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	<title>Arquivos Segunda geração do Romantismo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:28:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics) Guilherme Machado Leal   Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em Blue Moon, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (Ethan Hawke), o público conhece a história de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blue-moon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36386" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png" alt=" Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos louros e blusa bege. Ela olha para um homem branco de cabelos castanhos com terno. Eles estão em um bar. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><span style="color: #686868; font-size: 13px; font-style: italic; background-color: transparent; text-align: inherit;">As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics)</span></p>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-telefone-preto-2/"><span style="font-weight: 400;">Ethan Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público conhece a história de um dos letristas norte-americanos mais importantes do século XX. Ambientado em um bar na noite de 31 de março de 1943, a perspectiva de um artista derrotado pelo sucesso de seu colega, Richard Rodgers (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Scott</span></a><span style="font-weight: 400;">), expõe uma mágoa para além das diferenças criativas da ex-dupla.</span></p>
<p><span id="more-36380"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;"> de filmar em um cenário é o que torna a produção curiosa de experienciar: por se tratar de uma figura estadunidense, é compreensível que o espectador tenha falta de afinidade com o tema retratado. Entretanto, o cineasta, alinhado ao roteiro de </span><a href="https://robertkaplow.com/"><span style="font-weight: 400;">Robert Kaplow</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtém êxito ao focalizar a câmera em um poeta que vê a vida passar diante de seus olhos. Pela vista do outro, o tempo dele já foi; mas o seu cérebro ainda permanece como uma maneira de catapultar o sucesso alheio. Após anos de parceria, o protagonista divide as feridas com o bartender, vivido por Bobby Cannavale, e outros funcionários do local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de estreia de </span><a href="https://www.britannica.com/topic/Oklahoma-musical-by-Rodgers-and-Hammerstein"><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, peça lançada durante a Segunda Guerra Mundial, sentimentos conflitantes surgem à cabeça do fio condutor do longa-metragem. Se por um lado ele reconhece o talento de sua alma gêmea, há também o rancor devido ao afastamento que os levaram a caminhos diferentes – tanto pessoal quanto criativamente. Em certo momento de um dos seus monólogos, o escritor propõe um debate sobre o papel da Arte: ela precisa necessariamente ser inofensiva ou pode adotar um tom provocativo?</span></p>
<figure id="attachment_36389" aria-describedby="caption-attachment-36389" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há dois homens brancos. O da esquerda veste um terno preto com gravata borboleta da mesma cor. O da direita usa um terno azul com gravata vinho." width="800" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1200x960.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000.jpg 1240w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36389" class="wp-caption-text">Richard Rodgers (Andrew Scott) e Lorenz Hart (Ethan Hawke) saboreiam o gosto amargo de sua relação durante os 100 minutos de Blue Moon (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor que Hart nutre por Rodgers vai muito além da relação amigável. Na verdade, a aptidão que ambos tinham com as produções musicais são daquelas </span><a href="https://www.dominicalldis.com/projects/songs-rodgers-hart"><span style="font-weight: 400;">sintonias</span></a><span style="font-weight: 400;"> vistas apenas uma vez na vida. Ao mesmo tempo que não dar o braço a torcer é uma das características que afastam aqueles ao redor de Lorenz, sua personalidade irreverente é o motivo pelo qual há o interesse de entender a cabeça de um poeta torturado pela derrocada da própria carreira. Por conta da interpretação cômica por Ethan Hawke, ter o desejo de saber mais a respeito da trajetória do letrista se torna algo natural, sem precisar de contextos externos ao filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viciado no próprio sentimentalismo exacerbado – à la </span><a href="https://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-romantica/"><span style="font-weight: 400;">geração byroniana</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Romantismo –, a encantadora Elizabeth Weiland (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margaret Qualley</span></a><span style="font-weight: 400;">) é como uma inspiração para as palavras proferidas pelo homem, que a idolatra e a enxerga mais gentilmente do que a moça realmente é. Na casa dos 20 e poucos, os momentos ao lado do quarentão são um aprendizado, ou melhor, um retrato pintado à mão. Embora tenha um amor platônico pela jovem, é a distância de Rodgers que o deixa obcecado. Esses pensamentos são marcados por conversas sobre a relevância social e política de uma produção artística. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!,</span></i><span style="font-weight: 400;"> primeira parceria entre Richard e </span><a href="https://folhadoabc.com.br/oscar-hammerstein-ii-emerito-letrista/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Hammerstein II </span></a><span style="font-weight: 400;">(interpretado por Simon Delaney),  possui uma conotação negativa ao protagonista: para além das críticas ao conteúdo que o poeta tem em relação ao trabalho do amigo, o sucesso da peça o afeta em níveis criativos: a audácia que caracterizava a dupla com o amado agora cede lugar à uma história mais abrangente e, pela visão do personagem, chapa branca e omissa, levando em consideração o cotidiano vivido pelos estadunidenses na década de 1940.</span></p>
<figure id="attachment_36384" aria-describedby="caption-attachment-36384" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há um homem branco com um terno azul. Ele está na bancada de um bar, apoiando os braços no local. Ao seu lado, há flores e uma bebida alcoólica. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36384" class="wp-caption-text">A produção é a nona parceria entre Ethan Hawke e Richard Linklater (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos do afastamento entre os ex-amigos é a vida pessoal do compositor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">: viciado em </span><a href="https://www.alcoholproblemsandsolutions.org/alcoholic-musicians-they-died-from-it-quit-or-continue-drinking/"><span style="font-weight: 400;">álcool</span></a><span style="font-weight: 400;">, a inconstância na rotina do letrista gerou o sentimento de decepção, ao passo que, profissionalmente, ele fosse inspiração para uma gama de artistas posteriores aos seus anos de ouro, que contém produções prestigiadas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lady Is a Tramp</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após a metade do longa, os dois se reencontram no bar e os fatores do fim da amizade se tornam ainda mais aparentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o reconhecimento do papel que um teve na vida do outro continua presente no pensamento de Hart e Rodgers. Inclusive, entre conversas rápidas, a dupla combina de retomar a parceria com projetos futuros. Todavia, assim como na realidade, a sorte não acenou para Lorenz e a volta da sua relação com o ente querido nunca se consagrou: em novembro do mesmo ano, o astro morreu em decorrência de uma </span><a href="https://www.nytimes.com/1943/11/22/archives/lorenz-hart-has-pneumonia.html"><span style="font-weight: 400;">pneumonia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do encerramento da história, frases que resumem a trajetória dos personagens abordados contam o futuro de Richard e Oscar Hammerstein II. Os dois tiveram outros sucessos, a exemplo das composições em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noviça Rebelde</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das narrativas teatrais mais marcantes do século XX quando se pensa no teatro norte-americano. O protagonista pode não ter sido o maior compositor de sua época ou até mesmo ter sido superado por seus contemporâneos, mas ele conquistou algo que sucesso algum compra: o </span><a href="https://miscelana.com/2025/02/23/blue-moon-o-legado-de-lorenz-hart-nas-telas/"><span style="font-weight: 400;">impacto cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa gerações.</span></p>
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		<title>Não há túmulo que enterre a (des)temida Noite na Taverna</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 15:44:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde!”. Repleto de exclamações, minúcias descritivas e momentos reflexivos, o livro Noite na Taverna nasceu postumamente, em 1855 &#8211; cerca de três anos após a morte da mente &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/noite-na-taverna-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há túmulo que enterre a (des)temida Noite na Taverna"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24082" aria-describedby="caption-attachment-24082" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24082" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-9.jpg" alt="Cena do filme Noite na Taverna. Fotografia retangular. Ao fundo, vemos o ambiente noturno de uma taverna. Uma mesa com cinco homens ocupa toda a imagem. Os homens parecem dialogar, vestem roupas semelhantes e aparecem em poses diferentes. No centro da mesa, observamos uma garrafa de vinho, taças, uma escultura e outros objetos. " width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-24082" class="wp-caption-text">Inigualável livro brasileiro, que desperta o interesse do público há mais de 100 anos, Noite na Taverna ganhou um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=h5Pe-o3K_BU&amp;t=30s">curta-metragem</a> em 2014 (Foto: ZYRé produções)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Repleto de exclamações, minúcias descritivas e momentos reflexivos, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu postumamente, em 1855 &#8211; cerca de três anos após a morte da mente brilhante que o criou. Escrita sob o pseudônimo de </span><a href="https://darkside.blog.br/a-melancolia-e-o-romantismo-de-alvares-de-azevedo/"><span style="font-weight: 400;">Job Stern</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra de </span><a href="https://www.academia.org.br/academicos/alvares-de-azevedo/biografia"><span style="font-weight: 400;">Álvares de Azevedo</span></a><span style="font-weight: 400;">, grosso modo, acompanha uma noite de bebedeira e boemia entre Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann, cinco conhecidos personagens da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura-nacional/"><span style="font-weight: 400;">Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ambientada em uma libertina taverna, espécie de bar da época, não tarda nessa novela o surgimento das narrativas mais absurdas, tétricas e bizarras.    </span></p>
<p><span id="more-24081"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os adjetivos não são exagero. Pouco a pouco, somos convidados a conhecer um universo de crimes e vícios, onde necrofilia, assassinatos, suicídios, antropofagia, sequestro e incesto são realidades recorrentes. Mas antes que se aplique uma lente condenatória, moral e ética sobre o autor, é preciso conhecer a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6doyaptYpQg"><span style="font-weight: 400;">geração</span></a><span style="font-weight: 400;"> na qual ele estava inserido. Ultrarromântico, Álvares de Azevedo fez parte da gama de escritores influenciados por alguns nomes estrangeiros, tais como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WbJAt92MJnE"><span style="font-weight: 400;">Lord Byron</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iYcZgenKBic"><span style="font-weight: 400;">Goethe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/35515/hoje-na-historia-1857-morre-alfred-de-musset-escritor-e-poeta-frances"><span style="font-weight: 400;">Alfred de Musset</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com características em comum, esse grupo do Romantismo encontrava na Literatura certos mecanismos de escape para fugir da realidade na qual o mundo se encaixava durante parte do século XIX.         </span></p>
<figure id="attachment_24083" aria-describedby="caption-attachment-24083" style="width: 659px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24083 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-7-659x1024.jpg" alt="Capa do livro Selected Poems. Arte retangular. Na parte superior e no meio da capa, vemos uma possível pintura retratando o poeta Lord Byron. Ele é um homem branco, de cabelos escuros, está de perfil, apoiando o queixo sob a mão fechada direita, e veste roupas de manga comprida. Pouco abaixo do centro, há uma faixa branca, na qual lemos Penguin Classics em letras pretas. No meio dessas duas palavras, vemos uma ilustração de pinguim, com fundo oval laranja. Embaixo da faixa branca, na parte inferior da capa, há um retângulo preto. Nele, lemos Lord Byron em letras laranjas e, abaixo, Selected Poems em letras brancas." width="659" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-7-659x1024.jpg 659w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-7-515x800.jpg 515w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-7.jpg 752w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24083" class="wp-caption-text">O poeta inglês Lord Byron foi uma das grandes inspirações para o Ultrarromantismo no Brasil (Foto: Penguin Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também conhecida como geração do Mal do Século, essa vertente de artistas vivia um </span><a href="https://www.infoescola.com/literatura/sentimentalismo-mal-do-seculo/"><span style="font-weight: 400;">pessimismo extremo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relação ao passado e ao futuro, tomada por uma espécie de enorme desamparo. Melancólicos, os escritores ultrarromânticos alimentavam suas obras com ambientes noturnos, situações fantásticas ou macabras, atmosferas oníricas, misticismo, idealizações e muitos outros elementos frequentes, como figuras pálidas e amores difíceis ou impossíveis. Portanto, ao desenvolver uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">prosa gótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;">, profundamente inspirada por ares europeus, não é de se espantar que Álvares de Azevedo traga à tona o que há de pior no ser humano, confirmando um espírito artístico da época.     </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ultrapassadas as primeiras elucidações, ainda é preciso ter em mente que classificar este livro como uma coletânea de contos não é uma escolha muito adequada. Nesse enquadramento limitante, ignora-se completamente a continuidade, isto é, o universo único e permanente que guia todas as divisões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;">. Considerá-lo como uma “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lslG9wf2LFI"><i><span style="font-weight: 400;">novela moldura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” talvez seja a melhor saída em relação à estrutura da obra, já que as diferentes narrativas têm, de fato, alguma independência entre si, ao mesmo tempo em que são costuradas por mais de uma semelhança. Na verdade, o que realmente importa é conseguir enxergar, antes de qualquer coisa, a inteireza existente em torno de toda a criação.</span></p>
<figure id="attachment_24084" aria-describedby="caption-attachment-24084" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-8.jpg" alt="Fotografia retangular do escritor Álvares de Azevedo. Com fundo bege, a imagem em preto e branco do poeta ocupa quase toda a foto. Ele é um jovem de cabelos relativamente longos, olha para frente, com semblante sério, e veste roupas aparentemente formais." width="800" height="1226" /><figcaption id="caption-attachment-24084" class="wp-caption-text">Patrono da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras, Álvares de Azevedo morreu precocemente, aos 20 anos (Foto: Wikimedia Commons)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dito isto, um dos primeiros destaques que merecem atenção na escrita de Álvares de Azevedo é a atmosfera ébria que se constrói de acontecimento em acontecimento. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ao vinho! ao vinho!</span></i><span style="font-weight: 400;">”: em alguns pontos da ficção, estamos nós mesmos febris na mesma taverna dos protagonistas. Com tanta intimidade, logo percebemos ser o vinho um dos elementos centrais de toda a noite. Não exatamente por facilitar as confissões criminosas &#8211; não só por isso, pelo menos -, mas por originar o clima em que “</span><i><span style="font-weight: 400;">frágeis são as fronteiras entre o real e a fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como já bem descreveu a professora Célia A. N. Passoni. Ou, nas palavras do próprio autor, durante a narração do boêmio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CvMPZWlxN34"><span style="font-weight: 400;">Bertram</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quantas horas, quantos dias passei naquela modorra, nem o sei…</span></i><span style="font-weight: 400;">”                </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meio contraditório, no entanto, é notar que, numa quase competição entre os cinco homens &#8211; para ver quem conta a memória mais trágica e macabra -, os horrores descritos são muito reais, no sentido de </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/abusadas-depois-de-mortas-funcionarias-de-funerarias-e-imls-denunciam-casos-aterrorizantes-de-necrofilia"><span style="font-weight: 400;">passíveis de acontecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Exagerados, sem dúvida, mas ainda assim possíveis de acontecer. Álvares de Azevedo desdobra o real, aproveitando-se de imoralidades para, ao mesmo tempo, fugir do mundo concreto e expor faces desagradáveis &#8211; mas verídicas &#8211; da humanidade. Através do assombro, um de nossos mais importantes poetas e escritores comprova que nem só de demônios e fantasmas constituem-se as histórias mais assustadoras.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ergui os cabelos da mulher, levantei-lhe a cabeça… Era Nauza, mas Nauza cadáver, já desbotada pela podridão. Não era aquela estátua alvíssima de outrora, as faces macias e o colo de neve… Era um corpo amarelo…”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Repetições como “</span><i><span style="font-weight: 400;">A noite era escura</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">A noite era escuríssima</span></i><span style="font-weight: 400;">” deveriam ser encaradas não como falhas de composição, mas como recursos de ambientação muito bem absorvidos de obras estrangeiras. Algo semelhante acontece com a preferência de Álvares por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rQJSEOvoAfQ"><span style="font-weight: 400;">ambientes cemiteriais</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aqui, ali, além eram cruzes que se erguiam de entre o ervaçal</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Neste paradoxo do limite entre realidade e delírio, de um horror quase nada sobrenatural, os símbolos do mundo concreto não são menos interessantes do que qualquer paranormalidade para um fim de tensão. Até mesmo os piratas, apresentados na narração de Bertram, parecem justificados e, mesmo que inventivamente, necessários e viáveis à história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar em ambientes cemiteriais, seria interessante resgatar diferentes textos do mesmo escritor, tendo como finalidade a comparação. Isso porque, em outra célebre obra, o poema </span><a href="https://www.escritas.org/pt/t/12188/lembranca-de-morrer"><i><span style="font-weight: 400;">Lembrança de Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">floresta dos homens esquecida</span></i><span style="font-weight: 400;">” e a centralidade da morte, assim como o tédio da vida, são presenças igualmente marcantes, reafirmando aquelas particularidades ultrarromânticas já mencionadas, e justificando a escolha de Álvares de Azevedo como maior representante dessa vertente no Brasil. Quando tratamos, porém, de devassidão, provavelmente nada tenha superado, em toda sua produção, a inigualável </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24085" aria-describedby="caption-attachment-24085" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24085 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5-800x800.jpg" alt="Livros do romantismo. Fotografia quadrada, em preto e branco, com fundo preto. Uma xícara florida ocupa o canto superior direito da imagem. Embaixo dela, há dois livros empilhados, provavelmente muito antigos. Na lombada do livro de cima, podemos ler Álvares de Azevedo. Na do de baixo, lemos Fagundes Varela. As duas lombadas são ornamentadas. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-5.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24085" class="wp-caption-text">Ao lado de Álvares de Azevedo, Fagundes Varela foi um importante poeta da segunda geração do Romantismo no Brasil (Foto: Luciana Fátima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em aspectos mais técnicos, é evidente que as descrições adjetivadas e extremamente </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/romantismo-no-brasil.htm#:~:text=Idealiza%C3%A7%C3%A3o%3A%20com%20a%20exalta%C3%A7%C3%A3o%20de,possibilidade%20de%20realiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20sujeito."><span style="font-weight: 400;">idealizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deste livro são tipicamente românticas. A “</span><i><span style="font-weight: 400;">beleza plástica e harmônica, linda nas suas cores puras e acetinadas, nos cabelos negros e a tez branca da fronte, o oval das faces coradas, o fogo de nácar dos lábios finos, o esmero do colo ressaltando nas roupas de amazona</span></i><span style="font-weight: 400;">”, descrita por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qNS8oUqUOeo"><span style="font-weight: 400;">Claudius Hermann</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um exemplo magnífico de como era grande parte das criações de todo o movimento romântico. E pobre de quem rejeita esse tipo de escrita, tendo em vista a clareza e concisão: apesar dos exageros, é essa forma de construção uma das mais poéticas possíveis de todos os tempos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de tudo isso, um obstáculo que se coloca em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o excesso de erudição. No primeiro capítulo, por exemplo, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma noite do século</span></i><span style="font-weight: 400;">, somos imediatamente avisados de que não mergulharemos em mais uma noite de bar qualquer. Pelo contrário, já que as personagens daqui são verdadeiros intelectuais, e a cena que se desenvolve &#8211; uma introdução? &#8211; a partir dessa reunião é uma das discussões mais filosóficas de toda a Literatura feita em Língua Portuguesa até hoje. Não à toa, </span><a href="https://machadodeassis.ufsc.br/obras/criticas/CRITICA,%20Alvares%20de%20Azevedo%20-%20Lira%20dos%20vinte%20anos,%201866.htm"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> analisou criticamente &#8211; e em desaprovação &#8211; esse ponto ora positivo, ora negativo. Decerto, gostando ou não, o que para uns é defeito, para outros pode ser um deleite.           </span></p>
<figure id="attachment_24086" aria-describedby="caption-attachment-24086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24086 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4-800x800.jpg" alt="Capa do livro Medo Imortal. Arte digital quadrada, com fundo acinzentado. Ainda no fundo, ornamentos retangulares e ornamentos florais, ambos dourados, ocupam toda a imagem. O livro Medo Imortal ocupa quase toda a arte. Com capa retangular, de fundo azulado, lemos Academia Sobrenatural Brasileira de Letras em letras pretas, em sua parte superior. Em quase toda a capa, observamos uma espécie de brasão dourado e preto, formado por um crânio humano, pássaros, um cavaleiro e uma coroa. Na parte inferior da capa, lemos Darkside em letras pretas. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-4.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24086" class="wp-caption-text">Atualmente, uma das edições mais conhecidas de Noite na Taverna está no livro Medo Imortal, da editora Darkside Books (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que Álvares de Azevedo tenha tentado replicar sua própria intelectualidade nesta obra. Da Bíblia ao ídolo Byron, de Prometeu e Mefistófeles à “</span><i><span style="font-weight: 400;">ciência de Gall e Spurzheim</span></i><span style="font-weight: 400;">”: a &#8211; por vezes estruturalmente temida &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;"> é impregnada de referências implícitas ou explícitas do início ao fim. Por isso, não pense duas vezes antes de considerar ler uma edição com notas de rodapé. Além de excelente ideia, é o jeito mais fácil de captar a maior parte do referencial artístico e intelectual de um escritor que, pasmem, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/alvares-de-azeve-o-obito-precoce-de-um-dos-escritores-mais-importantes-do-ultrarromantismo.phtml"><span style="font-weight: 400;">morreu aos 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; provando-se um prodígio em muito daquilo que propôs realizar.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certo é que, com um Bertram que chora de saudades da mulher amada no velório do próprio pai, alimenta-se do corpo de um colega em alto mar, ou com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3_RfHCjVLUw&amp;t=17s"><span style="font-weight: 400;">Johann</span></a><span style="font-weight: 400;"> que desonra a própria irmã, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez tivesse sido um escândalo ainda maior se publicado durante a vida de Azevedo. Livro e autor que não estavam de brincadeira já no século XIX, ambos talvez não imaginassem que o tratamento desumanizado proveniente das personagens masculinas em relação às mulheres &#8211; principalmente às prostitutas e taverneiras &#8211; refletiria por tanto tempo aspectos hipócritas e preconceituosos de nossa sociedade: infelizmente, a visão de “</span><i><span style="font-weight: 400;">mulheres perdidas</span></i><span style="font-weight: 400;">” ainda paira bastante nos mais diversos ares.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O velho tirou do bolso um embrulho: era um lenço vermelho o invólucro: desataram-no: dentro estava uma caveira.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há essa carga universal nos textos de Álvares de Azevedo, logicamente haveria um afastamento daquilo que, já na época, era considerado “mais brasileiro”. Os nomes estrangeiros das personagens, as localizações geográficas predominantemente &#8211; se não totalmente &#8211; europeias, os costumes, roupas, ambientes e climas indicavam, de fato, uma expressão artística que parecia tudo, menos Literatura brasileira. E não é de se espantar que já tenham imaginado Azevedo como “</span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/sata-rouba-a-cena/"><i><span style="font-weight: 400;">nosso Poe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”: ao mesmo tempo, uma honra, pela grandeza do escritor norte-americano, e um aprisionamento, porque reduz a originalidade de um ícone nacional.         </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando esses elementos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite na Taverna</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a possível síntese de uma busca pela universalidade através da lapidação de nossa língua. Com todas as alternativas que o Português nos oferece, no sentido de planejar o ato de escrever &#8211; isto é, de saber como se quer escrever -, esta obra é essencialmente brasileira. E não há mal algum em se lembrar de Byron e Poe quando o assunto é </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou texto gótico. A realidade, no entanto, é que Álvares de Azevedo também merece um cantinho na memória de cada um, principalmente dos leitores conterrâneos. Em 1855, foi ele quem nos possibilitou uma imensa troca com o mundo, introduzindo nacionalmente alguns autores estrangeiros. Mais do que isso: ele ampliou imensamente o potencial rico e múltiplo de nossa própria Literatura.       </span></p>
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