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	<title>Arquivos Twin Peaks &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Uma década da viagem inesquecível para a mitológica e misteriosa Gravity Falls</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 15:44:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Não há tempo mais mágico do que as férias escolares. Nesse período, podemos conhecer novas pessoas, formar amizades e laços duradouros, sejam com amigos ou familiares, aprender novas atividades e conhecer o mundo. Essa é, com certeza, a época mais agradável para uma criança. Gravity Falls, série que completa 10 anos em 2022, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gravity-falls-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década da viagem inesquecível para a mitológica e misteriosa Gravity Falls"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28114" aria-describedby="caption-attachment-28114" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Tem quatro pessoas na imagem, Da direita para a esquerda aparece Stanley, um homem idoso, brnco, com cabelos grisalhos, olhos pretos e barba grisalha, ele usa um óculos quadrado, um chapéu marrom, uma camisa branca e um colete salva-vidas azul e verde. Ele segura um livro vermelho nas mãos. Ao seu lado aparece Mabel, uma menina, branca, ela tem cabelos longos e castanhos, olhos pretos e usa aparelho nos dentes, ela usa um chapéu escrito “Mabel”, uma blusa rosa, um colete salva-vidas amarelo e uma saia azul. Ela sorri. Do seu lado tem Soos, um homem adulto e branco, ele tem olhos pretos, usa um boné marrom, uma camiseta verde, um colete salva-vidas amarelo e um shorts bege, ele está falando e gesticulando. Soos abraça Dipper. Dipper é um menino, branco, ele tem cabelos castanhos e olhos pretos, ele usa um chapéu bege com seu nome, uma camiseta laranja, um colete salva-vidas amarelo, um shorts verde e tênis preto. Todos estão num barco." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28114" class="wp-caption-text">A sensação aconchego que a família Pines traz é tão boa que é fácil se sentir parte dela (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há tempo mais mágico do que as férias escolares. Nesse período, podemos conhecer novas pessoas, formar amizades e laços duradouros, sejam com amigos ou familiares, aprender novas atividades e conhecer o mundo. Essa é, com certeza, a época mais agradável para uma criança. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E_4M5adKJMA"><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série que completa 10 anos em 2022, nos faz recordar com carinho das férias escolares no mesmo momento que adentra em uma grande investigação cativante. </span></p>
<p><span id="more-28113"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, os irmãos </span><a href="https://gravityfallsbr.fandom.com/pt-br/wiki/Dipper_Pines"><span style="font-weight: 400;">Dipper</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Jason Ritter) e </span><a href="https://gravityfallsbr.fandom.com/pt-br/wiki/Mabel_Pines"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kristen Schaal) vão passar as férias de verão numa cidade chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;">, local onde mora seu tio-avô Stanley (Alex Hirsch), um homem picareta que chefia a Cabana do Mistério, uma loja que lucra em cima das lendas locais. O que pode parecer entediante se torna muito mais interessante quando os irmãos encontram o diário perdido de um homem relatando que todos os mitos da região são reais e podem ser perigosos, e essa descoberta fará os protagonistas entrarem numa grande conspiração. </span></p>
<figure id="attachment_28115" aria-describedby="caption-attachment-28115" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há uma pessoa e uma criatura na imagem. Na direita aparece Dipper, ele usa um boné branco e azul com a estampa de um pinheiro, ele veste uma camiseta laranja e um colete salva-vidas amarelo. Ele segura uma câmera fotográfica com as mãos. Atrás dele, aparece o monstro do lago, um réptil com pescoço alongado e barbatanas no pescoço, em sua boca tem quatro dentes grandes e seus olhos são amarelados. No fundo tem pinheiros." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28115" class="wp-caption-text">Diversas lendas do mundo real recebem uma nova roupagem na animação (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa das férias escolares é muito utilizada em séries animadas, tanto que há exemplos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rDcXnrHyB_c"><i><span style="font-weight: 400;">Phineas e Ferb</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I2-8ZWTBUco"><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo de Greg</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que também usam desse ponto de partida. Porém, o diferencial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a gradativa expansão dos mistérios que rondam a cidade e os personagens. Essa trama começa simples, e aos poucos se torna tão complexa que é impossível o espectador não teorizar sobre o que está acontecendo em tela. Algo parecido ocorre com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pm_i-EgDSZ4"><i><span style="font-weight: 400;">Hora de Aventura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que possui uma mitologia pós-apocalíptica, mas mascarada pela trama infantil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais divertido do desenho é que ele convida o espectador para participar da investigação, pois os segredos do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0E42cnd-T5U"><span style="font-weight: 400;">diário</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão sendo descobertos junto com Dipper e Mabel. No entanto, esse é apenas o terceiro diário, e há mais dois que estão perdidos. O próprio livro contém segredos, como linguagens antigas, runas, tinta que só aparece na luz negra, entre outros detalhes.</span></p>
<figure id="attachment_28116" aria-describedby="caption-attachment-28116" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há três pessoas na imagem. Da esquerda para a direita aparece Mabel, ela usa uma blusa laranja e uma tiara laranja. Do seu lado está Stanley, ele usa um terno preto e uma camisa branca, em sua cabeça tem uma chéchia com a estampa de um peixe. Os dois estão comemorando. No canto esquerdo aparece o mago, ele é albino, tem uma barba branca longa e olhos pretos, ele usa um manto azul e um turbante preto com uma pedra azul no centro. Eles olham para uma pequena vila cheia de orcs desmaiados." width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28116" class="wp-caption-text">Cada episódio apresenta uma aventura única, que sempre leva a caminhos inusitados e inesperados (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O interessante é que essa </span><a href="https://eoh.com.br/7-motivos-para-se-encantar-com-o-mundo-misterioso-de-gravity-falls/"><span style="font-weight: 400;">busca por respostas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cativa aos poucos, e ao final ela se torna compensatória. A trama sobre os livros é muito complexa e envolve diversos personagens da cidade, além de ser uma ameaça gigantesca a todo o planeta. Logo, essa jornada, além de gostosa de acompanhar, é ameaçadora e perigosa, dando um peso muito maior às ações dos personagens.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, não existe somente essa narrativa. Cada episódio tem seu próprio mistério e sua aventura, tornando cada momento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> algo gostoso de se ver. Em todo capítulo, o criador </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Alex_Hirsch"><span style="font-weight: 400;">Alex Hirsch</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõe situações inusitadas e que se relacionam com algum mito ou história do mundo real, criando situações malucas e criativas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo genial que o desenho possui é que, além de seus mistérios durante a história, a própria animação carrega seus segredos. Todo episódio possui </span><a href="https://gravityfallsmisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Lista_de_Criptogramas/Epis%C3%B3dios"><span style="font-weight: 400;">criptogramas</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolos e palavras escondidas que remetem a algo da história ou fazem referência ao mundo real, e estão ali simplesmente para serem decifrados pelo público. Até mesmo a icônica abertura da animação apresenta alguns presságios do que acontecerá durante toda a série.    </span></p>
<p><figure id="attachment_28117" aria-describedby="caption-attachment-28117" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. No centro da imagem aparece um robô gigante. O robô é igual ao personagem Gideão.Um menino baixo, branco, de cabelo branco em um topete alto. O robô tem olhos amarelos, manchas vermelhas na bochecha e veste um terno azul, com uma camisa preta e uma gravata branca. No peito do robô aparece a bandeira dos Estados Unidos. O robô está correndo. No fundo tem pinheiros. " width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28117" class="wp-caption-text">Gideão (Thurop Van Orman) foi um grande vilão da história, sendo uma forte ameaça aos protagonistas [Foto: Disney]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Como uma animação infantil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui muito </span><a href="https://thenexus.one/gravity-falls-as-frases-mais-engracadas-de-cada-protagonista"><span style="font-weight: 400;">humor</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão bem feito que pode facilmente arrancar gargalhadas de adultos e crianças ao mesmo tempo e na mesma medida. A intenção de Hirsch foi criar uma série animada que conquistasse todos os públicos, e por causa da infinidade de possibilidades que a animação carrega, é possível criar situações hilárias e inusitadas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das loucuras e mistérios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem da sua influência: o seriado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zwn9ou_nf-I"><i><span style="font-weight: 400;">Twin Peaks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criado por </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/david-lynch/"><span style="font-weight: 400;">David Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos noventa. É possível ver essa referência em vários episódios, pois a equipe de animação recria diversos cenários e momentos da série precursora. Além disso, o nome dos protagonistas remetem ao título desse programa, afinal eles são os irmãos Pines, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Twin Pines</span></i><span style="font-weight: 400;"> no original, e até mesmo Lynch foi chamado para dublar o vilão Bill Cipher, mas acabou recusando a proposta.</span></p>
<figure id="attachment_28118" aria-describedby="caption-attachment-28118" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28118" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há uma pessoa no centro da imagem aparecendo de corpo inteiro. Essa pessoa é o monstro do Summerween. Ele é alto, suas mãos e seu rosto são pretos, no lugar do seu rosto tem um emoji sorrindo. Ele usa um chapéu marrom, e um terno marrom, seu sapato é preto. Ele está iluminado por um poste em uma rua residencial deserta e escura." width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28118" class="wp-caption-text">Mesmo com a abordagem infantil, Gravity Falls é capaz de criar inimigos e cenas muito macabras (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do carisma da série animada vem de seus personagens, que conquistam o coração do público logo nas primeiras cenas. </span><a href="https://www.amazon.com/Gravity-Falls-Misterio-Diversao-Portugues/dp/8550303968"><span style="font-weight: 400;">Dipper e Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;"> são protagonistas incríveis, muito diferentes entre si, mas que se complementam perfeitamente, e o carinho que eles têm um pelo outro é palpável e lindo de se observar. Também é incrível que ambos crescem muito com o passar dos capítulos, e, ao final do seriado, são pessoas novas e que mudaram por causa dessas experiências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dipper é um menino estudioso e que adora quebra-cabeças, por isso os segredos do diário o intrigam tanto, porém, por mais que ele queira parecer maduro, ele ainda precisa lidar com muitas situações amorosas e que vão ensinar lições de amor e amizade, provando a qualidade de seu arco. Já Mabel é o coração do seriado, com suas atitudes emotivas e carinhosas, ela cria laços de amizade muito verdadeiros, e ensina sobre empatia e sobre o amor em si. Uma </span><a href="https://www.aficionados.com.br/curiosidades-gravity-falls/"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> interessante é que os protagonistas foram inspirados no criador e em sua própria irmã. </span></p>
<figure id="attachment_28119" aria-describedby="caption-attachment-28119" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28119" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Há duas pessoas na imagem. Na esquerda tem um lutador, ele é homem adulto, branco, com cabelos loiros e olhos pretos, ele usa uma faixa vermelha, um tapa olho no olho esquerdo, faixas brancas no antebraço, uma faixa vermelha na cintura e uma calça azul. O desenho dele é formato de pixel art. Na direita, aparece Dipper, ele usa um boné branco e azul com um desenho de um pinheiro, uma camiseta rosa, um colete azul, um shorts bege e um tênis preto. No fundo tem uma cozinha." width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28119" class="wp-caption-text">Em alguns episódios, os animadores conseguem sair da “caixinha” e misturar o traço da série com outros estilos de animação (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Stanley_Pines"><span style="font-weight: 400;">tio-avô Stanley</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos personagens mais divertidos, carismáticos e enigmáticos do desenho, tanto por ele ser protagonista de vários mistérios quanto por possuir uma personalidade única. Suas atitudes trambiqueiras rendem situações muito divertidas e caóticas, e o carinho que ele possui por Dipper e a Mabel é muito verdadeiro. Ele acaba funcionando como uma figura paterna para ambos, ensinando e estando presente quando eles mais precisam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há outros coadjuvantes que ganham muito destaque durante o seriado, como </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Soos_Ramirez"><span style="font-weight: 400;">Soos Ramirez</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alex Hirsch), que, embora pareça um personagem bobo, tem muito carinho por todos ao seu redor, além de ganhar um episódio próprio que é muito dramático. </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Wendy_Corduroy"><span style="font-weight: 400;">Wendy Corduroy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Linda Cardellini</span><span style="font-weight: 400;">) é outra coadjuvante que rouba a cena. Ela vem de uma família muito peculiar de lenhadores e tem uma relação bacana com Dipper, auxiliando no arco desse personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os personagens de maior destaque, há o vilão da série, </span><a href="https://umveraodemisterios.fandom.com/pt-br/wiki/Bill_Cipher"><span style="font-weight: 400;">Bill Cipher</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Alex Hirsch</span><span style="font-weight: 400;">). Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito peculiar: uma pirâmide com um olho central, usando cartola e bengala. Pode parecer extremamente inofensivo, mas que, magistralmente, o desenho usa deformidades da animação para torná-lo ameaçador. Além disso, seus poderes e voz demonstram uma imponência grande, causando medo tanto nos personagens quanto no espectador. </span></p>
<figure id="attachment_28120" aria-describedby="caption-attachment-28120" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7.jpg" alt="Imagem da série animada Gravity Falls. Tem uma pessoa e uma criatura na imagem. Na esquerda aparece Bill Cipher, uma pirâmide amarela com braços e pernas pretas, um grande olho no centro, ele usa uma cartola preta e uma gravata borboleta preta. Na direita tem Stanley, ele usa uma chéchia vermelha com a estampa de um peixe, uma regata branca, um shorts verde e chinelos pretos. Ele está sentado em uma poltrona amarela. O fundo está cheio de chamas azuis, Bill está assustado. " width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28120" class="wp-caption-text">Bill é um vilão tão icônico que logo se tornou reconhecido e já pode ser alçado como um dos melhores antagonistas dos desenhos animados (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro toque mágico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é que o desenho possui mais uma dezena de personagens que são carismáticos e únicos, fazendo com que a cidade pareça muito viva, com seus vários habitantes. O seriado aproveita esses personagens para incluir diversas participações especiais na dublagem, como </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/neil-degrasse-tyson/"><span style="font-weight: 400;">Neil deGrasse Tyson</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-60344/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Nathan Fillon</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-32799/"><span style="font-weight: 400;">J.K. Simmons</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><span style="font-weight: 400;">Mark Hamill</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos dos fatores que fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> um desenho tão bacana é o fato da cidade-título ser tão rica de lendas, histórias, personagens e localidades, e o mais legal é que parte da culpa da sua riqueza narrativa vem de uma </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-fatos-e-curiosidades-sobre-gravity-falls.html"><span style="font-weight: 400;">inspiração na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hirsch, quando criança, passava suas férias de verão na cidade de </span><span style="font-weight: 400;">Boring </span><span style="font-weight: 400;">(entediante, na tradução do inglês), no </span><span style="font-weight: 400;">Oregon</span><span style="font-weight: 400;">, e esse local serviu de base para construir o povoado visto e explorado no desenho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comemorando 10 anos de sua estreia em 2012, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gravity Falls</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um desenho cheio de coração e criatividade, elaborando um mistério magistral ao mesmo tempo que desenvolve seus personagens e relações. Essa aventura é tão gostosa que, assim como o Dipper e a Mabel, nos perdemos no tempo e nas histórias daquela cidadezinha. Quando chega a hora de dizer adeus, a despedida é muito triste, mas fica a sensação agradável de que aquela viagem foi inesquecível e que não seremos os mesmos novamente. </span></p>
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		<title>Twin Peaks: 30 anos de um universo onde as corujas não são o que parecem</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2020 15:45:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Em 1990, o mundo queria saber: quem matou Laura Palmer? Criada por Mark Frost e David Lynch, Twin Peaks foi um dos maiores marcos da televisão mundial. A série se passa em uma cidadezinha pacata que fica na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, onde ocorreu o terrível assassinato de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Twin Peaks: 30 anos de um universo onde as corujas não são o que parecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16169" aria-describedby="caption-attachment-16169" style="width: 961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16169 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1.jpg" alt="" width="961" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1.jpg 961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16169" class="wp-caption-text">Letreiro da cidade em que se passa a história (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p>Em 1990, o mundo queria saber: quem matou Laura Palmer? Criada por Mark Frost e David Lynch, <i>Twin Peaks</i> foi um dos maiores marcos da televisão mundial. A série se passa em uma cidadezinha pacata que fica na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, onde ocorreu o terrível assassinato de uma estudante, Laura Palmer (Sheryl Lee). O episódio piloto começa com o morador local Pete Matell (Jack Nance) saindo para pescar e encontrando o corpo da jovem envolto em plástico às margens do lago. Em decorrência do assassinato, o agente nada convencional do <em>FBI</em>, Dale Cooper (Kyle MacLachlan), vai a Twin Peaks para investigar o caso.</p>
<p><span id="more-16168"></span></p>
<p>A trama da série se desenvolve de maneira sensorial e única para os padrões televisivos da época. A partir do primeiro contato com <i>Twin Peaks </i>já é perceptível a complexidade dos personagens, como Nadine Hurley (Wendy Robie), que é obcecada pelas cortinas da sala, e Margaret Lanterman (Catherine E. Coulson), andando sempre com um tronco que possui respostas para diversos segredos. A narrativa se desenvolve de modo surrealista e, com isso, acabou pegando os telespectadores da época de calças curtas, já que estes não esperavam algo daquela magnitude.</p>
<p>A construção do clima delirante de <i>Twin Peaks</i> ocorre desde o início com a abertura. A trilha sonora da série, composta por Angelo Badalamenti, traz melodias lentas e sombrias que casam perfeitamente com a narrativa alucinante. A faixa <i>Falling</i>, por exemplo, interpretada pela cantora Julee Cruise, coloca ritmo à agonia de Laura que não suportava mais se atormentada pelo espírito Bob quando a música diz “<i>Don&#8217;t let yourself be hurt this time</i>” (“Não deixe que você se machuque dessa vez”).</p>
<figure id="attachment_16170" aria-describedby="caption-attachment-16170" style="width: 592px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2.jpg" alt="" width="592" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2.jpg 592w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 592px) 85vw, 592px" /><figcaption id="caption-attachment-16170" class="wp-caption-text">Cooper sonha com o Black Lodge (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A história apresenta seu primeiro momento surreal quando Cooper sonha que está em um ambiente com chão de padrão branco e preto e com cortinas vermelhas, que mais tarde viria a ser chamado de <i>Black Lodge</i>. No local, ele encontra um anão de terno vermelho e uma moça que se parece com Laura Palmer. Nesse ambiente louco, em que as falas dos personagens são ao contrário e desconexas, a jovem sussurra no ouvido de Cooper a identidade do assassino de Laura Palmer. Ao acordar, o agente do <em>FBI</em> esquece quem cometeu o crime, mas compartilha com seus companheiros da polícia, que passam, desse modo, a investigar o caso de forma inusitada.</p>
<p>Em sua primeira temporada <i>Twin Peaks</i> apresenta seu lado sombrio e misterioso, intensificado pela fotografia e pela trilha sonora da série. O roteiro se balanceia com certos momentos de humor, ressaltando a complexidade da história. Além disso, um recurso muito utilizado por Lynch e Frost é o <a href="https://hqscomcafe.com.br/index.php/2018/02/20/o-que-e-cliffhanger/"><i>cliffhanger</i></a>, e, desse modo, os criadores da narrativa conseguiram prender seus telespectadores para a segunda temporada.</p>
<p>O desenrolar da trama se desenvolve como uma narrativa <i>nonsense </i>em que a realidade e os sonhos se misturam. O auge da série ocorre quando finalmente o assassino de Laura Palmer é revelado, na metade da segunda temporada. No entanto, após a revelação surpreendente, a história toma um rumo monótono focado no cotidiano dos moradores de Twin Peaks. Esse fator causou uma queda abrupta na audiência, que não tinha mais um grande mistério nas mãos. Por outro lado, outras figuras como Denise Bryson (David Duchovny) e Windom Earle (Kenneth Welsh), que surgiram com o fim da trama principal, contribuíram para o decorrer da história.</p>
<figure id="attachment_16171" aria-describedby="caption-attachment-16171" style="width: 622px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3.jpg" alt="" width="622" height="415" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3.jpg 622w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16171" class="wp-caption-text">Cena do diálogo de Laura Palmer com Cooper no fim da segunda temporada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Embora Lynch e Frost tenham arrastado a história durante a segunda temporada após revelar quem matou Laura Palmer, a trama oferece ótimos momentos misteriosos e surrealistas. Um marco da série, por exemplo, foi quando Cooper entra no <i>Black Lodge </i>durante o último episódio. A cena rendeu grande espetáculo para a teledramaturgia, com jogos de luzes, suspense e várias falas marcantes. Uma delas foi a impactante<em> “eu vejo você de novo em 25 anos”</em>, dita por Laura para o agente do <em>FBI</em>.</p>
<p>Nesse meio de tempo, foi lançado o filme <a href="https://www.planocritico.com/critica-twin-peaks-os-ultimos-dias-de-laura-palmer/"><i>Twin Peaks: Fire Walk With Me</i></a>, em referência à frase encontrada no diário de Laura Palmer na série. O longa exibe o cotidiano da jovem durante seus últimos dias de vida. A trama abordada no filme traduziu bem a agonia da jovem que vivia seus últimos dias rodeadas de espíritos malevolentes. Além disso, a história contou com a participação do cantor David Bowie para interpretar Philip Jeffries, um agente do <em>FBI</em> que desaparece misteriosamente. No entanto, a crítica julgou o longa como uma narrativa confusa e com isso, em 2014, produziram <a href="https://www.buzzfeed.com/jacelacob/twin-peaks-the-missing-pieces-fire-walk-with-me"><i>Twin Peaks: The Missing Pieces</i></a>, que divulga cenas cortadas do filme.</p>
<p>Ao longo de duas temporadas e um <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/">longa metragem</a>, Lynch e Frost contam a história do assassinato de uma jovem que todos gostavam, mas que ninguém conhecia direito. A obscuridade da vida de Laura traz uma narrativa sensorial interessante sobre não conhecer direito as pessoas ao redor. No caso da série, a moradora de Twin Peaks frequentava lugares e conhecia pessoas que seus próprios pais desconheciam. A atuação de Sheryl Lee contribuiu muito para a intensificação das emoções da personagem. Inclusive, Lynch ficou tão satisfeito com o trabalho da atriz que mais tarde incluiu Maddy Ferguson na narrativa, uma prima de Laura que também fora interpretada por Lee.</p>
<figure id="attachment_16172" aria-describedby="caption-attachment-16172" style="width: 977px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4.jpg" alt="" width="977" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4.jpg 977w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16172" class="wp-caption-text">Bob, o espírito que atormentou Laura Palmer durante seus últimos dias de vida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Todos os traços complexos e surrealistas que <i>Twin Peaks</i> apresenta refletem muito o estilo cinematográfico característico de David Lynch, que estreou no cinema como diretor com <a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/"><i>Eraserhead </i></a>em 1977. O longa metragem desenvolve uma narrativa <i>nonsense</i> que apresenta Henry Spencer (Jack Nance), um pai que tem criar seu filho sozinho após ser abandonado pela esposa. No entanto o comportamento da criança, representada por uma criatura semelhante à um feto mal formado, reforça a sensação de desconforto de Spencer com seu filho.</p>
<p>A estreia de Lynch trouxe uma história interessante que faz uma analogia ao sentimento de quando teve sua primeira filha. Depois de <i>Eraserhead</i>, o diretor foi responsável por outras grandes produções cinematográficas como <i>O Homem Elefante </i>(1980), <i>Veludo Azul</i> (1986) e <i>Coração Selvagem </i>(1990).</p>
<p>No entanto, muito antes desse estilo <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/"><em>lynchiano</em></a> surgir, a diretora surrealista, Maya Deren já produzia obras cinematográficas sensoriais. O curta metragem experimental <a href="https://medium.com/@thaisbvieira/maya-deren-arte-contesta%C3%A7%C3%A3o-e-independ%C3%AAncia-no-cinema-c92f0e026978"><i>Tramas do Entardecer</i></a> (1943), por exemplo, desenvolve uma narrativa surreal acerca de como funciona a mente de um suicida. Nele, Deren utiliza de tomadas de câmera e luzes ousadas para a época que intensificam a agonia da protagonista que confunde o sonho com a realidade. Essa trajetória onírica desenvolvida pela diretora foi fonte de inspiração para Lynch ao produzir o segundo filme da sua trilogia de <i>Hollywood</i>, <i>Mulholland Drive</i> (2001), sendo os demais <i>A Estrada Perdida</i> (1997) e <i>Império dos Sonhos </i>(2006).</p>
<figure id="attachment_16173" aria-describedby="caption-attachment-16173" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600.jpg" alt="" width="600" height="337" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/meshes_600-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16173" class="wp-caption-text">Protagonista do curta Tramas do Entardecer confunde sonho com realidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O impacto causado pela série foi tanto que diversas produções a adotaram como fonte de inspiração. Nomes como David Chase (<i>Família Soprano</i>, 1999- 2007), Damon Lindelof (<i>Lost</i>, 2004 &#8211; 2010) e Matthew Weiner (<i>Mad Men</i>, 2007 &#8211; 2015) foram diretamente influenciados por <i>Twin Peaks</i>.</p>
<p>Além desses, diversos programas de TV já fizeram referência à <i>Twin Peaks</i>. Durante o episódio <em>Quem matou o Sr. Burns? parte 2</em> da série <i>Os Simpson</i>, por exemplo, o chefe de polícia Clancy Wiggum (Hank Azaria) sonha com um ambiente similar ao <i>Black Lodge</i> enquanto tenta desvendar a trama. Além desse, outros programas como <i>Vila Sésamo</i>, <i>Scooby Doo</i> e <i>Gravity Falls</i> também já apresentaram referências à <i>Twin Peaks</i> em algum episódio.</p>
<p>Não apenas a série e o filme, foram publicados alguns livros sobre <i>Twin Peaks. The Secret Diary of</i> <i>Laura Palmer</i>, por exemplo, que foi escrito por Jennifer Lynch, faz alusão ao diário da personagem que é encontrado durante a série. Nele são feitas revelações sombrias e perturbadoras sobre a jovem, que escreveu nele desde seus 12 anos de idade até os 17, quando foi morta. Já <i>The Autobiography of F.B.I. Special Agent Dale Cooper: My Life, My Tapes</i>, transcreve mensagens de áudio gravadas por Cooper, como <em>&#8220;me ocorreu noite passada&#8230;eu não sei o sobrenome de Diane (secretária de Cooper)”</em>, que apresenta peculiaridades sobre o agente do <em>FBI</em>. Outro livro publicado é <i>Welcome to Twin Peaks: An Access Guide to the Town</i>, que destaca certos pontos sobre a cidade, porém dá mais ênfase ao seu lado excêntrico, do que ao lado sombrio.</p>
<figure id="attachment_16174" aria-describedby="caption-attachment-16174" style="width: 597px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1.jpg" alt="" width="597" height="398" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1.jpg 597w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-6-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 597px) 85vw, 597px" /><figcaption id="caption-attachment-16174" class="wp-caption-text">Livros publicados sobre o universo de Twin Peaks (Foto: Crystal Ro / BuzzFeed)</figcaption></figure>
<p>Por fim, houve o tão esperado retorno. 25 anos após a exibição da série original, <i>Twin Peaks </i>retornou para a sua terceira temporada. O<i> comeback </i>realizado por Lynch e Frost foi algo único para a história da TV, já que a narrativa seguiria como uma continuação e não como um <i>remake. </i>Para isso, os criadores da série modernizaram o <em>show</em> e passaram a exibir a história de lugares fora da cidadezinha de Twin Peaks<i>. </i>O próprio Dale Cooper, que passou a maior parte da série como Dougie Jones, só retornou para a pacata cidade nos últimos episódios. Outro fator que contribuiu para a modernização de <i>Twin Peaks </i>foram as filmagens aéreas que introduziram o local onde seria exibido a cena seguinte e o filtro utilizado de tom meio acinzentado.</p>
<p>Além disso, a nova temporada apresentou um lado ainda mais complexo do<i> Black Lodge. </i>Nela, Lynch deu ênfase à história de diversos espíritos bizarros que habitavam a sala, como o Bombeiro (Carel Struycken),  Mike (Al Strobel) e o Braço, interpretado originalmente por Michael J. Anderson e no retorno por uma criatura computadorizada amorfa. Outro ponto alto da série foi a explosão da primeira bomba atômica no Novo México em 1945. Como resultado, o espírito chamado Senhora Dido (Joy Nish) envia Laura Palmer para a Terra.</p>
<p>No entanto, <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/"><i>Twin Peaks: O Retorno</i></a> também teve seus pontos fracos. Diversos personagens novos surgem nesse universo, muitos como filhos de outros da série original, como no caso de Becky Burnett (Amanda Seyfried), filha de Shelly Briggs (Mädchen Amick) e Bobby Briggs (Dana Ashbrook). Porém a narrativa se constrói principalmente em cima dos antigos personagens, deixando a geração mais nova de lado, que, desse modo, não acrescentou muito na narrativa. Outro ponto negativo foi a forma que a história de Audrey Horne (Sherilyn Fenn) foi tratada. A personagem aparece pela primeira vez mais para o final da série e, além disso, envolvida numa trama que pouco se relaciona com o ponto que sua narrativa parou em 1991.</p>
<figure id="attachment_16175" aria-describedby="caption-attachment-16175" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7.jpg" alt="" width="684" height="456" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-7-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16175" class="wp-caption-text">Elenco original de Twin Peaks, 25 anos após a exibição da série (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O retorno de <i>Twin Peaks </i>foi a cartada final para a consagração dessa série <i>cult</i> como uma das melhores produções já exibidas na TV. O piloto parte de uma história cativante, narrada de forma única acerca de um assassinato numa cidadezinha pacata, que se desenvolve orquestradamente, revelando um lado muito mais profundo no surrealismo <em>lynchiano</em>. E, por fim, 30 anos depois, o que a faz tão especial é que nem tudo precisa necessariamente fazer sentido para contar uma grande história.</p>
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		<title>Sonhos e pesadelos na Twin Peaks de Raf Simons</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 May 2017 22:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Moda]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matheus Fernandes David Lynch, Angelo Badalamenti, Cindy Sherman e Martin Margiela. Essas são as influências que guiam Nightmare and Dreams, coleção do designer belga Raf Simons apresentada em 2016 na edição outono/inverno da semana de moda de Paris, a primeira após sua saída da Dior. Após coleções inspiradas por Kraftwerk (A/W 98 Radioactivity), Manic Street &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/raf-simons-aw-16-nightmares-dreams/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sonhos e pesadelos na Twin Peaks de Raf Simons"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams.jpg" alt="raf-simons-nightmare-dreams" width="700" height="394" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-nightmare-dreams-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Matheus Fernandes</strong></p>
<p>David Lynch, Angelo Badalamenti, Cindy Sherman e Martin Margiela. Essas são as influências que guiam <em>Nightmare and Dreams</em>, coleção do designer belga Raf Simons apresentada em 2016 na edição outono/inverno da semana de moda de Paris, a primeira após sua saída da Dior.<span id="more-7914"></span></p>
<p>Após coleções inspiradas por Kraftwerk (A/W 98 <em>Radioactivity</em>), Manic Street Preachers (A/W 01 <em>Riot Riot Riot</em>) e Joy Division (A/W 04 <em>Closer</em>) é natural a escolha de outro elemento da cultura pop, a série <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank">Twin Peaks</a>, cujo auge de popularidade coincide com o período da faculdade do designer, como fio condutor do desfile.</p>
<p>Em sua essência, Twin Peaks segue o arquétipo da ficção de terror: uma cidade pequena e pacata que esconde uma série de segredos, revelados a partir da morte da rainha do baile de formatura. A diferença se dá na condução de David Lynch e Mark Frost, dando <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank">tons oníricos</a> e surrealistas à trama, sem perder o ar novelesco. Não é a toa que outros clássicos autorais do terror surgem como inspiração para Simons, como <em>Halloween</em> (1978), <a href="http://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/" target="_blank"><em>Pânico</em></a> (1996) e <em>A Hora do Pesadelo</em> (1984), esse também marcado pela mescla entre sonho e realidade.</p>
<figure id="attachment_7922" aria-describedby="caption-attachment-7922" style="width: 756px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7922 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-756x1024.jpg" alt="Untitled #153, de Cindy Sherman" width="756" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-756x1024.jpg 756w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-222x300.jpg 222w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-768x1040.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/untitled-123-1200x1625.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7922" class="wp-caption-text">Untitled #153, de Cindy Sherman</figcaption></figure>
<p>Cindy Sherman é outro nome que aparece como inspiração central. A fotógrafa se tornou central no mundo da arte há décadas com seus intrincados auto-retratos que capturam de forma onírica tanto o comum (como a clássica garota adolescente em Untitled  #96) quanto o monstruoso. Em sua série “Disasters and Fairy Tales” (notem a semelhança de título), o macabro ganha tons de estranha beleza, como em uma de suas imagens-chave, Untitled #123, que retrata um jovem cadáver sujo de terra, não muito diferente do que dá origem à série de Lynch.</p>
<figure id="attachment_7919" aria-describedby="caption-attachment-7919" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7919 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-682x1024.jpg" alt="RAF SIMONS - FALL 16 - LOOK01" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK01.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7919" class="wp-caption-text">Modelo de Nightmares and Dreams</figcaption></figure>
<p>No desfile, os modelos caminham desorientados por um ambiente tão misterioso quanto o Black Lodge dos sonhos de Cooper. A trilha inicial é a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rgXLEM8MhJo" target="_blank">catártica descrição</a> de Badalamenti do processo de composição de “Laura Palmer’s Theme”, seguida por “Blue Moon”, na versão de Elvis Presley, e “Crimson &amp; Clover”, de Tommy James. Como na trilha de Blue Velvet, as canções tomam ar assustador ao serem recontextualizadas.</p>
<p>Elementos característicos do figurino da série, assinado por Sara Markowitz, são frequentes no desfile. Da onipresente knitwear aos padrões xadrez, que aqui aparecem em casacos e lenços.</p>
<figure id="attachment_7918" aria-describedby="caption-attachment-7918" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7918 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-682x1024.jpg" alt="RAF SIMONS - FALL 16 - LOOK11" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK11.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7918" class="wp-caption-text">A knitwear destruída é o principal elemento da coleção</figcaption></figure>
<p>As peças-chave aqui são os suéteres oversized repletos de apliques de letras, insignias de escotismo e listras coloridas, símbolo supremo do estilo de vida das high schools. Ainda assim, essas peças estão corroídas e com as letras desalinhadas, mostrando o lado pesadelo do sonho americano, a profanação da inocência juvenil, como o corpo sem vida de Laura Palmer à beira do rio.</p>
<figure id="attachment_7916" aria-describedby="caption-attachment-7916" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7916 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1024x668.jpg" alt="A campanha da coleção, referência direta ao trabalho de Sherman" width="840" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign-1200x783.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/raf-simons-campaign.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7916" class="wp-caption-text">A campanha da coleção, referência direta ao trabalho de Sherman</figcaption></figure>
<p>A ligação do designer com os uniformes escolares é antiga, desde sua primeira temporada, em 1995, com o tema sendo retomado frequentemente em suas coleções. Em 1997, foi a vez da versão punk dos blazers associados às faculdades de elite. Em <em>Nightmare and Dreams</em>, a rebelião não é inspirada mais nos jovens de terno dos internatos europeus, mas nos atletas, como Andrew Clark, de <a href="http://personaunesp.com.br/30-anos-curtindo-a-vida-adoidado-carreira-vitoriosa-john-hughes/" target="_blank">Clube dos Cinco</a>, filme que recebe menção nas notas nos shows.</p>
<figure id="attachment_7923" aria-describedby="caption-attachment-7923" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike.png" alt="Nadine e Mike, inspiração nos uniformes da série." width="550" height="404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike.png 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/nadine-mike-300x220.png 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-7923" class="wp-caption-text">Nadine e Mike, inspiração nos uniformes da série.</figcaption></figure>
<p>Em sua coleção <em>Virginia Creeper</em> (A/W 04), que também tem como localidade o interior da América, o estilista já jogava com as varsity jackets, ainda que em um contexto militarista, mostrando a reapropriação de seus próprios temas.</p>
<figure id="attachment_7924" aria-describedby="caption-attachment-7924" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1.jpg" alt="Fear Generation, coleção que já jogava com sobreposições oversized." width="600" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/kanye1-195x300.jpg 195w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7924" class="wp-caption-text">Fear Generation, coleção que já jogava com sobreposições oversized.</figcaption></figure>
<p>Outro exemplo da auto-inspiração é a escolha pelas silhuetas massivas. Simons é creditado (junto do minimalista alemão Helmut Lang) pela ascensão do terno skinny, mas também foi um dos popularizadores do oversized, ainda que não na mesma proporção, em coleções como sua obra definitia <em>Woe unto those who spit on the fear generation…</em> (S/S 02). Essa opção remete ainda ao trabalho do belga Martin Margiela, maior influência de Raf e de toda a moda contemporânea.</p>
<figure id="attachment_7921" aria-describedby="caption-attachment-7921" style="width: 643px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7921 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-643x1024.jpg" alt="Maison Martin Margiela, 1999" width="643" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-643x1024.jpg 643w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-188x300.jpg 188w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-768x1223.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23-1200x1911.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/MARTIN-MARGIELA-SPRING-1999-RTW-23.jpg 1884w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7921" class="wp-caption-text">Maison Martin Margiela, 1999</figcaption></figure>
<p>As silhuetas, elemento chave de sua costura à partir de sua mudança para a maison Jil Sander, dão o tom apocalíptico do desfile, com o contraste de uma parte de cima alongada e uma parte de baixa justa, composta de calças de alfaiataria skinny e botas militares com detalhes em camurça, peça que captura bem o espírito de rebeldia com beleza e sensibilidade que norteia sua obra.</p>
<figure id="attachment_7917" aria-describedby="caption-attachment-7917" style="width: 682px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7917 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-682x1024.jpg" alt="As jaquetas massivas da coleção." width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/RAF-SIMONS-FALL-16-LOOK31.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7917" class="wp-caption-text">As jaquetas massivas da coleção.</figcaption></figure>
<p>Da juventude techno europeia, sai a bubble jacket, a jaqueta longa com insulamento térmico próprio para o frio, hit noventista junto de Air Max 97s, item que marcou presença em coleções recentes da marca streetwear Supreme e da Vetements de Demna Gvasalia. O artefato se tornou o maior hit da coleção fora das passarelas, sendo adotada por celebridades como a cantora Rihanna.</p>
<p>Posteriormente, o belga assumiu a direção criativa da Calvin Klein, e, com sua mudança para os Estados Unidos passou a se dedicar integralmente à americana. <em>Nightmares and Dreams</em>, porém, continua um de seus principais trabalhos recentes, combinando as duas fases de sua carreira: a juventude e as referências pop de seus primórdios, que o tornaram destaque mundial, e o cuidado com a construção do período pós-2004, em uma obra de beleza inquietante.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/SO3w8LNeenk?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 27 May 2017 00:18:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Alcântara]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bárbara Alcântara Mistério, assassinato, violência e uma dose de nudez desnecessariamente explícita – tudo isso coroado por cenas que transitam entre o sonho, o pesadelo e uma bad trip de LSD. Esses foram os dois primeiros episódios da terceira temporada de Twin Peaks: muito Lynch e pouca nostalgia. A nova temporada, lançada no dia 21 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks-2017-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017.jpg" alt="dale-cooper-2017" width="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017.jpg 839w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/dale-cooper-2017-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><strong>Bárbara Alcântara</strong></p>
<p>Mistério, assassinato, violência e uma dose de nudez desnecessariamente explícita – tudo isso coroado por cenas que transitam entre o sonho, o pesadelo e uma bad trip de LSD. Esses foram os dois primeiros episódios da terceira temporada de <em>Twin Peaks</em>: muito Lynch e pouca nostalgia.<span id="more-7868"></span></p>
<p>A nova temporada, lançada no dia 21 de maio nos Estados Unidos, traz alguns rostos e lugares familiares, mas os horizontes se ampliam. O cenário deixou de se reservar à pacata cidade que dá nome à série, e outros personagens e novas tramas foram incorporadas às antigas.</p>
<p>A continuação marca o retorno de David Lynch. Após mais de uma década sem dar indícios de novos projetos em andamento, ele mostra que o tempo distante da indústria cinematográfica foi mais do que benéfico ao seu trabalho e, com uma visão renovada, promete uma temporada menos maçante do que a segunda.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years.jpg" alt="twin-peaks-25-years" width="550" height="357" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-25-years-300x195.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /></p>
<p>A retomada da trama flui com tanta naturalidade que dá a impressão de que tudo foi esquematizado duas décadas e meia atrás. Mas a promessa feita por Laura Palmer a Dale Cooper no <a href="http://personaunesp.com.br/critica-ultimos-dias-de-laura-palmer/" target="_blank">filme de 1992</a>, “<em>See you in 25 years</em>” (Vejo você em 25 anos, em tradução literal), foi muito mais profética do que premeditada, já que nem Lynch ou Mark Frost tinham a intenção de cumpri-la. O que foi pensado, entretanto, foi entregar aos fãs o que eles esperavam do longa: respostas para alguns dos mistérios pendentes da <em>season finale</em>.</p>
<p>As soluções são dadas, <em>pero no mucho.</em> Lynch e Frost dão um alívio passageiro aos fãs. O <em>cliffhanger</em> da cena final é usado apenas para dar sequência à história. Sutilmente, somos transportados para uma nova <em>Twin Peaks</em> – uma com seus próprios enigmas a serem desvendados. Personagens marcantes reaparecem, como Dale Cooper (Kyle MacLachlan), a velha do tronco (Catherine Coulson) e o próprio tronco (que provavelmente foi substituído nesta temporada). Mas a cidade é observada sob um outro ângulo: os takes externos são priorizados, contrariando as temporadas anteriores, que retratavam apenas os ambientes privados.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/khwuhgxjoXU?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Os roteiristas colocam personagens novos em cenários antigos, e elementos antigos em cenários novos. Não apenas por maturidade, mas porque sabem que o saudosismo puro não seria suficiente para manter o interesse do público. É como se tivesse dado um tiro no próprio pé: nos anos 90, <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" target="_blank">ele revolucionou a forma como as séries eram produzidas até então</a>. E em 25 anos, muita coisa se desenvolveu. Agora é preciso competir com as séries que beberam de sua própria fonte (e que provavelmente nem mesmo existiriam não fosse por <em>Twin Peaks</em>).</p>
<p>No entanto, Lynch, novamente diretor da série, não mostra relutância em utilizar as ferramentas e tecnologias da indústria cultural e mescla o saudosismo à inovação. Ao mesmo tempo em que expande o cenário para outras cidades e cria uma narrativa linear, acrescenta elementos bizarros e, a princípio, desconexos, que não só causam estranhamento mas também instigam e atiçam a curiosidade do público.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017.jpg" alt="twin-peaks-2017" width="740" height="350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017.jpg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-2017-300x142.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>A terceira temporada repete a receita que fez de <em>Twin Peaks</em> icônica e, até então, acerta no ponto. Faz algo raro: agrada aos saudosos, ao revisitar cenários e rostos e dar continuidade a tramas antigas, e cria a possibilidade de atrair novos fãs, já que os novos mistérios parecem ser independentes das duas outras temporadas.</p>
<p>Agora resta aguardar os outros 16 episódios saírem para saber se a receita será seguida à risca ou se em algum ponto vão errar a mão. De qualquer forma, a única certeza é a de que, daqui para frente, as segundas-feiras serão acompanhadas por muito café.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/twin-peaks-cafe.gif" alt="twin-peaks-cafe" width="500" height="353" /></p>
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		<title>A maravilhosa e estranha Twin Peaks</title>
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		<pubDate>Wed, 24 May 2017 03:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Rodrigues de Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Twin Peaks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Rodrigues de Mello É inimaginável pensar no atual cenário de seriados de televisão sem considerar a influência que sobre ele teve Twin Peaks. Lançada em 1990, a série assinada por David Lynch (Eraserhead, Veludo Azul) e Mark Frost (Hill Street Blues) enfeitiçou milhares de pessoas ao redor do mundo com a sua originalidade, mescla &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/twin-peaks/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A maravilhosa e estranha Twin Peaks"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1.png" alt="twin peaks angelo badalamenti david lynch laura palmer" width="700" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1.png 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-1-768x577.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Gabriel Rodrigues de Mello</strong></p>
<p>É inimaginável pensar no atual cenário de seriados de televisão sem considerar a influência que sobre ele teve <i>Twin Peaks</i>. Lançada em 1990, a série assinada por David Lynch (<a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank"><i>Eraserhead</i></a>, <i>Veludo Azul</i>) e Mark Frost (<i>Hill Street Blues</i>) enfeitiçou milhares de pessoas ao redor do mundo com a sua originalidade, mescla de gêneros e muito café.<span id="more-7789"></span></p>
<p>Situada na pequena Twin Peaks, a narrativa começa com a descoberta de um cadáver enrolado em plástico na costa gélida do rio da cidade. Para a surpresa do xerife Harry Truman (Michael Ontkean) e do médico legista Hayward (Warren Frost), o corpo pertencia a Laura Palmer (Sheryl Lee): uma jovem de 18 anos, popular, rainha do baile, bela, amigável e de aparente perfeição. O peculiar agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan) então chega à cidade, maravilhado com as árvores, a comida e a idiossincrática população.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7792 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1024x767.jpg" alt="laura palmer quem matou" width="840" height="629" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1024x767.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-768x575.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1-1200x898.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-2-1.jpg 1520w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A imagem imaculada que os habitantes do município tinham de Laura Palmer se esvaía ao passo em que seus segredos iam sendo descobertos. O mesmo ocorreu com outros personagens secundários e, assim, a cidade inteira, aparentemente simpática, se tornou um emaranhado de mistérios aos olhos do público.</p>
<p>Era possível notar, já pelo piloto, que a série adotava características novelescas, ligadas à temática do romance, melodrama e mistério, ou à estrutura, com subtramas interconectadas e <i>cliffhangers</i> (recurso de roteiro que interrompe a trama em um momento climático, instigando o telespectador a assistir o próximo episódio).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed?uri=spotify:album:6iGX2bbzKEocRY0HzdQ9zX&amp;theme=white" width="300" height="380" frameborder="0"></iframe></p>
<p>É injusto falar de <i>Twin Peaks</i> sem reconhecer a importância de sua trilha sonora. A música composta por Angelo Badalamenti, colaborador de longa data de Lynch, captura a essência da série: ora instrumental variando entre jazz, dream pop e blues; ora acompanhada pela doce e melancólica voz de Julee Cruise. O jazz engrandece a sensualidade cinquentista dos personagens e o blues revela o lado suspeito de cada morador da cidade. Grande parte dessa precisão emocional se dá pela química entre Badalamenti e Lynch (como bem mostra o vídeo abaixo).</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/rgXLEM8MhJo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Na época de seu lançamento, era praticamente inexistente um programa que realmente se rendia ao seu lado artístico em meio a uma mídia tão comercial que era &#8211; e ainda é &#8211; a televisão. Sem desmerecer a escrita de Mark Frost, Lynch transportou a ideia de <i>auteurism </i>(teoria de cinema que denota as características marcantes de uma obra a um só artista) para a televisão. Isso é, pela primeira vez, uma série de TV pôde ser denominada como autoral, no caso: “lynchiana”.</p>
<figure id="attachment_7793" aria-describedby="caption-attachment-7793" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7793" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3.jpg" alt="david lynch " width="700" height="468" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3.jpg 1022w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-3-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7793" class="wp-caption-text">David Lynch: a mente (perturbada) por trás da obra</figcaption></figure>
<p>Hoje em dia, vários artistas têm seus estilos reconhecidos através de suas obras televisivas. Por exemplo, Damon Lindelof (<i>Lost</i>, <i>The Leftovers</i>) tem o costume de deixar várias questões de suas obras abertas ao público. Outro caso conhecido é o de Cary Fukunaga, que através de sua direção sufocante, compôs a atmosfera pantanosa da primeira temporada de <i>True Detective</i>.</p>
<p>A influência de <i>Twin Peaks </i>foi tão imediata que <i>Arquivo X</i>, três anos depois, já demonstrava o culto à mitologia de cidade pequena, além da natureza similar configurada nas primeiras temporadas – e é claro, <a href="https://omelete.uol.com.br/series-tv/noticia/twin-peaks-david-duchovny-diz-que-gostaria-de-retornar-a-serie/">o divertido David Duchovny</a>. Ademais, David Chase, criador de <i>Família Soprano</i>, afirma sua admiração pela atmosfera misteriosa que se dava, não pela investigação policial, mas pelo “clima, as árvores, as rosquinhas”. Chase, cerca de dez anos depois, usaria o sonho como ferramenta narrativa na série que inauguraria a atual era de ouro da televisão.</p>
<p>Outra herança que marcou a série é o seu caráter intrincado e interpretativo. David Lynch, familiar desde <i><a href="http://personaunesp.com.br/critica-eraserhead-david-lynch/" target="_blank">Eraserhead</a> (1977)</i> com o surrealismo, espera de cada telespectador uma investigação pessoal para com as questões propostas pela obra. Desse modo, o formato episódico foi usado como uma oportunidade de entregar indagações ao público semanalmente, designando a esse ângulo do surrealismo, uma natureza sistemática. A réplica do público foi uma teorização em massa: pessoas do mundo inteiro discutiam entre si quem matara Laura Palmer, qual o significado do sonho de Cooper, porque tantas tortas de cereja, etc.</p>
<p><i>Lost</i>, uma década depois, usufruiu do mesmo tipo de efeito. No entanto, já na era da internet, obteve uma resposta muito mais direta por meio dos fóruns <i>online.</i> Esse fator, contudo, exige uma desenvoltura por parte dos criadores da série na criação de expectativa, habilidade que os roteiristas de <i>Lost</i> não souberam utilizar. Nesse caso, sua queda de audiência esteve ligada diretamente à falta de soluções para vários enigmas; no caso de <i>Twin Peaks </i>essa perda<i> </i>foi devida, justamente, com a resposta à questão fundamental.</p>
<figure id="attachment_7794" aria-describedby="caption-attachment-7794" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7794 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-1024x767.png" alt="A reação mais comum do público quanto à segunda temporada" width="840" height="629" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-1024x767.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4-768x575.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Imagem-4.png 1026w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7794" class="wp-caption-text">A reação mais comum do público quanto à segunda temporada</figcaption></figure>
<p>A febre que dominou o mundo, <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-128850/" target="_blank">chegando até à rainha Elizabeth II</a>, chegou ao fim quando, em meio à segunda temporada, foi revelada a identidade do assassino de Laura Palmer. Embora o episódio da revelação em si tenha sido um dos mais aterrorizantes e intensos de toda a obra, o resto da temporada se perdeu entre uma cadeia de subtramas desinteressantes e um novo eixo central que, mesmo ligado ao mistério de Palmer, nem de perto foi tão cativante quanto.</p>
<p>Foi nesse momento que a pressão da ABC venceu o esforço artístico de Lynch e Frost. A dupla entregou o elemento essencial que atraía os telespectadores e os desorientavam entre as escuras, mas mágicas, ruas de Twin Peaks. “Quem matou Laura Palmer? ’ era uma questão que nós nunca realmente gostaríamos de responder”, <a href="https://www.theguardian.com/film/2014/jul/24/-sp-david-lynch-laura-palmer-twin-peaks-unseen-fire-walk-with-me" target="_blank">Lynch disse em uma entrevista recente</a>. “Aquele era o ganso que colocou estes ovos dourados, e era como se então tivéssemos sido cobrados para cortar sua cabeça fora”.</p>
<p>Depois de quinze episódios tomados pela extravagância novelesca e eventos banais, David Lynch retornou ao seu posto de diretor e entregou um <em>season finale</em> que, até certo ponto, compensou as frivolidades anteriores. Um episódio que consolidou a estética onírica e se despediu bruscamente dos personagens. A bizarrice simpática – tão presente na primeira temporada – se inseriu no final como um canto do cisne; logo, é válido pensar na cruel sequência de <i>cliffhangers </i>que encerrou a série como um ato subversivo contra as exigências comerciais: a última risada foi da arte verdadeira.</p>
<p><i>Twin Peaks</i> fez com que a televisão ganhasse respeito no meio artístico através de seus personagens únicos, de sua trilha sonora, de suas perguntas sem respostas, do senso de humor escrachado ao terror desconcertante. Atualmente, mais de 25 anos depois, séries como <i>Breaking Bad, The Leftovers, Boardwalk Empire, Louie, The Americans</i>, entre muitas outras, elevaram o nível de exigência de qualidade na TV. Mas a questão agora se volta para a pequena cidade, e seus novos 18 episódios assinados pela mesma dupla dinâmica original &#8211; será que ela aprendeu com seu próprio legado ou se sustenta somente pela nostalgia?</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/JL7WZwWd7h4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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