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	<title>Arquivos José Padilha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?</title>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2022 18:06:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de Aruanas traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do Globoplay sabe fazer. Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27474" aria-describedby="caption-attachment-27474" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-Aruanas.png" alt="A foto mostra um grande cartaz amarelo pendurado na cobertura de um estádio de futebol, mais precisamente, na Arena Allianz Parque. A foto foi tirada de uma perspectiva da arquibancada (de um ângulo inferior em direção ao cartaz). Neste cartaz está estampada a frase em letras garrafais: “Energia limpa, um trilhão de motivos para lutar #PetroCrime”." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27474" class="wp-caption-text">Como toda boa obra de ficção, Aruanas alerta para uma discussão real e emergencial acerca da exploração insustentável dos recursos naturais (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do <em>Globoplay</em></span><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer. </span><span style="font-weight: 400;">Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir a implementação de uma </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/12/atraso-e-boicote-medida-provisoria-sofreu-ataques-antes-da-estreia.htm"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></a><span style="font-weight: 400;"> responsável por isentar os impostos das maiores empresas de petróleo instaladas no Brasil.</span></p>
<p><span id="more-27473"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Estela Renner e Marcos Nisti (também roteiristas da série), a continuação da trama nos apresenta uma perspectiva mais profunda e detalhada sobre crimes ambientais. Ainda que na primeira temporada a sensibilidade dessa narrativa se evidencie com maior nitidez através do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/02/desmatamento-na-amazonia-brasileira-bate-recorde-em-janeiro.shtml#:~:text=Em%20novembro%2C%20o%20Inpe%20anunciou,2021%2C%20maior%20valor%20desde%202006."><span style="font-weight: 400;">desmatamento </span></a><span style="font-weight: 400;">e mineração ilegal, nesse segundo ano, o espectador é posto, com sutileza, nos meandros de crimes mascarados pelo poder público e financiados por interesses privados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova queixa trazida pela Aruana dialoga com o tema da poluição. Para explicar melhor como esse agravante é estruturado, mais uma vez, as ativistas Natalie, Luiza, Verônica e Clara se reúnem em prol de um embate travado entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161445/#:~:text=De%20volta%20ao%20enredo%20de,de%20Almeida%20e%20Lima%20Duarte."><span style="font-weight: 400;">diversos arrebatamentos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na linha tênue entre legalidade e moralidade, desta vez, obstáculos como: milícias, </span><i><span style="font-weight: 400;">lobbies</span></i><span style="font-weight: 400;"> empresariais, alienações, articulações políticas e esquemas de corrupção pautam a batalha da preservação ambiental.</span></p>
<figure id="attachment_27475" aria-describedby="caption-attachment-27475" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-Aruanas.png" alt="Foto aérea da cidade fictícia de Arapós exibe o horizonte contrastante entre a indústria química em primeiro plano (central) e um extenso rio ao fundo (segundo plano). Além desse retrato da cidade, a palavra “Arapós” se sobrepõem perante a imagem da paisagem como se fosse uma legenda da imagem. " width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27475" class="wp-caption-text">A cidade de Cubatão &#8211; considerada pela ONU nos anos 1980 como a cidade mais poluída do mundo &#8211; foi usada como cenário da fictícia Arapós (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a pergunta que não quer calar: a segunda temporada é tão envolvente quanto a primeira? De imediato, é possível assegurar: sim. As investigações mudaram, assim como a ambientação da trama, porém, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/nova-temporada-aruanas-prende-trama-suspense/"><span style="font-weight: 400;">os climas de suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">, drama e aventura permanecem fiéis aos fãs que procuram tais sensações na série. Mesmo assim, não crie expectativas sobre os destinos reservados a cada personagem. É o único conselho aos desavisados de plantão. Essa é definitivamente uma regra que deve ser cumprida por quem acompanha o seriado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, quem se quer enganar? Como seria possível deixar de depositar expectativas quando se tem, num mesmo elenco, joias da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramaturgia brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> contracenando em cenas de tensão e porradaria? Sem dúvidas, a atuação das personagens é um elemento chave neste enredo. A participação especial de Lima Duarte e a inserção de Lázaro Ramos, </span><span style="font-weight: 400;">Daniel de Oliveira, Elisa Volpatto e Joaquim de Almeida, dá um toque especial nas novas intrigas desse caótico cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esqueça o maniqueísmo clichê presente no discurso “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós</span></i><span style="font-weight: 400;">” contra “</span><i><span style="font-weight: 400;">eles</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que se vê é um complexo panorama no qual todos são responsáveis pela devastação, ainda que alguns sejam peças fundamentais para que isso aconteça. Semelhante às obras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWZbMjq8rOA"><span style="font-weight: 400;">José Padilha</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta pioneiro das narrativas policiais brasileiras, os episódios retratam as profundezas de esquemas políticos milionários que lucram através da irresponsável gestão de recursos públicos. Mais do que apontar as cartas marcadas desse tabuleiro, os roteiristas apelam para a inevitável e necessária ferramenta de mobilização social: a indignação.</span></p>
<figure id="attachment_27476" aria-describedby="caption-attachment-27476" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-Aruanas.png" alt="A foto exibe dois homens de terno sentados em uma mesa de restaurante. Os homens se encaram frente a frente. Ao lado esquerdo da imagem há um homem branco e aparentemente idoso. À direita está Lázaro Ramos, um homem negro, de quarenta anos de idade, careca. Lázaro expressa preocupação em seu rosto. O enquadramento da foto foca nos dois personagens conversando em primeiro plano, mas percebemos que há outras pessoas sentadas no restaurante desfocadas em segundo plano." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27476" class="wp-caption-text">Lázaro Ramos vive o papel de Enzo Costa, prefeito de Arapós que tem boas intenções mas que também se vê refém do xadrez político sistematicamente corrupto (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se não bastasse isso, qualquer semelhança com a realidade certamente </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054"><span style="font-weight: 400;">não é mera coincidência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, seja essa a razão da produção ter feito tanto sucesso por seu teor crítico. O grau de aproximação verídico que permeia esta ficção chega ser </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-e-o-3-em-mortes-de-ativistas-ambientais-e-dos-direitos-humanos-diz-ong/"><span style="font-weight: 400;">alarmante e assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém pouco surpreendente. Não é como se os acontecimentos fossem previsíveis, no entanto quando se trata sobre o Brasil, não é difícil encontrar lacunas mal resolvidas que se repetem. E o descarte de resíduos tóxicos na natureza esboça isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, esta segunda temporada lança uma pergunta essencial: quem se beneficia com a devastação? Quem faz parte dos bastidores desse processo lucrativo e criminoso talvez não tenha um só perfil, mas vê vantagens nos processos de desinformação e alienação da opinião pública. Por isso, a</span><a href="https://tecnoarte.eco.br/qual-a-importancia-das-ongs-para-a-sociedade/?doing_wp_cron=1649858161.4561541080474853515625#:~:text=As%20ONGs%20trabalham%20para%20aumentar,que%20buscam%20o%20mesmo%20prop%C3%B3sito."><span style="font-weight: 400;"> importância das ONGs</span></a><span style="font-weight: 400;"> como órgãos que, mesmo cumprindo papéis que deveriam ser designados ao Estado, são reparadores e fiscalizadores do ecossistema. Porém, para que tais instituições consigam ter efetividade, a série estampa também a necessidade de uma mídia alternativa, que se preocupe com as questões socioambientais.</span></p>
<figure id="attachment_27477" aria-describedby="caption-attachment-27477" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-Aruanas.png" alt="A foto ilustra dois homens sentados em uma mesa redonda, um ao lado do outro, em frente a tela de um notebook. O homem à esquerda é um jovem branco, na casa de seus 25 anos, magro. Ele aparenta estar apreensivo com a presença do homem que está ao seu lado (esquerdo), já que o mesmo tem uma arma ao seu lado. O homem à direita é um senhor, na casa de seus 43 anos de idade, de bigode e camisa listrada. Na série ele interpreta um delegado miliciano da cidade. Na foto ele aparece com dois objetos que chama a atenção: um copo de whisky e um revólver. Este senhor está com o braço direito apoiado nos ombros do rapaz à esquerda." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27477" class="wp-caption-text">Um trunfo sabiamente utilizado nessa temporada é a ligação entre empresários e milicianos envolvidos no esquema de desinformação pública e descarte ilegal de lixo industrial (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento da narrativa, todos os envolvidos escancaram seu descontentamento com o que se passa em Arapós. Os mercenários temem ser desmascarados, os alienados percebem que algo está errado e os justiceiros, intrometidos onde não são chamados, são ameaçados. E é nesse tom de ameaças que os capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolvem para um desfecho nada agradável. Apesar disso, ele não chega a ser ruim, mas deixa a desejar em muitas explicações que, provavelmente, estarão presentes em uma </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/globo-ja-planeja-terceira-temporada-de-aruanas"><span style="font-weight: 400;">terceira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O Mecanismo nasceu quebrado</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2018 23:42:44 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_9850" aria-describedby="caption-attachment-9850" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo.jpg" alt="" width="900" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo-300x167.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9850" class="wp-caption-text"><em>Nova empreitada de José Padilha (Tropa de Elite) alegoriza a Operação Lava-Jato [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Que o cenário político de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/"><em>House of Cards</em></a> é caótico, nós sabemos. A primogênita do que seria uma grande leva de produções da <em>Netflix</em> nos mostrou como a política americana se ordena. Frank Underwood e sua esposa Claire tiram leite de pedra para conseguir poder; eles fazem o terror. Entretanto, com as acusações contra Spacey, o protagonista foi afastado e a plataforma de <em>streaming</em> deu o veredito: menos episódios, Claire toma os holofotes e a série acaba na sexta temporada. Com as tramoias e artimanhas da Casa Branca se esgotando, a <em>Netflix</em> decidiu virar a câmera para outro cenário extremamente desordenado: o do Brasil.</p>
<p><span id="more-9848"></span></p>
<p><em>O Mecanismo</em> chega com a força do nome de José Padilha, seu idealizador. Pai dos dois <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><em>Tropa de Elite</em></a> e de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-narcos-terceira-temporada/"><em>Narcos</em></a>, Padilha é polêmico, não deixa nada subentendido e entrega ao publico uma produção ímpar. Uma realidade já retratada no longa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WdgD4g-JfFA"><em>Polícia Federal: A Lei é Para Todos</em></a>, que agradou poucos. Dessa vez, ele decide contar a história, dividida em oito capítulos, pela versão dos policias envolvidos no início da Lava Jato. Selton Mello é Marco Ruffo, policial que deu origem à fagulha da operação. Ele trabalha ao lado de Caroline Abras, que interpreta a delegada Verena. A química entre os dois é ótima, há um grau de amizade explícito ali.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mecanismo | Trailer oficial [HD] | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/80NBF4O-guM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O grande tema trabalhado na série é o egoísmo das personagens, desde o diretor da <em>Petrobrasil</em> (rá!) que esconde dinheiro na parede até o juiz do Supremo que decide dar autógrafos após decretar prisões. Todo mundo quer ficar no centro da luz. Ruffo trabalha nas sombras, mas, na maior antítese da produção, é o que mais se move para o meio.</p>
<p>Verena se constrói com base nas relações que ela cultiva ao longo dos episódios: a amizade com Ruffo, o caso com o procurador do Ministério Público, a liderança com Vander (Jonathan Haagensen) e a submissão a seus superiores. Tudo isso faz da delegada a personagem mais calejada da série. A interpretação mais gratificante e, ao mesmo tempo, desesperadora é a dela.</p>
<p>Ruffo, porém, tem o arco mais abrangente. Ele trabalha com metalinguagem. Nos episódios dirigidos por Daniel Rezende, há uma trama paralela que envolve esgoto vazando e o conhecido &#8220;jeitinho brasileiro&#8221;. É ali que a série justifica seu título e o discurso que prega ao longo da produção. É um ciclo, e todos estão envolvidos.</p>
<figure id="attachment_9853" aria-describedby="caption-attachment-9853" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-300x169.jpg" alt="" width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9853" class="wp-caption-text"><em>Verena, Ruffo e Roberto Ibrahim: três caricaturas certeiras de personagens da vida real (Foto: Reprodução/Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Padilha e a roteirista Elena Soarez utilizam um recurso extremamente desgastante: a narração em <em>off</em>. Se usado em dosagem certa, dá um ar mais enigmático aos acontecimentos, mas, nesse caso específico, há exagero. Por puro desleixo, as personagens estão constantemente narrando tudo que já está em tela, julgando o espectador como lesado.</p>
<p>Outro ponto que incomoda em <em>O Mecanismo</em> é a tentativa da criação de jargões e frases de efeito (característica também evidente em <em>Tropa de Elite</em>). Ruffo fala sobre o câncer que o sistema politico brasileiro é, e que<em> “não se pode combater um câncer impunemente”</em>. A todo momento Verena, seu parceiro Vander ou até mesmo o doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Díaz) soltam frases caricatas e que ninguém diria nesses contextos.</p>
<p>Ibrahim representa Alberto Youssef, o doleiro que deu o pontapé da Lava Jato. Juiz Rigo (Otto Jr.) é Sergio Moro, numa atuação que limita os próprios feitos e conquistas, o personagem reluta em abraçar o lado celebridade que tanto lhe almeja. O momento de aceitação de seu destino figura entre os melhores da série.</p>
<p><figure id="attachment_9854" aria-describedby="caption-attachment-9854" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-300x163.jpg" alt="" width="800" height="436" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-768x418.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello.jpg 815w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9854" class="wp-caption-text"><em>Frases de efeito são recorrentes na série: &#8220;É impossível combater um câncer impunemente&#8221;, decreta Ruffo (Selton Mello) no trailer [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>Outros dois que brilham em suas caricaturas do real são Lúcio Lemes e Mário Garcez Brito, o Mago. Lemes (Michel Bercovitch) é Aécio Neves, bêbado pelo poder em potencial e pelas descobertas contra a presidente em exercício. Ele quer a presidência para si ao fim das próximas eleições. O Mago (Pietro Mário) é o ex-ministro da Justiça, tramando a costurando um acordo que vai livrar a cara das empreiteiras. O tom de voz rouco e a poetização de suas frases são os grandes destaques da interpretação.</p>
<p><em>O Mecanismo</em> foi alvo de críticas por sua <a href="http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43550506">falta de verossimilhança</a> com o cenário político verdadeiro. A série inverte falas e busca pintar uma composição mais heroica, construindo seus heróis de peito estufado. Conta a história da maneira mais condizente possível com suas premissas e objetivos. Por isso, não venha aqui procurando o retrato falado do que aconteceu no Brasil pós-2010: <em>O Mecanismo</em> é entretenimento puro.</p>
<p>Outras produções trabalham de maneira menos alegórica o caos que se instaurou no Brasil. <a href="http://cultura.estadao.com.br/blogs/p-de-pop/berlim-ovaciona-o-processo-o-atestado-de-obito-da-democracia-nacional/"><em>O Processo</em></a>, documentário de 2016 da diretora Maria Augusta Ramos, mostra as duas semanas que antecederam o <em>impeachment</em> de Dilma Rousseff. Exibido no Festival de Berlim, ele não conta com entrevistas ou narrações em <em>off</em>. É um filme cru que visa a informação, e não o entretenimento.</p>
<figure id="attachment_9857" aria-describedby="caption-attachment-9857" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9857 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic.jpg" alt="" width="630" height="395" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic.jpg 630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9857" class="wp-caption-text"><em>Juiz Rigo, o Sérgio Moro da Netflix (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Com todas as reviravoltas que sucederam o <em>impeachment</em>, ainda existe muita trama para <em>O Mecanismo</em> dramatizar e trazer ao grande público. Ainda mais com um certo vice-presidente descontente à espreita, pronto para dar o bote.</p>
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