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	<title>Arquivos Jazz &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Um Mar Pra Cada Um, Luedji Luna mostra que o sentir é oceânico</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 13:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, Um Mar Pra Cada Um abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do MPB e marcando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-em-um-mar-pra-cada-um/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Um Mar Pra Cada Um, Luedji Luna mostra que o sentir é oceânico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36535" aria-describedby="caption-attachment-36535" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-800x800.jpg" alt="Na imagem, há um círculo escuro com borda irregular formada por pequenas extensões brancas semelhantes a tentáculos, lembrando uma pequena medusa vista de cima. No centro, há quatro pontos brancos conectados por linhas finas que se direcionam para um núcleo levemente amarelado, criando a aparência de uma estrutura microscópica iluminada sobre fundo preto." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-1.jpg 828w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36535" class="wp-caption-text">Despir-se de sua carapaça é um dos atos de coragem mais lindos presentes na produção de Luedji Luna (Foto: Álvaro Migotto)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Mar Pra Cada Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e marcando o</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">neo soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> com sua própria identidade, a indicada ao </span><a href="https://vogue.globo.com/Vogue-Gente/noticia/2022/05/nomeada-ao-grammy-latino-luedji-luna-se-consolida-como-uma-das-maiores-cantoras-da-mpb-de-sua-geracao.html"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> utiliza o disco como uma resposta às questões íntimas que podem atravessar qualquer um que permita revelar humanidade. </span></p>
<p><span id="more-36532"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O quarto álbum de estúdio da cantora mostra a genialidade em abordar questões tão </span><a href="https://tracklist.com.br/entrevista-luedji-luna-umpcu/211117"><span style="font-weight: 400;">latentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e muitas vezes dolorosas – de maneira tão sutil e imersiva: é quase possível tatear a lírica na voz aveludada. Ainda que em foco, Luedji Gomes Santa Rita compartilha as faixas com nomes igualmente talentosos e permite que reconheçamos o talento brasileiro como ele é: visceral e estrondoso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, com a estreia do primeiro disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo no Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), a artista sempre manteve a poesia viva em seu trabalho e se destacou enquanto liricista. </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-acalanto-lyrics"><span style="font-weight: 400;">Acalanto</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, se apresenta como um manifesto de autonomia, sabendo os lugares onde se cabe e como navegar pelo mundo diante de um modo controverso de enxergar a realidade. </span></p>
<figure id="attachment_36533" aria-describedby="caption-attachment-36533" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-684x800.jpg" alt="Na imagem, há uma mulher negra se apresentando no centro de um palco, em frente a um microfone com as duas mãos erguidas. Atrás dela, uma banda completa toca: músicos com saxofone, guitarra, teclado e percussão. Na frente do palco, é possível ver a silhueta da plateia, com várias pessoas registrando o momento com seus celulares. As luzes da imagem são quentes e difusas, criando um aspecto esfumaçado.  " width="684" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-684x800.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1-768x899.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1.jpg 828w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36533" class="wp-caption-text">Ao cantar sobre sua vulnerabilidade e desejos, Luedji Luna adquire uma postura etérea (Foto: Gustavo Sena)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que temas como afeto e autoconhecimento sempre sejam recorrentes em suas obras, a musicista se mostra cada vez mais madura. Entre seu lançamento oficial e sua versão </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLviC6RPXdPEmmEkWV6OVW3Oa-knC5F1K-"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, o LP </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2020/"><i><span style="font-weight: 400;">Bom Mesmo É Estar Debaixo d’Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) demonstra aspectos fundamentais da natureza humana: o desejo, a </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/11/luedji-luna-estreia-bom-mesmo-e-estar-debaixo-dagua-deluxe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sensualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como ambos se influenciam. Além disso, em quesitos técnicos, evidencia também sua versatilidade ao produzir canções com gêneros mistos, onde </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e eletrônica marcam presença. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Mar Pra Cada Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, Luedji começa de maneira performática apresentando sua estética em tons frios e aveludados. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9CU0Amp_8L4&amp;list=OLAK5uy_nL4eWMWQIdJUy39f44lDdDBhwyhCN-8Xo&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">visualizers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de cada faixa representam a delicadeza de sua Arte ao mostrar animais marinhos ressoando suas formas e luzes em um ambiente escuro, fruto da pesquisa do biólogo </span><a href="https://www.instagram.com/alvaro_migotto/"><span style="font-weight: 400;">Álvaro Migotto</span></a><span style="font-weight: 400;">, algo presente também na capa do disco. Curiosamente, a transparência dos invertebrados dão pistas sobre o teor do álbum, onde a própria artista se despe de sua carapaça e se mostra cruamente a quem tem o prazer de lhe escutar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as </span><a href="https://www.instagram.com/p/DJ174G0Jilf/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=Zmt5cnNtN3JkbGE3"><span style="font-weight: 400;">canções</span></a><span style="font-weight: 400;"> são escritas e interpretadas por Luna, que obtém sua inspiração a partir de como vive e percebe a realidade que lhe contorna. Para a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/luedji-luna-lanca-novo-album-ouca-um-mar-pra-cada-um/"><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a compositora esclarece que, instigada pela carência, ela busca curar suas versões passadas reconhecendo a divindade presente no fato de ser, acima de tudo, humana. A humanização de sua própria identidade configura sua tentativa de se olhar e reconhecer enquanto digna de um amor puro e real, que abarque não somente suas bagagens e demandas já existentes, mas que as transmute para um novo percurso, permanecendo concreto durante as turbulências e celebrando fielmente suas conquistas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Harém • Luedji Luna feat. Liniker (Visualizer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/2wvmARyiOzk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Resgatando sua temporalidade, o disco transmite a sensação de como é ser confrontado pelo novo: </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-genesis-lyrics"><span style="font-weight: 400;">inesperado</span></a><span style="font-weight: 400;">, excitante e até melancólico. A escolha de elementos que intercalam </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2025/05/14/luedji-luna-tem-o-sopro-do-trompetista-japones-takuya-kuroda-no-quarto-album-de-estudio-um-mar-pra-cada-um.ghtml"><span style="font-weight: 400;">saxofone</span></a><span style="font-weight: 400;">, baixo e percussão, por exemplo, mostra a riqueza das influências e seu talento para além dos vocais e composições, uma vez que também assina a produção das faixas. De maneira límpida, ela toca em um lugar de curiosidade, deixando o ouvinte com desejo de ser parte do estúdio apenas para testemunhar a criação da melodia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trançando um quebra-cabeças, as delícias e controvérsias do apreço se fazem presentes no corpo do trabalho, nos mostrando como tudo tem retorno – ou não – no que tange aos envolvimentos da vida. Ainda que saibamos os possíveis danos, o prazer e o desejo carnal são mais fortes. Indo contra o destino e a própria </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-karma-lyrics"><span style="font-weight: 400;">racionalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista destrincha o início avassalador de uma paixão, mostrando como é a euforia em estar perto de quem se ama. Emoldurando sua voz com uma uma variedade instrumental palpável e doce aos ouvidos, estes se alinham perfeitamente ao desejo do que quer dizer ser íntimo, proposta central do disco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A intimidade em questionar a própria racionalidade em detrimento do sentir é algo muito presente nas composições e melodias de Luedji, o que nos torna espectadores de uma janela onde se enxerga o que é atravessar o mundo enquanto se é atravessado pelo desejo de encontrar alguém. A liricista </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-kyoto-lyrics"><span style="font-weight: 400;">transparece</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ânsia de ter alguém no seu próprio tempo e como a ausência pode nos deixar, de fato, perdidos e quase loucos. É uma moeda de troca forjada na insegurança de nunca ter ou encontrar essa pessoa.</span></p>
<figure id="attachment_36537" aria-describedby="caption-attachment-36537" style="width: 763px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-763x800.jpg" alt="Na imagem, há o retrato de uma mulher com expressão serena, olhando diretamente para a câmera. Ela está vestida com tecidos em cores claras, que cobre um dos ombros. A foto tem textura envelhecida, com manchas e marcas que lembram desgaste de papel antigo." width="763" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-763x800.jpg 763w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-768x805.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36537" class="wp-caption-text">Buscando entender suas carências e nuances, Luedji Luna torna sua presença visceral (Foto: Henrique Falci)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além dos percalços e desejos presentes no sentir, a musicista aponta a figura do amor como algo mais profundo, sendo o cerne de seu entendimento não apenas enquanto o de alguém que ama, mas como sujeito no mundo. Através dele, é possível encontrar o novo e transformá-lo em familiar. Ao amar alguém, este se torna um guia, e, como a artista mesmo diz, há a </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-rota-lyrics"><span style="font-weight: 400;">sede</span></a><span style="font-weight: 400;"> em assumir uma estrada que nos norteia, ainda que os medos se façam presentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira profunda – e até arriscada – é possível encarar o teor do disco também sob a ótica da sexualidade: querer deslizar sobre o corpo do outro, atravessando e conhecendo cada esquina. Delicadamente, Luna elabora como, em uma relação, as inseguranças ainda estão presentes, mas é necessário se </span><a href="https://youtu.be/V-G7LC6QzTA?si=Me4UCO0QJjTtd94r"><span style="font-weight: 400;">permitir</span></a><span style="font-weight: 400;"> viver para que ela continue existindo. Ao ecoar que se mantém aberta, apesar de seus temores, ela mostra que, em alguns momentos, se perder na paixão é a forma de se encontrar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de toda construção do álbum, Luedji retorna ao que já é conhecido, uma vez que regrava a canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Dentro Ali</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente em seu primeiro disco de estúdio, dessa vez em parceria com a britânica </span><a href="https://www.nubyagarcia.com/"><span style="font-weight: 400;">Nubya Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na música, é abordada a profundidade presente em cada processo de autoconhecimento e a importância de ser reconhecida nesse momento, principalmente quando deseja compartilhar o que sente com outra pessoa. Enquanto entoa o desejo de aceitação de suas demandas, sua voz é abraçada pelo saxofone </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Sh4u8Da0F7A"><span style="font-weight: 400;">fascinante</span></a><span style="font-weight: 400;"> da musicista, alcançando um efeito único e melhor adaptado. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Um Mar Pra Cada Um • Luedji Luna (Full Album)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JJfTSggUp5s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem se perder apenas nas delícias do afeto, a baiana também destrincha o desejo de ser amada reciprocamente ao longo de seu trabalho. Partindo de um ponto </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-batalha-apos-a-outra-critica/"><span style="font-weight: 400;">político</span></a><span style="font-weight: 400;">, as vivências e desafetos que atravessam seu corpo e o corpo de outras mulheres são pautados no disco de maneira enfática e sem eufemismos, onde recortes sociais são colocados enquanto marcadores para aprendizados profundos e pessoais. Brilhantemente, Luedji soma o coletivo não apenas como um lugar de reconhecimento e compartilhamento de experiências comuns, mas também como um ponto de cura. É no coletivo onde há também a presença da ternura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprofundando-se na lírica e em aspectos da intertextualidade, é possível estabelecer um diálogo entre as canções de Luna e as de outros artistas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Harém</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música, acompanhada da voz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/caju-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liniker</span></a><span style="font-weight: 400;">, relata a experiência compartilhada que é inventar um amor em um local onde ele não existe. Ressoando o verso “</span><i><span style="font-weight: 400;">Me diz quem eu sou na sua festa, hein?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ambas discutem esse lugar de legitimidade. Paralelamente, o clássico do samba </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7zAm_TFOZqQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Loba</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001), de Alcione, se encontra no mesmo lugar de confronto: é possível ser tudo que alguém deseja, desde que isso seja recíproco e verdadeiro, sem precisar recorrer à fantasia. Como a grande dama do samba mesmo canta: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não nasci pra viver num harém</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_36536" aria-describedby="caption-attachment-36536" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-697x800.jpg" alt="Na imagem, há duas mulheres negras cantando em um palco, abraçadas de maneira afetuosa. A cantora à esquerda usa um vestido preto e segura um microfone ao lado do corpo, com os olhos fechados. A cantora à direita veste um vestido branco rendado e canta ao microfone enquanto apoia o braço sobre a outra." width="697" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-697x800.jpg 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-768x881.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1.jpg 828w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36536" class="wp-caption-text">A força e intimidade da amizade de Liniker e Luedji Luna colocam a artista em lugar de humanidade e zelo (Foto: Gustavo Sena)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa mesma ótica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gamboa </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ser descrita como uma das metáforas mais lindas escritas por Luedji, pois mostra a sensação de alívio que é adentrar um mar que lhe abraça: na reciprocidade, se afogar torna-se um prazer. Permitir ter seu mundo explorado através da coragem em sentir é o tema central da canção, completando de forma brilhante o que Liniker, amiga pessoal da cantora, já havia incitado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=857vqr0OUKY"><i><span style="font-weight: 400;">Psiu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao cantar “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pra quem não sabia contar gotas, ‘cê aprendeu a nadar</span></i><span style="font-weight: 400;">” na canção de 2020, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/remonta-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> agora é respondida por Luedji que, com firme certeza, ecoa “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu que já sei nadar, mergulhei fundo</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parte final do disco, a junção de sopros está ainda mais presente, se destacando no trompete de </span><a href="https://www.takuyakuroda.com/"><span style="font-weight: 400;">Takuya Kuroda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de explorar mais sua potência vocal, Luedji traduz de maneira linda a tropicalidade e como é navegar pelo corpo de alguém que se ama: molhado, salgado e puro êxtase. Mais uma vez, ela nos narra como é delicioso se perder no mundo de outra pessoa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Culturalmente, é inegável o impacto da brasilidade no trabalho de Luedji Luna e vice-versa, visto que a artista destaca suas referências de maneira enfática. Explicitamente, é mister destacar a valorização da Arte brasileira em elementos como o belo trabalho de Luiz Melodia, renomado cantor e compositor </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/trajetoria-de-luiz-melodia/"><span style="font-weight: 400;">carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou a </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/beatriz-nascimento-uma-intelectual-que-todo-mundo-precisa-reconhecer/"><span style="font-weight: 400;">poesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Beatriz Nascimento, nascida no Sergipe, ambos marcando presença no disco da soteropolitana. Fazendo releituras que se encaixem em sua identidade, a cantora empresta sua voz e sua genialidade para tornar o que já era valioso em algo inestimável. </span></p>
<figure id="attachment_36534" aria-describedby="caption-attachment-36534" style="width: 665px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-665x800.jpg" alt="Na imagem, há uma mulher negra caminhando em um corredor escuro, vestindo um macacão de um ombro só. A foto está em preto e branco, e ao fundo é possível ver elementos de bastidores de um show." width="665" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-665x800.jpg 665w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1-768x924.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-1.jpg 827w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36534" class="wp-caption-text">A elegância do jazz e a potência vocal da soteropolitana tornam Um Mar Pra Cada Um uma explosão sensorial (Foto: Gustavo Sena)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Engana-se quem acredita que, por ter o uso de </span><a href="https://tecoapple.com/2025/05/26/luedji-luna-um-mar-pra-cada-um/#:~:text=No%20%C3%A1lbum%2C%20Luedji%20Luna%20estabelece,sempre%20repleto%20de%20beleza%20singular."><span style="font-weight: 400;">inteligência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;">, o disco perde sua credibilidade. Extraordinariamente, a tecnologia somada à mente de Luedji resulta em uma combinação potente e surpreendente: a voz de Beatriz Nascimento lendo seus próprios versos. Mostrando a profundidade de seu trabalho, Luna resgata esse saber ancestral e demonstra a força de seu ofício, não apenas por valorizar a cultura no qual está inserida, mas também por ecoar vozes de grandes nomes que, por vezes, podem passar despercebidos ao longo das décadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem </span><a href="https://www.instagram.com/luedjiluna/"><span style="font-weight: 400;">acompanha</span></a><span style="font-weight: 400;"> o trabalho de Luedji Luna, é notável um dos pensamentos principais da artista: amar o amor. Em todas suas nuances e processos, Luna nos mostra a força presente em se permitir ser vulnerável para outrem e para si.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Um Mar Pra Cada Um </span></i><span style="font-weight: 400;">é um afago no peito cansado e um brilho de esperança em como amar é, de fato, algo lindo. Nos dando um recado ao longo de toda sua rica carreira, é conclusivo aquilo que ela sempre nos </span><a href="https://genius.com/Luedji-luna-um-corpo-no-mundo-lyrics"><span style="font-weight: 400;">ensinou</span></a><span style="font-weight: 400;">: somos, de fato, nossa própria embarcação. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Um Mar Pra Cada Um," style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7s4sDqfWp9bbkWgU185WVh?si=t--KIN9rS42uNbCUZX5UuQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 19:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há pelo menos uma década, o Oscar se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma mulher indicada em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trilha-sonora-para-um-golpe-de-estado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34757" aria-describedby="caption-attachment-34757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo canto esquerdo da imagem, em preto e branco, está Louis Armstrong tocando um instrumento de sopro. O ponto de vista é dos pratos de uma bateria, no lado esquerdo há uma mão segurando uma baqueta. No canto direito, de costas para Armstrong, há um homem branco, na faixa dos 50 anos, vestindo terno. Louis Armstrong é um homem adulto, negro e veste um terno." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34757" class="wp-caption-text">Louis Armstrong é uma das celebridades que aparece no longa (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pelo menos uma década, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/01/coralie-fargeat-de-a-substancia-pode-ser-a-4a-mulher-na-historia-a-receber-oscar-de-melhor-direcao/#:~:text=A%20Academia%20de%20Hollywood%20anunciou,entre%20os%20candidatos%20ao%20pr%C3%AAmio."><span style="font-weight: 400;">mulher indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book: O Guia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018). Em 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra na lista dos concorrentes a Melhor Documentário. Narrando a luta de </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/africa-diaspora/conheca-a-historia-de-patrice-lumumba-libertador-do-congo-que-faria-96-anos-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Patrice Lumumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> para tornar a República Democrática do Congo um país independente, o longa de Johan Grimonprez aposta em imagens de arquivo para costurar a história.</span></p>
<p><span id="more-34756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer consideração direta sobre o documentário, é admirável a presença dele no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2025, sobretudo, por se posicionar não apenas sobre um acontecimento histórico, mas também contra bilionários de extrema-direita, como Elon Musk e seu(s) interesse(s) em </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-04/niquel-litio-e-satelites-conheca-interesses-de-musk-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">minérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, coincidentemente (o filme é de 2024), marcaram presença na posse do presidente Donald Trump. A premiação é uma catapulta para a visibilidade de muitas obras, sem ela, provavelmente, a fita e as ideias de Grimonprez passariam despercebidas pelos cinemas brasileiros. Ironicamente, o imperialismo ainda decide quem é visto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado </span></i><span style="font-weight: 400;">necessita de muito fôlego para encarar 150 minutos de muita informação, enfoques, imagens e áudios que se devoram. A sensação provocada é de confusão, uma trama política complexa demais para querer mirar no </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, na Guerra Fria, no imperialismo e em outras tramoias, mesmo que elas estejam interligadas. O documentário pode ser encaixado no que seria um filme de solicitação, conceito apresentado pelo crítico </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/o-cinema-segundo-paulo-emilio-9ah48ueixtvqru0wnpr6wjv0z/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Emílio Sales Gomes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, há mais perguntas sendo feitas do que respostas ao espectador.</span></p>
<figure id="attachment_34758" aria-describedby="caption-attachment-34758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo centro da imagem, está Patrice Lumumba, ele está com as duas mãos erguidas mostrando o pulso enfaixado. Ele está com uma expressão séria, veste terno e gravata. Lumumba é um homem adulto de pele negra, seu cabelo é curto e ele tem bigode e cavanhaque. No lado direito, há um homem, também usando terno. " width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-768x497.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34758" class="wp-caption-text">Patrice Lumumba foi torturado e morto em 1961 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir de vivências, aproximações e outras estruturas que alguém gosta ou não de uma obra. Por exemplo, o grau de conhecimento sobre o gênero de Terror vai definir a apreciação de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-todo-mundo-em-panico/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) para além das piadas </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsenses</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse fator é fundamental nesse documentário, que, como em um anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> que nem sentimos chegar, interrompe sua narrativa para transmitir uma propaganda do carro </span><i><span style="font-weight: 400;">Tesla</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem os relacionar por meio de narrações com os fatos ali mostrados. É necessário, de quem vê, o conhecimento prévio sobre Elon Musk e fabricação de baterias, mas também de exploração de recursos e de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um gênero de improvisos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal fator está longe de ser um problema, é sua característica, inclusive para temas que não devem ser mastigados. A introdução das peças publicitárias de forma abrupta é um ótimo acerto para transmitir a ideia de que o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/10/07/o-que-e-imperialismo-pesquisadoras-explicam-o-que-esse-debate-tem-a-ver-com-sua-vida"><span style="font-weight: 400;">imperialismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda faz presença, de modo que tira e repõe você da história em uma fração de segundo. Mas e a trilha sonora que dá o título para o filme? Infelizmente, é o elemento que está mais desconectado, sendo usado de forma eficiente em raras ocasiões. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trilha Sonora pra um Golpe de Estado - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Aib5z2elhGY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como início as opiniões de figuras políticas sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas delas negativas, a Música é compreendida como ruído. Um dos personagens diz que desliga o rádio quando o gênero começa a tocar. Já em determinado trecho do filme, um dos narradores diz que os trâmites para conquistar a liberdade na República Democrática do Congo são conduzidos por músicas diferentes: a ONU não ouve </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, não escuta a voz do povo. Outras tomadas conseguem extrair sentimento, como a cena em que Louis Armstrong canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LDPUfbXRLM"><i><span style="font-weight: 400;">Black And Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felizmente, </span><a href="https://olhardigital.com.br/2025/01/28/cinema-e-streaming/indicados-ao-oscar-2025-veja-onde-assistir-a-cada-filme-online-nos-streamings/"><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toma posição e revela lados e figuras da história que tendem a ser apagados da equação imperialista – o que é fundamental em um filme que interpreta fatos, ao invés de apenas os narrar. Entretanto, sua forma não linear e o excesso de enfoque tornam a experiência enfadonha: o quanto você absorveu do que viu é a pergunta que fica ao sair da sessão. </span></p>
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		<title>Lady Gaga nem sabe do que está rindo em Harlequin</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Oct 2024 19:46:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos e Nathalia Tetzner Se em algum momento você achou que Lady Gaga havia perdido sua capacidade de inovar, Harlequin (2024) vem para confirmar a sua desconfiança. Lançado poucos dias antes do filme Coringa: Delírio a Dois, o álbum, composto majoritariamente por regravações de jazz, parece ser uma tentativa de Gaga de provar que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/harlequin-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lady Gaga nem sabe do que está rindo em Harlequin"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34132" aria-describedby="caption-attachment-34132" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1.png" alt="A imagem mostra a cantora Lady Gaga, uma mulher branca em um banheiro sob o chuveiro, com um colete salva-vidas vermelho. A água está caindo sobre ela, molhando seu cabelo castanho com mechas vermelhas, que está bagunçado e parece colado ao rosto. A maquiagem está borrada, com uma linha preta marcante saindo do olho direito, remetendo a um estilo dramático ou expressionista. O fundo é composto por azulejos brancos simples. O título &quot;Harlequin&quot; está escrito em letras brancas e cursivas sobre a imagem, com &quot;Lady Gaga&quot; também escrito abaixo." width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34132" class="wp-caption-text">Harlequin debutou em 20º lugar na parada musical estadunidense Billboard Hot 200, a pior estreia de um disco de Lady Gaga nos charts (Foto: Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos e Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em algum momento você achou que </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-gaga-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> havia perdido sua capacidade de inovar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harlequin</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2024) vem para confirmar a sua desconfiança. Lançado poucos dias antes do filme </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-13930517/lady-gaga-reflects-career-Joker-box-office-flop.html"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a Dois</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum, composto majoritariamente por regravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, parece ser uma tentativa de Gaga de provar que ainda tem a sofisticação para dominar qualquer gênero. Mas será que a artista que nos deu </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fame Monster</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/born-this-way-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Born This Way</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ainda consegue trazer algo novo aos palcos?</span></p>
<p><span id="more-34131"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois das colaborações com Tony Bennett em </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/lady-gaga-faz-homenagem-a-tony-bennett-no-primeiro-aniversario"><i><span style="font-weight: 400;">Cheek to Cheek</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014) e </span><a href="https://agenciadenoticias.uniceub.br/sem-categoria/love-for-sale-lady-gaga-e-tony-bennett-sao-indicados-ao-grammy-na-segunda-parceria-da-dupla/"><i><span style="font-weight: 400;">Love for Sale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), aqui ela se aventura em seu primeiro álbum solo de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">. São 41 minutos distribuídos em 13 faixas, das quais apenas duas são originais (</span><i><span style="font-weight: 400;">Folie à Deux</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gdzWWkDXkis"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Mistake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Interscope Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra conta com uma produção vocal de Gaga e </span><a href="https://www.thebenjaminrice.com/"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Rice</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reúne uma equipe de mais de 30 músicos, um exemplo claro do que se espera de uma gravação com orçamento alto e uma equipe de engenheiros de som premiados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No aspecto técnico, a produção é belíssima. Stefani Joanne Angelina Germanotta faz jus às raízes no Teatro e entrega uma performance vocal repleta de emoções. Obviamente, não deixando de ser um tanto quanto caricata em certos momentos, até porque, há de se concordar que não exagerar maneirismos não é necessariamente o feitio da cantora, acostumada a levar diferentes personas ao público. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Harlequin</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela une a sua essência irritante de </span><a href="https://variety.com/2024/artisans/news/lady-gaga-costumes-joker-folie-a-deux-theater-kid-1236169861/"><i><span style="font-weight: 400;">theater kid</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com a perspicácia do produtor Rice, adicionados à masterização e mixagem de Emily Lazar e Serban Ghenea, que fazem os instrumentos brilharem.</span></p>
<figure id="attachment_34133" aria-describedby="caption-attachment-34133" style="width: 1564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2.png" alt="A imagem mostra Lady Gaga, cercada por várias outras pessoas, incluindo seguranças e fãs na saída do after party de seu novo álbum. Ela está usando um visual excêntrico, com um cabelo vermelho vibrante e óculos escuros. Sua roupa é composta por um colete ou camisa estampada com várias imagens coloridas, incluindo emojis e rostos desenhados, trazendo um toque de humor e criatividade à peça. Além disso, ela está vestindo meias ou calças com detalhes em vermelho e branco com rendas rasgadas. " width="1564" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2.png 1564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2-626x800.png 626w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2-801x1024.png 801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2-768x982.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2-1202x1536.png 1202w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-2-1200x1534.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34133" class="wp-caption-text">Depois da listening party de Harlequin, os little monsters comemoraram a volta dos looks excêntricos da Gaga (Foto: Neil Mockford)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa grandiosidade técnica, no entanto, parece mais voltada para manter a segurança do que para oferecer algo surpreendente. Esse é o caso da faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cglWALSX5KI"><i><span style="font-weight: 400;">Folie à Deux</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que a artista é creditada como única escritora, trazendo uma fusão fluída de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> com elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t-pJst1ASuY"><i><span style="font-weight: 400;">The Joker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> oferece a Gaga o espaço para brilhar com uma releitura ousada,  – bem no estilo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Descendentes</span></i><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> – no tom certo para a Arlequina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma das faixas originais, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IA8irK7F2Pk"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Mistake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a intérprete de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shallow</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue finalmente dialogar com as diferentes vidas dela: pessoal, nos palcos e, agora, nas ‘telonas’ do Cinema. ‘Palhetando’ gentilmente um violão, ela compõe uma canção honesta e linda: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma disposição solitária/Retratos de uma garota desgastada/Como eu me tornei tão viciada/No amor do mundo todo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Por alguns minutos, Lady Gaga nos transporta para uma atmosfera melancólica </span><i><span style="font-weight: 400;">à là</span></i><span style="font-weight: 400;"> Billie Eilish, que serve como ponte entre a loucura da fama e a insanidade da ‘loirinha’ mais insana dos quadrinhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros momentos de destaque são em </span><i><span style="font-weight: 400;">Get Happy (2024)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">World on a String</span></i><span style="font-weight: 400;">, produções em que Rice permite que o âmago teatral de Gaga domine, sem deixar o instrumental ficar atrás. Enquanto os arranjos orquestrais das guitarras, por Tim Stewart nos remetem a uma qualidade quase cinematográfica (e muito bem-vinda) dado o envolvimento do álbum com a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/harlequin-conheca-outras-versoes-das-musicas-regravadas-por-lady-gaga/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme, que não são as mesmas versões.</span></p>
<figure id="attachment_34135" aria-describedby="caption-attachment-34135" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-2.png" alt="Foto da cantora Lady Gaga atuando no set de Coringa: Delírio a Dois como Arlequina.  Ela está usando uma blusa preta e branca em padrão de losangos, típica do figurino clássico da personagem, e um casaco escuro por cima. Seu cabelo é loiro platinado, com um corte curto e bagunçado, reforçando o estilo icônico da Arlequina. Ela está com uma expressão de euforia, braços abertos em um gesto amplo. Ao redor dela, há vários policiais uniformizados. A cena está ocorrendo em um ambiente público, em uma escadaria." width="984" height="666" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-2.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-2-800x541.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-2-768x520.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34135" class="wp-caption-text">No último ato do longa, o Coringa suplica que Harlequin pare de cantar, e nós também (Foto: Kristin Callahan)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gaga, que dispensa apresentações, opta aqui por um caminho seguro, quase reverente demais às canções originais. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wyLjbMBpGDA"><i><span style="font-weight: 400;">Oh, When the Saints</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo de como a falta de conexão temática com o filme e a sequência do álbum prejudica o ritmo </span><span style="font-weight: 400;">— enquanto releituras como a de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qkLvyCz85Sk"><i><span style="font-weight: 400;">Visões da Raven</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se tornam icônicas, essa é uma das irônicas</span><span style="font-weight: 400;">. Embora a faixa tenha um solo de guitarra interessante, a estrutura geral não é diferente de qualquer outra versão que já ouvimos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente na concepção que o disco peca. Por se tratar de uma maioria de </span><i><span style="font-weight: 400;">covers</span></i><span style="font-weight: 400;">, o projeto, recheado de fotos conceituais e expectativas, não acaba soando original. As estruturas das faixas sofreram poucas alterações, fazendo com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Harlequin</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixe mais como uma remasterização do que, de fato, uma releitura. Para o ouvinte, fica a sensação de que Lady Gaga esperava entrelaçar a sua figura com a anti-heroína da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> suficientemente para emplacar um filme solo no futuro. Contudo, isso fica difícil quando um projeto como esse parece não tomar decisões tão objetivas, além do fracasso em bilheteria de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a Dois</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34134" aria-describedby="caption-attachment-34134" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-2.png" alt=" Fotografia promocional da cantora Lady Gaga para o disco Harlequin. Ela é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. O cenário se trata de um quarto bagunçado e monótono. A câmera a captura por inteiro enquanto dança em cima de um colchão no chão. Gaga veste um tecido transparente pelo corpo. É possível notar a precariedade do ambiente." width="1200" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-2-800x510.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-2-1024x653.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-2-768x490.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34134" class="wp-caption-text">O projeto foi apelidado de LG 6.5 (Foto: Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de regravações clássicas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Smile</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">If My Friends Could See Me Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, peca ao manter arranjos que soam desatualizados. E se Lady Gaga queria emular </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/judy-garland-a-garotinha-de-o-magico-de-oz-que-virou-simbolo-do-metoo"><span style="font-weight: 400;">Judy Garland</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou Frank Sinatra, ela até acerta no tom. O problema é que, quando a comparação inevitável com esses gigantes é feita, Gaga simplesmente não acrescenta nada de novo. Tudo é muito competente, mas não suficiente para compensar a falta de inovação. O álbum flui como uma sequência de homenagens ao passado e falha em conectá-las a algo que faça sentido em sua carreira em 2024, ou mesmo no universo do </span><a href="https://diariodopara.com.br/entretenimento/voce/relembre-as-versoes-do-coringa-o-maior-vilao-do-batman-na-tv-e-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal falta de conexão é ainda mais decepcionante quando pensamos nas promessas realizadas na semana que antecedeu o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harlequin</span></i><span style="font-weight: 400;">. Anunciado de surpresa, a gestação do disco foi curta, porém, repleta de declarações e visuais, no mínimo, intrigantes. Uma pena que, quando colocado em prática, o apelido ‘</span><a href="https://jenesaispop.com/2024/09/27/483221/gaga-harlequin-impresiones/"><i><span style="font-weight: 400;">LG 6.5</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’ tenha sido tão preciso; o disco não consegue decidir o que quer ser e acaba soando como algo perdido na discografia de Gaga. Dotado de qualidade artística e faltando a criatividade característica da artista, o projeto tem tudo para passar despercebido, algo nem um pouco usual para quem já dominou o mundo na década de 2010.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Harlequin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6eKdAMXNBlXNtPy7OdBL50?si=RHu2pOCRRFKVDy56mTyP_w&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>The Car segue a estrada do precursor, mas dessa vez, o Arctic Monkeys observa a lua de longe</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2024 11:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leandro Santhiago Desde seu álbum de estreia até o clássico indie AM, de 2013, o Arctic Monkeys havia se estabelecido como uma força gigantesca do rock mainstream, lotando estádios internacionalmente e lançando hits atrás de hits, como é o caso de Fluorescent Adolescent e R U Mine?. O quarteto de Sheffield, até então, cultivou a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-car-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Car segue a estrada do precursor, mas dessa vez, o Arctic Monkeys observa a lua de longe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32720" aria-describedby="caption-attachment-32720" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.jpg" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32720" class="wp-caption-text">The Car é um novo capítulo para a banda Arctic Monkeys, que mostra um lado introspectivo e reflexivo do grupo (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><b>Leandro Santhiago</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu </span><a href="https://open.spotify.com/album/50Zz8CkIhATKUlQMbHO3k1?si=k05gN55IQVa76zJMPS8pig"><span style="font-weight: 400;">álbum de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/10-anos-depois-am-do-arctic-monkeys-ainda-e-iconicamente-sedutor/"><i><span style="font-weight: 400;">AM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2013, o Arctic Monkeys havia se estabelecido como uma força gigantesca do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, lotando estádios internacionalmente e lançando </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> atrás de </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ma9I9VBKPiw"><i><span style="font-weight: 400;">Fluorescent Adolescent</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VQH8ZTgna3Q"><i><span style="font-weight: 400;">R U Mine?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O quarteto de Sheffield, até então, cultivou a fama de trazer ao público um som mais enérgico e potente, liderado pela instrumentação </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> clássica com a tríade de guitarras, baixo e bateria. No entanto, um piano dado de presente ao vocalista Alex Turner fez com que o grupo expandisse seu vocabulário musical e entrasse em uma nova etapa sonora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A energia acumulada até o momento foi o combustível para a viagem até o espaço na qual vemos </span><a href="https://open.spotify.com/album/1jeMiSeSnNS0Oys375qegp?si=cZ1MRCOcQdSjtswZd0Ch0w"><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base Hotel &amp; Casino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um passeio lunar regado pela sonoridade dispersa &#8211; ainda que coesa &#8211; emprestada da psicodelia das décadas de 1960 e 1970. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sétimo disco da banda, a poeira levantada pela decolagem do som espacial de seu precursor assentou. Nesse último lançamento, o grupo traz canções mais reclinadas e relaxadas, quase como um descanso depois da viagem proporcionada pelo sexto disco, ainda que com um sabor melancólico e nostálgico de fundo.</span></p>
<p><span id="more-32716"></span></p>
<figure id="attachment_32717" aria-describedby="caption-attachment-32717" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32717" class="wp-caption-text">There’d Better Be A Mirrorball marca nova era da banda e estabelece, como faixa inicial do disco, o clima leve e saudoso da obra (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em 21 de Outubro de 2022 e precedido de três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ilustraram a sonoridade do projeto que estava por vir. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FY5CAz6S9kE"><i><span style="font-weight: 400;">There’d Better Be A Mirrorball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos destaques da obra, foi o primeiro lançamento da banda desde o álbum ao vivo </span><a href="https://open.spotify.com/album/7Heaa0B4KOxdWhSICTR2wE?si=aW-3Hs9GSkC6xtoYugyYmg"><i><span style="font-weight: 400;">Live at the Royal Albert Hall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020, e conta com um videoclipe dirigido pelo próprio Alex Turner. Nessa faixa, fortes influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sinfônico trazem um certo contraste ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> espacial explorado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, dessa vez, a letra mostra um Turner mais pessoal e introspectivo, abordando temas de um relacionamento que está chegando ao fim e de uma dificuldade em lidar com as próprias emoções.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o projeto, o grupo conta com seu produtor de longa data </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/james-ford-explains-how-arctic-monkeys-album-the-car-was-intended-to-sound-bigger/"><span style="font-weight: 400;">James Ford</span></a><span style="font-weight: 400;">, que proporcionou arranjos sofisticados e luxuosos reminiscentes da década de 1960, mas não banais o suficiente para soarem datados. Aqui, é apresentada uma sonoridade mais palpável e definida — no entanto, ampla —, sem um uso intenso de efeitos e distorções, com a orquestra tendo um papel bem maior em relação aos trabalhos anteriores da banda. Violões dedilhados (presentes na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QmCvvlvK8d4"><span style="font-weight: 400;">faixa-título</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UL0OEb561W4"><i><span style="font-weight: 400;">Mr Schwartz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), pianos elétricos e a bateria com um timbre mais seco também compõem a paleta geral do disco, junto com uma produção saborosa e firme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonoridade se mantém ao decorrer do álbum, com exceção da espreitadora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KQsrIxyoJdE"><i><span style="font-weight: 400;">Sculptures Of Anything Goes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra pérola, que foge completamente do arsenal sonoro presente no resto das canções, trazendo uma nova face não só para o disco, como também para o grupo em geral. A faixa conta com uma imersão total em um ambiente eletrônico e semi-industrial, repleto de sintetizadores e quase isento da habitual guitarra. Aqui é também presente uma letra que expressa os sentimentos de Turner em relação à reação divisiva do público às mudanças pelas quais a banda passou ao longo dos anos, tudo isso em palavras direcionadas ao próprio ouvinte. Essa estética inédita reforça a </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/sep/30/arctic-monkeys-alex-turner-im-comfortable-with-the-idea-that-things-dont-have-to-be-a-pop-song"><span style="font-weight: 400;">audácia do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de se reinventar, ao mesmo tempo em que mantém uma identidade própria, além de se mostrar ciente das críticas e do quanto essa recepção mal importa (e mal deve importar) para a satisfação de um artista com a sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_32718" aria-describedby="caption-attachment-32718" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.jpg" alt="" width="1999" height="1289" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-800x516.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1024x660.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-768x495.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1536x990.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1200x774.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32718" class="wp-caption-text">Em The Car, a banda traça seu próprio caminho, sem comprometer a própria integridade artística (Foto: Zackery Michael)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É evidente que, nesse disco, o Arctic Monkeys propõe novamente um retorno às décadas de 1960 e 1970, assim como fizeram em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PMHHjOi6H3s"><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quatro anos antes. Enquanto que no álbum anterior eles prezaram pela adoção de um som psicodélico e reverberante, em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> a banda inglesa direcionou seu foco para uma abordagem predominantemente mais contida em termos melódicos e dinâmicos nas canções, vestindo fortes influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. No entanto, por mais que o grupo incorpore essa estética de corpo e alma, não traz muitas novidades em relação ao que já foi feito dentro do gênero: os arranjos se limitam a instrumentos e efeitos setentistas, além das músicas seguirem uma estrutura tradicional do estilo que a banda emula nesse projeto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, essa nova etapa sonora do quarteto funciona nos dias de hoje e mostra maturidade dentro da evolução ao longo dos anos. Em comparação a discos mais antigos do Arctic Monkeys, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta maior sofisticação e sensibilidade nas composições e no ritmo da obra em si, deixando claro o quanto cada membro aperfeiçoou a musicalidade em seus instrumentos no decorrer da discografia da banda, com destaque à performance vocal e lírica de Turner. </span><a href="https://www.radiox.co.uk/artists/arctic-monkeys/reveal-the-meaning-of-lyrics-on-the-car-album/"><span style="font-weight: 400;">Nesse último álbum</span></a><span style="font-weight: 400;">, o vocalista preza — assim como em trabalhos anteriores — pelo forte uso de metáforas e referências específicas à cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, aqui há uma ênfase maior em observações a respeito de seu próprio grupo e à sua trajetória em um tom reflexivo, casando com a estética instrumental das canções.</span></p>
<figure id="attachment_32719" aria-describedby="caption-attachment-32719" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5.jpg" alt="" width="2000" height="1270" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1536x975.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-5-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32719" class="wp-caption-text">Além da voz de Turner, quem também brilha em The Car é a bateria de Matt Helders (Foto: Jo Hale/Redferns)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum para o Arctic Monkeys que suas músicas tomem uma nova forma e vitalidade quando tocadas ao vivo, no contexto de uma performance geralmente de grande porte, em que há uma troca efervescente de energia entre os músicos e o público. Por mais que isso seja o usual para as mais frenéticas do catálogo da banda — como a trovejante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z0DcAAFsGHU"><i><span style="font-weight: 400;">Brianstorm</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tocada normalmente no início das apresentações —, esse fenômeno também se aplica à nova era do grupo. É o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hrEBkuZNkMQ"><i><span style="font-weight: 400;">Body Paint</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais um destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, que quando performada em </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> recentes, decola até as alturas e ganha mais vida (e duração), mostrando que a banda ainda mantém o ímpeto e ânimo que os fãs sempre puderam presenciar quando fossem vê-los ao vivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem acompanha o trabalho do grupo há muitos anos e está acostumado ao som mais enérgico e explosivo de álbuns como </span><a href="https://open.spotify.com/album/1XkGORuUX2QGOEIL4EbJKm?si=YMQ5-LpvTjGugCoDVqsvMg"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Worst Nightmare</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo disco pode parecer entediante e sem inspiração de início. Na verdade, a beleza aqui não está necessariamente em refrões grudentos ou momentos dignos de pirotecnia exorbitante nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ainda que ambos existam em doses menores nesse projeto), mas sim em uma expressão sincera e verdadeira com a própria identidade artística dos músicos, mesmo que isso signifique se distanciar daquilo que os levou até onde estão hoje. Desse jeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um álbum que retribui tempo investido nele, além de representar amadurecimento e uma etapa importante na estrada que a banda percorre há mais de 20 anos.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Car" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2GROf0WKoP5Er2M9RXVNNs?si=wdeLJcYKQYuJo_duThGIAA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>10 anos depois, Because The Internet ainda ecoa no cenário do hip-hop</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 20:37:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amábile Zioli O mix de gêneros, ritmos e estilos pode ser uma ferramenta muito utilizada no meio musical. Encontrar o equilíbrio e não pender para o exagero, no entanto, é uma tarefa que poucos conseguem alcançar. Em 2013, Donald Glover, sob o pseudônimo de Childish Gambino, lançava seu segundo álbum de estúdio, Because the Internet, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/because-the-internet-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos depois, Because The Internet ainda ecoa no cenário do hip-hop"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32132" aria-describedby="caption-attachment-32132" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.jpg" alt="Capa do álbum “Because The Internet” de Childish Gambino. A capa é uma fotografia do cantor. É um homem negro, de olhos escuros, e veste uma camisa em tons de rosa e laranja e coqueiros verdes. Ele está encarando a câmera, com uma feição séria. O fundo da foto é rosa, do lado direito, e laranja, do lado esquerdo." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32132" class="wp-caption-text">Childish Gambino foi uma das inspirações para a criação de <a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/homem-aranha-como-donald-glover-colaborou-com-a-criacao-de-miles-morales">Miles Morales</a>, o Homem-Aranha (Foto: Glassnote Records)</figcaption></figure>
<p><strong>Amábile Zioli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mix de gêneros, ritmos e estilos pode ser uma ferramenta muito utilizada no meio musical. Encontrar o equilíbrio e não pender para o exagero, no entanto, é uma tarefa que poucos conseguem alcançar. Em 2013, Donald Glover, sob o pseudônimo de Childish Gambino, lançava seu segundo álbum de estúdio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2uzq3A9YbU&amp;pp=ygUcY3JpdGljYSBiZWNhdXNlIHRoZSBpbnRlcm5ldA%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e mostrava ao mundo que entendia de tudo um pouco.</span></p>
<p><span id="more-32129"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos depois de </span><a href="https://musicainstantanea.com.br/disco-camp-childish-gambino/"><i><span style="font-weight: 400;">Camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o disco </span><i><span style="font-weight: 400;">debut, </span></i><span style="font-weight: 400;">o cantor retornou aos </span><a href="https://www.billboard.com/artist/childish-gambino/chart-history/hsi/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para se consagrar como uma potência emergente no cenário musical. Glover já estava presente em outros veículos: na TV, como Troy Barnes na série estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">Community</span></i><span style="font-weight: 400;">; por trás das câmeras, roteirizou </span><i><span style="font-weight: 400;">30 Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, seriado protagonizado por Tina Fey; e nos palcos também fez comédia, com shows de </span><i><span style="font-weight: 400;">stand up </span></i><span style="font-weight: 400;">que refletiam o humor em sua trajetória de carreira.</span></p>
<figure id="attachment_32131" aria-describedby="caption-attachment-32131" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32131" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.jpg" alt="A foto é uma cena da série Community. O personagem de Childish Gambino, Troy Barnes, está sentado em uma mesa, onde apenas seu tronco e cabeça aparecem, além da mão direita apoiada na mesa. Ele veste um moletom cinza e usa sua mochila preta nas costas. O ator está olhando para o lado e tem o cenho franzido e a boca aberta, formando um sorriso" width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32131" class="wp-caption-text">O ator saiu do elenco de Community para iniciar um projeto solo, a hoje aclamada <a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/">Atlanta</a> (Foto: NBCU)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dominado pelos instrumentais que soam como a marca registrada de Gambino, </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com uma produção majestosa. Mesmo que não seja lotado de colaborações, é isso que dá espaço para o cantor colocar sua genialidade nas faixas. Contando apenas com </span><a href="https://www.complex.com/music/a/cmplxjoshua-espinoza/chance-the-rapper-childish-gambino-friendship-timeline"><span style="font-weight: 400;">Chance The Rapper</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jhené Aiko e Azealia Banks para trazer novas vozes ao álbum, os </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">se adaptam ao estilo do colaborador, sem perder a essência do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo e bem trabalhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com melodias agressivas, como vemos em </span><i><span style="font-weight: 400;">I. Crawl</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível enxergar o que hoje </span><a href="https://portalpopline.com.br/tyler-aclamado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tyler The Creator</span></a><span style="font-weight: 400;"> é famoso por fazer: transformar uma grande gritaria em Arte na sua mais pura forma. Os versos gentilmente cantados pela voz firme de Alessia De Gasperis, conhecida pela premiada, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U_h1NScp1_o"><i><span style="font-weight: 400;">Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Jack Ü, contrastam da forma mais inusitada possível com as exclamações incompreensíveis de Gambino ao fundo, amarrando toda a produção e garantindo uma harmonia surpreendente. </span></p>
<figure id="attachment_32134" aria-describedby="caption-attachment-32134" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2.jpg" alt="A foto é uma cena do filme Guava Island. A cena mostra os dois protagonistas, Deni e Kofi, interpretados por Childish Gambino e Rihanna, respectivamente. Os dois estão se encarando, em uma cozinha. O homem está sem camisa, encostado na parede, com um short vermelho e uma faixa estampada na cabeça. A mulher está em sua frente, usando um vestido colorido. No fundo há uma janela onde algumas folhas podem ser  vistas." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32134" class="wp-caption-text">Donald Glover protagonizou o filme Guava Island ao lado da também cantora Rihanna (Foto: Regency Enterprises)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">2013 foi um ano difícil para se destacar no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tendo nomes como Kanye West, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Yeezus</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Drake, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Was The Same</span></i><span style="font-weight: 400;">, no topo dos </span><a href="https://musica.uol.com.br/enquetes/2013/12/03/retrospectiva-2013-melhores-discos-do-ano.htm"><span style="font-weight: 400;">lançamentos mais esperados</span></a><span style="font-weight: 400;">, era presunçoso esperar que o segundo álbum de um artista em ascensão ia chegar longe. Mas chegou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou em sétimo lugar na </span><a href="https://www.billboard.com/charts/billboard-200/2013-12-28/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dos Estados Unidos e foi indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Álbum de Rap, trazendo o impulso que o cantor precisava para alavancar sua carreira musical de uma vez por todas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiando as faixas como se fossem um </span><i><span style="font-weight: 400;">stand up</span></i><span style="font-weight: 400;"> cantado, Childish Gambino se sente em casa e faz jus ao nome do disco, usando a internet como personagem principal de seus atos. Ele a atribui papel de responsável por todos os recentes acontecimentos de sua vida pessoal e profissional. Tudo é graças à internet. Cheia de gírias, trocadilhos e algumas referências, a obra se torna uma extensão da </span><a href="https://portalrapmais.com/donald-glover-elogia-seu-album-because-the-internet-e-fala-sobre-criticas-ao-projeto-camp/"><span style="font-weight: 400;">personalidade marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquistadora do carismático cantor e produtor norte-americano. </span></p>
<figure id="attachment_32133" aria-describedby="caption-attachment-32133" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.jpg" alt=" A foto é uma cena do clipe da música This Is America, de Childish Gambino. Na cena, o cantor está de lado, sem camisa, simulando uma arma com as mãos. Seus braços estão esticados, como se estivesse preparado para atirar.]" width="976" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32133" class="wp-caption-text">Childish Gambino levou o Grammy de Música do Ano por This Is America, em 2019 (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um divisor de águas para a carreira de Donald Glover enquanto Childish Gambino. Aqueles que se encontravam no seu </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> energético e, em outra parte do tempo, igualmente pacífico, passaram a admirar ainda mais a versatilidade do cantor. Isso não acabou no segundo álbum. Todo o seu trabalho contribuiu para a evolução de suas percepções musicais e o encontro do que mais combinava com a persona, sendo importante para o que muitos críticos chamam de sua obra prima: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-awaken-my-love-childish-gambino/"><i><span style="font-weight: 400;">Awaken, My Love!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quarto álbum de estúdio do artista, que só seria lançado oficialmente em 2016. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após 10 anos do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda reflete na indústria musical de forma perceptível. Trazendo um </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> cru, mas longe de incompleto, Gambino brinca com os interlúdios como se fossem acessórios de um produto maior, o que realmente são. É assim que o cantor se consolida como uma força em ascendência sem perder o foco de todos os outros </span><a href="https://culturadoria.com.br/quem-e-donald-glover/"><span style="font-weight: 400;">projetos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que o torna um dos artistas mais completos da atualidade.</span></p>
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		<title>Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 18:36:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Dirigido e roteirizado pelo cineasta português Artur Serra Araújo, Dulcineia conta a história de Hugo, um contrabaixista de jazz que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dulcineia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31775" aria-describedby="caption-attachment-31775" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg" alt="Cena do filme Dulcineia. Na imagem estão os dois protagonistas Hugo e Dulcineia andando de bicicleta. Hugo é um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto anda de bicicleta. Dulcineia é uma mulher branca de cabelos castanhos longos. Ambos estão em uma rodovia movimentada e muito iluminada por postes e reflexos da água em poças formadas pela chuva. Estão usando capas de chuva, Dulcineia uma capa vermelha e Hugo uma capa transparente." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31775" class="wp-caption-text">Junto a Dulcineia, mais de 20 filmes portugueses integram a 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado pelo cineasta português </span><a href="http://porto.lecool.com/inspirations/artur-serra-araujo/"><span style="font-weight: 400;">Artur Serra Araújo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de Hugo, um contrabaixista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno de um mistério como um pianista famoso, que toca uma música que o protagonista vem escrevendo na sua cabeça há anos, mas nunca conseguiu colocá-la no papel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra está presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, e mistura elementos de romance, suspense e uma quase fantasia. Suas referências também são diretas e bem-vindas, construindo uma base sólida para o desenvolvimento da narrativa: Dom Quixote, que influi o nome da personagem Dulcineia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/#more-29922"><span style="font-weight: 400;">Alba Baptista</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua relação com Hugo (António Parra); a própria cultura de Porto, retratada em belas imagens e diálogos; e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jazz/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão e a expressão de Hugo e dos demais músicos que ele encontra em sua nova jornada de autoconhecimento. </span></p>
<p><span id="more-31773"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do destaque positivo das atuações do elenco principal, a exploração de temas como a identidade e o destino já são complexas por si só. Além disso, a escolha de utilizar questões fantásticas em um personagem enigmático e contraditório, que vive uma crise existencial e artística, contrapõem ainda mais a clareza da narrativa. Infelizmente, essa dinâmica traz um desenrolar não tão fluido e confortável à plateia </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> mesmo que talvez fosse para ser assim. </span></p>
<figure id="attachment_31774" aria-describedby="caption-attachment-31774" style="width: 545px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png" alt="Capa do livro “O Ano Sabático” de João Tordo. Ao centro está o formato de uma nota musical preenchida com a estampa das teclas de um piano. Ao fundo, riscos pretos e marrons imitam a textura de madeira no que poderia ser de um instrumento musical, com linhas cinzas sendo suas cordas à esquerda e formas circulares em preto como seus orifícios. Ao topo alinhado à esquerda está o nome do autor em caixa alta “João Tordo” seguido do nome do livro “O ano Sabático” logo abaixo. Ao centro esquerdo está o logo da editora, Companhia das Letras”, seguido do escrito “Autor vencedor do prêmio literário José Saramago”" width="545" height="869" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-502x800.png 502w" sizes="auto, (max-width: 545px) 85vw, 545px" /><figcaption id="caption-attachment-31774" class="wp-caption-text">Dulcineia é uma adaptação do romance literário O Ano Sabático, de João Tordo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um esforço notável para relacionar o audiovisual com o roteiro, a construção do longa é muito calma e contemplativa. A fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/tiago-carvalho"><span style="font-weight: 400;">Tiago Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne tons frios e escuros em uma ambiência de desesperança, ressaltando os detalhes dos cenários e dos personagens. E assim como o visual, que muitas vezes impulsiona instrumentos musicais como foco, a composição sonora, com o desenho de som por Pedro Marinho e música por Pedro Marques, também reflete estados emocionais e atmosféricos do protagonista de maneira majestosa, alternando entre melodias suaves, harmoniosas, tensas e dissonantes muito bem aproveitadas pelos atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a montagem, também por Tiago Carvalho, com planos longos e curtos, não entra em uníssono com toda composição descrita até aqui. Aparentemente comprometida com o mistério por sua alternância, a escolha de diálogos, transições e duração dos planos não potencializa tudo que é ofertado pelas boas atuações, fotografia e som. Talvez sequer fizesse diferença em produções mais curtas, mas em seus longos 90 minutos, a concentração e construção de uma linearidade por parte do público poderiam ter sido facilitados, ainda considerando a obra como uma adaptação pelo </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/artur-serra-araujo"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31776" aria-describedby="caption-attachment-31776" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.png" alt=" Cena do filme Dulcineia. Na imagem está o protagonista Hugo, um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos em um coque. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto maneja um instrumento musical de quatro cordas que se assemelha a um violoncelo. A imagem abrange a altura do busto até o topo do quarto em que Hugo está. Com uma partitura em um palanque a sua frente. O ambiente é um quarto vazio com apenas uma janela e cortinas atrás dele, que iluminam o ambiente em uma luz amarela. Deixando a figura de seu corpo, do instrumento e da partitura contra-luz." width="666" height="462" /><figcaption id="caption-attachment-31776" class="wp-caption-text">O filme esteve disponível com visualizações limitadas no Sesc Digital durante a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia </span></i><span style="font-weight: 400;">como um todo, na verdade, é uma ode à Música como Arte e parte da vida dos personagens. Apresentada através do contrabaixo, do piano, da guitarra, da bateria e da voz, a orquestra audiovisual transita entre pontos de muita beleza e contemplação e uma tensa confusão expressa pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">busca de si mesmo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também pela organização, intencional ou não, de cenas contrapostas como entraves para a fluidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é, sem dúvida, uma produção com profundidade e ricas referências, dialogando com a literatura, a Música e o Cinema, mesmo que com uma estética representativa de autoconhecimento não tão única assim. O questionamento dos limites das escolhas e desejos do </span><a href="https://agenteanorte.com/agencia/antonio-parra/"><span style="font-weight: 400;">Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> causam o frio na barriga que só o conhecimento de si mesmo pode provocar &#8211; e que bom ser assim. </span></p>
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		<title>FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 17:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela D’Avila Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  muitas outras experiências inesperadas vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/feels-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28830" aria-describedby="caption-attachment-28830" style="width: 538px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg" alt="Capa do álbum de FEELS, é um design gráfico de uma mulher astronauta, que parece estar flutuando pelo espaço. Ela leva sua mão direita ao capacete. O desenho de um arco-íris atravessa o desenho na diagonal desde o canto inferior esquerdo ao canto superior direito" width="538" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-28830" class="wp-caption-text">FEELS, primeiro álbum da cantora Snoh Aalegra, foi lançado em outubro de 2017 (Foto: Joseph McDermott)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela D’Avila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a29134062/snoh-aalegra-interview/"><span style="font-weight: 400;">muitas outras experiências inesperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim como ele, talvez depois de ler esse texto e ouvir algumas músicas de Aalegra, você também se apaixone por uma das vozes mais envolventes da cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. </span></p>
<p><span id="more-28829"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu nome de nascimento é </span><span style="font-weight: 400;">Shahrzad Fooladi, ou</span> <span style="font-weight: 400;">Snoh Sheri Nowrozi. Apesar das músicas em inglês, as canções receberam influências de diversas culturas, já que Snoh nasceu na Suécia, mas foi criada por seus pais persas que vieram do sul do Irã. A cantora começou a escrever aos 9 anos e ainda aos 13 assinou um acordo de desenvolvimento artístico com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> Suécia. Mas foi só em 2014, quando já tinha seus 26 anos, que sua carreira mudou de patamar. Isso não só porque ela estreou seu novo nome artístico, Snoh Aalegra, mas porque teve a oportunidade &#8211; ou a benção &#8211; de ser descoberta e </span><a href="https://metro.co.uk/2019/12/26/snoh-aalegra-recalls-random-4am-emails-prince-doughnut-dates-crazy-time-11962650/"><span style="font-weight: 400;">orientada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo cantor Prince, </span><span style="font-weight: 400;">até o ano de 2016, quando infelizmente faleceu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de seu mentor e sua maior referência, </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/snoh-aalegra-is-traveling-a-path-thats-all-her-own-9487303/"><span style="font-weight: 400;">Aalegra diz sempre ter se inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos cantores que cresceu ouvindo desde os anos 70 até os anos 90, como Stevie Wonder, Michael Jackson, Whitney Houston, James Brown e Lauryn Hill. Apesar de serem sua inspiração, ela relata usar suas próprias experiências de vida nas letras das canções. Após alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">s e </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">, Snoh finalmente lançou seu álbum de estreia, o inesquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em 2022 completa 5 anos. </span></p>
<figure id="attachment_28831" aria-describedby="caption-attachment-28831" style="width: 417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh.jpg" alt="Na imagem em preto e branco, vemos a cantora Snoh Aalegra apoiada em uma bancada, com seu braço esquerdo. Seu braço direito apoia na bancada com o cotovelo e a mão vai à cabeça. Ela olha para a câmera com seu lado direito. Ela está com uma blusa branca que cobre todo o seu braço e pescoço. Usa argolas pequenas e grossas e está com anéis nos dedos." width="417" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-28831" class="wp-caption-text">A cantora de R&amp;B Snoh Aalegra traz referências em suas músicas de suas raízes suecas e persas (Foto: Jack McKain)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com músicas entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mAJK7Fxycs4"><span style="font-weight: 400;">são definidas pela própria cantora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Cinematográfico ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum traz a melancolia e o romance tradicional das músicas de Snoh e caracteriza a diversidade cultural e linguística que ela vive. Exemplo disso é a aparição do cantor sueco Timbuktu na música </span><i><span style="font-weight: 400;">Like I Used Too</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alguns visuais do projeto feitos em ambientes persas. Os vídeos das canções também são complementados com situações em que aparecem conversas em línguas diferentes do inglês, como no clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hJrEuqIgKUk"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa bem o álbum e a cantora. Apesar de sons melancólicos, muitas sensações são atingidas ao longo das faixas, já que cada uma provoca um sentimento diferente. Isso se dá não só pela emoção que o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz para as histórias, mas pela voz aconchegante de Snoh, que definitivamente se destaca em relação a outros artistas do mesmo estilo. O título também representa bem a própria artista, porque ela mesma </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><span style="font-weight: 400;">afirma ser uma pessoa muito emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e culpa seu signo de Virgem por isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo único que Snoh e seus produtores realizam no projeto é usar sons clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas </span><a href="https://scandinaviansoul.com/snoh-aalegra-feels/"><span style="font-weight: 400;">de forma reinventada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um novo público, mais jovem e moderno. A canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Fool For You</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo disso, por ter uma batida nova, mas ter marcas clássicas do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa contém toda a emoção que o ritmo sempre traz para as histórias: nesse caso, sobre o envolvimento da cantora em um amor, que visivelmente a levará a um final catastrófico,  que mesmo assim a faz permanecer para viver aquilo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me conheço, mas eu finjo/Eu saio e volto novamente/Eu sou um tolo por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Snoh Aalegra - Fool For You | A COLORS SHOW" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ElINqEyx7GM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto conta com participações dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/0pVhqkfdTywxdrHc3RCo7u?si=Duz4uj3bQeCof2D4mede3w"><span style="font-weight: 400;">Vince Staples</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/5Vvu6MkyvNVdbsD5oV49Aw?si=3349498e54cd42a0"><span style="font-weight: 400;">Vic Mensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5tz69p7tJuGPeMGwNTxYuV?si=5c4750e6820543e3"><span style="font-weight: 400;">Logic</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo a clássica e tão amada colaboração </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B, que</span></i><span style="font-weight: 400;"> inclusive faz falta em muitos álbuns atuais. Após a introdução com </span><a href="https://open.spotify.com/track/7DfDdFCdn3WZYupiGProcq?si=5a4110f36dc94dd4"><i><span style="font-weight: 400;">All I Have &#8211; Intro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh traz uma batida clássica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://open.spotify.com/track/3vSQzBw0eKr2xmFml65Y7F?si=7c3fa042bc754dc7"><i><span style="font-weight: 400;">Sometimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dizendo um pouco sobre como está confusa com sua própria vida: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Às vezes eu decido onde devo estar/E às vezes a vida, simplesmente acontece pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A música é a primeira colaboração do álbum, feita com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Logic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto, </span><a href="https://open.spotify.com/track/1MSNfqOWHPcxzXz2Kw2W0o?si=58a71aeac23042a3"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação de Vince Staples, é o que amarra todas as outras músicas do álbum, e mais caracteriza o estilo de Snoh. Com seus vocais penetrantes e um </span><i><span style="font-weight: 400;">mashup </span></i><span style="font-weight: 400;">suave de duas canções do </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6liAMWkVf5LH7YR9yfFy1Y?si=NPofskiBQaC-jTGzGFE6og"><i><span style="font-weight: 400;">Portishead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo instrumentos de cordas, bateria, baixo e até arranhões de toca-discos que vêm e vão, ela conseguiu gerar a serenidade de um clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com fortes </span><a href="https://riotmag.co/single-review-nothing-burns-like-cold-snoh-aalegra"><span style="font-weight: 400;">influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cantora entrega um início marcante e amarra o ouvinte até o meio da faixa quando Vince entra deixando a canção mais emocionante. Os dois cantam sobre uma relação que dá totalmente errado, e que ambos já têm consciência disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aalegra não apresenta melodias apenas melancólicas ao longo do CD. Ela também entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop-soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/track/3G6SFvnNUR1M3Tbqsih4D2?si=b46bfca1e227474a"><i><span style="font-weight: 400;">You Keep Me Waiting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, traz um som mais animado, apesar da letra contar sobre o desgosto de estar em um relacionamento em que seu parceiro ama muito menos do que você, e entrega só o pior para a relação. Mesmo assim, talvez pela idealização desse homem, ela permanece esperando por ele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me faz esperar com o pior de você/E você chama isso de amor/Você não me dá nada, mas eu ainda não consigo me fartar/E eu chamo isso de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_28834" aria-describedby="caption-attachment-28834" style="width: 798px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg" alt="Em um palco com luzes azuis e fumaça, a cantora Snoh Aalegra está de pé ao centro. A imagem mostra todo o seu corpo, menos seus pés. Ela usa um conjunto claro e brilhoso que cobre suas pernas e seus braços. O casaco está aberto, mostrando assim o top da cantora, sua barriga, seu colo e pescoço. Seus cabelos estão presos e ela usa brincos brancos grandes. Sua mão direita segura o microfone, em direção à sua boca, que está fechada. Seu braço esquerdo está abaixado. Atrás da cantora, no palco, também podemos ver duas mesas pequenas e altas com objetos em cima." width="798" height="447" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg 798w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28834" class="wp-caption-text">Inspirada por Prince, Stevie Wonder e Lauryn Hill, a cantora Snoh Aalegra tem um som de R&amp;B único que tem sido apelidado de Soul cinematográfico (Foto: German Vizcarra)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/6MT6xMcntgOoylWCaOL8lm?si=f1f8ab76753f48fa"><i><span style="font-weight: 400;">Worse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos destaques do álbum. Com estilo lento e pausado, a artista canta para um certo desconhecido e pede para que ele possa compartilhar um pouco de sua sabedoria. Snoh entoa o que o homem permanecia repetindo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aproveite seu tempo, só vai piorar/Aqui está o problema da vida, ela só vai piorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mas ela não entende e permanece perguntado o porquê, recebendo apenas uma explicação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você sempre vai encontrar uma maneira/Para partir seu coração</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista para a </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Highsnobiety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a musicista revelou que, na verdade, esse homem é seu tio, que sempre teve uma visão um pouco amarga da vida e a dizia: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Oh, você está machucada agora? Só vai ficar pior</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/3GTpHuThSwghiUEvVQCwsz?si=86275ad43ffe48d8"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh expõe seus sentimentos com a perda de seu pai. Em uma música ‘voz e piano’, ela canta sobre como gostaria de ter dado mais valor ao tempo com ele, porque ele era o que realmente importava. Para a </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><i><span style="font-weight: 400;">FADER</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh conta que não passou muito tempo com ele durante a juventude por conta do divórcio de seus pais.</span><span style="font-weight: 400;"> A música foi sampleada por Drake, na última música do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">More Life</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Disturb</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o artista usa para colocar para fora muitos pensamentos. Por fazer parte disso, </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><span style="font-weight: 400;">Snoh demonstra se sentir especial</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="(FULL INTERVIEW) Snoh Aalegra Talks Drake, Vince Staples &amp; Making  &#039;FEELS&#039; | MTV News" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mAJK7Fxycs4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma geral, a voz aconchegante de Snoh e a composição das faixas te levam a uma experiência intensa, que primeiro fazem sua mente viajar a algum lugar distante, até que você entenda aquilo que está sendo cantado, se identifique, e a dor se instale. </span><a href="https://hypebeast.com/2018/10/snoh-aalegra-debut-album-feels"><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um álbum que te mergulha, ou até te afoga, nos sentimentos de Aalegra. Ela entrega tanto de si mesma nas letras, sem se preocupar em abrir suas dores com os ouvintes e mostrar a confusão de sua mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo que a artista canta é baseado em suas </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/snoh-aalegra-interview-new-album-feels-prince-no-id-8014782/"><span style="font-weight: 400;">experiências reais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela escreve sobre todos os sentimentos de arrependimento gerados pela perda de alguém, sobre sentir-se perdido na vida e mal compreendido pelas pessoas, mas principalmente sobre relacionamentos imperfeitos e sobre se entregar a alguém que não faz o mesmo por você. Ela expõe todas as inseguranças que isso gerou na sua mente e, apesar de reconhecer todas elas, Snoh parece ainda não ter conseguido se livrar, e demonstra continuar vivendo nesse ciclo de insegurança e dependência, que faz parte da forma de amor que ela conheceu ao longo de sua vida. </span></p>
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		<title>Nós somos os escolhidos de Jon Batiste</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:57:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Nem Olivia Rodrigo, nem Billie Eilish, nem Lil Nas X e nem Justin Bieber. A noite de 3 de abril de 2022 foi de Jon Batiste. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o jazzista de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jon-batiste-we-are-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nós somos os escolhidos de Jon Batiste"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27467" aria-describedby="caption-attachment-27467" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-1.webp" alt="Capa do CD WE ARE, de Jon Batiste. Imagem quadrada e colorida com fundo vermelho. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos e cavanhaque, vestindo um sobretudo vermelho e amerelo. Ele está de pé, olhando para frente. No canto inferior direito, escrito em inglês em uma fonte pequena, lê-se “dedicado aos sonhadores, profetas, contadores de histórias e verdades que se recusam a nos deixar cair totalmente na loucura”" width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-27467" class="wp-caption-text">Depois de anos de <a href="https://g1.globo.com/musica/grammy/2017/noticia/adele-quebra-grammy-apos-elogiar-beyonce-e-fas-comparam-atitude-com-filme-meninas-malvadas.ghtml">esnobadas absurdas</a>, a justiça foi feita: com o fascinante projeto WE ARE, Jon Batiste é o 11º artista negro a conquistar o Grammy de Álbum do Ano em 64 anos (Foto: Verve Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Nas X</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem </span><a href="https://personaunesp.com.br/justin-bieber-justice-critica/"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/04/04/grammy-2022-silk-sonic-jon-batiste-e-olivia-rodrigo-sao-os-grandes-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noite</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 3 de abril de 2022 foi de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jon-batiste/"><span style="font-weight: 400;">Jon Batiste</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesta nossa realidade bizarra em que o artista mais indicado de uma premiação é considerado azarão, o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><span style="font-weight: 400;">de Louisiana embaraçou todas as apostas ao se consagrar como o maior vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, saindo da cerimônia com 5 dos 11 gramofones que concorria, incluindo o cobiçado Álbum do Ano, categoria mais importante do evento. O trabalho contemplado foi </span><a href="https://open.spotify.com/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=7HUGaeWzTaKa3JEIk3PCnQ"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu aclamado oitavo álbum de estúdio. E, apesar de competir com grandes nomes, não há outra conclusão ao mergulhar no projeto: o prêmio só poderia ser dele.</span></p>
<p><span id="more-27466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele dia também marcou não apenas a primeira vez que Jon Batiste ganhou um </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">em toda a sua notável carreira, como também a primeira vez que um </span><a href="https://midianinja.org/news/grammy-2022-conheca-os-artistas-negros-vencedores-da-premiacao/"><span style="font-weight: 400;">artista negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> levou o prêmio de Álbum do Ano em absurdos 14 anos. No entanto, apesar de ter se tornado foco dos holofotes ao assinar as composições e arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, animação da Pixar vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021 – que também lhe proporcionou um gramofone neste ano –, sua contribuição à Música é bem mais longa. Jon é um dos principais expoentes da carente cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txdUE10OopA"><span style="font-weight: 400;">motivado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por sua família, que já tinha longa tradição no gênero, e por vozes como Duke Ellington e Nina Simone. Além disso, lidera a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AaqPpTY3jyg"><span style="font-weight: 400;">Stay Human</span></a><span style="font-weight: 400;">, banda que desde 2015 é residente no programa americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The Late Show with Stephen Colbert</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27468" aria-describedby="caption-attachment-27468" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada durante cerimônia do Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, vestindo uma camisa preta com lantejoulas pratas, em frente a um painel branco posando para uma foto enquanto sorri. Nos braços, ele segura cinco troféus no formato de gramofones." width="1200" height="812" /><figcaption id="caption-attachment-27468" class="wp-caption-text">O último homem negro a levar o prêmio máximo da noite do Grammy foi Herbie Hancock na cerimônia de 2008; já a última mulher foi Lauryn Hill em 1999 (Foto: Patrick T. Fallon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Música de Jon Batiste está longe de um simples </span><i><span style="font-weight: 400;">throwback</span></i><span style="font-weight: 400;"> saudosista a um gênero que há muito tempo perdeu espaço nas rádios. É uma busca por modernizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ressignificá-lo para nossas sensibilidades contemporâneas, levando a essência do improviso, da não-linearidade e da autoestima para um novo contexto, em que tais virtudes mostram-se </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">cada vez mais necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa descrição poderia muito bem definir </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, que de certa forma, torna mais palatável a sonoridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> para nossos ouvidos de 2022, através da mescla com elementos musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, em um esforço inverso ao que fazia Kendrick Lamar em 2015 com seu apoteótico </span><a href="https://personaunesp.com.br/kendrick-lamar-venceu/"><i><span style="font-weight: 400;">To Pimp a Butterfly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com sua caracterização musical complexa, o álbum foi levado às </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j5a42MwoYsw"><span style="font-weight: 400;">categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, não é exagero algum dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu mais puro estado. Não só as marcas registradas de seus antigos trabalhos se mantém – das harmonias do seu majestoso piano ao seu timbre de voz vigoroso e áspero – como também a imprevisibilidade sonora proporciona uma experiência única e inesperada a cada canção, ainda que todas sempre carreguem a mesma identidade artística inconfundível de Jon.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ao passo que faixas como </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-tell-the-truth-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-cry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraçam completamente a estética retrô e a raíz musical do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-i-need-you-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-freedom-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apresentam como músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> apimentadas por arranjos de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, em contraste com os </span><i><span style="font-weight: 400;">808’s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e baterias sintéticas que infestam suas melodias, </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-boy-hood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://genius.com/Jon-batiste-whatchutalkinbout-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WHATCHUTALKINBOUT</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exploram a veia </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jon. Na segunda, o cantor entrega suas rimas com muita agilidade em cima de um frenético instrumental de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ZTYgq4EoRo"><span style="font-weight: 400;">fortemente inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Kendrick, ainda sendo surpreendida por uma trilha em </span><i><span style="font-weight: 400;">16-bit </span></i><span style="font-weight: 400;">na sua segunda metade – o que, de alguma forma, continua coerente com a proposta do disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - I NEED YOU" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AXT00sWwuTQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, Jon Batiste constrói uma sonoridade moderna, ao mesmo tempo que universal e atemporal – e isso vai além da simples experimentação musical. Para ele, unir diferentes facetas da música negra é colocar em contato gerações distintas e, assim, reconectar-se com sua ancestralidade. Jon entende que, para uma cultura que é diariamente apagada, não se pode esquecer suas origens. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sempre me esforcei para mostrar que os gêneros estão todos ligados, assim como as pessoas em todas as nossas linhagens estão ligadas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi o que ele afirmou, </span><a href="https://noticias.plu7.com/115415/internacional/jon-batiste-em-suas-11-indicacoes-para-o-grammy-im-so-over-the-moon/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> após as nomeações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. E esse posicionamento aponta para outro aspecto importante na obra do cantor: seu vínculo com a militância e o ativismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado politicamente no berço graças a seu avô, que era presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Nova Orleans, esse aspecto da vida de Jon Batiste sempre esteve atrelado à Música. Principalmente em 2020, quando fervilhavam os protestos do movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> após o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">assassinato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de George Floyd, onde o cantor foi uma peça ativa e engajada. E não somente, trouxe a música para dentro das manifestações, utilizando-a como instrumento político de mobilização e conscientização. </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-we-are-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mais tarde se tornaria faixa-título do projeto, foi composta nesse cenário e, mais tarde, nomeou uma série de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/24/arts/music/jon-batiste-jazz-protests.html"><span style="font-weight: 400;">protestos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele organizou em junho daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, começam a se desvendar alguns dos principais temas do nomeado disco do ano. Jon Batiste entende como ninguém o poder transformativo da Música em elevar as angústias da vida e ressignificá-las em regozijo e liberdade. A faixa-título, especialmente, encapsula uma essência coletiva pujante, incorporando elementos de gospel em típicas melodias de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde o coro é quem </span><a href="https://www.nytimes.com/roomfordebate/2014/06/25/has-capitalism-become-incompatible-with-christianity/too-many-black-churches-preach-the-gospel-of-greed"><span style="font-weight: 400;">toma conta</span></a><span style="font-weight: 400;">. A participação da família de Jon e da banda de marcha de sua antiga escola reforça ainda mais esse ímpeto, juntamente a uma letra que enaltece o poder popular e a capacidade das massas de mudar o mundo. No pico do refrão, o pianista refere-se diretamente aos seus ouvintes e atesta: </span><a href="https://genius.com/22716773"><i><span style="font-weight: 400;">“Nós somos os escolhidos”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apenas nós, juntos, podemos transformar a sociedade em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27469" aria-describedby="caption-attachment-27469" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Fotografia retirada durante um concerto de protesto de Jon Batiste. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro, de cabelos curtos, vestindo uma camiseta branca e calça bege, tocando um piano colorido em uma praça à céu aberto, em frente a uma multidão de outras pessoas. Ele se curva sobre o piano, enquanto um microfone preso a um pedestal encontra-se acima da sua cabeça." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27469" class="wp-caption-text">Durante o ano de 2020, Batiste recuperou a música negra de seu apagamento étnico e provou de uma vez por todas: jazz é música de protesto (Foto: Hiroko Masuike)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;">, como produto de seu próprio tempo, é uma obra naturalmente relevante. A narrativa de todas as faixas, em algum aspecto, aborda o ativismo e o nosso papel no mundo enquanto </span><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/direitos-humanos-2/o-papel-do-ativismo-e-dar-voz-as-pessoas-invisiveis-diz"><span style="font-weight: 400;">agentes da mudança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o que torna sua mensagem de fato ímpar é como Jon Batiste nunca se compromete com respostas. Ele se insere no centro desse cenário, se une a nós e coloca-se como porta-voz de sua geração, sem nunca apagar as nuances e sobretons que atravessam a subjetividade individual de cada um – inclusive dele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><i><span style="font-weight: 400;">CRY</span></i><span style="font-weight: 400;"> – faixa que ganhou dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Roots</span></i><span style="font-weight: 400;"> – manifesta um eu-lírico desolado, que não consegue ver soluções para os problemas do mundo, assumindo que os culpados por todas essas mazelas jamais serão responsabilizados e tudo o que nos resta é o choro; </span><i><span style="font-weight: 400;">I NEED YOU</span></i><span style="font-weight: 400;">, em oposição direta, encontra no amor e na presença do outro a </span><a href="https://www.vulture.com/article/jon-batiste-interview-grammy-nominations.html"><span style="font-weight: 400;">motivação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para continuar de pé dia após dia. Jon Batiste coloca as duas condições em contraste, mas sem nunca cair em um maniqueísmo banal, entendendo o valor da esperança, sem ignorar a função da tristeza como um sentimento válido e parte do processo de superação. Afinal, apenas se alcança a luz após passar pela escuridão.</span></p>
<figure id="attachment_27470" aria-describedby="caption-attachment-27470" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/IMAGEM-4.webp" alt="Fotografia retirada durante apresentação do cantor Jon Batiste no Grammy 2022. Imagem retangular e colorida. Mostra Jon Batiste, um homem negro de barba feita e cabelos curtos, que veste um terno prateado e sapatos pretos, segurando um microfone sobre a boca enquanto canta eufórico, com os olhos fechados, e curva suas costas para trás. Ao lado dele, outros três dançarinos vestindo ternos azuis fazem poses. Ao fundo, uma banda vestindo roupas rosas toca uma música." width="2000" height="1333" /><figcaption id="caption-attachment-27470" class="wp-caption-text">Jon Batiste levou as cores e o entusiasmo de FREEDOM para dentro do Grammy 2022, em uma performance contagiante que agitou uma cerimônia que, até aquele momento, permanecia morna (Foto: Matt Winkelmeyer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que não quer dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> não trate de temas pessoais de Jon Batiste. Na verdade, grande parte do disco traça o processo de amadurecimento do artista e como sua autopercepção o ajudou a encontrar seu lugar dentro de sua comunidade. Não por acaso, as faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">BOY HOOD </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-adulthood-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">ADULTHOOD</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se sucedem na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com auxílio da inigualável voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pp2mRJ6-Q9k"><span style="font-weight: 400;">PJ Morton</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos desde as pequenas alegrias da infância simples e inocente de Nova Orleans, até o frio na barriga da transição para a vida adulta, quando ele se mudou para Nova Iorque sozinho, com 17 anos, para estudar Música em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PoTKFjj2Ghs"><span style="font-weight: 400;">Juilliard</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por todo esse trecho do álbum, permeiam as mesmas questões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem sou eu?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">“em que espaço eu pertenço?</span></i><span style="font-weight: 400;">” Por fim, Jon Batiste encontra o respaldo e suporte que precisava observando o passado: seja nos conselhos do seu pai, que ecoam com muito carinho pelas nostálgicas memórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">TELL THE TRUTH</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no tributo aos diversos criadores negros que moldaram sua personalidade e hoje são grandes inspirações para sua obra em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-show-me-the-way-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SHOW ME THE WAY</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Jon compreende que, para que pudesse trilhar livremente seu caminho, muitos pavimentaram a estrada antes. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> guarda um imenso respeito por todas essas figuras, tanto familiares quanto culturais, e confessa recorrer a elas ao encarar o céu: </span><i><span style="font-weight: 400;">“quando olho para as estrelas, sei exatamente quem nós somos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente do peso das pautas que rodeiam a produção do disco, ou dos temas delicados que ele não deixa de discorrer, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um projeto otimista e colorido, em todos os sentidos. Jon Batiste se diverte como nunca, brincando com vocais e harmonias como se estivesse em uma montanha-russa viva. No clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3YHVC1DcHmo"><i><span style="font-weight: 400;">FREEDOM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que desbancou o favorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">MONTERO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no prêmio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6swmTBVI83k"><span style="font-weight: 400;">Melhor Videoclipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, Batiste leva o conceito de liberdade para o domínio do corpo e traz a dança enquanto símbolo máximo da autonomia como resistência. Isso, é claro, ao mesmo tempo que veste figurinos cintilantes e remexe junto a todos os moradores de um subúrbio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jon Batiste - FREEDOM" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3YHVC1DcHmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, isto é importante dizer, o videoclipe dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C6MOKXm8x50"><span style="font-weight: 400;">Alan Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz questão de mostrar que já existia cor naquele universo. O papel de Jon naquele momento é catalisar esse sentimento puro de alegria através da sua Música. Ao contrário de uma posição messiânica, sua obra se empodera pelo espírito coletivo inerente à humanidade, </span><a href="https://www.npr.org/2021/07/05/1012207034/jon-batiste-on-sharing-joy-in-a-painful-year-i-want-to-reaffirm-peoples-humanity"><span style="font-weight: 400;">levando esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um ano doloroso e lúgubre, onde praticamente não havia espaço para a êxtase. O que Jon Batiste constata em </span><a href="https://genius.com/Jon-batiste-sing-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">SING</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – a síntese emocional perfeita para o fechamento do projeto – é que, em um mundo onde somos oprimidos, não só física mas também mentalmente, explorados à exaustão até que não tenhamos tempo nem para cuidar de nós mesmos, nosso coro em uníssono é a resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que este é o álbum mais importante de 2021, com ou sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vitória de Jon Batiste, sem sombra de dúvidas, visa amplificar o acesso de grupos minoritários às categorias principais. É uma ação afirmativa deliberada da Academia, que, todavia, continua sendo composta pelos mesmos homens brancos, que apagaram a influência cultural dos mesmos criadores negros no passado. Entra ano, sai ano, os artistas mais disruptivos da Música continuam </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/03/esnobado-pelo-grammy-the-weeknd-faz-historia-na-musica-pop-ckm3ueh3a00430198ujh23l2c.html"><span style="font-weight: 400;">fazendo história</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto ignorados por uma premiação que permanece </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JlniLFuzjf8"><span style="font-weight: 400;">irrelevante como sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">WE ARE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho formidável e pivotal para os nossos tempos, e acreditar que somente uma réplica em ouro de um gramofone poderia legitimá-lo é um crime imperdoável.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: WE ARE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6kHFkPvL2X3rZPuS3CEMUE?si=Fdrdh4F5TFCEjVWLquTW5Q&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_26765" aria-describedby="caption-attachment-26765" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26765 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na fotografia retangular colorida, vemos centenas de pessoas negras vestindo roupas populares nos anos 1960, que são camisetas listradas, blusas com golas grandes e óculos redondos. As três mulheres negras que estão à frente da fotografia possuem cabelos crespos e grandes, de cor preta, e vestem respectivamente uma camisa preta com uma blusa azul sobre os ombros; uma camiseta listrada; e uma blusa de couro marrom com detalhes em cor branca." width="1425" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-800x606.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1024x775.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-768x582.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1200x909.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26765" class="wp-caption-text">Vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, Summer of Soul (&#8230;Or, When the Revolution Could Not Be Televised) é o favorito na mesma categoria do Oscar 2022 [Foto: Hulu]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, de Malcolm X à posterior morte de Bobby Kennedy – e tantos outros). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não se trata do famigerado festival de Woodstock, pois esse, apesar de dominar a cultura popular, aconteceu em somente quatro dias (15 à 18 de agosto de 1969). A 160 km dali, no antigo bairro periférico do Harlem, estava acontecendo uma revolução não televisionada. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, </span><a href="https://aodisseia.com/summer-of-soul-critica-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (…ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona os registros do Festival Cultural do Harlem, um marco histórico na Música que se seguiu esquecido; até agora.</span></p>
<p><span id="more-26764"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens – inéditas por mais de 50 anos – foram recuperadas pelo músico e diretor estreante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Kxn1QCqRQU"><span style="font-weight: 400;">Ahmir “Questlove” Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revelam um importante momento cultural estadunidense, guiado por nomes como B.B. King, </span><span style="font-weight: 400;">Mahalia Jackson e </span><span style="font-weight: 400;">Nina Simone. As ebulições sociais e sócio-políticas que se infiltraram na sociedade à época são jogadas na tela em cada discurso incisivo que os artistas trazem – seja através dos registros do Harlem Cultural Festival, seja pelas falas “contemporâneas” que ex-participantes relatam. Havia algo importante na existência de um evento do tipo naquele momento da História, e todos ali pareciam ter consciência disso; talvez por essa razão </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">permaneça contundente e avassalador: é um registro esquecido de uma revolta segmentada através da arte.</span></p>
<figure id="attachment_26766" aria-describedby="caption-attachment-26766" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg" alt="Foto retangular colorida do diretor Ahmir Questlove. Na imagem, vemos Questlove sorrindo ao centro, olhando diretamente para a câmera, e ao fundo um poster do filme Summer of Soul. Questlove é um homem negro, possui cabelos pretos e crespos, barba de cor preta, utiliza um óculos de grau com hastes pretas e veste jaqueta em cor laranja com detalhes brancos. Ele está usando um colar de cor cinza e uma camiseta de cor verde." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26766" class="wp-caption-text">Summer of Soul é a estreia promissora de Questlove na direção de longa-metragens, que veio acompanhada de uma série de premiações relevantes (Foto: Todd Williamson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, em si, não inventa muita firula. Trata-se de uma sobreposição de imagens de época em contraponto a entrevistas recentes. Na abertura – uma sequência genial –, vemos Stevie Wonder em um </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">magistral de bateria. Esse trecho logo no começo não parece ter sido escolhido a mero acaso, pois Questlove é também baterista, e lidera a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojC0mg2hJCc"><span style="font-weight: 400;">The Roots</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra o programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tonight Show Starring Jimmy Fallon</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A montagem primorosa, a cargo de Joshua L. Pearson, também merece destaque, dado que cria lentamente em seus 118 minutos de duração as tensões sociais as quais o festival estava inserido. A junção de conteúdo e técnica impecável de edição rendeu ao filme duas indicações ao </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2022-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Montagem e Melhor Documentário – categoria em que venceu –, e uma série de vitórias nos principais festivais de Cinema, incluindo o de</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/594350/summer-of-soul-documentario-premiado-em-sundance-e-adquirido-pela-searchlight/"><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://pitchfork.com/news/questloves-summer-of-soul-wins-best-documentary-at-2022-independent-spirit-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Independent Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também concorre no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 na categoria Melhor Filme Musical.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha ainda mais fôlego ao se desenvolver entre os bastidores do Festival Cultural do Harlem. Diferente do que costuma ocorrer em filmes do gênero, o foco não está somente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">e na reação do público, mas também em seus entremeios e ligações externas, nos políticos envolvidos, na relação conturbada com a polícia (com medo de reações policiais violentas, os organizadores do evento contrataram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazerem a segurança do festival) e todo o contexto repressivo que foi permitido esquecer em meio aos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">catatônicos das guitarras amplificadas, dos pianos melódicos e dos tambores que rugiam raivosamente.</span></p>
<figure id="attachment_26767" aria-describedby="caption-attachment-26767" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na imagem retangular colorida vemos o palco do Festival Cultural do Harlem, com instrumentos e dezenove músicos espalhados ao longo dele. A imagem está distante e não conseguimos visualizar o rosto de cada um, mas todos eles são negros. Ao fundo, vemos o papel de parede do evento, escrito Festival em fonte de cor branca em meio a diversas formas geométricas coloridas." width="1400" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26767" class="wp-caption-text">O documentário se desdobra nos eventos históricos sempre através da Música; por essa razão, não cai em clichês (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, o “Homem Estadunidense” também foi à Lua, mas ele era branco, e não pretendia considerar a população negra em sua viagem interestelar. Uma das cenas mais marcantes do longa é durante a fala de Roger Parris, na qual ele diz que a comunidade do Harlem não estava interessada em ir à Lua, </span><i><span style="font-weight: 400;">“estava preocupada na realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o real era cruel o suficiente para se negar o direito a sair da Terra. Como se não bastasse as complicações de todos os tipos que vinham externamente – principalmente por forças políticas –, outro inimigo dominou o bairro: a heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final dos anos 1960, especificamente, foi um período duro, no qual a epidemia da droga ceifou a vida de vários jovens, cujos possíveis motivos do vício estavam ligados justamente à realidade abissal que a população negra havia sido jogada em decorrência do racismo, como sugere um entrevistado em uma das cenas. Foi também um momento chave na Guerra do Vietnã, onde o governo estadunidense enviou </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">front </span></i><span style="font-weight: 400;">em números muito maiores do que jovens brancos, e muitos daqueles que se negaram a ir foram caçados e mortos pela polícia. Por esses motivos, como o próprio documentário deixa no ar, Tony Lawrence idealizou o Harlem Cultural Festival para evitar que a cidade queimasse em meio às revoltas e protestos – totalmente legítimos.</span></p>
<figure id="attachment_26769" aria-describedby="caption-attachment-26769" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na foto retangular colorida, vemos a cantora e musicista Nina Simone, sentada em um piano de cor marrom. Ela é uma negra, veste um vestido de cor amarela com detalhes pretos, utiliza dois brincos grandes, cujo tamanho é similar ao de uma bola de tênis, e está com a cabeça inclinada para a direita, em direção ao público que assiste ao seu show." width="2400" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26769" class="wp-caption-text">“Essa é a parte triste do apagamento; antes do nosso filme, você quase não conheceu nada sobre isso. Houve apenas rumores de que talvez isso tenha acontecido”, disse Questlove em entrevista a Variety (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">remete a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwSRqaZGsPw"><i><span style="font-weight: 400;">Revolution Will Not Be Televised</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do músico e poeta Gil Scott-Heron – considerado uma das fontes de inspiração para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">–, sustentado como um dos hinos de ativistas negros no final dos anos 1960. Ao longo do documentário, </span><span style="font-weight: 400;">os entrevistados explicam como a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i><span style="font-weight: 400;">” mudou de um termo pejorativo para um lugar de autodeterminação e orgulho, valores que foram ainda mais impulsionados – e incentivados – no festival. </span><span style="font-weight: 400;">Algo que Questlove explorou muito bem foi o desenrolar de um novo mundo para a população negra que começava a ser consolidado, e os discursos dos artistas no evento giravam em torno de um mesmo tema: tenha orgulho de ser quem você é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim, Nina Simone surge cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“somos negros, somos lindos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a essência do festival e sua importância histórica. Pela primeira vez, após um período intenso de crimes hediondos contra a comunidade, havia um evento que celebrava, enfim, a existência dessa mesma comunidade. Aquele era um período de mudanças sociais profundas, e embora fossem julgadas como inatingíveis e utópicas por uma parcela da população, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc"><span style="font-weight: 400;">sonhar ainda era possível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7A_A9IqC3Co?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Gold-Diggers Sound: Leon Bridges tem o poder de parar o tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2022 12:08:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Nós não paramos, mas o tempo sim”. Há uma conduta inusitada nessa afirmação, não? Bem, é assim que Leon Bridges escolhe abrir Motorbike, o segundo single do seu terceiro álbum de estúdio, Gold-Diggers Sound. É comum que o tempo seja entendido, tanto na Arte quanto no inconsciente coletivo, como uma entidade intocável, totalmente &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/leon-bridges-gold-diggers-sound-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gold-Diggers Sound: Leon Bridges tem o poder de parar o tempo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26244" aria-describedby="caption-attachment-26244" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-1-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26244" class="wp-caption-text">Gold-Diggers Sound, terceiro álbum de estúdio de Leon Bridges e figura marcada nas categorias de R&amp;B do Grammy 2022, ainda recebeu versão Deluxe com uma faixa extra (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Nós não paramos, mas o tempo sim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Há uma conduta inusitada nessa afirmação, não? Bem, é assim que Leon Bridges escolhe abrir </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-motorbike-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Motorbike</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seu terceiro álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. É comum que o </span><a href="http://www.iea.usp.br/noticias/o-tempo-na-arte"><span style="font-weight: 400;">tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja entendido, tanto na Arte quanto no inconsciente coletivo, como uma entidade intocável, totalmente fora da nossa compreensão e controle, que existe independente da nossa capacidade de percebê-lo, e que é efêmero por definição. Ou seja, que se vai apaticamente, e quem não o acompanha é fatalmente suprimido. </span></p>
<p><span id="more-26240"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À vista disso, a frase gera estranhamento pelo modo com que Bridges rejeita essa ideia de tempo e inverte a lógica vigente. Dessa vez, o tempo se transforma em um elemento mais próximo, reconhecível e sujeito à perspectiva de quem o enxerga, ao passo que a propriedade do </span><a href="https://www.scielo.br/j/epsic/a/jg3hvqrzY7zRFHfztRKsGTx/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">movimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, do dinamismo e da mudança é transferida ao indivíduo, agora brindado por autonomia e em consonância com sua realidade. Leitura intrigante, de fato. Entretanto, o que ele quer dizer com isso?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Motorbike (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/Y9OMJ0HvPbk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de Bridges sempre esteve atrelado ao tempo. O texano decidiu se lançar na indústria em 2015 com o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/21KIagsx1ZvYcv0sVkEAWv?si=GDCGVAe1QC6Z4h_X4OZdmg"><i><span style="font-weight: 400;">Coming Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu título alude à retomada de sua ancestralidade, a partir das raízes musicais do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2015/feb/22/leon-bridges-vintage-soul-one-to-watch"><span style="font-weight: 400;">sua afeição</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos gêneros era tamanha que ele decidiu recriá-los com a maior precisão possível e, consequentemente, pouco se via de uma assinatura própria do artista. Realmente havia um conceito pujante que brotava ali, mas é indiscutível que o álbum estava muito mais próximo de uma experimentação que de uma obra lapidada, e Leon Bridges ainda buscava sua identidade naquele cenário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos depois, em 2018, seu trabalho começava a gerar frutos com o </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/7J9fifadXb0PPSBWXctbi8?si=48Qi62XNQDeL-EE_rKXVYg"><i><span style="font-weight: 400;">Good Thing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em uma musicalidade mais refrescante. Em um claro registro de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, se aproximando com maior firmeza do </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/10-discos-para-gostar-de-synthpop/"><i><span style="font-weight: 400;">synth-pop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas, Bridges se demonstrava suscetível à sonoridades contemporâneas, ainda que mantendo em voga a estética retrô que o consolidou antes. Infelizmente, o disco não foi tão </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/leon-bridges-good-thing/"><span style="font-weight: 400;">bem recebido</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo público e crítica na época, porém o cantor já parecia constituir uma voz mais singular e consolidada.</span></p>
<p><figure id="attachment_26245" aria-describedby="caption-attachment-26245" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26245 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-800x450.jpeg" alt=" [Texto alternativo: Fotografia retirada da capa de Coming Home, de Leon Bridges. Imagem retangular com o fundo vermelho. Nela, está Leon Bridges, um homem negro, de cabelos crespos e curtos, barba feita, usando uma camisa estampada, um suéter escuro por cime e uma calça social. O vemos somente da cintura para cima, e ele levanta os dois braços na altura da cintura, com ambas as suas mão borradas, dando a sensação de movimento. Além disso, a figura de Leon Bridges é colorida em preto-e-branco, contrastando com o vermelho vibrante da parede atrás dele." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2.jpeg 1056w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26245" class="wp-caption-text">Estreando com um projeto criativo, mas pouco ousado, Leon Bridges demorou a encontrar sua identidade na Música (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Agora, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um pouco diferente. O terceiro álbum de estúdio de </span><a href="https://www.npr.org/2021/08/06/1025456535/leon-bridges-an-introvert-is-resigned-to-fame"><span style="font-weight: 400;">Leon Bridges</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho que fora constituído em dois anos, em um </span><a href="https://www.thecurrent.org/feature/2021/08/13/interview-leon-bridges-on-golddiggers-sound"><span style="font-weight: 400;">longo processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estudo e criação, em parceria com os produtores Ricky Reed e Mercereau, junto do talento de outros grandes músicos, como Terrace Martin e Robert Glasper. O resultado desse exercício é uma evolução natural dos dois projetos anteriores: oferecendo a revisita nostálgica à Música dos anos 60, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Coming Home</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém derivando de uma direção mais consciente e madura, misturando o </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o moderno de maneira orgânica e prestigiosa, tal qual </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Thing</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a isso, diversas canções do novo registro propõem uma sobreposição de melodias acústicas, puxadas diretamente de suas inspirações no </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, com uma produção carregada de elementos eletrônicos. As suaves guitarras de </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-magnolias-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Magnolias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-sho-nuff-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Sho Nuff</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que são logo acometidas por </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> sequenciados, característicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rb/"><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;">, são um exemplo emblemático disso. Bridges desafia a expectativa de seus fãs, criando uma sonoridade ímpar e imprevisível, fora de sua zona de conforto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Steam (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c7IxY6CTiVA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma característica crucial em como Leon situa seu projeto. O título, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">, leva consigo o nome do </span><a href="https://gold-diggers.com/"><span style="font-weight: 400;">estúdio-bar-hotel</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que foi gravado. Localizado em Los Angeles, o artista vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passou a morar no </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante todo o período de composição e gravação do álbum, e não saiu até que terminasse. À vista disso, ele atrela sua música diretamente ao local no qual foi concebida, constituindo uma conexão material e territorial com o espaço e tempo em que está inserido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as músicas respiram uma espécie de ímpeto por sossego e ócio. Mesmo aquelas mais digitalizadas levam consigo a proximidade de se estar assistindo um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo em um bar de esquina, sentado em uma mesa redonda ao lado de amigos e de um bom copo de cerveja. Bridges convida o ouvinte para essa viagem imersiva, ao mesmo tempo que despojada, levando-nos a um universo consolador e nostálgico – inclusive de um momento </span><a href="https://falauniversidades.com.br/industria-musical-se-desdobra-em-meio-a-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">pré-pandêmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando ainda podíamos vivenciar encontros corriqueiros sem medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, ao tentar incorporar essas sensações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna o projeto mais contagiante do cantor e, sem dúvidas, onde ele mais permite entreter-se. Desde faixas radiantes de teor celebratório como </span><i><span style="font-weight: 400;">Motorbike</span></i><span style="font-weight: 400;">, até canções românticas com conotação mais sensual e diligente como </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-steam-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Steam</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-details-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Details</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao ouví-las é possível imaginar o sorriso estampado no rosto de Leon enquanto declama seus versos. </span></p>
<figure id="attachment_26246" aria-describedby="caption-attachment-26246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26246 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-800x533.jpg" alt="Fotografia retirada em performance de Leon Bridges da música “Sweeter”, no estúdio Gold-Diggers. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos Leon Bridges, um homem negro, de cabelos crespos e curtos, barba envolvendo toda a área de sua bochecha e queixo, vestindo uma jaqueta jeans e camisa branca. Ele levanta um microfone até a sua boca com a mão direita, e canta com os olhos fechados e a boca entreaberta. Sua mão esquerda é erguida na altura do microfone e gesticula. O fundo da imagem é cinza e desfocado, e podemos ver a figura borrada de um homem negro, vestindo uma camisa preta, em frente a uma mesa de som." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3.jpg 1966w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26246" class="wp-caption-text">Junto ao álbum, Leon Bridges também lançou performances de algumas faixas gravadas diretamente do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ViQuEDyxKCA">Gold-Diggers</a>, reforçando a busca por uma ambientação sonora próxima da experiência ao vivo (Foto: Leon Bridges/<a href="https://www.youtube.com/watch?v=uQOABLDwegA">Youtube</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, apesar dessa leveza, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se mune de lamúrias. </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-blue-mesas-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Blue Mesas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que encerra o álbum, evoca um tópico que desponta na surdina de quase toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma demanda por validação interpessoal, que então leva a um sufocante estado de solidão. Estado esse que não necessariamente implica em isolamento, como Bridges </span><a href="https://www.instagram.com/p/CRWSfF2i61S/"><span style="font-weight: 400;">aponta</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao questionar de que modo é possível ele se sentir só </span><i><span style="font-weight: 400;">“ainda que rodeado por aqueles que conhece”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa também coloca em questão a masculinidade tóxica, que impede homens de expressarem seus sentimentos, quando ele, mesmo admitindo que há uma dor bem no fundo da sua alma, insiste em negar ajuda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de Leon, essa exigência compulsória em performar austeridade ganha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sfKg2bD8vjE"><span style="font-weight: 400;">outro fardo</span></a><span style="font-weight: 400;"> por seu lugar enquanto </span><a href="https://theindigenist.files.wordpress.com/2014/08/we-real-cool_black-men-masculinity-by-bell-hooks.pdf"><span style="font-weight: 400;">homem negro</span></a><span style="font-weight: 400;">. E o efeito final disso acaba sendo inverso, porque quanto mais persiste em não demonstrar emoções, mais elas são depositadas em um elemento externo, provocando, dessa forma, relações de dependência. Essa figura masculina estilhaçada é, enfim, humanizada em </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-why-dont-you-touch-me-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Why Don’t You Touch Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde o artista assume um eu-lírico que, em decorrência de suas atitudes possessivas, viu gradualmente o amor de sua namorada findar. Então, em desespero, ele implora para que ela retorne aos seus braços. Talvez porque ele realmente a ame, sim, mas também – e Bridges faz questão de não esconder isso – por uma carência de atenção que ele mesmo nutre.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Why Don&#039;t You Touch Me: Part 1 (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TqgMx3eWdYg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora ocasiões isoladas de pura melancolia se façam presentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem outra maneira, </span><a href="https://ratedrnb.com/2021/07/how-leon-bridges-found-his-gold-diggers-sound-on-new-album-interview/"><span style="font-weight: 400;">mais particular</span></a><span style="font-weight: 400;">, de expressar suas fragilidades. Da mesma forma que, musicalmente, o retrô sempre caminha junto com o moderno, Leon Bridges consegue criar, em sua mensagem, um equilíbrio ideal entre as angústias e júbilos, de tal modo que elas passam a naturalmente coexistir no mesmo espaço, e não há nenhuma incompatibilidade nisso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é isso que a faixa </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-dont-worry-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Worry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alcança com muito esmero. Compartilhando semelhanças com </span><i><span style="font-weight: 400;">Why Don’t You Touch Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bridges e a vocalista </span><a href="https://open.spotify.com/album/6YPjAMPVTJrGRAHXbhMgnO?si=Qkb_bfWcTnW8qiZLzkz_vw"><span style="font-weight: 400;">Ink</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretam um diálogo entre duas metades de um relacionamento tóxico que foi desfeito, enquanto meditam sobre as experiências que tiveram juntos. O curioso aqui é como a faixa aborda uma temática lúgubre em paralelo com vocais entusiasmados e um instrumental ardente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/country/"><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não ignora o peso do terreno espinhoso que atravessa, ao mesmo tempo que nunca deixa a escuridão tomar conta. </span></p>
<figure id="attachment_26247" aria-describedby="caption-attachment-26247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-800x400.jpg" alt="Fotografia retirada da divulgação do single Sweeter, do cantor Leon Bridges. Imagem retangular com o fundo vermelho. Nela, vemos de perfil, do ombro para cima, Leon Bridges: um homem negro, cabelos crespos e curpos e barba aparada. Ele não usa camiseta, e tem um buquê de rosas encostado sobre o peito." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26247" class="wp-caption-text">Leon Bridges já havia sido indicado ao Grammy por seus dois projetos anteriores, sendo finalmente premiado em 2019, durante a era Good Thing (Foto: LisaSawyer63/Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo paradigmático desse esforço em procurar otimismo nos piores cenários é </span><a href="https://genius.com/Leon-bridges-and-robert-glasper-born-again-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Born Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Performance Tradicional de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estabelecendo firmemente os parâmetros do disco logo na abertura, ela mostra um Bridges confuso e perdido nos próprios pensamentos, que encontra o escape de seus conflitos ao fechar os olhos, limpar a mente, e deparar-se ali com os amores e afagos de um amado alguém, que não mais está presente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu encontro paz no vale da sua verdade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, atesta, e descobre, no limbo das suas memórias, o combustível que precisa para nascer de novo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melodia cordial das trompas que imbuem a faixa, produzida pelo glorioso </span><i><span style="font-weight: 400;">jazzista </span></i><a href="https://www.passionweiss.com/2021/10/21/we-get-more-and-more-inside-the-stage-an-interview-with-robert-glasper/"><span style="font-weight: 400;">Robert Glasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preenchida pela voz áspera e afável de Leon Bridges, recitando uma letra sobre o luto e as dores que são evocadas com a perda, porém, principalmente, sobre os afetos que ainda ficam e que levamos eternamente conosco. E o </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/quando-o-luto-exige-ajuda-profissional/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, de fato, não é um tema incomum em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sweeter</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi lançado na segunda metade de 2020, em resposta ao assassinato atroz de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57236428"><span style="font-weight: 400;">George Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://pt.euronews.com/2020/09/06/os-100-dias-de-protesto-do-movimento-black-lives-matter-"><span style="font-weight: 400;">onda de protestos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> daquele ano. No entanto, diferente de outras canções que abordaram muito bem a pauta, como a fervorosa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_VDGysJGNoI"><i><span style="font-weight: 400;">The Bigger Picture</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lil Baby</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tom não é de revolta, e sim de lamentação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inserção da bateria sintética aos acordes de piano do multi-instrumentista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cvk75TGmjYM"><span style="font-weight: 400;">Terrace Martin</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelecem um caráter melancólico à música, amplificado ainda mais pelas palavras desoladoras do vocalista. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esperando por uma vida mais doce/ Em vez disso, sou apenas uma história que se repete”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele declara, em nome de todos os jovens negros mortos pela polícia. E é esse tom que rege os quase 3 minutos da faixa. Leon Bridges está longe de tentar provocar um levante. Na verdade, sua revolta parte de outro lugar. Ele usa desse palanque para, única e somente, desabafar e expor, com toda a sinceridade do mundo, sua frustração. Trata-se de uma manifestação do puro e simples cansaço, e é diante disso que se apresenta sua potência. Depois de tanto sufoco – como alguém que nunca teve direito ao choro, e que esteve em silêncio por tempo demais – Bridges possibilita suas emoções florescerem e transforma o desabafo em alívio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Leon Bridges - Sweeter (Official Video) ft. Terrace Martin" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/35AWgksymtA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Liricamente, esse é o melhor momento para Leon Bridges. Afiado como nunca, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;"> ele incorpora inúmeras personas diferentes – possivelmente fragmentos isolados de si – e, com todas elas, a superficialidade jamais é o suficiente. Mergulhamos no âmago de cada uma, investigando suas nuances e contradições, e formando, no interior de suas 11 faixas, o mais veraz e humano dos retratos. Sempre alçando sua vulnerabilidade, inclusive sobre arquétipos </span><a href="https://www.geledes.org.br/homem-negro-sente-dor%E2%80%8A-%E2%80%8Amasculinidade-negra-emocoes-e-o-cuidado-de-si/"><span style="font-weight: 400;">socialmente enrijecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cantor sustenta sua presença na categoria de Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 com uma obra única no nosso tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E então voltamos ao tempo. Qual o interesse de Leon em pará-lo? A proposta dele no novo registro, podemos dizer, é explorar as faces da Música enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9480NiKC2i4"><span style="font-weight: 400;">símbolo de seu período</span></a><span style="font-weight: 400;">: retirando sonoridades remotas de seu espaço-comum e inserindo-as em um ambiente inabitual, à medida que também move as novas tendências para fora de sua zona de conforto, colocando o passado e o presente para caminharem juntos e construindo, a partir disso, praticamente um novo gênero – descolado do tempo e, simultaneamente, ciente de seu contexto material.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, retomemos a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós não paramos, mas o tempo sim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para além de como o tempo é referido, Leon Bridges destaca nossa condição de mutabilidade. A imagem do humano é destituída da posição de estática, inerte, para assim dotá-la de vida. E, por fim, é isso que sintetiza </span><i><span style="font-weight: 400;">Gold-Diggers Sound</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essencialmente, Leon Bridges narra </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><span style="font-weight: 400;">arcos de redenção</span></a><span style="font-weight: 400;">, partindo sempre da perspectiva de quem é desumanizado, subalternizado, e de pessoas que não são </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56164314"><span style="font-weight: 400;">permitidas ao erro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através do lúdico e do íntimo, Bridges busca devolvê-las à posição de humanidade e propor uma visão emancipatória e otimista para o futuro. Nunca é cedo para mudar. Nós não somos nossas falhas. A redenção é possível. O perdão é uma alternativa. E é somente parando o tempo que podemos olhar para dentro.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Gold-Diggers Sound" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/6pKaUDUnQiZgWLPZJqwkzn?si=ev7LLZ7ER_GpDfeER5DdZA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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