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	<title>Arquivos Talita Mutti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Talita Mutti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Michael é só mais um show de cover</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 13:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti A ideia de uma cinebiografia é apresentar a vida de alguém que marcou a história, buscando compreender suas contradições, contextos e motivações de forma mais profunda ao longo de sua trajetória. Mais do que um simples retrato, esse tipo de obra deveria aproximar uma figura muitas vezes vista como inalcançável ao público que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/michael-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Michael é só mais um show de cover"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37263" aria-describedby="caption-attachment-37263" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme MichaelFotografia de plano médio de Jaafar Jackson como Michael Jackson em um palco. Ele está de perfil, com o corpo levemente inclinado, cantando em um microfone prateado. Ele veste uma camisa branca aberta sobre uma camiseta branca, pele suada sob luzes de palco azuis e douradas. Seu cabelo é preto, cacheado e está preso em um rabo de cavalo baixo. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-3.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37263" class="wp-caption-text">Jaafar Jackson, de 29 anos, assume o papel principal na cinebiografia Michael (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A ideia de uma </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/15-cinebiografias-incriveis-indicadas-ao-oscar-king-richard-criando-campeas-ray-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">cinebiografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apresentar a vida de alguém que marcou a história, buscando compreender suas contradições, contextos e motivações de forma mais profunda ao longo de sua trajetória. Mais do que um simples retrato, esse tipo de obra deveria aproximar uma figura muitas vezes vista como inalcançável ao público que a acompanhou à distância, seja por notícias, rumores ou breves aparições que marcaram gerações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Michael</span></i><span style="font-weight: 400;"> falha justamente nesse ponto: não consegue respeitar nem humanizar um dos maiores nomes da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, optando por uma abordagem superficial e pouco envolvente.</span><span id="more-37262"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ousar contar a história de figuras importantes na indústria musical e, no caso, de alguém que ajudou diretamente a moldá-la, exige sensibilidade, precisão e responsabilidade narrativa em cada escolha criativa. Graham King, produtor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Michael</span></i><span style="font-weight: 400;">, já havia se aventurado no gênero com </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rapsody-aniversario-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018), narrando a trajetória da banda </span><i><span style="font-weight: 400;">Queen </span></i><span style="font-weight: 400;">e seus conflitos internos. Mesmo com um roteiro irregular, o filme encontrou sustentação na <em>performance</em> de </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/rami-malek-recebeu-ajuda-de-um-musico-para-cantar-em-bohemian-rhapsody/"><span style="font-weight: 400;">Rami Malek</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trouxe alguma força dramática ao projeto. Aqui, no entanto, a tentativa de repetir esse sucesso resulta em uma obra ainda mais frágil, incapaz de equilibrar espetáculo e profundidade.</span><a href="https://www.imdb.com/title/tt1727824/"><span style="font-weight: 400;"> </span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao pensar em </span><a href="https://personaunesp.com.br/michael-jackson-thriller-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Michael Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">, é inevitável reconhecer a complexidade de sua jornada artística e pessoal, marcada por transformações constantes e momentos decisivos em diferentes fases da carreira. São camadas que envolvem não apenas música, mas também inovação estética e a linguagem audiovisual. Um artista multifacetado que revolucionou a indústria e expandiu os limites criativos de sua época. No entanto, </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000200801/"><span style="font-weight: 400;">Jaafar Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> não consegue traduzir essa dimensão de forma convincente. O problema vai além da atuação e está diretamente ligado a um texto que reduz a personagem a frases motivacionais repetitivas, esvaziando qualquer tentativa de construção dramática consistente.</span></p>
<figure id="attachment_37264" aria-describedby="caption-attachment-37264" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-8-800x452.png" alt="Cena do filme MichaelJaafar Jackson, como Michael Jackson, sorrindo e olhando em direção ao lado esquerdo da foto. Ele usa a famosa jaqueta de couro vermelha com detalhes prateados nos ombros e uma camiseta branca com estampa de teclado de piano. Ao fundo, figurantes e luzes de estúdio estão desfocados, sugerindo o set de gravação de um videoclipe. " width="800" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-8-800x452.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-8-768x434.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-8.png 987w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37264" class="wp-caption-text">Em Michael, Jaafar Jackson recria a era Thriller, o período de maior sucesso comercial do cantor (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um orçamento estimado em </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-money/2026/04/um-filme-e-bilhoes-em-disputa-na-estrategia-do-espolio-de-michael-jackson/"><span style="font-weight: 400;">150 milhões</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Michael</span></i><span style="font-weight: 400;"> escolhe simplificar seus conflitos ao transformar Joe Jackson, vivido por Colman Domingo, em um antagonista central, deixando de explorar nuances importantes dessa relação. Enquanto isso, aspectos essenciais da genialidade do artista são deixados de lado ao longo da trama. O processo criativo aparece de forma superficial e apressada, como no tratamento dado ao álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Off the Wall </span></i><span style="font-weight: 400;">(1979), que foi um divisor de águas em sua carreira. Em vez de aprofundar esse momento, o filme prefere recorrer a soluções fáceis e pouco inspiradas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a abordagem dos videoclipes, uma das maiores contribuições de Michael para a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e para a linguagem audiovisual, é limitada em sua execução dentro da produção. A criação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sOnqjkJTMaA"><i><span style="font-weight: 400;">Thriller (1982)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> surge sem impacto ou construção dramática, como se fosse apenas mais uma obrigação narrativa a ser cumprida. Em vez de explorar sua inovação estética e cultural, o enredo se limita a reproduções mecânicas que esvaziam o significado original da obra.</span> <span style="font-weight: 400;">A sensação é de que momentos históricos são tratados como simples ilustrações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O excesso de recriações de </span><em><a href="https://www.biography.com/musicians/michael-jackson-iconic-moments?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc"><span style="font-weight: 400;">shows</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> reforça ainda mais a sensação de superficialidade e falta de propósito narrativo, tornando-o repetitivo. Muitas dessas apresentações já são amplamente conhecidas e aqui aparecem como cópias que não acrescentam novas perspectivas. Ao invés de reinterpretar esses momentos, a produção apenas os replica sem criatividade. O uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> em cenas de grande público contribui para uma artificialidade constante, dificultando a imersão e enfraquecendo o impacto emocional que essas sequências poderiam ter.</span></p>
<figure id="attachment_37266" aria-describedby="caption-attachment-37266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-800x432.png" alt="Cena do filme MichaelÀ direita, Jaafar, como Michael, sorri amplamente enquanto está em pé ao lado de um piano de cauda. Ele usa um terno escuro e camisa de gola larga. À esquerda, Kendrick Sampson, como Quincy Jones, sentado ao piano sorri de volta para ele. O ambiente tem uma arquitetura contemporânea dos anos 1970, com uma luminária dourada pendurada ao fundo. " width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6-1200x647.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-6.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37266" class="wp-caption-text">Michael Jackson e Quincy Jones colaboraram em álbuns que mudaram a indústria fonográfica, como Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987) (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em mais de duas horas de duração, o longa evita mergulhar em aspectos complexos e controversos da vida do artista, optando por uma visão excessivamente segura e pouco reveladora. Não há aprofundamento em polêmicas, saúde ou relações fora do núcleo familiar, o que limita drasticamente a compreensão da personagem. A participação de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2024/11/04/como-michael-jackson-e-quincy-jones-criaram-thriller-o-album-mais-vendido-de-todos-os-tempos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Quincy Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por Kendrick Sampson, é mínima e pouco significativa, ignorando uma das parcerias mais importantes da história da música. Essa ausência de desenvolvimento enfraquece ainda mais a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elementos técnicos também comprometem a experiência de forma visível, principalmente quando deveriam contribuir para a imersão na obra como um todo. A maquiagem, sob o comando de </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bill Corso</span></a><span style="font-weight: 400;">, é exagerada e artificial, aproximando o resultado de uma estética teatral que destoa do restante do filme. Em contrapartida, o figurino de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2026/04/25/figurinista-recriou-looks-de-michael-jackson-para-filme.ghtm"><span style="font-weight: 400;">Marci Rodgers</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca positivamente ao recriar com fidelidade os visuais icônicos do artista. Esse cuidado traz um raro momento de autenticidade em meio a tantas escolhas questionáveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Michael</span></i><span style="font-weight: 400;"> se limita a compilar momentos conhecidos sem oferecer novas perspectivas ou aprofundamentos sobre a vida e a carreira de Michael Jackson. A narrativa carece de sensibilidade, pesquisa e coragem para explorar as complexidades do artista, reduzindo tudo a curiosidades superficiais e facilmente reconhecíveis. A </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/michael-vai-ter-continuacao-diretor-responde"><span style="font-weight: 400;">possibilidade </span></a><span style="font-weight: 400;">de expandir a história em continuações parece precipitada diante de um primeiro filme que não cumpre o básico. Em alguns casos, talvez seja mais honesto não contar uma história do que fazê-la sem o cuidado necessário.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Michael | Trailer Oficial - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/u1HARE7V4UU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jun 2025 12:23:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti Uma garota que, aos 17 anos, foi expulsa de casa pode não ter muitas perspectivas de um futuro de sucesso. Afinal, viver sem a família, dormindo no banco de trás de um carro, não parece uma situação propícia para formar um gênio da música. No entanto, para quem sonha e entende seu propósito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kali-uchis-sincerely-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35306" aria-describedby="caption-attachment-35306" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35306" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3.png" alt="Na capa do álbum, Kali Uchis, mulher latina de 30 anos, aparece deitada sobre uma superfície rosa e brilhante que se assemelha a uma flor. Ela usa uma lingerie de cetim e sapatos que lembram sapatilhas de bailarina. Está com o cabelo solto. Ao fundo, uma tela exibe uma versão ampliada de sua expressão facial no momento da foto, como um reflexo projetado." width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3.png 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35306" class="wp-caption-text">“Sincerely”, álbum lançado dia 9 de maio de 2025 (Foto: Capitol Records)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma garota que, aos 17 anos, foi expulsa de casa pode não ter muitas perspectivas de um futuro de sucesso. Afinal, viver sem a família, dormindo no banco de trás de um carro, não parece uma situação propícia para formar um gênio da música. No entanto, para quem sonha e entende seu propósito no mundo, isso pode ser apenas mais um obstáculo da vida. Se Kali Uchis, aos 23 anos, disse em </span><a href="https://personaunesp.com.br/isolation-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Isolation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum lançado em 2018, que precisamos ser nossos próprios </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9f5zD7ZSNpQ"><span style="font-weight: 400;">heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esperar o sol nascer depois da tempestade, hoje, aos 30, com uma carreira consolidada e sua própria família formada, ela prova que as flores cresceram em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sincerely</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 9 de maio de 2025.</span><span id="more-35302"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://www.instagram.com/p/DHTm48Lpsxp/"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> promocional do seu quinto trabalho, Kali aparece de camisola, com bobs no cabelo, numa estética sensual e refinada, escrevendo uma carta intitulada </span><i><span style="font-weight: 400;">Sincerely</span></i><span style="font-weight: 400;">. O projeto segue essa linha confessional. Da primeira até à última faixa, somos imersos em seus pensamentos mais sinceros, expressos de forma vulnerável, mas corajosa. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/sin-miedo-del-amor-y-otros-demonios-critica/"><span style="font-weight: 400;">essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> dela sempre destoou dos nomes tradicionais do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os temas abordados em suas músicas fogem do lugar-comum. Não que falar de amor romântico seja irrelevante, porém a vida vai além disso. Aqui, a densidade lírica é um ponto alto, contrastando com uma estética sonora que, por vezes, beira a repetição. Ainda assim, a artista explora nuances profundas e genuínas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Karly-Marina Loaiza, seu nome de origem, construiu sua carreira reafirmando autoconfiança e ideais. Ao voltar para casa em 2012, lançou a </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=msMsKcALtrk"><span style="font-weight: 400;">Drunken Babble</span></a><span style="font-weight: 400;">, que chamou a atenção de nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/kisses-anitta/"><span style="font-weight: 400;">Snoop Dogg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/chromakopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tyler, the Creator</span></a><span style="font-weight: 400;">, com quem colaboraria mais tarde. Em entrevista à </span><a href="https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-45005019"><span style="font-weight: 400;">BBC</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela afirmou que, mesmo com algumas músicas viralizando sem alcançar o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, isso nunca a incomodou. Bastava o apoio dos fãs fiéis para que continuasse compondo. Talvez essa ausência de desespero por fama e o apego genuíno à arte a tenham levado onde está hoje.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kali Uchis - All I Can Say" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/obBXhTwFsKQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu projeto mais recente, é possível percorrer cada aspecto da sua vida,  especialmente o fato de ter se tornado mãe. Já no início do álbum, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Heaven Is a Home</span></i><span style="font-weight: 400;">, a performer expressa o desejo de deixar a Terra e escapar da realidade — não como desistência, mas como vontade de </span><a href="https://billboard.com.br/kali-uchis-manteve-gravidez-em-segredo-para-nao-ofuscar-seu-trabalho/"><span style="font-weight: 400;">viver em paz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lose My Cool</span></i><span style="font-weight: 400;">, a compositora mostra seu desapego pelo terreno e repúdio por pessoas falsas dizendo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles sorriem e posam para fotos até a imagem desaparecer [..] Eu odeio o mundo hoje, mas não será a minha morte. Diga às crianças para fazerem o que quiserem e nunca se importarem com a aparência. Eu sou uma romântica da velha guarda, me chame de louca se quiser</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora sempre foi o tipo de artista que valoriza seu </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/sempre-foi-importante-manter-minha-alma-intacta-diz-kali-uchis-a-latina-que-conquistou-o-mundo,806de6dd50db2ab559a515815fa8cb685yzhd2zw.html"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e amor próprio. Antes mesmo de formar uma família, já transparecia autoconfiança dentro e fora das músicas. Não é difícil entender como Uchis cresceu na carreira. Para ela, produzir é uma forma de afastar os males e enaltecer o que realmente importa. Contudo, nem sempre foi assim. Ainda em </span><i><span style="font-weight: 400;">Heaven Is A Home,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esta é a história de uma garota que já foi aprisionada por sua própria mente — e a liberdade nunca foi tão boa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos do álbum, a compositora critica a cultura da atenção e a falsidade das relações modernas. Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/6PKoUpo9sis5LWkMXSck6f?si=7b4bbc798f8449b8"><i><span style="font-weight: 400;">Territorial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Kali assume o papel de protetora da família, de mãe e de mulher forte. Diferente de muitos, a performer valoriza o que conquistou em sua trajetória como cantora e sabe reconhecer falsas intenções. E não é preciso muito para despertar seu lado territorial: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que eu agiria respeitosamente enquanto você me desrespeita? Minhas garras saem rápido quando tentam invadir meu território. Veja, eu sou uma amante, mas vou entrar em guerra pelo que é meu. Vou usar seu rosto para limpar o chão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma na faixa.</span></p>
<figure id="attachment_35305" aria-describedby="caption-attachment-35305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-800x533.png" alt="Em uma foto em preto e branco, Kali Uchis, mulher latina de 30 anos, aparece com cabelo castanho solto. Ela usa um vestido listrado verticalmente em preto e branco e salto alto preto. Está sentada de lado em uma cadeira, com o braço direito apoiado sobre a cabeça e o esquerdo posicionado no quadril. O fundo da imagem é branco com uma vinheta." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2.png 1581w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35305" class="wp-caption-text">Kali Uchis para o photoshoot de seu novo álbum (Foto: Amaury Nessaibia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das temáticas densas, Uchis ainda mantém o toque romântico que sempre dominou ao usar metáforas e comparações profundas que dão sentido ao amor que vive. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fall Apart</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista versa sobre um amor que move montanhas, resiste às fases e se mantém firme. Paixão verdadeira, vivido por inteira. Ela reflete sobre ser amada, não apenas por sua aparência ou perfeição, mas também por sua “</span><i><span style="font-weight: 400;">mente, alma e coração</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Silk Lingerie</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora </span><a href="https://www.billboard.com/lists/kali-uchis-don-toliver-relationship-timeline/"><span style="font-weight: 400;">vive</span></a><span style="font-weight: 400;"> o romance desejado: simples, leve e sem necessidade de manutenção constante. Apenas sentimento puro e forte, que resiste ao ódio do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto de desejo de evolução para Kali talvez esteja na sonoridade. Sua estética permanece fiel ao que sempre apresentou, algo positivo por sua coerência artística, mas que por vezes soa repetitivo. Grande parte do álbum mantém o mesmo tom vocal e melódico. No entanto, em faixas específicas, a colombiana-americana se arrisca. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">For:You</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, o início é marcado por um sintetizador para geração de acordes, parecido com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyeR6pCyUi0"><i><span style="font-weight: 400;">The Orchid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criado e utilizado por </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5INjqkS1o8h1imAzPqGZBb?si=vO8AAKeNS9qF3ZH0WFWMWQ"><span style="font-weight: 400;">Kevin Parker</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Is Just Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, a presença da banda dá protagonismo às guitarras, com </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> marcantes e inventivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://x.com/LaUnicaUpdates/status/1920582265249141050"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes do lançamento, a voz de <em>Moonlight</em> contou que busca formas alternativas de produzir música, criando um dinamismo entre suas influências e sua identidade. Citou </span><a href="https://personaunesp.com.br/fetch-the-bolt-cutters-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Fiona Apple</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Cocteau Twins como referências.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lose My Cool</span></i><span style="font-weight: 400;"> carrega fortemente essas inspirações. Sua voz se aproxima da cantora de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a segunda parte da canção remete à atmosfera etérea da banda britânica. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7Du_n6u5CM"><span style="font-weight: 400;"> </span></a></p>
<figure id="attachment_35304" aria-describedby="caption-attachment-35304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35304" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-800x450.png" alt="Kali Uchis está sentada à direita da imagem, sobre uma cama com lençóis brancos. Acima da cama, há uma cruz com a figura de Jesus. À esquerda da imagem, vê-se uma cômoda azul bebê com quatro gavetas; sobre ela, um espelho pequeno e redondo. Ao lado da cômoda, há uma cadeira branca posicionada próxima a uma janela com cortinas brancas. A cantora usa uma camisola branca de cetim, justa ao corpo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35304" class="wp-caption-text">Visualizer de ILYSMIH, uma carta de amor para o filho de Kali Uchis (Foto: Capitol Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final dessa carta sonora, se olharmos seus altos e baixos, desejos e conquistas, encontramos o que realmente a move: o amor, especialmente o de ser </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/kali-uchis-revela-morte-de-sua-mae-e-presta-homenagem-sinto-sua-falta/"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">. O tema é mencionado ao longo do álbum, mas é em </span><i><span style="font-weight: 400;">ILYSMIH </span></i><span style="font-weight: 400;">que a emoção atinge o ápice. A compositora se comove ao falar sobre o carinho incondicional que sente pelo filho, como se nada mais importasse. É um sentimento tão profundo que dói, e nós ouvintes, sentimos como se estivéssemos no momento em que ela deu à luz. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez na minha vida, eu não estou mais sozinha Meu coração tinha um sonho de fazer parte de uma família. [&#8230;] Ele é a prova viva de que os sonhos se tornam realidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”, canta Kali. Em seguida, ouvimos a risada do recém nascido, que a chama carinhosamente de &#8216;mamãe&#8217;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato de Uchis não ter promovido uma ruptura estética não diminui a força desse trabalho. Pelo contrário: sua sinceridade está justamente em manter-se fiel ao que é. A densidade lírica eleva o disco, com comparações, metáforas e epifanias, como ela diz em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yc8_dYPx4ao"><i><span style="font-weight: 400;">Sunshine &amp; Rain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mostram o que a move como artista. No fim, admiramos a maneira como Karly-Marina expõe seu lado vulnerável, mas feliz.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Sincerely," style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2XhNukk6jDysbSRL7VsqYb?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/kali-uchis-sincerely-critica/">Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>JPEGMAFIA e Flume mergulham na experimentação musical e flertam com o delírio em We Live In A Society</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2025 18:40:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti O processo de construção de um projeto musical pode levar tempo e exigir muito estudo, principalmente quando se trata de um álbum que precisa carregar um conceito e coerência entre as faixas. Em um EP (Extended Play), há apenas a junção de algumas músicas que não necessariamente seguem um sentido conceitual, mas que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-we-live-in-a-society/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "JPEGMAFIA e Flume mergulham na experimentação musical e flertam com o delírio em We Live In A Society"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35238" aria-describedby="caption-attachment-35238" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-2.jpg" alt="Aperto de mão entre duas pessoas, uma de pele preta e outra de pele branca, com fundo branco." width="650" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-2.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-2-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35238" class="wp-caption-text">“We Live In A Society”, lançado dia 2 de maio (Foto: Flume)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de construção de um projeto musical pode levar tempo e exigir muito estudo, principalmente quando se trata de um álbum que precisa carregar um conceito e coerência entre as faixas. Em um EP (</span><i><span style="font-weight: 400;">Extended Play</span></i><span style="font-weight: 400;">), há apenas a junção de algumas músicas que não necessariamente seguem um sentido conceitual, mas que apresentam um novo estilo ou funcionam como um teste fora do habitual do artista. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/6yJ6QQ3Y5l0s0tn7b0arrO"><span style="font-weight: 400;">JPEGMAFIA </span></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/6nxWCVXbOlEVRexSbLsTer"><span style="font-weight: 400;">Flume</span></a><span style="font-weight: 400;"> parecem ter brincado um pouco com essa definição em ”</span><i><span style="font-weight: 400;">We Live In A Society</span></i><span style="font-weight: 400;">”, lançado em maio de 2025. Os dois já haviam colaborado anteriormente em “</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7zhJC4wvakRamUyLCfxFA5"><i><span style="font-weight: 400;">How To Build A Relationship</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, para uma das faixas da mixtape </span><i><span style="font-weight: 400;">Hi This Is Flume</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, desta vez, encontramos uma curta sessão musical entre dois artistas que pode ser proveitosa, peculiar e altamente experimental.</span></p>
<p><span id="more-35237"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrington DeVaughn Hendricks, mais conhecido como </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">JPEGMAFIA</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">e produtor que se destaca na cena por fugir da estética </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele é inovador e ousado em seus projetos, explorando a conversa entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop </span></i><span style="font-weight: 400;">e outros estilos musicais. Ao lado de Harley Edward Streten, conhecido como Flume, não foi diferente. Ele é </span><i><span style="font-weight: 400;">DJ </span></i><span style="font-weight: 400;">e produtor que marcou sua carreira como um dos nomes responsáveis por popularizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Bass</span></i><span style="font-weight: 400;"> — um gênero que mistura elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">dubstep </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">com ritmos mais envolventes. A partir da soma de duas mentes imersas na experimentação, o projeto carrega uma sonoridade futurista e marcante, testando os limites da escuta convencional. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flume - How To Build A Relationship (feat. JPEGMAFIA)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DdJbW8sKa9M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O EP se inicia com uma proposta audiovisual cômica em </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5Pf4hNsNZMHjuKTTwsJuYK?si=828acb0275be4dfb"><i><span style="font-weight: 400;">Track1</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que retrata o processo em que o produtor apresenta seus beats para JPEG. Deitado em uma maca com um aparelho metálico que remete a um instrumento científico, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">reage gradualmente aos sons. O clipe chega a ser engraçado, porque, de início, ele não se interessa por nada do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">DJ </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Seja lá qual for o barulho que você acabou de fazer aí, isso me assustou pra caramba!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Contudo, no decorrer dos testes, entendemos porque Barrington rejeita tanto as primeiras tentativas: ele sabia do que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5IqDR2WjVl8"><span style="font-weight: 400;">Flume</span></a><span style="font-weight: 400;"> era capaz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><i><span style="font-weight: 400;">beats </span></i><span style="font-weight: 400;">iniciais eram marcados apenas por sons graves e estridentes sem ritmo nenhum, a ponto de incomodar. Com o tempo, Flume vai agregando outros elementos eletrônicos que complementam a experiência, até que chegam a um ponto de concordância. A partir daí, compartilhamos do experimento entre os dois artistas e mergulhamos de cabeça no projeto. Com imagens quase alucinógenas, tomamos o lugar de JPEG na maca e embarcamos em uma breve viagem musical.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flume &amp; JPEGMAFIA - Track 1" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lhVeE3N3Rcw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma temática </span><i><span style="font-weight: 400;">cyber</span></i><span style="font-weight: 400;">, o EP apresenta um conceito voltado à tecnologia, interação social, relacionamentos e à percepção da realidade de forma moderna e futurista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">“Is It Real?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/5RTLRtXjbXI2lSXc6jxlAz"><span style="font-weight: 400;">Ravyn Lenae</span></a><span style="font-weight: 400;">), a voz robótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">e os versos marcantes de Ravyn, cantora de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentam o mantra do </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/trip/carpe-diem-nao-e-ou-nao-deveria-ser-um-slogan"><i><span style="font-weight: 400;">carpe diem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da forma mais crua possível: viver o agora, sem se preocupar com julgamentos alheios e aproveitando cada segundo de uma vida “</span><i><span style="font-weight: 400;">curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><i><span style="font-weight: 400;">“IA Girlfriend”</span></i><span style="font-weight: 400;">, terceira faixa do projeto, é estranha e desconfortável por trazer alusões à inteligência artificial dentro de uma relação afetiva. JPEG usa termos técnicos de tecnologia até para descrever o ato sexual, como no verso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Então vou limpar meu cache antes de me conectar com você, sim / Minha namorada IA ficará na minha página inicial até o mundo acabar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A música ainda acompanha um videoclipe que mostra um robô de aparência feminina em um </span><i><span style="font-weight: 400;">strip club</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde essa &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">IA Girlfriend</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; parece estar em um processo de reconhecimento do ambiente e do comportamento feminino, talvez para poder imitá-lo. Entre os versos, ecoam falas em uma voz feminina que remetem ao filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/cmon-cmon-critica/"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, que causou reações mistas no público justamente por apresentar um futuro que, aos poucos, parece menos distante.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flume &amp; JPEGMAFIA - AI Girlfriend" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qWSdZA9bLqs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na última música do EP, os dois produtores amarram o que idealizaram ao longo do EP. Hoje, são tantas as coisas produzidas por </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/04/04/ias-nao-geram-arte-trend-de-ia-que-recria-estilo-ghibli-evidencia-apropriacao-de-obras-e-perda-de-espaco-para-artistas/"><span style="font-weight: 400;">IA</span></a><span style="font-weight: 400;">— textos, imagens, vídeos e até mesmo música — que fica cada vez mais difícil compreender o que é falso e o que é real. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ocean Is Fake</span></i><span style="font-weight: 400;">  é uma faixa sem progressão clara, com um refrão repetitivo no início, e só no final temos um verso de JPEGMAFIA que referencia, tanto relações que não parecem reais, quanto o fato de sempre ter que gravar, registrar ou expor algo para que isso seja considerado real. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Se não for permanente, não podemos tirar fotos de família. Se não for permanente, você pode tirar uma foto com ele, só isso</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado da colaboração entre a dupla é um trabalho experimental e proveitoso para ambos os produtores, já que, além de cantor e compositor, Hendricks também é produtor e pôde dar seu toque no EP. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3UjNTHSIqU8"><span style="font-weight: 400;">entrevista </span></a><span style="font-weight: 400;">para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cambridge Union</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele diz que começou a fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">porque ninguém gostava dos seus </span><i><span style="font-weight: 400;">beats </span></i><span style="font-weight: 400;">antes. Mas reforça: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Em primeiro lugar, sou um produtor. Depois, um rapper. Mas levo os dois a sério!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No final, são dois amigos dentro de um estúdio experimentando e produzindo o que mais os agrada sonoramente.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: We Live In A Society" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2NvuDARjVRkDMZAHnx8ll5?si=0v1lQCA6RpmloBKLxTh7-w&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Doechii resgata essência do hip-hop e se prova além do gênero com Alligator Bites Never Heal</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Feb 2025 16:50:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti No dia 13 de Junho de 2019, uma jovem chamada Jaylah Ji&#8217;mya Hickmon publicou um vídeo em seu canal no YouTube questionando o porquê da transição para a vida adulta ser tão difícil. Como poder investir nos próprios sonhos, se ela precisava pagar contas e lidar com a vida real? “Eu só quero &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alligator-bites-never-heal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Doechii resgata essência do hip-hop e se prova além do gênero com Alligator Bites Never Heal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34830" aria-describedby="caption-attachment-34830" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-1.jpg" alt="Na imagem, Doechii, uma mulher negra, está sentada em uma cadeira de madeira sobre um tapete estampado, com uma parede de fundo em tom verde escuro. Ela veste uma saia verde, uma camisa branca, sapatos marrons e meias brancas. Seu cabelo está trançado, com acessórios decorativos. A mulher segura um jacaré albino em seu colo, olhando diretamente para a câmera." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34830" class="wp-caption-text">Alligator Bites Never Heal, mixtape de Doechii, faturou três nomeações no 67º Grammy Awards (Foto: Top Dawg Entertainment)</figcaption></figure>
<p><strong>Talita Mutti</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 13 de Junho de 2019, uma jovem chamada Jaylah Ji&#8217;mya Hickmon publicou um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=04rQ4rEkgZk"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu canal no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> questionando o porquê da transição para a vida adulta ser tão difícil. Como poder investir nos próprios sonhos, se ela precisava pagar contas e lidar com a vida real? “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu só quero atingir meus objetivos, ser uma grande estrela, [&#8230;] mas eu sinto que preciso fazer uma escolha</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz. Arriscar continuar lutando pelos seus sonhos talvez tenha sido a melhor decisão da vida de Doechii, </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> que usou um trecho de seu desabafo em uma das faixas de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i> <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/60UzB8mOCMpc7xkuJE6Bwc"><i><span style="font-weight: 400;">Alligator Bites Never Heal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em Agosto de 2024. Com o projeto, se tornou a terceira mulher a faturar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Álbum de Rap na história da premiação, além de ter sido uma das nomeadas ao prêmio de Artista Revelação, junto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/short-n-sweet-tour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sabrina Carpenter</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a vencedora </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rise-and-fall-of-a-midwest-princess-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chappell Roan</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-34829"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma lírica e narrativa complexas, Doechii lançou uma </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> que reafirmou seu potencial como </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> na indústria musical. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alligator Bites Never Heal</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui um nome e simbolismo que dão muito significado ao projeto – jacarés (tradução de </span><i><span style="font-weight: 400;">alligator</span></i><span style="font-weight: 400;">) são animais predominantes da Flórida, estado em que a compositora nasceu. Além disso, eles também são animais que conseguem se adaptar a diversos tipos de meio ambiente, fazendo com que sejam mais resistentes. Essa foi a comparação que a </span><i><span style="font-weight: 400;">cantora </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jml_NyEN3Rk&amp;t=3432s"><span style="font-weight: 400;">fez</span></a><span style="font-weight: 400;"> consigo mesma ao mostrar que ela é do tipo de artista que se perpetua em diferentes momentos e ambientes da cena, sem deixar sua essência se corromper, desenvolvendo o conceito em toda a narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A compositora já havia lançado outros projetos que a colocaram nos holofotes. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0VV963BfZvQmjzZ14ai7Gu"><i><span style="font-weight: 400;">Oh The Places You&#8217;ll Go</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, carrega </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> virais, como </span><a href="https://youtu.be/8qnOpJfFfpU?si=UzWLOEO_9TJsUSzo"><i><span style="font-weight: 400;">Yucky Blucky Fruitcake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fizeram a cantora assinar com a </span><a href="https://txdxe.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Dawg Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">TDE</span></i><span style="font-weight: 400;">), mesma gravadora de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2YZyLoL8N0Wb9xBt1NhZWg"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> Em 2022, Doechii lançou seu segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0MndM4dEwGOjtuKE1aP2Tb"><i><span style="font-weight: 400;">she / her / black bitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pela </span><i><span style="font-weight: 400;">TDE</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo no ano seguinte, ela fez colaborações com grandes nomes na cena, como Kodak Black no </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=phtcAd8j6Ro"><i><span style="font-weight: 400;">What It Is (Block Boy)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que marcou sua entrada na </span><a href="https://www.billboard.com/charts/hot-100/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Hot 100</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e faturou a certificação de platina pela </span><a href="https://www.riaa.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Recording Industry Association of America</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">RIAA</span></i><span style="font-weight: 400;">). A ironia aqui é que muitos fãs que consomem </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> questionaram o tipo de artista que Doechii gostaria de estabelecer na cena. Uma </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">? Para o fã que ainda tem dúvidas sobre isso, ela trouxe a resposta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alligator Bites Never Heal</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BOOM BAP | Swamp Session" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6skI89ZGaV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com referências profundas aos ícones do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> que dita o ritmo do álbum, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> desenvolve uma sequência de faixas que se interligam entre si. Há uma construção inteligente da lírica em toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">; sem economizar nas rimas, ela mescla o significado dos versos ao pegar palavras com diferentes significados e com sons parecidos. Inicialmente, reconhecemos uma jovem adulta narrando seus pensamentos mais sinceros e externando-os em uma sequência de três faixas. Começamos com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dz-ZEblalcE"><i><span style="font-weight: 400;">STANKA POOH</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BULLFROG</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">BOILED PEANUTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possuem uma temática introspectiva, com medos universais e inseguranças da artista. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">E se eu engasgar com este Slurpee? E se eu fizer sucesso?/E se meu carro explodir enquanto estou casualmente abastecendo e fumando um cigarro?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, pondera em </span><i><span style="font-weight: 400;">STANKA POOH</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, Doechii usa da sequência para externar os medos e enfrentá-los ao mesmo tempo. A </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> não dá espaço para a vulnerabilidade.</span> <span style="font-weight: 400;">Ela não pode se dar ao luxo de ser vista como fraca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">E se esses forem os únicos medos que levarei para o túmulo/Estou mijando em vocês, vadias, viva ou morta</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, conclui. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AfgNiEJwGWo"><i><span style="font-weight: 400;">CATFISH</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das faixas mais famosas da </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela traz à tona a falsidade, a mentira e o desgaste social. Doechii é agressiva e não aceita o fato de alguém estar à espreita, esperando uma brecha para atacar. Ela é impaciente com pessoas que falam, sondam e que, na verdade, não são ninguém.</span></p>
<figure id="attachment_34831" aria-describedby="caption-attachment-34831" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1-800x450.png" alt="Na imagem, Doechii, uma mulher negra de 26 anos, está em pé em frente a um fundo verde escuro. Ela usa uma blusa listrada nas cores amarela, verde, azul e branco. A artista sorri enquanto segura um jacaré albino em suas mãos, olhando diretamente para a câmera." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-2-1.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34831" class="wp-caption-text">Doechii destaca a raridade do jacaré albino como um elemento de identidade em Alligator Bites Never Heal (Foto: Top Dawg Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A compositora parece se provar em cada verso. Ela é a “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iGbeZNqklic"><i><span style="font-weight: 400;">Madonna do hip-hop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. São barras e barras afirmando que ela é a </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/kendrick-lamar-praises-doechii-1235805205/"><span style="font-weight: 400;">maior e melhor</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a forma como ela externa isso realmente faz você não querer duvidar dela. Aqui é importante citar o </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> impecável. A artista constrói sua lírica de maneira fluida, parecendo que as palavras seguidas uma das outras formam um corpo que tem um encaixe perfeito no projeto. Além de investir em rimas que agradam sonoramente, ela também usa e abusa de metáforas que, para entender, é necessário prestar atenção no que ela tem a dizer. Na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">STANKA POOH</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sujo os tênis e os coloco de volta na caixa/Como se fosse os Looney Tunes de volta em estoque</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a cantora se refere à uma coleção que a animação fez com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike</span></i><span style="font-weight: 400;"> e revela que é uma metáfora de como ela gosta propositalmente de destruir, desmontar e sujar coisas ‘brilhantes’. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Do jeito que eu venho [&#8230;] exatamente como entrei na indústria, eu só gosto de sujar as coisas e depois colocá-las de volta na prateleira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, menciona a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jml_NyEN3Rk&amp;t=3432s"><span style="font-weight: 400;">entrevista </span></a><span style="font-weight: 400;">sobre o projeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com uma sequência mais voltada para o </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista não deixa o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de fora. No final do projeto, encontramos outra série de faixas interligadas entre si, mas dessa vez com uma temática e melodias diferentes. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-91vymvIH0c"><i><span style="font-weight: 400;">BLOOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reconhecemos uma menina jovem com sonhos que, até então, eram impossíveis de serem alcançados. Surge o desespero em se tornar alguém na vida que ela se orgulhe, ao mesmo tempo, é necessário saber pôr os pés no chão e lidar com o mundo real, com as pessoas ao seu redor e consigo mesma. Na faixa, ela se conecta com aqueles que se veem em uma posição parecida e estão estagnados. Só que, logo depois, Doechii muda completamente de perspectiva e tranquiliza o ouvinte em </span><i><span style="font-weight: 400;">WAIT</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo uma temática reconfortante que abraça e serve de apoio para aqueles que têm sonhos destruídos e estão insatisfeitos. Para ela, a vida “</span><i><span style="font-weight: 400;">é como um acordo, esperando você sacar a dela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Se entender como ela funciona, é possível alcançar os objetivos que deseja – e aqui ela tem lugar de fala, uma vez que foi nomeada em três categorias do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy 2025</span></i><span style="font-weight: 400;"> ‘apenas’ acreditando em si mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No projeto como um todo, é possível observar a sinceridade de cada faixa que Doechii compôs. </span><i><span style="font-weight: 400;">BOOM BAP</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve como resposta para aqueles que questionam a forma como ela mistura </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros gêneros, característica que a destaca na cena. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bouYiB94GHo"><i><span style="font-weight: 400;">DENIAL IS A RIVER</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra um acontecimento real da vida da artista, mas de uma forma dinâmica que traz o ouvinte a acompanhar uma sucessão de acontecimentos que facilmente seriam retratados em uma </span><a href="https://www.imdb.com/pt/title/tt0096579/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como foi feito no próprio videoclipe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Doechii - DENIAL IS A RIVER (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/F0cdbR5ognY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale citar que o trabalho de Doechii nesse projeto não focou tanto na produção. O </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas faixas em que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> predomina é constante e monótono. Não é como se a música não tivesse altos e baixos, pelo contrário: ela só não precisou desse recurso, bastou o </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> para ditar a crescente de cada faixa. Usando referências fortemente ligadas à essência do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, a compositora mostra que ela é o que o legado que o gênero forneceu. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">NISSAN ALTIMA</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista usa uma referência do videoclipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z-48u_uWMHY"><i><span style="font-weight: 400;">Alright</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Kendrick Lamar, ao compor uma cena cantando no carro com os membros da produtora, gesticulando enquanto canta, assim como o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AfgNiEJwGWo"><i><span style="font-weight: 400;">CATFISH</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora usa de referência </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EQzvQO2LcA4"><i><span style="font-weight: 400;">Woo-Hah!! Got You All In Check</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Busta Rhymes, que também serve de inspiração para a música de Kendrick. </span><i><span style="font-weight: 400;">Woo-Hah!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, cita o grupo de hip-hop The Sugarhill Gang – que, coincidentemente, utiliza o som &#8216;woo hah&#8217; inspirado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d8yGrk0Sfxg"><span style="font-weight: 400;">DJ Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos progenitores do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Doechii, sem saber, trilhou o mesmo caminho que muitas figuras do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> trilharam antes dela. Ela é o tipo de artista que respeita e aprende com aqueles que a antecederam. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jml_NyEN3Rk&amp;t=750s"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela menciona nomes que a inspiraram no processo de se tornar a artista que queria ser: </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-a-film-by-beyonce-critica/"><span style="font-weight: 400;">Beyoncé</span></a><span style="font-weight: 400;"> como mulher negra e autêntica à frente da indústria musical; </span><a href="https://personaunesp.com.br/donda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um produtor que veio do completo nada, mas que sabia do seu potencial e provou para o mundo, através de disciplina e insistência, quem ele é. Ela acrescenta, ainda, que a virada de chave em sua vida para juntar ambição e talento para viver da Música veio por meio do álbum </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1BZoqf8Zje5nGdwZhOjAtD"><i><span style="font-weight: 400;">The Miseducation of Lauryn Hill</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998). Diante disso, Doechii mostra que tem o repertório necessário para se tornar um dos grandes nomes da cena atual. Ela exala a cultura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo se arriscando no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguindo sustentar com maestria o que produz. Ela pode fazer tudo, ou melhor, ela é “</span><i><span style="font-weight: 400;">tudo!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como grita a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">BOOM BAP</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34832" aria-describedby="caption-attachment-34832" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34832 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-800x419.png" alt="Na imagem, Doechii está de lado para a câmera, sem sorrir, segurando o prêmio Grammy em suas mãos. O prêmio é representado por um gramofone de ouro. Ela usa uma camisa social de mangas longas e está em frente a um painel do evento, ocorrido em 2 de fevereiro de 2025, na Crypto.com Arena, em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-800x419.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-1024x536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-768x402.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-1536x804.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1-1200x629.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/imagem-3-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34832" class="wp-caption-text">Jaylah Ji&#8217;mya Hickmon se tornou a terceira mulher a ganhar o Grammy de Melhor Álbum de Rap, juntando-se a Cardi B e Lauryn Hill (Foto: Michael Buckner)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedora de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem nem mesmo ter lançado seu álbum de estreia, Doechii fez um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h1whp7ndRCs"><span style="font-weight: 400;">discurso</span></a><span style="font-weight: 400;"> sincero na cerimônia de premiação que emocionou e revelou o tipo de artista que ela é. Uma sonhadora que, mesmo enfrentando diversos desafios em sua trajetória, apostou em si mesma para crescer e se orgulhar do que se tornou. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sei que tem uma garota preta, tem muitas mulheres negras me assistindo. Eu quero dizer para vocês: vocês conseguem! Tudo é possível. Se vocês quiserem, é possível. Não permitam que ninguém projete estereótipos sobre vocês. [&#8230;] Vocês são exatamente quem deveriam ser</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, afirmou em sua fala, com o gramofone em mãos. Hoje, ela serve de inspiração para outras jovens como ela, elevando a autoestima e confiança daquelas que são ou já foram rejeitadas pela sociedade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alligator Bites Never Heal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um soco no estômago da cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ainda se mantém majoritariamente masculina nos Estados Unidos. Trata-se de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> que transita entre diferentes gêneros ao longo das faixas, mas sem perder a essência do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo inovação e dinamismo ao estilo. Doechii desenvolveu o projeto a partir de experiências pessoais e vivências sensíveis, que moldaram tanto sua identidade como artista quanto como pessoa. O resultado é um trabalho sincero e transparente, que desperta a curiosidade do público sobre quem é essa jovem e qual seu potencial para o futuro na cena musical. Nesse caso, não será necessário esperar muito, já que ela anunciou seu álbum de estreia para 2025, em </span><a href="https://variety.com/2024/music/news/doechii-hitmakers-hip-hop-disruptor-alligator-bites-never-heal-1236237397/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Variety.</span></i></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Alligator Bites Never Heal" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/60UzB8mOCMpc7xkuJE6Bwc?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>CHROMAKOPIA: entre caos sonoro e lírica introspectiva, Tyler, The Creator revela sua essência mais autêntica</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jan 2025 16:25:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti Em uma mistura de confusão e autoconhecimento, Tyler, The Creator revela seu verdadeiro ‘eu’ em CHROMAKOPIA, lançado em Outubro de 2024. Com faixas marcadas por sua produção criativa e autêntica, repletas de composições que constroem uma experiência completa e imersiva, a obra consolida a relevância do cantor na cena musical. Tyler Gregory Okonma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chromakopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "CHROMAKOPIA: entre caos sonoro e lírica introspectiva, Tyler, The Creator revela sua essência mais autêntica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34708" aria-describedby="caption-attachment-34708" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-800x800.jpg" alt="A capa de CHROMAKOPIA, de Tyler, The Creator, traz uma foto marcante do artista vestido com um uniforme militar e usando uma máscara que imita o formato de seu próprio rosto. Tyler, um homem negro de 33 anos, com cabelo crespo e escuro, aparece com a mão direita levantada, em um gesto que sugere que está se expressando. O fundo é predominantemente escuro, com uma faixa de luz que destaca sua silhueta, adicionando profundidade e dramaticidade à imagem." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34708" class="wp-caption-text">CHROMAKOPIA estreou na parada musical americana Billboard Hot 200 e permaneceu no ranking por mais de três semanas (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mistura de confusão e autoconhecimento, Tyler, The Creator revela seu verdadeiro ‘eu’</span> <span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://open.spotify.com/album/0U28P0QVB1QRxpqp5IHOlH?si=nqXebUGMQEKS45gFtykfzw"><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i></a><b>, </b><span style="font-weight: 400;">lançado em Outubro de 2024</span><span style="font-weight: 400;">. Com faixas marcadas por sua produção criativa e autêntica, repletas de composições que constroem uma experiência completa e imersiva, a obra consolida a relevância do cantor na cena musical. Tyler Gregory Okonma explora um outro lado do rap atual, com oito álbuns de estúdio na discografia, ele constroi narrativas através dos alter egos que marcam cada trabalho, junto de uma produção carregada de elementos que o difere de outros artistas da cena. Okonma externa pensamentos e temas que o assombram, refletindo cada fase da própria vida, mas sempre por trás de um personagem.</span></p>
<p><span id="more-34706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A revolta, agressividade e dificuldade de aceitação são temas predominantes em </span><a href="https://open.spotify.com/album/3CxknRPQLbOJRwQrNekNyU?si=Nq5bj87FR8ebzOYteEfyrg"><i><span style="font-weight: 400;">Goblin</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011), </span><a href="https://open.spotify.com/album/40QTqOBBxCEIQlLNdSjFQB?si=jYdJclUnTmyfhyBvyxjxng"><i><span style="font-weight: 400;">Wolf</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013) e </span><a href="https://open.spotify.com/album/5V3Chnpno9oTI7JSPXKUf3?si=IfLuZlStQ_-Gb0bVdk_hqA"><i><span style="font-weight: 400;">Cherry Bomb</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015). Enquanto o amor, autoconhecimento, sexualidade e solidão são tópicos presentes em</span> <a href="https://open.spotify.com/album/2nkto6YNI4rUYTLqEwWJ3o?si=Y8kZPSR7QKOUPipfGz2Z_A"><i><span style="font-weight: 400;">Flower Boy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><a href="https://open.spotify.com/album/5zi7WsKlIiUXv09tbGLKsE?si=eiQ34wacRwWtKNxORA2YyA"><i><span style="font-weight: 400;">IGOR</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), álbuns em que ele expõe seu amadurecimento, fechando feridas que estavam abertas desde seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, ao mesmo tempo, mudando a narrativa dos alter egos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i> <span style="font-weight: 400;">não foi diferente. Logo de cara,</span> <span style="font-weight: 400;">‘T’</span> <span style="font-weight: 400;">apresenta seu novo personagem na faixa de nome </span><i><span style="font-weight: 400;">St. Chroma</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco pode não ser o trabalho mais inovador de Tyler, The Creator. É certo que, se você é fã do artista, deve ter sentido certa familiaridade ao escutar </span><i><span style="font-weight: 400;">Darling, I</span></i><span style="font-weight: 400;">, composta por uma melodia parecida com </span><a href="http://personaunesp.com.br/call-me-if-you-get-lost-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">SWEET/ I THOUGHT YOU WANTED TO DANCE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">por exemplo. Mas, mesmo usando de ritmos e estilos parecidos, o produtor traz elementos que reciclam seu próprio repertório e, de certa forma, reinventam o que ele já criou em outros trabalhos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ST. CHROMA" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/gkZ4dLMH-B8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco tem uma entrada agressiva, com sons de marcha e um suspense através do sussurro de St. Chroma e, mais uma vez, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz mágica através de sua produção. A faixa apresenta uma crescente estrondosa a cada elemento que lhe é adicionado: latidos do próprio produtor, passos, melodia,  cantos ecoantes da palavra &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e, principalmente, os vocais de </span><a href="https://open.spotify.com/wrapped/share/share-2d02258aa2ed4c839b8a08a00ec141af?si=u8jDJtoKQ96aiVbybfMuiQ&amp;artist-id=20wkVLutqVOYrc0kxFs7rA"><span style="font-weight: 400;">Daniel Caesar</span></a><span style="font-weight: 400;">, que constroem uma atmosfera que leva o ouvinte a uma sensação de imersão total ao que está prestes a ser apresentado. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue ver a luz?</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente, após ouvir essa música, sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as faixas foram escritas, produzidas e estruturadas por Tyler Gregory Okonma e, como em outras eras, a lírica reflete muito do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> vive e traz à tona suas próprias reflexões sobre a vida. Mas, dessa vez,  essa </span><a href="https://genius.com/Tyler-the-creator-tomorrow-lyrics"><span style="font-weight: 400;">versão de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">T</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’ realmente se preocupa com o futuro. O tempo tem passado; sua mãe tem envelhecido; seus amigos têm construído família; sua ex já se casou. E ele? Tem uma Ferrari e algumas coisas para falar. Parece ser um misto de sentimentos, uma parte dele não se importa com o futuro, porém, quando começa a pensar em tudo o que lhe é cobrado conforme a idade, não soa como algo obrigatório, e sim como o tempo passando e ele estagnado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Okonma se vê, pela primeira vez, preocupado com o futuro. Ele mesmo não se reconhece. Não é algo característico de sua personalidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tomorrow</span></i><span style="font-weight: 400;">, décima faixa do álbum, muda de marcha com uma melodia lenta e reflexiva que parece mais íntima do que seu estilo usual. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não espere por mim, eu ficarei bem</span></i><span style="font-weight: 400;">” – a repetição desse verso ao longo da música reforça seu desejo de independência e sua relutância em se conformar às expectativas. A faixa é profundamente pessoal para o produtor, abordando medos universais sobre envelhecer e as expectativas que vêm com isso. Sua decisão de focar no </span><a href="https://open.spotify.com/track/3Umj02ZNl4d356pS1D38mn?si=cekRmrJUQza5jGrPNArCEA&amp;context=spotify:album:0U28P0QVB1QRxpqp5IHOlH"><span style="font-weight: 400;">medo da paternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um mundo que está sempre mudando é identificável, e a produção delicada permite que suas letras introspectivas ecoem.</span></p>
<figure id="attachment_34707" aria-describedby="caption-attachment-34707" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1-800x450.png" alt="Na imagem, Tyler, The Creator veste um uniforme de soldado completo com acessórios que complementam o traje militar. Seu cabelo está dividido em duas partes, e ele aparece gesticulando enquanto performa uma música. O cenário é um avião antigo do exército dos Estados Unidos, onde Tyler está posicionado sobre uma das asas, criando uma atmosfera de intensidade e nostalgia histórica." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1.png 1320w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34707" class="wp-caption-text">Em Thought I Was Dead, Tyler, The Creator, traz nomes ascendentes na cena como ScHoolboy Q e Santigold (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma conversa muito sincera, o compositor escolhe citar supostos casos de pessoas que perderam sua personalidade por tentarem provar algo para outras pessoas ou, como em </span><a href="https://open.spotify.com/track/4BSR9I4ExlCJdXJo2GpBD5?si=07852f4b9f834e56"><span style="font-weight: 400;">suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">para ter validação de gente burra e confusa</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Seja um </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">, um ‘riquinho’ que tenta pagar de </span><i><span style="font-weight: 400;">gangstar</span></i><span style="font-weight: 400;">, um homem gay no armário, uma mãe frustrada e, no final, o próprio ‘T’.  Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Take Your Mask Off</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma introdução serena que prepara o cenário para uma exploração profunda de identidade e autenticidade, um tema recorrente na discografia de Tyler Gregory Okonma. Esta exploração sincera da vergonha e da autenticidade convida os ouvintes a se envolverem em uma diálogo mais amplo sobre aceitação e a coragem necessária para viver a verdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a ponte, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece estar dentro de um monólogo, falando de todas suas inseguranças e desafios que enfrentou durante sua vida e carreira. Com os vocais de Daniel Caesar, ‘T’ constrói uma faixa harmônica e tranquila, acompanhada de muito sentimento e sinceridade na lírica. </span><i><span style="font-weight: 400;">Take Your Mask Off</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser relacionada com o próprio alter ego do álbum, que utiliza uma máscara semelhante ao rosto do cantor. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esse é o primeiro álbum que tudo o que eu disse é verdade. É tão honesto que acho que tive que usar uma máscara com meu próprio rosto para conseguir colocar algumas dessas coisas para fora</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://x.com/ComplexMusic/status/1851639928465265018"><span style="font-weight: 400;">afirma o artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o portal X.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de crescimento pessoal e autoconhecimento, o compositor aborda os desafios da fama e, em um videoclipe com possíveis referências de outros artistas, como </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=Jg5wkZ-dJXA&amp;t=399s&amp;pp=ygUTcnVuYXdheSBmdWxsIGxlbmd0aA=="><i><span style="font-weight: 400;">Runaway</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Kanye West, ele externa a paranoia que o assombra. Em outros projetos, o produtor já havia exposto como a fama se tornou um obstáculo em sua carreira e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qer3lwd5hyA"><i><span style="font-weight: 400;">Noid</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">confirmou isso. Okonma exemplifica o quão angustiante é a vida de quem tem que se submeter a esse tipo de exposição, mostrando que nem na própria casa há privacidade. Tudo é visto, gravado e registrado. Sempre há alguém olhando e, mesmo sendo uma pessoa pública,  expondo em outras músicas que é ‘o melhor da cidade’, até ele precisa de espaço. Esse alter ego de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">T </span></i><span style="font-weight: 400;">’ humaniza e mostra como a vida dele realmente é.</span></p>
<figure id="attachment_34709" aria-describedby="caption-attachment-34709" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1.png" alt="Na imagem, Tyler, The Creator aparece atrás de uma cortina, olhando por cima do ombro com uma expressão de preocupação e paranoia. Ele está centralizado na composição, vestindo uma blusa de lã e brincos brilhantes que contrastam com o ambiente sombrio, reforçando a intensidade emocional do momento." width="720" height="405" /><figcaption id="caption-attachment-34709" class="wp-caption-text">Tyler, The Creator expõe a própria paranóia no video clipe de Noid (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como de costume, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem medo nenhum de esconder que se vê como um dos ‘melhores da cena’. Com uma produção intimidadora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sticky</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo de como o disco cresce. Com a participação de GloRilla, Sexyy Red e Lil Wayne, a faixa é marcada pela energia agitada e toda a criatividade do artista. Formando uma fusão dinâmica de estilos, entrelaçando sem esforço entre </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sons experimentais. O refrão, </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=JtDutblOFik&amp;pp=ygUYc3RpY2t5IHR5bGVyIHRoZSBjcmVhdG9y"><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">A coisa tá ficando feia, feia…</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></a><span style="font-weight: 400;">, que funciona como um gancho que traz o ouvinte a crescente da música, parece estar te levando para algum lugar. Assim, prendendo o ouvinte e tocando na energia divertida e caótica da faixa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A composição na música é igualmente envolvente, cheia de reviravoltas imprevisíveis. O produtor brinca com </span><a href="https://x.com/tylerthecreator/status/1858217462765871370?s=46"><span style="font-weight: 400;">sons diferentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, desde as batidas infundidas de </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">nos versos até os </span><i><span style="font-weight: 400;">breakdowns</span></i><span style="font-weight: 400;"> distorcidos e pesados ​​de baixo. Há uma energia frenética nas transições que mantém o ouvinte envolvido, tornando-a uma daquelas faixas que parece mais intrincada a cada audição. A disposição de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">T </span></i><span style="font-weight: 400;">’ em experimentar batidas e texturas compensa aqui, dando uma vantagem única dentro do álbum que, a cada vez que você der o </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">, vai perceber algo novo que não tinha escutado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de Daniel Caesar, Lil Wayne, GloRilla e Sexyy Red, </span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com a presença de nomes relevantes na cena, como </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=9Xqdfi8Chv8&amp;pp=ygUNYmFsbG9vbiB0eWxlcg=="><span style="font-weight: 400;">Doechii</span></a><span style="font-weight: 400;">, Teezo Touchdown, Latoiya Williams, Schoolboy Q, Santigold, Lola Young Childish Gambino e Willow. Escolhas que encaixaram perfeitamente no projeto. Tanto em relação aos vocais que ajudaram na composição da produção dinâmica e fantasiosa, quanto aos </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">marcados por autenticidade e potência.</span></p>
<figure id="attachment_34710" aria-describedby="caption-attachment-34710" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image4-800x450.png" alt="Na imagem, o artista caminha na direção oposta a um grupo de pessoas vestidas de terno e gravata. Ele usa roupas casuais, incluindo um colete acolchoado branco e uma blusa fina por baixo. Além disso, está usando uma máscara que imita seu próprio rosto e olha diretamente para a câmera, criando um contraste marcante com o restante da cena." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image4.png 1041w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34710" class="wp-caption-text">Influente no mundo da moda, Tyler, The Creator recorre a uma estética acromata e simples em CHROMAKOPIA, dando destaque apenas ao verde (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> externa temas profundos que o assombram a vida inteira, mas, como em todo álbum, ele traz uma narrativa diferente. Os receios com a fama; a paternidade; o medo de ser insuficiente. Esses e outros temas já foram abordados pelo o rapper de </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=XSbZidsgMfw&amp;pp=ygUYZ29ibGluIHR5bGVyIHRoZSBjcmVhdG9y&amp;rco=1"><i><span style="font-weight: 400;">Goblin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=3lDqMx4rmFU&amp;pp=ygUWaWZoeSB0eWxlciB0aGUgY3JlYXRvcg=="><i><span style="font-weight: 400;">Wolf</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e seus outros discos. Entretanto, agora, vemos Tyler Gregory Okonma maduro e compreendendo questões que apenas com a idade seriam fáceis de assimilar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os fãs de longa data, é como um reencontro, com uma sensação de nostalgia. Um pressentimento de que já vimos alguém, mas que, hoje, está totalmente diferente. </span><i><span style="font-weight: 400;">CHROMAKOPIA</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre amadurecimento, aceitação e, </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/tyler-the-creator-chromakopia-listening-party-intuit-dome-1235144559/"><span style="font-weight: 400;">nas palavras do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sobre os conselhos que a mãe do artista dava, que só com o tempo ele pôde entender. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você nunca cansa de me impressionar; continue brilhando</span></i><span style="font-weight: 400;">”, reforça a mãe no final do álbum.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: CHROMAKOPIA" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0U28P0QVB1QRxpqp5IHOlH?utm_source=oembed"></iframe></p>
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