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	<title>Arquivos João Gordo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Marginal Alado, os dias de luta e glória de Chorão ganham um lugar ao Sol</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2021 17:41:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner “O Chorão era tipo uma carreta, com um monte de problema que ele ia carregando, está ligado? De várias pessoas, assim. Nessa carreta, velho, cheia de problema, eu não sei se sobrava espaço para os dele, velho”. A declaração de Glauco Veloso, a quem o músico ajudou a ser liberto da prisão, resume &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Marginal Alado, os dias de luta e glória de Chorão ganham um lugar ao Sol"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/">Em Marginal Alado, os dias de luta e glória de Chorão ganham um lugar ao Sol</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22722" aria-describedby="caption-attachment-22722" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1.jpg" alt="Foto de Chorão. Ele, um homem branco, cruza os braços enquanto exibe as suas tatuagens. Uma delas escreve “marginal alado”, nome do documentário sobre sua vida." width="680" height="453" /><figcaption id="caption-attachment-22722" class="wp-caption-text">“O fato de eu ter tatuado em mim, no meu braço, “marginal”, não quer dizer que eu sou um marginal que faz várias fitas, que assalta os outros, não. Quer dizer que eu estou à margem de muita coisa que eu acho que é hipócrita, que é mentirosa”, disse Chorão <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XkKymOan9M4">durante um show</a> (Foto: Roberto Selton)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“O Chorão era tipo uma carreta, com um monte de problema que ele ia carregando, está ligado? De várias pessoas, assim. Nessa carreta, velho, cheia de problema, eu não sei se sobrava espaço para os dele, velho”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A declaração de </span><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2013/03/ele-falava-que-queria-morrer-diz-amigo-skatista-de-chorao.html"><span style="font-weight: 400;">Glauco Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, a quem o músico ajudou a ser liberto da prisão, resume a narrativa sobre os dias de luta e glória do vocalista da banda Charlie Brown Jr., presente no documentário </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2021/04/14/noticias-cinema,271222/chorao-marginal-alado-ocupa-o-primeiro-lugar-nas-plataformas-digitais.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse tipo de apelo emocional faz o espectador desconsiderar os defeitos técnicos da direção de </span><a href="https://www.radiorock.com.br/2021/04/08/exclusivo-conversamos-com-felipe-novaes-diretor-do-filme-chorao-marginal-alado-que-estreia-nesta-quinta-feira/"><span style="font-weight: 400;">Felipe Novaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, que acabou se perdendo na riqueza dos arquivos pessoais disponibilizados pela equipe de Alexandre Magno Abrão.</span></p>
<p><span id="more-22721"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do cantor e de seu grupo de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional é contada de maneira confusa até mesmo para os familiarizados com a trajetória do </span><a href="https://www.omelete.com.br/melhores-musicas-discos/chorao-charlie-brown-jr-10-musicas-marcaram-geracao#26"><span style="font-weight: 400;">Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, grande parte dos brasileiros nascidos nos anos 90 e 2000. Entre as entrevistas excepcionais com personalidades da música, amigos próximos, membros da família e do CBjr, a participação do baixista </span><a href="https://epipoca.com.br/ultima-entrevista-de-champignon-antes-de-morrer-foi-uma-das-mais-importantes-do-documentario-chorao-marginal-alado/"><span style="font-weight: 400;">Champignon</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca.</span></p>
<figure id="attachment_22723" aria-describedby="caption-attachment-22723" style="width: 599px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2.jpg" alt="Foto de Chorão e Champignon no palco de um show. Ambos os homens são brancos e vestem bonés enquanto se abraçam. Chorão segura um microfone e Champignon estampa um sorriso." width="599" height="351" /><figcaption id="caption-attachment-22723" class="wp-caption-text">Champignon passou seis anos fora do Charlie Brown Jr. pelas desavenças com Chorão e o empresário da banda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabisbaixo e visivelmente abalado, Champignon, que cometeria </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/viuva-de-champignon-do-charlie-brown-jr-fala-sobre-suicidio-com-bial/"><span style="font-weight: 400;">suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> sete dias depois dessa entrevista, revela um pouco mais sobre a sua relação de amor e ódio com Chorão, morto seis meses antes, por uma overdose. Descoberto quando tocava baixo pelas ruas de Santos, Champs, como era apelidado, entrou para a formação original da banda aos 12 anos. A partir dessa interação, a obra explora a amizade intensa entre essas duas figuras que protagonizaram diversos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ob3voDauEY8"><span style="font-weight: 400;">confrontos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a personalidade forte e a intimidade são os principais focos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Onde a sequência de momentos controversos e descontraídos propõem a dualidade do vocalista, expressada de forma genial pelo relato cômico de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/joao-gordo-relembra-treta-e-porrada-no-escuro-com-chorao-escondi-uma-faca/"><span style="font-weight: 400;">João Gordo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo ele, Alexandre pediu paz após agredi-lo no bastidor de uma premiação. As falas de </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2021/04/livro-de-viuva-de-chorao-retrata-o-amor-por-tras-do-idolo.html"><span style="font-weight: 400;">Graziela Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kw-v-obdSzo"><span style="font-weight: 400;">Alexandre Ferreira Lima Abrão</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua ex-esposa e seu filho, também demonstram um lado do músico até então desconhecido pelo público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Charlie Brown Jr. - Proibida pra Mim (Grazon) (Ao Vivo - Chegou Quem Faltava)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/liUFyz_sXLE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em sua vida particular Chorão escondia a sua </span><a href="https://istoe.com.br/281553_AMOR+DROGAS+E+SOLIDAO/"><span style="font-weight: 400;">dependência química</span></a><span style="font-weight: 400;"> até da própria esposa, o documentário faz diferente. Ainda que Felipe Novaes bagunce a ordem cronológica dos </span><a href="https://revista.cifras.com.br/artigo/chorao-charlie-brown-jr-causa-da-morte"><span style="font-weight: 400;">eventos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levariam ao falecimento, nada impede a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kJ64u-L19No"><span style="font-weight: 400;">comoção</span></a><span style="font-weight: 400;"> causada pelos depoimentos dos convidados e pelas gravações em que o cantor diz estar cansado do sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, como acabar com tudo, quando centenas de famílias são sustentadas pelo trabalho do Charlie Brown Jr.? Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;"> desenvolve a dificuldade do compositor em resolver seus problemas pessoais, principalmente após a morte de seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7bkCLxaurg"><span style="font-weight: 400;">pai</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma equipe gigantesca, milhares de fãs e discos vendidos, nada impediu Alexandre Magno Abrão de sofrer uma overdose de cocaína e </span><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2013/03/cantor-reclamava-de-solidao-diz-sonia-abrao-prima-de-chorao.html#:~:text=Chor%C3%A3o%2C%20que%20segundo%20ela%20passava,de%20depress%C3%A3o%20muito%20profunda%20mesmo."><span style="font-weight: 400;">morrer sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu apartamento no dia 6 de março de 2013.</span></p>
<figure id="attachment_22724" aria-describedby="caption-attachment-22724" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3.jpg" alt="Foto de Chorão de costa para a praia e segurando um skate personalizado com a imagem de uma caveira. Ele, um homem branco, veste uma camisa preta, uma calça jeans azul clara e uma touca xadrez." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22724" class="wp-caption-text">Confisco, música de Charlie Brown Jr., integrou a trilha sonora do videogame de skate Tony Hawk’s Pro Skater graças ao movimento dos fãs (Foto: Jerri Rossato Lima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">skate</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é uma peça fundamental do legado de Chorão, o que torna perfeita a escolha da filmagem do músico limpando sua </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/7xmzbe/chorao-skate-park"><span style="font-weight: 400;">própria pista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a abertura da obra. Essa cena torna explícita a sua conexão com o esporte referenciado em suas tatuagens e, até mesmo, nas </span><a href="https://www.vagalume.com.br/news/2021/07/26/5-musicas-do-charlie-brown-jr-que-celebram-o-skate.html"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do CBjr. O </span><i><span style="font-weight: 400;">skatista</span></i><span style="font-weight: 400;"> que costumava chorar ao errar manobras, se transformou em uma referência para os seus fãs que se recordam dos seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/chorao-aconselha-fa-sem-dinheiro-para-comprar-cds-do-charlie-brown-jr-nao-compra-essa-prra-baixa-o-som/"><span style="font-weight: 400;">momentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> juntos com carinho.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata Alexandre não só como um dos maiores nomes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional, mas também, como o menino que se apresentou pela primeira vez em um bar, quando o vocalista da banda que ali cantava deixou o palco para ir ao banheiro e, ao voltar, se deparou com o público querendo o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6o2aPUYShT4"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Emocionando e cativando a audiência apesar das falhas técnicas, o documentário narra os problemas vividos pelo músico para além das </span><a href="https://www.ombrelo.com.br/entretenimento/7-composicoes-de-chorao-para-matar-a-saudade-do-charlie-brown-jr/"><span style="font-weight: 400;">letras cheias de reflexões</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Charlie Brown Jr..</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chorão - Marginal Alado | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1q05D1GO4eo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>João Gordo: para o bem geral, um traidor</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2017 16:44:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Não é de hoje que biografias de artistas nacionais causam polêmica no Brasil. Entre grupos de artistas consagrados propondo censura e livros que mais parecem lavação de roupa suja, poucos títulos recentes parecem se importar em cumprir o básico exigido pelo formato. Nem mesmo nas telonas a coisa melhora, com resultados variando entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/joao-gordo-para-o-bem-geral-um-traidor/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "João Gordo: para o bem geral, um traidor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/livro-joao-gordo-viva-la-vida-tosca-darkside-books-capa-livro.png" alt="joão gordo autobiografia dado dollabella dando pra você traiu o movimento" width="557" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/livro-joao-gordo-viva-la-vida-tosca-darkside-books-capa-livro.png 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/livro-joao-gordo-viva-la-vida-tosca-darkside-books-capa-livro-205x300.png 205w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /></p>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Não é de hoje que biografias de artistas nacionais causam polêmica no Brasil. Entre grupos de artistas consagrados propondo censura e livros que mais parecem lavação de roupa suja, poucos títulos recentes parecem se importar em cumprir o básico exigido pelo formato. Nem mesmo nas telonas a coisa melhora, com resultados variando entre o <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-235679/" target="_blank">pouco aprofundado</a>, <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-220562/" target="_blank">desfiles de clichês</a> e <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202610/" target="_blank">retratos romantizados ao extremo</a>.<span id="more-7131"></span>Felizmente, João Francisco Benedan sempre nadou contra a maré: revoltado punk na infância, depois pioneiro do hardcore metálico no Brasil (o que já lhe renderia a fama de traidor do movimento) e então como apresentador da MTV, o homem mais conhecido por João Gordo nunca deixou de lado sua autenticidade. E esse é o principal motivo de sua autobiografia, <i>João Gordo: Viva La Vida Tosca</i>, ser imperdível.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Escrito em parceria com o jornalista André Barcinski e lançado pela editora Darkside no fim do ano passado, o livro de 320 páginas se mostra diferenciado desde os aspectos gráficos. Apesar da capa dura, o acabamento em preto e branco dá um ar típico de <em>zine punk</em> à obra, formando um híbrido entre o sujo e o refinado. Completando o conjunto, um marcador em forma de martelo vem de brinde. Mas claro que nada disso faria sentido se não fizesse jus ao conteúdo, o que não é o caso aqui.</p>
<p>Sem farpas na língua, João Gordo relata sua vida errática sem poupar detalhes &#8211; a parte onde descreve a descoberta prematura de um fetiche é inacreditável &#8211; e com uma linguagem bastante acessível. O tom tragicômico dita o ritmo de boa parte da obra, tornando a leitura leve e viciante. O trecho abaixo é um belo exemplo:</p>
<blockquote><p>Acabei tomando uma dúzia de pastilhas e fiquei tão doido que não consegui ir no AC/DC, fiquei por lá mesmo e acabei vendo o show da Björk. Puta que pariu! Até hoje nunca vi o AC/DC. Tá vendo, criançada, o que o ecstasy faz com você? Faz você trocar o AC/DC pela Björk!</p></blockquote>
<p>Apesar do bom humor, <em>Viva La Vida Tosca </em>não esconde histórias pesadíssimas da trajetória de João Gordo. Além de seu envolvimento com drogas, o relacionamento tenso com seu pai (o policial militar Milton), a desilusão com a cena punk nacional e as constantes trocas de emprego e lar rendem capítulos notáveis, mostrando que, apesar de cultuado no <em>underground</em>, o vocalista do Ratos de Porão passou longe de ser um super astro pimpão do <em>hardcore brasilis </em>&#8211; muito embora tenha vivido alguns dias de glória, como o período onde ficou amigo do líder do <a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-25-anos-depois-espirito-adolescente-prevalece-mais-forte-nunca/" target="_blank">Nirvana</a>, dono de algumas das páginas mais marcantes aqui.</p>
<p>Nessa mesma relação, a figura do boêmio escritor Charles Bukowski surgirá na mente dos mais atentos. Diferente do norte-americano, porém, Gordo não parece querer extrair alguma poesia de seus causos; não economiza críticas a si mesmo e nem a pessoas que já foram grandes parceiros, caso de Max Cavalera (ex-vocalista do <a href="http://personaunesp.com.br/brasil-pais-extremos/" target="_blank">Sepultura</a>), além de descartar um desfecho colorido para este livro. Os depoimentos de amigos e familiares seguem a mesma linha, e não aliviam em nada os tropeços do cantor pelo caminho. É disso que honestidade se trata, afinal &#8211; e nesse fator reside o grande diferencial da obra: a sinceridade de João universaliza as coisas, e mesmo quem não é seu fã consegue tirar proveito de <em>Viva La Vida Tosca</em>.</p>
<figure id="attachment_7133" aria-describedby="caption-attachment-7133" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/joao-gordo-kurt-cobain.jpg" alt="Ao lado de Kurt Cobain: o pó que uniu todas as tribos" width="700" height="496" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/joao-gordo-kurt-cobain.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/joao-gordo-kurt-cobain-300x213.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7133" class="wp-caption-text">Ao lado de Kurt Cobain: o pó que uniu todas as tribos</figcaption></figure>
<p>De modo geral, a biografia peca em poucos sentidos. A opção de colocar duplas de páginas de fotos dentro dos capítulos acaba quebrando o fluxo da leitura após um tempo, embora as imagens sejam muito boas. Já na parte onde fala de seu tempo na MTV Brasil, menções mais detalhadas ao polêmico <a href="https://www.youtube.com/watch?v=C2mQ4R70Fp4" target="_blank"><em>Gordo Freak Show </em></a>adicionariam muito ao produto &#8211; seria interessante ver reflexões do próprio Gordo sobre o programa, ainda mais considerando o panorama do politicamente correto atual.</p>
<p>Nada que prejudique o saldo final, porém. Na contramão da safra atual, João Gordo nos entrega um livro realmente revelador, disposto a explorar com profundidade também os podres do biografado. Bonito de ver e divertidíssimo de ler, <em>Viva La Vida Tosca</em> é uma feliz exceção em meio a tanto moralismo sobre os limites entre vida pessoal e privada de um artista. Mais uma vez, Gordo traiu o movimento. Ainda bem.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/iAAtZYcg1_U?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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