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	<title>Arquivos Tom Hanks &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 18:40:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo “Precisava?”, é dito por algum internauta quando é anunciada a quarta ou quinta sequência de uma franquia. Parece ser difícil compreender que esse é o modus operandi de Hollywood, mesmo que os trailers antes de Toy Story 5 começar revelem a situação da cidade dos grandes estúdios: live action de Moana, o próximo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/toy-story-5-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Toy Story 5, 6, 7, 8… até a gente cansar de brincar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37355" aria-describedby="caption-attachment-37355" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-800x450.jpg" alt="Cena do filme Toy Story 5 Na imagem da animação, o personagem Woody está de costas, revelando a ausência de tinta no topo da cabeça, como se fosse uma calvície. Ele está vestindo um poncho vermelho, amarrado no pescoço, com algumas figuras em branco. Woody está apoiando seu chapéu de caubói em alguma superfície. Ele possui a aparência de um caubói, de pele clara e cabelos curtos e lisos na cor castanha.
" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/HBiX0ZSXgaG8eg.jpg 1111w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37355" class="wp-caption-text">Tom Hanks e Tim Allen retornam como as vozes originais de Woody e Buzz (Foto: Pixar)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Precisava</span></i><span style="font-weight: 400;">?”, é dito por algum internauta quando é anunciada a quarta ou quinta sequência de uma franquia. Parece ser difícil compreender que esse é o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que os </span><i><span style="font-weight: 400;">trailers</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> começar revelem a situação da cidade dos grandes estúdios: </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2026/6/18/moana-live-action-deve-superar-bilheteria-de-estreia-do-filme-animado"><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o próximo Homem-Aranha do Tom Holland e o terceiro capítulo da saga dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Minions</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diante disso, aceitamos amargamente a realidade em que filmes são às vezes mais mercadoria do que Arte e assim, talvez a gente consiga se divertir. Pode ser com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Era do Gelo: Mundo de Lava </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Street Fighter</span></i><span style="font-weight: 400;">, dificilmente com a nova história dos brinquedos animados. </span><span id="more-37356"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de muitos fãs torcerem o nariz para </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> por continuar uma trama que já havia recebido seu lindo fim no </span><a href="https://personaunesp.com.br/toy-story-3-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">terceiro longa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele ainda possui o propósito de encerrar a trajetória de Woody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Hanks</span></a><span style="font-weight: 400;">), fazer um estudo de personagem com uma bela alegoria sobre paternidade ao mesmo tempo que trazia a Betty (Annie Potts) de volta. Porém, não dá para dizer o mesmo do enredo comandado por Andrew Stanton, que deixa claro: é hora de parar. Lembra a cena em que os bonecos dão as mãos e aceitam o fim iminente? Então, dá para tirar boas lições disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa seminal do </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;">, perdão a </span><a href="https://arkade.com.br/retroarkade-cassiopeia-primeiro-longa-animacao-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">Cassiopéia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1996), já discutia as implicações da tecnologia sob os artigos convencionais. O xerife era o velho e Buzz Lightyear (Tim Allen) o moderno, aquele que toda criança ia amar ter na coleção. O segundo filme trata do sufocamento das séries </span><i><span style="font-weight: 400;">western </span></i><span style="font-weight: 400;">da televisão após a ida do homem ao espaço e o ‘boom’ da ficção científica. No seguinte, Lotso (Ned Beatty) faz a turma perceber que são plásticos descartáveis só esperando a hora de ir para a lixeira, o que culmina na ciência que Woody adquire ao compreender que a vida pode ser muito maior do que pertencer a uma criança e reviver o mesmo destino para sempre. </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma essa amálgama para repetir o que público e personagens já entenderam; um </span><i><span style="font-weight: 400;">tablet </span></i><span style="font-weight: 400;">é a ameaça da vez, ora o boneco que voa um dia já foi também. </span></p>
<figure id="attachment_37357" aria-describedby="caption-attachment-37357" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/hq720-1.jpg" alt="Cena do filme Toy Story 5Na imagem de animação, a personagem Jessie está cavalgando em seu cavalo de pano na cor marrom, o Bala no Alvo. Em um cenário de crepúsculo, Jessie olha para trás com ternura. Ela é um brinquedo de pano com o rosto de plástico. De cabelos vermelhos e olhos verdes, ele veste uma roupa de vaqueira. Camisa branca e jeans claro com desenho de vaca malhada na parte da frente. 
" width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-37357" class="wp-caption-text">Jessie assume o protagonismo da franquia (Foto: Pixar)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É irônico como a animação é autoconsciente de sua natureza em alguns momentos, seja o Woody calvo e velho ou quando Amigo Rolinho (Conan O&#8217;Brien) diz que Jessie (Joan Cusack) é inútil. São adjetivos que representam muito bem esse capítulo. Não que esteja acontecendo aqui uma defesa por uma ideia de utilidade e propósito da Arte, mas será que devemos nos apoiar tanto nesse argumento quando falamos de uma empresa bilionária (se não mais do que isso) como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? É reduzir o debate sobre liberdade criativa, esgotamento de ideias e a presença do público das salas de cinema em defesa de uma história nem tão boa assim e que não traz frescor algum. Não é um total desperdício e realmente tem cenas bem tocantes – como a Jessie encontrando as recordações de Emily –, afinal, ainda é </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar </span></i><span style="font-weight: 400;">e ainda é </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo menos disfarça a sua existência promovida pelo capital, o roteiro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/procurando-dory-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Stanton</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Kenna Harris apenas confirma como não tem mais o que fazer com essa franquia enquanto ela estiver presa nas temáticas que começaram em 1995 e o quão covarde é trazer Woody de volta como se não houvesse dificuldades para o reencontro. A dupla de escritores faz um segundo núcleo, protagonizado por vários Buzzs perdidos em busca do Comando Estelar para serem usados meramente como </span><a href="https://www.ia.unesp.br/#!/teatro-sem-cortinas/pratas-da-casa/glossario-teatral/d---e---f/deus-ex-machina/"><i><span style="font-weight: 400;">ex-machina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na história. Portanto, se o próprio filme propaga a ideia de propósito com seus personagens, por que a gente, como público, também não deveria? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">tablet </span></i><span style="font-weight: 400;">e toda a discussão sobre o isolamento das crianças nesse cenário de redução das brincadeiras no mundo real… dá um tempo, às vezes soa igual um filme publicitário e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou tarde demais na conversa. Como tudo nessa vida, essa crítica tem prazo de validade e a opinião do sujeito que escreve pode mudar conforme o tempo e as vivências intercedem na formação de uma pessoa, mas o futuro de Jessie, Woody e todos os outros bonecos depende, claro, de seu sucesso nas bilheterias – afinal, falamos de um produto –, porém preso ao presente (ou passado) não dá para ter um veredito quanto a isso. No </span><i><span style="font-weight: 400;">X </span></i><span style="font-weight: 400;">(antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">), um usuário disse que o caminho para a franquia é se entregar às histórias paralelas que esse universo oferece. A solução apenas reproduz o comportamento atual: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-lightyear/"><span style="font-weight: 400;">derivados</span></a><span style="font-weight: 400;"> de apostas seguras para o mercado. </span></p>
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		<title>Entre os mais rasos, Asteroid City é o mais belo</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Apr 2024 18:43:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Costanza Guerriero No primeiro semestre de 2023, as redes sociais foram invadidas por vídeos de composições simétricas, cores pastéis, filtros saturados e rostos inexpressivos. Ao som de Obituary, do compositor Alexandre Desplat, os internautas retratavam  os  seus dias cotidianos, no que parecia ser uma viralização do estilo característico do diretor Wes Anderson. O fascínio da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/asteroid-city-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre os mais rasos, Asteroid City é o mais belo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33262" aria-describedby="caption-attachment-33262" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2.png" alt=" Imagem do filme Asteroid City. A atriz Scarlett Johansson, interpretando a personagem Midge Campbell. Ela está com os braços apoiados na janela de um banheiro, e apoia o rosto na mão esquerda. A atriz é uma mulher branca, possui cabelos curtos e castanhos, olhos azuis e lábios corados, e olha para frente com sobrancelhas levemente curvadas. Ao fundo, dentro do banheiro, ve-se uma banheira na cor azul tiffany, que está em partes cobertas por um biombo de madeira. A moldura da janela é branca e é possível ver a paisagem do pôr do sol, no canto esquerdo da imagem." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2.png 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4-2-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33262" class="wp-caption-text">Asteroid City é uma comédia, quase romântica, de ficção científica (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Costanza Guerriero</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No primeiro semestre de 2023, as redes sociais foram invadidas por </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/04/24/arts/wes-anderson-film-tiktok.html"><span style="font-weight: 400;">vídeos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de composições simétricas, cores pastéis, filtros saturados e rostos inexpressivos. Ao som de </span><a href="https://youtu.be/azB-_MlmhfI?si=xV8BX3hQ1fnrdCfe"><i><span style="font-weight: 400;">Obituary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do compositor Alexandre Desplat, os internautas retratavam  os  seus dias cotidianos, no que parecia ser uma viralização do estilo característico do diretor Wes Anderson. O fascínio da mídia espontânea pelo visual característico do cineasta prova o encantamento que suas produções podem causar no telespectador, por meio da intrínseca relação que suas  narrativas encontram com sua </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/wes-anderson-tik-tok-trend-1234721548/"><span style="font-weight: 400;">estética</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Asteroid City,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a última obra de Anderson, entrega um pouco desse fascínio. </span></p>
<p><span id="more-33258"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três meses após a estreia no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-da-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa chegou no Brasil em Agosto, fazendo pouco barulho em meio ao rebuliço de </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A narrativa se passa, no início dos anos 1950, na pacata e desértica cidade fictícia que dá nome a trama, local marcado pela presença de uma cratera de meteoro. Lá ocorre a Convenção </span><span style="font-weight: 400;">Júnior de Observadores de Estrelas e Cadetes Espaciais</span><span style="font-weight: 400;">, na qual famílias se reúnem para prestigiar suas crianças cientistas prodígios. Tudo ocorre normalmente &#8211; ou melhor, “wesanderionamente” &#8211; até as personagens precisarem ser submetidas à quarentena pelo exército, após entrarem em contato com um extraterrestre.</span></p>
<figure id="attachment_33261" aria-describedby="caption-attachment-33261" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33261" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3.jpg" alt="Imagem do filme Asteroid City. Os atores Jason Schwartzman, interpretando o personagem Augie e Tom Hanks, interpretando Stanley, estão se olhando, na frente de uma oficina de carros. No canto esquerdo, Schwartzman é um homem branco, com barba e cabelos escuros. Ele veste um blazer bege, com uma câmera fotográfica pendurada no pescoço e fuma um cachimbo. Ele está sentedno em cima do capô de um carro. Ao lado direto, Hanks é um homem branco, com cabelos e bigode grisalhos. Ele veste uma camisa amarela de manga curta. Ao fundo há a fachada da oficina mecânica, com os dizeres “Powerizing Service”." width="1999" height="1111" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3-768x427.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3-1536x854.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-3-1200x667.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33261" class="wp-caption-text">Em Asteroid City, Wes Anderson mescla a técnica do stop motion com live action, da mesma maneira que já fez em produções anteriores, como em A Vida Marinha (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/roman-coppola"><span style="font-weight: 400;">Roman Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> colabora com Wes Anderson na criação do roteiro, no qual exploram um ótimo equilíbrio entre elementos que de fato estavam  presentes na década de 1950, com seu modo de contar história, que pouco se preocupa com fatos reais. O clima de corrida espacial e expectativa de ir à Lua, na qual a geração </span><i><span style="font-weight: 400;">boomer </span></i><span style="font-weight: 400;">cresceu, é introduzida com as ideias de alienígenas e de crianças que possuem mais conhecimentos do que a própria inteligência das forças armadas americanas. A estética </span><a href="https://www.filmmakersacademy.com/blog-the-look-of-asteroid-city/"><span style="font-weight: 400;">artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de elementos pouco credíveis são intencionais, e pode-se dizer que é o mais proveitoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Asteroid City</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tônica sideral é o que compõe, em partes, essa narrativa. Em partes porque a história sobre extraterrestres é, na verdade, uma peça de teatro, dirigida pelo personagem de Edward Norton (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Hotel Budapeste</span></i><span style="font-weight: 400;">). Não é estranho a Anderson dividir as cenas dos seus filmes como atos de uma peça </span><a href="https://cinemow.com/index.php/2023/03/16/wes-anderson-arte-de-recriar-o-teatro-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">teatral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, dessa vez, além da demarcação explícita dos capítulos, também há cenas que se dedicam a mostrar os bastidores por detrás da obra dentro da obra. O que pode não ter funcionado muito bem nesse modelo é a excessiva troca de uma trama para a outra, marcadas por interlúdios do narrador, sendo um pouco difícil de se conectar com as personagens.</span></p>
<figure id="attachment_33260" aria-describedby="caption-attachment-33260" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2.jpg" alt="Imagem do filme Asteroid City. A imagem em preto e branco mostra a atriz Hong Chou interpretando a personagem Polly e o ator Adrien Brody interpretando a personagem Schubert Green. Do lado esquerdo, a atriz Chou possui os cabelos pretos presos em um coque baixo. Ela veste um casaco trench claro e segura uma mala. Sua mão está segurando a porta do recinto. Do lado direito, o ator Adrien é um homem branco com cabelos curtos e pretos. Ele veste uma camiseta branca e uma calça alfaiataria. Ao fundo vê-se uma janela com uma cortina amarrada e uma parede de ladrilhos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33260" class="wp-caption-text">A história é toda narrada pelo anfitrião da peça de teatro, interpretado pelo ator Bryan Cranston, de Breaking Bad (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem como em </span><a href="https://youtu.be/ZMgvkuhVWfc?si=yYBUfeoMyRjVmhzU"><i><span style="font-weight: 400;">A Crônica Francesa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foca em diversos núcleos de personagens de maneira simultânea, mas diferentemente do antecessor,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Asteroid City </span></i><span style="font-weight: 400;">tem dificuldade em juntar todas essas histórias em um desfecho comum. A narrativa mais bem desenvolvida talvez seja o quase romance entre o fotógrafo de guerra Augie, bem interpretado por Jason Schwartzman (</span><i><span style="font-weight: 400;">Três é Demais</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a atriz Midge Campbell, vivida por Scarlett Johansson (</span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contraste a esse drama romântico, o tom cômico e particular do diretor é explorado no conflito de gerações, retratando crianças que se comportam mais como adultos do que os próprios pais, assunto já explorado pelo diretor em </span><a href="https://youtu.be/7N8wkVA4_8s?si=Mckt82z7rYlMuRef"><i><span style="font-weight: 400;">Moonrise Kingdom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> Aqui são as crianças que resolvem todos os problemas enquanto seus pais não conseguem superar os próprios fantasmas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Schwartzman e Norton, outros atores que já tiveram experiências anteriores com a direção de Anderson retornam para essa produção,</span> <span style="font-weight: 400;">como Tilda Swinton (</span><i><span style="font-weight: 400;">Moonrise Kingdom</span></i><span style="font-weight: 400;">), Adrien Brody (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem para Darjeeling</span></i><span style="font-weight: 400;">), Tony Revolori (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Hotel Budapeste) </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/flavia-guerra/2023/05/24/seu-jorge-e-wes-anderson-a-amizade-que-ultrapassa-a-tela-alguem-que-amo.htm"><span style="font-weight: 400;">Seu Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Marinha</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span><a href="https://www.cbr.com/actors-who-work-with-wes-anderson/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Fantástico Senhor Raposo</span></i><span style="font-weight: 400;">) aparece em uma das cenas para apenas bater ponto com o diretor. O cineasta é conhecido por sempre trabalhar com um elenco de peso, e como visto, nessa obra não foi diferente. Dos atores que estrelam com ele pela primeira vez destacam-se Tom Hanks (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior Vizinho do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Maya Hawke (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). A escolha de Steve Carell (</span><i><span style="font-weight: 400;">Querido Menino</span></i><span style="font-weight: 400;">) foi para muitos inusitada, já que possui um estilo tão particular quanto o próprio diretor. Contudo, a combinação deu certo, mantendo a originalidade de ambos.</span></p>
<figure id="attachment_33259" aria-describedby="caption-attachment-33259" style="width: 1250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33259" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3.jpg" alt="Imagem do filme Asteroid City. O ator Steve Carell interpretando a personagem do gerente do hotel está em um deserto, posicionado à frente do hotel. Carrell é um homem branco de meia idade, possui cabelos e bigodes preto grisalho. Ele olha fixamente para frente e utiliza uma viseira verde neon translúcida. Ve-se do seu busto para cima, que veste uma camisa verde. Ao fundo vê-se o deserto e  o céu azul saturado com nuvens brancas. O hotel que se vê atrás é de pedras e possui várias vending machines." width="1250" height="781" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3.jpg 1250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-3-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33259" class="wp-caption-text">Apesar de Asteroid City não ter recebido nenhuma indicação ao Oscar, Wes Anderson não foi de todo esnobado e seu curta A Incrível História de Henry Sugar saiu vitorioso, rendendo-lhe sua primeira estatueta (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica óbvio que design de produção é um dos pontos de destaque no filme por se tratar, é claro, de uma obra de Anderson. O recurso em preto e branco é utilizado nas cenas que contam sobre os bastidores do teatro, enquanto as familiares e perfeitamente balanceadas cores no tom pastel são escolhidas para as cenas que contam a peça em si. Aqui também vai uma menção honrosa à designer de figurino </span><a href="https://www.foodietown.ca/artsmart-the-fabulous-fashions-of-milena-canonero/-fashions-of-milena-canonero/"><span style="font-weight: 400;">Milena Canonero</span></a><span style="font-weight: 400;">, que complementou a excentricidade do cenário montado, com </span><a href="http://finissimo.com.br/2023/07/24/asteroidcity/"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que refletem a essência dos anos nos quais o longa se passa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quesito fotografia e personagens excêntricos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Asteroid City</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo perfeito para compreender que é impossível assistir a um filme do Wes Anderson sem se lembrar de outro filme do Wes Anderson. Apesar da falta de profundidade na história em si, a obra acaba funcionando como uma espécie de metalinguagem, no qual o diretor reverência a fusão das Artes do Teatro e do Cinema. Ainda que seja uma produção que não chegou aos holofotes da temporada de premiações, é um bom entretenimento e até mesmo, objeto de estudo para os novos fãs do cineasta que chegaram, via </span><a href="https://www.vogue.pt/podia-ser-de-um-filme-de-wes-anderson"><span style="font-weight: 400;">redes</span></a><span style="font-weight: 400;"> sociais, buscando o encanto estético que seus filmes apresentam.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Asteroid City | Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0TPFqmbnHNk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 20:50:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. Baz Luhrmann poderia facilmente ter encaixado Elvis nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30033" aria-describedby="caption-attachment-30033" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis no centro da foto, em um primeiro plano. Ele está representado do quadril para cima, com o corpo inclinado para trás e olha diretamente para a câmera enquanto canta, com a sua mão direita segurando o microfone. Ele usa uma jaqueta preta de couro e sua guitarra vermelha está pendurada no pescoço. Elvis é interpretado por Austin Butler. Ele tem cabelos escuros, lisos e penteados para trás, olhos azuis e uma pele clara, mas bronzeada. Em segundo plano é possível ver a plateia assistindo ao show. A maioria dos presentes é composta por mulheres que observam Evis encantadas." width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30033" class="wp-caption-text">Retorno de Baz Luhrmann às telonas após um hiato de nove anos, a cinebiografia de Elvis Presley arrematou indicações nas principais premiações dos Sindicatos estadunidenses da Sétima Arte (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/baz-luhrmann-por-onde-comecar"><span style="font-weight: 400;">Baz Luhrmann</span></a> <span style="font-weight: 400;">poderia facilmente ter encaixado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jJJmHcY2TAE"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista e, como se isso garantisse um selo de aprovação, investindo em uma homenagem. Mas o longa &#8211; que disputa oito estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; se inspira no próprio ídolo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoXjZlCTSm4"><i><span style="font-weight: 400;">procurar problemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Revelando conflitos profundos, perspectivas que fogem do unidimensional e muita identidade, a cinebiografia avessa do </span><a href="https://universoretro.com.br/como-elvis-presley-se-tornou-o-rei-do-rock/"><span style="font-weight: 400;">rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock n’ Roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói seu espetáculo entre linhas dramáticas, sensíveis e indiscutivelmente musicais.</span></p>
<p><span id="more-30031"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado nos cinemas em Julho do ano passado, o filme empresta o tom extravagante e por vezes teatral de outras criações famosas de Luhrmann, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu + Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DQ1M1EAkaw0"><span style="font-weight: 400;">pompa criativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor permanece atrelada à história inalterável, mas ainda indecifrada em sua totalidade, de Presley, fator que estimula o tato diversificado e a progressão frenética encontrados no texto de Baz, Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.</span></p>
<figure id="attachment_30032" aria-describedby="caption-attachment-30032" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e foca no personagem Coronel Parker, nela centralizado. Ele é interpretado por Tom Hanks, um homem na casa dos sessenta anos que está com uma maquiagem realista cujo objetivo é engordar o ator. Coronel é um homem branco, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um terno xadrez e apoia-se com as duas mãos em uma bengala, enquanto segura um charuto entre os dedos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30032" class="wp-caption-text">Quase duas décadas antes de dar vida a Coronel Parker, Tom Hanks imitou o próprio Presley em Elvis Ainda Não Morreu! (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama por si só foge de convenções documentais ao priorizar a perspectiva do empresário de Elvis, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/colonel-tom-parker-elvis-true-story"><span style="font-weight: 400;">Coronel Tom Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tom Hanks). Visto como manipulador, ambicioso e calculista aos olhos da própria </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/ex-mulher-de-elvis-diz-que-empresario-tom-parker-tinha-duas-personalidades.phtml"><span style="font-weight: 400;">ex-esposa do agenciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o antagonista assume a narração do longa evocando o leque de emoções que sua “galinha dos ovos de ouro” causava nele mesmo e nos outros habitantes do planeta, desconhecedores do que existia por trás da </span><a href="https://bnldata.com.br/elvis-acerta-ao-oferecer-espetaculo-sobre-elvis-presley-e-show-business/"><span style="font-weight: 400;">magia do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbusiness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um garoto humilde, natural de Memphis, no Tennessee, que descobriu no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> a oportunidade de extrapolar sua voz e embalar uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/ha-50-anos-elvis-presley-dominava-palco-em-show-historico,fa37f2187deda05cd9a0a3f0c0af5dd4whom9umw.html"><span style="font-weight: 400;">presença de palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> surreal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mergulhar nesse recorte, Luhrmann abandona o detalhamento de alguns </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/07/elvis-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme.html"><span style="font-weight: 400;">aspectos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida de Presley, como seu conturbado matrimônio e o uso desenfreado de drogas e remédios &#8211; ainda que esses fatores sejam representados em cena. O foco é na relação codependente, problemática e </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/andre-cananea/elvis-e-parker-uma-relacao-toxica"><span style="font-weight: 400;">extremamente destrutiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre artista e agente. E em como a mesma pessoa que impulsionou a carreira em questão às alturas pode ser aquela que fez o castelo ruir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduz esse atrito de maneira astuta e até irônica, sem se afetar com a cronologia exata dos fatos e da discografia do cantor. Podemos estar no apartamento colorido de seus pais ou nas noites envolvidas pela poderosa Música da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlDgRwfSx0k"><i><span style="font-weight: 400;">Beale Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: não importa. A licença artística fala mais alto, abusando de dúvidas, acessos de raiva e curiosidades depositados pelo trabalho arrojado de Matt Villa e Jonathan Redmond, que garantem espaço nos indicados a </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/elvis-editors-on-keeping-the-kings-story-rocking-along/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Montagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de terem poucas chances contra o multifavorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30034" aria-describedby="caption-attachment-30034" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro planos os personagens Coronel Parker (à esquerda) e Elvis (à direita) sentados em um banco de roda gigante à noite. Coronel é interpretado por Tom Hanks e é um homem branco, corpulento, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um chapéu, terno e apoia-se em uma bengala. Seu olhar recai sobre Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, tem cabelos escuros penteados para trás e usa uma camiseta preta. Ele olha para baixo e apoia-se com os cotovelos nos joelhos. Ao fundo, em segundo plano, é possível observar os contornos de um parque de diversões desfocado. Há muitas luzes redondas e brancas que contrastam com a imagem mais escura dos personagens." width="1600" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30034" class="wp-caption-text">Lisa Marie Presley, filha única do Rei do Rock, classificou o filme como “nada menos do que espetacular”; ela também era cantora e faleceu em Janeiro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, as cenas têm inúmeros cortes dissolvidos, bruscos ou que se dividem em quatro telas simultâneas, chocando informações internas e externas destinadas às </span><a href="https://jornal140.com/2020/04/20/as-fases-da-vida-de-elvis-presley/"><span style="font-weight: 400;">personas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que formavam o astro tenessiano. Recurso excessivo no filme e clichê para o diretor, o bombardeamento cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe reproduzir os </span><a href="https://theconversation.com/how-elvis-permanently-changed-american-pop-culture-81917"><span style="font-weight: 400;">efeitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Presley tinha sobre os padrões sociais e cidadãos de sua época, período que, na verdade, se estendeu com uma atemporalidade já vista em vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rockeiro confeccionou sua carreira &#8211; dos palcos a </span><a href="http://www.elvistriunfal.com/artigos/0026.htm"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; durante diferentes fases e momentos da história dos Estados Unidos, começando na segregação racial, passando pelo surgimento da Guerra Fria e chegando até a ascensão e morte de várias personalidades públicas, como Sharon Tate, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/if-i-can-dream-como-elvis-lidou-com-o-assassinato-de-martin-luther-king.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Robert Kennedy. Paralelamente, Luhrmann usa o terreno para escancarar a questionável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62009442"><span style="font-weight: 400;">consciência política</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ídolo, que quase nunca chegou a se colocar na linha de frente por causas ou ativismos, mesmo propagando um gênero musical enraizado e desenvolvido na </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/elvis-biopic-black-musicians"><span style="font-weight: 400;">cultura negra</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30036" aria-describedby="caption-attachment-30036" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular, em close, os personagens Elvis e B.B. King lado a lado. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás com alguns fios caindo sobre a testa. B. B. King é interpretado por Kelvin Harrison, um homem na casa dos vinte anos, negro, de cabelos bem curtos. Ele usa uma camiseta xadrez vermelha. Ambos olham para baixo, para um mesmo ponto. O fundo está desfocado. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30036" class="wp-caption-text">Segundo Michael T. Bertrand, autor do livro Race, Rock and Elvis, o cantor não era político, seja por influências de sua gravadora e seu agente, ou pela falta de entendimento sobre seu papel em uma sociedade racista (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o autorretrato seja uma constância, o balanço da trama para além do alter ego de Elvis, brincando com os antagonismos do artista e de Parker, preenche seu elenco geral de motivações cada vez mais escalares. O ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elvis-apos-desbancar-harry-styles-austin-butler-surpreende-em-filme-sobre-cantor/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> não exita em abraçar a potência necessária para ser Presley, ao fidelizar os trejeitos característicos do Rei de forma emblemática nos palcos, porém, também representar com vulnerabilidade seu </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">. Buscando humanidade nas provações do universo da fama, o californiano estreia nas nomeações a Melhor Ator, podendo, inclusive, vencer a ilustre concorrência de Colin Farell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/02/26/fico-feliz-em-ver-que-quando-o-filme-termina-o-publico-reavaliou-algumas-crencas-que-tinha-diz-brendan-fraser-sobre-a-baleia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da turnê, Tom Hanks acena à caricatura sem repelir a expressividade que seu papel exige. Constantemente tocado pela aura contagiante do astro, o veterano torna o parasitismo do Coronel um dilema existencial complexo, que seria capaz de estampar qualquer filme de Terror ou florear o melhor dos dramas. Introjetados no meio tóxico ou assistindo suas inervações, Olivia DeJonge (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Helen Thomson (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Canguru Jack</span></i><span style="font-weight: 400;">), Richard Roxburgh (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">Até O Último Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kelvin Harrison Jr. (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) incorporam arduamente o amor a Presley e a gastura física e sentimental experimentada pelos mais próximos ao sistema.</span></p>
<figure id="attachment_30035" aria-describedby="caption-attachment-30035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro plano a cabeça de Coronel Parker vista de trás. Ele está parcialmente desfocado, mas é possível observar por sua silhueta que ele usa um terno com escritas pretas e um chapéu. Coronel é um homem branco, na casa dos sessenta anos, grisalho. Ele é interpretado por Tom Hanks. Em segundo plano, olhando para o Coronel, estão Priscilla (à esquerda) e Elvis Presley, abraçados. Priscilla é interpretada por OIivia DeJonge. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos. Tem um rosto e nariz finos, usa um penteado alto de época e tem os olhos bem marcados por um lápis preto. Ao seu lado está Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, mas bronzeado, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás. Ele usa um paletó azul sobre uma camiseta brilhante da mesma cor." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30035" class="wp-caption-text">Austin Butler revelou ter pedido conselhos de atuação a Rami Malek, intérprete de Freddie Mercury em <a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/">Bohemian Rhapsody</a>, cinebiografia do Queen reconhecida pela Academia dos carecas dourados (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejando o cenário adequado para tratar sua gama de conteúdos, o longa acerta em definitivo com as decisões visuais. A cargo de </span><a href="https://ymcinema.com/2022/07/05/elvis-shot-by-cinematographer-mandy-walker-on-panavision-elvis-lenses/"><span style="font-weight: 400;">Mandy Walker</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição traduz a essência particular do cantor estadunidense e, na velocidade crescente, imprime as feridas que as décadas abriram e expuseram. As nuances entre o colorido Elvis, novato no mundo dos acordes, e o homem despedaçado e quase desprovido de perspectivas nos anos 1970 são desenhadas através dos avanços tecnológicos, capturando os impactos gerados pelo som e pela imagem desde os aparelhos analógicos. Notavelmente ancorado no realismo das caracterizações de personagens, o trabalho recebeu merecido destaque na categoria de Melhor Fotografia &#8211; em que bate de frente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e tem pé quente para levar Melhor Figurino e </span><a href="https://www.thewrap.com/make-up-artists-hair-stylists-guild-awards-winners-2023/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já os jogos de câmera e luz são lúdicos ao extremo e seguem confundindo a biografia com um eterno </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. A estratégia martelada pela direção de arte &#8211; lembrada na disputa pelo careca dourado de </span><a href="https://fredericmagazine.com/2022/07/elvis-movie-set-design/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não se perde nos holofotes, deixando os temas corriqueiros segurarem o rojão da fluidez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no falecimento da matriarca Presley, nas desilusões do ícone musical no pós-Cinema ou na constatação de que seu casamento acabou.</span></p>
<figure id="attachment_30037" aria-describedby="caption-attachment-30037" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis em primeiro plano, visto da janela de um carro. A janela reflete um letreiro brilhante e colorido em neon, que gera uma luz colorida e arroxeada sobre a imagem. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros sob um óculos escuro, e cabelos pretos penteados para trás. Ele olha para fora da janela e sua expressão é pensativa. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30037" class="wp-caption-text">Inspirado por Rocketman, Elvis utiliza registros documentais do último show do artista como gran finale (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certa altura do campeonato, fica claro que Elvis não é um herói. Luhrmann está interessado em homenageá-lo, aclamando seu talento e sucesso, mas se preocupa mais ainda em não ultrapassar as restrições que o próprio ídolo impôs a seu legado. Nas lentes do cineasta, Presley contracena com artistas negros sempre entregando que, independentemente de ter trazido o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à superfície, o povo fundador do gênero continuou sofrendo no anonimato e sendo cruelmente </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/elvis-presley-e-o-apagamento-de-artistas-negros-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">apagado da História</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também não inventa a roda ao ilustrar como era bem mais fácil para um jovem branco vender os mesmo discos que alguém racializado poderia produzir, conseguindo popularizar a Música criada, não para ele, mas como instrumento de fé e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto se repete nas cenas que sucedem a polêmica apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual Elvis responde à </span><a href="https://variety.com/2022/music/news/elvis-presley-fake-story-police-crackdown-colonel-parker-1235302646/"><span style="font-weight: 400;">problematização conservadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu estilo musical. Conforme os protestos surgem, o longa aproveita para pincelar que as consequências dadas ao cantor sondado por Parker não são nem de longe tão graves quanto as vivenciadas por um artista negro, em semelhantes condições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando a </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/07/10/novo-filme-sobre-elvis-presley-mostra-a-influencia-da-musica-negra-no-rei-do-rock.ghtml"><span style="font-weight: 400;">crua verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, repagina canções tomadas por Presley da Música negra, tece novas versões de clássicos e elabora outros feitos pela junção de estilos, a exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZp2biJul1c"><i><span style="font-weight: 400;">Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, performance enérgica de Doja Cat que mistura um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional ao proficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Apesar da </span><a href="https://www.ign.com/articles/elvis-movie-black-music"><span style="font-weight: 400;">inclusão de diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibida, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não considerou as submissões do carro-chefe do filme nem sua vasta </span><a href="https://open.spotify.com/album/74g0V2gxEA5MCSaivAwZyb?si=Fse3oO0mT_m9GV_9gVTGww"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por ambos não atenderem aos </span><a href="https://portalpopline.com.br/vegas-doja-cat-elvis-desclassificada-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">critérios de originalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação.</span></p>
<figure id="attachment_30038" aria-describedby="caption-attachment-30038" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg" alt=" Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Little Richard cantando com um microfone na mão, sob um ângulo que o engrandece. Ele é interpretado por Alton Mason, um homem negro, jovem e magro, de cabelos escuros, com um penteado alto. Ele canta de olhos fechados e usa um terno cinza. O lugar em que ele está é uma sala fechada, pouco iluminada e as paredes têm pinturas de casas e árvores.Há uma lâmpada atrás de si, que ilumina a imagem." width="1600" height="1065" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30038" class="wp-caption-text">Em meio a baixas, o longa conseguiu emplacar uma nomeação na categoria de Melhor Som, concorrendo com Nada de Novo no Front, Avatar: O Caminho da Água, <a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Batman</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/">Top Gun: Maverick</a> (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem guia explicativo para o apelo simbólico de Presley ou teses cegadas pelo fenômeno que o estadunidense significou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece mais uma compilação de cada elemento artístico, social, político e individual que fez de seu protagonista um ícone unânime, capaz de ser assimilado quase 50 anos após sua morte e retratado como se fosse a primeira vez. Sob essa ótica, é fácil entender porque a captura mais recente aparece na lista de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2023-qual-o-nivel-da-safra-indicada-a-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não queremos deixar nossos ídolos se desintegrarem e, de certa forma, nem podemos, se considerarmos a habilidade do Cinema em regenerar as copiosas visões de uma vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em volta da sede por prestígio e das influências de um empresário controlador e calculista, Presley teve o ápice de sua existência na singularidade contraditória: propensa ao erro, presa ao fantasma da apropriação cultural, deslumbrada por promessas incoerentes e terminantemente apaixonada pelos solos de guitarra. No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> cativa por essa </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/614753/critica-elvis-2022-a-energia-caotica-do-rei/"><span style="font-weight: 400;">explosão de circunstâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, embrulhada no espetáculo cinematográfico de uma estrela, que, no frenesi da rotina, muito esbarra nas delícias de amar; o mundo, as pessoas e especialmente a Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baz Luhrmann’s ELVIS | Final Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZbrmBotVIGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Greyhound &#8211; Na Mira do Inimigo: um tiro na água</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2021 18:52:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 2021 foi um ano histórico para a Apple. Seu serviço de streaming, o Apple TV+, caminha lentamente para conquistar espaço no disputado mercado audiovisual, depois de ganhar um Emmy por The Morning Show e ser indicado duas vezes ao Oscar, uma por Wolfwalkers e outra por Greyhound, assunto deste texto. O filme é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/greyhound-na-mira-do-inimigo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Greyhound &#8211; Na Mira do Inimigo: um tiro na água"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19998" aria-describedby="caption-attachment-19998" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-2.jpg" alt=" Cena do filme Greyhound. Nela vemos Tom Hanks, um homem branco e de meia-idade, com roupa de capitão. Ele olha por uma janela de navio quebrada." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19998" class="wp-caption-text">Greyhound amargou uma única indicação ao Oscar 2021, na nova categoria de Melhor Som (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2021 foi um </span><a href="https://www.apple.com/br/newsroom/2021/03/apple-earns-historic-academy-award-nominations-for-wolfwalkers-and-greyhound/"><span style="font-weight: 400;">ano histórico para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, caminha lentamente para conquistar espaço no disputado mercado audiovisual, depois de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kpJ4_NV4MGo"><span style="font-weight: 400;">ganhar um </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ser indicado duas vezes ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma por </span><a href="http://personaunesp.com.br/wolfwalkers-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wolfwalkers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e outra por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assunto deste texto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é estrelado por Tom Hanks e roteirizado pelo próprio, a partir da obra </span><a href="https://www.amazon.com.br/bom-pastor-C-S-Forester/dp/8501116394/ref=pd_lpo_14_t_0/135-4555286-5160714?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8501116394&amp;pd_rd_r=2145c5c9-36ac-443b-bb1a-6925f2d71bcb&amp;pd_rd_w=GhGkE&amp;pd_rd_wg=s5QVb&amp;pf_rd_p=db376f82-c0ea-4aab-a0d6-5e957a2950ee&amp;pf_rd_r=J74BKXBCBTKGG630BAM1&amp;psc=1&amp;refRID=J74BKXBCBTKGG630BAM1"><i><span style="font-weight: 400;">O bom pastor, de C.S. Forester</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nada inventiva ou envolvente, a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound </span></i><span style="font-weight: 400;">(que ganhou o bizarro complemento nacional de </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Mira do Inimigo</span></i><span style="font-weight: 400;">) se desenvolve ao redor do capitão Krause e seu jogo de cintura para sair de uma encruzilhada marítima, tudo isso envelopado no contexto da Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<p><span id="more-19997"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Figurinha carimbada na temporada de premiações, o conceito de exploração da Guerra e do combate à Alemanha quase ficou de folga em 2021. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dFGkExLDrEc"><i><span style="font-weight: 400;">Jojo Rabbit</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor do careca de Roteiro Adaptado em 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, usava da sátira para trazer fôlego aos batidos clichês norte-americanos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound </span></i><span style="font-weight: 400;">não se preocupa em tornar seus noventa minutos minimamente interessantes. Vale a indicação para o Documentário em Curta-Metragem </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1383199789026836481"><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que explora com minúcias as dores da resistência francesa. </span></p>
<figure id="attachment_19999" aria-describedby="caption-attachment-19999" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3.jpg" alt="Cena do filme Greyhound. Nela vemos Tom Hanks, um homem branco e de meia-idade, com roupa de capitão. Ele está dentro de um barco, e veste uma jaqueta de couro escura e um cap preto com uma insígnia prateada, e um par de binóculos pendurado no pescoço. " width="1600" height="951" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3-300x178.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3-1536x913.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-3-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19999" class="wp-caption-text">Greyhound esboça um arco narrativo para o personagem de Hanks, mas falha de cara quando usa a morte de um profissional da cozinha negro para motivar o capitão, é claro, branco (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0773689/?ref_=nmawd_awd_nm"><span style="font-weight: 400;">direção ingênua de Aaron Schneider</span></a><span style="font-weight: 400;"> destrói o ritmo da produção, criando pequenas missões para </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/entrevistas/entrevista-tom-hanks-fala-a-hugo-gloss-sobre-greyhound-na-mira-do-inimigo-filme-da-apple-tv-que-roteirizou-e-estrela-nao-renunciamos-a-tensao-em-momento-algum-assista/"><span style="font-weight: 400;">Tom Hanks</span></a><span style="font-weight: 400;"> (extremamente desinteressado) concluir e partir para a próxima. Uma decisão importante sobre a mira, um comando certeiro a respeito da navegação e até a prestação de condolências por mortes aliadas se tornam excruciantes de assistir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que o currículo do diretor exprima qualquer prospecção de inovações. Schneider é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Yhyp-_hX2s"><span style="font-weight: 400;">diretor de fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e se aventurou na cadeira da direção poucas vezes. Sua filmografia, mesmo escassa, rendeu ao estadunidense uma estatueta de </span><a href="https://oscars.fandom.com/wiki/Two_Soldiers"><span style="font-weight: 400;">Melhor Curta-Metragem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Two Soldiers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2004. O retorno ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">foi mais modesto, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound </span></i><span style="font-weight: 400;">aparecendo apenas na categoria de Melhor Som.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Greyhound - Na Mira do Inimigo — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/H4ClNcJ7VEk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomeação de 2021 é creditada à Warren Shaw (vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X4YjfmN7dF8"><i><span style="font-weight: 400;">The Night Of</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Michael Minkler (vencedor de 3 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mais recente por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3wXwKsN5Ryk"><i><span style="font-weight: 400;">Dreamgirls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Beau Borders e David Wyman, os dois últimos ainda virgens de vitórias em grandes prêmios. </span><a href="https://cinemacao.com/2020/05/02/oscar-de-melhor-som-misturar-mixagem-e-edicao-e-bom-ou-ruim/"><span style="font-weight: 400;">A junção de Mixagem e Edição de Som</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma única categoria beneficiou o filme que, apesar dos defeitos de narrativa, estrutura e criação de empatia com os personagens, é muito bem sucedido nos departamentos técnicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, se você procura algum produto com narrativa questionável, mas ótimo som, </span><a href="https://gameranx.com/features/id/138303/article/best-playstation-4-war-games/"><span style="font-weight: 400;">é melhor ligar o </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> e jogar um joguinho de tiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. É improvável que algo insosso como </span><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound </span></i><span style="font-weight: 400;">saia com o prêmio, mas não devemos descartar qualquer cenário para os profissionais que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eRpp0JZY8pk"><span style="font-weight: 400;">premiaram a abominação </span><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nesse mesmo campo, dois anos atrás. Por ora, </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><span style="font-weight: 400;">aposte em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e deixe </span><i><span style="font-weight: 400;">Greyhound &#8211; Na Mira do Inimigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado.</span></p>
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		<title>Relatos do Mundo: a influência de uma boa história no Oeste Selvagem</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2021 18:31:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vinícius Siqueira Uma das muitas coisas que alguém busca ao ler um livro, escutar uma música, olhar pela janela, ler os jornais ou, no caso, assistir um filme é simplesmente ganhar para si uma boa história. Uma história não necessariamente com finais felizes ou tristes, amargos ou cruéis, simples ou complexos. Mas, simplesmente, uma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/relatos-do-mundo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Relatos do Mundo: a influência de uma boa história no Oeste Selvagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18819" aria-describedby="caption-attachment-18819" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18819" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1.jpg" alt=": Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, vemos os personagens Capitão Jefferson Kyle Kidd, interpretado por Tom Hanks, e Johanna Leonberger, interpretado por Helena Zengel. Ambos estão sentados em uma carroça. O fundo da foto é claro e de cores bem saturadas. Tom Hanks aparece como um homem velho, de cabelos e barbas grisalhos e usando um casaco pesado e um chapéu. Helena Zengel aparece como uma criança de cabelos loiros, olhos azuis, pele bem clara e usando um vestido amarelo e um casaco marrom." width="2048" height="961" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-300x141.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1024x481.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-768x360.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1536x721.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-1-1200x563.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18819" class="wp-caption-text">Relatos do Mundo lida com alguns clichês já conhecidos no gênero e apresenta um tom de realismo fino e constante, por fim, tecendo um drama bem construído e ambientado no Velho Oeste (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Vinícius Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das muitas coisas que alguém busca ao ler um livro, escutar uma música, olhar pela janela, ler os jornais ou, no caso, assistir um filme é simplesmente ganhar para si uma boa história. Uma história não necessariamente com finais felizes ou tristes, amargos ou cruéis, simples ou complexos. Mas, simplesmente, uma história bem contada e que segure sua atenção por alguns momentos, lhe fazendo esquecer do que se passa ao seu entorno. O que o espectador, muitas vezes, não se dá conta é do poder inerente à uma história bem contada. E é esse tipo de influência que tece a trama primorosa de </span><a href="https://youtu.be/vVgeFF8-bQM"><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">News of the World</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original).</span></p>
<p><span id="more-18818"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no ano de 2020 nos cinemas americanos, mas chegando ao Brasil (e ao resto do mundo) apenas em 2021 após ser comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e passar a ser exibido no mundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é dirigida por Paul Greengrass. E ela lida com alguns clichês relacionados ao gênero de </span><a href="https://www.avmakers.com.br/blog/generos-cinematograficos-e-suas-convencoes/"><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(faroeste), pinceladas políticas e pontadas de realismo já características do diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama em si é bem redigida e traz uma ambientação e personagens que relembram os clássicos da categoria, ao passo que também apresenta um ponto de vista diferente do cenário clássico do Velho Oeste. A obra é inspirada no romance homônimo escrito por </span><a href="https://www.nytimes.com/2016/10/13/books/news-of-the-world-paulette-jiles.html"><span style="font-weight: 400;">Paulette Jiles</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, e é protagonizado por Tom Hanks e pela </span><a href="https://youtu.be/ilFeedG0rEs"><span style="font-weight: 400;">estrela em ascensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> Helena Zengel. Paul Greengrass faz bom uso de sua herança como documentarista ao trazer um certo realismo ao filme e abordar temáticas como racismo e preconceito no Velho Oeste americano.</span></p>
<figure id="attachment_18820" aria-describedby="caption-attachment-18820" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2.jpg" alt="Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver o Capitão Jefferson Kyle Kidd, vestindo um casaco escuro e um chapéu, montado em um cavalo marrom. Também é possível ver Johanna Leonberger, usando uma capa marrom grossa por cima de um vestido amarelo. No fundo da imagem também é possível ver várias carroças e cavalos acompanhando uma caravana. As cores da imagem são bem claras, com uma paleta de cores mais amarelada e saturada." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18820" class="wp-caption-text">A relação entre o Capitão Jefferson Kyle Kidd e Johanna Leonberger se desenvolve em um ritmo lento, indo de amizade até algo mais paternal, mas que dá o tempo necessário ao espectador para absorver o conjunto de emoções contidas nas interações (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do que se esperaria de um filme pertencente ao gênero de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim um drama que visa desconstruir levemente a imagem do público de um protagonista de faroeste e demonstrar o valor de uma história em um cenário abalado. O enredo se passa em 1870 no Texas, logo após a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/guerra-civil-americana.htm"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil Americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma época e um meio ainda extremamente abalados pelo confronto entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos e também pelas resoluções desse. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra tem seu início com uma das cenas que marcam a sua essência: Capitão Jefferson Kyle Kidd (Tom Hanks) se preparando para ler as notícias para as pessoas no condado de Wichita Falls, uma região de herança confederada antes de ser anexada pela União. Ele é um veterano confederado que perdeu tudo na Guerra Civil &#8211; trabalho, negócio, esposa, fé e propósito &#8211; e que passou a ganhar a vida viajando de cidade em cidade para realizar essa leitura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama em si tem início após o personagem de Hanks levar um golpe do acaso em uma de suas viagens: ele se depara com Johanna Leonberger (Helena Zengel, indicada ao </span><a href="https://deadline.com/2021/02/news-of-the-world-star-helena-zengel-golden-globe-nomination-news-1234686389/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> com apenas doze anos de idade), uma criança de uma família alemã que foi tirada de casa por nativos Kiowa, crescendo entre os mesmo e adotando seus costumes antes de ser “resgatada” por soldados da União. E esse encontro força ambos a buscar um propósito para suas respectivas histórias. Kidd quer encontrar um motivo para continuar a sua própria narrativa, e a garota quer uma maneira de lidar com a perda de sua família biológica e sua adotiva.</span></p>
<figure id="attachment_18821" aria-describedby="caption-attachment-18821" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3.jpg" alt="Cena dos bastidores do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver em primeiro plano uma tela preta de enquadramento direcionada para Tom Hanks, usando um casaco cinza e chapéu, e Helena Zengel, que está usando uma capa marrom nos ombros e um vestido amarelo. No fundo da imagem ainda podem ser vistos em torno de seis figurantes, todos usando casacos e chapéu de vaqueiro. Em último plano pode ser vista a paisagem de uma colina verde no período do dia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18821" class="wp-caption-text">Foto dos bastidores da produção: Relatos do Mundo é a segunda obra na qual Tom Hanks e o diretor Paul Greengrass trabalham juntos &#8211; a primeira foi Capitão Phillips (2013) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue a mesma linha de realismo fino já característico da direção de Paul Greengrass, e é a segunda obra que o diretor e Tom Hanks trabalham juntos &#8211; sendo a primeira o filme </span><a href="https://youtu.be/GEyM01dAxp8"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Phillips</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013) -, e a estreia do ator no gênero de faroeste. No entanto, apesar do peso do nome de Hanks, e do mesmo apresentar o auge de uma atuação paternal, o seu protagonismo é colocado em cheque pela atriz mirim com quem contracena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, a produção arrecadou </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/news_of_the_world"><span style="font-weight: 400;">cerca de 11,4 milhões de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> em bilheteria nos Estados Unidos antes de ser lançada na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de possuir vários clichês, a narrativa nos presenteou com uma história bem consistente e até emocionante; com Tom Hanks demonstrando um bom relacionamento com o gênero de </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Helena Zengel como uma artista talentosa e em crescimento no mundo do cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NOTICIAS DEL GRAN MUNDO | Featurette Tom Hanks | VOSE HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/02F00MP6xE8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue um ritmo razoavelmente lento, dando tempo para o espectador absorver a gama de sentimentos e reflexões implícitas e explícitas no roteiro adaptado por Paul Greengrass e Luke Davies. O ponto alto do enredo, e a base para todos os acontecimentos, é o desenvolvimento da consciência do Capitão em relação à Johanna e sobre suas atitudes com a mesma, que está em um estado quase de </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-76122019000200271#:~:text=A%20anomia%20%C3%A9%20uma%20condi%C3%A7%C3%A3o%20presente%20na%20sociedade,cumprir%20as%20regras%20sociais%20%28Agnew%2C%201997%3B%20McClosky%2C%201976%29."><span style="font-weight: 400;">anomia</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante da sociedade. No fim, ele encontra em seu relacionamento uma oportunidade para dar um sentido à sua própria trajetória e às histórias que conta de cidade em cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos possíveis erros cometidos pelo espectador ao assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">é a comparação do mesmo com o filme dos Irmãos Coen, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), pelo fato de ambas as produções se fundamentarem no desenvolvimento de uma relação paternal entre um homem martirizado pelo tempo e uma jovem perdida no mundo &#8211; no caso da obra de Ethan e Joel Coen, Mattie Ross e Rooster Cogburn. No entanto, enquanto o personagem de Jeff Bridges buscava um fim para a sua história e a personagem de Hailee Steinfeld dava sentido para a sua na busca por vingança, Kyle Kidd quer encontrar um motivo para continuar sua própria história e Johanna procura um porto seguro para se apoiar em frente à um mundo cruel.</span></p>
<figure id="attachment_18822" aria-describedby="caption-attachment-18822" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4.jpg" alt=" Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver Jefferson Kyle Kidd usando um casaco cinza e colete escuro, sentado em um banco segurando uma caneca de metal e olhando para Johanna Leonberger, que está sentada no chão segurando um livro e está vestindo um casaco marrom com um vestido amarelo. Ambos estão ao ar livre durante a noite em frente a uma fogueira, cercados por caixas, sacolas, uma carroça e equipamentos de viagem." width="800" height="458" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4-300x172.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-The-World-4-768x440.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18822" class="wp-caption-text">Tom Hanks apresenta uma imagem já conhecida nos filmes de faroeste: a imagem do velho veterano silencioso, honrado e assombrado por seu passado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns outros aspectos da obra valem ser mencionados, criticados e elogiados, por exemplo, a própria presença dos clichês &#8211;  especialmente aqueles relacionados à construção do personagem de Tom Hanks como um homem marcado pelo tempo e por memórias terríveis mas que ainda possui um forte sentimento paternal em si &#8211;  que enriquecem a narrativa somente até certo momento, antes de se tornarem uma simples falta de inovação. Outro ponto que merece ser citado é a </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nnR0A2C1DsPkI5ML2IDHYNCwlZWCE5z6E"><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> Original que, apesar de incorporar o enredo de forma extremamente natural e adicionar um elemento que dá riqueza à paisagem, poderia estar mais presente durante algumas cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é assinada por </span><a href="https://youtu.be/Hlfc2hy33jE"><span style="font-weight: 400;">James Newton Howard</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já compôs as trilhas de filmes como </span><a href="https://youtu.be/FYzikPHKx0s"><i><span style="font-weight: 400;">O Sexto Sentido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) e </span><a href="https://youtu.be/a-PVBsmiB0Y"><i><span style="font-weight: 400;">Batman: O Cavaleiro das Trevas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008). E, finalmente, a composição da paisagem e do cenário como um todo, que, apesar de não ser tão vivo quanto em obras como </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/criticas/criticas-de-filmes/2018/11/critica-the-ballad-of-buster-scruggs"><i><span style="font-weight: 400;">A Balada de Buster Scruggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), ainda se vale de pequenos detalhes oferecidos em pequenas medidas para o espectador, mas que ajudam a construir a tensão e o drama da época. </span></p>
<figure id="attachment_18823" aria-describedby="caption-attachment-18823" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Relatos do Mundo. Na imagem, é possível ver o personagem de Tom Hanks deitado e escorrendo um fio de sangue de sua testa; o mesmo também está segurando uma lata de metal cinza e está olhando para a personagem de Helena Zengel - a mesma está usando um vestido amarelo e está sentada. Ambos estão sobre uma colina durante o dia. Em segundo plano é possível ver uma planície seca." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/News-of-the-world-5-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18823" class="wp-caption-text">Imagem de Tom Hanks e da atriz mirim coadjuvante em ascensão, Helena Zengel (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">teve boas avaliações nas </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/news-of-the-world-reviews-box-office/"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> mundiais</span> <span style="font-weight: 400;">e nas bilheterias, com nomes de peso na direção, produção e no elenco, além de ter apontado os holofotes para uma das mais jovens e promissoras atrizes no mundo do cinema: Helena Zengel. O filme, ao todo, acumulou </span><a href="http://criticschoice.com/critics-choice-awards/"><span style="font-weight: 400;">sete indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards, </span></i><span style="font-weight: 400;">duas ao</span> <a href="https://www.goldenglobes.com/winners-nominees/2020"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">mais duas no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">e quatro para o </span><a href="http://www.satelliteawards.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Awards</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Por causa de sua quantidade de nominações, valor de bilheteria e composição de elenco,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra como um nome forte para a temporada do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, apesar de seus pequenos deslizes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Relatos do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> visa mostrar o valor de uma história bem contada e sobre como esse tipo de atividade afeta até os corações assombrados por memórias horrendas. Não sendo um filme de ação ou suspense, mas sim um drama muito bem construído e trabalhado por meio da soma de elementos como elenco, enredo, música, paisagem, uma boa história e bons ouvintes. Uma amálgama de alguns clichês que resultam em um enredo emocionante de um veterano de guerra e uma garota sozinha no mundo que tem de enfrentar os perigos do Texas e dos homens para darem motivo às suas vidas.</span></p>
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