos Brendha Rangel, cantora capixaba que atende pelo nome artístico BUDAH, iniciou sua trajetória nas batalhas de rap de seu estado. Após marcar presença no line-up do festival The Town em 2025 e diversos outros festivais pelo Brasil, ela retorna em 2026 com seu segundo álbum, em que, logo na faixa de abertura, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-frequencia-lunar-budah/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Algumas coisas só existem quando o sol se põe, e BUDAH nos apresenta a complexidade do universo noturno em FREQUÊNCIA LUNAR"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37551" aria-describedby="caption-attachment-37551" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37551" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Frequência Lunar, de Budah. A artista aparece em um retrato em close, centralizada na composição, olhando diretamente para a câmera com expressão intensa e confiante. A imagem em preto e branco destaca seu rosto e os acessórios metálicos que utiliza, incluindo um grande aro circular posicionado diante do centro do rosto, piercings no nariz, brincos e colares em camadas. Seus cabelos longos e ondulados caem sobre os ombros, com mechas claras contrastando com os tons escuros da fotografia, enquanto um véu translúcido emoldura sua cabeça. O fundo escuro e a iluminação dramática reforçam a atmosfera mística, sensual e futurista que caracteriza a identidade visual do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/capa-frequencia-lunar-budah-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37551" class="wp-caption-text">Em uma fase mais intensa e livre, BUDAH mostra toda sua potência noturna e múltipla (Foto: Mateus Aguiar/Universal Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Sofia Ferreira Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brendha Rangel, cantora capixaba que atende pelo nome artístico BUDAH, iniciou sua trajetória nas batalhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu estado. Após marcar presença no </span><i><span style="font-weight: 400;">line-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival</span><a href="https://thetown.com.br/pt/informacoes/"> <span style="font-weight: 400;">The Town</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2025 e diversos outros festivais pelo Brasil, ela retorna em 2026 com seu segundo álbum, em que, logo na faixa de abertura, já faz questão de se apresentar ao novo ouvinte:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Muito prazer, minha vida, eu sou sua nova favorita”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-37547"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem a acompanha desde seu projeto de estreia,</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2SXORkzxQrYi0ueO5v6wCC"> <span style="font-weight: 400;">Púrpura</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), onde já brilhava com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonante e letras sobre empoderamento, esse novo sucesso não veio do nada. É, na verdade, o desdobramento de um longo caminho cheio de acertos como o </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7seFrmq6ObrQqkylmvsvRE"> <span style="font-weight: 400;">Lingerie</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2020 com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Yunk Vino; </span><i><span style="font-weight: 400;">Sedenta</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no EP </span><i><span style="font-weight: 400;">BUDAH</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2023); </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Certa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2024, com os cantores Sotam e Aka Rasta, e tantos outros ritmos engajados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, em </span><i><span style="font-weight: 400;">FREQUÊNCIA LUNAR</span></i><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a uma nova faceta, mais profunda, de BUDAH: a que existe quando a noite cai, mas que perdura no íntimo quando o dia finalmente chega. Ao longo de suas 14 faixas – que somam </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">boombap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">ragga</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;"> e elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo –, a capixaba transita entre temáticas como empoderamento feminino, superação, racismo e as complexidades da fama, buscando se impor no cenário do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro sem abrir mão de seu lado dançante. Esse peso narrativo reflete o esforço coletivo do disco, cujos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">reúnem nomes de peso como</span><a href="https://personaunesp.com.br/quando-a-vulnerabilidade-se-torna-ruptura-novo-testamento-de-ajuliacosta/"> <span style="font-weight: 400;">AJULLIACOSTA</span></a><span style="font-weight: 400;">, Pabllo Vittar, Iza, Duquesa, Tasha e Tracie, Vita, Franco e The Sir, inspirando-se em histórias e experiências compartilhadas por diversas mulheres, além de suas próprias vivências.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“FREQUÊNCIA LUNAR é um projeto que nasceu de histórias intensas que ouço, observo e também venho vivendo ao longo do tempo. Muitas mulheres compartilharam experiências comigo, inclusive fãs que me enviaram relatos e sentimentos que acabaram me inspirando durante o processo criativo. Acho que é por isso que esse disco carrega tanta verdade”. </span></i><span style="font-weight: 400;">– BUDAH para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Music</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum se diferencia de Púrpura de um jeito radical: traz mais </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">, em detrimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemplativo do disco de estreia. Batidas inquietas substituem as atmosferas etéreas, transformando o quarto do ouvinte em uma verdadeira pista de dança – uma mudança que, segundo a artista, chegou a assustá-la. Em entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela contou que “entendeu que [o álbum] começava no pôr do sol, umas 17h40, e ia até 5h da manhã. Foi quando ficou claro: esse álbum é para a noite”. É esse trajeto, do anoitecer ao nascer do dia, que</span><a href="https://www.revolt.tv/article/19-hip-hop-concept-albums-that-tell-an-engaging-story"> <span style="font-weight: 400;">costura</span></a><span style="font-weight: 400;"> as 14 faixas em uma única história, ainda que cada uma explore um estágio diferente dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse percurso começa em</span><a href="https://genius.com/Budah-ajulliacosta-and-franco-the-sir-sua-favorita-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">SUA FAVORITA</span></a><span style="font-weight: 400;">, faixa de abertura em que BUDAH já se mostra completamente diferente de seus projetos anteriores: ao lado de AJULLIACOSTA e Franco, The Sir, e mostrando referências musicais como</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sza/"> <span style="font-weight: 400;">SZA</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista reforça a importância do apoio entre mulheres e sugere que essa voz que nos guiará pela noite não é, necessariamente, Brendha Rangel, mas pode ser muitas outras. A mesma energia de posse de si e do espaço se estende a</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vRLXyuAaYlM"> <span style="font-weight: 400;">SALTO 15</span></a><span style="font-weight: 400;">, com IZA, em que o salto alto – símbolo de sensualidade e poder, afiado e marcante como quem o usa – vira metáfora para a autoestima, e a</span><a href="https://genius.com/Budah-skin-afropaty-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">SKIN AFROPATY</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aprofunda essa celebração da estética e da identidade como um exercício constante de autoafirmação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ápice dessa vibração dançante, porém, está em</span><a href="https://genius.com/Budah-and-pabllo-vittar-vampira-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">VAMPIRA</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com</span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=pabllo+vittar"> <span style="font-weight: 400;">Pabllo Vittar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, provavelmente, o destaque do álbum em termos de produção: linhas de grave magnéticas encontram vocais envolventes para sintetizar a busca de BUDAH por uma entrega mais intensa em suas performances. Como declarou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">: “Eu sentia falta de uma entrega diferente, tanto nos shows quanto quando eu saía com minhas amigas e queria ouvir uma música mais animada, mais noturna, mais agitada, com um grave envolvente, para dançar”.</span></p>
<p><figure id="attachment_37549" aria-describedby="caption-attachment-37549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37549" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-800x392.jpg" alt="Budah posa diante de uma paisagem urbana noturna iluminada por pontos de luz desfocados. A artista é iluminada por uma luz azul intensa e encara diretamente a câmera com expressão séria. Veste luvas pretas longas, colar prateado e um figurino escuro, enquanto seus cabelos longos apresentam mechas claras na parte frontal. Com os braços erguidos, ela posiciona as mãos de forma a enquadrar visualmente a lua cheia ao fundo, criando a ilusão de segurá-la entre os gestos. A fotografia integra a identidade visual do álbum Frequência Lunar, explorando elementos simbólicos ligados à noite, à lua e à atmosfera mística que caracteriza o projeto" width="800" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-800x392.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-1024x502.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-768x377.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-1536x753.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3-1200x588.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-3.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37549" class="wp-caption-text">&#8220;O álbum [&#8230;] tem muito papo reto e letras sobre autoestima, sobre o lugar que a mulher merece ocupar e sobre ser quem você é sem precisar se encaixar em padrões” (Foto: Mateus Aguiar/Universal Music Brasil)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Superada a euforia inicial da pista, o disco muda de tom e volta o olhar para dentro. Em</span><a href="https://genius.com/Budah-cest-la-vie-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">C’EST LA VIE</span></a><span style="font-weight: 400;">, rimas mais secas revisitam os esforços e ganhos de uma carreira construída longe de casa – da saída de Vitória para São Paulo à ascensão financeira da família –, sem deixar de notar que, mesmo consagrada em</span><a href="https://globoplay.globo.com/v/13907688/"> <span style="font-weight: 400;">2025</span></a><span style="font-weight: 400;">, BUDAH segue ganhando menos que os homens da cena.</span><a href="https://genius.com/Budah-intuicao-lyrics"><span style="font-weight: 400;"> </span></a></p>
<p><a href="https://genius.com/Budah-intuicao-lyrics"><span style="font-weight: 400;">INTUIÇÃO</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha o pressentimento de um relacionamento que começa a ruir, enquanto</span><a href="https://genius.com/Budah-novo-voo-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">NOVO VOO</span></a><span style="font-weight: 400;"> marca a escolha por si mesma e pela própria liberdade – um deslocamento tanto geográfico quanto pessoal, resumido no verso </span><i><span style="font-weight: 400;">“Outro canto, nova cidade / Outro canto, novo voo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já em QUEBREI SUA CASA, ao lado de MC Luanna, a destruição física vira metáfora para a libertação mental, sintetizada no verso </span><i><span style="font-weight: 400;">“posso jurar que te amava, mas quem jura sempre mente”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37548" aria-describedby="caption-attachment-37548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-800x451.jpg" alt="Budah aparece em primeiro plano, inclinada em direção à câmera, com expressão intensa e olhar direcionado ao observador. A artista veste um figurino preto de acabamento brilhante, luvas longas da mesma cor e um colar prateado. Seus cabelos longos e ondulados apresentam duas mechas brancas na parte frontal, elemento recorrente na identidade visual do álbum. Ao fundo, um cenário iluminado em tons de azul destaca um grande círculo branco que remete à lua, enquanto sombras projetadas reforçam a atmosfera noturna e misteriosa da composição. A fotografia integra a identidade visual do álbum Frequência Lunar, explorando referências à lua, à noite e à estética mística que marca o projeto" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-1536x866.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/imagem-critica-budah-4.jpg 1916w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37548" class="wp-caption-text">“É um sonho realizado! Quero que as pessoas se divirtam quando escutarem, se conectem com a frequência do som e também se reconheçam nas histórias que ele conta” (Foto: Mateus Aguiar/Universal Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo esse arco de decepção e desapego encontra seu ponto mais alto em</span><a href="https://genius.com/Budah-quem-voce-escolhe-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">QUEM VOCÊ ESCOLHE?</span></a><span style="font-weight: 400;">, faixa que desponta como o ápice desta análise sobre os dilemas afetivos do álbum. Longe de ser apenas um desabafo, a canção articula com precisão cirúrgica a decisão de romper com ciclos imaturos e desrespeitosos: é aqui que BUDAH estabelece um padrão de lucidez, reafirmando que sua estabilidade é autossuficiente e transformando a vulnerabilidade em uma declaração de soberania. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao priorizar a preservação do ‘eu’ diante da degradação de um parceiro que se revela insustentável através de suas próprias falhas, a artista entrega um momento de honestidade brutal que, pessoalmente, elevo à condição de favorito deste projeto – pela forma como encapsula a escolha de se manter íntegra ao invés de se perder em ilusões. Parafraseando o psicanalista Jacques Lacan em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Seminário, Livro 8: A transferência</span></i><span style="font-weight: 400;">: “amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer”; para BUDAH, isso se faz muito presente nessa canção, e assim como nas outras faixas, de forma muito honesta. Apresenta-se essa falta não pelo fato de todos nós sermos faltantes em nossas especificidades, mas porque, quando o</span><a href="https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-34372018000100007"> <span style="font-weight: 400;">Outro</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos quer, é impossível nos doar, mesmo que de maneira faltante. Pensar em quem seu par escolhe, repetir essa ausência, é sobretudo, menos sobre o Outro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BUDAH - QUEM VOCÊ ESCOLHE? (Visualizer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Lcth-Dwhhpk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daqui, o álbum também assume sua dimensão mais identitária. Em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8iLbn_yTnhE"> <span style="font-weight: 400;">VIDA DE ARTISTA</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao lado das irmãs</span><a href="https://www.instagram.com/tashaetracieog/"> <span style="font-weight: 400;">Tasha e Tracie</span></a><span style="font-weight: 400;">, BUDAH deixa claro que seu empoderamento não vem só de feitos e </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas de sua negritude: por meio de rimas ousadas e bem-humoradas, o trio ironiza um sucesso resumido ao luxo para desafiar padrões normativos de fama. Essa mesma crítica ao </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganha corpo em</span><a href="https://genius.com/Budah-and-duquesa-vip-ninguem-te-conhece-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">VIP (ninguém te conhece)</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com Duquesa que é o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto e, até o momento, a única faixa com videoclipe – uma colaboração pedida pelos fãs há anos e que fortalece a cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro feito por mulheres. No clipe, com o auxílio de uma amiga caracterizada de forma idêntica – mesmo figurino, maquiagem e cabelo –, a personagem dopa a bebida do parceiro; em meio aos delírios dele antes de sua suposta morte, as duas mulheres alternam de lugar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paralelamente, a composição traz uma crítica contundente a dinâmicas afetivas baseadas em interesse por </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;">: o</span><a href="https://rapmidia.com.br/budah-e-duquesa-vip/"> <span style="font-weight: 400;">privilégio do ‘VIP’</span></a><span style="font-weight: 400;"> só se sustenta pela presença dela, evidenciando a dependência do companheiro para ser validado socialmente. Essa crítica de gênero ganha ainda outra camada em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mFknnLy4vmo"> <span style="font-weight: 400;">SUBMUNDO</span></a><span style="font-weight: 400;">, com</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/6dfQmJiIvW1OedMalPDMnO"> <span style="font-weight: 400;">Vita</span></a><span style="font-weight: 400;">, que estende o empoderamento negro e feminino à forma como a sociedade vê mulheres trans e travestis – no verso</span><i><span style="font-weight: 400;"> “na minha pele escura você vai se queimar”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, misturando o cotidiano difícil dessas mulheres à celebração da vida noturna e dos bailes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BUDAH, Duquesa - VIP (ninguém te conhece)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/ltnKqdBPxFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, ao longo da audição, o ouvinte sinta falta de uma crítica mais direta ao racismo estrutural – tema que perpassa o álbum em referências pontuais, como em SUBMUNDO, sem nunca ganhar um desabafo frontal. É esse silêncio que</span><a href="https://genius.com/Budah-meu-crime-e-existir-lyrics"> <span style="font-weight: 400;">MEU CRIME É EXISTIR</span></a> <span style="font-weight: 400;">vem preencher, no ápice reflexivo do projeto. Como observa a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">A cor do inconsciente: significações do corpo negro</span></i><span style="font-weight: 400;">, o racismo não muda apenas a vida social da pessoa negra, mas também afeta sua psique – algo que o eu-lírico de BUDAH representa ao relatar um episódio em um </span><i><span style="font-weight: 400;">shopping</span></i><span style="font-weight: 400;">: ao encontrar um segurança negro de terno, sentiu uma identificação inicial, frustrada quando percebeu que era ela quem passava a ser encarada como uma figura suspeita, o “Outro”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo a psicanalista</span><a href="https://appoa.org.br/correio/edicao/347/entrevista_com_a_psicanalista_isildinha_baptista_nogueira/1533"> <span style="font-weight: 400;">Isildinha Baptista Nogueira</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse tipo de comportamento ilustra como o racismo internalizado pode levar pessoas negras a manifestar, ainda que inconscientemente, um auto-ódio que se projeta em seus semelhantes; encarar a própria alteridade e acolher o outro, nesse contexto de racismo estrutural, torna-se então um desafio complexo. A música escancara uma das milhares de micro agressões e violências enfrentadas constantemente por pessoas negras – um desabafo sobre sobrevivência e resiliência de quem resiste a essas situações repetidas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BUDAH - MEU CRIME É EXISTIR (Visualizer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/at98Eurh3Fc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mFknnLy4vmo"><i><span style="font-weight: 400;">SUBMUNDO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (com Vita), que dá visibilidade à cultura periférica e às vivências de mulheres trans e travestis na noite, o álbum ganha sua máxima profundidade reflexiva em </span><a href="https://genius.com/Budah-meu-crime-e-existir-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">MEU CRIME É EXISTIR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na faixa, BUDAH expõe o peso do racismo estrutural e da hipervigilância a partir de episódios do cotidiano, tratando das marcas psíquicas provocadas pela alteridade rejeitada. É uma declaração vulnerável e visceral sobre resiliência e sobrevivência diante de violências diárias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum se encerra em</span><a href="https://youtu.be/qbR3OZlx5eY?si=RnQtdQcZbR_wnxaT"> <span style="font-weight: 400;">PONTO MAIS ALTO</span></a><span style="font-weight: 400;">, faixa que retoma o mesmo contraste entre passado e presente já esboçado em </span><i><span style="font-weight: 400;">C’EST LA VIE</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas agora como síntese de tudo o que veio antes: como um pensamento que nos abate ao chegar em casa depois de um rolê feliz, o eu-lírico revisita experiências e felicidades de forma agridoce, revelando uma trajetória de autossuperação construída, sobretudo, à custa de muitas perdas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova frequência, BUDAH entrega um álbum coeso e significativo para a cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, consolidando uma transição madura e audaciosa para o gênero. Ao transitar com maestria entre batidas dançantes e letras de profundidade emocional, a artista não apenas demonstra sua versatilidade, mas reafirma seu papel como uma das vozes mais potentes e necessárias da atualidade.</span><a href="https://genius.com/albums/Budah/Frequencia-lunar"> <span style="font-weight: 400;">FREQUÊNCIA LUNAR</span></a> <span style="font-weight: 400;">é, em última análise, um convite para mergulhar em sua própria verdade, transformando vivências pessoais em um projeto que nos convida a dançar, refletir e, acima de tudo, sentir.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: FREQUÊNCIA LUNAR" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3qbfxWGIF45fv8btLzrsDR?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 18:59:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Austin Abrams]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
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		<category><![CDATA[Review]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Davi Marcelgo Temer e rir são sentimentos conflitantes, mas Zach Cregger, que despontou no Terror com o excelente Noites Brutais (2022) e fundou, antes disso, o grupo comediante The Whitest Kids U&#8217; (2007-2011), consegue tirar do público ambas sensações em Resident Evil, a mais nova tentativa de levar para o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/resident-evil-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O controle de Resident Evil pertence a Zach Cregger"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37574" aria-describedby="caption-attachment-37574" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37574" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-800x331.jpg" alt="Cena do filme Resident EvilNa imagem, o personagem Bryan, de costas, corre por uma rua com carros abandonados e cobertos de neve enquanto pessoas se atiram do prédio, explodindo em sangue no chão e nos automóveis. O cenário é noturno, há edifícios e iluminação oriunda dos postes. Há neve por toda parte e Bryan veste calça e jaqueta escura. " width="800" height="331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-1536x636.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5-1200x497.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAHwKWsAAiYt5.jpg 1950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37574" class="wp-caption-text">O último live action da franquia foi em 2021 com Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City<br />(Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temer e rir são sentimentos conflitantes, mas Zach Cregger, que despontou no Terror com o excelente </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Noites Brutais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) e fundou, antes disso, o grupo comediante </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whitest Kids U&#8217; </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007-2011), consegue tirar do público ambas sensações em </span><i><span style="font-weight: 400;">Resident Evil</span></i><span style="font-weight: 400;">, a mais nova tentativa de levar para o Cinema a adaptação do jogo homônimo. A franquia não é a única que ousou transpor para outra linguagem, mas esta pode ser uma das melhores experiências – não somente pelo sarrafo baixo – porque o cineasta reproduz elementos dos </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem esquecer que isto se trata da Sétima Arte. </span><span id="more-37573"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bryan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Austin Abrams</span></a><span style="font-weight: 400;">) faz entregas hospitalares quando descobre que sua namorada espera um bebê. Convidado a levar uma encomenda frágil até um remoto ambiente, o rapaz é cercado por um novo mundo, dominado por zumbis que incorporam outros seres para evoluir. O ato de ‘unir’ é a principal característica de Cregger para este longa: nas cenas de câmera subjetiva com o ponto de vista na mão segurando uma arma, na estrutura gamificada de coletar itens e completar missões (a cada novo cenário, um novo desafio) ou na piada envolvendo cadeados que não abrem com tiros – jogadores do </span><a href="https://tecnoblog.net/sobre/jogos-de-tiro/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> costumam fazer isso, sem sucesso, para abrir portas. Outra característica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">nerds </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">consoles </span></i><span style="font-weight: 400;">é o interesse por descobrir a </span><i><span style="font-weight: 400;">lore </span></i><span style="font-weight: 400;">de cada passatempo e que está presente no jeito do herói, que observa as transformações dos zumbis com muita curiosidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos anos 1920, </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/story/diversao/gente/buster-keaton-a-historia-de-um-dos-genios-da-era-do-cinema-mudo,29678f5c0be276048cf46717f9b0399beapok9p0.html"><span style="font-weight: 400;">Buster Keaton</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez história no Cinema mudo ao criar um personagem que enfrentava obstáculos radicais, como correr de um trem em movimento ou fugir de uma multidão de noivas. O diretor, que escreve ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shay Hatten</span></a><span style="font-weight: 400;">, empresta do ator os trejeitos atrapalhados para cedê-los ao seu protagonista, que vai conduzir </span><i><span style="font-weight: 400;">Resident Evil</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os objetos adquiridos por Bryan ou a forma como uma situação leva a outra estão apegadas à sua personalidade e às imbecis escolhas que faz, não subitamente um </span><i><span style="font-weight: 400;">checklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que contém um jogo eletrônico; até suas atitudes com a namorada operam para uma crítica presente no enredo. As escolhas da direção estão mais a favor do personagem e do gênero que ao material original. </span></p>
<figure id="attachment_37577" aria-describedby="caption-attachment-37577" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn-800x384.jpg" alt="Cena do filme Resident EvilNa imagem, em primeira pessoa há uma arma apontada para uma mulher zumbificada. A cena é noturna com pouca visibilidade. A única luz vem ao fundo de uma viatura policial capotada. Há neve no chão. " width="800" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn-800x384.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn-1024x492.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn-768x369.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn-1200x576.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HSqAGtBWoAAZapn.jpg 1516w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37577" class="wp-caption-text">Certos planos se inspiram em jogos “first-person shooters&#8221; (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As decisões do principal incorporam os clichês dos filmes de Terror. O roteiro leva ao pé da letra tudo aquilo que os torcedores de nariz do gênero usam para criticá-lo e transforma em fator cômico. Depois de ver todas as bizarrices possíveis, Bryan ainda entra em <em>trailers</em> dizendo “Tem alguém aí?” ou questiona a uma figura nefasta se ela está bem, quando obviamente há uma ameaça à sua frente. O idealizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-mal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) cria um pacto com o espectador: este é inteligente o suficiente para superar o protagonista, mas não possui o controle de Zach Cregger, afinal isto é Cinema e somos todos conduzidos por uma câmera que vai nos manipular. No caso do Terror, terá como objetivo assustar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento, Bryan consegue abrir um cadeado usando uma arma e diz “</span><i><span style="font-weight: 400;">foda-se os videogames</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O recado está dado. A partir deste trecho, o roteirista vai prosseguir com sua crítica sobre responsabilidade, esta que o personagem não assumiu ao declarar a máxima “</span><i><span style="font-weight: 400;">seu corpo, suas regras</span></i><span style="font-weight: 400;">” à namorada e se esquivar da função de pai ou de estar junto ao passar por um aborto. Sua escolha de levar o </span><a href="https://cinemacao.com/2017/04/16/macguffin/"><i><span style="font-weight: 400;">MacGuffin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">soa mais como uma tentativa de fugir da conversa do que uma boa ação para uma criança que precisa de um coração, como ele mesmo cita. A conclusão é o espelho do protagonista: cientistas que não assumem o que fizeram de errado e não descem até a realidade para resolvê-la, escolhendo se isolar em laboratórios blindados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor olha para o passado do gênero, assim como fez com seu filme anterior ao criar uma lenda urbana dos subúrbios americanos, remetendo seu personagem ao Ash (</span><a href="https://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bruce Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;">) de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), um idiota que aprende a usar armas, e ao protagonista pateta de </span><a href="https://www.cinealerta.com.br/filmes/fome-animal-a-evolucao-do-gore-no-cinema-de-peter-jackson/"><i><span style="font-weight: 400;">Fome Animal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992), de Peter Jackson, que continua cuidando de sua mãe zumbificada, mesmo que isso já não tenha sentido algum. A sequência do atropelamento tem o espírito do jantar do longa da década de noventa, além do bebê monstruoso presente em ambas produções. </span><i><span style="font-weight: 400;">Resident Evil</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem pinta de videogame, mas Cregger não permite que o público seja totalmente ativo na situação, seja por suas referências ou seus </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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