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	<title>Arquivos Flávia Lacerda &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Auto da Compadecida 2 e a reinvenção de si mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Feb 2025 18:26:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia Queiroz  Em Setembro de 2000, os brasileiros saíram de suas casas e foram para os cinemas de suas cidades assistir ao que viria a ser um dos maiores sucessos do Cinema do país: O Auto da Compadecida. Baseado na obra de Ariano Suassuna, o filme foi um sucesso comercial e social, e alcançou um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Auto da Compadecida 2 e a reinvenção de si mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34827" aria-describedby="caption-attachment-34827" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1.jpeg" alt="O cenário mostra o exterior da igreja montada em um estúdio. Usando roupas velhas e rasgadas, sandálias típicas do povo nordestino e aparência de descuido com a pele no sol, os atores principais de O Auto da Compadecida voltam a encenar os malandros da cidade quente e seca do interior nordestino Taperoá." width="768" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34827" class="wp-caption-text">Matheus Nachtergaele e Selton Mello voltam às telas de cinema como João Grilo e Chicó 25 anos depois (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Setembro de 2000, os brasileiros saíram de suas casas e foram para os cinemas de suas cidades assistir ao que viria a ser um dos maiores sucessos do Cinema do país: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado na obra de </span><a href="https://www.academia.org.br/academicos/ariano-suassuna/biografia"><span style="font-weight: 400;">Ariano Suassuna</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme foi um sucesso comercial e social, e alcançou um recorde histórico de 2.157.166 pessoas (o filme nacional mais assistido daquele ano), além de uma arrecadação de mais de onze milhões de reais em bilheteria. Tornou-se um ícone para os ‘canarinhos’ e estrangeiros latino-americanos sobre a cultura nordestina e referência cinematográfica nacional. </span></p>
<p><span id="more-34823"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">25 anos depois, o diretor </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/33839-guel-arraes"><span style="font-weight: 400;">Guel Arraes</span></a><span style="font-weight: 400;">, desta vez junto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnTP1d4OVok"><span style="font-weight: 400;">Flávia Lacerda</span></a><span style="font-weight: 400;">, volta com o clássico em uma sequência inédita: </span><a href="https://youtu.be/ke4x5ywVhiw?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RzWKcmQcL-4"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/filmes/noticia/selton-mello-fala-da-importancia-de-chico-de-o-auto-da-compadecida-2-na-sua-vida-bem-espiritual.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado dez anos após a morte do criador do </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-um-auto-teatral"><span style="font-weight: 400;">auto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o inspirou, o longa segue quebrando seus próprios recordes no Cinema brasileiro. A segunda obra que retrata o sertão nordestino, já ultrapassou os três milhões de espectadores e arrecadou mais de R$62 milhões em bilheteria, se tornando o segundo filme nacional mais visto nos cinemas em 2024, perdendo apenas para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_NzqP0jmk3o"><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também tem a participação de Selton. </span></p>
<figure id="attachment_34826" aria-describedby="caption-attachment-34826" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem2.jpg" alt="Fotografia de João Grilo iluminado pelas velas da igreja da cidade, em sua roupa velha e suja e seu chapéu da cultura nordestina enquanto performa suas malandragens." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34826" class="wp-caption-text">João Grilo volta a Taperoá após uma longa aventura pelo Brasil e reencontra velhos amigos, inimigos e entidades (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência da </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-dramedy-definition/"><span style="font-weight: 400;">comédia dramática</span></a><span style="font-weight: 400;"> é completamente nostálgica, poética e divertida de assistir. O roteiro é repleto de referências e, até mesmo, falas iguais (como o bordão de </span><a href="https://www.oautodacompadecida.com.br/2016/07/chico-personagem.html"><span style="font-weight: 400;">Chicó</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não sei, só sei que foi assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”), além da composição dos personagens e a narrativa, que são bem semelhantes ao primeiro. Com isso, o público se surpreendeu com a volta das figuras principais e a maioria se abriu positivamente para ter novamente a experiência de vê-los nos cinemas. Entretanto, muitos se queixaram, alegando que ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Ariano Suassuna sempre foi contra uma continuação</span></i><span style="font-weight: 400;">’ ou que o segundo nunca poderia superar o primeiro e iria estragar o carinho que os espectadores têm pelos protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b7-IavVdvqQ&amp;list=PLaE_mZALZ0V2E0lVJowee_oerd3OMvyJu&amp;index=15"><i><span style="font-weight: 400;">Podpah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ator Selton Mello rebateu indiretamente a esses comentários e disse que a intenção dessa nova produção não é superar e nem se comparar a obra-prima da década de 2000, mas sim, se permitir experimentar novamente desse cenário e divertir a audiência com os personagens tão amados do Cinema brasileiro. E conseguiram, mostrando por meio da </span><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/filmes/noticia/guel-arraes-conta-que-figurantes-choravam-no-set-de-o-auto-da-compadecida-2-viam-personagens-quase-como-santos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">emoção dos atores e figurantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao recriar o ambiente icônico e causando uma boa risada – com piadas um tanto quanto contemporâneas – para quem assiste. Não apenas isso, nas palavras do Selton: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Suassuna sempre foi muito fã do nosso auto e gostava da ideia de uma continuação do filme e sempre afirmou isso para mim, [&#8230;] já tinha uma benção</span></i><span style="font-weight: 400;">”,  ao contrário do que foi espalhado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34825" aria-describedby="caption-attachment-34825" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34825" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-800x533.jpeg" alt="Fotografia de João Grilo usa suas roupas velhas, sujas e rasgadas de sempre, está junto de dois políticos da cidade de Taperoá, que possuem roupas mais novas e limpas. Eles são iluminados pelas pequenas luzes penduradas nas cabanas com fitas e estão posicionados à frente da imagem de Nossa Senhora. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1200x800.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3.jpeg 1620w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34825" class="wp-caption-text">Foram apresentados quatro novos personagens e uma substituição de atores (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumpriu muito bem com seu papel quando se propôs a ressuscitar a emoção que os brasileiros sentiram pela cultura nordestina e lições de vida comandadas pela perspectiva de </span><a href="https://youtu.be/bKmYl7Ui_hs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">João Grilo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello). É engraçado na medida certa, com uma transparência teatral ao transferir o humor dos personagens para as telas do cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que isso acontecesse, somente a escalação de atores fenomenais como: </span><a href="https://youtu.be/nxywLV99eHs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Sterblitch</span></a><span style="font-weight: 400;">, que encena um radialista eletrizante tão bem que o personagem chega a ser enlouquecedor; </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/selton-mello-avalia-importancia-de-auto-da-compadecida"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://exame.com/casual/matheus-nachtergaele-espero-que-o-auto-da-compadecida-2-lembre-como-e-bom-ser-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://youtu.be/VmSIHRqV9Mk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Fabiula Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, que protagoniza de maneira eloquente a nova </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> vinda da capital; </span><a href="https://revistaquem.globo.com/entrevistas/noticia/2024/12/virginia-cavendish-sobre-rosinha-empoderada-em-o-auto-da-compadecida-2-combinou-com-quem-sou.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Virginia Cavendish</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://istoe.com.br/enrique-diaz-retorna-como-joaquim-brejeiro-em-o-auto-da-compadecida-2/"><span style="font-weight: 400;">Enrique Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cabra-macho e cangaceiro dessa edição; </span><a href="https://youtu.be/G_RmgovIQnk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Humberto Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, como o coronel. Além do humor, os momentos de transbordar emoção foram reservados para </span><a href="https://youtu.be/f1qkxnTVvjc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Taís Araújo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que substitui </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-auto-da-compadecida-2-por-que-fernanda-montenegro-nao-reprisou-o-papel.phtml"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz um trabalho espetacular como </span><a href="https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-nossa-senhora-nazare/48/102/"><span style="font-weight: 400;">Nossa Senhora de Nazaré</span></a><span style="font-weight: 400;">, não somente pela representação racial mas pelo olhar de compaixão que conseguiu transmitir durante todo seu tempo de tela. Ela ganhou uma música tema chamada </span><a href="https://open.spotify.com/track/0pyvJfQSMKMxvSj1tvqCKY"><i><span style="font-weight: 400;">Fiadeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3f5VCwd57gZsqMad28jyLV?si=aZSvXLpcRw2fzvvReiIqaw"><span style="font-weight: 400;">Maria Bethânia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das características positivas que compõem o filme, existem alguns aspectos ruins dentro da obra e o processo de sua construção. Começando pela falha de roteiro, com a ausência de explicações sobre como o grupo do final do primeiro filme (</span><a href="https://youtu.be/ke-w11RRxEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Rosinha</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chicó e João Grilo) vivem seus próximos anos e como se separam, confundindo a audiência em alguns diálogos. Além disso, é infeliz a escolha das representações do </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/2630272/"><span style="font-weight: 400;">Diabo e Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> serem feitas pelo mesmo ator de João Grilo, isso deixou a dinâmica menos interessante para aquele que vê, já que, na mesma cena, são três personagens iguais em sua aparência. </span></p>
<figure id="attachment_34824" aria-describedby="caption-attachment-34824" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-800x436.jpg" alt="Fotografia de João Grilo e Chicó em céu aberto, no sol, envoltos pela vegetação seca do sertão nordestino enquanto seguram suas enxadas e observam o objetivo de chegada." width="800" height="436" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-800x436.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-1024x559.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-768x419.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34824" class="wp-caption-text">O cenário do segundo filme foi construído dentro de estúdios com painéis de LED, diferentemente do primeiro, que foi filmado nas cidades de Cabaceiras e na própria Taperoá, na Paraíba (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro defeito são os </span><a href="https://www.benditafilmes.com/post/visual-effects-vfx-como-funcionam#:~:text=Efeitos%20Especiais%20(SFX)%3A%20Referem,integrados%20%C3%A0s%20cenas%20j%C3%A1%20filmadas."><span style="font-weight: 400;">efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e filtros para o imaginário das mentiras e paisagens do sertão nordestino. É compreensível que faça uso desse tipo de tratamento nos vídeos para qualquer longa-metragem e, principalmente, nos feitos em estúdios, porém, é claro o exagero, ao ponto de parecerem imagens de </span><a href="https://cloud.google.com/learn/what-is-artificial-intelligence?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Inteligência Artificial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse sentido, é notável que alguns itens básicos da produção de uma obra cinematográfica não são desenvolvidos da maneira que agrade os olhos, pelo excesso de artificialidade na iluminação e animação, além da escolha das figuras de animação que também pareciam querer se mostrar reais mas não eram, coisa que não aconteceu no primeiro filme, parte pela falta de tecnologia avançada na época.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, a filmagem é linda e emocionante pelos seus aspectos saudosistas, bem como se mostra uma poesia em conjunto com a </span><a href="https://www.ia.unesp.br/#!/teatro-sem-cortinas/pratas-da-casa/glossario-teatral/a---b---c/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia teatral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">encaminha uma reinvenção de si mesmo, trazendo uma nova trama e personagens que, mesmo diferentes em aparência e</span> <a href="https://www.tertulianarrativa.com.br/post/2017/08/30/backstory-estrutura-%C3%B3ssea-e-perfil-psicol%C3%B3gico-desenvolvendo-personagens#:~:text=O%20backstory%2C%20ou%20hist%C3%B3ria%20pregressa,no%20pitch%20da%20s%C3%A9rie%20Friends."><i><span style="font-weight: 400;">backstory</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, carregam os mesmos significados dos anteriores que já morreram. Também vale destacar os cenários, que apesar de serem da mesma cidade, são inovadores, com ambientes e detalhes construídos de acordo com os 25 anos passados até o segundo filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o primeiro e segundo filme possuem enorme importância para a expansão da cultura brasileira e nordestina, que é um dos pilares fundamentais para a formação da essência artística nacional com os </span><a href="https://www.institutoaguaviva.org.br/post/curiosidades-sobre-a-literatura-de-cordel"><span style="font-weight: 400;">cordéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, as </span><a href="https://pe.unit.br/blog/noticias/xilogravura-e-uniao-de-cultura-regionalidade-e-arte/#:~:text=Na%20xilogravura%2C%20a%20madeira%20%C3%A9,pontos%20que%20encostam%20na%20tinta."><span style="font-weight: 400;">xilogravuras</span></a><span style="font-weight: 400;">, festas tradicionais e o </span><a href="https://imaginariobrasileiro.com.br/blogs/news/artesanato-nordestino-riquezas?srsltid=AfmBOooJRAzREAE_wX8_771X4RGilY5bpmAwUWpnaHMWJrvhTqqKcR_j"><span style="font-weight: 400;">artesanato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de madeira ou barro, por exemplo. Parte dessas práticas são mostradas nas obras, principalmente no segundo filme, quando a igreja vira uma atração turística e Chicó precisa ganhar um cascalho. Dessa vez, a Arte não é somente para caracterizar o local que se passa, todavia, tem como o propósito destacar os costumes da região. Dessa forma, aproveitando de seu sucesso, já imaginado, para traduzir tamanha riqueza ao mundo. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ke4x5ywVhiw"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=ke4x5ywVhiw&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial</span></a> <span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2022 15:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que Medida Provisória, primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medida Provisória: uma distopia iminente se anuncia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27678" aria-describedby="caption-attachment-27678" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27678" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. A foto exibe dois atores negros com olhares atentos em um ambiente noturno, cena de um momento de tensão do filme. À esquerda aparece o personagem Antônio, interpretado pelo ator Alfred Enoch. Ele é um rapaz alto, com cerca de 1,90 de altura, usa barba e cavanhaque e está encapuzado com uma jaqueta preta. Ao lado esquerdo da imagem temos o personagem André, interpretado pelo ator Seu Jorge. Ele é um pouco menor que Antônio, usa bigode e cavanhaque, carrega um colar por cima de uma jaqueta preta. Diferente de Antônio, André não veste um capuz. " width="800" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-27678" class="wp-caption-text">Conduzido por uma direção inédita e uma trilha sonora composta por nomes como Elza Soares, Rincon Sapiência, Baco Exu do Blues, Cartola e Liniker, Medida Provisória chega aos cinemas quebrando paradigmas, emocionando e alarmando para um futuro não tão distante (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um Brasil distópico, mas não muito distante da presente realidade, resgatar as origens deixa de ser uma opção e passa a ser uma lei. É diante desse bizarro cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro longa dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-negras-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve e quebra recordes de bilheteria nacional. O filme trata de uma tragicomédia, que aborda o que há de pior em nosso jeitinho brasileiro de mascarar problemas profundos dos porões racistas e cordiais, nos quais Gilberto Freyre de maneira dualista e polêmica tanto criticou em </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-39-encontro/gt/gt28/9704-casa-grande-e-senzala-e-o-mito-da-democracia-racial/file"><i><span style="font-weight: 400;">Casa Grande e Senzala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27677"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se procurarmos no dicionário jurídico, uma </span><a href="https://www.politize.com.br/medida-provisoria/"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória (MP)</span></a><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma ação emergencial que tem uma força representativa de lei, sem necessariamente a aprovação do Poder Legislativo. Ela só entrará como lei oficial da nação a partir de uma posterior votação na Câmara; e é justamente através desse artifício de poder, sem a consulta daqueles que serão impactados, que a narrativa apresenta, na ficção, a decisão do governo brasileiro em deportar todas as pessoas consideradas negras, ou como o próprio filme cita, </span><i><span style="font-weight: 400;">“pessoas de melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, para o continente africano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de trazer essa história para as telonas surgiu do próprio Lázaro Ramos, mas o diretor admite que o roteiro foi inspirado, em grande parte, numa adaptação da peça teatral</span> <a href="https://www.researchgate.net/publication/270404417_Back_to_the_roots_-_Namibia_Nao_de_Aldri_Anunciacao"><i><span style="font-weight: 400;">Namíbia Não!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra escrita por Aldri Anunciação (que também é roteirista do filme) e dirigida por Lázaro. Na peça, André é um advogado que entra com um processo contra o Estado Brasileiro pelo tempo de escravidão e ganha uma indenização bizarra: passagem só de ida para Namíbia. Apesar de sofrer algumas alterações, sobretudo no que diz respeito ao elenco, a película representou fielmente a essência bizarra e espetacular da peça.</span></p>
<figure id="attachment_27679" aria-describedby="caption-attachment-27679" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27679" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-MP.png" alt="Foto do ator Lázaro Ramos. Ele é um homem negro, barbudo, de estatura média. Ele aparece de camisa branca e boné azul e branco. Na imagem, Lázaro aparece atrás de uma tela que faz parte dos equipamentos de filmagem. Ao fundo, em segundo plano, uma mulher negra que usa óculos e que, provavelmente trabalha junto à equipe, aparece conversando com um rapaz de boné." width="800" height="533" /><figcaption id="caption-attachment-27679" class="wp-caption-text">Em seu primeiro trabalho como diretor de Cinema, Lázaro Ramos admitiu em entrevista ao Podpah que a princípio não tinha nenhuma pretensão de comandar Medida Provisória, pois o artista considera que seu maior trunfo está na arte da atuação (Foto: GQ Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto por um núcleo de estrelas nacionais e internacionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com 77 atores e atrizes negros, se destacando assim como a produção cinematográfica com maior representatividade negra da história do Cinema nacional. Além disso, a equipe técnica dos bastidores também é predominantemente preta. No time principal, nomes como Alfred Enoch (Antonio), Taís Araújo (Capitú), Seu Jorge (André), Aldri Anunciação (Ivan), Adriana Esteves (Isabel) e Renata Sorrah (Dona Izildinha) protagonizam o longa-metragem. Há também diversas participações especiais, como é o caso de figuras como </span><a href="https://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tia Má e Luis Miranda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Basicamente, podemos dividir o enredo em três partes: cômica, trágica e dramática, em uma narrativa que prende a atenção do espectador do início ao fim. Seja pelos absurdos, como também pelo apego sentimental aos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba nos colocando como torcida da resistência de Antônio e André. No filme, ambos são irmãos inseparáveis que protestam contra todas as terríveis </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/historia-real-que-inspirou-olhos-que-condenam-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">ações estatais racistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas apesar de serem indivíduos combativos, suas personalidades diferem bastante, o que traz maior sinergia para as cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso a abordagem crítica de Lázaro apontasse apenas uma perspectiva de narrativa dramática, o filme por si só já seria digno de boas avaliações. No entanto, impressiona positivamente a maneira como a narrativa consegue alarmar assuntos sérios e importantes, de um jeito leve e descontraído. Essa mescla é feita à perfeição, já que instiga a refletir a respeito de uma autocrítica coletiva, sem desrespeitar causas tão relevantes, quanto a questão do </span><a href="https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/o-que-e-racismo-estrutural/"><span style="font-weight: 400;">racismo estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27680" aria-describedby="caption-attachment-27680" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27680" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-MP.png" alt="Foto dos bastidores do filme Medida Provisória. Antônio, Capitu (Taís Araújo) e André se divertem em um bar. A imagem ilustra uma mesa cheia de canecas de chopp e alguns petiscos. O casal Antônio e Capitu está abraçado e sentado, enquanto André está de pé, se curvando para conversar com o casal," width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27680" class="wp-caption-text">Os olhares desse trio nesta cena dizem muito a respeito da conexão dos atores nas gravações, chave fundamental para o sucesso de qualquer filmagem (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>A terrível semelhança entre ficção e realidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bem perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">explora temáticas sensíveis de nossa cruel e preconceituosa contemporaneidade. É válido destacar, porém, que o filme não denuncia exclusivamente as mazelas do racismo estrutural, já que o roteiro também aponta características ligadas aos demais estigmas e comportamentos preocupantes. A exemplo disso podem ser citados os obstáculos enfrentados pela personagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/falas-femininas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Capitu (Taís Araújo)</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser uma mulher negra, médica de um hospital particular, a mesma tem de lidar com diversos preconceitos que, assim como a questão racial, também estão enraizados em nossa sociedade. Outro ponto se dá pelas semelhanças envolvendo as duas antagonistas brancas da narrativa: Isabel (Adriana Esteves) e Dona Izildinha (Renata Sorrah). Enquanto Isabel inferniza a vida daqueles que são considerados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“melanina acentuada”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Izildinha busca a todo momento se sentir útil e notável para as pessoas (da maneira errada, é claro).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Isabel quanto Izildinha representam o perfil de indivíduos que têm o prazer em constranger outrem. São pessoas ressentidas e preocupadas com o mal estar alheio que, ao depositarem todo o seu ódio em terceiros, tentam mascarar os assuntos pessoais mal resolvidos. Isabel possui uma </span><a href="https://blogbr.clear.sale/contas-falsas#:~:text=Para%20as%20plataformas%20de%20m%C3%ADdias,em%20preju%C3%ADzos%20financeiros%20e%20psicol%C3%B3gicos."><span style="font-weight: 400;">conta </span><i><span style="font-weight: 400;">fake</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde expõe amarguradamente comentários racistas. Ao mesmo tempo, a personagem se vê refém de si mesma quando passa a ser desprezada e ignorada por seu chefe e por seu assessor. Já Izildinha não vê sua família há anos, algo que diz bastante sobre o seu </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015"><span style="font-weight: 400;">comportamento repugnante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27681" aria-describedby="caption-attachment-27681" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Capitu (Taís Araújo) está centralizada à frente de uma multidão que a observa com olhares desconfiados e surpresos. Ela veste uma regata branca e uma saia de estampa. Ao seu lado esquerdo, há dois soldados com trajes pretos (um deles porta uma metralhadora). À direita, Isabel (Adriana Esteves) aparece com um paletó executivo roxo. Capitu está com uma expressão facial de angústia e forte emoção." width="800" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-27681" class="wp-caption-text">As expressões faciais dessa cena são autoexplicativas e ricas em detalhes (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais esdrúxula que seja a Medida Provisória que intitula o filme, ela infelizmente não está tão longe de nossa realidade. Com um Estado que </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/cultura/crise-na-ancine-impede-que-centenas-de-novos-filmes-sejam-lancados/"><span style="font-weight: 400;">ameaça e boicota</span></a><span style="font-weight: 400;"> o campo da Cultura, que incentiva a prática violenta das polícias, reprime movimentos sociais e legitima ataques de ódio e mentira, sobretudo pelas redes sociais, certamente um futuro semelhante ao da ficção se torna um risco cada vez mais iminente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, felizmente ainda prevalece uma esperança em meio ao caos. Antes mesmo de sua estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicada a diversos</span><a href="https://gshow.globo.com/Famosos/noticia/lazaro-ramos-ganha-seu-primeiro-premio-internacional-com-medida-provisoria.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> prêmios internacionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Saiu vencedor do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Ator; foi o Melhor Roteiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Indie do </span></i><span style="font-weight: 400;">Memphis Film Festival; e ainda campeão do Prêmio Manuel Barba, do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva. Diante dessa maravilhosa repercussão, é possível enxergar com bons olhos o impacto de milhares de pessoas que prestigiam o Cinema nacional.</span></p>
<figure id="attachment_27682" aria-describedby="caption-attachment-27682" style="width: 716px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-5-MP.png" alt="Cena do filme Medida Provisória. Os atores Aldri Anunciação e Diva Guimarães aparecem juntos em um dos momentos mais marcantes do filme. O enquadramento da imagem reflete uma luz potente emergindo em um ambiente escuro. Diva é uma senhora idosa negra, na casa de seus 80 anos, com cabelo crespo grisalho. Ela veste uma camisa amrela tom mostarda e usa colar.Aldri é um homem negro, na casa de seus 45 anos, com cabelo dread. Ele veste um colete verde escuro. Aldri é mais alto que Diva e leva uma tatuagem no pescoço." width="716" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27682" class="wp-caption-text">É como diz o poeta Jorge Aragão: “E quando pisar no terreiro, procure primeiro saber quem eu sou, respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou” (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender melhor sobre as propostas críticas dessa obra, nada melhor do que interpretar as falas de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/medida-provisoria-filme-racismo-tais-araujo-lazaro-ramos-alfred-enoch/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito do contexto com o qual ela se insere: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos falando de um filme que foi baseado em uma peça de teatro escrita em 2011. O roteiro foi escrito em 2015 com o propósito de alertar sobre problemas e questões que a gente não gostaria que acontecesse. Depois disso, várias delas aconteceram. É um sinal de que não podemos calar debates importantes para a gente melhorar enquanto sociedade e comunidade”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grito de alerta, mas também de </span><a href="https://mundonegro.inf.br/lazaro-ramos-explica-a-presenca-de-dona-diva-em-medida-provisoria-um-simbolo-de-potencia/"><span style="font-weight: 400;">esperança </span></a><span style="font-weight: 400;">em meio ao caos. Não podemos desconsiderar que se trata de uma dramatização surgida num momento de rivalidades, disputas eleitorais e todo chorume desse desgoverno que flerta com situações antes consideradas impensáveis (no pior sentido da palavra). Nada é mais mirabolante que uma bela dramatização que escracha nossa condição. Os problemas são apresentados de maneira confortavelmente incômoda. É rir de si mesmo, sabendo os defeitos que precisam ser superados, sobretudo em momentos de transição. É daí que vem a esperança.</span></p>
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