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	<title>Arquivos Rooney Mara &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 18:35:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Estamos cansados de saber sobre o avanço da influência artificial e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme Ela não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31646" aria-describedby="caption-attachment-31646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo da imagem existem prédios com janelas e algumas luzes acesas, está de noite. No canto direito, tem uma mulher com vestido preto e sapatilha preta, com um cone laranja de trânsito na cabeça. Em sua frente tem um homem de roupa social marrom, com calça preta e sapato preto, também está com um cone laranja de trânsito na cabeça. Ambos estão no meio de uma rua vazia." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1200x648.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31646" class="wp-caption-text">“Ás vezes eu olho para as pessoas e tento senti-las [&#8230;], imagino o quão profundamente elas se apaixonaram ou por quanto sofrimento elas passaram” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cansados de saber sobre o </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261353-ha-10-anos-her-imagivana-futuro-ia-cada-vez-real.htm"><span style="font-weight: 400;">avanço da influência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX09Kz7BAlU"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. De fato, o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/her-joaquin-phoenix-e-a-ideia-maluca-de-spike-jonze"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu vida a um romance entre humanos e máquinas, mas ao finalizar a experiência da obra, é possível notar que esse não é o seu tema principal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) nada mais é do que um retrato subjetivo da solidão, sentimento esse compartilhado por todo e qualquer ser humano.</span></p>
<p><span id="more-31641"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 10 anos de lançamento em 2023, o longa que levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original em 2014 cutuca aquela ferida dolorosa que, por algum motivo, não consegue cicatrizar: a ausência daquilo que ainda permanece. O enredo se ampara na história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um homem solitário que vive em uma Los Angeles futurista, está na casa dos 40 e lida com a tristeza ocasionada pelo seu divórcio. O emprego de Theo, por si só, também é uma sátira à sua realidade. Ele escreve cartas manuscritas para clientes que desejam enviar mensagens à pessoa amada; assim, fica claro que a sociedade desaprende a se relacionar de forma </span><a href="https://newronio.espm.br/a-nostalgia-futurista-de-her/"><span style="font-weight: 400;">espontânea</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, a solidão ganha espaço na vida do protagonista quando as suas necessidades não são mais atendidas pela quantidade e qualidade das relações sociais dentro de seu convívio.</span></p>
<figure id="attachment_31645" aria-describedby="caption-attachment-31645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo existem vários prédios com luzes acesas, está de noite. A frente está o personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos, cabelo marrom e bigode, ele veste uma blusa social vermelha e está olhando para um monitor de computador branco que ilustra uma tela vermelha operando. Essa tela é o sistema operacional, Samantha. O computador está em cima de uma mesa de escritório marrom com vários papéis bagunçados e canetas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31645" class="wp-caption-text">“É difícil, com certeza, mas existe algo tão bom em compartilhar sua vida com alguém” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver. De maneira simples, após seu divórcio, Theodore se envolve emocionalmente com um sistema operacional chamado Samantha (com a voz de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/scarlett-johansson-recebe-premio-de-melhor-atriz-por-sua-voz-em-her.html"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem a habilidade de desenvolver </span><a href="https://blog.hsm.com.br/o-que-o-filme-her-pode-nos-ensinar/"><span style="font-weight: 400;">personalidade e consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acordo com seu tempo de uso. Essa inteligência artificial também experimenta o florescimento de emoções humanas. No entanto, ela tem a capacidade de se relacionar com milhares de indivíduos simultaneamente, o que amplia suas possibilidades de se apaixonar. Quando questionada sobre a quantidade de pessoas que ela ama, Samantha menciona que está ‘amando’ 641 pessoas ao mesmo tempo, incluindo Theo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paleta de cores é um elemento visual fundamental que contribui significativamente para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnk06an1upg"><span style="font-weight: 400;">atmosfera e as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. Com a predominância de cores quentes, mas também em tons pastéis, são evocadas sensações de conforto e familiaridade em meio a um </span><a href="https://virgula.me/tvecinema/spike-jonze-mistura-romantismo-e-modernidade-em-seu-novo-filme-her/"><span style="font-weight: 400;">cenário tecnologicamente avançado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os ângulos da câmera realizados pelo diretor de fotografia  Hoyte van Hoytema também são escolhidos cuidadosamente para destacar a solidão de Theodore. Muitas vezes, ele é enquadrado no centro da tela, destacando mais ainda a dimensão de seu isolamento perante os outros personagens da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31644" aria-describedby="caption-attachment-31644" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her3.png" alt="Cena do filme Ela, em que o protagonista Theodore está olhando fixamente para frente, ele é um homem branco de cabelo marrom, bigode, olhos azuis e usa óculos redondos." width="740" height="401" /><figcaption id="caption-attachment-31644" class="wp-caption-text">A atmosfera imagética tem predominância de cores quentes, quase nunca utilizando o azul, o que garante proximidade dos sentimentos do personagem ao telespectador (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> martela um constante questionamento: o quão verdadeiramente estamos sozinhos? As pessoas deixam marcas em nós, quase como tatuagens emocionais que nunca desaparecem. Como ao fim em que Theo, em contrapartida com seu emprego de escrever mensagens de amor para desconhecidos, expressa em uma carta para sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkGJRAFvw_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Haverá um pedaço de você em mim, sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;. É quase impossível se relacionar com alguém e não carregar consigo algum </span><a href="https://bemditojor.com/a-ficcao-do-amor-em-her/"><span style="font-weight: 400;">vestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amor, alegria ou mesmo mágoa. O que arde é o processo de aceitação desses tantos resquícios permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas cicatrizes emocionais e resquícios de relacionamentos passados são representados de maneira poderosa no longa. Apesar de Theodore estar incomodado com a lembrança de um casamento fracassado, ele não consegue superar os vestígios dessa relação. O protagonista acaba tentando preencher o desconforto com distrações e gratificações momentâneas, como seu </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/10/13/joaquin-phoenix-se-apaixona-por-sistema-de-computador-no-filme-her.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamento com Samantha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que oferece um refúgio temporário para a solidão.</span></p>
<figure id="attachment_31643" aria-describedby="caption-attachment-31643" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her4.jpg" alt="Cena do filme Ela. Os personagens de Theodore e sua melhor amiga estão em um terraço de costas observando a cidade com muitos prédios com algumas luzes acesas em um fim de tarde com cores predominantes azuis." width="750" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-31643" class="wp-caption-text">É um privilégio viver tendo a experiência e a sorte de encontrar um amor verdadeiro – mesmo que ele não seja para sempre (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, não tem como fugir da realidade – ela está presente e explode constantemente na alma do personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> insiste em recordar o quão frágeis e medrosos ainda somos quando temos que lidar com as próprias emoções de maneira real: Theo se perde em prazeres efêmeros ao invés de enfrentar o doloroso processo de aceitação, e isso fica claro quando o protagonista rememora lembranças da paixão em seu casamento. Logo, ele descobre que relacionamentos superficiais não podem preencher o vazio deixado por quem já sentiu o que é o amor. E que o mesmo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FEqBwKvBtnA"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> jamais será sentido novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização, porém, não é motivo para desesperança. Ele compreende que teve a sorte de conhecer de perto o que é amar e, embora nunca possa reviver o amor que compartilhou com sua ex-parceira, ainda existe a possibilidade de encontrar outros amores em sua jornada. Amizades e novos relacionamentos também podem ser significativos de maneiras diferentes dentro da imensidão desse sentimento, e enquanto estiver nesse momento breve que é a vida, ele deve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oU3D-iybwm8"><span style="font-weight: 400;">permitir-se sentir a felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31642" aria-describedby="caption-attachment-31642" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg" alt="Cena do filme Ela. O personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos redondos, cabelo marrom e bigode está olhando para seu reflexo na janela do metrô que tem predominância de tons claros com um leve sorriso." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-1024x556.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-768x417.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5.jpg 1172w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31642" class="wp-caption-text">“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo após uma década de seu lançamento, mantém uma relevância notável por ressoar profundamente com os sentimentos mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-ela-162476/"><span style="font-weight: 400;">intrínsecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida humana. A obra é um lembrete atemporal de que, apesar de todas as mudanças externas em nosso mundo, as questões essenciais da vida e da humanidade ainda são muito pertinentes para a compreensão da racionalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme captura de forma sensível a busca universal pela conexão e pelo significado nas relações humanas e nos relembra que, apesar dos avanços tecnológicos, nossa necessidade de amar, compreender e pertencer permanece inalterada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i><span style="font-weight: 400;"> instiga uma reflexão sobre o que realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v5IjF_vxsS8"><span style="font-weight: 400;">significa ser humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como as complexas emoções, desafios e alegrias que experimentamos nas relações ainda são tão relevantes hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra transcende as expectativas convencionais sobre a relação entre humanos e tecnologia, afinal, estamos todos familiarizados com a crescente influência da inteligência artificial em nossas vidas diárias. Contudo, </span><a href="https://pordentrodatela.com.br/o-diversificado-cinema-de-spike-jonze/"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conduz a uma jornada emocional profunda que vai muito além do mero avanço tecnológico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0uKfhchqKvI"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas próprias solidões e anseios, um retrato sincero do humanismo que reside em todos nós. No desfecho do filme, a pergunta fundamental de Jonze não parece mais ser se as máquinas podem um dia amar, mas sim se elas poderão ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VAuXLu0gRwg"><span style="font-weight: 400;">mais capazes </span></a><span style="font-weight: 400;">de amar do que um ser humano.</span></p>
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		<title>Entre Mulheres, ninguém nunca está só</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 20:57:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-mulheres-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Mulheres, ninguém nunca está só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30082" aria-describedby="caption-attachment-30082" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30082" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Na imagem, vemos oito mulheres de idades distintas dentro de um celeiro. Quatro delas estão de pé e quatro estão sentadas. Dessas, três estão sentadas em feno e uma delas está sentada no chão. Todas elas vestem vestidos do mesmo estilo: mangas três-quartos ou compridas, em cores escuras e floridos, com exceção de duas idosas, que vestem vestidos de manga comprida preto sem nenhuma estampa. Todas elas estão com os cabelos trançados e algumas usam um lenço preto, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos" width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30082" class="wp-caption-text">Entre Mulheres teve sua estreia no <a href="https://www.telluridefilmfestival.org/">Festival de Cinema de Telluride</a> no dia 2 de Setembro de 2022 e chegou aos cinemas brasileiros exatos seis meses depois (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; se for menina, uma vítima. Certa noite, um rosto. Enfim, custódia! Todos eles saíram da colônia para ajudar com a fiança (é claro que eles saíram). Isso significou 48 horas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pD0mFhMqDCE"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Três famílias debateram o futuro de todas as outras. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não fazer nada. Ficar e lutar. Ou ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Permanecer na comunidade que as violou? Ou se afastar de tudo o que conhecem, principalmente do Deus em quem ainda depositam sua fé? Ao mesmo tempo, tudo e nada a perder.</span></p>
<p><span id="more-30079"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imaginar um cenário assim é angustiante, ainda mais sendo mulher. Lamentavelmente, a narrativa que sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Women Talking </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) não é fruto completo da imaginação. Entre os anos de 2005 e 2009, mulheres eram drogadas e abusadas sexualmente durante a noite em uma colônia menonita na </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/vv4b99/os-estupros-fantasma-da-bolivia"><span style="font-weight: 400;">Bolívia</span></a><span style="font-weight: 400;">, independentemente da idade. Miriam Toews, que cresceu em uma dessas comunidades em Manitoba, escreveu um livro que não reconta esse caso, mas passa a ser uma resposta idealizada a ele, uma em que as vítimas realmente possuem a oportunidade de lutar. Com um intelecto feroz, uma força imensa e um senso visionário de como refazer o mundo sob o olhar feminino, </span><a href="https://www.indiewire.com/2023/02/sarah-polley-women-talking-interview-oscars-1234811960/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Polley</span></a><span style="font-weight: 400;"> o adapta para a Sétima Arte e o coloca na disputa pela estatueta dourada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o único dirigido por uma mulher nessa categoria do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30080" aria-describedby="caption-attachment-30080" style="width: 2250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Claire Foy, que interpreta Salome, é uma mulher branca com cabelos castanhos. Ela veste um vestido com manga três-quartos marrom escuro com flores rosa-claro espalhadas e um lenço preto nos cabelos, de modo a aparecer a parte da frente deles. Ela olha para frente com o olhar duro. Em seu colo, dorme Emily Mitchell, que interpreta Miep, filha de Salome. Ela é uma criança branca com cabelos loiros trançados e veste um vestido marrom claro com flores pretas. Ao seu lado está Rooney Mara, que interpreta Ona, irmã de Salome. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros trançados e presos por uma rede para cabelo na cor preta. Ela veste um vestido de manga comprida verde escuro e olha para o lado direito, em direção à sua irmã, apoiando o rosto em sua mão." width="2250" height="1501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg 2250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30080" class="wp-caption-text">O longa foi muito bem aclamado pela crítica, com destaque para as atuações, a direção e a trilha sonora (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filmes são meios visuais e aqueles que possuem muitos diálogos geralmente são considerados como não cinematográficos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> foge dessa premissa. A confiança da diretora no material e em seus atores permite que as performances floresçam, e as interpretações impulsionam a história juntamente com a barragem das palavras. Essa é uma obra que faz exatamente o que precisa sem se complicar demais e que permanece integralmente fiel à sua premissa, evitando reviravoltas e subversões que poderiam apenas desvalorizá-la. Pessoas conversando umas com as outras pode ser uma experiência cinematográfica se a interação for boa e a atuação for do interesse do telespectador – Ethan Hawke e Julie Delpy na trilogia </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-do-amanhecer-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Before</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são prova viva disso, e o grupo que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> também.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carol </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de interpretar uma mulher com um coração bom demais para ser verdade da maneira mais coerente possível, enquanto Jessie Buckley (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> se afasta controladamente da rispidez defensiva de sua personagem com tal precisão que é possível sentir o exato segundo em que ela realmente reconhece o peso de tudo. Claire Foy (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o papel mais vivo e, consequentemente, carrega os momentos mais emocionantes. A atriz é uma das presenças mais poderosas do filme, e a fúria de sua personagem é incandescente. O nível de atuação dessas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UkUYRjqfDKw"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz um grau incrível de imensidão em cada </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, e permite que longas cenas de diálogo se desdobrem com a excitação e a destreza de um filme de ação.</span></p>
<figure id="attachment_30081" aria-describedby="caption-attachment-30081" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Jessie Buckley, que interpreta Mariche, é uma mulher branca com cabelos castanhos escuros. Ela veste um vestido verde escuro e usa um lenço preto na cabeça, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos. Ela olha para o lado direito com a boca entreaberta e com as sobrancelhas levemente franzidas. Ao fundo, desfocada, vemos Judith Ivey, que interpreta Agata." width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30081" class="wp-caption-text">Em conversa com o <a href="https://deadline.com/2022/11/women-talking-jessie-buckley-interview-1235178872/">Deadline</a>, Jessie Buckley afirma que o longa ressoou por ser, mais que uma experiência feminina, uma experiência mundana (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concorrendo com filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já era de se esperar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> estivesse longe de ser o favorito ao prêmio de Melhor Filme. Entretanto, não é à toa que o longa se juntou à disputa. A grosso modo, pode-se dizer que uma obra indicada à categoria mais importante da premiação é reconhecida pela excelência de seu conjunto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> atende isso sem esforços. Com os mesmos produtores de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e com uma trilha sonora criada por Hildur Guðnadóttir, a direção de Sarah Polley possui todos os ingredientes que agradam o paladar da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as chances de sucesso do longa na categoria mais esperada da noite são baixas, o contrário acontece quando se trata de sua segunda indicação: </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-adaptado/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto mais forte do filme é o seu roteiro, e Sarah Polley teve uma incrível capacidade de dar espaço para que suas personagens se expressem mais profundamente do que se vê em produções hollywoodianas, de modo a tratar questões complexas do universo feminino de maneira contundente e, ainda assim, com delicadeza e respeito. Grandes produções têm chances de saírem vitoriosas nessa categoria, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui tanta sutileza quanto o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30083" aria-describedby="caption-attachment-30083" style="width: 2025px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Judith Ivey, que interpreta Agata, é uma mulher idosa branca com cabelos grisalhos. Ela veste um vestido longo de manga comprida preto e um lenço nos cabelos da mesma cor, que deixa a parte da frente de seus cabelos visível. Ela está inclinada de lado com seu braço esquerdo ao redor dos ombros de Claire Foy, que interpreta Salome, sua filha, consolando-a. Ela está sentada e é uma mulher branca com cabelos castanhos e veste um vestido com manga três-quartos cinza com flores lilás espalhadas e um lenço preto nos cabelos, posto da mesma forma que o da mãe. A mão direita de Agata está segurando uma das mãos de Salome. Ambas estão dentro de um celeiro. É possível ver alguns fenos empilhados ao fundo do lado direito e uma grande janela do lado esquerdo, mostrando que é fim de tarde." width="2025" height="1351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg 2025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30083" class="wp-caption-text">Entre Mulheres venceu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado no Critics Choice Awards, mesma categoria em que concorre no Oscar (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que pareça que a trama é desenrolada em outro século, uma cena específica deixa claro que a história se passa em 2010 e as pautas trazidas pelas mulheres deixa mais claro ainda o quão atemporal elas são. As discussões envolvem a moralidade da violência, a natureza do verdadeiro perdão, a questão da masculinidade, o medo do desconhecido e o ódio ao familiar. Cada pergunta atada se desdobra em outra, e as conclusões a que chegam são de fundamental importância. É o próprio pensamento que as liberta e abre o caminho para o que o texto de abertura do filme descreve como “</span><a href="https://lithub.com/in-women-talking-acts-of-imagination-are-acts-of-resistance/"><i><span style="font-weight: 400;">um ato de imaginação feminina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sensível e maduro, </span><a href="https://www.womentalkingmovie.ca/home/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma história dramaticamente impactante de mulheres que se unem em corpo e alma por sua liberdade e proteção. Todos os elementos que a compõem criam uma sensação de desolação e isolamento; no entanto, trata-se mais sobre a cura do que sobre a dor que grita por uma mudança, e só uma direção feita sob o olhar feminino poderia entregar isso. Sarah Polley deposita todo o seu talento no longa e retrata com primor o que todas sabem: só uma mulher é capaz de oferecer refúgio para outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="WOMEN TALKING | Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pD0mFhMqDCE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 16:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Guillermo del Toro sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26631" aria-describedby="caption-attachment-26631" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Centralizado e ao fundo da imagem está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um terno marrom batido com um chapéu da mesma cor. Ele está dentro de um tubo que possui um padrão em espiral vermelho e branco. Ao redor do cano e nos cantos da imagem há uma parede forrada de olhos abertos com íris azuis claras." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26631" class="wp-caption-text">Com 4 indicações ao Oscar 2022, o novo filme de Guillermo del Toro é fascinante (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/guillermo-del-toro-6-filmes-iconicos-do-diretor-o-labirinto-do-fauno-forma-da-agua-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um convite para uma vida fantástica. No entanto, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6mifhKKpHTI"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua nova empreitada, del Toro prende as </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/a-mudanca-notavel-dos-monstros-de-guillermo-del-toro-em-beco-do-pesadelo/"><span style="font-weight: 400;">criaturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no baú, fecha o livro de histórias mágicas e assume uma roupagem realista à sua maneira para provar, mais uma vez, que o ser humano é bem mais perigoso que o pior dos monstros.</span></p>
<p><span id="more-26630"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no romance de mesmo nome escrito por </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/02/11/miseria-humana-move-livro-que-inspirou-o-beco-do-pesadelo-concorrente-ao-oscar-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">William Lindsay Gresham</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1946 e inspirado pelo filme subsequente de Edmund Goulding lançado em 1947 – que, apesar de estampar o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/o-beco-do-pesadelo-scorsese-elogia-filme-de-guillermo-del-toro-merece-nosso-apoio/"><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">original, ganhou o título de </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/nightmare-alley-2021-vs-nightmare-alley-1947-what-are-differences/"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Brasil –, o longa repaginado do diretor mexicano é uma viagem suja e moralmente degradante pelos Estados Unidos dos anos 30. Com uma mistura heterogênea de personagens desesperados, quem encabeça a trama é Stanton Carlisle, um andarilho contido e misterioso que é acolhido por um circo itinerante e passa a se envolver com os segredos de seus artistas.</span></p>
<figure id="attachment_26632" aria-describedby="caption-attachment-26632" style="width: 2150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Á esquerda, está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um paletó listrado e está de frente para Rooney Mara, uma mulher branca, magra, jovem, de cabelos médios e pretos, que usa um robe preto com detalhes vermelhos e touca de renda dourada, enquanto está sentada e olhando para um livro. Eles estão em um espaço aberto, de frente para um trailer envelhecido e enferrujado com lâmpadas nas laterais. Está de dia. " width="2150" height="1191" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg 2150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1536x851.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-2048x1134.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1200x665.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26632" class="wp-caption-text">A todo momento, O Beco do Pesadelo referencia Enoch, o feto de um olho só que assombra o espírito de Stan (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos primeiros momentos do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> Carlisle é envolto em um silêncio ameaçador, logo passa a exalar um charme determinado a conquistar mais – mais dinheiro, mais amor, mais fama. Quem garante forma ao protagonista é </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/licorice-pizza-bradley-cooper-quase-desistiu-de-atuar-antes-de-participar-de-filme-entenda/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de acumular atuações sem muito tempero na carreira, entrega uma alma intensamente perturbada ao </span><a href="https://revistacultnet.com.br/2020/12/18/o-genero-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-live-action-do-pinoquio-da-disney-astro-de-stranger-things-diretor-de-hellboy-e-mais/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">, assumindo o fardo que uma vez pertenceu a Tyrone Power. Com uma </span><i><span style="font-weight: 400;">persona</span></i><span style="font-weight: 400;"> para cada fase de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/01/bradley-cooper-revela-que-cogitou-se-aposentar-da-atuacao-durante-a-pandemia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende o que o trabalho exige e se adequa a uma narrativa própria de ascensão e queda, corrompido pela ganância e rumando assumidamente a sua derrocada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Stan encontra seu bilhete premiado rumo ao estrelato em meio às lonas brancas e vermelhas encardidas, nós encontramos o melhor que o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/o-beco-do-pesadelo-tem-elenco-rico-e-del-toro-de-volta-a-boa-forma.shtml"><span style="font-weight: 400;">comboio de coadjuvantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a oferecer. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/14/i-dont-think-we-should-talk-about-me-a-visit-to-david-strathairns-own-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">David Strathairn</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/rooney-mara-e-escolhida-para-viver-audrey-hepburn-em-filme-biografico-conheca/"><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/ron-perlman-diz-que-enche-o-saco-de-guillermo-del-toro-para-fazer-hellboy-3/"><span style="font-weight: 400;">Ron Perlman</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de longa data do diretor, del Toro extrai uma profusão de talento para contar a sua história – seja por meio da inocência juvenil de Mara ou da crueldade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p-JvL9wBzAQ"><span style="font-weight: 400;">Dafoe e seu “selvagem”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo ultrapassando as duas horas de duração, o resultado final é hipnótico, como se o espectador fosse apenas uma parte da plateia de aflitos de Madame Zeena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao migrar para a segunda metade do longa, Cooper se mantém firme como dono da narrativa, mas Rooney Mara tem dificuldades para ficar de pé em meio ao mar agitado de Chicago e seus novos personagens. Apagada, a atriz e sua Molly dividem o peso fantasmagórico da indiferença não só do marido, como também do roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-fD3nwdHikQ"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro e Kim Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falha em dar uma personalidade minimamente chamativa para a mulher-elétrica. Como consequência, a garota é devorada pela trama niilista, rendendo poucos bons momentos e ficando ainda mais ofuscada com a chegada felina de </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema/cate-blanchett-revela-que-escuridao-atraiu-para-o-beco-do-pesadelo-de-guillermo-del-toro.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26633" aria-describedby="caption-attachment-26633" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. À direita da foto vemos Cate Blanchett de costas da cintura para cima. Ela é uma mulher branca, mais velha, magra, de cabelos médios e encaracolados e bem loiros, que usa um batom vermelho vibrante. À sua esquerda vemos dois espelhos mostrando feições preocupadas olhando de volta para a atriz. O cenário é um banheiro escuro com pouca iluminação do lado direito da foto." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26633" class="wp-caption-text">Assim como Cate Blanchett, Mary Steenburgen também possui uma participação explosiva no thriller, porém de poucos minutos (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando a psiquiatra Lilith Ritter, a atriz veterana carrega nas mãos a perdição do ato final no melhor estilo </span><a href="https://www.planocritico.com/plano-historico-23-femme-fatale-um-arquetipo-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que embalou o gênero dos anos 40. Sempre acompanhada de um facho certeiro de luz, Ritter auxilia na manipulação mediúnica de Carlisle, mas mantém seu jogo por debaixo dos panos durante toda a produção, estrelando seu próprio enredo secreto sem que nos demos conta. Blanchett, por si só, é um fenômeno à parte; a câmera a segue como uma amante reprimida, sempre receosa de se aproximar demais, mas nunca tirando o olho </span><a href="https://dmtalkies.com/nightmare-alley-ending-explained-2021-film-guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">ciclópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada movimento que sua doutora performa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A elegância da personagem faz jus ao ritmo da Era de Ouro da vida de Stan, momentos antes da dupla de roteiristas adentrar na conclusão sombria de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2022/03/esta-na-netflix-onde-assistir-o-beco-do-pesadelo-indicado-a-4-oscars"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto o longa de 1947, empastelado pelo </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-verdade-que-existia-censura-em-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">, precisou se conter na violência e transmitir uma mensagem esperançosa antes dos créditos subirem, a regravação do diretor mexicano deixa claro que os tempos de censura há muito acabaram. Com a sublime participação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Richard Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o último ato do Grande Staton é banhado a sangue, ganância e corrupção. Já que, em seu 11º filme, Guillermo del Toro não pôde inserir demônios diretamente nas telas, ele deu um jeito de encontrá-los na alma atormentada de um médium picareta.</span></p>
<figure id="attachment_26634" aria-describedby="caption-attachment-26634" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Na foto vemos Mark Povinelli centralizado à esquerda, um homem anão com cabelo preto em topete e um bigode grosso. Ao seu lado direito está Ron Perlman, um homem alto, mais gordo, com cabelos brancos e barba rala. Ambos estão olhando para o lado esquerdo com feições bravas e usam roupas de gladiadores. Eles estão dentro de um ringue que, por sua vez, está dentro de um circo cheio de cartazes e lonas coloridas." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26634" class="wp-caption-text">Será que, nesse caso, podemos falar do Bruno? A dupla Ron Perlman e Mark Povinelli esbanja carisma em cena (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pela inventividade artística de seu criador e da equipe de renome por trás das câmeras, não foi surpresa alguma se deparar com o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley </span></i><span style="font-weight: 400;">citado quatro vezes na lista de indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Olhando pela lente da Academia, o maior trunfo da produção está concentrado nas categorias técnicas, especialmente pelas mãos talentosas de </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2022-01-26/production-designer-tamara-deverell-creates-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell e Shane Vieau</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsáveis por agarrar com unhas e dentes a nomeação em Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção. Claro que não poderia ser diferente, já que é difícil desviar a atenção do deslumbramento colossal que o </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> criado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">e o decorador causa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Funcional e hipnotizante, o </span><i><span style="font-weight: 400;">habitat</span></i><span style="font-weight: 400;"> das criaturas assombradas por vícios, sonhos e pela Grande Depressão é </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/609974/duna-beco-do-pesadelo-e-007-sem-tempo-para-morrer-sao-os-destaques-do-adg-awards-2022-premio-da-direcao-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">o cenário perfeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar início a decadente trama visual que del Toro planejava contar </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/02/guillermo-del-toro-diz-que-fugiu-dos-cliches-noir-em-o-beco-do-pesadelo.shtml"><span style="font-weight: 400;">há mais de trinta anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em complemento, o jogo entre penumbras primorosas e cores vibrantes idealizado por </span><a href="https://aframe.oscars.org/lists/dan-laustsen-six-movies-that-influenced-my-cinematography"><span style="font-weight: 400;">Dan Laustsen</span></a><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença na categoria de Melhor Fotografia. O circo de Deverell e Vieau é parceiro direto da cinematografia de Laustsen na criação da atmosfera suja de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, mesmo quando Stan e Molly passam a frequentar a alta sociedade americana, repleta de luxos e ostentações, a </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/guillermo-del-toro-cinematographer-dan-laustsen/"><span style="font-weight: 400;">força das sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rodeiam seus números é um lembrete constante da fragilidade daquela realidade.</span></p>
<figure id="attachment_26635" aria-describedby="caption-attachment-26635" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26635" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é um bastidor do filme O Beco do Pesadelo. Na imagem vemos três homens sentados conversando entre si com jaquetas e blusas todas de cor preta. À esquerda está Richard Jenkins, um homem branco, velho, de peruca, com cabelos brancos e barba cheia branca. Centralizado está Guillermo del Toro, um homem gordo, branco, com barba cheia, óculos e touca. Por fim, à direita está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26635" class="wp-caption-text">Em seu clímax, del Toro deixa pequenas referências visuais para os amantes do incompreendido A Colina Escarlate, longa de 2015 (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também foi lembrado em Melhor Figurino, estampando o nome e o trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.slashfilm.com/720964/how-nightmare-alley-costume-designer-luis-sequeira-brought-vintage-fashion-back-to-life-interview/"><span style="font-weight: 400;">Luis Sequeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os indicados. Construindo sua estética lado a lado com a iluminação e o tom de cada cenário, Sequeira buscou representar com fidelidade os dois períodos de tempo diferentes da história, mas sem perder uma base moderna. Por fim, a obra garantiu a grande honraria de participar da seleta lista dos que concorrem a Melhor Filme. Dessa vez, o trio de produtores que pode subir ao palco da maior celebração do Cinema mundial é composto por Bradley Cooper, J. Miles Dale e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43247105"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – os dois últimos tendo recebido a estatueta principal pouco mais de quatro anos atrás, pelo realismo fantástico de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/05/cultura/1520290484_267038.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando histórias de amor épicas e submundos sobrenaturais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra na degeneração humana o lugar-comum entre todos os seus caminhos, onde cada personagem funciona como um paciente terminal; sem salvação, condenado. Ao se enveredar pela reinvenção de uma trama antiga, </span><a href="https://www.rollingstone.com/movies/movie-features/guillermo-del-toro-nightmare-alley-interview-1265229/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mantém fiel às suas próprias perversões, construindo um universo visualmente rico e espiritualmente pútrido para abarcar seus artistas circenses desesperançosos. E para nós, respeitável público, não há escolha senão aproveitar o espetáculo. Afinal, senhor, nascemos para isso.</span></p>
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