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	<title>Arquivos Pavement &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Pavement &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Pavement e o impulso para seguir em frente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jul 2017 23:23:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Indie]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Discutir música é um negócio complicado, seja pelo nível de abstração da arte ou pelo quão obsessivo (tradução: mala) você seja em relação ao assunto; “música é difícil de explicar porque ela é muito fácil de se entender”. Não sei se é uma citação real, mas faz sentido o suficiente: às vezes, exercícios &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pavement-cronica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pavement e o impulso para seguir em frente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee.jpg" alt="screw the RIAA (não fui eu que botei isso aí mas concordo)" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Discutir música é um negócio complicado, seja pelo nível de abstração da arte ou pelo quão obsessivo (tradução: mala) você seja em relação ao assunto; “música é difícil de explicar porque ela é muito fácil de se entender”. Não sei se é uma citação real, mas faz sentido o suficiente: às vezes, exercícios solitários acerca da arte são mais proveitosos do que discussões coletivas. Se divertir com as próprias interpretações é um belo alimento pro ego e divertidíssimo, afinal.<span id="more-8247"></span></p>
<p>Em termos de som, a experiência de encontrar um grande disco talvez só esteja abaixo da redescoberta do poder de obras antes menosprezadas por nós. No meu caso, a bola da vez é <i>Wowee Zowee </i>(1995), terceiro álbum da entidade do indie rock Pavement. Um trambolho com 18 músicas, sucessor do <a href="http://personaunesp.com.br/pavement-slanted-and-enchanted/" target="_blank">seminal <i>Slanted and Enchanted</i> (1992)</a> e do inquestionável <i>Crooked Rain, Crooked Rain</i> (1994); várias músicas ali pareciam inacabadas ou estendidas por nenhuma razão coerente, sem nenhum hit bombástico. O tracklist como um todo é uma montanha-russa desgovernada, sem uma narrativa aparente.</p>
<figure id="attachment_8249" aria-describedby="caption-attachment-8249" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-back-cover.jpg" alt="A contracapa do disco e os membros preocupadíssimos em ser o próximo Nirvana" width="500" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-back-cover.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-back-cover-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/pavement-wowee-zowee-back-cover-298x300.jpg 298w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-8249" class="wp-caption-text">A contracapa do disco e os membros preocupadíssimos em ser o próximo Nirvana</figcaption></figure>
<p>Spiral Stairs, guitarrista e fundador do grupo, <a href="https://noisey.vice.com/en_au/article/bm4pew/rank-your-records-spiral-stairs-happily-rates-pavements-five-lps" target="_blank">o avaliou como o pior LP da banda recentemente</a>. Bryan Charles, autor do livro sobre o disco para a série 33 ⅓ (Bloomsbury), admitiu que este era o registro da banda que menos havia escutado por anos &#8211; idem <a href="http://personaunesp.com.br/?s=lucas+marques" target="_blank">Lucas Marques</a>, o maior fã de Pavement da Unesp Bauru (e meu primeiro contato nela), dotado de paciência e parcimônia budistas para analisar arte. O esforço das revisões não deve valer a pena. É só um disco bem legal e pronto, não há necessidade de ser uma obra-prima como os antecessores. A essência da estética <i>slacker</i>, da qual o líder Stephen Malkmus é peça-chave, é essa mesmo.</p>
<p>Deleta o disco. Tá, não apaga tudo, deixa só as melhores: <i>Wowee Zowee</i> tem boas ideias, mas, acima disso, MUITAS delas. Bah, mantenha ele onde está, você tem espaço sobrando. Ok, já que você nunca irá comprar o disco físico, passe os arquivos mp3 pro seu celular novo; na pior das hipóteses, 56 minutos de música ajudam a passar o tempo.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Pavement - Rattled By The Rush (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/dAVLkn-4B9o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><em>&#8220;Eles nem mesmo parecem estar tentando&#8221; &#8211; <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UzKgeD-3rwk" target="_blank">Beavis &amp; Butthead sobre o elaborado clipe para o primeiro single de Wowee Zowee</a></em></p>
<p>Eu teria muito tempo pra passar em uma semana, na minha primeira viagem sozinho fora do país. Ainda no avião, coloquei os fones e dei play: “<i>Nós vamos dançar/ mas ninguém dançará conosco/ nesta cidade boba</i>”, cantava Malkmus em “We Dance”. Diferente dos outros discos, a abertura de <i>Wowee </i>se dá com uma faixa serena, distante das tradicionais guitarras ruidosas que marcaram o Pavement. É como se fosse um bis após o final de <i>Crooked Rain</i>, com a épica “Fillmore Jive”: a calmaria após a tempestade, ou só Stephen voltando ao palco com um violão e dizendo “ok, gente, vamos tentar algo diferente agora”. Como bem aponta Marshall Gu em sua resenha, <a href="https://freecitysounds.com/2014/08/22/pavement-wowee-zowee/">qualquer outra banda teria colocado a faixa como um encerramento dramático para o disco</a>. Bryan Charles é igualmente enfático em seu livro:</p>
<blockquote><p><i>We Dance inicia com uma piada freudiana, e então muda para os anseios silenciosos que ele [Malkmus] faz tão bem. (&#8230;) O apelo para mim, desde o começo, foram as entrelinhas. Onde alguns viram apenas sarcasmo ou distanciamento, eu maliciosamente vi medo mascarado, alegria, tristeza, luxúria.</i></p></blockquote>
<p>Perdido nas ruas de Barcelona, dei play no disco mais uma vez. Não pra me sentir menos sozinho, mas pra ter alguma trilha pra caminhada de uma hora imposta pelo Google Maps. Os slides de guitarra em “Black Out” são executados com uma firmeza que sugere movimento, mas soam leves como uma brisa aleatória num gramado qualquer. “Rattled by the Rush” é Malkmus brincando de guitar hero, em um solo tão bem lapidado quanto espontâneo.</p>
<p>E lá está o imbecil, quase sendo atropelado por carros, na ciclovia, ou mesmo pelas pessoas com pressa na calçada porque se empolgou com as músicas no celular. Maturidade é só um conceito pra alguns tentarem impor superioridade sob outros: como alguém taxa “Brinx Job” como filler? Meu deus, é a melhor interpretação de Can já feita por alguém que não eles! E tem “Grounded” logo depois.</p>
<blockquote><p>Dine by candle light and hold your savings tight</p>
<p>You never, you never know</p>
<p>When the bridge falls apart</p>
<p>We spoke of latent causes sterile gauzes</p>
<p>And the bedside morale</p>
<p>We traipse around the table talking sentences</p>
<p>So incomplete&#8230; plete! please!</p>
<p>Boys are dying on these streets… *bend dramático na guitarra*</p></blockquote>
<p>Aí está. O grande triunfo lírico de Stephen Malkmus não está em criar narrativas lineares: é na forma em que ele amarra fragmentos da realidade, em um fluxo de consciência onde tédio e ansiedade convergem. Não é como se ele não estivesse se esforçando e apenas jogando palavras ao ar; é a urgência em apenas seguir adiante. Meses antes do Oasis estourar com “Wonderwall” em 95, o Pavement já tinha “AT&amp;T”, que inicia com “<i>Maybe someone’s gonna save me</i>”. Ao contrário do romantismo dos Gallagher, Malkmus prega a superação sem dependências de outrém, quase como em um karaokê bêbado. “<i>GO!/ Whenever, when-n-n-n-ever I feel fine, I&#8217;m going to walk away from all this all that</i>”.  A postura desleixada <i>slacker</i> não é perante às composições, e sim aos formatos impostos como regras: observe como a entrega dos vocais se relaciona com o instrumental fragmentado da canção.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pavement - Father To A Sister Of Thought (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/ZCecDGriMT4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>É. São muitas ideias colocadas em <i>Wowee Zowee</i>, sucessiva e/ou simultaneamente. No fim, minha cabeça funciona de maneira similar, ainda que sem as boas melodias. É, talvez. Definitivamente: semana passada, uma menina que eu já tinha visto virou pra mim no ônibus em Bauru e só falou.</p>
<p>&#8220;<em>Você sabia que, no topo de uma montanha-russa, a inércia faz com que seus órgãos parem por instantes e então todo seu corpo fica frio?</em>&#8221;</p>
<p>Foi a coisa mais aleatória que alguém me falou na vida, e uma das mais fofas também. Conversamos o resto do trajeto, e eu estava com a cabeça tão centrada em Barcelona que esqueci de perguntar o nome da moça. Ela desceu do ônibus, e então chegou no meu ponto. O “<em>why didn’t I ask? why didn’t i ask?</em>” de “Kennel District” veio imediatamente à mente. Tão simples, tão pegajoso, tão escorregadio. Desci até a sala do Persona.</p>
<p>Semanas antes, tinha entrado pela primeira vez naquele lugar. Coloquei “Fight This Generation”, minha favorita do álbum. O título é certeiro, e se transforma em um mantra na parte central da canção. A mesma música que, tempos atrás, cantei sozinho na rua após ir embora de uma festa modorrenta agora entoava em um lugar que me dava alguma esperança. Lute contra esta geração. Faça alguma coisa da vida.</p>
<figure id="attachment_8250" aria-describedby="caption-attachment-8250" style="width: 420px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-8250" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/9780826429575.jpg" alt="Das melhores coisas do jornalismo musical: financiem a série 33 1/3, pelo amor" width="420" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/9780826429575.jpg 420w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/07/9780826429575-219x300.jpg 219w" sizes="auto, (max-width: 420px) 85vw, 420px" /><figcaption id="caption-attachment-8250" class="wp-caption-text">Das melhores coisas do jornalismo musical: financiem a série 33 1/3, pelo amor</figcaption></figure>
<p>Eu ainda não achava o disco uma obra-prima, mas o magnetismo que ele exercia sobre a minha rotina só expandia. O livro de Bryan Charles não havia me convencido de que este era o melhor registro do Pavement. Porém, a análise poética foi inspiradora como poucas obras na minha vida, ainda mais se tratando de algo tão específico e complexo: crítica musical. Uma leitura tão boa que não me importei de emprestar meu exemplar ao grande Lucas Marques; aquilo ali precisava ser compartilhado, em especial com quem gosta do tema. Jornalistas? Críticos musicais? Balela. Estamos tão perdidos e alienados quanto às pessoas que julgamos estar. Criamos vínculos por gostar das mesmas bandas ou apenas por rir das impressões mirabolantes do outro. O abstrato pessoal se junta no coletivo concreto, por mais cafona que possa soar.</p>
<p>Mas não teve jeito. <i>Wowee Zowee</i> só me atingiu com força plena em uma viagem solitária. Volta de São Paulo, confuso com tantas coisas desaguando naquele fim de semana. A tia retornando pra UTI em São José do Rio Preto, meus pais mudando os planos para visitá-la, eu mantendo os meus e passando o dia com uma pessoa muito querida, com a cabeça nos dois lugares e evitando transparecer um lado para o outro com medo de represália moral. A sensação de não ter falado tudo que devia para nenhuma pessoa.</p>
<p>E tinha Bauru, onde a divertida festa de sábado parecia estar novamente desfarelando perante as brigas de camaradas e a sensação de que talvez estejamos em um caso irreconciliável. A consciência de que não adiantava mais fazer o papel de mediador quando eu mesmo estava irritado com a situação veio à tona, acentuada pelo frio repentino (acentuado pela minha falta de blusas na mochila). Tudo ao mesmo tempo. Só uma opção de trilha sonora em minhas mãos parecia condizer.</p>
<p>“<em>Maybe we could dance. Together, together.</em>”</p>
<p>“<em>I don’t &#8211; need &#8211; this &#8211; corporation attitude!</em>”</p>
<p>“<em>And the laps i swim from lunatics don’t count</em>”</p>
<p>“<em>Your western homes are locked forever, the new frontier is not that near</em>”</p>
<p>Audição encerrada. Nem tudo no disco faz sentido ou é bom. O conjunto, todavia, é uma ilustração pulsante e sincera de toda essa bizarrice que nos cerca, por desleixo ou iniciativa própria. Pra esta semana não temos nenhum texto programado ou pauta em desenvolvimento pra lançar. Vou escrever sobre a minha experiência com <em>Wowee Zowee</em>, sem gancho temporal algum. Talvez irrite alguns, mas dane-se. Dê play no disco, escreva. Siga em frente &#8211; é a única opção.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/725kB44UbE0sMB4wICOton" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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		<title>Slanted and Enchanted: a estreia energética da banda definitiva do indie rock</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Apr 2017 23:59:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Indie]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro álbum do Pavement, ainda então um trio, comemora 25 anos. O ponto fora da curva da discografia, Slanted and Enchanted é também o disco mais marcante da banda Lucas Marques dos Santos Neste começo de 2017 relembramos dois importantes lançamentos do Pavement, uma das bandas responsáveis pela identidade do indie rock dos anos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pavement-slanted-and-enchanted/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Slanted and Enchanted: a estreia energética da banda definitiva do indie rock"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>O primeiro álbum do Pavement, ainda então um trio, comemora 25 anos. O ponto fora da curva da discografia, Slanted and Enchanted é também o disco mais marcante da banda</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/slanted-and-enchanted-pavement-cover.jpg" alt="slanted and enchanted pavement cover" width="640" height="629" /></p>
<p><strong>Lucas Marques dos Santos</strong></p>
<p>Neste começo de 2017 relembramos dois importantes lançamentos do Pavement, uma das bandas responsáveis pela identidade do indie rock dos anos 90. Se as composições de <em>Brighten the Corners</em>, de 1997, partilham do ar desleixado e melódico de jam sessions que é a marca registrada da banda, a estreia dos californianos em 1992, <em>Slanted and Enchanted</em>, é um ponto estranho em uma discografia tão uniforme. Além das claras diferenças sonoras – canções com guitarras mais barulhentas e estruturas sólidas –, temos, principalmente, uma diferença em atitude: <em>Slanted and Enchanted</em> é a declaração mais firme e enérgica do Pavement.<span id="more-7544"></span></p>
<p>O disco traz o que de melhor uma obra debutante de rock pode nos oferecer: a energia crua, sem receio de mostrar as impurezas. Não à toa Stephen Malkmus, vocalista, guitarrista e letrista (e, consequentemente, a peça central da banda) sempre preferiu gastar pouco tempo em estúdio em uma única obra. Dando continuidade aos mestres Neil Young e <a href="http://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/">Velvet Underground</a>, o Pavement sempre preferiu a emoção sobre a acuidade técnica. Em entrevista à <a href="http://(http://www.gq.com/story/pavement-indie)">revista QG </a>, Malkmus discorre sobre a força do primeiro disco:</p>
<blockquote><p>“Com um álbum como Slanted and Enchanted, era muito uma questão de timing, junto ao fato que seus erros são grande parte do que o faz bom. Não é como um disco do Radiohead, no qual é inteiro bom. Nossos discos não são bons dessa maneira. Nossos discos são mais atitude e estilo, mais ou menos de um jeito punk. Nós somos bons da mesma forma que os Strokes são bons. Eu acho que Slanted and Echanted é provavelmente o melhor álbum que fizemos, só porque ele é menos autoconsciente e tem uma energia irrepetível.”</p></blockquote>
<p>Apesar da estreia em LP só se dar em 1992, o então trio de Stockton, do estado estadunidense da Califórnia, havia criado antecipação nos entusiastas de rock alternativo com o lançamento de três EPs: <em>Slay Tracks (1933-1969)</em>,<em> Demolition Plot J-7</em>, e <em>Perfect Sound Forever</em>. Formada originalmente por Stephen Malkmus e o guitarrista Scott Kannberg – creditados nos primeiros trabalhos como “SM” e “Spiral Stairs” -, o Pavement teve a adição nos EPs do produtor e baterista Gary Young, uma figura excêntrica, para o lado positivo e negativo: um ex-hippie, espécie de lenda da cena local com seus 35 anos, impressionado pelas composições da dupla. Malkmus também ganhara reconhecimento nesses anos por trabalhar com o poeta nova-iorquino David Berman no projeto Silver Jews.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="575" class="size-large wp-image-7546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/pavement-formação-1024x575.jpg" alt="&quot;&lt;yoastmark" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/pavement-formação-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/pavement-formação-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/pavement-formação-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/pavement-formação.jpg 1050w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Antes do lançamento, versões preliminares em fitas cassetes de <em>Slanted</em> já circulavam na mão de entusiastas, lojas de discos e universitários – Malkmus cursou história na Universidade de Virgínia e era um DJ de rádio universitária de certo prestígio. O álbum foi gravado em duas sessões: uma datada de 1990, no Youth Makepeace Studios, em Nova York (do qual só restou “Here” na versão final) e outra de 1991, nos estúdios Louder Than You Think, em Stockton. Com a explosão de <a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-25-anos-depois-espirito-adolescente-prevalece-mais-forte-nunca/"><em>Nevermind</em></a>, do Nirvana, não havia momento melhor (e talvez nunca haverá) para lançar discos como <em>Slanted</em>, que, mesmo não chegando ao grande público, rapidamente eram aclamados pela crítica e objetos de culto. O disco impulsionou a ainda jovem gravadora Matador Records para se tornar referência do indie rock.</p>
<p>A primeira música do disco, <em>Summer Babe (Winter Version)</em>, dá o tom do que aparece ao longo das curtas 14 faixas: guitarras sem controle no melhor estilo Neil Young, o vocal cuidadosamente apático (com direito a travadas e uma explosão desafinada), seções que conduzem a um final catártico e uma letra pegajosa, embora abstrata.</p>
<p>Por esses motivos, <em>Slanted and Enchanted</em> foi acusado de plagiar a sonoridade da banda inglesa The Fall, pioneiros do pós-punk. De fato, a sisudez das guitarras de Spiral Stairs e as partes mais industriais do disco lembram bastante The Fall, além de que os membros do Pavement não esconderem a influência. Entretanto a criatividade das canções assemelham-se, em essência, a Can e Replecements, grupos que, mesmo de gêneros diferentes, prezam mais por explorar melodias do que lançar conceitos sólidos. Como <em>Doolittle</em>, dos Pixies, e <em>Bee Thousand</em>, do Guided by Voices, as curtas canções são algumas das coisas mais engenhosas feitas com a mentalidade e <a href="http://personaunesp.com.br/iggy-pop-o-idiota-com-tesao-pela-vida/">energia punk</a>.</p>
<figure style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/04/keyboard-kapers.jpg" alt="A capa de Slanted and Enchanted é uma intervenção no LP de easy-listening Kaynoard Kapers, de Ferrante &amp; Teicher. A estética punk e o gosto por coisas obscuras já na primeira impressão do álbum" width="700" height="700" /><figcaption class="wp-caption-text">A capa de Slanted and Enchanted é uma intervenção no LP de easy-listening Kaynoard Kapers, de Ferrante &amp; Teicher. A estética punk e o gosto por coisas obscuras já na primeira impressão do álbum</figcaption></figure>
<p>Apesar de ter a identidade mais marcante dos álbuns do Pavement, é difícil encontrar uma temática que una as faixas de Slanted. De certo, há mais de um comentário sobre capitalismo e a vida de jovens adultos, mas as letras são guiadas principalmente por como elas soam na música. Em entrevista para o <a href="http://therumpus.net/2014/04/the-rumpus-interview-with-stephen-malkmus/">site Rumpus</a>, Malkmus diz que sua “coisa favorita é se quando ouço palavras e fecho meus olhos e as conotações ou as imagens que aparecem na cabeça combinam com a sonoridade delas – algumas vezes fonética. Eu estou apenas amarrando-as.”</p>
<p>Pode-se dizem que ambos Malkmus e Spiral Stars eram hipsters antes de ser cool: ostentavam a pose blasé com ironia, inclusive nas roupas normais demais para um punk ou rockstar; misturavam interesses eruditos e populares, como música experimental e esportes. As letras reverberam em especial o gosto de Malkmus por literatura, das imagens fortes de Alan Poe e dos quebra-cabeças modernistas de T.S. Eliot. Assim como um livro de Kafka, em uma linha você consegue se conectar com a mensagem apenas para na próxima frase cair no absurdo, impossível de ser compreendido totalmente, mas irresistível o bastante para não tentar.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/bPD0JLwpc3k?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><em>Stephen Malkmus e Bob Nastanovich junto com o poeta David Berman, sob a alcunha de Silver Jews, lançaram ótimos álbuns na década 1990.</em> É de um cartoon de Berman a autoria da frase “Slanted and Enchanted”</p>
<p>Em In The Mouth a Dessert, uma das músicas mais aclamadas do disco, Malkmus começa cantando “Can you Treat it Like a Oil Well/When it’s underground, out of sight” (você tratar isso como um poço de petróleo/ quando está no subterrâneo, fora de visão”) e culmina gritando perto do final “I’ve been crowned the King of Id” (“eu fui coroado o Rei da Id”). Nada tem um sentido claro, mas mesmo assim os versos expressam sensações e imagens únicas. Há também o senso de humor presente em boa parte da carreira do Pavement: Malkmus está muito mais para Rei do Ego; ele se proclama Rei da Id depois da ingestão de drogas psicodélicas.</p>
<p>A variedade das canções é outro componente importante de Slanted. Na quinta faixa, Conduit for Sale!, Malkmus narra um conto abstrato sobre o capitalismo como se estivesse discursando – o chamado spoken word. Na faixa seguinte, “Zurich is Stained”, a banda abdica dos feedbacks de guitarra, antes onipresentes. Em Two States Spiral Stairs assume as letras e o vocal, brincando sobre a rivalidade do sul e do norte da califórnia.</p>
<p>Entretanto os versos que, retirado sem contextualização, definem a banda em Slanted são os primeiros de Here: “I was dressed for sucess/But sucess it never comes” (eu estava vestido para o sucesso/mas o sucesso nunca vem”). O famoso crítico <a href="http://www.robertchristgau.com/get_artist.php?name=pavement">Robert Christigau</a> considerou o Pavement como a melhor banda de rock dos anos 90, mas deixou claro que “eles nunca vão se vender verdadeiramente se não fizerem aulas de canto”. De fato, em alguns momentos futuros a banda flertou com o mainstream &#8211; o mesmo que veria uma onda indie anos depois com os <a href="http://personaunesp.com.br/quinze-anos-is-this-it-nostalgia-rock/">Strokes</a> -, mas os californianos mantiveram até o final a imagem de garotos estranhos e preguiçosos. “É como se eles nem mesmo estivessem tentando”, concluem os cartoons Beavis e Butthead ao assistir ao clipe de <em>Rattled by The Rush</em>.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/UzKgeD-3rwk?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><em>Por motivos de decência não foi incluído no corpo do texto “eles são tão preguiçosos que provavelmente cagam na banheira”</em></p>
<p>No final de 1992, o Pavement também lançou o ótimo EP Watery Domestic e teve a adição do percussionista Bob Nastanovich e do baixista Mark Ibold, respectivamente amigo de juventude de Malkmus e fã antigo da banda. Em 1993 a relação de Gary Young com os outros integrantes se tornou ainda mais conturbada, sendo substituído pelo relaxado – em comportamento e estilo musical – Steve West. Juntos lançariam 4 discos que definem o indie rock dos anos 90. A influência na geração de sucesso comercial do indie na década de 2000 é latente – compare <a href="https://www.youtube.com/watch?v=GoltwBHXCx8">Juicebox</a>, dos Strokes com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4zQQp_Fvn0k">Flux=Rad</a> e veja.</p>
<p><em>Slanted and Enchanted</em> cai na curiosa classificação de álbuns que, em uma discografia, são inegavelmente os mais importantes, embora não necessariamente os favoritos pessoais. Talvez porque a estreia do Pavement é carregada de declarações enérgicas, enquanto o restante dos discos soam como agradáveis conversas desinteressadas entre amigos. Ambas interações mudam vidas, mas o que fica na memória é a intensidade.</p>
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