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	<title>Arquivos Michael Keaton &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Corre, Barry! A maldição do filme-evento chegou no universo de The Flash</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Feb 2024 19:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal É praticamente impossível falar sobre The Flash sem mencionar o caso Ezra Miller e os seus desdobramentos. O longa-metragem foi adiado inúmeras vezes, tendo a primeira data de estreia para o ano de 2018. Trocas na direção, a pandemia do Coronavírus e problemas com a estrela principal fizeram com que a produção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-flash-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Corre, Barry! A maldição do filme-evento chegou no universo de The Flash"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32451" aria-describedby="caption-attachment-32451" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32451" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/flash-destaque.jpg" alt="Cena do filme The Flash. Na imagem, Ezra Miller, pessoa não binárie que interpreta Flash, usa um traje vermelho com raios ao longo do uniforme. Ele está sério e em posição de corrida. " width="900" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/flash-destaque.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/flash-destaque-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/flash-destaque-768x444.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32451" class="wp-caption-text">Finalmente temos um filme de Barry Allen nos cinemas (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É praticamente impossível falar sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash </span></i><span style="font-weight: 400;">sem mencionar </span><a href="https://www.itatiaia.com.br/editorias/entretenimento/2023/06/15/the-flash-relembre-polemicas-de-ezra-miller-ator-que-interpreta-o-personagem-principal-do-filme-da-dc"><span style="font-weight: 400;">o caso Ezra Miller</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os seus desdobramentos. O longa-metragem foi adiado inúmeras vezes, tendo a primeira data de estreia para o ano de 2018. Trocas na direção, a pandemia do Coronavírus e problemas com a estrela principal fizeram com que a produção saísse apenas em Junho de 2023. A postura de Miller, fora das câmeras, é um acontecimento à parte, uma vez que a lista de crimes cometidos por elu é vasta e demanda que se tenha uma conversa prévia acerca dos ocorridos.</span></p>
<p><span id="more-32449"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://cosmonerd.com.br/opinanerd/obra-vs-autor-a-devemos-aprender-a-separa-los/"><span style="font-weight: 400;">discussão sobre separar a obra do artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> está mais fervorosa do que nunca. Não se aceita mais – como sempre deveria ter sido – um longa cinematográfico com a existência de talentos problemáticos, já que são eles que dão vida a personagens queridos por fãs ao redor do globo. E com o carismático Barry Allen não seria diferente: por interpretar o homem mais veloz do mundo, Ezra Miller tinha o compromisso de fazer o seu trabalho da forma correta, mas o histórico criminal delu se entrelaçou à produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que dificulta a análise do filme sem esse histórico lamentável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comandado por Andy Muschietti (</span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o filme de origem do super-herói tem como principal tema o </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-o-flashpoint.html#list-item-2"><i><span style="font-weight: 400;">Flashpoint</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, icônica história em que o personagem volta no tempo para mudar o momento mais traumatizante da sua vida, a morte da mãe, Nora Allen (Maribel Verdú). Criando uma outra linha temporal, o jovem se vê em apuros com a inevitável transformação de tudo que conhece em uma realidade completamente diferente. A partir disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem dois grandes propósitos: apresentar ao público o seu protagonista e retratar de maneira fiel um dos arcos mais interessantes de Allen. </span></p>
<figure id="attachment_32452" aria-describedby="caption-attachment-32452" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32452" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/dois.barrys.e.a.supergirl.jpg" alt="Cena do filme The Flash. Na imagem, Ezra Miller, pessoa não binárie que interpreta as duas versões de Flash e Sasha Calle, intérprete da heroína Supergirl, estão parados. Da esquerda para a direita, o uniforme da primeira versão do herói é composto por um traje da cor azul escura com algumas partes vermelhas e um raio amarelo no centro; o uniforme da segunda versão do Flash é todo vermelho e possui um círculo branco no centro do traje com um raio dourado na frente; e o uniforme da Supergirl é azul, com o símbolo “S” no centro dele e uma capa vermelha." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/dois.barrys.e.a.supergirl.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/dois.barrys.e.a.supergirl-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/dois.barrys.e.a.supergirl-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32452" class="wp-caption-text">Em The Flash, o Ponto de Ignição é o arco principal (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena inicial evidencia que as intenções não foram concretizadas. Em menos de cinco minutos, Batman (Ben Affleck) participa da clássica cena de perseguição presente em filmes do gênero, mostrando que aqui o foco, infelizmente, não é o Flash. Aliás, tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ORJAE3pVOMY"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão América: Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WfV-0Yv5vNY"><i><span style="font-weight: 400;">O Espetacular Homem-Aranha 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obras da concorrente </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, a história começa com o protagonista em perigo, no entanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i><span style="font-weight: 400;">, a tentativa não tem o mesmo brilho. Isso porque, como presente nos títulos, as duas histórias mencionadas eram sequências dos longas que apresentavam esses personagens. Enquanto isso, na trama do homem mais rápido do mundo, parece que os envolvidos na produção se convencem de que o espectador já conhece e entende sobre o universo fantasioso, o que não é o caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora isso, além da presença do Cavaleiro das Trevas, a querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-mulher-maravilha/"><span style="font-weight: 400;">Mulher-Maravilha</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Gal Gadot) aparece, utiliza o seu laço da verdade e sai de cena com uma frase-efeito. Mais uma vez, a excessiva quantidade de personagens destoa do resto da história, pois escancara em tela o descaso com seu personagem principal. É visível que as características de Barry Allen, bem como as especificidades de seu universo e os personagens que orbitam seu entorno são apenas frações dos 144 minutos recheados de surpresas para os fãs aficionados nas HQs.  </span></p>
<figure id="attachment_32453" aria-describedby="caption-attachment-32453" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32453" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/batman.michael.jpeg" alt="Cena do filme The Flash. Na imagem, Michael Keaton, homem branco intérprete do Batman, usa um traje preto com um símbolo de um morcego da mesma cor no centro do uniforme. " width="1024" height="524" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/batman.michael.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/batman.michael-800x409.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/batman.michael-768x393.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32453" class="wp-caption-text">Após 31 anos desde a sua última interpretação como Batman, o morcegão de Michael Keaton retorna à Gotham (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem sombra de dúvidas, é a relativização do pensamento crítico do seu público-alvo. Aqui, não importa conhecer o membro mais carismático da </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo que os acontecimentos presentes se deem a partir das ações de Allen. Então, ao tentar compreender o que está acontecendo, o telespectador se vê numa confusão maior do que aquela cometida pelo herói. Assim, conforme os minutos se passam, os deslizes causados pelo péssimo trabalho no longa ficam ainda mais evidentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da sua conturbada vida pública, Ezra Miller surpreende com a atuação e é um ótimo protagonista. Por conta da volta de Flash ao passado, uma outra realidade é criada e uma nova versão de Barry Allen se junta ao herói que já vimos em outros filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;"> – como a sua breve aparição em </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-vs-superman-uma-batalha-perdida/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman Vs Superman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a sua participação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-carece-de-tracos-autorais-e-cai-no-ordinario/"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Liga Da Justiça</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Miller tira de letra e interpreta com maestria os trejeitos das duas versões do mesmo personagem, sendo esses momentos de interações entre os seus diferentes ‘eus’, os melhores do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradicional cena sobre o Multiverso, em que eles apostam nos diálogos expositivos acerca do tema, também se encontra em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i><span style="font-weight: 400;">. Explicada pelo </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/the-flash-por-que-o-retorno-do-batman-de-michael-keaton-e-tao-importante-252868/"><span style="font-weight: 400;">Batman de Michael Keaton</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o uso de macarrões, o Bruce Wayne da nova linha temporal é apenas um apoio aos demais personagens da história, uma vez que a sua participação para a trama é descartável. Além disso, a Supergirl (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TAF6hEeoSuk"><span style="font-weight: 400;">Sasha Calle</span></a><span style="font-weight: 400;">), prima do Superman, está presente, assim como os enquadramentos usados nas obras dos kryptonianos: nos momentos da personagem, o diretor capta a grandiosidade de Kara Zor-El ao colocá-la em câmera acima dos humanos. Entretanto, ambas as participações pouco acrescentam à construção de Barry, sendo reduzidas a puro </span><i><span style="font-weight: 400;">fan-service</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32454" aria-describedby="caption-attachment-32454" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/the.flash_.2023.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/the.flash_.2023.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/the.flash_.2023-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/the.flash_.2023-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32454" class="wp-caption-text">O cativante Velocista Escarlate precisa consertar a sua bagunça (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo filme de herói precisa de um vilão, pois é ele que sustenta os conflitos da história inteira. No longa de estreia de Barry Allen, o antagonista é o General Zod (Michael Shannon), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DYa_vH9QZmc"><span style="font-weight: 400;">reprisando o seu papel</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Aço</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013). Reciclando personagem no aniversário de dez  anos do primeiro filme do Superman de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-witcher-lenda-do-lobo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Henry Cavill</span></a><span style="font-weight: 400;">, chega a ser cômico – para não dizer trágico –, o mau-caratismo em priorizar Zod aos </span><a href="https://www.aficionados.com.br/maiores-rivais-do-flash/"><span style="font-weight: 400;">incontáveis vilões de Flash</span></a><span style="font-weight: 400;">, dado que a história é sobre ele. Nesse sentido, colocar Shannon de volta é apostar todas as fichas no confortável, naquilo que já foi feito e não respeitar a essência do homem mais veloz do mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora isso, as cenas de luta escancaram o terrível </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">, defendido pelo diretor com uma </span><a href="https://poltronanerd.com.br/filmes/the-flash-diretor-explica-motivo-do-cgi-estranho-no-filme-147305"><span style="font-weight: 400;">desculpa sem sentido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Exageradas, as sequências que apresentam as potências de Flash como super-herói são fracas e, não ironicamente, chegam a ser lentas demais. Podendo ser uma referência ao </span><a href="https://screenrant.com/zack-snyder-movies-slo-mo-action-reason/"><i><span style="font-weight: 400;">slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Zack Snyder</span></a><span style="font-weight: 400;">, os combates se tornam um dos desfalques da trama. Outro ponto muito presente em histórias do gênero são as piadas, ainda mais se levarmos em conta o herói em questão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse caso, todos os trocadilhos com velocidade são patéticos e não poderiam expor de forma mais clara a incompetência dos envolvidos no roteiro. Aliás, é preciso ‘dar nome aos bois’: John Francis Daley, Joby Harold, Jonathan Goldstein e Christina Hodson formam o quarteto que escreveu as tentativas de piadas, tornando o longa difícil de ser terminado. Vale destacar que Daley e Goldstein, ambos presentes no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-homecoming-o-homem-aranha-volta-empolgar/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: De Volta ao Lar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aqui não conseguem repetir o feito alcançado com o teioso.</span></p>
<p><figure id="attachment_32455" aria-describedby="caption-attachment-32455" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_.jpg" alt="Cena do filme The Flash. Na imagem, Ron Livingston, homem branco que interpreta o personagem Henry, usa um terno marrom com uma camisa branca. Ele está em um tribunal e atrás dele tem uma audiência acompanhando o julgamento." width="1920" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_-1536x832.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/pai.de_.barry_.allen_-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32455" class="wp-caption-text">Preso por um crime que não cometeu, Henry Allen (Ron Livingston) tem a ajuda do filho em busca da prova de sua inocência [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Quem se lembra de </span><a href="https://www.aficionados.com.br/iris-west-dc-comics/"><span style="font-weight: 400;">Iris West</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kiersey Clemons)? A repórter do </span><i><span style="font-weight: 400;">Picture News </span></i><span style="font-weight: 400;">e par romântico de Barry Allen não possui desenvolvimento algum e o seu carisma – que pode ser visto na série da </span><i><span style="font-weight: 400;">CW</span></i><span style="font-weight: 400;">, interpretada por Candice Patton – não é aproveitado devido à enorme quantidade de tramas que o longa deseja abordar. Temas como a relação do herói com West são necessários para o desenvolvimento de seu universo e, deixá-los de fora ou retratá-los com cenas curtas, é se desfazer da natureza do Velocista Escarlate. Allen, em termos de arcos de personagem, é muito rico e merece que as suas histórias sejam contadas, não colocadas em segundo plano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma cena final digna de um comercial de perfume, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i><span style="font-weight: 400;"> perde a corrida contra o tempo e se atrapalha com suas ideias infinitas. O sentimento, ao terminar o filme, é do que ele poderia ter sido: </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-melhores-filmes-origem-herois-marvel-dc.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">uma boa história de origem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nem mesmo os ínfimos momentos de alma que o longa possui conseguem fazer jus ao potencial que o herói tem para mostrar. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Às vezes, é preciso desistir</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase dita em certo ponto da história, lamentavelmente, resume o que foi a experiência dirigida por Muschietti. Desculpe, Barry Allen, mas dessa vez, você não foi o homem mais rápido. Na verdade, se atrasou e perdeu a corrida, aquela que sempre foi sua. </span></p>
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		<title>Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Recentemente, um curioso fenômeno tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico hollywoodiano e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente Mare of Easttown; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi Succession; e Nicole Kidman virou figura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dopesick-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dopesick é cirúrgica, mas sem anestesia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26235" aria-describedby="caption-attachment-26235" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem de Keaton, acompanhado de 3 pessoas, está olhando para frente com a cabeça levemente inclinada para cima, provavelmente para um palco. Keaton é um homem de meia idade, branco, olhos azuis e calvo. Ele usa uma camisa listrada que aparece somente a gola, pois também está usando uma jaqueta bege. As outras pessoas, da esquerda para a direita são respectivamente: uma mulher branca, também de meia idade, de cabelos pretos médios e que está ao lado esquerdo de Keaton. Ela usa um vestido azul-marinho com estampa de flores. Um homem branco também de meia idade que está atrás de Keaton e desfocado, tem cabelos brancos e usa uma camisa e um terno preto. E por último, outro homem de meia idade que aparece na extremidade direita e está cortado, aparecendo somente parte esquerda de seu óculos quadrado e a ponta de seu nariz." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26235" class="wp-caption-text">Estrelada e produzida por Michael Keaton, a minissérie conseguiu 3 indicações ao Globo de Ouro, incluindo a vitória em Melhor Ator em Minissérie, 3 indicações ao Critics Choice Awards e a recente conquista de Michael Keaton no SAG Awards por Melhor Ator em Minissérie ou Filme Para TV (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recentemente, um </span><a href="https://gq.globo.com/Blogs/Joao-Daniel/noticia/2015/07/curiosa-migracao-de-atores-e-diretores-do-cinema-para-series-parte-1.html"><span style="font-weight: 400;">curioso fenômeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem ocorrido na indústria audiovisual, em que nomes estão saindo do seio cinematográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se aventurando no segmento televisivo. Kate Winslet é um exemplo, com a excelente </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o diretor Adam McKay é um dos responsáveis pela surpresa que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">; e Nicole Kidman virou </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/dama-das-series-nicole-kidman-esta-em-tres-producoes-no-streaming-50249"><span style="font-weight: 400;">figura recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas séries. Mas qual a razão desse chamariz? Qualidade, sem dúvida, é uma das respostas, o que pode fazer com que categorizemos essa época como uma nova Era de Ouro da TV e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outros fatores podem ser listados, como liberdade criativa, roteiros desafiadores, diversidade de histórias e apostas das plataformas no formato. Todos esses ingredientes estão presentes na bula de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie, desenvolvida pelo ator e roteirista Danny Strong (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Gilmore Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Empire</span></i><span style="font-weight: 400;">) e com direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscarizado </span></i><span style="font-weight: 400;">Barry Levinson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rain Man</span></i><span style="font-weight: 400;">), é baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick: Dealers, Doctors and the Drug Company That Addicted America</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos contam a história da fraude farmacêutica que resultou em uma </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/conheca-o-analgesico-a-base-de-opio-que-causou-dependencia-em-pacientes-070052706.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAH5Kcq3RDm3B1hY97HSO-3z82bodMboQSRBslSgXNMhvBOBoclZ3_BwMha7HeGQxWfoFB8f7akPs7V71NSJFs8iRG0d2QD-RrVuQ6x1AmvMw_YAEmd-nmHoOyPAz67V8abhSPm-xqecwW6B38W_oUxNACZZuWo6fyTsZ8GmXTDmT"><span style="font-weight: 400;">crise de opióide</span></a><span style="font-weight: 400;">, assolando os EUA do final dos anos 90 e resistindo </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/a-tragica-escalada-dos-opioides-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">até hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a adaptação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por explorar ainda mais os meandros das corporações voltadas à saúde e as consequências da corrupção na sociedade. Por conta disso, realidade e ficção se mesclam em uma história desoladora e envolvente.</span></p>
<figure id="attachment_26236" aria-describedby="caption-attachment-26236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26236 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg" alt="Cena da série Dopesick. Nela, o personagem Richard Stackler, interpretado por Michael Stuhlbarg, aparece centralizado. Ele é um homem branco de meia idade, cabelo preto e olhos azuis. Richard Stackler aparece do peito para cima, veste uma camisa branca com listras cinzas verticais e um sobretudo marrom. Ele está em uma sala, aparentemente na sede de sua empresa. A iluminação da cena faz com que a parte esquerda de seu rosto fique completamente escura, causando contraste com a parte direita." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26236" class="wp-caption-text">Com o streaming do Hulu não operante em território brasileiro, a minissérie chegou aqui pelo catálogo do Star+ (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O programa não aborda o vício, como popularmente categorizado, mas os vícios. A </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/purdue-pharma-se-declara-culpada-por-crise-dos-opiaceos-nos-eua/"><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é obcecada por poder e dinheiro. Já grande parte de seus vendedores são mentirosos compulsivos, que, na maior parte do tempo, não têm pudor nenhum em mentir. Os agentes, com seus sensos de justiça extremamente aflorados, são aficionados pelo caso. Mas aquele vício no qual você pensou no começo desse parágrafo, o destrutivo, é mais consequência de uma exploração capitalista do que propriamente uma obsessão, e por conta disso, cai nas mãos das bases da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o roteiro passeia pelas vertentes da sociedade, de forma muito engenhosa e sutil. Para isso, ele atribui diferentes características para cada núcleo. A família Sackler, que comanda a </span><i><span style="font-weight: 400;">Purdue Pharma</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, tem toques da família Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os poucos momentos de tribunal nos lembram a primeira temporada de </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/the-people-v-o-j-simpson-e-o-jogo-de-interesses/"><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do mesmo modo que a investigação remete aos moldes de seriados policiais. Já no desenvolvimento do núcleo afetado pelo opióide, é notória a identificação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem seu drama </span><i><span style="font-weight: 400;">teen. Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, não se trata de um amontoado de cópias de formatos dramáticos. Pelo contrário, esse cenário é a constatação de que a escrita sabe o que funciona ultimamente e sabe como aplicar isso aos seus personagens de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O núcleo em foco na minissérie é justamente o mais mundano. Centrada em uma pequena cidade mineradora, a produção aborda a primeira onda de opióides na época, através do olhar do Dr. Samuel Finnix (Michael Keaton) e de sua paciente, a jovem mineradora Betsy Mallum (</span><a href="https://www.instagram.com/kaitlyndever/"><span style="font-weight: 400;">Kaitlyn Dever</span></a><span style="font-weight: 400;">), durante o período de testes da Oxicodona na cidade. Vendido como não viciante, o remédio foi distribuído como uma droga milagrosa no quesito analgésico, tendo aprovação até da </span><i><span style="font-weight: 400;">Food and Drug Administration </span></i><span style="font-weight: 400;">(FDA), autoridade sanitária americana. Logo, descobre-se que, entre os componentes do remédio, estão a desinformação e manipulação de dados. O roteiro, mais uma vez, tem seus méritos ao saber dosar tais assuntos e inseri-los como uma crítica atual e desenhada ao conceito de </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade"><span style="font-weight: 400;">pós-verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26237" aria-describedby="caption-attachment-26237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg" alt="Cena da série Dopesick. A cena é composta de uma mesa de vidro vista de cima para baixo. No canto superior esquerdo dela estão 11 unidades de comprimidos de Oxicodona, nas cores: amarelo, rosa, verde e branco. Mais ao centro, tem uma caixa de remédio tipicamente americana aberta. A caixa é cilíndrica na cor laranja e há um papel indicando a medicação nela. No canto inferior esquerdo, tem um isqueiro na cor roxa. Um pouco centralizado e mais para cima, tem a tampa da caixa de remédio. Ela é branca, circular e está de cabeça para baixo. Abaixo dela, há mais 7 unidades de comprimido nas cores: rosa, amarelo e verde. E bem do lado do último comprimido verde, há uma tampa, provavelmente de algum líquido como água com alguns escritos em verde. Na parte direita, centralizado, há um pó branco espalhado, resultante da quebra de algum desses comprimidos" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26237" class="wp-caption-text">Os opióides são um verdadeiro problema de saúde pública americano e muitos dos casos de overdose são de remédios com a substância em sua composição, como no caso do cantor Prince (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> não choca só por ser real, mas por tal realidade tangenciar além da discussão ético-farmacêutica. As mentes por trás do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabem que o soco no estômago é necessário. Dessa forma, a escrita desenvolveu uma dinâmica que ora se sabe que será acertado, ora é nocauteado de surpresa. Na construção da série, também é muito fácil a identificação e o exercício de empatia (ou antipatia) com as personagens, mesmo o espectador não tendo nada em comum com eles. Isso se dá porque o roteiro reconhece que as pessoas descritas são seres humanos falhos e não têm medo de expô-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal identificação não seria possível somente com um bom trabalho de escrita. É aqui que entra o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;">: seu elenco. Seguindo a onda do mercado, a minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma obra fechada, </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-11-15/hulu-series.html"><span style="font-weight: 400;">apostou</span></a><span style="font-weight: 400;"> em grandes nomes. Além de Keaton e Kaitlyn, Peter Sarsgaard (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">), </span></i><span style="font-weight: 400;">Rosario Dawson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Demolidor</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Will Poulter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/regresso-bonito-ver-uma-vez/"><i><span style="font-weight: 400;">O Regresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encabeçam a lista estelar. Todos entregam atuações impecáveis e sabem construir suas personas, moldados por uma dor (tanto física quanto psicológica) intermitente pelo longo período de todo o processo. Período esse que a série soube imprimir muito bem, uma vez que é construída através de saltos temporais entre os núcleos, bem executados e nada confusos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quem merece maior destaque são os personagens que conduzem a história. Kaitlyn Dever (</span><a href="https://pipocanamadrugada.com.br/site/inacreditavel-um-pequeno-incomodo-nova-serie-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Inacreditável</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe construir os sofrimentos de Betsy, que tem que lidar com a descoberta da sexualidade em uma cidade conservadora, de forma magistral, fazendo com que o espectador se importe com a figura, principalmente com sua queda no vício. Se essa geração já tem suas atrizes, como Anya Taylor-Joy, Zendaya e </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/julia-garner-ozark-inventando-anna"><span style="font-weight: 400;">Julia Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dever chama a atenção e pede passagem para uma próxima. Já Keaton, dispensa apresentações e imprime um Dr. Finnix assolado pela dor do luto e que ama a profissão. Assistir a derrocada do personagem pelas mãos do ator é uma experiência avassaladora e sensacional. Outro que merece seus méritos é o Richard Sackler de Michael Stuhlbarg </span><i><span style="font-weight: 400;">(Um Homem Sério</span></i><span style="font-weight: 400;">), que transmite ódio e ambição incrivelmente através do olhar.</span></p>
<figure id="attachment_26238" aria-describedby="caption-attachment-26238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Dopesick-Imagem-4.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26238" class="wp-caption-text">A atuação do elenco como um todo é o grande ápice da minissérie (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente consciente, traduzindo uma história tão densa, real e ainda inacabada para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. As escolhas criativas se provam muito acertadas para dar o tom de todo o caso. Um exemplo disso é o ato final, que, assim como um documentário, utiliza em sua montagem imagens reais do </span><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2021-09-01/justica-dos-eua-encerra-litigio-contra-purdue-pharma-pela-crise-de-opioides.html"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, para puxar o telespectador para realidade e dar ainda mais ênfase a toda a trajetória da série. De fato, alguns aspectos passaram despercebidos pelo crivo da escrita. Um ponto crucial que a obra não aborda é do processo só ter ido para frente quando a droga chegou nas elites. Mesmo assim, a</span> <span style="font-weight: 400;">produção</span> <span style="font-weight: 400;">é um ótimo estudo de caso de uma adaptação convincente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie soube moldar sua tensão e seu drama através de duas doenças crônicas da sociedade: o vício e a </span><a href="https://www.wort.lu/pt/sociedade/fake-news-desinformac-o-e-a-doenca-do-seculo-5ec38692da2cc1784e35e135"><span style="font-weight: 400;">desinformação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os paralelos feitos entre o final dos anos 90 e hoje elucidam a persistência desses problemas e catapultam a indignação causada na audiência ao mostrar que, assim como no caso, a sociedade pouco andou para a resolução dos obstáculos, tendo até dado passos para trás. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dopesick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é necessária e cirúrgica em suas críticas, e as traz ao telespectador de forma muito bem executada, seja em doses homeopáticas ou cavalares.</span></p>
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