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	<title>Arquivos Toni Collette &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 20:21:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o IMAX, Mickey 17 mudou a data de estreia várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34956" aria-describedby="caption-attachment-34956" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg" alt="Na imagem estão dois personagens de lado para câmera, ambos interpretados por Robert Pattinson. Ambos usam uma camisa com uma cor cinzenta e se encaram estupefatos. O cenário é de um quarto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34956" class="wp-caption-text">Mickey 17 é o primeiro filme de Bong Joon-Ho depois de vencer o Oscar (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">IMAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou a </span><a href="https://www.instagram.com/dalenogarew/reel/DG6iDo6vk8r/"><span style="font-weight: 400;">data de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho após a histórica vitória de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020. Assim como seu antecessor, o coreano manteve sua veia política, mas, desta vez, focado na eleição norte-americana entre Donald Trump e Kamala Harris. Contudo, em oposição à sua obra mais celebrada, este não consegue criticar o capitalismo de maneira produtiva, além de não sustentar a diversidade de temas, principalmente pela sua abordagem.</span></p>
<p><span id="more-34954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mickey (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/robert-pattinson-exorciza-de-vez-a-saga-crepusculo-no-ousado-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um ‘descartável’, ou seja, uma pessoa que pode morrer, pois será reimpresso no dia seguinte com todas as suas lembranças de outras vidas. Nesse sentido, a companhia para a qual ele trabalha o utiliza para experimentos e atividades perigosas que podem culminar em morte, o que normalmente acontece pela natureza da relação de Mickey com a empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O personagem de Robert Pattinson ilustra a relação do empregado com o empregador, uma representação do sistema capitalista com a classe trabalhadora. Todo o conceito de descartabilidade funciona muito bem, são críticas bem diretas e bem pontuadas. Inicialmente, o diretor lida muito bem com o tempo e a estrutura da narrativa para fortificar seus pontos, partindo para uma </span><a href="https://www.raissaferreira.com/post/cr%C3%ADtica-mickey-17-2025"><span style="font-weight: 400;">humanização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um personagem excêntrico, desde os seus sentimentos em relação às pessoas e o mundo, até os conflitos que ele tem na Terra, como dívidas com agiotas. Aliás, foram os débitos que levaram Mickey a virar um ‘descartável’. Bong Joon-Ho é muito certeiro ao colocar a violência das cidades urbanas como motivação para se submeter a um processo que a torna um objeto, uma ‘não pessoa’. O protagonista se vê encurralado diante do mundo contemporâneo.</span></p>
<figure id="attachment_34959" aria-describedby="caption-attachment-34959" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg" alt="Na imagem estão os Mickeys 17 e 18. Ambos estão de frente para a câmera e vestem uma roupa de proteção com identificação. O Mickey 18 tem o número 18 estampado no centro do uniforme. O Mickey 17 tem o número 17 estampado no centro do uniforme. Ambos na parte amarelada. Eles usam um capacete de proteção e óculos, que estão junto ao capacete. O cenário é de um ambiente aberto, gelado, com muita neve e alienígenas ao fundo. Os alienígenas são terrestres, escuros e no lugar do rosto está, apenas, a boca." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-768x416.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2.jpeg 924w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34959" class="wp-caption-text">Robert Pattinson está buscando trabalhos com grandes diretores em sua carreira (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, o longa funciona até o momento em que o Mickey 17 se encontra com o seu ‘sucessor’. A partir daí vira uma bagunça e se perde ao abraçar diversas temáticas e tomar diferentes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4QRIzkFs_bg&amp;t=9s"><span style="font-weight: 400;">direções narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nunca se desenvolvem, de fato. Ascensão da extrema direita, questões ambientais, abuso nas relações e a vida dentro do ambiente de trabalho; são muitas proposições que, apesar de cercarem o mesmo objeto – capitalismo –, dificilmente encontram um caminho em comum para a história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">não é só enxuto, mas também não confia em seu espectador, ao ponto em que, por vezes, precisa jogar na cara o que está tentando propor. Em dado momento, no jantar entre Mickey, Kenneth (Mark Ruffalo) e Ylfa (Toni Collette), Bong Joon-Ho e Darius Khondji (diretor de Fotografia) dão um </span><i><span style="font-weight: 400;">close </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma insígnia que remete a uma suástica. Ou seja, não existe crença de que o público irá entender de que se trata de uma paródia à extrema direita, mesmo que os personagens sejam </span><a href="https://cinemacao.com/2025/03/12/critica-2-mickey-17/"><span style="font-weight: 400;">óbvios</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso destrinchar ao máximo sobre a profusão de temas, visto que, ela em si não é o problema, porém, gera consequências que atrapalham a experiência fílmica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Shrouds</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), por exemplo, tem assuntos em abundância. Entretanto, a abordagem mais desafetada e, definitivamente, cínica e irônica, dão sentido a essa ‘pegada’ </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;">. David Cronenberg se apresenta mais seguro sobre o que quer e como fazer. O caso do sul-coreano é diferente. Ao mesmo tempo que o filme fica ‘dando a pinta’ de ser mais inteligente do que realmente é – de forma parecida com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) –, ele também aparenta estar menos certo sobre os caminhos que toma, ficando entre a caricatura, a seriedade e a comicidade, o que até dá uma dinâmica, mas nunca consegue se definir.</span></p>
<figure id="attachment_34961" aria-describedby="caption-attachment-34961" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg" alt="Na imagem está Mark Ruffalo e Toni Collette. Ele usa um uniforme de soldado azul. Ele tem um corte na bochecha esquerda e o cabelo grisalho está penteado para trás. Toni Collette usa uma camisa amarela. Ambos estão de frente para a câmera. Ao fundo, desfocado, estão um cientista de jaleco branco e um segurança com um uniforme escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh.jpg 1100w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34961" class="wp-caption-text">O longa teve diversos atrasos para estrear (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado mais burlesco fica por conta do Mark Ruffalo, muito parecido com o papel dele em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), em uma tentativa de emular </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/mickey-17-e-satira-politica-superficial"><span style="font-weight: 400;">Donald Trump</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mera presença do antagonista em cena já a torna menos interessante, por ser óbvio, feio e raso em suas intenções e críticas. Toni Collette acompanha o ritmo de Ruffalo, sendo o total o oposto de seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurado N°2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024). Esse lado da obra não casa com as construções visuais mais desgastadas, sérias e frias dos ambientes que Mickey frequenta. É como se fossem dois filmes distintos que, por vezes, se chocam e destes embates surgem comentários ‘mastigados’ para o público entender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, existem complicações em relação a estrutura. Devido aos diversos assuntos presentes, o roteiro opta por uma série de acontecimentos, com o intuito de abranger a todos. Contudo, eles não se sucedem de maneira orgânica, soa muito conveniente como certas cenas vão sendo resolvidas, além de parecer uma acomodação para deixar a narrativa fluída. Como resultado, muitas tramas são jogadas de lado, como a relação entre Mickey 17, Mickey 18, Nasha (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/naomi-ackie-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Naomi Ackie</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kai (Anamaria Vartolomei), ou a questão de Timo e o personagem principal com o agiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado positivo fica por conta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4iUSOPqXks"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, mais uma vez, entrega uma atuação muito boa desempenhando diversos papéis em um só personagem. No entanto, o foco fica entre os Mickeys 17 e 18, que apresentam duas personalidades completamente diferentes. O morcego consegue lidar com as diferentes maneiras com que o medo se externaliza em ambos. O décimo oitavo, a partir da raiva, revolta e audácia. Enquanto o protagonista se encolhe, um tipo de personagem que ‘não esbarra em ninguém’, pede perdão, não incomoda, aceita as figuras expansivas e encontra seu lugar no canto, onde ninguém o vê. O ator enxerga o potencial do discurso em si, nos conflitos consigo mesmo – sejam eles internos ou externos –, sobre a situação exploratória e deprimente em que ele se encontra. </span></p>
<figure id="attachment_34955" aria-describedby="caption-attachment-34955" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp" alt="Na imagem, Mickey usa uma blusa amarela desbotada e cobre a cabeça com o gorro da blusa. Ele está de frente para a câmera e apresenta um sorriso bobo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34955" class="wp-caption-text">“Toda vez que você morre, aprendemos uma coisa nova e a humanidade avança” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resolução final se dá a partir do amor, pode soar bonito, mas, na realidade, se torna condescendente com um discurso divulgado pelo cinema norte-americano a décadas. Não que isso seja um problema em si, porém, se torna contraditório, visto a intenção da fita. Se olharmos para as comédias românticas estadunidenses, normalmente todos os problemas do mundo se resolvem com amor. O ponto aqui é que, nestes universos, esta decisão é possível, é acatada, levando em conta o objetivo da obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obras críticas ao capitalismo, assim como este, também buscam o amor – não necessariamente o romântico –, contudo, eles aceitam a impossibilidade de grandes mudanças sistemáticas a partir dele e o tornam um ato de rebeldia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma relação muito ímpar entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">e a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mt8VyXFR_Xw"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de serem lançadas, quase, paralelamente, as duas discutem sobre o ambiente de trabalho e a exploração. Entretanto, elas também parecem conscientes sobre a vida que é criada a partir destes lugares, ou seja, se por um lado, dentro do sistema capitalista é um local exploratório, por outro, também permite pessoas se conhecerem, formarem uma família para além do sangue e se apaixonarem. É o que acontece entre Mickey e Nasha, em contrapartida ao mundo externo cruel, sujo e solitário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um diretor de grandes obras, que vão além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ux6VHo5jQVw"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias de Um Assassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xrLY0wO06l4"><i><span style="font-weight: 400;">O Hospedeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), Bong Joon-Ho decepciona em sua primeira fita após fazer história no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020. Apesar dos ótimos atores presentes e de estar recheado de ideias interessantes, o longa se mostra frágil estruturalmente e problemático em sua concepção. Boas intenções não fazem, necessariamente, bons filmes.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Mickey 17 - Trailer Legendado&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Mickey 17 &#8211; Trailer Legendado</span></a></p>
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		<title>Em Jurado Nº2, Clint Eastwood relembra clássico ao questionar o sistema judiciário norte-americano</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 19:03:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em 1957, Sidney Lumet lançou 12 Homens e uma Sentença (1957). A história é simples: um júri composto por 12 homens decide o futuro de uma pessoa. 11 votaram a favor da prisão e apenas um contra, e este que se opõe, tenta mudar a opinião dos demais. Clint Eastwood permeia o clássico, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Jurado Nº2, Clint Eastwood relembra clássico ao questionar o sistema judiciário norte-americano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34802" aria-describedby="caption-attachment-34802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-800x450.jpg" alt="Ao fundo estão os personagens de Cedric Yarbrough e Rebecca Koon. O primeiro está à direita com uma camiseta preta e o olhar vago e a segunda está à esquerda com uma camiseta rosa e uma blusa branca, ela está olhando para algo fora do plano. Mais a frente, em foco e no centro da imagem está o personagem de Nicholas Hoult, ele está com uma expressão preocupada, olhando para algo fora da câmera." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34802" class="wp-caption-text">O filme chegou direto no streaming na maioria dos países (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1957, </span><a href="https://www.noticiasdechapada.com.br/noticia/6710/sidney-lumet-o-maestro-dos-thrillers"><span style="font-weight: 400;">Sidney Lumet</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TEN-2uTi2c0"><i><span style="font-weight: 400;">12 Homens e uma Sentença</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1957). A história é simples: um júri composto por 12 homens decide o futuro de uma pessoa. 11 votaram a favor da prisão e apenas um contra, e este que se opõe, tenta mudar a opinião dos demais. Clint Eastwood permeia o clássico, mas vai para um caminho diferente. Se na obra original, Henry Fonda reafirma e refresca o respeito aos processos legais no funcionamento do sistema, Nicholas Hoult é a incorrigível falha de uma das grandes instituições norte-americanas: a justiça.</span></p>
<p><span id="more-34794"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tf5LGo-Pbnw"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o clássico ‘homem perfeito’ estadunidense. Ele é branco, tem olhos azuis, mora em uma zona nobre, casado também com uma mulher branca e ambos estão tentando construir uma família. Ainda que tenha um passado com bebidas, ele aparenta ser uma pessoa boa. No entanto, ao ser convocado para ser jurado, Justin descobre que foi o culpado pelo caso em que está participando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jurado Nº2 </span></i><span style="font-weight: 400;">abre com o símbolo da justiça, com a balança pendendo para um lado e, logo em seguida, o primeiro plano mostra Allison (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_c6yQ8ORhtI"><span style="font-weight: 400;">Zoey Deutch</span></a><span style="font-weight: 400;">) com uma venda no rosto. É dessa forma que Eastwood brinca com as representações. Em um mundo ideal, a balança estaria em equilíbrio mostrando igualdade, e a justiça cega seria imparcialidade. Contudo, o veterano diretor de faroeste não se contenta em observar o mundo dessa forma. Apesar de ser um norte-americano e conservador até os dentes, ele não deixa de apontar as falhas nas instituições, normalmente relacionadas às contradições humanas, e dessa forma, adota um tom melancólico diante de tais rupturas.</span></p>
<figure id="attachment_34796" aria-describedby="caption-attachment-34796" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34796" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-800x534.webp" alt="O cenário é de uma ponte, com árvores no fundo. Na imagem estão Cedric Yarbrough e Nicholas Hoult. Cedric está com uma camisa azul clara, ele está de lado e olha fixamente para Nicholas Hoult. Nicholas Hoult usa uma blusa azul, ele está de lado e evita o olhar de Cedric." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-800x534.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-1024x683.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-768x512.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-1200x800.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2.webp 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34796" class="wp-caption-text">“Justiça é a verdade em ação” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O réu do caso é o namorado da vítima. O longa coloca duas pessoas totalmente opostas para fazer o espectador refletir sobre os conceitos de verdade e justiça. Se Justin é um homem bom que se envolveu em uma fatalidade, James Sythe (Gabriel Basso) é violento, faz parte de uma gangue, mas também é inocente. Nesse sentido, é estabelecido um conflito interno do personagem, que pesa as suas decisões na balança, entre se entregar ou não. Sem perceber, o público faz o mesmo. Assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Up-oN4NtvbM"><i><span style="font-weight: 400;">As Pontes de Madison</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995),</span> <span style="font-weight: 400;">nós somos colocados em uma posição desconfortável em que assistimos algo moralmente errado, porém, questionamos nossas certezas ao depararmos com os personagens mais de perto, por vezes, fazendo até torcer a favor da impunidade – no caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurado Nº2</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">12 Homens e uma Sentença</span></i><span style="font-weight: 400;">, o jurado nº8 (Henry Fonda) se opõe ao veredicto, pois não acreditava que as provas fossem o suficiente para culpar o réu. Contudo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Juror #2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), o protagonista se vê impelido a defender a inocência do acusado por causa da culpa que sente e, assim como o personagem de Henry Fonda, ele busca mudar a opinião dos outros jurados a partir da descrença nas provas apresentadas. Entretanto, Justin irá falhar ao esbarrar nos interesses e na </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/locadora-fiore-13-verdade-e-justica"><span style="font-weight: 400;">ideologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, esses são os dois pontos principais na tese de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mhLRKWkCiyc&amp;t=10s"><span style="font-weight: 400;">Clint Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um julgamento não consegue ser imparcial, pois existem objetos externos a eles ou detalhes antes de começar que fazem toda a diferença. O diretor não mostra as falhas do sistema apenas pela figura de Nicholas Hoult – que funciona quase como um vírus dentro do jurí –, mas também por mais outras três: O ex-policial Harold (J. K. Simmons); a promotora Faith Killebrew (Toni Collette); o jurado Marcus King (Cedric Yarbrough).</span></p>
<figure id="attachment_34795" aria-describedby="caption-attachment-34795" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34795" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-no2-3.png" alt="Na imagem estão Toni Collette e Nicholas Hoult. Ambos estão sentados em um banco preto. Nicholas está a direita, ele veste uma camisa cinza, uma calça bege e uma roupa preta por cima. Ela usa um terno e um vestido todo cinza escuro. Ela olha fixamente para Nicholas Hoult que não retribui o olhar." width="630" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-34795" class="wp-caption-text">A Warner decidiu focar na campanha de Duna 2 (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Harold representa a primeira falha no processo: a escolha dos jurados. Ele é um tira aposentado e, por isso, não seria adequado estar no júri. Todavia, o defensor público não fez as perguntas apropriadas, interferindo em toda a decisão final. Já a promotora Faith Killebrew demonstra os interesses externos que prejudicam o andamento do julgamento. Inicialmente, sua preocupação não é com a verdade – ela já aceitou Sythe como o assassino e busca terminar o caso para alavancar a sua carreira. Por outro lado, o jurado Marcus King mostra como a ideologia afeta a sentença. Assim como a personagem de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000119874/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele não está interessado em achar o culpado, pois suas experiências pessoais o levaram a condená-lo, independente das provas. Ademais, existe uma testemunho de um homem que tem seus próprios motivos para mentir, o que influencia diretamente no veredicto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, três atuações se destacam: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BO5u95J7ETI"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">, Toni Collette e Zoey Deutch. Hoult tem olhares muito preciosos, com olhos quase marejados e as bochechas vermelhas, de alguém que está sucumbindo por dentro, mas não pode demonstrar culpa frente ao júri e fraqueza frente a esposa. Enquanto Collette não muda a expressão, mas a partir de sua postura, inicialmente, relaxada e meio debochada para a mais contida, percebemos a mudança da personagem que, a priori, estava preocupada com a sua promoção, porém, a partir de certo momento, passa a ter compromisso com a verdade. Já Deutch cumpre uma função com Justin; ela é o motivo de todas as decisões dele. Por meio de ações simples como um sorriso, traz a graça necessária para a personagem e, conforme a trama corre, sua expressão facial dá lugar à preocupação quanto ao futuro do marido e filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A forma primorosa como Eastwood </span><a href="https://letterboxd.com/diegoquaglia/film/juror-2/"><span style="font-weight: 400;">filma</span></a><span style="font-weight: 400;"> seus personagens é o que torna toda a história mais potente. Ele utiliza o digital de maneira limpa, mas com muitos contrastes. Os sombreamentos nos olhos de Nicholas Hoult aumentam a dramatização, assim como os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> que capturam as suas emoções. Parece que cada escolha de linguagem é muito precisa. A câmera em plongée deixando Toni Collette pequena sobre o símbolo da justiça reforça as suas dúvidas. Os planos e contraplanos trazem muito poder para a obra – que é quase toda filmada assim –  seja ao captar o rosto de Faith Killebrew e em seguida cortar para frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">Em Deus nós confiamos</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ou na última cena em que contrapõe os rostos dela e de Justin, deixando o final incerto.</span></p>
<figure id="attachment_34803" aria-describedby="caption-attachment-34803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-800x420.jpg" alt="Na cena estão Nicholas Hoult e Zoey Deutch. Ambos estão na cama. Ela está deitada com a cabeça e a mão no peito dele. Ele olha fixamente para o teto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34803" class="wp-caption-text">Clint Eastwood é famoso por seus filmes de gênero faroeste (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao colocar esses personagens em crise, Clint Eastwood irá nos questionar se verdade é igual a justiça. Será que seria justo prender Sythe por um crime que ele não cometeu, mesmo que ele seja uma pessoa horrível que abandonou sua namorada para voltar a pé em uma chuva? Será que seria correto prender Justin por matar Kendall Carter (</span><a href="https://www.instagram.com/francescaeastwood/"><span style="font-weight: 400;">Francesca Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">), ainda que tenha sido um acidente e ele tenha uma família que precisa dele? A obra não nos entrega a resposta para essas perguntas e nem mesmo a resolução final. Sobra apenas a questão: O que você faria?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do globo, o filme nem chegou aos cinemas, indo direto para os </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da campanha quase nula para a temporada de premiações. É inexplicável o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ELtD9h9Jq_E"><span style="font-weight: 400;">descaso da Warner</span></a><span style="font-weight: 400;"> com uma obra desse quilate, ainda mais feito por um dos maiores diretores de sua geração. No entanto, isso não diminui em nada o longa, que já se projeta como um dos melhores de 2024 e da filmografia de Clint Eastwood.</span></p>
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		<title>Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 16:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Guillermo del Toro sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26631" aria-describedby="caption-attachment-26631" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Centralizado e ao fundo da imagem está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um terno marrom batido com um chapéu da mesma cor. Ele está dentro de um tubo que possui um padrão em espiral vermelho e branco. Ao redor do cano e nos cantos da imagem há uma parede forrada de olhos abertos com íris azuis claras." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26631" class="wp-caption-text">Com 4 indicações ao Oscar 2022, o novo filme de Guillermo del Toro é fascinante (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/guillermo-del-toro-6-filmes-iconicos-do-diretor-o-labirinto-do-fauno-forma-da-agua-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um convite para uma vida fantástica. No entanto, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6mifhKKpHTI"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua nova empreitada, del Toro prende as </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/a-mudanca-notavel-dos-monstros-de-guillermo-del-toro-em-beco-do-pesadelo/"><span style="font-weight: 400;">criaturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no baú, fecha o livro de histórias mágicas e assume uma roupagem realista à sua maneira para provar, mais uma vez, que o ser humano é bem mais perigoso que o pior dos monstros.</span></p>
<p><span id="more-26630"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no romance de mesmo nome escrito por </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/02/11/miseria-humana-move-livro-que-inspirou-o-beco-do-pesadelo-concorrente-ao-oscar-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">William Lindsay Gresham</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1946 e inspirado pelo filme subsequente de Edmund Goulding lançado em 1947 – que, apesar de estampar o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/o-beco-do-pesadelo-scorsese-elogia-filme-de-guillermo-del-toro-merece-nosso-apoio/"><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">original, ganhou o título de </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/nightmare-alley-2021-vs-nightmare-alley-1947-what-are-differences/"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Brasil –, o longa repaginado do diretor mexicano é uma viagem suja e moralmente degradante pelos Estados Unidos dos anos 30. Com uma mistura heterogênea de personagens desesperados, quem encabeça a trama é Stanton Carlisle, um andarilho contido e misterioso que é acolhido por um circo itinerante e passa a se envolver com os segredos de seus artistas.</span></p>
<figure id="attachment_26632" aria-describedby="caption-attachment-26632" style="width: 2150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Á esquerda, está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um paletó listrado e está de frente para Rooney Mara, uma mulher branca, magra, jovem, de cabelos médios e pretos, que usa um robe preto com detalhes vermelhos e touca de renda dourada, enquanto está sentada e olhando para um livro. Eles estão em um espaço aberto, de frente para um trailer envelhecido e enferrujado com lâmpadas nas laterais. Está de dia. " width="2150" height="1191" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg 2150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1536x851.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-2048x1134.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1200x665.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26632" class="wp-caption-text">A todo momento, O Beco do Pesadelo referencia Enoch, o feto de um olho só que assombra o espírito de Stan (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos primeiros momentos do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> Carlisle é envolto em um silêncio ameaçador, logo passa a exalar um charme determinado a conquistar mais – mais dinheiro, mais amor, mais fama. Quem garante forma ao protagonista é </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/licorice-pizza-bradley-cooper-quase-desistiu-de-atuar-antes-de-participar-de-filme-entenda/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de acumular atuações sem muito tempero na carreira, entrega uma alma intensamente perturbada ao </span><a href="https://revistacultnet.com.br/2020/12/18/o-genero-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-live-action-do-pinoquio-da-disney-astro-de-stranger-things-diretor-de-hellboy-e-mais/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">, assumindo o fardo que uma vez pertenceu a Tyrone Power. Com uma </span><i><span style="font-weight: 400;">persona</span></i><span style="font-weight: 400;"> para cada fase de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/01/bradley-cooper-revela-que-cogitou-se-aposentar-da-atuacao-durante-a-pandemia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende o que o trabalho exige e se adequa a uma narrativa própria de ascensão e queda, corrompido pela ganância e rumando assumidamente a sua derrocada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Stan encontra seu bilhete premiado rumo ao estrelato em meio às lonas brancas e vermelhas encardidas, nós encontramos o melhor que o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/o-beco-do-pesadelo-tem-elenco-rico-e-del-toro-de-volta-a-boa-forma.shtml"><span style="font-weight: 400;">comboio de coadjuvantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a oferecer. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/14/i-dont-think-we-should-talk-about-me-a-visit-to-david-strathairns-own-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">David Strathairn</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/rooney-mara-e-escolhida-para-viver-audrey-hepburn-em-filme-biografico-conheca/"><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/ron-perlman-diz-que-enche-o-saco-de-guillermo-del-toro-para-fazer-hellboy-3/"><span style="font-weight: 400;">Ron Perlman</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de longa data do diretor, del Toro extrai uma profusão de talento para contar a sua história – seja por meio da inocência juvenil de Mara ou da crueldade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p-JvL9wBzAQ"><span style="font-weight: 400;">Dafoe e seu “selvagem”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo ultrapassando as duas horas de duração, o resultado final é hipnótico, como se o espectador fosse apenas uma parte da plateia de aflitos de Madame Zeena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao migrar para a segunda metade do longa, Cooper se mantém firme como dono da narrativa, mas Rooney Mara tem dificuldades para ficar de pé em meio ao mar agitado de Chicago e seus novos personagens. Apagada, a atriz e sua Molly dividem o peso fantasmagórico da indiferença não só do marido, como também do roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-fD3nwdHikQ"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro e Kim Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falha em dar uma personalidade minimamente chamativa para a mulher-elétrica. Como consequência, a garota é devorada pela trama niilista, rendendo poucos bons momentos e ficando ainda mais ofuscada com a chegada felina de </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema/cate-blanchett-revela-que-escuridao-atraiu-para-o-beco-do-pesadelo-de-guillermo-del-toro.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26633" aria-describedby="caption-attachment-26633" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. À direita da foto vemos Cate Blanchett de costas da cintura para cima. Ela é uma mulher branca, mais velha, magra, de cabelos médios e encaracolados e bem loiros, que usa um batom vermelho vibrante. À sua esquerda vemos dois espelhos mostrando feições preocupadas olhando de volta para a atriz. O cenário é um banheiro escuro com pouca iluminação do lado direito da foto." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26633" class="wp-caption-text">Assim como Cate Blanchett, Mary Steenburgen também possui uma participação explosiva no thriller, porém de poucos minutos (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando a psiquiatra Lilith Ritter, a atriz veterana carrega nas mãos a perdição do ato final no melhor estilo </span><a href="https://www.planocritico.com/plano-historico-23-femme-fatale-um-arquetipo-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que embalou o gênero dos anos 40. Sempre acompanhada de um facho certeiro de luz, Ritter auxilia na manipulação mediúnica de Carlisle, mas mantém seu jogo por debaixo dos panos durante toda a produção, estrelando seu próprio enredo secreto sem que nos demos conta. Blanchett, por si só, é um fenômeno à parte; a câmera a segue como uma amante reprimida, sempre receosa de se aproximar demais, mas nunca tirando o olho </span><a href="https://dmtalkies.com/nightmare-alley-ending-explained-2021-film-guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">ciclópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada movimento que sua doutora performa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A elegância da personagem faz jus ao ritmo da Era de Ouro da vida de Stan, momentos antes da dupla de roteiristas adentrar na conclusão sombria de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2022/03/esta-na-netflix-onde-assistir-o-beco-do-pesadelo-indicado-a-4-oscars"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto o longa de 1947, empastelado pelo </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-verdade-que-existia-censura-em-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">, precisou se conter na violência e transmitir uma mensagem esperançosa antes dos créditos subirem, a regravação do diretor mexicano deixa claro que os tempos de censura há muito acabaram. Com a sublime participação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Richard Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o último ato do Grande Staton é banhado a sangue, ganância e corrupção. Já que, em seu 11º filme, Guillermo del Toro não pôde inserir demônios diretamente nas telas, ele deu um jeito de encontrá-los na alma atormentada de um médium picareta.</span></p>
<figure id="attachment_26634" aria-describedby="caption-attachment-26634" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Na foto vemos Mark Povinelli centralizado à esquerda, um homem anão com cabelo preto em topete e um bigode grosso. Ao seu lado direito está Ron Perlman, um homem alto, mais gordo, com cabelos brancos e barba rala. Ambos estão olhando para o lado esquerdo com feições bravas e usam roupas de gladiadores. Eles estão dentro de um ringue que, por sua vez, está dentro de um circo cheio de cartazes e lonas coloridas." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26634" class="wp-caption-text">Será que, nesse caso, podemos falar do Bruno? A dupla Ron Perlman e Mark Povinelli esbanja carisma em cena (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pela inventividade artística de seu criador e da equipe de renome por trás das câmeras, não foi surpresa alguma se deparar com o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley </span></i><span style="font-weight: 400;">citado quatro vezes na lista de indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Olhando pela lente da Academia, o maior trunfo da produção está concentrado nas categorias técnicas, especialmente pelas mãos talentosas de </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2022-01-26/production-designer-tamara-deverell-creates-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell e Shane Vieau</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsáveis por agarrar com unhas e dentes a nomeação em Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção. Claro que não poderia ser diferente, já que é difícil desviar a atenção do deslumbramento colossal que o </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> criado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">e o decorador causa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Funcional e hipnotizante, o </span><i><span style="font-weight: 400;">habitat</span></i><span style="font-weight: 400;"> das criaturas assombradas por vícios, sonhos e pela Grande Depressão é </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/609974/duna-beco-do-pesadelo-e-007-sem-tempo-para-morrer-sao-os-destaques-do-adg-awards-2022-premio-da-direcao-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">o cenário perfeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar início a decadente trama visual que del Toro planejava contar </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/02/guillermo-del-toro-diz-que-fugiu-dos-cliches-noir-em-o-beco-do-pesadelo.shtml"><span style="font-weight: 400;">há mais de trinta anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em complemento, o jogo entre penumbras primorosas e cores vibrantes idealizado por </span><a href="https://aframe.oscars.org/lists/dan-laustsen-six-movies-that-influenced-my-cinematography"><span style="font-weight: 400;">Dan Laustsen</span></a><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença na categoria de Melhor Fotografia. O circo de Deverell e Vieau é parceiro direto da cinematografia de Laustsen na criação da atmosfera suja de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, mesmo quando Stan e Molly passam a frequentar a alta sociedade americana, repleta de luxos e ostentações, a </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/guillermo-del-toro-cinematographer-dan-laustsen/"><span style="font-weight: 400;">força das sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rodeiam seus números é um lembrete constante da fragilidade daquela realidade.</span></p>
<figure id="attachment_26635" aria-describedby="caption-attachment-26635" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26635" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é um bastidor do filme O Beco do Pesadelo. Na imagem vemos três homens sentados conversando entre si com jaquetas e blusas todas de cor preta. À esquerda está Richard Jenkins, um homem branco, velho, de peruca, com cabelos brancos e barba cheia branca. Centralizado está Guillermo del Toro, um homem gordo, branco, com barba cheia, óculos e touca. Por fim, à direita está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26635" class="wp-caption-text">Em seu clímax, del Toro deixa pequenas referências visuais para os amantes do incompreendido A Colina Escarlate, longa de 2015 (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também foi lembrado em Melhor Figurino, estampando o nome e o trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.slashfilm.com/720964/how-nightmare-alley-costume-designer-luis-sequeira-brought-vintage-fashion-back-to-life-interview/"><span style="font-weight: 400;">Luis Sequeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os indicados. Construindo sua estética lado a lado com a iluminação e o tom de cada cenário, Sequeira buscou representar com fidelidade os dois períodos de tempo diferentes da história, mas sem perder uma base moderna. Por fim, a obra garantiu a grande honraria de participar da seleta lista dos que concorrem a Melhor Filme. Dessa vez, o trio de produtores que pode subir ao palco da maior celebração do Cinema mundial é composto por Bradley Cooper, J. Miles Dale e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43247105"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – os dois últimos tendo recebido a estatueta principal pouco mais de quatro anos atrás, pelo realismo fantástico de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/05/cultura/1520290484_267038.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando histórias de amor épicas e submundos sobrenaturais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra na degeneração humana o lugar-comum entre todos os seus caminhos, onde cada personagem funciona como um paciente terminal; sem salvação, condenado. Ao se enveredar pela reinvenção de uma trama antiga, </span><a href="https://www.rollingstone.com/movies/movie-features/guillermo-del-toro-nightmare-alley-interview-1265229/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mantém fiel às suas próprias perversões, construindo um universo visualmente rico e espiritualmente pútrido para abarcar seus artistas circenses desesperançosos. E para nós, respeitável público, não há escolha senão aproveitar o espetáculo. Afinal, senhor, nascemos para isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Beco do Pesadelo | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Y55AqcbXwSI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A comovente Unbelievable é a minissérie mais necessária da temporada</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2020 13:24:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira A minissérie Unbelievable (no Brasil traduzida como Inacreditável), é o true crime mais inquietante do momento. Indicada ao Emmy 2020, a produção da Netflix que foi lançada ano passado, é tão poderosa, quanto sensível. Com grandes atuações e diálogos que partem o coração, a obra escancara um sistema que a décadas vitimiza milhares &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A comovente Unbelievable é a minissérie mais necessária da temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15219" aria-describedby="caption-attachment-15219" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15219" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15219" class="wp-caption-text">A minissérie é uma adaptação de uma reportagem de 2015, publicada nas organizações ProPublica e Projeto Marshall (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>A minissérie <i>Unbelievable</i> (no Brasil traduzida como <i>Inacreditável</i>), é o <a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><i>true crime</i></a> mais inquietante do momento. Indicada ao <a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-2020/"><i>Emmy</i> <i>2020</i></a>, a produção da <i>Netflix </i>que foi lançada ano passado, é tão poderosa, quanto sensível. Com grandes atuações e diálogos que partem o coração, a obra escancara um sistema que a décadas vitimiza milhares de mulheres pela segunda vez.</p>
<p><span id="more-15218"></span></p>
<p>Em meio a tantos olhares sobre o mesmo tema, <i>Unbelievable </i>se destaca não só pela trama policial, mas pela carga emocional que desperta em quem assiste. A minissérie foi inspirada na reportagem <a href="https://www.propublica.org/article/false-rape-accusations-an-unbelievable-story"><i>“An Unbelivable Story of Rape”</i></a>, escrita pelos jornalistas  T. Christian Miller e Ken Armstrong, vencedora do prêmio <i>Pulitzer </i>em 2016<i>.</i> Tanto a série quanto a reportagem exploram a ineficiência do sistema policial, e a falta de proteção a sobreviventes de violência sexual.</p>
<figure id="attachment_15220" aria-describedby="caption-attachment-15220" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902.jpg" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902-300x187.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902-768x478.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15220" class="wp-caption-text">Infelizmente a atuação maravilhosa da jovem atriz Kaitlyn Denver não foi considerada para o Emmy (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Nas entrelinhas a produção abrange muitos problemas silenciados pelas autoridades mas, principalmente, a dor de mulheres que foram ignoradas. Assim, também são tratados de maneira a decadência do sistema americano de adoção, o grande número de estupros nas universidades e a violência doméstica.</p>
<p>A história caminha em duas linhas temporais distintas, mas que se complementam num final impecável, e que alivia depois de oito episódios sufocantes. O primeiro arco acontece em Lynnwood, Washington no ano de 2008. Marie Adler (a protagonista Kaitlyn Denver) é uma sobrevivente de estupro desacreditada pela polícia, obrigada a retirar a denúncia algumas dias depois do abuso.</p>
<p>O impacto da situação da jovem é visto em depoimentos cansativos e traumáticos, esses exemplificam como uma abordagem errônea pode traumatizar pessoas já fragilizadas. Marie é levada a desacreditar na própria história, é exposta pela mídia e lida com investigadores hostis que a tratam como um problema. A incrível atuação de Kaitlyn Denver consegue expressar justamente a confusão e tristeza da personagem.</p>
<figure id="attachment_15221" aria-describedby="caption-attachment-15221" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15221" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15221" class="wp-caption-text">A dinâmica entre Wever e Collette representa bem a dualidade entre as personagens, enquanto Karen é mais idealista, a detetive Grace é mais prática (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A segunda trama paralela é mais policial, e acompanha as detetives Karen Duvall (Merritt Wever) e Grace Rasmussen (Toni Collette) investigando crimes recentes no Colorado. Nessa passagem de tempo, que ocorre de 2008 a 2011, é perceptível a diferença de abordagem das policiais mulheres. O cuidado em não pressionar ou aterrorizar a sobrevivente é exibido logo nos primeiros minutos do arco. A dupla não desiste em sua busca por justiça, mesmo nas ruas sem saída que a investigação tem e, sem nenhum sensacionalismo, a minissérie aborda uma apuração complexa e densa.</p>
<p>Os famosos <i>True Crimes</i> sempre conquistaram o público em seus variados formatos, visto que algo no ser humano sempre o atraiu para histórias sombrias e reais. <i>Unbelievable</i> não foi a primeira tentativa do gênero pela <i>Netflix</i>, que ano passado conquistou com a incrível <a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/critica-olhos-que-condenam-da-netflix/"><i>Olhos Que Condenam</i></a> (2019). Outras obras também se arriscam ao tratar sobre a violência sexual, sempre de formas muito contrastantes. Enquanto a eterna (com 21 temporadas e contando) <a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/o-fim-de-law-and-order-svu-em-meio-protestos-de-black-lives-matter-serie-perde-prestigio/"><i>Law and Order SVU</i></a> opta por idealizar policiais que lidam com os mais variados casos de abuso. A nova produção da <i>HBO</i> e dirigida pela maravilhosa Michaela Coel, <a href="http://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i>I May Destroy You</i></a>, escolhe explorar diversos meios do abuso sexual.</p>
<figure id="attachment_15222" aria-describedby="caption-attachment-15222" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15222" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15222" class="wp-caption-text">Os extenuantes interrogatórios a qual Marie é submetida são exemplos de como muitas vítimas recebem perguntas ofensivas por policiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A obra acompanha uma extenuante investigação real, mas a coloca numa dramatização fictícia que convence por ser diferente de outros dramas policiais vistos por aí. O roteiro e a direção, realizada por  Lisa Cholodenko (<i>The Kids Are All Right</i>), complementam a potência da minissérie. Susannah Grant, Michael Chabon e Ayelet Waldman co-escreveram a obra, e tiveram o cuidado de propor diálogos fortes, mas não exagerados. Muito bem desenvolvido, o roteiro aborda tantas problemáticas com uma sutileza tamanha. E, principalmente, a força do piloto ainda rendeu uma indicação para Melhor Roteiro ao trio pelo episódio.</p>
<p>Contudo, apesar de ser uma das produções mais fortes dos últimos meses, <i>Unbelievable </i>está presente em só quatro categorias no <a href="https://www.emmys.com/shows/unbelievable"><i>Emmy 2020</i></a>. Além de concorrer na categoria Melhor Série Limitada, a obra também disputa Melhor Elenco. A veterana Toni Collette, já vencedora de um prêmio <i>Emmy</i> em 2009 pela série <i>United States of Tara, </i>concorre como Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da centrada detetive Grace. Mas, apesar da performance sensacional de <a href="https://studentedge.org/article/kaitlyn-devers-emmys-snub-for-unbelievable-is-the-most-unbelievable-snub-of-all">Kaitlyn Denver</a>, a atriz que ano passado estrelou a comédia <a href="https://cinematologia.com.br/cine/critica-fora-de-serie-booksmart-2019/"><i>Booksmart</i></a>, não conseguiu uma indicação.</p>
<figure id="attachment_15223" aria-describedby="caption-attachment-15223" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1.png" alt="" width="750" height="499" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1.png 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1-300x200.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15223" class="wp-caption-text">A participação de Danielle Macdonald (Dumplin’) também merece uma menção, em poucas cenas a atriz passa toda a vulnerabilidade de uma sobrevivente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A produção não conta apenas com performances impecáveis, mas entrega uma mensagem necessária e direta. E ao optar sabiamente por não utilizar cenas de estupro como um recurso vazio, a obra acaba por tecer uma narrativa onde todas as nuances sobre essa violência são abordadas com muita delicadeza. E, principalmente, retrata como diferenças de abordagem e um tratamento agressivo a sobreviventes criam inúmeras consequências na vida de mulheres pelo mundo todo. <i>Unbelievable </i>é uma forte história sobre traumas e erros, e como a personagem Marie mesma diz: <i>“(&#8230;) se a verdade é inconveniente, se a verdade não faz sentido, elas não acreditam”.</i></p>
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		<title>Estou Pensando Em Acabar com Tudo é um filme limitado</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Sep 2020 17:47:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado Charlie Kaufman é mais conhecido por roteirizar filmes que hoje assumiram o status de cult, como Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Quero Ser John Malkovich. Como diretor, é lembrado por Sinédoque, Nova York e Anomalisa, animação indicada ao Oscar em 2016. Suas obras possuem características marcantes, como a originalidade, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estou Pensando Em Acabar com Tudo é um filme limitado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15227" aria-describedby="caption-attachment-15227" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/1.jpg" alt="" width="1000" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/1-300x135.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/1-768x346.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15227" class="wp-caption-text">Estou Pensando em Acabar com Tudo, lançamento da Netflix, é a adaptação do livro homônimo escrito por Iain Reid (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Caio Machado</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Charlie <a href="http://personaunesp.com.br/anomalisa/">Kaufman</a> é mais conhecido por roteirizar filmes que hoje assumiram o status de </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero Ser John Malkovich. </span></i><span style="font-weight: 400;">Como diretor, é lembrado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinédoque, Nova York </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,na-disputa-do-oscar-de-animacao--anomalisa-capta-uma-realidade-dolorosa,10000013696"><i><span style="font-weight: 400;">Anomalisa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">animação indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2016. Suas obras possuem características marcantes, como a originalidade, o uso da metalinguagem e a discussão de temas existencialistas por meio de protagonistas sempre angustiados. A inquietude reina e é raro ver um de seus personagens em paz. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Estou Pensando em Acabar com Tudo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu novo filme no qual assume a direção e roteiro, é possível identificar todas essas particularidades. Entretanto, também é revelada a fragilidade de seu trabalho como diretor.</span><span id="more-15226"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, uma mulher (Jessie Buckley) acompanhada do namorado, Jake (Jesse Plemons),  vai visitar os pais dele em um lugar isolado. Quando chegam lá, coisas estranhas começam a acontecer. </span><i><span style="font-weight: 400;">Estou Pensando Em Acabar com Tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é permeado por uma aura de estranheza. No começo, parece ser uma sensação intencional: tem alguma coisa errada, fora do lugar. Porém, conforme os minutos avançam, percebe-se que essa estranheza se deve à própria forma com a qual a obra foi feita: é extremamente limitada.</span></p>
<figure id="attachment_15228" aria-describedby="caption-attachment-15228" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2.jpg" alt="" width="1120" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2-300x113.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2-1024x384.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/2-768x288.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15228" class="wp-caption-text">Charlie Kaufman ao lado de Jessie Buckley, nos bastidores da produção (Foto: IMDb/ Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção fria e impessoal, sempre assumindo os mesmos ângulos dentro dos espaços nas cenas, consegue tirar toda a humanidade nas interações entre os personagens e elimina a possibilidade de torná-las interessantes ao assumir um distanciamento científico das emoções. Vindo de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/02/magazine/charlie-kaufman.html"><span style="font-weight: 400;">Kaufman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dava tanta profundidade aos seus personagens em trabalhos anteriores, é decepcionante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, ocorre uma falha na comunicação entre o filme e seus atores: por mais que estes se esforcem ao máximo para transmitir sentimentos de vidas complexas e tumultuadas, o filme não está preparado para isso. As atuações acabam enjauladas e reduzidas ao nível mais básico possível. O exemplo mais triste é o de Toni Collette e David Thewlis, ambos atores renomados, que interpretam os pais de Jake. Quando entram em cena pela primeira vez, aparentam ser muito mais do que mostram. Porém, no fim, são só um casal de malucos. Doidos e nada mais. </span></p>
<figure id="attachment_15229" aria-describedby="caption-attachment-15229" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15229" class="wp-caption-text">Toni Collette e David Thewlis são os mais prejudicados pela estrutura travada do filme (Foto: Mary Cybulski/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto do distanciamento tomado pelo filme, existe uma pose pseudointelectual vazia que ocorre principalmente nos diálogos entre a protagonista e o namorado, dentro do carro. O que deveriam ser discussões entre dois seres humanos se transformam em palestras universitárias intermináveis e insuportáveis, cheias de frases e citações que querem passar a impressão de que o filme foi feito só para pessoas inteligentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não passa de uma impressão, uma atitude de jogar várias informações aleatórias ao vento só para deixar felizes aqueles que reconhecem o que está sendo dito. Como parte disso, o filme parece não confiar na capacidade mental do espectador: são oferecidas tantas pistas sobre o que está realmente acontecendo que só faltou desenhar em uma lousa, com giz de cera colorido, numa cena pós-créditos. </span></p>
<figure id="attachment_15230" aria-describedby="caption-attachment-15230" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15230" class="wp-caption-text">Em cenas como as dentro do carro, o filme se revela um verdadeiro teste de paciência (Foto: Mary Cybulski/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível perceber o vazio do filme até em seus melhores momentos, que duram poucos minutos.  Neles, tenta seguir um caminho mais abstrato, desorientador e onírico. Kaufman não é nenhum </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S7O1SQm1j5s"><span style="font-weight: 400;">David Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesse quesito, mas experimenta com o que está sendo mostrado na cena: um ato simples é repetido diversas vezes, uma performance de dança toma conta do espaço em que estão os personagens e há até uma interação de uma pessoa com uma animação. Entretanto, do jeito que essa experimentação está articulada, o efeito causado é nulo. São atrações visuais com boa intenção, mas contém tanta emoção quanto um bloco de concreto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a obra sugere várias provocações: o que é real em um filme, o que está na frente da câmera ou fora dela? Quão nociva é a sociedade com aquilo que não compreende? Seria um comentário do próprio Charlie Kaufman sobre como a audiência trata suas obras? No final, as possibilidades são lançadas e nenhuma é aprofundada. O resultado é uma experiência rasa, sem rumo e mais preocupada em </span><i><span style="font-weight: 400;">sugerir</span></i><span style="font-weight: 400;"> que tem ideias próprias do que propor algo de fato.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Estou Pensando em Acabar com Tudo </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona como uma criança ansiosa: quer que o público confirme, a todo momento, que este é um filme diferente, profundo e reflexivo mas não se esforça em comprovar isso. Não existe um trabalho artístico que concretize o potencial que a obra aparenta ter no início. Assim como o personagem Jake, é um filme tão  preso ao seu próprio mundinho de ideias complexas que acaba esquecendo de transpô-las para a tela.  Tem dificuldade em entender que o essencial para o bom cinema é a imagem, não o texto. Para isso, já existe outra arte: a literatura. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Estou pensando em acabar com tudo | um filme de Charlie Kaufman | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TLDLLzYecGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Hereditário e a quebra de expectativa do terror</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jul 2018 00:06:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  A onda dos filmes de gênero com baixo orçamento e bilheteria astronômica tomou fôlego no ano passado, com dois longas extremamente baratos e retorno inimaginável: It – A Coisa e Corra!, esse segundo inclusive ganhando o Oscar de Melhor Roteiro Original. A produtora estadunidense A24 apostou no formato e na mente perturbada do diretor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-hereditario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hereditário e a quebra de expectativa do terror"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure style="width: 649px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://cinema.wtf.pt/static/uploads/movie_previews/27810e1e58cc9afbbb4aba123982366b10e7e3e4.jpg" alt="" width="649" height="414" /><figcaption class="wp-caption-text">Dirigido por Ari Aster, o terror Hereditário alegoriza problemas familiares macabros (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p>A onda dos filmes de gênero com baixo orçamento e bilheteria astronômica tomou fôlego no ano passado, com dois longas extremamente baratos e retorno inimaginável: <em>It – A Coisa</em> e <em><a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/">Corra!</a></em>, esse segundo inclusive ganhando o <em>Oscar</em> de Melhor Roteiro Original. A produtora estadunidense <em>A24</em> apostou no formato e na mente perturbada do diretor Ari Aster para lançar às telonas a euforia de <em>Hereditário</em>.<br />
<span id="more-10463"></span></p>
<p>Centrado no declínio de uma família americana de classe média alta, o longa passeia de forma angustiante pela loucura pessoal de cada uma das figuras do clã dos Graham. Annie (Toni Collette) é profissional de miniaturas, mãe de dois filhos recheados de ressentimento materno, atua num relacionamento frio e distante com o marido e leva um baque quando recebe a notícia da morte da mãe, Ellie, já demente e que passou os últimos dias vivendo sob seu teto.</p>
<p><figure style="width: 774px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="" src="http://duastorres.com.br/wp-content/uploads/2018/04/Heredita%CC%81rio.jpg" width="774" height="387" /><figcaption class="wp-caption-text"><em>Hereditário toma como principal inspiração a trama familiar de O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>O principal trunfo do roteiro e da direção de estreia de Aster foi a paciência para dar o devido gosto da atração para o espectador. É quase como se as reações fossem colocadas em banho-maria para o sabor ser extraído por completo, sabor esse que constantemente se torna amargo. <em>Hereditário</em> incomoda.</p>
<p>O diretor filma estaticamente os ambientes, quase como se o ponto de vista fosse uma das maquetes de Annie. A música acompanha a ação das personagens, a partir do momento que a figura do ocultismo cresce, o mesmo ocorre com a trilha. O terceiro ato ensurdece. O diretor também se demora ao adentrar a psique de suas figuras centrais.</p>
<p>Encontra-se em Annie uma personalidade oca e cavoucada, ao passo que Toni Collette aceita mais e mais o sobrenatural ao seu redor. O absurdo dos gritos e caras que a atriz veste para a caracterização da personagem carimbam o talento de Collette e pavimentam esta como uma das melhores atuações do ano até então. A produção não funcionaria tão bem sem a presença ímpar de sua personalidade central.</p>
<figure style="width: 662px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="" src="https://i2.wp.com/www.ahoradomedo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/screen-shot-2018-01-29-at-1-28-03-pm.png?fit=780%2C428&amp;ssl=1" width="662" height="363" /><figcaption class="wp-caption-text"><em>Toni Collette já foi indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme O Sexto Sentido, outro longa com a presença do sobrenatural (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Passando para os filhos da família, Peter (Alex Wolff) trabalha muito bem no limiar da sanidade humana em meio a todos os ocorridos ao longo das mais de duas horas de filme. O pai, Steve (Gabriel Byrne), é a figura pé no chão do filme, sempre calculando as possíveis variáveis e falhando sempre na tentativa de acalmar o restante da casa.</p>
<p>O estrelato cai mesmo na sinistra figura de Charlie (Milly Shapiro), a caçula, que atua com os olhos frios e os estalares da boca, sempre cabisbaixa. Charlie representa o clássico ser afetado nas produções de terror conhecidas: a garotinha Regan de <em>O Exorcista</em> <em>(1974)</em> e a figura infantil do anticristo em <em>A Profecia</em> <em>(1977)</em> são exemplos do arquétipo.</p>
<p>Mesmo que seja Charlie quem abre as portas do oculto e convida o terror para dentro da casa, o roteiro de Ari Aster subverte expectativas e constrói uma atmosfera bem semelhante a construída em <em>A Bruxa</em> (2015), paciência é a palavra-chave aqui. Tomadas longas que sucedem sequências alucinantes executam a função da espera, da aceitação. Entretanto, no momento que a tensão chega, o diretor abre mão da subjetividade e explicita tudo que maquinava em sua mente obscura.</p>
<figure id="attachment_10474" aria-describedby="caption-attachment-10474" style="width: 751px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-300x169.jpg" alt="" width="751" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/imagem-4-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10474" class="wp-caption-text"><em>O filme teve recepção ótima da crítica estrangeira, chegando a somar 89% de aprovação no site Rotten Tomatoes (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Com uma estética minimalista, <em>Hereditário</em> transita como uma farsa digna da era de ouro da Grécia, não atoa o personagem de Peter estuda Medeia nas cenas das aulas de Literatura. Ari Aster remonta os épicos ancestrais num formato atual, estiloso e cheio de vigor. O diretor opta por posicionar sua câmera não só no interior de ambientes quadrados e fechados, como também no âmago de suas personagens, cada qual perdendo a lucidez a sua maneira.</p>
<p>O longa peca, porém, na excessiva auto explicação. A certa altura, já tendo se explanado duas vezes, o roteiro faz uma curva em retrocesso e torna a verbalizar os motivos do sobrenatural se prostrar firma ali. Quiçá por exigência de estúdio, quiçá por perfeccionismo do diretor; a certeza que fica é que o longa se beneficiaria mais se melhor apostasse na subjetividade das ações de suas personagens. Digno de ser dissecado e reinterpretado, <em>Hereditário</em> assusta e firma Ari Aster como uma das promessas do <a href="http://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-critica/">terror</a> que está sendo produzido em terras estadunidenses.</p>
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