<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Israel Elejalde &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/israel-elejalde/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/israel-elejalde/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 24 Mar 2022 15:38:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Israel Elejalde &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/israel-elejalde/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>O leite derramado de Mães Paralelas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 15:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Aitana Sánchez-Gijón]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Iglesias]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Ayra Mori]]></category>
		<category><![CDATA[Camp]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[Franquismo]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Civil Espanhola]]></category>
		<category><![CDATA[Israel Elejalde]]></category>
		<category><![CDATA[Julieta Serrano]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Madres Paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Mães Paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Trilha Sonora Original]]></category>
		<category><![CDATA[Milena Smit]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Pacto del Olvido]]></category>
		<category><![CDATA[Parallel Mothers]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Penélope Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rossy de Palma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26910</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Duas mães, duas Espanhas, dois paralelos. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O leite derramado de Mães Paralelas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/">O leite derramado de Mães Paralelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26911" aria-describedby="caption-attachment-26911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-26911" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis de costas, em ordem. Ana é uma jovem branca de cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma jaqueta esportiva azul marinho com detalhes em vermelho nas laterais. Ela segura uma taça de vidro âmbar em direção à Janis, que está à esquerda. Janis é uma mulher branca de meia idade com cabelo castanho médio iluminado e ondulado. Sua roupa é coberta pelo cabelo. O fundo é uma parede verde musgo com retratos de ancestrais emoldurados por molduras vermelhas." width="1920" height="1029" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1536x823.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1200x643.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26911" class="wp-caption-text">Após abrir o Festival de Veneza em 2021, Mães Paralelas foi indicado à duas categorias do Oscar 2022: a de Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora Original (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas mães, duas Espanhas, </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/23/movies/parallel-mothers-review.html"><span style="font-weight: 400;">dois paralelos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma mãe dá à luz a uma criança nascida do amor. Outra, à uma criança nascida da dor. Uma Espanha segue sem culpas do passado sombrio do Franquismo. Outra carrega consigo os traumas geracionais de vestígios mortais dos ossos inidentificáveis que jazem em covas ilegítimas. Firmado pelos opostos, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original, </span><i><span style="font-weight: 400;">Madres Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">) </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> posiciona passado e presente, ambos em confronto entre si. O longa dá sequência ao universo melodr</span><span style="font-weight: 400;">amático deslumbrante – mas cru – do cineasta espanhol, desta vez, como manifesto político. O leite já foi derramado e o resquício azedo de sua sujeira continua incrustado nos rejuntes do país. Resta, aceitá-lo.</span></p>
<p><span id="more-26910"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como enredo central da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha o encontro de duas mães </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que engravidaram por acidente: Janis (Penélope Cruz), uma fotógrafa de meia-idade bem sucedida, e Ana (Milena Smit), uma jovem traumatizada. No mesmo quarto hospitalar, momentos antes do parto, elas compartilham suor, gritos e poucas confidências, dando à luz quase simultaneamente as respectivas recém-nascidas. Assim, a breve troca de experiências foi o suficiente para ligar o destino de Janis ao de Ana, numa sucessão de tramas movidas pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-cinema-de-pedro-almodovar-"><span style="font-weight: 400;">ritmo autoral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor. Através de reviravoltas absurdas, o relacionamento da dupla se progride por diferentes estágios, sejam juntas, como parceiras, ou sós, como mães.</span></p>
<figure id="attachment_26912" aria-describedby="caption-attachment-26912" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26912" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Cecilia e Janis deitadas lado a lado. Cecilia é uma recém nascida branca. Ela usa brincos arrendados na cor dourada e uma roupa rosa pastel de mangas compridas. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Janis encara a bebê. Ambas estão deitadas numa cama com lençol verde limão detalhado por bordados floridos na mesma cor." width="1920" height="1030" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1536x824.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1200x644.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26912" class="wp-caption-text">Disponível nas plataformas da Netflix e em salas de cinema selecionadas no Brasil, Mães Paralelas é um projeto em desenvolvimento desde 1999, com primeira aparição no universo Almodóvariano em 2009, através de um cartaz exposto em uma cena de Abraços Partidos (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com carinho, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é encarada honestamente pelas diferentes figuras demonstradas no filme. Janis e Ana são genitoras devotadamente calorosas, mas diferentemente delas, Teresa (Aitana Sánchez-Gijón), mãe da segunda personagem, apresenta-se como uma mulher narcisista sem vocação para a coisa. E refletidas por íntimas complexidades, as mães são verdadeiramente humanas. Longe da perfeição, elas são protagonistas da própria sorte e, como tal, elas cometem erros imperdoáveis em nome do amor – “</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma mãe e uma filha </span></i><span style="font-weight: 400;">–</span> <a href="https://youtu.be/eOizTkQocaY"><i><span style="font-weight: 400;">que combinação terrível de sentimentos e confusão e destruição</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses laços se progridem em revelações surpreendentes por um palco ainda envolvido pelo carmesim intenso, pelo calor da comida e pela faca amolada. O mundo de Almodóvar é belíssimo, à parte da monotonia cinza comum da realidade. É uma versão </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/most-iconic-design-moments-pedro-almodovar"><span style="font-weight: 400;">exageradamente brilhante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma Madri ornada pelas tradições estéticas </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">flamencas</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo surrealismo brilhante e pela propulsão da </span><a href="https://open.spotify.com/album/28r1UyARKoyScuEEgggLo2?si=CDQOtepXSd6Bz0BKp0UAeQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">hitchcockiana</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na cozinha, por exemplo, acontece tudo. Espaço de conexão, a cozinha catalisa o drama narrativo das personagens: nela se cozinha, nela se discute, nela se desperta o </span><i><span style="font-weight: 400;">eros </span></i><span style="font-weight: 400;">sexual, nela se assassina. Um cômodo universal desempenha papel importantíssimo no melodrama </span><a href="https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/Critica_Cultural/article/view/722/pdf_1"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Almodóvar, como uma espécie de portal entre o novo e a tradição. Os revestimentos se renovam, mas as receitas são heranças ancestrais.</span></p>
<figure id="attachment_26913" aria-describedby="caption-attachment-26913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela aparece um par de mãos cortando uma cenoura laranja com uma faca de inox prateada. As mãos estão ampliadas. O fundo é uma tábua de madeira com marcas de usos." width="1920" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1200x645.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26913" class="wp-caption-text">O elenco conta com a presença ilustre de Julieta Serrano, Rossy de Palma e Penélope Cruz, três figuras recorrentes na filmografia de Almodóvar (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é em relação à </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/maes-paralelas-expoe-traumas-espanhois-historicos-sem-trair-temas-habituais-de-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se corporifica. A inconclusão da Guerra Civil Espanhola e os quase 40 anos de ditadura que se sucederam foi o pontapé inusitado das duas horas de duração do filme, quando Janis lidera um ensaio de fotos com </span><span style="font-weight: 400;">Arturo (Israel Elejalde), um celebrado antropólogo forense cuja especialidade é examinar os restos mortais das vítimas do general Franco, muitas das quais foram sepultadas em valas inapropriadas sem identificação, incluindo o bisavô da fotógrafa. Ela busca por respostas, desenterrando feridas que silenciosamente permaneceram abertas com o passar dos tempos. Aqui, Almodóvar combina a angústia doméstica sentimental com a história nacional política de seu país, de maneira que só o veterano espanhol seria capaz de fazê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De 1977 a 2007, as cicatrizes políticas da Guerra Civil Espanhola foram reprimidas legalmente pelo </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/documentario-a-ferida-aberta-do-franquismo-numa-espanha-democratica-10836285.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pacto del Olvido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Pacto do Esquecimento), que garantiu anistia a todos os crimes da ditadura, além de excluir o estudo do período ruinoso no currículo do </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-15/espanha-aprova-lei-que-obriga-ensino-sobre-ditadura-franquista-nas-escolas.html"><span style="font-weight: 400;">ensino escolar</span></a><span style="font-weight: 400;">. E sem a memória do passado, a Espanha seguiu em frente, transicionando para a democracia sem pedras nos sapatos </span><span style="font-weight: 400;">– só que as coisas não são tão simples assim</span><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bom, está na hora de você saber em que país mora</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Janis irritada com o descaso de Ana em relação aos executados pelo regime Franquista, logo se disparando numa aula improvisada de história na cozinha </span><a href="https://youtu.be/5qD9Sxt54ak"><span style="font-weight: 400;">colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26914" aria-describedby="caption-attachment-26914" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão Ana e Janis, em ordem, se encarando frente a frente. Elas estão sobre a mesa de jantar. Ana é uma jovem branca de olhos verdes e cabelo curto estilo joãozinho platinado. Ela veste uma blusa de gola alta com tons mesclados entre variações de vinho. Janis é uma mulher branca de meia idade com olhos castanhos e cabelo médio castanho iluminado e ondulado. Ela veste uma camiseta branca com estampa gráfica escrita “We Should All Be Feminists”. A mesa é de madeira, as cadeiras também, com detalhes em palha. Sobre a mesa está um monitor laranja, uma jarra de vidro cheia de água, copos de vidro, pratos com comidas e uma travessa redonda de vidro com folhas e duas espátulas de madeira. O fundo é uma sala de jantar com paredes verde musgo, uma lareira de mármore acinzentado no centro, acima, um retrato nu em preto e branco de uma mulher negra, duas luminárias com duas esferas em cada e, abaixo delas, dois gabinetes laranjas com objetos variados." width="1920" height="1034" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26914" class="wp-caption-text">Um dos cartazes oficiais do filme causou <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-08-11/o-criador-do-cartaz-viral-do-filme-de-almodovar-se-o-mamilo-fosse-de-um-homem-nao-o-teriam-censurado.html">polêmica</a> ao exibir um mamilo em lactação, chegando a ser temporariamente removido do Instagram (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais (in)significantes detalhes, elas se contrastam. Janis, batizada em homenagem à </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, é filha de mãe solteira </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;">, criada pela avó, também solteira. Ela exala pujança e veste camisetas gráficas datadas com um grande “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas Deveríamos Ser Feministas</span></i><span style="font-weight: 400;">” estampado. Já Ana, é filha de uma atriz egocêntrica e de um pai invisível. Essa, apesar dos acasos trágicos, emana privilégio e ingenuidade confortável sobre o mundo que a envolve </span><span style="font-weight: 400;">– símbolo da “nova” Espanha, de uma geração que não tem nada para se lembrar, mas que, mesmo assim, se lembra. E em tempos de efervescência dos mais diversos negacionismos, Almodóvar bate o pé em reação, desenterrando os escombros empoeirados dos cadáveres espalhados pelo solo espanhol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reunindo excepcionalmente o cineasta com Penélope Cruz, o longa não foi a </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema-premiacoes/madres-paralelas-de-pedro-almodovar-perde-disputa-interna-e-nao-representara-espanha-no-oscar-2022.phtml"><span style="font-weight: 400;">submissão oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Espanha para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a presença calorosa de Cruz, que conduz com sutilidade as nuances de uma das </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/maes-paralelas-por-que-penelope-cruz-nao-conseguiu-parar-de-chorar-durante-filmagens/"><span style="font-weight: 400;">maiores interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, foi o bastante para indicá-la à categoria de Melhor Atriz pela Academia, bem como Alberto Iglesias, que também concorre à Melhor Trilha Sonora Original. E apesar de não ter recebido nenhuma outra indicação na temporada de premiações em 2021, além de sua merecida vitória no </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/mulheres-ganham-leao-de-ouro-e-premios-de-direcao-e-roteiro-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Cruz – que chegou a vencer a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Vicky Cristina Barcelona</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelo infame </span><a href="https://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/"><span style="font-weight: 400;">Woody Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, se encontra em meio a uma disputa acirrada que pode lhe garantir uma segunda estatueta, dessa vez, ao lado de Almodóvar no oitavo projeto juntos – fruto de uma colaboração veterana poderosa.</span></p>
<figure id="attachment_26915" aria-describedby="caption-attachment-26915" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png" alt="Cena do filme Mães Paralelas. Nela estão nove pessoas agachadas dentro de uma vala aberta, examinando restos de ossos enterrados. Todos vestem camisetas encardidas de terra e luvas de proteção. A vista da imagem é superior, de cima para baixo. O chão da vala é coberto por terra e quatro pedras laterais que formam uma espécie de cruz no centro. No chão, ao lado dos legistas forenses e dos cadáveres, estão pranchetas, sinalização em papel amarelo, baldes, pás e espanadores. A imagem é toda em tons terrosos." width="1920" height="1035" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1200x647.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26915" class="wp-caption-text">No Oscar 2022, Penélope Cruz e Javier Bardem são o 6º casal indicado por atuação no mesmo ano (Foto: El Deseo/Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a herança dolorida de vítimas de uma Espanha, ainda sem desfecho digno. Nos minutos finais do filme, a riqueza visual autoral do estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Almodóvariano </span></i><span style="font-weight: 400;">já não cabe mais, tornando-se incômoda, tamanha a densidade da sombra, espessa e depravada, que paira sobre sua narrativa brutalmente direta. Aqui, a ficção serve de lente devastadora para o </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,maes-paralelas-e-o-primeiro-longa-de-almodovar-a-usar-como-pano-de-fundo-guerra-civil-de-1930,70003968219"><span style="font-weight: 400;">documental</span></a><span style="font-weight: 400;">, para o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De paralelos à hipérboles se constrói personagens ambíguas, ultrajantes e, apesar disso, amorosas. A </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">figura feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais uma vez se destaca como força motriz na filmografia do espanhol como diretor. Janis e Ana, verdadeiras </span><i><span style="font-weight: 400;">Mães Paralelas</span></i><span style="font-weight: 400;">, são o âmago do longa. À beira de perder tudo, ambas reivindicam o que lhes é direito, transgredindo os limites dos papéis de gênero. Os segredos são melhores desencavados, na esperança de seguir em frente do passado, sem, no entanto, esquecê-lo, por mais cortante que seja.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Não há história muda. Por mais que a queimem, por mais que a quebrem, por mais que mintam, a história humana se recusa a ficar calada.</span><span style="font-weight: 400;">” <em>(Eduardo Galeano)</em></span></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mães Paralelas | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/50cJUKw9RU8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/">O leite derramado de Mães Paralelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/maes-paralelas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26910</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
