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	<title>Arquivos Pandora Filmes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 19:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há pelo menos uma década, o Oscar se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma mulher indicada em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trilha-sonora-para-um-golpe-de-estado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34757" aria-describedby="caption-attachment-34757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo canto esquerdo da imagem, em preto e branco, está Louis Armstrong tocando um instrumento de sopro. O ponto de vista é dos pratos de uma bateria, no lado esquerdo há uma mão segurando uma baqueta. No canto direito, de costas para Armstrong, há um homem branco, na faixa dos 50 anos, vestindo terno. Louis Armstrong é um homem adulto, negro e veste um terno." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34757" class="wp-caption-text">Louis Armstrong é uma das celebridades que aparece no longa (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pelo menos uma década, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/01/coralie-fargeat-de-a-substancia-pode-ser-a-4a-mulher-na-historia-a-receber-oscar-de-melhor-direcao/#:~:text=A%20Academia%20de%20Hollywood%20anunciou,entre%20os%20candidatos%20ao%20pr%C3%AAmio."><span style="font-weight: 400;">mulher indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book: O Guia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018). Em 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra na lista dos concorrentes a Melhor Documentário. Narrando a luta de </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/africa-diaspora/conheca-a-historia-de-patrice-lumumba-libertador-do-congo-que-faria-96-anos-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Patrice Lumumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> para tornar a República Democrática do Congo um país independente, o longa de Johan Grimonprez aposta em imagens de arquivo para costurar a história.</span></p>
<p><span id="more-34756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer consideração direta sobre o documentário, é admirável a presença dele no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2025, sobretudo, por se posicionar não apenas sobre um acontecimento histórico, mas também contra bilionários de extrema-direita, como Elon Musk e seu(s) interesse(s) em </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-04/niquel-litio-e-satelites-conheca-interesses-de-musk-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">minérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, coincidentemente (o filme é de 2024), marcaram presença na posse do presidente Donald Trump. A premiação é uma catapulta para a visibilidade de muitas obras, sem ela, provavelmente, a fita e as ideias de Grimonprez passariam despercebidas pelos cinemas brasileiros. Ironicamente, o imperialismo ainda decide quem é visto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado </span></i><span style="font-weight: 400;">necessita de muito fôlego para encarar 150 minutos de muita informação, enfoques, imagens e áudios que se devoram. A sensação provocada é de confusão, uma trama política complexa demais para querer mirar no </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, na Guerra Fria, no imperialismo e em outras tramoias, mesmo que elas estejam interligadas. O documentário pode ser encaixado no que seria um filme de solicitação, conceito apresentado pelo crítico </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/o-cinema-segundo-paulo-emilio-9ah48ueixtvqru0wnpr6wjv0z/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Emílio Sales Gomes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, há mais perguntas sendo feitas do que respostas ao espectador.</span></p>
<figure id="attachment_34758" aria-describedby="caption-attachment-34758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo centro da imagem, está Patrice Lumumba, ele está com as duas mãos erguidas mostrando o pulso enfaixado. Ele está com uma expressão séria, veste terno e gravata. Lumumba é um homem adulto de pele negra, seu cabelo é curto e ele tem bigode e cavanhaque. No lado direito, há um homem, também usando terno. " width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-768x497.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34758" class="wp-caption-text">Patrice Lumumba foi torturado e morto em 1961 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir de vivências, aproximações e outras estruturas que alguém gosta ou não de uma obra. Por exemplo, o grau de conhecimento sobre o gênero de Terror vai definir a apreciação de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-todo-mundo-em-panico/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) para além das piadas </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsenses</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse fator é fundamental nesse documentário, que, como em um anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> que nem sentimos chegar, interrompe sua narrativa para transmitir uma propaganda do carro </span><i><span style="font-weight: 400;">Tesla</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem os relacionar por meio de narrações com os fatos ali mostrados. É necessário, de quem vê, o conhecimento prévio sobre Elon Musk e fabricação de baterias, mas também de exploração de recursos e de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um gênero de improvisos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal fator está longe de ser um problema, é sua característica, inclusive para temas que não devem ser mastigados. A introdução das peças publicitárias de forma abrupta é um ótimo acerto para transmitir a ideia de que o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/10/07/o-que-e-imperialismo-pesquisadoras-explicam-o-que-esse-debate-tem-a-ver-com-sua-vida"><span style="font-weight: 400;">imperialismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda faz presença, de modo que tira e repõe você da história em uma fração de segundo. Mas e a trilha sonora que dá o título para o filme? Infelizmente, é o elemento que está mais desconectado, sendo usado de forma eficiente em raras ocasiões. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Trilha Sonora pra um Golpe de Estado - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Aib5z2elhGY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como início as opiniões de figuras políticas sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas delas negativas, a Música é compreendida como ruído. Um dos personagens diz que desliga o rádio quando o gênero começa a tocar. Já em determinado trecho do filme, um dos narradores diz que os trâmites para conquistar a liberdade na República Democrática do Congo são conduzidos por músicas diferentes: a ONU não ouve </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, não escuta a voz do povo. Outras tomadas conseguem extrair sentimento, como a cena em que Louis Armstrong canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LDPUfbXRLM"><i><span style="font-weight: 400;">Black And Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felizmente, </span><a href="https://olhardigital.com.br/2025/01/28/cinema-e-streaming/indicados-ao-oscar-2025-veja-onde-assistir-a-cada-filme-online-nos-streamings/"><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toma posição e revela lados e figuras da história que tendem a ser apagados da equação imperialista – o que é fundamental em um filme que interpreta fatos, ao invés de apenas os narrar. Entretanto, sua forma não linear e o excesso de enfoque tornam a experiência enfadonha: o quanto você absorveu do que viu é a pergunta que fica ao sair da sessão. </span></p>
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		<title>Quanto custa uma noite no Motel Destino?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Aug 2024 18:38:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger Efervescente, colorido e quente, Motel Destino propõe um noir no calor do Ceará. O novo longa do diretor Karim Aïnouz chega aos cinemas após celebrada estreia no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro. Aïnouz repete a parceria com a diretora de Fotografia francesa Hélène Louvart, que também trabalhou ao seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/motel-destino-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quanto custa uma noite no Motel Destino?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33838" aria-describedby="caption-attachment-33838" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1.png" alt="Cena do filme Motel Destino. À esquerda, uma mulher está de lado, virada para Heraldo. Ela está com um cigarro entre os dedos na altura da boca dele e eles estão se olhando." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33838" class="wp-caption-text">Motel Destino é o primeiro filme de Aïnouz rodado inteiramente no Ceará desde O Céu de Suely, de 2006 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Efervescente, colorido e quente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">propõe um </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> no calor do Ceará. O novo longa do diretor Karim Aïnouz chega aos cinemas após celebrada estreia no </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/estreia-de-motel-destino-reune-famosos-em-cannes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde concorreu à </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/estadao-conteudo/2024/05/25/festival-de-cannes-anora-de-sean-baker-ganha-palma-de-ouro.htm"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aïnouz repete a parceria com a diretora de Fotografia francesa </span><a href="https://personaunesp.com.br/nezouh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hélène Louvart</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também trabalhou ao seu lado em </span><a href="https://cinefestivais.com.br/formas-de-voltar-para-casa-karim-ainouz-fala-sobre-a-vida-invisivel/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Invisível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É o olhar dela que define o tom da história, através das cores saturadas e texturas granuladas que levam ao visual frenético.</span></p>
<p><span id="more-33832"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beira da estrada, o motel é o personagem principal. Sob as luzes </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele respira, pulsa, fala, geme e dita as regras. Do portão para dentro, os protagonistas se entregam ao prazer e ao instinto. O suor que cai sobre os lençóis emaranhados do </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de calor, desejo e tensão, e todos se misturam. Há um magnetismo perigoso ali dentro, Karim Aïnouz definiu o local como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um vórtex do inconsciente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que engole e prende quem entra, durante coletiva de imprensa em que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteve presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos quartos é onde as fantasias têm lugar, nos corredores de manutenção acontece a vida que ninguém vê. Conforme a narrativa progride, o ambiente compõe o cenário de um pesadelo, como se as paredes se estreitassem a cada minuto ao passo que as tensões vão chegando mais perto do ponto de ebulição. As cores, a luz, a música e toda a composição levam a intensidade ao máximo e te fazem pensar: qual foi, um dia, a graça de um </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem calor e sem suor? Como já  aceitamos, no passado, qualquer demonstração do relacionamento dos personagens que  não era coreografada ao som de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C9vVLSivqrv/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pega o Guanabara e vem</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<figure id="attachment_33836" aria-describedby="caption-attachment-33836" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Motel Destino. Da esquerda para a direita: Elias, Dayana e Heraldo. Os homens estão de sunga e shorts e a mulher com um conjunto curto verde. Eles estão dançando no sol na frente de uma piscina." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33836" class="wp-caption-text">Motel Destino foi eleito o filme mais sexy de Cannes pela revista estadunidense Vanity Fair (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história é clássica, pode-se dizer que já está batida, mas a execução única garante uma experiência deliciosa na audiência. Nesse caso, a forma salva o conteúdo. O potencial criado pela obra comportava mais ambição do que o enredo, escrito por Aïnouz em parceria com Wislan Esmeraldo e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/a-mentira/"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Zacharias</span></a><span style="font-weight: 400;">, entrega. Por maior que seja a contradição com as ideias do filme, ele é engessado, e depende do seu jogo de cintura para não cair em mais do mesmo que já vimos antes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme provoca: o que acontece quando os arquétipos da sociedade brasileira se encontram entre quatro paredes? </span><a href="https://youtu.be/3I9Y4Salk1o?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Iago Xavier</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem seu papel de estreia interpretando Heraldo, um jovem desprivilegiado que vive em fuga. Já </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/erotismo-e-ocio-atriz-conta-bastidores-do-filme-motel-destino/"><span style="font-weight: 400;">Nataly Rocha</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque por sua performance intensa de uma mulher bem resolvida consigo mesma, porém presa em um relacionamento abusivo com o personagem de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/fabio-assuncao-avalia-motel-destino-historia-de-amor-mas-com-camadas-de-crueldade.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Fábio Assunção</span></a><span style="font-weight: 400;">, que incorpora um ex-policial sudestino em toda a sua glória; bigodudo, bêbado, agressivo e sem noção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inserção dessa tríade no universo do filme tece comentários interessantes sobre as </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/nataly-rocha-a-protagonista-de-motel-destino"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> que estão em jogo e a extensão da moralidade ambígua de cada um. Todos os personagens estão tentando escapar do destino que espreita. Eles se reconhecem no primeiro olhar, sabem imediatamente quem o outro é, e seguem em um jogo de provocações fingindo desconhecer as intenções por baixo dos panos. Heraldo e Dayana (personagem de Rocha) constroem a relação central do filme, baseada, principalmente, no encontro da busca comum por uma liberdade da qual são privados. </span></p>
<figure id="attachment_33837" aria-describedby="caption-attachment-33837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-2.png" alt="Cena do filme Motel Destino. À esquerda e ao fundo da imagem, Elias está deitado na cama, de sunga, e com as mãos sobre o rosto. No centro, sentado na cama, Heraldo olha para o rosto de Dayana, que está sentada mais para a beirada da cama, no canto direito da imagem, olhando para baixo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-33837" class="wp-caption-text">Aïnouz anunciou que pretende iniciar uma trilogia de filmes cearenses com Motel Destino (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sexo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é coberto por qualquer véu do pudor, muito pelo contrário, é nu (literalmente) e cru, o que permite que a audiência e os personagens entre si conheçam exatamente quem eles são, despidos de tudo que usam de fachada. É uma história física, os corpos – como a câmera de </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/o-destino-de-um-filme-e-de-uma-geracao-num-brasil-em-transe/"><span style="font-weight: 400;">Aïnouz</span></a><span style="font-weight: 400;"> os revela –  comunicam tanto quanto, senão mais que, o texto do roteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resposta ao Persona, durante a coletiva realizada no </span><a href="https://www.cinebelasartes.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Reag Belas Artes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor compartilhou que faz passagens em silêncio durante as gravações, removendo por completo o diálogo das cenas. Contou também que pegou a ideia de uma entrevista do </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/11/19/magazine/david-fincher-mank-interview.html"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Obviamente os planos que mais ficam no filme são essas passagens. As trocas de olhares e a sinergia dos corpos no espaço são muito fortes</span></i><span style="font-weight: 400;">.” Ele ressaltou ainda que, nesse filme, foi muito importante que “</span><i><span style="font-weight: 400;">os corpos estivessem à frente da palavra</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trio protagonista passa quase o tempo todo junto em um ambiente claustrofóbico.  Eles se esbarram, agarram, seguram, evitam, empurram, dançam e parecem estar sempre a um movimento brusco de tudo escalar rapidamente. A faísca da violência iminente pode acender com qualquer passo errado nos jogos de insinuação e intenções implícitas entre o motel e a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/videos/2024/05/23/motel-destino-leva-liberdade-brasileira-a-cannes-com-fabio-assuncao-nalaty-rocha-e-iago-xavier.htm"><span style="font-weight: 400;">liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">. O hedonismo desenfreado cobra um preço e </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz a audiência pagar com gosto. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Motel Destino - Trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/718qf7ESdUc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Oldboy: 20 anos do mais belo trauma geracional</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Oct 2023 12:27:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner No cativeiro de Oh Dae-su (Choi Min-sik), papéis de parede repetidamente estampados com favo de mel, uma televisão de tubo em ótimo estado e um gás capaz de fazer adormecer compõem o cenário desconcertante. O quarto nunca é invadido pela luz natural, gotas de chuva ou o barulho da cidade, mas é penetrado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oldboy-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oldboy: 20 anos do mais belo trauma geracional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31579" aria-describedby="caption-attachment-31579" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) está sentado esperando sua refeição em um restaurante especializado em sushi. A câmera o captura a partir dos ombros e a sua figura está centralizada no plano. Ele é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. O protagonista veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor preta. Um óculos de sol de armação dourada e lentes vermelhas encobre todo o seu olhar. Ao fundo, é possível observar alguns clientes sentados em mesas e quadros decorando o ambiente de iluminação baixa." width="2048" height="1137" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-800x444.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1024x569.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-768x426.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1536x853.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-1-1200x666.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31579" class="wp-caption-text">Oldeuboi ganhou o Grand Prix do Festival de Cannes de 2004 (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No cativeiro de Oh Dae-su (Choi Min-sik), papéis de parede repetidamente estampados com favo de mel, uma televisão de tubo em ótimo estado e um gás capaz de fazer adormecer compõem o cenário desconcertante. O quarto nunca é invadido pela luz natural, gotas de chuva ou o barulho da cidade, mas é penetrado por uma câmera de Cinema condicionada à perspectiva restrita do personagem, sufocando o espectador junto dele. Em 2003, o diretor sul-coreano </span><a href="https://aframe.oscars.org/news/post/park-chan-wook-oldboy-20th-anniversary-interview-exclusive"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou ao mundo a sua interpretação da série de mangá japonesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Old Boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996-1998) que, com uma paleta de tons verde, vermelho e roxo, se propôs a retratar a enorme prisão que acorrenta a sociedade e, principalmente, ocasionou o mais belo trauma geracional com um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> digno de calafrios.</span></p>
<p><span id="more-31578"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista pode até questionar “</span><i><span style="font-weight: 400;">se eles tivessem me contado que seriam 15 anos (de cativeiro), seria mais fácil de suportar ou não?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, porém, para o público, </span><a href="https://www.looper.com/1013792/the-untold-truth-of-oldboy/"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca perde os efeitos colaterais nem um pouco suaves que somente Chan-wook é capaz de realizar. Completando 20 anos de </span><a href="https://dailyutahchronicle.com/2023/08/13/oldboy-remaster-korean-cinema/"><span style="font-weight: 400;">subversão</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa ganhou uma </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/duas-decadas-depois-o-estiloso-oldboy-volta-aos-cinemas-restaurado-em-4k/"><span style="font-weight: 400;">versão remasterizada</span></a><span style="font-weight: 400;">, distribuída no Brasil pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pandora Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;">, que prova como ele consegue ser ainda mais chocante quando assistido pela segunda ou centésima vez. Sendo o filho do meio da Trilogia da Vingança, também composta por </span><i><span style="font-weight: 400;">Mr. Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2002) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005), o filme carrega o uso da ultraviolência como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Laranja Mecânica</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1972), de Stanley Kubrick. Dessa vez, o mandante não é a resposta, mas sim o motivo. </span></p>
<figure id="attachment_31581" aria-describedby="caption-attachment-31581" style="width: 1107px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Mi-do (Kang Hye-jeong) abraça Oh Dae-su (Choi Min-sik). A câmera captura ambos a partir dos ombros. Ela está de lado para a câmera, com o olhar para algo além e ele está de costas. Mi-do é uma mulher sul-coreana de cabelos e olhos escuros. O protagonista é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ela veste cachecol, gorro e luvas na cor vermelha enquanto ele veste um sobretudo preto. O cenário é de neve intensa." width="1107" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2.jpg 1107w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-2-768x500.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31581" class="wp-caption-text">Além de Seul e Busan, na Coreia do Sul, as filmagens também ocorreram na Nova Zelândia (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de diálogos como “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa menina que chora por nada</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">ela era uma vadia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, as reviravoltas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy </span></i><span style="font-weight: 400;">se sobressaem como um ótimo exemplo de homens falhando miseravelmente ao teorizar sobre como uma garota se sente em certas situações. Asas de anjo e alucinações com formigas voltando sozinha de madrugada no metrô constroem Mi-do, a figura feminina central do longa. Kang Hye-jeong é a atriz perfeita para o papel que, embora idealizado por uma maioria masculina, encontra um certo equilíbrio, aprimorado pelo diretor posteriormente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016). Ao final, a sua trajetória se conecta com mais duas mulheres, a hipnóloga Yoo Hyung-ja (Lee Seung-shin) e a leitora de Sylvia Plath, Lee Soo-ah (Yoon Jin-seo), que acaba levando a biografia da autora ao pé da letra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Caso você fique à toa, em uma cabine telefônica em um dia de chuva e encontre um homem cuja face se esconde em uma sombrinha violeta, eu sugiro que você fique perto de uma TV</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Se a história de Nobuaki Minegishi e Garon Tsuchiya liberta Oh Dae-su para mostrar como o mundo do convívio social se trata de uma prisão rodeada por dilemas morais, o formado em filosofia Park Chan-wook mergulha até o fundo. Desde os delírios com uma comunidade de formigas até a relação íntima com o universo da Televisão – em que amor, educação e religião são encontrados com facilidade pelo controle remoto –, o cineasta tira sarro do protagonista ao passo em que se deixa levar pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/"><span style="font-weight: 400;">simetria e espelhamento de cenas</span></a><span style="font-weight: 400;">, elementos característicos que entregam para o público quem está no comando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o parceiro de longa data Chung Chung-hoon na Fotografia, a película assume com intensidade as cores e os ângulos perturbadores que, juntamente de uma câmera em movimento constante, ditam a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/45401/1/exploring-the-fashion-in-park-chan-wook-oldboy"><span style="font-weight: 400;">atmosfera estilosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> desse clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller neo-noir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ryu Seong-hee, também envolvida em grande parte da filmografia de Chan-wook, traz para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6YmMXwtp314"><span style="font-weight: 400;">design de produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> o enjoo e a ansiedade causados pelos elementos que compõem os </span><a href="https://www.archdaily.com/358958/films-and-architecture-old-boy"><span style="font-weight: 400;">cenários</span></a><span style="font-weight: 400;">, desde o cativeiro extremamente decorado até a cobertura minimalista de Lee Woo-jin (Yoo Ji-tae). A trilha sonora de Jo Yeong-wook não destoa e é responsável por desencadear calafrios a cada acorde, ecoando os pensamentos mais impróprios dos personagens que, por sua vez, ressoam na consciência da audiência. </span></p>
<figure id="attachment_31582" aria-describedby="caption-attachment-31582" style="width: 1266px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) se apoia nos ombros de Lee Woo-jin (Yoo Ji-tae). A câmera os captura a partir da cintura. Oh Dae-su é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que segura um pano na cabeça para estancar todo o sangue que escorre pelo terno preto. Lee Woo-jin é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que veste uma jaqueta azul fechada por cima de uma blusa roxa, além de um chapéu de pescador na cor cinza. Ao fundo, o cenário é uma rua movimentada pelo tráfego, porém desfocada, deixando os personagens em destaque na composição." width="1266" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3.jpg 1266w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31582" class="wp-caption-text">A fanbase de Yoo Ji-tae se surpreendeu com a performance vilanesca do ator em Oldboy &#8211; Velho Amigo (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de tantas qualidades, os pontos baixos da obra se concentram no excesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que colocam em dúvida o roteiro de Park Chan-wook, Lim Joon-hyung e Hwang Jo-yun. Atrelado ao uso dessa ferramenta, a narração do ‘eu do futuro’ facilita o trabalho dos escritores em explicarem uma narrativa complexa para o espectador. No entanto, mesmo que dotado de ressalvas, o trio amarra a história e proporciona o verdadeiro </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oldboy-o-que-diretor-mudaria-no-classico-filme-sul-coreano/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento do protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, um homem inicialmente devotado em anotar os nomes de quem magoou em busca de respostas como um diário de prisão até perceber que está escrevendo uma autobiografia sobre seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">atos perversos</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">seja uma pedra ou um grão de areia, na água eles afundam da mesma forma</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os acasos satíricos quase extraordinários, como o fato do primeiro humano que Oh Dae-su encontra após anos se tratar de um suicida, transformam o longa em um estudo sobre </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/oct/11/park-chan-wook-interview-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">ética e salvação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na pele do encarcerado, o veterano Choi Min-sik é esplêndido. Seja comendo um polvo vivo ou lutando contra dezenas de homens com um martelo em um corredor estreito, o ator entrega a dramaticidade necessária. Tal poder é realçado quando Min-sik contracena com Yoo Ji-tae, intérprete do um tanto quanto ninfomaníaco Lee Woo-jin. Contrariando o mantra que eles repetem “</span><i><span style="font-weight: 400;">ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ambos se completam em cena e choram juntos ao final, ainda que por instintos diferentes, tornando nebulosa a divisão entre o que define um mocinho e um vilão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31583" aria-describedby="caption-attachment-31583" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Oldboy. Na imagem, Oh Dae-su (Choi Min-sik) segura um martelo nas cores preto e amarelo na direção da câmera que, por sua vez, o captura a partir dos ombros. O protagonista é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros que veste terno na cor preta. Ele olha diretamente para a lente e, ao fundo, o cenário é marcado pelos tons esverdeados e arroxeados que compõem o corredor do local que serviu como cativeiro por 15 anos." width="1118" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-800x515.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-1024x659.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-4-768x495.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31583" class="wp-caption-text">Choi Min-sik não usou dublês para as cenas de ação icônicas de Oh Dae-su no filme (Foto: Show East)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Embora eu não passe de um animal… não tenho o direito de viver?”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Cannes de 2004, onde arrancou elogios do presidente do júri, </span><a href="https://www.seattletimes.com/entertainment/tarantino-opens-doors-for-graphic-korean-filmmaker/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Park Chan-wook é, sem dúvidas, a melhor adaptação do mangá original. Por ser uma produção fora de Hollywood, o filme não escapou de ter um </span><a href="https://www.indiewire.com/features/general/park-chan-wook-spike-lee-oldboy-remake-surreal-1234791474/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> questionável</span></a><span style="font-weight: 400;"> assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vdQfLoMh1N0"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente alimenta a ânsia por vingança dos fãs do cineasta sul-coreano. Passadas duas décadas desde seu lançamento, a produção é </span><a href="https://filmustage.com/blog/a-philosophy-of-violence-park-chang-wook/"><span style="font-weight: 400;">explicitamente violenta</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, é a imaginação que causa o medo e as consequências em torno de Oh Dae-su e Lee Woo-jin, os dois alunos do Colégio Católico Sangnok reunidos pela página </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> Evergreen Old Boys. Belíssimo, o longa é um trauma geracional tanto para a árvore familiar envolvida na trajetória dos personagens, quanto para o público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer oficial - Oldboy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WEi_RXR0jnA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A serena onda de vida de La Parle</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 16:08:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Lar de navegantes, marinheiros e piratas, os oceanos sempre tiveram sua importância para a Humanidade. Os sete mares foram protagonistas na compra de especiarias e temperos, em descobrimentos e guerras. Além de água, sal e matéria orgânica, eles são compostos por mistérios, histórias e lendas; sereias, tubarões gigantes e os mais diversos monstros &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/la-parle-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A serena onda de vida de La Parle"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31417" aria-describedby="caption-attachment-31417" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31417" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2.png" alt="Cena do filme La Parle. A imagem é em preto e branco. Em uma cozinha, aparecerem, esquerda para a direita: Fanny Boldini, Simon Boulier, Kevin Vanstaen e Gabriela Boeri" width="1366" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31417" class="wp-caption-text">Co-produzido pelas brasileiras Claraluz Filmes e Kinoteka, junto à francesa Les Films Bleus, La Parle é fruto da residência cinematográfica feita por Claude Lelouch – o diretor de Um Homem, Uma Mulher (1966) e de Os Miseráveis (1995) [Foto: Pandora Filmes]</figcaption></figure><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lar de navegantes, marinheiros e piratas, os oceanos sempre tiveram sua importância para a Humanidade. Os sete mares foram protagonistas na compra de especiarias e temperos, em descobrimentos e guerras. Além de água, sal e matéria orgânica, eles são compostos por </span><a href="https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/conheca-tres-misterios-do-oceano/"><span style="font-weight: 400;">mistérios</span></a><span style="font-weight: 400;">, histórias e lendas; </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/afinal-sereias-existem/"><span style="font-weight: 400;">sereias</span></a><span style="font-weight: 400;">, tubarões gigantes e os mais diversos monstros habitam-nos. Porém, mesmo com suas peculiaridades obscuras, pode-se encontrar no mar um dos fenômenos mais belos da Terra: as </span><a href="https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2023/03/18/como-as-ondas-do-mar-se-formam-e-o-que-provoca-as-ressacas.htm"><span style="font-weight: 400;">ondas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cristalinas e salgadas, elas são responsáveis pela trilha sonora e por parte da paisagem das praias. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">E se as ondas existissem para nos lembrar de que ainda estamos vivos?</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">É com essa reflexão sobre as ondas do mar que começa o drama franco-brasileiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BZ6fr8N6tLA"><i><span style="font-weight: 400;">La Parle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dirigido, roteirizado e protagonizado pela brasileira Gabriela Boeri, e pelos franceses Fanny Boldini, Kevin Vanstaen e Simon Boulier, o longa é situado em Guéthary, cidade na </span><a href="https://www.france.fr/pt/biarritz-pais-basco/lista/caminho-da-costa-basca-um-prazer-para-os-olhos!"><span style="font-weight: 400;">Costa Basca Francesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, e gira em torno da lenda de La Parle, uma onda mística, responsável por revirar sentimentos e emoções. Vivendo um verão litorâneo e europeu, cada integrante do quarteto tenta aproveitar o sol, saborear o sal e respirar a </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-a-maresia"><span style="font-weight: 400;">maresia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua maneira. Gabriela reflete sobre saudades de seu país natal; Fanny teme e evita um resultado; Kevin tenta terminar a montagem de seu filme, enquanto Simon usufrui das diversões praianas, e torce para que os amigos se juntem a ele e consigam descansar.</span></p>
<p><span id="more-31412"></span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CjfuRVwuKgy/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/CjfuRVwuKgy/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CjfuRVwuKgy/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Gabriela Boeri (@gabiboeri)</a></p>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2022 na França, durante o </span><a href="https://www.fifsaintjeandeluz.com/"><span style="font-weight: 400;">Festival International du Film de Saint-Jean-de-Luz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme ancorou no Brasil pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/46a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">46ª Mostra</span></a><span style="font-weight: 400;"> Internacional de Cinema de São Paulo, e chegou às telonas no final de Junho de 2023, com distribuição feita pela Pandora Filmes. Em uma residência cinematográfica na casa de Claude Lelouch, era a primeira vez que Fanny, Gabriela, Kevin e Simon se encontravam. E, por causa de uma </span><a href="https://www.forbes.com/sites/davidphelan/2019/05/25/movie-shot-on-iphone-from-oscar-winning-director-premieres-at-cannes-film-festival-filmic-pro/?sh=1d2397b41b4e"><span style="font-weight: 400;">ideia do cineasta sênior</span></a><span style="font-weight: 400;"> – fazer um filme com o celular, sem tentar imitar uma câmera de cinema –, se uniram e deram início à produção do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser gravado, em sua maioria, com câmeras de </span><i><span style="font-weight: 400;">iPhones</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa traz uma experiência documental que beira os </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2022/12/cem-anos-de-jonas-mekas-a-arte-de-ver-o-invisivel-clbwmuych007t0181lv8lch2e.html"><span style="font-weight: 400;">filmes caseiros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> são diversos, indo dos rostos dos protagonistas em planos fechados para o cotidiano e as paisagens litorâneos de Guéthary. Ora tremidas, ora estáveis, as cenas dão um ar sentimental e íntimo ao filme, e retratam, de forma leve e espontânea, as emoções de um período de férias veranil, quente e solar. Além disso, a informalidade das câmeras de celular fez os atores – que, até então, nunca haviam atuado – mais confortáveis durante as filmagens, dando-lhes mais liberdade para viver as gravações, deixando-nas mais naturais e cândidas. A escolha também traz a impressão de que as imagens foram feitas em primeira pessoa: quem assiste à produção assume uma presença de personagem, como se estivesse ao lado de Fanny, Gabi, Kevin e Simon.</span></p>
<figure id="attachment_31416" aria-describedby="caption-attachment-31416" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31416" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1.png" alt="Cena do filme La Parle. A imagem é em preto e branco. Há um vasto mar calmo; no lado direito, duas pessoas aparecem boiando" width="1366" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-1200x502.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31416" class="wp-caption-text">A escolha pelo preto e branco acentua o contraste dos reflexos da água do mar (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como os personagens e atores possuem o mesmo nome, o filme acaba recebendo um ‘quê’ duvidoso: </span><a href="https://www.nossocinema.com.br/entrevista-gabriela-boeri-co-diretora-e-atriz-de-la-parle/"><span style="font-weight: 400;">seriam os acontecimentos reais ou não?</span></a><span style="font-weight: 400;"> O roteiro possui como inspiração conflitos e problemas do quarteto, e assim surgiu a ficção. Tão naturais e corriqueiros, os momentos do longa são tangíveis, verossímeis e quase físicos, podendo acontecer com qualquer um. A saudade da família – mais especificamente, das avós –, o divórcio dos pais e o receio da volta de doenças são normais na vida humana, fazendo com que a película seja sentida pelo coração de muitos. Além disso, é visível que o processo de escrita foi solto e fluido, sem muitas formalidades, deixando claro que, durante as filmagens, o roteiro mudou e se adaptou às situações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os artifícios cinematográficos utilizados pelos diretores possuem uma grande importância para </span><i><span style="font-weight: 400;">La Parle</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além das câmeras de celulares, o longa conta com a ausência de cores, deixando-o ainda mais imaginativo e </span><a href="https://www.google.com/url?q=https://jornal.usp.br/cultura/cinema-experimental-no-brasil-rachou-esteticas-formas-e-conteudos/&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1694451089938619&amp;usg=AOvVaw0-IlmqknyHzSFtRfxdajq1"><span style="font-weight: 400;">experimental</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha do preto e branco lembra os filmes clássicos, com um porém: a definição é maior do que antigamente, deixando as texturas das cenas mais marcadas e robustas. A contraposição entre o longa e sua filmagem também é interessante – o contraste entre o branco, o preto e o cinza é forte, fazendo com que o clima veranil, leve e úmido se torne dramático e um pouco doloroso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dor esta que, durante seus 75 minutos, acaba surgindo por meio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">imagens de arquivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que documentam a infância de Gabriela e de Kevin. Alguns momentos ainda possuem narrações que explicam e mostram um pouco mais quem são os protagonistas. </span><i><span style="font-weight: 400;">La Parle</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda usa telefonemas e mensagens de caixa postal para enriquecer ainda mais essa narrativa tão singela e delicada: o primeiro recurso, usado por Gabi e Kevin, que conversam com seus familiares; enquanto o segundo aparece quando Fanny recebe ligações e não as atende. Em sua essência, o longa atua como um grande relato pessoal feito por quatro pares de mãos e destaca, com muita clareza, a história das duas mulheres que, com o passar do tempo, amadurecem sua amizade. </span></p>
<figure id="attachment_31414" aria-describedby="caption-attachment-31414" style="width: 1131px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31414" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/la-parle-3.png" alt="Cena do filme La Parle. A imagem é em preto e branco. Na foto, as costas de uma mulher sentada aparecem. Ela usa um maiô listrado, e uma mão masculina passa protetor solar nela, fazendo um sorriso." width="1131" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/la-parle-3.png 1131w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/la-parle-3-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/la-parle-3-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/la-parle-3-768x321.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31414" class="wp-caption-text">Protetor solar, maiôs e água: tudo para um ótimo verão (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composta por Charles Tixier e Arthur Decloedt, a </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1UvVIjOMnR9KgZBHvhi7Ac?si=PlW-dMugQN6EW37tZsTNhw"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> é leve e refrescante, como a água do mar. Acompanha – de forma orgânica e fluida – toda a narrativa, por meio de suas </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4h3YZK7lksIcM318Ze9XHE?si=e0517452a0a1481a"><span style="font-weight: 400;">canções melódicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e calmas, que lembram uma tarde ensolarada na praia, reafirmando que </span><i><span style="font-weight: 400;">La Parle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre viagens de férias de verão. Na maresia úmida e salgada da Costa Basca, há uma serenidade quase inexplicável. Há algo pacífico, relaxante, que faz a reflexão da onda mística La Parle atingir não só os protagonistas, mas também quem assiste ao longa. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A vida é uma loucura. É como o mar. Ela vai para trás, para frente, para trás, para frente, e cada vez novas coisas se acrescentam na viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Fanny. E Simon responde: “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma nova onda, nunca a mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que contribui ainda mais para a serenidade sincera de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Parle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a única cor que é mostrada além do preto e branco, mesmo que em pequenos detalhes. O azul, tom do mar e tom do céu, reafirma a tranquilidade, a harmonia e a espiritualidade. As ondas de sentimentos mostram que, mesmo em um longa tão calmo e despreocupado, muitos pensamentos podem aparecer. Em uma casa de veraneio, banhada pelo Oceano Atlântico, regada pelo sol europeu que só se põe tarde da noite, em meio a conversas profundas, conclusões de anseios dos mais variados podem surgir. Afinal, </span><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/diretora-e-produtora-gabriela-boeri-conta-detalhes-sobre-o-filme-la-parle-01"><i><span style="font-weight: 400;">na espera, também acontece muita coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="La Parle - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BZ6fr8N6tLA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Aug 2023 15:28:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Das discussões de sala de aula às do Twitter, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em Capitu e o Capítulo, adaptação de Dom Casmurro, o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Capitu e o Capítulo: Júlio Bressane não trai Machado de Assis e exalta o romance Dom Casmurro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31347" aria-describedby="caption-attachment-31347" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31347" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu, interpretada por Mariana Ximenes, está no centro da imagem. Os olhos lacrimejados, ela está séria, encostada em uma parede branca de aspecto áspero. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de olhos verdes e cabelos loiros. " width="1992" height="1184" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1536x913.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31347" class="wp-caption-text">Capitu e o Capítulo foi exibido no Festival do Rio em 2021, mas só chegou aos cinemas em 2023 devido à pandemia e às janelas de filmes brasileiros, que precisam dividir espaço com produções americanas (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das discussões de sala de aula às do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, Capitu traiu ou não Bentinho? Narrado pelo protagonista, a ausência de veredito provoca o clássico embate da obra de Machado de Assis. Em </span><a href="https://youtu.be/Jre3293igmA"><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o diretor Júlio Bressane mantém o olhar subjetivo do narrador enquanto passeia entre a dúvida e a ilusão. Na trama, Bentinho (Vladimir Brichta) acredita que sua esposa Capitu (Mariana Ximenes) o traiu com Escobar (Saulo Rodrigues), seu melhor amigo. </span></p>
<p><span id="more-31346"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ajustar a história do maior adultério do país para a linguagem visual, Bressane já havia feito sua própria versão de outro romance machadiano, </span><a href="https://youtu.be/CnAUE4j0TOU"><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985), releitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias Póstumas de Brás Cubas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Narrando através de imagens de mares, esqueletos e lapsos da infância do protagonista, o diretor criou sua versão com autoria. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele mantém seu estilo e cria uma unidade para as adaptações do escritor brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, as memórias são contadas pelo protagonista em sua versão mais velha, agora chamado de Dom Casmurro (</span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/enrique-diaz/"><span style="font-weight: 400;">Enrique Díaz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que inicia seu relato com a seguinte frase: “</span><i><span style="font-weight: 400;">nesse livro que aqui escrevo, eu confessarei tudo que importar à minha história</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Só entra na confissão aquilo que ele acha relevante. O enredo segue a versão contada por Bento e também a conjuntura de Machado de Assis em como realizar a grande questão de traidora ou vítima. </span></p>
<figure id="attachment_31350" aria-describedby="caption-attachment-31350" style="width: 1979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. As personagens Capitu (Mariana Ximenes) e Bentinho (Vladimir Brichta) estão de perfil. Ela (à esquerda) com os olhos semicerrados, desafia-o. Ele (à direita) a encara com olhar piedade. Capitu veste um vestido azul claro, estampado com flores laranjas. Bentinho usa terno preto com gravata borboleta. Mariana Ximenes é uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos verdes. Vladimir Brichta é um homem branco, alto, de cabelos lisos de cor castanha e possui muita barba ao redor do rosto. Entre eles há uma pintura de retrato, que pode ser de Capitu pela semelhança nas aparências, a mulher do quadro é branca, cabelos loiros, olhos claros e usa uma vestimenta de cor azul. " width="1979" height="1189" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.jpg 1979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1536x923.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31350" class="wp-caption-text">Além de atuar no Cinema, Mariana Ximenes também dá vida para outras personagens em novelas; em 2023, ela interpretou a vilã Gilda na novela Amor Perfeito (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de arquivos de vídeo, como os da água do mar, o esqueleto e o microfone, o diretor monta novas significações aos acervos usados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Brás Cubas </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1985. Machado de Assis deu forma a sua </span><a href="https://youtu.be/9_cQ3Nc-U2A"><span style="font-weight: 400;">fluída escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao não priorizar descrições, fazer capítulos curtos e ser inventivo. Assim, o escritor se fez singular no seu tempo, sendo muito difícil de encaixá-lo dentro de uma escola literária. O cineasta também recria a façanha ao não adaptar nos moldes ‘copia e cola’, mas entendendo o autor e o que faz do clássico ser considerado tal, o assimilando ao seu estilo de direção e fazendo um exercício da linguagem cinematográfica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos devaneios de Casmurro, ele evita verborragia com vídeos sugestivos que (talvez) possam adentrar no subjetivo do crânio de cada personagem. Bressane também recria o conflito do adultério, ainda que deixe claro sua posição a favor de </span><a href="https://youtu.be/P5_0X72Ocec"><span style="font-weight: 400;">Capitu</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das iluminações escuras do rosto de Dom Casmurro, ao carinho que filma Ximenes e às cores que compõem seus </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de flores &#8211; tranquilas, frias e ornamentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra original, a direção permite o espectador tirar sua própria conclusão e o induz a cair na paranoia através de um vestido vermelho que não cobre a região dos trapézios. Isso acontece até mesmo quando Capitu fica entre paredes, oprimida pela bela casa fruto do matrimônio que coloca o homem no cume do guarda-chuva, embora os mesmos cantos também possam encurralar uma </span><a href="https://youtu.be/Fg3XSHMOeto"><span style="font-weight: 400;">adúltera</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando descobrem seu maior segredo. </span></p>
<figure id="attachment_31351" aria-describedby="caption-attachment-31351" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg" alt="Foto da página de número 114 do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. A folha é branca, nela está escrito (à esquerda) na parte do superior Capítulo 55 (LV em números romanos) O velho diálogo de Adão e Eva. O restante da página são as falas dos personagens Brás Cubas e Virgília que se constituem apenas de pontuação, como reticências, exclamações e interrogações." width="960" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-768x1024.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31351" class="wp-caption-text">Forma como Machado de Assis narra o sexo de suas personagens (Foto: Luiz Miguel Masson/Acervo pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa parece ter sido convencido pelas indagações de Casmurro, ao produzir, através do título, um </span><a href="https://www.todamateria.com.br/paronomasia/"><span style="font-weight: 400;">paronomásia</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as palavras “Capitu” e “capítulo”. Aquela é um substantivo próprio, esta possui muitos significados: a divisão de um livro em partes, como também o ato de caracterizar alguém ou até mesmo um artigo acusatório. A primeira definição faz sentido quando se relaciona a um filme que adapta um livro, um trecho de um romance. A escolha do título </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de suma importância para já adentrar o espectador na história, que ora é uma pequena parte da vida sob a ótica de Bentinho, ora um artigo que define e acusa a esposa de ser adúltera, infiel e lasciva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens femininas, Capitu e Sancha (Djin Sganzerla), estão confortáveis consigo e suas vontades. Elas falam abertamente sobre sexo e querem ser tocadas (e não de uma forma romântica, mas para sentirem os prazeres da carne). Isso a coloca numa dissonância de expressões, principalmente da esposa em comparação à Bentinho, calado e reprimido sexualmente; colocou ilusões na cabeça. Bressane nos permite conhecer personagens para além do que o narrador conta. Não só o diretor faz isso, como também os </span><a href="https://natelinha.uol.com.br/colunas/tvxtv/2023/07/16/atuacao-da-semana-mariana-ximenes-faz-publico-odiar-gilda-com-maestria-199526.php"><span style="font-weight: 400;">atores</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguem dialogar com o público sobre as partes omitidas por Bentinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mariana Ximenes dá vida a esposa de Bentinho: cigana de </span><a href="https://youtu.be/K_Q7COiaDsw"><span style="font-weight: 400;">olhos oblíquos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sensual e afrontosa. Porém, a atriz mergulha nos infelizes olhos de cor verde, dentro da vastidão de um mar, mostrando-se incompleta e querendo ser tocada, sentida e viva. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">na paulistana e a transposição de imagens modificam o discurso do paranoico, a distanciando do que seu marido pensa que ela é. Não é à toa que ela não completa o rosto pálido do amado no início do filme.</span></p>
<figure id="attachment_31348" aria-describedby="caption-attachment-31348" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31348" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. No centro da imagem está Bentinho (Vladimir Brichta) junto a um homem tocando violino. Bentinho toca no violino. Os dois homens estão de terno preto. No fundo à esquerda, Capitu (Mariana Ximenes) está sentada observando o violinista. Ela usa um vestido azul marinho estampado com flores. Ao fundo, na parede há o desenho de uma mulher branca. Vladimir é um homem branco, alto, de cabelos lisos e castanhos e tem barba no rosto. O violinista é branco, cabelos loiros, lisos e também usa barba. Mariana é uma mulher branca e loira." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31348" class="wp-caption-text">O longa foi premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante para Enrique Díaz, Melhor Figurino e Melhor Filme pelo Júri da Crítica no 16° Fest Aruanda, o festival do audiovisual da Paraíba (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ximenes diz o que não é dito com sua atuação. A intérprete já demonstrou ser uma grande artista versátil, seja no drama de Machado de Assis, como a </span><a href="https://youtu.be/DwLVP7yyccY"><span style="font-weight: 400;">vilã amedrontadora da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">Passione</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010)</span> <span style="font-weight: 400;">ou a pureza que evolui para o rancor de sua </span><a href="https://youtu.be/Ye7YcZ8X6gI"><span style="font-weight: 400;">Aninha em </span><i><span style="font-weight: 400;">Chocolate com Pimenta </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2003). A Capitu da atriz é quase definitiva, impondo na voz a grandiosidade vista por Bento e colocando os holofotes para si em todas as cenas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bingo-o-rei-das-manhas-critica"><span style="font-weight: 400;">Vladimir</span></a><span style="font-weight: 400;"> Brichta encarna um Bentinho paranoico, com forte linguagem corporal: sempre curvado e com expressões de atrapalhado, até quase ingênuo, como se ainda não fosse adulto. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele se mostra totalmente imaturo, numa </span><a href="https://youtu.be/jHdJQ7AkRec"><span style="font-weight: 400;">representação da elite brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o escritor propôs no século XIX &#8211; e que em 2023, na atemporalidade do texto do escritor carioca, ganha a ideia dos homens do nosso tempo. </span></p>
<figure id="attachment_31349" aria-describedby="caption-attachment-31349" style="width: 1992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31349" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Capitu e o Capítulo. Capitu (Mariana Ximenes) desenha a silhueta de Bentinho (Vladimir Brichta) através de sua sombra. Ele está à direita, parado com olhar sério. Ela está à esquerda de costas, desenhando numa parede branca. No canto esquerdo há uma planta de cor verde. Mariana veste um vestido azul claro estampado com flores laranjas. Ela é uma mulher branca e loira. Vladimir usa um terno preto com gravata borboleta. Ele é um homem branco, alto de cabelos lisos e castanhos. " width="1992" height="1192" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.jpg 1992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1024x613.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1536x919.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1200x718.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31349" class="wp-caption-text">Capitu já foi adaptada para a TV pela Rede Globo, série homônima, dirigida por Luiz Fernando Carvalho em 2008 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro esconde-se em paredes de livros, lendo poesias que não viveu sob um quarto escuro. Ele fita e admira grandes poetas de outrora que morreram jovens, como Junqueira Freire e Álvares de Azevedo. Estes, exagerados e melancólicos, como define um dos versos da </span><a href="https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Lira%20dos%20Vinte%20Anos.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Lira dos vinte anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi poeta &#8211; sonhou &#8211; e amou na vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Será que Bentinho também não foi um grande sonhador? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de Dom Casmurro começar a enunciar, existe outra história sendo contada por meio de chapéus. Esses acessórios reaparecem em outras cenas e são objetos de foco, indicando &#8211; por uma revelação da trama &#8211; que os donos sejam Escobar e Bentinho. O cineasta conta uma história que o protagonista esconde. Há um jogo de investigação sútil e sugestivo acontecendo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu e o Capítulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, transgredindo a versão do narrador, executada por toda uma produção e direção que conhece &#8211; e ama &#8211; o material original e, para além disso, que domina muito bem a </span><a href="https://youtu.be/0ZTbplUw_-A"><span style="font-weight: 400;">linguagem do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, tudo isso pode ser mera interpretação. O que fica é a proposta de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/06/julio-bressane-sintetiza-seus-quase-60-filmes-em-obra-de-7-horas-com-cenas-ineditas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Júlio Bressane</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, assim como Machado de Assis, deixou para gerações decidirem se a protagonista do título traiu ou não para patamares não só de conteúdo, como também forma. Muito pode ser discutido da execução do diretor: escolhas de enquadramentos, figurinos, montagem, ângulos ou se alguma personagem no meio disso só é bastante insegura. </span></p>
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		<title>O que aconteceu com o brilho da Garota Radiante?</title>
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		<pubDate>Mon, 29 May 2023 15:38:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale Em um tom alegre e cheio de espírito, A Garota Radiante (2021) retrata a história de Irène (Rebecca Marder), uma adolescente apaixonada por Teatro. Dirigido e roteirizado por Sandrine Kiberlain, o longa francês é ambientado no ano de 1942 e mostra como é a vida de uma família judia, expondo, pouco a pouco, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-garota-radiante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que aconteceu com o brilho da Garota Radiante?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30985" aria-describedby="caption-attachment-30985" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30985 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251.png" alt="Cena do filme A Garota Radiante. A atriz francesa Rebecca Marder aparece no centro da imagem, e é uma jovem de pele clara, cabelos castanhos e olhos claros; ela usa uma blusa marrom e um casaco azul. Atrás da atriz, existe um caminho de árvores desfocadas." width="1366" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-800x330.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-1024x422.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-768x317.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1-e1685374207251-1200x495.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30985" class="wp-caption-text">Irène queria uma coisa: brilhar nos palcos dos teatros (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tom alegre e cheio de espírito, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) retrata a história de Irène (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9ZLzZw0utY"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Marder</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma adolescente apaixonada por Teatro. Dirigido e roteirizado por Sandrine Kiberlain, o longa francês é ambientado no ano de 1942 e mostra como é a vida de uma família judia, expondo, pouco a pouco, as proibições e os impedimentos impostos pelo nazismo. O filme é leve, divertido, mas traz em seus detalhes e entrelinhas o terror da época, que assusta, de uma forma ou de outra, o espectador, alertando-o do que pode estar por vir. </span></p>
<p><span id="more-30983"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de outras obras que têm a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo – como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GAf0nGq_FXQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BFwGqLa_oAo"><i><span style="font-weight: 400;">O Pianista</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003) – , </span><i><span style="font-weight: 400;">Une jeune fille qui va bien</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) mostra uma cidade ‘normal’: não há destruição, bombardeios, exércitos nem bandeiras nazistas em Paris. Há somente bicicletas, ruas de paralelepípedos e edifícios no estilo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160203_vert_cul_criador_paris_lab"><span style="font-weight: 400;">Haussmann</span></a><span style="font-weight: 400;">. A narrativa retrata a vida de Irène de uma forma enérgica, em que a jovem aproveita todos os instantes, enquanto descobre a paixão e tenta entrar no Conservatório da cidade. Como se fosse uma grande neblina, as vivências da garota tentam encobrir as anormalidades que acontecem durante o filme.</span></p>
<figure id="attachment_30987" aria-describedby="caption-attachment-30987" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.png" alt="Cena do filme A Garota Radiante. Na imagem, sete jovens aparecem, na frente de uma porta vermelha: quatro estão de pé, e três estão sentadas." width="1366" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30987" class="wp-caption-text">O cotidiano da jovem foi abalado de forma trágica (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui diversos contrastes. Um deles é o otimismo e despreocupação da protagonista em comparação à preocupação de André (André Marcon), seu pai. Enquanto ela vive sem se importar com as consequências de suas ações, ele se atenta a cada detalhe; além disso, a avó, Marceline (Françoise Widhoff), se aflige e chega a negar a situação em que se encontram, a fim de tentar proteger a família. É uma dualidade estranha: as proibições do nazismo &#8211; como o confiscamento de rádios, telefones e bicicletas, além dos documentos carimbados com ‘judeu’ em letras vermelhas e garrafais, e o uso de uma </span><a href="https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/jewish-badge-during-the-nazi-era"><span style="font-weight: 400;">Estrela de Davi amarela</span></a><span style="font-weight: 400;"> costurada no peito &#8211; são tratadas por Irène sem muita importância, como se fossem coisas quaisquer, mesmo que elas tenham impacto em sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante seus 88 minutos, o longa afirma, através de pequenos momentos, que a normalidade cotidiana dos </span><a href="https://aboutholocaust.org/pt/facts/como-os-alemaes-sabiam-quem-era-judeu"><span style="font-weight: 400;">judeus parisienses</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi abalada. O desenrolar do filme se dá pela confusão de alguns personagens: será que o sumiço de colegas, vizinhos e amigos foram causados por viagens de férias ou por sequestros? Uma fração do elenco começa a temer o que está acontecendo, enquanto a outra acha que tudo está como o habitual. É uma espécie de cegueira, que – infelizmente – acontece até hoje. A impossibilidade e incapacidade de enxergar o que está ocorrendo, por parte da protagonista, preocupa sua família, por não conseguir ver os perigos que corre durante o dia a dia.</span></p>
<figure id="attachment_30984" aria-describedby="caption-attachment-30984" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2.jpg" alt="Foto em preto e branco do set de produção do filme A Garota Radiante. Duas mulheres aparecem sentadas lado a lado na imagem. A mulher da esquerda é a atriz Rebecca Marder; a da direita é Sandrine Kiberlain, a roteirista e diretora do filme." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30984" class="wp-caption-text">Inspirada por parte da história de seus avós, Kiberlain esperou o momento certo para dar vida ao filme (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><i><span style="font-weight: 400;">début </span></i><span style="font-weight: 400;">de Sandrine Kiberlain no papel de diretora e roteirista, a atriz realiza um trabalho satisfatório: </span><i><span style="font-weight: 400;">Une jeune fille qui va bien</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2021, e recebeu uma indicação ao prêmio Câmera de Ouro. Além disso, a atuação de Rebecca Marder foi lembrada na categoria de Atriz Mais Promissora nos prêmios Lumière e César. Este último é considerado um dos reconhecimentos mais importantes do Cinema francês e, no passado, indicou Léa Seydoux, por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RFSQAuwdS0E"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela Junie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), e laureou a diretora do </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo longa </span><i><span style="font-weight: 400;">En avoir (ou pas)</span></i><span style="font-weight: 400;"> [1995]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia – feita por Guillaume Schiffman, do premiado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Artista</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2011) – é radiante e saturada, cheia de cores vivas, sendo algo inusitado para um filme que trata assuntos tão sérios e delicados como a Segunda Guerra Mundial, diferentemente do que ocorre em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vida é Bela</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1997) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Lista de Schindler</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993), que possuem tonalidades escuras e sombrias. A trilha sonora ficou nas mãos de Patrick Desremaux e Marc Marder (o pai da atriz principal), e conta com canções mais antigas, como a francesa </span><a href="https://open.spotify.com/track/3WfBrLPAbt7G60r1n7BZ6L?si=e07d8549ac9d46e8"><i><span style="font-weight: 400;">Que Reste-t-il de nos Amours ?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charles Trenet, utilizada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Beijos Proibidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1968), produção clássica do Cinema francês. Já o guarda-roupas do longa, montado por Emmanuelle Youchnovski, possui ao mesmo tempo um ar nostálgico e moderno, mostrando como as situações retratadas ainda são atuais.</span></p>
<p><figure id="attachment_30986" aria-describedby="caption-attachment-30986" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1.jpg" alt="Cena do filme A Garota Radiante. Na imagem, o ator Anthony Bajon aparece tocando uma flauta transversal; ele é um homem branco, com cabelos castanhos e de olhos castanhos-esverdeados, e usa uma camisa bege clara e um colete de tricô marrom. À frente dele, uma moça de pele branca aparece – desfocada – tocando violino." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30986" class="wp-caption-text">O irmão de Irène, Igor (Anthony Bajon), também está envolvido com arte: ele é flautista [Foto: Pandora Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mesmo com toques sobre os medos e preocupações da época, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KHyVk4M6W-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Radiante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme divertido. Vemos como Irène é jovial, elétrica e espirituosa, com seus dilemas e descobertas normais da fase entre adolescência e idade adulta. Cheia de vida e expressões marcantes, conseguimos observar que a menina foi feita para estar em cima de palcos, sob os holofotes e dentro do teatro &#8211; ela é capaz de virar uma estrela cintilante da Quinta Arte. Porém, de um instante para outro, algo acontece com o brilho de Irène: ele se apaga amargamente, deixando um gosto ruim no céu da boca, e fazendo os corações ficarem apertados, cheios de angústia. O longa nos faz ter esperança até seu último minuto, quando percebemos que – em uma época tão inóspita como os anos 40 – a normalidade não é realmente normal, e que tudo pode mudar em um segundo, olhar ou sussurro.</span></p>
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		<title>Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 17:26:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de Carvão, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carvao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29135" aria-describedby="caption-attachment-29135" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg" alt="" width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29135" class="wp-caption-text">O enredo explosivo de Carvão faz parte da lista da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o longa desmonta a farsa do conservadorismo e a transforma em cinzas. </span></p>
<p><span id="more-29130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história nos guia pelas vidas de Irene (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/maeve-jinkings-sobre-carvao-o-absurdo-do-filme-talvez-soe-familiar"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho Jean (Jean Costa) e o marido Jairo (Rômulo Braga). A protagonista acumula responsabilidades com o trabalho, cuidados com a casa e com a família, e ainda tem um pai doente e acamado para somar às demandas. Enquanto isso, o esposo se mostra machista e impaciente, mas nada interessado em trabalhar para contribuir com os interesses da residência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18293_sobrecarga-da-mulher-aumenta-e-atrapalha-vida-profissional-o-que-as-empresas-tem-a-ver-com-isso.html"><span style="font-weight: 400;">desigual</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra insustentável e, é claro,  na primeira oportunidade o fio que segura os princípios éticos é o primeiro a se romper. Cansada de lidar com o parente, Irene recebe uma proposta irrecusável da nova enfermeira do posto de saúde. A solução é simples e mata dois coelhos com uma cajadada só: se livrar do pai enfermo e ganhar uma boa quantia em dinheiro. </span></p>
<figure id="attachment_29137" aria-describedby="caption-attachment-29137" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-2-1.jpg" alt="" width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29137" class="wp-caption-text">Carvão, co-produção Brasil-Argentina, foi exibido nos festivais de Toronto, San Sebastian e Rio (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sumir com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">idoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fácil, ele não se movimenta sozinho e a família é dona de uma carvoaria com o forno grande o suficiente para que uma pessoa desapareça. A parte difícil vem depois, com a hospedagem de um argentino foragido por tráfico dentro de casa. A situação se desenrola em incômodo e encorajamento, e a chegada de Miguel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4HK40llCP7A"><span style="font-weight: 400;">César Bordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) desperta em cada personagem uma reação singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a presença do estrangeiro revela a frustração do casamento de Irene e Jairo. A mulher passa a ver na visita uma forma de expor seus desejos, iniciando uma tentativa de sedução e adultério. A infelicidade é mútua, o marido, versado em uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/17-de-maio-a-homofobia-como-produto-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">virilidade danosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, na realidade mantém um caso amoroso com o vizinho. No meio das pontas soltas temos Jean, a criança lidando com uma criação tão ausente a ponto de ver no traficante uma oportunidade de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme cada uma dessas questões nos vai sendo apresentada, mais absurdo todo o cenário parece. Ao mesmo tempo, as peças se movimentam com uma fluidez ímpar, promovida pelas características atraentes do roteiro – também assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vp9LeV2N5PU"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com elementos simples e uma casa pouco luxuosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue nos levar para um universo muito identificável na </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual, aquele em que a imagem familiar é puramente um produto da hipocrisia. </span></p>
<figure id="attachment_29132" aria-describedby="caption-attachment-29132" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29132" class="wp-caption-text">Carvão tentou vaga para representar o Oscar 2023, ao lado de títulos como Marte Um e Paloma (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores influências da capacidade arrebatadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0nAOkzkxgw"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrela as cenas com tanta naturalidade e verdade que somos capazes de sentir a tensão presente em seus movimentos inquietos, exposta a cada possibilidade de alguém encontrar Miguel escondido no quarto de seu pai. O traficante também não fica para trás e, de maneira sincera, César Bordon cria um personagem encantador – mesmo esse ironicamente sendo o único a assumir seus desvios de moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque fica para o desempenho de Jean, que, com a típica sinceridade das crianças, dá à narrativa os pingos cômicos necessários. Sua performance também carrega uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase dolorosa: em diversos momentos, ao presenciar as cenas grotescas da atitude dos pais, vemos as </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/negligencia-e-a-forma-de-violencia-mais-comum-contra-criancas-e-adolescentes/"><span style="font-weight: 400;">consequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> refletidas em sua composição como ser humano. Instintivamente, a vontade do telespectador é tirar a criança de dentro da tela e a proteger de toda a crueldade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção fotográfica da produção também não poderia ser melhor. As escolhas do diretor de fotografia, </span><a href="https://www.pepemendes.com/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçam o cenário autêntico que abriga a narrativa, sem perder o foco nas feições. As imagens ainda abraçam pequenos detalhes, como o suor e a sujeira nas peles da família, a fumaça da carvoaria e o plano geral com a presença da natureza característica das pequenas cidades brasileiras.  </span></p>
<figure id="attachment_29138" aria-describedby="caption-attachment-29138" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg" alt="" width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29138" class="wp-caption-text">Carvão chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de novembro (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de muito para levantar grandes reflexões, sendo capaz de gerar debates sobre o valor do idoso no Brasil, a negligência com a infância e os limites das aparências. À primeira vista, sua história pode parecer um exagero, mas se pensarmos bem o disparate mora ao lado. E exatamente por isso o filme consegue nos prender: tudo é tão ficcional quanto um </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-o-assassinato-de-daniella-perez-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino que defende a moral, a pátria e a família</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece na vida, muitas vezes nossos erros são pagos por terceiros. Irene e Jairo têm seus desfechos como começos, em uma </span><a href="https://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/06/27/conservadorismo-religiao-e-politica-um-dialogo-entre-brasil-e-argentina/"><span style="font-weight: 400;">igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém parece ter medo do julgamento dos céus e muito menos do dos homens, aquilo que permanece no fogo vira cinza e não fantasma. Para Jean, o caminho parece pautado pelo sangue da mão dos pais &#8211; infelizmente alguém carrega as pedras do caminho, é inevitável. O importante é que em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, a mesa do jantar permaneça intacta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Carvão - Trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0qlaRgwrj-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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