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	<title>Arquivos Warner Records &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O instinto grita de volta nos 10 anos de The Hunting Party</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Nov 2024 20:48:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Vitória Bertotti  Eles estão em sua forma mais animalesca possível e com fome por Música. Foi com essa premissa que, há 10 anos, a banda norte-americana Linkin Park lançava seu sexto álbum de estúdio, The Hunting Party. A obra pode ser lida como um retorno às origens do rock mais pesado, que beira o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-hunting-party-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O instinto grita de volta nos 10 anos de The Hunting Party"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34415" aria-describedby="caption-attachment-34415" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34415" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-2-800x800.png" alt="Capa do álbum The Hunting Party. A imagem tem um fundo cinza superior, semelhante à fumaça, que vai em degradê para o branco na parte inferior. No centro superior, está uma criatura segurando um arco e uma flecha, que parecem ser feitos de ossos. Essa criatura não é identificável, mas tem alguns espinhos semelhantes à estalactites em cor de gelo, e se parece com uma estátua pela coloração cinza de mármore." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-2.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34415" class="wp-caption-text">A chegada desse álbum é um alívio para os fãs da banda, que voltam a bater cabeça após seu lançamento (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Vitória Bertotti </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles estão em sua forma mais animalesca possível e com fome por Música. Foi com essa premissa que, há 10 anos, a banda norte-americana </span><a href="https://www.instagram.com/linkinpark/"><span style="font-weight: 400;">Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançava seu sexto álbum de estúdio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZPlUjhroNd4&amp;list=PLlqZM4covn1FS2H7Aj1fpfj9TYQbEGq1h"><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Party</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra pode ser lida como um retorno às origens do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">mais pesado, que beira o visceral mas não esquece dos testes melódicos e eletrônicos de seus outros registros. Com mensagens certeiras e um ritmo perfeitamente equilibrado, o projeto é facilmente um dos melhores álbuns da discografia da banda.</span></p>
<p><span id="more-34414"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltado para o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">metal </span></i><span style="font-weight: 400;">alternativo, o disco passa longe das influências eletrônicas, com efeitos e sintetizadores, muito exploradas nos dois anteriores – </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5uvXx5ZQswNRFCdHR521YZ?si=IEBzfAqoSjSc_WLUfRr3_A"><i><span style="font-weight: 400;">A Thousand Suns</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4XHIjbhjRmqWlosjj5rqSI?si=b2LmKE9WRamPqucE0XYymA"><i><span style="font-weight: 400;">LIVING THINGS</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012). Sendo o primeiro álbum sem a produção de Rick Rubin desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">Meteora </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003), quem tomou as rédeas da produção foram </span><a href="https://www.instagram.com/m_shinoda/"><span style="font-weight: 400;">Mike Shinoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/braddelson/"><span style="font-weight: 400;">Brad Delson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, talvez por isso, a nostalgia dos velhos tempos tenha batido forte em seus corações para retornar ao </span><a href="https://www.cifraclub.com.br/blog/new-metal/"><i><span style="font-weight: 400;">nu-metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34416" aria-describedby="caption-attachment-34416" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34416" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-800x533.jpg" alt="Foto para o álbum. Na imagem, os seis integrantes da banda Linkin Park estão enfileirados, um ao lado do outro, olhando para a câmera com cara de sérios. O cenário de fundo são algumas luzes comuns da cidade, fracas, e o céu escuro. Da esquerda para a direita: Dave Phoenix é um homem branco e ruivo, de cabelo com penteado moicano e barba. Está vestindo uma calça jeans preta, uma camisa preta de cola e por cima uma jaqueta cinza escuro com capuz fechada por zíper até a metade. Ele está com as mãos para trás. Joe Hahn é um homem amarelo e está vestindo uma calça preta, um casaco de moletom de mangas curtas preto com capuz, que encobre toda sua cabeça. Sua mão direita é a única visível e está ao lado de seu corpo. Chester Bennington é um homem branco, careca, e usa um alargador preto na orelha direita. Ele veste uma calça jeans cinza quase preta, uma camiseta preta e uma jaqueta preta aberta com bolsos. Sua mão direita está apoiada no bolso de sua calça. Mike Shinoda é um homem branco de ascendência japonesa, de cabelo curto e barba castanhos. Ele veste uma calça preta, uma camisa de gola e por cima uma jaqueta fechada com bolsos e estampa de folhagens. Seus braços estão cruzados na frente do corpo e em seu pulso direito há duas pulseiras pretas. Brad Delson é um homem branco, de cabelo cacheado e barba castanhos, e usa um óculos preto quadrado. Ele veste uma calça marrom, uma camisa preta de gola e por cima um blazer marrom claro. Suas mãos estão dentro do bolso da calça. Rob Bourdon é um homem branco, de cabelos médios e barba castanhos. Ele veste uma calça preta, uma camiseta marrom claro e uma camisa jeans de mangas dobradas por cima, desabotoada. Sua mão esquerda está ao lado de seu corpo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34416" class="wp-caption-text">A cara de mau é para mostrar que não estão pra brincadeira (Foto: Brandon Cox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A riqueza do trabalho se deve, em parte, pelas participações especiais de músicos tão talentosos quanto o próprio Linkin Park. Alguns dos convidados para compor o disco são: </span><a href="https://www.pagehamiltonmusic.com/"><span style="font-weight: 400;">Page Hamilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, guitarrista veterano da banda Helmet; </span><a href="https://www.instagram.com/thegodrakim/"><span style="font-weight: 400;">Rakim</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense considerado um dos melhores de todos os tempos pela </span><a href="https://www.billboard.com/lists/best-rappers-all-time/13-rakim/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/tommorello/"><span style="font-weight: 400;">Tom Morello</span></a><span style="font-weight: 400;">, guitarrista do Rage Against the Machine e ex-Audioslave. Percebeu alguma coisa em comum entre eles? A escolha de chamar vários guitarristas para a composição do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Party</span></i><span style="font-weight: 400;"> é justamente para acrescentar mais agressividade através deste instrumento. Nada é por acaso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0MXVAogKEMU"><span style="font-weight: 400;">ideia do nome</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Party</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi a primeira que surgiu à mente. Inicialmente, o álbum se chamaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Carnivores</span></i><span style="font-weight: 400;">, de carnívoros mesmo, mas isso seria muito óbvio para a intenção que eles queriam. A analogia veio de uma conversa onde o herbívoro estaria ligado à passividade e, de acordo com as vontades da banda no momento, eles queriam ir contra a maré que os músicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estavam se dirigindo. O carnívoro estaria ligado à ideia de ir atrás das suas necessidades, dos seus objetivos, já que um selvagem vive assim porque precisa, não porque quer. Já o </span><i><span style="font-weight: 400;">hunting party</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grupo de caça e, ao contrário do carnívoro, ele faz a escolha desse estilo de vida. Eles escolheram, pela paixão de fazer diferente, voltar para seus instintos selvagens.</span></p>
<figure id="attachment_34417" aria-describedby="caption-attachment-34417" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34417" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x533.jpg" alt="Foto de show do Linkin Park no Brasil. Na imagem, aparecem Chester e Mike em cima do palco, e ambos estão cantando. Em foco, do lado direito da imagem está Chester, que segura um microfone de chão com as duas mãos. Ele é um homem branco, careca e com tatuagens nos dois braços. Veste uma calça preta, uma regata preta com um círculo estampado no meio e alguns detalhes dentre dele e um óculos escuro quadrado. Ao fundo, do lado esquerdo da imagem e um pouco desfocado, está Mike, atrás de um apoio com um teclado em cima. Ele é um homem branco com ascendência japonesa e tem barba castanha. Ele veste uma camiseta verde musgo e um boné preto com detalhes em verde. Na frente de Chester está uma caixa de som grande e metalizada, que cobre ele até os joelhos, e junto com o teclado na frente de Mike está uma bandeira do Brasil com o logotipo do Linkin Park dentro da parte azul da bandeira. O fundo é escuro e bem nos cantos centrais tem dois iluminadores de palco verdes." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34417" class="wp-caption-text">Para sorte dos fãs brasileiros, a banda voltou ao nosso país pela quarta vez em uma turnê mundial (Foto: Marcelo Godoy)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/ZPlUjhroNd4?si=hIY231KA5g1fFqWd"><i><span style="font-weight: 400;">Keys to the Kingdom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como uma prévia do que o Linkin Park quis trazer. A maior parte dos elementos do disco já estão nessa faixa, que chega assustando os desavisados com os gritos de </span><a href="https://www.instagram.com/chesterbe/"><span style="font-weight: 400;">Chester Bennington</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheios de efeito vocal. Existe um equilíbrio entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a melodia cai bem entre a explosão de Bennington e as rimas de Shinoda. Já a letra soa um pouco agressiva, sem sentido e, em alguns momentos, como uma ameaça para quem subestimá-los. A guitarra se faz muito presente e, junto com a bateria comandada por </span><a href="https://www.instagram.com/robbourdon/"><span style="font-weight: 400;">Rob Bourdon</span></a><span style="font-weight: 400;">, elevam a faixa para um outro patamar, mostrando para o que vieram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de começos estranhos, </span><a href="https://youtu.be/DVPbR_r8XLU?si=Jd1MJdRVAXWd_Bi0"><i><span style="font-weight: 400;">All for Nothing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entra nessa categoria, uma vez que não é possível decifrar o que faz barulho em seu início. Apesar da dúvida, a guitarra fortíssima de Delson entra em seguida para destruir qualquer devaneio que invade a cabeça antes da música começar. Além do guitarrista original, não podemos esquecer da participação brilhante de Page Hamilton, que contribuiu para o </span><a href="https://youtu.be/TkAn7Zg16ps?si=diOJhN6DpoTrHoqb"><span style="font-weight: 400;">espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontecer na faixa. Além dos </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> falando sobre honra também está sob holofotes e, logo no final, surge uma trilha sonora de filme dramático fazendo ponte para a próxima faixa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 45 minutos de duração, divididos entre 12 faixas, cinco delas foram escolhidas a dedo – e provavelmente, com dificuldade – para serem </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://youtu.be/YGlP-MY9oxc?si=JC9I2Omte8KL3w3T"><i><span style="font-weight: 400;">Guilty All the Same</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro deles; arrebatador, traz toda a força da união entre guitarra e bateria nos primeiros segundos. É importante destacar o que essa guitarra faz durante a canção, já que há solos por toda a duração da faixa; os melhores solos de todo o álbum, inclusive. Além do básico para fazer um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">rock and roll</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda utiliza efeitos eletrônicos para compor a melodia. Chester Bennington conduz os vocais de maneira calma até a chegada da parte rimada, que expõe uma letra bem política. Eles dão o recado e o veredito final, o sistema é culpado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guilty All The Same (Official Lyric Video) - Linkin Park (feat. Rakim)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cEaEdLQbAFM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso de faixa introdutória, aquela que seria uma mais curta, utilizado pela banda em álbuns anteriores (como em </span><a href="https://youtu.be/Me7TJDHCELk?si=mdPlDe8Fi2QR7aRE"><i><span style="font-weight: 400;">Wake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do </span><a href="https://personaunesp.com.br/minutes-to-midnight-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também deu as caras no disco. </span><a href="https://youtu.be/OmdVqbHmfJo?si=1kT9rSIekq8_DRnY"><i><span style="font-weight: 400;">The Summoning</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como um respiro para o público se recuperar do estrondo que as três primeiras canções fazem. No pós recuperação, </span><a href="https://youtu.be/dTgor60kaZk?si=8UbYMUeyAJ5nepWu"><i><span style="font-weight: 400;">War</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> destrói a calma recentemente instaurada para dar lugar ao bate cabeça pesado. Na música, existem vários elementos interessantes, como a mudança de ritmo entre o refrão e o restante da faixa, os vários gritos, o </span><a href="https://blog.planetamusica.net/como-fazer-drive-na-voz/"><i><span style="font-weight: 400;">drive</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz e, para variar, mais um solo de guitarra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo jus ao retorno pro </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> raiz dos primeiros discos, </span><a href="https://youtu.be/h6sFG7qOd4A?si=YIqFfS__qpioCn6G"><i><span style="font-weight: 400;">Wastelands</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é música para os ouvidos de quem curte o gênero. Ela carrega um equilíbrio entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os detalhes eletrônicos de </span><a href="https://www.instagram.com/mrjoehahn/"><span style="font-weight: 400;">Joe Hahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, além da identidade fortíssima da bateria de Rob Bourdon. Sua letra é bem representativa para os jovens de hoje em dia vivendo em meio ao caos climático e humanitário: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o futuro escapa/e sua esperança se transforma em medo</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><a href="https://youtu.be/R7D_BljUNi8?si=QjbrGlQg59aU2n4u"><i><span style="font-weight: 400;">Until It’s Gone</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das canções mais ‘comuns’ do álbum, sem grandes experimentações evidentes, apesar de ser um </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela pode parecer meio batida para o estilo deles, um pouco ‘mais do mesmo’, e ainda assim tem seu valor. Todos esses adjetivos são porque a faixa é mais calma e não tem nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, novamente, quem brilha é Bourdon, juntamente com o baixista Dave Phoenix.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Until It&#039;s Gone [Official Music Video] - Linkin Park" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oM-XJD4J36U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe do conceito comum, </span><a href="https://youtu.be/OCy5461BtTg?si=yrwO1D7aBy4nUZOv"><i><span style="font-weight: 400;">Rebellion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é mais uma das músicas que remetem ao </span><i><span style="font-weight: 400;">nu-metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> da década de 2000. A introdução, já com um solo de Brad Delson logo de cara, só aumenta o frenesi que a faixa carrega consigo. E parte dessa energia visceral se dá pela participação do ícone </span><a href="https://www.instagram.com/daronmalakian/"><span style="font-weight: 400;">Daron Malakian</span></a><span style="font-weight: 400;">, da banda </span><a href="https://www.instagram.com/systemofadown/"><span style="font-weight: 400;">System Of A Down</span></a><span style="font-weight: 400;">. O guitarrista incorpora muito do estilo que toca originalmente, com mais peso nas guitarras e bateria, e o resultado disso é achar que está ouvindo uma música do próprio ‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CSvFpBOe8eY"><span style="font-weight: 400;">SOAD</span></a><span style="font-weight: 400;">’. E isso é um elogio! O </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> é brutal, tanto em ritmo quanto em letra; é uma constante entre gratidão e insatisfação pelos que não são sortudos como nós somos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://youtu.be/6Ab4KKjQfjo?si=6lLdSMxbwca_Pzuv"><span style="font-weight: 400;">criação visual do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ilustrações foram feitas com base na ideia dos carnívoros, de ferocidade e instinto, tanto é que a própria capa do disco e demais conteúdos disponíveis são quase que indecifráveis. Os responsáveis pelo desenvolvimento artístico são Joe Hahn, </span><a href="https://www.rickeykim.com/linkinpark"><span style="font-weight: 400;">Rickey Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor criativo da banda, e </span><a href="https://www.instagram.com/frankmaddocks/"><span style="font-weight: 400;">Frank Maddocks</span></a><span style="font-weight: 400;">, vice-presidente criativo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Records</span></i><span style="font-weight: 400;">. A Arte é minimalista e combina com a </span><a href="https://www.weststudio.com/project/linkin-park-hunting-party"><span style="font-weight: 400;">estética</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhida pelo Linkin Park para essa produção, mas não deixa de ser uma incógnita sobre o que está em destaque. É uma criatura fictícia? Um humano ou um monstro? As respostas são subjetivas para o imaginário de cada um de nós. </span></p>
<figure id="attachment_34418" aria-describedby="caption-attachment-34418" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34418" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-800x800.jpg" alt="Imagem criada para o álbum. Na foto, o fundo é totalmente preto e, no centro, está um desenho em 3d de uma criatura não identificável lutando contra uma pessoa pouco definida. A composição desses dois seres é cinza e varia entre tons mais claros e mais escuros dessa cor. Alguns elementos que dá para ver claramente são algumas flechas na parte superior da criatura, algumas ondas que parecem ser feitas de tecidos envolvendo esse ser, e mãos e braços de ambos que dão esse entendimento de luta entre eles." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-4.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34418" class="wp-caption-text">O que você entende quando vê essa imagem? Nem os fãs sabem (Foto: West Studio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito instrumental, </span><a href="https://youtu.be/l65UelU95O8?si=Dg6RxsHstzRs7HJj"><i><span style="font-weight: 400;">Mark the Graves</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem foco em mostrar a força e delicadeza dos elementos utilizados na gravação. Um exemplo disso é a diferença – literalmente – gritante entre o início e o fim da faixa, alternando entre uma voz doce para uma bem rouca. Ela pode parecer um pouco entediante no meio, porém ainda é agradável de se ouvir. Já </span><a href="https://youtu.be/mjgdHSwWfhE?si=RYppN7u4FOOXvKoa"><i><span style="font-weight: 400;">Drawbar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é outra música com aspecto de ‘ponte’, nos levando para as canções finais, que têm uma pegada mais diferente do restante do disco. Mesmo sem vocais, ela nos mostra o resultado do </span><a href="https://youtu.be/0sf0Uu5XSGQ?si=pdz-u8QwpFs8Ujvh"><span style="font-weight: 400;">experimentalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos últimos álbuns. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, </span><a href="https://youtu.be/i8q8fFs3kTM?si=AHHqPZFHcFRRFcA7"><i><span style="font-weight: 400;">Final Masquerade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, último </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Party</span></i><span style="font-weight: 400;">, soa um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8sgycukafqQ"><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da letra mais romântica, que mostra uma desilusão, as cordas aparecem de maneira muito mais suave em comparação com o restante do álbum, mas fazem diferença ao trazer esse tom mais melódico. A bateria também tem grande destaque, e, nos momentos mais silenciosos da faixa, quem dá as caras são os efeitos sonoros em cima de instrumentos como o teclado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma música de seis minutos e meio, </span><a href="https://youtu.be/FkDrVL8Tsuw?si=kHkgF1WBLu_bn_xm"><i><span style="font-weight: 400;">A Line In The Sand</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é verdadeiramente apoteótica. Mike Shinoda se destaca, tanto rimando quanto nos vocais, dando um recado através da letra, lembrando que o </span><i><span style="font-weight: 400;">karma</span></i><span style="font-weight: 400;"> não falha. Com efeitos eletrônicos bem encaixados entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma variação grande entre os ritmos durante a faixa e a gente pode ouvir: calmaria, gritos, rimas, solos de guitarra e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mkgw-bxXvMM"><span style="font-weight: 400;">presença estrondosa da bateria</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inclusive, esses dois últimos instrumentos, rápidos da maneira que foram tocados, são os responsáveis por retomar esse ritmo totalmente contagiante. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> pesado volta para encerrar a canção e o álbum com o melhor do que o Linkin Park pode dar ao público. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Linkin Park - A Line In The Sand (Rock In Rio USA 2015) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MR6-NHiFiXs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a repercussão do disco foi positiva tanto entre fãs quanto com a crítica. Pelo lado dos admiradores, a satisfação se deve pelo retorno ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> pesado que a banda fazia na década de  2000 – reclamação que era feita desde o álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Meteora</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando o Linkin Park deu um tempo para experimentar novos ritmos e migrar momentaneamente para o </span><a href="https://eletrovibez.com/edm-aqui-vai-uma-definicao/"><i><span style="font-weight: 400;">EDM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting Party</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou na terceira posição do </span><a href="https://www.billboard.com/charts/billboard-200/"><i><span style="font-weight: 400;">US Billboard 200</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense, e conquistou o pódio na categoria Álbuns de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os críticos culturais do jornal britânico </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2014/jun/12/linkin-park-the-hunting-party-review"><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também elogiaram o trabalho da banda e a volta para suas origens mais agressivas, concedendo três estrelas de cinco para a produção. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Hunting Party: 6.17.14 (Extended Trailer) - Linkin Park" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/yNbiIkIWpZM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5uvXx5ZQswNRFCdHR521YZ?si=GCWRbxWERBmmgRS1m8OHZg"><span style="font-weight: 400;">experimentalismo das produções anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, a banda evolui e resgata suas origens, mas sem abrir mão da inovação que descobriram no meio do processo criativo. Quem realmente se destaca durante os 45 minutos de som agressivo é o guitarrista Brad Delson, que merece palmas por manter tão bem o ritmo contagiante durante seus incontáveis solos. Ainda que Kid Abelha diga em sua canção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Eu Quero</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1984),</span> <span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">solos de guitarra não vão me conquistar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os desse álbum já conquistaram muitos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Hunting</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Party</span></i><span style="font-weight: 400;"> é saudosista bem como inteligente; resgata o público antigo e mantém os fãs alinhados com a ideia mais voltada para o eletrônico/</span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. É uma das produções mais pesadas da banda, tanto em sonoridade quanto em letras e, para quem é do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco é um chamado para gritar com o instinto mais brutal que existe dentro de cada um.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Hunting Party" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/3XB2yloP7l00tEUmaODtVi?si=RCXuylR0QgWzHP_5Dvv0Vw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Para mergulhar em Radical Optimism é preciso segurar o fôlego</title>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2024 18:47:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo e Guilherme Machado Leal Na música pop, artistas femininas são colocadas a prova a cada trabalho que realizam. Criam-se rivalidades entre cantoras, de Madonna à Gaga até Taylor Swift e Katy Perry. Seja pela sonoridade, pelos vocais ou pela composição, as mulheres do gênero musical precisam se esforçar duas vezes mais se comparadas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/radical-optimism-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para mergulhar em Radical Optimism é preciso segurar o fôlego"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33435" aria-describedby="caption-attachment-33435" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image6.png" alt="Imagem da capa do álbum Radical Optimism. Na foto, a cantora Dua Lipa está dentro do mar, com a parte do peito para cima fora d ́ água. Ela está no canto esquerdo da foto, no lado direito há um tubarão, para fora do mar está sua barbatana principal. Ao fundo, o céu está no fim da tarde, com o azul contrastando com o laranja do sol. Há dois pássaros voando. Dua Lipa e o tubarão estão ao fundo da imagem, na frente em destaque está o mar. Dua Lipa é uma mulher branca, na faixa dos 30 anos de idade. Ela possui cabelos lisos longos na cor vermelha, usa brincos e uma roupa na cor dourada." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image6.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image6-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-33435" class="wp-caption-text">A nova promessa de Dua Lipa chegou aos streamings no Brasil em Maio (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo e Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, artistas femininas são colocadas a prova a cada trabalho que realizam. Criam-se rivalidades entre cantoras, de Madonna à Gaga até Taylor Swift e Katy Perry. Seja pela sonoridade, pelos vocais ou pela composição, as mulheres do gênero musical precisam se esforçar duas vezes mais se comparadas aos cantores masculinos. Com Dua Lipa, a situação não foi diferente: desde a sua estreia, com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">álbum homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo com números exorbitantes – a exemplo o clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">New Rules</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possui mais de três bilhões de visualizações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Youtube</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, a cantora não ficou ilesa das críticas devido aos seguintes questionamentos: ‘ela vai aprender a dançar?” e ‘ela irá superar o primeiro trabalho?’. Após o lançamento do </span><a href="https://personaunesp.com.br/future-nostalgia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2020, a britânica provou que, daqui 40 anos, vamos sentir saudades do seu </span><i><span style="font-weight: 400;">dance-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-33430"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, iniciando a sua terceira era, </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista se afasta da sonoridade que abordou durante os três anos do seu segundo disco. No lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dance The Night</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) e os três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles, </span></i><span style="font-weight: 400;">o público quis testar a albanesa ao apontar que o novo projeto seria uma coleção de descartes do </span><i><span style="font-weight: 400;">FN</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Houdini</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a influência de Kevin Parker (Tame Impala) com os arranjos de sintetizadores e pianos elétricos, deixaram claro a </span><a href="https://www.rollingstone.co.uk/music/news/dua-lipa-confirms-new-album-in-2024-teases-1970s-era-psychedelia-31712/"><span style="font-weight: 400;">pegada psicodélica</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mais recente trabalho, distanciando-se dos laços com as pistas de danças da década de 1990. Mas será que com as diferenças, o mergulho de Dua Lipa entre tubarões é tão profundo e memorável quanto seu antecessor?</span></p>
<p>A resposta é um misto de sentimentos. É difícil não compará-lo com <i>Future Nostalgia</i>, que foi a sensação da pandemia e não parou de tocar nas rádios. Sucesso foi tanto, que a cantora lançou duas novas versões, <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0JeyP8r2hBxYIoxXv11XiX?si=dBSDotYESwi3BZVDFwxT2A"><i>The</i> <i>Moonlight Edition</i></a> e <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3W04W2HfQ5kVeByxfjbu2C?si=O5d3BsWCSZyxbqmyIdh6rQ"><i>Club Future Nostalgia</i></a>. Com tanta energia, a expectativa era de que <i>Radical Optimism </i>fosse melhor. No entanto, ele não precisa. Não no sentido de que Lipa pode lançar faixas medíocres só por ter um álbum essencial na carreira, mas porque este novo tem outras ambições, histórias e ritmos. Ele não quer ser um projeto energético e dançante – mesmo que os três <i>singles</i> apontem para essa direção.</p>
<figure id="attachment_33433" aria-describedby="caption-attachment-33433" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-2.jpg" alt="Foto da cantora Dua Lipa. Na imagem, Dua Lipa está dentro d'água, mas com a parte da barriga para cima para fora. Ela está de braços abertos, segurando em uma parede rochosa enquanto sorri de olhos fechados. Ela é uma mulher branca, de cabelos longos e lisos na cor vermelha. Está usando um brinco prata de estrela e no pulso direito, duas pulseiras prateadas. Ela veste um maiô preto. " width="1024" height="671" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-2-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-2-768x503.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33433" class="wp-caption-text">Dua Lipa canta sobre maturidade, e relacionamentos amorosos antigos e atuais em Radical Optimism (Foto: Tyrone Lebon)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/suAR1PYFNYA?si=EXSDMOecKnUT2oGa"><i><span style="font-weight: 400;">Houdini</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://youtu.be/ZjBZ8MUnB0E?si=nQqWWg1Lr-4SY7Up"><i><span style="font-weight: 400;">Training Season</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/a9cyG_yfh1k?si=c_epCaKgYcv0L6gD"><i><span style="font-weight: 400;">Illusion</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">soam como uma transição de uma era para outra. Como se fosse um aviso da artista para os fãs não se assustarem com uma mudança brusca. O álbum aposta em coros de fundo, uma balada que altera seu ritmo pela metade e </span><i><span style="font-weight: 400;">French Exit</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa que remete a um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> francês, como </span><a href="https://youtu.be/vs61OHs2g-w?si=ZAs8FeHnQCmTgLUg"><i><span style="font-weight: 400;">Fever</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), com a francesa Angèle. Escolher lançar primeiro as músicas mais animadas é, sem dúvidas, uma decisão de mercado, que vai atrair os ouvintes do </span><i><span style="font-weight: 400;">FN</span></i><span style="font-weight: 400;"> para uma fase tão enérgica quanto a última. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o primeiro contato com o terceiro disco, a sensação agridoce é a que fica ao término dos 37 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso porque, diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i><span style="font-weight: 400;">, o conceito formulado pela cantora não se faz tão claro nas letras do projeto. No entanto, sonoramente, os instrumentos utilizados por </span><a href="https://www.nme.com/news/music/tame-impalas-kevin-parker-pays-tribute-to-absolute-weapon-dua-lipa-on-release-of-mind-blower-new-album-radical-optimism-3753362"><span style="font-weight: 400;">Kevin Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Training Season</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Whatcha Doing</span></i><span style="font-weight: 400;">, podem ser apreciados pelos fãs da artista. Além disso, embora </span><i><span style="font-weight: 400;">Houdini</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja, no mínimo, uma das cinco melhores canções de Dua Lipa, a era otimista e radical da albanesa não possui um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> instantâneo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma era marcada por </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e músicas rápidas, a cantora segue na contramão. Quando disponibilizou os três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que antecederam o lançamento do álbum, Lipa deu aos fãs versões estendidas e instrumentais das canções. Assim, ela valorizou não só o trabalho de composição da nova era, mas também o ponto mais alto do novo disco: as produções dele. Além disso, também é notável o amadurecimento da cantora enquanto pessoa para esse novo momento de sua carreira. Em entrevista concedida a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8_2R2FChhos&amp;t=2717s"><span style="font-weight: 400;">Zane Lowe</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista mostrou um pouco mais do livro de letras que inspiraram o </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;">. A canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Illusion</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, foi a primeira escrita para o projeto e ditou, visualmente, o que a compositora pretendia passar para o público.</span></p>
<figure id="attachment_33432" aria-describedby="caption-attachment-33432" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33432" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.jpg" alt="Foto da cantora Dua Lipa, mulher branca de cabelos ruivos. Ela está agachada e olhando para baixo. A artista veste uma blusa regata branca com uma linha vermelha e utiliza uma meia-calça vermelha." width="1999" height="1113" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3-1024x570.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3-768x428.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3-1536x855.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3-1200x668.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33432" class="wp-caption-text">A <a href="https://www.theguardian.com/music/article/2024/may/03/dua-lipa-radical-optimism-review-psychedelic-pop-infused-pull-the-other-one">cultura rave do Reino Unido</a> e o britpop foram dois dos gêneros que a cantora se inspirou para a produção do Radical Optimism (Foto: Tyrone Lebon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Proporcional a uma aula de natação, em que não é no primeiro mergulho que se aprende a nadar, não é em apenas um </span><i><span style="font-weight: 400;">play </span></i><span style="font-weight: 400;">que as intenções de Dua Lipa ficam cristalinas. Se, em seus outros discos, a cantora cantava sobre corpo, prazer e sexo em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Begging</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Physical</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Lost In Your Light</span></i><span style="font-weight: 400;">, o terceiro projeto propõe a historia de um eu lírico que está a vontade com um término, mas que, aos poucos, descobre que a situação não é tão </span><a href="https://tribunaonline.com.br/entretenimento/musica/otimismo-radical-de-dua-lipa-em-novo-album-180486"><span style="font-weight: 400;">otimista</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim e que é preciso se esforçar para aceitar as mudanças. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hWw3dS2cyLc"><i><span style="font-weight: 400;">End Of An Era</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia que a artista deixará para trás o estilo de vida boêmio e cairá nos braços de alguém que acredita ser o seu ‘felizes para sempre’, contudo, no fim, acaba sendo um ciclo de desilusões. Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1TtvG18iSxY"><i><span style="font-weight: 400;">These Walls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a albanesa personifica as paredes de um quarto que, se pudessem falar, deixariam claro que o relacionamento entre duas pessoas já está na hora de terminar. Com cordas de guitarra e um coro de fundo animado, a cantora transforma a música em um delírio trivial contagiante. Nesta canção, a compositora concorda com os apontamentos das paredes, mas não quer ser “</span><i><span style="font-weight: 400;">aquela que termina tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, na faixa </span><a href="https://youtu.be/7x08rpZtzDg?si=hzTmFxvtdIIkDdmQ"><i><span style="font-weight: 400;">Whatcha Doing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista canta sobre um futuro possível relacionamento que desconcerta os seus sentimentos. Com um pré-refrão viciante, a canção, produzida por Kevin Parker, soma-se às outras do </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;"> que dão um toque mais dançante ao álbum. Além disso, </span><a href="https://youtu.be/O6s8mY0P5xA?si=tF_wFpE6k5XwhzWI"><i><span style="font-weight: 400;">Falling Forever</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, contém um dos melhores vocais gravados por Dua Lipa. A letra é simples: a britânica pede ao amado que se apaixone por ela todos os dias de sua vida, sendo um ótimo exemplo de como o eu lírico amoroso vivido pela albanesa se conecta com a sua alma </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e radiofônica. </span></p>
<figure id="attachment_33436" aria-describedby="caption-attachment-33436" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33436" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4.png" alt="Foto da cantora Dua Lipa, mulher branca de cabelos ruivos. Ela está se segurando em uma barra de ferro. A cantora veste um body preto, uma meia-calça preta, uma meia branca e um sapato salto-alto preto." width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-4-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33436" class="wp-caption-text">A faixa Training Season debutou na posição 27 no Hot 100 da Billboard, maior parada musical dos Estados Unidos (Foto: Tyrone Lebon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última canção, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uZ5RcAqYym0"><i><span style="font-weight: 400;">Happy For You</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara essa força de querer ser otimista. Após querer se livrar de situações de forma discreta e passar por desilusões, a cantora diz estar feliz que seu amado esteja com outra pessoa. Seu conforto com a situação é tão gritante que ela não sente ira ou sofrimento; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu devo ter te amado mais do que um dia imaginei”</span></i><span style="font-weight: 400;">, canta no refrão. A faixa é acompanhada de acordes agridoces e sons ambientes (vento e pássaros), reforçando essa felicidade acompanhada de uma tristeza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, as músicas apresentam uma coerência, há uma história sendo contada: alguém que faz de tudo para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZds6pHwad4"><span style="font-weight: 400;">manter o amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante dez faixas do álbum mas, na sua décima primeira faixa, aceita o fim. A intercalação de canções mais tristes e felizes dão essa sensação de que a cantora leva suas emoções ao extremo para se sentir feliz. Diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">FN</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que há sequências de músicas animadas e coesas, o terceiro projeto não é tão certeiro nessa unidade sonora. Porém, a clareza do conceito fica transparente depois de mergulhar junto com Lipa e ouvir o disco mais vezes, o que faz as ideias dele fazerem sentido junto com a sua sonoridade.</span></p>
<figure id="attachment_33431" aria-describedby="caption-attachment-33431" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33431" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-4.png" alt="Foto da cantora Dua Lipa, mulher branca de cabelos ruivos. Ela está nadando em um rio. A artista utiliza brincos dourados, pulseiras pratas e veste um maiô preto." width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-4-768x514.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33431" class="wp-caption-text">Para divulgar o álbum, Dua Lipa fez um ensaio fotográfico mergulhando; as fotos acompanham o encarte da versão física do disco (Foto: Tyrone Lebon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação aos visuais, a era </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;"> reafirma a versatilidade e evolução da musicista. O clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Houdini</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, se assemelha ao de </span><a href="https://youtu.be/EDwb9jOVRtU?si=6PM-mqvX6PeYySCp"><i><span style="font-weight: 400;">Hung Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora Madonna. Dua Lipa está em um estúdio de dança, ao lado de seus dançarinos e com o cabelo vermelho, que conferiu ao terceiro disco a identidade visual da artista. Mais uma vez, é possível ver o talento da albanesa a partir da forma com que o seu estilo se altera a cada trabalho novo. Já no clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Illusion</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.papelpop.com/2024/04/dua-lipa-exalta-kylie-minogue-em-novo-clipe-veja-todas-as-referencias/"><span style="font-weight: 400;">referências claras</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos clipes das faixas</span> <i><span style="font-weight: 400;">B</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ody Language </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Aphrodite </span></i><span style="font-weight: 400;">da australiana Kylie Minogue</span><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> As duas veteranas, inclusive, colaboraram com a novata na era </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i><span style="font-weight: 400;">; Madonna apareceu no </span><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Levitating</span></i><span style="font-weight: 400;">, também com a presença de Missy Elliot, enquanto Kylie Minogue cantou a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qFYLeTJEvWY"><i><span style="font-weight: 400;">Real Groove</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com Lipa no especial </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio 54</span></i><span style="font-weight: 400;">, projeto em que a artista entregou versões ao vivo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">do segundo disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi apenas a identidade visual da musicista que evoluiu ao longo dos anos. No começo de sua carreira, Dua Lipa foi extremamente criticada por uma </span><a href="https://youtu.be/fq8xY7xPOwk?si=GVfg6D39ZPLa8ZNf"><span style="font-weight: 400;">performance</span></a><span style="font-weight: 400;"> que fez da música </span><i><span style="font-weight: 400;">One Kiss</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na época, a cantora não se sentia confortável em dançar e o público prontamente percebeu após a apresentação. No entanto, as críticas se tornaram uma meta para a cantora: quando iniciou a era </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao se apresentar no </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV Europe Music Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://youtu.be/-Wyum8FwMtw?si=qB5NqTUQSKaerVwe"><i><span style="font-weight: 400;">EMA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a albanesa arrancou elogios da platéia. Em 2024, na performance de </span><a href="https://youtu.be/duW0dqdB4mw?si=UKQxN_Mu30ed2D-O"><i><span style="font-weight: 400;">Training Season</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> realizada no</span><i><span style="font-weight: 400;"> BRIT Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, a voz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Start Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostrou mais uma vez o seu empenho em se tornar uma artista </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com movimentos ágeis e </span><i><span style="font-weight: 400;">breakdance </span></i><span style="font-weight: 400;">no meio do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ruiva divulgou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;"> com sangue nos olhos.</span></p>
<figure id="attachment_33434" aria-describedby="caption-attachment-33434" style="width: 752px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image5-1.png" alt="Foto da cantora Dua Lipa, mulher branca de cabelos ruivos. Ela está dentro de um círculo prata ao redor de seus dançarinos, os quais estão mergulhando na água." width="752" height="423" /><figcaption id="caption-attachment-33434" class="wp-caption-text">Servindo coreografia, o clipe de Illusion é um dos melhores da carreira de Dua Lipa (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Superar um álbum estrondoso nem sempre é possível, ainda mais se o projeto anterior for o </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, Dua Lipa parece saber bem o caminho que irá seguir na Música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Hoje, ela canta sobre a sua vida amorosa e evolução pessoal, não se importando com a ‘caixinha’ que irão colocá-la. O terceiro disco da artista não é fraco, muito pelo contrário, ele a consolida como uma cantora essencialmente </span><a href="https://www.grammy.com/news/dua-lipa-songs-new-album-radical-optimism-journey"><span style="font-weight: 400;">popular</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sabe utilizar referências e, a partir delas, cria a sua própria história. Além disso, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;"> não soa como o trabalho que veio antes, tampouco é inferior. Os dois são diferentes e conversam a respeito de momentos específicos da carreira da britânica, comprovando, mais uma vez, o seu talento em passear por diferentes sentimentos e sonoridades em uma canção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das críticas que cercam o trabalho de Lipa é a associação de suas músicas a meros sons de fundo de lojas de departamento. No entanto, resumir o trabalho da artista a canções descompromissadas com a realidade é um erro, uma vez que sua voz e as referências que ela utiliza são singulares e incomparáveis com outras divas do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. O futuro da cantora é incerto, os gêneros que irá trabalhar daqui quatro anos é um mistério, mas uma coisa é certa: o público precisará segurar o fôlego para mergulhar junto com a britânica e, até mesmo, estudar mais estilos musicais que ela esteja disposta a homenagear. Com seu </span><a href="https://www.google.com/search?q=o+q+%C3%A9+brit+pop&amp;oq=o+q+%C3%A9+brit+pop&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIJCAEQIRgKGKABMgkIAhAhGAoYoAEyCQgDECEYChigAdIBCDM0MTlqMGo5qAIAsAIB&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:db490b4d,vid:GA6cljgjAb4,st:0"><i><span style="font-weight: 400;">britpop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Dua Lipa nada em direção à sua própria evolução em </span><i><span style="font-weight: 400;">Radical Optimism</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Radical Optimism" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6B0uhVWdfDKV35fapjoolM?si=CL_ZqRDeTXO39WdZfne1Ww&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Unlimited Love: o antigo novo Red Hot Chili Peppers</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2022 15:25:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Mais de uma década separam a saída de John Frusciante do Red Hot Chili Peppers e o lançamento de Unlimited Love, álbum que marca seu retorno triunfal. Nesse período, muitas coisas aconteceram. O guitarrista Josh Klinghoffer, visto desde sempre como um pupilo de Frusciante, ingressou no grupo, gravou dois álbuns e depois foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/unlimited-love-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Unlimited Love: o antigo novo Red Hot Chili Peppers"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27246" aria-describedby="caption-attachment-27246" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27246 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1.jpg" alt="Capa do álbum Unlimited Love da banda Red Hot Chili Peppers. Na imagem quadrada colorida, vemos uma outdoor com o logo da banda aceso em cor vermelha, no centro está escrito Unlimited Love com luzes em cor vermelha e amarela e abaixo escrito Red Hot Chili Peppers com luzes em cor verde. Ao fundo vemos a cidade de Los Angeles em meio ao crepúsculo do dia, à contraluz." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27246" class="wp-caption-text">Lançado no Dia da Mentira, Unlimited Love é o 12º álbum na carreira do Red Hot Chili Peppers, e marca o retorno de John Frusciante (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de uma década separam a saída de John Frusciante do </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/o-retorno-de-john-frusciante-red-hot-chili-peppers-lanca-album-unlimited-love/"><span style="font-weight: 400;">Red Hot Chili Peppers</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o lançamento de </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/red-hot-chili-peppers-unlimited-love/"><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum que marca seu retorno triunfal. Nesse período, muitas coisas aconteceram. O guitarrista Josh Klinghoffer, visto desde sempre como um pupilo de Frusciante, ingressou no grupo, gravou dois álbuns e depois foi retirado do RHCP, como </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/02/03/josh-klinghoffer-entrevista-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">ele próprio revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em entrevista. Tudo indicava que o retorno de Frusciante – visto há anos como o clássico guitarrista do quarteto, mesmo que outro guitarrista tivesse dominado o instrumento antes dele – seria o esforço genuíno em recuperar a faísca dos anos dourados. Embora essa seja uma característica visível no projeto lançado em 1º de abril, </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love </span></i><span style="font-weight: 400;">não soa como ninguém além dos próprios Chili Peppers.</span></p>
<p><span id="more-27245"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não parece ser segredo que o Red Hot Chili Peppers é o que é pela identidade instrumental do grupo, composta pelo baixo </span><i><span style="font-weight: 400;">funkeado </span></i><span style="font-weight: 400;">de Flea, a bateria com tempos partidos de Chad Smith, e, principalmente, pela guitarra cintilante que há anos mudou de dono. Quanto ao mais importante dos guitarristas, os números não mentem: com John Frusciante integrando o elenco, a banda ganhou três </span><a href="https://www.grammy.com/artists/red-hot-chili-peppers/16367"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – incluindo o de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p0vM9iINl28&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers"><i><span style="font-weight: 400;">Stadium Arcadium</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006) –, três </span><i><span style="font-weight: 400;">BRIT Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><span style="font-weight: 400;">cinco </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV Music Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de diversos outros prêmios concedidos por revistas. É extremamente difícil não ligar o quarteto ao clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YlUKcNNmywk&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers"><i><span style="font-weight: 400;">Californication</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999), ou aos </span><i><span style="font-weight: 400;">backings </span></i><span style="font-weight: 400;">impregnantes que Frusciante fez ao longo dos anos, os quais sempre acompanharam sua guitarra “chorada”, saturada de distorções e de </span><a href="http://www.jfeffects.com.br/2016/07/1988-turne-pre-mothers-milk-boss-ds-2.html"><i><span style="font-weight: 400;">chorus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na medida certa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas também é interessante notar o amadurecimento mais do que gritante que Josh Klinghoffer conquistou no grupo. Depois de sua modesta estreia como o principal guitarrista em </span><a href="https://personaunesp.com.br/im-with-you-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">I’m with You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011), houveram críticas duras, as quais ele, sabiamente, escutou. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/"><i><span style="font-weight: 400;">The Getaway</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), um álbum que por si só apontou os novos caminhos que os californianos poderiam tomar – sem deixar sua base </span><i><span style="font-weight: 400;">funk rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado –, Klinghoffer aparentava ter se estabelecido como a nova cara que a banda precisava, a mesma que veio se reinventando por anos – a própria entrada de Frusciante, em 1988, corrobora a ideia de reinvenção, pois só ocorreu devido a morte de Hillel Slovak, membro fundador do RHCP. Nesse cenário, seu retorno soa um pouco esquisito, e por si só anula a ideia de renovação que a banda argumenta buscar; todavia, a verdade indigesta é que, desde o início, Klinghoffer foi um guitarrista substituto. </span></p>
<figure id="attachment_27247" aria-describedby="caption-attachment-27247" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27247 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-2.png" alt="Foto da banda Red Hot Chili Peppers. Na imagem retangular em preto e branco estão, da esquerda para a direita, Anthony Kiedis, John Frusciante, Flea e Chad Smith. Os quatro são homens brancos. Kiedis está utilizando um chapéu de cowboy, óculos escuros e um shorts de lutador em cor cinza, e está sem camiseta. Frusciante possui cabelos longos e lisos à altura do ombro, e veste camisa de cor preta. Flea está suspenso segurando com os dois pés um corrimão enquanto força seus dois pés contra a parede. Ele veste uma camiseta de cor cinza e um boné também de cor cinza. Smith está sentado no corrimão, olhando para a câmera. Ele veste uma calça jeans cinza, uma camiseta cinza escura, utiliza um óculos escuros de cor preta e veste um boné de cor preta virado para trás." width="1080" height="546" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-2.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-2-800x404.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-2-1024x518.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-2-768x388.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27247" class="wp-caption-text">O disco contou com a produção de Rick Rubin, o mesmo que trabalhou nos clássicos Californicafion e Stadium Arcadium, mas que não colaborava com o grupo desde 2011 (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> é composto por 17 faixas espalhadas ao longo de 73 minutos, abrindo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhK4dTGiDhc"><i><span style="font-weight: 400;">Black Summer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção que evoca a calmaria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rn_YodiJO6k&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers"><i><span style="font-weight: 400;">Otherside</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e que com menos de 2 minutos joga em nossos ouvidos o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">de guitarra, como se tentasse nos lembrar a quem pertence esse álbum. Isso se segue ao longo do CD, e chega a parecer que há uma mistura de várias fases da banda – todas as quais Frusciante pertenceu –, soando quase como uma colagem musical composta a partir de uma pesquisa nos arquivos do grupo, e talvez a parte mais difícil desse retorno tenha sido justamente encontrar o tom. Quando uma pessoa retorna a um projeto antigo, após ter participado dos momentos altos deste mesmo projeto no início, como escolher somente uma pequena fração dessa história para se desdobrar e conceber algo novo? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a simples junção de coisas distintas acaba, por si só, originando um novo projeto. O paradoxo consiste no fato de que, justamente, não há nada novo. É um disco do Red Hot Chili Peppers que bebe da carreira do próprio Chili Peppers, e talvez essa seja sua graça, pois não há demérito algum na autorreferência – nesse caso particular, são 39 anos de carreira. Após um tempo ouvindo Frusciante experimentar na Música Eletrônica, vê-lo novamente com guitarras em punho é quase realmente como cortar o passado, pois nem mesmo sua interessante parceria com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OBnGn9gvCsY&amp;ab_channel=FruscianteWorld"><span style="font-weight: 400;">Omar Rodriguez Lopez</span></a><span style="font-weight: 400;">, do </span><a href="https://open.spotify.com/track/1lg8iruuIfdRL20TMmHRzJ?si=55905e76af7f4006"><span style="font-weight: 400;">At the Drive-In</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5meJWQuHyHDsOjWF8AtSDe?si=7f7a709625284b9e"><span style="font-weight: 400;">The Mars Volta</span></a><span style="font-weight: 400;">, seguiu adiante. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que achei emocionante quando comecei a tocar com eles</span></i><span style="font-weight: 400;"> [novamente] </span><i><span style="font-weight: 400;">foi ver o que eu poderia fazer com uma guitarra”</span></i><span style="font-weight: 400;">, disse </span><a href="https://consequence.net/2020/10/john-frusciante-red-hot-chili-peppers-return/"><span style="font-weight: 400;">John em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2020. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Red Hot Chili Peppers - These Are The Ways (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PccS-4wSZCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco segue um mesmo padrão, mas mesmo sob essa condição existem músicas muito boas e outras apenas regulares. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5HLF92vf9U"><i><span style="font-weight: 400;">She’s a Lover</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4jW2sIGimqU"><i><span style="font-weight: 400;">Whatchu Thinkin’</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ArYw6-6qKwM"><i><span style="font-weight: 400;">It’s Only Natural</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– canção que contém ecos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U6eFQDaJmnk&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Hey</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – exalam </span><i><span style="font-weight: 400;">Stadium Arcadium </span></i><span style="font-weight: 400;">desde o começo, figurando facilmente como as melhores do CD, principalmente pelos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">de guitarra (o protagonista desse álbum é John). Na mesma linha, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zXNy-Osk1ek"><i><span style="font-weight: 400;">One Way Traffic</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parece uma adaptação mais serena da ótima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OM9uMJWtNww&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers"><i><span style="font-weight: 400;">Hump de Bump</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mtswRrd-V_U"><i><span style="font-weight: 400;">Let ‘Em Cry</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tem uma levada </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae </span></i><span style="font-weight: 400;">interessante e até então inédita – algo muito curioso, dado as referências do grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frusciante trouxe de sua carreira </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">elementos da Música Eletrônica, evidentes nas faixas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IrtyWkRU2TM"><i><span style="font-weight: 400;">Bastards of Light</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5EuWBWxHs18"><i><span style="font-weight: 400;">Not the One</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que, honestamente, já vinham sido apontados no último disco da banda, ainda com Josh Klinghoffer no elenco. Apesar de conter 17 músicas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encerra para Flea e Chad Smith em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VzRYRi2cb4g"><i><span style="font-weight: 400;">The Heavy Wing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; isso porque a faixa final, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZL1pd0ebh_E"><i><span style="font-weight: 400;">Tangelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, consiste na voz de Kiedis e Frusciante ao violão, envolta de um sintetizador espaçado, numa aparente alusão a esse “amor ilimitado” anunciado desde o começo – um certo tipo de reconciliação, não apenas entre os integrantes, mas com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_27248" aria-describedby="caption-attachment-27248" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27248 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3.jpg" alt="Foto da banda Red Hot Chili Peppers. Na imagem retangular colorida estão, da esquerda para a direita, Chad Smith, Anthony Kiedis, John Frusciante e Flea. Os quatro são homens brancos. Chad veste uma camisa jeans em cor preta, uma camiseta branca e utiliza uma touca de cor preta e óculos escuros também em cor preta. Kiedis veste um casaco e chapéu de pirata, mas sem camiseta. John está com a cabeça no ombro esquerdo de Kiedis, sorrindo. Ele possui cabelos lisos de cor preta, à altura do ombro, e veste uma camisa xadrez em cores verde, azul e amarelo. Flea está sorrindo. Ele veste uma touca de cor vermelha e uma camisa de manga curta em cor vermelha, com detalhes em cor branca. Ao fundo, é possível ver o símbolo da banda que também é a capa do álbum Unlimited Love." width="2048" height="1647" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3-800x643.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3-1024x824.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3-768x618.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3-1536x1235.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/red-hot-3-1200x965.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27248" class="wp-caption-text">Em entrevista à NME, o quarteto descreveu Unlimited Love como “o passeio que é a soma de nossas vidas” (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dia antes do lançamento do disco, a banda recebeu uma estrela na </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/amp/musica/red-hot-chili-peppers-ganha-estrela-na-calcada-da-fama-assista-cerimonia/"><span style="font-weight: 400;">calçada da fama de Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, algo que talvez ambiente um pouco o cenário que cerca esses quatro integrantes. A aura nostálgica envolta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love </span></i><span style="font-weight: 400;">resplandece no fato de que essa não é a primeira vez que Frusciante retorna ao grupo. Em 1992, após a turnê de </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/22107-blood-sugar-sex-magik/"><i><span style="font-weight: 400;">Blood Sugar Sex Magik</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1991), John Frusciante deixou o Red Hot pela primeira vez – de 1993 a 1997, </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/07/05/dave-navarro-nao-arrepende-red-hot-chili-peppers/amp/"><span style="font-weight: 400;">Dave Navarro</span></a><span style="font-weight: 400;"> assumiu a guitarra, dando origem ao disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/74cQBDmkkzRBntR064f0SD?si=s-Wq4fe9RtmUO65No4Nddw"><i><span style="font-weight: 400;">One Hot Minute</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995). Ele retornou em 1998, marcando, até sua saída em 2009, a melhor fase da banda em anos. Suas entregas ao vivo foram dignas de prêmio, sempre readaptando </span><i><span style="font-weight: 400;">solos</span></i><span style="font-weight: 400;">, criando novas camadas musicais e realocando espaços inventivos em canções nem tão inventivas assim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O olhar clínico e harmonioso do guitarrista – mistura de referências entre o </span><a href="https://youtu.be/F_7BVaDIAbA"><span style="font-weight: 400;">Gang Of Four</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/qFfnlYbFEiE"><span style="font-weight: 400;">Jimi Hendrix</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apontaram para um caminho em que se vislumbrou uma repaginada mais artística e esteticamente mais atraente ao grupo – basta comparar à banda pré-1990: é quase </span><a href="https://open.spotify.com/album/5QxFTj8ar3blXVyVEo2rxD?si=QgC3ZpdqQWuLm3ynJZFD1A"><span style="font-weight: 400;">outro Chili Peppers</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um foco demasiado no baixo de Flea. Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love </span></i><span style="font-weight: 400;">não apresenta nenhum momento de alta adrenalina que chame atenção – como os discos de seus anos dourados sempre trouxeram –, no entanto, também é competente o suficiente para não trazer qualquer tipo de sensação de vergonha alheia (o risco é sempre iminente nesse cenário de “retorno”). É uma continuação do processo elaborado pela banda em projetos anteriores, no qual consiste uma sensação de tranquilidade, um “estranho familiar” que reside em um sofisticado e bem-vindo amadurecimento musical dentro do campo que eles mesmos exploraram tão bem ao longo dos anos; mas também, obviamente, habita uma nostalgia inerente – é como dar a partida em um carro após o </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-by </span></i><span style="font-weight: 400;">de 13 anos (sem Frusciante).</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Red Hot Chili Peppers - Poster Child (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lxHWfCzS5uQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento nostálgico é muito bem desenvolvido no livro </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2011/may/29/retromania-simon-reynolds-review"><i><span style="font-weight: 400;">Retromania: Pop Culture&#8217;s Addiction to Its Own Past</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), do crítico britânico </span><a href="https://pitchfork.com/features/article/why-burials-untrue-is-the-most-important-electronic-album-of-the-century-so-far/"><span style="font-weight: 400;">Simon Reynolds</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, o autor argumenta a existência de uma nova onda musical que vem se apropriando do passado, principalmente dos sons entre 1960 e 1970. De certa forma, deixamos de sonhar e passamos a vivenciar um espaço de “futuros perdidos”, no qual os artistas deixam de trazer novidades musicais e transformam-se em “curadores”, esquecendo qualquer viés transgressor que se convencionou a atribuir à Arte. Esse sentimento parece descrever a sensação de nostalgia que vem dominando o cenário musical, e, inevitavelmente, a mesma que domina </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i><span style="font-weight: 400;">. O retorno de Frusciante não é apenas a volta de um guitarrista virtuoso, mas tende a encaixar novamente a banda naquele velho cenário dos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com essa visão “assombrológica” – no sentido de espectros musicais que cercam sons que não pertencem a eles –, os Chili Peppers sempre foram bons em colocar o público dentro de seu próprio espaço, de modo a fazer com que pairasse uma espécie de consciência coletiva acerca do grupo, ligada a um estilo de vida despretensioso, através de uma conexão íntima que visava até mesmo o transcendental (como em </span><a href="https://youtu.be/0fcRa5Z6LmU"><i><span style="font-weight: 400;">The Zephyr Song</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O lado ruim foi o fato dessa abertura transformar os ouvintes mais fanáticos em membros de uma “grande família Chili Peppers”, colocando os integrantes da banda no escrutínio da vida pública – aquela velha característica de identificação idealizada através de alguma manifestação artística. Mas, talvez, a brincadeira mais perspicaz sobre isso seja do próprio quarteto, que no videoclipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnfyjwChuNU&amp;ab_channel=RedHotChiliPeppers"><i><span style="font-weight: 400;">By the Way</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retrata um fã maluco e completamente obcecado por Anthony Kiedis. No fim das contas, o Red Hot Chili Peppers é isso: quatro indivíduos que riem de si mesmos; e, embora </span><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seja um disco para deixar fãs obcecados, é importante que exista e ganhe seu próprio espaço.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Unlimited Love" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2ITVvrNiINKRiW7wA3w6w6?si=AkB3EC50RO6W-SykCvnj3A&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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