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	<title>Arquivos Joel Edgerton &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 13:00:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Guilherme Machado Leal A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em Sonhos de Trem, longa-metragem indicado a quatro categorias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/onhos-de-trem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37085" aria-describedby="caption-attachment-37085" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-800x420.png" alt="Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há um homem branco de cabelos e barba castanho escura. Ele usa três camadas de roupa. Na foto, é possível ver a camisa de botão marrom e uma espécie de jaqueta azul por cima. Atrás dele, há madeiras e árvores. Ele usa um chapéu marrom e está com a feição séria." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-8.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37085" class="wp-caption-text">Sonhos de Trem foi indicado a quatro categorias no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonhos de Trem</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem indicado a quatro categorias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2026/"><span style="font-weight: 400;">Oscar 2026</span></a><span style="font-weight: 400;"> e baseado no conto homônimo de Denis Johnson, o trabalho de cinematografia é realizado pelo brasileiro </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/01/22/adolpho-veloso-diretor-de-fotografia-de-sonhos-de-trem-e-indicado-ao-oscar-2026.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Adolpho Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, também reconhecido em Melhor Fotografia.</span></p>
<p><span id="more-37083"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa conta a história de um madeireiro estadunidense no início do século XX, que também trabalha como um construtor de ferrovias. Na casa onde mora, Robert Grainier (Joel Edgerton) é casado com Gladys (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Felicity Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) e tem uma filha com a dona de casa. Devido à rotina, o protagonista não tem tempo para se dedicar à vida pessoal. Pelo contrário, ele se debruça totalmente à atividade para, um dia, ter paz ao lado da família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensação de culpa representada pela aparência cansada de Edgerton é sentida aos poucos pelo telespectador, que acompanha alguns anos da trajetória do personagem. Isso, alinhado à </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/joel-edgerton-train-dreams-interview?srsltid=AfmBOoqSz8pLR0CixFjI4H98ByEa7UB2cXPyDFjYbwwjo-FVpcBU3QmA"><span style="font-weight: 400;">atuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais contida e sufocante de Joel, dá o tom existencialista da produção. Em certo momento, o homem perde a esposa e a bebê durante um incêndio. A partir disso, a desumanização do lenhador se torna o peso emocional da trama por meio da tentativa do homem de seguir em frente e continuar o trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_37084" aria-describedby="caption-attachment-37084" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6.png" alt="Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos dourados que utiliza um vestido roxo claro estampado com flores brancas e amarelas. Ela está olhando para uma bebê, que veste uma roupinha verde e um chapéu azul. A criança está sendo segurada por um homem branco de cabelos e barba castanha escura. Ele também usa um chapéu da cor marrom. Atrás deles, há uma floresta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-6-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37084" class="wp-caption-text">Felicity Jones, conhecida por Rogue One: Uma História Star Wars, faz o par romântico do personagem interpretado por Joel Edgerton (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, existe descanso até para aqueles que priorizam o lado profissional. A fotografia do </span><a href="https://www.meioemensagem.com.br/midia/adolpho-veloso-oscar-entrevista-sonhos-de-trem"><span style="font-weight: 400;">brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerta ao utilizar tons mais melancólicos voltados para tons de azul. Depois da tragédia, o processo de envelhecimento é sentido duplamente: primeiro devido ao processo natural da chegada da idade e segundo por conta da solidão irreversível provocada pela perda fatal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece quando morre alguém próximo a nós, </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2025/11/22/sonhos-de-trem-da-netflix-e-baseado-em-historia-real"><span style="font-weight: 400;">Robert Grainier</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca mais será o mesmo. O trabalho adquirá um tom diferente, da mesma maneira que as relações nutridas por ele também irão se adaptar. O mundo continua igual, porém a forma de olhá-lo é estranha, inóspita e distante emocionalmente. Ao final do longa, o personagem principal se olha no espelho – a primeira vez em um período relativamente longo – e percebe, internamente, o quanto a vida foi dura com ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra existencialista de </span><a href="https://www.npr.org/2025/11/15/nx-s1-5602865/director-and-co-writer-clint-bentley-talks-about-his-film-train-dreams"><span style="font-weight: 400;">Clint Bentley</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode não possuir o tom mais palatável àqueles que a experienciam. Entretanto, é inegável o cuidado e dedicação do trabalho cinematográfico realizado por Adolpho Veloso. A partir das lentes melancólicas escolhidas pelo brasileiro, em algum lugar, entendemos a depressão e a solidão daquele lenhador estadunidense do início do século XX. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Train Dreams | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_Nk8TrBHOrA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 17:56:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Lopes Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de Matéria Escura foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela Apple TV+ em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/materia-escura-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34507" aria-describedby="caption-attachment-34507" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com um casaco preto olha para sua frente com a boca aberta e expressão facial de alguém impressionado. Ao seu lado, está Amanda (Alice Braga), uma mulher branca, com cabelo castanho escuro, olhos escuros e vestida com um casaco cinza. Ela carrega a mesma expressão facial impressionada de Jason. No fundo, há uma parede de concreto e uma paisagem arborizada, que dividem a cena com um céu azul acinzentado." width="585" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-34507" class="wp-caption-text">Lançada em Maio de 2024, a série Matéria Escura presenteia o público com uma mistura de ciência e filosofia, com esplêndida atuação da atriz brasileira Alice Braga (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Lopes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/materia-escura-dark-matter-apple-tv"><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) e, principalmente, pela teoria do pessimista alemão Arthur Schopenhauer (1788 &#8211; 1860). Enquanto o primeiro se debruça sobre o fato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gNltpdCX8ks"><span style="font-weight: 400;">a liberdade humana ser angustiante</span></a><span style="font-weight: 400;">; o segundo, em sua ilustre obra literária </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo como Vontade e Representação </span></i><span style="font-weight: 400;">(1818), estuda, a grosso modo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IMSYDGo6mA&amp;t=61s"><span style="font-weight: 400;">como o ser humano sempre deseja aquilo que não tem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) é uma mistura de tudo isso.</span></p>
<p><span id="more-34505"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início do primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Você está feliz com a sua vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público se depara com Jason Dessen (Joel Edgerton), um professor universitário de física frustrado, em uma aula em que fala quase com as paredes sobre o famigerado ‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z4uIBLHs3_E"><span style="font-weight: 400;">Gato de Schrödinger</span></a><span style="font-weight: 400;">’, cuja teoria pode ser definida como o substrato da série toda. O mesmo ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção consagrada pela audiência e conhecida como uma das ‘queridinhas’ da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A diferença é que, na série alemã, a famosa teoria do gato, que existe e não existe ao mesmo tempo dentro de uma caixa, aparece apenas no final. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Eu costumava pensar que o objetivo da vida era chegar a um destino perfeito. Como ainda não tinha chegado lá, eu me sentia incomodado. Mas já tinha visto a perfeição. Já tinha chegado lá, e estou começando a suspeitar que são as imperfeições da vida que equivalem a um tipo de perfeição”.  </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Essa é uma das frases mais marcantes de Jason Dessen, protagonista da série. A conclusão que tal sentença carrega, todavia, não é alcançada pelo professor no começo da temporada.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessen vive uma vida de classe média baixa em Chicago, com sua esposa Daniela (Jennifer Connelly) e o filho Charlie (Oakes Fegley). O professor vê seu grande sonho profissional ser vivido pelo seu melhor amigo Ryan (Jimmi Simpson), um físico renomado e premiado. Com uma pegada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7cLqwm3zQZI"><i><span style="font-weight: 400;">Efeito Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2004), Jason tinha a liberdade sartriana para escolher entre dois caminhos no seu passado: casar-se com Daniela, o amor da sua vida, e criar os filhos que eles estavam esperando, de modo a deixar sua carreira de lado ou abandoná-la, obrigando a abortar seus filhos e seguir sua promissora carreira de físico que, certamente, levá-lo-ia à fortuna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele escolhe a primeira opção, que, embora tenha o levado à felicidade no amor, implicou, por outro lado, uma carreira amargurada, que pouco ou nada o recompensa nas esferas econômica e emocional, e sem qualquer perspectiva de melhora a curto e longo prazo. O que ele ainda não sabe, porém, é que sua realidade pode ser bem diferente – para a alegria dos telespectadores que acompanham a trama que discorre ao longo de nove episódios bem construídos e pensados para fazer o público maratonar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade paralela, dentro do multiverso de Schrödinger, Jason tomou a opção que privilegiava sua carreira e, por conseguinte, tornou-se um endinheirado empresário, que vive um relacionamento com a sedutora psicóloga Amanda (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/05/11/com-alice-braga-dark-matter-prova-multiverso-alem-de-herois-da-marveldc.htm"><span style="font-weight: 400;">Alice Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Ao contrário do primeiro Jason, no entanto, esse segundo é infeliz por ter ficado sem Daniela, seu verdadeiro e único amor. </span></p>
<figure id="attachment_34506" aria-describedby="caption-attachment-34506" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com uma blusa preta está cabisbaixo, com um olhar de tristeza. Ao seu lado, está sua esposa Daniela (Jennifer Connelly), uma mulher branca, de olhos  claros, cabelo preto e curto, vestida com uma blusa de manga comprida preta, de gola v. Ela olha para o marido com um olhar de desconfiança. Ao fundo, há uma sala de estar borrada, com luzes baixas, que entram predominantemente pela janela localizada do lado esquerdo, atrás de Jason." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34506" class="wp-caption-text">Jason Dessen, interpretado por Joel Edgerton, tenta superar as escolhas do seu próprio ‘eu’ para ficar com o amor de sua vida, vivida por Jennifer Connelly (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal infelicidade impulsiona o segundo Jason a construir uma caixa de Schrödinger gigante e ir em busca de sua amada na realidade do primeiro Dessen, professor frustrado, o que irá embaralhar a vida de todos aqueles que estão ao redor dos Jasons. Como previu </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/46045_conheca-arthur-schopenhauer-conhecido-como-filosofo-da-vontade.html"><span style="font-weight: 400;">Schopenhauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ser humano nunca está satisfeito com aquilo que está em suas mãos. Destaca-se aqui a atuação impressionante de Joel Edgerton ao dar vida aos dois principais Jasons da produção: o ator, apesar de continuar com o mesmo rosto e demais características físicas, encarna personagens cujas personalidades são diametralmente opostas, o que faz com que a audiência perceba a diferença entre um e outro apenas pelo olhar de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, física quântica, filosofia e reviravoltas fazem parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com menção à atuação espetacular da atriz brasileira Alice Braga – que prova, mais uma vez, que seu talento está indiscutivelmente no sangue – e ao cenário soturno, que beira as distopias clássicas. A capacidade do enredo de fazer com que os telespectadores entendam teorias complexas sem quebrar a cabeça também é digna de nota. A série tenta matar a saudade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz com que reflitamos sobre a insaciabilidade dos nossos desejos e sobre onde nossa liberdade de escolha pode nos levar – e isso é bom. Com um final dominado pelo ‘gostinho’ de quero mais, </span><a href="https://macmagazine.com.br/post/2024/08/16/apple-tv-renova-serie-materia-escura-para-a-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">a série foi renovada</span></a><span style="font-weight: 400;">, com lançamento da segunda temporada ainda sem data certa. Que seja tão boa quanto a primeira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Matéria Escura — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v_D9kHy3afM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 16:24:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Joel Edgerton]]></category>
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		<category><![CDATA[Melhor Composição Musical em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme ou Especial (Trilha Dramática Original)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Quando um premiado cineasta decide migrar para as telinhas, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Underground Railroad circunscreve o cruzamento entre o bruto e o sensível"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23170" aria-describedby="caption-attachment-23170" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg" alt="Cena da minissérie The Underground Railroad. A cena mostra dois jovens negros agachados e encostados um no outro. Cora é uma mulher, de cabelo preso num coque e Caesar é um homem de olhos claros, barba e cabelos pretos e veste roupas marrons. " width="2560" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23170" class="wp-caption-text">Disputando em 2 importantes categorias na noite principal do Emmy 2021, The Underground Railroad merecia muito mais (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando um premiado cineasta decide </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-16/barry-jenkins-a-historia-dos-eua-foi-contada-de-um-unico-ponto-de-vista-durante-demasiado-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">migrar para as telinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sinal de que sua Arte está em expansão. Não apenas no escopo narrativo, já que a TV abre espaço para histórias volumosas e intrincadas, mas também no campo da linguagem, considerando também que o formato seriado testa limites, que vão desde a criação de personagens e ritmo até sua inevitável conclusão. Por isso, o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/reuters/2021/05/10/barry-jenkins-diz-que-temeu-filmar-drama-sobre-escravidao-the-underground-railroad.htm"><span style="font-weight: 400;">deleite de assistir Barry Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciar seu envolvimento em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas premeditou aquele que seria o trabalho mais coerente, sufocante e crucial de 2021.</span></p>
<p><span id="more-23169"></span></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Underground-Railroad-Caminhos-Para-Liberdade/dp/8595080291"><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos Para a Liberdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro escrito por Colson Whitehead, em 2016, e </span><a href="https://www.pulitzer.org/winners/colson-whitehead"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no ano seguinte. Essa é a base para o projeto imprescindível de Jenkins, que vem trabalhando para que grandes autores negros tenham suas obras adaptadas para o audiovisual. A estreia de Jenkins no Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight,</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m8RT62PUoZ0"><span style="font-weight: 400;">peça de teatro de Tarell Alvin McCraney</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ponto de partida para discursar sobre escolhas e sobre o amor, quando se é negro e não se tem muitas possibilidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;"> venceu 3 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre eles, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kTEi8Cf04FY"><span style="font-weight: 400;">Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GCQn_FkFElI&amp;t=393s"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Se a Rua Beale Falasse</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a adaptação do </span><a href="https://www.amazon.com.br/rua-Beale-falasse-James-Baldwin/dp/8535931945/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;dchild=1&amp;keywords=Se+a+Rua+Beale+Falasse&amp;qid=1631806633&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">livro homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lendário James Baldwin, e mostra um Jenkins mais seguro no posto de diretor, guiando suas cenas não por simples diálogos ou ações, mas deixando que a emoção da trágica história de um romance interrompido dê as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CQXSforT_qQ"><span style="font-weight: 400;">batidas narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levaram o longa ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WXebOFhT9Og"><span style="font-weight: 400;">Regina King</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, o caminho não será o mesmo. A Série Limitada original do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi reconhecida da maneira que deveria no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, portanto, tornando impossível que sua coroação aconteça da mesma maneira que trabalhos anteriores do cineasta o fizeram.</span></p>
<figure id="attachment_23171" aria-describedby="caption-attachment-23171" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Mabel, uma mulher negra retinta adulta, vestido uma camisola branca, segurando um bebê negro no colo." width="2560" height="1706" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-2048x1365.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23171" class="wp-caption-text">A passagem de Jenkins do Cinema para a TV casa sua direção cuidadosa com a pegada de realismo mágico do livro original, transformando as quase 10 horas de duração da série em um estudo da extensão da liberdade (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram apenas 7 menções para a produção, que já </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1437463854041243649"><span style="font-weight: 400;">perdeu cinco delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no fim de semana do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Técnico, e não tem muita chance de vencer na noite principal do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A falta de campanha por parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro fator que desemboca na miséria e na ausência do prestígio, mas o buraco é mais embaixo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comandado pela </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/thuso-mbedu-underground-railroad-isthunzi-interview"><span style="font-weight: 400;">novata Thuso Mbedu</span></a><span style="font-weight: 400;">, o elenco não escalou nomes grandes da indústria. Isso, em adição a um ano extremamente tumultuado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-serie-limitada-ou-antologia/"><span style="font-weight: 400;">corrida das Séries Limitadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, resultou em seu reconhecimento na categoria principal e também de Jenkins pelo conjunto da obra em Melhor Direção. Mas que falta faz uma menção para Mbedu como Atriz, ou para os exímios coadjuvantes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6UleXgmF3N4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">, William Jackson Harper, Joel Edgerton e a inacreditável Sheila Atim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de dez episódios, todos dirigidos por Jenkins, acompanhamos a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cte9XhQ0Do"><span style="font-weight: 400;">jornada de Cora</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Mbedu), uma escrava fugitiva, que parte em busca da ferrovia do título. Ao longo das tempestuosas aventuras, descobrimos ao lado dela que esses trilhos são tão reais quanto metafóricos. Ela se apaixona, se frustra, teme e não esconde sua personalidade. Por ser uma jovem de pouca idade e muito trauma, os silêncios se tornam rotina e a minissérie usa e abusa deles, tornando a </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem da ausência</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma das mais importantes ferramentas na hora de contar essa história.</span></p>
<figure id="attachment_23172" aria-describedby="caption-attachment-23172" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mosta Caesar e Cora sentados, posando para a foto. Eles são jovens e negros. Ele é um homem de pele negra clara, olhos azuis e veste terno cinza e chapéu oval escuro. Ela tem a pele mais escuro e usa chapéu e vestido amarelos." width="1440" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23172" class="wp-caption-text">A obra original usa de elementos reais, com a existência dessa rede subterrânea de trilhos, mas engrandece esse aspecto, dando vida e personalidade para a ferrovia, que é realisticamente mágica (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o primeiro trabalho de visibilidade maior de Thuso, que tem no currículo produções televisivas de nicho. Sob a tutela de Jenkins, a atriz sul-africana cria metamorfoses em tela, eclodindo de uma cápsula protetora para a seguinte e, no caminho, protege aqueles a seu redor, em especial as duas jovens escravas com quem encontra na trama. </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-06-22/thuso-mbedu-underground-railroad-barry-jenkins"><span style="font-weight: 400;">Mbedu engrandece a minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, dá-lhe vida, potência e magnetismo. Sua performance evoca dor e perdão, ao mesmo tempo em que lida com a culpa e com a saudade da mãe Mabel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g1XdIgRIZNo"><span style="font-weight: 400;">Sheila Atim</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sheila rouba a cena mesmo figurando em poucos vislumbres da produção. Seu holofote é aceso quase no fim do túnel, em </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515570/?ref_=ttep_ep10"><i><span style="font-weight: 400;">Chapter 10: Mabel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que rebobina as ações de Cora e nos transporta para o período em que ela não passava de uma criança e ainda vivia na fazenda escravocrata junto da família. Sem muito espaço para expandir essa narrativa conclusiva, Barry Jenkins decide pausar o avanço de Cora para que entendamos a raiz de suas questões de desconfiança e desamparo. Mabel é tão benevolente como a filha, e paga caro por cultivar esse senso materno de empatia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é mais um dos limites traçados pelo roteiro do time comandado por Jihan Crowther: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Pq5Usc_JDA"><span style="font-weight: 400;">linha tênue entre o cruel e o sensível</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre a morte e a vida, entre a poesia de partir e a amargura da incerteza. A cena que conclui cruelmente a jornada de Mabel traduz com clareza o âmago de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sequência carinhosas divididas entre Cora e Caesar (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FkY3exKqPV4"><span style="font-weight: 400;">Aaron Pierre</span></a><span style="font-weight: 400;">) são pontuadas pela dor do contexto, quando Jenkins se importa o suficiente com os personagens para lhes amenizar com doses cavalares de afeto, mas se importa mais ainda com a veracidade desse excruciante conto, que se passa alguns anos antes da </span><a href="https://www.battlefields.org/learn/articles/10-facts-what-everyone-should-know-about-civil-war"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23173" aria-describedby="caption-attachment-23173" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Grace, uma criança negra, com vestido vermelho e cabelo black power, olhando para fora, parada em uma porta." width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23173" class="wp-caption-text">A jovem Fanny Briggs ganha o protagonismo no único episódio que foge da duração comum: em apenas 20 minutos, o sétimo capítulo ressignifica a morte e a crença no futuro (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de Caesar é catalisador de emoções na primeira trinca de episódios, mas sua ausência é logo suprida por outros dois homens. Primeiro, somos apresentados ao caçador de escravos Ridgeway, interpretado com a tenacidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K0ZTwIp9rDk"><span style="font-weight: 400;">Joel Edgerton</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhado do escravo Homer (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNVO_eLm-fQ"><span style="font-weight: 400;">Chase W. Dillon</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma mera criança que tem suas noções deturpadas pelo racista a quem pertence, Ridgeway caça Cora ao longo de toda a temporada, não dando sossego para ninguém no caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história acontece por ele e através dele, e muito da personagem Cora é resultado desse jogo doentio. O quarto episódio, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt8515558/?ref_=ttep_ep4"><i><span style="font-weight: 400;">The Great Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a narrativa se transmuta de uma mera “antologia” para o golfo magnético de permissão e aflição, é focado no jovem Ridgeway, que testa os limites humanos para que sua sede de carne seja devidamente saciada. No fim, não importa quantos chicotes estalassem ou quantos grilhões selasse, ele nunca estaria satisfeito.</span></p>
<figure id="attachment_23174" aria-describedby="caption-attachment-23174" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg" alt="Cena da série The Underground Railroad. A cena mostra Cora e Caesar dançando. Eles são jovens e negros, ele usa terno e ela usa um vestido claro e luvas brancas. Eles se olham nos olhos." width="1300" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1024x630.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-768x473.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-2-1200x738.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23174" class="wp-caption-text">Os episódios, extremamente densos e atmosféricos, oscilam entre vinte e oitenta minutos, provando que The Underground Railroad se beneficiaria muito mais de uma exibição semanal (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda figura masculina, e que agracia a parcela final da série, é o personagem de William Jackson Harper (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Royal. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gHff3h6xndk"><span style="font-weight: 400;">Maduro e nada inconsequente</span></a><span style="font-weight: 400;">, é ele quem apresenta Cora ao “paraíso”, e ao conceito de liberdade dentro desse ambiente escravocrata e permeado pelos limites de felicidade e prazer. A indecisão de Cora fala mais alto, ao passo que os episódios destinados às estações de Indiana pavimentam o suspense que explode na pragmática cena do tiroteio da igreja. Os conceitos cristãos cruzam um sobre os outros, a casa de Deus é palco de uma carnificina e, honrando as escrituras sagradas, os sonhos morrem, o sangue escorre e o Céu cai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado da falência divina é a vingança tardia. Cora enfrenta seu captor, seu bicho-papão e seu demônio pessoal. Ridgeway é engrandecido pelo trabalho de Edgerton, que brilha como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aXnwpVLuEyU"><span style="font-weight: 400;">outros atores brancos</span></a><span style="font-weight: 400;"> já o fizeram no exercício de dar vida a monstros racistas. Não é coincidência que, quando as primeiras reações à série saíram, o comum acordo era reconhecer a brutalidade do ator em cena. Nessa leva, Barry Jenkins, acompanhado de uma equipe técnica formosa, não dá tanta atenção ao barulhento, preferindo iluminar as performances mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7G4nVlTaCZM"><span style="font-weight: 400;">singelas e internas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas mulheres.</span></p>
<figure id="attachment_23175" aria-describedby="caption-attachment-23175" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg" alt="Cena dos bastidores de The Underground Railroad. A foto mostra o diretor Barry Jenkins, um homem negro de óculos, de pé em meio a uma plantação. Ao seu redor, vemos atores e pessoas operando as câmeras." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23175" class="wp-caption-text">Barry Jenkins nos dá indícios que vai construir uma narrativa quase antológica, com Cora partindo de uma pequena trama para outra, mas o decorrer da série é engolido por uma atmosfera fúnebre e ilusória (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021, nenhuma delas foi reconhecida. Thuso ficou de fora da disputa de Atriz, assim como seus colegas coadjuvantes. As nomeações vieram coroando os trabalhos das equipes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">e Edição de Som, além da direção de elenco e a fotografia de James Laxton. Também citada, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/2dCTpR2osQnVMvbCeiKPkC"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora mística de Nicholas Britell</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de Jenkins desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o grande feitiço da produção, que honra e enobrece as composições visuais e artísticas filmadas em cada uma das impressionantes locações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na toada de transmitir a dor e a perda de maneira nada gratuita ou agressiva à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Underground Railroad</span></i><span style="font-weight: 400;"> não quer que sua trama seja um espetáculo dos horrores. 2021 já </span><a href="https://personaunesp.com.br/them-critica/"><span style="font-weight: 400;">nos amaldiçoou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">Them</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção também do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, que vê graça no sofrimento de pessoas negras. Comandado pela mente digna de um homem destinado (e </span><a href="https://deadline.com/2020/09/the-lion-king-sequel-barry-jenkins-moonlight-director-disney-1234586787/"><span style="font-weight: 400;">já desfrutando</span></a><span style="font-weight: 400;">) da grandeza e das honras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caminhos para a Liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> são imersivos, árduos, recompensadores e memoráveis. A receita perfeita para a construção de um clássico.</span></p>
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