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	<title>Arquivos Helen Scott &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mothering Sunday vive para os últimos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 20:31:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Em uma linda e ensolarada tarde de folga, um jovem casal se encontra às escondidas para seu último dia juntos. Cortinas esvoaçantes, uma paisagem verde, corpos nus e histórias contadas pela metade. Confissões ao pé do travesseiro, sentimentos à flor da pele, um passado trágico que ninguém ousa mencionar. Mothering Sunday poderia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mothering-sunday-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mothering Sunday vive para os últimos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24278" aria-describedby="caption-attachment-24278" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-1.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Na imagem, vemos a protagonista Jane, uma mulher branca, de cabelos loiros, lisos e longos, aparentando cerca de 25 anos, deitada sem camiseta em um lençol branco. Ela está deitada de perfil e o lado direito do seu rosto está virado para cima. Com a mão direita, ela segura um colar preso em seu pescoço. Uma faixa de luz ilumina somente o seu olho direito." width="700" height="518" /><figcaption id="caption-attachment-24278" class="wp-caption-text">A atenção aos mínimos detalhes é o charme e a sina de Mothering Sunday, produção do Reino Unido presente na seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma linda e ensolarada tarde de folga, um jovem casal se encontra às escondidas para seu último dia juntos. Cortinas esvoaçantes, uma paisagem verde, corpos nus e histórias contadas pela metade. Confissões ao pé do travesseiro, sentimentos à flor da pele, um passado trágico que ninguém ousa mencionar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ter saído de um poema &#8211; e bom, bateu na trave. Dirigido por Eva Husson e roteirizado por Alice Birch, o longa britânico foi adaptado do romance homônimo de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2017/jul/14/graham-swift-mothering-sunday-fiction-secretive-award-hawthornden-prize-drue-heinz"><span style="font-weight: 400;">Graham Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, depois de passar pelos Festivais de Cannes e Toronto, estreou no Brasil integrando a 45</span><span style="font-weight: 400;">ª</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24277"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i><span style="font-weight: 400;">, como todo poema, não é tão simples em sua melancolia. No sol da primavera de 1924 no interior da Inglaterra, o cenário bucólico esconde paixões, mas também tragédias. Só que essas vêm bem antes, e bem depois. Primeiro vem Jane (Odessa Young), uma jovem órfã que trabalha como doméstica na formosa residência do casal Niven, uma das famílias da aristocracia inglesa da época, e que tem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pAh9V0Yxq-Q"><span style="font-weight: 400;">caso com Paul</span></a><span style="font-weight: 400;"> Sheringham (Josh O&#8217;Connor), o filho dos vizinhos.</span></p>
<figure id="attachment_24279" aria-describedby="caption-attachment-24279" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Em uma sala de uma casa, vemos, ao fundo, uma janela com cortinas, à direita, e uma estante com vasos, à direita. À frente, por detrás de uma mesa posta com alimentos e xícaras, vemos da esquerda para a direita, o Sr. Niven, personagem de Colin Firth, um homem branco, de cabelos grisalhos, aparentando cerca de 60 anos, vestindo terno e sentado à mesa; Jane, personagem de Odessa Young, uma mulher branca, de cabelos loiros presos, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um uniforme que é um vestido rosa e branco, de cabeça baixa, segurando as mãos e em pé; e a Sra. Niven, personagem de Olivia Colman, uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos, aparentando cerca de 60 anos, vestindo um vestido azul com flores vermelhas e um colar, sentada à mesa e encarando o Sr. Niven" width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-2-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24279" class="wp-caption-text">O casal Niven é interpretado pelos veteranos Colin Firth e Olivia Colman (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema vem logo aí: ela é funcionária de uma das famílias tradicionais, já ele nasceu no berço de ouro proporcionado por estas. Como é o charme dos romances, a relação entre um aristocrata e uma empregada é inconcebível, e Paul já tem uma vida toda planejada que não conta com Jane. Mas que inclui Emma (</span><span style="font-weight: 400;">Emma D’Arcy)</span><span style="font-weight: 400;">, também filha de uma das </span><a href="https://www.radiotimes.com/movies/the-crown-cast-mothering-sunday/"><span style="font-weight: 400;">famílias da região</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com quem ele deve se casar. No belo domingo de Dia das Mães em que o noivado será celebrado, Jane aproveita a folga para viver seus últimos momentos como amante de </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-9793469/BAZ-BAMIGBOYE-triumph-Charles-Crown-Josh-OConnor-Prince-Tales.html"><span style="font-weight: 400;">Paul</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes que tudo mude de vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É lado a lado com a protagonista que, aos poucos, tiramos o véu de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i><span style="font-weight: 400;">. As feridas nunca fechadas, os sobreviventes de uma guerra sem vencedores, foram mascaradas sob a classe britânica, mas ainda ressoam nos corredores, nas mesas de jantar e nos habitantes das luxuosas e bem-iluminadas mansões. Entre </span><a href="https://www.dailymotion.com/video/x82njqg"><span style="font-weight: 400;">assuntos evitados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e olhares reprovadores, nem as cortinas abertas e o sol da manhã iluminam o que foi enterrado tão fundo a ponto da própria menção da perda desmontar os aristocratas ingleses. Olivia Colman que diga: as pouquíssimas aparições da </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> são resumidas à apática Sra. Niven, que, sempre à beira do choro, não adere às aparências de seu marido e vizinhos, e, quando explode, encabeça a verdadeira mudança de rumo na vida de Jane.</span></p>
<figure id="attachment_24280" aria-describedby="caption-attachment-24280" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mothering-sunday-3.jpg" alt="Cena do filme Mothering Sunday. Na imagem, deitada de ponta cabeça, vemos Jane, uma mulher branca, de cabelos loiros, aparentando cerca de 25 anos, vestindo uma saia branca e um casaco listrado, com a mão por detrás da cabeça. Sentado no chão à frente dela, vemos Paul, um homem branco, de cabelos castanhos curtos e encaracolados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo uma camiseta branca e suspensórios, rindo com a mão esquerda próxima ao rosto." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-24280" class="wp-caption-text">Mothering Sunday fez sua pré-estreia no Festival de Cannes e estreou no Festival de Toronto (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ambientes, de tão amplos, parecem </span><a href="https://personaunesp.com.br/coisas-verdadeiras-critica/"><span style="font-weight: 400;">vazios</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tornam a calmaria desoladora. Em sintonia, o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Helen Scott e a fotografia de Jamie D. Ramsay andam de mãos dadas na criação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/ammonite-critica/"><span style="font-weight: 400;">ambientação melancólica</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo, mas também nostálgica e que retumba os ‘últimos’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday </span></i><span style="font-weight: 400;">imprime uma beleza trágica e amplifica os fins: os últimos momentos da corrida, o último dia da paixão, a frase não dita, o segredo não revelado. Nada teria o mesmo efeito sem o abraço frio da atmosfera confeccionada pelos dois. Porém, se visualmente o filme faz sentir, a condução de </span><a href="https://collider.com/josh-oconnor-eva-husson-mothering-sunday-interview/"><span style="font-weight: 400;">Eva Husson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a montagem de Emilie Orsini minam a beleza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os olhos voltados para Jane, interpretada delicadamente por Odessa Young, a observamos crescer de órfã sozinha para jovem inocente e apaixonada, e daí para mulher livre e independente, ciente de seus reveses e forte apesar (e por causa) deles. A diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQal9lxfaLg"><span style="font-weight: 400;">enriquece o filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao se preocupar com os detalhes e com os pequenos gestos, mas quando a ternura não cai na lentidão dos momentos, o ir e vir só atrapalha o que poderia ser uma imersão na profundidade poética daquela última primavera antes de tudo mudar. Só que, como em um poema, em um romance ou na própria vida, tudo muda, inclusive Jane. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IKRPT5ue8g8"><i><span style="font-weight: 400;">Mothering Sunday</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz questão de deixar claro de que não é uma simples história sobre os ‘últimos’ e sua importância &#8211; e esse é o problema, porque talvez seja. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mothering Sunday - Official Trailer - Watch at Home Now" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Zcf6GtNvMCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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