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	<title>Arquivos Relicário &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="(max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
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<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
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<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 16:48:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”, indaga Julián Fuks no prefácio de Jamais o fogo nunca, livro da chilena Diamela Eltit traduzido por ele. “Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, conclui. Essas são as cartas postas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fuga de si mesmo em Jamais o fogo nunca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25341" aria-describedby="caption-attachment-25341" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25341 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25341" class="wp-caption-text">Durante as 172 páginas de Jamais o fogo nunca, a escritora Diamela Eltit destrincha os paradoxos da militância política durante a Ditadura chilena (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Pode o subjugado falar? Pode o oprimido falar? Pode o desiludido falar? Pode o derrotado falar?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, indaga </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;"> no prefácio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro da chilena </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/violencia-permeia-novo-romance-da-chilena-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit</span></a><span style="font-weight: 400;"> traduzido por ele. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nas páginas deste livro não despontará nenhuma resposta precisa a essas questões fundamentais”, </span></i><span style="font-weight: 400;">conclui. Essas são as cartas postas à mesa: Eltit não tem interesse em responder nenhuma das questões levantadas ao longo do romance, considerado seu trabalho principal; no entanto, o leitor encontrará uma espécie de distopia do século XXI, narrada de forma íntima, na qual há o aceno constante ao esquecimento em que são jogados aqueles que lutaram em favor da democracia, deixados à deriva.</span></p>
<p><span id="more-25340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2017, com o lançamento oficial no Chile em 2007, </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marcou a chegada das obras de Diamela Eltit no país, com um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983. O título do livro surge do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do peruano </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jamais o fogo nunca/Fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O trecho, que também é a epígrafe da obra de Eltit, serve como uma das possíveis chaves de interpretação que o romance possibilita, a considerar o caráter de denúncia que lemos nos versos de Vallejo e durante todo o trabalho de Eltit, acenando desesperadamente para a desumanização que alguns indivíduos promovem, transformando-se em carrascos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, entramos em contato com um casal de ex-militantes políticos durante a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55958337"><span style="font-weight: 400;">Ditadura de Pinochet</span></a><span style="font-weight: 400;">, subjugados dentro de um quarto onde as questões impostas pela vida política, que tanto exigiu de ambos, são colocadas em xeque. Existem ressonâncias </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/entenda-como-beckett-e-seus-personagens-em-situacoes-limite-sintetizam-a-era-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">beckettianas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espaço claustrofóbico do quarto, nas quais a narradora-protagonista examina o presente colapsado, compartilhado com seu marido, através dos olhos do absurdo, sendo esse homem um paradoxal líder militante libertário, porém extremamente autoritário. O engajamento político dos dois custa a vida do filho – e não somente –, o qual, em virtude do estilo de vida clandestina, morre no cômodo em que a narradora agora rememora seu passado.</span></p>
<p><figure id="attachment_25344" aria-describedby="caption-attachment-25344" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg" alt="Foto retangular colorida da escritora chilena Diamela Eltit. Na imagem, Eltit está com as duas mãos no bolso da calça, encostada em uma porta de madeira. Ela é uma mulher branca, com cabelos lisos curtos e grisalhos, veste uma camiseta roxa e um colar de cor cinza. Ao fundo há um banco de madeira, com duas almofadas floridas de cor preta e cinza, respectivamente, e uma janela com detalhes de madeira, na qual pode-se ver algumas árvores." width="1300" height="732" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25344" class="wp-caption-text">Diamela Eltit já ganhou diversos prêmios literários de renome, cujo mais recente foi o da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), recebido em 2021 [Foto: Diario Pagina Siete]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Diamela Eltit nasceu em 1949 em Santiago, e obteve formação em Letras na Universidade do Chile, iniciando sua carreira como professora em escolas públicas. Desde 2007, dá aulas de Escrita Criativa na </span><i><span style="font-weight: 400;">New York University</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/desilusao-politica-e-amorosa-se-mesclam-em-livro-de-diamela-eltit/"><span style="font-weight: 400;">Eltit disse em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elaborou a história do romance após visualizar a militância como um símbolo do pertencimento. Além desse aspecto, a escritora motivou-se a dar voz à mulher militante, </span><i><span style="font-weight: 400;">“que ficou fora do protagonismo durante esses anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao apresentar o marido da protagonista como um ser desprezível, monossilábico e violento, Eltit aponta para uma característica assustadora dos regimes repressivos: a totalidade violenta da Ditadura engloba inclusive aqueles que seriam suas alternativas, suas chances de libertação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro apresenta, talvez por uma escolha estética, personagens principais (a narradora e o marido) sem nome, cuja ausência coloca os corpos no centro do debate. Essa característica cria um diálogo com a política de desaparecimentos recorrentes nas Ditaduras, mesmo que de forma subjetiva. Desse modo, os corpos do romance estão desaparecidos, pois a falta de nome evidencia uma possível falta de identidade dessas pessoas. Sabe-se, porém, que o livro acontece em uma espécie de futuro pós-ditadura, no qual a protagonista segue como um espectro, viajando entre passado e presente, mas ainda, por alguma razão, vivendo enclausurada. Ela assume, assim, a posição de vigilante de seu marido – algo que só vamos entender o porquê próximo ao final do livro.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha caído, apreendida como um animal selvagem ou um animal de circo, em plena via pública, cercada e capturada. Depois você cairia. Uma soma implacável, a célula completa: os dez. Sobrevivemos sete. Três mortos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos entre ficção e memória também estão interligados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo em vista que Eltit constrói, através da oralidade, uma paisagem cerebral na qual o leitor tende a assimilar a clandestinidade do casal e o aprisionamento do quarto como uma evocação da claustrofobia de se viver em um regime ditatorial. Nesse aspecto, existem similaridades com os trabalhos de </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/contracapa/a-importancia-da-historia-nos-romances-de-w-g-sebald/"><span style="font-weight: 400;">W.G. Sebald</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor alemão conhecido por sua prosa prolixa e construção literária que embaça e mistura ficção com a não-ficção, abordando temas como a relação entre as vítimas da Segunda Guerra e do Holocausto – os mortos e seus parentes que sobreviveram – e a iminente dificuldade de se abordar a tragédia de nossos antepassados (o que, no fim, é também a nossa própria tragédia). Todavia, a premissa que norteia os trabalhos de Eltit e Sebald poderia ser a mesma: memória é ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem literária da escritora dialoga com seu próprio passado, pois ela foi uma das fundadoras do </span><a href="http://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-article-3342.html"><i><span style="font-weight: 400;">Colectivo Acciones De Arte</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(CADA), grupo artístico criado em 1979 para lutar em favor da preservação da cultura, em plena Ditadura chilena. O coletivo propunha ideias de intervenção artística no espaço urbano, destruindo, assim, o conceito de ‘sala de arte’ – todo o espaço público deveria se transformar em uma sala de arte. Esse dado biográfico acena para a abordagem dos corpos ao longo do romance – às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, visto que há uma ideia de intervenção artística de forma visceral na vida cotidiana, transformando, assim, o objeto artístico em uma potente arma contra a repressão.</span></p>
<figure id="attachment_25345" aria-describedby="caption-attachment-25345" style="width: 1125px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg" alt="Foto retangular em preto e branco, na qual vemos, da esquerda para a direita, Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells. Os cinco são pessoas brancas, e estão sentados em degraus. Juan veste uma camisa cinza de manga longa, utiliza barba de cor preta e possui cabelos lisos de cor preta. Lotty possui cabelos grandes pretos, veste camiseta branca e calça de cor cinza, e está com as duas mãos unidas. Raul está sentado com os braços cruzados, vestindo calça preta e camisa de manga longa branca. Ele possui poucos cabelos e uma barba grande de cor preta. Diamela está com os dois braços cruzados à frente de suas pernas. Ela veste uma calça preta e camiseta preta, e possui cabelos lisos curtos, de cor preta. Por fim, Fernando veste calça cinza, camiseta cinza, porém mais escura, e possui cabelos pretos e um bigode de cor preta." width="1125" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2.jpg 1125w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/foto-diamela-2-768x546.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25345" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita estão Juan Castillo, Lotty Rosenfeld, Raul Zurita, Diamela Eltit e Fernando Balcells; juntos, formavam o CADA (Foto: Paz Errázuriz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a virada do milênio foi marcada por especulações sobre como os computadores e a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">seriam o futuro, e como poderiam controlar o planeta. Assim, o corpo humano estendeu-se (ou diluiu-se) em </span><i><span style="font-weight: 400;">bits </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">bytes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em representações virtuais e alegações. Talvez por isso haja o esquecimento daqueles que lutaram pela democracia, visto que não há memória coletiva capaz de sobrepor a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">grandiloquência individualista</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionada pelas redes. Vale lembrar que o livro foi publicado em 2007, e não por acaso trata-se de um romance que, mesmo transitando entre os tempos, se passa no pós-horror ditatorial. Desde o início se trata de uma lembrança.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">foge das convenções naturais sobre o romance, sendo uma obra questionadora e desafiante do ponto de vista formal, mas profundamente original. Com um panorama histórico, social e político que ainda marca todos nós latino-americanos, o livro mostra o poder – seja político e social (Ditadura), seja físico (marido) – não apenas como um exercício executado por aqueles que o assumem, mas também como uma ordem capaz de deixar marcas profundas nos indivíduos – como as cicatrizes em um corpo.</span></p>
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		<title>Há 20 anos e sem imaginar, Cássia encerrava sua carreira com som acústico</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2021 19:08:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Para os nascidos na segunda metade da década de 80, a MTV é um canal que dispensa apresentações, sua filial brasileira &#8211; a MTV Brasil &#8211; foi fundada em outubro de 1990. Ainda que hoje faça sucesso com programas como De Férias Com o Ex e Catfish, a emissora teve seu auge &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/acustico-cassia-eller-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos e sem imaginar, Cássia encerrava sua carreira com som acústico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20452" aria-describedby="caption-attachment-20452" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20452" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343.jpg" alt="Capa do álbum Acústico MTV de Cássia Eller. Ao centro vemos a cantora. Uma mulher branca, de cabelo preto e curto. Ela veste uma regata preta e uma calça da mesma cor. Ela está sentada e em seu colo há um violão também preto. Ao fundo vemos flores grandes nas cores vermelho e amarelo. No canto superior esquerdo há o logo do acústico MTV. Na parte central do canto direito lê-se em branco acústico MTV cássia eller." width="1200" height="1190" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343-300x298.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343-1024x1015.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/54aeef2218010e8197cd1275bca16343-768x762.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20452" class="wp-caption-text">Convidar Cássia Eller foi ideia da própria produção, por conhecer a performance quase teatral da cantora no palco (Foto: Robson Messias)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os nascidos na segunda metade da década de 80, a </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um canal que dispensa apresentações, sua filial brasileira &#8211; a </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; foi fundada em outubro de 1990. Ainda que hoje faça sucesso com programas como </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/216425-de-ferias-com-o-ex-mtv-nova-temporada-ainda-2021.htm"><i><span style="font-weight: 400;">De Férias Com o Ex</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Catfish</span></i><span style="font-weight: 400;">, a emissora teve seu auge nos anos 90. A grade diária era pensada para jovens adultos e influenciava o mercado musical da época, exibindo bandas como Nirvana e Alice in Chains. Seus programas viraram selo musical, como é o caso do fenomenal </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/tvfolha/tv2410199912.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Acústico MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde os artistas gravavam os clássicos de seu repertório sem instrumentos elétricos.</span></p>
<p><span id="more-20451"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Titãs foram alguns dos gigantes nomes que marcaram presença no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EBOvnb-5Vu0"><i><span style="font-weight: 400;">Acústico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sempre com um álbum magnífico nascendo, a gravação é a coletânea de sucessos mais bonita da discografia de seus participantes. Mas, em meio tanto som bom, há um insuperável: o de </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/dezenove-anos-sem-cassia-eller-veja-sete-curiosidades-sobre-cantora-24816182.html"><span style="font-weight: 400;">Cássia Eller</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascida no Rio de Janeiro em 1962, a artista é dona de uma das vozes mais inconfundíveis da música brasileira. A cantora, que faleceu precocemente em dezembro de 2001, teve o lançamento deste DVD como seu último registro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Cássia Eller - Malandragem" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/bFRBQjBuQmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Cássia, que sempre pedia a Deus um pouco de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TlGZai-wge4"><i><span style="font-weight: 400;">Malandragem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, usou esse sucesso para ser uma das primeiras músicas do disco. Uma das letras mais monumentais que existe em solo brasileiro, a composição do imortal </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/vitimas-do-brutal-hiv-relembre-5-grandes-personalidades-soropositivas.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cazuza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em parceria com Frejat foi recusada por Angela Ro Ro, e se transformou no que é hoje graças a potência de Cássia Eller. A gravação ter </span><i><span style="font-weight: 400;">Malandragem</span></i><span style="font-weight: 400;"> logo em seu princípio faz jus a carreira da cantora que emplacava os lançamentos de seu repertório.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">foi montado em 360°, de forma que cantora e músicos pudessem se ver a todo instante. A união entre eles é mágica, vemos a estrutura do cenário como uma grande reunião familiar no almoço de domingo, mas sem o tio chato estragando a relação harmoniosa. A troca de musicalidade criou um ambiente confortável, permitindo que Cássia emanasse talento e esbanjasse carisma ao lado de sua banda. Elevando ainda mais a apresentação, que já nasceu com a promessa  de ser unânime. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Introvertida, a cantora tem apenas breves falas com o público, mas se transforma em um monstro, no boníssimo sentido da palavra, quando abre a boca para cantar. Como em </span><a href="https://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/post/religiao-e-machismo-devem-tirar-musica-de-repertorio-de-riachao.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vá Morar com o Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que ela timidamente anuncia o nome do compositor e depois solta o vozeirão e brinca com o ritmo da música. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bGC0gJAHIYs"><i><span style="font-weight: 400;">Partido Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não é diferente: gigante sentada num banquinho, Cássia mostra o pleno domínio que tem em seu instrumento que é a voz e no final, ainda brinca que Chico Buarque é seu verdadeiro pai. E não foi só nessa que ela acertou se arriscando no samba, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz um novo tom pro disco, e revela mais uma de suas multifacetas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Cássia Eller - O segundo sol" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/MLI2QlgjGmA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção foi dirigida por Luiz Brasil e o infernal Nando Reis. Uma das amizades mais conhecidas da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, Nando e Cássia viviam uma admiração mútua e, juntos, dividiram sucesso, palco e canções. Nando nunca escondeu o amor pela cantora, o compositor escreveu a emblemática e intimista </span><i><span style="font-weight: 400;">All Star</span></i><span style="font-weight: 400;"> e fez o disco póstumo </span><a href="https://open.spotify.com/album/6qEXdPlvYd3QzuWvSjfevd?si=mWyXLcYySju5Deax9Jhm8A"><i><span style="font-weight: 400;">Dez de Dezembro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para aumentar o número de parceria entre a dupla dinâmica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de dirigir o acústico, as composições de Nando fatalmente estão </span><span style="font-weight: 400;">presentes no repertório, já que Cássia é a cantora que mais gravou suas letras. Ao todo, o nome do </span><a href="https://open.spotify.com/album/03VNhbPL010e0LEOPfgUt4?si=ed8db0269eae4860"><span style="font-weight: 400;">Infernal</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece 4 vezes na ficha das canções. Nando também subiu ao palco para cantar a forte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eGP2Ts3NXF0"><i><span style="font-weight: 400;">Relicário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criando um novo arranjo para a música capaz de garantir paz e realinhar os </span><i><span style="font-weight: 400;">chakras</span></i><span style="font-weight: 400;"> toda vez que o </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;"> for apertado, marcando a memória de quem escuta pela primeira vez.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E.C.T</span></i><span style="font-weight: 400;">., </span><i><span style="font-weight: 400;">Luz dos Olhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Segundo Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as outras músicas que compõem o quarteto Reis.</span><i><span style="font-weight: 400;"> E.C.T.</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também conta com a assinatura de Marisa Monte e Carlinhos Brown em sua letra, tem um arranjo complexo e uma melodia ligeira na lírica entre o locutor e o cara que carimba postais, Cássia domina a canção com tamanha destreza que faz parecer fácil. Da mesma forma como faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nVRmz_IROzQ&amp;t=894s"><i><span style="font-weight: 400;">Luz dos Olhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parecer natural, uma declaração feita segurando nossa mão.</span></p>
<figure id="attachment_20453" aria-describedby="caption-attachment-20453" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20453" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280.jpg" alt="Foto de Cássia Eller e Nando Reis. Nando é um homem branco de cabelo ruivo e curto. Ele veste camisa preta. Ambos estão sentados e seguram seus respectivos violões. Eles estão se beijando. O fundo tem luzes vermelhas." width="1280" height="849" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/tumblr_na0dkhQq2c1sblr26o1_1280-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20453" class="wp-caption-text">Nando Reis foi responsável pelos arranjos de base junto com Luiz Brasil, Cássia Eller e músicos (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tem como falar de clássicos da Cássia Eller e não mencionar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L2bfWcISW6I"><i><span style="font-weight: 400;">O Segundo Sol</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Não havia como fazer essa gravação e deixar uma de suas maiores canções de fora. Eternizada em 1999 no álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/0LJ8bBHkmBScvY1gA2WUfY?si=U_o1R4fvT7mUY3X3TG0wkA"><i><span style="font-weight: 400;">Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a música traz uma letra um tanto misteriosa e fala como a vida tem diferentes pontos de vista. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Segundo Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o maior selo de garantia da bem sucedida parceria de voz e composição entre Cássia e Nando Reis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ruivo não foi o único a abrilhantar as noites de gravações que aconteceram em março de 2001. O cantor Xis e a banda nacional de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_G63uF288T4"><span style="font-weight: 400;">Nação Zumbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> subiram ao palco para alimentar a consagração do disco. Juntos, Xis e Nação Zumbi gravaram </span><i><span style="font-weight: 400;">De esquina</span></i><span style="font-weight: 400;">, composição do cantor. Cássia leva a música em ritmo pacifico, fazendo com que os trechos fiquem em </span><i><span style="font-weight: 400;">looping</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cabeça de quem os ouve. Depois, é o momento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando a Maré Encher</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em companhia da banda, a energia do estúdio é elevada em seu máximo, trazendo o gosto eletrizante que teve essa apresentação no </span><a href="https://open.spotify.com/album/7kwgTcSyouDSOZprdGOlCA?si=ELKXPpHtRI-9luUxseKHOw"><i><span style="font-weight: 400;">Rock in Rio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de janeiro do mesmo ano.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Cassia Eller - Todo amor que houver nessa vida" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/xQV6XVOB7hw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa gravação, a cantora mostra de maneira poderosa e respeitosa sua admiração pelos maiores nomes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional: Renato Russo e Cazuza. É cantando as composições desses gênios que ela protagoniza o clímax do disco e torna o acústico um trabalho imortal. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Nrt58bAXlM"><i><span style="font-weight: 400;">Por Enquanto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi a primeira música que Cássia aprendeu tocar da extraordinária Legião Urbana e não poderia faltar na gravação, a faixa é, atemporalmente, uma das melhores opções para sofrer na calada da noite com o foninho no máximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><i><span style="font-weight: 400;">1° de Julho</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi composta por Renato especialmente para Cássia quando o cantor descobriu a gravidez dela. Seus versos </span><a href="https://www.virgula.com.br/musica/cassia-eller-musicas-dedicadas/"><i><span style="font-weight: 400;">“Sou Deus, tua Deusa, meu amor”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são os mais bonitos de toda Música Popular Brasileira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo amor que houver nessa vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Cazuza, completa a santíssima trindade do </span><i><span style="font-weight: 400;">Acústico MTV</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a cantora imprimindo sensualidade em sua interpretação, a canção ganha uma de suas melhores versões e também a mais gostosa de ser ouvida. Afinal, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0dzoAOj3R9c"><span style="font-weight: 400;">quem não quer a sorte de um amor tranquilo?</span></a></p>
<figure id="attachment_20454" aria-describedby="caption-attachment-20454" style="width: 2460px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307.jpg" alt="Foto de Cássia Eller com sua esposa Maria Eugênia e seu filho Francisco. Cássia está no meio e veste uma blusa de manga longa vermelha. No colo dela há Francisco ainda bebê. Ele veste uma roupinha branca. À direita e com a cabeça apoiada no ombro de Cássia, está Maria Eugênia. Uma mulher branca, de cabelo preto na altura dos ombros. Ele veste uma regata florida. O fundo são folhas de árvores desfocadas." width="2460" height="1769" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307.jpg 2460w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-300x216.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-1536x1105.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-2048x1473.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Cassia-Eller307-1200x863.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20454" class="wp-caption-text">Chicão, filho de Cássia Eller e Maria Eugênia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O acústico foi ensaiado em uma fazenda durante três semanas de fevereiro, o que colaborou para todo o sentimento de união familiar que a cantora e os músicos transmitiram. Foi com muita chuva que a banda fez os arranjos das faixas, sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Non, Je Ne Regrette Rien</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Edith Piaf, o mais instigante de todos. Cássia não teve dificuldades em encarar o desafio, a carioca se firmou poliglota e além de encantar com um francês perfeito, deu voz a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band</span></i><span style="font-weight: 400;"> de John Lennon e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mccartney-3-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sir</span></i><span style="font-weight: 400;"> Paul McCartney</span></a><span style="font-weight: 400;">, não deixando dúvidas que sua predominância vocal vai muito além do português.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio uma sonoridade de primeira categoria, ainda houve espaço para referenciar os gigantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Queremos Saber</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Gilberto Gil traz uma leveza indescritível, traçando uma divisão na linha do tempo do faixa a faixa. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Top Top</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a canção escolhida dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gfs9DC4GNr0"><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcante na vida de Cássia Eller, o arranjo recriado por Luiz Brasil encerrou o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">com o delicioso alto astral caótico e animado que a banda original expressava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Acústico MTV</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um álbum nostálgico, que traz o melhor e mais poderoso repertório de uma cantora que nos deixou tão nova, mas permanece viva em nossa consciência nos ensinando a amar. Tímida com a mídia, Cássia Eller era uma verdadeira força da natureza em cima do palco, fazendo com que aquele tablado fosse minúsculo para a sua imensidão. E, sem saber, ela encerrou sua carreira dando o melhor de si, em uma apresentação mágica e magnética que, há 20 anos, prende quem escuta. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yKflJlzZKaU"><span style="font-weight: 400;">Eu trocaria a eternidade pela noite dessa gravação.</span></a></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Acústico (Ao Vivo)" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/7mgNhvsT5RpvIoq8q2DHFI?si=Xo06GRheRmiQkthxeadL9w"></iframe></p>
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