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	<title>Arquivos Replay &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Replay de Acabou Chorare e o legado dos Novos Baianos</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2020 14:55:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Ferreira “Acho que você nasce no Brasil, você tem que ouvir Acabou Chorare”. É com essa frase certeira e carregada de brilho no olho que Letrux abre o décimo vídeo da série Replay, traduzindo em pouquíssimas palavras a grandiosidade do álbum que é, até hoje, considerado pela revista Rolling Stones como o maior disco &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/replay-acabou-chorare-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Replay de Acabou Chorare e o legado dos Novos Baianos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17403" aria-describedby="caption-attachment-17403" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-17403" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/capa-replay-imagem1.jpg" alt="Capa do disco Replay Acabou Chorare. Na esquerda, há um fundo alaranjado claro, com diversos copos, talheres, uma chaleira com tampa, um livro verde, um coador de café, um prato branco e pacote de papel, com açúcar. Na direita, o fundo é branco, com letras grandes onde é possível ler o nome do álbum." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/capa-replay-imagem1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/capa-replay-imagem1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/capa-replay-imagem1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/capa-replay-imagem1-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17403" class="wp-caption-text">Capa do Replay &#8211; Acabou Chorare (Foto: Carolina Vianna e Polar)</figcaption></figure>
<p><b>Marina Ferreira</b></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/tv/CIb4Jnxnv2C/"><i><span style="font-weight: 400;">“Acho que você nasce no Brasil, você tem que ouvir Acabou Chorare”</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> É com essa frase certeira e carregada de brilho no olho que Letrux abre o décimo vídeo da série</span><i><span style="font-weight: 400;"> Replay</span></i><span style="font-weight: 400;">, traduzindo em pouquíssimas palavras a grandiosidade do álbum que é, até hoje, considerado pela revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/acabou-chorare-dos-novos-baianos-o-maior-disco-brasileiro-de-todos-os-tempos/"><span style="font-weight: 400;">o maior disco brasileiro de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um título dessa importância, é natural que </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;">, o clássico dos Novos Baianos de 1972, seja também um dos maiores influenciadores daqueles que trazem consigo a missão de manter viva a MPB, ou como recentemente intitulada, Nova MPB.</span></p>
<p><span id="more-17402"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente em nome dessa missão, e de mãos dadas com esses representantes da nova geração de artistas brasileiros, que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Som Livre</span></i><span style="font-weight: 400;"> em parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry Company</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidiu que seria uma boa hora para reviver o clássico e dar novas vozes a canções atemporais. Canções essas que atravessaram gerações e deixaram sua marca na memória brasileira, afinal, quem nunca se pegou cantarolando </span><i><span style="font-weight: 400;">Preta Pretinha</span></i><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<figure id="attachment_17404" aria-describedby="caption-attachment-17404" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17404" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem2.jpg" alt="Há um fundo vermelho, com uma tela em meia lua, com uma projeção de uma foto com diversas pessoas. Na frente, três pessoas sentadas em cadeiras. Na esquerda, Paulinho Boca de Cantor. É branco, e veste uma roupa preta e chapéu. Tem barba e cabelo médio. No meio, Baby do Brasil. É branca e veste uma roupa preta, botas compridas e coloridas e um chapéu rosa na cabeça. Seus cabelos são roxos e compridos. Na direita, está Pepeu Gomes. É branco e veste uma roupa preta e chapéu. Seus cabelos são pretos e escuros. No topo da imagem há uma letreiro luminoso escrito: Replay Acabou Chorare - Novos Baianos. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem2-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17404" class="wp-caption-text">Os Novos Baianos em entrevista para o projeto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua riqueza sonora e coragem de explorar novos caminhos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser interpretado não somente da forma como foi gravado, mas também imaginado a partir de todos os caminhos que poderiam ser seguidos em cada faixa. E isso permitiu ao diretor José Francisco Tapajós, responsável pelo projeto, a ousadia em escolher os artistas que levariam em frente esse legado, passeando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, samba e até mesmo a percussão </span><i><span style="font-weight: 400;">afro-beat</span></i><span style="font-weight: 400;">. Graças a essa mistura, o resultado entregue foi nada menos que um clássico parte dois, um </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a geração que vem por aí. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa de abertura,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CoxdzH5F_iA"><i><span style="font-weight: 400;">Brasil Pandeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi entregue à banda Francisco El Hombre, conhecida por suas </span><a href="https://grupoquinquilharia.com.br/site/francisco-el-hombre-e-seu-album-de-estreia-soltasbruxa/"><span style="font-weight: 400;">misturas de ritmos</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre os tipicamente brasileiros, as guitarras do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock n’ roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as sonoridades mexicanas trazidas pelos irmãos Sebástian e Mateo Piracés Ugarte. A música, um samba composto nos anos 40 para exaltar o povo brasileiro na voz de Carmen Miranda e posteriormente gravada pelos baianos, ganha novas cores e ritmos nas vozes de Juliana Strassacapa e os irmãos Ugarte, e na guitarra excelente de Andrei Martinez Kozyreff. O quarteto brincou com os timbres e os tempos de letra e melodia, levou sua sonoridade característica e transformou </span><i><span style="font-weight: 400;">Brasil Pandeiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma canção ainda mais viva, capaz de animar uma pista de dança sem nenhuma dificuldade, imprimindo a qualidade já vista em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/incendiaria-e-combativa-francisco-el-hombre-joga-gasolina-na-monotonia-com-novo-disco-rasgacabeza/"><span style="font-weight: 400;">seus trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_17405" aria-describedby="caption-attachment-17405" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3.jpg" alt="Há um fundo nas cores violeta e laranja. A frente, 4 pessoas vestindo branco. Na esquerda, Mateo Ugartes segurando um violão marrom. É branco, tem os cabelos curtos e castanhos. Está parado em frente a um microfone com pedestal. Ao seu lado direito está Andrei Martinez. É branco, tem cabelos compridos e loiros. Ele segura uma guitarra branca. Há ao seu lado uma bateria preta e prateada. Sebástian Ugartes está atrás da bateria, segurando duas baquetas. É branco, tem o cabelo curto e rosa. A sua frente está Juliana Strassacapa. É branca, tem o cabelo curto e castanho. Está segurando um pandeiro e cantando em frente a um microfone com pedestal. No topo da imagem há uma letreiro luminoso escrito: Replay Acabou Chorare - Francisco El Hombre." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17405" class="wp-caption-text">Francisco El Hombre na gravação de Brasil Pandeiro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E quem poderia imaginar </span><i><span style="font-weight: 400;">Preta Pretinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;">? Pois José Francisco Tapajós imaginou e tomou uma decisão acertadíssima ao trazer a banda mineira </span><a href="https://www.instagram.com/tv/CGL1OtoFia5/"><span style="font-weight: 400;">Onze:20</span></a><span style="font-weight: 400;"> pra regravar aquela que é talvez a canção mais conhecida do </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na voz um tanto rouca de Vitin, o vocalista do grupo, a guitarra afinada de Chris Baumgratz e sem perder o ritmo característico do gênero, a canção mantém sua essência. É possível distinguir ali todos os traços de Onze:20 e dos Novos Baianos, uma mistura nada impossível, que brinca novamente com sonoridades que muito bem poderiam terem sido escolhidas pelos baianos no </span><a href="http://www.culturaecoisaetal.com.br/2018/07/novos-baianos-viveram-paz-e-amor-no.html"><span style="font-weight: 400;">Cantinho do Vovô</span></a><span style="font-weight: 400;"> e abre a possibilidade para imaginar outros clássicos traduzidos para o ritmo. Como seria </span><a href="https://open.spotify.com/track/0Dmnb3C3GaGdyjlyWaWLDr?si=4NHBQ7BfQa-_E2WjOXqBhA"><i><span style="font-weight: 400;">Panis Et Circenses</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;">? Talvez um dia tenhamos uma resposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira faixa do álbum é </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinindo Trincando</span></i><span style="font-weight: 400;">, a psicodelia aflorada dos baianos e ninguém melhor que </span><a href="https://personaunesp.com.br/apka-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Céu</span></a><span style="font-weight: 400;"> para repaginar a canção. A cantora, que ano passado foi considerada a </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/disco-confirma-ceu-como-a-cantora-mais-influente-de-sua-geracao/"><span style="font-weight: 400;">mais influente de sua geração</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebe de diversas fontes para o </span><i><span style="font-weight: 400;">update</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo sintetizadores e batidas da música afro eletrônica, com inspirações nos anos oitenta e destaca a voz da cantora, tão marcante quanto a de Baby do Brasil, </span><a href="https://www.instagram.com/tv/CGlgDuSHMWt/"><span style="font-weight: 400;">uma das referências para Céu</span></a><span style="font-weight: 400;">. Novamente, é possível encontrar os pontos da personalidade do artista convidado e as claras referências à versão original, cumprindo assim um dos maiores desafios das regravações: o respeito com o clássico e a criação do novo. </span></p>
<figure id="attachment_17406" aria-describedby="caption-attachment-17406" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-4.jpg" alt=" Há um fundo amarelo. No primeiro plano, está Céu, uma mulher branca, de cabelos curtos e escuros. Está vestindo uma blusa azul, com uma listra verde e uma amarela. Tem um headphone nos ouvidos e a sua frente está um microfone de gravação profissional. Ela está com os olhos fechados e mordendo os lábios. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-4.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17406" class="wp-caption-text">Céu na gravação de Tinindo Trincando (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Essa magia que envolve os Novos Baianos representa um Brasil”.  </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Swing de Campo Grande</span></i><span style="font-weight: 400;">, ninguém melhor que os novos e populares </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/filho-e-netos-de-gilberto-gil-como-gilsons-se-tornou-acalanto-em-tempos-de-crise-politica-e-de-saude/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilsons</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para reler e reinterpretar a canção alegre e dançante. O trio formado por José, João e  Francisco Gil, respectivamente filho e netos de Gilberto Gil, traz sua identidade para a música, levando o Campo Grande diretamente para a beira do mar num fim de tarde de música e sol. Com suas vozes suaves e instrumentos de sopro e percussão, saímos do Cantinho do Vovô em Jacarepaguá e pegamos a estrada em direção à Salvador, imaginando o que teria sido da canção caso tivesse surgido em clima praiano. Em mais uma das muitas escolhas acertadas </span><i><span style="font-weight: 400;">Replay</span></i><span style="font-weight: 400;">, Gilsons reafirma qualidade, tanto no vocal quanto instrumental, e imprime sua personalidade em uma das melhores versões do disco.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69191/acabou-chorare"><i><span style="font-weight: 400;">Acabou chorare</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi o que Bebel Gilberto disse para seus pais, João Gilberto e Miúcha, ao cair e começar a chorar. Misturando o português e o espanhol, resultado de ter sido educada nas duas línguas, a criança surpreendeu os dois adultos e serviu de inspiração para Luiz Galvão e Moraes Moreira nomearem o álbum e escreverem a música, tão suavemente cantada em sua versão original e lindamente regravada por Maria Gadú, que manteve a delicadeza da canção ao mesmo tempo em que ousou em batidas mais fortes. Seu fiel violão aparece na companhia de um baixo e guitarra, sendo acompanhamentos perfeitos para a voz um tanto chorosa de Gadú, </span><a href="https://www.instagram.com/tv/CHB2FkNHJS5/"><span style="font-weight: 400;">emocionada pela morte recente de Moraes Moreira</span></a><span style="font-weight: 400;">. A forma como a faixa foi reinterpretada é o encerramento perfeito para o lado A do disco, que mesmo em sua versão digital não deve ser ouvido como uma coisa só, e abre caminho para o lado B, tão surpreendente quanto seu antecessor. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Replay Acabou Chorare - Maria Gadú - Acabou Chorare (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w9ZmoQbsa9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Encarando de frente o desafio de abrir o lado B do disco, a sanfona de Marcelo Jeneci e a maior transição de sonoridades do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Replay</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUBxXyRyCCY"><i><span style="font-weight: 400;">Mistério do Planeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, muito bem conduzida em sua versão adaptada ao mundo pandêmico e cada vez mais misterioso. Com elementos referentes ao </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, sobreposições de vozes e efeitos alusivos à viagem planetária da canção, Jeneci traduz os diversos sentimentos da letra para a melodia e desperta uma curiosidade em imaginar Paulinho Boca de Cantor interpretando a versão ousada de sua canção mais marcante do disco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar em ousadia, que parece ser a palavra mais usada para definir o </span><i><span style="font-weight: 400;">Replay</span></i><span style="font-weight: 400;">, somos guiados para a sétima faixa do álbum e que surpresa é ouvir sons eletrônicos e a voz suave de Xênia França conduzindo uma versão mais lenta de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Dança</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico que nos acostumamos a ouvir na vozes de Baby e Marisa Monte. A surpresa logo abre espaço para a felicidade e nos três minutos e dezoito segundos de duração, Xênia nos envolve em seu ritmo e encanta com seu sotaque que parece saborear a letra, reafirmando que existe mais de um jeito certo para interpretar a canção. </span></p>
<figure id="attachment_17407" aria-describedby="caption-attachment-17407" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-5-2.jpg" alt="Há um fundo lilás, com brilhos prateados. Na direita, uma homem negro, tocando teclado. Usa uma blusa branca com vermelho. No meio está Xênia França, uma mulher negra, de cabelos compridos. Ela está usando um macacão salmão, com botões pretos. Está cantando em frente a um microfone com pedestal e sua mão direita está sobre o microfone. No seu lado esquerdo está um notebook branco aberto sobre uma mesa pequena. Ao fundo está outro homem negro, vestindo uma blusa azul. Ele está tocando uma bateria vermelha. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-5-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-5-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-5-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-5-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17407" class="wp-caption-text">Xênia França interpretando A Menina Dança (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O samba chega no </span><i><span style="font-weight: 400;">Replay Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de João Cavalcanti, o ex-vocalista do grupo Casuarina, que trouxe a alegria de </span><i><span style="font-weight: 400;">Besta é Tu</span></i><span style="font-weight: 400;">, mantendo sua identidade musical nos instrumentos e preservando elementos fundamentais da versão original, como a divisão dos versos e o tempo bem pontuado. Não satisfeito com uma belíssima homenagem ao regravar a canção com tanto respeito, João acrescentou no final uma citação sua, um agradecimento aos baianos que tanto influenciaram a música brasileira. Um agradecimento escrito por ele, mas que poderia ter sido escrito por qualquer um de nós. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pois besta é tu que pensa que eu não posso ser baiano só porque eu nasci no Rio. Pois eu sou um novíssimo baiano há muito tempo e só sou o que sou por causa de Moraes, Baby, Pepeu, Paulinho, Dadi e Galvão.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O solo de cavaquinho tocado por Jorginho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Bilhete para Didi</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganha não apenas uma nova interpretação no </span><i><span style="font-weight: 400;">Replay</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas nova roupa e personalidade, com a percussão baiana do grupo Afrocidade repaginando completamente a canção. Um instrumental poderia facilmente se tornar irreconhecível ao ser tocado de outra forma, mas não foi o que aconteceu na nova versão, pois para o bom ouvinte do </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível reconhecer cada nova fase da música, que passa por diversas transições em seu caminho e marca o começo do fim do disco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa final ficou a cargo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/letrux-aos-prantos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Letrux </span></a><span style="font-weight: 400;">e Iolly Amâncio, duas vozes que se encontram na </span><i><span style="font-weight: 400;">reprise </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Preta Pretinha </span></i><span style="font-weight: 400;">e se completam em suas diferenças e similaridades. Na canção, é possível distinguir elementos trazidos por cada uma, como os sintetizadores de Letrux e a batida forte de Iolly, assim como conseguimos distinguir o que vem diretamente dos baianos. Há um quê de saudade na forma como “</span><i><span style="font-weight: 400;">abre a porta e a janela</span></i><span style="font-weight: 400;">” é cantada na canção e a mudança repentina para o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreende para deixar um sorriso no rosto, de coração feliz por mais versão excelente, que encerra o disco com o gostinho de quero mais, já conhecido da versão original de </span><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_17408" aria-describedby="caption-attachment-17408" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1.jpg" alt="Há um fundo vermelho, com detalhes em branco e lilás. Na esquerda da imagem, Iolly Amâncio, uma mulher negra. Ela tem dreads no cabelo, veste uma blusa preta e um short dourado. Suas mãos estão na cintura e ela está cantando em frente a uma microfone com pedestal. A sua esquerda está Letrux, uma mulher branca, de cabelos curtos e loiros. Está vestindo uma jaqueta vermelha e uma calça azul. Tem uma mão estendida e está cantando em frente a um microfone com pedestal. " width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/imagem-6-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17408" class="wp-caption-text">Iolly Amâncio e Letrux no clipe de Preta Pretinha (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como disse </span><a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> em</span> <a href="https://open.spotify.com/track/6EgPfNLliaEKGgFtqgXVgQ?si=vxGon5ptQwCJ4TFO_YrGmQ"><i><span style="font-weight: 400;">Imagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> “mais que nunca, é preciso cantar o que é nosso”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em tempos de crise como os que vivemos, é fundamental mantermos vivos os grandes ícones que forjaram o que nós entendemos atualmente como a música brasileira. Não somente a dita MPB, mas a música feita no país, que traduz a nossa cultura, nossos valores e a nossa história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Acabou Chorare</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um desses grandes representantes do que é nosso e ao reinterpretar o disco de forma tão genial, atual e acima de tudo respeitosa à versão original, o projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Replay</span></i><span style="font-weight: 400;"> afirma sua importância nesse cenário, abrindo espaço para novas reinterpretações que poderão ajudar nessa luta para manter vivo o que temos de mais precioso no nosso Brasil: a nossa cultura. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Replay - Acabou Chorare" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5o3HkCtUG5wMarG5TFRNnl?si=DCVawwqnSQGNJHRtecVy-g"></iframe></p>
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