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	<title>Arquivos Ginnifer Goodwin &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Ginnifer Goodwin &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 18:18:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcela Jardim Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-zootopia-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_36506" aria-describedby="caption-attachment-36506" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36506" class="wp-caption-text">A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de quase uma década da primeira produção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (</span><a href="https://personaunesp.com.br/once-upon-a-time-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Ginnifer Goodwin</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Nick Wilde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/air-a-historia-por-tras-do-logo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jason Bateman</span></a><span style="font-weight: 400;">), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.</span></p>
<p><span id="more-36504"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica clássica entre </span><a href="https://br.ign.com/zootopia-2/148673/news/quimica-inegavel-diretores-de-zootopia-2-nao-descartam-possivel-romance-entre-judy-hopps-e-nick-wild"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> permanece a mesma: a policial certinha, disciplinada, que acredita que ética pode mover montanhas, e o malandro afiado que conhece a cidade de dentro do caos. Esse contraste volta como motor narrativo, acentuado pelas diferenças da dupla, levando os personagens até uma ‘terapia de casal’, brincando com a intertextualidade da dupla funcionar quase como um casal que evita admitir isso. As sessões de treinamento emocional obrigatórias, recheadas de frases prontas e referências à linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">coaching</span></i><span style="font-weight: 400;">, parecem tiradas diretamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneos sobre relacionamentos, masculinidade, vulnerabilidade e comunicação não violenta. A produção entende e referencia a cultura atual, além de se divertir com ela.</span></p>
<figure id="attachment_36505" aria-describedby="caption-attachment-36505" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena apresenta três personagens: um gato cinzento (Patalberto), uma coelha (Judy) e uma cobra azul (Gary), todos expressando forte surpresa diante de algo fora do quadro. O enquadramento próximo destaca rostos e ombros, reforçando o choque nas expressões. A iluminação suave e o fundo desfocado mantêm o foco nos personagens: o gato com casaco verde e mochila laranja, a coelha com casaco azul marinho e olhos arregalados, e a cobra azul com olhos amarelos e língua bifurcada. O estilo segue a estética típica da Disney, com texturas detalhadas e cores vibrantes. A luz quente sugere um pôr ou nascer do sol, criando um clima de suspense e antecipação sobre o que eles estão observando." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36505" class="wp-caption-text">Uma continuação foi considerada ainda em 2016, ano de lançamento do primeiro filme, pelos diretores (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro aproveita esse tom próprio para explorar o tema das diferenças culturais de maneira ainda mais explícita. A relação entre espécies retorna como metáfora para choques culturais, formas de comunicação distintas e conflitos de convivência. Isso fica evidente nas sequências envolvendo o sistema de metrô e os enormes canos suspensos, que remetem à </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/brasil/urbanizacao.htm"><span style="font-weight: 400;">urbanização problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cidades como Nova Iorque e São Paulo. A mensagem é clara: convivência multicultural exige adaptação e respeito, algo que ecoa também no subtexto sobre como imigrantes e estrangeiros construíram boa parte da infraestrutura dos Estados Unidos, porém raramente são creditados por isso. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, até mesmo a engenharia urbana vira comentário político.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o filme abraça a estética contemporânea ao inserir referências a outros clássicos da animação, incluindo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iryIGZlE5B4"><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), onde um animal chefe de cozinha aparece com um rato na cabeça. Por outro lado, há também um paralelo direto com casos de plágio corporativo, propriedade intelectual e o eterno embate entre criatividade e capitalismo. O antagonismo, aliás, é mais profundo do que vilões caricatos: o verdadeiro mal aqui são os ricos poderosos, donos de terras, donos de marcas, donos de narrativas. O longa toca em eugenia de forma crítica, denunciando discursos que tentam justificar a exclusão de certas espécies, como os répteis e aves, sob a desculpa de ‘ordem natural’.</span></p>
<figure id="attachment_36507" aria-describedby="caption-attachment-36507" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps remando juntos em um barco, ambos surpresos e em alerta enquanto atravessam um rio pitoresco. O plano médio destaca a parceria dos dois, que seguram os remos lado a lado e reagem a algo inesperado no ambiente. Nick, com sua pelagem laranja e camisa rosa florida, exibe preocupação, enquanto Judy, com colete azul e olhar atento, parece assustada. A arte digital segue o estilo vibrante da Disney, com texturas detalhadas nos personagens e na água. O cenário de pântano ou rio, cercado por vegetação e construções charmosas, iluminado por luz natural, cria um clima de aventura e antecipação." width="768" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-36507" class="wp-caption-text">Shakira compôs uma música original para o filme, chamada Zoo, em parceria com Ed Sheeran (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais simbólicos é a quebra da caneta de cenoura, aquele dispositivo icônico que salvou </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/qual-relacao-entre-judy-e-nick-em-zootopia-2"><span style="font-weight: 400;">Judy e Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> no primeiro filme. Aqui, ela se parte ao meio como metáfora da fragmentação da confiança, da amizade e dos pactos que sustentavam a dupla. É uma ruptura silenciosa, mas emocionalmente densa, que representa a pressão externa corroendo vínculos afetivos. A obra trata essa cena com a delicadeza de quem entende que relações, sejam de trabalho ou amorosas, não quebram de uma vez, e sim racham, desfiam, se desgastam até que o objeto simbólico finalmente cede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A volta da cantora Gazelle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/las-mujeres-ya-no-lloran-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shakira</span></a><span style="font-weight: 400;">) reforça o espírito pop da franquia, agora com mais aparições e um discurso mais politizado que acompanha o próprio retorno da artista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente do primeiro, em que surgia praticamente apenas no número musical, Gazelle aqui participa efetivamente da narrativa e ganha cenas que ampliam sua presença no universo animal. Em outra face, Nibbles Castanheira (Fortune Feimster), a castora </span><i><span style="font-weight: 400;">podcaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> de teorias da conspiração, e Gary A’Cobra (</span><a href="https://personaunesp.com.br/passagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ke Huy Quan</span></a><span style="font-weight: 400;">), injustamente acusado como vilão, funcionam como alívios cômicos bem calibrados dentro da trama. Diferente de coadjuvantes que pesam ou desviam o foco, eles não soam saturados ou inconvenientes, são personagens autênticos, com personalidades próprias, cuja comicidade nasce da narrativa e não de exagero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o retorno de Bellwether (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Slate</span></a><span style="font-weight: 400;">) e do preguiça Flecha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wi-fi-ralph-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raymond S. Persi</span></a><span style="font-weight: 400;">) cria um contraste cômico e nostálgico essencial à narrativa. Bellwether aparece na penitenciária e tenta fugir de Zootopia, enquanto Flecha ajuda Nick a salvar Judy, usando sua velocidade nas estradas. Em outra vertente, o longa mergulha nas discussões sobre saúde mental ao mostrar Judy lidando com crises de ansiedade diante de padrões inalcançáveis, enquanto Nick enfrenta o fantasma de nunca ser plenamente visto além da imagem de trambiqueiro. A própria cidade surge como um organismo exausto, adoecendo sob o peso das desigualdades e das pressões constantes do cotidiano urbano.</span></p>
<figure id="attachment_36508" aria-describedby="caption-attachment-36508" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png" alt="Cena de Zootopia 2. A cena mostra Judy Hopps, Nick Wilde e Gary A’Cobra em um momento tenso no topo de uma montanha, reagindo com surpresa e medo enquanto uma serpente azul interage com eles. O enquadramento dinâmico acentua a altura e o perigo, com Judy em uniforme policial e Nick em sua camisa rosa florida, ambos com expressões de choque. A serpente azul, curiosa, ocupa o centro da composição. A arte digital segue o estilo típico da Disney/Pixar, com cores vibrantes, texturas detalhadas e iluminação natural. O cenário montanhoso, com penhascos, névoa e uma casa de madeira, reforça a atmosfera dramática e de suspense." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36508" class="wp-caption-text">A cena pós crédito da produção indica a volta de aves em Zootopia (Foto: Walt Disney Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme reforça, com sensibilidade, que </span><i><span style="font-weight: 400;">“um animal sozinho não pode carregar o mundo nos ombros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase funciona como um manifesto contra o conceito de hiperindividualização neoliberal que molda a vida real e aparece traduzida em metáforas urbanas, pressões de trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">burnout </span></i><span style="font-weight: 400;">e na necessidade de apoio comunitário. Essa discussão ganha ainda mais força quando o vilão disfarçado, Patalberto Linceslei (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), é revelado como um antagonista movido não por ambição pura, mas por um desejo desesperado de aprovação familiar, algo que expõe o impacto psicológico das expectativas sociais e afetivas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z-C1VtXQr6o"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma sequência que tenta se justificar, se reafirmar e se provar. E justamente por assumir essa busca por pertencimento é que funciona tão bem como obra da atualidade: ele é ansioso, hiperconectado, cheio de referências, autoconsciente, vulnerável e politizado. Assim como Judy e Nick, a própria animação tenta encontrar seu lugar num mundo saturado de narrativas, e talvez seja exatamente essa honestidade que o torna tão necessário.</span></p>
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		<title>Uma década depois, toda a magia de Once Upon a Time veio com um preço</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 13:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Em 2011, Once Upon a Time trazia uma premissa em efervescência: a retomada dos contos clássicos. Conhecidas histórias ganharam remakes, como A Garota de Capa Vermelha e A Fera. O clima era promissor para que seu sucesso alavancasse e, sem dúvidas, foi essencial para a constituição das demais temporadas. Porém, como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/once-upon-a-time-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década depois, toda a magia de Once Upon a Time veio com um preço"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24027" aria-describedby="caption-attachment-24027" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-OUAT-1.jpg" alt="Capa retangular da série Once Upon a Time. O cenário é uma floresta sombria, com árvores de troncos finos e altos. Ao fundo, sai uma luz azulada clara iluminando o título em letras maiúsculas, ao centro, em prata. A palavra Once está no meio, Upon a está dentro da letra C e Time substitui o traço do meio da letra E. " width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-24027" class="wp-caption-text">Os criadores Adam Horowitz e Edward Kitsis escreveram a série em 2004 antes de fazerem parte da equipe de roteiro de Lost, mas só depois da finalização deste seriado que eles se dedicaram ao primeiro projeto (Foto: ABC)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Paes de Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2011, </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> trazia uma premissa em efervescência: a retomada dos contos clássicos. Conhecidas histórias ganharam </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_eCn-BB3K-I"><i><span style="font-weight: 400;">A Garota de Capa Vermelha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QqSgrK8lLl0"><i><span style="font-weight: 400;">A Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O clima era promissor para que seu </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/temporadas/as-10-series-de-maior-audiencia-da-temporada-2011-2012/"><span style="font-weight: 400;">sucesso alavancasse</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, sem dúvidas, foi essencial para a constituição das demais temporadas. Porém, como tudo que é bom dura pouco, a ganância falou mais alto, e a série, que já dava indícios de tribulações, viu seu fiasco bater na porta. É por isso que, após 10 anos, lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez </span></i><span style="font-weight: 400;">é um misto de tristeza com felicidade. </span></p>
<p><span id="more-24023"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, somos apresentados à cidade fictícia de Storybrooke, cujos moradores são os personagens de várias histórias de fantasia. Por causa de uma maldição, eles não se lembram de quem são de verdade e passam a viver adaptados no mundo real. Sob o comando, está a prefeita Regina Mills (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dT3JCoHRcmI"><span style="font-weight: 400;">Lana Parrilla</span></a><span style="font-weight: 400;">), mais conhecida como a Rainha Má e progenitora do feitiço. A única solução que seu filho, Henry (Jared S. Gilmore), se depara para quebrar o encanto e liberar todos os residentes, é tentar encontrar Emma (</span><a href="https://personaunesp.com.br/how-i-met-your-mother-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Morrison</span></a><span style="font-weight: 400;">) &#8211; filha da Branca de Neve (</span><a href="https://personaunesp.com.br/por-que-as-mulheres-matam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ginnifer Goodwin</span></a><span style="font-weight: 400;">) e do Príncipe Encantado (</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/dia-dos-namorados-cinco-casais-que-se-conheceram-no-set-e-estao-juntos-ate-hoje-59191"><span style="font-weight: 400;">Josh Dallas</span></a><span style="font-weight: 400;">) -, a qual foi chamada de Salvadora. </span></p>
<figure id="attachment_24028" aria-describedby="caption-attachment-24028" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-OUAT.png" alt="Cena de um episódio de Once Upon a Time. O cenário é uma estrada, cercada de matas bem fechadas em torno, como se engolissem o caminho. Está bem escuro, ao fundo, é possível ver uma luz branca de um poste. No lado direito da imagem, próxima a câmera, está uma placa retangular e verde indicando Leaving Storybrooke. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-OUAT.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-OUAT-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-OUAT-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24028" class="wp-caption-text">Os episódios são construídos mesclando o presente e o passado, mostrando a vida dos personagens na Floresta Encantada e em Storybrooke (Foto: ABC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com poucas mudanças dos contos de fadas, os personagens correspondem às nossas expectativas. Os atores são muito envolvidos com a construção de seus papéis e demonstram muita desenvoltura para cargas dramáticas quanto para picos de alegria. Contudo, não é pelos heróis que as histórias realmente valem a pena. Muitas vezes, eles são os que possuem o enredo menos instigante, até porque a maioria do público já conhece suas vidas de cor e salteado. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, são os vilões que merecem o grande destaque, especialmente Regina Mills e Zelena (Rebecca Mader), duas bruxas extremamente surpreendentes. Por causa disso, é a partir da segunda temporada que o clima começa a ficar bom. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois da maldição quebrada, a magia volta à Storybrooke, e o poderoso Sr. Gold (Robert Carlyle), dono do </span><a href="https://onceuponatime.fandom.com/pt-br/wiki/Rumplestiltskin"><span style="font-weight: 400;">nome mais indecifrável da história</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz mais problemas para a cidade. Além disso, novos personagens nos são apresentados, como a belíssima Cora (Barbara Hershey) &#8211; que além de ser mãe de Regina é a Rainha de Copas (sim, confuso) &#8211; e o maravilhoso Killian Jones (Colin O’Donoghue), mais conhecido como Capitão Gancho. Como num ciclo, mais personagens entram no drama e descobrimos suas vidas a cada episódio, por meio dos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">da Floresta Encantada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o ápice de toda a série se encontra na terceira temporada, em que vamos navegar em mares da Terra do Nunca. Esqueça o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SyYESEvDNIg"><span style="font-weight: 400;">estereótipo de Peter Pan</span></a><span style="font-weight: 400;"> que você tem em mente e foque no que </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a dizer. Ao contrário do garoto infantil meio bobo que as animações nos apresentaram, a série de Adam Horowitz e Edward Kitsis explora um olhar mais maligno para o personagem, interpretado por Robbie Kay. Ele anseia pela juventude, mas também por exercer seu poder sob todos. Os meninos perdidos acabam se tornando seus capangas, já que temem sua autoridade e as consequências de qualquer um de seus deslizes. Como em um universo muito mais fascinante, caímos nas garras dos vilões dos contos de fada. </span></p>
<figure id="attachment_24026" aria-describedby="caption-attachment-24026" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-OUAT.gif" alt="Gif do ator Colin O’Donoghue. Ele é branco, possui olhos azuis claros, cabelos curtos pretos com costeletas e barba e bigode curto. Ele está sério e veste uma jaqueta de couro preta. Ele olha o horizonte com uma luneta dourada com detalhes em preto sob o olho esquerdo. Depois, ele a abaixa e olha tristemente para frente. Ao fundo, está uma construção branca com várias janelas retangulares. " width="500" height="200" /><figcaption id="caption-attachment-24026" class="wp-caption-text">As definições de amor da minha vida foram atualizadas para Killian Jones (GIF: ABC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do universo de Storybrooke, os personagens conseguem espaço para evoluir, deixando para trás as características específicas de cada história. É o caso de Ruby (Meghan Ory), a Chapeuzinho Vermelho ou, para os íntimos, Red. Seu desenvolvimento é maravilhoso visto em tela, ainda mais depois de ser parte do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2016/04/18/interna_diversao_arte,527978/once-upon-a-time-apresenta-primeiro-casal-gay-da-serie.shtml"><span style="font-weight: 400;">relacionamento mais inesperado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de toda a série. Fora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, os atores também puderam ter a chance de brilhar e encontrar seu caminho. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DEwIt4amgq4"><span style="font-weight: 400;">Jamie Dornan</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu seus primeiros passos com o papel do Caçador da Branca de Neve, enquanto </span><a href="https://www.armaduranerd.com.br/2020/09/conheca-ji-ah-personagem-jamie-chung-lovecraft-country-serie-hbo.html"><span style="font-weight: 400;">Jamie Chung</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LoIf6IfV9zk"><span style="font-weight: 400;">Emilie de Ravin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já haviam debutado em filmes anteriores, consolidaram personagens marcantes da infância,  </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mulan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><span style="font-weight: 400;">Bela</span></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A falha da série é inventar uma maldição cada vez que a anterior é quebrada. Em um </span><i><span style="font-weight: 400;">looping </span></i><span style="font-weight: 400;">infinito de feitiços, mais personagens são inseridos na trama e temos que ficar sabendo ainda mais sobre suas vidas &#8211; uma eterna roda de fofocas. Além disso, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8b8J-_jRDAg"><span style="font-weight: 400;">árvore genealógica da família principal</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma eterna confusão e, no fundo, todo mundo é parente de todo mundo. E com o sucesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen &#8211; Uma Aventura Congelante </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Valente</span></i><span style="font-weight: 400;">, é óbvio que os universos de Anna (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=prEl9IHo1aQ"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Lail</span></a><span style="font-weight: 400;">), Elsa (Georgina Haig) e Kristoff (Scott Michael Foster) e de Mérida (</span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/em-once-upon-a-time-na-5-temporada-merida-amy-manson-e-destaque-em-novo-poster/18185"><span style="font-weight: 400;">Amy Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">) cruzaram com o de Storybrooke. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daqui para frente, os enredos passaram a ser cada vez mais reciclados. Personagens aleatórios começaram a surgir (quem achou que a ideia de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SuiZsKXbwKo"><span style="font-weight: 400;">Submundo de Hades</span></a><span style="font-weight: 400;"> faria sentido?) e desgastar o seriado por completo. Até mesmo um </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off </span></i><span style="font-weight: 400;">resolveu aparecer no País das Maravilhas com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7DPj3vR5d9k"><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time in Wonderland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas nem a brilhante atuação de Chapeleiro Louco de </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sebastian Stan</span></a><span style="font-weight: 400;"> na primeira temporada da série original serviu para fazer parte desse produto, de tão desastrosa que foi essa sequência. </span></p>
<figure id="attachment_24025" aria-describedby="caption-attachment-24025" style="width: 695px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-4-OUAT.gif" alt="Gif retangular de uma cena de Once Upon a Time. Regina está falando com outra uma mulher branca com um penteado que deixa um cacho caído do lado direito. Regina é branca, de cabelos pretos compridos presos num penteado. Ele está de maquiagem preta nos olhos, bem marcado. Ela usa um brinco prata comprido e fino e veste uma túnica roxa escura com golas bem altas, próximas à orelha. Na parte inferior, está escrito After all, love is weakness em letras brancas. " width="695" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-24025" class="wp-caption-text">Ainda que os efeitos especiais não fossem os melhores, a atuação de Lana Parrilla era impecável: “E no final de tudo, o amor é uma fraqueza” (Foto: ABC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como diria a premissa de todo o seriado, toda a magia vem com um preço. E esse preço veio bem caro, com cheiro de batata podre, na sétima temporada. Os criadores poderiam muito bem </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;fechar no versinho&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> até a sexta, já que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2017/05/seis-atores-deixam-nova-temporada-de-once-upon-time.html"><span style="font-weight: 400;">metade do elenco principal se despediu de seus personagens</span></a><span style="font-weight: 400;">. Fora que, o último episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha Final,</span></i><span style="font-weight: 400;"> já deixava bem nítido que não havia a necessidade de mais uma parte. Com a premissa de (adivinhem) uma nova maldição, o foco agora é com Henry já crescido (Andrew J. West), tomando o lugar de sua mãe como o novo Salvador. A história iria se repetir e, como já era esperado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time </span></i><span style="font-weight: 400;">finalizou com um </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2018/02/once-upon-time-e-cancelada-em-sua-7a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">fracasso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo com as tentativas de reintroduzir os atores queridos pelos fãs. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desgosto que o final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe não tem como reverter. A única solução é ficar com os bons momentos, com o frio na barriga a cada reviravolta, ficar pensando quando a próxima temporada será lançada e acompanhar os episódios semana a semana pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Torcer ora para o vilão e ora para o herói. </span><i><span style="font-weight: 400;">Toda a magia tem um preço</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, sinceramente, ter acompanhado a série desde o início e viver o seu auge, foi um sentimento que adaga alguma é capaz de controlar no coração de milhares de fãs. </span></p>
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		<title>Por que as Mulheres Matam é um vício insaciável</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2021 03:06:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos 3 gerações. A mesma casa. É assim que conhecemos a história de Porque as Mulheres Matam, nova série de Marc Cherry (também criador de Desperate Housewives  e Devious Maids). A produção conta a história de três esposas em diferentes épocas cujas histórias têm algo em comum: a infidelidade e como elas reagem a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/por-que-as-mulheres-matam-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Por que as Mulheres Matam é um vício insaciável"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18467" aria-describedby="caption-attachment-18467" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-1.jpg" alt="Foto promocional da série Por que as Mulheres Matam. Fotografia com fundo branco. No lado esquerdo a atriz Ginnifer Goodwin, mulher branca, intérprete da personagem Beth Ann vestindo um vestido verde. No centro a atriz Lucy Liu, mulher asiática branca, que interpreta Simone de vestido rosa e colar de pérolas. No lado direito a atriz Kirby Howell-Baptiste, mulher negra, que dá vida a Taylor de vestido e casaco azul." width="1024" height="759" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-1-300x222.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-1-768x569.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18467" class="wp-caption-text">As três protagonistas de Por que as Mulheres Matam: Beth Ann, Simone e Taylor (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">3 gerações. A mesma casa. É assim que conhecemos a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Porque as Mulheres Matam,</span></i><span style="font-weight: 400;"> nova série de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GMZWLKlmda4"><span style="font-weight: 400;">Marc Cherry</span></a><span style="font-weight: 400;"> (também criador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Desperate Housewives</span></i><span style="font-weight: 400;">  e </span><i><span style="font-weight: 400;">Devious Maids)</span></i><span style="font-weight: 400;">. A produção</span> <span style="font-weight: 400;">conta a história de três esposas em diferentes épocas cujas histórias têm algo em comum: a infidelidade e como elas reagem a ela. O diretor que sempre colocou as mulheres em destaque nas suas produções, surge novamente com uma antologia viciante, perspicaz e também divertida.</span></p>
<p><span id="more-18466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura da série inspirada em quadrinhos mórbidos de esposas matando seus maridos é embalada pela lindíssima voz de </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/frank-sinatra/"><span style="font-weight: 400;">Frank Sinatra</span></a><span style="font-weight: 400;"> cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tmSzRx9RYLk"><i><span style="font-weight: 400;">L.O.V.E.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além dos créditos iniciais, a série tem uma direção de arte invejável, roteiro empolgante e </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists </span></i><span style="font-weight: 400;">bem interessantes, mas além da grande produção por trás das câmeras, podemos também destacar as excelentes atuações de seu elenco, especialmente das protagonistas. Beth Ann, interpretada pela Ginnifer Goodwin (de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=76sMxs6HwXs"><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon A Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), é uma típica dona de casa dos anos 60, que descobre a traição de seu marido Rob (Sam Jaeger) com uma garçonete local e tenta fazer de tudo para conquistá-lo de volta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A situação fica mais complicada quando Beth Ann decide se tornar amiga de April (Sadie Calvano) – amante do seu marido –  a fim de tentar convencê-la a largar dele. Desta amizade cercada de interesses por parte da esposa, a garçonete descobre estar grávida, o que deixa Beth Ann mais abalada ao relembrar de um acidente fatal que levou sua filha. Conforme a história segue, Beth Ann se vê encurralada entre uma amizade sincera e um casamento infeliz, com o </span><a href="https://www.jb.com.br/pais/artigo/2020/02/1022313-evolucao-e-involucao-do-direito-de-familia.html#:~:text=Nos%20anos%2060%2C%20apesar%20de,Os%20desquitados%20eram%20muito%20discriminados."><span style="font-weight: 400;">tabu do divórcio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (algo muito presente nesta época), a morte de Rob parece ser a única saída encontrada por ela para pôr fim nesta história.</span></p>
<figure id="attachment_18468" aria-describedby="caption-attachment-18468" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-2.jpg" alt="Cena da série Por que as Mulheres Matam. No lado esquerdo a personagem Beth Ann, vivida por Ginnifer Goodwin, veste um vestido azul de seda, é branca e tem cabelo ruivo e curto. Ao seu lado está o ator Sam Jaeger, também branco, intérprete do personagem Rob, marido de Beth Ann vestindo um terno marrom claro, camisa branca e gravata com cabelo castanho curto. " width="620" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-2.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-2-300x203.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18468" class="wp-caption-text">Beth Ann e seu marido infiel Rob na festa de inauguração da nova casa deles (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história de Simone, interpretada pela irretocável Lucy Liu (de</span> <a href="https://medium.com/spoilerstvbr/porque-joan-watson-faz-elementary-merecer-sua-aten%C3%A7%C3%A3o-85ca95e7ddbe"><i><span style="font-weight: 400;">Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) –  em um dos melhores papéis de sua carreira –, ela é esposa de Karl (Jack Davenport) uma socialite dos anos 80, elegante e espalhafatosa, que descobre por acaso a traição de seu marido com outro homem. Entretanto, devido ao seu amor incondicional por Karl e também para não causar escândalo – e evitar um 4º divórcio –, ela decide manter as aparências para a sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ela não previu é que o filho de sua amiga Naomi (Katie Finneran) nutre uma paixão genuína por ela. Tommy (Leo Howard) se declara para Simone e, quanto mais ela tenta escapar deste relacionamento com alguém muito mais novo, mais envolvida ela fica, o que rende cenas cômicas entre os dois. O pulo no tempo de uma geração para outra dentro do mesmo episódio se torna algo bem trabalhado na narrativa e na direção de arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo elementos próprios das épocas, o que não incomoda pois tudo é muito bem escorado no roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Por que as Mulheres Matam</span></i><span style="font-weight: 400;">, deixando fácil acompanhar as 3 histórias simultaneamente. O drama, o mistério e o humor ácido formam uma combinação matadora que empolga, e a construção dos personagens secundários é bem desenvolvida, o que contribui ainda mais para a qualidade da série e também a resolução </span><i><span style="font-weight: 400;">de Kill Me as If It Were the Last Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, o último episódio da temporada.</span></p>
<figure id="attachment_18469" aria-describedby="caption-attachment-18469" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3.jpg" alt="Cena da série Por que as Mulheres Matam. No centro da cena Simone, interpretada por Lucy Liu, é asiática, veste um vestido de manga longa preto e branco, e cabelos pretos presos em um coque. Atrás dela está Leo Howard, que vive Tommy, amante de Simone. Um homem branco, vestindo um terno branco com bordas pretas, calça preta e cabelo castanho e curto em um topete." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18469" class="wp-caption-text">Simone e seu amante – bem mais novo que ela – Tommy, filho de sua melhor amiga (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da 3ª protagonista se passa no tempo atual, precisamente no ano de 2019. E conta a história de Taylor, vivida por Kirby Howell-Baptiste (de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Killing Eve</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) uma advogada, ativista e bissexual, com seu marido Eli (Reid Scott), que é escritor. Os dois mantêm um casamento aberto com uma única regra: ambos não devem se envolver emocionalmente com seus parceiros exteriores. Apesar disso, tudo muda quando Taylor traz sua nova conquista, Jade (</span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-156830/"><span style="font-weight: 400;">Alexandra Daddario</span></a><span style="font-weight: 400;">) para morar com eles temporariamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chegada de Jade desperta algo em Eli e a relação se torna a três. Tudo é diversão, até o homem perceber a intimidade de sua esposa com a moça. Isso o deixa aflito e com medo de perder Taylor. Do outro lado da moeda, Jade – que saiu de um relacionamento conturbado – se aproxima muito de Eli quando Taylor não está por perto, e assim eles iniciam um caso à dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A manipulação de Jade em Eli é profunda, o que traz à tona um lado sombrio e dependente dele, que se revolta contra a própria esposa. E quando todos descobrirem os segredos que Jade esconde, pode ser tarde demais. O enredo do trisal talvez seja o com menor fôlego, no entanto, os </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists </span></i><span style="font-weight: 400;">que carregam a história até o fim são bem interessantes.</span></p>
<figure id="attachment_18470" aria-describedby="caption-attachment-18470" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-4.jpg" alt="Cena da série Por que as Mulheres Matam. No lado esquerdo está a personagem Jade, interpretada por Alexandra Daddario. É uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos castanhos na altura dos ombros. Ela veste uma blusa branca de renda. No centro da imagem está Eli, vivido por Reid Scott, um homem branco de cabelos e barba pretos, usando uma camiseta cinza com um casaco verde militar por cima. Na lateral direita temos Taylor, interpretada pela atriz Kirby Howell-Baptiste. Uma mulher negra de cabelos pretos encaracolados soltos, vestindo uma blusa branca e um casaco de couro vinho e preto por cima." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-4-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-4-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/foto-4-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18470" class="wp-caption-text">Jade, a manipuladora, Eli, o manipulável e Taylor, a heroína (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série se torna algo viciante pois, ao fim de cada episódio o espectador anseia por mais até a chegada pela resolução final. E quando esta acontece, é de uma forma tão especial e requintada em formato de uma dança, numa sequência bem executada. É impossível não se chocar com as surpresas preparadas para concluir as histórias e também saber como serão a vida delas dali em diante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de assuntos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><span style="font-weight: 400;">feminismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://medium.com/@urielribeiro/precisamos-falar-sobre-n%C3%A3o-monogamia-625636e91c69"><span style="font-weight: 400;">não-monogamia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Porque as Mulheres Matam</span></i><span style="font-weight: 400;"> convence em mostrar como as mulheres lidam com suas próprias complexidades e quais os limites que cada uma ultrapassa quando se trata da traição. Apesar de trazer estereótipos já explorados pela mídia, como a descoberta do marido gay e a traição no casamento, a ressignificação constante das histórias e a fuga do clichê é o que a difere de outras do mesmo gênero. A série, original da </span><i><span style="font-weight: 400;">CBS All Access</span></i><span style="font-weight: 400;">, é digna de maratona, conta com dez episódios e está disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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