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	<title>Arquivos Guilherme Moraes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Morte do Robin Hood e a culpa que assola o cinema hollywoodiano</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 14:42:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Guilherme Moraes Há poucas semanas, Christopher Nolan fazia sucesso com A Odisseia (2026), uma adaptação da obra de Homero focada na culpa de Odisseu. Anos atrás, o próprio diretor lançou Oppenheimer (2023), uma história também de remorso, dessa vez pela criação da bomba atômica. Apesar das diferentes abordagens, A Morte &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-a-morte-do-robin-hood/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Robin Hood e a culpa que assola o cinema hollywoodiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37485" aria-describedby="caption-attachment-37485" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-800x403.png" alt="Cena do filme A Morte do Robin Hood. Plano médio de um cômodo rústico com paredes de pedra e arcos. Uma mulher de cabelo curto e vestido longo bege está de pé, segurando e observando atentamente a mão de um homem mais velho que está sentado na beira de uma cama de madeira. O homem tem longos cabelos grisalhos e barba, veste uma túnica branca e calças escuras, e olha para baixo. Uma luz azulada suave entra por uma abertura no alto da parede, criando uma atmosfera melancólica e de cuidado. Há um banco de madeira pequeno perto da cama." width="800" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-800x403.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-768x387.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5.png 837w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37485" class="wp-caption-text">Em 2021, o diretor Michael Sarnoski fez sucesso com o filme Pig (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há poucas semanas, Christopher Nolan fazia sucesso com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-a-odisseia/"><i><span style="font-weight: 400;">A Odisseia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2026), uma adaptação da obra de Homero focada na culpa de Odisseu. Anos atrás, o próprio diretor lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), uma história também de remorso, dessa vez pela criação da bomba atômica. Apesar das diferentes abordagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Robin Hood </span></i><span style="font-weight: 400;">de Michael Sarnoski também percorre o caminho da culpa, porém, neste caso, focando em uma escala individual.</span></p>
<p><span id="more-37483"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nas obras de Nolan o sentimento de culpa recai muito na ótica política de uma social-democracia, que foi permissiva com o ressurgimento da extrema direita – faz 10 anos desde que Donald Trump foi eleito pela primeira vez –, Sarnoski parece ir por um lado mais individual em um mundo de violência. Robin Hood (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-do-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hugh Jackman)</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente do herói grego e do físico estadunidense, não mudou o mundo e nem é culpado pela crueldade dele, mas, ainda assim, é responsável pelas inúmeras vidas que modificou. O longa, então, mal se apega à violência. As cenas de luta e morte acontecem apenas no começo da obra. O que se segue são quase duas horas de Hugh Jackman observando discretamente uma realidade assolada por seus crimes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se trata de um conto épico. Pelo contrário, é bem anticlimático, sem grandes lutas, jornada do herói ou redenção. Como o próprio título antecipa, Robin Hood irá morrer, e sua morte será em um monastério em busca de remissão. Sarnoski e Pat Scola filmam a cena como um quadro </span><a href="https://www.todamateria.com.br/barroco/"><span style="font-weight: 400;">barroco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a partir de planos abertos, contrastes entre o fundo escuro e uma iluminação no ponto de interesse. A contradição do personagem também alimenta a própria ideia barroquista, com a diferença da ausência de qualquer teor sexual. Seu protagonista não consegue desejar nada pois encontra seu legado sangrento em tudo o que vê.</span></p>
<figure id="attachment_37484" aria-describedby="caption-attachment-37484" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-800x534.png" alt="Cena do filme A Morte do Robin Hood. Plano geral de um vasto e antigo quarto com arquitetura de pedra, arcos e teto abobadado. A imagem é dominada por sombras profundas nas laterais, com o centro do cômodo iluminado dramaticamente por uma forte luz alaranjada que vem de uma janela em arco ao fundo. No centro, duas figuras estão em silhueta perfeita: uma pessoa deitada na cama e uma mulher em pé ao lado, parecendo oferecer algo ao deitado. A luz projeta uma sombra longa no chão de lajes de pedra. Há lareiras e bancos rústicos nas sombras." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1536x1025.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1200x801.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37484" class="wp-caption-text">Uma das histórias que cercam a figura de Robin Hood é que ele morreu em um monastério (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A imagem de Robin Hood parece uma mistura de Amador (Nelson Xavier) de </span><a href="https://letterboxd.com/film/comeback-2016/"><i><span style="font-weight: 400;">Comeback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) e Ethan Edwards (John Wayne) de </span><a href="https://excecaorevistadecinema.com/anjos-farreiam-onde-quiserem-os-indios-de-john-ford/"><i><span style="font-weight: 400;">Rastros de Ódio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1956). Amador é um ex-assassino que deixou de ser útil quando seu entorno foi se tornando menos violento. No entanto, ele ainda permanece livre, sem ser punido por seus crimes. Ethan é um personagem abertamente racista, mas é necessário em uma realidade marcada pela barbaridade. Sua jornada é épica, porém, seu final mostra que a sociedade ideal não pode aceitar pessoas assim. Para figuras como eles, o caminho para se livrar da culpa ou até mesmo receber o perdão é a remissão. Contudo, de qualquer forma, eles não se adequam ao mundo que buscamos criar, a sociedade ideal que queremos. Portanto, seu final não poderia ser outro senão a morte. Robin Hood, não pode perambular pelo mundo como Amador esperando sua volta, deve aceitar a dura verdade, ele é danoso para o futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos atos do lendário fora da lei vagueiam entre a tentativa de redenção e a de mudança. Sua relação com Margaret (Faith Delaney) mostra um pouco de como ele tenta protegê-la e criar certa relação paternal. Entretanto, no fim, percebe que sua própria presença é mais perigosa. Os momentos com Brigid (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-exterminio-a-aevolucao/"><span style="font-weight: 400;">Jodie Comer</span></a><span style="font-weight: 400;">) também denotam esta mudança, ao revelar quem ele é de fato e o que fez a ela. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Robin Hood</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">no fim das contas, é sim uma jornada, mas até a morte. Para que ela faça sentido, o ladrão precisa confrontar a si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses últimos lançamentos de Hollywood apontam para um certo pessimismo em relação ao mundo. Até mesmo as obras de super heróis que estão buscando serem mais coloridas e cartunescas, não parecem sinceras ao fazerem de fato. Filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-homem-aranha-um-novo-dia/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Um Novo Dia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2026) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025), ainda parecem carregar um dose de cinismo ou de estranheza em seu otimismo. Pelo bem ou pelo mal, esses longas e os que estão por vir dizem algo sobre a nossa realidade. Que estejamos dispostos a ouvir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="A MORTE DE ROBIN HOOD | Trailer (2026) Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PIVLi_4upw0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Todo Mundo em Pânico 6 está perdido no tempo e já não sabe mais o que dizer sobre o gênero</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 13:00:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Mais de 25 anos se passaram desde que o primeiro Todo Mundo em Pânico (2000) foi lançado com seu humor besteirol, suas sátiras à franquia Pânico e os clichês dos longas de terror. A série de filmes havia se encerrado em 2013 no seu 5° capítulo, porém, com o retorno da saga slasher, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-todo-mundo-em-panico-6/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todo Mundo em Pânico 6 está perdido no tempo e já não sabe mais o que dizer sobre o gênero"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37325" aria-describedby="caption-attachment-37325" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-800x420.png" alt="Cena de Todo Mundo em Pânico 6. Plano médio de duas figuras sentadas lado a lado em um sofá, jogando videogame. À esquerda, uma pessoa fantasiada como o vilão Ghostface, usando a clássica túnica preta, luvas e uma máscara branca sorridente modificada. Ela usa fones de ouvido brancos sobre a máscara, segura um controle de PlayStation 5 branco em uma das mãos e acena com a outra aberta. À direita, o ator Marlon Wayans aparece sorrindo e cerrando os dentes de forma cômica, usando fones de ouvido gamer brancos e uma jaqueta verde-oliva com uma faixa branca no punho, enquanto segura outro controle. Ao fundo, há um castiçal escuro com velas acesas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37325" class="wp-caption-text">Depois da ausência no 3°, 4° e 5° filme, os irmãos Wayans retornam para a sequência (Foto: Wayans Bros. Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de 25 anos se passaram desde que o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">(2000) foi lançado com seu humor besteirol, suas sátiras à franquia </span><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os clichês dos longas de terror. A série de filmes havia se encerrado em 2013 no seu 5° capítulo, porém, com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">retorno</span></a><span style="font-weight: 400;"> da saga </span><a href="https://personaunesp.com.br/qual-e-o-seu-filme-de-terror-favorito-definitivamente-nao-e-panico-7/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os irmãos Wayans não perderam a oportunidade de reunir o elenco original para mais uma paródia. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico 6 </span></i><span style="font-weight: 400;">parece não ter saído dos anos 2000 e encontra uma dificuldade imensa em entender as novas tendências do cinema de terror </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-37324"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">surge como uma sátira da própria sátira. </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) já havia se destacado por retratar os clichês do </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><span style="font-weight: 400;">de maneira cômica, mas sem ser crítico, parecia que havia um certo prazer em replicar esses tropos. A obra de Keenen Ivory Wayans já seguia um caminho diferente. Sua representação demonstrava um certo deboche e ridicularizava os personagens e as repetições do gênero, sem fazer disso um processo crítico, o que não era ruim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando para a obra mais recente, </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><span style="font-weight: 400;">Marlon</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shawn Wayans (Shorty e Ray, respectivamente), junto com Michael Tiddes na direção e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mom-8a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Anna Faris</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Cindy) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-batalha-apos-a-outra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Regina Hall</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Brenda) no elenco, não conseguem tirar nada de novo desde a última vez que estiveram à frente da franquia. As piadas são basicamente as mesmas, o humor não mudou e as situações se repetem como se ser ridículo de maneira aleatória continuasse sendo engraçado, mas é 2026, a aleatoriedade já é comum e a comédia encontrou novas formas.</span></p>
<figure id="attachment_37326" aria-describedby="caption-attachment-37326" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-800x420.png" alt="Cena de Todo Mundo em Pânico 6. Plano médio do ator Marlon Wayans sentado em uma poltrona de couro escuro, com uma expressão de extremo choque, olhos arregalados e boca aberta. Ele veste um casaco de moletom cinza aberto sobre uma camiseta branca e usa um colar de corrente dourada com um pingente em formato de folha de maconha. O personagem e toda a poltrona estão cercados e cobertos por uma grande quantidade de espuma branca densa ou neve artificial, que parece ter explodido no ambiente. À esquerda, vê-se a cúpula de um abajur aceso." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37326" class="wp-caption-text">Todo Mundo em Pânico 6 faz referência à outros filmes de terror recentes, como A Substância (Foto: Wayans Bros. Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As anedotas transfóbicas e homofóbicas, se já eram problemáticas no primeiro, são piores agora. A cena em que Ray está em uma igreja – fazendo referência à </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-pecadores/"><i><span style="font-weight: 400;">Pecadores</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025) – recebendo a ‘cura para a homossexualidade’ e acaba apenas evidenciando para todos que é gay, é, não apenas controversa, como também extremamente forçada; se inicialmente havia qualquer graça, ela se perde por causa do inexistente senso de ridículo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da comicidade dos antecessores estava nas citações à outros filmes, e como lidava com clichês específicos do gênero de terror. O que mais se destacou foi o </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> no primeiro longa, criando um clima de mistério a partir do enredo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1997), junto com o mistério do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, no novo, as referências parecem muito jogadas, sem qualquer conexão entre elas. Não há nada em </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024) que remeta à </span><i><span style="font-weight: 400;">Pecadores</span></i><span style="font-weight: 400;">. São alusões vazias. É um filme de esquetes sem coesão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que realmente há de interessante é o final em que os protagonistas negam a nova geração, fazendo menção às franquias que retornam depois de muitos anos para encerrar a jornada dos antigos personagens e deixar que os novos tomem conta da saga a partir dalí – como no próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1OierkhAbpc"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022). Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, o quarteto não permite essa mudança, relegam a saga para si ao deixarem as novas figuras morrerem no encerramento. Entretanto, isso continua sendo muito pouco, ainda mais considerando que o resto da obra não lida com essa questão. Assim, com poucas ideias, muitas referências e um certo apelo à nostalgia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostrou que não tinha nada de novo a dizer.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Todo Mundo em Pânico (2026) | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/peO0LapcsIE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 13:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a Naughty Dog parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: The Last of Us. A história já é bem conhecida: o Cordyceps – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-last-of-us/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37052" aria-describedby="caption-attachment-37052" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37052" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-800x450.png" alt="Cena de The Last of Us. Close-up do rosto de Ellie, uma jovem com sardas e cabelos castanhos, olhando para cima com uma expressão de esperança ou admiração. Ao fundo, levemente fora de foco, Joel, um homem mais velho, barbudo, com cabelo e barba preta, com algumas partes grisalhas, é visto de perfil dirigindo um veículo. A iluminação é suave, destacando o olhar de Ellie." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37052" class="wp-caption-text">O jogo ganhou uma continuação em 2020 (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog </span></i><span style="font-weight: 400;">parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: </span><a href="https://www.planocritico.com/games-the-last-of-us/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A história já é bem conhecida: o </span><a href="https://netec.org/2023/05/02/distinguishing-between-fungal-fact-and-fiction-in-the-last-of-us/"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação que lhe deu a capacidade de infectar corpos humanos, destruíndo o cérebro e as transformando em uma criatura agressiva. O mundo então entra em colapso, mais da metade da população foi contaminada ou morta, o exército da FEDRA tomou conta dos Estados Unidos, governando com punho de ferro e um grupo de revolucionários chamado Vaga-lumes luta contra a ditadura instaurada. O planeta virou de ponta cabeça com a doença e não há uma cura, até que surge uma pessoa imune ao fungo: Ellie (Ashley Johnson).</span></p>
<p><span id="more-37050"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto entra o protagonista da história e que será o personagem controlado pela maior parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">: Joel (Troy Baker), cujo objetivo é levar a garota para uma sede dos Vaga-lumes em que eles possam examiná-la. O jogo, então, é baseado em uma viagem no qual o destino não é tão bem definido. Parece um </span><a href="https://olhardigital.com.br/2024/02/04/cinema-e-streaming/os-10-melhores-road-movies/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até mesmo pelo aspecto cinematográfico muito presente, com mais de uma hora de meia só de </span><a href="https://comandogeek.com.br/blog/glossario/o-que-e-cutscene/?srsltid=AfmBOor9C6qeRhefyALN7H6iEFmqNqY5HD7TguFQX8WhEfjNVmzB1sDB"><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37054" aria-describedby="caption-attachment-37054" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-800x449.png" alt="Cena de The Last of Us. Joel e Ellie em um cenário pós-apocalíptico iluminado pelo sol. Joel, um homem de barba com camisa de sarja verde e mochila, olha para o alto. Ellie está ao lado dele, também olhando para cima com curiosidade. Ao fundo, uma estrutura abandonada coberta por vegetação." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us.png 1069w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37054" class="wp-caption-text">Em 2023 a HBO Max fez uma adaptação do jogo para o formato série (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A base do jogo é a sobrevivência. Durante a viagem, a dupla precisa passar por diversos problemas com infectados, bandidos, militares ou qualquer um que ameace a vida deles. </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não te dá alternativas, nunca há a opção de poupar uma vida, o </span><i><span style="font-weight: 400;">player </span></i><span style="font-weight: 400;">é obrigado a matar qualquer ameaça. Logo no terceiro capítulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Joel, Ellie e Tess (</span><span style="font-weight: 400;">Annie Wersching) encontram um homem vivo embaixo de escombros, o protagonista não hesita um segundo e somos obrigados a matá-lo. Entretanto, essa pouca flexibilidade não diz apenas sobre a necessidade, mas também da nossa limitação. Joel não é um avatar do jogador, ele representa a si mesmo e apenas somos permitidos acompanhá-lo e guiá-lo na jornada, no entanto, jamais o controlarmos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrabalanceando essa rigidez, os confrontos com humanos ou ‘zumbis’ são mais permissivos, o jogador pode ser mais discreto ou mais direto dependendo do objetivo, porém, isso revela outro aspecto fundamental da obra: a humanidade. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghost-of-tsushima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), quando é preciso ser furtivo, o jogo não te permite fazer de outra forma, o erro é zero. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">está mais suscetível às falhas humanas, como ao tentar ser silencioso e não conseguir e ao improvisar diante do perigo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, não é só nesses momentos que a humanidade aparece. Na realidade, é mais sobre quem seremos diante de uma situação como essa. A pandemia mostrou que o </span><i><span style="font-weight: 400;">game </span></i><span style="font-weight: 400;">não estava tão distante da realidade. Produtos básicos viraram luxo para muitas pessoas, o mundo polarizado, vidas negligenciadas, muitas mortes evitáveis e a união se tornou mais utópica. Na ficção, </span><a href="https://universosagas.ig.com.br/quem-sao-os-vagalumes-em-the-last-of-us/"><span style="font-weight: 400;">Vaga-lumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e FEDRA se matam enquanto mais e mais pessoas são infectadas; criminosos se unem para roubar e matar; na escassez alguns se tornam canibais e as histórias trágicas se acumulam.</span></p>
<figure id="attachment_37053" aria-describedby="caption-attachment-37053" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37053" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-800x533.png" alt="Cena de The Last of Us. Joel e Ellie escondidos atrás de uma porta de madeira em um salão luxuoso e deteriorado. Joel estende o braço para proteger Ellie enquanto observa cautelosamente um inimigo armado com uma espingarda que caminha ao fundo. Joel tem uma máscara de gás pendurada no cinto." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3.png 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37053" class="wp-caption-text">The Last of Us ganhou o prêmio de Melhor Game de 2013 pela BAFTA Games Awards (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrevivência e humanidade se misturam, principalmente na pele de Joel. A frieza expõe seu instinto, a raiva e a crueldade; e a memória da filha, o seu lado humano. A presença de Ellie evoca a lembrança de Sarah (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/hana-hayes/"><span style="font-weight: 400;">Hana Hayes</span></a><span style="font-weight: 400;">), e a relação dos dois cresce cada vez mais, arranhando as ranhuras desse Joel violento e revelando aquele visto no capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Natal</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ligação entre os dois será fundamental para o encerramento da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os elementos imersivos são essenciais </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Uma característica do jogo é a possibilidade de interagir com o ambiente e coletar documentos. Cada carta coletada é um conto, os cenários com prédios destruídos cheios de escombros são carregados de histórias – todas elas terminando de maneira trágica, porém, elas podem ser belas ou apenas tristes, isso depende do ponto de vista de cada um. A forma de melhorar as armas é feita de maneira rústica. O personagem modifica à mão, com uso de alicates achados no mapa. Tudo colabora para uma experiência imersiva, porém, isso não é à toa, tudo tem um propósito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da obra lidar com elementos do terror, ela pouco utiliza o </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscare</span></i><span style="font-weight: 400;">; o foco está na atmosfera amedrontadora e desconfortável, construída a partir dos sons dos </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/the-last-of-us-tipos-infectados"><span style="font-weight: 400;">estaladores</span></a><span style="font-weight: 400;">, os esporos no ar, os corpos decompostos e os fungos nas paredes que criam uma sensação opressora. A tensão e o perigo constante são artifícios que tornam a jogabilidade interessante, e que, para além disso, serão fundamentais no encerramento.</span></p>
<figure id="attachment_37051" aria-describedby="caption-attachment-37051" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-800x450.png" alt="Cena de The Last of Us. Retrato frontal de Ellie com uma expressão séria e melancólica. Seus cabelos estão levemente molhados e há sujeira em seu rosto. O fundo mostra uma paisagem montanhosa com árvores sob um céu nublado ao entardecer, criando uma atmosfera introspectiva." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37051" class="wp-caption-text">O jogo foi remasterizado para versão PS4 (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Joel e Ellie chegam ao hospital em que os Vaga-lumes estão sediando, Marlene (Merle Dandridge) – membro do grupo – a leva para a cirurgia e revela a ele que para conseguir uma cura, é necessário matar a garota para extrair o </span><a href="https://butantan.gov.br/noticias/fungo-de-the-last-of-us-nao-e-perigoso-na-vida-real-e-alguns-do-mesmo-genero-sao-remedios"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu cérebro. O protagonista então decide salvar Ellie, mesmo que tenha que condenar o mundo em troca. Uma decisão egoísta, porém, muito humana. Mas o que há de tão interessante nesse final? É a falta de controle do </span><i><span style="font-weight: 400;">player</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a autoridade do personagem. Enquanto jogamos, temos a falsa sensação de liberdade e domínio daquelas figuras, no entanto, quando Joel toma a decisão, é quase um tapa cara; o jogo se inverte, pois agora somos nós que seremos manipulado por ele, a única escolha que nos resta é completar a missão – matando todos os vaga-lumes – ou deixar de jogar. O nosso poder sobre ele era emprestado, o seu arbítrio é superior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante comparar com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois as linguagens são diferentes e, por consequência, geram efeitos diferentes. Por mais que se esforce, uma série jamais conseguirá ser tão imersiva quanto um jogo, a capacidade dos </span><i><span style="font-weight: 400;">games </span></i><span style="font-weight: 400;">de interagir e influenciar o ambiente faz o jogador estar muito mais presente naquele mundo. O problema da adaptação é não conseguir compreender essa diferença entre as linguagens, pois, por mais que seja muito fiel, o impacto no público é diferente. A relação entre Joel e Ellie na obra original é construída a partir das interações e missões, como uma ajuda para pegar uma escada, para atravessar um lago, a necessidade de protegê-la, etc; poucas vezes se utiliza de </span><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes </span></i><span style="font-weight: 400;">com esse intuito. No seriado, a imagem e as dinâmicas entre os personagens é soberana, logo, a conexão com Ellie é mais profunda, porém, o medo e o sentimento de responsabilidade com o mundo é infinitamente menor. A decisão do protagonista no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas dele, mas no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, parece ser um pouco nossa também.</span></p>
<p><a href="https://www.planocritico.com/critica-the-last-of-us-left-behind/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não está interessado em falar sobre a humanidade como maligna, e sim falha. Há bondade, assim como há maldade; tem violência e carinho; amor e ódio. A necessidade de sobreviver não revela o lado ruim das pessoas, apenas explora todos os limites, das qualidades aos defeitos, e expõe que o humano é, acima de tudo, contraditório.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us - Story Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/W01L70IGBgE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sirât é a estrada até lugar nenhum</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 13:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta: este texto contém alguns spoilers Guilherme Moraes Sirât é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-sirat/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sirât é a estrada até lugar nenhum"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Alerta: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">este texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36972" aria-describedby="caption-attachment-36972" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x450.png" alt="Cena de Sirât. Quatro pessoas e um cachorro estão em uma vasta planície branca e árida, sob uma luz solar intensa. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos escuros e vestido estampado vermelho observa o horizonte. Ao lado dela, dois homens estão sentados no chão junto a mochilas e um cachorro branco de pequeno porte. À direita, um homem grisalho de camisa azul está de pé, com a mão na cintura, observando os outros. O clima é de exaustão e desolação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1.png 1008w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36972" class="wp-caption-text">O diretor Oliver Laxe entrou em polêmica após citar suposto ufanismo de brasileiros na Academia do Oscar (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><a href="https://www.ingresso.com/noticias/significado-titulo-filme-sirat-oscar-2026"><span style="font-weight: 400;">Sirât</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam Henderson) estão indo em direção a outra festa no deserto, porém, a travessia até ela será complicada. Dessa forma, os sete se juntam para atravessá-la. Oliver Laxe busca materializar o Sirât nessa jornada, no entanto, o filme esquece do destino, foca na trajetória e acaba em lugar nenhum.</span></p>
<p><span id="more-36970"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa tem algumas semelhanças com algumas obras de Kelly Reichardt, principalmente pela maneira como tenta evocar o discurso político. Pelo cenário desértico e pelo grupo pequeno que se torna uma pequena sociedade e vai se reestruturando conforme os problemas e decisões aparecem – temática que vem desde </span><i><span style="font-weight: 400;">No Tempo das Diligências </span></i><span style="font-weight: 400;">(1939) de John Ford – lembra </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/o-atalho-2011/"><i><span style="font-weight: 400;">O Atalho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010); a maneira como o panorama político social aparece e os personagens aparentam estar alheios a ele, remete à </span><a href="https://letterboxd.com/tuoto/film/the-mastermind-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mastermind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado ano passado. Apesar de um pouco similar, o que torna a fita de Oliver Laxe muito inferior para as duas de Reichardt é a diferença gigantesca entre ambos os diretores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mastermind</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista vive em uma época turbulenta na história dos Estados Unidos, os anos 1970, a propaganda militar, os panteras negras, movimentos anti-guerras, etc. Josh O’Connor, no papel principal, está alienado de tudo o que está à sua volta, pensando estar protegido por sua condição financeira, vivendo o </span><a href="https://maisretorno.com/portal/termos/a/american-way-of-life"><i><span style="font-weight: 400;">American Way of Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a realidade o alcança de qualquer maneira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sirât </span></i><span style="font-weight: 400;">tem uma pegada parecida. Os militares rondando, os jornais, o que é dito no rádio, os pequenos comentários dos personagens, etc. Contudo, o filme não faz nada quanto a isso, Louis e Esteban estão em uma jornada familiar e os outros estão a caminho de um evento social. Nada ali indica um discurso político, seus motivos são precários narrativamente, a construção de contexto é pobre, tudo leva a lugar nenhum.</span></p>
<figure id="attachment_36971" aria-describedby="caption-attachment-36971" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-1.png" alt="Cena de Sirât. Um homem de meia-idade e um menino pré-adolescente estão parados lado a lado em um terreno de terra batida e avermelhada. O homem, de cabelos grisalhos e camiseta cinza com mochila nas costas, olha para o lado com expressão cansada. O menino, vestindo uma camiseta amarela com estampa, olha na mesma direção. Ao fundo, uma multidão de pessoas se movimentam em meio a uma névoa de poeira sob um céu nublado, sugerindo um ambiente de festival ou acampamento ao ar livre." width="768" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-36971" class="wp-caption-text">Sirât foi o filme de abertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor também parece ter a falsa ideia de que a técnica cinematográfica vale por si só; que os sentimentos artificiais se bastam. Laxe e as engenheiros de som (Amanda Villavieja e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-maes-paralelas/"><span style="font-weight: 400;">Laia Casanovas</span></a><span style="font-weight: 400;">) se aproveitam da experiência cinematográfica para criar uma ambientação diferente para o público, com as batidas das músicas vindo de diferentes lugares, como se estivéssemos dentro do universo. A ideia pode ser boa, mas não tem objetivo. O momento em que os personagens dançam no campo minado, enquanto estão numa situação terrível é uma das piores sequências do longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para efeito de comparação, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Começa o Inferno </span></i><span style="font-weight: 400;">(1959), antes da batalha final, os quatro que estão defendendo a cadeia tocam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TcYdyK_ehY"><i><span style="font-weight: 400;">My Rifle, My Pony and Me</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de maneira que amenize a tensão e os una, tornando o confronto e a possível morte mais aceitável. É a tentativa de ser feliz uma última vez. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sirât</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música, a engenharia de som e o movimento dos atores – que parecem estar em transe – só reforçam a alienação, até do próprio público. Essa tomada só não é pior que a das explosões no final. As dinâmicas entre os personagens são tão fracas, que no momento derradeiro do </span><a href="https://cinemacao.com/2026/01/05/critica-sirat/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não há qualquer preocupação com eles. Sem conexão, a construção de suspense e tensão vira apelativa e artificial; não tem sensação de ameaça, é apenas incômodo. A obra parece acreditar que essas emoções valem por si só, mas não valem.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sirât </span></i><span style="font-weight: 400;">compete nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2026. Pensando da campanha que vem fazendo desde Cannes, não é nenhuma surpresa a nomeação para a categoria internacional, assim como também não causa nenhum espanto a indicação para a categoria técnica, entretanto, é triste ver como o Oscar olha para esse prêmio apenas pela sua engenharia e complexidade de produção, não por sua intenção e utilidade narrativa. No final, Oliver Laxe também mostrou que é tão alienado quanto seu longa, ao fazer um </span><a href="https://www.instagram.com/p/DUqYYfMDqbt/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">comentário infeliz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ignorante sobre a presença dos brasileiros na Academia. Quem tem telhado de vidro não atire pedras na do vizinho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sirât | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Qcagr7Sw6Do?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Fugindo dos diálogos explicativos, Caminhos do Crime é econômico e criativo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 15:58:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon MGM Studios]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta: O texto contém alguns spoilers Guilherme Moraes Talvez o que mais falte no cinema de blockbuster – em especial o de crime e ação – seja a capacidade de compreender seus personagens para além de sua utilidade e demonstrar sua personalidade sem soar explicativo demais. Por sorte, Barry Layton em Caminhos do Crime vai pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-caminhos-do-crime/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fugindo dos diálogos explicativos, Caminhos do Crime é econômico e criativo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Alerta: </strong></em>O texto contém alguns spoilers</p>
<figure id="attachment_36956" aria-describedby="caption-attachment-36956" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-10-800x450.png" alt="Cena de Caminhos do Crime. Close-up do ator Chris Hemsworth dentro de um carro à noite. Ele tem uma expressão séria e pensativa, olhando para o lado. Está vestindo uma camisa social branca e uma gravata preta. O reflexo das luzes da cidade e borrões de movimento aparecem no vidro da janela em primeiro plano, criando uma atmosfera de suspense ou drama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-10.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36956" class="wp-caption-text">O longa faz citações a dois grandes atores do gênero de ação: John Wayne e Steve Mcqueen (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o que mais falte no cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– em especial o de crime e ação – seja a capacidade de compreender seus personagens para além de sua utilidade e demonstrar sua personalidade sem soar explicativo demais. Por sorte, Barry Layton em </span><i><span style="font-weight: 400;">Caminhos do Crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai pelo caminho oposto e mostra como consegue ser econômico na construção de personagens com poucas cenas.</span></p>
<p><span id="more-36955"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, Davis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chris Hemsworth</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um bandido conhecido por cometer crimes sem utilizar violência. Quando um de seus roubos dá errado, surge o detetive Lubesnik (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vingadores-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">) em seu rastro, para enfim capturá-lo. Paralelamente, Sharon (Halle Berry) busca ascender na empresa em que trabalha há mais de uma década, porém, o que ela não sabe é que se tornou o novo alvo de golpe do protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de Barry Layton na direção é bem cuidadoso, pois, os primeiros minutos de cada indivíduo – com exceção de Davis – dizem tudo sobre eles. Ruffalo começa o longa indo ao banheiro pela manhã, lendo críticas à polícia local e discutindo com a esposa – uma briga rotineira, mas que já demonstra o desgaste do casamento –, dessa forma é perceptível como ele é uma pessoa em queda profissional e pessoal. </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-x-men-o-filme/"><span style="font-weight: 400;">Halle Berry</span></a><span style="font-weight: 400;"> acorda de madrugada, o celular aponta que ela teve uma má noite de sono, sua primeira ação é se maquiar inteira para ir ao trabalho – em um carro de luxo. Ela está escondendo sua tristeza por meio de objetos materiais. Em uma conversa entre os dois, é possível perceber como a personagem busca a felicidade por aquilo que pode ser consumido, como se fosse um </span><i><span style="font-weight: 400;">checklist</span></i><span style="font-weight: 400;">: carro bonito, casa na praia e segurança financeira. No entanto, tudo é falso.</span></p>
<figure id="attachment_36957" aria-describedby="caption-attachment-36957" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-9-800x533.png" alt="Cena de Caminhos do Crime. Os atores Mark Ruffalo (à esquerda) e Chris Hemsworth (à direita) caminham lado a lado em um ambiente luxuoso que parece o saguão de um hotel ou tribunal. Ambos vestem ternos pretos bem cortados, camisas brancas e gravatas escuras. Mark Ruffalo tem cabelos grisalhos e segura uma maleta, enquanto Chris Hemsworth ajusta o relógio no pulso com um olhar atento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-9-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-9-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-9-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-9.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36957" class="wp-caption-text">Chris Hemsworth já trabalhou anteriormente com Michael Mann, dos grandes nomes do cinema de ação de Hollywood (Foto: Amazon MGM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a mesma toada, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><span style="font-weight: 400;">Barry Keoghan</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Ormon) cria um vilão bem trabalhado. Em sua primeira aparição, o seu personagem vem para dar um susto no chefão do crime (Nick Nolte) – porém, esse foi um ato falho, pois o próprio já o via chegar pelo retrovisor do carro. Na conversa entre os dois, o chefe utiliza termos como ‘covardia’ e faz menção ao pai de Ormon para manipulá-lo. Apenas com essa tomada simples, a obra consegue explorar a masculinidade frágil do garoto, assim como a boa atuação de Keoghan que fala palavrão e sempre utiliza violência como forma de provar sua ‘virilidade’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a capacidade de construir personagens em poucas cenas não se limita a uma regra, mas uma necessidade narrativa – afinal, não é possível entender o protagonista de primeira. Cada cena vai dizer mais um pouco sobre ele. Facilmente em seu melhor papel nos últimos anos, </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Hemsworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> vai bem ao lidar com duas personas distintas: o ladrão e o verdadeiro Davis. A diferença é clara: enquanto o bandido é confiante e leve, o segundo é fechado e misterioso. Hemsworth evita o olhar, tanto da câmera quanto das pessoas com as quais contracena, mostrando o desconforto que é ser ele mesmo.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N_FvvFmp_Po"><span style="font-weight: 400;">Barry Layton</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisa que essas personalidades estejam bem claras para que possa explorar algumas contradições. O longa não isenta o protagonista de seus crimes, porém encontra em outras instituições legais – a polícia e a empresa de seguro – tanta corrupção quanto a de um ladrão de jóias. A obra consegue ir além, ao possibilitar que Davis tenha uma vitória pessoal, uma fuga da vida de crimes e o início de uma jornada com a mulher que ama. Entretanto, para os que estão dentro do sistema, suas vitórias são pequenas. O detetive consegue utilizar a própria corrupção da polícia a seu favor e Sharon se demite de seu emprego, sem rumo, porém, com a possibilidade de tomar as rédeas de sua vida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Caminhos do Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">viu que quem estava à margem pode se reinventar, mas aqueles que estão dentro do sistema, terão que burlá-lo, sem a possibilidade de mudança.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Caminhos do Crime ｜ Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YtCkjKWvI3M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 13:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-vestida-para-matar/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36757" aria-describedby="caption-attachment-36757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-800x450.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Retrato em close-up de Liz, uma mulher loira com cabelos volumosos e cacheados, adornados com uma presilha brilhante. Ela veste um casaco de textura felpuda na cor roxa vibrante. A iluminação é dramática, destacando seus olhos claros e lábios pintados, com luzes de cidade desfocadas ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36757" class="wp-caption-text">Nancy Allen e Brian De Palma já foram casados (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas histórias exatamente, mas os diretores partiam de um filme já concebido e o deformavam. Nesse sentido, um dos artistas que mais chamou a atenção foi Brian De Palma, grande fã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão </span></i><span style="font-weight: 400;">(1976) foi a sua versão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958), então </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1980) é seu próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960).</span></p>
<p><span id="more-36756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">65 anos atrás, Marion Crane (Janet Leigh) roubou 40 mil dólares do seu patrão e fugiu para encontrar com seu namorado. No meio de sua jornada ela se arrepende e decide voltar e devolver o dinheiro, porém, antes que conseguisse retornar, ela é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0WtDmbr9xyY"><span style="font-weight: 400;">assassinada</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcando para sempre a história do Cinema. 20 anos depois, Kate Miller (Angie Dickinson) é morta no elevador de um prédio, de maneira similar a Marion: Mulher estranha com um objeto cortante colocando a vítima contra a parede. As duas tragédias modificam por completo o enredo, mudando o protagonismo para outros personagens. No clássico de 1960, a trama aparentava ser um jogo de gato e rato pelo dinheiro, enquanto o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">’ estava focado na libido de Kate Miller. Contudo, ambas as obras enganaram o espectador, pois o desenrolar da história se volta para a questão mais básica do suspense: quem é o assassino?</span></p>
<p><figure id="attachment_36758" aria-describedby="caption-attachment-36758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-800x533.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Kate Miller é uma mulher loira, ela está usando um casaco branco e olha horrorizada para sua própria mão, que apresenta um corte sangrento. À direita, em primeiro plano, uma mão usando luva de couro preta segura uma navalha ensanguentada, sugerindo um ataque recente." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36758" class="wp-caption-text">Além de Vestida para Matar, Angie Dickinson trabalhou em outros projetos históricos de Hollywood, como Onde Começa o Inferno (1959) [Foto: Filmways Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Antes de falar sobre o grande mistério de ambos os longas, é preciso investigar sobre a </span><i><span style="font-weight: 400;">misé-en-scène</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/o-diretor-que-evoluiu-a-forma-do-cinema-segundo-brian-de-palma/"><span style="font-weight: 400;">Brian De Palma</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se limita a recontar a história, mas deixa evidente que é uma refilmagem e que está se aprofundando no original. O diretor encontra uma natureza depravada nos personagens de Hitchcock, todavia, em nenhum momento ele julga as pulsões destes, muito pelo contrário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na realidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">está mais preocupada em como a sociedade pune o desejo. Aqueles que têm uma relação complexa com ele – Kate Miller e Dr. Elliot (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michael Caine</span></a><span style="font-weight: 400;">) – irão expurgá-lo de maneira devassa ou violenta, por outro lado, a prostituta – Liz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Nancy Allen</span></a><span style="font-weight: 400;">) –, que lida melhor com sua sexualidade, sobrevive. Provavelmente em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Liz Allen teria sido a primeira a morrer, porém, o diretor a transforma em uma heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como de costume do cineasta, a introdução já consegue trazer o tema central. O maneirista abre o filme com Kate Miller se masturbando no chuveiro, passando a mão sobre seu corpo e olhando para seu marido sem camisa se barbeando no chuveiro. Entretanto, em determinado momento um homem vem ao fundo e a violenta. Logo em seguida, somos jogados a uma cena de sexo entre a personagem de </span><a href="https://letterboxd.com/contracampo100/film/dressed-to-kill-1980/"><span style="font-weight: 400;">Angie Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu cônjuge, porém, diferentemente da cena do chuveiro – note a relação com </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose </span></i><span style="font-weight: 400;">–, essa não tem tesão algum, é burocrática. Esse corte é essencial para entendermos que a abertura era apenas um sonho de Kate, e que ela via aquele desejo como errado. A excitação feminina era – e ainda é – tabu.</span></p>
<figure id="attachment_36759" aria-describedby="caption-attachment-36759" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-800x364.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Liz posa deitada de forma provocante. Ela usa lingerie preta e meias transparentes. O cenário é interno e mal iluminado, com uma luz azulada vinda da lateral que destaca sua pele e o brilho de seus brincos de cristal." width="800" height="364" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-800x364.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-1024x465.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-768x349.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1.png 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36759" class="wp-caption-text">Nancy Allen também esteve no elenco de Carrie, a Estranha (1976), dirigido pelo próprio Brian De Palma (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão sexual do vilão merece um parágrafo à parte para se ater aos erros de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S9a50nMofPA"><span style="font-weight: 400;">Brian De Palma</span></a><span style="font-weight: 400;">, e específicamente nesse caso, vale falar sobre defeito na obra de uma posição ‘superior’, afinal ele mostrou ignorância sobre os conceitos de desejo e sexualidade, de forma que possa soar até ofensivo. Mas antes de entrar nesse tópico, é bom olhar como o diretor colocou como protagonistas uma prostituta e um adolescente nerd (cujo o audiovisual sempre tratou como uma figura patética e com problemas sexuais). Apesar de suas figuras estarem sempre ligadas à vulgaridade, as suas interações não poderiam ser mais puras, não há faísca entre eles, é apenas uma amizade se formando. É claro que a fita evidência como o desejo faz parte da experiência humana, no entanto, essa ligação entre os dois também deixa claro que existe mais do que isso.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar</span></i><span style="font-weight: 400;"> – assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i><span style="font-weight: 400;"> – mostra como um </span><i><span style="font-weight: 400;">Whodunnit </span></i><span style="font-weight: 400;">deve ser feito, pois, a revelação final não tenta ser grandiosa e megalomaníaca, não é sobre grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists </span></i><span style="font-weight: 400;">– ainda que sejam por natureza –, mas sim sobre concatenar uma ideia fílmica. Não é atoa que </span><a href="https://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado o mestre do suspense, a conclusão do clássico expõe Norman Bates como assassino, porém, o diretor estava mais interessado na exploração da relação entre ele e sua mãe. Brian De Palma, por sua vez, refilma essa história a partir da depravação dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_36760" aria-describedby="caption-attachment-36760" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2.png" alt="Cena de Vestida para Matar. No primeiro plano, à direita, Liz olha para o lado com expressão de apreensão ou surpresa. Ao fundo, à esquerda, uma figura misteriosa com óculos escuros e casaco brilhante a observa das sombras em um ambiente mal iluminado com luzes desfocadas." width="800" height="337" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36760" class="wp-caption-text">Brian De Palma gosta de filmar personagens em planos diferentes, de forma que esses planos se tornem quase uma barreira (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande algoz de Liz e Peter Miller (Keith Gordon) é revelado nos minutos finais como o personagem de Michael Caine. A motivação por trás dos assassinatos está em sua dupla personalidade – novamente remetendo à </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose. </span></i><span style="font-weight: 400;">O Dr. Elliot estava em processo de mudança de gênero e foi assim que sua mente se fragmentou em duas personas: Elliot e Bobbi. No longa, quando o psicólogo se sente atraído por alguma mulher, sua versão feminina assume e mata aquela mulher, como forma de ‘eliminar’ a heterossexualidade. Contudo, já na época essa relação entre sexo (no sentido fisiológico mesmo) e desejo já se mostrava equivocada. Identidade de gênero não é a mesma coisa que orientação sexual. Todavia, o que se pode dizer em sua defesa – sem ir em direção aquelas defesa simplórias de “</span><i><span style="font-weight: 400;">Era algo daquela época</span></i><span style="font-weight: 400;">” – é que De Palma está interessado mesmo em falar sobre Hitchcock. Era um filme sobre outro filme e que pouco lida com questões de gênero. Muito mais importante do que ‘</span><a href="https://cinemafilia.substack.com/p/cansei-do-eco-da-minha-propria-voz?utm_campaign=reaction&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=substack&amp;utm_content=post"><span style="font-weight: 400;">cancelar</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ou ‘passar pano’ é pensá-lo criticamente, entendendo seu contexto de produção e intenção, para entender o resultado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">é um olhar para o que há de mais depravado no Cinema de Hitchcock, o que se torna uma marca de Brian De Palma. Se em </span><a href="http://www.contracampo.com.br/47/obsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">o diretor trabalha com uma relação incestuosa ao fazer a releitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, neste, ele encontra a promiscuidade em lugares inesperados e, ironicamente, onde a sociedade veria vulgaridade, há apenas amizade.</span></p>
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		<title>Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2026 22:43:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-marty-supreme/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36749" aria-describedby="caption-attachment-36749" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x455.png" alt="Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida." width="800" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x455.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x582.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x437.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1536x874.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x683.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36749" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/joias-brutas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Joias Brutas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.</span></p>
<p><span id="more-36748"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Planos fechados e dinamismo. Esse é o estilo que Safdie adota para o longa. Somos sufocados pela imagem de Marty Mauser que está sempre em movimento, ora jogando, ora transando, ora tramando algum esquema para ganhar dinheiro. A combinação </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/"><span style="font-weight: 400;">Darius Khondji</span></a><span style="font-weight: 400;"> (diretor de fotografia) é fundamental para a obra. Mais do que fazer caretas, o papel de um grande ator é como ele se comporta dentro de um plano, nesse sentido, o protagonista está sempre se movimentando dentro dos quadros, há sempre algo a fazer, há sempre uma necessidade a suprir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, entre calotes, fugas e humilhações, o </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/marty-supreme-descubra-o-que-verdade-e-o-que-e-ficcao-no-filme?city=betim"><span style="font-weight: 400;">personagem principal</span></a><span style="font-weight: 400;"> não consegue se concentrar no que há de mais importante para ele: o jogo. Após perder o campeonato, tudo o que gostaria era uma revanche, contudo, para alguém que vive na margem da sociedade, essas chances precisam ser conquistadas na marra. O jogo, então, se torna secundário. Para acessar a elite do esporte novamente, o personagem precisa batalhar por dinheiro, além de lidar com suas questões pessoais.</span></p>
<figure id="attachment_36750" aria-describedby="caption-attachment-36750" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36750" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x775.png" alt="Cena de Marty Supreme. Cenário é uma rua urbana movimentada. Timothée Chalamet é capturado em pleno movimento, correndo rapidamente para o lado esquerdo da imagem. Ele carrega uma bolsa de couro preta e veste uma regata branca por baixo de uma camisa social clara aberta e desabotoada, que voa com o vento. Ao fundo, um táxi clássico amarelo e vermelho" width="800" height="775" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x775.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x991.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x744.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1536x1487.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1200x1162.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36750" class="wp-caption-text">Marty Supreme chega forte para temporada de premiações, com Timothée Chalamet indicado a Melhor Ator no Oscar 2026 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas personagens que vão dar sentido à obra: Rachel (Odessa A’Zion) e Kay Stone (</span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Gwyneth Paltrow</span></a><span style="font-weight: 400;">). A primeira é um motim para a trama, quando Marty descobre que ela está grávida de seu bebê, suas ações passam a ser mais desesperadoras. A segunda é a diferença entre a ralé e a elite. Kay era uma atriz que abandonou o ofício por razões particulares, no entanto, sua posição na sociedade permite que ela retorne quando quiser – ainda que seja necessário falar sobre o seu gênero como uma barreira, afinal, ela depende do marido para voltar aos palcos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, Mauser precisa suar sangue para ter uma oportunidade. Sua jornada inclui tiros, raquetadas, golpes e traições. Ele passa por todo o tipo de humilhação para poder jogar um amistoso (nem mesmo o campeonato ele conseguiu alcançar). Não há honra em sua história, o caminho para a </span><a href="https://opontofuturo.com/forca-bruta/"><span style="font-weight: 400;">elite do esporte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tortuoso, e, diferentemente do que a maioria dos outros filmes Hollywoodianos pregam, suja. Não há dúvidas entre o certo e o errado, o protagonista toma todas as decisões erradas e prejudiciais aos outros, porém, necessárias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória honrosa, Safdie e </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Timothée</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixam para outras propagandas meritocráticas estadunidenses, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme </span></i><span style="font-weight: 400;">permite que a sua estrela seja problemática e errática; que sua vitória profissional seja pouca, mas muito celebrada, e sua chance de redenção e legado venha de um lugar que ele jamais imaginou: a paternidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marty Supreme | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SovoTyFeF-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 13:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36455" aria-describedby="caption-attachment-36455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png" alt="Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36455" class="wp-caption-text">Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0ibGgldi5Y"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.</span></p>
<p><span id="more-36453"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1944) há a comparação entre a obra de Otto Preminger com o clássico de 1958, concebendo a ideia de que Hitchcock poderia ser de fato um maneirista – um cineasta que sente o peso da história do Cinema e busca ‘refilmar’ as grandes obras a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">maniera</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, este vai por um lado diferente. Observar sobre o ponto de vista do maneirismo, requer olhar de frente para trás – pensar como uma imagem tem outra, antecessora, por baixo –, porém, agora a linha de pensamento é de trás para frente, ou seja, como esse tema parece ser ‘aperfeiçoado’ na Sétima Arte.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1940), </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura </span></i><span style="font-weight: 400;">(1944) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958) lidam com a figura da mulher morta, cada um de uma forma diferente. Rebecca é quase um fantasma que possui os corpos de Mrs. Danvers (Judith Anderson) e Jack Favell (George Sanders); a memória de Laura (Gene Tierney) atormenta todos os homens do filme e Madeleine (Kim Novak) é revelada como uma personagem, ou seja, nunca viveu de fato. Nesse sentido, é quase um ‘aperfeiçoamento’ desse tropo narrativo, até chegar ao auge em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conclusão de que a obra protagonizada por Kim Novak é o ápice se dá pelos longas subsequentes, como </span><a href="http://www.contracampo.com.br/94/pgobsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976), </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), três obras que bebem claramente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Caí</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), escavando e deformando essas imagens.</span></p>
<figure id="attachment_36454" aria-describedby="caption-attachment-36454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de um casal. Um homem, usando chapéu e um sobretudo pesado, abraça uma mulher por trás. Ambos olham para a direita (fora da câmera) com expressões sérias e preocupadas. O olhar do homem é intenso e sombrio, enquanto o da mulher parece assustado ou ansioso. Ao fundo, desfocados, é possível ver os rostos de outras pessoas, sugerindo que eles estão no meio de uma multidão." width="800" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-768x584.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36454" class="wp-caption-text">Rebecca baseia-se em um best-seller da escritora inglesa Daphne Du Maurier (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é muito simplório encontrar valor em </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-rebecca.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apenas a partir de seu peso histórico. Como na maior parte da filmografia de Hitchcock, a encenação e a condução da trama são o que a tornam tão genial. O engano e a distração são ferramentas muito utilizadas pelo cineasta, geralmente de forma magistral. A cena inicial, em que o casal principal se conhece, suscita no público a ideia de que Max amava sua falecida esposa Rebecca, e, ao longo do enredo, a tese é reforçada a partir do ponto de vista de vários outros personagens. Nesse sentido, o Mestre do Suspense resguarda o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">POV</span></i><span style="font-weight: 400;">’ do viúvo, para que na meia hora final solte um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">que irá ressignificar toda a narrativa e tensionar as cenas subsequentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A não aparição – nem sequer em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nMi7aHh2ytg"><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– de Rebecca a transforma em uma figura indecifrável, cada menção ao seu nome causa uma sensação diferente: temor, respeito, admiração e leveza. O diretor permite que o público vá criando mentalmente sua própria versão dela, porém, esse fluxo narrativo é parte da sua ideia, pois, irá dar maior peso para a grande revelação – uma de suas marcas registradas –, e, a partir dela, já não será mais possível enxergá-la sob outras perspectivas diferentes da do Sr. de Winter.</span></p>
<figure id="attachment_36456" aria-describedby="caption-attachment-36456" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-17.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Nesta imagem em preto e branco, duas mulheres estão de costas e de lado, em um grande salão ou galeria. Elas olham para cima, admirando um retrato a óleo muito grande, de corpo inteiro, de uma mulher em um vestido de gala e chapéu, emoldurado de forma ornamentada. A mulher à esquerda na imagem usa um traje escuro e formal, com o cabelo preso. A mulher à direita usa roupas mais claras, com o cabelo solto até os ombros. A cena é capturada de um ângulo médio, destacando a imponência do retrato em relação às duas espectadoras." width="600" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-36456" class="wp-caption-text">O final do livro e do filme são diferentes por causa do Código Hayes (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito significativo como a personagem principal não tem seu nome revelado, enquanto </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></a><span style="font-weight: 400;">, não apenas dá nome ao filme, como também é sempre mencionada. Ela vira a figura central, mesmo sem aparecer um minuto sequer. Dessa forma, Hitchcock transforma a própria protagonista em uma intrusa, e o fantasma de sua antecessora se torna mais vivo do que ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jogo de luz e sombras, os planos de </span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/george-barnes-1/"><span style="font-weight: 400;">George Barnes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a construção cênica (Lyle Wheeler) e toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène </span></i><span style="font-weight: 400;">são pensados para dar vida a uma pessoa morta, ou, de maneira mais macabra, dar um aspecto fúnebre àquilo que está vivo. A residência Manderley se torna quase um personagem, mudando o tom da obra quando aparece. A mansão é quase que um castelo assombrado, sempre imponente, escuro e com capacidade de isolar seus personagens, mesmo estando sempre lotado. Nessa mesma pegada, Rebecca converte-se em um fantasma que vaga pelo castelo, possuindo o corpo de Mrs. Danvers, principalmente pela forma como Hitchcock e Barnes captam a empregada: pouco iluminada, de forma que não dê para ver o seu rosto, apenas o contorno do seu corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a tríade </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO6-7/brisseaupsychohitch.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1960), </span><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam as mais celebradas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem logo atrás junto com tantas de suas obras. Como já dito anteriormente, talvez seja possível inferir que o longa foi uma espécie de busca, do Cinema, pela narrativa perfeita sobre a figura da mulher morta. Entretanto, com o passar dos anos, é perceptível que, na realidade, Rebecca também é e sempre foi, perfeita.</span></p>
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		<title>Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 14:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes e Arthur Caires Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por Sepideh Farsi, nasce no centro de uma das maiores tragédias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-o-filme-em-que-sepideh-farsi-rompe-a-fronteira-que-nos-separa-de-gaza/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36495" aria-describedby="caption-attachment-36495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36495" class="wp-caption-text">A diretora iraniana utilizou do Cinema como uma forma de ponte para um conflito que não parece chegar ao fim (Foto: Sepideh Farsi; Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por </span><a href="https://letterboxd.com/director/sepideh-farsi/"><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi</span></a><span style="font-weight: 400;">, nasce no centro de uma das maiores tragédias humanas deste século: a ofensiva militar israelense em Gaza, que desde 2023 transformou ruas, casas e escolas em escombros e submeteu toda uma população ao cerco, à fome e ao apagamento sistemático de suas vozes.</span></p>
<p><span id="more-36493"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi a partir desse silêncio forçado que a produção encontrou seu caminho. De Paris, do lado de fora de uma fronteira militarizada que impede a entrada de jornalistas e cineastas, ela buscava uma maneira de testemunhar o que estava acontecendo. Do outro lado, em Gaza, estava Fatima Hassouna, jovem fotógrafa, poeta e sobrevivente de um bombardeio diário que reconfigurava a vida a cada amanhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Separadas por um bloqueio que não permitia que se encontrassem, mas unidas por videochamadas que rasgavam o isolamento imposto, a diretora iraniana e Fatem (nome artístico) construíram uma relação que ultrapassa o gesto documental. A cada ligação, entre falhas de conexão, cortes de energia e a possibilidade constante da interrupção final, as duas criavam uma narrativa que nasceu como registro, mas se transformou em ponte: uma forma de vencer o cerco que mantinha Sepideh do lado de fora e Fatima do lado de dentro – e de afirmar, contra a lógica da guerra, que a vida insiste.</span></p>
<h3><b>Entre a dor e a luminosidade </b></h3>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra cercada de escuridão, mas que encontra luz no sorriso de Fatima. Apesar do seu entorno cada vez pior, a fotógrafa encontrava um motivo para se alegrar toda vez que falava com sua amiga, o que trazia uma beleza mesmo nos momentos mais tristes.</span></p>
<blockquote><p><b>“Eu sinto que é um filme difícil de ver, pois, como espectador, você sente empatia por Fatima. O espectador se sente na minha posição, o que é muito íntimo. É claro que é triste, pois você sabe desde o início o que está passando com ela, mas ela é tão vibrante e tem tanta luz, então eu acho que o filme vai mais em direção a vida do que a tragédia ou a morte.”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi também comentou sobre o ponto de vista que ela emprega, de forma que não resuma Fatima apenas a condição de vítima, e também da força que a amiga demonstra, para que em nenhum momento isso seja considerado.</span></p>
<blockquote><p><b>“Ela não é uma vítima, ela não se considera uma vítima, assim como eu também não. É claro que ela é vítima do genocídio, do cerco militar, assim como todos os outros palestinos. Ainda assim, ela tem tanta força e resiliência que consegue ir além dessas limitações, e foi isso que tentamos mostrar juntas.”</b></p></blockquote>
<h3><b>O impacto que ela sentiu</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme como este sempre causará impacto, principalmente por aqueles que fizeram e pela maneira como foi feita. Mesmo com a distância em relação a sua ‘personagem’, o contato recorrente da diretora com Fatima e o vínculo que se formou entre as duas, certamente a modificou de alguma forma. Sepideh falou um pouco sobre como tudo o que aconteceu na produção do longa está afetando-a.</span></p>
<blockquote><p><b>“Nós realmente nos tornamos amigas, então, quando eu a perdi, quando ela foi assassinada pelo exército israelense, isso obviamente me impactou. O filme mudou, o significado mudou, e o sentido de fazê-lo mudou também. Mas eu acho que junto com ela, nós fizemos algo muito especial. Isso realmente transmite seu testemunho para o mundo à fora. Eu acho que eu ainda preciso de tempo para entender como me modificou, foi muito recente, mas com certeza me mudou.”</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36494" aria-describedby="caption-attachment-36494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36494" class="wp-caption-text">O olhar de Fatem sobre sua própria realidade compõe o eixo emocional do filme (Foto: Filmes do Estação/Divulgação)</figcaption></figure>
<h3><b>A história conduzida por uma relação improvável</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando perguntada sobre o equilíbrio delicado entre documentar e não forçar uma narrativa sobre alguém que vive sob um constante risco de morte, Sepideh responde com a sinceridade de quem se permitiu confiar no fluxo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Não estava pensando em quem guiava o filme. Foi um processo muito fluido. Eu a questionava, claro, mas cortei a maior parte das minhas perguntas na montagem. Era muito mais interessante ouvir as respostas dela.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O pacto entre elas era simples: Fatem enviaria vídeos, textos, fotografias – aquilo que desejasse dividir. Sepideh conduziria o resto.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ela não estava envolvida no processo de filmagem como cineasta. E ela também não queria assistir às imagens. Acho que queria se proteger. É complicado estar sob bombas e ainda refletir sobre como você dirige a si mesma.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira videochamada do filme, comenta, foi o primeiro encontro entre as duas. Não havia preparação, apenas o acaso que cria destino. </span><b><i>“Eu nunca esperava me aproximar dela tão rápida e profundamente”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><b><i>“Aconteceu. É humano. Foi um milagre, de certa forma.”</i></b></p>
<h3><b>O que permanece após o fim</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto à mensagem final, Sepideh responde que já sabe exatamente o que irá permanecer. </span><b><i>“O que vai ficar é a luz dela. O sorriso dela, que é inesquecível. Você não esquece seu rosto depois de encontrá-la.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, Sepideh vai além: deseja que o filme ajude o público a compreender a força do povo palestino e a necessidade urgente de agir. </span><b><i>“Os palestinos são extremamente resilientes. Não se colocam no lugar de vítima. Estão sempre olhando adiante, com esperança, mesmo sob cerco, mesmo durante o genocídio.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema, para ela, pode ser um ponto de virada. Um convite à responsabilidade. </span><b><i>“Espero que o filme funcione como um gatilho para que as pessoas encontrem maneiras de lutar, de mudar a narrativa dominante. Temos o dever de ajudar os palestinos a superar isso.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de encerrar, ela recupera algo que Fatem lhe disse: </span><b><i>“Se o conflito na Palestina terminar, muitos outros terminarão.” </i></b><span style="font-weight: 400;">Na época, Farsi duvidou. Hoje, acredita.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Agora vejo que é um conflito central no nosso tempo. Ele está na encruzilhada entre capitalismo, colonialismo e dominação cultural ocidental. Se conseguirmos mudar essa história – se houver justiça, se houver um fim digno para os palestinos – isso se tornará um precedente para outras lutas. É isso que eu quero que as pessoas levem do filme.”</i></b></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe | Trailer Nacional" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KIZ957T49AU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 13:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-pai-mae-irma-irmao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36426" aria-describedby="caption-attachment-36426" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-800x392.png" alt="Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Três mulheres sentadas ao redor de uma mesa redonda posta para um chá da tarde elegante. À esquerda, uma mulher de perfil com cabelo rosa e suéter vermelho segura uma xícara. Ao centro, uma mulher mais velha com cabelos curtos e grisalhos sorri levemente enquanto ergue sua xícara. À direita, uma terceira mulher de camisa azul clara está de costas para o observador. A mesa está coberta por uma toalha branca e repleta de louças de porcelana florida, macarons e doces finos. O ambiente tem paredes azuis escuras e quadros ao fundo." width="800" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-800x392.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-1024x502.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-768x377.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-1200x588.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21.png 1340w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36426" class="wp-caption-text">O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes nomes da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Estranhos no Paraíso </span></i><span style="font-weight: 400;">(1984) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Amantes Eternos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) chega ao evento com seu mais novo filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">Pai Mãe Irmã Irmão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.</span></p>
<p><span id="more-36424"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira parte do longa foca nos irmãos Jeff (</span><a href="https://personaunesp.com.br/megalopolis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Emily (Mayim Bialik) visitando seu pai (Tom Waits). É um momento rotineiro, e quase obrigatório, como se fosse feito, não por apego, mas apenas por serem família. O personagem de Waits vive sozinho em uma casa afastada da cidade e aparenta passar alguns perrengues por ser um adulto disfuncional com problemas financeiros. No entanto, ao final, é revelado que ele escondia um lado seu de seus filhos: confiante e independente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo enredo é sobre o encontro das irmãs Timothea (</span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Lilith (Vicky Krieps) com a mãe (Charlotte Rampling). Não muito diferente do primeiro conto, este coloca os personagens em uma situação desconfortável, com cada um escondendo sua verdadeira vida da família, e mantendo esses laços por obrigatoriedade. A grande diferença entre esses dois é a relação fraternal. Se no capítulo inicial, Adam Driver e Mayim Bialik eram próximos, essas duas irmãs são distantes e muito diferentes uma da outra.</span></p>
<figure id="attachment_36425" aria-describedby="caption-attachment-36425" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-800x450.png" alt="Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Plano médio de dois jovens sentados no chão de madeira de um cômodo com arquitetura antiga. O homem, à esquerda, tem pele negra e longos dreadlocks, veste uma camiseta branca e segura atentamente um envelope aberto. A mulher, à direita, tem cabelo curto, usa uma regata vermelha e apoia a cabeça carinhosamente no ombro dele, olhando também para o papel. Ao fundo, vê-se uma lareira de mármore branco e paredes com papel de parede desgastado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36425" class="wp-caption-text">No início de sua carreira, Jim Jarmusch foi considerado um diretor maneirista (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas duas histórias são muito parecidas, não apenas pelo enredo, e sim, principalmente, pela execução das ideias de Jarmusch. Os silêncios constrangedores, as farpas, os segredos, a maneira como os personagens evitam o conflito e adotam uma postura passivo-agressiva e as cenas de desconforto reforçam esses laços quebrados por traumas que não são revelados, porém, são sentidas. A construção cênica (</span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Mark Friedberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Marco Bittner Rosser) da segunda trama é pensada exatamente sobre essa vida de aparências, em que tudo é bonito e organizado, contudo, reserva aspectos artificiais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terceiro conto é o mais diferente dentre os três. Dois irmãos, Skye (</span><a href="https://personaunesp.com.br/escape-room-2-tensao-maxima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Indya Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Billy (Luka Sabbat) voltam ao apartamento em que passaram sua infância, antes que ele seja alugado por outras pessoas. A dupla está passando por um período complicado após a morte de seus pais, mas a ligação deles é mais sincera que as outras. Existe toque, carinho e lamento, algo que era impensável para os outros. Os cenografistas acompanham a história, transformando a casa em um espaço vazio, contudo, cheio de marcas e histórias. Não há polidez nesse capítulo, pois não há nada o que esconder.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pai Mãe Irmã Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos filmes mais aguardados na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, não apenas pelo nome de Jim Jarmusch, como também pela presença do renomado produtor </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-entrevista-atilla-salih-yucer/"><span style="font-weight: 400;">Atilla Salih Yücer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da pegada mais lenta e pausada, a obra conseguiu arrancar risos da plateia a todo instante. Mesmo que sua recepção não tenha causado grande comoção – nem para o bem, nem para o mal –, ainda vale a pena dar uma chance para esse filme tristonho e cômico.</span></p>
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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-pai-mae-irma-irmao/">Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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