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	<title>Arquivos Susan Sarandon &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>50 anos depois de seu lançamento, The Rocky Horror Picture Show ainda tem energia para fazer o Time Warp</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 13:00:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Em 14 de agosto de 1975, The Rocky Horror Picture Show chegava aos cinemas do Reino Unido e do mundo, provocando críticos que ainda não sabiam avaliar  adequadamente um filme que viria a se tornar um dos mais cultuados da história. Singular e inclassificável em qualquer gênero, o roteiro mirabolante, as atuações propositalmente &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos depois de seu lançamento, The Rocky Horror Picture Show ainda tem energia para fazer o Time Warp"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35726" aria-describedby="caption-attachment-35726" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image5-800x533.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, da esquerda para a direita: em um palco teatral com cortinas vermelhas ao fundo, Columbia aparece ajoelhada, vestindo um figurino brilhante com lantejoulas coloridas e um chamativo chapéu dourado. Ao centro, a Dra. Frank-N-Furter está sentada de forma provocativa em um trono prateado, usando corset vermelho, meia-calça preta, luvas escuras, colar de pérolas e maquiagem marcante. Seu pé esquerdo repousa sobre a mão de Columbia. Atrás do trono, Magenta observa com um leve sorriso, visível do busto para cima, com os cabelos volumosos e ruivos. À direita, Riff Raff aparece pálido e de expressão neutra, vestindo um terno preto aberto que revela o peito e calça escura, com luvas desgastadas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image5.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35726" class="wp-caption-text">Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 14 de agosto de 1975, </span><a href="https://personaunesp.com.br/vamos-fazer-time-warp-novamente-the-rocky-horror-picture-show/"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chegava aos cinemas do Reino Unido e do mundo, provocando críticos que ainda não sabiam avaliar  adequadamente um filme que viria a se tornar um dos mais cultuados da história. Singular e inclassificável em qualquer gênero, o roteiro mirabolante, as atuações propositalmente caricatas e a </span><a href="https://arthurtuoto.com/2025/02/10/o-camp-no-cinema"><span style="font-weight: 400;">estética </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se uniram a músicas viciantes e temas considerados tabus, deixando o público da época perdidamente encantado entre o espanto e o fascínio.</span><span id="more-35725"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido como um fracasso, o longa foi redescoberto pouco tempo depois nas célebres </span><a href="https://masmorracine.wordpress.com/2011/04/04/a-contracultura-do-cinema-nos-midnight-movies"><span style="font-weight: 400;">sessões da meia-noite</span></a><span style="font-weight: 400;">, formando uma legião de fãs ao longo das décadas. A obra</span> <span style="font-weight: 400;"> é uma paródia que homenageia os filmes B de Ficção Científica e Terror dos anos de 1950 a 1970, ao mesmo tempo, em que brinca com referências óbvias à literatura do século XIX, como <em>Frankenstein</em> e <em>Drácula</em>, e ironiza símbolos associados à Segunda Guerra Mundial, seja na estética de uniformes e gestos, seja na caricatura de figuras de autoridade.</span></p>
<figure id="attachment_35729" aria-describedby="caption-attachment-35729" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x527.png" alt="Fotografia em preto e branco da fachada de um cinema.Na calçada do Tiffany Theater, em Los Angeles, uma fila de pessoas, em sua maioria jovens com roupas típicas dos anos 1970, conversam durante as sessões da meia-noite. A marquise do cinema anuncia a exibição de Lawrence of Arabia e de The Rocky Horror Picture Show em sessões na madrugada. " width="800" height="527" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-1024x674.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35729" class="wp-caption-text">As sessões da meia-noite em Hollywood, populares nos anos 1970, exibiam filmes alternativos e de baixo orçamento, atraindo jovens ligados à contracultura (Foto: Los Angeles Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história acompanha um casal recém-noivado — Janet Weiss (</span><a href="https://people.com/susan-sarandon-says-it-was-traumatizing-for-peter-hinwood-to-film-touch-me-rocky-horror-11699722"><span style="font-weight: 400;">Susan Sarandon</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Brad Majors (</span><a href="https://www.wkar.org/wkar-news/2024-10-10/barry-bostwick-looks-back-on-rocky-horror-ahead-of-el-appearance"><span style="font-weight: 400;">Barry Bostwick</span></a><span style="font-weight: 400;">) — que, ao procurar abrigo durante uma forte tempestade, acaba num castelo cheio de personagens excêntricos lideradas pela Dra. Frank-N-Furter (</span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/the-rocky-horror-picture-show-por-que-tim-curry-rejeitou-sequencia-do-filme"><span style="font-weight: 400;">Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma cientista autointitulada de “a transexual da Transilvânia” (não a região na Romênia, mas sim uma galáxia ficcional) que está prestes a dar vida à sua criação perfeita: Rocky (</span><a href="https://cabanamagazine.com/blogs/masters-muses/peter-hinwood?srsltid=AfmBOoofdwEsRUn_He83p__b88J24A7LSzevGnk71O1glZq042FdjsfL"><span style="font-weight: 400;">Peter Hinwood</span></a><span style="font-weight: 400;">), esculpido para satisfazer seu próprio prazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito autoconsciente do próprio ridículo, o longa explora-o ao máximo para criar uma experiência inesquecível para o espectador. Cada personagem é individualmente encantador por sua própria estranheza. Riff Raff, interpretado por </span><a href="https://www.theguardian.com/stage/2020/nov/05/richard-obrien-interview-rocky-horror-trans-crack-stroke-70s"><span style="font-weight: 400;">Richard O’Brien</span></a><span style="font-weight: 400;"> — criador do musical original —, e Magenta, interpretada por </span><a href="https://www.bbc.com/news/uk-northern-ireland-66609781"><span style="font-weight: 400;">Patricia Quinn</span></a><span style="font-weight: 400;"> — que também é a boca com batom vermelho no escuro que abre a obra —, por exemplo, são irmãos vindos da mesma galáxia que a cientista maluca. Dedicados a manter suas tradições e rituais, se voltam contra Frank quando percebem que ela se desviou dos ‘bons costumes’ da Transilvânia, e, por isso, a assassinam ao final, fugindo em seguida literalmente com o próprio castelo, que se transforma em uma nave espacial e levanta voo.</span></p>
<figure id="attachment_35732" aria-describedby="caption-attachment-35732" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-800x492.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show.Na imagem, da esquerda para a direita: Riff Raff, pálido enquanto canta, está parado na entrada do salão principal do castelo, vestindo um terno preto aberto que revela seu peito, calça escura e luvas desgastadas. Ao seu lado, Brad usa uma jaqueta de couro bege sobre um suéter azul claro e camisa branca, calça cinza e óculos. Janet, ao centro, veste um vestido rosa com gola, coberto por um cardigã branco, e segura uma bolsa clara. À direita, Magenta aparece com cabelos desgrenhados e expressão teatral, trajando uma clássica roupa de empregada dos anos 1950 (vestido preto com avental branco rendado). Brad e Janet estão paralisados, olhando para frente com espanto. " width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3-768x473.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-3.jpg 975w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35732" class="wp-caption-text">Nas sessões da meia-noite, os fãs de The Rocky Horror Picture Show costumavam se fantasiar com as roupas dos personagens e encenar as performances junto ao filme (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tim Curry é, sem sombra de dúvidas, o coração do musical, que entrega em </span><a href="https://youtu.be/ZCZDWZFtyWY?si=-YSrt10LaVVWM5Uh"><i><span style="font-weight: 400;">Sweet Transvestite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a quinta música do longa, uma <em>performance</em> que definiria sua carreira. Mais do que apenas apresentar a Dra. Frank-N-Furter, esse momento estabelece o tom de toda a narrativa, misturando o exagero com a ironia em um desejo excitante. A cada gesto, Curry parece consciente de que está criando não só uma personagem, mas um ícone. Ele escapa de qualquer classificação fácil e que se tornaria inseparável da identidade da própria obra quando entoa:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou apenas uma doce travesti / Da Transsexual, Transilvânia.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Frank desafia os gêneros e a moralidade, tornando impossível para o espectador desviar o olhar. Na década de 1970, uma figura como essa era impensável em um musical </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Hoje, ela se tornou símbolo de resistência e liberdade, um verdadeiro ícone para a comunidade </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/como-the-rocky-horror-picture-show-levantou-discussoes-de-genero-em-1975-e-se-tornou-cult"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo que a obra nunca tenha se vendido como ‘militante’, mas apenas como radicalmente livre.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exagera ao máximo o clichê e culmina em prazer, subversão e sexualidade. Janet, que começa como a virgem vulnerável, encontra nas mãos (e lábios) de Frank e Rocky sua própria libertação sexual. Brad, o marido certinho, também experimenta o desejo de forma fluida, se entregando à doutora excêntrica com quem sua esposa também se deitou. E Rocky, a ‘criatura’, é hipersexualizado como um boneco musculoso e mudo, criado para ser usado e nada mais. Tudo é proposital, tudo é provocação e tudo é </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/aos-50-rocky-horror-show-mant%C3%A9m-o-potencial-transgressor/a-65976603"><span style="font-weight: 400;">transgressor</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35734" aria-describedby="caption-attachment-35734" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35734" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-5-800x450.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture ShowNa imagem, há uma boca com batom vermelho brilhante em close, os lábios levemente entreabertos, com dentes visíveis mordendo o lábio inferior, sobre um fundo totalmente preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35734" class="wp-caption-text">A música de abertura homenageia diversas histórias de ficção científica das décadas de 1930, 1940 e 1950, como: Flash Gordon, King Kong e O Dia em Que a Terra Parou (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra original, lançada nos palcos de Londres dois anos antes da adaptação cinematográfica, também contava com Tim Curry como a Dra. Frank N Furter. Em 2016, a personagem travesti foi interpretada por uma pessoa não-cis, quando </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/story/nos/paradasp/quem-e-laverne-cox-atriz-trans-que-irritou-bolsonaristas,766fed879404c327dbc809bf7a4316652xkw5gsh.html"><span style="font-weight: 400;">Laverne Cox</span></a><span style="font-weight: 400;">, mulher trans, assumiu o papel no </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">televisivo produzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras músicas também sustentam o peso de levantar temas tão censurados para a época. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4brHQkZ1ZrRO33b6MEpMCI?si=e33654cffa654537"><i><span style="font-weight: 400;">Touch-a, Touch-a, Touch Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cantada por Janet, transforma o anseio feminino em algo, ao mesmo tempo, cômico e libertador. O refrão </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu quero ser indecente!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a transição da passividade esperada de uma esposa idealizada </span><a href="https://www.standardhotels.com/culture/susan-sarandon-talks-rocky-horrors-40th-anniversary-ping-pong-and-prince"><span style="font-weight: 400;">à ação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Susan Sarandon entrega um momento de descoberta e força, onde, mesmo vulnerável, jamais deixa de perder o humor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E claro, impossível não falar de </span><a href="https://youtu.be/-w0WPkB3XJ4?si=_uW94fglu4n4rVfV"><i><span style="font-weight: 400;">Time Warp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a canção mais célebre do filme. Com sua coreografia icônica e letra que imita um ritual — “</span><i><span style="font-weight: 400;">É só um pulo para a esquerda! E um pulo para a direita!</span></i><span style="font-weight: 400;">” — a canção virou </span><a href="https://valkirias.com.br/the-rocky-horror-picture-show"><span style="font-weight: 400;">hino</span></a><span style="font-weight: 400;">. O público dançava, respondia aos personagens e performava com o musical nas sessões da meia-noite, esperando também passar pela tal ‘distorção no tempo’.</span></p>
<figure id="attachment_35736" aria-describedby="caption-attachment-35736" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-800x586.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture ShowNa imagem, está o salão principal do castelo durante o número musical &quot;Time Warp&quot;. Um grupo de personagens excêntricos, vestidos com smokings coloridos, cartolas e calçados de sapateado, estão com os braços erguidos em perfeita sincronia sobre um tapete vermelho central. Ao fundo, uma faixa pendurada no palco anuncia “Annual Transylvanian Convention” (“Convenção Anual da Transilvânia” em português). As cortinas vermelhas e a arquitetura do salão criam um clima teatral e decadente. À direita, Riff Raff e Magenta dançam juntos. " width="800" height="586" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-800x586.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-1024x750.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-768x562.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2-1200x879.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-2.jpg 1393w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35736" class="wp-caption-text">Durante as filmagens no inverno britânico, os atores enfrentaram frio intenso e umidade. A atriz Susan Sarandon chegou a contrair pneumonia no set (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jim Sharman, diretor da obra, abriu espaço para o absurdo florescer, sem medo de confrontar o ‘politicamente correto’ da época. Dessa liberdade, assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i><span style="font-weight: 400;"> transformou-se, de maneira orgânica, em um ato de expressão para a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma produção carregada de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/578/the-rocky-horror-picture-show"><span style="font-weight: 400;">subtexto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tem o dobro da energia de muitos espetáculos clássicos e o triplo de coragem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que lançado há meio século, o musical ainda deixa um </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2025/jul/31/the-rocky-horror-picture-show-at-50-an-oral-history"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa gerações. Seja pelo seu humor ácido, erotismo ou pela estética muito diferente de qualquer outra produção audiovisual, ele segue conquistando novos espectadores. O </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/filme-the-rocky-horror-picture-show-versao-remasterizada"><span style="font-weight: 400;">relançamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> em versão remasterizada nos cinemas em novembro de 2025, e o documentário </span><a href="https://realmofhorror-blog.blogspot.com/2025/07/strange-journey-story-of-rocky-horror.html"><i><span style="font-weight: 400;">Strange Journey: The Story of Rocky Horror</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreado em março do mesmo ano, são mais do que meras homenagens de aniversário, é um retorno mais do que merecido às telonas, onde novos espectadores poderão fazer o &#8216;</span><i><span style="font-weight: 400;">Time Warp&#8217;</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez. Porque se tem uma coisa que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">ensina é que se sentir diferente pode ser aterrorizante, mas também libertador.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Rocky Horror Picture Show | #TBT Trailer | 20th Century FOX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4plqh6obZW4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Nonnas é simples, mas dá um aconchego no coração</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Sep 2025 19:18:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Barbosa  É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, Nonnas é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor Stephen Chbosky (cineasta de As Vantagens de Ser Invisível – &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nonnas-e-simples-mas-da-um-aconchego-no-coracao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nonnas é simples, mas dá um aconchego no coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35800" aria-describedby="caption-attachment-35800" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35800" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-800x534.jpg" alt="Quatro mulheres brancas mais velhas estão em uma cozinha industrial, todas usando aventais da cor bege, interagindo entre si Ao fundo, há prateleiras com mantimentos, utensílios pendurados e portas de cozinha." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35800" class="wp-caption-text">O filme conta a história de um dos restaurantes mais incríveis de Nova York (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Lucas Barbosa </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> (cineasta de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível </span></i><span style="font-weight: 400;">– 2012) se baseia na história de vida de Joe Scaravella. O filme tem uma gama de personagens que são puro carisma, e um roteiro que fala sobre amor, luto, tradição e redescobertas.</span><span id="more-35798"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção inicia com Joe (</span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/vince-vaughn-netflix-nonnas-interview-1236223369/"><span style="font-weight: 400;">Vince Vaughn</span></a><span style="font-weight: 400;">), um homem de meia idade que trabalha como mecânico de ônibus. Após perder a mãe, começa a fazer as receitas antigas da família durante o período de luto. Um dia, depois de receber o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e transformá-lo em um lugar especial, e para isso, contrata quatro mulheres na flor da idade com receitas magníficas para o projeto.</span></p>
<figure id="attachment_35801" aria-describedby="caption-attachment-35801" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35801" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-800x451.png" alt="Na imagem, há três pessoas brancas paradas na rua. Uma mulher de cabelos loiros do lado cacheados sorri, segurando o braço do homem ao centro, que veste uma camisa polo cinza com logotipo. Na direita, outro homem de camisa clara caminha olhando para frente" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8.png 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35801" class="wp-caption-text">Vince Vaughn entendeu que o filme iria reviver momentos felizes da infância (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros momentos do longa são tomados por uma tristeza profunda, por meio da paleta de cores em tons azuis e a <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2N8HDLPULHxfHV9CX1xnw3">trilha sonora</a> suave e serena. Tais escolhas técnicas vão de encontro à solidão do protagonista, que viveu a vida toda ao redor do núcleo familiar, nesse momento, montar um restaurante virou uma forma de alento do luto, e para isso precisava juntar mais amores, e histórias para chegar ao seu maior objetivo: reviver os momentos que fizeram sua vida feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme tem uma narrativa gostosa de se ver: a necessidade de renovação depois do luto é um caminho simples, sem tentativas de forçar situações e eventos. Tudo ocorre de forma natural, desde o desenvolvimento de Joe até as brigas das </span><a href="https://www.eater.com/24422628/nonnas-netflix-review-true-story-enoteca-maria"><span style="font-weight: 400;">senhoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> são orgânicas, o que dá margem para a evolução das personagens, que falam sobre a idade e a vontade de viver dentro de uma Nova York que destoa do habitual, diverge entre o colorido e o monocromático, se relacionando com cada momento da produção.</span></p>
<figure id="attachment_35799" aria-describedby="caption-attachment-35799" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35799" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x450.jpg" alt="Três senhoras brancas estão sentadas em uma bancada, usando aventais, enquanto um homem branco em pé serve comida. Todos interagem de forma animada, com pratos, travessas e copos espalhados sobre o balcão. Ao fundo, há cadeiras empilhadas e paredes em reforma, cobertas por plástico." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35799" class="wp-caption-text">“A mesa não se envelhece” (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O imbróglio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas </span></i><span style="font-weight: 400;">é que mesmo com a fluidez da história e da construção dos seus personagens, há uma certa </span><a href="https://miscelana.com/2025/05/21/as-nonnas-uma-receita-previsivel-com-gosto-de-comfort-food/"><span style="font-weight: 400;">previsibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos acontecimentos e suas milagrosas resoluções até se tornam banais diante do roteiro previsível escrito por Liz Maccie (</span><i><span style="font-weight: 400;">Siren: A Lenda das Sereias </span></i><span style="font-weight: 400;">– 20020). Algumas cenas pareciam pouco desenvolvidas na edição, algumas cenas com um CGI um pouco forçado, talvez para deixar alguns momentos em um foco para deixar uma emoção a mais, o que não aconteceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco não deixa nada a desejar: </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/nonnas-review-vince-vaughn-susan-sarandon-netflix-1236209510/"><span style="font-weight: 400;">Vince Vaughn</span></a><span style="font-weight: 400;"> demonstra a dor da perda, com o calor de uma vida nova ao redor dele, é sincero no que fala e nas suas reações nos momentos de mais emoção no filme. Susan Sarandon, Talia Shire, Lorraine Bracco e Brenda Vaccaro, nomes de peso do cinema e que fizeram seus papéis com muita dinâmica, entenderam completamente qual era a narrativa que tinham que produzir, e conseguiram realizar além do esperado: fizeram personagens concisos e concretos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que concorreu ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2025</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme para Televisão, é uma escolha acolhedora, longa tranquilo, com uma boa história e ótimos atores no elenco. O maior problema não é o conteúdo em si, mas as falhas técnicas no roteiro. É uma indicação concisa, chegou na Netflix no </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/top-10-may-5-2025"><span style="font-weight: 400;">top 10 global</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conseguiu boas notas nas críticas, como um 82% no </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/nonnas"><i><span style="font-weight: 400;">Rotten Tomatoes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.  </span></i><span style="font-weight: 400;">É um filme bem feito, simples, como arroz e feijão, ou melhor, como um bom Cacio e Pepe.</span></p>
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		<title>The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 18:45:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de The Rocky Horror Picture Show. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, terror e ficção científica todos juntos e misturados, com muita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23955" aria-describedby="caption-attachment-23955" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em um primeiro plano, vemos o braço flexionado e musculoso do personagem Rocky, um homem branco e loiro, que está de costas e só aparece parcialmente. Em um segundo plano, atrás do braço de Rocky, vemos, da esquerda para a direita, Janet e Brad, uma mulher e um homem brancos, ambos aparentando cerca de 30 anos e vestindo roupões brancos; à frente deles, Magenta, uma mulher branca de cabelos encaracolados vestindo um vestido preto e de lado para a câmera; Frank, o personagem principal, vestindo um corset preto e maquiagem e flexionando os braços; e Riff Raff, um homem branco, de cabelos loiros e longos somente na lateral da cabeça, segurando uma toalha e encarando Frank. " width="1080" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-768x463.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23955" class="wp-caption-text">The Rocky Horror Picture Show surgiu porque o criador Richard O’Brien, que também interpreta Riff Raff, estava entediado e insatisfeito com seus papéis no teatro (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima</span> <span style="font-weight: 400;">levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ficção científica todos juntos e misturados, com muita música, irreverência e atrevimento. Assim como os </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-sao-filmes-b/"><span style="font-weight: 400;">filmes B</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se propôs a homenagear, a rebelde produção </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/the-rocky-horror-picture-show-1976"><span style="font-weight: 400;">foi criticada</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixada de lado e jogada para as exibições com menor audiência. Entre o público das sessões, o propositalmente ridículo e contracultural </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">foi compreendido e, justamente por causa dos renegados, se tornou o clássico </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-torna-um-filme-cult-186269/"><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">definitivo e atemporal que é hoje.</span></p>
<p><span id="more-23954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama do filme, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon) são um jovem casal apaixonado e recatado que decide pegar a estrada para contar as boas novas a um amigo em comum: eles noivaram! Isso até que uma tempestade e um pneu furado atrapalham a viagem e os deixam presos no meio do nada. Obrigados a pedirem ajuda no único lugar possível, um castelo macabro, o casal só queria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZCZDWZFtyWY"><span style="font-weight: 400;">fazer uma ligação e voltar para o carro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas toca a campainha em uma noite especial. Os dois são conduzidos ao salão principal pelo misterioso e antipático mordomo Riff Raff (Richard O’Brien) e quando veem, já estão envolvidos no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-w0WPkB3XJ4"><span style="font-weight: 400;">excêntrico evento</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcado para acontecer naquela data.</span></p>
<figure id="attachment_23956" aria-describedby="caption-attachment-23956" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-2.gif" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma tela branca no que aparenta ser uma biblioteca, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos brancos curtos, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um terno preto, com a mão levantada segurando um cigarro e inclinando a cabeça enquanto fala." width="650" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-23956" class="wp-caption-text">“Eu gostaria, se eu puder, de te levar em uma estranha jornada” (GIF: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSSlYwVEMSM"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;">, o número musical e os convidados extravagantes já não derrubaram a ficha de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">é algo além do convencional, chega o anfitrião da festa, o Dr. Frank-N-Furter. Entrada triunfal é pouco: de meia arrastão e batom vermelho, ele desce por um elevador engatando em uma envolvente e divertida performance, se apresenta como um Doce Travesti da Transsexual Transilvânia e convida o casal para o laboratório, onde revelará seu mais novo experimento: um homem feito por ele para satisfazer seus desejos. Logo de cara, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">protagonista de Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;"> já é estonteante &#8211; Janet e Brad que o digam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí para frente, com o Frankenstein musculoso e de sunguinha do Doutor Furter ganhando vida, um ex-amante retornando e o casal tendo que passar a noite no castelo, é impossível prever os rumos que a premissa toma e a cada curva o caminho fica mais estranho &#8211; e mais divertido. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">está ciente de sua bizarrice e não liga. Ao contrário, a produção aproveita o rótulo </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-mundo-trash-uma-breve-introducao-a-um-genero-incompreendido/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para ser mais escrachada ainda: os números musicais extravagantes, os figurinos coloridos e ultrajados e as performances excessivas criam a atmosfera debochada, cômica e despreocupada que fez da produção um verdadeiro </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/tim-curry-once-got-thrown-out-of-a-rocky-horror-picture-show-screening-4168625/"><span style="font-weight: 400;">espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Rocky Horror Picture Show (1975) - Sweet Transvestite Scene (3/5) | Movieclips" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZCZDWZFtyWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente um espetáculo. Depois de passar pelos palcos de Londres e Los Angeles, a peça escrita e composta por Richard O’Brien ganhou uma adaptação cinematográfica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">como o conhecemos. Nas telas, a produção inicialmente </span><a href="https://didyouknow.org/rocky-horror-picture-show-flopped-on-release/"><span style="font-weight: 400;">não decolou</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas foram justamente nas sessões da meia noite que o que era um ousado e estranho longa se transformou em um fenômeno: é impossível não querer cantar e dançar com a animada trilha sonora e os espectadores começaram a performar junto dos números.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas madrugadas, as exibições viraram ponto de encontro de fãs, que compareciam fantasiados como os personagens e se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-T3wrbOr68w"><span style="font-weight: 400;">levantavam para encenar</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim que os créditos iniciais passavam. O impacto da produção superou as telas e fez de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">um fenômeno cultural. Não por menos, o filme é até hoje o de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hefomj2O7PQ"><span style="font-weight: 400;">maior rodagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> em salas de cinemas, cravou imagens e </span><a href="https://tidibits.wordpress.com/2020/10/28/os-labios-de-man-ray-e-rock-horror-show/"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> no imaginário popular e vira e mexe ganha homenagens em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0hqtEvVVrvk"><span style="font-weight: 400;">séries</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=axcECZzlPVI"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZE54I5zmVc"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação do genial intérprete de Frank como o criminologista narrador da história.</span></p>
<figure id="attachment_23957" aria-describedby="caption-attachment-23957" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg" alt=" Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma cortina vermelha em um palco, vemos, da esquerda para a direita, Columbia, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, usando maquiagem e vestindo um traje e um chapéu coloridos e brilhantes; ao centro, em uma cadeira que imita um trono, vemos Frank, vestindo um corset, salto alto e maquiagem e deitado de lado; acima dele, apoiada na cadeira, Magenta, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, de cabelos encaracolados e castanhos, com o rosto pintado de branco e maquiado; e, à direita, Riff Raff, um homem branco, com cabelos loiros longos somente na lateral da cabeça, vestindo uma roupa toda preta e com luvas pretas, apoiado na cadeira em que Frank está." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23957" class="wp-caption-text">Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tim Curry merece um destaque inteiro só para ele. Seus companheiros de elenco são divertidos e fundamentais à trama &#8211; no final, então&#8230; &#8211; mas é o cientista maluco que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mjHksjW4XQk"><span style="font-weight: 400;">rouba todos os holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O Frank-N-Furter de Curry é inigualável e sua presença em cena, hipnótica. O ator cria uma atmosfera misteriosa, instigante e sedutora a partir do exótico de seu personagem, e ascende como a força central do filme. Isso para não começar nos vocais: a voz potente e extasiante do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atração à parte a cada número musical (e são muitos) e tornam o protagonista ainda mais arrebatador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wb1HDnYPPoo"><span style="font-weight: 400;">músicas grudentas</span></a><span style="font-weight: 400;">, do visual estimulante e das fantasias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não envelhecem, o apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">não é difícil de entender. Mais do que puro e simples entretenimento, o longa de Jim Sharman foi acolhedor ao reconhecer as diferenças e as abraçar. Orgulhosa de sua própria bizarrice, a produção assume sua despretensão e extravagância e a usa para ser, também, transgressora.</span></p>
<figure id="attachment_23958" aria-describedby="caption-attachment-23958" style="width: 1791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a um pano de fundo azul com uma torre e letras, vemos, da esquerda para a direita, Frank, vestindo um corset vermelho e usando maquiagem; Janet e Brad, que segura na cintura de Janet. Ambos vestem corset preto e usam maquiagem no rosto." width="1791" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png 1791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23958" class="wp-caption-text">Escalar Barry Bostwick e Susan Sarandon nos papéis de Brad e Janet foi uma exigência do estúdio, que queria que o casal principal fosse estadunidense (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1975, nem uma década depois da </span><a href="https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2019/10/18/a-censura-em-hollywood-e-o-codigo-hays"><span style="font-weight: 400;">censura dos bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema ter sido abolida, o filme não poupou na sensualidade. Na pele dos novatos Susan Sarandon e Barry Bostwick, a inocente Janet e o quadradão Brad estavam se guardando para depois do casamento, até que ambos foram seduzidos e (de bom grado) deixaram ser corrompidos pelo inebriante Frank. Se o casal era casto até conhecê-lo, o anfitrião já deixava claro suas intenções e desejos, sem firulas no assunto. Até o recém-nascido Rocky, criado unicamente para satisfazer seu criador, já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tdufVsPXtCE"><span style="font-weight: 400;">vem ao mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sunga apertada e, por mais ingênuo que seja, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHv0VrAUYLY"><span style="font-weight: 400;">cheio de tesão</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Janet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já pregava o lema “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entregue-se ao prazer absoluto</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LnYBwampG8U"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não existe espaço para falso moralismo ou conservadorismo tolo. Com sua aura erótica e provocativa, o filme tirou sarro dos bons costumes da época, mas também jogou o holofote em temas como liberdade sexual e sexualidade. Nesta última, apesar dos anos 70 terem sido uma </span><a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/06/28/o-que-foi-a-rebeliao-de-stonewall-inn-que-deu-origem-ao-dia-do-orgulho-gay.htm"><span style="font-weight: 400;">época próspera</span></a><span style="font-weight: 400;"> para essas discussões, o tabu estava longe de ser quebrado e Tim Curry em um </span><i><span style="font-weight: 400;">corset</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantando abertamente sobre seus desejos carnais e levando Brad e Janet para a cama foi revolucionário. </span></p>
<figure id="attachment_23959" aria-describedby="caption-attachment-23959" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a uma porta aberta e com muita fumaça em volta, vemos ao centro, da esquerda para a direita, Riff Raff, um homem pintado de branco, com os cabelos presos para cima, vestindo um traje prateado com uma estética futurista e segurando o que aparenta ser uma arma também futurista; e Magenta, uma mulher pintada de branco, com os cabelos penteados para o alto e com uma mecha prateada, vestindo um traje igual o de Riff Raff, com as mãos na cintura." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23959" class="wp-caption-text">Criador do roteiro original e intérprete de Riff Raff, Richard O’Brien também compôs a inesquecível trilha sonora de The Rocky Horror Show e The Rocky Horror Picture Show (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tempo presente, </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2015/09/after-40-years-rocky-horror-has-become-mainstream/407491/"><span style="font-weight: 400;">décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;"> da estreia. O debate sobre gênero e sexualidade avançou e até as pautas mudaram, mas a relevância da produção sobreviveu ao tempo, assim como suas sátiras ao conservadorismo. No contexto do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">TRHPS </span></i><span style="font-weight: 400;">foi subversivo e quebrou com os padrões da época. Em qualquer outro, como o agora, a mensagem de rebeldia e de desobediência do comum permanece atemporal, mais um dos motivos para olharmos para a produção com ainda mais carinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, se os cem minutos anteriores já não foram fascinantes e tresloucados o suficiente, a conclusão do filme aceita o desafio de tornar tudo ainda mais maluco e nada prepara para o grande desfecho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, terror, </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;">, musical, tudo se bagunça, se mistura e se caçoa. Afinal, no caleidoscópio de cores, sons, reviravoltas, sentidos e experiências, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">já havia mostrado que não cabe em nenhuma caixinha pré-definida e que é só si próprio &#8211; e daí seu sucesso e seu merecido </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivo. Como os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EcPZZ_hPVPA"><span style="font-weight: 400;">personagens cantam em coro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">não sonha em ser, é.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The Rocky Horror Picture Show - Original Soundtrack" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4QviryaneolcRmDB57SLco?si=TyoeSKc7SHCWoNwWsgJf6g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Após 30 anos, o clássico Thelma &#038; Louise continua atual e necessário</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2021 21:13:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Muitos filmes hollywoodianos seguem um padrão comum em suas produções, quase como uma receita de bolo. Neles é perceptível uma maioria esmagadora de personagens masculinos como protagonistas. Em contrapartida, a história criada pela roteirista Callie Khouri propunha uma ruptura nos clichês da indústria cinematográfica. Desse modo, ao receber o roteiro em mãos, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 30 anos, o clássico Thelma &#038; Louise continua atual e necessário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20818" aria-describedby="caption-attachment-20818" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme em que Geena Davis, uma jovem branca de cabelos claros e ondulados, e Susan Sarandon, uma jovem branca de cabelos ondulados, com óculos de sol e lenço, se juntam para tirar uma selfie." width="1170" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20818" class="wp-caption-text">A primeira selfie do cinema foi protagonizada por Geena Davis e Susan Sarandon no clássico Thelma &amp; Louise (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos filmes hollywoodianos seguem um padrão comum em suas produções, quase como uma receita de bolo. Neles é perceptível uma maioria esmagadora de personagens masculinos como protagonistas. Em contrapartida, a história criada pela roteirista Callie Khouri propunha uma ruptura nos clichês da indústria cinematográfica. Desse modo, ao receber o roteiro em mãos, o diretor Ridley Scott deu vida ao icônico </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-20817"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a produção do longa foi composta por uma equipe de peso. Apesar de novata, Callie Khouri já tinha experiência por trás das câmeras e pretendia em seu roteiro quebrar o padrão de </span><a href="https://www.jornalismo.ufv.br/cinecom/a-hipersexualizacao-das-personagens-femininas-nos-filmes-de-acao/"><span style="font-weight: 400;">mulheres hipersexualizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que via no seu dia a dia de trabalho. Ridley Scott já era considerado um diretor consagrado por suas produções anteriores, como</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-alien-o-oitavo-passageiro/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-blade-runner-o-cacador-de-androides-versoes-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E para encarnar as grandes protagonistas que dão nome ao filme, estão as atrizes Geena Davis e Susan Sarandon, que trouxeram vida por meio de suas atuações impecáveis na trama.</span></p>
<figure id="attachment_20819" aria-describedby="caption-attachment-20819" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20819 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme em que Thelma e Louise cruzam o deserto dentro de um carro conversível azul. A estrada é de terra, nos cantos está a vegetação baixa típica de clima desértico e uma montanha toma conta do fundo da imagem." width="628" height="377" /><figcaption id="caption-attachment-20819" class="wp-caption-text">As amigas dirigem um Ford Thunderbird durante sua viagem de férias (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta a história de duas amigas com personalidades opostas que saem de férias para uma cabana de pesca nas montanhas. Thelma Dickinson (</span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/entrevista-com-geena-davis-de-thelma-louise"><span style="font-weight: 400;">Geena Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma dona de casa que moldou sua vida de acordo com as medidas impostas pelo seu marido, Darryl (Christopher McDonald), um vendedor de tapetes, grosseiro e controlador. Enquanto que Louise Sawyer (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/susan-sarandon-e-kate-winslet-brilham-em-drama-sobre-eutanasia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Susan Sarandon</span></a><span style="font-weight: 400;">) trabalha como garçonete, é bem resolvida e tem personalidade forte. Apesar de todas essas divergências, ambas se respeitavam e se apoiavam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante sua jornada, as amigas param em um bar de estrada para descansar da viagem. No local, Thelma aproveita para se divertir bebendo e dançando com estranhos. Porém, Harlan (Timothy Carhart) tenta abusar sexualmente da jovem enquanto esta estava em estágio frágil. Para proteger a amiga, Louise atira no assediador. Após o conturbado ocorrido, ambas fogem do local. A partir disso, o longa se transforma em uma perseguição policial, que fortalece a personalidade e o laço das protagonistas da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_20820" aria-describedby="caption-attachment-20820" style="width: 1563px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6.jpg" alt="Cena do filme em que Susan Sarandon, a esquerda, aparece usando uma camiseta branca e apontando uma arma. A direita está Geena Davis, que usa uma camiseta preta com o desenho de uma caveira e óculos de sol. O fundo é o céu azul." width="1563" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6.jpg 1563w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20820" class="wp-caption-text">Ao longo da viagem, as personagens evoluem suas personalidades (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme segue a linha de um </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2015/09/o-que-e-road-movie.html"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém quebrando inúmeros padrões conhecidos pela indústria do Cinema. A narrativa já é inovadora por si só ao propor duas mulheres como protagonistas de uma jornada policial, mas também, as personagens apresentam personalidades muito bem desenvolvidas, algo que </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">não é tão comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> em produções que costumam colocar a persona feminina como coadjuvante. Além disso, a trama apresenta diversas cenas marcantes em que Thelma e Louise apresentam atitudes comuns nos longas predominantemente masculino, como beber, dirigir, roubar, matar e fugir da polícia, algo inovador e original para Hollywood.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário em que o protagonismo masculino se sobrepõe sempre às mulheres, é possível dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa necessário para a cultura popular. Embora essa realidade em que há uma ausência feminina na frente e, principalmente, por trás das câmeras seja fato, essa história nem sempre foi assim. O primeiro filme narrativo de ficção da história do cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fada do Repolho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1896, foi dirigido pela francesa </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2019/03/alice-guy-blache-a-pioneira-do-cinema-que-a-historia-esqueceu/"><span style="font-weight: 400;">Alice Guy-Blaché</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outra figura representativa é a diretora </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2019/04/lois-weber-pioneira-diretora-de-cinema-que-chocou-o-mundo.html"><span style="font-weight: 400;">Lois Weber</span></a><span style="font-weight: 400;">, que realizava produções tão marcantes quanto D. W. Griffith e Georges Méliès. Embora simbólico para a construção da indústria cinematográfica, muitos não conhecem o trabalho das grandes mulheres que construíram esse mercado que, originalmente, era igualitário entre os gêneros. </span></p>
<figure id="attachment_20821" aria-describedby="caption-attachment-20821" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2.jpg" alt="Cena branco e preta do curta A Fada do Repolho, em que Alice Guy-Blaché aparece ao centro sorrindo, com cabelo curto preto, um vestido longo branco e os braços erguidos. Ao seu lado estão vários repolhos fictícios grandes e ao fundo está uma grade." width="1288" height="773" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2.jpg 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20821" class="wp-caption-text">Alice Guy-Blaché, diretora do filme A Fada do Repolho, é considerada pioneira do Cinema (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar dessa opressão masculina no Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou a sua marca. O longa chegou a receber quatro indicações ao Globo de Ouro e seis ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganhando apenas na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=29ePCxCBZ14"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;"> em ambas as premiações. Além disso, o filme ganhou muito palco por tratar tão bem de pautas feministas, já que nos anos 90 não era comum que se levantassem assuntos sobre a questão da igualdade de gênero, do assédio sexual e da liberdade feminina nas telonas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter criado essa onda de feminismo em Hollywood, o filme não resultou em melhoras dentro da indústria cinematográfica. Com os padrões de dominação masculina no ramo do cinema, a talentosa Geena Davis criou em 2006 o </span><a href="https://seejane.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Geena Davis Institute on Gender in Media</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com o objetivo de mitigar a discriminação por gênero. A atriz aborda no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPGwJmSMoPs"><i><span style="font-weight: 400;">Isso Muda Tudo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018, que não tinha ideia da disparidade entre homem e mulher quando começou a atuar. Desde que se tornou ativista na área, Davis e sua equipe passaram a levantar dados que comprovam essa discrepância, para assim, tentar alcançar a igualdade entre gêneros. </span></p>
<figure id="attachment_20822" aria-describedby="caption-attachment-20822" style="width: 1339px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3.jpg" alt="Cena do filme em que um carro azul conversível sobrevoa o Grand Canyon. A metade para baixo da imagem é composta por rochedos desérticos e a parte superior é o céu azul com poucas nuvens dispersas." width="1339" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3.jpg 1339w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20822" class="wp-caption-text">O filme se encerra com um salto em direção às colinas do Grand Canyon, perpetuando a liberdade de Thelma e Louise (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, a relevância do longa para o cenário feminino no Cinema é inegável e mesmo após 30 anos, o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece atual em sua proposta. De forma divertida, Callie Khouri escreveu uma história comovente sobre assuntos complexos na sociedade. A edição do filme permite com que o telespectador adentre na vida das personagens, ao mesmo tempo que a trilha sonora e a direção musical de </span><a href="http://www.ufrgs.br/mvs/Periodo06-1990-HansZimmer_NEW.html"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> intensificam as emoções trazidas na direção de Ridley Scott.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mostra que alguns filmes vão além do entretenimento ao levantar bandeiras relevantes para a sociedade. As personagens são donas de suas vidas e mostram que o empoderamento feminino é muito mais divertido quando ocorre por meio da cumplicidade entre duas boas amigas. E com isso, o longa se encerra mostrando que, para elas, nada é mais importante do que a liberdade.<br />
</span></p>
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		<title>25 anos depois, já podemos parar de falar sobre Friends</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 16:28:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  Friends é a grande série do século XX. A comédia sobre os seis amigos de Nova Iorque que conquistou a cultura pop num solavanco, hoje se prostra como uma das maiores produções televisivas da história. A sitcom comemorou vinte e cinco anos no fim de setembro e fãs mundo afora celebraram o legado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, já podemos parar de falar sobre Friends"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12916" aria-describedby="caption-attachment-12916" style="width: 1799px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1.jpg" alt="" width="1799" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1.jpg 1799w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12916" class="wp-caption-text"><em>I’ll be there for you (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/19/friends-25-numeros-explicam-o-sucesso-da-serie-apos-25-anos.ghtml">grande série</a> do século XX. A comédia sobre os seis amigos de Nova Iorque que conquistou a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> num solavanco, hoje se prostra como uma das maiores produções televisivas da história. A </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> comemorou vinte e cinco anos no fim de setembro e fãs mundo afora <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-150887/">celebraram o legado</a> e as piadas de Rachel, Joey, Phoebe e companhia. Mas, tanto tempo depois da estreia,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> deveria deixar os holofotes de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">buzz</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seriado vem da exibição <a href="https://www.omelete.com.br/friends/fora-da-netflix-brasil">global</a> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fácil acesso aos 236 episódios exibidos originalmente pela </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre 1994 e 2004 é primordial para manter acesa a chama de discussão da série. Todavia, com todas as portas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> abriu, carreiras que lançou e conteúdos que originou, o grande público pode voltar atenções a outras grandes produções lançadas de lá para cá. E não há problema algum nisso.</span></p>
<p><span id="more-12915"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma série é eterna. Ciclos se findam e novos caminhos são traçados. Desde aquele 22 de setembro de 1994, quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> exibia o clássico </span><a href="https://screenrant.com/friends-show-pilot-episode-perfect-reason/"><i><span style="font-weight: 400;">The Pilot</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">The One Where Monica Gets a Roommate</span></i><span style="font-weight: 400;">), a televisão se reinventou uma centena de vezes. Renovações e cancelamentos, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2019/05/expresso-ilustrada-debate-como-cultura-de-remakes-e-spinoffs-acabou-com-os-finais.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">reboots</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> revivals</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas existe uma certa aura ao redor da concepção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um senso de grandeza e genialidade que seus criadores, Marta Kauffman e David Crane, provavelmente não tinham planejado logo naquele início.</span></p>
<figure id="attachment_12917" aria-describedby="caption-attachment-12917" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis.jpg" alt="" width="2000" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-300x216.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-768x553.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-1024x737.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-1200x864.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12917" class="wp-caption-text"><em>Friends recebeu mais de trinta indicações a categorias de atuação no Emmy (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma cafeteria e um sofá laranja. Jovens adultos recém saídos da faculdade e muito, mas muito, tempo livre. A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=sLisEEwYZvw">cena de abertura</a> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> logo esboça seu esqueleto. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Seinfeld</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989 &#8211; 1998) extraia situações cômicas de momentos banais, sua sucessora natural buscava cavucar as nuances de seus seis protagonistas, sempre indo mais fundo na criação de humor físico, piadas recorrentes e, é claro, o talento absurdo de seus intérpretes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A começar pela queridinha da América, <a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias-sobre-famosos/jennifer-aniston-admite-que-sente-saudades-de-friends/2019/08/06-355474.html">Jennifer Aniston</a>. Sua Rachel Green, a </span><i><span style="font-weight: 400;">friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais bem desenvolvida e multifacetada, esbanjava um fascínio cínico e, por ora, incompreendido. As caras e bocas, os penteados e a <a href="https://www.independent.co.uk/life-style/fashion/ralph-lauren-friends-anniversary-rachel-green-collection-2019-a9111431.html">paixão por moda</a> são alicerce seguro de uma personagem que tomava para si as situações a seu redor. Lizzo, a sensação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">, já entoava em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P00HMxdsVZI"><i><span style="font-weight: 400;">Truth Hurts</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Yeah, I got boy problems, that&#8217;s the human in me </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Bling bling, then I solve &#8216;em, that&#8217;s the goddess in me’</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Rachel transmuta essa máxima em sua complicada relação com Ross.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ross Geller, o <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/friends-reunion-netflix-david-schwimmer-interview-cast-ross-rachel-a9039566.html">brilhante</a> David Schwimmer, já é outro caso. Os comportamentos sexistas do paleontólogo representam todo o ideal arcaico que o personagem leva nas costas. Com isso em mente, a performance de Schwimmer é a que melhor flui ao longo das 10 temporadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, por mais que doa admitir, é também o irmão de Monica que coleciona os melhores pedaços do roteiro da série. Destacados ficam a canção da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9ZX61c4CcI">gaita de fole</a>, a conversa com o vizinho pelado e, não podendo deixar de ser citados, o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4JTrdKFUP1I">bronzeamento artificial</a> e o clareamento dental.</span></p>
<figure id="attachment_12919" aria-describedby="caption-attachment-12919" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12919" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12919" class="wp-caption-text"><em>Unagi (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Monica Geller é o <a href="https://www.etonline.com/courteney-cox-has-a-friends-reunion-with-lisa-kudrow-at-central-perk-118377">coração do grupo</a>. Cuidadosa, forte e se apoiando no brilho de Courteney Cox, a irmã mais nova de Ross era a cola que mantinha os seis unidos. Não à toa seu <a href="https://www.fastcompany.com/1682531/an-interior-designer-explains-the-unlikely-apartments-of-friends-how-i-met-your-mother-and-m">enorme apartamento</a> servia de cenário para a maioria das aventuras dos amigos. É um pecado sem igual o trabalho da atriz nunca ter sido reconhecido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dentre os protagonistas, Cox foi a única a <a href="https://tvseriesfinale.com/tv-show/friends-courteney-cox-emmy-20134/">nunca receber</a> sequer uma nomeação a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando ao lado masculino do elenco, Matt LeBlanc performava um magnético Joey Tribbiani. Descendente de italianos, bronco, o <em>friend</em> sempre revelava seu lado sensível. O ator de novela, mulherengo e com <a href="https://bookwormsdiary.com/2013/10/21/how-joey-and-rachel-read-each-others-books/">pavor da literatura de Stephen King</a> chegou a ganhar um seriado pra chamar de seu. Fracasso tanto de crítica quanto de público, o autointitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Joey</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004 &#8211; 06) conseguiu durar duas temporadas, mas foi logo <a href="https://www.express.co.uk/celebrity-news/318648/Matt-LeBlanc-opens-up-about-Joey-struggle">esquecido</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse fator corrobora a máxima de que, em seriados e filmes de grupos de pessoas, é muito difícil derivar e separar personagens para conceitos isolados. A saga juvenil </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> já provou deste gostinho quando produziu (e fracassou com) </span><a href="https://filmow.com/a-fabulosa-aventura-da-sharpay-t28524/"><i><span style="font-weight: 400;">A Fabulosa Aventura de Sharpay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2011. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cheers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982-93) gerou </span><i><span style="font-weight: 400;">Frasier</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993-04), </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso estrondoso, <a href="https://www.vulture.com/2013/03/the-rise-and-fall-of-dr-frasier-crane.html">marcando recordes</a> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não vivemos de mesmices.</span></p>
<figure id="attachment_12920" aria-describedby="caption-attachment-12920" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler.jpg" alt="" width="2000" height="1347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-1200x808.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12920" class="wp-caption-text"><em>Friends foi sempre certeira ao criar momentos românticos entre seus personagens (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegamos em Phoebe Buffay, a loira cantora de baladas cafonas, ex-moradora de rua. A excentricidade de Lisa Kudrow talvez seja o traço que mais marcou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> mundo afora. Phoebe sempre foi a personagem mais fora do eixo do </span><a href="https://player.whooshkaa.com/shows/central-perk"><i><span style="font-weight: 400;">Central Perk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sua bagagem fora do convívio com os </span><i><span style="font-weight: 400;">friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> no passado criava uma pequena barreira entre eles. Numa produção com tantas caricaturas pé-no-chão, a figura que tinha uma <a href="https://www.comedycentral.co.uk/news/ursula-buffay-was-in-another-sitcom-set-in-the-friends-universe">irmã gêmea atriz pornô</a> e era amiga de assaltantes sem dúvida chamaria atenção. E a atriz consegue fazer malabarismo com todos os estranhos trejeitos da mulher, nunca caindo em <a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1177758/Friends-Lisa-Kudrow-struggle-Phoebe-Buffay-video">mesmices</a> ou chavões batidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um consenso o favoritismo de Chandler Bing em </span><i><span style="font-weight: 400;">rankings</span></i><span style="font-weight: 400;"> de popularidade entre os protagonistas do seriado. Provindo do carisma de Matthew Perry, aliado ao texto ágil e sarcástico do personagem, o futuro publicitário poderia muito bem viver sorrindo frente às câmeras mas, quando a claquete parava de bater, a história era outra. Recentemente, diversos portais noticiaram a <a href="https://catracalivre.com.br/entretenimento/matthew-perry-o-chandler-de-friends-vive-isolado-e-irreconhecivel/">condição de saúde</a> de Perry.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Matthew Perry sofre de depressão. Desde as gravações do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, já era perceptível a condição física do ator, passando por repentinas <a href="https://mixdeseries.com.br/por-dentro-da-tragica-vida-de-matthew-perry-o-chandler-de-friends/">perdas de peso</a>, além de <a href="https://veja.abril.com.br/entretenimento/matthew-perry-o-chandler-nao-se-lembra-de-tres-anos-de-friends-por-causa-das-drogas/">não se lembrar</a> de ter gravado várias temporadas da série. Esse tipo de situação abre margem para a questão do comediante na mídia e sua incessante (e doentia) <a href="https://www.hypeness.com.br/2019/04/nao-sinto-tanta-vontade-de-viver-whindersson-nunes-fala-de-depressao-e-preocupa-fas/">necessidade de sempre parecer feliz</a>. Jim Carrey, astro de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kidding </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018), já comentou sobre <a href="https://www.contioutra.com/em-luta-contra-depressao-jim-carrey-resume-perfeitamente-o-que-doenca-faz-no-paciente/">depressão e suicídio</a>, reafirmando o papel desgastante que quem faz comédia é obrigado a desempenhar fora dos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravação.</span></p>
<figure id="attachment_12944" aria-describedby="caption-attachment-12944" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12944" class="wp-caption-text"><em>Janice (Maggie Wheeler) em cena; OH MY GOD (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo contando com tramas contínuas que percorriam temporadas inteiras, o foco e a graça de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre foram seus personagens. Não só os seis amigos, mas também os coadjuvantes que enfeitavam episódios notáveis. O cinismo de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o_0koHYfgkw">Susan</a> (Jessica Hecht), as complicadas irmãs de Rachel, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PdVDyq8yqhg">Jill</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9BmjbBDQTzo">Amy</a> (Reese Witherspoon e Christina Applegate, hoje dois grandes nomes de </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;">). Até o Mike (<em>Crap Bag</em>) de Paul Rudd, mesmo aparecendo pouco, cria uma dinâmica quase <a href="https://www.bustle.com/p/paul-rudd-gets-asked-this-friends-question-all-the-time-itll-have-you-saying-um-same-9625939">fantabulosa</a> com Phoebe; e a sequência do casamento na temporada final é disparada uma das melhores do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda se esbaldava em convidados especiais. Quase todo o alto escalão norte-americano da época fez uma pontinha no seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bruce Willis se surrupiou pra dentro do café por uma <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-138520/">aposta</a> com Matthew Perry. E a lista de celebridades continua: Ben Stiller, Robin Williams, George Clooney, os hilários <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-126060/">Brad Pitt</a> e Danny DeVito, Charlie Sheen, Alec Baldwin, Anna Faris, Ellen Pompeo, Hugh Laurie, Susan Sarandon. A maioria destes, aliás, protagonizava ou viria a estrelar séries próprias em outros canais.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu ano final, o elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> desembolsava a bagatela de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/cultura/020205_friendsrg.shtml">1 milhão de dólares por episódio</a>. Número exorbitante na época, passados quinze anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last One: Part 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> esses salários mostram um retorno inimaginável para quem distribui o seriado. Esse ano, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> pagou <a href="https://www.nytimes.com/2018/12/04/business/media/netflix-friends.html">cem milhões de dólares</a> para manter os direitos do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além, é claro, das antigas cláusulas contratuais que garantem pequenas parcelas dos lucros até o presente, ajudando Jennifer Aniston a se manter no topo da lista das <a href="https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2019/08/sete-das-10-atrizes-mais-bem-pagas-do-mundo-em-2019-estao-frente-de-suas-proprias-producoes.html">mais bem pagas</a> de </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem trabalhar tanto quanto no passado.</span></p>
<figure id="attachment_12922" aria-describedby="caption-attachment-12922" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12922" class="wp-caption-text"><em>Bruce Willis e Christina Applegate (na foto) venceram o Emmy de Melhor Ator e Atriz Convidado em Comédia (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem só de lagostas e lasanhas congeladas vive o homem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi precursora, sim, em <a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/primeira-serie-exibir-casamento-lesbico-na-tv-friends-proibiu-beijo-gay-22298">quebrar tabus</a>, discutir assuntos importantes e dar protagonismo a quem não tinha voz naquela época do <em>show business</em>. Esses fatores são inegáveis, imutáveis. Em contrapartida, a criação de Marta Kauffman e David Crane certamente </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/friends-netflix-sexist-racist-transphobic-problematic-millenials-watch-a8154626.html"><span style="font-weight: 400;">deslizou</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em texto quanto em abordagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Rachel sempre diminuída frente à traição (de confiança) de Ross, a caricatura da <a href="https://www.popsugar.com/entertainment/photo-gallery/46071047/image/46071048/Problem-Fat-Monica">Monica gorda</a> na adolescência que beirava o cômico-ridículo e o <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/18/friends-e-politicamente-incorreto-questoes-sobre-sexismo-e-homofobia-continuam.ghtml">tratamento desnutrido</a> ao público negro e </span><span style="font-weight: 400;">LGBT+</span><span style="font-weight: 400;">, quase sem nenhuma representatividade dentro do <em>show</em>, são apenas três focos de discussão de quem avalia o seriado em 2019. São pequenas arestas de uma produção de mais de duzentos episódios que, revistas num período regado a <a href="https://www.estudopratico.com.br/o-que-e-o-movimento-metoo/">movimentos sociais</a> e <a href="https://www.nytimes.com/2019/09/22/arts/television/michelle-williams-emmys-acceptance-speech.html">equidade</a> dentro da indústria, mancham em parte a aura do programa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é nada que arruíne por completo os anos dourados de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> no ar, pelo contrário. O ideal nesse tipo de leitura é aprender com os equívocos, reconhecer falhas e imprecisões. Usar do arcabouço teórico de agora para não deixar que as ranhuras aumentem, ou se repitam. Ainda é útil reforçar que </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;"> é dominada por homens e, vinte e cinco anos atrás, a situação era mais assustadora ainda.</span></p>
<figure id="attachment_12923" aria-describedby="caption-attachment-12923" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-1024x768.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12923" class="wp-caption-text"><em>Friends representou diversos tipos de mães ao longo da série: Rachel ficou grávida por meios convencionais, Phoebe foi barriga de aluguel e Monica adotou seus filhos (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a mãe de muitas séries de comédia. Grande parte do sucesso do seriado deu o gás para produções como</span><i><span style="font-weight: 400;"> Two and a Half Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003-15) e </span><a href="http://personaunesp.com.br/cineclube-persona-maio2019/"><i><span style="font-weight: 400;">The Big Bang Theory </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2007-19), ambas de <a href="http://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-critica/">Chuck Lorre</a>. Lado a lado, o <em>show</em> da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda inflou sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005-13) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parks and Recreation</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009-15), do mesmo canal, que caminham com a audiência para <a href="https://newrepublic.com/article/113226/office-finale-and-future-mockumentary-sitcom">outros territórios cômicos</a>. Outros seriados que ainda ecoam influências dos seis amigos são </span><i><span style="font-weight: 400;">30 Rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006-13), </span><i><span style="font-weight: 400;">2 Broke Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2011-17) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, como muito bem <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-150923/">refletiu o </a></span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas estatuetas de comédia, o gênero vive um momento de explosão e <a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/">autenticidade</a>. Seriados autorais, propostas inovadoras e muitas piadas <em>gourmetizadas</em>. A </span><span style="font-weight: 400;">TV</span><span style="font-weight: 400;"> americana deixou de ser abastecida por </span><a href="https://www.tricurioso.com/2017/12/13/voce-sabe-o-que-e-sitcom/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> simples de vinte e dois minutos para dar espaço para propostas horizontais, cheias de <a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/">pompa e forma</a>. Prova disso é a ascensão do mercado do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, as séries </span><i><span style="font-weight: 400;">on-demand</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as temporadas mais curtas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 2010 diminuiu suas temporadas de comédia. Mais de vinte episódios por ano se tornaram inviáveis para uma audiência sedenta pela maratona. </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends </span></i><span style="font-weight: 400;">não foi a primeira (nem a última) grande série no <a href="http://personaunesp.com.br/this-is-us-1-temporada-critica/">pacote </a></span><span style="font-weight: 400;">TV</span><span style="font-weight: 400;"> aberta. O que difere os seis amigos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Central Perk</span></i><span style="font-weight: 400;"> de todo o resto é o prestígio pela nostalgia e pelo texto bem escrito. A atemporalidade das dez temporadas ecoa quase trinta anos depois. E muito provavelmente continuará a fazê-lo.</span></p>
<figure id="attachment_12924" aria-describedby="caption-attachment-12924" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12924" class="wp-caption-text"><em>Rumores de um possível revival de Friends sempre rondam Hollywood, mas os criadores insistem em negar tais boatos (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não, deixar de maratonar </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> diariamente não será o fim do mundo. Na verdade, prestigiar outras produções das mentes por trás do seriado pode ser tão bom quanto. A criadora Marta Kauffman é responsável por </span><a href="https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/grace-and-frankie-e-renovada-para-setima-e-ultima-temporada-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Grace and Frankie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015); Lisa Kudrow fez </span><i><span style="font-weight: 400;">The Comeback</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005), David Schwimmer esteve em </span><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story: The People vs. OJ Simpson</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016). Já Courteney Cox estrelou </span><i><span style="font-weight: 400;">Cougar Town</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009-15) e Matt LeBlanc é o astro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Man With a Plan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016). Jennifer Aniston vai voltar às séries de TV com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt7203552/"><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao lado de Reese Witherspoon e Steve Carell.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que o amor a </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja enorme, não medido e sem limites, parte da jornada é o fim. As piadas continuam lá, as palmas batidas na abertura chiclete também. Até mesmo os episódios de <a href="https://www.housebeautiful.com/lifestyle/g23000527/friends-thanksgiving-episodes/">Ação de Graças</a> permanecerão intocados. E, por mais que os seis amigos estejam lá para nós, isso não significa que devemos fazer o mesmo por eles. Mesmo que a chuva caia.</span></p>
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