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	<title>Arquivos Naomi Ackie &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O retrato sensível e entusiasmado da terceira idade em Clube do Crime das Quintas-Feiras</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 13:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra O Clube do Crime das Quintas-Feiras chegou à Netflix diante de uma onda de altíssimas expectativas dos fãs da série de literatura homônima de Richard Osman. A obra de mistério e suspense dirigida por Chris Columbus (Harry Potter, Esqueceram de Mim) se difere de outras tantas do gênero por apresentar como protagonistas quatro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/clube-do-crime-das-quintas-feiras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O retrato sensível e entusiasmado da terceira idade em Clube do Crime das Quintas-Feiras"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36829" aria-describedby="caption-attachment-36829" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-36829 size-medium" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, estão Elizabeth (Helen Mirren), uma mulher branca de cabelos curtos e brancos e cardigan azul, Ron (Pierce Brosnan), um homem branco de cabelos brancos e com camisa xadrez azul e branca, Ibrahim (Ben Kingsley), homem de ascendência indiana e careca vestindo terno e camisa marrons e uma gravata borboleta e Joyce (Celia Imrie), que está de costas, é uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque alto e vestindo um cardigan rosa. Eles estão reunidos em uma sala de estar bem iluminada e decorada com móveis e plantas, sentados ao redor de uma mesa e com expressões de seriedade e atenção. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36829" class="wp-caption-text">O filme conta com um elenco imperdível, que parece, acima de tudo, se divertir enquanto atua (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Mariana Bezerra</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Clube do Crime das Quintas-Feiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> diante de uma onda de altíssimas expectativas dos fãs da série de literatura homônima de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-notavel-sucesso-do-ingles-richard-osman-e-seus-detetives-velhinhos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Osman</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra de mistério e suspense dirigida por Chris Columbus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Esqueceram de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se difere de outras tantas do gênero por apresentar como protagonistas quatro amigos septuagenários, que vivem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, um lar de luxo para aposentados em Londres. Elizabeth (Helen Mirren), Ibrahim (Ben </span><span style="font-weight: 400;">Kingsley</span><span style="font-weight: 400;">) e Ron (Pierce Brosnan) se reúnem todas as quintas-feiras – como sugere o título – para investigarem casos policiais não solucionados. Logo no início da trama, o grupo recebe um novo membro: Joyce (Celia Imrie), uma simpática senhora recém chegada nessa charmosa vila da terceira idade.</span></p>
<p><span id="more-36826"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais interessante da obra é que ela não demora para revelar a particularidade de cada personagem. Elizabeth, a imponente líder do clube, foi uma ex-secretária do serviço secreto britânico; Ibrahim, um psiquiatra; Ron, um ativista sindical e Joyce, uma enfermeira. À medida em que o enredo avança, as personalidades fortes do grupo vão se fortalecendo na trama, o que subverte o </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/etarismo-e-o-mais-frequente-e-universal-dos-preconceitos/"><span style="font-weight: 400;">estereótipo</span></a><span style="font-weight: 400;"> preconceituoso de invalidez. O quarteto é simplesmente genial e carrega consigo a leveza – e não o peso – da experiência, e, além disso, todo um arsenal de habilidades e conteúdos que não morrem quando se aposenta. Muitas pessoas desejam parar de pensar em suas profissões depois que se retiram do mercado de trabalho, enquanto outras, querem cultivar tudo o que viveram mesmo após a aposentadoria. De uma forma ou de outra, a </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2025/09/elenco-de-clube-do-crime-das-quintas-feiras-fala-sobre-envelhecimento-e-ambicoes-na-carreira.shtml"><span style="font-weight: 400;">essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tudo o que aprenderam e precisaram desenvolver segue em cada um. Apesar das conveniências de roteiro, a dinâmica da equipe revela um olhar sensível da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aspecto se torna nítido quando o grupo de amigos é forçado a arquivar a atual investigação, a qual chamam do caso da ‘mulher de branco’, para se dedicarem a solução de uma mais urgente: o assassinato de Tony Curran (Geoff Bell), um dos três proprietários de </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/a65781718/thursday-murder-club-coopers-chase-filming-locations-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A suspeita logo recai sobre Ian Ventham (David Tennant), o segundo dono, que desejava transformar o recinto em apartamentos de luxo, promovendo, inclusive, a destruição do cemitério local. Nessa jornada, o clube vai contar com a ajuda da jovem policial Donna De Freitas (Naomi Ackie), que é transferida para o setor de investigação de homicídios graças a astúcia do grupo não oficial de detetives. </span></p>
<figure id="attachment_36830" aria-describedby="caption-attachment-36830" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, está Joyce, uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque alto e vestindo um cardigan azul, Ibrahim, homem de ascendência indiana e judaica e careca vestindo camisa verde, colete marrom e uma gravata borboleta e Donna De Freitas, uma mulher negra de cabelos pretos presos em um coque baixo. Ela veste um uniforme policial e segura seu chapéu nas mãos. Os três aparecem da esquerda para a direita nessa ordem e olham todos na mesma direção. Ao fundo, há um gramado e parte da construção de uma casa. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36830" class="wp-caption-text">A agente De Freitas aparece por acaso na história, mas logo se torna uma aliada do clube dentro da delegacia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada momento da investigação, eles se mostram sempre um passo à frente dos policiais, seja pela </span><a href="https://youtu.be/qUkU8yCbEDg?si=Tops_1Pqgoh2x9hP"><span style="font-weight: 400;">experiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela ausência da burocracia, pela pouca ignorância ou pela demasiada sensibilidade que empregam durante o percurso. Logo, surgem outros personagens importantes, como Bogdan (Henry Lloyd-Hughes), um imigrante polonês e funcionário de Tony Curran, que revela ter tido o passaporte apreendido pelo patrão. Há também Bobby Tanner (Richard E. Grant), o enigmático terceiro proprietário do lar de aposentados – um perigoso mafioso que, até então, todos acreditavam estar morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta com um elenco extremamente renomado, como Tom Ellis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/lucifer-5a-temp-parte-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lucifer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jonathan Pryce (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-papas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Papas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que interpretam Jason, filho de Ron, e Stephen, esposo de Elizabeth, respectivamente. Isso somado ao status que o livro carrega, torna a obra audiovisual extremamente convidativa, mas também agrega uma grande carga de responsabilidade à produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em abordar investigações criminosas com um ar de leveza e humor, ainda que sem deixar de transmitir a profundidade de algumas emoções, não é algo novo. Em 2024, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Um espião infiltrado</span></i><span style="font-weight: 400;">, protagonizada por Ted Danson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), trouxe uma história diferente, porém,  com plano de fundo semelhante, em que um homem aposentado se infiltra em um lar de idosos para desvendar o roubo de uma jóia. Além disso, a franquia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> um mistério repleto de sarcasmo, em 2025, ganha seu terceiro longa. Talvez, a lembrança aponte um padrão de interesses do </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/09/06/clube-do-crime-das-quintas-feiras-e-mais-visto-da-netflix-como-e-o-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">público </span></a><span style="font-weight: 400;">a ser aproveitado. </span></p>
<figure id="attachment_36828" aria-describedby="caption-attachment-36828" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-800x533.png" alt="Cena do filme O Clube do Crime das Quintas-Feiras.Na imagem, está Jason (Tom Elis), homem branco, de barba e cabelos curtos e escuros, vestindo uma blusa preta sobre uma camiseta branca aparece discutindo com Ian Ventham, que está de perfil. Ele é um homem branco de cabelos castanhos e veste uma jaqueta bege. Ao fundo, estão moradores de Coopers Chase segurando cartazes durante um protesto. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-1.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36828" class="wp-caption-text">Os moradores de Coopers Chase se unem em protestos liderados por Ron em defesa de seus lares e contra a perturbação dos mortos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Thursday Murder Club</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), a produtora traz algo agradável, que não se coloca nem como o melhor dos dramas ou dos mistérios, nem como a melhor das comédias. O grande problema é que, ao que tudo indica, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-and-the-city-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apoiou demais nessa intenção de entregar pouco: o incrível elenco, apesar de carismático, é um tanto desperdiçado diante do roteiro de </span><span style="font-weight: 400;">Suzanne Heathcote (</span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-terceira-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e de Katy Brand (</span><i><span style="font-weight: 400;">Boa Sorte, Leo Grande)</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que executa uma frágil construção dos personagens (com exceção de Elizabeth, que acaba roubando a cena). Infelizmente, a tentativa de criar algo genérico, que agrade à todos, fez com que a adaptação perdesse boa parte da complexidade e do espírito de Agatha Christie contido na obra original. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> pareceu querer equilibrar as temáticas do livro ao unir mentes de franquias infanto-juvenis, da comédia e do drama, mas terminou favorecendo somente as duas primeiras. No entanto, a capacidade da produção de amarrar tão bem tantas pontas soltas, ainda que de forma mais simples, torna o lançamento algo interessante e divertido de assistir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos percalços e aliado à comicidade, o filme consegue abordar um dos elementos cruciais da obra original de </span><a href="https://youtu.be/5bNpf60n4io?si=Se8FUrzwhsyHaZ5z"><span style="font-weight: 400;">Osman</span></a><span style="font-weight: 400;">: os dilemas éticos que os personagens enfrentam. A respeito do caso da ‘mulher de branco’, a morte de Angela Hughes foi investigada, na época, por Penny Gray (Susan Kirkby) – policial aposentada, fundadora do clube e moradora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, que está inconsciente e com estado de saúde extremamente debilitado. A presença de De Freitas cria um elo com a história de Penny, ao estabelecer um paralelo entre duas jovens, separadas por décadas, que buscam ser ouvidas em um ambiente predominantemente masculino, que pouco mudou nesse intervalo de tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Penny lutou sem sucesso para provar que Angela havia sido vítima de feminicídio, acusando Peter Mercer (Will Stevens), namorado da jovem, como o autor. Somente quando a escavação do cemitério é iniciada por Bogdan, o funcionário de Tony Curran, é que o cadáver de Mercer vem à tona, revelando que Penny havia feito justiça com as próprias mãos, com a ajuda de seu marido, John (Paul Freeman). Além disso, com medo que o processo de escavação do cemitério levasse à descoberta de seu crime e da esposa, o homem mata Ian Vetam durante um dos protestos contra a venda de </span><a href="https://youtu.be/AmoErbvObRE?si=7prLvB4zdqUzgD9w"><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></a></p>
<figure id="attachment_36831" aria-describedby="caption-attachment-36831" style="width: 570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4.png" alt="Na imagem, está Elizabeth,uma mulher branca de cabelos brancos soltos e curtos e vestindo uma blusa azul e um blazer xadrez; Ibrahim, homem de ascendência indiana, careca, que veste um colete e blazer marrom e uma gravata borboleta magenta e Ron, um homem branco de cabelos brancos e com camisa xadrez azul e branca e uma jaqueta jeans. Os três estão olhando para frente e parecem surpresos. O cenário é composto por uma sala ampla, com janelas grandes e cobertas por plantas ornamentais. Além disso, há um quadro estilo detetive, com fotografias, documentos e fios vermelhos conectando as imagens." width="570" height="257" /><figcaption id="caption-attachment-36831" class="wp-caption-text">A obra original conta com quatro livros publicados, o que indica uma possível continuação do filme como uma franquia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante desse contexto, o grupo tão aparentemente centrado em fazer ‘o que é certo’, se depara entre denunciar amigos de longa data e preservar a história e reputação de ambos. Ao questionarem John e receberem a confirmação de suas hipóteses, </span><a href="https://www.newsweek.com/entertainment/movies/helen-mirren-on-thursday-murder-club-and-hollywood-success-on-her-terms-10475849"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth</span></a><span style="font-weight: 400;"> percebe que ele iria matar a esposa com um medicamento e cometer suicidio, mas não impede o seu plano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essea, entre outros conflitos servem para criar tensão na história, trazer à tona os dilemas éticos da obra e para agregar um toque de imperfeição a esses personagens tão carismáticos, que provocam simpatia no espectador. É interessante assistir à trama de </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">investigadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> independentes que estão inseridos no ambiente do crime, porém é justamente isso que os tornam falhos, humanos demais, em um ótimo sentido. Por fim e graças ao trabalho investigativo do clube, todos os criminosos – estimados ou não – são desvendados, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Coopers Chase</span></i><span style="font-weight: 400;">, o tão querido lar de seus moradores, é salvo pela filha de Joyce, que compra o lugar e permite o sentimento de ‘felizes para sempre’, o qual não deve durar muito tempo se as suposições estiverem certas e uma possível continuação estiver sendo preparada— assim como outras franquias da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 20:21:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o IMAX, Mickey 17 mudou a data de estreia várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34956" aria-describedby="caption-attachment-34956" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg" alt="Na imagem estão dois personagens de lado para câmera, ambos interpretados por Robert Pattinson. Ambos usam uma camisa com uma cor cinzenta e se encaram estupefatos. O cenário é de um quarto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34956" class="wp-caption-text">Mickey 17 é o primeiro filme de Bong Joon-Ho depois de vencer o Oscar (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">IMAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou a </span><a href="https://www.instagram.com/dalenogarew/reel/DG6iDo6vk8r/"><span style="font-weight: 400;">data de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho após a histórica vitória de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020. Assim como seu antecessor, o coreano manteve sua veia política, mas, desta vez, focado na eleição norte-americana entre Donald Trump e Kamala Harris. Contudo, em oposição à sua obra mais celebrada, este não consegue criticar o capitalismo de maneira produtiva, além de não sustentar a diversidade de temas, principalmente pela sua abordagem.</span></p>
<p><span id="more-34954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mickey (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/robert-pattinson-exorciza-de-vez-a-saga-crepusculo-no-ousado-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um ‘descartável’, ou seja, uma pessoa que pode morrer, pois será reimpresso no dia seguinte com todas as suas lembranças de outras vidas. Nesse sentido, a companhia para a qual ele trabalha o utiliza para experimentos e atividades perigosas que podem culminar em morte, o que normalmente acontece pela natureza da relação de Mickey com a empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O personagem de Robert Pattinson ilustra a relação do empregado com o empregador, uma representação do sistema capitalista com a classe trabalhadora. Todo o conceito de descartabilidade funciona muito bem, são críticas bem diretas e bem pontuadas. Inicialmente, o diretor lida muito bem com o tempo e a estrutura da narrativa para fortificar seus pontos, partindo para uma </span><a href="https://www.raissaferreira.com/post/cr%C3%ADtica-mickey-17-2025"><span style="font-weight: 400;">humanização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um personagem excêntrico, desde os seus sentimentos em relação às pessoas e o mundo, até os conflitos que ele tem na Terra, como dívidas com agiotas. Aliás, foram os débitos que levaram Mickey a virar um ‘descartável’. Bong Joon-Ho é muito certeiro ao colocar a violência das cidades urbanas como motivação para se submeter a um processo que a torna um objeto, uma ‘não pessoa’. O protagonista se vê encurralado diante do mundo contemporâneo.</span></p>
<figure id="attachment_34959" aria-describedby="caption-attachment-34959" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg" alt="Na imagem estão os Mickeys 17 e 18. Ambos estão de frente para a câmera e vestem uma roupa de proteção com identificação. O Mickey 18 tem o número 18 estampado no centro do uniforme. O Mickey 17 tem o número 17 estampado no centro do uniforme. Ambos na parte amarelada. Eles usam um capacete de proteção e óculos, que estão junto ao capacete. O cenário é de um ambiente aberto, gelado, com muita neve e alienígenas ao fundo. Os alienígenas são terrestres, escuros e no lugar do rosto está, apenas, a boca." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-768x416.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2.jpeg 924w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34959" class="wp-caption-text">Robert Pattinson está buscando trabalhos com grandes diretores em sua carreira (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, o longa funciona até o momento em que o Mickey 17 se encontra com o seu ‘sucessor’. A partir daí vira uma bagunça e se perde ao abraçar diversas temáticas e tomar diferentes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4QRIzkFs_bg&amp;t=9s"><span style="font-weight: 400;">direções narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nunca se desenvolvem, de fato. Ascensão da extrema direita, questões ambientais, abuso nas relações e a vida dentro do ambiente de trabalho; são muitas proposições que, apesar de cercarem o mesmo objeto – capitalismo –, dificilmente encontram um caminho em comum para a história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">não é só enxuto, mas também não confia em seu espectador, ao ponto em que, por vezes, precisa jogar na cara o que está tentando propor. Em dado momento, no jantar entre Mickey, Kenneth (Mark Ruffalo) e Ylfa (Toni Collette), Bong Joon-Ho e Darius Khondji (diretor de Fotografia) dão um </span><i><span style="font-weight: 400;">close </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma insígnia que remete a uma suástica. Ou seja, não existe crença de que o público irá entender de que se trata de uma paródia à extrema direita, mesmo que os personagens sejam </span><a href="https://cinemacao.com/2025/03/12/critica-2-mickey-17/"><span style="font-weight: 400;">óbvios</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso destrinchar ao máximo sobre a profusão de temas, visto que, ela em si não é o problema, porém, gera consequências que atrapalham a experiência fílmica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Shrouds</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), por exemplo, tem assuntos em abundância. Entretanto, a abordagem mais desafetada e, definitivamente, cínica e irônica, dão sentido a essa ‘pegada’ </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;">. David Cronenberg se apresenta mais seguro sobre o que quer e como fazer. O caso do sul-coreano é diferente. Ao mesmo tempo que o filme fica ‘dando a pinta’ de ser mais inteligente do que realmente é – de forma parecida com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) –, ele também aparenta estar menos certo sobre os caminhos que toma, ficando entre a caricatura, a seriedade e a comicidade, o que até dá uma dinâmica, mas nunca consegue se definir.</span></p>
<figure id="attachment_34961" aria-describedby="caption-attachment-34961" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg" alt="Na imagem está Mark Ruffalo e Toni Collette. Ele usa um uniforme de soldado azul. Ele tem um corte na bochecha esquerda e o cabelo grisalho está penteado para trás. Toni Collette usa uma camisa amarela. Ambos estão de frente para a câmera. Ao fundo, desfocado, estão um cientista de jaleco branco e um segurança com um uniforme escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34961" class="wp-caption-text">O longa teve diversos atrasos para estrear (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado mais burlesco fica por conta do Mark Ruffalo, muito parecido com o papel dele em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), em uma tentativa de emular </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/mickey-17-e-satira-politica-superficial"><span style="font-weight: 400;">Donald Trump</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mera presença do antagonista em cena já a torna menos interessante, por ser óbvio, feio e raso em suas intenções e críticas. Toni Collette acompanha o ritmo de Ruffalo, sendo o total o oposto de seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurado N°2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024). Esse lado da obra não casa com as construções visuais mais desgastadas, sérias e frias dos ambientes que Mickey frequenta. É como se fossem dois filmes distintos que, por vezes, se chocam e destes embates surgem comentários ‘mastigados’ para o público entender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, existem complicações em relação a estrutura. Devido aos diversos assuntos presentes, o roteiro opta por uma série de acontecimentos, com o intuito de abranger a todos. Contudo, eles não se sucedem de maneira orgânica, soa muito conveniente como certas cenas vão sendo resolvidas, além de parecer uma acomodação para deixar a narrativa fluída. Como resultado, muitas tramas são jogadas de lado, como a relação entre Mickey 17, Mickey 18, Nasha (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/naomi-ackie-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Naomi Ackie</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kai (Anamaria Vartolomei), ou a questão de Timo e o personagem principal com o agiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado positivo fica por conta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4iUSOPqXks"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, mais uma vez, entrega uma atuação muito boa desempenhando diversos papéis em um só personagem. No entanto, o foco fica entre os Mickeys 17 e 18, que apresentam duas personalidades completamente diferentes. O morcego consegue lidar com as diferentes maneiras com que o medo se externaliza em ambos. O décimo oitavo, a partir da raiva, revolta e audácia. Enquanto o protagonista se encolhe, um tipo de personagem que ‘não esbarra em ninguém’, pede perdão, não incomoda, aceita as figuras expansivas e encontra seu lugar no canto, onde ninguém o vê. O ator enxerga o potencial do discurso em si, nos conflitos consigo mesmo – sejam eles internos ou externos –, sobre a situação exploratória e deprimente em que ele se encontra. </span></p>
<figure id="attachment_34955" aria-describedby="caption-attachment-34955" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp" alt="Na imagem, Mickey usa uma blusa amarela desbotada e cobre a cabeça com o gorro da blusa. Ele está de frente para a câmera e apresenta um sorriso bobo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34955" class="wp-caption-text">“Toda vez que você morre, aprendemos uma coisa nova e a humanidade avança” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resolução final se dá a partir do amor, pode soar bonito, mas, na realidade, se torna condescendente com um discurso divulgado pelo cinema norte-americano a décadas. Não que isso seja um problema em si, porém, se torna contraditório, visto a intenção da fita. Se olharmos para as comédias românticas estadunidenses, normalmente todos os problemas do mundo se resolvem com amor. O ponto aqui é que, nestes universos, esta decisão é possível, é acatada, levando em conta o objetivo da obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obras críticas ao capitalismo, assim como este, também buscam o amor – não necessariamente o romântico –, contudo, eles aceitam a impossibilidade de grandes mudanças sistemáticas a partir dele e o tornam um ato de rebeldia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma relação muito ímpar entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">e a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mt8VyXFR_Xw"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de serem lançadas, quase, paralelamente, as duas discutem sobre o ambiente de trabalho e a exploração. Entretanto, elas também parecem conscientes sobre a vida que é criada a partir destes lugares, ou seja, se por um lado, dentro do sistema capitalista é um local exploratório, por outro, também permite pessoas se conhecerem, formarem uma família para além do sangue e se apaixonarem. É o que acontece entre Mickey e Nasha, em contrapartida ao mundo externo cruel, sujo e solitário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um diretor de grandes obras, que vão além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ux6VHo5jQVw"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias de Um Assassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xrLY0wO06l4"><i><span style="font-weight: 400;">O Hospedeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), Bong Joon-Ho decepciona em sua primeira fita após fazer história no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020. Apesar dos ótimos atores presentes e de estar recheado de ideias interessantes, o longa se mostra frágil estruturalmente e problemático em sua concepção. Boas intenções não fazem, necessariamente, bons filmes.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Mickey 17 - Trailer Legendado&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Mickey 17 &#8211; Trailer Legendado</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/">Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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