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	<title>Arquivos Oscar Bait &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bradley Cooper orquestra o seu Maestro interior</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Todo ator é, no fundo, movido pela atenção. Acostumado a esconder a ambição por trás de performances gloriosas, seu maior pesadelo é transparecer pela pele do personagem. Essa situação terrífica acontece com Bradley Cooper que – pela segunda vez assumindo o cargo de diretor em um filme que também protagoniza –, orquestra o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maestro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bradley Cooper orquestra o seu Maestro interior"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32526" aria-describedby="caption-attachment-32526" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Na imagem, o protagonista Leonard Bernstein aparece conduzindo uma orquestra. Ele é interpretado pelo ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. A câmera captura em cores e a partir da cintura o maestro angulado para o lado com suas mãos realizando gestos para cima enquanto segura uma batuta com uma delas. Ele veste um terno preto por cima de uma camiseta branca. Ao fundo, é possível ver de forma desfocada os membros da orquestra tocando seus respectivos instrumentos e a esposa de Bernstein com seu vestido azul." width="1920" height="1411" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-800x588.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1024x753.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-768x564.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1536x1129.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-1-1200x882.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32526" class="wp-caption-text">Bradley Cooper usou 137 próteses de nariz ao longo de Maestro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo ator é, no fundo, movido pela atenção. Acostumado a esconder a ambição por trás de performances gloriosas, seu maior pesadelo é transparecer pela pele do personagem. Essa situação terrífica acontece com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bradley-cooper/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> que – pela segunda vez assumindo o cargo de diretor em um filme que também protagoniza –, orquestra o seu maestro interior em uma cinebiografia que parece dizer bem mais sobre ele do que o objeto de estudo, o lendário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x8giUJbT9Yg&amp;pp=ygUSbGVvbmFyZCBiZXJuc3RhaWVu"><span style="font-weight: 400;">Leonard Bernstein</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que tenha bons momentos, Cooper não consegue desaparecer por completo na pele do compositor do musical </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fato previsto quando acusações de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/bradley-cooper-se-defende-de-acusacoes-de-antissemitismo-causadas-pela-protese-de-nariz-em-novo-filme-da-netflix,f1a7f62aedeb49318bdd7929aad5400905njdl40.html"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> surgiram por todos os lados pelo uso questionável de uma prótese de nariz.</span></p>
<p><span id="more-32523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bHf3QA2LriE&amp;pp=ygUUbWFlc3RybyBjYnMgbW9yaW5nbnM%3D"><i><span style="font-weight: 400;">CBS Mornings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o artista revelado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex and the City</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou a afirmar ter cogitado interpretar sem maquiagem, mas que “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós tínhamos que fazer isso, caso contrário eu simplesmente não acreditaria que ele é um ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A prótese, também defendida pela família de Bernstein, foi desenvolvida pelo japonês </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/maestro-maquiador-lamenta-controversia-com-nariz-prostetico"><span style="font-weight: 400;">Kazu Hiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialista em efeitos visuais já coroado pelas premiações de Cinema tradicionais, que se desculpou aos que ficaram ofendidos. Acontece que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, o nariz é, não ironicamente, o menor dos problemas. Depois de algumas cenas, o público se acostuma gradativamente. O longa sofre é com o ego de Bradley Cooper que, enquanto visualmente se despede de suas características, não se livra da atmosfera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32527" aria-describedby="caption-attachment-32527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da esquerda para a direita da imagem, o protagonista Leonard Bernstein aparece ao lado de sua esposa, Felicia Montealegre. Ele é interpretado pelo ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, e ela por Carey Mulligan, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. A câmera captura ambos em preto e branco e parcialmente: Bernstein está sentado com um dos cotovelos se apoiando em seu joelho enquanto segura um cigarro na mão e Montealegre está segurando um cigarro com uma mão e a mão de seu marido com a outra. Ele veste um terno preto por cima de uma camiseta branca com uma gravata de estampa enquanto ela veste um vestido preto. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar aconchegante." width="1920" height="1371" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-800x571.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1024x731.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-768x548.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1536x1097.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-2-1200x857.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32527" class="wp-caption-text">Carey Mulligan descreveu a preparação com Bradley Cooper como a “mais intensa de sua vida” para a Vogue (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a compra dos direitos autorais em 2008, a história de vida do protagonista passou pelas mãos de </span><a href="https://www.revistabula.com/71644-favorito-ao-oscar-2024-filme-produzido-por-martin-scorsese-e-steven-spielberg-acaba-de-estrear-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese e Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> até chegar em Cooper. Mesmo diante de falhas, ele é um bom ator e diretor, além de ter alguns trabalhos sólidos na filmografia. O seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> atrás das câmeras, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nasce-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nasce Uma Estrela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018), é um dos filmes sobre o universo da Música mais notáveis dos últimos anos e o traz como um ótimo protagonista. Embora esse feito não se repita em </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, algumas sequências do longa impressionam como os minutos iniciais, quando o jovem Lenny é agraciado com a chance de conduzir uma orquestra, com o seu entusiasmo genuíno ultrapassando os limites dos 35 milímetros utilizados nas filmagens em preto e branco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Bradley Cooper e Josh Singer, coloca em foco o casamento de Leonard Bernstein e Felicia Montealegre – atriz estadunidense de ascendência costarriquenha –, interpretada com muita delicadeza por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/carey-mulligan/"><span style="font-weight: 400;">Carey Mulligan</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, quando em cena com qualquer outra peça do elenco, ‘dá um baile’. Essa narrativa em torno de um homem cujo maior defeito aparentemente foi amar demais tem seus percalços ao passo em que força os personagens em seu entorno a relembrá-lo de todos os seus feitos como uma forma simplista de não perder a atenção do espectador. Outro ponto no mínimo peculiar é o uso do cigarro como vírgula em quase todos os diálogos; honestamente, se eles não parassem para fumar a cada fala talvez o filme durasse meia hora a menos. </span></p>
<figure id="attachment_32528" aria-describedby="caption-attachment-32528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da esquerda para a direita da imagem, Felicia Montealegre aparece sendo filmada pelo ator e diretor Bradley Cooper. Ela é interpretada pela atriz Carey Mulligan, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros, e ele é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros. A câmera captura ambos com um ângulo de lado, em preto e branco e totalmente: Montealegre está sentada fumando enquanto Cooper a observa ajoelhado com uma câmera em mãos. Ela veste um vestido preto e sandálias e ele terno e calça pretos. Ao fundo, o cenário é o set de filmagens do filme Maestro." width="1920" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-800x600.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1024x767.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-768x576.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1536x1151.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-3-1200x899.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32528" class="wp-caption-text">Em meio às composições de Leonard Bernstein, Tears For Fears dominam as festas com Shout (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o início do longa parece formar um ambiente sereno como as composições de Bernstein, os atos seguintes provam que, felizmente, essa não é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N7htwdIXvrU&amp;pp=ygURbWFlc3RybyBpbnRlcnZpZXc%3D"><span style="font-weight: 400;">proposta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao som das mais belas harmonias, o relacionamento do casal desmorona apenas para se reerguer novamente, fazendo o público pagar um preço pela carga emocional elevada e justificando como, de fato, por trás de todo grande homem existe uma mulher muito otária. Mulligan cresce nos momentos mais dramáticos de sua personagem e, entre o amor e o ódio, tem um arco digno até a despedida de Montealegre. A sua trajetória é atravessada constantemente pelas decepções que tenta suportar para ver Lenny feliz, definhando conforme ele suga a energia por não conseguir ser um por inteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As grandes angústias da esposa de Leonard Bernstein também envolvem os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/maestro-os-verdadeiros-relacionamentos-e-casamento-de-leonard-bernstein.phtml"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos ‘paralelos’</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele com outros homens. Vale destacar como </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> realiza uma representação fidedigna e natural da comunidade </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/queer/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, introduzindo os amores anteriores e posteriores do protagonista com maestria, além de entregar uma cena entre pai e filha muito importante para o entendimento do cenário vivido na metade do século passado; somente não tão grandiosa pelo fato de Jamie Bernstein ser interpretada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/maya-hawke/"><span style="font-weight: 400;">Maya Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um bom tempo emulando ela mesma nas produções em que é escalada. No mais, frente a tantos embates, nem mesmo um Snoopy inflável gigante invadindo a paisagem é capaz de atenuar o clima de drama. </span></p>
<figure id="attachment_32530" aria-describedby="caption-attachment-32530" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32530" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4.jpeg" alt="Cena do filme Maestro. Da direita para a esquerda da imagem estão o ator Bradley Cooper, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, e o conselheiro musical do filme Maestro, Yannick Nézet-Séguin. A câmera captura em cores e totalmente o ator angulado para o lado com suas mãos realizando gestos para cima enquanto segura uma batuta com uma delas. Cooper veste uma camiseta branca, calça azul e sapatos pretos enquanto Nézet-Séguin, que está sentado, veste uma calça preta e uma calça jeans azul. Ao fundo, o cenário é o set de filmagens de Maestro." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32530" class="wp-caption-text">Com Maestro, o produtor Steven Spielberg estendeu seu recorde com 13 nomeações a categoria de Melhor Filme no Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exatamente como todo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait </span></i><span style="font-weight: 400;">que se preze, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu sete indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dentre as categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Roteiro Original e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2GneqgYftik"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sua maior chance está na caracterização elaborada por Kazu Hiro, Kay Georgiou e Lori McCoy-Bell, que talvez tenha lhes custado a reputação nas redes sociais, mas já levou dois prêmios do Sindicato de Maquiagem e Cabelo de Hollywood para casa. Ao longo da divulgação do filme, Bradley Cooper tentou de tudo para atrair os holofotes sobre a sua atuação, até usou das mesmas táticas de sua ex-parceira de cena, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nasce-uma-estrela-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao relatar ter visto o espírito de Lenny vagando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, nada parece tirar o homem dourado das mãos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/cillian-murphy/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, o filme trata de um cineasta tentando conduzir uma obra sobre uma lenda da Música, no entanto, que acaba orquestrando o seu próprio maestro interior. Com </span><a href="https://www.unilad.com/film-and-tv/bradley-cooper-maestro-leonard-bernstein-ethnic-cosplay-20220531"><i><span style="font-weight: 400;">cosplays</span></i><span style="font-weight: 400;"> étnicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que variam desde ofender a população judaica até escalar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nRHUCPz7UPw"><span style="font-weight: 400;">atriz britânica</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver uma latinoamericana, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece preparar o terreno para que, em alguma chance futura, Cooper possa se gabar sobre esse divisor de águas na sua carreira em sua cinebiografia. Enfatizando o monólogo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-5a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Mulaney</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p8uIHsiZ-og"><i><span style="font-weight: 400;">Governors Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; foram supostos seis anos de treinamento para executar seis minutos de perfeita condução que a audiência dificilmente saberia distinguir de uma entrega fajuta. Resta a Leonard Bernstein os aplausos eternos e a Bradley Cooper o desejo de que pense melhor sobre o seu papel.</span></p>
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		<title>A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:24:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Uma característica não muito sutil do roteirista Aaron Sorkin é seu longo interesse em narrativas históricas. Assinando textos desde o drama esportivo de Moneyball até a trama tecnológica e psicodélica de A Rede Social – responsável pelo seu único Oscar, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/apresentando-os-ricardos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26755" aria-describedby="caption-attachment-26755" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, um homem e uma mulher se encaram seriamente, como se estivessem no meio de uma discussão. O homem, Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete, que veste uma camisa marrom. Enquanto a mulher, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros, vestindo uma camisa verde e levantando a sua mão direita, pintada em esmalte vermelho, até a altura de seu peito, enquanto aponta para Desi. O cenário é o set de gravação de uma série." width="1300" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26755" class="wp-caption-text">Nicole Kidman, Javier Bardem e J. K. Simmons, indicados nas categorias de atuação, já foram concebidos com um Oscar no passado: Kidman ganhou em 2002, por As Horas; Bardem em 2008, por Onde os Fracos Não Têm Vez; e Simmons em 2015, por Whiplash (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma característica não muito sutil do roteirista </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/aaron-sorkin/"><span style="font-weight: 400;">Aaron Sorkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> é seu longo interesse em </span><a href="https://cm-ob.pt/13-best-historical-dramas-netflix-right-now"><span style="font-weight: 400;">narrativas históricas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assinando textos desde o drama esportivo de </span><a href="https://www.indiewire.com/2011/09/review-moneyball-leaves-the-math-on-the-bench-and-hits-a-triple-52071/"><i><span style="font-weight: 400;">Moneyball</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">até a trama tecnológica e psicodélica de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2010/oct/14/the-social-network-review"><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – responsável pelo seu único </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se arriscar na cadeira de direção, esse padrão continuasse em voga. Assim, depois de dois filmes com recepção razoável, ele aposta no mais apelativo dos </span><a href="https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/OscarBait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e dirige uma cinebiografia </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/166169-os-20-melhores-filmes-sobre-fazer-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">irremissivelmente metalinguística</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, se insere no anos 50, dentro dos bastidores da série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7gF-g-nNWqs"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais relevante e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">disruptiva </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da História da Televisão americana, comentando, no processo, o próprio funcionamento de um seriado. </span></p>
<p><span id="more-26754"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes do novo longa, as empreitadas de Sorkin como diretor ocorreram no morno </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/dec/31/mollys-game-review-jessica-chastain-aaron-sorkin-poker"><i><span style="font-weight: 400;">Molly’s Game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, que teve retorno positivo de crítica e conquistou espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Roteiro Adaptado. Já em 2020, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez uma campanha massiva para divulgar o aclamado </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resultando em seis indicações na premiação, incluindo Melhor Filme. No entanto, apesar do sucesso de seus dois primeiros longas, Sorkin falhou em conseguir uma indicação em Melhor Direção e, migrando agora para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi ainda mais esnobado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a sua presença marcante em </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/globo-de-ouro-2022-veja-a-lista-completa-dos-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outras premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">, a principal aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdeu a relevância e ficou em segundo plano entre os outros competidores. As únicas categorias em que foi citado foram as de Melhor Ator Coadjuvante para J. K. Simmons – por seu papel como William Framney –, e Melhor Atriz e Ator, para </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/26/im-not-just-coasting-along-nicole-kidman-on-fame-family-and-what-keeps-her-awake-at-night"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/17/javier-bardem-when-i-won-the-oscar-i-felt-great-but-it-didnt-make-any-sense"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. E, realmente, os dois últimos são os holofotes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é chamado originalmente. Ambos vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">protagonizam a narrativa na pele de Lucille Ball e Desi Arnaz, o </span><a href="https://administradores.com.br/artigos/lucille-ball-e-desi-arnaz-o-casamento-que-mudou-hollywood"><span style="font-weight: 400;">casal icônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV, responsáveis por encarnar Lucy e Ricky Ricardo em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, fora dos televisores de 60 milhões de estadunidenses, seu relacionamento era complicado e turbulento. </span></p>
<figure id="attachment_26757" aria-describedby="caption-attachment-26757" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada do set de gravação do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, Aaron Sorkin aponta sua mão para frente, enquanto conversa com Nicole Kidman, que está ao seu lado. Aaron Sorkin é um homem branco, de cabelos curtos, que veste uma camisa azul-clara, uma calça bege e um crachá vermelho que estampa seu rosto no pescoço. Na outra mão, ele segura alguns papéis. Já Nicole Kidman é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros. Ela veste uma camisa verde xadrez, uma calça preta e segura com suas duas mãos uma pasta cheia de papéis. O cenário do set é uma sala de estar." width="1600" height="1066" /><figcaption id="caption-attachment-26757" class="wp-caption-text">Em entrevista para o Hollywood Reporter, Aaron Sorkin afirmou que uma das primeiras coisas que o motivou a contar a história do relacionamento de Desi e Lucille é como “Lucille Ball não tinha nada a ver com Lucy Ricardo, e não parecia nada com Lucy Ricardo” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa em um período delicado do século XX. Em meio a </span><a href="https://www.cafehistoria.com.br/anticomunismo/"><span style="font-weight: 400;">paranoia</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Guerra Fria, o </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-o-macarthismo/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> passava por seu auge nos anos 50 e se instaurava uma caça às bruxas contra a esquerda no país. O senador Joseph McCarthy – que dá nome ao movimento – liderou uma controversa campanha que punia supostos comunistas no governo e em outras instituições, como a própria Hollywood. Diversos artistas e expoentes da cultura foram marcados nessa lista condenatória, quando ficavam com o nome sujo, eram detidos e perdiam toda a sua carreira. À pedido de seu avô, Lucille Ball se filiou ao Partido Comunista em 1936 e, apesar de nunca ter se engajado politicamente, foi vítima dessa perseguição 20 anos depois. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia no momento em que, depois de inocentada pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, Lucille é </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/being-the-ricardos-lucille-ball-really-communist.html/"><span style="font-weight: 400;">exposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em plena rádio nacional, colocando em risco a continuidade do programa. Porém, aquela semana guardava ainda mais surpresas. Em paralelo a esse colapso, espalhava-se pelos tabloides um suposto caso de traição de Desi que, embora negasse veementemente, colocava em cheque a fidelidade e integridade do casamento. E, ao mesmo tempo, Lucy ainda descobria uma gravidez inesperada, enlouquecendo toda a sala de roteiristas da série, já que, naquela época, era </span><a href="https://snews.pro/pt/p/i-love-lucy-a-gravidez-de-lucille-ball-foi-quase-polemica-demais-para-a-tv-14990561"><span style="font-weight: 400;">terminantemente proibido</span></a><span style="font-weight: 400;"> qualquer alusão sexual na Televisão, o que incluía também menções a gravidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que essas tensões efetivamente se desenrolaram na vida real. Lucille Ball foi acusada de ser comunista, ficou grávida em meio a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o que mais tarde a transformaria na </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/top-15-atrizes-gravidas/"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher gravida</span></a><span style="font-weight: 400;"> a aparecer na Televisão –,  e o escândalo da traição de Desi eventualmente estourou. Entretanto, há um detalhe basilar em como esses eventos são agrupados: eles </span><a href="https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/being-the-ricardos/"><span style="font-weight: 400;">não ocorreram</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mesma semana. Essa foi uma escolha particular de Sorkin para aumentar a carga dramática do longa – uma característica recorrente em suas obras – e para poder aglutinar a estrutura do roteiro em sete dias, já que, no filme, todos os conflitos desencadeiam em paralelo com a gravação de um dos episódios do seriado.</span></p>
<figure id="attachment_26758" aria-describedby="caption-attachment-26758" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é o set de gravação de uma série, que simula a sala de estar de uma sala, com uma mesa se jantar no centro. Centralizados, vemos quatro pessoas. Duas delas seguram as duas pontas do laço de um roupão, que veste as outras duas, prendendo-as. Segurando cada ponta das cordas, estão Desi e Lucille, interpretados por Javier Bardem e Nicole Kidman. Desi segura o lado esquerdo da corda, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros, que veste uma camisa listrada marrom e calças pretas. Já segurando o lado direito da corda, Lucille é uma mulher branca, de cabelos ruivos e tingidos que se estendem até seu ombro, que veste uma camisa verde e calça marrom. Ambos apresentam feições cômicas: Desi sorrindo e Lucille revirando os olhos. Os dois presos pelo roupão são William Framney e Vivian Vance, interpretados por J. K. Simmons e Nina Arianda. William é um homem idoso, branco, careca, que veste uma camisa verde e uma calça cinza, enquanto Vivian é uma mulher branca, loira, e veste uma camisa preta e uma calça vermelha. Os dois, que se encostam devido ao roupão, olham para lados opostos, evitando trocar olhares, e estão claramente bravos e incomodados." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26758" class="wp-caption-text">Apresentando os Ricardos é bem sucedido em contrastar a comédia pastelona e inofensiva da sitcom com seu próprio senso de humor sarcástico e depreciativo, marca registrada de roteiros de Aaron Sorkin (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é a partir disso que começam a surgir as primeiras falhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tematicamente caótico, parece que Sorkin queria fazer um comentário sobre todos os aspectos minimamente relevantes da biografia, o que torna a narrativa sem foco e confusa. Então será discutido o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/02/album/1519982287_954136.html"><span style="font-weight: 400;">machismo na indústria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Televisão, e como isso afeta tanto o lugar de atrizes, a partir de Lucille, quanto quem compõe a sala de roteiristas, através de Madelyn Pugh (Alia Shawkat); os casos de gordofobia e a desfeita contra Vivian Vance (Nina Arianda), a atriz responsável por interpretar Ethel; e a </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/encontros/papers/24-encontro-anual-da-anpocs/gt-22/gt09-12/4792-bbeserra-a-integracao/file"><span style="font-weight: 400;">xenofobia institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a produção é incapaz de distinguir nomes ‘latinos’ e ‘hispânicos’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema é que, ao atirar para todos os lados, o resultado só poderia ser superficial. Em momento algum essas temáticas se conectam, fazendo com que certos diálogos soem gratuitos, rasos, e com que, mesmo os debates que o filme estava mais apto a abordar, percam sua potência. O mesmo ocorre com a montagem do veterano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0U9BsbBCgmQ"><span style="font-weight: 400;">Alan Baumgarten</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o seu início, </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta simular uma espécie de </span><a href="https://tv.unesp.br/edicao/1704"><i><span style="font-weight: 400;">mocumentário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com personagens da trama, mais velhos, relatando os acontecimentos em entrevistas. Porém, a presença desse aspecto é frágil e utilizada somente para comentários expositivos e desnecessários. Além disso, a divisão da narrativa em dias úteis, que representa de maneira quase didática o processo de produção de um episódio – da leitura do roteiro à gravação final – é mal explorada e pouco conversa com os eventos da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tamanha algazarra, é difícil identificar qual o arco principal do longa. Poderíamos supor que trata-se da perseguição que Lucille sofre da mídia e do governo americano, mas não. Apesar de ser o primeiro pontapé da narrativa, esse elemento sequer é abordado por mais de metade da sua duração, e a protagonista se preocupa mais com a traição do marido do que em ser acusada do que era, na época, considerado um crime político. Todo o suspense e tensão que o roteiro pede são suprimidos por uma direção estéril, que peca em transmitir o real impacto dos eventos retratados. É sabido, pelo contexto histórico em que somos inseridos, o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46502709"><span style="font-weight: 400;">quão perigoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> era ter conexões com o Partido Comunista, mas o filme por si só não sustenta esse fato.</span></p>
<figure id="attachment_26759" aria-describedby="caption-attachment-26759" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e preto-e-branca. Nela, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, olha espantada para o lado, com a boca aberta. Ela é branca, com cabelos claros, e veste um lenço na cabeça, brincos nas orelhas e um vestido branco tomara que caia. O cenário é o quintal de uma casa." width="1200" height="675" /><figcaption id="caption-attachment-26759" class="wp-caption-text">Durante Apresentando os Ricardos, o elenco reproduz alguns dos momentos mais icônicos do seriado I Love Lucy; entre eles, a cena em que Lucy pisoteia uma bacia de uvas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse não passa de um chamariz que nos distrai do verdadeiro foco temático: a rivalidade egóica de Lucille e Desi. Uma família nuclear, nos desejáveis moldes do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><i><span style="font-weight: 400;">American way of life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, personificado no amor platônico e fictício dos Ricardos, mas que, ao transbordar para a vida real, se traduz em um relacionamento mesquinho, pautado por um embate constante de ego. Os dois disputam o estrelato o tempo todo e são incapazes de reconhecer o sucesso um no outro. Quando Lucille é selecionada para o papel principal de um grande filme, Desi reclama que ela havia prometido acompanhá-lo em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://hiplatina.com/latino-stereotypes-debunked/"><span style="font-weight: 400;">se incomoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> se ela é mais reconhecida que ele em bares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Lucille, porém, é um pouco diferente. Se o filme faz questão de reiterar a obsessão que sua verdadeira protagonista tem com o conceito de ‘lar’, seu ímpeto em formar uma família se confunde com a exibição de </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/documentario-sobre-lucille-ball-e-desi-arnaz-chega-em-marco-no-prime-video-com-direcao-de-amy-poehler/"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela se mostra disposta a mergulhar na mais estereotipada e infantilizada imagem feminina apenas para manter seu </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/12/being-the-ricardos-esta-longe-de-fazer-justica-a-gloria-de-i-love-lucy.shtml"><span style="font-weight: 400;">marido por perto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo com as negativas da produtora. Nicole Kidman prova-se mais que merecedora de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/midia/globo-de-ouro-2022-nicole-kidman-ganhou_m3820683"><span style="font-weight: 400;">sua conquista</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Globo de Ouro ao desenhar majestosamente o contraste entre a ingenuidade e a voz ardida de Lucy Ricardo, com sua comédia física e trejeitos exagerados, e a personalidade intransigente de Lucille Ball, com sua postura severa que domina o estúdio e manda e desmanda em todos os seus colegas de </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo o diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de descobrir o porquê essa mulher, com sua presença austera e inexorável, cria tantas ficções, descobre-se uma Lucille quebrada e exausta, que diminui os outros na necessidade de ser respeitada, e que se encontra presa em uma maldição digna dos contos dos </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/quem-foram-os-irmaos-grimm"><span style="font-weight: 400;">Irmãos Grimm</span></a><span style="font-weight: 400;">: onde ela é amada e desejada pelo marido, mas somente dentro daquele único recinto. O arco de Lucille Ball comprova o caráter performático da estrutura familiar cisheteronormativa e que, no fim das contas, a expectativa posta sobre as mulheres – da constituição de um lar e dos cuidados sobre a casa e os filhos como sua função absoluta – é </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/06/politica/1488828400_402119.html"><span style="font-weight: 400;">simplesmente falsa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fundamentalmente impossível.</span></p>
<figure id="attachment_26760" aria-describedby="caption-attachment-26760" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é uma sala fechada, com cortinas vermelhas e um lustre no centro. Em foco, vemos um homem e uma mulher sentados sobre duas carteiras encostadas. Primeiro, do lado esquerdo, está Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman. Uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até a altura do ombro. Ela veste uma camisa cinza e um lenço da mesma cor. Ela cruza os braços sobre a mesa, e olha para o homem com seriedade. O homem trata-se de Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, Ele é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete lambido. Ele veste um terno e gravata beges, par de óculos no rosto, e segura a mão de Lucille, enquanto olha para ela com um sorriso reconfortante. Sobre as duas mesas, vemos duas pequenas placas brancas, cada uma referenciando um dos atores. A da direita, na mesa de Lucille, apresenta os dizeres “Lucille Ball” e, mais abaixo, “‘Lucy’”. Na mesa de Desi, à esquerda, a placa apresenta os dizeres “Desi Arnaz” e, mais abaixo, “‘Ricky’”" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26760" class="wp-caption-text">Daniel Pemberton, que também compôs músicas para Os 7 de Chicago, retorna para a trilha sonora de Apresentando os Ricardos, com uma sonoridade nostálgica mas tensa, dando um aspecto pavoroso para cenas cômicas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a trama desenvolve Lucille com profundidade, o mesmo, infelizmente, não pode ser dito sobre Desi. Um detalhe que não foi mencionado até agora, mas que é de suma importância para compreender a conjuntura da história: </span><a href="https://www.biography.com/actor/desi-arnaz"><span style="font-weight: 400;">Desi era cubano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu pai, prefeito da cidade de Santiago, foi preso durante a Revolução Cubana com a </span><a href="https://www.politize.com.br/revolucao-cubana-historia/"><span style="font-weight: 400;">ascensão dos bolcheviques</span></a><span style="font-weight: 400;">, forçando sua família a </span><a href="https://stylecaster.com/how-did-desi-arnaz-die/"><span style="font-weight: 400;">fugir até Miami</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que levou o cantor e ator a, mais tarde, ser um expoente na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=luPmjsGxKCE"><span style="font-weight: 400;">popularização da Música latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos do século XX. Então, sim, um homem cubano, em plena Guerra Fria, protagonizou um casamento interracial no seriado estadunidense mais famoso do período, que visava representar a família tradicional em seu mais puro estado. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá a mínima para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, estamos falando de um cubano, pisando em solo absolutamente intolerante, que é casado com uma mulher tida como comunista. É esperado, portanto, que esse fenômeno tivesse implicações mínimas, tanto na sua figura pública quanto na sua vida. Porém, esse elemento é totalmente ignorado. Da mesma forma, sua relação com os EUA é pasteurizada e simplificada. Diferente de outras histórias que </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">têm sido contadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema, Desi não é um personagem que expõe as hipocrisias do </span><a href="https://www.archdaily.com.br/br/954313/quando-o-sonho-americano-se-tornou-o-pesadelo-do-planejamento-urbano"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário, para Sorkin, ele é a prova cabal de que o discurso meritocrático do </span><a href="https://www.justificando.com/2019/09/02/por-que-a-ideia-de-meritocracia-privilegia-quem-ja-e-rico/"><span style="font-weight: 400;">neoliberalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é real. Desi é um verdadeiro patriota americano, que os serviu na Segunda Guerra com prazer e orgulho. E o texto valida seu amor cego pelo país, incluindo-o sem nenhuma ambiguidade ou nuance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pior. Desi é colocado como porta-voz de </span><a href="https://www.scielo.br/j/rsocp/a/xd5DwPRsWXzTXgjNNXrxdfk/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">incitações anticomunistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu roteirista, descartando todas as complexidade do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/08/8-fatos-para-entender-revolucao-cubana-e-seus-desdobramentos.html"><span style="font-weight: 400;">cenário político</span></a><span style="font-weight: 400;"> cubano durante a revolução, o que transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma experiência tediosa para mórbida em um instante – ainda mais hoje, quando </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-02/explicito-nas-ruas-bolsonarismo-neofascista-se-inspira-em-extremismo-e-anticomunismo-da-ucrania.html"><span style="font-weight: 400;">ideologias de extrema-direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam a crescer. Sem contar a escolha de Javier Bardem no papel, que é espanhol, ao invés de um ator latinoamericano, expondo Sorkin como peça ativa da própria xenofobia que ele acredita criticar. E, se a investida dos guerrilheiros de Cuba é demonizada e descontextualizada, o longa tem a pachorra de, deliberadamente, aclamar a imagem de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/08/09/programa-secreto-do-fbi-coordenou-repressao-politica-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">J. Edgar Hoover</span></a><span style="font-weight: 400;">, consagrando-se de longe como o ato mais asqueroso de toda a trama.</span></p>
<figure id="attachment_26761" aria-describedby="caption-attachment-26761" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26761" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-6.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, está Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, um homem branco, de cabelos curtos escuros penteados em um topete, que veste um terno e gravata branco e preto. Ele olha impaciente para frente, enquanto levanta seus dois braços para cima, na altura de seu peito, demonstrando indignação. O cenário é a porta de uma sala de estar" width="1500" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-26761" class="wp-caption-text">Além do retrato simplista de Aaron Sorkin, Desi é vítima de mais uma atrocidade ao incorporar, sem nenhuma veia crítica, o arquétipo pejorativo do Latin lover: o homem latino que é mulherengo e incapaz de controlar seus instintos dominativos (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em um terreno familiar, Aaron Sorkin pisa em ovos aqui. O que salva esse desastre prenunciado do esquecimento é a atuação irretocável de Nicole Kidman, que infelizmente entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">como azarona. Apesar da vitória no Globo de Ouro, a competição na categoria é acirrada, e tanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/sag-awards-22-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/critics-choice-awards-2022-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">Critics’ Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, termômetros importantes para a premiação, ela saiu de mãos atadas. Além da atuação tíbia de Javier Bardem e J. K. Simmons, que são incluídos por pura menção honrosa, essa é de longe a pior obra da filmografia do recém-diretor, e, convenhamos, não deveria nem ser cogitada em categorias de Direção ou Roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A única conclusão possível é que Sorkin ainda tem muito chão para andar como diretor até adquirir a capacidade de fazer seus roteiros bons filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobressai os vícios e manias característicos de suas obras, enquanto camufla seus méritos. Os diálogos em bate-bola frenéticos que ele adora escrever ficam ainda mais intrincados do já costumavam ser, ao passo que o clima de angústia e apreensão, que permeia grande parte de seus enredos, lastimavelmente murcha. E assim, qualquer potencial da trama é </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/being-the-ricardos"><span style="font-weight: 400;">praticamente diluído</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma cadência narrativa terrível e uma visão artística pior ainda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, nesse caso, nem o seu texto salva. Na busca artificializada por construir uma obra relevante aos nossos tempos, Sorkin se apropria de signos depreciativos com total irresponsabilidade para, no fim, ratificar uma retórica perversa e uma mensagem que até pensa ser valiosa, mas que se mostra seguidamente contraditória, enquanto carrega um subtexto repulsivo. Talvez, antes de criar um estudo de personagem imensurável, que </span><a href="https://scriptmag.com/interviews-features/overcoming-obstacles-an-interview-with-aaron-sorkin"><span style="font-weight: 400;">supostamente investigaria</span></a><span style="font-weight: 400;"> a origem da energia criativa da humanidade, seja hora do cineasta fazer um </span><a href="https://www.tempoparacriar.com/aaron-sorkin-um-dos-maiores-roteiristas-da-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">autodiagnóstico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e compreender o porquê ele tanto insiste nessas histórias. Ao acreditar pretensiosamente ser um manifesto político essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">demonstra refletir o que há de mais alienante na atual indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Era uma vez um sonho ecoa o mito da meritocracia</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2021 16:11:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não é de hoje que histórias sobre relações familiares costumam dar as caras na temporada de premiações da indústria cinematográfica. Em anos anteriores, filmes como Lady Bird e Boyhood figuraram entre os vencedores e indicados em diversas categorias. Essa tendência já é esperada especialmente pela cerimônia da Academia, com o conhecido Oscar Bait, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Era uma vez um sonho ecoa o mito da meritocracia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19782" aria-describedby="caption-attachment-19782" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Nela, vemos os personagens J. D. e Bev sentados em um sofá. J. D. é interpretado pelo ator-mirim Owen Asztalos; ele está sentado à esquerda, olhando para Bev. Owen é um menino branco, de cabelos castanhos claros, ele veste uma camiseta azul e calças verde-escuro. Bev é interpretada pela atriz Amy Adams, ela está sentada à direita, olhando para Owen com a sua mão direita encostada na bochecha de Owen. Amy é uma mulher branca, de cabelos ruivos e compridos; ela veste uma camiseta florida, com uma blusa branca de mangas compridas por baixo e uma calça rosa." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19782" class="wp-caption-text">Com duas indicações ao Oscar 2021, a produção de Ron Howard vende um discurso problemático e mal executado (Foto: Lacey Terrell/Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que histórias sobre relações familiares costumam dar as caras na temporada de premiações da indústria cinematográfica. Em anos anteriores, filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Boyhood </span></i><span style="font-weight: 400;">figuraram entre os vencedores e indicados em diversas categorias. Essa tendência já é esperada especialmente pela cerimônia da Academia, com o conhecido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Sl2Njk8xKss"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que configura obras com padrões historicamente amigáveis pela premiação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cota de drama familiar desse ano ficou nas mãos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambientada na região dos Apalaches nos Estados Unidos, a narrativa acompanha o estudante de Direito James David Vance (Gabriel Basso), que é obrigado a reviver o passado traumático de sua família ao ter que retornar para a sua cidade natal após sua mãe, Bev (Amy Adams), ter uma overdose. </span></p>
<p><span id="more-19781"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A péssima tradução do título original, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hillbilly Elegy</span></i><span style="font-weight: 400;">, se justifica pelo fato da família de J. D. ter se mudado do estado de Kentucky para Ohio em busca de melhores condições de vida, o tal do </span><i><span style="font-weight: 400;">sonho americano. </span></i><span style="font-weight: 400;">Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de memórias de sua infância e adolescência, o protagonista relembra o comportamento conturbado de sua mãe, mostrando o início da dependência química dela e a forma como descontava todos os seus problemas nele e em sua irmã, Lindsay (Haley Bennett).</span></p>
<figure id="attachment_19783" aria-describedby="caption-attachment-19783" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19783 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Na imagem, os personagens Lindsay, J.D. e Bev estão sentados em cadeiras na sala de espera de um consultório. Na imagem, da esquerda para a direita, está Lindsay, interpretada pela atriz Haley Bennett. Ela é uma mulher branca, com cabelos loiros amarrados em um coque baixo; ela veste uma blusa azul-clara e uma calça jeans, e está com uma bolsa em seu ombro direito. Ao seu lado, está J. D., em sua fase adulta, interpretado pelo ator Gabriel Basso. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos claros; ele veste um terno azul-marinho, com uma camisa branca por baixo e uma calça social na cor azul-marinho. Ao seu lado, está Bev, interpretada pela atriz Amy Adams. Ela é uma mulher branca, de cabelos ruivos e compridos; ela veste uma camisa xadrez e uma calça jeans, e está com uma bolsa bege em seu colo. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19783" class="wp-caption-text">Ignorada no restante da temporada, Amy Adams conseguiu uma indicação de Melhor Atriz no <a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-sag-2021/">SAG Awards</a> (Foto: Reprodução/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Ron Howard, o filme se centra em uma narrativa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/"><span style="font-weight: 400;">hereditariedade dos traumas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bev possui todos os seus transtornos pessoais e psicológicos muito em razão por conta da criação dada por seus pais, interpretados por Glenn Close e Bo Hopkins, problemática e turbulenta na mesma medida. E seus filhos parecem seguir essa tendência até certo momento de seu crescimento, mas conseguem reverter o processo. Assim, Lindsay se torna uma mãe mais presente na vida de seus próprios filhos, e J.D. conquista uma vaga em uma das universidades mais renomadas dos EUA.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme ótimo vendido como um drama familiar, típico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sessão da Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas é muito maior do que isso. A produção se baseia no livro de mesmo título que o original, escrito pelo J. D. Vance da vida real. Na obra biográfica, o autor também conta a história sobre sua família e trajetória pessoal, mas com pontos críticos cruciais e </span><a href="https://newrepublic.com/article/138717/jd-vance-false-prophet-blue-america"><span style="font-weight: 400;">questionáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que foram totalmente encobertos na adaptação cinematográfica. </span></p>
<figure id="attachment_19784" aria-describedby="caption-attachment-19784" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Nela, estão as personagens Mamaw e Bev em um gramado, uma encarando a outra. À esquerda, está Mamaw, interpretada por Glenn Close. Ela é uma mulher branca, de cabelos grisalhos e cacheados; ela usa um óculos e está com uma camiseta larga com estampa nas cores azul e bege. À direita, está Bev, interpretada por Amy Adams. Ela é uma mulher branca, de cabelos ruivos compridos; ela veste um agasalho azul-claro. " width="2560" height="1338" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1024x535.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-768x401.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1536x803.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-2048x1070.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1200x627.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19784" class="wp-caption-text">2022 com certeza! (Foto: Reprodução/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vance discorre sobre as condições precárias da região em que viviam, vestido em um discurso generalista e meritocrático, que culpabiliza os próprios moradores por se manterem na pobreza e miséria. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hillbilly Elegy</span></i><span style="font-weight: 400;"> é polêmico e fruto de diversas análises, que inclusive o utilizam como explicação para a ascensão do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55726753"><i><span style="font-weight: 400;">trumpismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos e a vitória do republicano em 2016, por mostrar a visão de uma parcela da sociedade que se sentia abandonada pelo governo nos últimos anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o diretor Ron Howard traz apenas a casca de todos esses problemas profundos para o resultado final de sua obra. As deficiências do sistema social e de saúde são razoavelmente citadas em algumas cenas, como se fossem detalhes de consequências mínimas. Nada disso importa em sua narrativa, já que Vance conseguiu superar os problemas sozinho, se dedicou aos estudos mesmo com sua família desestruturada e com a falta de apoio governamental. Ele fez por merecer. Muito simples, não é mesmo?</span></p>
<figure id="attachment_19790" aria-describedby="caption-attachment-19790" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-scaled.jpeg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Na imagem, estão os personagens Bev e J. D. Vance dentro de um carro. No volante, à direita, está J. D. Vance, interpretado pelo ator Gabriel Basso. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos claros; ele veste uma camisa branca. À esquerda, no banco do carona, está Bev, interpretada pela atriz Amy Adams. Ela é uma mulher branca, de cabelos ruivos e compridos; ela veste uma camisa xadrez." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-2048x1366.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/era-uma-vez-um-sonho-netflix-3-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19790" class="wp-caption-text">O livro Hillbilly Elegy foi best-seller número 1 pelo New York Times (Foto: Reprodução/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A superficialidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;"> não para por aí. Além de temáticas covardemente deixadas de escanteio, a produção não se aprofunda nas figuras centrais que o próprio diretor elege. Amy e Glenn são vendidas como as grandes protagonistas, mas não chegam perto disso. Além do filme girar em torno de outros personagens, não conseguimos ter nenhuma afeição por elas, nem entender suas motivações ou a profundidade de suas relações. Ambas são reduzidas totalmente ao estereótipo de caipira, e assistimos um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de horrores fantasiado de sotaques fortes e gritos histéricos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, não é possível se sensibilizar pela trajetória do próprio protagonista. Vance tenta de maneira falha ser vendido como o grande herói em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele foi o único filho a dar continuidade aos estudos, trabalha em três empregos para conseguir arcar com as despesas da faculdade, e é o único capaz de salvar a sua mãe, mas nem é preciso conhecer o verdadeiro J. D. para não engolir essa história a seco. Ele ainda parece honrar suas raízes a qualquer custo, no entanto a própria trama não faz jus a essa postura ao desumanizar os moradores dos Apalaches, oferecendo o mesmo retrato preconceituoso da visão dos advogados presentes na mesa de jantar ao início do filme.  </span></p>
<figure id="attachment_19786" aria-describedby="caption-attachment-19786" style="width: 1499px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Nela, estão os personagens Lindsay, Mamaw e J. D. À esquerda, está Mamaw, interpretada pela atriz Glenn Close. Ela é uma mulher branca, de cabelos grisalhos e cacheados; ela usa um óculos e está com uma camiseta larga com estampa nas cores azul e bege, e com os braços nos ombros de J. D. Vance. À direita, com os braços em volta de Mamaw, está J. D., em sua fase adolescente, interpretado pelo ator-mirim Owen Asztalos. Owen é um menino branco, de cabelos castanhos claros; ele veste uma blusa branca de mangas-compridas com listras pretas. No canto esquerdo, atrás de Mamaw, está Lindsay, interpretada pela atriz Haley Bennett. Ela é uma mulher branca, com cabelos loiros amarrados em um coque baixo; ela veste uma regata azul e uma calça jeans. " width="1499" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5.jpg 1499w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19786" class="wp-caption-text">A produção tem o roteiro assinado por Vanessa Taylor, também responsável pelo do premiado <a href="http://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/">A Forma da Água</a> (Foto: Reprodução/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ron Howard poderia ter originado uma produção de forte teor político, que daria embasamento para entender a crise política nos EUA, além de promover discussões sobre a </span><a href="https://www.politize.com.br/niveis-de-governo-federal-estadual-municipal/"><span style="font-weight: 400;">responsabilidade do Estado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas preferiu se manter num melodrama batido, que usa </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> como muleta para conseguir conduzir a sua narrativa, que, por sua vez, não leva nada a lugar nenhum. Além de, é claro, ser condescendente com o discurso e história de um dos grandes apoiadores de Donald Trump. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a toda essa catástrofe, é até surpreendente que </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha sido mais bem recepcionado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, cerimônia que deu o seu prêmio mais importante para o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><span style="font-weight: 400;">problemático </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2019. Após ser justamente esmagado pela crítica, o filme recebeu só duas indicações, que já é muito mais do que o necessário. Melhor Atriz Coadjuvante para Glenn Close, mais pelo nome que carrega do que pelo papel que executa; e Melhor Cabelo e Maquiagem, pela caracterização bem feita dos personagens, e a única com </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/597259/a-voz-suprema-do-blues-e-aves-de-rapina-sao-vencedores-do-make-up-artists-and-hairstylists-guild-awards-2021/"><span style="font-weight: 400;">chances reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ser conquistada.  </span></p>
<figure id="attachment_19787" aria-describedby="caption-attachment-19787" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19787" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Era uma vez um sonho. Nela, está a personagem Mamaw, interpretada pela atriz Glenn Close, no canto de uma casa, com a mão esquerda segurando em um cano. Ela é uma mulher branca, de cabelos grisalhos e cacheados; ela usa um óculos e está com uma camiseta larga cinza com o desenho de um pássaro. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19787" class="wp-caption-text">Com essa indicação, Glenn quebrou seu próprio recorde de atriz mais indicada ao Oscar sem nenhuma vitória (Foto: Reprodução/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É decepcionante que em um ano com produções que carregam temáticas tão relevantes e necessárias, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">misoginia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e questões </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">políticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, a premiação mais importante do cinema tenha que ceder o pouco espaço que seja para uma obra tão oportunista. Infelizmente, o melhor a se fazer é torcer para que Glenn Close saia da cerimônia de mãos vazias, pela </span><a href="https://www.goldderby.com/gallery/glenn-close-oscar-nominations-the-wife-the-world-according-to-garp/glenn-close-oscar-nominations-the-big-chill-2/"><span style="font-weight: 400;">oitava vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez um sonho</span></i><span style="font-weight: 400;"> caia no esquecimento total. </span></p>
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