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	<title>Arquivos Mitologia Grega &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 13:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Helen Os livros de Percy Jackson marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de O Ladrão de Raios em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/percy-jackson-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36993" aria-describedby="caption-attachment-36993" style="width: 566px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36993" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg" alt="A imagem é a capa do livro O Ladrão de Raios, e mostra Percy de costas, caminhando pelo mar agitado em direção a uma grande cidade ao fundo. Ele segura uma espada dourada na mão direita. À frente dele, há uma cidade grande com prédios altos, parcialmente coberta por névoa. O céu está escuro e nublado, e um raio cai próximo aos prédios, indicando uma tempestade. As cores predominantes são verde, azul e tons escuros, transmitindo uma sensação de perigo, aventura e mistério, que combina com a história do livro." width="566" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg 566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-724x1024.jpg 724w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-768x1086.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-1086x1536.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1.jpg 1131w" sizes="(max-width: 566px) 85vw, 566px" /><figcaption id="caption-attachment-36993" class="wp-caption-text">Publicado em 2005, O Ladrão de Raios deu início a uma das séries mais influentes da literatura juvenil do século XXI (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Helen</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os livros de </span><a href="https://rickriordan.com/series/percy-jackson-and-the-olympians/"><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde a mitologia grega deixou de ser algo distante, recorrente nos livros escolares e passou a fazer parte do cotidiano de jovens leitores ao redor do mundo. Para muitos, foi o primeiro contato com deuses, monstros e heróis – mediados por humor, aventura e identificação.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span id="more-36992"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson nunca foi o herói perfeito. Ele começa sua história como um menino confuso, impulsivo e deslocado, sem saber exatamente onde pertence – sentimento familiar de quem lê a saga durante os anos formativos. Logo no início da história, por exemplo, Percy é constantemente punido na escola, sendo diagnosticado com TDAH e dislexia e rotulado como problemático, e desenvolve sua trajetória inicial sem entender porque parece não se encaixar em lugar nenhum. Ao se descobrir filho de Poseidon, o protagonista precisa lidar não só com monstros e missões perigosas, como também com questões de identidade, amizade e responsabilidade. Essa humanidade é um dos grandes motivos pelos quais a série continua contemporânea mesmo duas décadas depois, ganhando diversas </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36994" aria-describedby="caption-attachment-36994" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36994" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima2.jpg" alt="A imagem mostra o box da série Percy Jackson e os Olimpianos, composta por cinco livros. À esquerda e ao centro, ilustram-se figuras mitológicas aladas marrons sendo montadas, semelhantes aos cavalos, envoltos por tons de verde, dourado e azul, transmitindo a atmosfera fantástica e antiga. À direita, os cinco livros estão alinhados lado a lado, com lombadas em tons de azul-esverdeado e detalhes em cobre e cinza, formando uma imagem contínua de ondas e estruturas que lembram a cidade de Nova York estilizada. Na parte inferior, o logotipo da editora Intrínseca." width="550" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-36994" class="wp-caption-text">Ao misturar mitologia grega com o mundo contemporâneo, Rick Riordan apresentou os deuses do Olimpo a uma nova geração de leitores (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra original é composta por </span><a href="https://www.goodreads.com/series/40736-percy-jackson-and-the-olympians"><span style="font-weight: 400;">cinco livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicados entre 2005 e 2009: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mar de Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">(2006), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição do Titã </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Olimpiano </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Ao longo das histórias, acompanhamos o crescimento de Percy e seus amigos, Annabeth e Grover, enquanto enfrentam profecias cada vez mais sombrias e ameaçadoras, que colocam em risco tanto o mundo dos deuses quanto o dos mortais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trama gira em torno da expansão de um labirinto mágico criado por Dédalo, um notável arquiteto e inventor, que serve como rota de invasão para inimigos do Olimpo, obrigando os semideuses a assumir responsabilidades maiores. A cada volume, os desafios se intensificam, assim como as consequências das escolhas feitas pelos personagens. O leitor cresce e amadurece junto com eles, criando um vínculo que torna o desfecho da saga ainda mais marcante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento que fortalece a série é a maneira como Rick Riordan reintroduz a </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/percy-jackson-quem-e-perseu-na-mitologia-grega/"><span style="font-weight: 400;">mitologia grega</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o público jovem, usando referências clássicas em situações contemporâneas. Deuses antigos passam a ocupar espaços do mundo moderno, enquanto monstros e desafios mitológicos surgem em cenários cotidianos, como escolas, estradas e cidades comuns. Essa abordagem criativa transformou a saga na porta de entrada para o estudo da mitologia e o incentivo à leitura entre jovens leitores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou de ser apenas uma saga de livros e se transformou em um universo literário expansivo. Novas sagas, como </span><a href="https://www.goodreads.com/series/51379-the-heroes-of-olympus"><i><span style="font-weight: 400;">Os Heróis do Olimpo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://www.goodreads.com/series/162088-the-trials-of-apollo"><i><span style="font-weight: 400;">As Provações de Apolo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), aprofundaram personagens já conhecidos e apresentaram novos heróis, mantendo o interesse dos fãs e mostrando que esse mundo ainda tem muitas histórias a serem contadas. Mesmo assim, a pentalogia segue sendo o coração desse universo.</span></p>
<figure id="attachment_36995" aria-describedby="caption-attachment-36995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg" alt="A imagem mostra um menino adolescente sentado à noite em uma floresta. Ele tem cabelos cacheados claros e usa uma camiseta laranja por baixo de um casaco cinza com capuz. O garoto olha para baixo com expressão pensativa, iluminado por uma luz quente que parece vir de uma fogueira fora de cena. À sua frente, sobre um tronco, há uma lata aberta e um saco plástico transparente. O fundo é escuro, com tons azulados e verdes, referindo-se a vegetação, criando um clima silencioso e introspectivo." width="800" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-1024x796.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-768x597.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36995" class="wp-caption-text">O Acampamento Meio-Sangue se tornou um dos cenários mais reconhecíveis da literatura juvenil moderna (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Progressivamente, a epopeia moderna também encontrou novos públicos por meio de adaptações. Em 2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou uma série no </span><a href="https://www.disneyplus.com/pt-br/browse/entity-f1c31566-ec05-4d30-b23f-3177442233f4?msockid=27ddb89c734367331d80ad7472956627"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelada por Walker Scobell (Percy Jackson), Leah Sava Jeffries (Annabeth Chase) e Aryan Simhadri (Grover Underwood), reacendendo o carinho dos fãs antigos e apresentando a história a uma nova geração. A primeira temporada adapta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhando a jornada de Percy após se descobrir um semideus e sua missão para recuperar o raio-mestre de Zeus, impedindo uma guerra entre os deuses do Olimpo. Esta é a adaptação mais fiel aos livros e ajudou a reforçar a relevância da obra, além de trazer novamente Percy para o centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Celebrar os 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas lembrar de quando o primeiro livro foi publicado, mas reconhecer como ele </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/dica-cultural/20-anos-apos-o-lancamento-por-que-ainda-vale-ler-percy-jackson/?utm"><span style="font-weight: 400;">continua influenciando leitores</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os dias atuais. É evidente que muitos espectadores releem a saga com outro olhar, agora mais velhos, e percebem novas camadas em cada personagem e interpretam de forma diversificada mensagens sobre amizade, pertencimento e coragem. Enquanto isso, outros a descobrem pela primeira vez, provando que boas histórias realmente atravessam o tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após duas décadas, Percy Jackson continua correndo pelos corredores do Acampamento Meio-Sangue, enfrentando deuses mal-humorados e lembrando aos leitores que ser diferente não é uma fraqueza – é uma força. A longevidade da </span><a href="https://rickriordan.com/book/the-court-of-the-dead/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, mais do que aventuras mitológicas, os livros oferecem acolhimento, identificação e a sensação de que sempre haverá um lugar onde pertencemos, mesmo que esteja escondido entre o mundo mortal e o Olimpo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você, Percy… você é parte deus, parte humano. Vive em ambos os mundos </span><span style="font-weight: 400;">[&#8230;]. É isso que torna os heróis tão especiais. Você transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” –</span><span style="font-weight: 400;"> O Mar de Monstros (2006)</span></p></blockquote>
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		<title>Percy Jackson e os Olimpianos é fiel às suas origens, mas paga um preço alto por isso</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Aug 2024 15:36:21 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33721" aria-describedby="caption-attachment-33721" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-800x451.jpg" alt="Cena de Percy Jackson e os Olimpianos. Nela vemos, da esquerda para a direita: Annabeth Chase, uma jovem negra de tranças. Ela veste uma calça cinza, camiseta desbotada, camisa jeans e jaqueta roxa. Ao seu lado, Groove Underwood, um jovem indiano que veste calça cinza clara, camiseta amarela e jaqueta azul escura. E por fim, Percy Jackson, um jovem branco de cabelos cacheados loiros. Ele veste uma calça jeans, camiseta azul e camisa xadrez nas cores verde claro e branco. Todos estão lado a lado e Percy segura um bau de madeira. Ao fundo, uma floresta." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-2048x1154.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img01-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33721" class="wp-caption-text">19 anos após o lançamento de seu livro homônimo, Percy Jackson e os Olimpianos nos faz lembrar os motivos pelos quais nos apaixonamos pela saga (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Aryadne Xavier</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptações são sempre um sonho e um medo para fãs de sagas literárias. Trazer à vida – nas telas de cinema ou por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">– personagens que, outrora, foram apenas vistos em palavras, gera um misto de ansiedade e receio, podendo ser um resultado muito bom ou algo desastroso. Essa experiência perpassa pontos chaves como casar a fidelidade ao material original com a </span><a href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/download/2175-7917.2012v17n2p181/23272/88894#:~:text=Sobre%20a%20quest%C3%A3o%20da%20adapta%C3%A7%C3%A3o,que%20n%C3%A3o%20est%C3%A3o%20no%20livro."><span style="font-weight: 400;">mudança de mídia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, principalmente, fazer conversões que tenham lógica e respeitem o que já existe, se moldando e criando algo identificável para além do que já foi produzido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe um ditado que diz que ‘um é pouco, dois é bom, mas três é demais’. Em questão de adaptações, Rick Riordan fingiu não escutar a sabedoria popular e, com a firme decisão de reescrever a fama de sua saga ‘xodó’ no meio audiovisual, embarcou na produção da nova leva de episódios de uma das franquias mais populares entre os jovens nascidos nos anos 2000. Quando anunciada em </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/12/20/percy-jackson-esta-de-volta-em-serie-e-nova-trilogia-de-livros-para-jogar-os-filmes-no-lixo-da-historia-diz-rick-riordan.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Maio de 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ideia trouxe uma empolgação sem igual para a </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i><span style="font-weight: 400;"> já cansada de esperar e já calejada com decepções anteriores. Após dois filmes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vMOHaRuFtfc"><span style="font-weight: 400;">desempenhos desastrosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os fãs e crítica, e depois de três longos anos de espera, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson &amp; os Olimpianos </span></i><span style="font-weight: 400;">chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">+ em oito generosos capítulos que cobrem todo o arco do primeiro livro da saga, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-33720"></span></p>
<p><figure id="attachment_33722" aria-describedby="caption-attachment-33722" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02-800x451.png" alt="Cena de Percy Jackson e os Olimpianos. Nela vemos Percy, um adolescente branco de cabelos loiros. Ele vesta uma camiseta laranja com uma estampa de um pégaso com os dizeres &quot;CAMP HALF BLOOD&quot; estilizado em letras gregas, e uma mochila em somente um dos ombros. Ele está olhando para cima e, ao fundo, há uma floresta" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img02.png 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33722" class="wp-caption-text">Com a proposta de cobrir toda a primeira saga (Percy Jackson e os Olimpianos), a série chega com a promessa da renovação para mais quatro temporadas [Foto: Disney+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Fiel ao livro, os </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/04/percy-jackson-rick-riordan-fala-sobre-busca-por-atores-e-desenvolvimento-de-roteiros-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">oito episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram responsáveis por cobrir 22 capítulos do material original. Por um lado, essa decisão se mostrou agradável, tapando falhas e entregando um dos maiores pedidos dos fãs após adaptações nada fiéis ao conteúdo original: uma história verossímil com aquilo que se pode ler nas páginas dos livros, incluindo o sutil detalhe dos nomes de episódios inspirados nos capítulos da obra base. Contudo, essa fixação em se manter igual teve também seus custos. Enquadrando a divisão dos livros na lógica básica do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série sofreu para comprimir longas aventuras em 40 minutos de filmagem, deixando um material final que, por vezes, cedia ao raso ou era apresentado rápido demais, quebrando a sensação de envolvimento que as páginas estendidas traziam ao leitor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro recurso que não funcionou tão bem foram os cortes secos e as muitas telas pretas, ferramentas de grande utilidade em momentos específicos para criar uma quebra durante a ação mas que, em excesso, se mostram entediantes ou, em alguns casos, irritantes. A falta de continuidade nas cenas causada pelo efeito poderia ser explicada pela antecipação criada ao precisar virar a </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/percy-jackson-estreia-como-serie-e-foca-na-fidelidade-aos-livros/"><span style="font-weight: 400;">página de um livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou começar o próximo capítulo, contudo, no audiovisual, outros recursos poderiam ser utilizados, trazendo uma linguagem própria e melhor adaptada ao contexto. De certa forma, o escape de pós-produção para trocar de um cenário para outro rapidamente passa um ar de intervalo comercial ou, no pior dos casos, esmaga as expectativas ao fragmentar a ansiedade pelo que pode vir a seguir, passando sem nenhum impacto.</span></p>
<figure id="attachment_33723" aria-describedby="caption-attachment-33723" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img03-800x533.jpg" alt="Foto do elenco de Percy Jackson e os Olimpianos. Nela, vemos, da esquerda para direita: Leah Sava Jeffries, uma adolescente negra de cabelo trançado. Ela veste um moletom roxo. Walker Scobbel, um adolescente branco de cabelos loiros cacheados. Ele veste um moletom cinza e Aryan Simhadri, um jovem indiano de cabelos pretos e que veste um moletom azul. Atrás deles está o autor Rick Riordan, um homem branco de cabelos brancos. Ele veste um sueter cinza. Ao fundo, uma parede na cor creme." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img03-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img03-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img03-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/img03.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33723" class="wp-caption-text">No elenco, se encontra o maior acerto da história: um carisma sem igual e um protagonista que cumpre com todas as expectativas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O acerto mais louvável de toda a equipe, no entanto, se deve a escolha muito assertiva do </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/percy-jackson-e-os-olimpianos-curiosidades-bastidores-serie-livros"><span style="font-weight: 400;">trio de atores</span></a><span style="font-weight: 400;"> principais. Representando o protagonista – que por anos foi retratado com o rosto de </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/259189-percy-jackson-logan-lerman-comenta-possivel-retorno-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">Logan Lerman</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, </span><span style="font-weight: 400;">Walker Scobell entrega carisma e atuação correspondentes a um adolescente descobrindo ser um semideus enquanto lida com seus problemas na escola, saudade da mãe e todos as novas questões que surgem com sua mudança para o Acampamento Meio-Sangue. Leah Sava Jeffries, que vive a protagonista Annabeth Chase, encarna o humor e personalidade da personagem, enquanto Aryan Simhadri, que vive o sátiro Grover Underwood, equilibra seus momentos de bondade com força em uma atu</span><span style="font-weight: 400;">ação balanceada. Separados, cada um consegue brilhar à sua maneira, mas quando juntos, os três conseguem ser mais convincentes do que seriam as figuras imaginadas por nós nas páginas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/rick-riordan-ja-esta-escrevendo-2a-temporada-de-percy-jackson"><span style="font-weight: 400;">mudança</span></a> <span style="font-weight: 400;">na escalação do time de atores e a fidelização ao conteúdo do livro também teve suas consequências. Se uma nova parcela de crianças e adolescentes foi alcançada pela série pela primeira vez, os fãs mais antigos, que acompanharam o lançamento das duas adaptações prévias, tiveram seus desapontamentos ao receberem um seriado que segue parada em alguns momentos e que corta toda a tensão e expansão da violência, junto de outros elementos gráficos. </span><span style="font-weight: 400;">Entre erros e acertos, a obra demonstra maturidade ao assumir o que sempre foi: uma história vivida por e destinada para adolescentes, sem pretensão alguma de agradar aos demais.</span></p>
<figure id="attachment_33724" aria-describedby="caption-attachment-33724" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-800x474.png" alt="Cena de Percy Jackson e os Olimpianos. Nela, vemos da esquerda para a direita: Groove, um jove indiano de cabelos pretos, Annabeth, uma jovem negra de cabelos trançados e Percy, um jovem branco de cabelos loiros cacheados. Eles estão com as mesmas ester da primeira imagem e estão em uma floresta com uma forte névoa." width="800" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-800x474.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-1024x607.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-768x455.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-1536x910.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-1200x711.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33724" class="wp-caption-text">Apesar do sabor agridoce entre os fãs e espectadores do projeto, a série termina com fôlego e disposta a continuar (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e Os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega ao final da primeira temporada e de seu grande momento de estreia com o saldo de um bom (re)começo. Mesmo perdendo um pouco da linguagem ácida, por vezes, presente no material escrito, a adaptação se mostra fiel e começa a construir, em pequenos tijolos, o que a saga se tornou após longos cinco livros. Não sendo e, muito menos, pretendendo alcançar alto nível no meio audiovisual, a série faz bem o básico e entrega um produto aprazível, mostrando mais acertos do que erros e, apesar de ainda existirem tropeços, pode-se varrê-los para debaixo do tapete e olhar com expectativa para tudo que o novo projeto </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/rick-riordan-ja-esta-escrevendo-2a-temporada-de-percy-jackson"><span style="font-weight: 400;">ainda pode entregar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Medusa, meretriz, monstro, mulher</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 22:04:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Por Poseidon, Medusa foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por Anita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medusa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medusa, meretriz, monstro, mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24238" aria-describedby="caption-attachment-24238" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24238 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png" alt="Cena do filme Medusa. A atriz Mari Oliveira está no centro. Ela é uma mulher negra, de cabelos escuros e presos e usa uma blusa rosa. Seu rosto está com uma espécia de argila verde e ela espalha com as duas mãos. Ao fundo, vemos a cabeceira da cama e uma parede com fotos." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24238" class="wp-caption-text">Medusa agraciou a seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas em sessões presenciais (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por Poseidon, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/verdadeira-historia-da-medusa-grecia.phtml"><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12057-cineasta-anita-rocha-da-silveira-volta-a-cannes-com-longa-sobre-violencia-nas-relacoes-entre-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> para intitular seu segundo longa-metragem, que, presente na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, honra, com moldes trágicos e atuais, a trajetória da bela sacerdotisa amaldiçoada.</span></p>
<p><span id="more-24237"></span></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/07/medusa-unico-brasileiro-a-competir-em-cannes-afronta-o-extremismo-evangelico.shtml"><span style="font-weight: 400;">No filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, a violência também não se esconde pelos cantos. Misturando mito e realidade, a diretora insere os traços do conto grego em uma pequena cidade sem nome, onde um grupo de mulheres puras e devotas saem todas as noites com máscaras brancas para espancar pecadoras que se desvirtuam dos princípios da moralidade. Quando o dia nasce, as máscaras são substituídas e a quadrilha cristã sobe ao palco da Igreja para cantar sobre as virtudes de ser uma mulher submissa a Jesus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, Silveira nos põe lado a lado com Mariana, uma das jovens justiceiras que passa a repensar seu papel no clã de Michele e as Preciosas depois que tem seu rosto desfigurado pela mulher a quem estava agredindo. Interpretada pela xará incomparável </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/07/mari-oliveira-estreia-em-cannes-mostra-que-da-para-sonhar.html"><span style="font-weight: 400;">Mari Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana vai gradualmente se descolando da narrativa reproduzida incessantemente por aquela pequena comunidade conservadora, que reprime os prazeres carnais femininos e vigia a ferro e fogo o comportamento das mulheres ditas puras.</span></p>
<figure id="attachment_24264" aria-describedby="caption-attachment-24264" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png" alt="Cena do filme Medusa. 8 mulheres estão em cima de um palco rosa neon com vestidos brancos. A da frente, loira, está cantando no microfone. As outras coreografam ao fundo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24264" class="wp-caption-text">Belas, recatadas e do lar, Michele e as Preciosas têm sede do sangue das infiéis (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Decidido, o filme da carioca não mede caracteres no roteiro para afrontar, com ares fantásticos, a hipocrisia religiosa e o discurso machista que trancafia mulheres em torres de vigilância, ensinadas a manter sempre o olho umas nas outras. Com pinceladas de verde </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">conduzidas por João Atala</span><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/noticias/2021/10/17/brasileiras-sao-premiadas-no-mais-importante-festival-internacional-de-cinema-fantastico.htm"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenha o caminho de sua protagonista rumo à liberdade, transitando entre gêneros e cutucando, a todo momento, a própria veia cômica diante da bizarrice evangélica que cria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, entre mulheres e meretrizes, é Melissa quem norteia a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como Medusa. A jovem atriz –  uma pequena e potente participação de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/o-protesto-de-bruna-linzmeyer-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que, há anos, havia sido atacada por uma mascarada misteriosa, flutua de mãos dadas com Mariana ao longo dos 127 minutos de produção. É na personagem que a diretora insere sua dose mais generosa de horror, a tratando como uma criatura culpada que precisa ser buscada e exibida em toda a sua monstruosidade – </span><i><span style="font-weight: 400;">“é isso o que acontece com vagabundas, doce Melissa”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca pelo fantasma da desaparecida, Mariana encontra os clamores da tentação, mas também se depara com a necessidade de sair do coma cultural a que foi submetida. A parceria com Michele, vivida vorazmente por Lara Tremouroux, é o ponto final que a trama precisa para subverter as várias faces da opressão patriarcal e, finalmente, gritar. Pois saia para lá com seu exército de dominadores. </span><a href="https://www.acritica.net/editorias/entretenimento/medusa-traz-um-grito-feminista/537651/"><span style="font-weight: 400;">Estamos putas da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem Jesus Cristo em pessoa vai nos impedir.</span></p>
<figure id="attachment_24262" aria-describedby="caption-attachment-24262" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24262 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png" alt="Cena do filme Medusa. A imagem mostra um grupo de mulheres correndo e gritando na rua, a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24262" class="wp-caption-text">No fim das contas, Maria Madalena caminhou ao lado de Jesus (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo em mente a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pátria Amada, Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perigoso classificar </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/filme-medusa-fala-sobre-a-pressao-da-beleza-e-do-comportamento-das-mulheres,a8715e5d15319972c66b7c5fd2a8e2e6di5fzt0p.html#:~:text=Longa%20de%20Anita%20Rocha%20da,Realizadores%2C%20%C3%A9%20um%20grito%20feminista&amp;text=As%20m%C3%A1scaras%20est%C3%A3o%20presentes%20em,paralela%20ao%20Festival%20de%20Cannes."><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">distopia</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois o termo, em sua raiz, sugere um “lugar hipotético”, “fora da realidade&#8221;. Exageros e alusões à parte, o filme de Anita Rocha da Silveira pode dialogar muito bem com o </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2020/04/19/A-ascens%C3%A3o-e-influ%C3%AAncia-das-igrejas-neopentecostais-no-Brasil"><span style="font-weight: 400;">cenário político-religioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a jovem e frágil democracia brasileira se enfiou nos últimos anos. Com o assentamento de um neopentecostalismo nocivo e preconceituoso na cadeira do Executivo, há muitos Pastores Guilherme com mais controle do que o mito do Estado Laico permitiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo de uma </span><a href="https://variety.com/2021/film/global/cannes-medusa-anita-rocha-da-silveira-interview-1235016959/"><span style="font-weight: 400;">estreia mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Quinzena dos Realizadores no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/filmes-brasileiros-selecionados-para-festival-de-cannes-2021-lista/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> aterrissa na Mostra de SP para consagrar Silveira como uma potência criativa e ousada do Cinema nacional. Sem mais saco para as falácias conservadoras e caretas, o longa é uma coreografia macabra e excessiva que serpenteia em cima das amarras do patriarcado e do seu autoritarismo brega e petrificado. Ora, que dancemos sem máscaras e de mãos dadas pela noite das florestas, afinal, o M de Medusa é também o M de Mulher.</span></p>
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