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	<title>Arquivos Sesc Digital &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 18:36:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Dirigido e roteirizado pelo cineasta português Artur Serra Araújo, Dulcineia conta a história de Hugo, um contrabaixista de jazz que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dulcineia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31775" aria-describedby="caption-attachment-31775" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg" alt="Cena do filme Dulcineia. Na imagem estão os dois protagonistas Hugo e Dulcineia andando de bicicleta. Hugo é um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto anda de bicicleta. Dulcineia é uma mulher branca de cabelos castanhos longos. Ambos estão em uma rodovia movimentada e muito iluminada por postes e reflexos da água em poças formadas pela chuva. Estão usando capas de chuva, Dulcineia uma capa vermelha e Hugo uma capa transparente." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31775" class="wp-caption-text">Junto a Dulcineia, mais de 20 filmes portugueses integram a 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado pelo cineasta português </span><a href="http://porto.lecool.com/inspirations/artur-serra-araujo/"><span style="font-weight: 400;">Artur Serra Araújo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de Hugo, um contrabaixista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno de um mistério como um pianista famoso, que toca uma música que o protagonista vem escrevendo na sua cabeça há anos, mas nunca conseguiu colocá-la no papel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra está presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, e mistura elementos de romance, suspense e uma quase fantasia. Suas referências também são diretas e bem-vindas, construindo uma base sólida para o desenvolvimento da narrativa: Dom Quixote, que influi o nome da personagem Dulcineia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/#more-29922"><span style="font-weight: 400;">Alba Baptista</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua relação com Hugo (António Parra); a própria cultura de Porto, retratada em belas imagens e diálogos; e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jazz/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão e a expressão de Hugo e dos demais músicos que ele encontra em sua nova jornada de autoconhecimento. </span></p>
<p><span id="more-31773"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do destaque positivo das atuações do elenco principal, a exploração de temas como a identidade e o destino já são complexas por si só. Além disso, a escolha de utilizar questões fantásticas em um personagem enigmático e contraditório, que vive uma crise existencial e artística, contrapõem ainda mais a clareza da narrativa. Infelizmente, essa dinâmica traz um desenrolar não tão fluido e confortável à plateia </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> mesmo que talvez fosse para ser assim. </span></p>
<figure id="attachment_31774" aria-describedby="caption-attachment-31774" style="width: 545px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png" alt="Capa do livro “O Ano Sabático” de João Tordo. Ao centro está o formato de uma nota musical preenchida com a estampa das teclas de um piano. Ao fundo, riscos pretos e marrons imitam a textura de madeira no que poderia ser de um instrumento musical, com linhas cinzas sendo suas cordas à esquerda e formas circulares em preto como seus orifícios. Ao topo alinhado à esquerda está o nome do autor em caixa alta “João Tordo” seguido do nome do livro “O ano Sabático” logo abaixo. Ao centro esquerdo está o logo da editora, Companhia das Letras”, seguido do escrito “Autor vencedor do prêmio literário José Saramago”" width="545" height="869" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-502x800.png 502w" sizes="(max-width: 545px) 85vw, 545px" /><figcaption id="caption-attachment-31774" class="wp-caption-text">Dulcineia é uma adaptação do romance literário O Ano Sabático, de João Tordo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um esforço notável para relacionar o audiovisual com o roteiro, a construção do longa é muito calma e contemplativa. A fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/tiago-carvalho"><span style="font-weight: 400;">Tiago Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne tons frios e escuros em uma ambiência de desesperança, ressaltando os detalhes dos cenários e dos personagens. E assim como o visual, que muitas vezes impulsiona instrumentos musicais como foco, a composição sonora, com o desenho de som por Pedro Marinho e música por Pedro Marques, também reflete estados emocionais e atmosféricos do protagonista de maneira majestosa, alternando entre melodias suaves, harmoniosas, tensas e dissonantes muito bem aproveitadas pelos atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a montagem, também por Tiago Carvalho, com planos longos e curtos, não entra em uníssono com toda composição descrita até aqui. Aparentemente comprometida com o mistério por sua alternância, a escolha de diálogos, transições e duração dos planos não potencializa tudo que é ofertado pelas boas atuações, fotografia e som. Talvez sequer fizesse diferença em produções mais curtas, mas em seus longos 90 minutos, a concentração e construção de uma linearidade por parte do público poderiam ter sido facilitados, ainda considerando a obra como uma adaptação pelo </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/artur-serra-araujo"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31776" aria-describedby="caption-attachment-31776" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.png" alt=" Cena do filme Dulcineia. Na imagem está o protagonista Hugo, um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos em um coque. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto maneja um instrumento musical de quatro cordas que se assemelha a um violoncelo. A imagem abrange a altura do busto até o topo do quarto em que Hugo está. Com uma partitura em um palanque a sua frente. O ambiente é um quarto vazio com apenas uma janela e cortinas atrás dele, que iluminam o ambiente em uma luz amarela. Deixando a figura de seu corpo, do instrumento e da partitura contra-luz." width="666" height="462" /><figcaption id="caption-attachment-31776" class="wp-caption-text">O filme esteve disponível com visualizações limitadas no Sesc Digital durante a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia </span></i><span style="font-weight: 400;">como um todo, na verdade, é uma ode à Música como Arte e parte da vida dos personagens. Apresentada através do contrabaixo, do piano, da guitarra, da bateria e da voz, a orquestra audiovisual transita entre pontos de muita beleza e contemplação e uma tensa confusão expressa pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">busca de si mesmo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também pela organização, intencional ou não, de cenas contrapostas como entraves para a fluidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é, sem dúvida, uma produção com profundidade e ricas referências, dialogando com a literatura, a Música e o Cinema, mesmo que com uma estética representativa de autoconhecimento não tão única assim. O questionamento dos limites das escolhas e desejos do </span><a href="https://agenteanorte.com/agencia/antonio-parra/"><span style="font-weight: 400;">Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> causam o frio na barriga que só o conhecimento de si mesmo pode provocar &#8211; e que bom ser assim. </span></p>
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		<title>Os batimentos da mudança movem Corações Gentis</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 17:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que Corações Gentis (2022), representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracoes-gentis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os batimentos da mudança movem Corações Gentis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29026" aria-describedby="caption-attachment-29026" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29026" class="wp-caption-text">Vencedor na seção Generation 14plus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Corações Gentis encanta as telas brasileiras na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/coracoes-gentis"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette e Gerard-Jan Claes. Nesse híbrido de sensibilidades ficcionais e documentais, o casal de jovens adultos Billie Meeussen e Lucas Roefmans são retratados à beira de transformações em suas aspirações pessoais, com uma emoção vertiginosa e delicada — um típico frio na barriga adolescente — acerca das expectativas sobre o futuro e suas incertezas.</span></p>
<p><span id="more-29018"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmado na cidade de Bruxelas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">—</span> <span style="font-weight: 400;">título original da produção europeia —  se inicia com uma câmera que passeia pelas pessoas em uma montanha russa de um parque de diversões. Em um olhar inicial, é como se todos ali tivessem a possibilidade de serem retratados, e que a própria prática cinematográfica participasse do jogo da sorte que é a vida. Até que o aparelho, imperceptível e engrandecedor da </span><a href="http://ubiquarian.net/2022/02/olivia-rochette-gerard-jan-claes-documentaries-form-fiction/"><span style="font-weight: 400;">máscara ficcional</span></a><span style="font-weight: 400;"> do documentário, </span><span style="font-weight: 400;"> se </span><span style="font-weight: 400;">fixa no casal que, logo em outra cena, se depara com questões típicas de romances em formação. A iminência do amadurecimento é uma faca de dois gumes para os dois: ao mesmo tempo que são receosos acerca do que pode mudar, levam em conta abrir mão do que possa se tornar corriqueiro — como seu namoro —, em prol de novas emoções capazes de florescer.</span></p>
<figure id="attachment_29028" aria-describedby="caption-attachment-29028" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29028" class="wp-caption-text">A produção representa uma transição do tema do primeiro amor, tão representado em séries de TV e nos filmes, para o terreno documental (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da representação documental, Billie e Lucas são também intérpretes de si mesmos, uma vez que reencenam momentos próprios de sua intimidade. Nisso, o ‘docudrama’ desvia de uma tendência de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo </span></i><span style="font-weight: 400;">da relação para uma perspectiva honesta que se volta à concretude desse namoro; tanto que o que movimenta o encadeamento das cenas são os </span><a href="https://sabzian.be/text/love-speaks#:~:text=You%20often%20make,is%20very%20visible."><span style="font-weight: 400;">sinceros encontros</span></a><span style="font-weight: 400;"> desses pré-adultos com seus amigos e familiares. O que acaba por se montar, nesse terreno ambíguo entre </span><i><span style="font-weight: 400;">ser </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">encenar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a noção do afeto e da narrativa enquanto uma </span><a href="https://avilafilm.be/en/distribution/film/kind-hearts"><span style="font-weight: 400;">construção mútua</span></a><span style="font-weight: 400;">; em que, no momento em que não há cuidado e vontade, não há amor. Assim como não há filme.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura contemplativa compõe um virtuoso desenvolvimento em que as reflexões de cada personagem dão lugar a um retrato fiel dos fatos oriundos e sublimes do primeiro amor.  É como se Lucas, compondo suas batidas descritas como </span><i><span style="font-weight: 400;">emotional summer tunes</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Billie, com suas pretensões dentro da universidade, se revelassem muito mais pelos laços que nutrem uns com os outros do que por reflexões de si mesmos perante as lentes de Rochette e Claes. De certa maneira, esse tom quase que pessoal demais de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">retira dos acontecimentos cotidianos uma beleza singela que remonta à destreza dos diálogos dos verões de </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/rodrigo-lemos-pala-walsh-rohmer-coloquios/"><span style="font-weight: 400;">Eric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos encontros em cafés do Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-Soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, a ternura aqui está na realidade dessa paixão, em não conseguir colocar em palavras exatas o que se sente e o que se quer. Assim, quem assiste se insere nessa postura de </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/kind-hearts-berlin-review/5167936.article"><span style="font-weight: 400;">mera testemunha do sentimento.</span></a></p>
<figure id="attachment_29030" aria-describedby="caption-attachment-29030" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29030" class="wp-caption-text">Disponibilizado na plataforma online do Sesc, Corações Gentis retrata até mesmo o isolamento pela pandemia da Covid-19 na Bélgica (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos momentos de mais drástico contato entre realidade e ficção, o casal e alguns amigos assistem a um filme em que namorados tiram suas roupas para dar um mergulho. São emblemáticos seus olhares: conseguem propor uma intimidade e uma sensualidade tão sutil que nem faz necessidade de ser abarcada novamente na narrativa. No entanto, acima de tudo, a cena é premonitória do que essencialmente enfrentam nessa trajetória que, por  puro acaso, é filmada e colocada dentro do Cinema. Em uma </span><a href="https://businessdoceurope.com/berlinale-review-kind-hearts-by-olivia-rochette-gerard-jan-claes/"><span style="font-weight: 400;">conversa sensível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu próprio tempo — com direito a mensagens de texto, videochamadas e redes sociais — </span><a href="https://www.berlinale.de/en/archive-selection/archive-2022/programme/detail/202203024.html"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sabe trazer os gestos luminosos da afetividade em um documentário que desloca a temática da evolução, do amor e da efervescência da paixão para o mergulho nas águas frias, porém cheias de descobertas, da vida adulta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kind Hearts (Olivia Rochette &amp; Gerard-Jan Claes, 2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zhXZ4Kg5BGM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Estranho Caso de Jacky Caillou tropeça ao tentar espetacularizar o comum</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 22:16:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Jacky Caillou é o protagonista ingênuo e pouco convincente do primeiro longa-metragem do diretor Lucas Delangle, O Estranho Caso de Jacky Caillou. Ambientado nos Alpes, a obra participa da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Competição Novos Diretores e, anteriormente, foi exibido no Festival de Cannes 2022. O filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-estranho-caso-de-jacky-caillou-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Estranho Caso de Jacky Caillou tropeça ao tentar espetacularizar o comum"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28967" aria-describedby="caption-attachment-28967" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28967" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1.jpg" alt="Cena do filme O Estranho Caso de Jacky Caillou. Da esquerda para a direita na imagem, Loïc segura uma ovelha para Gisèle e Jacky Caillou cuidarem. A fotografia captura os três por inteiro. Loïc é um menino branco de cabelos e olhos claros, ele veste um colete azul sobre uma camiseta amarela e uma calça jeans. A ovelha tem a pelagem curta. Gisèle é uma mulher branca de cabelos e olhos claros, ela veste uma manta vermelha. Jacky é um homem branco de cabelos e olhos claros, ele veste uma jaqueta azul e uma calça cinza. Ao fundo, o cenário é um celeiro durante o dia." width="1999" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28967" class="wp-caption-text">O Estranho Caso de Jacky Caillou foi disponibilizado gratuitamente na plataforma do Sesc Digital durante a 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, como parte da seção Competição Novos Diretores (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jacky Caillou é o protagonista ingênuo e pouco convincente do primeiro longa-metragem do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D-r5ISXjS3Q"><span style="font-weight: 400;">Lucas Delangle</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho Caso de Jacky Caillou</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambientado nos Alpes, a obra participa da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo na seção Competição Novos Diretores e, anteriormente, foi exibido no Festival de Cannes 2022. O filme francês, parte do rol nada seleto de títulos que se iniciam com “O Estranho Caso”, baseia a sua narrativa no poder de cura popular e na explicação do fantástico pela natureza, fato que o afasta do extraordinário e somente o aproxima do comum. </span></p>
<p><span id="more-28966"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da imagem de uma curandeira cujas mãos já estão marcadas pelo tempo e que, por isso, ganham a confiança plena de uma pequena vila, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iczYVBAG4PA"><span style="font-weight: 400;">montagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Clément Pinteaux tenta implementar sentido ao roteiro de Delangle e Olivier Strauss. Gisèle, brevemente interpretada por Edwige Blondiau, é o nome da figura mística que falece a tempo de projetar o seu dom no neto Jacky (Thomas Parigi). Ele, então, passa por turbulências internas a fim de descobrir como continuar o legado de salvação. No entanto, a presença da jovem Elsa (Lou Lampros), perturbada por uma mancha com pelos nas costas, complica o cenário. </span></p>
<figure id="attachment_28968" aria-describedby="caption-attachment-28968" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme O Estranho Caso de Jacky Caillou. Da esquerda para a direita na imagem, Jacky Caillou coloca as mãos a pouca distância das costas de Elsa. Ele é um homem branco de cabelos e olhos claros. Ela é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. A fotografia captura os dois personagens por inteiro. Jacky veste uma camiseta azul com bermuda e tênis em cores neutras. Elsa tira uma camisa branca pela metade, deixando as costas expostas. Ela veste uma saia azul e um tênis preto. Ao fundo, o cenário é uma floresta verde." width="1999" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28968" class="wp-caption-text">O protagonista persistiu na tentativa de compreender o dom da cura herdado por ela (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a sinopse, que pretende projetar nas telas do Cinema os saberes ancestrais do curandeirismo, cultura </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/gisele-bundchen-visita-curandeira-em-meio-a-crise-no-casamento-com-tom-brady/"><span style="font-weight: 400;">ainda disseminada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em certos contextos, o ponto vulnerável da obra reside na tentativa falha de espetacularizar o ordinário. Talvez se o diretor de primeira viagem limitasse a abordagem a uma visão simples, o resultado poderia ser de fato considerado excepcional &#8211; a exemplo do ato de abertura de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wBXoAbIbFpM"><i><span style="font-weight: 400;">Jacky Caillou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que alcança o seu ápice logo nos minutos iniciais, quando uma sequência admirável da relação entre a cura a partir das mãos sobre os seres humanos e sobre os instrumentos musicais desperta a originalidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relacionamento do personagem com a Música é apenas um dos tópicos interessantes que simplesmente são esquecidos ou apagados ao longo da trama. A trilha sonora, conduzida por Clément Decaudin, é ótima e carrega a atmosfera das cenas, sendo uma pena o sumiço do traço artístico de Jacky quando este acrescentaria tamanha autenticidade ao retrato. Linda e felizmente enxergável, a fotografia de Mathieu Gaudet funciona como um refresco em meio a tantas pinturas </span><a href="https://www.iedamarcondes.com/posts/por-que-ta-tudo-tao-escuro"><span style="font-weight: 400;">excessivamente sombrias</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">The Strange Case of Jacky Caillou</span></i><span style="font-weight: 400;"> captura o ar de mistério sem forçar os olhos do espectador. </span></p>
<figure id="attachment_28969" aria-describedby="caption-attachment-28969" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28969" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2.jpg" alt="Cena do filme O Estranho Caso de Jacky Caillou. Na imagem, Jacky Caillou, um homem branco de cabelos e olhos claros, abraça uma árvore. A fotografia captura o personagem apenas do torso para cima. Ele veste uma camiseta na cor azul claro. Ao fundo, o cenário é uma floresta verde durante a manhã de raios de sol." width="1999" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28969" class="wp-caption-text">Jacky aprendeu com a avó que é preciso se purificar através da natureza (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Encoberto pelos trajes de Jacky, Thomas Parigi parece caminhar para uma redenção dramática que nunca chega ao destino final. Apático, ele se junta às outras atuações medianas do elenco, nada persuasivo. O único </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/mostra-de-cinema-de-sp-saiba-onde-assistir-as-sessoes-gratuitas/"><span style="font-weight: 400;">destaque</span></a><span style="font-weight: 400;"> no campo é a atriz Lou Lampros, alucinante no papel de Elsa, a jovem que aos poucos enxerga a mancha com pelos nas costas a transformar em uma loba assassina de ovelhas e, também, a outra metade da laranja de Caillou. O romance do casal também foi engolido pelo ritmo pontual da produção encabeçada por Charles Philippe e Lucile Ric.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo mostra que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v0Qt8eqna2M"><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho Caso de Jacky Caillou</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é peculiar como sugere, mas comum. É um tanto quanto revoltante, porém, em alguns momentos, incluindo o final aberto, o espírito instigante consegue ser retomado. Ainda que a natureza e a característica de imaginário popular da narrativa levem a estreia de Lucas Delangle na direção de longa-metragens para as áreas próximas do trivial, os futuros projetos do francês não devem ser ignorados. Sobretudo porque há em seu modo de fazer Cinema qualidades brutas da sua personalidade, que, com o tempo, devem ser lapidadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="JACKY CAILLOU Bande Annonce (2022) Fantastique" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0NbjEgYPW8g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Magdala: os últimos dias de Maria Madalena foram monótonos e sensíveis</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 18:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Pecadora e santa. Prostituta e apóstola dos apóstolos. São inumeráveis os adjetivos antagonistas que constroem a imagem sagrada de Maria Madalena, a principal devota de Jesus Cristo. Atordoado pelo devaneio sobre os seus últimos dias de vida, o diretor francês Damien Manivel coloca em perspectiva a personalidade mais misteriosa e discutível do Novo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/magdala-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Magdala: os últimos dias de Maria Madalena foram monótonos e sensíveis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28890" aria-describedby="caption-attachment-28890" style="width: 1195px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28890 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1.png" alt="Cena do filme Magdala. Da esquerda para a direita na imagem: Jesus Cristo, um homem branco de cabelos escuros e Maria Madalena, uma mulher negra de cabelos escuros. A fotografia capta os dois somente a partir do pescoço, no entanto, é notável que ambos estão desnudos. Jesus e Madalena se olham enquanto encostam as faces. O cenário é a natureza verde." width="1195" height="721" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1.png 1195w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-768x463.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28890" class="wp-caption-text">Magdala foi disponibilizado gratuitamente na plataforma do Sesc Digital durante a 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, como parte da seção Perspectiva Internacional (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pecadora e santa. Prostituta e apóstola dos apóstolos. São inumeráveis os adjetivos antagonistas que constroem a imagem sagrada de Maria Madalena, a principal devota de Jesus Cristo. Atordoado pelo devaneio sobre os seus últimos dias de vida, o diretor francês </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=trHDKNIzgxA"><span style="font-weight: 400;">Damien Manivel</span></a><span style="font-weight: 400;"> coloca em perspectiva a personalidade mais misteriosa e discutível do Novo Testamento no filme </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/magdala"><i><span style="font-weight: 400;">Magdala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, participante da seção Perspectiva Internacional na 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e, previamente, exibido na seção L&#8217;ACID do Festival de Cannes 2022.</span></p>
<p><span id="more-28889"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a monotonia e sensibilidade características do cinema lento, Manivel deixa que o tempo leve o que for preciso para responder a seguinte pergunta: “afinal, após distribuir tanto amor, quem cuidará de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/apostola-dos-apostolos-os-enigmas-de-maria-madalena.phtml"><span style="font-weight: 400;">Maria Madalena</span></a><span style="font-weight: 400;">?”. A narrativa parte da lenda que reza o exílio da protagonista como uma consequência da crucificação do seu amado. Ao pintar o retrato da solidão na floresta, o cineasta consegue captar a genuinidade da natureza em cenas que não poderiam ser roteirizadas dado a imprevisibilidade. Assim, ele mantém a tinta fresca e explana a diferença entre as produções independentes e os grandes estúdios que abusam dos efeitos especiais.</span></p>
<figure id="attachment_28891" aria-describedby="caption-attachment-28891" style="width: 1158px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28891" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imgem-2.jpg" alt="Cena do filme Magdala. Na imagem, Maria Madalena encosta a face e o corpo sobre o tronco de uma árvore verde. Ela é uma mulher negra de cabelos escuros que veste um tecido de cor acinzentada sobre o corpo. A fotografia apenas capta a cena a partir do pescoço de Maria. Ela está enquadrada do lado esquerdo da imagem, enquanto o tronco da árvore aparece do lado direito. O ambiente é a escuridão de uma floresta." width="1158" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imgem-2.jpg 1158w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imgem-2-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imgem-2-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imgem-2-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28891" class="wp-caption-text">A natureza repele e abraça Maria Madalena (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha da atriz </span><a href="https://festival-avignon.com/en/artists/elsa-wolliaston-9137"><span style="font-weight: 400;">Elsa Wolliaston</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi certeira. Ela, nômade do mundo artístico, já transitou pelo Cinema, Teatro, Dança e Ópera, e por isso, carrega o enorme peso de levar o público ao objetivo final da jornada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Magdala</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem demonstrar martírio. Quando visualiza a sua juventude, a jovem Olga Mouak não é menos hipnotizante. O único sofrimento em questão está estritamente concentrado na feição da personagem que a dupla interpreta. Importante notar que ambas são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wDr2JZPJuhc"><span style="font-weight: 400;">mulheres negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele de Maria Madalena, fator que felizmente destoa da eurocentralização contínua em obras como esta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tato é o sentido que guia a conexão da discípula de Jesus com a natureza, aqui personificada pela figura de linguagem do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9zjJRuyHLRw"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Damien Manivel e Julien Dieudonné. As árvores sufocantes, as estações impetuosas, os frutos e a água dos caules saciantes fazem parte do cenário selvagem que é, simultaneamente, a lamentação de Maria e o único lugar onde ela se sente devidamente acolhida. Para alcançar esse </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8aia4_w2J-8"><span style="font-weight: 400;">feito cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, a fotografia de Mathieu Gaudet navega entre o azul da noite fria que desperta a angústia e o verde do dia quente que aflora a esperança. </span></p>
<figure id="attachment_28892" aria-describedby="caption-attachment-28892" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-scaled.jpg" alt="Cena do filme Magdala. Na imagem, Maria Madalena está apoiada em uma rocha situada em um lago. Ela é uma mulher negra de cabelos escuros e veste uma manta branca sobre o corpo enquanto segura um galho. A fotografia captura todo o seu corpo e o cenário, uma floresta verde na parte da manhã com as luzes do sol." width="2560" height="1540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-1024x616.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-768x462.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-1536x924.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-2048x1232.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-8-1200x722.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28892" class="wp-caption-text">O filme de Damien Manivel constrói o audiovisual para a contemplação (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Intrinsecamente ligado à imagem, o som das cores ganham volume com o trabalho de Jérôme Petit, Agathe Poche e Simon Apostolou. No </span><a href="https://inreviewonline.com/2022/05/26/magdala/"><span style="font-weight: 400;">longa-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, o balanço das folhas ao vento, a chuva e o ato da alimentação recebem um barulho tão desconfortante como necessário para se entender que, no pensamento de Maria Madalena, chorar a natureza é o mesmo que chorar a Jesus Cristo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Magdala</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser lido como o documentário de uma peregrinação, ao longo de grande parte dos 78 minutos que o compõem, não há palavras e, quando há, são direcionadas para a manifestação da supremacia do amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Entrego o meu coração a Ti</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O incondicional é objeto de adoração da montagem do diretor, Manivel traz para a tela a mistura alucinante entre presente e passado. São as memórias da união carnal e espiritual entre mulher e homem, que proporcionam o contraste da transição do pacifico para o tortuoso na obra. Ainda que a produção seja uma ficção de </span><a href="https://www.bestfriendforever.be/films/magdala"><span style="font-weight: 400;">nacionalidade francesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a língua aramaica foi mantida pela fidelidade ao período histórico. Esse cuidado com a apresentação não é novidade: outros filmes de Damien Manivel, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ebbpu-5JK8I"><i><span style="font-weight: 400;">A Noite em que Nadei</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017, 41ª Mostra) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wVOvU2aDyI8"><i><span style="font-weight: 400;">Isadora&#8217;s Children</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), são aclamados pela crítica.</span></p>
<figure id="attachment_28894" aria-describedby="caption-attachment-28894" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Magdala. Da esquerda para a direita na imagem, uma jovem menina branca de cabelos ruivos segura uma vela acesa em frente a Maria Madalena, uma mulher negra de cabelos escuros. Madalena está deitada e encoberta por um manto cinza. A menina olha fixamente para ela. O cenário é a escuridão de uma caverna." width="2560" height="1542" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-768x462.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-5-1536x925.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28894" class="wp-caption-text">Cenas longas e raras palavras compõem a película (Foto: Best Friend Forever)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pele negra, cabelos grisalhos e olhos esbranquiçados de uma visão que contemplou o início e o fim de tudo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Magdala</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Damien Manivel é uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PDXAS1r4NMY"><span style="font-weight: 400;">força da natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma das mais belas representações de sua passagem pela Terra na Arte. São os últimos minutos que fazem questionar se a protagonista estava acompanhada somente de si mesma na floresta. Do mesmo modo que Jesus, ela também tem uma vigília, uma menina, um anjo e, quando a vela de sua chama finalmente se apaga, o espectador sabe que ela correu acima das montanhas, o único lugar onde o seu amado pode lhe dar amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, os últimos dias de Maria Madalena… foram compridos, sofridos, monótonos e sensíveis. Porém, mesmo que a narrativa demonstre cansaço e pareça arrastada em alguns momentos, a contemplação se sobressai pelo poder de fazer o espectador sentir uma obra do divino. Ela, quem disseminou o amor e quase foi apedrejada, finalmente é presenteada com um retrato delicado de sua trajetória. Quando os créditos sobem depois da neblina, da dor no peito e do coração na mão, </span><i><span style="font-weight: 400;">Magdala</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstra que a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo segue </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2022/10/46a-mostra-de-sao-paulo-exibe-quase-20-filmes-online-e-gratis/"><span style="font-weight: 400;">sagrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua 46ª edição.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bande-annonce | MAGDALA de Damien Manivel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/i352AU4PK0c?start=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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