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	<title>Arquivos Vitor Martins &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2024 18:19:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Existir enquanto uma pessoa LGBTQIA+ é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33556" aria-describedby="caption-attachment-33556" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Um milhão de finais felizes. Na imagem há o tronco de um jovem branco, ele veste uma camiseta preta e um avental com tema de galáxia, nas cores lilás, roxo e azul pastel. Há três adereços pendurados no avental, um deles é boton de um pirata branco de cabelos castanhos, o outro um boton de pirata branco de cabelos ruivos e o terceiro um pin em formato de foguete. Um dos pulsos do jovem tem uma pulseira com as cores da bandeira lgbt, enquanto na outra mão segura um caderno de anotações. Sobre o avental está escrito “Um milhão de finais felizes” em letras pretas e logo abaixo o nome do autor “Vitor Martins”. O fundo da capa é vermelho sólido." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1.jpg 667w" sizes="(max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-33556" class="wp-caption-text">Lançado em 2018, Um milhão de finais felizes nos mostra que tudo passa (Editora Alt)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existir enquanto uma pessoa <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/">LGBTQIA+</a> é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, esse processo sempre vem acompanhado de inseguranças. Retratando esses elementos pela visão do protagonista Jonas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora isso enquanto valoriza o resultado das etapas conturbadas: a cura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de se tratar de uma espécie de ‘cura gay’, essa descoberta está ligada ao próprio ser, a restauração que acontece em nós quando percebemos que não há nada de errado em ser como somos – seja na esfera da sexualidade, na forma como reagimos à vida ou até sobre a aparência física. Por meio dos receios do personagem, o autor <a href="https://vitormartins.blog/">Vitor Martins</a> renova o fôlego de uma juventude que só quer amar e ser amada, sem sentir que o peso do mundo está prestes a desmoronar sobre os seus ombros. </span></p>
<p><span id="more-33554"></span></p>
<figure id="attachment_33557" aria-describedby="caption-attachment-33557" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg" alt="Foto do autor Vitor Martins. Vitor é um homem branco de cabelos curtos castanhos e olhos também castanhos. Ele veste uma camiseta preta e está em uma pose com os dois braços cruzados, também usa um óculos preto de armação arrendondada. Ao fundo, é possível ver a copa de uma árvore." width="650" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-832x1024.jpg 832w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-768x945.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs.jpg 975w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33557" class="wp-caption-text">Vitor Martins é conhecido por títulos que envolvem a vivência LGBTQIA+ (Foto: Vitor Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jonas é um jovem sonhador, deseja ser escritor e acredita que quase qualquer coisa pode dar um bom livro, pelo menos na esfera de seus pensamentos. Mas na hora de efetivamente escrever, trava por sentir que suas palavras não são boas o suficiente (mais uma de suas inseguranças). O reflexo é instintivo, afinal, filho de uma mãe <a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/estudo-inedito-aponta-a-raiz-da-violencia-contra-pessoas-lgbti-em-lares-cristaos/">crente fervorosa</a> e um pai que abomina qualquer comportamento distante da masculinidade excessiva, o protagonista se apequena diariamente na tentativa de sobreviver. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se o núcleo familiar fosse o único problema, já que a sua própria vivência dentro da Igreja também se mostra bem presente na maneira como ele lida consigo mesmo. A famosa <a href="https://prodiversidade.org.br/a-fe-crista-e-a-culpa-por-ser-lgbtqia/">‘culpa cristã’</a> dá as caras em seus pensamentos frequentemente, que voltam nas lembranças do quanto já se sentiu pertencente no lugar, no momento em que as coisas deixam de ser acolhedoras e no entendimento de que tudo isso é capaz de ferir os princípios morais nos quais foi inserido por anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tudo narrado na primeira pessoa, fica fácil vestir a pele de Jonas e entender os motivos por trás de cada uma de suas reações desconfiadas, que surgem até mesmo com os melhores amigos, os quais ama plenamente, mas ainda sente certa dificuldade para se abrir completamente. Nesses momentos, o limbo no qual o personagem está inserido parece ser eterno e o cansaço mental ganha altas dimensões – a ponto de até mesmo o emprego em uma cafeteria na Avenida Paulista parecer mais aconchegante que os discursos da própria mente. </span></p>
<blockquote><p>“Passo quarenta minutos escutando o pastor falar sobre o plano de Deus para as famílias. Sinto a respiração da minha mãe ficar mais pesada quando ele fala sobre como devemos sempre orar pela alma dos nossos familiares que estão fora dos caminhos do Senhor. A vida inteira eu vi minha mãe orando pela conversão do meu pai, e só hoje eu percebo que provavelmente tenha me juntado a ele nessa lista de oração.”<b></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento de ruptura para o ciclo complicado surge na barba de um certo garoto ruivo, que inspira o personagem a escrever e desperta sentimentos inéditos. Aos poucos, a descoberta ganha lar e é impossível não se apaixonar por cada detalhe de um processo muito maior do que o do amor romântico: a aceitação plena de quem se é. Conforme Jonas se abre a novas possibilidades, passa a hierarquizar as prioridades, começando por si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aumentando a confiança nas pessoas que realmente valem a pena e percebendo que o significado de família é múltiplo, coisas que pareciam permanentes se mostram voláteis e a vida deixa de ser um bicho de sete cabeças para se apresentar como é.  A trajetória agora se denomina como algo que conta com tantos problemas quanto soluções e, claro, mais de um milhão de possibilidades de ser recheada de felicidade. </span></p>
<blockquote><p><b>“</b>Logo ele, que queria sempre se diminuir e se esconder, acabara indo viver no maior lugar do mundo.<b>”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita extremamente fluida, as 352 páginas de </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/11559449/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> voam como os foguetes que decoram as paredes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rocket Café</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome do local de trabalho de Jonas. A narrativa não precisa de muitos trunfos ou elementos altamente ficcionais para se destacar, ainda mais quando a vida real de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já vem com todos os elementos de um bom enredo: drama, paixão, medo, desconfiança, amor e muito mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas linhas doces das descobertas, Vitor Martins, que também é autor de títulos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, dá um show no gênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/vermelho-branco-e-sangue-azul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e compõe aquelas leituras conforto que se tornam casa e nos ensinam que nada como um dia após o outro. Expressando da dor ao amor, o livro não é um romance, mas uma carta de amor próprio capaz de ajudar quem está em uma situação parecida a não se sentir sozinho, afinal, realmente não estamos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode ser que sejam as quase </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre piratas gays, o carinho na cabeça de gatos gordinhos, os lanches em carrinhos de rua que provavelmente nem tem alvará ou as caipirinhas em uma noite de balada cheia de luzes brilhantes, mas tudo na obra conspira para a vontade de ler mais e mais. Nas expectativas de quem não sente que cabe no mundo, ter </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> para viver parece ser uma coisa incrível. </span></p>
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		<title>A estratégia do charme merece tanto amor quanto seus protagonistas</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2022 21:38:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  “Eu não acho que felizes para sempre é uma coisa que acontece com a gente, Dev, acho que é uma coisa que a gente escolhe fazer acontecer.” Príncipes e princesas são protagonistas quando o assunto são amores perfeitos. Por baixo das coroas, os relacionamentos são fixados em sorrisos brilhantes e atitudes cavalheirescas. Isso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrategia-do-charme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A estratégia do charme merece tanto amor quanto seus protagonistas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29474" aria-describedby="caption-attachment-29474" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29474" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/img_8269.jpg" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/img_8269.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/img_8269-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/img_8269-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29474" class="wp-caption-text">A estratégia do charme foi publicado em 2022 no Brasil e é um dos livros recebidos pelo Persona na parceria com a Companhia das Letras (Foto: Paralela/Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"><i>“</i></span><span style="font-weight: 400;">Eu não acho que felizes para sempre é uma coisa que acontece com a gente, Dev, acho que é uma coisa que a gente escolhe fazer acontecer.</span><span style="font-weight: 400;"><i>”</i></span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Príncipes e princesas são protagonistas quando o assunto são amores perfeitos. Por baixo das coroas, os relacionamentos são fixados em sorrisos brilhantes e atitudes cavalheirescas. Isso é tudo o que Dev Deshpande vê aos 10 anos de idade ao assistir </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para Todo o Sempre</i></span><span style="font-weight: 400;"> na televisão da sala e se imaginar fazendo parte daquele universo mágico. O</span> <span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/keeping-up-with-the-kardashians-15-anos/">reality show</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> tem uma proposta simples: colocar várias mulheres para conquistar um príncipe e a mais sortuda ganha o casamento dos sonhos. Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>A estratégia do charme </i></span><span style="font-weight: 400;">– livro publicado sob o selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Paralela</i></span><span style="font-weight: 400;"> pela </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788584392384/a-estrategia-do-charme-sucesso-no-tiktok">Companhia das Letras</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> – os encantados perdem a pose e a verdadeira trama prova que imperial é ser de verdade. </span></p>
<p><span id="more-29467"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas se dissipam com o tempo, como aquelas ideias tomadas de inocência em que crianças imaginam um futuro como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/">astronautas</a></span><span style="font-weight: 400;"> gladiadores. No caso de Dev, a paixão pelo amor só aumentou ao longo dos anos. Por isso, o personagem resolveu que faria parte de seu programa favorito de uma maneira ou de outra. Formado em Rádio TV, ele se torna o produtor mais bem-sucedido daquele devaneio roteirizado. Enquanto ajuda mulheres a mostrarem para as câmeras seus melhores lados, sua vida passa a existir respaldada por um carisma aparentemente inabalável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais próximo de toda a montagem de câmeras, cenários e figurinos que o produtor esteja, ele não consegue enxergar tudo com clareza. Seus olhos são ingênuos, donos de uma crença tão sincera nas finalidades de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Para Todo o Sempre</i></span><span style="font-weight: 400;"> que chega a ser estressante. Para sair do transe causado por todos os passeios românticos e diálogos forçados, é necessário que uma força com nome e sobrenome se insira na história: Charlie Winshaw. O galã da nova temporada do programa surge para mostrar que os verdadeiros </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/relacionamentos/os-contos-de-fada-e-o-amor-idealizado/">contos de fadas</a></span><span style="font-weight: 400;"> têm cheiro de sabonete de aveia. </span></p>
<figure id="attachment_29470" aria-describedby="caption-attachment-29470" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-2-8.jpg" alt="Foto da autora Alison Cochrun. Alison é uma mulher branca de cabelos escuros médios. Ela usa óculos e está usando uma blusa com estampas de flores. A imagem é em preto e branco." width="434" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-29470" class="wp-caption-text">Alison Cochrun é professora de inglês do Ensino Médio e escreve histórias com protagonismo LGBTQIA+ (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em poucas páginas, a narrativa </span><span style="font-weight: 400;">– traduzida por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6w7yYTx4HdA">Vitor Martins</a></span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;">sai do enquadramento e se debruça sobre os bastidores. Charlie tem a aparência de todos os outros protagonistas do </span><span style="font-weight: 400;"><i>reality</i></span><span style="font-weight: 400;">, mas se comporta como quem está tendo uma crise de ansiedade – e está. Diante das atitudes pouco charmosas do príncipe da edição, não resta alternativa a não ser colocar Dev para orientá-lo. A aproximação prova a máxima de que é possível se apaixonar em algumas semanas. No entanto, a vida gosta de pregar peças e juntar os mocinhos é uma delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção de Charlie é um dos pontos mais interessantes do texto. A autora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.geeksout.org/2022/11/10/interview-with-author-alison-cochrun/">Alison Cochrun</a></span><span style="font-weight: 400;"> sabe delineá-lo com muita delicadeza e fazer as questões psicológicas se inserirem com a normalidade necessária. O personagem, que tem TOC e ansiedade, ganha nuances muito sinceras e tem essas questões exploradas com clareza. </span><span style="font-weight: 400;"><i>A estratégia do charme</i></span><span style="font-weight: 400;"> foge dos clichês e aproxima as figuras de uma realidade palpável na qual a saúde mental é secundarizada e ocultada por estigmas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja isso que faça o livro ganhar ares tão encantadores: os protagonistas são de verdade. Por mais atrapalhado que Char seja, fica fácil se apaixonar por ele junto a Dev. Presenciar as reações únicas, medos e inseguranças de um homem capaz de ter todas as mulheres aos seus pés desmonta os amores idealizados. O absoluto é utópico e não existem filmes da </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/">Disney</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> suficientes para mudar isso. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"><i>“</i></span><span style="font-weight: 400;">Charlie sente o som desfazendo todos os seus medos mais sombrios. – Eu tenho TOC – diz ele, antes que acabe se contendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dev apoia o cotovelo no balcão e apoia o rosto nas mãos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">– Tudo bem.</span><span style="font-weight: 400;"><i>”</i></span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">De um capítulo para outro – ou de uma nota de roteiro a outra – os dois se aproximam cada vez mais, mas há uma barreira quase sólida invadindo isso. Afinal, o programa sempre acaba com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://amaro.com/blog/br/estilo-de-vida/heteronormatividade/">um príncipe e uma princesa</a></span><span style="font-weight: 400;">, o príncipe e o produtor de bermuda cargo nunca ficariam juntos para todo o sempre. Ainda assim, nada ali é superficial e isso assusta Dev profundamente, já que ter uma pessoa que nos lê por inteiro inclui os rascunhos rabiscados, as páginas amassadas e os monólogos constrangedores.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguém condicionado a ideia de que só a perfeição merece o amor também deixa de se permitir. Acompanhar o produtor saindo do cara divertido e confiante para alguém que sequer se sente passível de ser amado dói. Não é como se isso acontecesse porque não queremos encarar os lados frágeis, na verdade o angustiante é ver o quanto a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/como-a-percepcao-da-vulnerabilidade-pode-fortalecer-o-individuo-emocionalmente/">vulnerabilidade</a></span><span style="font-weight: 400;"> é renegada. Para amar o amor, é preciso entender que sentir tem suas flores e espinhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As voltas expostas no texto antes do tal ‘felizes para sempre’ transformam os romances em algo sinceramente possível. Para além da saúde mental, são esmiuçadas problemáticas relacionadas à comunidade </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/queer-eye-6a-temp-critica/">queer</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> e a pessoas racializadas. A importância dessa representatividade não estereotipada e aberta ao diálogo é essencial, ainda mais se tratando de um livro destinado a um público jovem. Afinal, os romances de TV sempre foram brancos, héteros e cisgênero. </span></p>
<figure id="attachment_29471" aria-describedby="caption-attachment-29471" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29471" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1.jpeg" alt=" Foto da autora Alison Cochrun. Alison é uma mulher branca de cabelos castanhos médios. Ela veste uma blusa vermelha e segura uma cópia de Estratégia do charme na mão direita. Ao fundo há uma parede marrom com linhas em relevo." width="1440" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1.jpeg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1-640x800.jpeg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1-819x1024.jpeg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1-768x960.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1-1229x1536.jpeg 1229w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/imagem-3-1-1200x1500.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29471" class="wp-caption-text">Alison lançou seu segundo livro no dia 01 de novembro: Kiss Her Once for Me (Foto: Alison Cochrun)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.jeanbooknerd.com/2021/10/alison-cochrun-interview-charm-offensive.html">A estratégia do charme</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> não deixa de chamar atenção para a importância dos relacionamentos. Aqui, como na vida, a evolução depende do indivíduo, mas também das amizades e pessoas que constroem a existência do lado de fora. Jules e Parisa, as melhores amigas dos protagonistas, representam pontes de apoio, suas atitudes têm um tom de cuidado e preocupação. As histórias não tem como chegar aos seus clímax com um personagem que trabalha sozinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica de desenvolver as etapas que antecedem a rotina a dois em uma casinha aconchegante faz da leitura pouco monótona. É difícil largar </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8SyUpjF9dm0">o livro</a></span><span style="font-weight: 400;"> em um canto sem pensar em quais seriam os próximos passos. O jeito que os acontecimentos se amarram prendem a atenção com excelência e desvendar essas essências é realmente agradável. O processo encanta tanto quanto a finalidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pecado de Alison fica para as últimas páginas. Dev passa tanto tempo se escondendo que parece ter pouco para se reconstruir, e muitas de suas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/">questões</a></span><span style="font-weight: 400;"> passam batidas. Restam dilemas demais em resoluções apressadas, algo que contraria o modo como a narrativa é construída até esse ponto. A complexidade das interrogações ganha menos capítulos do que deveria e não é como se isso fosse capaz de tirar a magia da leitura, mas é decepcionante. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"><i>“– </i></span><span style="font-weight: 400;">Dev Deshpande, você gostaria de se tornar meu príncipe?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se felizes para sempre é uma escolha, então Dev escolhe para si mesmo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">– Sim.</span><span style="font-weight: 400;"><i>”</i></span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, a maior reflexão é sobre quem merece </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/">amor</a></span><span style="font-weight: 400;">. E não, amor não é um sentimento intocado reservado para homens e mulheres em carruagens bonitas. É para aqueles que se propõem a se mostrar por inteiro e permitem que alguém se encante até com piadas bobas. É para todos que enxergam no outro mais do que a parte superficial. Amor é universal: é meu, é seu e é também para moços um pouco atrapalhados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amar </span><span style="font-weight: 400;"><i>A estratégia do charme</i></span><span style="font-weight: 400;"> pode ser um pouco </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/">clichê</a></span><span style="font-weight: 400;"> e quem não gosta de ver as coisas terminando felizes pode atirar a primeira pedra. A vida nem sempre é como se lê nos livros, mas se tem algo que as pessoas podem fazer a si mesmas é entender o quanto merecem sentir. A certeza resultante é que todo o charme estava na estratégia que faz a publicação tão apaixonante. </span></p>
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