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	<title>Arquivos Yahya Abdul-Mateen II &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ambulância &#8211; Um Dia de Crime: Michael Bay nos convida a empatizar em meio a tensão</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2022 16:08:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Mael Desde sua estreia como cineasta em 1995, o cineasta Michael Bay tem a ação junto a uma certa dose de niilismo como grandes marcas do seu trabalho. Premiado diretor de comerciais e videoclipes, Bay funde o apelo visual e a iconografia americana de seu predecessor Tony Scott, com o niilismo e antipatia de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ambulancia-um-dia-de-crime-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ambulância &#8211; Um Dia de Crime: Michael Bay nos convida a empatizar em meio a tensão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28099" aria-describedby="caption-attachment-28099" style="width: 2118px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2.jpg" alt="Fotografia do filme Ambulância, em um apartamento bagunçado. Yahya Abdul-Mateen II, que interpreta Will, é um homem negro e forte, com cabelo curto e maxilares marcados. Will está suado, usa uma blusa preta e calça caqui, enquanto segura uma arma. Seu braço esquerdo está sendo segurado por Jake Gyllenhaal, que interpreta Danny, um homem branco com cabelo e barba castanhos, usando uma camiseta verde escura e olhando o irmão com preocupação e suor no rosto." width="2118" height="1412" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2.jpg 2118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28099" class="wp-caption-text">Yahya Abdul-Mateen II e Jake Gyllenhaal protagonizam novo filme de ação do polêmico diretor (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Mael</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua estreia como cineasta em 1995, o cineasta Michael Bay tem a ação junto a uma certa dose de niilismo como grandes marcas do seu trabalho. Premiado diretor de comerciais e videoclipes, Bay funde o apelo visual e a </span><a href="https://youtu.be/pyx7YRU4trs"><span style="font-weight: 400;">iconografia americana</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu predecessor Tony Scott, com o niilismo e antipatia de seu sucessor </span><a href="http://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zack Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;">, em filmes de ação saturados e apelativos que pouco se importam de fato com seus personagens. Talvez seja por isso que o americano se encontrou nos robôs da franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Transformers</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">literais dispositivos de ação e frases de efeito, que a cada filme tinham mais tempo de tela e davam menos valor à vida humana.</span></p>
<p><span id="more-28098"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa perspectiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ambulância &#8211; Um Dia de Crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase uma antítese a essas características típicas do diretor, se opondo ao auge de sua antipatia em S</span><i><span style="font-weight: 400;">em Dor, Sem Ganho </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013), mesmo que também tenha </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/ambulancia-um-dia-de-crime-traz-michael-bay-atras-de-heroi-perdido.shtml"><span style="font-weight: 400;">a falência do sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> como tema. Na trama, o veterano Will Sharp </span><em><span style="font-weight: 400;">(</span></em><span style="font-weight: 400;">Yahya Abdul-Mateen II</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, fica desesperado para pagar as contas médicas de sua esposa e pede ajuda de seu irmão adotivo, o criminoso e carismático Danny </span><span style="font-weight: 400;">(</span><span style="font-weight: 400;">Jake Gyllenhaal</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, que propõe um grande assalto a banco. Porém, quando a fuga dos irmãos dá espetacularmente errado, Will e Danny sequestram uma ambulância com um policial ferido e a paramédica Cam Thompson </span><span style="font-weight: 400;">(</span><span style="font-weight: 400;">Eiza González</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;"> a bordo.</span></p>
<figure id="attachment_28102" aria-describedby="caption-attachment-28102" style="width: 2180px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3.jpg" alt="Fotografia das filmagens do filme Ambulância. Na traseira de uma ambulância pintada de verde, estão sentados 3 homens e 1 mulher posando para a foto. Na ponta da esquerda, Jake Gyllenhaal é um homem branco de cabelo e barba castanhos sorrindo para a foto, com uma calça jeans e camiseta azul escura. A sua direita, sentado ao fundo, Yahya Abdul-Mateen II é é um homem negro e forte, com cabelo curto e maxilares marcados, usando uma calça cáqui e blusa cinza escura enquanto sorri levemente para a camera. A sua direita, um pouco mais a frente, Eiza González é uma mulher latina de cabelo preto na altura de seu peito, usando uma camiseta branca e sentada com seus braços apoiados nas pernas, sorrindo com a cabeça inclinada e de boca aberta para a câmera. Na ponta direita, ao lado de Jake, o diretor Michael Bay é um homem de meia idade branco e loiro, com uma leve barba branca, boné azul, camiseta longa azul e uma calça jeans clara. Ele está sorrindo para a câmera enquanto carrega na mão esquerda um headfone." width="2180" height="1452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3.jpg 2180w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-3-1200x799.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28102" class="wp-caption-text">Jake Gyllenhaal, Yahya Abdul-Mateen II, Eiza González e Michael Bay no set de Ambulância; o trio de protagonistas mais eficiente do diretor desde 2013 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa proposta, o filme segue a fuga interminável da ambulância pelas ruas de Los Angeles, repleto de cenas </span><a href="https://mundoconectado.com.br/noticias/v/24174/trailer-do-filme-ambulancia-de-michael-bay-mostra-como-drones-fpv-podem-mudar-o-cinema"><span style="font-weight: 400;">filmadas com drones como a grande novidade técnica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se antes Bay não pedia para o público empatizar com mais de 2 ou 3 personagens, enquanto matava os outros ou os fazia de piada, agora o diretor tenta fazer o espectador tomar as dores de variadas pessoas envolvidas na perseguição do longa. Parte da responsabilidade nesse âmbito é do roteirista Chris Fedak, que tem em seu histórico produções simpáticas como as séries </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuck</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Lendas do Amanhã</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No trio principal, Will tem o drama de sua esposa como força motriz e ponto de empatia com o público, enquanto Danny tem sua relação com o irmão e Cam tem dificuldade em se conectar — agindo quase como um metacomentário sobre os universos do diretor. Mesmo fora da Ambulância, os policiais e autoridades de </span><a href="https://soulbrasil.com/10-filmes-que-expressam-perfeitamente-a-essencia-de-los-angeles/"><span style="font-weight: 400;">Los Angeles</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de alvos de algumas piadas, também tem suas vidas pessoais expostas o suficiente para o público se importar minimamente. E</span><span style="font-weight: 400;">m uma narrativa que se inicia tentando borrar a linha entre certo e errado, Bay nos convida a se importar e sentir junto a uma grande gama de personagens, </span><span style="font-weight: 400;">d</span><span style="font-weight: 400;">esde os protagonistas, passando pelas autoridades e chegando até mesmo ao cartel que encomenda o roubo.</span></p>
<figure id="attachment_28100" aria-describedby="caption-attachment-28100" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28100" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3.jpg" alt="Captura de tela de uma cena do filme Ambulância. Na cena, vemos no plano central o Agente Clark, interpretado por Keir O’Donell, um homem branco na casa dos 40 anos. Seu cabelo é loiro, curto nos lados enquanto no topo na cabeça há um topete que cai na testa. Ele está vestindo uma camisa social, gravata azul escura, suspensório e um coldre para sua arma. Suas sobrancelhas estão franzidas enquanto ele olha em questionamento um homem com camiseta vermelha de costas, no primeiro plano. Ao fundo, há um viaduto urbano e um homem careca desfocado apontando para o Agente." width="1280" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-3-1200x499.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28100" class="wp-caption-text">Keir O’Donell como o Agente Clark, tratado com mais simpatia do que Bay costuma dar a Agentes Federais (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tentativa, exposta no roteiro e na dramaticidade do diretor ao introduzir os personagens, se mostra necessária agora que o filme trata menos de ação, e mais de tensão. </span><a href="https://www.bosshunting.com.au/entertainment/movies/ambulance-interview/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, Bay destaca a troca do foco em ação e explosões, por uma tentativa de construir e manter a tensão dos assaltos e perseguições, o que também transparece nas referências feitas ao filme </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-14046/"><i><span style="font-weight: 400;">Heat: Fogo Contra Fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de igualmente acompanhar assaltantes de banco sob pressão em Los Angeles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ambulance</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba sendo mais inchado e exagerado do que sua contraparte de 1995, ou do que a produção dinamarquesa homônima que inspirou o roteiro do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse inchaço aparece com clareza no terço final do filme, onde o diretor parece se cansar do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> que construiu até então. Bay troca o possível catarse do fim da perseguição, por paradas com </span><a href="https://margofilmes.com.br/set-piece/"><i><span style="font-weight: 400;">setpieces</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de tiroteios e explosões. Ironicamente, visto que Will e Danny chegam a repetir a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós não paramos”</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um mantra. Ainda assim, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/ambulancia-critica-filme"><span style="font-weight: 400;">os montadores </span><span style="font-weight: 400;">Doug Brandt, Pietro Scalia e Calvin Wimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalham arduamente para tentar manter o estresse e a inquietação do longa, contribuindo muito para o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de perseguição proposto.</span></p>
<figure id="attachment_28101" aria-describedby="caption-attachment-28101" style="width: 1233px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28101" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.png" alt="Captura de tela de uma cena do filme Ambulância. Na cena, vemos a socorrista Cam, interpretada por Eiza González, em primeiro plano com a ambulância desfocada atrás dela e um beco urbano ao fundo. Cam é uma mulher de pele bronzeada e cabelo preto preso, vestindo um uniforme de socorrista, uma camisa branca com listras reflexivas vermelhas e seu nome no peito esquerdo. Ela está com os braços levantados e mãos ensanguentadas, enquanto olha para baixo com olhar repreensivo." width="1233" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.png 1233w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-800x343.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1024x439.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-768x329.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1200x515.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28101" class="wp-caption-text">Eiza González como Cam, em uma das poucas paradas da ambulância que fazem sentido (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses momentos, se torna claro como os atores contribuem muito para a imersão do longa. </span><span style="font-weight: 400;">Yahya Abdul-Mateen II traz todo o drama e seriedade necessários para levar a sério a trama, enquanto Jake Gyllenhaal carrega carisma e exageros para seu personagem instável, que, a exemplo de atores como </span><a href="https://youtu.be/-H5CCsOnjyc"><span style="font-weight: 400;">John Turturro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-31426/"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Cage</span></a><span style="font-weight: 400;">, brilha ao casar perfeitamente com o mundo saturado do diretor. Toda o estresse em que esses personagens são inseridos acaba servindo para revelar arquétipos em meio a crise, tanto na vilania do instável Danny, quanto no heroísmo de Will e especialmente de Cam, que Eiza González</span> <span style="font-weight: 400;">interpreta com uma dose necessária de estoicismo, enquanto Bay a trata com a reverência e exaltação que costuma dar aos </span><i><span style="font-weight: 400;">“trabalhadores braçais”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do peso negativo das paradas no ritmo, que devem cansar o espectador, os minutos finais encerram o longa-metragem de forma tensa, dramática e catártica. Mesmo que falho em parte de sua execução,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ambulância &#8211; Um Dia de Crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda é o melhor filme do diretor em alguns anos, surpreendentemente também é </span><a href="https://www.thenationalnews.com/arts-culture/film/2022/03/17/how-michael-bay-made-heist-film-ambulance-with-jake-gyllenhaal-in-record-time/"><span style="font-weight: 400;">um de seus projetos menos caros</span></a><span style="font-weight: 400;">, e uma boa opção de entretenimento. Resta agora saber se o futuro de Michael Bay continuará em projetos menores fora dos</span><i><span style="font-weight: 400;"> blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou de volta aos projetos explosivos, custosos e saturados. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AMBULÂNCIA: UM DIA DE CRIME - Trailer Oficial (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6Y7TTeV08zk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Lenda de Candyman: os terrores da realidade são piores que os da ficção</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 16:02:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Lendas urbanas sempre existiram na sociedade. Elas servem para nos dar explicações, para assustar, entreter e, em alguns casos, tentar abrandar uma realidade dura demais. Tendo isso como base, chegou aos cinemas em setembro de 2021 A Lenda de Candyman, sequência de O Mistério de Candyman, lançado em 1992. O novo longa busca &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-lenda-de-candyman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Lenda de Candyman: os terrores da realidade são piores que os da ficção"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23824" aria-describedby="caption-attachment-23824" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-2.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem tem um menino negro, cabelo raspado e olhos castanhos, ele usa uma camiseta vermelha com gola azul. Na imagem há apenas o torso do garoto. Ele olha assustado através da fresta de uma porta de madeira. A porta e a parede verde do lado dela estão cobertas de sangue. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23824" class="wp-caption-text">Candyman não economiza no sangue e na violência para chocar os seus espectadores (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio</b></p>
<p><a href="https://www.significados.com.br/lenda/"><span style="font-weight: 400;">Lendas urbanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre existiram na sociedade. Elas servem para nos dar explicações, para assustar, entreter e, em alguns casos, tentar abrandar uma realidade dura demais. Tendo isso como base, chegou aos cinemas em setembro de 2021 </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cDZn2hWMzDE"><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sequência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M2E73KCKeS8"><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Mistério de Candyman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1992. O novo longa busca reviver a franquia, já esquecida pelo grande público, e atualizar as discussões propostas na primeira parte.</span></p>
<p><span id="more-23820"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de 2021 conta a história de Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II), um jovem artista com bloqueio criativo que descobre uma lenda urbana chamada </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/223960-lenda-de-candyman-personagem-filme-terror.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Candyman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na qual se uma pessoa falar o nome dessa entidade cinco vezes na frente do espelho, ela irá aparecer para matar quem ousou lhe chamar. O protagonista, então, invoca esse ser, o que o levará em uma jornada rumo à loucura.</span></p>
<figure id="attachment_23825" aria-describedby="caption-attachment-23825" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23825" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem está Anthony, um homem negro, cabelo curto e olhos castanhos. Ele usa um gorro vermelho e uma camiseta cinza. Em sua mão direita tem uma câmera fotográfica que está emitindo uma luz vermelha. No fundo tem uma parede bege com várias pichações. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23825" class="wp-caption-text">Anthony vê na lenda de Candyman o assunto perfeito para suas obras, e logo sua inspiração se torna o motivo de sua loucura (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temática deste filme são os mitos urbanos. O enredo aborda, com excelência, desde o surgimento dessas histórias até o impacto que elas têm em uma comunidade, e quais os significados que elas carregam para quem as conta. Tendo essa mitologia popular como ponto de partida, o roteiro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jordan-peele/"><span style="font-weight: 400;">Jordan Peele</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2020/08/quem-e-nia-dacosta-primeira-mulher-negra-a-dirigir-um-filme-da-marvel/"><span style="font-weight: 400;">Nia DaCosta</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Win Rosenfeld utiliza-a para discutir temas sociais e raciais de extrema relevância, e a sensibilidade dos roteiristas surpreende e enriquece muito a experiência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intenso, o roteiro trabalha temas sociais juntamente com o terror, de forma que ambos os assuntos avancem juntos de maneira muito orgânica e coerente. O grande trunfo disso é que podemos assistir uma </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/o-segredo-para-escrever-uma-historia-de-terror-assustadora/"><span style="font-weight: 400;">boa história de horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que ao final irá propor várias reflexões sobre diversas questões. Jordan Peele é diretor e roteirista dos longas </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Nós</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, muito elogiados e premiados, e que chamam a atenção por causa da mistura de discussão social com terror, algo muito bem replicado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23826" aria-describedby="caption-attachment-23826" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. Na esquerda da imagem está Brianna, uma mulher negra, seu cabelo é preto e está preso em coque. Seu olho é castanho. Ela usa uma camiseta rosa, uma saia xadrez preta e vermelha e um sapato prata de salto alto. Atrás dela na parte esquerda da imagem tem duas estátuas cinzas de homens, uma delas é um homem de cabelos cacheados que usa uma blusa de moletom, calça e um tênis, a outra é um homem de cabelos lisos, ele veste um terno e sapato. Na parte direita da imagem tem a estátua cinza de um homem sentado em uma cadeira, ele tem cabelo comprido preso em um coque, ele usa uma camiseta de manga comprida, uma calça e tênis. O fundo da imagem é preto e acima da personagem tem um letreiro amarelo iluminado que está escrito em inglês: “You’re obviously in the wrong place” (Tradução: Você está, com certeza, no lugar errado)." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23826" class="wp-caption-text">Durante todo o filme, é possível encontrar pequenos detalhes nas cenas que remetem às problemáticas sociais ou à lenda do Candyman (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de roteirizar, </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/bate-papo-nia-dacosta-a-lenda-de-candyman/"><span style="font-weight: 400;">Nia DaCosta</span></a><span style="font-weight: 400;"> também assume a função de diretora. Sendo apenas o seu segundo trabalho no cargo, ela se destaca demais, pois sua abordagem é muito sensível, sutil e extremamente elegante em muitos momentos. Sem sua direção magnífica, o filme poderia ter se tornado esquecível. Um exemplo da genial direção de </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/candyman-nia-dacosta-primeira-diretora-negra-numero-um"><span style="font-weight: 400;">DaCosta</span></a><span style="font-weight: 400;"> são os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSd81qwxDNo"><span style="font-weight: 400;">créditos iniciais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na obra original, essa cena mostrava a cidade de cima para baixo, já no novo projeto, ela é invertida, isto é, de baixo para cima. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fazer isso, a diretora nos conta a diferença de abordagem das duas histórias: no primeiro longa havia uma protagonista branca, então ela via os conflitos sociais do alto de seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s8yrroZI6E0"><span style="font-weight: 400;">privilégios</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto nessa nova narrativa, os protagonistas negros, infelizmente, enxerguam e vivenciam os problemas sociais de uma forma completamente diferente. Ou seja, são visões opostas do mesmo assunto, e tudo isso é contado através de um plano simples. </span></p>
<figure id="attachment_23827" aria-describedby="caption-attachment-23827" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. Na esquerda da imagem está William Burke, um homem negro de cabelo preto e curto, ele tem olhos castanhos e uma barba curta. Ele veste uma camiseta branca e uma camisa verde por cima. Ele está apoiado em uma máquina de lavar roupa, em suas mãos tem um livro aberto chamado “Weave World” (Tradução livre: O Mundo Tecido). Atrás dele, no canto esquerdo, tem 4 máquinas de lavar roupa, duas embaixo e duas em cima. Na parte direita tem uma parede de madeira. " width="1600" height="1030" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2-800x515.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2-1024x659.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2-768x494.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2-1536x989.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-2-1200x773.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23827" class="wp-caption-text">É através do personagem William Burke que conhecemos um pouco mais do Candyman e dos problemas sociais que deram origem a lenda (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito interessante notar como a trama consegue mesclar perfeitamente problemas sociais, como a </span><a href="http://www.courb.org/o-que-e-gentrificacao-e-por-que-voce-deveria-se-preocupar-com-isso/"><span style="font-weight: 400;">gentrificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/08/31/negros-tem-mais-do-que-o-dobro-de-chance-de-serem-assassinados-no-brasil-diz-atlas-grupo-representa-77percent-das-vitimas-de-homicidio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">violência gerada pelo racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">Candyman </span></i><span style="font-weight: 400;">de forma que em nenhum momento parece forçado ou desconexo. Tudo é muito bem encaixado para engrandecer o mito do antagonista e a cultura daqueles que contam sua história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Candyman </span></i><span style="font-weight: 400;">só existe porque existe </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qip5YJw-f9c"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, violência, intolerância e outros diversos problemas sociais. Isso nos leva a refletir quais outras lendas ou histórias temos na vida real que só são contadas por causa desses conflitos da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_23828" aria-describedby="caption-attachment-23828" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem tem o Candyman, um homem negro, cabelo curto, olhos castanhos. Ele usa uma camisa branca e um sobretudo amarelo com golas felpudas. No lugar da mão direita tem um gancho de metal. Sua mão direita está estendida oferecendo doces. Ele tem um sorriso no rosto. Na imagem, o Candyman aparece do peito para cima. O fundo é uma parede amarela. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23828" class="wp-caption-text">Embora tenha várias ligações com o filme de 1992, A Lenda de Candyman tenta recomeçar a franquia; por isso, não é necessário ter visto o longa original para se entender esse (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fvAm-NrRyC0"><span style="font-weight: 400;">lenda</span></a><span style="font-weight: 400;"> da entidade é ligada às discussões sociais que o enredo traz, cria-se uma história muito mais assustadora do que um assassino sobrenatural, pois ela conta a realidade e toda a violência presente nela. Isso nos faz pensar que a violência impelida pelo vilão é apenas um reflexo do que acontece todos os dias na vida real. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mGCJdf2lv4o"><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Candyman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também tratava de temas como a exclusão social e o preconceito contra a população negra, porém por ter sido escrito e dirigido por uma pessoa branca, talvez esses assuntos não tenham sido explorados ao máximo. Já neste novo projeto, tem-se a participação de duas pessoas negras no roteiro, além do longa ter sido dirigido por uma mulher negra, e isso muda completamente a visão que se tem acerca dessas problemáticas. Sendo assim, tem-se um enriquecimento da discussão e um aprofundamento maior nessas questões. </span></p>
<figure id="attachment_23829" aria-describedby="caption-attachment-23829" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23829" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem está Anthony. um homem negro de olhos castanhos, ele usa um gorro vermelho na cabeça e uma jaqueta preta. Sua mão esquerda está enfaixada com um pano cinza e branco. Ele aparece do peito para cima e seus braços estão levantados em posição de defesa. Sua expressão é de susto. O fundo é um corredor branco. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23829" class="wp-caption-text">Este projeto preza muito pela representatividade, algo essencial no Cinema atual; no longa, a maioria dos atores são negros, além de ter um casal LGBTQIA+ em posição de destaque (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar que embora os dois projetos sejam baseados em um conto escrito pelo autor </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/candyman---drk-x/p"><span style="font-weight: 400;">Clive Barker</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de outras histórias de Terror como </span><i><span style="font-weight: 400;">Hellraiser</span></i><span style="font-weight: 400;">, o roteiro tem uma boa dose de criatividade, pois as discussões sociais têm um maior destaque nos filmes. Além disso, todo o cenário mudou na adaptação, uma vez que o conto se passa em Liverpool, na Inglaterra, e as transposições para o Cinema se passam em Chicago, nos Estados Unidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/noticias/os-subgeneros-do-terror"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser dividido em dois núcleos distintos: o primeiro tem o foco no protagonista, já o segundo se foca em personagens invocando a entidade. Há uma grande diferença de qualidade entre essas duas abordagens. </span></p>
<figure id="attachment_23830" aria-describedby="caption-attachment-23830" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem está Anthony, ele tem uma expressão séria no rosto. Ele usa um macacão branco manchado com tintas de várias cores. Ele está em um corredor branco, nas laterais do corredor tem janelas e atrás de Anthony tem uma passagem em formato de um arco amarelo." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/7-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23830" class="wp-caption-text">Logo no início, Anthony é picado por uma abelha, e durante toda a projeção esse ferimento avança, criando sequências muito agonizantes (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As partes em que o Horror mais se destaca é quando observamos a jornada de Anthony, que aos poucos vai enlouquecendo e passando por um processo de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2021/07/body-horror-quando-o-corpo-humano-vira-materia-prima-do-medo.html"><span style="font-weight: 400;">transformação física</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito nojento e angustiante. Tudo isso é apresentado gradualmente, o que nos intriga e causa muito desconforto, algo excelente para um filme de terror.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, as </span><a href="https://cinemascope.com.br/colunas/especial-terror-slasher-que-terror-e-esse/"><span style="font-weight: 400;">cenas de ataque</span></a><span style="font-weight: 400;">, em sua maioria, não são tão assustadoras, pois não há uma boa construção do suspense ou um temor pela vida dos personagens. Isso acontece porque a maioria desses trechos dá destaque a personagens desinteressantes e os acontecimentos em nada se diferem do esperado pelo espectador. Por isso, é difícil que fiquemos tensos nesses momentos – talvez só pessoas pouco acostumadas com o gênero fiquem realmente com medo. </span></p>
<figure id="attachment_23831" aria-describedby="caption-attachment-23831" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. Na parte central direita é mostrado uma silhueta de um homem no espelho. Ele está de braços abertos e no lugar da mão direita tem um gancho. O espelho fica somente na parte central direita, no resto da imagem tem uma parede branca e na parte esquerda dela tem alguns desenhos abstratos em preto. A cena é iluminada por uma luz vermelha. " width="1600" height="860" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8-800x430.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8-1024x550.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8-768x413.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8-1536x826.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/8-1200x645.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23831" class="wp-caption-text">Até mesmo em cenas simples, a diretora demonstra sua competência e cria planos perfeitos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tais trechos de terror só não são piores por causa de </span><a href="https://baldepipoca.com/candyman-entrevista-exclusiva-com-nia-dacosta-diretora-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">DaCosta</span></a><span style="font-weight: 400;">, que consegue criar sequências e planos lindíssimos nos ataques. Por ser invocada através dos espelhos, a entidade só aparece neles, fazendo necessária uma ótima coordenação de atores para que a figura aparecesse somente nos reflexos e ainda assim conseguisse atacar as vítimas no mundo real. O resultado final é impressionante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do elemento do </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160272/"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;">, os momentos de assassinato funcionam porque eles são muito diferentes entre si. Uma das cenas ocorre em uma galeria cheia de espelhos, já em outra nós vemos tudo acontecendo através da janela de apartamento – o que torna essas sequências muito mais interessantes e instigantes.</span></p>
<figure id="attachment_23823" aria-describedby="caption-attachment-23823" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem está Anthony McCoy, um homem negro, de cabelo castanho e curto, ele tem olhos castanhos. Ele está vestindo um macacão azul escuro, sua expressão facial é de preocupação. Atrás dele tem dois quadros do tamanho de uma pessoa, que mostram rostos humanos distorcidos e abstratos. " width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23823" class="wp-caption-text">A pintura está presente desde o início da trama até o ápice da loucura de McCoy (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as cenas de morte fossem montadas a partir de personagens mais relevantes e se houvesse um suspense melhor construído, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman </span></i><span style="font-weight: 400;">teria sido muito mais memorável do que já é. Isso não é pedir demais quando se tem ótimas sequências de terror dentro desse mesmo longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro problema presente na projeção é o seu final, o qual é muito apressado e possui reviravoltas que não fazem sentido, como por exemplo a mudança abrupta de personalidade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">William Burke</span></a><span style="font-weight: 400;">, personagem mentor do protagonista. Além disso, parece que todo o ritmo da trama muda, o sutil e o gradual dão lugar ao frenético e a um embate que não tem lógica. Logo, a sequência final não se encaixa com o resto da história. </span></p>
<figure id="attachment_23832" aria-describedby="caption-attachment-23832" style="width: 1198px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/10.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. A imagem é um close no rosto do Candyman, ele olha para cima, seu rosto está na horizontal e está muito machucado, há várias cicatrizes e cortes na sua pele, o sangue dos machucados está seco. Seu olho esquerdo está inchado e fechado. Sua camisa branca está manchada de sangue seco. " width="1198" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/10.jpg 1198w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/10-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/10-1024x547.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/10-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23832" class="wp-caption-text">O Candyman tem sua história alterada neste longa, porém ainda tem uma forte ligação com a obra original (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">Candyman </span></i><span style="font-weight: 400;">é bastante reconhecida entre os fãs do Terror. Interpretado originalmente por </span><a href="https://macabra.tv/macabramente-tony-todd/"><span style="font-weight: 400;">Tony Todd</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faz uma breve aparição neste filme, o vilão possui um visual marcante, usando seu sobretudo e gancho, além de ter uma origem única e que se difere muito de outros nomes do Horror. É uma pena que ele não ficou tão famoso entre o público geral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no longa-metragem de 2021, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sLtWtPMnI1w"><span style="font-weight: 400;">o vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> é interpretado muito bem por Michael Hargrove. Apesar dele não falar, a sua expressão sempre carrega um sorriso e um tom de mistério, que causam estranheza no espectador. A sua presença em tela é ameaçadora, isso porque ele sempre aparece flutuando ou invisível no mundo real, e isso causa um tensão e ajuda a engrandecer o antagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para fazer frente a essa poderosa lenda, era necessário um protagonista marcante e bastante intrigante – felizmente, Anthony McCoy é esse personagem. </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yahya Abdul-Mateen II</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói um homem curioso e que está em uma busca ferrenha por inspiração. Com a perda gradual de sua sanidade, o ator mostra sua versatilidade ao se demonstrar atormentado e paranoico com a perseguição do vilão, e até os últimos minutos podemos ver a ótima evolução de seu personagem. </span></p>
<figure id="attachment_23821" aria-describedby="caption-attachment-23821" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. No centro da imagem tem um recorte de papel no formato de um homem, ele é mostrado da cintura para cima. As costelas do homem estão à mostra e no lugar da sua mão direita tem um gancho. O recorte está em um fundo amarelo. As bordas da imagem tem outros recortes de papel em formato de tábuas de madeira quebradas. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/11-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23821" class="wp-caption-text">Os flashbacks são contados através de teatros de papel, todos muito bem feitos e criativos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">Teyonah Parris</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpreta Brianna, esposa de McCoy, e durante a maior parte da projeção sua presença não possui grande impacto, porém próximo ao final sua personagem ganha uma maior relevância na trama, e, mesmo sua interpretação não sendo tão marcante, ela tem seu devido destaque. No meio da história, ela até possui um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas novamente esse é outro trecho deslocado do resto dos acontecimentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O último aspecto que vale a pena ser exaltado são os </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/como-funcionam-efeitos-especiais-visuais"><span style="font-weight: 400;">efeitos visuais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Utilizando-se majoritariamente de efeitos práticos, o longa consegue passar sensações e emoções muito genuínas, é comum se sentir incomodado, angustiado e chocado com as maquiagens mostradas. Todo ferimento, sangramento e corte tem um trabalho muito bem realizado e que mostra a brutalidade do vilão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://blog.saga.art.br/voce-sabe-a-diferenca-entre-efeitos-visuais-e-efeitos-especiais/"><span style="font-weight: 400;">efeitos digitais</span></a><span style="font-weight: 400;">, embora pouco usados, auxiliam a criar uma aura mística no </span><i><span style="font-weight: 400;">Candyman</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso ocorre, pois esses efeitos ajudam o antagonista a aparecer somente nos espelhos, além de deixar ele flutuando em alguns momentos, corroborando com a lenda contada dentro do enredo.</span></p>
<figure id="attachment_23822" aria-describedby="caption-attachment-23822" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12.jpg" alt="Cena do filme A Lenda de Candyman. Imagem retangular. Na esquerda da imagem está Brianna, uma mulher negra, seu cabelo preto e grande está preso em um coque na base na nuca, ela tem olhos castanhos e sua imagem é mostrada do peito para cima e ela está de costas. Ela usa uma camisa branca e um brinco preto e branco. Sua expressão é de espanto. No fundo tem uma pintura de um rosto e está desfocada. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/12-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23822" class="wp-caption-text">Por causa da profissão do protagonista, há várias pinturas que aparecem durante a projeção; além disso, tem várias discussões sobre o tema durante a história (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman </span></i><span style="font-weight: 400;">é um longa recheado de discussões sociais muito importantes. Partindo das lendas urbanas, a história consegue abordar várias temáticas e propor uma reflexão sobre elas. Além disso, é um longa-metragem que mostra uma viagem angustiante através da loucura de um homem e de todos os horrores que ele encontra. É lamentável que o Terror seja fraco em alguns pontos e seu final, assim como, outras partes sejam um pouco desconexas do resto, porque senão esse filme e a figura do </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/a-lenda-de-candyman-guia"><i><span style="font-weight: 400;">Candyman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">teriam tudo para se tornarem um clássico absoluto do terror.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Os 7 de Chicago: quem tem medo da revolução?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2020 16:06:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Nenhuma mudança é feita sem luta social. Em 1789, a população de Paris se organizou para a tomada revolucionária da Bastilha, que marcaria o fim do Antigo Regime na França. Tempos depois, em 2010, o Oriente Médio e a região norte da África foram recepcionados por uma série de revoltas populares contra regimes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 7 de Chicago: quem tem medo da revolução?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16815" aria-describedby="caption-attachment-16815" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16815 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao.jpg" alt="A imagem mostra uma das cenas de protestos do filme. Nela, há uma multidão de ativistas em pé, encarando o horizonte assustados. À frente dessa multidão, vemos, da esquerda para a direita, os personagens Rennie Davis, Jerry Rubin, David Dellinger e Abbie Hoffman. " width="2048" height="1383" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao-300x203.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao-1024x692.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao-768x519.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao-1536x1037.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/7-de-Chicago-Facebook-Netflix-Divulgacao-1200x810.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16815" class="wp-caption-text">A produção que marca o retorno de Aaron Sorkin na direção é um testemunho sobre a importância do ativismo social (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma mudança é feita sem luta social. Em 1789, a população de Paris se organizou para a tomada revolucionária da Bastilha, que marcaria o fim do Antigo Regime na França. Tempos depois, em 2010, o Oriente Médio e a região norte da África foram recepcionados por uma série de revoltas populares contra regimes ditatoriais no que ficou conhecido como </span><a href="https://www.politize.com.br/primavera-arabe/"><span style="font-weight: 400;">Primavera Árabe</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo não muito destoante ocorreu na cidade de Chicago, em 1968. Ao passo que a Guerra do Vietnã se desenrolava do outro lado do Oceano Pacífico, diversos grupos contrários ao conflito se reuniram em um protesto na cidade, onde acontecia a Convenção Nacional Democrata. Após uma série de tumultos e conflitos com a polícia, os líderes da manifestação tiveram que responder judicialmente. E é aí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<p><span id="more-16814"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma abertura veloz que mescla cenas da ficção com a realidade, a fim de ambientar o público no contexto político da época, a produção não se preocupa em dar muitos detalhes sobre o desdobrar dos protestos, e se inicia no primeiro dia do julgamento do caso. No tribunal, e diferente do que o título indica, existem 8 acusados: Tom Hayden (Eddie Redmayne), Rennie Davis (Alex Sharp), Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), John Froines (Danny Flaherty), Lee Weiner (Noah Robbins) e Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II). </span></p>
<figure id="attachment_16818" aria-describedby="caption-attachment-16818" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16818 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/chicago-eight-trial-gettyimages-72160739.jpg" alt="A imagem é uma fotografia dos verdadeiro Sete de Chicago e seus dois advogados. Na imagem, eles estão posicionados em fileira se abraçando, alguns deles estão com os punhos levantados, em sinal de vitória." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/chicago-eight-trial-gettyimages-72160739.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/chicago-eight-trial-gettyimages-72160739-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/chicago-eight-trial-gettyimages-72160739-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/chicago-eight-trial-gettyimages-72160739-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16818" class="wp-caption-text">Os verdadeiros 7 de Chicago e seus advogados, da esquerda para a direita: Leonard Weinglass, Rennie Davis, Abbie Hoffman, Lee Weiner, David Dellinger, John Froines, Jerry Rubin, Tom Hayden, e William Kunstler (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Bobby Seale, cofundador do </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/os-panteras-negras-e-o-movimento-racial-nos-eua.htm"><span style="font-weight: 400;">Partido dos Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o “intruso” em cena e o único réu a entrar algemado no tribunal. Mesmo sem um advogado apto a defendê-lo, o ativista se recusa firmemente, desde o início, a ser representado pelo mesmo dos outros 7, William Kunstler (Mark Rylance), por ele ser um homem branco. Essa decisão rende uma série de ataques violentos do repugnante juiz Julius Hoffman, interpretado com destreza por Frank Langella, que culmina até mesmo em uma cena de tortura agonizante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença do grandioso Yahya Abdul, vencedor recente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> por </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, acaba por ser breve, já que seu personagem é anulado do caso. Poderia se dizer que é um desperdício não aproveitar mais de sua atuação, se o diretor não tivesse buscado seguir quase que à risca os </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/10/21/os-sete-de-chicago-o-quanto-o-filme-na-netflix-e-historicamente-correto.htm"><span style="font-weight: 400;">acontecimentos da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda sim, não mostrar o envolvimento de Seale nos protestos, como é feito com os demais ativistas, é uma lacuna que acaba sendo sentida por quem acompanha o filme. </span></p>
<figure id="attachment_16819" aria-describedby="caption-attachment-16819" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16819 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1.png" alt="A imagem é uma fotografia do personagem Bobby Seale, interpretado pelo ator Yahya Abdul-Mateen II. Na imagem, Yahya está sentado em uma cadeira no tribunal, na mesa em que o réu se posiciona. Na imagem, o ator está sentado de lado e olha fixamente para a câmera. Yahya é um homem negro com cabelos crespos, sobrancelhas grossas e bigode. Ele veste uma camisa azul escura e calça social preta." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/os-7-de-chicago-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16819" class="wp-caption-text">Felizmente, o diretor nos poupou de alguns fatos da realidade, como o amordaçamento de Bobby Seale, que no julgamento de verdade durou dias, e não minutos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativas ambientadas no meio judicial não são nenhuma novidade em Hollywood, muito menos na </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">corrida do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas há muito o que se inovar em relação à forma que elas são tratadas. O sucesso da série </span><i><span style="font-weight: 400;">How To Get Away With Murder</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo disso, ao criar uma história que sai das paredes do tribunal para a vida pessoal dos personagens, em paralelo com diversos assassinatos que os assombram. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;"> opta por navegar em caminhos que se baseiam apenas no drama do próprio caso que está sendo julgado, algo muito similar ao percorrido pela produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Olhos Que Condenam, </span></i><span style="font-weight: 400;">também da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e diálogos violentos, o diretor e roteirista Aaron Sorkin conduz com maestria esse drama histórico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que poderia ser um filme tomado pela morbidez e diálogos recheados de termos jurídicos, acaba por ser instigante até o último de seus 130 minutos. No tribunal, a dinâmica dos personagens ora provoca riso, pelas tiradas feitas pelos </span><a href="https://www.history.com/news/yippies-1968-dnc-convention"><i><span style="font-weight: 400;">yippies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ora provoca desgosto, pela arrogância de Hoffman. A alternância para cenas arrepiantes dos protestos em paralelo com o julgamento é um tiro certeiro. Visualizar os momentos descritos pelo olhar dos protestantes ajuda a mostrar de que lado a lei está, e sempre esteve.</span></p>
<figure id="attachment_16816" aria-describedby="caption-attachment-16816" style="width: 1216px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16816 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A imagem é uma fotografia dos bastidores da gravação do filme. Na imagem, vemos o cenário do tribunal. Nele, o diretor, Aaron Sorkin, está posicionado em frente à mesa do réu, conversando com os atores, que estão sentados em cadeiras do outro lado da mesa." width="1216" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1216w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-300x178.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x606.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-768x455.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4836348.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x711.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16816" class="wp-caption-text"><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,os-7-de-chicago-roteirista-aaron-sorkin-fala-sobre-filme-da-netflix,70003477811">Em entrevista</a>, Sorkin afirmou que Os 7 de Chicago é também uma “homenagem às pessoas que saem às ruas para protestar como as mais patrióticas entre todos nós” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que a vida dos acusados não seja o grande foco, suas personalidades são essenciais para trazer as diferentes facetas da revolução. A dupla de yippies, Abbie e Jerry (o Borat e o Kendall de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">), mostram o radicalismo; David, o pacifismo; enquanto Tom e Rennie, a isenção. A narrativa se diverte ao escancarar as contradições de cada posicionamento, quase que dizendo que não há uma maneira 100% correta de se lutar pelo que acredita. E, independente de suas posturas, o motivo pelo qual batalham acaba sendo o mesmo, logo, o destino de todos também é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme que discute tanto sobre o teor revolucionário e suas consequências não poderia ter sido lançado em outro momento que não o período de </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-11-07/joe-biden-vence-as-eleicoes-dos-estados-unidos-e-acaba-com-a-era-trump.html"><span style="font-weight: 400;">eleições da maior potência mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não o bastante, em um ano marcado por diversas questões políticas em meio à pandemia do novo coronavírus e protestos raciais. E </span><i><span style="font-weight: 400;">The Trial of the Chicago 7</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa como lembrança uma série de reflexões sobre a violência do Estado, abuso de poder, e a força do ativismo social. Afinal de contas, a revolução se faz batendo panela na varanda de casa? Ou </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/11/20/manifestacao-contra-morte-de-joao-alberto-termina-com-quebra-quebra-em-sao-paulo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ateando fogo em supermercados</span></a><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<figure id="attachment_16817" aria-describedby="caption-attachment-16817" style="width: 1769px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16817 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe.jpg" alt="A imagem é uma fotografia de uma das cenas do filme. Na imagem, vemos os personagens Abbie Hoffman, John Froines, Tom Hayden, Jerry Rubin e William Kunstler. Eles estão em uma sala com vários cartazes nas paredes, e uma mesa longa com várias cadeiras. Na cena, Tom e William estão conversando. Eles estão em pé, em lados opostos da mesa. Ao fundo, estão Abbie, John e Jerry observando os dois. John é o único que está sentado." width="1769" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe.jpg 1769w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe-300x183.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe-1024x625.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe-768x469.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe-1536x938.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/C7-06363_R220200820-3854-wbdmqe-1200x733.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16817" class="wp-caption-text">O elenco principal do filme concordou em competirem juntos e todos serem indicados para consideração ao prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar 2021 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a resposta para estes questionamento e muitos outros. Unido a um elenco de grandes nomes, Aaron Sorkin conseguiu dar o tom ideal para uma narrativa tão </span><a href="https://www.history.com/news/chicago-8-trial-importance"><span style="font-weight: 400;">necessária</span></a><span style="font-weight: 400;"> para os tempos atuais, seja no roteiro ou na direção. Não será menos que o esperado vê-lo recebendo mais uma indicação no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já o consagrou na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, em 2011, por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade que políticos governam pelas redes sociais, é preciso lembrar como se faz a revolução, e quem a faz. Nenhuma mudança se inicia no sofá da sala. Mas enquanto houver desgovernança, haverá barulho. Enquanto minorias forem assassinadas, haverá conflito. E</span><span style="font-weight: 400;">nquanto não houver justiça, haverá guerra. </span><i><span style="font-weight: 400;">E o mundo inteiro está vendo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Aquaman mergulha na visão espalhafatosa de James Wan e revigora a DC no cinema</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Dec 2018 21:00:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Nadando contra a corrente do fracasso comercial dos últimos trabalhos da DC, Aquaman chega repaginado, reimaginado e nas mãos de um cineasta experiente, dono de uma visão revigorante para os Mundos da DC nas telonas. O filme do Rei de Atlantis discute problemas já vistos no gênero, mas triunfa nas cores e na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aquaman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Aquaman mergulha na visão espalhafatosa de James Wan e revigora a DC no cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11349" aria-describedby="caption-attachment-11349" style="width: 1006px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11349" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1-300x150.jpg" alt="" width="1006" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1-1200x600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-1-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11349" class="wp-caption-text"><em>Dois terços do filme se passam embaixo d’água e a preocupação do diretor em tornar críveis essas sequências é enorme: atente-se ao cabelo dos personagens nas cenas no mar (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Nadando contra a corrente do fracasso comercial dos últimos trabalhos da DC, <em>Aquaman </em>chega repaginado, reimaginado e nas mãos de um cineasta experiente, dono de uma visão revigorante para os <em>Mundos da DC</em> nas telonas. O filme do Rei de Atlantis discute problemas já vistos no gênero, mas triunfa nas cores e na escolha certa de James Wan em expandir toda a cenografia, beirando a breguice mas acertando em criar o filme de super-herói mais bonito do mercado.<br />
<span id="more-11348"></span></p>
<p>Quando Zack Snyder planejou o <em>Universo Expandido da DC Comics</em>, uma aura cinzenta e carregada de angústia predominou em seus <em>Homem de Aço </em>(2013) e <em><a href="http://personaunesp.com.br/batman-vs-superman-uma-batalha-perdida/">Batman vs Superman</a></em>(2016). A bola de neve começou a rolar nas refilmagens de <em><a href="http://personaunesp.com.br/esquadrao-suicida-machismo-super-vilao/">Esquadrão Suicida</a></em> (2016) e arrebatou os estúdios na desastrosa colcha de retalhes que eles insistem em chamar de <a href="http://personaunesp.com.br/liga-da-justica-carece-de-tracos-autorais-e-cai-no-ordinario/"><em>Liga da Justiça</em></a> (2017). É importante ressaltar que esse retorno ruim veio do apogeu da rival <em>Marvel</em>, que insiste em encaixar figuras fantasiadas em fórmulas pré-cozidas e surrupiam uma ou outra piada em cada meia dúzia de cenas. O resultado são filmes divertidos e escapistas, mas que muitas vezes não tem muito o que dizer.</p>
<p>O mercado comercial não estava preparado para o mundo épico e melancólico que Snyder desenhou sob seu Superman (que não vê problemas em matar seus inimigos) ou no Homem-Morcego (que marca bandidos com ferros de gado). A audiência respirou (quase) aliviada na estreia <em>solo</em> de <em><a href="http://personaunesp.com.br/critica-mulher-maravilha/">Mulher-Maravilha</a></em>(2017), filme competente, que responde a todas as demandas propostas, coloca uma mulher como protagonista e se conclui como um bom feijão com arroz, mas ainda cicatrizando a ótica soturna do antigo diretor.</p>
<figure id="attachment_11351" aria-describedby="caption-attachment-11351" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1-300x150.jpg" alt="" width="990" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-2-1-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11351" class="wp-caption-text"><em>Na contramão de Liga da Justiça, o filme escancara as cores dos uniformes e não se preocupa em soar brega ou datado (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><em>Aquaman</em> é o único filme do estúdio de 2018 (esqueçam a baboseira infantil dos<a href="http://personaunesp.com.br/os-jovens-titas-animacao-critica/"><em> Jovens Titãs em Ação</em></a>). A história de origem de Arthur Curry (Jason Momoa) toma início após a última batalha da <em>Liga</em> e segue a cartilha do herói renegado que necessita voltar a sua terra natal para impedir que um tirano coloque em perigo o mundo dos oceanos e o da superfície. Ao lado da princesa Mera (Amber Heard), eles partem em busca de um artefato que o tornará apto de reivindicar o Trono de Atlantis. Zack Snyder (creditado como produtor) é responsável pela pior coisa do filme: seu casal principal. Momoa e Heard, que foram escalados em <em>Liga da Justiça</em>. O Aquaman de Momoa é corpulento, de poucas palavras e nunca recusa um copo de cerveja; a interpretação em momento algum sai de sua zona de conforto.</p>
<p>Até as tatuagens do herói foram inspiradas nas do ator. Momoa parece ter chegado no <em>set</em> com a roupa do corpo e colocado para rodar as cenas. Já Amber Heard, ornada de figurinos magníficos saídos diretamente das páginas das histórias em quadrinhos, não consegue expressar a sabedoria e a força que Mera carrega. Herdeira de um dos Reinos do Oceano, a princesa é essencial para a jornada de Aquaman, luta contra todos os capangas, além de sempre ser ela quem resolve os pepinos que os dois se metem.</p>
<p>Claro que a culpa da interpretação fraca não cai somente nas costas dos atores. Uma das maiores deficiências do cinema de James Wan (<em>Invocação do Mal</em>) é sua direção de atores em cenas que não envolvam fantasmas, espíritos ou alguma possessão demoníaca. Mas talvez uma re-escalação da dupla principal fosse a melhor saída, visto que os demais personagens se saem muito bem brincando com a megalomania extravagante do roteiro de David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall.</p>
<figure id="attachment_11353" aria-describedby="caption-attachment-11353" style="width: 959px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-300x169.jpeg" alt="" width="959" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-3-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11353" class="wp-caption-text"><em>Amber Heard aceitou o papel de Mera pela princesa não ser apenas um adereço de cena: é ela que conduz a narrativa e guia o herói (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>O elenco ainda conta com Nicole Kidman, como a Rainha Atlanna. A mãe do herói domina completamente as cenas, convence como uma guerreira e é dona da melhor sequência de ação do filme. Kidman faz par com o faroleiro Thomas Curry, interpretado por Temuera Morrison, que é funcional mas tem pouco espaço para brilhar, sempre dividindo tela com a atriz australiana.</p>
<p>Mergulhando nos reinos do Oceano, Vulko (Willem Dafoe) é o mentor Arthur Curry. O personagem transmite uma sabedoria sagaz, quase sacana. Os <em>flashbacks</em> inseridos para mostrar o treinamento do jovem Aquaman se encaixam bem na trama e Vulko sempre tem uma tirada inteligente ou um momento de encher os olhos. Até onde sei, <em>Aquaman</em> é o único filme da história que propicia ao público uma cena de Willem Dafoe montado num tubarão-martelo.</p>
<figure id="attachment_11354" aria-describedby="caption-attachment-11354" style="width: 907px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-11354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-300x127.png" alt="" width="907" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-300x127.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-768x325.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-1024x433.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-4-1-1200x508.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11354" class="wp-caption-text"><em>Patrick Wilson já havia protagonizado os dois Invocação do Mal, de James Wan, e volta na pele do Rei Orm, o Mestre dos Oceanos (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><em>Aquaman</em> tem dois vilões. O principal é o Rei Orm (Patrick Wilson, em mais uma parceira com Wan). Embriagado de poder, o herdeiro legítimo de Atlantis consegue elucidar um senso de grandiloquência interessante no gênero, adendo também ao seu discurso de ‘dominação mundial’ (talvez aquática) que conversa com problemas reais, como aquecimento global e poluição dos mares. O vilão secundário, e que promete voltar para uma eventual sequência, é o Arraia Negra (Yahya Adbul-Mateen II). O Arraia é o maior inimigo do Aquaman e sua introdução no filme é bem estruturada, com sequências de ação impressionantes, sem contar o visual do vilão. Impecável.</p>
<p>Quanto à trama do filme, o roteiro não se esforça em sair do senso comum ou dos jargões de gênero que poderiam ser peneirados em mais algumas revisões do material. Por conta do sucesso da <em>Marvel</em> nesse ano, pode ser que a equipe criativa de <em>Aquaman</em> tenha sido pressionada a entregar o texto o mais rápido possível, deixando passar defeitos bobos, que acabam diminuindo o produto final. Se o roteiro poderia ser mais trabalhado, o mesmo não pode ser dito da parte visual da produção. James Wan conceitua reinos subaquáticos, recria conceitos das histórias do <a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/07/robson-rocha-dc-aquaman-hq.htm">quadrinista brasileiro Ivan Reis</a> e eleva todo o patamar criativo em comparação com os filmes do gênero.</p>
<p>Evocando <a href="http://personaunesp.com.br/star-wars-sem-inspiracao-na-forca/"><em>Star Wars</em></a>, <em>Avatar </em>(2009) e até <em>Os Jetsons</em>, o fundo do mar de Wan brilha, usando do <em>néon</em> e dos tons quentes para preencher a tela do cinema, atento aos detalhes. Cada um dos sete mares e seus residentes foi estudado, trabalhado de modo que elucide a imaginação da audiência, que anseia por mais. Sobra até espaço para uma sequência escura e tenebrosa com um reino que permite que Wan se delicie no terror. <em>Aquaman</em> pinta uma série de quadros e obras de arte a cada cena de batalha. E são muitas.</p>
<p><figure id="attachment_11355" aria-describedby="caption-attachment-11355" style="width: 891px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-11355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5-300x169.jpg" alt="" width="891" height="502" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imagem-5.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11355" class="wp-caption-text"><em>O filme conta com uma participação mais que especial da veterana Julia Andrews (Mary Poppins): fique com os ouvidos atentos [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>São tantas lutas que, lá pelo inchado segundo ato, o filme abusa de uma perseguição na Itália, filmada em um híbrido de plano-sequência, muito boa mas que poderia ser podada. Assim como todo bloco pelo deserto, onde Aquaman e Mera caminham em busca de pistas para o Tridente. Redundante, não tem muito a dizer, acaba reforçando a deficiência do casal em simpatizar um com o outro e com o público.</p>
<p>Se o filme dosasse melhor esses momentos, seu clímax teria sido melhor aproveitado. É fato que a sequência de batalha final entre os guerreiros de diversos mares é o melhor terceiro ato que o Cinema de heróis já viu. Entretanto, depois de quase duas horas e meia de filme, seu desfecho perde fôlego, e cansa. O humor é desconfortável, a trilha sonora não encaixa muito bem, mas esses fatores só agregam ao longa.</p>
<p>Durante muito tempo o Aquaman foi motivo de piada, tanto entre público quanto dentro da Sala da Justiça. Sabendo disso, James Wan mune sua visão do Rei dos Mares com uma qualidade técnica impecável — com a câmera que viaja sem cortes pelos ambientes e lutas muito bem coreografadas —, um visual primoroso e uma história de origem que honra seu herói e, o melhor de tudo, lufa ar para os pulmões calejados da <em>DC</em>.</p>
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