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	<title>Arquivos Melhor Direção Musical &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em ano de pandemia, o otimismo da segunda temporada de Zoey e sua Fantástica Playlist se faz necessário</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Sep 2021 20:03:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A premissa de Zoey e sua Fantástica Playlist chama atenção pela originalidade. Depois de um evento atípico, uma jovem programadora passa a presenciar números musicais em seu cotidiano, performados por conhecidos ou não. Porém, somente ela consegue ver essas apresentações, onde as pessoas utilizam as músicas para expressarem o que estão sentindo naquele &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zoey-e-sua-fantastica-playlist-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em ano de pandemia, o otimismo da segunda temporada de Zoey e sua Fantástica Playlist se faz necessário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23102" aria-describedby="caption-attachment-23102" style="width: 1014px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-1.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Zoey e sua Fantástica Playlist. Vemos uma mulher ruiva parada nas escadas de uma pequena arquibancada. Ela olha assustada para as várias pessoas que cantam e dançam ao seu redor. Ela veste um suéter vermelho com estampa de flores brancas por baixo de um paletó rosa. Usa calça jeans, sapatos pretos e carrega uma bolsa pequena no ombro direito." width="1014" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-1.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23102" class="wp-caption-text">O segundo ano do musical da NBC recebeu 5 indicações ao Emmy 2021 (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/zoey-e-sua-fantastica-playlist-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Zoey e sua Fantástica Playlist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chama atenção pela originalidade. Depois de um evento atípico, uma jovem programadora passa a presenciar números musicais em seu cotidiano, performados por conhecidos ou não. Porém, somente ela consegue ver essas apresentações, onde as pessoas utilizam as músicas para expressarem o que estão sentindo naquele momento. </span></p>
<p><span id="more-23101"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista dada ao </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/zoeys-extraordinary-playlist-boss-turned-grief-joy-musical-series-1267457/"><i><span style="font-weight: 400;">The Hollywood Reporter</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o criador da série, Austin Winsberg, conta que a ideia surgiu como forma de lidar com o luto pela morte de seu pai, que tinha a mesma doença do pai de Zoey na série. Por causa da doença, não sabia o que se passava dentro da cabeça do pai e começou a pensar “</span><i><span style="font-weight: 400;">e se ele estivesse vendo o mundo através de grandes números musicais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Segundo Winsberg, essa ideia o deixou feliz, mais esperançoso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Saber disso torna o segundo ano da série ainda mais emocionante e pessoal. Na nova temporada, Zoey também precisa aprender a lidar com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto encontra novos dramas e vê apresentações musicais dignas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway,</span></i><span style="font-weight: 400;"> graças ao poder extraordinário que adquiriu no primeiro episódio. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a série recebeu 5 indicações nas categorias Melhor Coreografia em Programa Roteirizado, Melhor Direção Musical pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Zoey’s Extraordinary Goodbye</span></i><span style="font-weight: 400;">, Melhores Músicas e Letras Originais e Melhor Atriz Convidada em Comédia, para Bernadette Peters.</span></p>
<figure id="attachment_23103" aria-describedby="caption-attachment-23103" style="width: 1014px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Zoey-2.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Zoey e sua Fantástica Playlist. Vemos uma mulher branca e ruiva, Zoey, sentada numa cama. Ela está deprimida e está com um cobertor branco sobre a cabeça, como se fosse um capuz. Ao lado dela, uma pessoa negra, vestida com um macacão amarelo e com cabelo cacheado e comprido tenta incentivar Zoey a sair da cama." width="1014" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Zoey-2.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Zoey-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Zoey-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23103" class="wp-caption-text">Além de ajudar os outros, a própria Zoey precisa de apoio para lidar com a dor do luto (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada da </span><a href="https://www.vulture.com/2021/01/jane-levy-talks-zoeys-extraordinary-playlist-season-2.html"><span style="font-weight: 400;">comédia dramática da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aproveita que tem um episódio a mais – 13 no total, em comparação com os 12 da primeira – e introduz diversas tramas novas. Dentre elas, vemos a mãe de Zoey, Maggie (Mary Steenburgen), tentando seguir com a vida depois do falecimento do marido, torcemos para que o restaurante de Mo (Alex Newell) e Max (Skylar Astin) dê certo, entendemos o estresse vivido por David (Andrew Leeds) e Emily (Alice Lee) como pais de primeira viagem, observamos o caos interior da própria Zoey… Isso sem mencionar as subtramas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode parecer bastante coisa para uma temporada só, mas a série lida bem com cada um dos personagens que recebem a ajuda de Zoey no decorrer dos episódios; desenvolve os dramas e relacionamentos deles com uma sensibilidade rara, fazendo com que nos importemos com todos na mesma medida, não importa o tempo de tela que tenham. Assim como a protagonista, nós, espectadores, exercitamos nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/quase-uma-rockstar-critica/"><span style="font-weight: 400;">empatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos dilemas dessa galeria de personagens tão diversos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A empatia também está presente na forma como a série incorpora a representatividade LGBTQIA+ na narrativa, especialmente através de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/how-zoeys-extraordinary-playlist-star-alex-newells-storyline-reflects-his-own-life-1281853/"><span style="font-weight: 400;">Mo</span></a><span style="font-weight: 400;">, artista incrível, de gênero fluído e grande amiga da protagonista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Zoey e sua Fantástica Playlist</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diversidade é celebrada e tratada com naturalidade, como algo capaz de nos fazer melhorar como seres humanos. Aqui, há uma celebração das diferenças que ainda está em falta na TV. Uma das locações da temporada, o restaurante inovador de Mo e Max, MaxiMo, simboliza bem esse acolhimento: além de ter uma equipe formada por pessoas da comunidade LGBTQIA+, o local também é divulgado como um ambiente seguro para aqueles que fazem parte dessa e de outras minorias. </span></p>
<figure id="attachment_23104" aria-describedby="caption-attachment-23104" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-scaled.jpg" alt="Cena da segunda temporada de Zoey e sua Fantástica Playlist. Vemos uma mulher branca e ruiva dentro de um restaurante movimentado, durante a noite. Ela veste um paletó vinho e olha para trás. Atrás dela, à direita, há um bar. As paredes do local tem tijolos expostos e uma delas foi pintada com várias flores, de cores diferentes." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/zoey-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23104" class="wp-caption-text">No MaxiMo, toda diversidade é bem-vinda (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada também aborda outros temas, como o <a href="https://variety.com/2021/tv/features/zoeys-extraordinary-playlist-john-clarence-stewart-zora-bikangaga-systemic-racism-tech-1234902159/">racismo na indústria da tecnologia</a> e o cuidado com a saúde mental. Os roteiristas reconhecem a complexidade desses assuntos e tratam-os de forma respeitosa e cuidadosa, sem propor soluções simplistas ou alienadas. Traz um olhar que reconhece os problemas da sociedade atual, mas sem perder o otimismo e a esperança. É uma visão apaixonante de se acompanhar, principalmente em tempos de pandemia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.usatoday.com/videos/entertainment/entertainthis/2021/01/05/jane-levy-filming-zoeys-extraordinary-playlist-during-pandemic-nbc-season-two-interview/4134455001/"><span style="font-weight: 400;">pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, aliás, não conseguiu abalar os números musicais da série. Mesmo com restrições na produção por causa do coronavírus, as performances estão melhores e mais elaboradas. Os gêneros variam, indo do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-TYlcVNI2AM"><i><span style="font-weight: 400;">Black Man in a White World</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F93ywiGMDnQ"><i><span style="font-weight: 400;">Need You Tonight</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e o escopo também – há números individuais e outros exigem dezenas de figurantes –, mas todos impressionam pela expressividade das coreografias e pela emotividade que os atores inserem nas músicas. É catártico e emocionante de um jeito que só os grandes musicais conseguem ser. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Zoey&#039;s Extraordinary Playlist - Don&#039;t Stop Me Now [HD Full Performance]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/iR2bI4oCH98?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Zoey’s Extraordinary Playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">fez bem ao não inserir a pandemia na trama da segunda temporada mas, infelizmente, sofreu bastante com os números da audiência e foi cancelada em junho. Depois de uma </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/mais/fas-se-mobilizam-no-twitter-para-tentar-salvar-zoeys-extraordinary-playlist-do-cancelamento"><span style="font-weight: 400;">movimentação na internet</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto dos envolvidos na série quanto de fãs apaixonados, foi noticiado que o serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">norte-americano </span><a href="https://variety.com/2021/tv/news/zoeys-extraordinary-playlist-christmas-roku-tv-movie-1235058563/"><i><span style="font-weight: 400;">Roku </span></i><span style="font-weight: 400;">salvou a série e fará um filme natalino</span></a><span style="font-weight: 400;"> para continuar a história.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso mostra o quanto o caminho esperançoso, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-critica/"><span style="font-weight: 400;">otimista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e empático da série conseguiu impactar as pessoas. Através de Zoey, sempre disposta a ajudar, vemos o quanto nossos relacionamentos, sejam eles românticos, familiares ou de pura amizade, nos dão força para continuar vivendo nos períodos de grande dificuldade. No fim, depois que os bens materiais desaparecem, o que temos de mais importante é um ao outro. Num contexto tão incerto e amedrontador quanto o atual, uma mensagem como essa é um conforto necessário. Por mais que pareça difícil de enxergar, há sempre uma luz no fim do túnel. Sempre.</span></p>
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		<title>Quem somos e para onde vamos: a Utopia de David Byrne</title>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Quem precisa de cabos? Eles enrolam, estragam, dão nó, e não te deixam sair do lugar. Se isso já é um pesadelo pra mim, que tenho que lidar com um computador que não funciona com internet sem fio e precisa ficar ligado na tomada pra não morrer, imagina para um grupo musical &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/david-byrnes-american-utopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem somos e para onde vamos: a Utopia de David Byrne"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22552" aria-describedby="caption-attachment-22552" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra David Byrne, um homem branco de meia-idade, sentado à uma carteira escolar e segurando um modelo de um cérebro de plástico. Ele o estende à sua frente segurando-o com sua mão esquerda, enquanto aponta para ele com a mão esquerda apoiada. Ao fundo desfocada, há uma cortina feita de correntes finas prateadas. " width="1998" height="1129" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1024x579.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1536x868.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1200x678.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22552" class="wp-caption-text">O especial foi responsável por 6 das 130 indicações da HBO no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem precisa de cabos? Eles enrolam, estragam, dão nó, e não te deixam sair do lugar. Se isso já é um pesadelo pra mim, que tenho que lidar com um computador que não funciona com </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">sem fio e precisa ficar ligado na tomada pra não morrer, imagina para um grupo musical que precisa enfrentar todo dia uma teia de aranha no palco? David Byrne também se questionou, e chegou à conclusão de que dividir o palco com um emaranhado de cabos definitivamente </span><a href="https://www.prosoundweb.com/american-utopia-behind-the-scenes-on-a-technologically-challenging-tour/"><span style="font-weight: 400;">não estaria mais em seus planos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado dessa simples decisão foi o gigantesco </span><i><span style="font-weight: 400;">David Byrne’s American Utopia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que lotou teatros em 2018 e 2019, em uma aclamada turnê ovacionada pela crítica e pelo público, e que marcou passagem inclusive pelo Brasil, com apresentações</span> <span style="font-weight: 400;">em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/lollapalooza/2018/noticia/david-bryne-faz-espetaculo-e-deixa-novinhos-com-cara-de-ahn-em-show-impressionante-no-lolla.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Lollapalooza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 2018 em São Paulo. Paralisada pela pandemia, a performance já tem </span><a href="https://broadwaydirect.com/david-byrnes-american-utopia-returns-to-broadway-new-theatre-announced/"><span style="font-weight: 400;">data marcada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para voltar aos palcos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Impelido a registrar a performance, Byrne </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1CsrhM5sv4Y"><span style="font-weight: 400;">contatou</span></a><span style="font-weight: 400;"> outro nome de peso para transformar em filme o espetáculo: Spike Lee. A então parceria produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">entre o ex-vocalista do Talking Heads e o diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rendeu seis indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. American Utopia </span></i><span style="font-weight: 400;">marca presença ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bo Burnham</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-the-reunion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na concorrida categoria de Melhor Especial de Variedades (Pré-Gravado),  além de Melhor Direção em Especial de Variedades para Spike Lee, Direção Musical e mais quatro categorias técnicas em Especial de Variedades: Iluminação, Mixagem</span> <span style="font-weight: 400;">de Som, e Direção Técnica/Trabalho de Câmera.</span></p>
<figure id="attachment_22553" aria-describedby="caption-attachment-22553" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2.jpg" alt="Cena do especial David Byrne's American Utopia. Cinco pessoas vestindo ternos cinzas e descalços se encontram em pé, voltados para a mesma direção. A ambientação se encontra toda escura, com exceção de cinco quadrados iluminados posicionados logo abaixo das pessoas. Da esquerda para a direita são vistos um homem branco tocando um tambor, uma mulher jovem e negra, um jovem branco e ruivo, e um homem branco de meia idade, os três com os braços paralelos ao corpo, e por fim um homem branco calvo tocando um teclado suspenso em seu próprio corpo. Todos têm sua fisionomia ofuscada pela ausência de luz frontal, com exceção do homem de meia idade, que é David Byrne, que recebe uma luz frontal criando uma sombra atrás de si para além do quadrado." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22553" class="wp-caption-text">O elaborado jogo de luz nunca desvia a atenção do elemento principal: os seres humanos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é a primeira vez que David Byrne é destaque em um filme de um diretor consagrado documentando um concerto seu. </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/stop-making-sense-1984"><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1986, considerado um dos mais importantes filmes-concerto da história, trazia Byrne à frente dos Talking Heads vestindo o icônico terno gigante, com direção de Jonathan Demme, que alguns anos mais tarde subiria a um outro palco para receber o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Spike Lee, por sua vez, já é um veterano dos videoclipes, tendo trabalhado com artistas como Stevie Wonder, Public Enemy, e até Michael Jackson no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QNJL6nfu__Q"><span style="font-weight: 400;">icônico clipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">They Don’t Care About Us, </span></i><span style="font-weight: 400;">gravado no Brasil. O encontro destas duas mentes brilhantes resulta em uma das mais expressivas realizações artísticas do passado recente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espetáculo se inicia com Byrne sozinho no palco, sentado à uma carteira escolar, trocando uma caveira por um cérebro e cantando o seu próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5ks-NbCHUns&amp;t=116s"><i><span style="font-weight: 400;">To be or not to be</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kP58AVjZCqE"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas ao invés de refletir sobre o propósito do existir aos moldes de Shakespeare, ele faz uma descrição da geografia do órgão principal do sistema nervoso. O que parece a princípio uma aula de biologia logo aponta para seus desdobramentos mais humanos: através do telencéfalo, nós entendemos o mundo, sentimos, amamos, vivemos. A partir daí, o artista nos leva a uma jornada através da experiência humana, buscando entender aquilo que nos conecta uns aos outros como semelhantes.</span></p>
<figure id="attachment_22554" aria-describedby="caption-attachment-22554" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra de perto um homem branco de meia-idade, David Byrne, vestindo um terno cinza e cantando com um microfone na lateral de seu rosto. Em seus dois lados, há bem próxima uma cortina formada por correntes prateadas finas." width="780" height="439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3.jpg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22554" class="wp-caption-text">Lançado em 2020 no HBO Max norte-americano, o especial ainda não tem previsão de chegada ao Brasil (Foto:HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco se passa até que ele não se encontre mais sozinho no palco, agora acompanhado por uma legião de músicos e uma dupla de dançarinos-cantores, todos descalços, vestindo ternos cinzas, e sempre ocupando o palco à frente de um único cenário. Em contraponto aos concertos de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tradicionais, com a tentativa de compensar o tédio de ver os músicos em uma mesma disposição por duas horas com telões cheios de projeções com imagens pra lá de óbvias, Byrne se esvazia de todos os elementos distrativos, e chama a atenção para aquilo que importa até mais do que a própria música: as pessoas. Pois afinal, se existe a música para ser tocada e ouvida, é porque também há, inevitavelmente, seres humanos com o impulso criativo de comunicá-la para seus semelhantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas escolhidas são uma mistura de uma seleção de clássicos do Talking Heads como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_3eC35LoF4U"><i><span style="font-weight: 400;">Burning Down the House</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JccW-mLdNe0"><i><span style="font-weight: 400;">This Must Be the Place (Naive Melody)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com canções de seu mais recente álbum solo, que também leva o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Utopia</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda que carreguem conteúdos tão variados em suas letras, elas ainda parecem se encaixar com certa coerência, representando a longa busca que é fruto da tentativa de entender quem somos, como nos relacionamos, ou o que é de fato um lar. Muitas das canções parecem funcionar ainda melhor ao vivo, como é o caso das perguntas retóricas de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/veja-tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-marielle-dois-anos-depois.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Once in a Lifetime</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que ganham um novo sentido ao ter a plateia como interlocutora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="David Byrne&#039;s American Utopia (2020): Creating American Utopia | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1CsrhM5sv4Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por acaso, o possível desconhecimento do repertório de canções do cantor pouco interfere no aproveitamento da experiência. Voltando ao formato de </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> convencional, este tende a funcionar com suas limitações em grande parte devido ao engajamento do público com a </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A relação entre os artistas e a plateia é intermediada pela música, luzes e pirotecnia, mas Byrne nos mostra que não precisa ser assim. Ele nos pega pela mão, e convida a participar daquela sua Utopia junto com sua trupe, cuja humanidade nunca sai do foco. Mesmo o elaborado jogo de luzes, merecedor de sua indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">mantém-se fiel à sua missão de dar destaque às pessoas, nunca roubando seu protagonismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que colabora para enriquecer o aspecto humano de <em>David Byrne&#8217;s American Utopia</em></span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">é a abolição dos cabos, substituídos por tecnologias sem fio, o que se torna o maior catalisador de possibilidades criativas para o espetáculo. Livrando-se das amarras limitadoras impostas pelo sistema de som, os músicos têm agora a possibilidade de movimentar-se por todas as direções. As </span><a href="https://www.vulture.com/2019/11/american-utopia-broadway-annie-b-parson-david-byrne.html"><span style="font-weight: 400;">coreografias desenhadas por Annie-B Parson</span></a><span style="font-weight: 400;"> exploram todo o espaço do palco, dando uma unidade àquele grupo de indivíduos tão diversos, e que mesmo vestindo um mesmo uniforme e marchando em conjunto ordenadamente, não deixam de transparecer suas cores e modo de ser, em um raro contexto onde a homogeneidade de um coletivo não ofusca as identidades individuais.</span></p>
<figure id="attachment_22556" aria-describedby="caption-attachment-22556" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-scaled.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra parte do elenco do musical no palco enfileirada à esquerda, todos de terno cinza e descalços, com os instrumentistas voltados para o centro do palco onde David Byrne, um homem branco de meia-idade, faz um passo de dança com as pernas torcidas e os braços suspensos no ar. Da frente para trás à esquerda, são vistos um homem e uma mulher negros tocando respectivamente baixo e guitarra, uma mulher negra com cabelo preso cheio de tranças executando um passo de dança com um braço estendido para cima, quatro instrumentistas, e ao fundo um homem branco e ruivo executando o mesmo passo que a mulher negra. O palco é cercado por uma alta cortina formada por correntes prateadas finas. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22556" class="wp-caption-text">A energia de American Utopia é contagiante (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre o elenco oriundo de diversos países, em <em>David Byrne&#8217;s American Utopia</em> figuram dois brasileiros: o baiano </span><a href="https://www.instagram.com/gustavodidalva/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Gustavo Di Dalva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/maurorefosco/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Mauro Refosco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Santa Catarina. Com eles, berimbaus, atabaques, e outros instrumentos nacionais marcam presença no palco. O carinho de Byrne com o Brasil é antigo, já tendo</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/blog/musica-popular-brasileira/era-uma-vez-caetano-veloso-e-david-byrne-ha-8-anos-no-carnegie-hall/"><span style="font-weight: 400;"> gravado um disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao vivo com Caetano Veloso, além de ser um dos principais responsáveis pela popularização de Os Mutantes fora do Brasil através do seu selo </span><a href="https://www.luakabop.com/artists"><span style="font-weight: 400;">Luaka Bop</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de ter levado para o exterior diversos nomes da música brasileira como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tim-maia-o-sonho-todo-azul-que-se-tornou-realidade/"><span style="font-weight: 400;">Tim Maia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Tom Zé. Reunindo diferentes culturas através de seu elenco diverso, David Byrne nos dá um gostinho do como seria essa sua utopia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tornar o mundo um lugar para todos viverem é um dos principais ideais que movem a performance. E do mesmo modo que a simples rejeição aos fios possibilita uma infinitude de novas perspectivas para a expressão artística no palco, é nas pequenas coisas que fazem grande diferença que Byrne alicerça sua utopia. Exemplo disso é o segmento onde ele, educadamente, demonstra o quão importante é a participação de todos nas eleições, determinantes para o futuro daquele e de todos os países. O engajamento social também se faz presente na canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Hell You Talmbout</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma homenagem respeitosa e solene à </span><a href="https://www.history.com/this-day-in-history/eric-garner-dies-nypd-chokehold"><span style="font-weight: 400;">Eric Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.bbc.com/news/world-us-canada-32400497"><span style="font-weight: 400;">Freddie Gray</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/veja-tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-marielle-dois-anos-depois.shtml"><span style="font-weight: 400;">Marielle Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, e às tantas outras vidas negras perdidas para o sistema que deveria protegê-las.</span></p>
<figure id="attachment_22557" aria-describedby="caption-attachment-22557" style="width: 1917px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra o elenco aglomerado no palco, doze pessoas vestindo ternos cinzentos e descalços, grande parte deles tocando diferentes instrumentos. Há três berimbaus à esquerda, além de guitarra, baixo, e instrumentos percussivos. Ao centro e à frente, David Byrne, um homem branco de meia-idade, faz um gesto de dança com os braços. Atrás deles, algumas das pessoas levantam os braços com os punhos fechados. O palco é cercado por uma alta cortina formada por correntes prateadas finas." width="1917" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5.jpg 1917w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22557" class="wp-caption-text">“Como eu não sou como meu irmão? Como você não é como eu?” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal posicionamento justifica ainda mais a escolha de Spike Lee para a direção do projeto. Lee, que vem chacoalhando o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo </span></i><span style="font-weight: 400;">desde que </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/06/do-the-right-thing-spike-lee-30-anniversary-1202154208/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">estreou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1989, oferece sempre um olhar certeiro para os conflitos sociais. O diretor enriquece através de sua lente um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">que por si já era espetacular, transportando toda a sua vivacidade para as telas daqueles que não tiveram a oportunidade de testemunhar este evento ao vivo, e eternizando a utopia que, caso não fosse registrada, seria apenas um acontecimento passageiro. O encontro entre David Byrne e Spike Lee, duas vozes tão marcantes de uma mesma geração, não poderia ter sido tão bem-sucedido. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">David Byrne&#8217;s American Utopia </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostra que é possível fazer muito com pouco, e que certos excessos podem se tornar elementos limitadores para a liberdade criativa. Sem cabos e sem amarras, testemunhamos a enormidade de coisas que podem ser feitas em um palco, ou mais do que isso, a enormidade de coisas que podem ser feitas em um palco</span><i><span style="font-weight: 400;"> por pessoas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pois no final, o que buscamos em uma obra de arte, nos relacionamentos, ou na própria vida, vai muito além de meras emoções ou sensações satisfatórias. Buscamos aquilo que é humano em si mesmo, e que nos revela que também o somos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="David Byrne&#039;s American Utopia (2020): Official Trailer | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lg4hcgtjDPc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Bo Burnham: Inside é um conforto para quem não aguenta mais o isolamento</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2021 13:14:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Azevedo Após 5 anos longe dos palcos e da internet, Bo Burnham retorna com Inside, seu novo Especial lançado pela Netflix. A produção foi escrita, dirigida e estrelada por ele mesmo no ano de 2020, trancado no espaço de uma única sala e feita especialmente para ser assistida pela tela da sua TV ou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bo Burnham: Inside é um conforto para quem não aguenta mais o isolamento"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/">Bo Burnham: Inside é um conforto para quem não aguenta mais o isolamento</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21291" aria-describedby="caption-attachment-21291" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21291" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1.png" alt="Cena do filme Inside. Na foto, vemos uma sala fechada, bagunçada com equipamentos de iluminação e som por toda parte. Entre a bagunça e mais ao centro da imagem há uma cadeira e um teclado, ambos pretos como o resto do equipamento. A sala é iluminada suavemente por duas janelas com as persianas entreabertas." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21291" class="wp-caption-text">Lotada de novas músicas, a obra também foi lançada como albúm no YouTube e no Spotify (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Azevedo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 5 anos longe dos palcos e da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bo Burnham</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwHUGc34pn4"><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu novo Especial lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A produção foi escrita, dirigida e estrelada por ele mesmo no ano de 2020, trancado no espaço de uma única sala e feita especialmente para ser assistida pela tela da sua TV ou celular. Com vídeos de </span><i><span style="font-weight: 400;">react</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantoria em volta da fogueira, debates sociais com um fantoche de meia e diversos desabafos, o filme é uma grande bagunça organizada na forma de comédia dividida entre músicas e </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-21290"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burnham é conhecido na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">desde que seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">ao vivo começaram a ser lançados no seu </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UC81hVmI5eEBIt3s3HQpJd_w"><span style="font-weight: 400;">canal do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Suas músicas em tom sarcástico, piadas ácidas e humor muitas vezes depressivo ganharam popularidade rapidamente e influenciam criadores de conteúdo até hoje. E mesmo que seu portfólio antes desse Especial se resumisse a apresentações diante de grandes plateias, essa experiência se traduziu muito bem no lançamento da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21292" aria-describedby="caption-attachment-21292" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2.png" alt="Cena do filme Inside. Bo Burnham, homem branco de cabelo ondulado na altura do pescoço e barba, ambos loiros, está à esquerda na foto vestindo uma calça moletom cinza, camiseta branca e um fone grande. Ele está rodeado por equipamentos de iluminação jogados por toda parte, enquanto toca um teclado que também está no chão. A sala fechada é bem iluminada por duas janelas." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21292" class="wp-caption-text">Em mais de uma cena, o filme faz questão de mostrar a desorganização da sala, o que dá uma humanidade a mais para o protagonista (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O espetáculo é, em essência, um reflexo do estado de saúde mental do comediante no momento da gravação da cena. As primeiras músicas são claramente muito mais animadas, – ele faz diversas canções com críticas ao mundo externo e piadas com o próprio privilégio branco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KiiebNenB0k"><i><span style="font-weight: 400;">How the World Works</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o exemplo perfeito de tudo isso. Ela dá a impressão de ser direcionada à crianças e até conta com a participação de Socko, um fantoche de meia fofo, mas que canta sobre genocídio e dinâmicas de trabalho abusivas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras músicas dessa primeira parte focam muito na rotina do isolamento, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ChgFo74WxZ8"><i><span style="font-weight: 400;">FaceTime with my Mom</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Tonight)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y2ZUXtQRczA"><i><span style="font-weight: 400;">Sexting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas isso muda a partir do momento em que o músico completa 30 anos, na sua sala, sentado ao lado do relógio. É a partir daí que sua depressão, insegurança e loucura ficam mais evidentes.</span></p>
<figure id="attachment_21293" aria-describedby="caption-attachment-21293" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3.png" alt="Cena de Inside. Bo Burnham está sentado num banco vestindo calça e jaqueta moletom cinza. Ele segura na mão um microfone à altura da boca. Ao lado dele um relógio digital, que projeta o horário numa luz verde, indica que são onze e cinquenta e nove. A sala é Mal iluminada e tem uma iluminação azulada." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21293" class="wp-caption-text">Apesar de curta, a cena têm peso e marca o especial (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a insanidade culmina em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k1BneeJTDcU"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde Burnham canta num ritmo desconcertante sobre o grande caos que é a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, sobre todas as coisas úteis, macabras, aleatórias, nojentas e interessantes que são feitas para despertar qualquer sentimento em quem vê.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Um pouco de tudo o tempo todo”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“Apatia é tragédia e tédio é crime”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são trechos da letra que resumem perfeitamente todo o sentimento da música, feita pra deixar quem assiste levemente desconfortável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a depressão prevalece em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MriMMaTl3DE"><i><span style="font-weight: 400;">All Time Low</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nn8TL12lXR0"><i><span style="font-weight: 400;">Shit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mesmo tratando da doença e da ansiedade no isolamento em suas letras, têm ritmos animados e acontecem em ambientes coloridos que contrastam completamente com o momento. A troca de um momento sério por uma piada de uma hora para a outra acontece mais de uma vez durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a iluminação é quase sempre a responsável por esse efeito.</span></p>
<figure id="attachment_21294" aria-describedby="caption-attachment-21294" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4.png" alt="Cena de Inside. O rosto de Bo Burnham ocupa a maior parte da foto, é possível ver de perto seu cabelo longo e ondulado, barba também loira e olhos azuis. Ele sorri com certa estranheza e segura um microfone perto da boca. O seu rosto é muito bem iluminado e na parede ao fundo há vários pontos iluminados por luzes coloridas. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21294" class="wp-caption-text">Seja através da ironia, esquisitice, loucura ou pelo fator choque, o espetáculo tem sucesso em tirar risadas da audiência (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi produzido como se fosse mais um dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HLSvY1fKQI4"><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que popularizaram o comediante. Com tudo sendo filmado no espaço limitado de uma sala, é como se ele andasse de lá para cá sobre um palco em constante mudança. E assim como num </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, a iluminação é essencial, utilizada na maioria das músicas e cenas de uma forma diferente e criativa, contando com projetores, globos espelhados, lâmpadas coloridas, holofotes dramáticos e até o celular, que em alguns momentos ganha um papel importante. Não só isso, mas o uso de adereços faz com que o pequeno cenário esteja constantemente mudando a cada cena, complementando as luzes. Até a bagunça dos equipamentos de gravação compõe a fotografia quando a intenção é ilustrar o caos do ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas mesmo que a ideia seja passar a impressão do ‘ao vivo’, isso não quer dizer que a edição não tenha seus momentos de brilhar. O filme tem a consciência de que fala com quem é acostumado com a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, e isso leva a momentos em que uma música é objeto de um vídeo de </span><i><span style="font-weight: 400;">react</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se torna objeto de um vídeo de </span><i><span style="font-weight: 400;">react </span></i><span style="font-weight: 400;">num </span><i><span style="font-weight: 400;">loop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou quando Burnham simula uma </span><i><span style="font-weight: 400;">live </span></i><span style="font-weight: 400;">jogando um jogo encenado por ele mesmo. Há momentos também em que a proporção da tela muda seja para simular uma videochamada no celular ou o clássico formato quadrado das fotos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xHotXbGZiFY"><i><span style="font-weight: 400;">White Woman&#8217;s Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_21295" aria-describedby="caption-attachment-21295" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5.png" alt="Cena de Inside. À direita na imagem, Bo Burnham está sentado numa cadeira, vestindo uma camiseta listrada, numa sala iluminada por luz roxa. Ele está sentado à frente do computador assistindo um vídeo. No canto superior esquerdo da imagem, há outra imagem, na qual Bo Burnham está sentado na mesma sala com a mesma cadeira assistindo a outro vídeo. Dentro desta imagem, há outra imagem de Burnham, em preto e branco, nela é possível ver apenas seu rosto, vestindo óculos escuros." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21295" class="wp-caption-text">Momentos em que o stand-up e a música se entrelaçam se destacam entre os melhores momentos da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo engraçado quando quer, intenso quando precisa e constantemente misturando as duas coisas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido feito com o objetivo de falar com aqueles que estão em isolamento há mais de 1 ano. Tratando de assuntos de grande seriedade com muita leveza e bom humor, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de Bo Burnham é uma brisa de ar fresco necessária em meio ao caos do mundo externo e da bagunça interna da vida de cada um.</span></p>
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		<title>The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2021 16:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laís David Foi impossível sair de 2019 sem escutar sobre Billie Eilish. A jovem dominou todas as paradas com seu álbum de estreia e conquistou uma legião de fãs em todo o mundo. Sua personalidade misteriosa, letras obscuras e energia magnética a colocaram como uma das maiores artistas dos últimos anos. Como um glorioso coming &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-worlds-a-little-blurry-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-worlds-a-little-blurry-critica/">The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19338" aria-describedby="caption-attachment-19338" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19338" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3.png" alt="Capa de divulgação do documentário 'The World's a Little Blurry'. O rosto de Billie Eilish está virado para o lado, e seus olhos estão quase fechados, em uma expressão séria. Seu cabelo é preto com raízes verdes." width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3-300x180.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19338" class="wp-caption-text">Documentário mostra o crescimento da carreira de Eilish de forma impressionante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Laís David</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi impossível sair de 2019 sem escutar sobre Billie Eilish. A jovem dominou todas as paradas com seu álbum de estreia e conquistou uma </span><a href="https://www.indieoclock.com.br/2019/03/os-fas-de-billie-eilish-sao-chamados-de.html#:~:text=A%20cantora%20Billie%20Eilish%20tem,que%20significa%20literalmente%20%22abacates%22.&amp;text=%22No%20in%C3%ADcio%20do%20f%C3%A3%20clube,Billie%20no%20mundo%22%2C%20contam."><span style="font-weight: 400;">legião de fãs </span></a><span style="font-weight: 400;">em todo o mundo. Sua personalidade misteriosa, letras obscuras e energia magnética a colocaram como uma das maiores artistas dos últimos anos. Como um glorioso </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age </span></i><span style="font-weight: 400;">de Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">The World&#8217;s A Little Blurry</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalha a ascensão de Billie Eilish de forma minuciosa e emocionante.</span></p>
<p><span id="more-19337"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as lentes precisas do premiado diretor americano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TkMfNGsouEw&amp;ab_channel=E%21RedCarpet%26AwardShows"><span style="font-weight: 400;">R. J. Cutler</span></a><span style="font-weight: 400;">, Billie revela suas principais dificuldades na própria carreira, entre performances explosivas e transformações que vieram com sua maioridade. Durante os anos de 2018 a 2020, o cineasta acompanhou a artista durante a criação de seu álbum de estreia </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-em-album-when-we-all-fall-asleep-where-do-we-go-deliciosamente-perturbador-206517/"><i><span style="font-weight: 400;">WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a turnê homônima, além de reunir gravações do arquivo pessoal da família.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish nasceu em um ambiente liberal e criativo. Livre das rédeas do sistema educacional americano, ela conseguiu desenvolver uma personalidade artística e cultural sendo </span><a href="https://www.forbes.com/sites/nickmorrison/2020/02/05/homeschooling-let-billie-eilish-soar-but-for-some-families-its-a-curse/?sh=3c3b9a4ee52e"><span style="font-weight: 400;">educada em casa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela então se aventurou dentro da laboriosa </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/story/2020-01-24/billie-eilish-finneas-julia-butters-revolution-dance-montrose"><span style="font-weight: 400;">dança competitiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a pedido de seu instrutor, gravou uma música autoral para uma aula e a disponibilizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Soundcloud</span></i><span style="font-weight: 400;">. Organicamente viral, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hG4lT4fxj8M&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Ocean Eyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi o </span><a href="https://www.definitions.net/definition/sleeper+hit"><i><span style="font-weight: 400;">sleeper hit</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que deu início à trajetória de Billie. Após uma ruptura em seu quadril cessar a curta carreira na dança, ela percebeu que os palcos eram seu verdadeiro lar.</span></p>
<figure id="attachment_19340" aria-describedby="caption-attachment-19340" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4.png" alt="Foto do show de Billie Eilish. Na esquerda, seu irmão Finneas está sentado, com um violão marrom com detalhes circulares em suas mãos. Ele veste uma blusa e calças brancas, enquanto canta perto de um microfone. Ao seu lado, Billie Eilish está o olhando. Ela veste uma camiseta preta estampada e larga, e bermudas também estampadas. Ao fundo, a banda está presente e uma lua aparece no telão" width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19340" class="wp-caption-text">Finneas e Billie são inseparáveis (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de grandes estúdios musicais, foi num quarto apertado nos subúrbios de Los Angeles que Finneas produziu a discografia completa da irmã. Sob microfones de qualidade discutível e </span><i><span style="font-weight: 400;">synths</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos, eles conseguiram produzir um </span><a href="https://open.spotify.com/album/0S0KGZnfBGSIssfF54WSJh"><span style="font-weight: 400;">álbum completo em menos de um ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A batalha entre a autenticidade de Billie e a necessidade de um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro do futuro disco entram em choque no longa. Apesar de autêntica, Billie parece discordar das necessidades da indústria e é assertiva em sua escolha de produzir um álbum que transpareça sua individualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é provado quando um diretor tenta podar suas decisões: o conceito do videoclipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pbMwTqkKSps&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">when the party’s over</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi totalmente desenvolvido pela jovem, mas não foi bem traduzido pelo diretor escolhido pela gravadora. Dali em diante, ela decide: ela mesmo produzirá os próprios videoclipes (e aconteceu, já que ela assina a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EgBJmlPo8Xw&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">everything i wanted</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LZyybvVx-js&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">xanny</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RUQl6YcMalg"><i><span style="font-weight: 400;">Therefore I Am</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">).</span></i><span style="font-weight: 400;"> É incrível enxergar tanta vontade em uma artista tão jovem &#8211; geralmente, cantoras da idade de Billie mal assinam composições, quem dirá produções audiovisuais. Seu controle criativo é impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fama repentina pode ser perigosa. Artistas muito jovens geralmente não têm a maturidade emocional necessária para lidar com o sucesso de forma saudável, como ocorreu com </span><a href="https://edition.cnn.com/2012/03/28/showbiz/lohan-troubled-timeline/index.html"><span style="font-weight: 400;">Lindsay Lohan</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mRkv6vx6v40&amp;ab_channel=HLN"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com Billie, é o contrário: o ambiente de suporte familiar que ela se encontra é muito importante e decisivo para sua saúde mental. Cutler mostra isso ao destacar o monólogo de Maggie Bird, mãe de Billie, que destrincha a vulnerabilidade que ela enxerga em sua filha e como a depressão em jovens e crianças não deve ser menosprezada.</span></p>
<figure id="attachment_19341" aria-describedby="caption-attachment-19341" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5.png" alt="Foto da turnê de Billie. Ela está no centro da imagem, de pé, segurando um microfone. Sua feição é calma, e seus olhos estão fechados. Ela usa uma blusa comprida e larga. Seus cabelos são pretos com raízes verdes. Ao fundo, sua banda aparece junto a uma luz azul." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19341" class="wp-caption-text">Billie sofreu com a depressão por toda adolescência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A influência da cultura da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">também é muito bem transmitida em </span><i><span style="font-weight: 400;">The World’s A Little Blurry.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A jovem parece planejar seus passos metricamente para evitar repercussões negativas de sua imagem na rede &#8211; é quase um olhar crítico sobre o impacto da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tykqQcA09ko&amp;ab_channel=TheTake"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela se questiona sobre não poder ter momentos ruins, já que sempre está sendo observada &#8211; um erro, como ser rude, cantar desafinado ou ignorar alguém na hora errada pode ser terrivelmente fatal para sua carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário também revela o lado menos conhecido da artista &#8211; sua pacata vida adolescente. Quando Billie não está cantando em </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">esgotados ao redor do mundo, é quase estranho assisti-la agindo como uma jovem comum: chorando por causa de namorados, limpando o próprio quarto ou jantando junto a seus pais. Uma das cenas mais tocantes do longa é a crise de tiques que ela tem na frente das câmeras. Eilish é diagnosticada com a </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-tourette/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tourette</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um distúrbio neuropsiquiátrico que causa tiques e movimentos involuntários. </span></p>
<figure id="attachment_19343" aria-describedby="caption-attachment-19343" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6.png" alt="Maggie Eckford e Billie Eilish. Ambas estão sentadas em um sofá azul se olhando. Maggie olha para a direita enquanto seus cabelos cobrem sua face, enquanto Billie olha para a direita com a boca aberta." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6.png 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19343" class="wp-caption-text">Billie e sua mãe tem uma relação única (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais encanta é que, mesmo depois de anos de carreira e fama admirável, ela continua vivendo com seus pais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZBJ914ha6LQ&amp;ab_channel=AWAL"><span style="font-weight: 400;">na mesma casa que aprendeu a tocar violão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua independência iminente não conta com o distanciamento de sua família &#8211; pelo contrário &#8211; eles estão ali para comemorar todas as suas conquistas. A imagem célebre é desconstruída durante toda a obra, principalmente no momento em que a artista explode em lágrimas ao conhecer seu grande ídolo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jenXxXNxQhI&amp;ab_channel=JustinBieberVideos"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de Eilish representa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ms5yMta2p9A&amp;ab_channel=BillieEilish"><span style="font-weight: 400;">muito mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que apenas tristeza ou obscuridade. Ela traduz a sua própria geração de forma magnífica &#8211; uma geração onde ansiedade, depressão e honestidade não são mais tabus e podem sim ser discutidos normalmente. Em tão pouco tempo, ela se tornou parte da própria cultura e soube administrar tudo de forma saudável e coesa. Billie se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hk3KPa6zWzo"><span style="font-weight: 400;">conecta com sua audiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um jeito único e </span><i><span style="font-weight: 400;">The World’s a Little Blurry</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a prova que o futuro guarda ainda mais sucesso para a sua carreira.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-worlds-a-little-blurry-critica/">The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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