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	<title>Arquivos Roteiro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A filha perdida de Elena Ferrante pode ser você</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2022 20:43:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra &#8220;As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender&#8220;, define muito bem Elena Ferrante no que vem a ser o prólogo de seu terceiro romance. Lançado no Brasil em 2016 pela editora Intrínseca, A filha perdida traz o pseudônimo italiano, aclamado por suas  personagens femininas e reverenciado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A filha perdida de Elena Ferrante pode ser você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26020" aria-describedby="caption-attachment-26020" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26020 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222.jpg" alt="Imagem retangular de fundo laranja. Ao centro, foi adicionada a capa do livro A Filha Perdida, um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa é repleta de casas de telhado marrom avermelhado, no estilo mediterrâneo. É possível ver o céu e o mar azuis e uma torre verde. Está escrito, em letras brancas, &quot;A FILHA PERDIDA&quot; e &quot;ELENA FERRANTE&quot;. Na parte inferior central, há o selo da Intrínseca." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/AFILHAPERDIDA_WORDPRESS_0222-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26020" class="wp-caption-text">Recentemente adaptado para o cinema, A filha perdida foi a escolha para o mês de dezembro de 2021 no Clube do Livro do Persona (Foto: Intrínseca/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, define muito bem </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> no que vem a ser o prólogo de seu terceiro romance. Lançado no Brasil em 2016 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Intrínseca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz o pseudônimo italiano, aclamado por suas  personagens femininas e reverenciado por sua honestidade cortante, numa proposta de encarar com honestidade o que talvez seja um dos principais aspectos da experiência da mulher na sociedade &#8211; e também </span><a href="https://blogueirasfeministas.com/2011/05/08/feminismo-maternidade-e-a-briga-nossa-de-cada-dia/"><span style="font-weight: 400;">um dos assuntos mais intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o início dos tempos -: a maternidade.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-25952"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pretexto para uma análise do lugar mais comum da formação da sociedade também deveria ser simples e acessível, numa direção completamente inversa à que sua complexidade pode sugerir. Então, assim </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">La figlia oscura</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) o faz: o livro nos coloca para acompanhar a história de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/cronicas-de-mae/escolhas-maternidade/"><span style="font-weight: 400;">uma mãe e suas filhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recai também sobre a sua história com sua própria mãe e sua experiência enquanto filha. O recorte e o objeto escolhidos surgem de um período de férias de Leda, uma professora universitária de meia idade, divorciada e mãe de Bianca e Marta, de 22 e 24 anos, que procura descanso no litoral sul da Itália, próxima da cidade onde nasceu e cresceu, depois que as filhas vão morar com o pai em outro país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Elena Ferrante não permite que o mergulho da personagem fique apenas nas águas pacificamente salgadas e agradavelmente ondulosas. O que deveria ser um momento de repouso para Leda se transforma num processo intenso de autorreflexão, desencadeado a partir do momento em que a personagem repara uma família também de férias pela região. Ela estabelece uma </span><a href="https://artrianon.com/2022/01/14/a-filha-perdida-livro-e-filme-um-honesto-relato-entre-os-tabus-da-maternidade/"><span style="font-weight: 400;">identificação singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Nina, a jovem mãe de Elena, que sempre se mostra um tanto deslocada do resto daquele grupo de pessoas &#8211; exceto quando exercendo passionalmente a sua maternidade. </span></p>
<figure id="attachment_25955" aria-describedby="caption-attachment-25955" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-25955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1.jpg" alt="" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maggie-perdida-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25955" class="wp-caption-text">Nos cinemas, a história foi contada por Maggie Gyllenhaal, numa estreia impressionante da diretora e roteirista, que saiu premiada do <a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/">Festival de Veneza 2021</a> (Foto: Yannis Drakoulidis/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao observar as cenas protagonizadas pela família napolitana e deixar-se afetar pela maresia enquanto sozinha e longe de casa, a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba em memórias que remexem sentimentos profundos sobre sua família, infância, casamento e, principalmente, o início de sua vida como mãe. Impulsionada pela imersiva escrita em primeira pessoa, Elena Ferrante é dolorosamente sincera sob o pretexto de verbalizar as emoções de Leda, dedicando-se quase compulsivamente a um livro repleto de ‘canetadas’ sobre seu complexo tema central, que é marcado por </span><a href="https://leiturinha.com.br/blog/maternidade-real/"><span style="font-weight: 400;">vivências profundas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem o experiencia, mas também alvo de uma </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,a-filha-perdida-perturba-ao-tocar-na-sacralizacao-da-maternidade,70003941704"><span style="font-weight: 400;">sacralização</span></a><span style="font-weight: 400;"> histórica vinda de quem o observa de fora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por consequência &#8211; muito bem calculada, vale ressaltar -, a única coisa que não pode ser encontrada na protagonista é o estereótipo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">amor de mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Leda está completamente à vontade conversando consigo mesma, e nada esconde de quem toma parte de suas emoções, mostrando-se uma personagem que, muito longe de ser agridoce, é acidamente amarga. Mas ao contrário do que todas as suas camadas podem sugerir, a protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é profundamente relacionável, como o resultado de um estudo preciso da mulher que é marcada pela inevitabilidade de pelo menos uma das duas vias trabalhadas pelo romance: a experiência de uma mulher </span><a href="https://www.imagempalavramovimento.com/single-post/2016/05/06/ser-m%C3%A3e-e-ser-filha"><span style="font-weight: 400;">como filha e como mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo o caminho de forte oposição aos polidos padrões patriarcais, a linguagem de Elena Ferrante não procura atender nada que não seja a verdade de quem vive além de todas as </span><a href="https://agorasoumae.com.br/estereotipo-de-mae-como-a-sociedade-limita-a-mulher-ao-de-mae/"><span style="font-weight: 400;">expectativas impossíveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> de benevolência, controle e sabedoria. </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> não nos deixa enganar: a sinceridade de sua protagonista pode parecer autodepreciativa, mas Leda é austera demais até para o nível mais complexo de autopiedade e distanciamento da realidade. Vide os momentos mais críticos de sua história, onde é comum encontrar uma reação viciada da personagem, que como forma de se defender dos julgamentos, tentar compreender seu próprio comportamento e/ou até mesmo como forma de expressar a confusão mental que surge após relembrar memórias tão emocionalmente atribuladas, desabafa fria e sinceramente um &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Não sei o que aconteceu&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Bianca uma vez gritou para mim, aos prantos: você sempre se acha superior. E Marta: por que você quis nos ter se não faz outra coisa além de se queixar de nós? Pedaços de palavras, sílabas apenas. <strong>Sempre chega o momento em que os filhos dizem com raiva e tristeza: por que você me deu a vida?</strong></span><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se a narrativa recusa completamente o principal aspecto dos padrões maternais, outro elemento fundamental da experiência é o que mais transborda das vivências de Leda &#8211; e incomoda o leitor de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela nutre uma consciência concreta de tudo, desde o que recebeu da mãe, seus traumas, até o que deixou para as filhas e os padecimentos das garotas. Para encerrar o panorama emocional do livro, Ferrante orienta tudo isso para desencadear o sentimento mais silencioso de suas páginas reflexivamente barulhentas. E quanto à </span><a href="https://vogue.globo.com/moda/moda-news/noticia/2019/08/importancia-de-outras-maes-para-uma-maternidade-com-menos-culpa.html"><span style="font-weight: 400;">emoção mais ingrata</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma mulher que exerce o papel de mãe, não há o que ser discutido além da própria expressão da personagem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Era o sentimento de culpa: eu achava que todo sofrimento que atingisse as minhas filhas era fruto do já comprovado fracasso do meu amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> compõe o retrato complexo do relacionamento mãe-e-filha, aprofundando uma análise sobre relações </span><a href="https://www.32rba.abant.org.br/arquivo/downloadpublic?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNToiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjQ6IjMyNDciO30iO3M6MToiaCI7czozMjoiZWQyMDQ3NDQ2MDQxZWIxZWE3OTJhODg0MmEwY2ZlYTciO30%3D"><span style="font-weight: 400;">intergeracionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma menina rigidamente criada em padrões de gênero se transforma em uma mulher que cria duas garotas em uma nova época, ciente dos comportamentos maternos que lhe foram traumáticos, mas que, ao mesmo tempo, ainda carrega marcas teimosas de estereótipos sexistas e misóginos. Não por acaso, a personagem carrega como certeza a ideia de que o que mais ama em suas filhas é o que é estranho à sua própria personalidade. Assim, Leda é indiscutivelmente uma filha machucada e uma mãe que machuca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre comparações, intromissões e julgamentos que orientam sua interação com Marta e Bianca, Leda constrói sua autopercepção através da visão que as filhas têm dela &#8211; ou mais precisamente, a que acredita que elas têm. Entre ser aterrorizada pela possibilidade de infelicidade das garotas e manifestar comportamentos destrutivos para aspectos importantes da vida das duas, </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/04/11/por-que-tantas-mulheres-repetem-na-relacao-atitudes-que-criticavam-nas-maes.htm"><span style="font-weight: 400;">a relação paradoxal entre as mães e as filhas</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra cada vez mais longe de ser um ideal. E enquanto isso, a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra cada vez mais próxima da realidade.</span></p>
<blockquote><p>“Nas conversas com as minhas filhas, ouço palavras ou expressões omitidas. Às vezes, elas ficam com raiva e dizem “mamãe, eu nunca falei isso, é você que está dizendo, você inventou isso”. Mas eu não invento nada, só escuto, <strong>o não dito fala mais que o não dito</strong>.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momento algum, porém, a escrita de Elena Ferrante coloca a sua protagonista em vestes vilanescas. É para aprofundar ainda mais </span><a href="https://glamour.globo.com/lifestyle/noticia/2022/01/a-filha-perdida-lembra-que-maes-sao-antes-de-tudo-mulheres.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a humanidade da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, aliás, que existe o gatilho da história, quando a imagem de Nina atrai o olhar de Leda. Ela já tem um histórico de encantamento por mulheres jovens manifestando felicidade e liberdade, como os devaneios do livro e algumas figurantes introduzem muito bem, mas encontrar alguém em seus </span><a href="https://www.revide.com.br/noticias/cidades/dia-das-maes-sobre-ser-mae-e-ser-jovem/"><span style="font-weight: 400;">vinte e poucos anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (aparentemente) contente com a própria maternidade é demais para aquele psicológico, que foi pego de surpresa por um ser crescendo dentro de si quando tinha 23 anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É que a autora de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i> <a href="https://valkirias.com.br/personagens-limitrofes-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">respeita demais suas personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem mesmo a jovem-segunda-protagonista está ali apenas como um alvo de projeção. Não há como fugir da perspectiva das mães da história, afinal. Então, Nina também tem espaço para revelar suas questões à medida em que se aproxima de Leda. Oscilando radicalmente entre ilustrar uma mãe ideal e exemplificar a </span><a href="https://www.analuizadefigueiredosouza.com.br/post/maternidade-compuls%C3%B3ria-defini%C3%A7%C3%A3o-e-problematiza%C3%A7%C3%B5es#:~:text=De%20modo%20mais%20simples%2C%20conforme,represente%20de%20fato%20uma%20escolha.&amp;text=A%20socializa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20%C3%A9%20fortemente%20marcada%20pelo%20maternalismo."><span style="font-weight: 400;">maternidade compulsória</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que apreende as meninas desde o momento em que elas passam a existir neste mundo -, a relação das duas segue complexa. Assim, Ferrante traz fôlego narrativo ao livro, mais como história e menos como análise social, ao mesmo tempo em que funde as duas perspectivas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/lorena-portela/a-filha-perdida-nao-funcionaria-com-um-pai-no-papel-principal-e-isso-e-um-problema-1.3180803"><i><span style="font-weight: 400;">E cadê o pai dessas crianças?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, alguém que lê um texto sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode se perguntar. Aqui está mais um estalo genial de Elena Ferrante: a completa desnecessidade de mencionarmos o homem que concebeu as garotas junto de Leda diz muito sobre o tipo de história encontrada em </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem precisar da representação de uma figura de paternidade totalmente ausente, o livro mostra que pouco importa sua ação dentro da narrativa. E num retrato fiel de quem absorve a ideia social de que é a principal responsável pelos filhos numa série de cuidados tidos como impossíveis de serem divididos, a amargura de Leda não o tem entre seus principais alvos.</span></p>
<blockquote><p>“Assim, aos vinte e poucos anos, qualquer outra brincadeira havia acabado para mim. O pai corria mundo afora, uma oportunidade atrás da outra. Não tinha nem tempo de reparar o que fora copiado do seu corpo, como havia resultado a reprodução. Mal olhava as duas meninas, mas dizia com ternura verdadeira: são iguaizinhas a você. Gianni é um homem gentil, nossas filhas gostam dele. <strong>Ele cuidou pouco ou nada delas, mas, quando foi necessário, fez tudo o que podia, agora também faz tudo o que pode.</strong>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para uma história totalmente fundamentada na densidade emocional de idas e vindas de sua protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> se organiza num ritmo regular. Trazendo ordem ao caos, os capítulos de Elena Ferrante parecem seguir um padrão muito bem disfarçado, sempre desenrolando um momento presente que logo desencadeará uma reflexão íntima na personagem que narra a história. Entretanto, </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,escrever-e-como-girar-a-faca-na-ferida-revela-elena-ferrante,70003417132"><span style="font-weight: 400;">a maestria da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> não permite conclusões precipitadas: em momento algum, essa construção se transforma num defeito do romance, já que a progressão de sua trama é tão imprevisível quanto o caminho da mente desenfreada de Leda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto às polêmicas sobre a identidade por trás de um dos nomes de maior sucesso da Literatura contemporânea, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreita as possibilidades. A facilidade com que a autora arquiteta as digressões de Leda só pode surgir de um </span><a href="https://valkirias.com.br/as-mulheres-de-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">lugar radical de identificação e análise</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é fato que a universalidade do tema faz com que a tradução do livro não seja um ponto de complicação para </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/elena-ferrante-marcello-lino/"><span style="font-weight: 400;">Marcello Lino</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é de se questionar porque a edição brasileira não apostou numa transcrição que tivesse mais proximidade com as experiências que Elena Ferrante decidiu retratar. A impressão é de que a pessoa por trás do pseudônimo tem completa ciência de que isso poderia acontecer com as suas traduções pelo mundo, porque a objetividade de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> ancora suas leituras mais profundas em representações concretas &#8211; a boneca, a pinha, o ventre, a agulha e quem sabe até a personagem que compartilha o mesmo nome da autora.</span></p>
<blockquote><p>“As línguas, para mim, têm um veneno secreto que de vez em quando aflora e para o qual não há antídoto.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso ressaltar, no entanto, que a obra não se sufoca numa narrativa monotemática, mas ainda provoca reflexões sobre o próprio processo de formação de uma família, a cultura italiana e até observações linguísticas. </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> em nada é o que parece. Muito mais do que ancorar um suspense ou melodrama, o romance, de forma quase metalinguística ao trabalho de sua autora, está em algo além: </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/28/estilo/1551353871_772692.html"><span style="font-weight: 400;">o maior trabalho que se pode ter na vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto em uma das posições mais difíceis que se pode estar dentro da sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para suceder o aclamado </span><a href="https://www.instagram.com/p/COv4EEtHyKu/?utm_medium=copy_link"><i><span style="font-weight: 400;">Dias de Abandono</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), visto por boa parte da crítica literária como o seu melhor romance, Elena Ferrante voltou o seu olhar para a complexidade deste processo, envolto em estereótipos de gênero, padrões históricos de comportamento, expectativas enormes de coisas que são muito maiores do que nós. Em seus caminhos para tal, </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> conclui uma observação: </span><a href="https://lunetas.com.br/a-filha-perdida/"><span style="font-weight: 400;">todas nós</span></a><span style="font-weight: 400;"> somos a filha perdida em algum aspecto. Menos a criação de Elena Ferrante, que é plenamente consciente de tudo isso, sabe onde está, e certamente saberá onde te encontrar.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=b7bfd9811f1441f6">https://open.spotify.com/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=b7bfd9811f1441f6</a></p>
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		<title>Mank é uma viagem problemática por Cidadão Kane</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2020 15:08:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Se propor a fazer um longa que destrincha os bastidores do que hoje é considerado o maior filme da história do cinema não é um projeto fácil. Conhecendo a filmografia de David Fincher, pode-se dizer que é o exato tipo de trabalho que ele gostaria de se aventurar e assumir &#8211; e, de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mank-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mank é uma viagem problemática por Cidadão Kane"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17308" aria-describedby="caption-attachment-17308" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank2-1024x465-1.jpg" alt="A imagem está em preto e branco. À esquerda, Amanda Seyfried segura um cigarro na mão direita. Ela veste um vestido e um casaco por cima. À direita, Gary Oldman veste um paletó. Ambos estão encostado em um poste de madeira e se encaram. " width="1024" height="465" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank2-1024x465-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank2-1024x465-1-300x136.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank2-1024x465-1-768x349.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17308" class="wp-caption-text">O diretor David Fincher nunca ganhou um Oscar por seus filmes (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se propor a fazer um longa que destrincha os </span><a href="https://www.revistabula.com/18014-a-historia-por-tras-do-melhor-filme-de-todos-os-tempos/"><span style="font-weight: 400;">bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que hoje é considerado o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/02/cidadao-kane-inventou-o-cinema-moderno-ao-ignorar-convencoes.shtml"><span style="font-weight: 400;">maior filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do cinema não é um projeto fácil. Conhecendo a filmografia de David Fincher, pode-se dizer que é o exato tipo de trabalho que ele gostaria de se aventurar e assumir &#8211; e, de fato, foi o que ele fez. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se dispõe a nos mostrar a </span><i><span style="font-weight: 400;">verdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> por trás do roteiro de </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-156680/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1941 dirigido por Orson Welles,</span> <span style="font-weight: 400;">chegou na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">no último mês do fatídico ano de 2020, para tentar, talvez, fechar com chave de ouro os 365 dias mais loucos da sétima arte.</span></p>
<p><span id="more-17307"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O personagem-título interpretado por Gary Oldman é Herman J. Mankiewicz, aclamado roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">que, pelos olhos do longa de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/11/david-fincher-fala-de-mank-seu-filme-mais-pessoal-sobre-roteirista-de-cidadao-kane.shtml"><span style="font-weight: 400;">Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;">, escreveu sozinho </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i><span style="font-weight: 400;">. A história é escrita pelo pai do cineasta, Jack Fincher, um jornalista apaixonado por cinema que faleceu em 2003. Assim surgiu </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foca no relacionamento do roteirista com as arapucas políticas que cercavam a fábrica de sonhos hollywoodiana, assim como o magnata da mídia William Randolph Hearst, inspiração para Charles Foster Kane, protagonista do filme de 41.</span></p>
<figure id="attachment_17309" aria-describedby="caption-attachment-17309" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Mank_Netflix1-1024x567-1.jpg" alt="A foto está em preto e branco. Gary Oldman está em seu centro, usando um paletó e apontando o dedo esquerdo a frente. À esquerda, há duas pessoas o encarando. Ele está em frente a uma mesa, com diversos talheres, pratos e copos em cima. Acima dele, há um lustre." width="1024" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Mank_Netflix1-1024x567-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Mank_Netflix1-1024x567-1-300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Mank_Netflix1-1024x567-1-768x425.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17309" class="wp-caption-text">Gary Oldman venceu o Oscar de Melhor Ator por sua atuação em O Destino de Uma Nação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção do personagem de Oldman nada difere de outras interpretações que vemos por aí sobre estrelas dependentes do álcool que já foram retratadas em tela &#8211; mau humor e arrogância, quedas constantes e a cena clássica do monólogo alcoolizado do protagonista. Mesmo com a fórmula já batida, o talento de Oldman consegue dar um ar carismático ainda que desconfortável para Mank, prendendo a atenção do espectador durante os (longos) 132 minutos de produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que chama atenção no longa é a figura de Orson Welles, interpretado por Tom Burke, e a aparente vilania com que ele é retratado. Welles foi um dos nomes mais influentes da </span><a href="https://falauniversidades.com.br/o-que-foi-a-era-de-ouro-de-hollywood-confira-aqui/"><span style="font-weight: 400;">Era de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cinema, no entanto, sua figura está sempre submersa em sombras, falando pelo telefone quase que secretamente e, em seu encontro com Mank, a beira de um surto de fúria em cima dos créditos do roteiro de seu filme. Inclusive, a semelhança da voz de Burke com a de Welles, extremamente marcante desde sua época de rádio, é absurda. Em alguns momentos, é impossível não questionar se não se trata de uma dublagem.</span></p>
<figure id="attachment_17310" aria-describedby="caption-attachment-17310" style="width: 1038px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17310 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank_feat.jpg" alt="A imagem está em preto e branco. Lily Collins, à esquerda, está sentada em cima de uma cama. Ela veste um vestido simples com mangas. À direita, Gary Oldman está deitado na cama usando pijamas de mangas compridas. A cama está cheia de papéis e de fundo há o ambiente de um quarto, com uma porta para um corredor. Collins e Oldman brindam, cada um com um copo em mãos." width="1038" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank_feat.jpg 1038w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank_feat-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank_feat-1024x513.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank_feat-768x385.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17310" class="wp-caption-text">Rita Alexander, interpretada por Collins, foi uma das fontes de Pauline Kael para seu artigo &#8220;Criando Kane&#8221; (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E a confusão que envolve as duas figuras centrais do filme é o que mais incomoda durante a produção de Fincher. Afinal, Orson Welles participou ou não da criação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCLOWSvgNKI&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? Bater na tecla que Mankiewicz escreveu sozinho o filme é uma ideia falsa. Apesar de acusações e diversos artigos publicados por envolvidos, a obra, que até hoje mantém sua hegemonia quando se trata de narrativa, é o que é por conta de Orson Welles e suas revisões e mudanças. A veracidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank </span></i><span style="font-weight: 400;">só pode ser afirmada se você entender o filme como o ponto de vista &#8211; e apenas o ponto de vista &#8211; do roteirista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane </span></i><span style="font-weight: 400;">é produto de ambas as mentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a sacada da construção narrativa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;"> é impressionante. O cineasta quebra a linearidade da história do mesmo jeito que o longa de 41 realizou, contando os acontecimentos através de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que divertem, mas também cortam um pouco a empolgação em certos momentos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i><span style="font-weight: 400;"> se escora na sua metalinguagem, mas visa um </span><a href="https://www.agazeta.com.br/colunas/rafael-braz/mank-filme-da-netflix-e-otimo-mas-para-um-publico-restrito-1220"><span style="font-weight: 400;">público restrito</span></a><span style="font-weight: 400;"> no meio da quantidade de referências e figuras importantes da produção cinematográfica dos anos 40, assim como suas respectivas desavenças e a forma com que o cinema pode manipular a opinião pública.</span></p>
<figure id="attachment_17311" aria-describedby="caption-attachment-17311" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17311 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-10.png" alt="A imagem está em preto e branco. Vemos uma mesa com um balde com champagne dentro. Ao redor dela, três mulheres olham para a figura de Gary Oldman, que sorri. De fundo, temos outras mesas e casais dançando. Ao redor, vemos um microfone e uma câmera de filmagem, indicando os bastidores." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-10.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-10-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-10-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-10-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17311" class="wp-caption-text">David Fincher usa recursos para retomar o passado, incluindo sons propositalmente arranhados e marcas de cigarro na projeção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os coadjuvantes contribuem bastante para que o longa não se torne maçante demais. Charles Dance, que há alguns anos dava vida ao ambicioso Tywin Lannister em </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones (2011 &#8211; 2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">, interpreta </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/12/mank-veja-a-verdade-sobre-reacao-de-magnata-a-cidadao-kane"><span style="font-weight: 400;">W.R. Hearst</span></a><span style="font-weight: 400;"> com quase a mesma frieza do patriarca Lannister. Sua companheira é a atriz </span><a href="https://claudia.abril.com.br/blog/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/marion-davies-a-mulher-no-coracao-de-cidadao-kane-e-mank/"><span style="font-weight: 400;">Marion Davies</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, através de Amanda Seyfried, é responsável pelas melhores interações com Oldman. Seyfried é sutil e graciosa, com uma Davies que, apesar da inteligência e sagacidade, é vista como ingênua pelos que a cercam &#8211; suas chances no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> são altas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apenas Seyfried tem algum tipo de destaque entre o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2020/12/04/amanda-seyfried-e-lily-collins-falam-como-foi-desaparecer-em-mank.htm"><span style="font-weight: 400;">elenco feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lily Collins e Tuppence Middleton cumprem somente tempo de tela, com aprofundamentos tão mínimos que passam completamente batidas. Collins interpreta Rita Alexander, secretária de Mank, e Middleton é responsável pela </span><i><span style="font-weight: 400;">pobre </span></i><span style="font-weight: 400;">Sarah, esposa do protagonista que poderia, no mínimo, receber um prêmio pela paciência que demonstra ao longo do filme. A tentativa em dar uma carga dramática a Rita através do arco sobre seu marido é completamente descartável, apenas reforçando a falta de interesse do diretor nas personagens.</span></p>
<figure id="attachment_17312" aria-describedby="caption-attachment-17312" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17312 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-3.jpg" alt="A imagem está em preto e branco. Charles Dance senta na parte de trás de um veículo do estúdio MGM. À frente, dois homens o acompanham, junto com uma grande câmera de filmagem." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mank-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17312" class="wp-caption-text">Charles Dance também participa de The Crown como Lorde Mountbatten (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mank </span></i><span style="font-weight: 400;">não traz nada de novo, apenas reacende a velha discussão acerca dos bastidores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i><span style="font-weight: 400;">, que recebeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro em 1942 &#8211; nem Welles nem Mankiewicz atenderam à cerimônia. Com uma fotografia em preto e branco caótica e mal usada, é decepcionante associar a figura que dirigiu </span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Se7en</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i><span style="font-weight: 400;"> a um filme tão regular feito para Hollywood se sentir prestigiada. Se o filme será lembrado ou não em grandes premiações, resta esperar. Mas, pelo menos, podemos agradecer que 2020 chegou ao fim.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vuKEg9qgDOc?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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