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	<title>Arquivos Telecinese &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre a cruz e a espada, Carrie performa o retrato sangrento do fanatismo</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 20:08:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto&#160; Quão longe um lar instável e um vasto universo de microviolências podem levar alguém? Carrie não se dispõe a responder essa pergunta com plenitude, mas estrutura um argumento definitivamente cinético. No clássico de Stephen King, a personagem que se tornou um ícone do terror, dá vida a um misto de acontecimentos hiperbólicos para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carrie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre a cruz e a espada, Carrie performa o retrato sangrento do fanatismo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29464" aria-describedby="caption-attachment-29464" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg" class="size-full wp-image-29464" alt="Capa do livro Carrie. Na imagem há o desenho de uma garota com sangue escorrendo pelo rosto. Toda a composição da capa é roxa e deixa os traços não muito claros. Os olhos ficam em destaque por mostrarem a parte branca e as pupilas. Na porção superior estão as palavras Biblioteca Stephen King. Já na parte inferior o título do livro. O logo da editora aparece na parte superior esquerda. Todos os textos estão grafados em branco." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29464" class="wp-caption-text">Em sua nova edição, Carrie faz parte da Coleção Biblioteca Stephen King e ganha conteúdo extra (Foto: Companhia das Letras/Suma/Arte: Ana Clara Abbate)&nbsp;</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto&nbsp;</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Quão longe um lar instável e um vasto universo de microviolências podem levar alguém? </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400"> não se dispõe a responder essa pergunta com plenitude, mas estrutura um argumento definitivamente cinético. No clássico de Stephen King, a personagem que se tornou um ícone do terror, dá vida a um misto de acontecimentos hiperbólicos para eventos reconhecíveis na realidade. A edição especial – publicada pela </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511348/carrie">Companhia das Letras</a></i></span><span style="font-weight: 400"> este ano sob o selo </span><span style="font-weight: 400"><i>Suma</i></span><span style="font-weight: 400"> – torna o relato perturbador da história da garota que fez pedras choverem e sangue jorrar tão sólido quanto uma imagem de Jesus pendurada na parede da sala.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-29454"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Carrieta White é uma jovem comum: está no ensino médio, vive em uma cidade pequena chamada Chamberlain e mora com a mãe em uma casa nada especial. Pelo menos é o que parece e poderia ser, se a obra – traduzida no Brasil por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yrIwmyXVVBk">Regiane Winarski</a></span><span style="font-weight: 400"> – não nos fosse contada com o protagonismo da garota. A construção da história mistura relatos, trechos de reportagens e narração, nos inserindo na mente da personagem e fazendo com que o leitor seja capaz de experimentar a pele das pessoas e dos estigmas sociais presentes no universo do texto.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A princípio, a narrativa parece se debruçar sobre o evento da telecinese e a grande especulação por trás de um poder tão único e impressionante, mas o desenrolar do enredo revela que aqui o fantástico é apenas um coadjuvante. </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/">Carrie</a></span><span style="font-weight: 400"> tem a habilidade plenamente desencadeada após a primeira menstruação ocorrer no vestiário da escola da maneira mais desconcertante possível. A garota, tolhida de saber o significado da menarca, vive uma cena dramática e vergonhosa na frente das colegas – que não demoram a mostrar toda crueldade cabível em corpos adolescentes. A hostilidade não se limita às páginas e, por um minuto, se torna impossível não julgar Carrie e seu comportamento fora das linhas do socialmente aceitável.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_29456" aria-describedby="caption-attachment-29456" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-7.jpg" class="size-full wp-image-29456" alt=" Foto do autor Stephen King. A imagem é em preto e branco. King é um homem branco de cabelos curtos. Seu rosto apresenta algumas rugas e linhas de expressão. Ele usa um óculos preto e veste uma camiseta também preta." width="434" height="650"><figcaption id="caption-attachment-29456" class="wp-caption-text">Carrie é o livro de estreia de Stephen King, com primeira publicação em 1974 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Se Carrie parece distante dos padrões de comportamento esperados para um ser humano, sua mãe, Margaret White, carrega a culpa como se mordesse o fruto proibido. Aquela que deveria representar um porto seguro para a filha a enxerga como um castigo divino e faz de tudo para consertá-la do jeito mais distorcido possível. As colegas de Carrie e os xingamentos no banheiro pareciam ruins, mas é testemunhar a jovem sendo obrigada a pedir perdão e orar repetidas vezes pela </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/11/16/sagrado-ou-maldicao-como-a-menstruacao-foi-tratada-ao-longo-dos-anos.htm">naturalidade</a></span><span style="font-weight: 400"> do próprio corpo que começa a dar nome aos verdadeiros vilões.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os mecanismos de linguagem e a forma como os acontecimentos estão dispostos na obra são os principais responsáveis pela construção dinâmica de </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400">. Em 208 páginas, o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://epipoca.com.br/tragedia-de-infancia-criou-o-rei-do-terror-em-stephen-king/#:~:text=O%20autor%20carrega%20o%20t%C3%ADtulo,e%20que%20cativa%20seus%20f%C3%A3s.">Rei do Terror</a></span><span style="font-weight: 400"> brinca com os eventos para que sejamos capazes de viver descobertas e epifanias de forma frequente. Assim, o papel de antagonista viaja entre os personagens e também vive no contexto social de Chamberlain. Entre o sangue e os objetos voadores, existe uma ferida tão profunda que foge do material.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/">bullying</a></i></span><span style="font-weight: 400">, nas inseguranças, na exclusão e no fanatismo religioso, Carrieta é o resultado de 16 anos de opressão. Em casos comuns, tudo terminaria em perspectivas frustradas que – com sorte – seriam desmanchadas em um divã, mas aqui o resultado se avermelha em forças sobrenaturais. Cada decepção, medo e até os pequenos momentos de alegria da protagonista se somam no desenvolvimento da telecinese e levantar a cama com a força dos pensamentos se torna parte da rotina.&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Sua mente tinha… tinha… ela procurou uma palavra. Tinha se flexionado. Não era bem isso, mas era quase. Houve uma curvatura mental curiosa, quase como um cotovelo não aguentando sustentar um haltere. Também não era bem isso, mas era a única coisa em que ela conseguia pensar. Um cotovelo sem força. Um músculo fraco.”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Um destaque da obra é saber brincar com aspectos diversos da humanidade. As vivências refletidas em </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400"> vem do ódio, do amor, dos traumas, da manipulação, do arrependimento, da empatia e de outros vários espaços constituintes do âmago. Stephen King não deixa espaços para o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/">maniqueísmo</a></span><span style="font-weight: 400">, nada e ninguém vem com veredito. Essa construção aproxima o texto da vida real e fica fácil esquecer da ficcionalidade: por muitos momentos as manchetes de jornal parecem tão concretas quanto os </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/gaslit-critica/">escândalos políticos</a></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Através da impiedade vive também a clemência e, assim, a Senhorita Desjardin, Sue Snell e Tommy Ross são reflexos das atitudes mais empáticas da narrativa. Os três, mesmo que indiretamente, são os responsáveis pela idealização do momento mais feliz e mais doloroso da vida de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://portalcinerama.com.br/stephen-king-desabafa-sobre-como-sucesso-de-carrie-ajudou-sua-mae/">Carrie</a></span><span style="font-weight: 400">: o baile. Cada um com as próprias motivações, veem na noite de gala a oportunidade perfeita para que a excluída tivesse a chance de sentir o mínimo de normalidade. Apertar o couro em um vestido bonito, usar um batom que esconde as marcas da vida e sorrir enquanto dança uma música lenta com o garoto dos sonhos parecem ser o tipo de coisa que apaga uma vida toda de sofrimento, pelo menos por algumas horas.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De certa forma, eles não estavam errados e, enquanto compra o tecido para o traje da tão esperada noite e se prepara, a garota tem um despertar. Ela passa a enfrentar certas atitudes da mãe, desvia da humilhação e percebe que na verdade nunca foi feia ou esquisita. Toda essa coragem é respaldada pelo convite de Ross, mas também pela evolução de suas capacidades </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/">telecinéticas</a></span><span style="font-weight: 400">. Quanto mais coisas flutuam desafiando a gravidade, mais a personagem percebe sua força e extraordinariedade.&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Ela começou a correr, respirando fundo no peito, correndo de Tommy, dos incêndios e explosões, de Carrie,mas mais do horror final, aquele último pensamento iluminado carregado depressa pelo túnel preto da eternidade, seguido pelo zumbido vazio e idiota da eletricidade prosaíca. ”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Se por um lado Sue se desenvolve em boa intenção, Chris Hargensen se afoga em planos avinagrados. A personagem, que poderia facilmente ser qualquer patricinha como </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/">Regina George</a></span><span style="font-weight: 400">, acaba indo longe demais pela futilidade de si e desejo de aprovação de um relacionamento tóxico. Acompanhar seus pensamentos e passos até o fatídico estopim da narrativa é assistir alguém que vê Carrie com o mesmo valor de um porco para abate.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Assim, a noite dos sonhos da protagonista é arruinada por um balde de água fria – ou sangue quente. Ser ensopada de fluidos de porco no momento em que se tornaria rainha do baile não é a pior coisa que aconteceu com Carrieta, mas é o gatilho que faltava. A metáfora de uma vida toda com sonhos destruídos por sangue: menstrual, porco e o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/magdala-critica/">sangue de Cristo</a></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/">King</a></span><span style="font-weight: 400"> novamente nos coloca em um papel em que não há espaços de certo e errado, não é como se fosse cruel torcer para a garota transformar a cidade em um caos incendiado, afinal os limites da Literatura não cabem em caixinhas de moralidade. Entre tanta dor, o erro do autor parece ser não permitir a felicidade de Carrie nem por uma noite. Entretanto, isso nunca foi uma promessa: apenas uma expectativa moldada por nós mesmos e a estranha tendência humana de sempre olhar as coisas com esperança.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_29455" aria-describedby="caption-attachment-29455" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-8.jpg" class="size-full wp-image-29455" alt="Cena do filme Carrie. Na imagem há uma garota branca de cabelos ruivos. Ela está olhando para frente com a cabeça inclinada. Há sangue em seus cabelos, rosto e vestido. O fundo é vermelho e iluminado por uma luz alaranjada." width="700" height="466"><figcaption id="caption-attachment-29455" class="wp-caption-text">Carrie ganhou adaptações para o audiovisual, sendo a mais recente com direção de Kimberly Pierce em 2013 (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Diante de todas as questões exploradas em </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400">, a opressão merece visibilidade e ronda todos os aspectos dos poucos anos da garota. A construção iniciada com a própria rejeição e ódio da mãe monta um dos conflitos mais importantes da trama, em que as personagens se tornam escravas de um medo paranóico escondido por trás do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.ecycle.com.br/fanatismo-religioso/">fanatismo</a></span><span style="font-weight: 400">. Na casa das White, a imagem de Jesus – mesmo que deformada por mentiras – é quem manda.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez explorar um pouco mais do momento em que a </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.ficcoeshumanas.com.br/post/o-conservadorismo-materno-em-carrie-a-estranha">Mamãe</a></span><span style="font-weight: 400"> cria essa imagem da religião poderia trazer esclarecimentos. Como não o temos com todos os detalhes, o motivo por trás das inúmeras orações fica aberto a interpretações. Em certo ponto da narrativa, a presença da telecinese em outras gerações da família White parece ser um bom ponto de partida para essas teorias. É fácil transformar aquilo que não sabemos explicar em demônios sem possibilidades de redenção.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Mesmo com todas as atitudes perversas, o lugar de julgamento para a mãe ainda é limitado por algo além de nós. Margareth White é desprezível, mas acredita com plenitude que está protegendo a filha. Aos seus olhos, o escudo do pecado é palpável, capaz de ser tocado por aqueles que se submetem ao autocontrole excessivo. Criar Carrie acorrentada a crucifixos é purificar o fruto do próprio erro – desde que o conceito de errar esteja ligado à subjetividade.&nbsp;&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Ela tentou se levantar, fracassou e apoiou no banco da Mamãe. A tontura e a náusea tomaram conta dela. Ela sentia gosto de sangue, forte e gosmento, no fundo da garganta. Fumaça acre e sufocante entrava pelas janelas agora. As chamas tinham chegado na casa ao lado; mesmo agora, as fagulhas estariam caindo de leve no telhado no qual as pedras penetraram brutalmente mil anos antes.”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">O </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/incrivel-historia-de-como-stephen-king-jogou-no-lixo-historia-de-carrie-estranha-e-foi-salvo-pela-esposa/">livro</a></span><span style="font-weight: 400"> não precisa dramatizar nada, tudo é cru a ponto de ser cruel. Mesmo sem se pautar no sentimentalismo, o verdadeiro incêndio vive dentro de Carrie e não precisa de termos poéticos para se materializar. Ela é um espelho vivo, reflete tudo que os outros marcaram nela e não importa se isso vai resultar em cadáveres com roupas chiques; não está dentro do controle, nunca esteve.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Carrie </i></span><span style="font-weight: 400">poderia facilmente ser um clichê de filme </span><span style="font-weight: 400"><i>teen</i></span><span style="font-weight: 400"> e conta com todos os elementos necessários para isso: a mãe com um ar de madrasta vilanesca, a garota popular que arquiteta vinganças, a mocinha com arco de redenção, o quase príncipe encantado e a vítima. Em roteiros comuns, isso resulta em um ‘felizes para sempre’ e Carrieta poderia ter seu momento de glória. Ainda bem que </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/">King</a></span><span style="font-weight: 400"> nunca se propos a comodismos. Em Chamberlain, queimar no inferno é absolutamente literal.&nbsp;</span></p>
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		<title>25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 12:29:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Adaptado do famoso livro infantil de Roald Dahl em 1996, Matilda completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um fracasso de bilheteria, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/matilda-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25384" aria-describedby="caption-attachment-25384" style="width: 2525px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está deitada em uma poltrona lendo um livro, mas olha para frente com uma expressão travessa. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camiseta florida, com tênis pretos por cima das meias brancas e um laço vermelho no topo de sua cabeça. Suas pernas estão apoiadas na mão direita da poltrona, tocando a borda esquerda da tela. Matilda apoia seu livro em duas almofadas, uma vermelha com detalhes pretos e outra com uma estampa de onça. A poltrona é de uma cor amarela desbotada." width="2525" height="1427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg 2525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-800x452.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1024x579.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-768x434.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1536x868.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-2048x1157.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1200x678.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25384" class="wp-caption-text">Nada mais de ser boazinha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado do famoso </span><a href="https://commasandampersandsblog.wordpress.com/2015/03/30/book-to-film-matilda/#:~:text=The%20movie%20and%20the%20book,moral%20remain%20the%20same%20throughout.&amp;text=One%20of%20the%20most%20obvious,movie%20was%20set%20in%20America."><span style="font-weight: 400;">livro infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roald Dahl em 1996, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/stories/fracassos-bilheteria-classicos-cinema"><span style="font-weight: 400;">fracasso de bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram com os problemas de sua pequena protagonista. Desprezada por quase todos os adultos que a conheceram, Matilda (Mara Wilson) mergulha em livros para ter amigos, até que sua vida muda ao perceber que possui poderes telecinéticos e decide dar uma lição nas pessoas horríveis que a rodeiam.</span></p>
<p><span id="more-25383"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma versão infantil de </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia nos elementos mais estranhos de sua narrativa e não procura dar explicações complicadas para as muitas dinâmicas sobrenaturais e sociais de sua trama. Essa leveza é parte do porquê o longa ainda permanece no imaginário popular, fazendo com que toda vez que esteja passando na TV, você queira parar para ver. Danny DeVito transporta um conto britânico para os Estados Unidos e, no processo, universaliza a história de uma criança que se recusou a ser menos do que extraordinária.</span></p>
<figure id="attachment_25385" aria-describedby="caption-attachment-25385" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, encara seu pai, Harry (Danny DeVito), à direita, na oficina onde ele trabalha. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos usando um casaco roxo claro e um laço rosa na cabeça. Harry é um homem caucasiano de cabelos pretos na lateral e loiros no topo, puxados para trás, usando um terno tweed xadrez amarelo e branco por cima de uma camisa amarela, com um lenço vermelho no bolso direito do paletó. Ele aponta para Matilda dom sua mão esquerda, ameaçando-a. Atrás deles, podemos ver o interior de uma oficina com as janelas abertas, deixando a luz do dia entrar. Peças de automóveis estão empilhadas nas prateleiras e não parecem estar muito bem organizadas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25385" class="wp-caption-text">Tamanho é questão de perspectiva (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A família de Matilda Wormwood é quase uma caricatura da classe média americana dos anos 90: seu pai (Danny DeVito) é um inescrupuloso vendedor de carros usados, sua mãe (Rhea Perlman) é uma mulher vaidosa que só se importa com gastar e a única característica de seu irmão mais velho (Brian Levinson) é ser cruel com a garota. Parte da antipatia do público para com eles não é apenas que eles parecem odiar sua filha mais nova, mas que eles a odeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">sem motivo algum</span></i><span style="font-weight: 400;">. De fato, eles parecem odiá-la ainda mais conforme ela se torna autossuficiente, aprendendo a cozinhar e ler sozinha, indo até a biblioteca quando eles estão fora e implorando para ser levada à escola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada interação entre ela e sua família cimenta ainda mais a situação de absoluta injustiça em que ela se encontra, e cada momento de felicidade é acompanhado de uma realização sombria do quanto ela precisa de uma família decente. </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">depende única e exclusivamente da habilidade de sua jovem atriz nos vender um único sorriso sincero e nos convencer que, de alguma maneira, ela ainda é capaz de ser feliz. </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/por-onde-anda-mara-wilson-estrela-de-matilda-25-anos-depois-do-filme-g.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mara Wilson</span></a><span style="font-weight: 400;">, então com nove anos de idade, foi instrumental na capacidade do filme de entreter ao mesmo tempo que emociona, se divertindo com o papel da criança prodígio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna sua performance ainda mais impressionante é saber que sua mãe </span><a href="https://web.archive.org/web/20160425155113/http://www.people.com/people/archive/article/0,,20141113,00.html"><span style="font-weight: 400;">havia morrido</span></a><span style="font-weight: 400;"> alguns meses antes do longa estrear, por conta de câncer de mama. Que Wilson foi capaz de atuar sobre tais circunstâncias, e que sua performance retém muito do entusiasmo juvenil de uma criança descobrindo que tem a habilidade de fazer coisas impossíveis e de mudar o mundo à sua volta para melhor, não é nada menos do que milagrosa. Apesar de (provavelmente) não ser capaz de fazer objetos levitarem com o poder de sua mente, a atriz mirim se provou tão extraordinária quanto sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_25386" aria-describedby="caption-attachment-25386" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está comendo um cupcake em um restaurante chique, olhando e sorrindo diretamente para a câmera. Matilda é uma menina caucasiana usando um casaco roxo claro aberto por cima de uma camiseta florida e um laço rosa na cabeça. Ela segura um garfo com a mão direita. Acima do pano branco da mesa, do lado do prato com o cupcake, vários talheres estão ordenados, com uma taça vazia à sua direita. Atrás de Matilda, podemos ver outras pessoas comendo no restaurante e, à sua direita, uma mesa retangular que foi derrubada e que agora está inclinada diagonalmente. À sua esquerda, uma porta aberta deixa entrar a luz do Sol. " width="1024" height="677" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25386" class="wp-caption-text">Às vezes, ser feliz é a melhor vingança (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Danny DeVito consegue se ajeitar na direção do filme e de seu papel duplo como pai negligente e narrador onisciente. Apesar de todas as suas características insípidas de Harry Wormwood, é supremamente divertido ver as reações dele aos acontecimentos cada vez mais inusitados, bem como sua trágica inabilidade de ver que sua própria filha está por trás deles. Com seu poderoso </span><a href="https://fantasticfacts.net/pt/2688/"><span style="font-weight: 400;">um metro e meio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estatura, é genuinamente hilário ver ele ralhar com Matilda dizendo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou grande e você é pequena, eu estou certo e você está errada</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quando a garota finalmente vai para a escola, ela conhece alguém que faz até mesmo seu pai parecer carinhoso: a Srta. Trunchbull, um monstro em forma de mulher e diretora da escola sombria e opressiva na qual Matilda foi matriculada, após seu pai ter lhe vendido um carro usado. Pam Ferris se delicia (</span><a href="https://www.radiotimes.com/movies/9-fascinating-facts-from-behind-the-scenes-of-matilda/"><span style="font-weight: 400;">e se machuca</span></a><span style="font-weight: 400;">) no papel da feroz e violenta tirana que atormenta praticamente todos os alunos de Crunchem Hall (em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crunchem</span></i><span style="font-weight: 400;"> significa literalmente “esmague-os”), com punições quase cartunescas demais para serem levadas à sério, mas que funcionam no tom absurdo da produção o suficiente para temermos pela segurança de Matilda e seus colegas.</span></p>
<figure id="attachment_25387" aria-describedby="caption-attachment-25387" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, é amparada pela Srta. Honey (Embeth Davidtz), à direita, que está agachada na frente dela, segurando seu ombro e seu rosto. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, presos por um laço vermelho, usando um vestido azul, enquanto a Srta. Honey é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando uma camisa floral. Elas estão na frente de uma sala escura, na qual Matilda estava presa. Atrás de Matilda podemos ver uma parede de concreto cinza e dilapidado." width="1200" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-1024x589.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-768x442.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25387" class="wp-caption-text">Todos queríamos uma Srta. Honey em nossas vidas (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é lá que Matilda encontra a pessoa que irá mudar sua vida. Introduzida pelo próprio narrador como uma “daquelas pessoas incríveis que valoriza cada criança por quem ela é”, a aptamente nomeada Srta. Honey (Embeth Davidtz) é a primeira pessoa adulta que reconhece em Matilda algo especial que vai muito além de suas habilidades sobrenaturais dormentes. Responsável pelo </span><a href="https://junkee.com/miss-honey-matilda/272222"><i><span style="font-weight: 400;">gay awakening</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração inteira, Jennifer Honey é o arquétipo da professora ideal, se importando profundamente com cada um de seus alunos em nível pessoal e tentando protegê-los da melhor maneira possível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de descobrirmos a conexão ridícula e intensa que ela partilha com Trunchbull, a personagem já nos conquista pela maneira carinhosa com que trata Matilda, oferecendo-a um módico de felicidade. Até mesmo quando ela duvida dos poderes telecinéticos da menina, sua primeira reação não é acusá-la de estar mentindo ou pedir para que ela abandone a sua “fantasia”, mas parabenizá-la por ter uma maneira de se sentir poderosa na situação que se encontra. Se metade do impacto cultural de Matilda vem de sua personagem titular, a segunda metade com certeza vêm de sua professora e do relacionamento que as duas constroem juntas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um filme dos anos 90 com metade do orçamento de um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, a maioria dos efeitos especiais ou envelheceram bem, ou pelo menos se tornaram irônicos o suficiente para terem virado uma piada de bom gosto. Ninguém acredita realmente que Trunchbull </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fqnhqkXclUk"><span style="font-weight: 400;">jogou uma criança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fora da janela e ela simplesmente voltou depois de dar piruetas no ar, mas não precisamos acreditar na verossimilhança daquilo tudo para apreciarmos a sua fantasia. Mais uma vez, a direção de DeVito acerta ao se apoiar no absurdo, e não duvidar dele.</span></p>
<figure id="attachment_25388" aria-describedby="caption-attachment-25388" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-1.gif" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) e a Srta. Honey (Embeth Davidtz) fazem um piquenique ao ar livre, sob o sol forte. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um chapéu de palha com um laço vermelho, uma camiseta de mangas longas branca com listras horizontais vermelhas e um shorts azul. Ela está deitada na grama com as pernas viradas para a parte direita da tela, olhando para a Srta. Honey, à sua direita, perto do centro da tela. A Srta. Honey, por sua vez, é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camisa rosa choque. Do lado esquerdo da tela, uma cesta com panos amarelos e algumas bonecas estão em cima de um pano que cobre a grama. Atrás delas, uma sebe alta cobre o fundo e, à direita, uma árvore branca se estende, com sua base coberta de flores coloridas. " width="700" height="297" /><figcaption id="caption-attachment-25388" class="wp-caption-text">“E Matilda descobriu, para sua grande surpresa, que a vida podia ser divertida” (GIF: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de uma criança isolada e abusada por sua família se sentindo sozinha até que descobre ser portadora de poderes especiais sempre ressoou com o público infantil (não é coincidência você ter pensado num certo bruxo criado por uma britânica </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/jk-rowling-e-criticada-apos-novos-comentarios-transfobicos-nas-redes-sociais-entenda/"><span style="font-weight: 400;">transfóbica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi provavelmente parte da sua infância), mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai um passo além e ativamente faz de seu enredo uma fábula em que a criança têm de ensinar para os adultos que não agir em face da injustiça é essencialmente apoiá-la. Quando descobre os agentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua garagem investigando seu pai, nenhum deles se importa com o bem estar da garota ou o que acontecerá com ela quando seu pai for preso. Na verdade, eles até parecem se deliciar pensando que ela seria mandada para um orfanato horrível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa parte visceral e até cruel ajuda a realçar sua fantasia e a ironicamente torná-la ainda mais satisfatória. Quando chegamos ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a menina simplesmente </span><i><span style="font-weight: 400;">têm</span></i><span style="font-weight: 400;"> documentos de adoção preparados para a oportunidade dela poder ser adotada e sua única explicação é “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tenho eles desde que aprendi a fazer xerox</span></i><span style="font-weight: 400;">”, tanto a tragédia quanto a comédia nos atingem em cheio, porque esse é o verdadeiro poder do filme: ser tanto a vingança estranha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto a esperança de </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar o absurdo em uma virtude, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos empodera a fazer o melhor de nossas próprias vidas, e nós nunca nos esqueceremos dela por isso.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/matilda-25-anos/">25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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