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	<title>Arquivos Melhor Maquiagem Prostética &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Gaslit: 50 anos depois do escândalo Watergate, a política ainda é um homem branco</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 21:09:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Na década de 1970, a política estadunidense foi marcada por burburinhos e manipulação. Durante a reeleição de Richard Nixon, o Partido Republicano tinha a vitória nas mãos com uma larga escala de vantagem, mas ainda assim resolveu usar de artifícios que favorecessem seu representante. A ideia era invadir os escritórios do Partido Democrata &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gaslit-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gaslit: 50 anos depois do escândalo Watergate, a política ainda é um homem branco"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28654" aria-describedby="caption-attachment-28654" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1.jpg" alt="Foto da série Gaslit. Na imagem, o rosto da atriz Julia Roberts no papel de Martha Mitchell. A personagem tem pele branca com algumas rugas aparentes, seus cabelos são loiros e estão presos em um coque alto com topete na frente. O semblante do rosto é triste, com os olhos cheios de lágrimas. Ela veste um vestido de gola média que aparece só até a altura dos ombros e é coberto de brilhos e pequenos cristais." width="620" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-28654" class="wp-caption-text">Em seu ano de estreia, Gaslit recebeu 4 indicações ao Emmy, mas passou longe de brilhar nas duas primeiras noites da premiação (Foto: STARZ)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na</span><span style="font-weight: 400;"> década de 1970, a política estadunidense foi marcada por burburinhos e manipulação. Durante a reeleição de </span><a href="https://www.whitehouse.gov/about-the-white-house/presidents/richard-m-nixon/"><span style="font-weight: 400;">Richard Nixon</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Partido </span><a href="https://www.hexag.online/blog-noticias/politica-eua-qual-a-diferenca-entre-republicanos-e-democratas"><span style="font-weight: 400;">Republicano</span></a><span style="font-weight: 400;"> tinha a vitória nas mãos com uma larga escala de vantagem, mas ainda assim resolveu usar de artifícios que favorecessem seu representante. A ideia era invadir os escritórios do Partido Democrata no Complexo de Edifícios de Watergate, e grampear telefones para captar informações confidenciais, além de plantar fotos e montagens comprometedoras que seriam usadas  como uma espécie de chantagem para garantir o sucesso na corrida eleitoral.</span></p>
<p><span id="more-28653"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A falta de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/seis-erros-que-levaram-os-ladroes-de-watergate-de-1972-a-serem-pegos/"><span style="font-weight: 400;">planejamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que tudo fosse por água abaixo e os 5 invasores acabaram presos e marcados pela mídia como parte do &#8220;Escândalo de Watergate”. Na época, uma investigação de quase dois anos conduzida por jornalistas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Washington Post</span></i><span style="font-weight: 400;"> levou a história adiante e constatou a ligação entre o esquema de espionagem e Nixon, que não teve muitas escolhas e renunciou ao cargo. Desde então, a narrativa foi contada por diversas obras, sendo a principal delas a do repórter Bob Woodward, no livro </span><a href="http://www.bocc.ubi.pt/pag/oliveira-adriano-homens-presidente.html"><i><span style="font-weight: 400;">Todos os Homens do Presidente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas as versões mais populares dessa história, fica apagada a importância de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/o-efeito-martha-mitchell-e-sua-relevancia-50-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">Martha Mitchell</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas desconfianças antecipadas sobre o jogo sujo do Comitê de Campanha de Nixon. Chegando para um rápida e assertiva troca de protagonistas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a grande aposta da emissora </span><i><span style="font-weight: 400;">STARZ</span></i><span style="font-weight: 400;">. A minissérie estreou em abril de 2022 e, sob o nome de um tipo de </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/voce-nao-esta-louca-entenda-como-funciona-o-gaslighting/"><span style="font-weight: 400;">manipulação psicológica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que faz uma pessoa achar que estar delirando, mostra que Martha era muita coisa, mas com certeza não beirava a loucura. </span></p>
<figure id="attachment_28655" aria-describedby="caption-attachment-28655" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2.jpg" alt="" width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1200x750.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28655" class="wp-caption-text">Gaslit é inspirada pela primeira temporada do podcast Slow Burn de Leon Neyfakh (Foto: STARZ)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando Martha, </span><a href="https://ew.com/tv/julia-roberts-sean-penn-collaboration-gaslit-watergate-drama/"><span style="font-weight: 400;">Julia Roberts</span></a><span style="font-weight: 400;"> remonta uma socialite fofoqueira com excelência e sensibilidade. Se historicamente a personagem era conhecida como a esposa do procurador </span><a href="https://www.washingtonpost.com/wp-srv/onpolitics/watergate/Johnmitchell.html"><span style="font-weight: 400;">John Mitchell</span></a><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela se mostra com muito mais complexidade. Constantemente rodeada por câmeras, repórteres e entrevistas, ela era para o mundo um poço de futilidade e é essa imagem que permite que sua sagacidade seja pouco levada a sério, e em alguns momentos vista até como inexistente pelas figuras ao seu redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na pele de </span><a href="https://www.marieclaire.com.au/gaslit-john-mitchell-sean-penn"><span style="font-weight: 400;">Sean Penn</span></a><span style="font-weight: 400;"> que John Mitchell ganha vida. Vida essa tão bem construída que o ator é apresentado com uma aparência irreconhecível. O advogado, além de representar o Partido Republicano, teve participação direta no acobertamento do crime, e carrega o conservadorismo </span><a href="https://www.politize.com.br/misoginia/"><span style="font-weight: 400;">misógino</span></a><span style="font-weight: 400;"> a cada gesto. A narrativa faz questão de deixar claro que são esses valores e a concepção fechada do personagem que não o permitem perceber que olhos e ouvidos muitas vezes dormem ao lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações e a capacidade de seus intérpretes de transformar o que originalmente eram coadjuvantes em excelentes protagonistas sustentam a narrativa. É inegável que o roteiro de </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/mr-robot-atinge-feito-que-nem-game-thrones-conseguiu-saiba-qual-31111"><span style="font-weight: 400;">Robbie Pickering</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gwSpDTwbdeI"><span style="font-weight: 400;">Sam Esmail</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma proposta genial, desenvolvida de forma muito coesa para os poucos 8 episódios da produção, mas acaba sendo o tipo de história com a qual nem todo público se identifica. Assim, se você não souber previamente sobre o que se trata o Escândalo de Watergate, engolir o enredo pode ser mais desgastante do que o esperado. </span></p>
<figure id="attachment_28656" aria-describedby="caption-attachment-28656" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit.jpg" alt="" width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/full-trailer-for-sean-penn-and-julia-roberts-watergate-scandal-drama-series-gaslit-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28656" class="wp-caption-text">O trabalho de caracterização de Julia Roberts teve penteado inspirado em programa televisivo The Dinah Show, no qual Martha foi convidada em meados de 1970 (Foto: STARZ)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a linha de inversão de papéis, outros personagens que passam batidos em exposições mais convencionais do evento político ganham sua dose de destaque em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, John Dean (</span><a href="https://youtu.be/psGOiBeXAA0"><span style="font-weight: 400;">Dan Stevens</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Mo Dean (</span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/cultura/betty-gilpin-conta-do-que-rolou-por-tras-das-cameras-em-gaslit"><span style="font-weight: 400;">Betty Gilpin</span></a><span style="font-weight: 400;">) contracenam um dos diálogos mais importantes e significativos da série. Em um encontro inicial, os dois percebem que os valores dela, alinhados aos democratas, se contrapõem aos dele e sua relação com os republicanos. Esse conflito não se insere por acaso, mas funciona para constituir um presságio do que ancora toda a narrativa: contraste e poder. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A exploração do controle em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos seus grandes pontos altos. Colocando a ideia de domínio sempre relacionada ao </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-10-17/gloria-steinem-o-autoritarismo-comeca-com-o-controle-sobre-o-corpo-das-mulheres.html"><span style="font-weight: 400;">autoritarismo masculino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o enredo explica o apagamento histórico de Martha sem precisar de muito. Isso se prova pela forma como John se comporta, fazendo ligações, deixando documentos e estudando a defesa de </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/08/10/watergate-4-momentos-do-caso-que-levou-a-renuncia-do-presidente-dos-eua.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nixon</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro de casa, sem sequer considerar a esposa como um ser capaz de entender no que ele estava envolvido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao contraste, este se mostra de forma incisiva e crítica na medida certa. Toda a atmosfera demonstra a </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">desigualdade social</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo qual o país passava, pequenos detalhes e</span><i><span style="font-weight: 400;"> frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> curtos são capazes de entregar a invisibilidade de todos os retratos comunitários que fugiam dos parâmetros elitistas. A violência contra moradores de rua, a falta de  saneamento das ruas e o </span><a href="https://revistaafirmativa.com.br/antes-de-george-floyd-a-longa-historia-de-desigualdades-e-violencia-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">abuso de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> das autoridades policiais são alguns dos encaixes pontuais que denunciam o abismo entre os escritórios políticos e o povo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Gaslit | Official Trailer | STARZ" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5SxnbpGngtI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos </span><a href="https://istoe.com.br/o-maniqueismo-que-nos-alimenta-e-o-amor-que-nos-falta/"><span style="font-weight: 400;">maniqueísmos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do homem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra o quanto não há limites para ambição. Focando principalmente nas atitudes grotescas e absurdas nas quais John Dean e John Mitchell se apoiavam em nome da reeleição de Nixon, cada novo evento tirava todos os pequenos rastros de humanidade dos dois. Esse movimento contribuiu para que, trilhando o caminho contrário, Martha se mostrasse cada vez mais cheia de verdade, sentimento e insegurança. A caracterização do casal Mitchell é um grande bônus na construção desse contraste. Enquanto ele é envolto por grandes quantidades de </span><a href="https://cm-ob.pt/is-sean-penn-wearing-prosthetics-gaslit-115281"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e camadas plásticas, com um ar que chega ao caricato, ela tem uma aparência marcada pela naturalidade. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">As relações de </span><a href="https://miscelana.com/2022/04/24/quem-foi-martha-mitchell-watergate/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas quais a dama do ministro é submetida também reforçam essa diferença entre os dois. Exposta à vulnerabilidade, agressão e ameaças, ela resiste como alguém cujos machucados são reais. Em um trabalho muito bem feito pela Fotografia, conduzida por </span><a href="https://www.goldderby.com/feature/larkin-seiple-gaslit-cinematographer-video-interview-1205040269/"><span style="font-weight: 400;">Larkin Seiple</span></a><span style="font-weight: 400;">, os minimalismos das feições e olhares da personagem ganham grandeza para que o público seja capaz de sentir um pouco do que ela sente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas questões não puderam deixar de serem notadas pela Academia de Televisão, que indicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> a quatro categorias da premiação de Artes Criativas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre as nominações da minissérie, estavam Melhor Maquiagem Prostética e Melhor Mixagem de Som em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme, ambos pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Últimos Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Melhor Edição de Som em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme ou Especial, por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ano do Rato</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Fotografia em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme, para Seiple pelo capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Desejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série acabou não sendo contemplada com nenhuma estatueta das técnicas, distribuídas na cerimônia dos dias 3 e 4 de setembro, já que a caracterização de Sean Penn não foi suficiente para bater o surrealismo da quarta temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28660" aria-describedby="caption-attachment-28660" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4.jpg" alt="" width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/foto-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28660" class="wp-caption-text">46 anos depois da morte da verdadeira Martha Mitchell para um câncer de mieloma múltiplo, o retrato de Gaslit parece ter chegado tarde demais (Foto: STARZ)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas ruínas da </span><a href="http://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><span style="font-weight: 400;">América</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaslit</span></i><span style="font-weight: 400;"> resiste em perspectivas. Nas novas vozes pelas quais somos guiados ao evento de </span><a href="https://youtu.be/aofjz_6p2HQ"><span style="font-weight: 400;">Watergate</span></a><span style="font-weight: 400;">, a visceralidade com certeza é uma das grandes protagonistas. Apesar disso, a série não perde em adicionar crítica e humor no ponto exato e consegue se sair bem com uma narrativa que, na medida do possível, flui bem. Afinal, às vezes sair do morno não é suficiente para alcançar a ebulição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, o maior feito da produção fica na sua relação com a atualidade e o grande tapa na cara é saber que, em meio século, as únicas </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/31/opinion/1548964060_458044.html?outputType=amp"><span style="font-weight: 400;">mudanças</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficam nos números de identidade. Um mundo comandado por homens brancos cisgênero, com ideais conservadores e olhos que só se abrem para dinheiro nunca foram uma novidade e ainda parecem ser o tipo de história que se renova por mais temporadas do que deveria. Bom mesmo seria se os últimos episódios políticos fossem um grande </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/15/internacional/1505472042_655999.html"><i><span style="font-weight: 400;">gaslighting</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que distorceu nossa percepção. </span></p>
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		<title>This Is Us é maior que nós</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2021 23:16:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Ao longo de quatro anos, This Is Us se encarregou de retratar as dores e delícias da vida a partir de crônicas da família Pearson. Com seus personagens profundos e reais, explorados numa história livre e sem amarras, a produção da NBC criou seu maior encanto em sua humanidade radical e melodramática, que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "This Is Us é maior que nós"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23143" aria-describedby="caption-attachment-23143" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23143" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2.jpg" alt="" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23143" class="wp-caption-text">A uma temporada de se despedir da TV, This Is Us alcançou três indicações nas categorias principais do Emmy 2021 (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de quatro anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encarregou de retratar as dores e delícias da vida a partir de </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-1-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">crônicas da família Pearson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com seus personagens profundos e reais, explorados numa história livre e sem amarras, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> criou seu maior encanto em sua humanidade radical e melodramática, que gerava fortes relações com seu público ao passo em que criava as mais diversas catarses dentro e fora da tela. Alcançando o clamor da crítica e do público com sua fórmula completamente singular, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapou de viver, como qualquer outra narrativa seriada, seus altos e baixos, e com sua bagagem, chegou ao seu quinto e penúltimo ano. </span></p>
<p><span id="more-23142"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O que resta, então, à grandiosidade narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">?” era a pergunta que rondava a chegada da quinta temporada da série, que já havia trabalhado incontáveis aspectos da vida de seus personagens, com a característica fundamental de </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">transcender até mesmo o tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazer isso. Envolvendo-se em reviravoltas, reflexões sobre o que havia sido o passado e vislumbres do que viria a ser o futuro, o presente da história estava no marco dos 40 anos dos trigêmeos que nasceram de Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia), que acontecia ao mesmo tempo em que o núcleo familiar da série lidava, de forma individual e coletiva, com suas muitas questões, e ao mesmo tempo em que o mundo real vivia um dos momentos mais difíceis da história da humanidade em decorrência da pandemia de covid-19.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sempre, corajosa em assumir os rumos de sua própria narrativa e nunca receosa em compreender a vastidão de sua matéria-prima, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> propôs a se envolver com o mundo de forma mais direta, abordando os aspectos da vida real de 2020. Assim, a quinta temporada da série abraça o mundo, a humanidade e sua história, continuando com a sua fórmula de traçar questões reais da </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">vida humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem deixar de tratar as suas tramas complexas. Agora, porém, o conjunto do trabalho apresentado causa um efeito diferente, que responde aos questionamentos sobre o rumo da produção através da conclusão que resta ao seu público ao fim do quinto ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> é algo maior.</span></p>
<figure id="attachment_23144" aria-describedby="caption-attachment-23144" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23144" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2.jpg" alt="" width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23144" class="wp-caption-text">A quinta temporada de This Is Us teve dois episódios a menos do que o habitual por conta da pandemia de covid-19 (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo nível de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> é alcançado através de alguns elementos. O primeiro &#8211; e talvez mais importante deles &#8211; é o protagonismo de Randall (Sterling K. Brown), que direciona grande parte dos acontecimentos da nova temporada. A partir do gancho narrativo do fim do quarto ano, a trama da vez se inicia logo depois de uma </span><a href="https://spinoff.com.br/showrunner-de-this-is-us-fala-sobre-a-grande-briga-que-guiara-o-fim-da-temporada/"><span style="font-weight: 400;">discussão terrível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele tem com Kevin (Justin Hartley), e embora a relação dos irmãos seja um dos pontos de maior destaque do quinto ano, assim como a individualidade e sonhos de Kevin, a série não se importa em ser parcial e definir Randall como centro da narrativa. E de forma alguma isso é um erro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão de concentrar a história em sua figura mais complexa, além de assegurar um desenvolvimento merecido para Randall &#8211; que reverbera no avanço de muitas outras personagens, garantindo assim roteiros primorosos para os 16 episódios -, também coloca </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> no alinhamento perfeito de seus objetivos no novo ano, isto é, se contextualizar de forma mais direta no mundo real. Afinal, não tem forma melhor de refletir sobre as implicações da </span><a href="https://www.paho.org/pt/covid19"><span style="font-weight: 400;">pandemia de covid-19</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-06-07/reino-unido-protagoniza-os-protestos-mais-intensos-da-onda-global-contra-o-racismo.html"><span style="font-weight: 400;">levante anti-racista de 2020</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que através do membro da família Person que processa o fato de ter sido criado sem qualquer informação sobre seus pais biológicos, enquanto vive distante da mãe e dos irmãos, cria três adolescentes, trata seus problemas de ansiedade à distância e trabalha como vereador negro de um um distrito de maioria não-branca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se a inteligência de Randall administra o contexto pandêmico com maestria, a repercussão do assassinato de </span><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/george-floyd/"><span style="font-weight: 400;">George Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, obviamente, um assunto difícil para o personagem de Sterling K. Brown. Ao lidar com os noticiários, com as questões de suas filhas, com a relação abalada com seus irmãos e com o comportamento do resto da família &#8211; que é repleto de boas intenções, mas exaustivo para quem é colocado na posição de orientar as ações das outras pessoas -, Randall se vê diante de muita coisa e percebe, mais uma vez, que está em conflito com sua própria identidade.</span></p>
<figure id="attachment_23146" aria-describedby="caption-attachment-23146" style="width: 2028px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2.jpg" alt="" width="2028" height="1141" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2.jpg 2028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23146" class="wp-caption-text">&#8220;Sempre pareceu que quando essas coisas aconteciam no mundo, elas ficavam sempre do lado de fora da casa&#8221;, desabafa um despedaçado Randall que encara o assassinato de George Floyd como filho adotado em uma família branca e pai de uma família negra (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim o primeiro episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> depois de um ano como 2020. Levantando debates sobre relações raciais desde Randall se entende por gente, a trama mantém seu compromisso com um dos temas mais importantes da humanidade e não foge de um dos aspectos mais importantes do último ano. O tato é medido, e sem perder seu fio narrativo, o roteiro de </span><a href="https://www.vulture.com/article/this-is-us-season-5-premiere-recap-episode-1-and-2-forty-part-one-part-two.html"><i><span style="font-weight: 400;">Forty: Part One</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aprofunda a verossimilhança de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us </span></i><span style="font-weight: 400;">na personagem machucada e cansada que existe no olhar e na fala de </span><a href="https://ew.com/tv/this-is-us-sterling-k-brown-season-5-preview/"><span style="font-weight: 400;">Sterling K. Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a história diz na atribulada abertura da temporada é que o filho perfeito está em um estágio avançado de seu processo de </span><a href="https://www.geledes.org.br/ser-homem-e-negro-e-um-rascunho-inconcluso-e-constante/"><span style="font-weight: 400;">humanização</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, Randall viverá muitos momentos incômodos e o público discordará muito de suas atitudes. À medida em que ele segue seu processo terapêutico, ele mergulha em si mesmo e se distancia das outras pessoas, num movimento contrário a tudo o que conhecemos do personagem mais abnegado de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> até então. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essas consequências são inevitáveis, como parte de algo muito maior e muito mais significativo para a trama e para a vida de Randall, que numa conexão direta ao que vivemos depois de tantas tragédias no último ano, diz estar “</span><i><span style="font-weight: 400;">apenas muito, muito, muito triste</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ironicamente, felizmente, ele (e nós) podemos contar com a inteligência emocional de </span><a href="https://rayanefrance.medium.com/precisamos-falar-sobre-beth-pearson-dcf808c0152e"><span style="font-weight: 400;">Beth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Susan Kelechi Watson), que ancora o coração ansioso do esposo e a emoção à flor da pele do público na essência nada perfeita que une perfeitamente todas as coisas em </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">: o amor.</span></p>
<figure id="attachment_23163" aria-describedby="caption-attachment-23163" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23163 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Jennifer-C-Holmes-Laurel-DuBois-This-Is-Us-Season-5-Episode-6-Birth-Mother-2021-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23163" class="wp-caption-text">A série ainda encontra espaço para homenagear os cientistas que trabalharam para desenvolver conexões de internet, tecnologia que permitiu que continuássemos conectados com quem amamos nos meses em que estivemos distantes por conta da pandemia (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A única coisa capaz de reverter a tendência de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> se transformar em </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Randall</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma força maior do que a humanidade do personagem. Então, entre as idas e vindas e movimentações do destino sobre a história de vida e família de Randall, a trama nos coloca diante da história mítica de </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/209355-this-is-us-5-temporada-episodio-6-randall-recap.htm"><span style="font-weight: 400;">Laurel</span></a> (Jennifer C. Holmes)<span style="font-weight: 400;">, sua mãe biológica, de frente com a figura mais fascinante e apaixonante do universo vasto de pessoas que já passaram ou passarão pela série. Sempre retratada um amor absurdo pela memória de William (</span><a href="https://mundonegro.inf.br/emmy-2020-ron-cephas-jones-levou-o-premio-de-melhor-ator-convidado-em-serie-de-drama-por-this-is-us/"><span style="font-weight: 400;">Ron Cephas Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">), agora, ela encerra a injustiça de não se apresentar dignamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> através do lindo roteiro de Eboni Freeman e Kay Oyegun (que também dirige o episódio).</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você tem os meus olhos. Vejo tanta dor neles&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro espiritual de Randall e Laurel </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/sterling-k-brown-on-randalls-this-is-us-race-reckoning-4115495/"><span style="font-weight: 400;">cura as feridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do personagem de uma forma que subverte a tradição dos seus ciclos: se antes ele iniciava um novo ano sob uma plenitude superficial que quebrava sua pessoa ao decorrer da narrativa, agora, existe aqui um processo de reconhecer suas dores logo de início e assim ser capaz de juntar os pedaços de sua identidade. E como já é do conhecimento de quem acompanhou todos os anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, a dimensão da personagem de Randall no sistema da série interfere na dinâmica de todos os outros, que a partir da ligação profunda que eles mantêm uns com os outros, encontram os meios para investigarem suas perturbações e encontrarem seus caminhos.</span></p>
<figure id="attachment_23148" aria-describedby="caption-attachment-23148" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23148" class="wp-caption-text">No meio do nó narrativo, Rebecca também segue tratando o diagnóstico inicial de Alzheimer (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos leva ao </span><a href="https://www.nbc.com/this-is-us/credits/character/kate-pearson"><span style="font-weight: 400;">emocional conflituoso de Kate</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Chrissy Metz). A segunda parte do trio de irmãos vive uma nova fase de sua vida, marcada pelo amadurecimento de sua relação com a sua mãe, a satisfação que encontrou na maternidade ao lado de Toby (Chris Sullivan), sentimento que faz o casal decidir por ter mais um filho. Entretanto, a gestação é algo arriscado para a saúde de Kate, que opta, a partir do incentivo do esposo, pela adoção. O processo os leva até Ellie (Annie Funke), que segue com uma gravidez sem o desejo de ficar com o bebê, procurando por pais adotivos para a futura criança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As experiências de Kate com a mãe biológica de sua futura filha são positivas, mas desatam reflexões sobre a sua adolescência difícil, quando ela viveu um relacionamento abusivo com Marc (Austin Abram), assunto introduzido na quarta temporada que ganha um encerramento aqui. Entre as conversas daquelas duas mulheres, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> lembra de um <a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">aborto</a> que Kate realizou quando o pesadelo da relação tinha chegado ao fim em pleno momento de luto por Jack. E diante dessa situação, a narrativa escolhe um caminho muito feliz, tanto na forma respeitosa como retrata essa parte da história de Kate, quanto na forma satisfatória como resolve as feridas do passado da personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo acaba por ser um importante vetor para o desenvolvimento de Kate na penúltima temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. Observando a forma como sente a situação no presente, ela percebe que as coisas não estão resolvidas e que não tem o impacto que ela imaginava, e ao dividir sua aflição com Toby, decide ir, com o apoio dele, confrontar Marc e encerrar de vez essa parte de sua história. Então, <a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/209006-this-is-us-5-temporada-episodio-5-kate-marc-recap.htm">um dos maiores atos da personagem</a> em sua longa batalha com autoestima se concretiza bem diante dos nossos olhos &#8211; e dos olhos do homem que a destruiu quando ela tinha apenas 17 anos.</span></p>
<figure id="attachment_23149" aria-describedby="caption-attachment-23149" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23149" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23149" class="wp-caption-text">Outra importante novidade para Kate é o emprego que ela inicia na escola de música para crianças cegas de Jack, seu bebê, que traz a sensação de realização que a personagem perseguiu por tanto tempo (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Randall conclui sua longa jornada em busca de sua identidade e Kate resolve sua difícil relação consigo mesma, a perfeição narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> direciona </span><a href="https://www.nbc.com/this-is-us/credits/character/kevin-pearson"><span style="font-weight: 400;">Kevin</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao início de um capítulo importante da construção de sua história. Continuando a maior surpresa da quarta temporada, o novo pai da família Pearson desfruta da realização de um sonho. Desde a fascinação com os bebês se mexendo pela primeira vez até a determinação em não perder o nascimento dos gêmeos, o irmão mais velho não decepciona e </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega o melhor arco possível para o personagem que por tanto tempo procurou seu lugar no mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência ainda permite a Kevin desenvolver uma forte conexão com Jack (Milo Ventimiglia), o alvo de toda a adoração que compõe a memória mais amada e dolorida de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. É dele que vem a mensagem mais forte do ano, que parece definir a concepção da série sobre a vida nesta etapa em que busca ir além. Quando o filho mais anseia por ser como o pai, que é cercado pelo </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/nao-tem-pra-ninguem-jack-pearson-de-us-e-o-melhor-pai-das-series-40249"><span style="font-weight: 400;">ideal inatingível</span></a><span style="font-weight: 400;"> de paternidade e perfeição, Kevin entende por meio de Jack que a questão toda é muito maior do que uma existência sem defeitos. Porque o amor é muito, muito, muito maior que qualquer outra coisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de amor, o sentimento que o astro de Cinema desenvolve por Madison (Caitlin Thompson) constrói um relacionamento repleto de aprendizados. Mesmo que a conclusão dos dois não seja de acordo com o planejado, o fim da temporada chancela um processo importante de consolidação de autoconhecimento em Kevin e de </span><a href="https://ew.com/tv/this-is-us-season-5-finale-caitlin-thompson/"><span style="font-weight: 400;">autoestima e amor próprio em Madison</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vence alguns dos monstros que enfrenta desde a primeira vez que apareceu em </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23155" aria-describedby="caption-attachment-23155" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23155" class="wp-caption-text">No mesmo dia e ao mesmo tempo, os bebês de Kevin e Madison nascem em um lugar e o de Kate e Toby em outro, e 40 anos depois, temos uma nova geração de Big Three (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao cruzar todas as suas tramas complexas, </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> resolve algumas delas ao mesmo tempo em que não tem medo de desenvolver outras em sua penúltima temporada. E por mais que o quinto ano da série seja significativo para a história, para seu público e para a relação que existe entre ambos, a produção não conseguiu o mesmo efeito no lugar que poderia encontrar seu reconhecimento. Preparando-se para se despedir da TV aberta norte-americana, a série chegou ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2021 com apenas três indicações dentre as categorias principais, ainda na tentativa de se recuperar do <a href="https://personaunesp.com.br/resumao-indicados-emmy-2020/">desempenho decepcionante do ano passado</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, o incomparável Sterling K. Brown é mais uma vez nomeado pelo seu trabalho como Randall em Melhor Ator em Drama, categoria que o viu vencer em 2017 e indicado por todos os anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. No âmbito das atuações coadjuvantes, apenas <a href="https://www.youtube.com/watch?v=uVEo8MHlYO4">Chris Sullivan</a> conseguiu chegar à disputa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto nas convidadas, <a href="https://www.emmys.com/bios/phylicia-rashad">Phylicia Rashad</a> convenceu a Academia de TV com a pose irredutível de Mama C, a mãe de Beth. Sem indicações para roteiro e direção, a série da NBC conseguiu ser lembrada em Melhor Série de Drama no meio de gigantes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23160" aria-describedby="caption-attachment-23160" style="width: 1014px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23160" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/88.jpg" alt="" width="1014" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/88.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/88-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/88-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23160" class="wp-caption-text">Quem fica de lado na quinta temporada de This Is Us é Rebecca, que segue aprendendo a viver com o diganóstico inicial de Alzheimer (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O quinto ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, que busca como nunca antes a forma como as coisas acontecem no mundo real, na verdade demonstra um outro significado: tratar a vida de forma geral não é o seu foco. A atenção da obra se direciona muito mais para a sua própria história e seus personagens, <a href="https://edition.cnn.com/2018/01/24/entertainment/this-is-us-show-explainer-trnd/index.html">aprofundando, investigando e curando</a> suas pessoas e suas narrativas. Como consequência da relação íntima que construiu com seu público, esse processo ultrapassa a tela e atinge processos catárticos e terapêuticos de quem acompanha as crônicas da família Pearson durante todos esses anos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us </span></i><span style="font-weight: 400;">é maior que isso.</span></p>
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		<title>Não há montanha alta o suficiente para a grandeza de Pose</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 23:19:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Live. Werk. Pose. Essas três palavras falam por si só. Sozinhas elas ganham vida, invadem os ouvidos na voz inesquecível de Pray Tell, se entranham no coração e acendem uma luz que ilumina e aquece cada parte do corpo, dos fios de cabelo aos dedões do pé. Nada mais é capaz de explicar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há montanha alta o suficiente para a grandeza de Pose"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22751" aria-describedby="caption-attachment-22751" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22751" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">O final de Pose foi dividido em duas partes e a Series Finale foi indicada em </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-writing-for-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-directing-for-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Direção em Drama</span></a> no Emmy 2021<span style="font-weight: 400;">, além de outras categorias técnicas da premiação</span><span style="font-weight: 400;"> (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Live</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Werk</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas três palavras falam por si só. Sozinhas elas ganham vida, invadem os ouvidos na </span><a href="http://youtube.com/watch?v=RbvOdwDisc8"><span style="font-weight: 400;">voz inesquecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Pray Tell, se entranham no coração e acendem uma luz que ilumina e aquece cada parte do corpo, dos fios de cabelo aos dedões do pé. Nada mais é capaz de explicar uma série como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, porque ela não foi feita para ser descrita, mas para ser sentida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coube à Blanca Evangelista (Mj Rodríguez) e sua família performar uma história real e sofrida de forma belíssima por 3 temporadas &#8211; uma década no tempo da trama. Até seu último episódio, a narrativa manteve o equilíbrio entre a tragédia da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ha-40-anos-primeiros-casos-de-aids-eram-relatados-nos-eua/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 90, e o relato mais puro e belo da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro dos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Nova York. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou a história da vida de pessoas que a sociedade não quer enxergar, de seus amores à suas dores, e por isso é tão forte e arrebatadora.</span></p>
<p><span id="more-22750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o seu final, cada personagem ganhou relevância e um desenvolvimento individual. Seus passados são contados para costurar um desfecho enfim, e merecidamente, feliz. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilustra a rede de apoio que a comunidade LGBTQIA+ possui uns nos outros, elucidando o valor da família Evangelista, que nasceu no </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e persiste com amor e luta. Sua temporada final fala, acima de tudo, sobre amor e pertencimento, mas não marca o fim e sim uma vírgula na história lendária da série, que concorre em </span><a href="https://www.emmys.com/shows/pose"><span style="font-weight: 400;">5 categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> principais e outras 5 técnicas na premiação mais importante da TV.</span></p>
<figure id="attachment_22752" aria-describedby="caption-attachment-22752" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2.jpg" alt="" width="1100" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1024x627.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-768x471.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22752" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Além de concorrer pela terceira temporada, Ryan Murphy emplacou o especial Pose: </span><span style="font-weight: 400;">Identity,</span><span style="font-weight: 400;"> Family, Community na categoria <a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-short-form-nonfiction-or-reality-series">Melhor Série Curta de Reality ou Não-Ficção no Emmy 2021</a> (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Angel (Indya Moore) e Papi (Angel Bismarck Curiel) noivos e de casa nova, e o filho favorito Damon fora de cena, &#8211; pois o ator Ryan Jamaal Swain, que o interpreta, </span><a href="https://www.thewrap.com/pose-season-3-where-damons-character-went-in-the-final-season/"><span style="font-weight: 400;">saiu da série</span></a><span style="font-weight: 400;"> após perder a irmã &#8211; a Mãe Blanca começa sua última temporada longe da família, mas não sozinha. A protagonista agora auxilia na ala hospitalar que cuida de pacientes com AIDS, isso após quase morrer pela doença no final da segunda temporada, enquanto mantém um namoro com  um dos médicos e começa sua caminhada rumo à se tornar enfermeira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O distanciamento da Casa Evangelista foi necessário para que todas as personagens caminhassem com as próprias pernas, e nessa batalha </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> percebessem o quão era necessário ter sua família por perto. Também foi a partir dessa premissa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez, como sempre, uma de suas artimanhas mais brilhantes: </span><a href="https://deadline.com/2019/08/pose-fx-steven-canals-billy-porter-mj-rodriguez-janet-mock-our-lady-j-tca-lgbtq-representation-inclusion-diversity-1202662766/"><span style="font-weight: 400;">pautar conversas necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e delicadas, a partir da vida e dos acontecimentos de suas personagens. Nesse caminho, Pray Tell (Billy Porter) se afunda no alcoolismo com o avanço de seu quadro </span><a href="https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/qual-diferenca-entre-hiv-e-aids"><span style="font-weight: 400;">soropositivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a família se une para intervir. </span></p>
<p><figure id="attachment_22753" aria-describedby="caption-attachment-22753" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22753" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Indicado pela 3ª vez, Billy Porter submeteu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 o dramático episódio Take Me to Church, que leva seu personagem Pray Tell para a casa da mãe (Anna Maria Horsford) e das tias (Janet Hubert-Whitten e Jackée Harry), </span><a href="https://celebrity.land/pt/fxs-pose-lanca-lendas-da-tv-como-familia-do-pray-tell/"><span style="font-weight: 400;">lendas da TV</span></a><span style="font-weight: 400;"> [Foto: FX]</span></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Pray descobre ter um câncer em decorrência da AIDS e vai para a casa de sua mãe e suas duas tias. É a primeira vez que o passado e a família biológica dele fazem parte do roteiro, e contam sua infância angustiante dentro da Igreja. Mesmo não tendo uma trama imprevisível, a atuação de Porter a torna vívida. O palco é inteiramente dele ao colocar os pés na igreja que cresceu após anos, e cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gzwf9fIu7Y8"><i><span style="font-weight: 400;">This Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Whitney Houston, sentindo a </span><a href="https://www.letras.mus.br/whitney-houston/209473/traducao.html"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vê um dia de vida como oportunidade de amar o próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há atuação aqui: cada pedaço do ator naquele momento vive Pray Tell com todas as forças. Desde que </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/general-news/billy-porter-hiv-positive-diagnosis-1234954742/"><span style="font-weight: 400;">revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> ter HIV, Billy Porter esteve ainda mais conectado com seu personagem. E é um prazer poder estar do outro lado assistindo. O ator já havia sido reconhecido por sua grandeza ao </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2019/outstanding-lead-actor-in-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">ganhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator em 2019, com a primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele foi o primeiro homem </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/pose-billy-porter-e-o-1a-gay-a-vencer-emmy-de-melhor-ator-em-serie-de-drama"><span style="font-weight: 400;">assumidamente gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ganhar a categoria e em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NA7BpvnRMA"><span style="font-weight: 400;">seu discurso</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; um dos mais fortes que a premiação já viu &#8211; agradeceu poder estar ali, vivo, afirmando seu direito de também ocupar aquele palco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece óbvio que atrizes e atores sejam cotados para papéis que compartilhem de suas histórias, mas não para a Indústria que já colocou </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/02/estilo/1451748884_931165.html"><span style="font-weight: 400;">Eddie Redmayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/amp-stories/fizeram-historia-lili-elbe-/"><span style="font-weight: 400;">Lili Elbe</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; uma das pioneiras na luta trans &#8211; em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u2TpBtTzwf4"><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Dinamarquesa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t8KeubYwNvE"><span style="font-weight: 400;">já dito</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Viola Davis quando ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015: </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTGKwveLOxc/"><span style="font-weight: 400;">não há como ocupar papéis que não existem</span></a><span style="font-weight: 400;">; e agora que existem, devem ir para artistas correspondentes. Seja com o </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2018/07/pose-serie-com-maior-elenco-transexual-da-tv-e-renovada-para-a-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">maior elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas trans ou pautando a exclusão familiar de mulheres da comunidade, é </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem monta um </span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/pose-final-season-steven-canals-impact-legacy-representation-1234946630/"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre representatividade.</span></p>
<figure id="attachment_22754" aria-describedby="caption-attachment-22754" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22754" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Na terceira temporada, Dominique Jackson eleva Elektra Abundance para falar de família, amor próprio e representatividade, pontuando até a protagonização branca de séries como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex and the City (Foto: FX)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diferencial para a última temporada foi mostrar a representatividade longe dos holofotes, como ao construir uma família. Além disso, a série aborda em mais de um momento, a </span><a href="https://zenklub.com.br/blog/autoconhecimento/representatividade-atoestima-lgbtq/"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da comunidade LGBTQIA+ não se sentir digna do amor. Para Elektra (Dominique Jackson), um episódio inteiro é dedicado à sua história e a pautar a </span><a href="https://unaids.org.br/2020/01/mais-de-90-da-populacao-trans-ja-sofreu-discriminacao-na-vida/"><span style="font-weight: 400;">exclusão do núcleo familiar</span></a><span style="font-weight: 400;">.  “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você nunca irá me enxergar de verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">” grita a personagem para a mãe (Noma Dumezweni) enquanto recolhe seus pertences pelo chão e vai embora. Ela sai da casa da mãe biológica sem nada, excluída da sociedade e da única ligação familiar que possuía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à prostituição e aos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elektra sobrevive até conseguir criar sua própria e lendária Casa, e assumir para si o papel de Mãe. Sua exclusão a levou a querer ocupar o mesmo </span><a href="https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFS-2_ba59e8c043b19859f519a156bc635d0d"><span style="font-weight: 400;">vazio familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> para outras pessoas. Quando se tornou matriarca na comunidade dos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela continuou lutando &#8211; até virar empreendedora e mafiosa na última temporada &#8211; para dar tudo o que podia para seus filhos. Sua reivindicação em ser enxergada é um exemplo da representatividade em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contribui para a autoestima de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22755" aria-describedby="caption-attachment-22755" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22755" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez esnobada em Atriz Coadjuvante, Indya Moore assiste a Academia lotar a categoria de aias e figuras da realeza britânicas que, somadas, não esbanjam um terço do talento e do merecimento de Angel (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Angel, a forma de abordar a exclusão foi a partir do acreditar ser indigna de se casar e ter uma família dos sonhos. No meio da terceira temporada e de casamento marcado, Papi descobre que tem um filho de 5 anos cuja mãe morreu. Ali morava o que parecia ser impossível para uma mulher trans nos anos 90, e algo que nunca havia acontecido na comunidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;">: a possibilidade de uma família reconhecida pela sociedade. Logo antes da cerimônia, Angel vê Candy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ahs-1984-critica/"><span style="font-weight: 400;">Angelica Ross</span></a><span style="font-weight: 400;">) &#8211; que morreu na segunda temporada &#8211; e conta seu medo em não ser digna de ter a vida dos sonhos, pois não seria justo que apenas ela, dentre tantas meninas trans, pudesse ser mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal ganhou uma festa luxuosa bancada por Elektra, mas através do amor de Angel e Papi que reconforta o coração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai além. O casamento possui uma representação enorme para as mulheres trans da comunidade, é uma afirmação de que elas podem ser amadas, e para transmitir essa mensagem, todas usaram vestidos de noiva na cerimônia. Por isso, a série é brilhante na forma com que faz representatividade. Sua abordagem é <a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-season-finale-critica/">incomum no mundo do Drama</a> e transcende a mera problematização. Esse caráter é um presente, pois nada melhor do que combater a exclusão mostrando que há como superá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só por existir, um marco na Indústria da TV já havia sido feito por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, visto que o produtor Steven Canals demorou a </span><a href="https://www.gq.com/story/steven-canals-profile"><span style="font-weight: 400;">achar espaço</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a seu roteiro.  Mas a série que afirma a existência das pessoas LGBTQIA+ não-brancas, e suas vidas como dignas de serem a pauta principal, chegou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> já na primeira temporada com a vitória de Porter. Na edição 2021, a história foi feita com Mj Rodríguez sendo a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/mj-rodriguez-se-torna-a-primeira-mulher-trans-indicada-ao-emmy-de-melhor-atriz/"><span style="font-weight: 400;">primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> mulher transexual indicada para </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-lead-actress-in-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz em Série de Drama</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22756" aria-describedby="caption-attachment-22756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22756" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Mj Rodríguez, que submeteu a Series Finale como sua fita para avaliação dos votantes do Emmy, é a primeira pessoa trans indicada a uma categoria de atuação principal na história da premiação (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michaela Jaé merecia o tapete vermelho desde a primeira temporada. Blanca Evangelista era essencial para que a série funcionasse de fato, pois é o vínculo que unia a trama de toda a série. Sua personagem é a tradução explícita do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> significa: todas as faces de uma pessoa complexa e contraditória, cheia de perseverança e vendo o mundo com alegria e tristeza. E Mj viveu sua protagonista com muita paixão e verdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atriz mostrou que, assim </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgIq10HZhOc"><span style="font-weight: 400;">como com ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, a caminhada de Blanca para ser enxergada no mundo foi árdua, mas colorida e amorosa. O que ela criou com sua Casa foi essencial para mostrar as pessoas geniais que estão em lugares de exclusão. Desde o início, o empenho de Blanca foi trabalhar a autoestima de seus filhos, sempre lembrando-os que eles eram suficientes para conquistar um futuro. E a terceira temporada chegou para contemplá-los, inclusive a Mãe Blanca, com acontecimentos melhores.</span></p>
<figure id="attachment_22757" aria-describedby="caption-attachment-22757" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7.jpg" alt="" width="1200" height="749" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-800x499.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1024x639.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-768x479.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22757" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de Pose retrata o momento da </span><a href="https://portal.megabrasil.com.br/jcc/noticias/ler/1503/um-arduo-caminho"><i><span style="font-weight: 400;">Ashes Action</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando os manifestantes da ACT UP jogaram as cinzas de seus entes queridos, que morreram em decorrer da AIDS, nos degraus da Casa Branca em 1992 (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que a indicação de Mj ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 tenha sido histórica, o fato é mais um passo de uma longa caminhada para a inserção de pessoas trans em toda a sociedade. A própria premiação </span><a href="https://revistahibrida.com.br/2020/08/01/elenco-trans-de-pose-e-esnobado-pelo-emmy-e-isso-e-um-problema/"><span style="font-weight: 400;">não quis enxergar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o elenco transexual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, provando que os anos 80 da trama e 3 décadas depois não estão tão distantes quanto parecem. Mj e Indya já haviam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GZc0cRLzp1w"><span style="font-weight: 400;">dito à </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, no início da série, que a trama não seria o suficiente. Se mostrar a vida sob as lentes da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi o bastante para o reconhecimento, que dirá para deixar a luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Steve Canals também reconheceu ao </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/pose-series-finale-billy-porter-steven-canals-explain-how-it-ended-1234963320/"><i><span style="font-weight: 400;">The Hollywood Reporter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que esperava um cenário muito melhor na TV ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para ele, a série sempre teve a função de contar o sofrimento e a resiliência dos antepassados para que a comunidade LGBTQIA+ chegasse onde está hoje. E de fato, isso se traduziu na fidelidade da trama com a realidade, a começar pelo envolvimento das personagens com a </span><a href="https://pt.mcny.org/story/act-hivaids-and-fight-healthcare"><i><span style="font-weight: 400;">ACT UP</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já na </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios finais </span><a href="https://www.hivplusmag.com/entertainment/2021/6/08/pose-finale-ashes-protest-lawn-act-up-inspiration-real-life-true"><span style="font-weight: 400;">mostraram</span></a><span style="font-weight: 400;"> um dos períodos mais fortes de </span><a href="https://petripuc.wordpress.com/2020/08/03/o-act-up-e-a-luta-transnacional-contra-os-estigmas-em-relacao-a-aids/"><span style="font-weight: 400;">protestos em Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra o Governo Americano e o seu desprezo pela vida das pessoas soropositivas. Nesse momento da trama, Pray Tell já está com seus dias contados pelo avanço da AIDS, e a única esperança aparente é o ensaio clínico do </span><a href="https://www.niaid.nih.gov/diseases-conditions/antiretroviral-drug-development"><span style="font-weight: 400;">coquetel-HIV</span></a><span style="font-weight: 400;">. A inacessibilidade de pessoas não-brancas ao estudo é pautada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra a luta do elenco tanto </span><a href="https://www.gettyimages.com.br/fotos/act-up"><span style="font-weight: 400;">nas ruas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">ACT UP</span></i><span style="font-weight: 400;">, quanto dentro do hospital, até Blanca e Pray serem incluídos nos testes. </span></p>
<figure id="attachment_22758" aria-describedby="caption-attachment-22758" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22758" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> abriu portas na </span><i><span style="font-weight: 400;">TV</span></i><span style="font-weight: 400;"> para que pudessem existir séries como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYepGZuRLhA"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reality sobre a cultura ballroom </span><a href="https://www.emmys.com/shows/legendary"><span style="font-weight: 400;">indicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a reconfortante melhora de Pray, a série segue seu caminho de volta para casa: os </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1tfCWxz3MUW7RB89Gbd5E3?si=sTN1INs7Rhei0MJVNw1ODA&amp;dl_branch=1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> afiada de ícones </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 80 e 90, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> manteve sua fidelidade na trajetória histórica da Música desde a primeira temporada. Em seu final, a trilha foi minuciosa para, no penúltimo episódio, ao som de Diana Ross, nos proporcionar uma das mais emocionantes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FkUTtOZKcok"><span style="font-weight: 400;">cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV. </span><a href="https://genius.com/Diana-ross-aint-no-mountain-high-enough-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Ain’t No Mountain High Enough</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> poderia ter sido escrita especialmente para Pray e Blanca declararem um ao outro sua amizade que transcende a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena é uma performance no “</span><i><span style="font-weight: 400;">Refrão Doce da Candy</span></i><span style="font-weight: 400;">”, categoria de dublagem do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> realizada como</span> <span style="font-weight: 400;">um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tRuz6Qlaq44"><span style="font-weight: 400;">tributo</span></a><span style="font-weight: 400;"> à personagem Candy, e tem direito à coreografia com chuva, uma superprodução e muito </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conexão de ambos é fortíssima para formar algo autêntico e emocional, junto à </span><a href="https://www.letras.mus.br/diana-ross/34430/traducao.html"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Diana sobre o amor que supera todos os obstáculos. Tudo cantado por Pray nas entrelinhas &#8211; como em “</span><i><span style="font-weight: 400;">apenas chame meu nome, eu estarei lá rapidamente</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; &#8211; para o que viria a ser o seu último, e lindo, dia de vida. </span></p>
<figure id="attachment_22759" aria-describedby="caption-attachment-22759" style="width: 1062px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9.jpg" alt="" width="1062" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-800x603.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-1024x771.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-768x579.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22759" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">A Series Finale indicou Steven Canals ao Emmy de Direção e ao de Roteiro, esse segundo ao lado de um time extremamente talentoso, composto por Ryan Murphy, Brad Falchuk, Janet Mock e Our Lady J (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, a morte, assim como a vida, é complexa. Não por ser dramaticamente triste, mas por se fazer presente. A morte é um lembrete. Tendo um enredo que se iniciou com a protagonista soropositiva &#8211; e mais outras personagens no decorrer &#8211; era lógico e esperado que </span><a href="https://unaids.org.br/informacoes-basicas/#:~:text=Sem%20tratamento%2C%20as%20pessoas%20que,m%C3%A9dico%20para%20evitar%20a%20morte."><span style="font-weight: 400;">viria uma morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para os espectadores, isso se traduziu em assistir suas personagens favoritas definharem, sempre à beira do precipício, entre a alegria do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma cena seguinte dentro de um hospital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nada é de fato lógico para seu enredo complexo, fiel à realidade e semeador de esperança. E o último episódio da série veio com uma lição sobre sacrifício pela sua comunidade. Na luta contra a escassez do tratamento contra a AIDS, Pray morre para dar a Ricky (Dyllón Burnside) seus remédios e a chance de viver. Mas ele segue presente até o último momento quando Blanca olha a nova geração do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recita as palavras que um dia escutou dele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">é por eles que você continua</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> aproveitou suas únicas 3 temporadas para falar sobre as mais diversas faces do mundo e das pessoas. Isso é uma série, um elenco e uma produção que faz história. Numa </span><a href="https://pt-br.facebook.com/FX/videos/pose-message-from-steven-canals-fx-networks/148801257095791/"><span style="font-weight: 400;">verdadeira tradução da vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu final costurou um desfecho dolorosamente feliz para suas personagens, e a mensagem de que a comunidade LGBTQIA+ merece viver seus sonhos. Como Billy Porter disse ao receber seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">a categoria é amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nenhuma outra coisa teria chegado até aqui. </span></p>
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