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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O pesadelo feminino toma forma em The Royal Hotel</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 20:22:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger Um bar fuleiro, na fronteira de uma remota cidade mineradora no deserto australiano, com a população majoritariamente masculina. Essa é a ambientação de The Royal Hotel. Não tem espíritos possessivos nem psicopatas mascarados, mas é um cenário para um filme de terror tão assustador quanto, senão mais. Pergunte a qualquer mulher. A diretora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-royal-hotel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O pesadelo feminino toma forma em The Royal Hotel"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31887" aria-describedby="caption-attachment-31887" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Da esquerda para direita, Liv (Jessica Henwick) abraça por trás Hanna (Julia Garner) e descansa a cabeça em seu ombro. As amigas estão em uma sacada, olhando para o lado de fora." width="1200" height="735" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-800x490.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-1024x627.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-3-768x470.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31887" class="wp-caption-text">Kitty Green colabora novamente com Julia Garner, estrela do seu filme anterior, A Assistente (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um bar fuleiro, na fronteira de uma remota cidade mineradora no deserto australiano, com a população majoritariamente masculina. Essa é a ambientação de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Royal Hotel</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Não tem espíritos possessivos nem psicopatas mascarados, mas é um cenário para um filme de terror tão assustador quanto, senão mais. Pergunte a qualquer mulher. A diretora </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kitty Green</span></a><span style="font-weight: 400;"> aperfeiçoa o pesadelo feminino, comunicando eficientemente a sensação de ser observada como um pedaço de carne fresca, em meio a predadores famintos. O suspense se constrói sobre aquilo que é desconfortável, sinistro e, assustadoramente, familiar. </span></p>
<p><span id="more-31886"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vocês terão que estar ok com um pouco de atenção masculina</span></i><span style="font-weight: 400;">”. As personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/inventando-anna-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/punho-de-ferro-serie/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Henwick</span></a><span style="font-weight: 400;"> são avisadas antes de seguir para o local do seu emprego de férias, após o dinheiro das amigas acabar no meio do seu mochilão pela Austrália. Lá, elas se veem diante do que é verdade para muitas mulheres em ambientes de trabalho: são forçadas a engolir seco e escutar as piadas machistas, os assédios e insinuações, os olhares e o comportamento bêbado desagradável. Elas são orientadas a sorrir mais, para não afastar os clientes. Green constrói representações fiéis das micro-agressões que acompanham a opressão estrutural e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31889" aria-describedby="caption-attachment-31889" style="width: 841px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31889" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Da esquerda para a direita, Matty (Toby Wallace) e Billy (Hugo Weaving) estão sentados em frente ao balcão do bar, olhando para e conversando com Liv, que está atrás do balcão" width="841" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.png 841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3-768x510.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31889" class="wp-caption-text">A inspiração para o roteiro veio do documentário Hotel Coolgardie, de Pete Gleeson, que acompanha duas amigas mochileiras trabalhando em um bar no Outback Australiano (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos muito pouco sobre a dupla central. Elas comentam que procuraram o lugar mais afastado possível de onde vieram, mentem ser do Canadá e parecem querer deixar algo para trás. O roteiro de Green e </span><a href="https://www.nziff.co.nz/2009/archive/van-diemens-land/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Redding</span></a><span style="font-weight: 400;"> não oferece uma janela para as motivações e intenções das protagonistas, ao invés disso, elas servem como avatares para a experiência feminina generalizada. Apesar desse elemento empobrecer o enredo, dificultando a conexão do público com as personagens, Garner e Henwick entregam performances sinceras e intensas, que ajudam a adicionar a profundidade que falta aos papéis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2017-10-26/royal-hotels-why-are-so-many-pubs-named-curious-central-west/9068572"><span style="font-weight: 400;">Royal Hotel</span></a><span style="font-weight: 400;">, como é chamado o bar, tem seus fregueses habituais. A cada cerveja que as garotas servem sobre a bancada, presenciamos as interações sempre um pouco incômodas. A paisagem da porta para fora é um horizonte vasto que parece infinito, mas lá dentro o ar é claustrofóbico. A câmera espelha a perspectiva de Hanna durante toda a trama, colocando o espectador no mesmo estado mental de constante alerta da personagem, necessário para se manter segura. A atmosfera indica perigo, mas tudo parece normal. Ela é levada a questionar o tempo inteiro se está exagerando, ou imaginando coisas onde não tem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A progressão do desconforto ao medo e, eventualmente, à violência é realizada com maestria. A tensão vai aumentando conforme fica mais certo que algo ruim está prestes a acontecer. As garotas se veem cada vez mais sozinhas, contra a cidade, contra o sistema, contra a cultura. O filme </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/10/the-royal-hotel-julia-garner-shot-list-awards-insider"><span style="font-weight: 400;">subverte o terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sabe brincar com os seus elementos. Caminhando para a conclusão, a direção de Green e a cinematografia de Michael Latham incorporam mais recursos clássicos do gênero.</span></p>
<figure id="attachment_31888" aria-describedby="caption-attachment-31888" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31888" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.png" alt="Cena do filme The Royal Hotel. Close no rosto de Hanna. Ela tem sangue escorrendo do lado direito do seu rosto e está olhando o isqueiro aceso que segura próximo ao rosto.]" width="500" height="281" /><figcaption id="caption-attachment-31888" class="wp-caption-text">O filme chegou ao Festival Internacional de Cinema de Toronto, após uma primeira exibição no Festival de Cinema de Telluride (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a construção da narrativa em torno do gradual acúmulo de tensão pede uma resolução que finalmente compense isso. Porém, o que recebemos é um sentimento frustrado de: é isso? O filme não entrega o final catártico que antecipa, nem se compromete com a decepção intencional de uma dura mensagem pessimista &#8211; à la </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A última cena é o cerne da obra e é tão deslocada do restante que é quase cômica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse caso, o desfecho compromete todo o enredo. É como se caminhássemos com aquelas personagens durante toda a duração de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Royal Hotel</span></i><span style="font-weight: 400;">, para não chegarmos a lugar nenhum. É evidente que Green </span><a href="https://youtu.be/v00d-9AYEKc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">tem o que dizer</span></a><span style="font-weight: 400;">. A diretora faz um comentário pertinente sobre a vivência feminina e a cultura do estupro, mas, ao final de tudo, falta coesão narrativa que justifique o tempo de uma hora e meia para passar essa mensagem. </span></p>
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