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	<title>Arquivos Música &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>André Aguiar O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com The Romantic, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-romantic/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bruno Mars espremeu completamente o suco de suas referências em The Romantic, e o gosto é familiar, mas azedo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37161" aria-describedby="caption-attachment-37161" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum The Romantic. A imagem apresenta uma gravura do rosto de Bruno Mars, que veste uma faixa na cabeça e um casaco, inserida em uma moldura ornamentada com flores. O título do álbum aparece no canto superior esquerdo, na diagonal, e o nome do artista no canto inferior direito, alinhado na horizontal, ambos escritos com uma fonte de caligrafia urbana." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/1.jpeg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37161" class="wp-caption-text">Bruno Mars assina a produção de The Romantic junto a D’Mile, conhecido por colaborar em projetos de Ariana Grande, H.E.R, Drake e Victoria Monét. (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><b>André Aguiar</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando fazer o que ninguém está fazendo te torna mais entediante do que original? Após um intervalo de 10 anos desde que lançou seu último projeto solo, Bruno Mars retorna com</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, um trabalho em que o charme do Bruninho não é tão convincente como um dia já foi. Sua posição na indústria musical permite que ele não retroceda mesmo com </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/bruno-mars-the-romantic/"><span style="font-weight: 400;">críticas negativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma recepção agridoce do público. Entretanto, quem está aqui apenas pela boa música ainda se questiona se as decisões criativas do artista partem de um lugar de influência ou de conforto. </span></p>
<p><span id="more-37160"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 10 anos, Bruno Mars era inevitável. Levando o seu já conhecido som nostálgico ao </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> das décadas 1980 e 1990 com o disco</span> <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4PgleR09JVnm3zY1fW3XBA?si=-qXMVggVSZujKbW9EZ76aw"><i><span style="font-weight: 400;">24k Magic (2016)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ele se tornava cada vez mais merecedor do título de </span><i><span style="font-weight: 400;">hitmaker </span></i><span style="font-weight: 400;">que tem hoje. Nos últimos anos, o cantor se recusou a sair do radar do público e emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> irritantemente bem-sucedidos no topo das paradas, como </span><a href="https://youtu.be/ekr2nIex040?si=ZzW_P8wQltuDwUX0"><i><span style="font-weight: 400;">APT.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com ROSÉ e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy-winner</span></i> <a href="https://youtu.be/kPa7bsKwL-c?si=3q4hDuzPPApP6bbK"><i><span style="font-weight: 400;">Die With A Smile</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dueto com </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-a-balada-o-amor-e-o-gotico-a-versatilidade-como-caos-organizado-em-mayhem-de-lady-gaga/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dispensa qualquer apresentação. Além disso, o projeto em parceria com Anderson .Paak, Silk Sonic, rendeu à dupla um </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0S0r2RFucaW9kVjBtcBOV1?si=823l5h1gRi-Y1v7GbXA1Sw"><span style="font-weight: 400;">álbum aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornou um ponto alto da discografia de ambos os artistas, evocando uma sonoridade fresca espelhada no s</span><i><span style="font-weight: 400;">oul</span></i><span style="font-weight: 400;"> setentista. A decepção bateu quando o posterior ato solo do Bruninho chegou e o resultado era uma versão sem alma do que, anos antes, era inovador.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Bruno Mars - I Just Might [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mrV8kK5t0V8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior parte de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como ideias que até tentam se desvencilhar do </span><i><span style="font-weight: 400;">An Evening With Silk Sonic (2021)</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a sensação é a de que prevalece uma certa conformidade em refazer o que deu certo. Faixas como </span><a href="https://youtu.be/iXh6Cjp1wvY?si=-w1O0SV_KoQoW0SP"><i><span style="font-weight: 400;">God Was Showing Off</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/UnpjE8peqlA?si=-1NX5VAP2WNKk7tU"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Left</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não mostram muito esforço de Mars em se desafiar e prosseguir de uma das melhores fases de sua carreira, que aconteceu cinco anos atrás. As diferenças são mais notadas em leves nuances do que de fato em direções ou conceitos claramente definidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A banda Silk Sonic trouxe certa novidade ao som de Mars, em grande parte devido à presença de </span><a href="https://youtu.be/7Jj83FOlBF8?si=LsnQOhA2dL7Ws7xG"><span style="font-weight: 400;">Anderson .Paak</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma voz conhecida em nichos do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música alternativa que, junto a um amigo das massas (Bruno Mars) fizeram mágica. A personalidade e a musicalidade de Paak em estúdio e nas </span><a href="https://youtu.be/nAUwKeO93bY?si=kfghkCiSe7R6Y_k-"><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ao vivo colaboraram para que a audiência não pensasse no ‘quão cafona são dois homens de quase 40 anos dançando em conjuntos revestidos de glitter com coreografias simples e sincronizadas’, tudo era envolvente, desde a música à estética, pois o compromisso era com a ideia em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No projeto compartilhado, o selo de qualidade e aprovação crítica vinham de Paak, e os números astronômicos e </span><a href="https://youtu.be/GG7fLOmlhYg?si=NkByk3heQt6Q1bxA"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de rádio vinham de Mars. Na tentativa de reproduzir isso sozinho no novo disco, Bruno falha porque o que sobra fora do Silk Sonic é, em sua maioria, o que o torna parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">: o processado e o que é mais aparente como produto do que como obra de arte. </span></p>
<figure id="attachment_37162" aria-describedby="caption-attachment-37162" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2.jpeg" alt="Fotografia de Bruno Mars. Na imagem em preto e branco, Mars aparece tocando um piano em um estúdio. O cantor veste uma camisa listrada, calças escuras, chapéu, pulseiras e óculos escuros. Ele toca o instrumento enquanto se vira e olha para trás. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2-768x432.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37162" class="wp-caption-text">Mars foi descoberto como artista ainda quando criança, na época em que se apresentava como um cover mirim de Elvis Presley. (Foto: John V. Esparza)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas poucas camadas inventivas de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível perceber uma aura de grupos de vocalistas negros estadunidenses dos anos 1960, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1_urvud-Oi0&amp;list=RD1_urvud-Oi0&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">The Flamingos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y3KJ7d2qBoA&amp;list=RDy3KJ7d2qBoA&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">The Temptations</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seja na resposta de vozes no refrão da balada </span><a href="https://youtu.be/32yqPoXfaU4?si=bMsJF8XOkzjsogSo"><i><span style="font-weight: 400;">Why You Wanna Fight?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou na melosa faixa de encerramento</span> <a href="https://youtu.be/62rgRxlM4-E?si=vRWec9t_YpeSTzSF"><i><span style="font-weight: 400;">Dance With Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, existe um espírito coletivo pairando ao decorrer do LP. Os últimos registros de destaque de Mars nesta década mostraram o poder de uma colaboração com o cantor e como ele se conecta com a atmosfera de ‘banda’, e talvez fosse melhor se tivesse continuado assim, de</span><i><span style="font-weight: 400;"> feat</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;">. Deve ser difícil para o Bruninho – e talvez para alguns de nós – superar os dias de Silk Sonic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro grande dilema de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a linha finíssima, na verdade, quase invisível, entre imitação e referência. Mars ocupa o lugar tão cobiçado da indústria de ter um nome tão potente que dá a ele liberdade de fazer o que quiser, o que acaba caindo por terra quando o seu repertório resulta em cópias das suas musas. </span><a href="https://youtu.be/gpc5c5PMQiw?si=9dSn_S3jtFPzznWf"><i><span style="font-weight: 400;">On My Soul</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma das canções mais cativantes do álbum, porém, sua inspiração original, </span><a href="https://youtu.be/A9RMr9KuVZo?si=dlChGgsQRg-oKwj9"><i><span style="font-weight: 400;">Move On Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Curtis Mayfield, se torna uma experiência mais proveitosa, preenchida e instrumentalmente interessante do que a peça produzida por Bruno Mars. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mesma coisa acontece com </span><a href="https://youtu.be/Bsc_qpFplJM?si=LLqITRm9lELapQ1A"><i><span style="font-weight: 400;">Something Serious</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que poderia até ser creditada como </span><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou interpolação da clássica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7ATTjg7tpE&amp;list=RDJ7ATTjg7tpE&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Oye Como Va</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada originalmente pela banda Santana – liderada pelo mexicano Carlos Santana. O sentimento é de que o disco se ancora nas referências icônicas do vocalista e não dá conta de existir por si só.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bruno Mars - Risk It All [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lY5V4hSLWY8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém mais no </span><i><span style="font-weight: 400;">top 50 </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;"> global leva jeito para re-introduzir obras tão emblemáticas do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> como Mars, e mesmo assim não é difícil questionar, na metade de</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, se você já não ouviu essa música antes na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. As únicas exceções e belas surpresas são as duas faixas que abrem o projeto: </span><i><span style="font-weight: 400;">Risk It All</span></i> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/l38Aru5jICw?si=i19PUh-QF2kJ5Ulf"><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Cha</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que, envoltas por latinidade, remetem diretamente às raízes do Bruninho. A primeira é uma balada centrada no violão e numa linha melódica tão atemporal que, mesmo tendo uma sonoridade única comparada à discografia do artista, o ouvinte ainda sente alguma familiaridade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na segunda, essa ânsia por trazer novos ares à ambiência de </span><a href="https://youtu.be/adLGHcj_fmA?si=uwlHPRcNXtAAjcCx"><i><span style="font-weight: 400;">Leave The Door Open</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Smokin Out The Window</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona melhor. Há mudanças agradáveis na dinâmica rítmica da canção e aquele molho apaixonante do cantor que é capaz de levar músicas tão complexamente projetadas à boca do povo. Para um disco que se prende tanto ao passado – do cantor e do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> – esses dois registros são pequenos passos de bebê rumo a uma nova fase artística.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;"> encaixa bem como título deste álbum, pois não revela nada novo sobre Bruno Mars. Ser romântico e piegas o levou ao topo 15 anos atrás, e hoje, mesmo que não seja tão convincente, ainda o deixa lá. </span><i><span style="font-weight: 400;">I Just Might</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco, alcançou o </span><a href="https://www.billboard.com/lists/bruno-mars-hot-100-i-just-might-debut/"><span style="font-weight: 400;">primeiro lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> da parada da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos na semana em que foi lançada. Ele é um dos únicos grandes artistas capazes de resgatar tão fielmente o som de uma época, incorporar numa roupagem atual, e dominar os </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;"> com isso. Ainda assim, um truque feito tantas vezes pelo mesmo mágico, por mais fascinante que seja no começo, não te faz mais querer saber os segredos de quem está com o coelho de pelúcia na cartola o tempo todo, é só chato mesmo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Romantic" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7vI4iTxDmgEN63liQHPEX1?si=qodsRjtkRrG4FspgPtEhqA&amp;nd=1&amp;dlsi=edb1c09a82244129&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><strong><br />
<br style="font-weight: 400;" /><br style="font-weight: 400;" /><br style="font-weight: 400;" /></strong></p>
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		<title>Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 13:17:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[2010]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37157" aria-describedby="caption-attachment-37157" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png" alt="Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-37157" class="wp-caption-text">Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fearless-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fearless</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008) e à transição entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.</span></p>
<p><span id="more-37155"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é também um retrato de uma jovem artista lidando com as contradições da fama e da feminilidade sob os holofotes. Ao longo das 14 faixas, a loirinha transforma experiências pessoais, como amores, rupturas, críticas e arrependimentos, em narrativas universais, capazes de dialogar com diferentes gerações de ouvintes. 15 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como um ponto de virada em sua trajetória: é o momento em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas personagem de suas histórias e assume, de forma definitiva, o papel de narradora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mine" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XPBwXKgDTdE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um eixo emocional que atravessará toda a obra já aparece nas primeiras faixas: o amor como promessa e como ruína. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0GxW5K0qzrq7L1jwSY5OmY?si=994233fb59074a6c"><i><span style="font-weight: 400;">Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abre equilibrando medo e esperança, como se a ela já soubesse que finais felizes exigem reconstrução constante. Poucas faixas depois, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5l6GqSxplqnZbLg0LTPQeG?si=feaa8610082f4044"><i><span style="font-weight: 400;">Back to December</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inverte a lógica tradicional de sua narrativa e apresenta um pedido de desculpas explícito, algo ainda raro naquele momento de sua carreira. Se em trabalhos anteriores, ocupava majoritariamente o lugar da ferida, aqui experimenta o da culpa – movimento que se tornaria mais recorrente em álbuns futuros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse contraste entre acreditar apesar do trauma e reconhecer os próprios erros cria uma tensão madura para uma artista de 20 anos. Não à toa, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias na primeira semana nos Estados Unidos, tornando-se o 16º disco da história a atingir esse feito na época – um número que consolidava não apenas popularidade, mas </span><a href="https://lorena.ig.com.br/categoria/musica/Speak-Now-album-de-Taylor-Swift-ultrapassa-os-3-bilhoes-de-streams-no-Spotify"><span style="font-weight: 400;">relevância cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, que estreou em primeiro lugar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> 200 e acumulou múltiplas certificações de platina ao longo dos anos, caminha entre o encantamento e o desencanto, entre o impulso de amar e a necessidade de sobreviver ao fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o título não é à toa. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/06HL4z0CvFAxyc27GXpf02?si=a9340a5bd05b4667"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há fantasia, humor e impulso: a ideia de interromper um casamento é exagerada, quase cinematográfica, porém simboliza o desejo de finalmente dizer o que ficou preso na garganta. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3K2es3gElMRJ3qvmPW442g?si=2996468e91cd4079"><i><span style="font-weight: 400;">Dear John</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abandona qualquer verniz lúdico e mergulha em quase seis minutos de exposição crua sobre manipulação e diferença de idade em um relacionamento desigual. A pergunta</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t you think I was too young?</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não acha que eu era jovem demais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”) ressoa como marco de amadurecimento público e privado, transformando o que poderia ser mera fofoca em denúncia emocional, marcando um dos momentos mais maduros e dolorosos da carreira da artista.</span></p>
<figure id="attachment_37156" aria-describedby="caption-attachment-37156" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png" alt="Uma fotografia mostra Taylor Swift, uma mulher branca, na faixa dos 20 anos, em perfil. Ela tem cabelos loiros ondulados presos em um rabo de cavalo lateral e usa um ponto de áudio discreto. Ela está vestida com um vestido roxo claro com um decote, e um colar prateado fino. Seus lábios são pintados com um batom vermelho vibrante. Ela está olhando para a direita, com uma expressão concentrada. O fundo é predominantemente azul escuro, com alguns pontos de luzes brilhantes que sugerem um palco ou show. A iluminação é forte e foca nela, e na sua silhueta. A composição é focada na mulher, com o fundo servindo para isolá-la. A atmosfera é de performance, provavelmente um show." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37156" class="wp-caption-text">Mean ganhou o Grammy de Melhor Canção Country e Melhor Performance Solo Country em 2012 (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04S1pkp1VaIqjg8zZqknR5?si=cbb849b3a0234514"><i><span style="font-weight: 400;">Enchanted</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">talvez seja o coração sonhador do álbum: um encontro mágico que captura o instante exato entre o olhar e a paixão. É o ápice da cantora, das metáforas cintilantes e dos olhos brilhando sob luzes de cidade. Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Kiss</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta qualquer armadura emocional. Lenta, dolorosa e verdadeira, é talvez uma das canções mais tristes de Swift, uma despedida contida que carrega todo o peso de amar em vão. Essas canções demonstram como o álbum caminha entre o melodrama e a confissão, o início e fim da paixão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra vertente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mean</span></i><span style="font-weight: 400;"> converte as críticas em superação, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Than Revenge</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a reação impulsiva de quem ainda busca poder através da raiva – uma resposta crua e imatura. Quinze anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-espelho-quebrado-por-expectativas-a-complacencia-de-taylor-swift-em-the-life-of-a-showgirl/"><i><span style="font-weight: 400;">The Life of a Showgirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), retoma esses mesmos temas com distanciamento e autoconsciência, como se revisse o espelho emocional do antecessor. A regravação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/speak-now-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava esse amadurecimento: Swift reconhece os excessos sem apagar a emoção. Essa consciência se torna domínio narrativo novamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">: a artista encena o julgamento e transforma a vulnerabilidade em força, revisitando o processo de afirmar sua identidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mean" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jYa1eI1hpDE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um símbolo de legado e comunhão entre gerações de </span><i><span style="font-weight: 400;">swifties </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Never Grow Up</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Innocent</span></i><span style="font-weight: 400;"> formam dois polos complementares dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambos marcados pela vulnerabilidade e pelo desejo de amadurecer sem perder a doçura. A primeira é um lembrete agridoce da passagem do tempo, um retrato terno da inocência que se esvai; já a segunda, lançada após o episódio humilhante no </span><i><span style="font-weight: 400;">VMA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2009, é um gesto público de perdão – não apenas para </span><a href="https://personaunesp.com.br/donda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas para si mesma, ao afirmar que ainda há pureza mesmo após o erro. Juntas, revelam como Swift equilibra fragilidade e força, sarcasmo e empatia, mostrando que crescer também é se reconciliar com as próprias falhas. Nas duas faixas, a artista traduz a dor em arte, oscilando entre o íntimo e o épico, uma sensibilidade que define o coração do disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4ewAfHYpDTzpW1GKO44CVP?si=88281ea9e68d46ee"><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase mítico, um tributo à própria jornada e aos fãs que a acompanharam desde o início. Ao celebrar as vitórias e as cicatrizes, a loirinha muda sua história pessoal em lenda compartilhada, uma canção sobre a glória efêmera e a memória duradoura. Mais de uma década depois, o impacto da faixa ganhou novas dimensões com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IppMykw4fT4"><i><span style="font-weight: 400;">The Eras Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que Swift a incluiu como clímax emocional dos shows, transformando estádios inteiros em corais de vozes unidas por um sentimento de pertencimento e continuidade. A música, antes um agradecimento íntimo à banda e aos fãs de sua juventude, tornou-se</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda carrega um significado especial por causa da versão em </span><a href="https://youtu.be/1etzkcAo6WA?si=huLpMDbbVvEwBrAo"><span style="font-weight: 400;">parceria com Paula Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2012. A regravação, cantada em inglês e português, representou um raro gesto de aproximação cultural e marcou profundamente o público brasileiro, que adotou a canção como hino afetivo. A obra permanece como um testemunho de autoconfiança, mas também de crescimento. É o disco de uma jovem que aprendeu a se defender com poesia e a se reconstruir com melodia. Falar, ou cantar, foi o gesto que a libertou, e essa coragem ecoa até hoje em cada verso de sua carreira. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5MfAxS5zz8MlfROjGQVXhy"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre o poder d</span><span style="font-weight: 400;">e reivindicar o próprio enredo, mesmo quando o mundo tenta escrevê-lo por você.</p>
<p></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Speak Now" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6Ar2o9KCqcyYF9J0aQP3au?si=kchY11j8R-uZGyUUAl9W3g&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/">Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>15 anos de K.I.D.S.: uma carta de amor à juventude de Mac Miller</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 13:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Zamai O que você estava fazendo aos 18 anos? Independente da resposta, nada será tão interessante quanto o que Mac Miller fez. Quinze anos atrás, o rapper estava em Point Breeze, Pittsburgh, iniciando a vida adulta, quando lançou K.I.D.S., sua quarta mixtape. Foi o primeiro trabalho de Mac após assinar contrato com a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-kids/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de K.I.D.S.: uma carta de amor à juventude de Mac Miller"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-kids/">15 anos de K.I.D.S.: uma carta de amor à juventude de Mac Miller</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36846" aria-describedby="caption-attachment-36846" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36846 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids1.jpg" alt="Capa da mixtape K.I.D.S. (Kickin' Incredibly Dope Shit) do rapper Mac Miller, lançada em 2010. A imagem mostra quatro jovens sentados em arquibancadas de madeira ao ar livr. Mac Miller está ao centro, em primeiro plano, com expressão relaxada e olhar direto para a câmera. Ele veste camiseta branca, boné azul para trás, bermuda bege e tênis branco com meias altas. À esquerda, um dos rapazes, sem camisa e com uma bandana vermelha, segura um microfone e está ao lado de um grande boombox. À direita, outros dois jovens conversam, um deles com uma camiseta cinza e o outro usando uma regata com a frase &quot;Loose Lips&quot;. No topo da imagem, há uma faixa de papel rasgado escrito “ROSTRUM RECORDS &amp; MOST DOPE PRESENT:” em letras pequenas, seguido pelo título &quot;K.I.D.S&quot; em letras grandes e coloridas. Cada letra com uma textura ou imagem diferente, incluindo fotos e arte gráfica. Abaixo, em letras azuis, amarelas e verdes, lê-se &quot;KICKIN INCREDIBLY DOPE SHIT&quot;. À direita da palavra “SHIT”, há uma ilustração do personagem Baby Mario (da Nintendo). No canto inferior esquerdo está escrito “MAC MILLER” em letras vermelhas com sombra amarela, em uma tipografia estilizada. " width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids1.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-36846" class="wp-caption-text">K.I.D.S. foi a responsável por lançar Mac Miller ao sucesso (Foto: Rostrum Records)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Zamai</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que você estava fazendo aos 18 anos? Independente da resposta, nada será tão interessante quanto o que Mac Miller fez. Quinze anos atrás, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">estava em Point Breeze, Pittsburgh, iniciando a vida adulta, quando lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S.</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua quarta </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">. Foi o primeiro trabalho de Mac após assinar contrato com a </span><a href="https://www.rostrumrecords.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Rostrum Records</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gravadora americana com quem trabalhou até 2014, quando firmou parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Records</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-36843"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Miller se inspira com muita sensibilidade no polêmico filme </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/o-polemico-filme-kids-ontem-hoje-16976670"><i><span style="font-weight: 400;">Kids</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1995, drama que mostra o conturbado mundo dos adolescentes e o perigo de ser um jovem sem orientação. Na primeira música,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kickin Incredibly Dope Shit [intro],</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mac usa um monólogo de Telly, um dos personagens principais da obra, para introduzir o ouvinte ao álbum, trazendo uma sensação de nostalgia mesmo para quem ainda não assistiu. O cantor faz o ouvinte se sentir acolhido, abraçado, pois diz o que pensamos sobre algo que amamos – no caso dele, a música – mas que não conseguimos por em palavras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Quando somos jovens, muita coisa não importa / Quando você acha algo que você se importa / Isso é tudo que você tem / Quando você vai dormir de noite você sonha com [música] / Quando você acorda, é a mesma coisa / Está ali na sua cara, você não pode fugir / Às vezes quando você é jovem, o único lugar para ir é para dentro / [Música], é o que eu amo, tire isso de mim e eu realmente não tenho nada&#8221;</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mac Miller - Knock Knock" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6bMmhKz6KXg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a responsável por lançar Mac Miller aos </span><a href="https://www.vagalume.com.br/mac-miller/popularidade/"><span style="font-weight: 400;">holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na época, as redes sociais estavam começando a crescer e influenciar pessoas, e foi através delas que Mac divulgou muito de seu trabalho. Ele mesmo diz na primeira música que não foi ‘normal’ um </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> atingir o sucesso que ele conquistou tendo apenas 18 anos. Ainda na música introdutória, Miller canta “</span><i><span style="font-weight: 400;">O garoto mais trabalhador da América / jogando com os profissionais</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Apesar de estar feliz com a situação, o cantor ainda não está satisfeito. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero a capa da [revista] Time, Homem do Ano, tem minha imagem presa em sua mente</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com duas de suas 10 </span><a href="https://thissongissick.com/post/ranking-the-top-25-songs-of-mac-millers-career/"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais ouvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Spins</span></i><span style="font-weight: 400;"> – que ganhou um sucesso ainda maior com o crescimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok </span></i><span style="font-weight: 400;">– e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nikes On My Feet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S. </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra de forma certeira a visão de um jovem sonhador que ainda quer conquistar o mundo. Mac sabe que a vida é boa agora e que deve ficar mais difícil no futuro, por isso tenta aproveitar ao máximo o momento e não quer envelhecer. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ser jovem é tão legal / Não quero nunca envelhecer</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida realmente ficou mais difícil para o cantor quando ele cresceu. Nas obras lançadas após a </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mac Miller já demonstra maturidade, talvez um cansaço pela ‘vida de adulto’, lidando com a </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/08/cultura/1536364920_305821.html"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o vício nas drogas. O contrário acontece em </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S.</span></i><span style="font-weight: 400;">: o céu é muito baixo para ser considerado um limite para o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">, nada pode lhe parar. Mac demonstra isso em </span><i><span style="font-weight: 400;">Get Em Up</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizendo que independente do que falem ou façam, ele ainda estará aqui, crescendo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Costumava ser o palhaço da sala / Mas agora eu rio por último</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_36845" aria-describedby="caption-attachment-36845" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids2.jpg" alt="Capa do álbum Swimming (2018) do rapper Mac Miller. A imagem é minimalista, com fundo totalmente branco. No centro, Mac Miller está sentado descalço dentro de um compartimento vertical e retangular de cor preta, semelhante ao interior de uma cabine de avião. Acima de sua cabeça, há uma janela de avião, por onde se vê um céu azul claro. Mac Miller veste um terno rosa claro com uma camisa branca e uma gravata estampada com tons escuros e coloridos. No canto inferior direito da imagem há o selo de “Parental Advisory Explicit Content”, indicando conteúdo explícito no álbum." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids2.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids2-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-36845" class="wp-caption-text">wimming (2018) é um dos álbuns em que Mac Miller se abre sobre sua depressão (Foto: REMember Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, os temas das 16 músicas são quase sempre os mesmos: a vontade de ser criança para sempre; a responsabilidade que está tendo com seu sucesso; a superioridade com os haters, ter várias garotas no seu pé e não se preocupar com mais nada. Porém, com sua originalidade e </span><a href="https://genius.com/artists/Larry-fisherman"><span style="font-weight: 400;">domínio musical</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mac Miller consegue fazer cada uma se destacar individualmente, com ritmos diferentes e batidas contagiantes. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ride Around</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, a letra é comum e sem significados profundos, mas é a sonoridade que a diferencia das outras músicas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Abaixe as janelas / aumente o sistema / Nós estamos apenas tentando andar por aí / porque nós não ligamos / Temos um tanque cheio de gasolina e alguma merda para fumar / Ei, vamos pegar a estrada”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do tom animado na maior parte do álbum, Mac também expõe seus sentimentos em </span><i><span style="font-weight: 400;">All I Want Is You</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Poppy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira é uma música de amor, dedicada a apenas uma </span><a href="https://www.ranker.com/list/mac-miller-loves-and-hookups/celebrityhookups"><span style="font-weight: 400;">garota,</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não ‘todas as garotas me querem’, presente em várias músicas da </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Me falaram para nunca me apaixonar / Isso nunca funciona com você”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A canção já traz referências do que Miller faria em </span><i><span style="font-weight: 400;">Divine Feminine</span></i><span style="font-weight: 400;">, um de seus futuros álbuns, na qual se dedica mais a expressar seu amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Poppy</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dedicada para o avô do cantor, em que Mac parece estar em um diálogo com ele. É uma música mais emocional, já mostrando que o rapper sabe fazer mais do que falar sobre as delícias da vida adolescente, como fez em seus futuros trabalhos </span><a href="https://personaunesp.com.br/circles-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i><span style="font-weight: 400;">, álbuns muito mais profundos e que expressam os sentimentos mais íntimos do cantor. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas me sinto tão sozinho tentando lidar com sua morte / Segurando minha respiração, querendo que eu tivesse mais um dia / Querendo que você estivesse lá quando eu me formar”.</span></i></p>
<p><figure id="attachment_36844" aria-describedby="caption-attachment-36844" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Kids3.jpg" alt="Fotografia de estúdio que mostra Mac Miller com sua família, posando juntos diante de um fundo neutro. Ao centro da imagem, sentada, está uma senhora idosa de expressão gentil, vestindo uma jaqueta estampada colorida com detalhes em rosa, verde e dourado, colares de pérolas e uma blusa preta. Ela segura as mãos de Mac Miller, que está logo atrás, à esquerda. Mac Miller aparece sentado parcialmente atrás dela, com as mãos cruzadas sobre os joelhos. Ele usa uma camiseta branca, uma corrente prateada e um casaco vermelho. À esquerda dele está um homem jovem de camiseta cinza e calça preta, com os braços apoiados nas pernas. À direita da senhora, também sentada, está uma mulher ruiva de óculos, blusa azul e expressão sorridente. Em pé atrás dela está um homem mais velho, de óculos, cabelos grisalhos e camisa azul-escura, sorrindo levemente com uma mão apoiada no ombro da mulher à sua frente. " width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36844" class="wp-caption-text">Miller McCormick (irmão), Mac McCormick, Marcia Weiss (avó), Karen Meyer (mãe) e Mark McCormick (pai) [Foto: Karen Meyer]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mesmo com duas músicas carregadas de emoção, Mac Miller faz um brilhante trabalho com </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S.</span></i><span style="font-weight: 400;">, deixando todas as músicas com batidas alegres e contagiantes. Sabe aquela sensação quando você está escutando uma música e ela te dá vontade de sair por aí cantando? De quando você coloca uma música no rádio do carro e quer fazer uma cena ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">à lá</span></i><span style="font-weight: 400;">’ </span><i><span style="font-weight: 400;">As vantagens de ser invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, subir no teto solar e cantar para a cidade toda ouvir enquanto alguém dirige? É exatamente isso que define a </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o sair da adolescência para o descobrimento do desconhecido mundo </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/a-dificil-arte-de-se-tornar-adulto-faz-adolescencia-se-prolongar/"><span style="font-weight: 400;">adulto</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato de Mac ter feito este trabalho com apenas 18 anos é um grande destaque. </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/09/15/kendrick-lamar-tributo-mac-miller/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> americano de muito sucesso, por exemplo, teve seu destaque em 2012, com 25 anos. Kendrick inclusive era uma das inspirações de Miller e os dois artistas chegaram a trabalhar juntos em algumas ocasiões, como nas músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">Fight the Feeling</span></i><span style="font-weight: 400;">, da mixtape </span><i><span style="font-weight: 400;">Macadelic</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">God is Fair, Sexy Nasty</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Swimming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Eminem, outro artista de grande sucesso, começou a brilhar aos 27 anos. Como diz na contagiante </span><i><span style="font-weight: 400;">The Spins</span></i><span style="font-weight: 400;">, parceria com a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire Of The Sun</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mac Miller ainda era um adolescente se formando no ensino médio: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me formei / oh yes / eu acabei de me formar no ensino médio / haha”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como todos os outros </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4LLpKhyESsyAXpc4laK94U?si=wo-X9auYQYmCsJ4WXP8ivA"><span style="font-weight: 400;">trabalhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista, </span><i><span style="font-weight: 400;">K.I.D.S.</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista os corações dos ouvintes, principalmente por trazer uma </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de nostalgia, de ser criança, e até por ver Mac tão feliz e animado. Este maravilhoso trabalho faz Mac Miller se diferenciar dos demais, mostrando desde o início da carreira que ainda teria um grande futuro pela frente, com obras ainda mais pessoais e bem produzidas. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: K.I.D.S." style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1jzqEyjugAp9iLtRsj9LZg?si=05b6c108d21945cb&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Eduardo Dragoneti Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd"</span></a></p>
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<figure id="attachment_35873" aria-describedby="caption-attachment-35873" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35873 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg" alt="Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-35873" class="wp-caption-text">A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum </span><a href="https://entreacordes.blog/2020/09/12/45-anos-de-wish-you-were-here-um-dos-maiores-discos-conceituais-de-todos-os-tempos"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/wish-you-were-here-a-triste-historia-que-rendeu-a"><span style="font-weight: 400;">homenagem profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-syd-barrett-saiu-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">Syd Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.</span></p>
<p><span id="more-35872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrett havia deixado o conjunto musical em abril de 1968, após episódios de instabilidade mental associados ao uso abusivo de LSDs e a um diagnóstico nunca confirmado de esquizofrenia. Apesar disso, sua influência e seu legado artístico ecoaram notavelmente nos trabalhos seguintes do </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_680/371767-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja no próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em álbuns posteriores, como em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/pink-floyd-lanca-animals-2018-remix-ainda-atual-disco-precisava-de-nova-versao-review"><i><span style="font-weight: 400;">Animals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o aclamado </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/another-brick-in-the-wall-a-musica-mais-famoso-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">The Wall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2019/08/review-pink-floyd-momentary-lapse-of.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Momentary Lapse of Reason</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">One Slip</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam sobre a fragilidade da mente e a perda de alguém próximo, temas que os fãs relacionam à história do ex-vocalista e guitarrista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa que abre e encerra o álbum, </span><a href="https://1023.clicrbs.com.br/blogda1023/2022/02/15/alem-da-letra-conheca-historia-da-musica-shine-crazy-diamond-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é uma suíte em nove partes composta por Waters, Wright e Gilmour, dedicada a Barrett – o “</span><i><span style="font-weight: 400;">diamante louco</span></i><span style="font-weight: 400;">” a quem o título faz referência. Os primeiros 13 minutos e meio do disco introduzem de forma lenta, instrumental e muito bem elaborada a </span><a href="https://www.letras.mus.br/blog/shine-on-you-crazy-diamond-historia"><span style="font-weight: 400;">dor da perda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente da causada pela morte, mas a de saber que um alguém querido está em algum lugar, que não é mais tão perto quanto antes (física e afetivamente).</span></p>
<figure id="attachment_35874" aria-describedby="caption-attachment-35874" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-2.jpg" alt="Syd Barrett, caminha por uma calçada por um bairro de Londres em uma foto em preto e branco. Ele veste terno e camisa escura, olhando diretamente para a câmera com expressão séria e um cigarro na mão esquerda. Ao fundo, há carros antigos estacionados e uma mulher carregando sacolas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35874" class="wp-caption-text">Roger ‘Syd’ Barrett faleceu de câncer no pâncreas em 7 de julho de 2006 no Hospital Addenbrooke, em Cambridge. Ele não deixou esposa nem filhos (Foto: Mick Rock)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma faixa, Waters escreve: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você foi apanhado no fogo cruzado / Da infância e da fama / Soprado pela brisa de aço</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – um retrato aguçado da trajetória de Barrett e de seu desaparecimento dentro de si mesmo. No encerramento da canção, o sintetizador de Wright emula as notas de </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_701/356414-pinkfloyd.html"><i><span style="font-weight: 400;">See Emily Play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Barrett que abre o primeiro disco da banda, </span><a href="https://www.rockinthehead.com/single-post/pink-floyd-resenha-do-%C3%A1lbum-the-piper-at-the-gates-of-dawn"><i><span style="font-weight: 400;">The Piper at the Gates of Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha não foi à toa. Segundo os próprios integrantes do Pink Floyd, Emily é uma personagem que foi fruto de um sonho de Syd Barrett, possivelmente induzido por LSD. Ele dizia ter visto uma garota etérea brincando em um bosque, e que a imagem ficou em sua mente como uma pintura viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de fantasia e realidade, típica das composições de Syd nesse período, passou a ser vista como uma espécie de </span><a href="https://www.ecstaticintegration.org/p/the-rise-and-fall-of-the-acid-casualty"><span style="font-weight: 400;">prenúncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu colapso. Décadas depois, muitos fãs e críticos enxergam a música como uma despedida simbólica de uma mente criativa que estava se afastando da realidade, justificando a escolha de Wright como uma espécie de ‘adeus’ não-verbal ao amigo.</span></p>
<figure id="attachment_35875" aria-describedby="caption-attachment-35875" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-3.png" alt=" Fotografia em preto e branco mostrando os integrantes do Pink Floyd na sacada de um prédio. Da direita para a esquerda: Nick Mason apoiado na grade, Roger Waters usando um casaco de pele, Syd Barrett em destaque com blusa branca e cabelo desgrenhado, e Richard Wright inclinado para frente, segurando a barra do corrimão. Entre eles há luzes decorativas penduradas e, ao fundo, parte de uma escada lateral externa" width="512" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-35875" class="wp-caption-text">Roger Waters é creditado como compositor em mais de 90 músicas do Pink Floyd (cerca de 60 como autor principal e mais de 30 em créditos compartilhados) e foi o líder e principal letrista da banda por grande parte da sua carreira, especialmente após a saída de Syd Barrett (Foto: Baron Wolman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A certeza da saudade se concretiza na canção homônima do álbum. </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/a-musica-mais-famosa-do-pink-floyd-e-wish-you-were-here"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega como um tiro no peito sem aviso prévio, como é de costume para canções do Pink Floyd. A faixa inicia com uma curta conversa gravada nos corredores do </span><a href="https://www.abbeyroad.com/news/the-dark-side-of-the-moon-studio-documents-3299"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interrompida rapidamente pelo famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">da música, impactando o ouvinte que nem tem tempo de compreender o diálogo. Ao fundo, um violão ‘falso’ soa abafado e distante, como se vindo de um rádio velho. Em seguida, o toque real de Gilmour entra em primeiro plano, limpo, criando um contraste sonoro que traduz exatamente o </span><a href="https://cafecomsociologia.com/analise-da-musica-wish-you-were-here-pink-floyd-ideologia/"><span style="font-weight: 400;">sentimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção: estar ao lado e, ao mesmo tempo, distante de alguém. As risadas e respirações no início parecem espontâneas, quase casuais, até que a melodia se impõe de maneira íntegra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Roger Waters, compositor da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de Syd Barrett, mas de um sentimento mais amplo e existencial. Em suas palavras em entrevista ao documentário </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2012/08/pink-floyd-critica-de-historia-de-wish.html#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd: The Story of “Wish You Were Here”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2012): “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue se libertar o suficiente para experimentar a realidade da vida e como ela acontece diante de você? Porque, se não conseguir, você vai continuar parado na estaca zero até morrer. É disso que essa música trata.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Já para David Gilmour: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Embora &#8216;Shine On&#8217; seja a que fala </span></i><a href="https://www.hfnews.com.br/news/entendendo-wish-you-were-here-um-dos-albuns-mais-controversos-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">especificamente sobre Syd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e Wish You Were Here tenha um escopo mais amplo… eu não consigo cantá-la sem pensar nele.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Assim, a canção torna-se um lamento que é pessoal e universal ao mesmo tempo, a ausência de alguém que está presente demais para ser esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_35876" aria-describedby="caption-attachment-35876" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-4.png" alt="Foto preto e branca: Roger Waters debruça sobre a mesa de som do Abbey Road Studios vestindo um suéter e atrás dele um garoto, também vestindo um suéter, come um picolé enquanto observa o equipamento." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35876" class="wp-caption-text">A banda demorou em torno de 6 meses,de janeiro a julho de 1975, para gravar todas as músicas do disco (Foto: Jill Furmanovsky)</figcaption></figure>
<p><a href="https://americansongwriter.com/the-meaning-behind-welcome-to-the-machine-by-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://consequence.net/2020/10/the-story-behind-pink-floyd-have-a-cigar"><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> formam o núcleo mais </span><a href="https://open.spotify.com/episode/6XrX5iAT9N8K2dCJLppvIK?si=9dde9c576168444f&amp;nd=1&amp;dlsi=b8802c23183b4f86"><span style="font-weight: 400;">ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, funcionando como uma espécie de dupla crítica ao universo da indústria fonográfica. Se a primeira traduz a engrenagem impessoal do sistema, a segunda dá rosto e voz aos executivos bajuladores que movem essa mesma </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_831/171296-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">máquina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Juntas, as duas canções revelam o olhar desencantado do Pink Floyd diante de um mercado que transforma sonhos em mercadoria, e deixam claro que o sucesso também podia ser uma prisão – ideia que, inevitavelmente, remete àquilo que afastou Syd Barrett do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda constrói um diálogo entre a Máquina –metáfora para o capitalismo e o próprio mercado musical – e um </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/syd-barrett-o-lado-escuro-do-pink-floyd-9kg9efu40pijuafyahd36wksu"><span style="font-weight: 400;">jovem sonhador</span></a><span style="font-weight: 400;">, disposto a se entregar para alcançar reconhecimento. O suposto acolhimento é, na verdade, uma manipulação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o que você sonhou? / Tudo bem, nós te dissemos com o que sonhar / Você sonhou com uma grande estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/267/o-lado-brilhante-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas dita as regras, mas também escolhe seus desejos. A voz de Gilmour, carregada de pesar ao cantar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele tocava uma guitarra bestial / Ele comia sempre no bar / Ele adorava dirigir seu Jaguar / Então, bem-vindo à máquina</span></i><span style="font-weight: 400;">”, expõe o sonhador agora como um personagem do passado, alguém que foi engolido pela engrenagem que o consagrou. Inevitavelmente o trecho foi associado à trajetória de Barrett.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a abstração dá lugar à caricatura de um executivo da indústria, ignorante e interesseiro, que os trata como produto e não como Arte. Com vocais de </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/lead-vocals-pink-floyd-song-have-a-cigar"><span style="font-weight: 400;">Roy Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado para substituir Waters e Gilmour, insatisfeitos com suas próprias tentativas, a faixa carrega ironia do início ao fim. O </span><a href="https://mumblingabout.com/2019/07/16/oh-by-the-way-which-ones-pink"><span style="font-weight: 400;">famoso verso</span></a><span style="font-weight: 400;"> – “</span><i><span style="font-weight: 400;">A banda é fantástica, isso é o que eu realmente acho / Oh, por sinal, qual de vocês é o Pink?</span></i><span style="font-weight: 400;">” – expõe o desdém de quem só enxerga cifras e fama, sem nenhum interesse pelo grupo em si. A canção também é interpretada como uma exposição do preço que os integrantes pagaram para chegar a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-pior-epoca-do-pink-floyd-segundo-david-gilmour"><span style="font-weight: 400;">ascensão astronômica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem executivo é a materialização de um sucesso sem alma, justamente o que afastou o ex-membro.</span></p>
<figure id="attachment_35877" aria-describedby="caption-attachment-35877" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-5.jpg" alt="Foto polaroid: Syd Barrett, careca, obeso e sem sobrancelhas, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta, posa de lado para a foto, encarando profundamente a câmera dentro do Abbey Road Studios." width="512" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-35877" class="wp-caption-text">Os integrantes da banda demoraram em torno de 45 minutos para finalmente reconhecerem Syd Barrett, que, segundo Wright, ficou o tempo todo em silêncio e escovando constantemente os dentes no banheiro do estúdio (Foto: Nick Mason)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos episódios mais </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/o-dia-em-que-um-dos-maiores-grupos-de-rock-viu-um-fantasma-no-estudio"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu inesperadamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">em 5 de junho de 1975, enquanto o grupo finalizava as gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond (Pts. 6-9)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estava irreconhecível: obeso, com a cabeça raspada, sem sobrancelhas e o olhar distante. Seus antigos colegas demoraram a reconhecê-lo, e o encontro foi carregado de tristeza e </span><a href="https://www.portaltela.com/entretenimento/musica/2025/01/27/pink-floyd-e-a-surpreendente-aparicao-de-syd-barrett-durante-gravacao-historica"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Waters e Gilmour, em especial, ficaram profundamente abalados, caindo em lágrimas ao verem o amigo por muito tempo perdido. Gilmour relata no documentário que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi uma grande perda. E imaginar o que ele teria feito&#8230; especular sobre isso, se você preferir&#8230; Ele poderia ter se tornado tão grandioso</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe onde você está / O quão perto ou o quão longe / Brilhe, seu diamante louco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A certeza de que, independente de onde Syd Barrett estivesse, o Pink Floyd só queria que ele brilhasse loucamente, como fez enquanto esteve na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ultima-reuniao-do-pink-floyd-com-formacao-classica-foi-ha-20-anos-relembre/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o álbum finaliza voltando a melancolia da qual foi iniciado, a sensação de que o recado foi passado, mas com a incerteza de que chegará ao </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/flashback-ultima-entrevista-de-syd-barrett/"><span style="font-weight: 400;">destinatário</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencialmente um disco sobre ausência, seja a de Barrett, seja a de autenticidade no mercado musical ou seja a </span><a href="https://www.loudersound.com/features/how-wish-you-were-here-was-the-beginning-of-the-end-for-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">desconexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os próprios membros do grupo. É também uma carta de amor a um amigo perdido, um lamento musical que, meio século depois, ainda ecoa com intensidade. O álbum é um lembrete de que algumas presenças continuam a se fazer sentir, mesmo que estejam absolutamente perdidas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wish You Were Here" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0bCAjiUamIFqKJsekOYuRw?si=oQQGRO-bQRSWId731Ki2tQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 13:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Aaron Dessner]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de Lover (2019) ou da pulsação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35479" aria-describedby="caption-attachment-35479" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35479" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3.png" alt="Capa do álbum folklore. Fotografia em preto e branco de uma floresta alta e densa envolta por neblina, com árvores longilíneas e um ambiente silencioso e etéreo. No centro inferior da imagem, Taylor Swift aparece sozinha, de pé entre as árvores, vestindo um longo sobretudo xadrez de estilo vintage. Sob o casaco, vislumbra-se um vestido fluido. Seu cabelo está solto, levemente ondulado e natural, caindo sobre os ombros. Ela mantém uma postura estática e contemplativa, com os braços relaxados ao lado do corpo. Sua figura humana se funde ao cenário melancólico, evocando introspecção e solidão bucólica." width="900" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image3-3-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-35479" class="wp-caption-text">folklore é o 8° álbum de estúdio da cantora (Foto: Universal Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos atrás, em julho de 2020, Taylor Swift surpreendia o mundo ao lançar folklore, um disco inesperado em todos os sentidos. Lançado sem anúncio prévio, no auge do isolamento pandêmico, o álbum marcava uma guinada radical em sua estética musical e narrativa. Longe da grandiosidade colorida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aniversario-lover-5anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Lover</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) ou da pulsação icônica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Reputation </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore </span></i><span style="font-weight: 400;">é cinza, úmido e contido. Um mergulho no íntimo. Em meio ao silêncio coletivo que marcava aquele momento da história, Swift parecia responder com um disco que não gritava, mas sussurrava. Que não seduzia com batidas, mas encantava com palavras, texturas e histórias fragmentadas. A obra é, antes de tudo, um disco de escuta – não para tocar no carro em movimento, e sim para ouvir como quem lê um diário escondido entre folhas velhas.</span></p>
<p><span id="more-35476"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Aaron Dessner (</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2cCUtGK9sDU2EoElnk0GNB?si=MT2aVesYTGeJkpcpQpAKXg"><i><span style="font-weight: 400;">The National</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-tortured-poets-department-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jack Antonoff</span></a><span style="font-weight: 400;">, Swift trocou os refrões brilhantes por melodias etéreas e minimalistas. Os arranjos soam como se estivessem sendo tocados dentro de uma cabana de madeira, entre ecos e passos lentos. O piano é o protagonista discreto de muitas faixas, acompanhado por cordas delicadas e sintetizadores ambientes que criam um clima de suspensão. Em vez da intensidade emocional à flor da pele, </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com a memória, com a ausência, com o que foi e não volta. A ausência de espetáculo visual e a estética </span><i><span style="font-weight: 400;">cottagecore </span></i><span style="font-weight: 400;">ajudaram a cimentar a imagem de um disco feito fora do tempo e das exigências da indústria. Entretanto, por trás dessa escolha está também um gesto artístico: Taylor Swift deixa de se colocar no centro e escolhe contar histórias – às vezes suas, às vezes de personagens imaginados, e muitas vezes uma mistura de ambos.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35478" aria-describedby="caption-attachment-35478" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35478" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-800x450.png" alt="Imagem em preto e branco, em plano fechado, com fundo desfocado de natureza banhada por luz suave. Taylor Swift aparece em destaque, olhando sobre o ombro em direção à câmera com expressão serena e levemente melancólica. Seu cabelo está preso em um coque solto, com mechas onduladas caindo suavemente ao redor do rosto. Ela usa um vestido de alça fina, e sua pele reflete a luz natural com delicadeza. Uma das mãos toca o rosto num gesto suave, criando uma atmosfera de intimidade, fragilidade e contemplação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image2-2.png 1077w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35478" class="wp-caption-text">hoax e the 1 foram as últimas músicas adicionadas no disco (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse impulso narrativo ganha forma exemplar no núcleo mais comentado do disco: o triângulo amoroso formado pelas faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">cardigan</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">august</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">betty</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nas três músicas, Swift constrói uma mesma história sob diferentes pontos de vista, como se pedisse ao ouvinte que montasse o quebra-cabeça com as peças que ela oferece. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4R2kfaDFhslZEMJqAFNpdd?si=c6d5e94c4b9f4b3e"><i><span style="font-weight: 400;">cardigan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, temos a jovem Betty, traída e melancólica, lembrando como foi descartada e depois procurada de novo. A canção é um lamento doce, com um piano melódico que acompanha o ressentimento contido da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3hUxzQpSfdDqwM3ZTFQY0K?si=b7956d9bc0234da3"><i><span style="font-weight: 400;">august</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a narrativa muda: agora ouvimos a voz da garota com quem James – o elo do triângulo – viveu um caso de verão. Ela não é a vilã: é apenas alguém que acreditou em promessas não ditas, alguém que se entregou à ilusão com os pés descalços na areia. Por fim, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5kI4eCXXzyuIUXjQra0Cxi?si=c0cc126837604f31"><i><span style="font-weight: 400;">betty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta o lado de James, em uma tentativa de desculpas juvenil, marcada por insegurança, culpa e nostalgia. É uma canção </span><i><span style="font-weight: 400;">country-pop </span></i><span style="font-weight: 400;">que parece resgatar a loirinha adolescente dos primeiros discos, mas com a maturidade narrativa de uma artista que agora compreende a complexidade emocional de todos os envolvidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao construir esse triângulo, Swift rompe com a lógica binária das relações afetivas – não há heróis ou vilões, apenas pessoas tentando lidar com as consequências de seus atos. Essa escolha revela um amadurecimento não apenas lírico, como também ético. A cantora, que antes narrava suas relações com clareza autobiográfica, agora opta por ficcionalizar, e, ao fazer isso, amplia o escopo de sua arte. Mais do que expor suas dores, ela oferece ao ouvinte a experiência de habitar outras subjetividades. É um gesto que exige escuta e empatia. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0PZ7lAru5FDFHuirTkWe9Z"><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, portanto, não é apenas um disco sobre sentimentos, é sobre perspectivas, sobre a instabilidade das verdades afetivas e sobre a beleza de contar histórias que nunca podem ser totalmente lineares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - cardigan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/K-a8s8OLBSE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma, há duas faixas centrais de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> que dialogam com as ideias de narrativa, ficcionalização e crítica social: </span><i><span style="font-weight: 400;">mad woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">the last great american dynasty</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambas revelam uma faceta sagaz de Taylor Swift: a da cronista que observa estruturas de poder, gênero e memória com ironia e precisão. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2QDyYdZyhlP2fp79KZX8Bi?si=7d08a16a91fe4839"><i><span style="font-weight: 400;">mad woman</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela retoma um dos temas mais recorrentes de sua obra – a demonização da mulher raivosa –, porém aqui o faz com sutileza e veneno contido. A música é um sussurro ácido sobre a forma como a raiva feminina é sempre lida como loucura, enquanto a violência masculina é banalizada ou justificada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2Eeur20xVqfUoM3Q7EFPFt?si=0d9f31520b5e498c"><i><span style="font-weight: 400;">the last great american dynasty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, talvez, o experimento narrativo mais ousado do álbum. Inspirada na vida de </span><a href="https://www.vogue.com/article/the-outrageous-life-of-rebekah-harkness-taylor-swifts-high-society-muse"><span style="font-weight: 400;">Rebekah Harkness</span></a><span style="font-weight: 400;">, antiga proprietária da mansão comprada por Swift em Rhode Island, a música transforma uma figura histórica marginalizada em personagem de uma pequena epopeia feminista. A canção narra os escândalos que marcaram a vida de Rebekah com um tom quase jornalístico até que, no fim, a intérprete vira a lente para si mesma e traça um paralelo entre elas. Ao se colocar como herdeira simbólica daquela mulher ‘difamada’, a compositora afirma a continuidade de um ciclo: mulheres que ousam viver fora das regras continuam sendo chamadas de ‘erradas’ e ‘problemáticas’. Essas duas canções, portanto, não apenas aprofundam o caráter literário de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também o politizam.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35481" aria-describedby="caption-attachment-35481" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35481" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image5-1.png" alt="Foto em preto e branco de um campo gramado com árvores ao fundo, parcialmente ocultas pela névoa. Taylor Swift está em pé no centro da imagem, usando um vestido leve de tecido xadrez com decote em “V”, por baixo de um longo casaco também xadrez. Seu cabelo está solto, com franjas e ondas suaves, compondo um visual natural e descomplicado. Ela segura as lapelas do casaco com ambas as mãos, enquanto seu olhar está voltado para o horizonte, com uma expressão calma e distante. A imagem evoca uma estética rural, silenciosa e nostálgica, com um ar de delicadeza melancólica." width="400" height="491" /><figcaption id="caption-attachment-35481" class="wp-caption-text">my tears ricochet foi a única música do disco escrita 100% pela intérprete (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há espaço para autorreferência e introspecção, marcas que Taylor Swift nunca abandonou, mesmo em sua fase mais ficcional. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0ZNU020wNYvgW84iljPkPP?si=f98272cc95b648f5"><i><span style="font-weight: 400;">mirrorball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se revela como uma artista frágil, refletindo as expectativas alheias como uma bola de espelhos que só existe enquanto gira. A metáfora é clara: Swift vive da performance constante, moldando-se ao olhar do público, ainda quando isso fere sua própria identidade. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7kt9e9LFSpN1zQtYEl19o1?si=a6d010d8eda0423a"><i><span style="font-weight: 400;">this is me trying</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> amplia essa exposição emocional. Nela, a narradora – talvez um personagem, talvez ela mesma – confessa arrependimentos profundos, como quem carrega o peso de seu potencial desperdiçado. É uma canção sobre o esforço silencioso de continuar, na mesma forma quando tudo parece perdido, e sua atmosfera rarefeita transmite um cansaço emocional difícil de nomear.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1MgV7FIyNxIG7WzMRJV5HC?si=a0b24b0adc6c4f12"><i>my tears ricochet</i></a> mergulha em um território ainda mais sombrio, frequentemente lido como um lamento direcionado à antiga gravadora da cantora, após a disputa pelos <a href="https://www.bbc.com/news/articles/cp3n799d0v5o">direitos de suas masters</a>. Mas, Swift transforma esse conflito empresarial em um funeral simbólico, onde ressentimentos ganham forma poética. A música não trata apenas de rupturas profissionais, e sim de de traições profundas, da dor de ter sua história tomada e recontada por outros. Juntas, essas faixas formam um eixo mais íntimo dentro de <i>folklore</i>, um espaço onde a artista deixa que suas próprias falhas, mágoas e cicatrizes apareçam – mesmo que envoltas por sussurros e metáforas. São momentos em que a ficção recua, e a vulnerabilidade se impõe.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35480" aria-describedby="caption-attachment-35480" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35480" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-800x453.png" alt="Imagem em preto e branco mostrando um campo extenso de vegetação alta, com árvores ao fundo suavemente embaçadas pela luz intensa. Taylor Swift aparece no centro da composição, de perfil, olhando por cima do ombro direito. Ela usa um vestido longo, claro e esvoaçante, com mangas bufantes e detalhes delicados, em um estilo romântico e campestre. Seus cabelos estão presos em um coque baixo e solto, e a luz cria uma aura difusa ao seu redor, quase etérea. A imagem evoca uma atmosfera de sonho, contemplação e afastamento." width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-800x453.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1024x579.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-768x435.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1536x869.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1-1200x679.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image4-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35480" class="wp-caption-text">No Spotify, folklore teve o maior número de streams de abertura por um álbum em 2020, com mais de 80,6 milhões de reproduções globais no primeiro dia (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as canções mais comoventes de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">epiphany</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca por seu tom quase sacral e sua carga simbólica. A faixa é uma das mais atmosféricas e lentas do álbum, construída sobre camadas etéreas de sintetizadores e vocais distantes, como se estivesse sendo cantada de dentro de um sonho. Aqui, Taylor Swift costura duas narrativas: a do avô materno, Dean Swift, que lutou na Batalha de Guadalcanal na Segunda Guerra Mundial, e a dos profissionais de saúde que atuavam na linha de frente da pandemia de COVID-19. </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/taylor-swift-called-out-people-who-wont-wear-masks-covid-19"><span style="font-weight: 400;">Segundo a própria artista</span></a><span style="font-weight: 400;">, a canção foi escrita como uma homenagem àqueles que, em tempos de guerra ou de crise sanitária, encaram o sofrimento humano com coragem silenciosa, muitas vezes sem reconhecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em versos como </span><i><span style="font-weight: 400;">“Only twenty minutes to sleep / But you dream of some </span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/08fa9LFcFBTcilB3iq2e2A?si=77ec5016f3a04eac"><i><span style="font-weight: 400;">epiphany</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> / Just one single glimpse of relief,”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela traduz o esgotamento físico e emocional de médicos e enfermeiros, capturando com delicadeza a solidão e a carga psíquica desses profissionais durante o colapso hospitalar de 2020. Ao fazer essa conexão entre gerações e formas de cuidado, Swift amplia o escopo temático do disco, mostrando que </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é uma crônica do tempo em que foi criado, e que mesmo nas canções mais etéreas, pulsa um comentário agudo sobre o mundo real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado,</span><i><span style="font-weight: 400;"> exile </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">illicit affairs</span></i><span style="font-weight: 400;">, são dois dos momentos mais pungentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;">, explorando diferentes formas de distanciamento afetivo. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4pvb0WLRcMtbPGmtejJJ6y?si=c72aac336a204bbd"><i><span style="font-weight: 400;">exile</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dueto com Justin Vernon (</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4LEiUm1SRbFMgfqnQTwUbQ?si=uJXj3n9ARWmeVZH6JyjSxg"><span style="font-weight: 400;">Bon Iver</span></a><span style="font-weight: 400;">), Swift constrói uma conversa entre dois ex-amantes que já não se entendem mais, como se falassem línguas diferentes. A troca de vozes, quase teatral, transforma a canção em um confronto resignado, em que mágoas antigas são ditas com frieza. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2NmsngXHeC1GQ9wWrzhOMf?si=ddaf05d25d95406b"><i><span style="font-weight: 400;">illicit affairs</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma narrativa contida, delicada, sobre o desgaste de um romance clandestino, onde o amor dá lugar à vergonha e ao autoapagamento. A canção começa suave, quase cúmplice, entretanto culmina em um dos momentos mais intensos do álbum, quando Swift canta com amargura: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Don’t call me kid / Don’t call me baby.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ambas as faixas falam de relações condenadas, cada uma à sua maneira – uma como fim inevitável, outra como ruína emocional.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35477" aria-describedby="caption-attachment-35477" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image1-2.png" alt="Foto em preto e branco capturada de costas, com Taylor Swift correndo por um campo de grama alta. Ela veste um vestido claro e fluido, com barra ondulando ao vento, parcialmente coberto por um casaco escuro e largo que cai sobre os ombros. Seus cabelos estão presos em um coque baixo e bagunçado. A imagem captura o movimento da fuga ou da liberdade, com um ar de espontaneidade e melancolia bucólica. A floresta desfocada ao fundo completa o cenário natural e introspectivo." width="400" height="536" /><figcaption id="caption-attachment-35477" class="wp-caption-text">folklore e evermore, o álbum lançado meses depois, são considerados irmãos pelos fãs e pela própria artista (Foto: Beth Garrabrant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em novembro de 2020, Taylor Swift deu um passo além com a estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eHwZL17duJY"><i><span style="font-weight: 400;">folklore: The Long Pond Studio Sessions</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dirigido e produzido por ela, este documentário-concerto íntimo foi gravado no </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Pond Studio</span></i><span style="font-weight: 400;">, no interior de Nova York. O projeto apresenta versões acústicas de todas as 17 faixas originais, intercaladas por conversas descontraídas entre Swift, Aaron Dessner e Jack Antonoff, seja à beira de lareira ou com whisky e vinho à mão, revelando detalhes inéditos do processo de composição e produção. Além disso, durante a gravação, a artista aproveitou o momento para escrever novas músicas fora das câmeras, que mais tarde seriam incluídas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/evermore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">evermore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu álbum lançado logo em seguida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como uma das obras mais reverberantes da discografia de Swift, não apenas pelo impacto imediato que teve, como o </span><a href="https://www.grammy.com/news/taylor-swift-wins-album-year-folklore-2021-grammys"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Álbum do Ano, por exemplo, mas por sua permanência afetiva e estética. É um disco que envelhece como uma carta escrita à mão: quanto mais o tempo passa, mais ele parece dizer. Sua influência estética também foi profunda: abriu caminho para obras como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5jmVg7rwRcgd6ARPAeYNSm"><i><span style="font-weight: 400;">evermore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e inspirou outras artistas a adotarem uma postura mais narrativa, melancólica e silenciosa em meio ao ruído constante da era digital.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, enfim, um marco de reinvenção, não apenas como movimento estratégico de carreira. Ele representa uma inflexão emocional, uma pausa no ritmo, um retorno à escuta. Ao trocarem o palco iluminado por uma cabana de lembranças, </span><a href="https://personaunesp.com.br/aniversario-lover-5anos/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus personagens nos ensinaram que a ficção também pode ser uma forma de dizer a verdade. E que, muitas vezes, há mais honestidade em um sussurro bem contado do que em um grito confessional. É por isso que, meia década depois, ainda ouvimos o disco</span> <span style="font-weight: 400;">como quem entra devagar em uma casa antiga: sabendo que ali, no meio do silêncio e da madeira, há histórias que continuam pulsando.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: folklore (deluxe version)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1pzvBxYgT6OVwJLtHkrdQK?si=mV4KXgAMSTq_o1wb6Q3ZpQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/">Há 5 anos, Taylor Swift transformava isolamento em enredo e silêncio em poesia com folklore</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Depois de 15 anos, Diamond Eyes ainda carrega a genuinidade de um álbum inesperado.</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 15:03:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Barbosa Para alguns, Deftones tem certos períodos primordiais ao longo da sua trajetória. Primeiramente com Around the fur e todo seu som pesadíssimo que era condizente com o Nu Metal da época; White Pony, um dos álbuns que revolucionaria o Metal de sua época, e o período entre Saturday Night Wrist e Diamond Eyes, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/diamond-eyes-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois de 15 anos, Diamond Eyes ainda carrega a genuinidade de um álbum inesperado."</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35344" aria-describedby="caption-attachment-35344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-800x800.jpg" alt="Texto Alternativo: Uma coruja branca de braços abertos, está em frente a um fundo preto. Ao lado esquerdo está o nome da banda junto ao nome do álbum, no canto inferior direito está o selo de restrição de idade." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/diamond-eyes.jpg 1425w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35344" class="wp-caption-text">O nome Diamond Eyes é uma tentativa de celebração a vida e ver a beleza que ela tem (Foto: Reprise Records)</figcaption></figure>
<p><b>Lucas Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns, Deftones tem certos períodos primordiais ao longo da sua trajetória. Primeiramente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Around the fur</span></i><span style="font-weight: 400;"> e todo seu som pesadíssimo que era condizente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Nu Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> da época; </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/deftones-white-pony/"><i><span style="font-weight: 400;">White Pony</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos álbuns que revolucionaria o </span><i><span style="font-weight: 400;">Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua época, e o período entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Saturday Night Wrist</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a banda faria uma revolução, mas na sua própria maneira de fazer Música. </span></p>
<p><span id="more-35342"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes,</span></i><span style="font-weight: 400;"> primeiramente tem que compreender todo o contexto que antecedeu o registro. A banda estava já em períodos finais de produção do seu sexto álbum de estúdio, que foi chamado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eros</span></i><span style="font-weight: 400;">. Músicas basicamente definidas e em processo de finalização, o sucessor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Saturday Night Wrist</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">lançado em 2006, já estava se encaminhando para ser lançado no começo de 2009. Entretanto, no dia 4 de novembro de 2008, o baixista da banda, </span><a href="https://g1.globo.com/musica/noticia/2013/04/baixista-do-deftones-morre-apos-coma-de-quase-5-anos.html"><span style="font-weight: 400;">Chi Cheng</span></a><span style="font-weight: 400;">, se envolveu em um gravíssimo acidente em Santa Clara na Califórnia, que o deixou em coma durante um grande período (Chi veio a falecer em 2013, pelas complicações do incidente), com a tragédia, a banda decidiu entrar em um hiato e cancelar o lançamento de </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/09/14/deftones-admite-nao-lancar-eros/"><i><span style="font-weight: 400;">Eros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após alguns shows feitos em 2009, o grupo decidiu entrar no processo de criação de um álbum totalmente novo. Para substituir Chi, </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/deftones-racing-through-next-album-hoping-for-october-release-482268/"><span style="font-weight: 400;">Sergio Vega</span></a><span style="font-weight: 400;">, que era baixista do Quicksand e amigo pessoal do baixista e do vocalista Chino Moreno, se juntou a banda para a produção do disco, e, com a produção de Nick Raskulinecz, em Maio de 2010, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes </span></i><span style="font-weight: 400;">é lançado, sendo o álbum de reinício pessoal do Deftones. O instinto do </span><i><span style="font-weight: 400;">Nu Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda foi assegurado com </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs </span></i><span style="font-weight: 400;">pesados, mas existe toda a emoção da perda, da dor, e da saudade de não ter quem se ama por perto.</span></p>
<figure id="attachment_35345" aria-describedby="caption-attachment-35345" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2.jpg" alt="Um homem de meia idade com cabelos pretos e cavanhaque de perfil, com o microfone em mãos cantando, com uma camisa preta, e ao fundo luzes em tom de amarelo e laranja." width="770" height="513" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35345" class="wp-caption-text">“Meu presente para o mundo lá fora. Está tudo bem. Estou bem. Agora abra suas mãos vazias. Aí vem a diversão. Aí vem o fim.” (Foto: Steve Johnston)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica e o público recebeu muito bem o disco, que teve quatro </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">bem sucedidos: </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes, You’ve seen the Butcher</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sextape</span></i><span style="font-weight: 400;">, chegou também em #6 na Billboard 200. </span><a href="https://www.allmusic.com/album/diamond-eyes-mw0000794529"><span style="font-weight: 400;">Stephen Erlewine</span></a><span style="font-weight: 400;"> disse na época que era um álbum muito maduro, que era uma resposta óbvia à tragédia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um novo amanhecer pro grupo, o acidente de Chi foi um ponto de mudança inesperado, mas que teve uma relevância gigantesca pessoal e profissional para a banda. O hiato, o cancelamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eros</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma produção totalmente do zero foram importantes para que alcançassem um novo patamar em sua musicalidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existia um sentimento melancólico na banda, sabendo das condições do seu amigo que estava na banda desde 1998. Faixas como </span><a href="https://youtu.be/2bK4aeahcXc?si=1sNBnPYj6SqRghBy"><i><span style="font-weight: 400;">Beauty School</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Prince, </span></i><span style="font-weight: 400;">demonstram que a tristeza era muito presente, mas a Música se tornou uma terapia para todos, uma válvula de escape para a ‘injustiça’ que o mundo proporcionou a todos eles, do mesmo jeito que um entusiasmo em homenagear Chi Cheng, trouxe o calor e a vibração de um álbum completamente cativante e cheio de energia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista para a </span><a href="https://loudmagazine.net/deftones-diamond-eyes-2010-entrevista-exclusiva/"><span style="font-weight: 400;">LOUD!</span></a><span style="font-weight: 400;">, O baterista Abe Cunningham, diz sobre a evolução da banda com a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes:</span></i><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">é o som da banda se reencontrar, de ter todo mundo ali para partilhar o mesmo estado de espírito e, acima de tudo, a vontade de continuarmos a fazer música juntos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, todos sabiam que mais do que produzir músicas, eles precisavam estar juntos, entender como cada um estava passando por aquele momento, viverem a dor de forma unida, e ver se aquilo ainda era o que cada um queria, e foi exatamente isso que aconteceu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Deftones - Sextape [Official Music Video]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/f0pdwd0miqs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes </span></i><span style="font-weight: 400;">tem uma experiência única nas suas duas versões. Quando não se sabe o que ocorreu para que esse álbum acontecesse, existe uma profundidade nas letras, na interpretação do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2YTpfVpRoRE"><span style="font-weight: 400;">Chino</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos acordes das canções, que diferem do que a banda já fez algum dia. É um sentimento que todo mundo sabe o que está fazendo, e que percebeu o quão grande isso se tornaria. E quando já entende todo o ocorrido, dá pra compreender porque o peso de cada acorde, de cada letra, um disco de agradecimento, uma melancolia que envolve e faz refletir sobre perdas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de 15 anos, </span><a href="https://www.punknews.org/review/9256/deftones-diamond-eyes"><i><span style="font-weight: 400;">Diamond Eyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ainda é um álbum emotivo e cativante. A responsabilidade de homenagear uma pessoa amada, é difícil, dolorosa e tem vários percalços no caminho, mas é lindo ver a ideia cumprida. As músicas condizem com o momento que a banda passava, a pancadaria do som do </span><i><span style="font-weight: 400;">Nu Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> combinando com as letras que transmitem dor e saudade, entretanto enexalam também carinho e admiração. Nesse disco, o Deftones dá a mesma voz para a amizade, a tristeza, a saudade e a esperança.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Diamond Eyes" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1GjjBpY2iDwSQs5bykQI5e?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 19:42:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[2024]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há pelo menos uma década, o Oscar se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma mulher indicada em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trilha-sonora-para-um-golpe-de-estado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34757" aria-describedby="caption-attachment-34757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo canto esquerdo da imagem, em preto e branco, está Louis Armstrong tocando um instrumento de sopro. O ponto de vista é dos pratos de uma bateria, no lado esquerdo há uma mão segurando uma baqueta. No canto direito, de costas para Armstrong, há um homem branco, na faixa dos 50 anos, vestindo terno. Louis Armstrong é um homem adulto, negro e veste um terno." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34757" class="wp-caption-text">Louis Armstrong é uma das celebridades que aparece no longa (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pelo menos uma década, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/01/coralie-fargeat-de-a-substancia-pode-ser-a-4a-mulher-na-historia-a-receber-oscar-de-melhor-direcao/#:~:text=A%20Academia%20de%20Hollywood%20anunciou,entre%20os%20candidatos%20ao%20pr%C3%AAmio."><span style="font-weight: 400;">mulher indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book: O Guia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018). Em 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra na lista dos concorrentes a Melhor Documentário. Narrando a luta de </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/africa-diaspora/conheca-a-historia-de-patrice-lumumba-libertador-do-congo-que-faria-96-anos-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Patrice Lumumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> para tornar a República Democrática do Congo um país independente, o longa de Johan Grimonprez aposta em imagens de arquivo para costurar a história.</span></p>
<p><span id="more-34756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer consideração direta sobre o documentário, é admirável a presença dele no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2025, sobretudo, por se posicionar não apenas sobre um acontecimento histórico, mas também contra bilionários de extrema-direita, como Elon Musk e seu(s) interesse(s) em </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-04/niquel-litio-e-satelites-conheca-interesses-de-musk-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">minérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, coincidentemente (o filme é de 2024), marcaram presença na posse do presidente Donald Trump. A premiação é uma catapulta para a visibilidade de muitas obras, sem ela, provavelmente, a fita e as ideias de Grimonprez passariam despercebidas pelos cinemas brasileiros. Ironicamente, o imperialismo ainda decide quem é visto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado </span></i><span style="font-weight: 400;">necessita de muito fôlego para encarar 150 minutos de muita informação, enfoques, imagens e áudios que se devoram. A sensação provocada é de confusão, uma trama política complexa demais para querer mirar no </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, na Guerra Fria, no imperialismo e em outras tramoias, mesmo que elas estejam interligadas. O documentário pode ser encaixado no que seria um filme de solicitação, conceito apresentado pelo crítico </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/o-cinema-segundo-paulo-emilio-9ah48ueixtvqru0wnpr6wjv0z/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Emílio Sales Gomes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, há mais perguntas sendo feitas do que respostas ao espectador.</span></p>
<figure id="attachment_34758" aria-describedby="caption-attachment-34758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo centro da imagem, está Patrice Lumumba, ele está com as duas mãos erguidas mostrando o pulso enfaixado. Ele está com uma expressão séria, veste terno e gravata. Lumumba é um homem adulto de pele negra, seu cabelo é curto e ele tem bigode e cavanhaque. No lado direito, há um homem, também usando terno. " width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-768x497.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34758" class="wp-caption-text">Patrice Lumumba foi torturado e morto em 1961 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir de vivências, aproximações e outras estruturas que alguém gosta ou não de uma obra. Por exemplo, o grau de conhecimento sobre o gênero de Terror vai definir a apreciação de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-todo-mundo-em-panico/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) para além das piadas </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsenses</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse fator é fundamental nesse documentário, que, como em um anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> que nem sentimos chegar, interrompe sua narrativa para transmitir uma propaganda do carro </span><i><span style="font-weight: 400;">Tesla</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem os relacionar por meio de narrações com os fatos ali mostrados. É necessário, de quem vê, o conhecimento prévio sobre Elon Musk e fabricação de baterias, mas também de exploração de recursos e de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um gênero de improvisos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal fator está longe de ser um problema, é sua característica, inclusive para temas que não devem ser mastigados. A introdução das peças publicitárias de forma abrupta é um ótimo acerto para transmitir a ideia de que o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/10/07/o-que-e-imperialismo-pesquisadoras-explicam-o-que-esse-debate-tem-a-ver-com-sua-vida"><span style="font-weight: 400;">imperialismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda faz presença, de modo que tira e repõe você da história em uma fração de segundo. Mas e a trilha sonora que dá o título para o filme? Infelizmente, é o elemento que está mais desconectado, sendo usado de forma eficiente em raras ocasiões. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trilha Sonora pra um Golpe de Estado - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Aib5z2elhGY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como início as opiniões de figuras políticas sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas delas negativas, a Música é compreendida como ruído. Um dos personagens diz que desliga o rádio quando o gênero começa a tocar. Já em determinado trecho do filme, um dos narradores diz que os trâmites para conquistar a liberdade na República Democrática do Congo são conduzidos por músicas diferentes: a ONU não ouve </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, não escuta a voz do povo. Outras tomadas conseguem extrair sentimento, como a cena em que Louis Armstrong canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LDPUfbXRLM"><i><span style="font-weight: 400;">Black And Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felizmente, </span><a href="https://olhardigital.com.br/2025/01/28/cinema-e-streaming/indicados-ao-oscar-2025-veja-onde-assistir-a-cada-filme-online-nos-streamings/"><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toma posição e revela lados e figuras da história que tendem a ser apagados da equação imperialista – o que é fundamental em um filme que interpreta fatos, ao invés de apenas os narrar. Entretanto, sua forma não linear e o excesso de enfoque tornam a experiência enfadonha: o quanto você absorveu do que viu é a pergunta que fica ao sair da sessão. </span></p>
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		<title>Em Clancy, o fim é feito de recomeços</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jan 2025 14:06:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Fechar ciclos nunca é uma tarefa fácil, ainda mais quando tais ciclos são internos e nos remetem a nós mesmos. Se serve de consolação, essa não é uma experiência única. Aliás, se fosse, vários cantores e bandas que gostamos não teriam o impacto que têm para nós. Felizmente, o Twenty One Pilots sabe &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/clancy-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Clancy, o fim é feito de recomeços"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34736" aria-describedby="caption-attachment-34736" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-2-800x800.png" alt="Capa do álbum Clancy, do duo Twenty One Pilots. Nele vemos um fundo vermelho com detalhes em amarelo que lembram chamas. Na parte central temos dois homens, que são Tyler Joseph e Josh Dun. Tyler está mais centralizado, veste uma jaqueta preta com detalhes no ombro, uma calça preta e uma balaclava. Josh veste uma jaqueta preta com magas brancas e uma calça preta. A foto dos dois estão em preto e branco e bastante granuladas. Na parte superior central, está escrito na vertical &quot;CLANCY&quot; com letras estilizadas" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-2.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34736" class="wp-caption-text">Como era de se esperar, Clancy trouxe consigo uma tonelada de teorias (Foto: Fueled By Ramen)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechar ciclos nunca é uma tarefa fácil, ainda mais quando tais ciclos são internos e nos remetem a nós mesmos. Se serve de consolação, essa não é uma experiência única. Aliás, se fosse, vários cantores e bandas que gostamos não teriam o impacto que têm para nós. Felizmente, o </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3YQKmKGau1PzlVlkL1iodx"><span style="font-weight: 400;">Twenty One Pilots</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe disso e consegue não só transmutar sentimentos, como também encerrar períodos. A forma com que o duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun lida com isso é muito única. Assim como uma criança traumatizada, a dupla cria uma história fantástica para mascarar problemas reais, a fim de deixá-los menos banais e insignificantes ao olhar externo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa empreitada saíram quatro dos sete álbuns de sua discografia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blurryface </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015), </span><a href="https://personaunesp.com.br/twenty-one-pilots-trench/"><i><span style="font-weight: 400;">Trench</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), </span><i><span style="font-weight: 400;">Scaled and Icy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) e, agora, aquele que parece ser o final dessa história: </span><i><span style="font-weight: 400;">Clancy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por mais que os álbuns antecessores também tratassem de forma muita pungente as questões do duo – mas, principalmente de Joseph –, aqui, elas, em uma espécie de Efeito Streisand, ao serem mascaradas em uma narrativa, ganham ainda mais força e chegam ao ápice no momento mais oportuno, quando se toma coragem para enfrentar seus inimigos.</span></p>
<p><span id="more-34735"></span></p>
<figure id="attachment_34737" aria-describedby="caption-attachment-34737" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-800x412.png" alt="Cena do clipe Overcompensate, da banda Twenty One Pilots. Nele vemos, na parte direita da imagem, Tyler Joseph, um homem branco de cabelos raspados. Tyler veste uma camiseta preta, uma faixa escrito Clancy sobre seu pescoço e suas mãos estão pintadas de preto. Já Josh, um homem branc de cabelos pretos, veste uma camiseta preta de gola alto, com detalhe no pescoço escrito Torchebreaker. Eles estão em uma sala de fundo branco, com um slide sobre eles, no qual tem grafias escrtias a mão." width="800" height="412" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-800x412.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-1024x527.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-768x395.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-1536x791.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2-1200x618.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34737" class="wp-caption-text">Apesar de ser figura carimbada em festivais, a banda chega em 2025 pela primeira vez com uma turnê solo no Brasil (Foto: Mark C. Shelman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">lore</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenha começado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blurryface</span></i><span style="font-weight: 400;">, o personagem Clancy já dava as caras em </span><a href="https://personaunesp.com.br/vessel-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vessel</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013), ainda que apenas como alguém sem nome, que lutava contra seus demônios internos. Chegamos na efervescência do álbum justamente porque toda essa narrativa surgiu com o intuito de personificar seus inimigos silenciosos. Nesse sentido, o registro é a somatização não só de toda a história, mas também de todo o sofrimento interno do eu-lírico, que acabou ficando visível demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paul Meany retorna para a linha de frente de produção, o que é um acalento para os órfãos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/twenty-one-pilots-trench/"><i><span style="font-weight: 400;">Trench</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e também para aqueles que, injustamente, torceram o nariz para Scaled and Icy. Com Meany comandando e assumindo o papel de terceiro integrante, tanto Tyler Joseph como Josh Dun tem muito mais liberdade: um para criar mais através das letras e outro para imprimir uma sonoridade tão enérgica em sua bateria que, por vezes, sinalizam em direção ao </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, muito presente no </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=53tgVlXBZVg&amp;ab_channel=twentyonepilots"><i><span style="font-weight: 400;">Overcompensate</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, junto com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UOUBW8bkjQ4&amp;ab_channel=twentyonepilots"><i><span style="font-weight: 400;">Jumpsuit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do álbum de 2018, empatam com as melhores aberturas de disco da carreira dos dois.</span></p>
<figure id="attachment_34738" aria-describedby="caption-attachment-34738" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-800x400.png" alt="Foto do duo Twenty One Pilots. Nlea vemos Tyler e Josh Dun. Tyler veste uma jaqueta preta, calça preta, uma faixa escrito CLANCY estilizado por volta do pescoço e uma balaclava preta com detalhes em vermelho. Josh está ao lado de Tyler e veste uma camisa preta e calça preta. Tyler estica a faixa com sua mão direita e Josh está de lado olhando para o horizonte. Ao fundo, um cenário branco" width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34738" class="wp-caption-text">De longe, essa foi a era mais esteticamente trabalhada do Duo (Foto: Ashley Osborn)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu antecessor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/scaled-and-icy-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Scaled and Icy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi tão divisivo que, nas primeiras impressões, Clancy foi tratado como ‘a volta do Twenty One Pilots’ ao que era antes. Só que, na verdade, o álbum só é uma comprovação que ele sempre esteve lá, mas que, com muita autenticidade, soube se renovar e assumir diferentes roupagens. Ao longo de suas 13 faixas, é possível revisitar todas as eras do duo sem sair do lugar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por se tratar de um fechamento de ciclo, algumas de suas referências ao próprio trabalho são escancaradas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Overcompensate</span></i><span style="font-weight: 400;">, que</span> <span style="font-weight: 400;">cita nominalmente o álbum querido dos fãs, também tem referência direta à </span><i><span style="font-weight: 400;">Bandito</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua letra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oldies Stations</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">é basicamente uma </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel</span></i><span style="font-weight: 400;"> metafórica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=92XVwY54h5k&amp;ab_channel=FueledByRamen"><i><span style="font-weight: 400;">Car Radio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– antes do aparelho ser roubado, era nele que tocava sua música favorita. A declaração de Tyler Joseph para sua mulher Jenna em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Craving </span></i><span style="font-weight: 400;">traz protagonismo novamente para o ukulele assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">We Don’t Believe What’s on TV </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">House of Gold</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ainda sim, a dupla consegue trazer autenticidade para o projeto e se mostra inteligente ao não pecar apelando para a nostalgia, mas sim, utilizá-la para evidenciar o contraste da passagem dos anos. Eles entendem que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">fandom</span></i><span style="font-weight: 400;"> cresceu nesse meio tempo e decidem, aqui, mostrar que também evoluíram. A excelente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a5i-KdUQ47o&amp;ab_channel=twentyonepilots"><i><span style="font-weight: 400;">Next Semester</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> evoca o baixo de Joseph em um </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo bem enérgico sobre recomeços, </span><i><span style="font-weight: 400;">Navigating</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca o duo em um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Snap Back</span></i><span style="font-weight: 400;"> revive o </span><i><span style="font-weight: 400;">flow </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> do vocalista, dessa vez, de forma bem melódica, quase não parecendo do gênero. </span><i><span style="font-weight: 400;">Clancy,</span></i><span style="font-weight: 400;"> então, se coloca como o encontro de águas entre o velho e o novo Twenty One Pilots, que deságua em um ótimo exercício de visitar o passado e vislumbrar o futuro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Twenty One Pilots - Oldies Station (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fBE_2sHDt4E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Clancy </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, uma celebração. Ao mesmo tempo em que reconhece que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">fandom</span></i><span style="font-weight: 400;"> – que se identificou imediatamente com dois jovens inseguros e cheios de questões – escolheu compartilhar o calvário através da Música, ele também celebra que missão dada é missão cumprida e, pra quem trava uma batalha contra si mesmo, continuar lutando é a maior das vitórias. O álbum e sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mix9YfaaNa0&amp;ab_channel=twentyonepilots"><i><span style="font-weight: 400;">lore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> provam que o próprio fechamento de ciclos e começo de outros são em si uma atividade cíclica e, ao mesmo tempo em que conclui uma missão, deixa outra para o futuro: continuar vivo por aqueles que também continuaram vivos.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Clancy" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1KFWgQTw3EMTQebaaepVBI?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há 25 anos, Britney Spears abria as páginas de seu diário em …Baby One More Time</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 14:58:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[...Baby One More Time]]></category>
		<category><![CDATA[1999]]></category>
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		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
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		<category><![CDATA[Britney Spears]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Agata Bueno Se o diário da jovem Britney Spears pudesse falar, ele soaria tão cativante quanto a menina de 16 anos que colocava seu coração em cada canção e toda a sua energia em suas coreografias. Lançado em Janeiro de 1999, …Baby One More Time não esconde o que pretende ser: as confissões e as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/baby-one-more-time-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 25 anos, Britney Spears abria as páginas de seu diário em …Baby One More Time"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34633" aria-describedby="caption-attachment-34633" style="width: 490px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Capa_do_album_Baby_One_More_Time_por_Britney_Spears.jpg" alt="Capa do álbum …Baby One More Time. Na imagem, uma jovem mulher branca, bronzeada, e cabelo loiro escuro na altura do ombro posa com as mãos tocando o chão ao lado de seu corpo, os joelhos dobrados para frente e os pés calçando um par de tamancos de fitas de camurça marrom e salto bege para trás. Ela veste uma saia jeans de lavagem escura, regata branca, camisa vermelha de botões aberta e pulseiras brancas no pulso direito. Ela sorri para frente, com a cabeça inclinada para a sua direita. Atrás dela está um fundo rosado e, no canto superior direito, ‘Britney Spears’ e ‘...baby one more time’ aparecem escritos em azul e vermelho, respectivamente" width="490" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Capa_do_album_Baby_One_More_Time_por_Britney_Spears.jpg 490w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Capa_do_album_Baby_One_More_Time_por_Britney_Spears-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 490px) 85vw, 490px" /><figcaption id="caption-attachment-34633" class="wp-caption-text">…Baby One More Time foi o primeiro passo para colocar Britney Spears como uma das principais artistas da geração do pop adolescente da década de 1990 (Imagem: Jive Records)</figcaption></figure>
<p><b>Agata Bueno</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o diário da jovem </span><a href="https://music.apple.com/br/artist/britney-spears/217005"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears</span></a><span style="font-weight: 400;"> pudesse falar, ele soaria tão cativante quanto a menina de 16 anos que colocava seu coração em cada canção e toda a sua energia em suas coreografias. Lançado em Janeiro de 1999, </span><i><span style="font-weight: 400;">…Baby One More Time </span></i><span style="font-weight: 400;">não esconde o que pretende ser: as confissões e as promessas de amor de uma cantora adolescente. Entre as batidas animadas e as canções românticas, o disco que teceu os caminhos que levariam Spears a alcançar o título de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">princesa do pop’</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda é referência quando o assunto é o seu </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/britney-spears-entenda-como-foi-o-drama-da-tutela-ate-seu-sumico-dos-palcos/"><span style="font-weight: 400;">reinado conturbado em frente aos holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua influência na indústria musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de estreia como cantora de Britney Spears vendeu mais de 25 milhões de cópias pelo mundo, tornando-se um dos álbuns mais bem-sucedidos de todos os tempos – e o projeto mais vendido dela até hoje. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">…Baby One More Time </span></i><span style="font-weight: 400;">foi certificado 14 vezes como disco de platina pela </span><a href="https://www.riaa.com/gold-platinum/?tab_active=top_tallies&amp;ttt=DA&amp;col=format&amp;ord=asc"><span style="font-weight: 400;">Recording Industry Association of America</span></a><span style="font-weight: 400;"> (RIAA) e rendeu a Spears a honra de ser a artista mais jovem a receber um certificado de diamante, também da RIAA. O sucesso estrondoso da jovem bailarina do Mississíppi foi muito além dos </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;">: o lançamento do disco inaugurou uma nova era na Música e transformou o nome dela em um ícone da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> global.</span></p>
<p><span id="more-34632"></span></p>
<figure style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://media.giphy.com/media/7zrZAg61HEsYDmOvto/giphy.gif?cid=790b7611dmjfiv7xgua897y3zyqw6cpt4p0plp393cbhjf1v&amp;ep=v1_gifs_search&amp;rid=giphy.gif&amp;ct=g" alt="Imagem animada de Britney Spears no clipe de …Baby One More Time. O cenário é uma sala de aula predominantemente branca com uma janela ao fundo. Sentada, com o queixo sendo apoiado na mão esquerda enquanto batuca uma caneta com a mão direita num caderno de páginas brancas aberto em cima de uma pasta azul, está uma mulher jovem, branca, de olhos castanho e cabelos loiros com franja e duas tranças altas, uma em cada lado da cabeça e plumas rosas no início de cada trança, rentes ao cabelo. Ela usa uma camisa branca de botões com um cardigã cinza. " width="480" height="360" /><figcaption class="wp-caption-text">O single que leva o nome do álbum, …Baby One More Time, estabeleceu o um parâmetro de comparação a partir do jeito Britney Spears de fazer música (GIF: Britney Spears)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começou nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C-u5WLJ9Yk4"><span style="font-weight: 400;">corredores de um colégio</span></a><span style="font-weight: 400;">, é claro, teria como ser diferente? O </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> que leva o nome do álbum foi o pontapé inicial e certeiro para uma era de coreografias, letras e melodias pensadas nos mínimos detalhes. A imagem de Britney Spears era o ponto focal e a personagem perfeita para a narrativa que a </span><a href="https://www.legacyrecordings.com/2023/02/08/nine-classic-britney-spears-titles-on-vinyl-from-jive-records-legacy-recordings/"><i><span style="font-weight: 400;">Jive Records</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a mídia norte-americana criaram. A estética do disco manteve a imagem típica da garota virgem do </span><i><span style="font-weight: 400;">revival </span></i><span style="font-weight: 400;">para o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> do final da década de 1990. O que deu certo. Em uma mistura de autenticidade e interpretação, a cantora embarcou em uma jornada rumo ao estrelato a partir do momento em que vestiu um uniforme colegial em frente às câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um cenário em que Madonna dominava o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, já na fase mais </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e intimista, figuras femininas adolescentes eram escassas para contribuir com o gênero. Assim, a aposta foi certeira. Por ter um controle tão grande da imagem que queriam que Britney Spears passasse, o álbum é muito coeso. Os poucos </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, trazem um respiro leve e descontraído, como é o caso do dueto com Don Philip em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uzDHH2QzAGY"><i><span style="font-weight: 400;">I Will Still Love You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que aposta no romance jovem que supera obstáculos. Através de acordes simplificados, melodias-chiclete, refrãos cheios de coros e ganchos repetitivos, as letras exploram os temas amor, amizade e, claro, curtição. Algo que, hoje em dia, talvez não repercutisse da mesma maneira que 25 anos atrás.</span></p>
<figure id="attachment_34639" aria-describedby="caption-attachment-34639" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34639" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e47291141d1c4b5cc89ec9eeeda5e433-640x800.jpg" alt="Britney Spears em ensaio fotográfico. Na imagem, uma jovem mulher branca, de olhos castanhos e cabelos médios loiros com franja, posa de lado com sua mão esquerda, com pulseiras de miçangas amarelas e brancas, na cintura enquanto sorri. Ela usa uma calça jeans cintura baixa e lavagem clara, com um cinto branco e regata rosa claro amarrada em um nó um pouco abaixo de seus seios. Atrás dela há um fundo lilás." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e47291141d1c4b5cc89ec9eeeda5e433-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e47291141d1c4b5cc89ec9eeeda5e433.jpg 736w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34639" class="wp-caption-text">A carreira começou muito antes do disco estrondoso: a imagem de ‘boa menina talentosa’ começou enquanto Britney Spears participava do Clube do Mickey Mouse, aos 12 anos (Imagem: Larry Busacca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o conceito da produção envolva as confissões de uma adolescente norte-americana típica, não há uma única música que tenha creditado a jovem estrela como autora. Se a ‘princesinha do pop’ não escreveu nenhuma canção, de quem são os nomes creditados, afinal? Andreas Carlsson, David Kreuger, </span><a href="https://genius.com/artists/Eric-foster-white/songs"><span style="font-weight: 400;">Eric Foster White</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jörgen Elofsson, Kristian Lundin, </span><a href="https://portalpopline.com.br/hits-max-martin/"><span style="font-weight: 400;">Max Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mikey Bassie, Per Magnusson e Sonny Bono são os responsáveis pelas letras que não saíram da cabeça de milhares de ouvintes pelo mundo. Os produtores das 11 canções que compõem </span><i><span style="font-weight: 400;">…Baby One More Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxeram o que havia de melhor e mais </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seus trabalhos anteriores, além de uma mistura do cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> internacional, principalmente o europeu, com batidas e sintetizadores que pareciam de outro mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura resultou em um álbum de estreia perfeito para o final da década de 1990, em que Britney Spears ditava o ritmo que comandaria as paradas de sucesso no início de 2000. Com uma influência inegável do </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/bubblegum-pop-music-guide"><i><span style="font-weight: 400;">bubblegum pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o disco começa com bastante força e mantém o ritmo através das batidas cativantes e dos coros melódicos. A trindade </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8230;Baby One More Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q4VK9_CfOLQ"><i><span style="font-weight: 400;">(You Drive Me) Crazy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t0bPrt69rag"><i><span style="font-weight: 400;">Sometimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já é um ‘gostinho’ do que as outras canções apresentariam. O ritmo frenético e a letra cativante, a batida metálica com uma narrativa perfeita sobre se apaixonar e a melodia envolvente de uma garota com sentimentos demais – que definiu a persona de Britney que o mundo se encantaria ao longo dos anos – foram o </span><i><span style="font-weight: 400;">abre-alas</span></i><span style="font-weight: 400;"> perfeito; nada mal para uma adolescente de uma cidade pequena fazendo seu primeiro disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Britney Spears - ...Baby One More Time Tour @ New York [Press Pro Shot]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/G8pr78t509Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na metade da lista de canções, adentramos um tom mais maduro, quase confessional, em que Spears dá voz a músicas claramente românticas. Como toda boa diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela escancara as páginas mais doloridas de seu diário em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Yy5cKX4jBkQ"><i><span style="font-weight: 400;">Born to Make You Happy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fHPnGqXXUmI"><i><span style="font-weight: 400;">From the Bottom of My Broken Heart</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">tracks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que colocam acordes de violão em maior evidência, sem descartar a batida </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que guia o álbum de cabo a rabo. A exceção fica com o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-reggae</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Soda Pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a animada – até demais – </span><i><span style="font-weight: 400;">I Will Be There</span></i><span style="font-weight: 400;">, quase intrusas durante a introspecção aguardada no meio, mas que não deixam de seguir o fluxo do álbum como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parte final do álbum volta com o ritmo e alto astral, mesmo sem ter tanta conexão com o estilo musical da jovem estrela. Inspirado no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> da década de 1980, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8HhPZW0KYUU"><i><span style="font-weight: 400;">Deep In My Heart</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das músicas mais dançantes do álbum e parece ter influências de Elton John. A faixa semi-dançante </span><i><span style="font-weight: 400;">Thinkin’ About You</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a melancólica </span><i><span style="font-weight: 400;">E-mail My Heart</span></i><span style="font-weight: 400;"> também estão ali. E só. Mas a chave de ouro fica com algo que inaugurou uma categoria que ela manteria em projetos futuros: os </span><i><span style="font-weight: 400;">covers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Spears reivindica um lugar ao sol com sua vesão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=abJSc6KY07M"><i><span style="font-weight: 400;">The Beat Goes On</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> , de Sonny (creditado como autor no álbum) e Cher. A canção encerra seu primeiro disco com um ‘gostinho de quero mais’ e seduz o público para apresentações ao vivo. Como foi visto nos espetáculos </span><i><span style="font-weight: 400;">Hair Zone Tour</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1998), </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby One More Time Tour </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Crazy 2K Tour </span></i><span style="font-weight: 400;">(2000).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Britney Spears não deixa pontas soltas em </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/britney-spears-baby-one-more-time-chart-rewind-1999-1235591427/"><i><span style="font-weight: 400;">…Baby One More Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A produção foi um trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de início de carreira que, embora tenha o interesse de emplacar, também conta a história de uma adolescente que, pela primeira vez, coloca seu nome e sua voz em canções que mostravam um pouco de tudo o que ela tinha a oferecer. O que, afinal, resultou em uma explosão de </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">, videoclipes e sucessos da Música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, 25 anos depois, não saíram da nossa cabeça. Com ou sem diário, a ‘princesa do pop’ mostra que o título não é por acaso  e que não há nada tão insuperável quanto o sucesso de seu primeiro álbum de estúdio.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Baby One More Time" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7e2tD25UffSO1019rrrRPe?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 20:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Após 24 anos longe de Bauru, o Circo Stankowich fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. Fundado em 1856, o Stankowich é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação em Bauru celebrou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circo-stankowich-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34486" aria-describedby="caption-attachment-34486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de dançarinas vestidas com trajes luxuosos, adornados com penas e brilhos, evocando a estética de carnaval ou festas glamourosas. Elas se apresentam sob a iluminação colorida do palco, com o nome “Stankowich” destacado ao fundo. As poses das dançarinas sugerem um momento dinâmico da coreografia, transmitindo leveza e sincronia" width="800" height="478" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x612.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x459.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x717.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34486" class="wp-caption-text">A proibição do uso de animais em circos no Brasil começou na década de 2000, mudando a dinâmica dos espetáculos (Foto: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 24 anos longe de Bauru, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Circo Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. </span><a href="https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=98336#:~:text=De%20origem%20romena%20e%20de,maiores%20circos%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina."><span style="font-weight: 400;">Fundado em 1856</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/12899235/"><span style="font-weight: 400;">em Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;"> celebrou a história da companhia, que atravessou mudanças sociais, políticas e culturais ao longo de quase dois séculos de existência.</span><span id="more-34485"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite começou com uma série de espetáculos dançantes, remetendo aos glamourosos carnavais europeus e ao charme das festas em navios e iates. As dançarinas, trajadas com penas e lantejoulas, iluminaram o </span><a href="https://supercirco.com.br/picadeiro/"><span style="font-weight: 400;">picadeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com coreografias sincronizadas e contagiantes. Intercaladas com ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">palhaçadas</span></a><span style="font-weight: 400;">’ bem canastronas, os espetáculos trouxeram fontes de água dançantes em uníssono com a Música, que tomaram conta do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_34488" aria-describedby="caption-attachment-34488" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34488 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg" alt="Nesta imagem, dois trapezistas executam um ato aéreo desafiador. Um dos artistas, vestido de rosa, estende as mãos para o parceiro, enquanto ambos estão no meio de uma troca no ar, cercados por cabos e iluminação azulada. A foto captura o momento exato em que a confiança e a precisão são essenciais para completar a manobra com segurança." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34488" class="wp-caption-text">O Circo Stankowich possui várias unidades itinerantes, a de Bauru é a Pink (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O flerte do circo com o perigo é uma tradição antiga, mantida viva porque não falha em fascinar. Ao limite da tensão, depois de tanta leveza e deslumbre, os atos que nos presenteiam com frio na barriga começaram com a performance aérea de uma acrobata que, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B8SVDBegAYU/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">suspensa pelos cabelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, girava incessantemente enquanto manejava fitas coloridas com uma graça quase sobrenatural, como se tivessem a banhado no pó de ‘pirlimpimpim’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência presencial, aliás, é incomparável – nenhuma tela consegue capturar o momento genuinamente. Prova disso foi o número de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C7Mef07uLVQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">tecido acrobático</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma exibição de coragem e destreza que fez o público prender a respiração. Sem rede de proteção, a acrobata se contorceu e girou no ar, até culminar em uma queda que parou a meros centímetros do chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das acrobacias nos panos, os trapezistas protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da noite. Anunciada pelo próprio circo como uma das manobras mais difíceis de serem realizadas, os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTdCYG2pnjI/"><span style="font-weight: 400;">três giros no trapézio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos fizeram questionar por um segundo se a afirmação era realmente um fato. Na segunda  tentativa, o público prendeu a respiração ao ver a dificuldade de execução. Com aplausos imediatos, dessa vez, não houve um centímetro na margem de erro.</span></p>
<figure id="attachment_34487" aria-describedby="caption-attachment-34487" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34487 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg" alt="A imagem retrata um dos motociclistas se preparando para o número do Globo da Morte. Ele está equipado com capacete e roupas de proteção, com a estrutura metálica do globo ao fundo. A expressão focada e a postura do piloto refletem a concentração necessária para a execução deste perigoso número, um dos mais esperados do espetáculo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34487" class="wp-caption-text">A família Stankowich está à frente do circo desde sua fundação, em 1856, mantendo a tradição viva por mais de seis gerações (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ato final, o espetáculo atingiu seu clímax: o temido </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/10/14/artistas-sofrem-acidente-durante-apresentacao-em-globo-da-morte-em-circo-instalado-em-bauru-video.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Globo da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o som pulsante de aplausos e murmúrios nervosos, quatro motociclistas entraram na esfera metálica, desafiando a gravidade em manobras impecavelmente sincronizadas – a única forma de acontecerem. Nesse ponto, qualquer conversa que eles tivessem por baixo do capacete nos intervalos de giros eram especuladas com atenção pela plateia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a mágica do circo não se resume apenas aos números deslumbrantes vistos no picadeiro. Naquele momento de perfeição, pensávamos nos erros, nas quedas e nas frustrações superadas pela trupe ao longo da preparação. A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C5vv9eQrRKJ/"><span style="font-weight: 400;">mágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos no picadeiro não nasce do acaso e ver o resultado final é testemunhar o triunfo desse processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos dos espectadores naquela noite, assistir a um espetáculo circense pela primeira vez foi uma experiência transformadora. Essa magia nasce da união entre o risco e a beleza, em que cada artista, do motociclista ao mágico ou do trapezista à bailarina, é parte essencial desse universo itinerante. Assim como o circo continua a desafiar a gravidade e o perigo, ele também desafia o tempo, porque o encanto que nos faz querer fugir com ele, esse nunca passa.</span></p>
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