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	<title>Arquivos Louisa May Alcott &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 20:56:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em 2019, Greta Gerwig lançou a sua versão do clássico Mulherzinhas. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Adoráveis Mulheres definia o que é irmandade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34690" aria-describedby="caption-attachment-34690" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres abraçadas. Elas estão na sala de casa, que possui decorações de natal. Da esquerda para direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros com uma blusa bege, uma mulher branca de cabelos ruivos e curtos com uma blusa azul, uma mulher branca usando uma blusa cinza com listra amarela e de cabelos ruivos com franja e uma mulher ruiva de cabelos longos utilizando uma blusa com estampa azul e laranja." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34690" class="wp-caption-text">Relação entre irmãs é introdução, desenvolvimento e referência no universo repaginado por Greta Gerwig (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-22/greta-gerwig-o-feminismo-de-mulherzinhas-nao-e-excludente-todos-os-homens-e-mulheres-ganham.html"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou a sua versão do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra, baseada no romance escrito por Louisa May Alcott, é uma das inúmeras adaptações da história que acompanha as irmãs March durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Por ser uma trama que já foi retratada nos cinemas  e na Televisão, a diretora tinha um caminho árduo a percorrer: ampliar a discussão acerca dos temas discutidos pela autora. No mundo das </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a generosidade é quem dita a ação das personagens.</span></p>
<p><span id="more-34686"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jo (Saoirse Ronan), Meg (</span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Emma Watson</span></a><span style="font-weight: 400;">), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-tempo-que-temos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">) são as apaixonantes protagonistas de seus respectivos amadurecimentos. Com a força da mãe-natureza, mais conhecida como Marmee March (Laura Dern), a forma de ver o mundo das honestas e delicadas garotas é o guia narrativo para aqueles que se perguntam sobre a efemeridade da juventude. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não acredito que a infância acabou</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é uma das frases proferidas por uma delas. O motivo do impacto da sentença? O sentimento de irmandade estabelecido pelo quarteto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte tem o poder de transmitir em tela o que acontece na realidade. Mais do que isso, às vezes, ela mostra, seja com diálogos expositivos ou em cenas de pura contemplação, aquilo que não há como dar nome. O sentir, aqui, é universal. Por que o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/vitrine/historia-livro-mulherzinhas.phtml"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de quatro jovens</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao caos que os norte-americanos viviam é tão relacionável? Quando mexe com amor, não tem como não se identificar. É uma sensação inexplicável, ainda mais quando há o envolvimento de um dos bens mais preciosos que um ser humano pode ter: a família. </span></p>
<figure id="attachment_34688" aria-describedby="caption-attachment-34688" style="width: 1841px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há quatro mulheres brancas em uma praia. Da esquerda para a direita, há uma mulher branca de cabelos castanhos escuros utilizando um vestido verde e segurando uma toalha de mesa, há uma mulher branca de cabelos loiros usando um vestido rosa e com uma cesta, há uma mulher branca de cabelos ruivos segurando uma cesta e utilizando um vestido azul com uma blusa bege por cima e uma mulher branca de cabelos ruivos com vestido rosa com uma cesta. " width="1841" height="1037" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3.png 1841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image3-1200x676.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34688" class="wp-caption-text">Longa-metragem foi indicado a seis categorias no Oscar 2020, incluindo Melhor Atriz para Saoirse Ronan e Melhor Atriz Coadjuvante para Florence Pugh (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora em </span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original), o núcleo familiar apresentado seja tradicional, composto por um pai, uma mãe e seus filhos, tanto os mais afortunados emocionalmente quanto aqueles que encontram nos amigos o sentimento de ser amado podem achar refúgio na obra. Jo, a escritora entre as March, é quem comanda essa história. Pela ida do patriarca, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bob Odenkirk</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao conflito que assola os Estados Unidos, ela assume a responsabilidade de cuidar daquele lar com Marmee. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O envolvimento da jovem com a escrita é o que dá gás à trama centrada no século XIX. Através do traquejo dela com seus textos, que são realizados nos momentos de descanso, a difícil trajetória das irmãs ganha um tom dócil e mais ameno. Não é que a personagem romantize a pobreza em sua casa, ela apenas vê além disso e decide documentar, por meio de suas escrituras, a rotina vivida. No contexto em que viviam, mulheres deveriam respeitar seus maridos e só poderiam ascender socialmente se optassem pelo matrimônio. Entretanto, na sua história, as </span><a href="https://comportese.com/2020/02/04/adoraveis-mulheres-as-molduras-relacionais-na-complexidade-do-ser/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são o que elas quiserem ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo que Alteridade significa a capacidade de se colocar no lugar do outro, embora não tenha vivência em determinada ocasião, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres </span></i><span style="font-weight: 400;">atemporal são as discussões em torno de suas ambições pessoais. Casar e ter filhos, se tornar uma artista renomada, escrever sobre os seus ou apenas cuidar de seu lar são os diferentes sonhos que cercam a vida do quarteto. Assim, a forma com que cada uma delas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HKvPWuqOGMo"><span style="font-weight: 400;">enxerga o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que as coloca de igual para igual. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Só porque meus sonhos são diferentes dos seus, não significa que eles não são importantes</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Meg em um certo ponto do longa-metragem.</span></p>
<figure id="attachment_34689" aria-describedby="caption-attachment-34689" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png" alt="Cena do filme Adoráveis Mulheres. Na imagem, há um homem branco sentado e vestindo uma camisa branca de manga longa com uma espécie de macacão cinza por cima. Ele está sentado, à espera para ser retratado em uma pintura. Ao seu lado esquerdo, há uma estátua de mármore com uma planta em cima. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34689" class="wp-caption-text">Embora tenha interpretado o personagem com competência, Timothée Chalamet não foi reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como Melhor Ator Coadjuvante na 92ª edição (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas as versões do clássico, há sempre ânimo ao descobrir quem viverá o atraente e charmoso Laurie. Na adaptação de Gerwig, </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá vida ao personagem. Sobrinho de Mr. Laurence (Chris Cooper) e vizinho da família March, o jovem, assim como o público, se encanta com o lar feminino. Amigo de Jo, a quem é apelidado carinhosamente como Teddy, ele tem tudo o que elas não possuem: poder aquisitivo. No entanto, o conforto familiar trazido pelas colegas não tem preço e, por isso, estar ao lado delas auxilia em seu desenvolvimento pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i10aNmmXYsQ"><i><span style="font-weight: 400;">Eu quero ser ótima, ou nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Amy, expressa um dos maiores medos da juventude: o de ‘não dar certo na vida’. Pressão social, o imediatismo e a espetacularização dos atos que marcam a jornada não são temas abordados apenas na atualidade. Na obra, o receio de ‘não se tornar ninguém’ faz parte do dia a dia daquelas garotas; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém se esquecerá de Jo March</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a própria. Juntas ou não, sendo colegas de quarto ou morando em continentes diferentes, a irmandade é o caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ambição e a generosidade andam lado a lado. Não tem nada errado em ser gentil e, ao mesmo tempo, desejar ter </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gQ-she8Xneo"><span style="font-weight: 400;">mais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os personagens desse universo são colocados à prova a todo momento. Se irão escolher o caminho doloroso ou a trajetória maquiada, isto fica a cargo de seu próprio senso crítico. Na verdade, para as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o necessário é viver o tempo – curto –  à maneira como ele deve ser sentido: com aqueles que moldam nosso caráter. Em certo devaneio, uma jovem perguntou se ela seria alguém. Bem, por aqui, ninguém a esqueceu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Adoráveis Mulheres | Trailer Legendado | 09 de janeiro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona – Março de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 20:54:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de acompanhar os relatos cruéis de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela quase onipresente cerimônia do Oscar 2022, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami.  Drive My Car, história que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Março de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27214" aria-describedby="caption-attachment-27214" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27214 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg" alt="Arte retangular de cor azul. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris azul clara. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Homens sem mulheres”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘março de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27214" class="wp-caption-text">Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de acompanhar os relatos cruéis de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=11295"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela</span><span style="font-weight: 400;"> quase onipresente cerimônia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000054&amp;idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=CjwKCAjwxZqSBhAHEiwASr9n9EqgivsOaPJOZ_csJXaR_UjfKoyAflZW94_2a2GB0705MDBeId3RjxoC6P8QAvD_BwE"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor japonês </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=04582"><span style="font-weight: 400;">Haruki Murakami</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, história que abre </span><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretor</span> <a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após suas quatro indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcI7gdFCneI"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/drive-my-car-mubi/"><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">gênero feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus contos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/abdulrazak-gurnah-em-sobrevidas-destaca-o-humano-ante-o-colonial.shtml">Abdulrazak Gurnah</a>. Ao final do mês, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=15166"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira obra lançada no Brasil do </span><span style="font-weight: 400;">tanzaniano vencedor do Prêmio </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427?s=20&amp;t=KZE62G37TTracihogYd89w"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021. A publicação dá início a uma série de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/10/companhia-das-letras-publicara-obras-de-abdulrazak-gurnah-vencedor-do-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">quatro lançamentos do autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Paradise </span></i><span style="font-weight: 400;">(finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">By the Sea </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desertion</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85142"><i><span style="font-weight: 400;">Contos de Odessa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do ucraniano </span><a href="https://homoliteratus.com/isaac-babel-e-os-contos-sobre-guerra-de-um-escritor-que-morreu-fuzilado/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Bábel</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou a ser vendido no </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, as quais se pode ler no carro, deitado, no </span><i><span style="font-weight: 400;">smartphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como bem entender.</span></p>
<p><span id="more-27197"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27198" aria-describedby="caption-attachment-27198" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27198 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg" alt="Capa do livro Homens sem mulheres, de Haruki Murakami. A imagem mostra um fundo preto, no qual estão espalhadas no lado esquerdo e na parte superior círculos nas cores preto, branco e rosa. Há uma faixa de cor rosa pouco acima do centro e dentro dela está escrito Haruki Murakami em fonte de cor preta, e Homens sem mulheres, em fonte de cor branca. No lado esquerdo ao nome do autor está o símbolo da editora Alfaguara, em fonte de cor preta." width="710" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-657x1024.jpg 657w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27198" class="wp-caption-text">Composta por sete contos ligados pela ideia de relacionamentos entre homens e mulheres, a obra é marcada por seu lirismo, e foi adaptada para o Cinema no longa Drive My Car (Foto: Alfaguara/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Haruki Murakami &#8211; Homens sem mulheres (240 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2014, </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do japonês Haruki Murakami, tem seu título inspirado em um conto de Ernest Hemingway, e é composto por sete narrativas que mesclam elementos oníricos e melancólicos, sempre deixando em aberto a dimensão sentimental dos personagens. A coletânea se abre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, conto que inspirou o laureado filme homônimo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e conta a história de um ator e diretor de teatro que contrata uma mulher para dirigir seu carro. Esse mesmo personagem está adaptando </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85171"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Tchékhov, em uma peça, e as questões levantadas ao longo da história – por que ele não dirige? O que aconteceu com a sua esposa? – são respondidas de forma lenta, como uma uma viagem tranquila de carro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></i><span style="font-weight: 400;">, Murakami narra uma história com evidentes referências ao </span><a href="https://www.amazon.com.br/Livro-das-Mil-Uma-Noites/dp/8525065048/ref=asc_df_8525065048/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379725131710&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=15352725735199102908&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001726&amp;hvtargid=pla-395749133279&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Livro das</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mil e uma noites</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas a subverte e transpõe seu ar fantástico na banal vida cotidiana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mais longo conto da coletânea, tem semelhanças com outras de suas obras – principalmente </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/kafka-a-beiramar/2658"><i><span style="font-weight: 400;">Kafka à beira-mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) –, e retrata um episódio no qual o protagonista homônimo encontra sua esposa dormindo com o melhor amigo. Depois desse evento, abandona sua vida pregressa e decide abrir um bar; no entanto, os clientes estranhos que passam a frequentar o lugar forçam com que Kino desobedeça as regras estabelecidas por ele próprio, e sua jornada solitária de reclusão se transforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto que dá título ao livro fecha a coletânea, e tem seu início com um telefonema, no qual o homem que a recebe ouve de outro indivíduo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mulher dele</span></i><span style="font-weight: 400;">” se suicidou, e por esse motivo entrou em contato para informá-lo. A mulher em questão era sua amante, e o homem que ligou era o real marido da mulher. A partir desse momento, o protagonista começa a rememorar como a conheceu. O mais interessante é a forma como todos os contos do livro se interligam pelo <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/solidao-vida-murakami-marcia-namekata/">sentimento de solidão</a>, transposto inclusive na forma lenta de narrar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“U</span></i><i><span style="font-weight: 400;">m dia, de repente, você vai ser um dos homens sem mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Homens sem mulheres - Clube do Livro Março 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qlc7qve6o3isuH8Wjx7pE?si=9ea4e483b2c146bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_27199" aria-describedby="caption-attachment-27199" style="width: 791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27199 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg" alt="Capa do livro Me Chame Pelo Seu Nome. A capa mostra desenhos abstratos e coloridos, em laranja, verde, azul e marrom. No topo esquerdo da capa, vemos o nome do autor escrito em fonte branca. Na parte inferior direita, vemos o nome do livro, na mesma tipografia e cor." width="791" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-618x800.jpg 618w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-768x994.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1186x1536.jpg 1186w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1200x1554.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1.jpg 1275w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27199" class="wp-caption-text">O livro foi adaptado para as telas em 2017 e o texto de James Ivory venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado do ano seguinte (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>André Aciman &#8211; Me Chame Pelo Seu Nome (288 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Itália fumegante em clima e desejo, o jovem Elio é encantado por Oliver, um estudante que vem passar as férias na casa de sua família. O homem será instruído pelo pai do jovem, um acadêmico de renome que, sazonalmente, recebe novas mentes para auxiliá-lo com os livros e sua pesquisa. De supetão, o franzino e contemplativo adolescente acaba se entregando a uma </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/a-plenitude-do-amor-sem-termino-em-me-chame-pelo-seu-nome"><span style="font-weight: 400;">troca intensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o recém-chegado, que chega para chacoalhar sua visão de mundo e seus sentimentos em efervescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras do egípcio André Aciman, ficamos tão enamorados e em transe quanto os protagonistas dessa combustão de verão. A </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem em seu miolo o envolvimento de Luca Guadagnino, Timothée Chalamet e Armie Hammer, resgata o máximo que consegue da obra, mas quem se aventura pelas menos de trezentas páginas, embrenhadas em luxúria, encontra uma visão pouco esmiuçada do que significa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/02/me-chame-pelo-seu-nome-deixa-leitor-entregue-a-melancolia-difusa.shtml"><span style="font-weight: 400;">o ato de estar apaixonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, de se ver entregue de corpo, alma e pêssego. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27201" aria-describedby="caption-attachment-27201" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. A capa mostra o título do livro numa grafia estilizada, em fonte branca, em caixa alta, com arabescos, sob um fundo azul claro. Ao redor, existem ilustrações de teclas de piano, pincéis de pintura, notas musicais, folhas de livros, chapéus, luvas e flores, todas coloridas. Na linha inferior da imagem, existe uma faixa preta, onde está escrito, em fonte amarela e em caixa alta, “Louisa May Alcott”. Embaixo disso, está escrito o nome do livro, em branco e com apenas a inicial maiúscula. Em cima da faixa preta, existe uma faixa branca, onde está escrito, em preto, “Penguin Companhia”, e existe um desenho de pinguim colorido ao centro. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-996x1536.jpg 996w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1328x2048.jpg 1328w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1200x1851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27201" class="wp-caption-text">Se o tema é obra literária adaptada para o Cinema, Little Women não pode ficar de fora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa May Alcott &#8211; Mulherzinhas  (592 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1868, Louisa May Alcott lançou uma das obras </span><a href="https://observador.pt/2020/01/29/mulherzinhas-o-sucesso-literario-de-louisa-may-alcott-foi-o-que-a-autora-menos-gostou-de-escrever/"><span style="font-weight: 400;">mais influentes e queridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história da Literatura mundial, com uma roupagem que pressupunha exatamente o contrário para o contexto da época: um romance escrito por uma mulher, apresentando uma narrativa sobre mulheres, e intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em inglês). Para superar as expectativas e preconceitos, o livro mergulha no carisma de Meg, Jo, Beth e Amy, </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/31/adoraveis-mulheres-greta-gerwig-critica/"><span style="font-weight: 400;">as irmãs March</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas vivem, cada uma à sua própria maneira, entre os delicados anos de 1861 e 1865, marcados pela Guerra Civil Americana, que requisitou a presença de seu pai, precisando, assim, equilibrar as responsabilidades junto da mãe, Marmee, para manter a família e a casa em ordem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário caoticamente familiar é o lugar que Alcott encontra para provocar reflexões sobre os padrões sociais que interferem na vida e liberdade das mulheres. Assim, através da observação de Meg, a obstinação de Jo, a mansidão de Beth e confiança de Amy, a autora desenhou &#8211; com contornos autobiográficos &#8211; uma </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/21/mulherzinhas-resenha-louisa-may-alcott/"><span style="font-weight: 400;">analogia atemporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vastidão feminina em eterno conflito com o mundo que tenta domá-la. De tão rica, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> transcende a manifestação artística em que nasceu, destacando, entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152669/"><span style="font-weight: 400;">diversas adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mais variadas naturezas, o filme de Gillian Armstrong (</span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1994) e, mais recentemente e principalmente, o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> (mesmo título, de 2019), que foi indicado a seis</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2020, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27202" aria-describedby="caption-attachment-27202" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pequenas Epifanias. Arte digital retangular. Na parte superior, vemos um céu azul-claro com uma nuvem branca. Próximo da nuvem, lemos Pequenas Epifanias em letras brancas. Na parte inferior, vemos um fundo branco e a mão direita de uma pessoa branca. O dedo indicador está levantado e, sobre ele, há uma borboleta azul e preta. Na linha que divide as partes superior e inferior da capa, lemos Caio Fernando Abreu. Caio e Abreu estão em letras pretas, enquanto Fernando está em letras brancas. No canto inferior esquerdo da capa, vemos o símbolo da editora Nova Fronteira. Ele é formado por um triângulo, um retângulo e as palavras Editora Nova Fronteira. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-768x1184.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-997x1536.jpg 997w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1329x2048.jpg 1329w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1200x1849.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1.jpg 1661w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27202" class="wp-caption-text">Embora Pequenas Epifanias não seja o melhor exemplo, a Literatura de Caio Fernando Abreu estabelece vários paralelos com a Sétima Arte (Foto: Nova Fronteira)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Pequenas Epifanias (240 páginas, Nova Fronteira)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma seleção de crônicas publicadas pelo escritor Caio Fernando Abreu entre as décadas de 1980 e 1990, nos jornais </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero Hora</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afastando-se, no entanto, das coletâneas literárias mais convencionais, a primeira edição desse livro só foi desenvolvida em 1996, poucos meses após a morte do excepcional contista brasileiro. Mais do que uma publicação póstuma, a obra em questão é a escolha perfeita para quem quer ter um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9kpSkfcUL3Y"><span style="font-weight: 400;">primeiro contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os textos de Caio, já que ela compila elementos muito agradáveis aos mais diversos tipos de amantes dos livros, tais como a proximidade com o leitor, um constante tom de confissão, pessoalidade e subjetividade intensas, além de uma perceptível diversidade temática. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, a Literatura de Caio F. não é homogênea e, exatamente por causa disso, ela não assume um tom único, fugindo com maestria da mesmice. Em sintonia com essa constatação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue captar muito bem </span><a href="https://www.nonada.com.br/2015/02/pequenas-epifanias-caio-fernando-abreu/"><span style="font-weight: 400;">as nuances</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma escrita intensa, devota, artisticamente honesta, precisamente lapidada e, às vezes, até mesmo provocativa. Não é de se espantar, portanto, que algumas das crônicas presentes neste livro se aproximem demasiadamente daquilo que, por convenção, conhecemos como conto. Afinal, mesmo estampando páginas de jornais, Abreu pertencia de fato às artes literárias &#8211; e as minúcias do cotidiano nunca mais serão as mesmas para quem se apaixonar por essa figura artística tão encantadora. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_27206" aria-describedby="caption-attachment-27206" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27206 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro O Silêncio dos Inocentes. A lateral esquerda é amarela. Ao centro vemos a silhueta de uma cabeça de caveira com asas de mariposa na cor marrom. Atrás há formas irregulares e de simetria horizontal nas cores amarelo e marrom. Abaixo do meio há uma faixa amarela e nela lê-se em preto “O SILÊNCIO DOS INOCENTES”. Abaixo lê-se em branco “THOMAS HARRIS”. À direita vê-se em preto a logo da editora Record. O fundo é branco." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1034x1536.jpg 1034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1379x2048.jpg 1379w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1200x1782.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1.jpg 1724w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27206" class="wp-caption-text">Apesar de pertencer a uma trilogia, Silêncio dos Inocentes pode ser lido separadamente (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Thomas Harris &#8211; O Silêncio dos Inocentes (318 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos são os filmes que se consagraram </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/02/24/veja-os-recordes-e-curiosidades-do-oscar.htm#:~:text=1%20%2D%20Apenas%20tr%C3%AAs%20filmes%20at%C3%A9,Sil%C3%AAncio%20dos%20Inocentes%20(1991)."><i><span style="font-weight: 400;">Big Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na cerimônia de premiação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais incomum ainda é uma produção de Terror sair com a estatueta do maior prêmio da noite. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu o duplo feito se baseando na obra homônima de Thomas Harris. O livro de 1988 é o segundo na trilogia protagonizada por Lecter e responsável por introduzir a ávida Clarice Starling, uma das melhores alunas da turma do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Explorando o processo de investigação e suas burocracias, a leitura fluida é um auxílio para entender toda glorificação da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de seu antecessor, </span><a href="http://livrosemserie.com.br/2012/08/22/resenha-dragao-vermelho-de-thomas-harris/"><i><span style="font-weight: 400;">Dragão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foca menos na mentalidade doentia de seu assassino e mais na sádica perspicácia de Hannibal e em sua relação com Clarice. Ela, por sua vez, é peça chave para os momentos de maior deleite de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;">. A construção da personagem abarca o machismo e o sexismo da área pericial e toda força de Starling no desafio de se encontrar com Lecter, mesmo que para isso precise passar pelos imundos corredores da cadeia, causando as cenas de maior desconforto no leitor. A maior responsabilidade de Harris nessa publicação foi esclarecer que Buffalo Bill não é um personagem transsexual, livrando o produto de um beco de problemáticas, principalmente pela época na qual foi escrita. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27207" aria-describedby="caption-attachment-27207" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27207 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Coração tão branco, de Javier Marías. Na imagem, há na parte inferior esquerda o desenho de um sutiã de cor branca, em um fundo de cor roxa. No lado direito, há, em um fundo de cor laranja, os escritos Coração tão branco, em fonte de cor branca. Abaixo desse título está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor preta. Na parte superior está escrito Javier Marías, em fonte de cor roxa em um fundo de cor rosa. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1.jpg 1476w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27207" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Corazón tan blanco é uma das obras fundamentais na carreira do espanhol Javier Marías (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Javier Marías &#8211; Coração tão branco (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência de eventos que compõem nossas vidas e se sucedem ao longo dos dias parece ser uma causalidade esquisita. Essa é uma das obsessões de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/06/eps/1504730535_504329.html"><span style="font-weight: 400;">Javier Marías</span></a><span style="font-weight: 400;">, que de alguma forma suspeita não existirem causalidades, pois tudo depende de nossa forma arbitrária de recortar o presente e transformá-lo em alguma mensagem oculta. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80083"><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992), o escritor espanhol traça uma história através do fluxo da consciência de seu protagonista, Juan, um tradutor e intérprete que, desde o dia de seu casamento, começa a sentir </span><i><span style="font-weight: 400;">“pressentimentos de desastre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> – sem ter conhecimento que essa sensação é um tipo infortúnio de herança –, agravados durante a viagem de núpcias com Luisa, em Havana. Até então, ele ainda não sabia que sua tia, Teresa, havia se suicidado assim que regressou de sua própria lua de mel (o suicídio é, literalmente, a abertura do romance).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que chama atenção na obra é a maneira a qual Marías reproduz as incertezas dos segredos, os mesmos que, apesar de longínquos, guardam reações explosivas quando revelados. Cada personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;"> reage de forma diferente às confissões descobertas, e o mote das histórias fica evidente desde o início: o título é uma referência a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Shakespeare, e é proferido na obra clássica quando Lady Macbeth apunhala o já morto rei Duncan – para dividir o peso do assassinato –, mas se envergonha por agora possuir um “</span><i><span style="font-weight: 400;">coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A forma envolvente que Javier Marías desenvolve a história vale todo o esforço de leitura; ao terminar o livro, é muito difícil esquecer todas as revelações que nos foram confiadas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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