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	<title>Arquivos Melhor Direção em Série de Comédia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 20:56:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger A quarta e última temporada de Barry responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/4a-temp-barry-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31563" aria-describedby="caption-attachment-31563" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png" alt="Cena da série Barry. Imagem em close do protagonista olhando para frente, dos ombros para cima e à frente de um fundo preto. O rosto dele está com sangue e machucados espalhados, além de um curativo sobre o nariz e um dos olhos inchado, quase fechado." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31563" class="wp-caption-text">Barry chegou ao fim em uma nota fria, dura e irônica, que garantiu o lugar da série na corrida pelo Emmy 2023 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta e última temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida para que esse seja o ano em que ela finalmente conquiste o título de Melhor Série de Comédia no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-vencedores-do-emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">2023, após três indicações nesta categoria, mas nenhuma vitória até então. O obstáculo é a concorrência pesadíssima da categoria, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbott-elementary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maravilhosa Sra. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jury Duty</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wandinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31562"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa boba da série, sobre um assassino de aluguel que descobre uma paixão avassaladora pelo teatro, não deixa transparecer as profundidades que Bill Hader, protagonista e co-criador, é capaz de levar a narrativa nos anos seguintes. A conclusão assume um tom bem mais sombrio do que quando começou &#8211; sem clima nem para manter a música de abertura descontraída. </span><a href="https://personaunesp.com.br/barry-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aproveita ao máximo a tragédia e a comédia de seu niilismo, orquestrando metodicamente os sentimentos infligidos na audiência para transitar, de um instante para outro, dos altos da sua natureza cômica à tensão e angústia consequentes da sua violência, sem parecer apática com o conteúdo nem comprometer seu ritmo impaciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma </span><a href="https://www.vogue.com/article/barry-season-four-bill-hader-interview"><span style="font-weight: 400;">comédia ácida</span></a><span style="font-weight: 400;">, com elementos de suspense, drama psicológico e crime, poderia facilmente se perder, mas a produção</span> <span style="font-weight: 400;">prova que revelar as nuances e contradições da vida e da condição humana, quando bem feito, pode criar algo que transcende as restrições dos gêneros narrativos. A série evoluiu ano após ano, com o estilo e o tom se tornando mais bem definidos e ambiciosos conforme progredia, caminhando em direção ao surrealismo, que acrescenta para uma experiência audiovisual ainda mais imersiva. </span></p>
<figure id="attachment_31564" aria-describedby="caption-attachment-31564" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31564" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2.png" alt=" Cena da série Barry. A esquerda, Sally Reed e a direita, Barry. O casal está sentado à mesa de jantar, olhando para frente com expressões vazias. Sally está usando uma peruca de cor castanha e Barry um óculos junto a sua barba rala e grisalha." width="620" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-31564" class="wp-caption-text">Enquanto pode parecer uma história com um rumo completamente diferente de quando começou, Barry mantém os temas originais e os explora de modo mais amplo e reflexivo do que poderia, preservando o escopo inicial (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada anterior introduziu a linguagem mais introspectiva que a série adotou em diante. Isso aconteceu quando Hader começou a dirigir mais do que apenas alguns episódios e começamos a ter contato com as montagens surreais e minimalistas que ele aperfeiçoa nesse novo ano &#8211; ele dirige a totalidade dos oito capítulos. Podemos observar o diretor pegando gosto pela prática, desenvolvendo e aperfeiçoando o seu estilo próprio por trás das câmeras. Com razão, já recebeu, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">, três indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Roteiro em Série de Comédia. Esse ano, ele concorre novamente às duas categorias, ambas pelo episódio final da série, </span><a href="https://youtu.be/CIBekdhTrdA?si=B6pGkPEh_rABCFOT"><span style="font-weight: 400;">wow</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A liberdade tomada por Hader com as sequências experimentais é restrita ao seu comprometimento com os 30 minutos semanais. A quarta temporada pode ser considerada apressada, por vezes até atropelada, principalmente em consequência do divisivo </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/barry-bill-hader-time-jump-season-4-1235481717/"><span style="font-weight: 400;">salto temporal</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, esse foi o melhor caminho para manter o passo da história e a resolução de todos os conflitos em um ritmo rápido que acompanha a urgência da narrativa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">é a estreia diretorial do ator e comediante e, agora que acabou, fica a ansiedade para ver o que ele planeja fazer em seguida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, a performance de Bill Hader é mais brutal do que nunca, interpretando Barry como uma bomba relógio. Com sua entrega ao personagem, o ator se provou desde o primeiro momento, foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Ator em Série de Comédia por todas as temporadas e ganhou em </span><a href="https://youtu.be/_9agY_xyuyc?si=WVGy6sbDHcTavpCJ"><span style="font-weight: 400;">2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/n0BUUGzPjIg?si=Mk3JibOm8Iw7tYax"><span style="font-weight: 400;">2019</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar a série com um terceiro troféu em casa, concorre com Jason Segel (</span><i><span style="font-weight: 400;">Shrinking</span></i><span style="font-weight: 400;">), Martin Short (</span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;">), Jason Sudeikis (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeremy Allen White (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_31565" aria-describedby="caption-attachment-31565" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31565" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png" alt="Foto dos bastidores das filmagens. A esquerda, Bill Hader, de camiseta vermelha e máscara preta sobre a boca e o nariz, está voltado para Henry Winkler (Gene Cousineau) e com a mão sobre seu ombro. Henry está caracterizado, com uma camisa roxa e uma jaqueta cinza, e voltado para o diretor. Eles estão em uma calçada, durante o dia." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31565" class="wp-caption-text">Bill Hader dirigiu, ao todo, mais da metade dos episódios da série (Foto: Merrick Morton/HBO Max)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">desenvolveu uma marca registrada com a sua </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/bill-hader-interview-barry-final-season-emmys-2023-1235559455/"><span style="font-weight: 400;">linguagem visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que prende o olhar do espectador na tela, mesmo diante de cenas violentas ou perturbadoras: uma câmera impessoal e observadora, que tende a enfatizar as reações dos personagens, independente do quão mirabolante os acontecimentos ao seu entorno sejam. Isso dá aos atores mais espaço para explorar suas performances. Grande parte do que eleva a série a algo realmente especial são as interpretações que eles entregam a essas figuras, contemplando as dualidades e conflitos internos de cada um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ano, Anthony Carrigan (NoHo Hank) e Henry Winkler (Gene Cousineau) disputam novamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia. É a terceira indicação para ambos e Winkler levou o troféu em 2018 pela primeira temporada. Vale notar, contudo, a inexplicável insistência da Academia de Televisão em esnobar a contribuição de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2023/jul/12/emmy-nominations-2023-snubs-surprises"><span style="font-weight: 400;">Sarah Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sally Reed), desde 2019 sem a indicar, apesar de seu imenso talento e inegável impacto para o sucesso da série. </span></p>
<figure id="attachment_31566" aria-describedby="caption-attachment-31566" style="width: 959px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png" alt="Cena da série Barry. Dentro de uma casa, com duas janelas amplas, à esquerda, um homem coberto inteiro de preto está parado de pé atrás da Sally Reed, a observando. Ela está de costas para o homem, olhando por uma das janelas." width="959" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-768x490.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31566" class="wp-caption-text">Em seus episódios finais, a narrativa leva o elenco mais adentro do caminho sombrio que Barry Berkman os colocou (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta temporada chegou para subverter expectativas, reunindo todos os temas abordados nos anos anteriores da obra de maneira mais audaciosa e definitiva. Sua abordagem mais intensa não vai ser para todos, mas as decisões ousadas, performances estelares e habilidades técnicas fazem desse encerramento uma inegável jogada de mestre. Os primeiros episódios demoram um pouco para pegar no embalo, mas, quando as coisas começam a sair dos eixos, a produção te prende e não solta mais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">sempre foi boa em manter a audiência na beirada do sofá e, caminhando para a sua conclusão, domina isso em seu potencial máximo. Nunca se sabe qual o </span><a href="https://youtu.be/77pHZ0crXV0?si=ETm5IguSqnLmoyIG"><span style="font-weight: 400;">próximo passo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nenhum dos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série rejeita as nossas tendências de simpatizar com </span><a href="https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-ha-tantos-anti-herois-na-televisao/"><span style="font-weight: 400;">anti-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em sua reta final, apresenta uma exploração angustiante dos danos causados por um homem violento. A essa altura, Barry já não é mais o protagonista. O drama se dá ao examinar todas as vidas que ele comprometeu, direta ou indiretamente. A escolha ousada de descentralizá-lo da narrativa tem um efeito em fazer a audiência enxergá-lo por quem ele é, assim como os outros personagens começam a fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia da história vem da vontade que o personagem expressa em mudar, mas nunca muda. No último episódio, ele enfim toma uma decisão que pode ser considerada uma mudança, mas já é tarde demais. Ele não é oferecido redenção, nem vingança: o roteiro não recompensa Barry de qualquer maneira. Há um argumento, desde a terceira temporada, de que o arrependimento, não importa o quão sincero, não têm valor algum sem </span><a href="https://www.npr.org/2019/06/20/734356166/on-hbos-barry-bill-hader-asks-can-you-change-your-nature"><span style="font-weight: 400;">mudanças de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. O protagonista cruza todos os limites que traça para si mesmo. Ele sente culpa, mas, ainda assim, prefere cometer atos injustificáveis a sacrificar a vida que reivindica para si. </span></p>
<figure id="attachment_31567" aria-describedby="caption-attachment-31567" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31567" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.png" alt="Cena da série Barry. A imagem mostra as costas de Barry, que está carregando duas armas apoiadas em seus ombros, enquanto ele anda entre corredores de uma loja cheios de brinquedos infantis." width="540" height="367" /><figcaption id="caption-attachment-31567" class="wp-caption-text">Barry nunca perde a sua comédia, com muitas de suas melhores sacadas graças às articulações visuais que Hader conquista por trás da câmera (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Barry se agarra a suas boas intenções &#8211; apesar de autocentradas &#8211; para não ter que admitir para si mesmo que tem controle sobre essas situações, e os danos que causa são uma escolha egoísta e calculada. Ele é definido por suas ações e, nesse sentido, é uma resposta a todos os anti-heróis. O </span><a href="https://www.writersroom51.com/post/diferen%C3%A7a-entre-convences-e-tropos-narrativos"><i><span style="font-weight: 400;">trope</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é dominado por histórias de homens que fazem coisas terríveis, só para depois serem representados como vítimas mal compreendidas de más circunstâncias. É nesse ponto que </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe seguir por outro caminho e, fazendo isso, configura uma história anti-anti-heróis, que não deixa o seu protagonista, nem a audiência, escapar das duras consequências da realidade. A série finalmente responde a sua questão central: o remorso é o suficiente para a redenção? Claro que não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, apesar de imprevisível, é anticlimático &#8211; de propósito. Em seus últimos momentos, a série</span> <span style="font-weight: 400;">compõe sua última piada, ao mesmo tempo que consegue sintetizar a sua mensagem, retornando os temas que expandiu nesta temporada para onde tudo começou: a indústria do teatro, cinema e televisão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre usou a paixão do personagem pela atuação como sua </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/hbo-max/barry-nasceu-da-inseguranca-e-sindrome-de-impostor-de-bill-hader/"><span style="font-weight: 400;">metáfora central</span></a><span style="font-weight: 400;">, para tratar das mentiras que contamos a nós mesmos. A tese da série é expressa, surpreendentemente, por Fuches (Stephen Root), quando ele compreende que ninguém se torna melhor do que é por negar a verdade.  </span></p>
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