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	<title>Arquivos Sepultura &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Sepultura &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Sepultura Endurance é um exercício de autoafirmação pela metade</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jun 2017 18:14:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite Ferreira Manter-se relevante por mais de três décadas no show business é proeza para poucos. O Sepultura, mais do que ninguém, tem plena noção disso. Do início precário em Minas Gerais ao posto de uma das maiores bandas de heavy metal do mundo e os atritos posteriores, a banda fundada pelos irmãos Cavalera &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sepultura-endurance/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sepultura Endurance é um exercício de autoafirmação pela metade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8062" aria-describedby="caption-attachment-8062" style="width: 1000px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-8062 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/01.jpg" alt="O Sepultura do presente: orgulho e resistência" width="1000" height="597" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/01.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/01-300x179.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/01-768x458.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8062" class="wp-caption-text">O Sepultura do presente: orgulho e resistência</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p>Manter-se relevante por mais de três décadas no <em>show business</em> é proeza para poucos. O Sepultura, mais do que ninguém, tem plena noção disso. Do início precário em Minas Gerais ao posto de uma das maiores bandas de <em>heavy metal</em> do mundo e os atritos posteriores, a banda fundada pelos irmãos Cavalera superou barreiras até então intransponíveis – e ainda hoje, sob a batuta do guitarrista Andreas Kisser, não pode se dar ao luxo de se acomodar como <a href="http://personaunesp.com.br/tribe-called-quest-metallica-dois-lados-nostalgia/">outras bandas do segmento</a>. Logo, batizar um documentário sobre a trajetória do grupo como <em>Sepultura Endurance</em> (do inglês “resistência”) é, no mínimo, adequado; o problema é que o material não faz jus à carreira do Sepultura do Brasil. <span id="more-8061"></span></p>
<p><em>Sepultura Endurance</em> começou a ser realizado em 2009 e só chegou aos cinemas brasileiros no último dia 14 de junho. A proposta do longa-metragem dirigido por Otávio Juliano é passar a limpo as origens, os êxitos e, claro, as polêmicas que envolvem a maior banda de <em>metal</em> do país – sim, estamos falando da saída dos irmãos Cavalera. De cara, a maior falha do documentário é a ausência de depoimentos de Max e Igor que, segundo os créditos, se recusaram a fazer parte do projeto. Independentemente dos fatores externos, é impossível conceber um filme definitivo sobre a banda sem a contribuição dos dois membros fundadores. Ainda que a questão seja discutida por Andreas sem rodeios, o sentimento de que falta algo persiste; as poucas imagens de arquivo com Max são sintomáticas.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/kIbEIBE-L0o" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Antes fosse essa a única deficiência do documentário. Na primeira parte do filme, o diretor frequentemente contrasta imagens da formação clássica e da formação atual, no que parece ser uma tentativa de opor passado e presente que só faz prejudicar a coesão narrativa do produto. Nem mesmo os entrevistados contribuem nesse quesito. Há falas de gente como Lars Ulrich (Metallica), Scott Ian (Anthrax), Dave Ellefson (Megadeth) e Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), mas o discurso inevitavelmente cai em elogios desmedidos, daqueles que se ouve de um aficionado. Não há uma preocupação com fatos ou curiosidades, elementos primordiais em qualquer documentário. Os bastidores da saída do baterista Jean Dolabella em 2011, por exemplo, limitam-se a uma conversa exageradamente longa entre os membros da banda no ônibus da turnê. Não é sequer dado espaço suficiente para o ex-membro discutir os motivos que o levaram a abandonar o barco, apenas alguns segundos de fala e, então, mais um festival de elogios ou imagens aleatórias do dia-a-dia da banda.</p>
<p>A segunda metade trata da carreira do Sepultura desde a formação, em 1984, à era Derrick Green, o substituto de Max. Há entrevistas com antigos colegas de Belo Horizonte e até mesmo com Jairo Guedes, o primeiro guitarrista, e só então o público é agraciado com informações instigantes, ainda que nada fuja do óbvio – só falta mesmo o parecer dos dois irmãos. Há que se destacar a participação de João Gordo (Ratos de Porão), <a href="http://personaunesp.com.br/joao-gordo-para-o-bem-geral-um-traidor/">uma das figuras mais carismáticas de sempre</a>. Sua vivência ao lado da banda na década de 1980 é valorosa, e é lamentável que suas falas tenham sido cortadas em prol das observações redundantes de Phil Campbell (Motörhead) e Phil Anselmo (Pantera, Down).</p>
<figure id="attachment_8063" aria-describedby="caption-attachment-8063" style="width: 1100px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-8063" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/02.jpg" alt="O Sepultura do passado: as farpas persistem" width="1100" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/02.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/02-300x210.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/02-768x536.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/02-1024x715.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8063" class="wp-caption-text">O Sepultura do passado: as farpas persistem</figcaption></figure>
<p>O fato de os melhores momentos de <em>Endurance </em>se concentrarem no passado do Sepultura diz muito sobre a própria condição da banda na atualidade. A saída repentina de Max em 1996 abalou brutalmente as estruturas do grupo. Andreas não economiza nas acusações, deixando explícito que o ex-colega levou com ele toda a estabilidade que o Sepultura havia conquistado até aquele momento, isto é, a confiança da gravadora<em> major</em> Roadrunner e a empresária Gloria Cavalera. À época, a sensação era de que o Sepultura estava prestes a dominar o mundo e Max tinha posto tudo a perder. É aí que a resistência do título fica ainda mais palpável: foi preciso recomeçar literalmente do zero, sem apoio de gravadora ou perspectiva de futuro. Hoje, vinte anos após o fim da formação clássica, é possível dizer que a banda se reergueu, ainda que se mantenha rentável somente por conta dos tempos áureos. Não à toa, apenas um álbum pós-<a href="http://personaunesp.com.br/sepultura-angra-metal-brasil-duas-decadas/"><em>Roots</em></a> é devidamente abordado (<em>Against</em>, de 1998).</p>
<p>Vale mencionar, também, as gravações do show de 30 anos distribuídas ao longo do documentário, registros de um notável primor técnico. Pois, ainda que a banda já não seja relevante do ponto de vista artístico, <a href="http://personaunesp.com.br/bauroots-bloody-roots-sepultura-sesc/">os shows continuam impecáveis</a>. A inclusão de faixas fora do rol dos clássicos – na estreia, houve dois bônus após os créditos: “Kairos” e “Convicted in Life” – salienta a intenção de consolidar a imagem de que o Sepultura superou os irmãos Cavalera, o que passa bem longe da verdade.</p>
<p>No fim das contas, <em>Sepultura Endurance </em>se revela mais um exercício de autoafirmação pela metade do que um registro definitivo da carreira da maior banda de <em>metal</em> da América do Sul. Mesmo que tente desvelar a grande polêmica dos envolvidos com limitações óbvias, perde muito nos quesitos edição e informação, principalmente em sua primeira metade. Ao menos uma coisa é unânime: é de se admirar a garra com que Kisser levanta a bandeira do Sepultura, mesmo após mais de 30 anos aos trancos e barrancos. Refuse, resist!</p>
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		<title>Brasil, um país de extremos</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2016 21:38:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Não é novidade alguma afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Em contraponto à beleza natural do país, a desigualdade social sempre se fez presente. Ao passo em que a miscigenação nos trouxe tanta riqueza cultural, os mais peçonhentos tipos de preconceitos nunca abandonaram nossa sociedade. O carisma do brasileiro sempre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/brasil-pais-extremos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Brasil, um país de extremos"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Não é novidade alguma afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Em contraponto à beleza natural do país, a desigualdade social sempre se fez presente. Ao passo em que a miscigenação nos trouxe tanta riqueza cultural, os mais peçonhentos tipos de preconceitos nunca abandonaram nossa sociedade. O carisma do brasileiro sempre encontrou no oportunismo dos tiranos um grande inimigo; e por aí vão os incontáveis arquétipos intrínsecos à nossa história. Apesar de alguns avanços notáveis, a Terra de Vera Cruz continua não sendo um país de todos e nem para todos.</p>
<p><span id="more-4532"></span></p>
<p>Quando o assunto é música, esse contraste toma proporções interessantes. Pode-se afirmar que é nesse ambiente que o famigerado “jeitinho brasileiro” se manifesta em sua forma plena (ou mesmo de modo em que não haja prejuízos para nenhuma pessoa): foi no mesmo estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que os complexos ritmos da bossa nova e os batidões grudentos do funk carioca surgiram. Mesmo sob circunstâncias extremamente adversas, os artistas brasileiros sempre conseguiram encontrar um meio de se expressar e se fazerem ser ouvidos &#8211; o melhor exemplo está no período da ditadura militar (1964-1985), que rendeu a maior parte dos discos considerados como clássicos inestimáveis da música brasileira e álbuns bastante peculiares, mas que não receberam os mesmos louros.</p>
<figure id="attachment_4537" aria-describedby="caption-attachment-4537" style="width: 570px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-4537 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/sepultura12-1-1.jpg" alt="sepultura12-1-1" width="570" height="363" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/sepultura12-1-1.jpg 570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/sepultura12-1-1-300x191.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 570px) 85vw, 570px" /><figcaption id="caption-attachment-4537" class="wp-caption-text">Max &#8220;Possessed&#8221; Cavalera, Wagner &#8220;Antichrist&#8221; e Igor &#8220;Skullcrusher&#8221; Cavalera: o único Sepultura tr00 possível</figcaption></figure>
<p>É o caso do metal extremo surgido em Belo Horizonte, terra natal da maior banda do estilo, o Sepultura. Todavia, antes da banda ganhar o globo e lançar tendências, o grupo fundado pelos irmãos Cavalera já dava tons brasileiros ao que haviam ouvido de bandas como Death e Metallica: os dois primeiros lançamentos da banda (o ep <i>Bestial Devastation</i> e o álbum <i>Morbid Visions</i>, respectivamente de 85 e 86) traziam um som executado de maneira tão primitiva e sinistra que, até o dia de hoje, rotulações se mostram bastante complexas. Os instrumentos não eram top de linha, e essa podreira só aumentava com as gravações de baixo custo. Além disso, as letras eram, literalmente, um punhado de blasfêmias traduzidas para o inglês &#8211; tudo isso criado por pivetes revoltados, que haviam acabado de abandonar os estudos.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sepultura - Troops Of Doom (Live 1986)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/pGIb-uXBZ9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ao passo em que o Sepultura seria o maior nome metálico brasileiro mundo afora, foi justamente sua banda rival que se consagraria como a melhor representação do cenário <i>underground</i> de BH no pós-chumbo. O Sarcófago seria vanguardista já no aspecto estético, adotando o visual com <i>corpse paint</i> no rosto, <i>spikes</i> nos braços e fivelas de bala atravessando o tronco e na cintura &#8211; anos antes de bandas estrangeiras o fazerem e ganharem fama por tal. O som não ficava atrás; o álbum de estreia da banda, <i>I.N.R.I</i> (1987), era um híbrido de <i>thrash</i>, <i>black</i> e <i>death</i> metal com níveis de violência inéditos para a época, cujo choque é sentido até hoje: segundo o respeitado portal Metal Archives, <a href="http://www.metal-archives.com/lists/BR" target="_blank">o<i> black metal</i> é o subgênero com mais bandas nacionais registradas</a>, e não é exagero afirmar que nenhuma delas seria a mesma sem a existência do Sarcófago.</p>
<figure id="attachment_4545" aria-describedby="caption-attachment-4545" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4545" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/inri-55563d1c5ebd8.jpg" alt="inri-55563d1c5ebd8" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/inri-55563d1c5ebd8-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-4545" class="wp-caption-text">Peça esse disco para sua mãe no natal</figcaption></figure>
<p>No documentário <i>Ruído das Minas</i>, M. Joker (baterista do segundo disco do grupo) afirma que D.D. Crazy, seu antecessor nas baquetas, foi um dos primeiros a executar a técnica do <i>blast beat </i>&#8211; ou “metranca”, como ficou conhecida em solo brasileiro. Não apenas isso é uma verdade, como sua abordagem no instrumento seria seminal para o surgimento de uma ramificação ainda mais obscura do heavy metal: o <i>war metal</i> (sim, isso existe!). Nesse mesmo estilo, aliás, outra banda mineira também causaria bastante controvérsia, já no nome: o Holocausto, com um disco singelamente intitulado <i>Campo de Extermínio</i>. Embora menos marcante que seus conterrâneos, merecem destaque não só pela imagética fortíssima de guerra (que, como de praxe, rendeu e ainda gera polêmicas, com o grupo frequentemente tendo de reafirmar que se trata apenas de uma narrativa descritiva para chocar e alertar as pessoas, e não uma exaltação aos horrendos princípios nazistas), como pela opção de cantar em português &#8211; embora, do mesmo modo que com o Sepultura e o Sarcófago, dificilmente você irá compreender as letras sem o encarte em mãos.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Olho Seco &amp; Brigada do Ódio (Split LP) (1985)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/YH8mV-7kABg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Fora do estado de Minas Gerais, três outros registros merecem menção. O primeiro e talvez mais obscuro deles é o split <i>Botas, fuzis, capacetes / Brigada do ódio </i>(1985), cujo lado B (assinado pela banda de mesmo nome) é composto exclusivamente de canções de curtíssima duração e absurdamente barulhentas, elevando o punk paulistano a outro patamar de agressividade, já adiantando o que mais tarde seria rotulado como <em>grindcore</em> e <i>noisecore</i>. Ainda no estado de São Paulo, o Vulcano, formado em 1980, é considerado como a primeira banda extrema de toda a América latina, e seu <i>Bloody Vengeance</i> (1986) é tido como um dos álbuns de <i>thrash</i> mais primitivamente pesados daquela década. Já o Stress, oriundo de Belém do Pará, é defendido pelos mais fervorosos como a primeira banda de thrash metal da história, visto que sua estreia homônima saiu um ano antes de <i>Kill ‘Em All </i>(1983), do Metallica, considerado como o pontapé inicial do gênero &#8211; pessoalmente, acredito que o som do Stress esteja mais próximo aos moldes do Judas Priest, mas a discussão é bastante válida.</p>
<p>Apesar do culto de nicho ainda permanecer, tais álbuns ainda recebem muito pouca atenção, tendo sua relevância histórica praticamente anulada graças à uma imprensa muitas vezes elitista e preconceituosa &#8211; vale ressaltar que o supracitado Ruído das Minas é uma exceção, e mesmo assim, passa longe de ter o poder que devia. O argumento de que o heavy metal não é um gênero legitimamente brasileiro não só não convence, como também preocupa: nessa mesma estirpe reducionista, se permitem afirmações como a de que a bossa nova é mera ramificação do <i>cool jazz</i> norte-americano e o funk carioca apenas uma cópia do <i>miami bass</i>, o que é obviamente uma mentira descabida.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ruido Das Minas (ORIGINAL HQ) Brazilian Heavy Metal 80&#039;, OverDose, Sarcofago, Mutilator, Kamikaze..." width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/8EEGZUz2jI0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Há sempre de se relembrar o contexto social das obras em questão: para os dias de hoje, o Sarcófago dos primórdios pode soar tosco e infantil, mas a banda surgiu como um grito de protesto contra a sociedade conservadora (militar e religiosamente) da época, com tudo sendo feito na raça &#8211; é justamente no fato da banda não ser fluente em inglês e nem ter músicos de técnica invejável que a urgência de seu trabalho reside; e por isso mesmo, em uma época onde se encontra uma escola de inglês a cada esquina, que as mil cópias atuais soam caricatas e até desonestas.</p>
<p>No fim das contas, a situação não deixa de ser sintomática. Do mesmo jeito que músicos “malditos” como Tom Zé, o Sepultura precisou antes fazer sucesso em outros continentes para então despertar interesse na crítica brasileira; talvez seja apenas questão de alguns anos para o mesmo se repetir com as outras bandas deste texto, mas parece improvável. Mais de quinhentos anos depois, o Brasil continua sendo um país de cultura riquíssima, mas de extrema polarização.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1ar4Z56FydAxYg7FuWYgOu" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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		<title>Bauroots Bloody Roots: Sepultura no Sesc</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2016 22:46:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Para o bem e para o mal, pode-se afirmar que existe uma inconstância nos trinta anos de carreira do Sepultura. Discos irregulares, problemas com gravadoras, saídas de integrantes, fãs puristas e polêmicas que a imprensa insiste em incitar são alguns dos fatores que contribuíram para que a banda não fosse ainda maior do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bauroots-bloody-roots-sepultura-sesc/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bauroots Bloody Roots: Sepultura no Sesc"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1533" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/13043337_10153377887566924_6985492710028264947_n.jpg" alt="13043337_10153377887566924_6985492710028264947_n" width="960" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13043337_10153377887566924_6985492710028264947_n.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13043337_10153377887566924_6985492710028264947_n-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13043337_10153377887566924_6985492710028264947_n-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Para o bem e para o mal, pode-se afirmar que existe uma inconstância nos trinta anos de carreira do Sepultura. Discos irregulares, problemas com gravadoras, saídas de integrantes, fãs puristas e polêmicas que a imprensa insiste em incitar são alguns dos fatores que contribuíram para que a banda não fosse ainda maior do que é. Porém, esses mesmos desafios forçaram o grupo a sempre buscar novas alternativas &#8211; tanto sonoras quanto profissionais &#8211; e a permanecerem inquietos, mesmo que nadando contra a corrente.<span id="more-1521"></span></p>
<p>O que permaneceu intacto durante todo esse tempo foi a perseverança do quarteto, e isso foi palpável na apresentação de ontem no Sesc Bauru. Começando pontualmente às 22h00, o show (anunciado apenas quatro dias antes) contemplou as diversas fases do Sepultura, com atenção especial ao disco “Roots”, que completou vinte anos no último mês de fevereiro. Além das músicas obrigatórias do álbum, foram executadas “Spit”, “Dusted”, “Breed Apart” e a subestimada “Ambush” que, apesar de ótima, perdeu um pouco de sua força pela falta da passagem tribal da versão original.</p>
<p>O outro momento menor do show se deu com o <i>single </i>mais recente da banda, “Sepultura Under My Skin”. Embora seja uma faixa de homenagem aos fãs fiéis, foi notável a recepção mais fria do público que compareceu  &#8211; tanto por desconhecimento sobre a canção como por ela em si.</p>
<p>Felizmente, as reclamações param por aqui. O que se viu durante quase duas horas foi uma banda entrosada, muito carismática &#8211; uma das pérolas da noite foi ver o vocalista Derrick Green, estadunidense, perguntar em bom português: “Tão cansados? Mas é sexta-feira, porra!” &#8211; e um repertório cheio de clássicos. A banda saudava o público de quase 1800 pessoas constantemente e, em troca, ouviam gritos de “SE-PUL-TU-RA!” a cada oportunidade.</p>
<figure id="attachment_1528" aria-describedby="caption-attachment-1528" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1528" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/davison-alvares.jpg" alt="davison alvares" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/davison-alvares.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/davison-alvares-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/davison-alvares-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-1528" class="wp-caption-text">Créditos: Davison Alvares</figcaption></figure>
<p>De modo geral, foi uma apresentação direta e reta, sem grandes devaneios ou artifícios de palco &#8211; o único utilizado foi a iluminação especial, cujas cores eram relativas à capa do álbum da música tocada. A banda optou por deixar a intensidade da performance falar por si, e deu mais que certo: o jovem baterista Eloy Casagrande deu um show à parte, entregando execuções pesadíssimas em seu <i>kit</i>. Paulo Pinto, baixista e único remanescente da formação original do Sepultura, estava igualmente frenético, mesmo longe de ser um instrumentista técnico. O guitarrista e líder Andreas Kisser aproveitou o ótimo (e alto &#8211; em “Dialog”, a guitarra encobria os versos falados, o que foi compensado com um final estendido) som de seu <i>set </i>de amplificadores e se manteve certeiro; mesmo as músicas compostas quando a banda ainda contava com dois guitarristas soaram completas. Fechando o time, Derrick Green, além de urrar a plenos pulmões com um pique invejável (durante quase duas horas), se aventurou na percussão em algumas partes.</p>
<p>Ainda houve espaço para curtas <i>jams </i>bem humoradas: as mais marcantes foram com “Breaking the Law”, do Judas Priest &#8211; onde Green brincou: “Senhor Kisser, eu tava mesmo quase cantando aquela música!” -, e “Admirável Chip Novo”, da cantora Pitty. No fim, isso só corroborou para o retrato da noite: uma banda grande que, apesar das críticas, persiste firme em seu caminho, não se deixa abalar e sabe se divertir &#8211; afinal, ser inconstante é surpreender. O saldo final foi um show excelente, que inclusive deu a impressão de ser maior do que deveria ser &#8211; justamente como o Sepultura.</p>
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