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	<title>Arquivos Vitrine Filmes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bicho Monstro assusta mais do que qualquer animal imaginário</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Nov 2024 21:06:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Representando nas telonas o imaginário popular da região Sul do Brasil, Bicho Monstro fez parte da seleção da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Novos Diretores. O diretor, Germano de Oliveira, coloca em perspectiva uma narrativa sobre o Thiltapes, um animal perigoso que vive nas florestas mais densas dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bicho-monstro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bicho Monstro assusta mais do que qualquer animal imaginário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34422" aria-describedby="caption-attachment-34422" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.jpg" alt="Cena do filme Bicho Monstro. Na imagem, vemos uma garota branca de cabelos e olhos claros descendo uma trilha na floresta. Ela veste uma jaqueta azul por cima de uma camiseta rosa e uma calça longa cinza. Ela carrega uma pequena bolsa enquanto desvenda esse cenário de gramas verdes e árvores altas que são iluminadas pelos raios de sol." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34422" class="wp-caption-text">Bicho Monstro fez parte da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Novos Diretores (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Representando nas telonas o imaginário popular da região Sul do Brasil, </span><a href="https://expansao.co/filme-gaucho-bicho-monstro-estreia-na-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><i><span style="font-weight: 400;">Bicho Monstro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez parte da seleção da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> na seção Novos Diretores. O diretor, Germano de Oliveira, coloca em perspectiva uma narrativa sobre o Thiltapes, um animal perigoso que vive nas florestas mais densas dos lugares ocupados por imigrantes alemães no país. Acontece que a ave sanguinária não é, nem de longe, o aspecto mais aterrorizante do filme.</span></p>
<p><span id="more-34421"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bicho Monstro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, inicialmente, cativante. No entanto, a </span><a href="https://www.ecult.com.br/artes-visuais/cinema/longa-gaucho-bicho-monstro-estreia-na-mostra-de-sao-paulo"><span style="font-weight: 400;">dinâmica contemporânea</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pequeno vilarejo segue sendo interrompida, da pior maneira, pelo passado. Entre a curiosidade de uma pequena garota no século XXI e a gana pela descoberta científica de um botânico alemão há centenas de anos atrás, o telespectador se enxerga confuso e dividido, sem conseguir compreender qual é a ligação entre tudo isso ou, até mesmo, o objetivo do longa-metragem.</span></p>
<figure id="attachment_34423" aria-describedby="caption-attachment-34423" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4.jpg" alt="Cena do filme Bicho Monstro. Na imagem, vemos uma peça sendo ensaiada. As poucas luzes azuladas iluminam o palco em que o ator principal parece estar em uma floresta. O público assiste com tensão aos acontecimentos que se dão em cima do palco e que representam um suposto ataque de uma criatura misteriosa, muito falada sobre na região Sul do país." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34423" class="wp-caption-text">A peça encenada no filme faz menção ao Thiltapes, criatura do imaginário popular do Sul do Brasil (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a um cenário que dialoga muito com vivências no interior enquanto repele a audiência com contornos confusos de narrativa, nem mesmo o afago de vó consegue reprimir o sentimento de decepção que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bicho Monstro</span></i><span style="font-weight: 400;"> causa. O roteiro, escrito pelo cineasta gaúcho junto de Igor Verde e Marcela Ilha Bordin, perde fôlego, ritmo, encantamento e o interesse do público quando desvia a atenção para </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> confusos que pouco dialogam com o presente do </span><a href="https://www.casacinepoa.com.br/noticias/2024-10-18-bicho-monstro-estreia-na-mostra-de-s%C3%A3o-paulo/"><span style="font-weight: 400;">arco principal</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com alguns outros aspectos técnicos em risco, como a óbvia regravação de falas na pós-produção, o filme brasileiro merece aplausos por se tratar de uma ideia interessante e relevante, principalmente por se tratar de um resgate de parte do </span><a href="https://www.casacinepoa.com.br/noticias/2024-10-27-bicho-monstro-concorre-ao-trof%C3%A9u-bandeira-paulista/"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a execução, que deixa a desejar, também ocasiona um gosto amargo. Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bicho Monstro</span></i><span style="font-weight: 400;"> seria realmente incrível caso se apoiasse no passado apenas para compreender o presente, e não se perder em um caminho já trilhado anteriormente.</span></p>
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		<title>Baby sobrevive com a rua e o Cinema</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 16:37:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  No momento em que o diretor Marcelo Caetano filmou ‘Baby’ (João Pedro Mariano) – ainda Wellington naquela cena – na FEBEM, um nome ecoava de dentro da cela: Héctor Babenco, seja nas ideias, estilização em cores, Fotografia ou iluminação. Ainda assim, Baby transpira personalidade e dor. Selecionado para a seção Mostra Brasil, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/baby-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Baby sobrevive com a rua e o Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34355" aria-describedby="caption-attachment-34355" style="width: 753px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-1.jpg" alt="Cena do filme Baby Na imagem, o personagem Baby faz pose de guarda na luta de Boxe, colocando as duas mãos ao lado do rosto. As mãos estão vestidas com luvas de Boxe na cor vermelha. Baby é um garoto na faixa dos 18 anos, de pele escura e cabelos escuros, bem curtos. Ele está sem camiseta. Ao fundo há uma parede azul. " width="753" height="407" /><figcaption id="caption-attachment-34355" class="wp-caption-text">O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem de Ficção no Festival do Rio 2024 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No momento em que o diretor Marcelo Caetano filmou ‘Baby’ (João Pedro Mariano) – ainda Wellington naquela cena – na FEBEM, um nome ecoava de dentro da cela: </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/hector-babenco-e-homenageado-na-48-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Héctor Babenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja nas ideias, estilização em cores, Fotografia ou iluminação. Ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby </span></i><span style="font-weight: 400;">transpira personalidade e dor. Selecionado para a seção Mostra Brasil, o filme faz parte da programação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-34354"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington é um garoto de 18 anos recém liberto do centro de detenção juvenil. Sem saber o paradeiro dos pais, ele conhece Ronaldo (Ricardo Teodoro</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, adota o nome ‘Baby’ e vai precisar aprender a </span><a href="http://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/"><span style="font-weight: 400;">lei do mais forte</span></a><span style="font-weight: 400;">. O texto escrito por Gabriel Domingues e Marcelo Caetano denuncia a violência na estrutura brasileira – do lar à polícia – e enaltece as famílias criadas por afinidade e identificação, sem precisar necessariamente de laços sanguíneos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O centro de todos acontecimentos na vida desse jovem é sobreviver, tal como Pixote, no clássico brasileiro de 1980. Babenco e </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/cannes-2024-diretor-de-baby-fala-de-naos-do-mercado-a-filmes-lgbts"><span style="font-weight: 400;">Caetano</span></a><span style="font-weight: 400;"> também são parecidos, no filtro azulado das noites de São Paulo e no afago que ambos nutrem pelos personagens marginalizados. Não importa se roubam, vendem o corpo, o que fizeram no passado ou porque foram para a detenção, nenhuma atitude feita para ter o mínimo de dignidade é condenável para os artistas.</span></p>
<p><figure id="attachment_34358" aria-describedby="caption-attachment-34358" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-1.jpg" alt="Na imagem, Baby e Ronaldo estão de pé, um ao lado do outro. Baby olha para frente enquanto Ronaldo observa o garoto. Eles estão dentro de um cinema pornô, as paredes são pretas e vermelhas. Baby, à esquerda, é um garoto na faixa dos 18 anos, de pele escura e cabelos escuros, bem curtos. Usa uma camiseta branca e uma jaqueta aberta preta e vermelha. Ronaldo é um homem na faixa dos 40 anos, de pele escura, barba cheia e cabelos escuros, curtos e cacheados. Ele veste uma camisa social de botões na cor preta, está com a fila aberta e mais no bolso. " width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-34358" class="wp-caption-text">Ricardo Teodoro (à direita) ganhou o prêmio de Melhor Ator Revelação no Festival de Cannes, na França [Foto: Vitrine Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2iLTt6sgBPc"><span style="font-weight: 400;">personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> título tem nuances: fala e movimenta os braços de forma diferente quando conversa com adultos do passado, já com os amigos, revela seu verdadeiro ‘eu’. Quando encontra Ronaldo, o jovem se mostra alguém muito ferido, mas a forma como a dupla de roteiristas escolhe fazer isso é atraente e traz maior carga dramática à cena: ao invés de apenas verbalizar situações de agressão com que Wellington teve de lidar, o protagonista mostra as cicatrizes que tem pelo corpo e conta a história de cada uma delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as lembranças desenhadas na pele do protagonista se transformam em um escudo para conviver com a nova realidade fora de casa e da escola, cabe a Ronaldo a missão de orientar a ele as regras do mundo da prostituição, das drogas e das ruas. Porém, ‘Baby’ também tem de ensinar: através dos movimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto seu parceiro o ensina a lutar boxe, ele mostra a dança; </span><a href="https://vogue.globo.com/Apresenta/noticia/2022/01/alem-da-pose-como-o-voguing-se-conecta-ao-movimento-pelos-direitos-das-pessoas-trans-e-travestis.html"><span style="font-weight: 400;">símbolos de resistência</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra formas de opressão físicas e materiais são passadas entre gerações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte de Marcelo Caetano é humana e de muita fúria. As cores ora quentes, ora frias, combinam com a vivência de estar na pele de um ser que respira, potencializado por ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Tão humano, que há espaço para sexo, brigas e revolta. Entra em cena uma São Paulo quase nunca vista, de baladas LGBTQIAP+ e </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/especiais/cinemas-porno/"><span style="font-weight: 400;">Cinema erótico</span></a><span style="font-weight: 400;">, espaços que possuem mais afeto do que o quintal de uma casa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma combinação de temáticas e influências já vistas antes – o final lembra </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/central-do-brasil-relembre-a-historia-do-filme-brasileiro-indicado-ao-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Central do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998) –, porém não é menor por isso, assim como o protagonista, ele é um aprendizado de lições anteriores. Você não vai esquecer do jovem com quem saiu por uma noite, vai ficar com o cheiro dele na roupa ou com uma cicatriz que ele te deu. Afinal, viver é uma experiência que deixa marcas, aprendizados, mas dá amigos e uma família. </span></p>
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		<title>Zafari: uma metáfora de fuga e desespero</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 20:30:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges A produção venezuelana Zafari, presente na seção Perspectiva Internacional da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zafari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zafari: uma metáfora de fuga e desespero"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34323" aria-describedby="caption-attachment-34323" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na cena vemos Ana, Bruno e Francisco olhando para algo. Ana, mulher branca com cabelos castanhos, veste uma blusa na cor azul. Bruno, adolescente branco de cabelos castanhos, usa uma camiseta de manga longa vermelha e cinza. Francisco, homem branco com cabelos e barba grisalhos, usa uma camiseta de botão listrada branca e amarela. Todos encontram-se na lateral direita da imagem, e, ao fundo, é possível ver árvores e vegetação." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34323" class="wp-caption-text">Zafari também foi exibido no Festival de San Sebastián (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção venezuelana </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a ânsia pela fuga do país – fazendo uma clara comparação com a situação da Venezuela contemporânea.</span></p>
<p><span id="more-34321"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em um nobre apartamento que se encontra em estado de decadência, o filme nos apresenta uma família composta por Ana (Daniela Ramirez), Francisco (Francisco Denis) e Bruno (Varek La Rosa), o filho do casal. Acompanhando o dia a dia do trio que mora nas redondezas de um zoológico, nos deparamos com a chegada de um hipopótamo chamado Zafari, que, de maneira bem </span><a href="https://conectageek.com.br/48a-mostra-zoo-venezuelano-de-mariana-rondon-remonta-miseria-do-pais-em-filme/"><span style="font-weight: 400;">irônica</span></a><span style="font-weight: 400;">, é alimentado em um mundo onde falta comida para as pessoas sobreviverem.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando as nuances e as complexidades da decadência de uma sociedade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha muito bem com outra produção de Mariana Rondón, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/329817/pelo-malo-2013-um-garoto-contra-as-convencoes-e-o-machismo/"><i><span style="font-weight: 400;">Pelo Malo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), que combina o olhar para a barbárie em uma Caracas marcada pela desigualdade social e a crise econômica. E, que aos trancos e barrancos, tenta se recompor para escapar de um país distópico que está fadado à miséria e pobreza.</span></p>
<figure id="attachment_34322" aria-describedby="caption-attachment-34322" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na imagem vemos Bruno olhando através das árvores. Bruno, adolescente branco de cabelos pretos, veste uma regata branca. Ele parece estar olhando para algo atrás de duas árvores. Ao fundo é possível ver que o garoto está no meio de um matagal." width="1600" height="673" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1536x646.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34322" class="wp-caption-text">Em suas produções, Mariana Rondón busca sempre mostrar a pobreza na Venezuela (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Mariana Rondón desestabiliza a situação de uma nação inteira, assim, ele erra a mão em querer mostrar esse lado da miséria em um país que passa por acontecimentos muito complexos como a Venezuela. Além disso, à medida que a produção avança entre as cenas, a história se torna mais confusa e incoerente, escapando completamente da </span><a href="https://cineuropa.org/en/newsdetail/467717/"><span style="font-weight: 400;">lógica</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a fome pela qual os personagens passam.</span></p>
<p><a href="https://thefilmverdict.com/zafari/"><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, acima de tudo, uma obra que busca impactar o espectador ao oferecer o retrato de um país em situação de calamidade geral. Ao abordar essa temática de sociedade encurralada entre a necessidade de fuga e o peso da perda de identidade, a produção tenta colocar o público frente a frente com a precariedade vivida pelas pessoas que, ao poucos, estão envolvidas dentro de um espaço sem saída.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/zafari-critica/">Zafari: uma metáfora de fuga e desespero</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Continente e sua perturbadora sede de sangue</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 18:24:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira Continente faz parte da seção Mostra Brasil na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/continente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Continente e sua perturbadora sede de sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34255" aria-describedby="caption-attachment-34255" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-12.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos o rosto de Amanda coberto de sangue. Amanda, mulher branca com olhos e cabelos castanhos, encontra-se boquiaberta e com muito sangue ao redor de sua boca. Ao fundo da foto está escuro." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34255" class="wp-caption-text">Davi Pretto recebeu o prêmio de Melhor Direção na categoria Novos Rumos do Festival do Rio 2024 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte da seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica que aborda o colonialismo, misturando drama com horror. </span></p>
<p><span id="more-34253"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/continente-novos-rumos-festival-do-rio-2024"><span style="font-weight: 400;">Davi Pretto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuído pela Vitrine Filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">mergulha na vida de Amanda (interpretada por Olivia Torres) que está de volta ao Brasil após passar 15 longos anos morando na França com seu namorado Martin (Corentin Fila). Na trama, a jovem retorna ao país pois seu pai, Agenor, adoece e está à beira da morte, o que acarreta diversos rumores a respeito da saúde do velho fazendeiro que comanda a pequena cidade pacata sulista.</span></p>
<figure id="attachment_34254" aria-describedby="caption-attachment-34254" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png" alt="Cena do filme Continente. Na foto vemos Helô fechando um container. Helô, mulher negra de cabelos castanhos curtos, usa uma blusa azul bebê. Sua mão esquerda e o restante de seu corpo estão apoiados na porta de um grande container de metal." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34254" class="wp-caption-text">Continente apresenta uma visão colonialista do mundo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma estética ruralista que se aproxima a </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a obra de Davi Pretto carrega muito suspense e mistério, que fazem parte da construção narrativa, criando uma atmosfera de tensão e expectativa no espectador. Personificando os trabalhadores rurais através de atos vampirescos, os zumbificando e deixando à mercê de seu patrão – que explora sua mão de obra –, os moradores da pequena cidade se veem em uma posição que remete a escravidão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrepondo o peso de que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mentira corrói a alma de quem mente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a Fotografia de Luciana Baseggio adota um tom sombrio, com cores escuras e elementos filmados pela câmera que nos deixam desconfortáveis. Apesar de ter uma ótima trama, seu ritmo delibera sua atmosfera e acaba tornando-a muito lenta, o que deixa a desejar em determinados </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">do longa, abrindo abas para a falta de clareza e </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-continente-terror-rural-com-ares-vampirescos-festival-do-rio-2024-580762/"><span style="font-weight: 400;">entendimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de certos acontecimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de componentes que remetem a </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-desejo-e-obsessao-2001/"><i><span style="font-weight: 400;">Desejo e Obsessão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001) de Claire Denis, a sonoridade é o que mais chama atenção dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">. O prazer no apetite voraz dos personagens pelo sangue e o perturbador ‘acordo’ que os moradores possuem com dono da grande propriedade cumprem com seu objetivo de abordar um lado feroz e metafórico, ressaltando a crítica sobre  ‘dar o sangue pelo trabalho’ feita pelo longa.  </span></p>
<figure id="attachment_34256" aria-describedby="caption-attachment-34256" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34256" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos Amanda olhando para o horizonte. Amanda, mulher branca de cabelos castanhos, usa camisa de botão bege. Ela está olhando através de uma janela à sua esquerda. Ao fundo é possível observar o interior de sua casa." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34256" class="wp-caption-text">A produção do filme teve colaboração de cinco países (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de buscar um apelo para o lado visceral do Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta uma história um tanto </span><a href="https://conectageek.com.br/critica-continente/"><span style="font-weight: 400;">macabra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e selvagem. Em um ato metafórico e explícito que caminha entre a persistência de um sistema hierárquico e as marcas do colonialismo, o longa se sobrepõe como uma excelente produção de horror brasileira.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega um enredo profundo, em que as relações de poder são tanto elementos de conflito quanto de reflexão, ecoando as vozes do presente e do passado em um Brasil que é, ao mesmo tempo, uma </span><a href="https://enlatado.com.br/tag/davi-pretto/"><span style="font-weight: 400;">herança</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma prisão. Os símbolos e valores se rompem em um grande mar de sangue, nos deixando uma reflexão: no fim, quem suga o sangue de quem?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CONTINENTE | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7FqR9GOCFyM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Status positivo: Perlimps se emancipa em viagem sensorial</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2022 18:45:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Na floresta colorida que preenche com entusiasmo a tela de Perlimps, uma das animações mais aguardadas da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dois agentes secretos duelam por um bem em comum. Do Reino do Sol, Claé (Lorenzo Tarantelli) é uma raposa que insiste em se identificar como lobo, enquanto Bruô &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/perlimps-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Status positivo: Perlimps se emancipa em viagem sensorial"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28972" aria-describedby="caption-attachment-28972" style="width: 1919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra uma raposa e um urso crianças no escuro. A raposa laranja segura uma lanterna em direção ao seu rosto, enquanto o urso branco e preto tem luzes saindo de seus olhos, iluminando sua frente." width="1919" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1.jpg 1919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-800x338.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1536x649.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/1-1-1200x507.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28972" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Cinema de Animação de Annecy, Perlimps integra a Mostra Brasil e marca o retorno de Alê Abreu à Mostra de SP, em sua 46ª edição (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na floresta colorida que preenche com entusiasmo a tela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das animações mais aguardadas da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, dois agentes secretos duelam por um bem em comum. Do Reino do Sol, Claé (Lorenzo Tarantelli) é uma raposa que insiste em se identificar como lobo, enquanto Bruô (Giulia Benite), nascida no Reino da Lua, representa uma miscelânia selvagem, assumindo a forma de um urso com rabo de leão. À primeira vista inimigos, os bichinhos entendem que apenas com a união será possível derrotar o inimigo invisível.</span></p>
<p><span id="more-28971"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou melhor dizendo, camuflado. Para além das árvores altíssimas que escondem o império verde das flores e folhas, está assentada uma fábrica fedorenta e fumacenta, comandada por gigantes monstruosos e imbatíveis, cada vez mais próximos do coração da Mãe Natureza. Sob a direção, o roteiro, o desenho de produção e a montagem de Alê Abreu, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/perlimps-segura-a-onda-de-ser-herdeiro-de-o-menino-e-o-mundo.shtml"><span style="font-weight: 400;">mundo fantástico e imaginativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme é embasado pelas cores e pelo poder dos sons.</span></p>
<figure id="attachment_28973" aria-describedby="caption-attachment-28973" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-scaled.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra uma floresta colorida e cheia de flores brancas. Vemos 3 animais, uma águia idosa, de bengala apontando para as crianças raposa e lobo, que olham para ela. " width="2560" height="1094" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-800x342.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1024x438.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1536x657.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-2048x876.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/2-1200x513.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28973" class="wp-caption-text">Antes de se chamar Perlimps, a obra tinha o título de Viajantes do Bosque Encantado (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No departamento comandado por </span><a href="https://musicacorporal.wordpress.com/2015/11/30/entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">André Hosoi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e O Grivo, a experimentação proveniente da música é quem orienta os oitenta minutos de rodagem. Complementado a aventura, o texto de Abreu, </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/116999-perlimps-alegoria-a-um-brasil-polarizado.html"><span style="font-weight: 400;">verborrágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e intensamente presente como mapa dos bichinhos, trabalha em harmonia à maneira com que a produção extrapola o uso da luz do sol, a brisa do ar e a refrescância da água. </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps</span></i><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre a técnica da animação </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fazer quem assiste se infiltrar naquela mata sem medo de picada de mosquito ou de pisar em poças de lama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase uma década depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino e o Mundo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sua </span><a href="https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/blog/espaco-de-cinema/post/indicacao-ao-oscar-de-o-menino-e-o-mundo-e-o-ramo-de-animacao-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o cineasta retorna aos já costumeiros traços vívidos e dançantes muito mais centrado e vibrante quanto a história que quer contar e a maneira de fazê-lo. Os pequeninos e folclóricos &#8216;perlimps&#8217; que batizam o longa são o objeto de busca dos protagonistas em favor da liberdade das garras de um futuro desolado pela ganância e pelo capital. Única voz adulta em destaque do elenco, o veterano </span><a href="https://viventeandante.com/perlimps-contara-com-a-participacao-de-stenio-garcia/"><span style="font-weight: 400;">Stênio Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> desempenha o papel do sábio ancião que remexe a cabeça dos protagonistas, clareando suas ideias e some logo na sequência.</span></p>
<figure id="attachment_28974" aria-describedby="caption-attachment-28974" style="width: 1917px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1.jpg" alt="Cena do filme animado Perlimps. A cena mostra o urso e a raposa olhando para o horizonte, de costas para a imagem. A imagem tem muitos tons de amarelo e marrom, mostrando uma paisagem fosca e não nítida. " width="1917" height="819" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1.jpg 1917w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-800x342.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1024x437.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1536x656.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3-1-1200x513.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28974" class="wp-caption-text">No time de produção, vemos os nomes de Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi e Ernesto Soto Canny, enquanto lembramos da dubladora Giulia Benite pelo papel de Mônica nas obras de Daniel Rezende (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As metáforas para a guerra e o descaso com a natureza e com a vida humana bebem de fontes já consagradas na Sétima Arte, mas o que diverge </span><i><span style="font-weight: 400;">Perlimps </span></i><span style="font-weight: 400;">do óbvio é a emancipação que o longa presta ao papel de cair nos clichês. Gotas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OFINQse6xno"><i><span style="font-weight: 400;">Lucas &#8211; Um Intruso no Formigueiro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se misturam ao imaginativo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wHM5r9s5J-k"><i><span style="font-weight: 400;">Arthur e os Minimoys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além da inspiração fantasmagórica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Vivem os Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">assombrar os personagens principais à maneira de se moverem e reagirem ao nefasto mundo do homem. Por vezes distante de uma abordagem mais sisuda sobre os males que infecta e cutuca, o filme de Alê Abreu deixa a marca única de um </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">positivo, veredito repetido com entusiasmo pelas crianças-animais em seus tecnológicos </span><i><span style="font-weight: 400;">walkie-talkies</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Perlimps | Teaser oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fMOL2hvoOVE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Reimberg É impossível falar de Aquarius sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na mídia, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no Festival de Cinema mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22298" aria-describedby="caption-attachment-22298" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png" alt="Foto que compõe o pôster de “Aquarius”. Na imagem, temos Clara, a personagem de Sônia Braga, uma mulher de meia idade com a pele clara, o cabelo preso e usa uma blusa preta e cinza de manga comprida.. Clara está olhando para cima, com a cabeça inclinada para a esquerda. Ao fundo, entre ela, temos dois muros: um que parece ser um jardim vertical, à esquerda, e o outro, de concreto, à direita. A foto foi tirada de dia. " width="800" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1-768x492.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22298" class="wp-caption-text">Em seu ano de lançamento, o filme protagonizado por Sônia Braga não agradou nada os cidadãos de bem (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriela Reimberg</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/02/midia-brasileira-construiu-narrativa-novelizada-do-impeachment"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de protestar contra o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/opinion/1472650538_750062.html"><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegítimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levou Michel Temer à presidência. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Assim que Aquarius estrear no Brasil, o dever das pessoas de bem é boicotá-lo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizia uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/assim-que-aquarius-estrear-no-brasil-o-dever-das-pessoas-de-bem-e-boicota-lo-que-os-esquerdistas-garantam-a-bilheteria/"><span style="font-weight: 400;">matéria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época. Foi no berço desse borbulhante caldeirão de reacionarismo que o segundo longa de Kleber Mendonça Filho veio ao mundo. </span></p>
<p><span id="more-22296"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da recepção hostil em casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi, talvez, um dos filmes brasileiros da última década </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-121893/"><span style="font-weight: 400;">mais consagrados no exterior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com temas que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-36322435"><span style="font-weight: 400;">transpassam</span></a><span style="font-weight: 400;"> barreiras linguísticas e culturais &#8211; ora de forma pragmática -, como os abusos do capital e a desigualdade social &#8211; ora de forma subjetiva -, como a memória e os laços com o passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre angústias que afligem a todos nós.</span></p>
<figure id="attachment_22299" aria-describedby="caption-attachment-22299" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg" alt="Foto do elenco de Aquarius no Festival de Cannes. São dez pessoas, entre homens e mulheres de pele clara que, em fila indiana, sob o tapete vermelho, seguram cartazes em inglês e francês com mensagens de protesto contra o impeachment da ex presidenta Dilma Rousseff. Todos estão usando roupas formais - os homens de terno e as mulheres de vestido. A foto foi tirada de dia. " width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22299" class="wp-caption-text">Elenco de Aquarius em Cannes segura cartazes em inglês e francês que dizem: “O Brasil não é mais uma democracia”, “Nós vamos resistir”, “Um golpe de estado está acontecendo no Brasil” e “O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo” (Foto: Antonio Barros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Recife, a trama acompanha a história de Clara, representada pela fascinante </span><a href="http://artecult.com/atuacao-de-sonia-braga-e-destaque-da-revista-rolling-stones/"><span style="font-weight: 400;">Sônia Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jornalista aposentada que se recusa a sair de seu charmoso apartamento na praia de Boa Viagem, no edifício Aquarius, onde passou toda a sua juventude. Sendo a única moradora ali residente, Clara se vê pressionada pelo insistente Diego, interpretado por Humberto Carrão, representante de uma construtora que pretende tombar o prédio para empreender um condomínio de luxo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a clássica relação de vilão-herói. O personagem ambicioso de Diego personifica o </span><a href="https://www.ufjf.br/pa8/files/2015/03/7B1_ESPECULA%C3%87%C3%83O-IMOBILI%C3%81RIA.pdf"><span style="font-weight: 400;">capital especulativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, no espaço urbano, transforma tudo em concreto. Já Clara é a politizada protagonista que luta até o final para defender seus valores. Apesar do relacionamento conflituoso, entretanto, os dois pertencem à mesma classe abastada de Recife e têm muito mais em comum do que a gente imagina. Enquanto Diego não esconde sua presunção de filho herdeiro, que estudou nos Estados Unidos, Clara parece não querer pertencer a essa casta: mesmo sendo dona de cinco outros imóveis, ela insiste em morar no antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> e levar uma vida modesta. É a contradição da elite que não se enxerga como tal. </span></p>
<figure id="attachment_22300" aria-describedby="caption-attachment-22300" style="width: 1498px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg" alt="Sônia Braga em frente ao edifício Aquarius, cenário do filme que leva o mesmo nome. Ela está de braços abertos, olhando para cima, e usa uma blusa preta de mangas até o cotovelo. Novamente, ela aparece entre os dois muros - o jardim vertical e o de concreto. Atrás, podemos observar a fachada do edifício, azul celeste, com os dizeres “Edf. Aquarius” e “560”. A entrada e a porta têm formatos arredondados. " width="1498" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg 1498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1200x801.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22300" class="wp-caption-text">Sônia Braga apareceu na lista das 25 melhores atuações de 2016 pela Rolling Stones (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleber aborda de forma sutil, quase microscópica, essas relações de classe. Em uma reunião com os irmãos, Clara revira os álbuns de fotos da família e encontra um punhado de imagens em que a ex-empregada, Juvenita, aparece ao fundo, como figurante, cuidando das crianças. Ela se lembra perfeitamente de suas habilidades na cozinha, mas não de seu nome. Esse apagamento de identidade também é simbolizado na figura da atual empregada, Ladjane (Zoraide Coleto), uma senhora de idade que mora na periferia de Recife e, ao contrário da protagonista, não teve o privilégio de desfrutar de sua aposentadoria despreocupadamente. Embora o filme pinte a relação entre Ladjane e Clara como amistosa, é possível perceber que existe uma hierarquia de </span><a href="https://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2016/resumos/R52-0022-1.pdf"><span style="font-weight: 400;">patrão e empregado</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem delimitada entre as duas, causando um quê de desconforto ao telespectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que o diretor se destaca no Cinema nacional. Ao atribuir falhas tão particulares aos seus personagens, Kleber consegue denunciar as anomalias éticas da sociedade brasileira sem precisar apelar ao panfletário e ao caricato. A personagem de Sônia Braga é o puro suco dessas falhas. Ainda que ela se sobressaia por sua feminilidade e personalidade ímpares, Clara é cheia de defeitos: é chata, arrogante, inconveniente, esnobe e muito &#8211; mas muito &#8211; pedante. Mais do que isso, ela é o retrato fiel de uma </span><a href="https://michaelis.uol.com.br/busca?id=9oaPO"><span style="font-weight: 400;">pequena burguesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> metida à besta que luta contra uma forma de opressão &#8211; a especulação imobiliária -, enquanto pratica outra &#8211; a exploração por meio do trabalho doméstico. </span></p>
<figure id="attachment_22301" aria-describedby="caption-attachment-22301" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Humberto Carrão, que interpreta Diego - um homem branco com barba e bigode -, está conversando, de frente, com a personagem Clara, interpretada por Sônia Braga - uma mulher de pele clara com cabelos pretos e presos. No meio deles, temos Ladjane, a empregada doméstica de Clara, uma mulher idosa de pele clara, com cabelos grisalhos e óculos. Clara e Diego estão olhando um para o outro, de perfil, enquanto Clara é a única que olha para a câmera, com uma expressão aérea. A cena foi gravada de dia e se passa no estacionamento do edifício Aquarius, com árvores circundando todos os personagens. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22301" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Diego, Ladjane e Clara (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos conflitos subjetivos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acerta em cheio. Para quem assistiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlheaoLnewE&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o mais recente filme do diretor pernambucano, é notável o vínculo entre as tramas. A personagem de Sônia Braga é a amálgama da cidade de Bacurau: ambos resistem à tentativa de aniquilação de suas histórias. Além disso, o vínculo afetivo do ser humano com o espaço, seja ele urbano ou não, é uma temática presente nas duas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em espaço, é interessante observar como Kleber brinca com a trilha sonora, logo no início do filme. Ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/14XfK65ySuVy1SHo9Jwi1R?si=2dc22a7d04b74631"><span style="font-weight: 400;">Taiguara</span></a><span style="font-weight: 400;">, somos introduzidos à uma Recife em preto e branco, com um ar saudosista, ainda em processo de urbanização. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Trago em meu corpo as marcas do meu tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a música. É como se a cidade estivesse falando com a gente. E, de fato, a cidade é personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">: ela representa a troca do velho pelo novo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o apartamento de Clara é um ponto fora da curva. Entre discos de vinil, livros e álbuns de fotos, onde a saudade e a melancolia se emaranham docemente, o apartamento é um museu de memórias imateriais e materiais. Em um mundo cada vez mais permeado pela </span><a href="http://www.estrategiaemfoco.com.br/a-era-do-efemero-ou-da-modernidade-liquida/"><span style="font-weight: 400;">cultura do efêmero</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde o consumo excessivo e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dxbD0pUzjP0"><span style="font-weight: 400;">obsolescência programada</span></a><span style="font-weight: 400;"> reinam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca mostrar que o espaço, e os objetos, têm um valor sentimental uno &#8211; quase sacro. </span></p>
<figure id="attachment_22302" aria-describedby="caption-attachment-22302" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Clara, personagem de Sônia Braga, está sentada com as pernas cruzadas no sofá de sua sala, escrevendo em um caderno que apoia sob o colo. Dessa vez, Clara está com os cabelos soltos e usa um vestido verde. Atrás dela, temos uma estante de livros e uma mesa de canto, com um abajur ligado. Existem outros objetos ao fundo, mas estão desfocados. A cena provavelmente foi gravada à noite. A única luz que existe é a que vem do abajur, dando um ar aconchegante à sala. " width="1120" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-800x489.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-1024x626.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22302" class="wp-caption-text">“Quando você gosta, é vintage. Quando você não gosta, é velho”  (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, calma! Embora o longa aborde temas tão universais e inerentes ao ser humano, não é todo mundo que consegue digeri-lo bem. As duas horas e meia de duração, com uma fotografia pouco dinâmica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2TIX2Ycc_Vc"><span style="font-weight: 400;">diálogos arrastados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cenas de silêncio absoluto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">, para algumas pessoas, pode acabar virando aquele filme que a gente deixa rolando em segundo plano enquanto tira uma sonequinha no sofá. É preciso ter sensibilidade e capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que a obra provoca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a única conclusão certeira é que temos aqui uma saborosa história de superação. Cinco anos depois, é possível assistir ao filme e tirar as mesmas lições que qualquer outra pessoa em 2016 poderia ter feito: a especulação imobiliária é predatória, os </span><a href="https://screenanarchy.com/2016/10/new-york-2016-review-aquarius-explores-indescreet-charm-of-brazilian-bourgeoisie.html"><span style="font-weight: 400;">ricos são hipócritas</span></a><span style="font-weight: 400;">, as rugas são virtudes e a cidade é um espaço de trocas fraternas. Agora, mais importante que isso, é saber que, mesmo depois de tanta demagogia e reacionarismo, para o desgosto do cidadão de bem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu se consolidar como um clássico contemporâneo do Cinema brasileiro. Não é que o tempo realmente cura tudo? </span></p>
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		<title>As faces do Cinema do Golpe, o lado oculto da primeira presidenta do Brasil e a Alvorada de Dilma Rousseff</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2021 19:54:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A história da política brasileira é cinematográfica por si só. Quem dera tudo o que assistimos acontecer através dos telejornais diários fossem apenas loucuras roteirizadas por mentes ardilosamente férteis, e não tema de análises profundas e urgentes de diversas produções de não-ficção. Dentre todos os eventos surreais e reviravoltas cabulosas que acontecem na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alvorada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As faces do Cinema do Golpe, o lado oculto da primeira presidenta do Brasil e a Alvorada de Dilma Rousseff"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21374" aria-describedby="caption-attachment-21374" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21374 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1.jpg" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem é retangular e mostra o lado esquerdo do rosto de Dilma Rousseff. Ela é uma mulher branca, de olhos castanhos e cabelos também castanhos curtos. Dilma usa maquiagem preta no contorno dos olhos e um batom rosa cor de boca. Dilma está olhando para fora da imagem, para o lado esquerdo, com o rosto inclinado. Na diagonal direita, da metade da foto em diante, existe uma sombra escura." width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/ALVORADA_1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21374" class="wp-caption-text">Alvorada, o novo filme de Anna Muylaert e Lô Politi, registra o processo de impeachment de Dilma Rousseff de dentro do palácio presidencial (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da política brasileira é cinematográfica por si só. Quem dera tudo o que assistimos acontecer através dos telejornais diários fossem apenas loucuras roteirizadas por mentes ardilosamente férteis, e não tema de análises profundas e urgentes de diversas produções de não-ficção. Dentre todos </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,ta-dificil-competir-relembre-vezes-em-que-o-perfil-de-house-of-cards-citou-a-politica-no-brasil,70001792093"><span style="font-weight: 400;">os eventos surreais e reviravoltas cabulosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acontecem na capital do país e em seus centros políticos derivados, algo em específico perturba os corajosos que se dispõem a interpretar essa realidade maluca definitivamente deflagrada em 2016. Afinal, mesmo na terra conhecida por seus </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/so-5-presidentes-eleitos-completaram-o-mandato-nos-ultimos-90-anos/"><span style="font-weight: 400;">mandatos presidenciais inacabados</span></a><span style="font-weight: 400;">, o angu da queda de Dilma Rousseff ainda tem alguns caroços. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos olhos da produção documental brasileira, a análise do processo que tirou a </span><a href="https://www.camara.leg.br/tv/206269-dilma-rousseff-e-eleita-a-primeira-mulher-presidente-do-brasil/"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher eleita à presidência do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu exercício não é resultado de obras isoladas, mas sim o centro de todo um movimento. É o chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema do Golpe</span></i><span style="font-weight: 400;">, construído nos últimos anos através de uma série de produções que se propõem a abordar a queda de Dilma Rousseff e toda a crise social e política que a acompanha. Cinco anos e alguns filmes depois, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56724695"><span style="font-weight: 400;">a decadência do nosso ambiente democrático</span></a><span style="font-weight: 400;"> permanece deixando o melhor roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">House of Cards</span></i><span style="font-weight: 400;"> boquiaberto e mostrando que ainda existe o que se discutir sobre o início do declínio, desde seus ocasos, até a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-21373"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Anna Muylaert e Lô Politi não conserva sua riqueza metafórica à toa: dos </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2015/04/05/interna_politica,478251/analise-problemas-e-equivocos-se-acumulam-no-governo-dilma-rousseff.shtml"><span style="font-weight: 400;">primeiros sinais da era de trevas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do governo Dilma ao seu </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2015/04/05/interna_politica,478251/analise-problemas-e-equivocos-se-acumulam-no-governo-dilma-rousseff.shtml"><span style="font-weight: 400;">desfecho incandescente</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a história sob uma nova ótica, relacionando-se intimamente com outros dois documentários. Primeiro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z3rHUGdOXUs"><i><span style="font-weight: 400;">O Processo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> partiu da perspectiva da diretora <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/foco-distanciado/">Maria Augusta Ramos</a>, que acompanhava os bastidores da votação do </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas instituições democráticas</span><span style="font-weight: 400;">; depois, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-democracia-em-vertigem/"><i><span style="font-weight: 400;">Democracia em Vertigem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se voltou para as causas e efeitos da crise pela ótica da sociedade civil, na direção de <a href="https://personaunesp.com.br/tag/petra-costa/">Petra Costa</a>. Agora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> interpreta o evento por dentro da residência presidencial, testemunhando a intimidade do poder direto das entranhas do Palácio da Alvorada, e capturando as impressões da figura impenetrável de Dilma Rousseff durante o período mais atribulado de seu governo.</span></p>
<figure id="attachment_21375" aria-describedby="caption-attachment-21375" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21375 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-o-processo.png" alt="Cena do filme O Processo. A imagem mostra Dilma Rousseff no canto inferior esquerdo. Ela veste uma blusa vermelha e segura um microfone com a mão esquerda, enquanto olha para a frente e fala. Ao fundo, desfocada, existe uma imagem dela enquanto mais nova em preto e branco." width="970" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-o-processo.png 970w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-o-processo-800x491.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-o-processo-768x471.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21375" class="wp-caption-text">Cena de O Processo, que pode ser assistido no serviço de aluguel do YouTube, e em breve chegará ao catálogo da Netflix, assim como outras obras da diretora (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do tema central, a trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema do Golp</span></i><span style="font-weight: 400;">e tem outro elemento fortíssimo em comum. Quando a primeira cena de cada documentário se encerra, o título da produção surge na tela acompanhado da assinatura de suas diretoras. Coincidência que o final trágico da primeira presidenta do nosso país seja </span><a href="http://www.nonada.com.br/2021/06/trilogia-do-golpe/"><span style="font-weight: 400;">documentado por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">? Jamais. A cadeira presidencial do Brasil já viu muitos inícios, meios e fins de governos, mas nunca antes havia testemunhado </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/04/17/5-anos-do-impeachment-entenda-o-papel-do-machismo-no-processo-contra-dilma-rousseff"><span style="font-weight: 400;">o teor sexista e misógino</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte do restante do círculo político e do próprio povo para com sua liderança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da presidência de Dilma Rousseff não é leviana em sentidos políticos, muito menos sociais, e para compreender a totalidade das raízes e desdobramentos de um evento já complexo e atravessado por questões de gênero, é preciso um </span><a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,tres-diretoras-e-suas-cameras-indiscretas-pelos-corredores-do-senado,10000072599"><span style="font-weight: 400;">olhar capaz de reconhecer cada aspecto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que influencia suas ocorrências. Sem tomar esse assunto como foco principal, os três filmes compreendem que falar de Dilma Rousseff é, sobretudo, falar de uma mulher num contexto patriarcal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na proximidade narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse ponto ganha um contorno especial. A linguagem documental direta e observativa &#8211; e às vezes dialógica &#8211; cria uma capacidade de penetração única naquele ambiente completamente </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/maquina-misogina-e-o-fator-dilma-rousseff-na-politica-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">despreparado para receber uma presidenta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa noção permeia todo o filme, construída com contrastes e de forma quase melancólica, mostrando uma líder política cercada de pessoas mas ainda solitária, que vai de encontros calorosos com outras lideranças femininas à reuniões frias com seus líderes de governo, todos homens. </span></p>
<figure id="attachment_21377" aria-describedby="caption-attachment-21377" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21377 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx.png" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra a ex-presidenta Dilma Rousseff de costas, centralizada, e na frente de três homens. Dilma usa um blazer branco e caminha para a frente, e os homens que a seguem, todos brancos, vestem paletós pretos. Ela caminha em direção a uma sala com uma porta de vidro no lado esquerdo da imagem, e no lado direito, existe um painel de madeira ripado." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/xx-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21377" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada está disponível para aluguel no YouTube Filmes, Vivo Play, iTunes, Now e Google Play  </span></i>(Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de 2016 é </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/12/28/impeachment-de-dilma-rousseff-marca-ano-de-2016-no-congresso-e-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">uma encruzilhada repleta de contradições</span></a><span style="font-weight: 400;">, e qualquer obra que decide mergulhar nesse imbróglio precisa saber lidar com elas. Enfrentar ou render-se são as duas opções mais prováveis, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OxOEw04NqBQ"><span style="font-weight: 400;">a mítica terceira via diante da polarização</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao invés de brigar ou se perder entre os impasses e perder tempo perseguindo um juízo de valor na figura da ex-presidenta, o filme cria seu próprio tom e entra no ritmo dos eventos com seus contrastes narrativos, seguindo a direção conflitante da própria realidade que registra, e criando assim uma obra cheia de camadas, inteligente e perspicaz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens são </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">diretas, frias, intrusas e despojadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas suas imagens entregam significados no exato oposto: </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> é repleto de metáforas, nunca inconsequente, próximo e que cria uma relação entre o espectador e seus personagens. O cenário já é um componente importantíssimo e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/extase-critica/">arquitetura brasiliense fala por si só</a>. Os espaços, grandiosos e modernos, expressam frieza e angústia, em contraste com a intimidade que o filme busca. </span><span style="font-weight: 400;">Sem uma palavra, o documentário discursa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Muylaert e Politi aproveitam até para justificar suas escolhas ideológicas, em palavras vomitadas por justamente quem? Ele mesmo, o inominável. O próprio serve ao filme, encurta um debate inseparável e explica o </span><a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/video/veja-o-video-em-que-temer-admite-golpe-e-entenda-o-contexto/"><span style="font-weight: 400;">porque chamamos o </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Golpe</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu discurso no púlpito da votação do processo, quando ainda ocupava uma cadeira na Câmara dos Deputados ao invés de desgovernar o país, e exaltava a memória de um dos torturadores de Dilma no período da Ditadura iniciado pelo Golpe Militar. Equiparando a natureza dos eventos, ele se coloca ao lado dos que saíram ganhando com a desgraça da democracia brasileira: &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WvN7nYxbH-o"><i><span style="font-weight: 400;">perderam em 64, perderam agora em 2016</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<figure id="attachment_21378" aria-describedby="caption-attachment-21378" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21378 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5.jpg" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra a presidenta Dilma Rousseff de costas, numa mesa de reuniões repleta de pessoas. Dilma usa um blazer vermelho com desenhos pretos e olha para a frente, onde está a mesa. Todos olham para ela ao redor da mesa, onde existem vários copos de água, papéis e dispositivos eletrônicos." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21378" class="wp-caption-text">“Ele estava invocando ali a violência contra a mulher, e esse homem virou presidente do Brasil. No processo do golpe, nós, mulheres, nos vimos muito na situação” afirma Anna Muylaert em entrevista (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo contexto político complicado agravado pelo ambiente social naturalmente misógino, era de se esperar uma Dilma Rousseff </span><a href="https://portalintercom.org.br/anais/nacional2016/resumos/R11-0893-1.pdf"><span style="font-weight: 400;">enfurecida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; assim como era ilustrada na mídia &#8211; e </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/dilma-nao-se-conformam-que-eu-nao-fique-histerica-64072/"><span style="font-weight: 400;">magoada</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; assim como diziam ser uma mulher na situação em que ela estava. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que essa pessoa nunca é encontrada dentro daquela residência presidencial. Algo estranho até mesmo para a proximidade da direção de Muylaert e Politi, que interferiam vez ou outra no cotidiano da presidenta em algumas conversas diretas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Você está no eixo nessa situação &#8211; Nota uma das diretoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Não tenho a menor ideia [de como]. Nunca fui diferente disso. </span><b>Eu não desequilibro</b><span style="font-weight: 400;">. Inclusive, teve uma época em que eu me esforcei pra entender como o outro desequilibrava, porque era importante pra você não julgar ninguém. Porque as pessoas que eu gostava estavam desequilibrando. Como é que você gosta de uma pessoa que desequilibra e não julga ela? Só entendendo que é da vida, dar uma desequilibrada, não segurar a barra&#8230;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Nem na cadeia [no período da Ditadura]?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; (&#8230;) Poucas [pessoas] desequilibravam &#8211; Dilma responde.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses momentos, a seriedade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase satírica. De repente, o temperamento da ex-presidenta, sempre uma questão para o sexismo da mídia, da sociedade e da política, mostra, na verdade, que </span><a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,temperamento-de-dilma-e-fonte-de-inspiracao-imp-,817274"><span style="font-weight: 400;">não poderia ser mais apropriado</span></a><span style="font-weight: 400;">. No meio de egos enormes e homens que transformam tudo que é possível em algo sobre eles mesmos, o emocional de Dilma simplesmente não reagia à altura, separando muito definitivamente as coisas, mesmo em um dos momentos mais delicados de sua vida.</span></p>
<figure id="attachment_21379" aria-describedby="caption-attachment-21379" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21379 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira.png" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra a ex-presidenta Dilma numa sala de reuniões, conversando. Dilma, uma mulher branca de cabelos loiros escuros curtos, veste uma blusa estampada preta. Dilma está ao centro da imagem, na frente de um quadro, e fala gesticulando a mão esquerda para cima." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/elite-brasileira-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21379" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">A trilha do filme é predominante entre as obras de Villa Lobos, casando a atmosfera e significado político com os visuais da arquitetura local dramática de Oscar Niemeyer </span>(Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O equilíbrio inabalável da personagem principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> acrescenta mais uma camada ao filme, que se contenta com o fato de que</span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2021/05/22/%E2%80%98Dilma-%C3%A9-a-personagem-que-n%C3%A3o-queria-ser-personagem%E2%80%99"><span style="font-weight: 400;"> seu desejo de intimidade não será totalmente concretizado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os momentos íntimos das poucas conversas diretas com as diretoras mostram uma espontaneidade atraente e sabedoria brilhante. Mas também existe uma vibração de tensão palpável no ar, criando um contraste na persona da ex-presidenta, que externa e institucionalmente, se expressa de forma engessada, firme e distante.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um momento, ela debate Arte e História do Brasil, cita José Saramago e Guimarães Rosa. Suas amarguras e revoltas ficam de fora de todas as conversas, onde ela se ocupa em divagar sobre a figura do diabo, que para ela, é “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma criação intrigante</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E no meio da tensão, diz que não acredita no mal, porque nós somos muito frágeis para sermos maldosos, passa pela equipe de gravação e pelos profissionais da imprensa e pergunta: “</span><i><span style="font-weight: 400;">vocês ‘tão’ bem?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas conforme o processo avança, ela vai se distanciando do filme, do palácio e da presidência. Ela passa pelas câmeras coçando a cabeça, sem dizer nada, sequer olhando para o caminho. Aos poucos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha o momento em que Dilma Rousseff deixa de ser uma figura política atual e se transforma numa figura histórica, </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-afilhada-rebelde/"><span style="font-weight: 400;">menos próxima, e mais mítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sabia separar as coisas, e cada passo à frente na assimilação do fim de seu mandato é um passo atrás de seu contato próximo com o filme.</span></p>
<figure id="attachment_21380" aria-describedby="caption-attachment-21380" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21380 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4.jpg" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra a ex-presidenta Dilma Rouseff sentada num sofá, com as pernas cruzadas, conversando. Dilma, uma mulher branca, de cabelos curtos loiros escuros, usa uma camisa preta de bolinhas brancas e calça preta, e um brinco de pérola. Dilma olha para o lado direito da imagem, e ao fundo, existe um quadro e uma estante com enfeites de metal." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21380" class="wp-caption-text">A primeira vez que as diretoras interferem no documentário é quando elas perguntam como Dilma sente a câmera; a ex-presidenta responde responde que é &#8220;invasiva, e tem hora que é excessiva&#8221;, mesmo interrompendo as filmagens uma única vez, numa reunião de líderes de governo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As coisas no ecossistema presidencial, no entanto, continuam acontecendo. Então, o próprio espaço se transforma num personagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do formigamento do subsolo, o desespero no térreo e o vazio do primeiro andar, </span><a href="https://casavogue.globo.com/Arquitetura/Casas/noticia/2019/01/casa-do-presidente-veja-area-privativa-do-palacio-da-alvorada.html"><span style="font-weight: 400;">o palácio imponente que é lugar de morada e de articulação política</span></a><span style="font-weight: 400;"> é capturado pelo olhar de Muylaert e Politi como um organismo vivo, que perde seu ritmo conforme o seu coração se enfraquece. Abatido, mas imparável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o futuro do país é decidido no Senado, o Palácio aparece vazio e </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se preenche com o resultado da votação do </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;">. No total, 81 senadores votaram; 61 para o fim do mandato de Dilma Rousseff, e 20 para a permanência da presidenta. Não houve nenhuma abstenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, assistimos o caos se instaurar nas entranhas do Palácio da Alvorada. Assessores, chefes de gabinete, cozinheiras e camareiras caem no choro, mas quando a presidenta passa, todos parecem se lembrar do equilíbrio, endireitam a postura e disfarçam a linguagem corporal perdida. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gKkpe53jaPk"><span style="font-weight: 400;">O discurso dela finalmente mostra alguma rachadura</span></a><span style="font-weight: 400;">, e ela tremula ao constatar publicamente mas também para si mesma que </span><i><span style="font-weight: 400;">acabaram de derrubar a primeira mulher eleita presidenta do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_21381" aria-describedby="caption-attachment-21381" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21381 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv.png" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra uma sala do setor administrativo do Palácio da Alvorada. No lado direito da imagem, existe uma mesa de trabalho, com um computador, materiais de papelaria, um fichário e uma garrafa de água, onde uma mulher está sentada. Ela é branca, usa um jaleco branco e touca segurando os cabelos e assiste a TV ligada na parede no fundo da sala. A TV transmite o discurso de Dilma no Senado, no dia da votação de seu impeachment. Embaixo da TV, existe um armário baixo de madeira com quatro portas e ao lado um armário maior branco de duas portas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/tv-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21381" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">No entanto, as diretoras também afirmam que Dilma não restringia nada nas filmagens, e que a única condição era resguardar a privacidade de sua família </span></i>(Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Processo encerrado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se aproxima de seu fim junto dos últimos momentos do governo de Dilma Rousseff. A </span><a href="https://oglobo.globo.com/brasil/dilma-recebe-notificacao-sobre-julgamento-do-impeachment-19910525"><span style="font-weight: 400;">notificação oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega no palácio e é recebida por um assessor, mas os informantes insistem em entregá-la pessoalmente. Depois de pintar e bordar com a constituição e os preceitos democráticos, os representantes do Golpe se preocupam com o cumprimento de um suposto protocolo em que a presidenta deve assinar o documento</span> <span style="font-weight: 400;">na frente deles. Aqui, em seus últimos suspiros, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda encontra espaço para refletir sobre a própria noção de poder. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o documentário, ele é cheio de pompa, se impõe, acompanhado de protocolos e obrigações. Ele precisa se afirmar. É uma energia tão implicante e egóica que só pode ser expressivamente masculina. A mesma que transforma uma sessão de depoimentos seríssima e urgente num </span><a href="https://www.poder360.com.br/congresso/marcos-rogerio-chama-cpi-de-circo-e-aziz-responde-maior-palhaco-que-tem/"><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de horrores</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto, cinco anos atrás, a primeira presidenta do Brasil passava </span><a href="http://g1.globo.com/politica/processo-de-impeachment-de-dilma/noticia/2016/08/dilma-responde-48-senadores-apos-13-horas-de-interrogatorio.html"><span style="font-weight: 400;">horas e horas respondendo perguntas inúteis</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma legião de parlamentares que nem com as melhores respostas do mundo mudariam o curso daquela história. </span></p>
<figure id="attachment_21382" aria-describedby="caption-attachment-21382" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21382 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Alvorada. A imagem mostra Dilma Rousseff através de uma porta de vidro. Ela está caminhando, de lado, em direção ao lado direito da imagem, com pastas em baixo do braço. Atrás dela, existe uma cortina branca e à sua frente um painel de madeira ripada. No canto inferior direito, preso ao painel de madeira, existe um extintor de incêndio." width="1000" height="1060" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-755x800.jpg 755w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-966x1024.jpg 966w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-768x814.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21382" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sejamos vencedores ou não, a nossa missão é não deixar que a versão seja deles. (&#8230;) Nós disputamos isso toda hora&#8221; </span></i>(Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fim do fim assume uma leitura épica. A jornada atribulada do governo se encerra, o </span><i><span style="font-weight: 400;">frisson</span></i><span style="font-weight: 400;"> no palácio se aquieta, o nosso vínculo com a personagem histórica de Dilma Rousseff é findado e aquela noite interminável onde o Brasil pisoteou nos preceitos democráticos e se esbaldou em misoginia finalmente acabou. Os governantes seguem suas atividades, agora com um deles ocupando a cadeira presidencial; o Alvorada se reorganiza; a ex-presidenta se muda para longe do antro de ataques; e </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/03/08/dilma-brasil-tem-misogino-no-poder-e-vive-momento-tenebroso-para-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">o Brasil segue como sempre foi</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas no movimento da virada do dia, virada do governo, virada de era, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> termina de descascar as camadas dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/19/politica/1461019293_721277.html"><span style="font-weight: 400;">eventos de 2016</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que acontece na escuridão toma quase todo o filme, porque é de fato muito importante, mas a chave está no amanhecer. Quando a luz ilumina tudo o que está escondido e não permite mais a permanência de qualquer forma de disfarce. Quando ficção nenhuma importa frente à realidade. Quando as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/04/17/o-golpe-de-2016-a-porta-para-o-desastre-por-dilma-rousseff"><span style="font-weight: 400;">intenções dos atos são reveladas</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando as verdadeiras faces são expostas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para esse árduo trabalho de fuçar cada instante e lugar do sistema do Golpe, podemos confiar nas nossas cineastas. Esse ambiente não é um lugar para levianos, não é um lugar para iniciantes e não é um lugar para análises rasas. Seja no silêncio coberto do ocaso ou no brilho reluzente da alvorada, nada escapa de quem “</span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/08/29/veja-a-integra-do-discurso-de-defesa-de-dilma-no-senado"><i><span style="font-weight: 400;">não tem nada a esconder</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ALVORADA | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zJyETrosWlM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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