<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Questões psicológicas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/questoes-psicologicas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/questoes-psicologicas/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Mar 2023 12:39:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Questões psicológicas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/questoes-psicologicas/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 12:39:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[A Baleia]]></category>
		<category><![CDATA[A24]]></category>
		<category><![CDATA[Adrien Morot]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[BAFTA]]></category>
		<category><![CDATA[Brendan Fraser]]></category>
		<category><![CDATA[Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Clara Sganzerla]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Critics Choice Award.]]></category>
		<category><![CDATA[Darren Aronofsky]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Herman Melville]]></category>
		<category><![CDATA[Hong Chau]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz Coadjuvante]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Peça de Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Questões psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sadie Sink]]></category>
		<category><![CDATA[SAG Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema público de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[The Whale]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30287</guid>

					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla  Moby-Dick, ou The Whale, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com A Baleia, um dos filmes mais comentados do Oscar 2023, não é apenas no nome. A nova obra do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/">A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30290" aria-describedby="caption-attachment-30290" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg" alt="Cena do filme The Whale. Na imagem, o personagem do ator Brendan Fraser está dentro de uma casa. Ele está sentado em um sofá, usa uma camiseta cinza e sorri. Ao seu lado direito, há um abajur de luz amarela. A iluminação é baixa e os tons são frios." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30290" class="wp-caption-text">Além de indicações no Oscar, The Whale recebeu indicações em premiações como Critics Choice Award, Cannes, Globo de Ouro e SAG Awards (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Moby-Dick</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um famoso romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville, que conta a famosa saga do capitão Ahab atrás da baleia que arrancou sua perna. A semelhança com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos filmes mais comentados do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, não é apenas no nome. A nova obra do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nL6vuRrF61w"><span style="font-weight: 400;">Darren Aronofsky</span></a> <span style="font-weight: 400;">nos leva em uma triste trajetória de um outro protagonista atrás de algo que vai além da forma física: uma redenção para si mesmo.</span></p>
<p><span id="more-30287"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aclamada produção do estúdio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a Charlie (Brendan Fraser), um professor universitário que passa seus dias corrigindo redações e suprindo sua falta de perspectiva, afeto e esperança com compulsão alimentar. Em uma jornada acelerada para o seu inevitável fim, acompanhamos o personagem em seus suspiros finais: consumido pela culpa de ter abandonado sua filha para viver um romance, Charlie tira tudo o que resta em si para dar à Ellie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente submersa na contradição de sentir-se injustiçada pelo abandono paterno e, ainda assim, querer o que lhe foi arrancado tão nova. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao dizer tudo de si, é de forma literal. Sobrevivendo com severas consequências de uma condição de obesidade mórbida, o personagem recusa-se a procurar ajuda médica para, no lugar, destinar todas as suas economias ao futuro de sua filha. O que parece ser uma crítica ao </span><a href="https://www.politize.com.br/sistema-de-saude-dos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">sistema de saúde</span></a><span style="font-weight: 400;"> público dos Estados Unidos acaba por ser, na verdade, a solução mais plausível que Charlie encontra &#8211; uma conta bancária com mais de 100 mil dólares a fim de colocar um curativo em cima das feridas que ele mesmo causou, mas tentou evitar. Ellie torna-se, então, uma jovem problemática que se esforça para ser apática com toda a sua situação familiar, mas acaba por cair na grosseria e raiva como maquiagem para sua enorme carência.</span></p>
<figure id="attachment_30289" aria-describedby="caption-attachment-30289" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png" alt="Uma fotografia do ator Brendan Foster e da atriz Sadie Sink. À direita, Sadie usa brincos e um colar prata, seu cabelo ruivo está solto e ela sorri. À esquerda, temos Brendan vestindo um terno azul marinho com listras douradas, camiseta social branca, gravata azul marinho e um óculos preto de grau de armação quadrada. Brendan também sorri sem mostrar os dentes. Ao fundo, um pôster com as palavras The Whale e A24 em branco. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-2-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30289" class="wp-caption-text">A relação conturbada de pai e filha entre os personagens de Fraser e Sink traz diversas reflexões sobre as marcas do abandono parental (Foto: Kristina Bumphrey)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, vemos nos olhos de Liz (interpretada brilhantemente por </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/02/22/movies/hong-chau-the-whale-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Hong Chau</span></a><span style="font-weight: 400;">) o desespero palpável de não conseguir salvar seu amigo de sua jornada de autodestruição para vê-lo afundar em uma dor que também é sua: o luto pelo seu irmão Alex, namorado de Charlie. O motivo da morte acende uma importante e dolorosa discussão sobre a aversão de determinadas </span><a href="https://tab.uol.com.br/gays-e-religiao/"><span style="font-weight: 400;">igrejas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao grupo </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque a recusa do relacionamento homoafetivo entre os dois pela família foi um dos motivos para o suicídio de Alex, que fugiu de um casamento arranjado pelo pai para viver seu verdadeiro amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">Aronofsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, como de costume, divide opiniões. Desde a maneira de retratar os episódios de compulsão alimentar até o próprio olhar ao protagonista, entramos em uma linha tênue. Para uns, faltou sensibilidade e respeito ao retratar Charlie. Para outros, não haveria outra forma de tê-lo tornado mais humano do que mostrando tudo aquilo que ele quer esconder. No entanto, talvez essa tenha sido a intenção do diretor: polemizar o suficiente para pensarmos sobre o assunto, para a discussão perdurar além dos cinco minutos após o fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que, com certeza, funcionou. </span></p>
<figure id="attachment_30288" aria-describedby="caption-attachment-30288" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png" alt=" Foto do ator Brendan Fraser e do diretor Darren Aronofsky. Ambos estão em uma premiação, e usam ternos na cor preta, camisa social branca e gravata. Eles sorriem um para o outro e Darren está com sua mão direita no ombro de Brendan. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/FOTO-3-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30288" class="wp-caption-text">Aronofsky sempre chama atenção da crítica por sua direção peculiar e impactante, como em Réquiem para um Sonho, Cisne Negro e Mother! (Foto: Elisabetta A. Villa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><span style="font-weight: 400;"> impacto do longa deu-se muito antes de chegar ao público nos cinemas. Em quase uma década recluso após ser </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/a-incrivel-historia-de-superacao-de-brendan-fraser-de-a-baleia,2fa311be0851846beda6a6926a586de2ktvvgnly.html"><span style="font-weight: 400;">vítima de assédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Philip Berk, Brendan Fraser voltou às telas recebendo o reconhecimento que merece: teve sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na categoria de Melhor Ator. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve presente em outras modalidades, como Melhor Maquiagem e Cabelo, pelo trabalho de </span><a href="https://www.motionpictures.org/2023/03/the-whale-oscar-nominated-prosthetics-artist-adrien-morot/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Morot</span></a><span style="font-weight: 400;">, e pela sensível atuação de Hong Chau, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E estamos ansiosos: em uma disputa acirrada com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica a dúvida sobre quem receberá a estatueta de ouro. Após Fraser vencer a categoria de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, surpreendentemente, no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, tivemos também o intérprete de Elvis Presley sendo destaque no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, no prêmio BAFTA e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Satellite Award </span></i><span style="font-weight: 400;">na mesma posição de Brendan &#8211; a competição para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estava quase que decidida para Butler, agora, segue indefinida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, entre polêmicas e </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/brendan-fraser-the-whale-impressoes-festival-veneza"><span style="font-weight: 400;">emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">, a incrível performance de todo o elenco torna inesquecível a experiência de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ser doloroso, longo e sofrido, o que vale a pena na obra é enxergar a bondade nos olhos de Charlie e emocionar-se com o retrato sincero, dentro de todos os nossos defeitos e arrependimentos, sobre tudo aquilo que nos faz humanos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Whale | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nWiQodhMvz4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/">A Baleia é um retrato sobre tudo o que nos faz humanos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30287</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/blonde-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/blonde-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Abuso]]></category>
		<category><![CDATA[Ana de Armas]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Dominik]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 50]]></category>
		<category><![CDATA[BAFTA]]></category>
		<category><![CDATA[Blonde]]></category>
		<category><![CDATA[Bobby Cannavale]]></category>
		<category><![CDATA[Caspar Phillipson]]></category>
		<category><![CDATA[Charlie Chaplin Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Chayse Irvin]]></category>
		<category><![CDATA[Cinebiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Darryl F. Zanuck]]></category>
		<category><![CDATA[David Warshofsky]]></category>
		<category><![CDATA[Edward G. Robinson Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Evan Williams]]></category>
		<category><![CDATA[Giovanna Freisinger]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Jaime Leigh McIntosh]]></category>
		<category><![CDATA[Joe DiMaggio]]></category>
		<category><![CDATA[John F. Kennedy]]></category>
		<category><![CDATA[Joyce Carol Oates]]></category>
		<category><![CDATA[Marilyn Monroe]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Os Homens Preferem as Loiras]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Andrus]]></category>
		<category><![CDATA[Questões psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[SAG Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Tina Roesler Kerwin]]></category>
		<category><![CDATA[Xavier Samuel]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30092</guid>

					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/">O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/">O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/blonde-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30092</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
