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	<title>Arquivos Frankenstein &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 15:20:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do stop motion à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. Frankenstein, que faz parte da seção Apresentação Especial na 49ª Mostra Internacional &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/frankenstein-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35970" aria-describedby="caption-attachment-35970" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35970" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Frankenstein Na imagem, o personagem Frankenstein está no canto direito, olhando para a mesma direção, com o rosto virado. Ele veste um casaco de pele escura e capuz. No rosto, ele usa uma faixa que cobre boca e nariz. Pequenos flocos de neve caem. Sua pele tem tom esverdeado e possui costuras. Na esquerda, uma luz laranja ilumina o personagem, que está em um cenário noturno. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-3.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35970" class="wp-caption-text">O filme foi exibido no Festival de Veneza e recebeu 14 minutos de aplausos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i><span style="font-weight: 400;">, que faz parte da seção Apresentação Especial na <a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a>, prossegue a parceria de Guillermo del Toro com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais um filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> que adapta um clássico da literatura sobre um ser trazido à vida com todos os símbolos que remetem ao Cinema do artista. </span><span id="more-35969"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, à medida que o cineasta, que assina a produção e o roteiro, articula seu estilo e sua visão sobre a obra, também tenta manter-se fiel à trama e aos subtextos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, diante disso, assim como um escultor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-man-a-historia-de-robbie-williams-critica/"><span style="font-weight: 400;">cinebiografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de astros da música, o diretor se atrapalha entre tantas ideias disponíveis, pincelando passagens importantes com pouquíssima profundidade. Não se trata da relevância existir somente no livro, mas para a própria história do longa – ora, se del Toro escolheu para as telas tal capítulo, ele o considera importante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo se divide em três partes: Prelúdio, A história de Victor Frankenstein e a versão do monstro. Nesta última, há a tentativa de se aprofundar no personagem interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">, contudo a escolha da </span><i><span style="font-weight: 400;">voz over</span></i><span style="font-weight: 400;"> para narrar a descoberta do mundo, da humanidade, do amor e da violência acaba por apressar a relação de Frankenstein com seu redor e, portanto, com o público também. A culpa do criador, a tragédia que cai sobre a família do cientista e a solidão da criatura são elementos postos na trama que soam apenas como um aceno aos fãs da literatura, sem atingir o âmago do espectador. </span></p>
<figure id="attachment_35971" aria-describedby="caption-attachment-35971" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Frankenstein Na imagem, Elizabeth olha com surpresa para á frente. Ela veste um vestido branco de noiva e um terço vermelho no pescoço. O vestido é bem volumoso e possui detalhes em prata na região da clavícula. A cena é noturna, se passa num quarto, atrás dela há uma porta com janelas de vidro. Elizabeth é uma mulher branca, na faixa dos 35 anos, de cabelos longos na cor ruiva. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-2.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35971" class="wp-caption-text">A joalheria Tiffany &amp; Co. fez uma parceria com a Netflix para promover o filme e a marca (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Datado de 1818, o texto da britânica é extremamente melancólico e autodepreciativo. O monstro, Victor e o capitão Robert Walton, os três narradores do romance, são embargados por uma escrita poética e falas sobre solidão, que afluem em dilemas sociais do século XIX – embora a narrativa tenha conseguido resistir ao tempo e se </span><a href="https://orathiago.com/blog/frankenstein-um-monstro-no-armario"><span style="font-weight: 400;">atualizar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse exagero respira o </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-colina-escarlate/"><span style="font-weight: 400;">Cinema do mexicano</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rebusca o sentimentalismo em suas obras, seja pelas trilhas sonoras, as fotografias com baixa luz ou até pelos roteiros que sempre deixam bem claro, até pela exposição nos diálogos, as metáforas e subtextos, com pouca </span><a href="https://www.facebook.com/diversidadnerd/posts/o-que-voc%C3%AA-interpreta-dessa-cena-do-pin%C3%B3quio-de-guillermo-del-toro-acho-que-ela-/1078207834109279/"><span style="font-weight: 400;">sutileza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O roteirista vai direcionar a principal questão do longa para os </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um movimento bem presente em Hollywood. Conflitos éticos da ciência são substituídos pela narrativa de um filho que não atende às expectativas do pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, se a falta de discrição está presente, os visuais expressivos da filmografia do diretor estão em eclipse. Há um ou outro elemento no cenário que chama atenção, a maioria das cenas remete ao Tim Burton em sua pior fase, a partir de 2010. Nada é tão marcante quanto o Homem Pálido em </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-labirinto-do-fauno-dez-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Labirinto do Fauno</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006) e o Homem-Anfíbio em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), ambos personagens interpretados por Doug Jones. A aparência do Frankenstein se associa mais às descrições de Mary Shelley, um homem alto, forte, de cabelos escuros e pele pálida, em relação ao </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/120132-frankenstein-por-que-o-monstro-ganhou-a-cor-verde-nos-filmes.htm"><span style="font-weight: 400;">clássico de 1931</span></a><span style="font-weight: 400;">, eternizado no imaginário coletivo por Boris Karloff. Talvez tenha uma funcionalidade maior no filme, tanto para valorizar as expressões de Jacob Elordi quanto para a reiterar a rejeição de Victor, que é muito mais sobre a inteligência do que aparência. Contudo, ainda que seja cedo para cravar, isto tem um preço: não entrará para a história. </span></p>
<figure id="attachment_35972" aria-describedby="caption-attachment-35972" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-800x451.jpg" alt="Cena do filme FrankensteinNa imagem, o personagem Victor segura uma pequena bateria elétrica com a mão esquerda. Ele está em uma sala redonda com vários homens sentados olhando ele apresentar sua invenção. Ele está falando com bastante expressividade, os olhos arregalados e a mão esquerda apontando em direção a algo. Atrás dele, há uma luz que vem de cima e o ilumina. Victor veste um colete preto e uma camisa esvoaçada de mangas longas, uma roupa do século 19. Ele é um homem de pele clara, cabelos escuros na altura do pescoço e tem aproximadamente 45 anos. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-3.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35972" class="wp-caption-text">O filme vai estrear em alguns cinemas selecionados e depois vai para o streaming (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/cavaleiro-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Isaac</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Victor Frankenstein é trágico. del Toro tem uma visão específica sobre o protagonista, diferente de Shelley. Para a autora, ele soa como um </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/lord-byron-o-poeta-endiabrado-que-foi-o-primeiro-popstar-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">Lord Byron</span></a><span style="font-weight: 400;"> que carrega uma maldição, porém para o diretor, ele é um ser desprezível, mesquinho. Isaac é canastrão e parece um cientista louco, no sentido mais pobre do arquétipo. Pelo menos, Elordi e Mia Goth conseguem unir os dois aspectos que faltam no longa: sensações e estilo. A estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019-) passeia entre a inocência e a violência de forma adequada. Nos primeiros dias de vida da criatura, seu olhar e gestos se assemelham aos de uma criança, enquanto na fase adulta consegue trazer imponência com sua voz grave. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Elizabeth (<a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/">Mia Goth</a>) garante a elegância que remete ao romantismo, como se ela</span><span style="font-weight: 400;"> estivesse filmando uma adaptação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jane Austen</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas linhas de fala são exageradas e poéticas, assim como sua química com Frankenstein tem resquícios de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;"> – um caminho óbvio a se seguir e repetitivo na filmografia de del Toro, mas que talvez fosse o melhor a fazer. Sua trama é melodramática, é uma personagem que faz sacrifícios românticos, age como heroína e tem sua tragicidade. A Direção de Arte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata especialmente  as aparições de Elizabeth com mais ferocidade, injetando o exagero e o gótico; nelas há um retorno da ideia do que é ver um filme do cineasta mexicano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma invenção que não deu certo. Uma colcha de remendos de inspirações artísticas castradas, autoria no enredo misturado com fidelidade ao material original e atores que não parecem fazer o mesmo projeto, inclusive o estimado </span><a href="https://personaunesp.com.br/007-sem-tempo-para-morrer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christoph Waltz</span></a><span style="font-weight: 400;"> não está na sua melhor forma. É árduo não compará-lo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2024), de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=robert+eggers#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Robert Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;">, que foi humilde em assumir sua paixão pelo clássico de 1922 e não fez grandes mudanças, mantendo um trabalho mais coeso, inspirado e polêmico. </span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2024 18:11:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger “Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência”. Essas são as palavras de Bella Baxter em Pobres Criaturas após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano Pobres Criaturas de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Açúcar e violência: Pobres Criaturas é sobre devorar o mundo para experimentá-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32555" aria-describedby="caption-attachment-32555" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. A personagem Bella Baxter (branca e com os cabelos pretos e compridos até o quadril e as sobrancelhas cheias) está vestindo ombreiras grandes em azul claro sobre a blusa branca, combinadas com um shorts alto amarelo claro. A personagem olha para cima com um olhar curioso. Atrás dela, a cidade é decorada com o comércio de pães e outros alimentos na rua" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32555" class="wp-caption-text">Pobres Criaturas prova que histórias livres para imaginar, ousar e ser um pouco estranhas ainda movimentam audiências (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me aventurei e não encontrei nada além de açúcar e violência</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essas são as palavras de Bella Baxter em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">após andar pelas ruas de Lisboa sozinha, vendo o mundo com os próprios olhos pela primeira vez. Adaptado do romance vitoriano </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/02/21/books/review/poor-things-alasdair-gray-novel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Alasdair Gray, com o roteiro assinado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-great-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">, a nova obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um banquete sensorial. </span></p>
<p><span id="more-32551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cores vibrantes, arranjos musicais provocantes, caracterizações exageradas e elementos surrealistas de ficção científica, o longa é uma experiência audiovisual como nenhuma outra, principalmente diferente de qualquer coisa que vemos nas salas de cinema há tempos. Não à toa, está concorrendo ao troféu de Melhor Filme no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024, junto a outras 10 indicações, que também incluem Lanthimos em Melhor Direção e McNamara em Melhor Roteiro Adaptado. </span></p>
<figure id="attachment_32552" aria-describedby="caption-attachment-32552" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Preto e branco. Em meio a nuvens brancas, Bella Baxter caminha com uma mala de mão sobre uma ponte que se forma sustentada por cinco globos oculares gigantes" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32552" class="wp-caption-text">O visual surrealista e imersivo do filme te transporta para um universo fantástico durante as suas duas horas e vinte minutos de duração (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor tem um olho particularmente bom para reconhecer talentos e, mais do que isso, enxergar o potencial de um ator para ir onde ainda não teve a oportunidade de explorar. Essa não é a sua primeira colaboração com Emma Stone, que encarna a protagonista nada comum Bella Baxter. Ela teve um papel importante em </span><a href="https://youtu.be/7U6if0KGvIM?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2018, que também recebeu muita atenção das grandes premiações. Os dois trabalharam juntos novamente no curta-metragem </span><a href="https://www.carocineasta.com.br/2023/10/yorgos-lanthimos-e-emma-stone-sobre-o.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bleat</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022. É arrebatador o encontro entre dois criativos que falam a mesma língua e, assim, expandem a sua Arte com a parceria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretar Baxter garantiu à atriz a sua quarta indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> por atuação, concorrendo como uma das favoritas ao prêmio de </span><a href="https://www.vogue.com/article/2024-oscars-best-actress-race"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que pode significar sua segunda vitória. Stone participou da concepção do longa também como produtora executiva, o que coloca seu nome na corrida pelo troféu de Melhor Filme, sua quinta indicação da carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem é o resultado de um experimento do brilhante cientista Dr. Godwin Baxter, a quem ela se refere apenas como God &#8211; uma simbologia bem escancarada. O especialista, interpretado com maestria por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, se preocupa muito pouco com as considerações éticas envolvendo os seus projetos. Stone alcança um novo patamar em sua carreira ao desenvolver em detalhe, junto ao diretor, os modos de caminhar, se portar e falar de Bella do zero, para então se desprender deles de maneira tão orgânica que a criatura amadurece como uma nova mulher diante dos nossos olhos, sem percebermos a mudança abrupta. </span></p>
<figure id="attachment_32557" aria-describedby="caption-attachment-32557" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter está deitada em uma  maca de metaç, dos ombros para cima, com os olhos abertos e um olhar vazio. Sua cabeça está inserida em um meio globo transparente, conectando a metais e fios a personagem" width="950" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5.png 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image5-768x448.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32557" class="wp-caption-text">Stone compete pelo Oscar de Melhor Atriz com Annette Bening (NYAD), Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores), Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda) e Carey Mulligan (Maestro) (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Poor Things </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) se passa durante o século XIX, mas o compromisso assumido não é com a precisão histórica, e sim com a construção de um mundo através das lentes da visão da Bella, que está o conhecendo pela primeira vez. A distorção dos cenários e os demais efeitos conquistados pela fotografia de </span><a href="https://youtu.be/L-sZZzsVw0A?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Robbie Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de lentes amplas, com efeito olho de peixe, conversam com o </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-the-surreal-universe-of-poor-things"><span style="font-weight: 400;">design do set</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cores saltadas e elementos futuristas, criado pela direção de arte de James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek. Juntos, somam mais duas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas respectivas categorias: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos do filme também acompanham a evolução do arco da protagonista, o mais evidente sendo a transição do preto e branco da sua criação para o colorido vibrante das novas descobertas. Os figurinos extravagantes e cativantes de </span><a href="https://www.nytimes.com/2024/01/02/movies/emma-stone-bella-baxter-costumes-poor-things.html"><span style="font-weight: 400;">Holly Waddington</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trazem uma leitura moderna à moda da época, e as maquiagens e penteados de </span><a href="https://www.wallpaper.com/fashion-beauty/poor-things-hair-and-make-up-yorgos-lanthimos-film"><span style="font-weight: 400;">Nadia Stacey</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mark Coulier e Josh Weston são ferramentas para a expressão vibrante da personalidade e estado mental dos personagens ao longo do enredo. A trilha sonora de Jerskin Fendrix não é diferente: as composições se transformam e se expandem em complexidade conforme Bella amadurece e encontra o seu lugar no mundo como mulher. Todas essas categorias também foram notadas pela Academia e concorrem à premiação. </span></p>
<figure id="attachment_32553" aria-describedby="caption-attachment-32553" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Visão de baixo para cima da cidade de Lisboa no filme. Prédios altos e amarelados. Um transporte passa ao alto suspenso por fios entre os prédios. O céu azul claro é coberto por nuvens rosas" width="1600" height="966" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1536x927.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32553" class="wp-caption-text">Ryan e Lanthimos compartilharam em entrevista à Variety que construir Lisboa foi um de seus maiores desafios (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lanthimos definiu, em </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/noticia/2024/02/pobres-criaturas-de-yorgos-lanthimos-e-um-convite-a-experimentacao-da-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Vogue Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;"> como &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um filme sobre o que um ser humano é capaz de fazer em um novo começo, com uma tela em branco, e o que experimenta a partir daí de uma maneira diferente do que já foi feito</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Bella Baxter é uma personagem extremamente interessante de assistir por ser completamente livre de quaisquer convenções sociais ou morais. Por questionar tudo, ela expõe ao ridículo regras fúteis da sociedade ao seu redor, como as de etiqueta, e nos faz olhar para o modus operandi em que vivemos. A mulher-criança decide o que quer a partir do que lhe dá prazer e, fazendo isso, planta a pergunta em nós: o que está nos impedindo de fazer o mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, a protagonista esbarra em uma de suas descobertas mais fascinantes: </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2024/jan/30/poor-things-sex-scenes-intimacy-coordinator-elle-mcalpine-yorgos-lanthimos"><span style="font-weight: 400;">o orgasmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Começa como uma curiosidade sensorial, de revelação do próprio corpo e suas sensações de prazer, como uma jovem na puberdade com a inocência de acreditar que é a primeira a descobrir isso. Eventualmente, a sua busca se estende a outros corpos e as possibilidades ao se relacionar com eles, não só restritas ao desejo, mas também à vontade de conhecer de perto as inúmeras formas de relações interpessoais. </span></p>
<figure id="attachment_32554" aria-describedby="caption-attachment-32554" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Ao centro de um salão de festas, Bella Baxter dança com os braços para cima. A personagem está usando uma regata branca e uma saia longa rosa. Ao fundo, dois casais dançam e pessoas assistem sentadas em mesas de jantar" width="1999" height="1208" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-800x483.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1024x619.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-768x464.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1536x928.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1200x725.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32554" class="wp-caption-text">Bella Baxter arranca risadas falando sem filtro coisas que todos pensamos e não temos coragem de falar (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Duncan Wedderburn, personagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparece como uma porta para o mundo afora e seus deslumbres. Bella se deixa ser guiada pelo advogado arrogante em seus primeiros passos em direção à independência, mas não permite que ele determine o caminho. O horizonte de sua curiosidade se expande para além de sensações e momentos, através de livros e pessoas que, assim como ela, questionam o que é estabelecido. O relacionamento dos dois desmorona conforme ela aprende a andar com os seus próprios pés.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aí que, de repente, a criança é Duncan: birrento e perdido, representação de um homem que não só não está acostumado com frustrações, mas que também não consegue conceber em sua mente a noção de uma mulher que talvez queira experimentar o mundo, muito como o próprio, e não tenha interesse em se restringir às suas promessas, não importa o quão sinceras. O que Ruffalo conquista em cena é espetacular. A performance charmosa e hilária de um sedutor dramático é um dos pontos mais altos do filme, o que o levou ao reconhecimento muito merecido com a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://variety.com/feature/2024-oscars-best-supporting-actor-predictions-1235678122/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em defesa do galã desiludido, não é só Wedderburn que demonstra não saber como reagir a uma mulher como Bella. Quase todos ao redor da protagonista querem encontrar formas de controlá-la e moldá-la de acordo com suas crenças e interesses pessoais. Uma eventual exceção é o seu criador, God, que passa a abrir mão do controle sobre o seu experimento para deixá-la seguir sua própria caminhada. Com isso, ele se torna um pai ao qual ela retorna, como uma redenção de </span><a href="https://time.com/6344025/poor-things-frankenstein-mary-shelley-feminist/"><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o seu monstro. </span></p>
<figure id="attachment_32556" aria-describedby="caption-attachment-32556" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png" alt="Cena do filme Pobres Criaturas. Bella Baxter, vestida com camadas de tule rosa sobre os ombros, está sentada escrevendo algo sobre o colo. Duncan Wedderburn abraça a personagem de lado, olhando para ela enquanto ela não desvia o olhar para encará-lo de volta" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32556" class="wp-caption-text">“Eu estou tão cansado de ser tão bem comportado”: Ruffalo falou sobre sair da caixinha de bom moço para Deadline (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerne de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pobres Criaturas </span></i><span style="font-weight: 400;">é a quebra da ilusão, a saída da caverna para Bella. A vida é, sim, sobre doces deliciosos, viagens, dança e sexo, mas também é sobre violência, injustiça e miséria. Quando o amigo que ela conhece no cruzeiro, interpretado por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/rothaniel-reviewed-jerrod-carmichaels-vital-coming-out"><span style="font-weight: 400;">Jerrod Carmichael</span></a><span style="font-weight: 400;">, se revolta com a sua ingenuidade e decide a expor ao mundo real, ela experimenta a culpa. Até então ignorante a essa realidade, ela é colocada diante da parte feia do que torna o seu estilo de vida possível. Esse é um ponto crucial no seu desenvolvimento, o impulso necessário para começar a perceber as estruturas sobre as quais a sociedade se apoia e entender que conhecer a verdade pode ser doloroso, mas é o único caminho para a liberdade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pobres Criaturas | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9DEOJkmZLd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Rua do Medo: 1666 se lambuza nas entranhas do horror</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 13:53:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista A tarefa de finalizar uma franquia é um tanto quanto ingrata. A trilogia-relâmpago Rua do Medo, lançada em doses homeopáticas na Netflix, chega ao ápice revisitando o passado da maldita Sarah Fier, bruxa, áspera, pecadora. Para isso, a diretora Leigh Janiak retorna ao século dezessete, lar do paganismo, da culpa católica e do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1666-parte-3-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rua do Medo: 1666 se lambuza nas entranhas do horror"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21748" aria-describedby="caption-attachment-21748" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1.png" alt="Cena do filme Rua do Medo: 1666 - Parte 3. Na cena, vemos Deena e Sam se beijando. À direita, Deena é negra de pele clara, tem cabelos cacheados e usa uma regata amarela com detalhes listrado em azul, vermelho e amarelo. À esquerda, está Sam, branca e loira, usando jaqueta jeans. Elas estão em uma floresta com flores vermelhas ao redor." width="1920" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21748" class="wp-caption-text">Surfando na onda do horror queer, a retumbante trilogia Rua do Medo chega ao fim (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa de finalizar uma franquia é um tanto quanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ascensao-skywalker-critica/"><span style="font-weight: 400;">ingrata</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trilogia-relâmpago </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançada em doses homeopáticas na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega ao ápice revisitando o passado da maldita Sarah Fier, bruxa, áspera, pecadora. Para isso, a diretora Leigh Janiak retorna ao século dezessete, lar do paganismo, da culpa católica e do núcleo base do terror psicológico: </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/critica/filme/7061/a-bruxa-de-blair"><span style="font-weight: 400;">o medo do diabo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre a prosa arcaica e o ato de revisitar grandes filmes do gênero, a máquina do tempo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo: 1666</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona à perfeição. O ontem é vital, mas é no hoje que a porrada come. </span></p>
<p><span id="more-21747"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">1666 </span></i><span style="font-weight: 400;">escala figurinhas repetidas de </span><i><span style="font-weight: 400;">94</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">78</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando espaço para que Kiana Madeira troque peles de Deena para Sarah. A atriz expressa medo e pavor pelos olhos e pelo corpo retraído, inserindo raiva nesse combo premiado. Sob os olhos da pagã da Shadyside, o público é apresentado à história real da maldição e de sua origem. A inspiração mais superficial é a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de Robert Eggers que colocou a cultura colonial e o ato de cagar nas valas de volta ao eixo da cultura popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe do poético fecho narrativo que a inspira, Leigh Janiak usa e abusa de seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qqzgSjZQlLo"><span style="font-weight: 400;">currículo televisivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, filmando sequências episódicas, como mini-capítulos de um grande todo. Essa pegada fragmentada faz a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">vibrar em uma energia moderna, por mais que metade desse último filme se passe séculos atrás. Chega a ser recompensador que a diretora use do contexto antigo para contar uma história de amor entre duas mulheres, e as consequências do ato de amar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo: 1666 &#8211; Parte 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> caminha em direção ao núcleo conceptivo do horror e sua </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/espanto/representatividade-lgbt-no-cinema-queer-horror/"><span style="font-weight: 400;">proximidade com a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21749" aria-describedby="caption-attachment-21749" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Rua do Medo: 1666 - Parte 3. Na cena, vemos os assassinos do filme, reunidos frente a um ônibus. São 5 homens e 1 mulher, todos sujos de sangue, segurando suas armas e olhando para a frente. A foto foi tirada de dia." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21749" class="wp-caption-text">O quebra-pau entre os assassinos é um dos destaques do filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde as origens literárias de </span><a href="https://www.facebook.com/memeslivros/photos/pcb.4180546665358177/4180546168691560/"><i><span style="font-weight: 400;">Carmilla</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o horror se mostrou fundamentado e correlacionado às pessoas da comunidade LGBTQIA+. Os exemplos são muitos, passando pela criação dos imortais </span><a href="https://www.facebook.com/memeslivros/photos/pcb.4150677468345097/4150676238345220/"><i><span style="font-weight: 400;">Drácula</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/books/booksblog/2019/nov/07/does-it-matter-if-mary-shelley-was-bisexual"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e ao Cinema que abraça o enclausurado Doutor Jekyll, chegando aos modernos </span><a href="http://www.lacon.uerj.br/novo/index.php/2019/01/04/a-pele-que-habito-a-transgenitalizacao-como-tecnica-corporal-da-vinganca-em-pedro-almodovar/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/o-protagonismo-da-comunidade-lgbtq#:~:text=As%20Boas%20Maneiras%2C%20de%20Juliana,obras%20com%20a%20tem%C3%A1tica%20LGBTQ."><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Parte do medo do futuro, do receio do mal e da culpa de se tornar um pecador vem da constante perseguição e angústia fomentada nas vivências desses indivíduos. Colocar em tela monstros e maldições como alegorias para o preconceito foi apenas uma das maneiras encontradas para transformar o trauma em arte.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo: 1666</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se enquadra propriamente como o mercado rotula seus ‘filmes LGBT’, mas usa questões clichês a fim de movimentar sua narrativa. O preconceito do século XVII é a força motriz da perseguição da Sarah e sua demonização, assim como a homofobia da mãe de Sam em 1994, o que faz sentido considerando as épocas de ambientação. Quer existisse um </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo: 2021</span></i><span style="font-weight: 400;">, é provável que o roteiro de Phil Graziadei, Leigh Janiak e Kate Trefry não cairia na questão já exaustiva de aceitação e identidade, à exemplo de produções recentes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WQb3dgehYXA"><i><span style="font-weight: 400;">genera+ion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O simples e direto protagonismo da franquia, com duas mulheres envolvidas romanticamente no auge do preconceito e do </span><a href="https://agenciaaids.com.br/noticia/longe-dos-estereotipos-dos-anos-80-como-as-pessoas-com-hiv-vivem-hoje/"><span style="font-weight: 400;">descaso midiático e governamental</span></a><span style="font-weight: 400;">, denota um ponto de destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afinal, para a trilogia que se esbalda na homenagem e na memória, revisitando da </span><a href="https://darkside.blog.br/10-curiosidades-matadoras-sobre-jason-voorhees-e-sexta-feira-13/"><span style="font-weight: 400;">máscara de Jason</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159592/"><span style="font-weight: 400;">faca ensanguentada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e brincando com as convenções do horror, a cereja do bolo só poderia ser abraçar o núcleo da história em pessoas LGBTQIA+. Deena já era uma baita heroína, mas Kiana Madeira brilha mesmo na pele de Sarah Fier. Sem a preocupação em criar uma aura arcaica para a bruxa, a atriz emula a visão de uma para a outra.</span></p>
<figure id="attachment_21750" aria-describedby="caption-attachment-21750" style="width: 1054px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21750" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-2.jpg" alt="Cena do filme Rua do Medo: 1666 - Parte 3. Na cena, vemos a Sarah Fier original em close, uma mulher branca, de olhos azuis e cabelo preto. Ela tem uma expressão de medo no rosto, e a foto foi tirada de noite." width="1054" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-2.jpg 1054w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-2-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-2-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-2-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21750" class="wp-caption-text">A presença de Elizabeth Scopel, atriz que interpreta a Sarah Fier ‘de verdade’, infelizmente passa batida (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O xerife Nick Goode (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=droRkoEh8iE"><span style="font-weight: 400;">Ashley Zukerman</span></a><span style="font-weight: 400;">) se transforma em Solomon na porção final da saga, mas o fedor de impostor permanece imutável. Enquanto o filme desmistifica o muquirano, o público se afeiçoa por Sarah Fier, solidificando sua figura de mártir e injustiçada. O esperado seria uma simples narrativa de limpeza espiritual e da imagem da bruxa, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Fear Street: 1666</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem interesse algum em soar esquecível. Fier é sim inocente, mas sua sede de sangue não é silenciada ou repensada como benévola. Puta da vida, a bruxa quer o sangue de quem a amaldiçoou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bruxa no sentido não-literal da palavra, já que de feiticeira a jovem não tinha nada. Seu caráter sobrenatural vem da figura de lenda e de maldita, perseguida por amar a filha do pastor, Hannah Miller (papel da apagada </span><a href="https://febreteen.com.br/2021/07/rua-do-medo-elenco-conta-como-foi-fazer-outros-personagens-em-1666/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Scott Welch</span></a><span style="font-weight: 400;">). A química entre Welch e Madeira é mínima quando comparada à das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4jwW0sk5_x8"><span style="font-weight: 400;">irmãs dos anos setenta</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a forte presença de cena da protagonista dá conta do ritmo nunca se perder (e olha que a abrupta divisão entre 1666 e 1994 deixa o último filme com um rombo narrativo que jorra sangue demais). Quando retorna para os anos noventa é que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;"> arquiteta a arapuca final.</span></p>
<figure id="attachment_21751" aria-describedby="caption-attachment-21751" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/4-1.jpg" alt="Cena do filme Rua do Medo: 1666 - Parte 3. Na cena, vemos três personagens de noite no shopping, com as luzes apagadas e um contraste neon muito forte. " width="840" height="352" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/4-1.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/4-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/4-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21751" class="wp-caption-text">Rua do Medo: 1666 se divide entre o campestre do passado e a saturação colorida do presente, dando total liberdade de esbaldo para a fotografia de Caleb Heymann (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A solução conclusiva é simples, mas bem realizada. O </span><i><span style="font-weight: 400;">shopping </span></i><a href="https://www.omelete.com.br/terror/maya-hawke-assassino-abertura-rua-do-medo"><span style="font-weight: 400;">manchado de sangue Thurman</span></a><span style="font-weight: 400;"> que abre a trilogia é revisitado em seu desfecho, colocando Gillian Jacobs (o destaque absoluto de toda essa empreitada da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">) frente a frente com o seu bendito passado. A atriz, conhecida por </span><i><span style="font-weight: 400;">Community</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=shxvag77pGI"><i><span style="font-weight: 400;">Love </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e por dublar a Atom Eve em </span><a href="https://personaunesp.com.br/invincible-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">é uma das vigas de sustentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;">, muito ao fato da escalação sublima de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sadie Sink</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lufar vida à versão jovenzinha da ex-ruiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre maldições, mãos decepadas, homenagens às vísceras do horror e muita cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">em tela, a trilogia </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega à </span><i><span style="font-weight: 400;">1666 </span></i><span style="font-weight: 400;">uma conclusão sóbria, morna e nada alegórica: nunca duvide de mulheres fortes nem confie em alguém que tem ‘bem’ no nome! A cena pós-créditos instiga uma continuação, e, considerando que a série de livros de R.L. Stine </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/rua-do-medo-futuro"><span style="font-weight: 400;">se alonga além dessa viela amedrontada</span></a><span style="font-weight: 400;">, não será uma surpresa se a Rua se transformar em Avenida, Cidade, Estado ou País do Medo. </span></p>
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