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	<title>Arquivos Hit The Road &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pegando a (tortuosa) Estrada da despedida</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2021 20:37:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Sair da casa dos pais é um acontecimento natural em qualquer lugar. O evento pode vir acompanhado da sede por independência, da síndrome de ninho vazio, de saudade ou alívio. Alguns mudam de cidade, estado, país, saindo para trabalhar, estudar, ou se casar, com consentimento dos pais ou às escondidas. Em Pegando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pegando-a-estrada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pegando a (tortuosa) Estrada da despedida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23989" aria-describedby="caption-attachment-23989" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1.jpg" alt="Cena do filme Pegando a Estrada. A foto mostra uma mulher persa de meia idade, segurando uma tesoura próxima a um carro à um carro à direita. De dentro da janela do carro, vemos um jovem persa de cabelo escuro, barba e óculos, apoiado na janela de costas, com a cabeça caída para trás." width="1998" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23989" class="wp-caption-text">A produção integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Celluloid Dreams)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sair da casa dos pais é um acontecimento natural em qualquer lugar. O evento pode vir acompanhado da sede por independência, da síndrome de ninho vazio, de saudade ou alívio. Alguns mudam de cidade, estado, país, saindo para trabalhar, estudar, ou se casar, com consentimento dos pais ou às escondidas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pegando a Estrada</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia de Panah Panahi exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, vemos uma família lidando com a partida do filho mais velho, mas em circunstâncias nada costumeiras ou desejáveis.</span></p>
<p><span id="more-23986"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrenome do diretor não é por acaso: Panah é filho do renomado Jafar Panahi, importantíssimo cineasta iraniano, que foi destaque na 44ª Mostra  com um belíssimo </span><a href="https://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/"><span style="font-weight: 400;">curta documental</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu filme abre no espírito de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/road-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">bem-humorado com pinceladas melancólicas, aos moldes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-miss-sunshine-hora-de-trocar-pneu/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena Miss Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No carro: mãe, pai, um filho já adulto, outro ainda criança, além de um cachorro. Não sabemos seus nomes, de onde estão vindo, ou para onde vão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criança tagarela (Rayan Sarlak) fala com um vocabulário elaborado e a autoridade de um adulto. Acompanhando no banco de trás, o pai (Hassan Majuni) de perna engessada perde completamente a autonomia e a autoridade devido à sua limitação física. Já a mãe (Pantea Panahiha) sente paranoia ao pensar que estão sendo perseguidos, enquanto o filho (Amin Simiar), que dirige ao seu lado, pouco fala, e mesmo quando diz que vai fugir para se casar, carrega em seus olhos úmidos um mistério a ser descoberto. O cachorro, adoecido, sorri para o que podem ser suas últimas horas de vida. </span></p>
<figure id="attachment_23987" aria-describedby="caption-attachment-23987" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2.jpg" alt="Cena do filme Pegando a Estrada. A foto mostra dois homens persas sentados sobre pedras no meio de um riacho. O da esquerda é mais velho, tem barba grisalha, a perna esquerda engessada e duas muletas apoiadas em seu corpo. O outro é jovem, tem óculos, cabelos escuros e barba." width="1998" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23987" class="wp-caption-text">O filme estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2021 (Foto: Celluloid Dreams)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhando a família nessa jornada estão as vastas paisagens semi-desérticas belamente capturadas pelas lentes pelo diretor de fotografia Amin Jafari. Além disso, o </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/oct/17/iranian-family-movie-panah-panahi-hit-the-road-wins-top-prize-at-london-film-festival"><span style="font-weight: 400;">vencedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Competição Oficial do Festival de Londres traz um fascinante trabalho de câmera realizado dentro do carro. Capturando longos planos de diálogos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hit The Road </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca o espectador dentro do veículo com os personagens construindo um vínculo desde a primeira cena, onde a câmera conduz o olhar do público com movimentos suaves para apresentar o automóvel por dentro, e as pessoas que ali viajam.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter um protagonista único, o modo como o público entra na viagem sem saber o destino o coloca em uma perspectiva muito semelhante a do menino, pequeno demais para entender o que está acontecendo. Ainda que ele se esforce para parecer mais velho com seu modo de falar rebuscado, ele ainda vive em um mundo inocente de imaginação de uma criança. Logo na cena de abertura, quando vemos e ouvimos o garoto tocar com precisão as notas de um piano imaginário desenhado no gesso de seu pai, também enxergamos e escutamos uma pequena amostra de sua capacidade <a href="https://personaunesp.com.br/sweet-tooth-critica/">imaginativa e sonhadora</a>, afinal ele é o único naquele automóvel que não precisa do aparelho de rádio ligado para ouvir e sentir uma música.</span></p>
<figure id="attachment_23988" aria-describedby="caption-attachment-23988" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3.jpg" alt="Cena do filme Pegando a Estrada. A foto mostra de perto um menino pequeno apoiado sobre uma perna engessada, na qual se vêem alguns desenhos. Ele apoia seus dedos sobre a imagem de teclas de um piano." width="1998" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pegando-a-estrada-3-1200x649.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23988" class="wp-caption-text">O filme abre e se encerra no universo musical subjetivo do menino, abrangendo da delicadeza à crueza (Foto: Celluloid Dreams)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro, também assinado pelo diretor, apresenta algumas situações hilárias, que parecem surgir completamente ao acaso: um celular trazido às escondidas pelo menino mais novo escondido no “quentinho” de sua cueca, as tentativas do pai de recolher uma lata de refrigerante amassada na estrada, ou um ciclista que se acidenta ao interagir com a criança no carro. Para além de seu potencial cômico, o texto é inteligente ao apresentar interações diferentes entre os quatro membros daquela família conforme eles param na estrada, dando espaço para diferentes dinâmicas em dupla que não seriam possíveis caso todos estivessem sempre em cena. Os momentos de intimidade despertam um clima de despedida iminente, e conforme a atmosfera cômica e aleatória dos minutos iniciais se esvazia, percebemos que a viagem acontecia por razões muito mais sérias do que poderíamos pressupor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o destino se aproxima, um clima de urgência toma conta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jaddeh Khaki</span></i><span style="font-weight: 400;">, e mesmo que os aspectos clandestinos das circunstâncias apresentadas sejam descobertos, nunca é revelado o exato porquê daquele afastamento forçado estar acontecendo. Mas a explicação se mostra desnecessária, pois as imagens já dizem tudo. O momento climático da despedida se desenrola a dezenas de metros da câmera, que testemunha com frieza os minúsculos indivíduos vivendo o seu calvário. A impossibilidade de um olhar fisicamente próximo na hora mais difícil daqueles dos quais nos aproximamos depois de uma hora apertados em carro, cria um dos momentos mais dolorosos que o Cinema recente poderia conceber. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um prego ainda mais penoso talvez sejam os esforços daqueles que sabem o que está acontecendo &#8211; os pais &#8211; em proteger o pequeno daquelas tribulações, vestindo uma máscara de alegria para maquiar aquelas aflições. Afinal, estaria aquele menino que ainda enxerga animais nas formas irregulares das montanhas, e não entende o problema de desenhar com caneta permanente no vidro do carro, preparado para entender a dor que é ver alguém partir talvez para sempre? Para algumas pessoas pode ser mais fácil do que outras. Alguns saem de casa para trabalhar, estudar, ou se casar. Outros, para permanecerem vivos.</span></p>
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