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	<title>Arquivos Violência Policial &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jul 2023 14:54:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-cordial-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Atravessando gerações, O Homem Cordial está sempre à espreita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31275" aria-describedby="caption-attachment-31275" style="width: 2154px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa durante a noite em um bar, desfocado ao fundo. No primeiro plano, vemos à esquerda um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos, vestindo uma jaqueta preta e com a mão apoiada em um balcão. Do lado esquerdo, vemos uma mulher negra de cerca de 25 anos, com cabelos escuros presos em tranças, vestindo uma jaqueta jeans. Os dois olham para frente, para algo que está fora do quadro." width="2154" height="914" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02.png 2154w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-800x339.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1024x435.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1536x652.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-2048x869.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_02-1200x509.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31275" class="wp-caption-text">A semelhança do título com o conceito sociológico do Homem Cordial não é mera coincidência (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de entender o Brasil da década de 1930, com as aspirações nacionalistas e a valorização da cultura brasileira, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda propõe a ideia do “homem cordial”. O conceito definia um cidadão movido pelo coração, afeto e pelo sentimentalismo em detrimento da razão, que extrapola o âmbito pessoal e o aplica no coletivo. Para Buarque de Holanda, essa seria a razão pela qual o brasileiro adota uma figura paternalista, familiar e passional. No entanto, é a mesma pessoa que se esconde por trás da face da cordialidade até que a hostilidade tome conta. Mais de oito décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">busca a </span><a href="https://ciceronogueira.com.br/homem-cordial-9df1a2f48ff3"><span style="font-weight: 400;">revitalização dessa ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante uma única e violenta noite em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-31269"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Aurélio (</span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/hashtag-cinema/ibere-carvalho-e-paulo-miklos-falam-sobre-o-filme-o-homem-cordial/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Miklos</span></a><span style="font-weight: 400;">) é vocalista de uma banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">que fez sucesso nos anos 1980, mas, no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro do grupo, é linchado ao entoar canções de cunho social. Mais cedo, ele havia defendido um menino negro de uma acusação de assalto, que culminou na morte de um policial. O vídeo da abordagem viralizou e, de um lado, o artista é rechaçado pelo público, em defesa do suposto agente da lei. Do lado contrário, o menor de idade está desaparecido e não recebe a mesma comoção. Nas próximas horas, o personagem de Miklos enfrenta a pressão social, o radicalismo, a dor da família do garoto e, ele mesmo, a violência policial.</span></p>
<figure id="attachment_31271" aria-describedby="caption-attachment-31271" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31271" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. Ao centro da imagem, vemos Aurélio do peito para cima durante um show. Ele é um homem branco, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos. Ela usa uma camiseta branca e está suado enquanto canta em um microfone. Vemos uma bateria desfocada atrás dele." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_16-1200x501.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31271" class="wp-caption-text">O longa estreou em 2019 no Cairo International Film Festival e chegou aos cinemas brasileiros em maio de 2023 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">foi mais uma das obras brasileiras que sofreu com o </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/cinema-brasileiro-desejado-ou-rejeitado/"><span style="font-weight: 400;">atraso no lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: o filme estreou em 2019, mas só alcançou as telas nacionais em 2023. À época, o extremismo que permeava o país, fruto da recente eleição de Jair Bolsonaro, normalizava a barbárie e o ódio, sobretudo nas redes sociais. Afinal, é a partir de um vídeo viral na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que Aurélio se torna o novo alvo de um grupo radical, que fará de tudo para culpabilizá-lo por ter o mínimo de humanidade diante da injustiça social.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, o </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/a-ira-dos-bolsonaristas-nao-poupa-nem-os-influenciadores-da-direita/"><span style="font-weight: 400;">linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto ao cantor quanto à vítima, é o ponto de partida. A ação é simbólica em externalizar o ódio e preconceito (antes) contido e que, no governo passado, ganhava tons de normalidade em prol de uma falsa proteção à pátria e aos valores tradicionais. A situação em que o menino é repetidamente hostilizado acontece justamente em um bairro de classe média alta de São Paulo, onde sua presença é vista como ameaçadora. Ali, ele é culpado até que se prove o contrário &#8211; e nem assim.</span></p>
<figure id="attachment_31273" aria-describedby="caption-attachment-31273" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem é uma avenida vazio durante a noite. Do lado esquerdo, em segundo plano, vemos um carro amarelo com os faróis ligados. Ao centro, em um primeiro plano, vemos uma pessoa com jaqueta vermelha e capacete preto dirigindo uma moto, como se estivesse sendo perseguida pelo carro." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_10-1200x503.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31273" class="wp-caption-text">Os roteiristas contaram que o filme estava praticamente pronto, mas jogaram o roteiro fora e começaram do zero após ataques contra o cantor Chico Buarque em um restaurante no Rio de Janeiro, em 2015 (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tivesse sido lançado no ano em que estreou, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">assumiria um tom de urgência ao retratar uma parcela da sociedade que se sentia confortável com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive encorajada a usá-la como meio e fim &#8211; e tendo o </span><a href="https://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">aval das autoridades</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazê-la. Quatro anos e uma eleição depois, a história escrita pelo sociólogo e diretor Iberê Carvalho e pelo cineasta Pablo Stoll permanece relevante de ser discutida (com os ecos da eleição de 2018 e do que a seguiu, nunca deixará de ser), mas perde parte do seu impacto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resultado esse que, com o lançamento em seu devido ano, seria potencializado pela condução frenética da obra, já que horas de uma única noite são suficientes para </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/08/world/americas/brazil-election-protests-bolsonaro.html?unlocked_article_code=Iap5HJeAXfc5QEjc1a60YQadCauvMeMb30GFcRXvKyqdlJesf4hxjd6Zr_5gAZXYub8NHHOk0MgVqxWBFhWk_d--TYHt7afjSmzUEo8J3FAYmX_hYBN9jamnGa49XALvdwEINhLx-Ho_F9-FHpLycHrIthmD8XTZUA-HrJ_SBsINGiMuZGRTrGoHKBG9Q3f0j3LZy4VJaWzmvLgzbetQOIyxu6TM62T45kjbLKiqNWBmnt2JpVnyGJHKEPNfR3U5VEvshy1am-UkXu_-kbx5O_7efzCUSrd_pg4XeyBWzniX3bP0bPBvfXYUsuZi4rjO2ZjQ_sb_7KGl-9kQdRrcP19Te5fzVVT2yCWQh_xzK8k_9DB6"><span style="font-weight: 400;">levar a situação ao extremo</span></a><span style="font-weight: 400;">. No decorrer da trama, Aurélio vai de um artista bem-sucedido em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de reencontro a perder contratos e ser seguido por civis enraivecidos, defensores de uma autoridade criminosa. Quando uma jornalista o aborda para saber do paradeiro do menino desaparecido, ele se envolve na investigação jornalística e passa a, ele mesmo, ser alvo da polícia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele do ator e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cabeca-dinossauro-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Titã</span></a><span style="font-weight: 400;"> Paulo Miklos, o musicista surge como uma tela em branco. As informações acerca de seu passado e do envolvimento com o acontecido vêm aos poucos, e somos inseridos na caoticidade junto do cantor &#8211; exceto que ele sabe do que tudo se trata. Com a breve contextualização, a atenção é dividida entre acompanhar o rumo do artista durante aquela noite e se situar no próprio espaço e tempo, uma vez que, durante a primeira metade do filme, a frenética câmera na mão de Pablo Baião nunca tira os olhos do personagem.</span></p>
<figure id="attachment_31272" aria-describedby="caption-attachment-31272" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31272" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa no que aparenta ser uma praça, durante a noite. Do lado esquerdo, vemos uma mulher de perfil. Ela é negra, tem os cabelos presos em uma trança e aparenta ter cerca de 25 anos. Ela encara um homem que está à direita do quadro. Também de perfil, ele é branco, aparenta ter cerca de 50 anos, tem cabelo castanho curto e barba grisalha." width="1920" height="807" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_12-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31272" class="wp-caption-text">O trabalho da Dandara de Morais como a jornalista Helena é um destaques da atuação junto de Paulo Miklos (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Experiente, Miklos não coloca o carro na frente dos bois, em uma performance reconhecida como Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado. O ator sabe como a banda toca e, mesmo com o desenvolvimento desordenado de seu protagonista, dá espaço suficiente para a trama prevalecer. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">é menos sobre Aurélio e mais sobre o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/04/18/erika-hilton-sao-paulo-vive-crise-humanitaria-sob-gestao-de-tarcisio-e-ricardo-nunes"><span style="font-weight: 400;">contexto social</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a própria cidade de </span><a href="https://g1.globo.com/globonews/conexao-globonews/video/padre-julio-lancellotti-situacao-da-populacao-de-rua-e-uma-crise-humanitaria-em-sao-paulo-10235483.ghtml"><span style="font-weight: 400;">São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, segundo o próprio diretor, é uma dos personagens principais da história: a metrópole que nunca dorme está sempre de olho no que todos fazem e é impossível fugir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir do envolvimento com a família e a comunidade do menino desaparecido que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">aprofunda a relação com o </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/protagonista-de-o-homem-cordial-paulo-miklos-reforca-que-toda-arte-e-politica"><span style="font-weight: 400;">presente da época</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inicialmente uma narrativa sobre discursos de ódio e como as redes sociais criam um ambiente propício para a violência, que passa a se materializar na vida real, os roteiristas se viram obrigados a tratar também sobre o racismo, já que a normalização da barbárie tem impactos diferentes de acordo com o grupo étnico-racial e social.</span></p>
<figure id="attachment_31276" aria-describedby="caption-attachment-31276" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31276" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A imagem se passa em um ambiente de uma casa. À esquerda, vemos um homem branco, aparentando ter cerca de 50 anos, com cabelo castanho e barba grisalha, vestindo uma jaqueta preta e camiseta branca em pé e com a mão apoiada em uma mesa. Ele olha para o jovem ao centro da imagem, um homem de cerca de 25 anos, vestindo uma camisa e touca e que mexe em um laptop. À direita, uma mulher também encara o computador. Ela é negra, aparenta ter cerca de 25 anos, tem cabelos pretos presos em tranças e veste uma jaqueta jeans." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_28_Foto-de-Marcello-Vitorino-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31276" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, O Homem Cordial também levou o troféu de Trilha Musical (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Paulo Miklos, eles optam pela perspectiva de um homem branco. Por um lado, a escolha permite que nos coloquemos como espectadores da violência e não o alvo dela. Para os realizadores, aqui a intenção é discutir qual o papel da branquitude na luta antirracista, ponto no qual </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">sucede: apesar da perseguição inicial, o linchamento de Aurélio após sair em defesa do menino vira o foco, enquanto a dor e dúvida da família quanto ao paradeiro do garoto não ganha nenhuma atenção. É só ao cutucar a </span><a href="https://ponte.org/somos-o-legado-de-marielle-afirma-angela-davis-icone-do-feminismo-negro-e-da-luta-antirracista/"><span style="font-weight: 400;">impunidade da força policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante a investigação jornalística que o musicista entra na mira das autoridades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o personagem de Béstia (Thaíde), um velho amigo do protagonista, lembra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o mundo visto pelos olhos de branco devem ser lindos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Afinal, Aurélio só se envolve com o caso depois de muita insistência e da perturbação de sua própria paz. O trunfo do diretor se apoia em justamente admitir que não entende a </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva do outro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, no final das contas, realmente vê o mundo por trás de seus privilégios até que estes são abalados, sem pretensão de equiparar a falta de sossego com a dor de uma família. </span></p>
<figure id="attachment_31274" aria-describedby="caption-attachment-31274" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg" alt="Cena do filme O Homem Cordial. A cena se passa a noite e os personagens no quadro estão contra a luz de um automóvel, desfocado em segundo plano. Do lado esquerdo, vemos dos ombros para cima um homem branco careca, aparentando cerca de 50 anos. Ao centro, vemos uma arma encostada no pescoço do personagem à direita, um homem branco de cerca de 50 anos, com cabelos e barba grisalhos." width="1920" height="809" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-768x324.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1536x647.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/O-HOMEM-CORDIAL_07-1200x506.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31274" class="wp-caption-text">O “cordial” do conceito de Buarque de Holanda vem do latim Cordis, que significa coração (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sérgio Buarque de Holanda propôs a ideia do homem cordial em 1936. Quase uma década depois, a observação do conceito na prática soa pertinente &#8211; afinal, o filme partiu do </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/chico-buarque-bate-boca-com-jovens-em-frente-a-restaurante-no-rio-de-janeiro"><span style="font-weight: 400;">episódio de linchamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do seu descente direto, </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inegavelmente a obra foi prejudicada pela dinâmica de lançamento, que já submeteu outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">produções brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> à mesma condição e chegou sem o senso de urgência que a própria história almeja. No final, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Cordial </span></i><span style="font-weight: 400;">soa como um estudo de anos passados, mas também como um alerta: não nos livramos de nada e a parcela da sociedade que normaliza a selvageria está sempre à espreita.</span></p>
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		<title>Dois Estranhos diz “basta”</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2021 18:47:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Eric Garner, Breonna Taylor, George Floyd. Diga o nome deles. Quase um ano depois do assassinato de George Floyd, o ex-policial Derek Chauvin foi declarado culpado pelo júri popular. Exceção, claro, já que pouquíssimos agentes da polícia estadunidense são processados por matar alguém durante uma ação de trabalho. A decisão histórica calhou de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dois-estranhos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dois Estranhos diz “basta”"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20201" aria-describedby="caption-attachment-20201" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20201 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Eyn00A4XIAUleUF.jpg" alt="Foto retangular que mostra um homem de pé. Joey Badass está à esquerda da imagem. Ele é um homem negro de 26 anos, possui cabelos curtos, crespos e pretos, usa uma calça preta, tênis brancos e uma jaqueta amarela. Sua mão esquerda está no bolso na jaqueta e ele posa com o queixo levantado. Joey está na frente de uma parede levemente amarelada onde podemos ver a frase NO JUSTICE pichada em vermelho." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Eyn00A4XIAUleUF.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Eyn00A4XIAUleUF-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Eyn00A4XIAUleUF-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Eyn00A4XIAUleUF-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20201" class="wp-caption-text">Joey Bada$$ deslanchou na carreira de ator e protagoniza o curta-metragem indicado ao Oscar 2021 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2019/07/17/policial-acusado-de-asfixiar-afro-americano-eric-garner-nao-sera-denunciado.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Eric Garner</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024044"><i><span style="font-weight: 400;">Breonna Taylor</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52868252"><i><span style="font-weight: 400;">George Floyd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Diga o nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">Quase um ano depois do assassinato de George Floyd, o ex-policial Derek Chauvin foi </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/two-distant-strangers-filmmaker-says-chauvin-verdict-represents-step-in-the-right-direction"><span style="font-weight: 400;">declarado culpado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo júri popular. </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/21/condenacao-de-policial-por-assassinato-de-george-floyd-nos-eua-e-excecao-poucos-agentes-chegam-a-ser-processados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Exceção</span></a><span style="font-weight: 400;">, claro, já que pouquíssimos agentes da polícia estadunidense são processados por matar alguém durante uma ação de trabalho. A decisão histórica calhou de acontecer alguns dias antes da cerimônia do </span><a href="https://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-56813176"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/oscar-dois-estranhos-mostra-que-pretos-sao-alvos-nao-importa-o-que/180851/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que denuncia a violência sofrida pela população negra, está cotado como o favorito para levar a estatueta para casa.</span></p>
<p><span id="more-20198"></span></p>
<p><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/michelle-cusseaux"><i><span style="font-weight: 400;">Michelle Cusseaux</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.theguardian.com/us-news/2015/jun/05/black-women-police-killing-tanisha-anderson"><i><span style="font-weight: 400;">Tanisha Anderson</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/tamir-rice"><i><span style="font-weight: 400;">Tamir Rice</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Lembre-se do nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">O uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">loopings</span></i><span style="font-weight: 400;"> em produções audiovisuais é comum &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/palm-springs-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Palm Springs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte Te Dá Parabéns</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Feitiço do Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">são só alguns exemplos -, mas o peso do trabalho de </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2021/04/travon-free-two-distant-strangers-director-oscars"><span style="font-weight: 400;">Travon Free</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Martin Desmond Roe é singular. Escrito por Free, mas dirigido pela dupla, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em tela a forma sádica e agressiva com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">agentes da lei</span></i><span style="font-weight: 400;"> tratam pessoas negras nos Estados Unidos, através de um personagem que revive seu assassinato todos os dias pelas mãos do mesmo policial branco.  </span></p>
<figure id="attachment_20200" aria-describedby="caption-attachment-20200" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20200 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website.jpg" alt="Cena do curta Dois Estranhos. Dois homens se encaram de perfil. À esquerda está Joey Badass, um homem negro de 26 anos que usa óculos, uma jaqueta amarela e blusa branca por baixo. Joey segura um cigarro na mão direita e está com sua mochila aberta nas mãos. À direita está Andrew Howard, um homem branco de 51 anos que usa uniforme policial - roupa e quepe azul escuro com símbolos da polícia de Nova Iorque. Ao fundo, o cenário é urbano e há um poste de luz no meio dos dois personagens." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/TWO-DISTANT-STRANGERS-website-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20200" class="wp-caption-text">Até 2020, apenas 6 dos 452 indicados a Melhor Direção na história do Oscar foram negros; nenhum deles levou o prêmio (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/natasha-mckenna"><i><span style="font-weight: 400;">Natasha McKenna</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/walter-scott"><i><span style="font-weight: 400;">Walter Scott</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/bettie-jones"><i><span style="font-weight: 400;">Bettie Jones</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Diga o nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">O artista gráfico Carter James, interpretado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i> <a href="https://www.dn.pt/cultura/joey-badass-na-ericeira-o-rapper-que-aos-17-anos-recusou-contrato-com-jay-z-9565514.html"><span style="font-weight: 400;">Joey Bada$$</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenta voltar para casa e para seu cachorro após passar uma noite com Perri (Zaria Simone). A tarefa seria simples se não fosse pela cor de sua pele. No primeiro encontro com o policial Merk, vivido por Andrew Howard, Carter vira imediatamente um suspeito por… fumar? Trombar em outro cara? O motivo não importa, é claro. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/dois-estranhos-mostra-que-pretos-sao-alvos-nao-importa-o-que-facam.shtml"><span style="font-weight: 400;">Independente do que faça</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; fugir, conversar, ficar parado, não sair do apartamento &#8211; o resultado é sempre o mesmo: Carter é assassinado de forma brutal.</span></p>
<p><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/philando-castile"><i><span style="font-weight: 400;">Philando Castile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/botham-jean"><i><span style="font-weight: 400;">Botham Jean</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://exhibits.stanford.edu/saytheirnames/feature/atatiana-jefferson"><i><span style="font-weight: 400;">Atatiana Jefferson</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Lembre-se do nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">A repetição do acontecimento no curta foi só uma forma de Travon Free ilustrar a chacina do povo negro que ele vê diariamente na televisão. </span><a href="https://www.africanews.com/2021/03/10/two-distant-strangers-short-film-is-yet-another-reminder-of-blm/"><i><span style="font-weight: 400;">“O que você assiste em 28 minutos, nós vivemos todos os dias”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, explica o diretor e roteirista, que escreveu </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos </span></i><span style="font-weight: 400;">em apenas cinco dias. O resultado é explicitamente doloroso, mas possui um forte apelo empático na tentativa de chamar atenção para a profundidade do problema da </span><i><span style="font-weight: 400;">“terra da liberdade”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://abc7news.com/vallejo-shooting-police-richmond-off-suty-officer/5690838/"><i><span style="font-weight: 400;">Eric Reason</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/06/17/ex-policial-que-matou-a-tiros-rayshard-brooks-recebe-11-acusacoes-nos-eua-incluindo-homicidio-culposo.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Rayshard Brooks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.latimes.com/local/lanow/la-me-ln-ezell-ford-no-charges-20170124-story.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ezell Ford</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Diga o nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">Sagaz ao extremo, </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/behind-the-scenes-of-new-short-film-two-distant-strangers-about-police-killings-in-america"><i><span style="font-weight: 400;">Two Distant Strangers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no original, ainda reforça a natureza de seu vilão ao brincar com a ingenuidade do espectador, que quase cai no papinho amigável dentro da viatura que Merk tenta estabelecer com Carter. No entanto, Travon Free e Martin Desmond Roe entendem que não há como humanizar a figura truculenta da força policial estadunidense e, assim, enfatizam ainda mais o sadismo de seu personagem ao dispararem os últimos tiros que vemos na tela.</span></p>
<figure id="attachment_20199" aria-describedby="caption-attachment-20199" style="width: 1047px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20199 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed.jpg" alt="A foto é quadrada. Seis pessoas posam nela. Da esquerda para direita: Lawrence Bender, um homem branco e adulto usa calça jeans, blusa azul e óculos na gola. Ele sorri e tem os braços cruzados; Andrew Howard, um homem branco de 51 anos, está sentado e usa um uniforme policial. Suas mãos estão apoiadas noas coxas; Travon Free é um homem negro de 36 anos que usa blusa preta dos Goonies e calça preta. Ele está de pé, com os braços cruzados e a perna direita apoiada na parede. Ele usa boné azul escuro; Martin Desmond Roe é um homem branco de meia idade. Ele usa um conjunto de moletom jaqueta e shorts preto com pequenos padrões em branco. Seus braços estão cruzados e ele apoia a perna direita na parede; Joey Badass é um homem negro de 26 anos. Ele está sentado em uma cadeira, usa blusa branca, jaqueta amarela e calça preta. Suas mãos estão no colo; Zaria Simone é uma mulher negra e jovem; Ela usa uma regata branca e calça branca. Seu cabelo é comprido e preta e ela sorri, com a mão esquerda apoiada na cintura." width="1047" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed.jpg 1047w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Screen-Shot-2021-01-13-at-3.49.00-PM-copy-EMBED-2021-1611001914-compressed-768x769.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20199" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: o produtor Lawrence Bender, Andrew Howard, Travon Free, Martin Desmond Roe, Joey Bada$$ e Zaria Simone (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.thecut.com/2021/02/the-killing-of-elijah-mcclain-everything-we-know.html"><i><span style="font-weight: 400;">Elijah McClain</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://rvamag.com/politics/seeking-justice-for-dominique-clayton.html"><i><span style="font-weight: 400;">Dominique Clayton</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/15/policial-acusada-de-homicidio-culposo-de-daunte-wright-paga-us-100-mil-de-fianca-e-sai-da-prisao.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Daunte Wright</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Lembre-se do nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">O curta rendeu não só uma indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a equipe em </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/ticiano-osorio/noticia/2021/04/curtas-indicados-ao-oscar-sao-imperdiveis-saiba-onde-assistir-cknoyduoc006l016upzs4fktt.html"><span style="font-weight: 400;">Melhor Curta-Metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;"> como também a radiante etiqueta de </span><i><span style="font-weight: 400;">favorito</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao carequinha, disputando com o palestino </span><i><span style="font-weight: 400;">The Present</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o estadunidense </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-letter-room-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Letter Room</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Manifesto direto do movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção salpica, no fim das contas, uma pitada de esperança na trajetória de Carter James, que se mostra pronto para enfrentar mais cem tentativas a fim de voltar para casa e ver seu cachorro Jeter. </span></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/09/23/entenda-como-foi-a-morte-da-menina-agatha-no-complexo-do-alemao-zona-norte-do-rio.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Ágatha Félix</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/caso-joao-pedro-mattos-o-menino-negro-que-foi-morto-durante-uma-operacao-policial.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">João Pedro Mattos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://ponte.org/morre-adolescente-baleado-em-acao-da-pm-em-baile-funk-na-favela-alba-zona-sul-de-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Kauan Alves de Almeida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. Diga o nome deles. </span></i><span style="font-weight: 400;">O ciclo de violência da obra de Travon Free, infelizmente, ainda não foi quebrado. No Brasil, oito em cada dez mortos pela polícia são negros, refletindo a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/04/em-seis-areas-a-desigualdade-racial-no-brasil-e-nos-eua.htm"><span style="font-weight: 400;">sociedade racista</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que pessoas pretas são alvo de bala e seus assassinos </span><a href="https://almapreta.com/sessao/quilombo/raca-e-genero-pesam-na-impunidade-dos-policiais-responsaveis-pela-morte-de-breonna-taylor"><span style="font-weight: 400;">saem impune</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> Disponível na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-dois-estranhos-netflix-182635/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> lista e lamenta seus mortos. O fictício Carter estava tentando encontrar seu cachorro. George estava indo no mercado. Breonna estava dentro de sua casa. <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-12/90-dias-sem-resposta-sobre-os-tres-meninos-desaparecidos-de-belford-roxo.html">Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique</a> ainda estão desaparecidos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lembre-se do nome deles</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O ódio que você semeia: uma história sobre o preço de ser preto hoje em dia </title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2021 14:57:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Kayane Cavalcante  Em um mundo que rotula as pessoas, que as faz se sentirem estranhas, mal vistas e menosprezadas por serem quem são, levantar sua voz e usá-la como uma arma é um ato de coragem. Nesse contexto, o livro O ódio que você semeia, da magnífica autora afro-americana Angie Thomas, me deu uma lição &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-odio-que-voce-semeia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O ódio que você semeia: uma história sobre o preço de ser preto hoje em dia "</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19398" aria-describedby="caption-attachment-19398" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19398 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO.jpg" alt="Fotografia do livro O ódio que você semeia, em formato brochura e com a capa na cor branca com a atriz Amandla Stenberg na capa, segurando um cartaz com o título do livro. Amanda é uma mulher negra, com cabelos pretos e longos, ela veste um moletom vermelho, uma calça escura e tênis brancos. Ao lado do livro, há uma xícara de café e flores vermelhas ao lado; é possível ver a lombada de outro livro, com o título A Hora da Virada." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/FOTO-DO-LIVRO-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19398" class="wp-caption-text">Angie Thomas inspirou-se em <a href="https://www.terra.com.br/noticias/mundo/estados-unidos/julgamento-de-assassinato-decepciona-familiares-da-vitima-nos-eua,89eb27721cfea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html">Oscar Grant</a> para criar o personagem Khalil; ele era um negro de 22 anos, assassinado a tiros no Ano Novo, em 2009, por um policial de trânsito de Oakland (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Kayane Cavalcante </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo que rotula as pessoas, que as faz se sentirem estranhas, mal vistas e menosprezadas por serem quem são, levantar sua voz e usá-la como uma arma é um ato de coragem. Nesse contexto, o livro</span><i><span style="font-weight: 400;"> O ódio que você semeia</span></i><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://angiethomas.com/about/"><span style="font-weight: 400;">magnífica autora afro-americana Angie Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">, me deu uma lição que vou levar pelo resto da minha miserável vida de leitora, que é: minha voz é importante e não devo permitir que alguém tente me silenciar, pois quando nos calamos permitimos que um ciclo de injustiças criado pela sociedade elitizada continue e evolua. Assim, quando vamos às ruas em manifestações e escrevemos </span><i><span style="font-weight: 400;">tweets </span></i><span style="font-weight: 400;">cobrando pelos nossos direitos como seres humanos,  estamos quebrando esse ciclo preconceituoso que já dura séculos.</span></p>
<p><span id="more-19381"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, os assuntos polêmicos abordados de maneira intensa e honesta nesta obra  fazem com que o leitor se sinta desconfortável, mas é uma sensação boa, conforme o estimado </span><a href="https://www.ebiografia.com/franz_kafka/"><span style="font-weight: 400;">escritor Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;"> afirmou: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós”</span></i><span style="font-weight: 400;">. De fato</span><i><span style="font-weight: 400;">, O ódio que você semeia</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai te fazer chorar de raiva diante de tantas injustiças que lhe são apresentadas, é como se fosse um verdadeiro tapa na cara para fazer com que quem o leia olhe para o seu redor e preste atenção no quanto uma pessoa pode ser julgada pela cor de sua pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As vidas das pessoas pretas nas Américas são marcadas pela tragédia. Desde o início, a história do nosso país possui uma cicatriz feia e vergonhosa, somos o legado de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/alem-do-tronco-10-metodos-atrozes-utilizados-nos-engenhos-escravistas.phtml"><span style="font-weight: 400;">atos horrorosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra os povos que foram julgados como os sem almas e os selvagens  pelo homem branco. Os povos africanos foram escravizados, torturados, tiveram sua identidade apagada, sua liberdade arrancada e sua voz silenciada para trazer riqueza para os brancos. A grande nação que é o Brasil foi construída sob o barulho do chicote nas costas de um preto. Contudo, infelizmente, não aprendemos que todos nós somos iguais independente da cor da pele. Você já viu </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/06/06/pretos-e-pardos-sao-78percent-dos-mortos-em-acoes-policiais-no-rj-em-2019-e-o-negro-que-sofre-essa-inseguranca-diz-mae-de-agatha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">quantos pretos morreram pelas mãos da polícia só hoje?</span></a><span style="font-weight: 400;"> Isso porque foram confundidos como bandidos ou pelo cabo de uma escova ter sido semelhante ao de uma arma, como aconteceu com o personagem Khalil. </span></p>
<figure id="attachment_19384" aria-describedby="caption-attachment-19384" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-1-1.jpg" alt="Foto de Khalil sendo abordado pelo Policial. Ele esta virado para seu carro, um impala cinza com os faróis ligados, enquanto o Guarda branco com seu uniforme o revista." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-1-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-1-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-2-1-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19384" class="wp-caption-text">“Às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O ódio que você semeia</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz conteúdos que precisam ser discutidos em escolas, faculdades e na mesa do almoço de domingo com toda a sua família presente, pois são tão necessários quanto respirar. Se trata de falar sobre a dignidade humana, o racismo estrutural, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">brutalidade policial</span></a><span style="font-weight: 400;">, casais inter-raciais, desigualdade social e, o principal, a voz, a importância de nós jovens não termos nossa fala silenciada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">best-selle</span></i><span style="font-weight: 400;">r apresenta a jornada de Starr Carter, uma adolescente afro-americana moradora da periferia Garden Heights, nos Estados Unidos, que presenciou o assassinato de Khalil, seu melhor amigo de infância, que foi alvejado com três tiros nas costas estando desarmado. A heroína da história foi ensinada pelos pais a não ter medo da polícia, mas que ela deveria ficar atenta a, por exemplo, fazer com que suas mãos estejam à vista. Esse é um dos fatores mais marcantes no decorrer do livro, pois mostra-se como um paradoxo, já que, teoricamente, a segurança pública foi feita para proteger os cidadãos como um todo, mas, na verdade, parece que foi produzida apenas para proteger a elite branca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo após a tragédia, Carter se vê no dilema de falar sobre a injustiça feita contra seu amigo, pois a polícia tenta calá-la e distorcer o ocorrido, fazendo com que, com a ajuda da mídia, Khalil fosse visto como mais um traficante de drogas. Fora da ficção, a vítima ser difamada pela imprensa é </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/09/24/caso-breonna-taylor-o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-a-mulher-negra-morta-nos-eua"><span style="font-weight: 400;">algo muito recorrente nos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a autora aborda de maneira fiel esse problema. Os telejornais da história expõem o garoto como o culpado do crime, destacando sobre a sua origem ser de um bairro perigoso e carente, reconstruindo sua imagem como um jovem arrogante que agiu de maneira agressiva com um guarda honesto, e, consequentemente, alteram de forma estratégica a narrativa do delito, fazendo com que o super-herói fosse o assassino, dando ênfase na ideia nefasta de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/11/para-57-dos-brasileiros-bandido-bom-e-bandido-morto-diz-datafolha.html"><i><span style="font-weight: 400;">bandido bom é bandido morto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19382" aria-describedby="caption-attachment-19382" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3.jpg" alt="" width="1440" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/imagem-3-3-1200x670.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19382" class="wp-caption-text">Em 2018, o livro O ódio que você semeia foi adaptado para os cinemas por George Tillman Jr, protagonizado por Amandla Stenberg no papel de Starr Carter (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Starr se movimenta entre dois mundos: o bairro pobre onde mora e a escola “de brancos” onde estuda. Nessa linha tênue entre ambos lados, existe uma certa harmonia que a própria jovem tenta equilibrar, em que vive duas vidas dentro de uma. Ela não pode ser totalmente negra no seu colégio porque não se encaixa, e não é negra o suficiente para o bairro onde mora. Essas mudanças de ambientes da personagem mostram ao leitor o quanto a sociedade é estereotipada, pois cada comunidade tem seu modo de vida, estilo de roupas que usam e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-grammy-2021/"><span style="font-weight: 400;">músicas que escutam</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a protagonista enxerga que o jeito que os seres humanos se segregam é muito errado, e só serve para que mais preconceitos surjam em ambas as partes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto positivo sobre a obra literária é a profundidade dos personagens, todos são bem desenvolvidos e Starr é uma das protagonistas mais fortes que já tive o prazer de ler sobre, no decorrer da história vemos como ela amadurece e sua criticidade é criada de maneira chocante e surreal. Ela é uma jovem com um passado traumático e que se divide em dois mundos, que não tem nada além da voz como sua espada para enfrentar os dragões do cotidiano. Isso mostra aos jovens leitores o quanto eles podem fazer para mudar a condição de vida dos mais injustiçados, a diferença entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequenos-incendios-por-toda-parte-critica/"><span style="font-weight: 400;">a família rica e a pobre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e assuntos tão problemáticos pelo ponto de vista de uma adolescente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Starr Carter desafiou todos os seus obstáculos e inseguranças e testemunhou contra o policial branco que matou seu amigo, mas a decisão final foi apenas a ignorância da justiça dos Estados Unidos, a resposta foi um silêncio contido, como se a vida do jovem garoto não fosse nada. A ira inebriante da nossa heroína foi demais, ao ponto dela ir às ruas e gritar na manifestação pela vida perdida do seu amigo, porque ela importa, a vida dos pretos importa. Todos nós somos um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52868252"><span style="font-weight: 400;">George Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi sufocado desumanamente por um policial, ou então um </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-05-19/jovem-de-14-anos-e-morto-durante-acao-policial-no-rio-e-familia-fica-horas-sem-saber-seu-paradeiro.html"><span style="font-weight: 400;">João Pedro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de apenas 14 anos que foi assassinado dentro de sua própria casa pela polícia.</span></p>
<figure id="attachment_19386" aria-describedby="caption-attachment-19386" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia.jpeg" alt="O livro esta em um fundo branco sobreposto a colagens de: uma rosa de E.V.A vermelha, um recorte da frase &quot;black lives matter&quot;, uma figurinha de algemas e também uma figura de um boneco deitado representando uma vitima do racismo estrutural." width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia-300x225.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia-1024x768.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia-768x576.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia-1536x1152.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/O-odio-que-voce-semeia-1200x900.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19386" class="wp-caption-text">“Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre as relações da Starr na sua vida de “dois mundos”, como a própria Hannah Montana, as amigas de escola vão ganhando destaque importante no decorrer da história, principalmente Maya e Hailey, fazendo com que fique de forma real e concreta com a situação da protagonista. Entretanto, se quiser um somatório de tudo que há de desprezível em uma pessoa, junte </span><i><span style="font-weight: 400;">all lives matter,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">&#8220;nem todo homem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> racismo reverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma personagem e você tem a Hailey, ela é insuportável. Já Chris, o namorado fofo, vive algumas realizações importantes com ela &#8211; a relação entre os dois tem alguns receios, uma vez que Starr tem muitas hesitações a respeito da cor de suas peles, do julgamento alheio, do que seu pai e as outras pessoas pensarão ao ver um garoto branco com uma garota negra, foi um par romântico bem trabalhado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A respeito da interação da família de Starr, o apoio que eles dão à ela é lindo e fundamental, em minha opinião eles dão vida ao livro, tornando ele dinâmico e meio cômico. Maverick, o pai, um ex-presidiário que busca todo dia fazer o melhor para sua família; Lisa, a mãe, que trabalha dobrado para cuidar da família e da sua comunidade; Seven, o irmão mais velho, que se preocupa com todo mundo e quer proteger a todos além da sua capacidade; até mesmo Sekani (me apaixonei por ele), o caçula, com sua fome pelos holofotes e alívio em todo tensão por sua ingenuidade.</span></p>
<figure id="attachment_19383" aria-describedby="caption-attachment-19383" style="width: 1668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th.jpg" alt="Foto de Angie Thomas sorridente e de blusa com estampa de onça pintada segurando o seu livro &quot;O ódio que você semeia&quot; de capa branca e maleável. A Fotografia foi feita em um ambiente com cores neutras para destacar a escritora." width="1668" height="1668" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th.jpg 1668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/angie-th-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19383" class="wp-caption-text">A escritora Angie Thomas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um fato curioso sobre o título do livro é o seu real significado. A obra em sua versão original se chama </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hate U Give</span></i><b>,</b><span style="font-weight: 400;"> no qual suas iniciais formam THUG (tradução literal: bandido), que veio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RhPoFhWaoUc"><span style="font-weight: 400;">uma letra escrita pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2PAC (Tupac Shakur), em que sua frase inteira é</span> <i><span style="font-weight: 400;">The Hate U Give Little Infants Fucks Everyone</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Ódio que você dá a pequenas crianças f*de com todo mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">), ou o famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">THUG LIFE</span></i> <span style="font-weight: 400;">(vida de bandido). Essa frase é uma crítica contra o racismo, que afeta crianças negras e as levam a seguir uma vida criminosa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O ódio que você semeia</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe </span></i><span style="font-weight: 400;">ativista incrível. Livros que discorrem sobre críticas sociais e direitos humanos eram queimados porque desafiavam a autoridade dos governos, pois os ditadores sabiam que a pessoa que lê, que interpreta, que é um ser politicamente consciente é uma arma para os políticos. A educação muda tudo, faz a revolução, desafiando o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e inovando. Em suma, foi uma aventura comovente e impactante, a linguagem é feita de forma simples e direta, fazendo com que o livro fique quase que ilustrativo. É o romance de estreia de Angie Thomas e </span><a href="https://www.record.com.br/o-odio-que-voce-semeia-de-angie-thomas/#:~:text=Seu%20livro%20de%20estreia%2C%20O,na%20semana%20do%20seu%20lan%C3%A7amento."><span style="font-weight: 400;">foi o primeiro a vencer o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Walter Dean Meyers Grant</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015, na categoria</span><i><span style="font-weight: 400;"> We Need Diverse Books </span></i><span style="font-weight: 400;">e alcançou o primeiro lugar na lista do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times. </span></i><span style="font-weight: 400;">Foi uma honra ler o seu livro, Angie. </span></p>
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