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	<title>Arquivos Whatsapp &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2021 03:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por matches em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para emojis e figurinhas do Whatsapp. Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shippados-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18049" aria-describedby="caption-attachment-18049" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-18049 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão caminhando juntos em uma praça, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa branca com detalhes azuis e está usando uma mochila da cor vinho. Tatá está com o olho esquerdo fechado e o rosto virado em direção ao Eduardo, e segurando as duas alças de sua mochila. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza de manga curta e está usando uma mochila preta nas costas. Eduardo está com o rosto virado em direção à Tatá." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-768x480.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18049" class="wp-caption-text">Série do Globoplay aponta as falhas da conectividade virtual a partir de uma perspectiva romântica e bem-humorada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por </span><i><span style="font-weight: 400;">matches</span></i><span style="font-weight: 400;"> em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e figurinhas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Whatsapp.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do romance é apenas mais um exemplo de como nos reconstruímos no meio virtual e somos cada vez mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2020-10-12/vicio-em-redes-sociais-dispara-na-pandemia-cinco-jeitos-de-recuperar-o-controle-e-se-desintoxicar.html"><span style="font-weight: 400;">dependentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele para criar e manter nossas relações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem diga que essa mediação tecnológica não é tão vantajosa quanto parece, Fernanda Young e Alexandre Machado decidiram mostrar isso. O casal de roteiristas que deu origem a séries grandiosas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Aspones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, decidiu encarar uma comédia-romântico-dramática no contexto dos tempos atuais. Quase que sucessores da dupla Vani e Rui, surgiram Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch). E, dessa combinação, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-18039"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada num Rio de Janeiro mais melancólico do que estamos acostumados, sob a direção artística de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/patricia-pedrosa-diretora-em-ascensao-conversa-sobre-carreira-e-machismo/"><span style="font-weight: 400;">Patricia Pedrosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma história de amor que surgiu de um desencontro. Rita e Enzo são dois solitários que buscam incansavelmente pela felicidade em outro parceiro para se sentirem completos, e fazem isso, claro, por meio de um aplicativo de relacionamentos. Afinal, como diz a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_mCvW2_1mXg"><span style="font-weight: 400;">música</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dá abertura ao primeiro episódio: </span><i><span style="font-weight: 400;">o que mais alguém pode querer além de amar e ser amado?</span></i></p>
<figure id="attachment_18041" aria-describedby="caption-attachment-18041" style="width: 1364px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-18041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à direita, e Eduardo Sterblitch, à esquerda, estão no quarto da personagem de Tatá, sentados na cama e virados em direção à câmera, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa listrada nas cores branca, laranja e branca. Tatá está com o queixo apoiado na mão direita, e o cotovelo direito apoiado em uma mesa. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de mangas curtas com o escrito BORN TO FLY. Eduardo está sorrindo e com o olhar voltado para baixo." width="1364" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg 1364w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-300x173.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1200x691.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18041" class="wp-caption-text">Assim como Os Normais quebrava a quarta parede, Rita conversa com o público por meio dos vídeos que ela grava para a internet (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de um primeiro encontro desastroso com outras pessoas, eles, por acaso, acabam se encontrando. Assim se inicia uma história sobre relações virtuais, contada a partir de um namoro nada virtual. Desde o início, Machado e Young não pretendem mostrar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/para-todos-os-garotos-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">romance idealizado</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rita e Enzo se complementam por suas loucuras e defeitos. Rita é uma pessoa antipática, sincera e com um humor sarcástico que se encontra perfeitamente em </span><a href="https://gshow.globo.com/series/shippados/noticia/tata-werneck-conta-sobre-desafio-de-viver-casal-com-amigo-eduardo-sterblitch-em-shippados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tatá Werneck</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de apresentar uma série de traumas causados por sua mãe, Dolores (Yara de Novaes), com quem ela mora até hoje. Enquanto Enzo é um rapaz ansioso, com um jeito esquisitão e várias dificuldades de socialização, mas que tem uma ternura que se balanceia com o mau humor de sua companheira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carioca divide apartamento com Valdir (Luis Lobianco) e sua namorada Brita (Clarice Falcão), ambos adeptos do </span><a href="https://www.infoescola.com/movimentos-culturais/naturismo/"><span style="font-weight: 400;">naturismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles vivenciam uma relação completamente oposta a de Enzo e Rita, ao invés de se completarem, o casal nudista age como se fosse um só, se entendendo nos mais diversos delírios. O grupo de amigos se conclui com Suzete (Júlia Rabello) e Hélio (Rafael Queiroga), casal que surge quase que de imediato por intermédio dos protagonistas. Estes apresentam um amor mais carnal do que qualquer coisa, e mostram muito sobre a superficialidade das relações do mundo atual. </span></p>
<figure id="attachment_18043" aria-describedby="caption-attachment-18043" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-18043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão sentados em uma cama de casal em um quarto de hotel. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa laranja e um shorts jeans. Tatá está sentada com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no rosto, que está virado em direção ao Eduardo, com uma expressão assustada. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza com detalhes e uma calça jeans. Eduardo está com as pernas esticadas e com as duas mãos segurando o seu rosto, ele também tem uma expressão assustada e está com o rosto virado para Tatá." width="1280" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-300x149.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1024x507.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-768x380.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1200x594.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18043" class="wp-caption-text">O nome da série deriva do conceito de shippar, que consiste na ideia de torcer para o relacionamento entre duas pessoas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é composta por episódios independentes. Além do surgimento dos novos casais, o arco principal da temporada se dá na jornada de Rita em tentar encontrar seu pai, cuja identidade tentou ser ocultada ao máximo por Dolores, por interesse em manter a pensão que ele enviava para sustentar as duas. Nessa aventura, partem o grupo de seis amigos e a mãe desequilibrada para Maricá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla de roteiristas já é especialista em trazer a comicidade para momentos desconfortáveis entre os seus personagens, e dessa vez não poderia ser diferente. O humor surge nas situações mais escatológicas e constrangedoras possíveis, como quando uma excursão escolar chega na suposta praia de nudismo. Os diálogos sobre tópicos mundanos e aleatórios também são outro ingrediente comum do casal, e se encaixam perfeitamente aqui. Não é uma história forçada para nos fazer rir, com tiradas e clichês previsíveis. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">, nós rimos das situações e das pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As redes sociais são o alvo de boa parte do humor sarcástico e afiado da série. Em diversos momentos, os diálogos entre os personagens exemplificam a superficialidade do meio virtual e as falhas comunicativas que ele proporciona, em que até um </span><i><span style="font-weight: 400;">emoji</span></i><span style="font-weight: 400;"> errado pode alterar o tom de uma conversa. E acabam por tirar sarro da supervalorização das coisas na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os testes de compatibilidade entre namorados e o <em>status</em> de relacionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18044" aria-describedby="caption-attachment-18044" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, estão os personagens de Luis Lobianco, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch. Na imagem eles estão tirando uma foto no que seria o apartamento dos personagens Enzo e Valdir. Na imagem, Clarice Falcão está abraçando Tatá Werneck. Clarice é uma mulher branca de cabelos castanhos claros compridos, ela está sorrindo e com o braço em volta do pescoço de Tatá, não é possível ver suas roupas. Tatá é uma mulher branca de cabelos castanhos escuros, ela veste uma blusa listrada nas cores laranja, amarelo e branco, e está com uma cara de desconforto. Os meninos estão atrás das duas personagens, lado a lado. Luis Lobianco é um homem branco, de cabelos castanhos escuros curtos, barba e bigode castanhos, não é possível ver suas roupas pois ele está atrás de Clarice. Luis está sorrindo e com o braço esquerdo em volta de Eduardo. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de manga curta com um desenho e o escrito BORN TO FLY." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18044" class="wp-caption-text">Com o <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/08/25/fernanda-young-morre-em-sp.ghtml">falecimento</a> de Fernanda Young, o futuro de Shippados permanece um tanto incerto, apesar da autora já ter escrito alguns episódios da segunda temporada ainda em vida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após descobertas decepcionantes na viagem para Maricá, e as diversas tentativas de sabotagem por parte de Dolores, a narrativa se vira completamente para a evolução do namoro de Enzo e Rita. Nenhum relacionamento é perfeito, muito menos nos roteiros de Young e Machado. A partir de uma sequência de desentendimentos, surgem as primeiras discussões, os conflitos iniciais e o primeiro término, como toda relação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que esse talvez não seja o primeiro relacionamento sério da vida dos personagens, é a sensação que transparece para nós. Vemos a relação de Enzo e Rita como aquele namoro de adolescência, em que ambos precisam aprender a se entender antes para conseguirem, de fato, entender o outro. Erram como adolescentes, mas também amam como se fossem iniciantes nesse ramo. </span></p>
<figure id="attachment_18045" aria-describedby="caption-attachment-18045" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18045 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens estão em uma praia deserta, virados de costas para a câmera e em direção ao mar. Da esquerda para direita vemos os personagens de Júlia Rabello, Rafael Queiroga, Clarice Falcão, Luis Lobianco, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18045" class="wp-caption-text">Shippados já tinha estreado no Globoplay em 2019, mas teve seus episódios exibidos na TV aberta apenas este mês (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dramaticidade ainda surge como um tempero adicional na narrativa. Seria difícil falar sobre o mundo da conectividade e do imediatismo sem abordar o lado daqueles esquisitões que não se encaixam por entre as bolhas virtuais. E, mais do que isso, mostrar as dificuldades que os relacionamentos do mundo digital ocultam, em saber lidar com o outro. Nesses momentos, o temperamento difícil de Rita e seu grande potencial de auto sabotagem, unido ao nervosismo de Enzo em tentar ao máximo que as coisas deem certo não poderiam ser mais compreensíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição para as cenas dramáticas não nos pega desprevenidos em nenhum momento, sentimos cada pontada da dor que é ser um estranho em um ambiente onde todas as relações são tão parecidas e simples, e da dificuldade em lutar por algo que não depende apenas de nós mesmos. A trilha sonora ainda é perfeitamente escolhida para nos derrubar de vez, com faixas de nomes como O Terno, Vanguart, Rubel e </span><a href="https://personaunesp.com.br/los-hermanos-amor-e-odio/"><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, tudo de mais triste que existe na cena atual da música brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se fosse necessário dar nome aos bois, Dolores com certeza seria a maior antagonista da série, por suas sucessivas tentativas em destruir o namoro da filha, visando apenas o seu próprio benefício. Mas também poderia ser considerada a personificação do verdadeiro vilão do mundo real: o imprevisível (ou melhor, </span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">absurdos idiotas da vida)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aquele acontecimento que vai além do nosso próprio controle e o maior obstáculo dos verdadeiros relacionamentos. Para se manter uma relação é preciso muito mais que amar, ou ter um endereço próximo, é necessário lidar com as adversidades da vida, e também lutar contra elas. Essa talvez seja a maior lição que o primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa.</span></p>
<figure id="attachment_18046" aria-describedby="caption-attachment-18046" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. A imagem foi tirada de baixo para cima. Nela, os personagens estão em roda olhando para baixo, em direção à câmera. Nesse círculo estão, nessa ordem, os personagens de Luis Lobianco, Eduardo Sterblitch, Júlia Rabello, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Rafael Queiroga." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18046" class="wp-caption-text">O primeiro trabalho de Alexandre <a href="https://cultura.estadao.com.br/blogs/direto-da-fonte/sentimos-falta-da-loucura-e-da-diversao-dela-diz-alexandre-machado-sobre-a-mulher-fernanda-young/">após a morte</a> de Fernanda foi na série <a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/">Amor e Sorte</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um atestado das falsas promessas do meio virtual, que nos distancia, ao mesmo passo que busca nos aproximar. E também é um abraço caloroso para mostrar que ainda devemos ter esperança no amor, em encontrar alguém mesmo em meio a um mar de individualismo e das dificuldades repentinas da vida. Apenas mais um dos milhares de exemplos do grandioso </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/normais-shipados-partida-de-fernanda-young"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Fernanda Young, que não poderia ter se despedido de uma forma melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tecnologia vai precisar evoluir muito para conseguir transparecer as trocas de olhares apaixonadas, o nervosismo do toque acidental de mãos e as borboletas no estômago que a vida real nos proporciona. E não importa o quanto ela lute para conectar cada vez mais as pessoas, nunca conseguirá causar um encontro de almas tão bonito como o simples acaso. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Trilha Sonora Shippados" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0IoghNokIwpXHKLc8pnLgG?si=Tdb42FZyRhqOMlY10r77oQ"></iframe></p>
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		<title>O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 14:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O documentário recém-lançado da Netflix, O Dilema das Redes, dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “Qual é o problema?” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15757" aria-describedby="caption-attachment-15757" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15757" class="wp-caption-text">O documentário expõe que os problemas das redes sociais não são ilegais, e sim um método padrão desse esquema de negócio (Foto: Netflix/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário recém-lançado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Qual é o problema?</span></i><span style="font-weight: 400;">” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam apontar a solução do problema.</span></p>
<p><span id="more-15753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das ideias centrais do filme é a de que veteranos das redes sociais (ex-funcionários do alto escalão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outras) estão, de fato, arrependidos pelo que elas se tornaram. Há um consenso entre os entrevistados de que as redes sociais são, hoje, um lugar inóspito movido a ódio. Entretanto, não parecem querer dizer que são um dos vilões dessa história e tentam, ao longo de toda a narrativa, manter a ideia de que são heróis, afirmando em alguns momentos que não existem culpados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O formato do documentário já é conhecido. Há uma pequena parte ficcional, que serve como um suporte à parte real do filme. Esse trecho fictício poderia ser facilmente removido, e a ideia seria melhor transmitida sem ele, que tem atuações que, em determinados momentos, beiram o constrangedor e representam personagens estereotipados. Mesmo assim, cabe ressaltar que esse aparato ficcional acaba ajudando aqueles que não estão familiarizados ou nunca se questionaram sobre a importância exagerada das redes sociais atualmente. Os questionamentos levantados por pessoas que ajudaram a criar essas plataformas e suas visões sobre a situação de ódio generalizado são a parte mais importante dessa produção. </span></p>
<figure id="attachment_15758" aria-describedby="caption-attachment-15758" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg" alt="" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15758" class="wp-caption-text">Tristan Harris no Senado dos Estados Unidos em 2019  (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Iniciamos </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhando o idealista Tristan Harris, ex-designer de ética da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e aquele que parece ser o personagem principal do documentário. Ele se prepara para uma palestra sobre como propagar um uso mais consciente e ético nas redes. Próximo aos 15 minutos de exibição, Harris solta a máxima “</span><i><span style="font-weight: 400;">se você não está pagando pelo produto, então você é o produto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na cena em que ele está no Senado norte-americano, é questionado sobre quem deveria ser responsabilizado pelo método de influenciar o público com o pretexto de mantê-los engajados, e sua resposta é que as plataformas devem ser pois, se aceitam propaganda política, devem proteger as eleições — ele estava testemunhando em uma audiência sobre tecnologia persuasiva e otimização para engajamento. A ideia de que somos os produtos das plataformas parece chocante em um primeiro momento, mas não está longe de ser algo esperado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena do filme, o psicólogo </span><a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/o-dilema-das-redes-refugio-na-pandemia-redes-sociais-ajudaram-formar-geracao-mais-ansiosa-deprimida-24655097"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Haidt</span></a><span style="font-weight: 400;"> aponta que, entre 2011 e 2013, houve um aumento gigantesco em casos de depressão e ansiedade entre os adolescentes americanos. Coincidentemente ou não, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i> <a href="https://canaltech.com.br/redes-sociais/Com-lucro-recorde-em-2013-Facebook-alcanca-marca-de-123-bilhao-de-usuarios/"><span style="font-weight: 400;">bateu um de seus recordes de lucro em 2013</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele aponta ainda que a Geração Z, aquela que nasceu por volta de 1996, foi a que começou a utilizar as redes sociais durante a pré-adolescência e, como resultado, tornou-se uma geração mais ansiosa, frágil e deprimida. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta quando exemplifica o efeito nocivo das notificações em uma das personagens fictícias, que, em determinada cena, se recusa a ficar sem o celular durante a refeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito debatido sobre o tema é que nós entregamos nosso tempo às redes e elas brigam entre si para consumir cada vez mais a nossa atenção. O problema é que, diferente do dinheiro, o tempo é um instrumento finito e impossível de se obter novamente,  é algo muito mais valioso que o dinheiro. Durante todo o documentário, ficamos apreensivos com a ideia de que somos manipulados e servimos à interesses de desconhecidos. O tempo que gastamos nas redes sociais, muitas vezes, faz parte de uma rotina e, pensando bem, faz com que o Grande Irmão de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-orwell-de-1984-prova-sua-relevancia-em-tempos-de-autoritarismo/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pareça terrivelmente real.</span></p>
<figure id="attachment_15754" aria-describedby="caption-attachment-15754" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg" alt="" width="650" height="343" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3-300x158.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15754" class="wp-caption-text">Tristan Harris, à esquerda, e Roger McNamee, investidor e um dos entrevistados do documentário, à direita; ambos com seus smartphones nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os algoritmos são apresentados como um dos grandes problemas. A parte ficcional de <em>O Dilema das Redes</em> apresenta três homens, que ficam em uma das milhares de salas que controlam o que deve aparecer na tela de cada usuário. Esse trecho é exagerado, uma tentativa de mostrar que, de fato, existem pessoas controlando o que você vê. Muito embora os algoritmos funcionem sozinhos, eles são programados por seres humanos. Alguns ativistas já debateram como eles </span><a href="https://tecnologia.ig.com.br/2020-09-22/algoritmos-racistas-entenda-como-funciona-o-problema-que-atingiu-o-twitter.html"><span style="font-weight: 400;">propagam atitudes racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes, e como foram cruciais para a polarização política atual, além de ampliarem os discursos de ódio. Contudo, a plataforma mais utilizada hoje é o </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não trabalha com algoritmos e, mesmo assim, continua sendo uma grande aliada na manipulação política. É, de algum modo, um amplificador do conteúdo apresentado nas redes sociais, e demonstra que o problema vai muito além dos algoritmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Tim Kendall, ex-presidente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinterest</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ex-diretor de monetização do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz, em sua fala inicial, que essas ferramentas trouxeram coisas maravilhosas para o mundo, seria sincero afirmar que sua colocação traz uma ideia muito triunfalista das redes sociais. Os benefícios listados por Kendall, como a aproximação de familiares distantes, são resultados do uso natural da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa qualidade já foi muito explorada pelo antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">MSN Messenger</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, e uma das ideias do uso da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> é justamente a de aproximar pessoas. Embora as redes sociais também realizem isso, o mérito não deve ser somente delas, como ele tenta listar. O que é possível concordar, mesmo que por razões contrárias, é o fato de que elas trouxeram mudanças significativas para a sociedade, já que deixaram de ser simples ferramentas de aproximação e transformaram-se em plataformas de manipulação. De alguma maneira, sequestraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em algumas partes, mantém o tom assustador que lembra as previsões distópicas de </span><a href="http://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e nos deixa com uma sensação de que algo muito errado está acontecendo enquanto não fazemos nada para mudar. Cada pessoa tem sua própria realidade e seus próprios fatos, já que a linha do tempo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a </span><i><span style="font-weight: 400;">timeline </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são adaptadas individualmente. Em uma das cenas, Justin Rosenstein, criador do botão </span><i><span style="font-weight: 400;">like </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, argumenta que essa é uma das fontes das discussões nas redes sociais, já que temos a ilusão de que todos estão vendo a mesma coisa que nós. São diversas verdades criadas para prender a atenção dos usuários. </span></p>
<figure id="attachment_15755" aria-describedby="caption-attachment-15755" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg" alt="" width="2000" height="1236" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1536x949.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1200x742.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15755" class="wp-caption-text">Mark Zuckerberg no depoimento feito no Senado estadunidense em 2018 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a exibição da cena de Mark Zuckerberg no Senado norte-americano, em decorrência  da </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/03/facebook-e-cambridge-analytica-sete-fatos-que-voce-precisa-saber.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmica envolvendo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cambridge Analytica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele sugere que a solução à longo prazo seria criar ferramentas de inteligência artificial que resolvem problemas que pessoas reais não conseguem. Em seguida, a cientista de dados</span> <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/12/tecnologia/1542018368_035000.html"><span style="font-weight: 400;"> Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora do livro </span><a href="https://medium.com/@gustavomsaraiva/resenha-e-reflex%C3%B5es-sobre-o-livro-weapons-of-math-destrution-de-cathy-oneil-b843f9a04f5f"><i><span style="font-weight: 400;">Weapons of Math Destruction</span></i> </a><i><span style="font-weight: 400;">(2016),</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela que isso não passa de uma mentira, já que a inteligência artificial não pode resolver os problemas apresentados por não conseguir distinguir o que é a verdade. É mais uma das esfarrapadas desculpas para não perderem seus usuários, ou melhor, seus produtos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista da computação Jaron Lanier, um dos entrevistados do documentário e considerado o pai da realidade virtual, inicia seu livro </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2018/12/aqui-vai-um-breve-resumo-do-livro-10-argumentos-para-voce-deletar-agora-suas-redes-sociais/"><i><span style="font-weight: 400;">Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">(2018)</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a ideia de que as pessoas estão perdendo seu livre-arbítrio. Ele argumenta que a espionagem maciça e a manipulação constante foram aceitas na sociedade com normalidade. Seu ponto fica evidenciado quando pensamos nas propagandas que vemos ao longo do dia, sempre direcionadas para nós com produtos de nosso interesse. Quantas vezes já nos deparamos com aquela situação de pesquisar algo muito específico e, pouco depois, receber uma propaganda exatamente sobre aquilo? </span></p>
<figure id="attachment_15756" aria-describedby="caption-attachment-15756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15756" class="wp-caption-text">Quando um dos personagens da parte fictícia do filme decide ficar sem o celular, o aplicativo envia uma notificação dizendo que sua ex-namorada está em um relacionamento (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a metade e o final do documentário, seu desfecho fica previsível. Os empresários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale do Silício</span></i><span style="font-weight: 400;">, arrependidos, tentam estabelecer algum tipo de valor moral acima de qualquer tecnologia. Ninguém é responsabilizado  pelos danos causados à sociedade. Um tom moralista paira no ar, como se fosse possível preencher esse problema com a força de vontade individual. Talvez a frase mais moralista venha de Aza Raskin, ele e Tristan Harris são fundadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Center For Humane Technology</span></i><span style="font-weight: 400;">, lugar onde pretendem reverter a degradação humana e realinhar a tecnologia com a humanidade. Raskin dá sua declaração final dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Vale do Silício partiu de uma ideia de tecnologia humanizada</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando bem, é mais provável que tenha sido motivada pela questão financeira, já que as empresas de tecnologia são as mais ricas e lucrativas da história da humanidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 89 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica evidente que essa é uma questão muito acima da vontade populacional. Mesmo que, por algum tipo de iluminação divina, os grandes magnatas das redes queiram se redimir construindo algo mais ético e destruindo esse método tão lucrativo por um bem maior, outros surgirão e tomarão seus lugares. O problema, de algum modo, é a forma como as redes sociais interagem com a vida </span><i><span style="font-weight: 400;">offline</span></i><span style="font-weight: 400;">, tentando de alguma forma suprimi-la. Essa é uma questão que não foi planejada nem mesmo por esses empresários, que hoje aparecem como vítimas daquilo que criaram. </span></p>
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