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	<title>Arquivos Finn Bennett &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Davi Marcelgo É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar Evil Dead (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela A24 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37360" aria-describedby="caption-attachment-37360" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-664x332-1.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, a personagem Mary está centralizada, de frente para uma parede branca com o desenho de uma porta em azul. O ambiente é iluminado por uma luz amarelada, provocando a sombra de Mary no canto direito. Mary é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros na altura dos ombros. Ela veste uma camisa florida de manga curta e uma calça marrom. Ela está olhando para trás com expressão de preocupação. " width="664" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-37360" class="wp-caption-text">O Youtuber de apenas 20 anos traz sua websérie para as telonas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o sonho de muitos cinéfilos estrear o primeiro longa-metragem aos 20 anos e fazer bem feito. É ainda mais tentador entrar para a história com 21 anos ao lançar </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), como Sam Raimi fez. Kane Parsons conseguiu a proeza de ser contratado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos 19 anos para levar aos cinemas a sua websérie </span><a href="https://www.youtube.com/@kanepixels/videos"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda é cedo para cravar que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrou para a história ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-de-blair-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa de Blair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) e </span><i><span style="font-weight: 400;">REC</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007), mas enquanto o rolo gira, nota-se a competência do novato em causar medo e dominar a linguagem do Cinema. </span><span id="more-37359"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os ‘quartos dos fundos’ são labirintos surrealistas onde cadeiras estão empilhadas, escadas dão para escotilhas e habitações sociais inteiras podem ser encontradas ali. Entrar nessa estrutura poderia ser uma atividade curiosa, se ela não fosse frequentada por uma criatura voraz: uma atualização do </span><a href="https://www.nationalgeographic.pt/historia/minotauro-o-monstro-do-labirinto_3339"><span style="font-weight: 400;">mito</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Teseu e o Minotauro. Quem descobre um </span><i><span style="font-weight: 400;">Backroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu estabelecimento comercial é Clark (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-volta-de-bridget-jones-em-louca-pelo-garoto-mostra-que-da-para-fazer-um-cliche-gostoso-em-2025/"><span style="font-weight: 400;">Chiwetel Ejiofor</span></a><span style="font-weight: 400;">), isto enquanto lida com boletos atrasados e um divórcio que o retirou da própria casa. O roteiro de Will Soodik utiliza as questões do protagonista para construir uma metáfora que é a cara do estúdio, sendo aquelas salas um símbolo dos traumas e dos não-lugares que colecionamos, como humanidade, em vida. As salas encontradas pelo personagem principal são espelhos distorcidos de seu comércio, onde placas, peças de roupa dos funcionários e objetos semelhantes da realidade estão ali. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, Clark agora habita sua loja de móveis, dormindo em um quarto improvisado no meio do salão de vendas. Ele, um arquiteto frustrado que não exerce seus estudos, é um paralelo de Dédalo, símbolo da arquitetura da mitologia grega, responsável pela construção do labirinto que aprisiona a criatura metade homem, metade touro. Já Mary (</span><a href="https://personaunesp.com.br/valor-sentimental-critica/"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;">), a terapeuta do comerciante, revive a experiência traumática de ter crescido sob a supervisão de sua mãe, que sofria com neurose. De um lado, um lar que não dá segurança, de outro, um ambiente cheio de móveis que não cumprem suas funções. </span></p>
<figure id="attachment_37361" aria-describedby="caption-attachment-37361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem, Clark está de costas para a câmera enquanto caminha em um corredor de paredes amarelas e luzes fracas. À sua frente há um trecho escuro com uma silhueta parada. Clark é um homem negro, na faixa dos 50 anos, de cabelos crespos, curtos e escuros. Ele veste uma camisa social rosa, calça preta e sapatos de couro. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Backrooms-Um-Nao-Lugar-tera-evento-de-exibicao-antes-da-estreia-oficial.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37361" class="wp-caption-text">Backrooms: Um Não-Lugar é o filme mais lucrativo da produtora (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o texto faz o pedido pelos executivos – um Terror frontal não basta para a </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> – Parsons dobra a linguagem do Cinema ao seu favor. Não é apenas a presença de um ser dentro daquele labirinto que apavora, mas a ideia isolada de um lugar que não respeita as leis da física é assustadora. O jovem cineasta compreende essa natureza ao conduzir por meio do extracampo (o que está fora da câmera) o medo produzido pela imaginação do público. Ele vai utilizar os chavões do gênero para isso, seja a limitação de enxergar o que está nas bifurcações e nos cantos sem iluminação ou pela câmera subjetiva, que não se contém apenas aos trechos em </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/157/found-footage--o-ataque-dos-falsos-documentarios-de-horror"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, posicionando quem assiste na mesma situação que as personagens: dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Kane Parsons vai ser apropriada pelo visual para compor história e personagens. A passagem do tempo será demarcada por impostos acumulados na porta da frente, a falta de uma infância sadia pelo foco em mãe e filha brincando; a descoberta de que Clark agora dorme onde trabalha pela oscilação das luzes que já havia sido apresentada anteriormente. Diante de uma realidade em que as produções americanas são incentivadas a vomitar explicações ou </span><a href="https://cabanadoleitor.com.br/netflix-repete-dialogos-ate-4-vezes/"><span style="font-weight: 400;">expor ações</span></a><span style="font-weight: 400;"> em diálogos, observar tanto talento em apenas deixar o audiovisual ser a Arte que é vindo de alguém tão jovem é nobre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Clark, Kat (</span><a href="https://personaunesp.com.br/generation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lukita Maxwell</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Bob (Finn Bennett) adentram o novo mundo, a câmera os acompanha, sempre com eles, nunca à frente. Espectador descobre o que tem além daquelas paredes junto ao trio que comanda o caminho. Parsons vai alterar o plano no momento em que Mary descobre o espaço; agora as lentes já estão no cômodo e a terapeuta vem até nós. Todo o medo construído pelo desconhecido é descartado. Afinal, ela já conhece aquele espaço (o inconsciente de seu paciente) e não tem nada a temer. </span></p>
<figure id="attachment_37362" aria-describedby="caption-attachment-37362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg" alt="Cena do filme Backrooms: Um Não-LugarNa imagem de qualidade baixa, móveis estão empilhados no canto esquerdo da imagem. O local tem várias salas vazias de iluminação amarelada. Clark está em uma entrada segurando uma mochila, ele anda em direção a uma parte com menos iluminação. Ele veste calça e camisa longa, porém pela baixa qualidade da câmera é difícil determinar quais as cores. " width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_4109-1080x675-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37362" class="wp-caption-text">James Wan e Osgood Perkins assinam a produção (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a criatura que habita aquele labirinto é uma versão monstruosa do Capitão Clark, interpretada por Robert Bobroczkyi, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien: Romulus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), um duplo do mascote publicitário que Clark se sujeita a dar vida em uma peça comercial gravada de forma amadora. A encenação do vídeo termina de maneira desastrosa e ridícula. A materialização dessa figura em um ser devorador de carne humana é a personificação da vergonha do protagonista a respeito de seu trabalho e de sua constatação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu destruo tudo que toco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, o medo do desconhecido deixa de ser algo presente, no entanto, não significa que </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-prodigio-kane-parsons-de-20-anos-explica-como-criou-o-terror-de-backrooms-a-veja/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> perca força, visto que Mary não só superou seu trauma (ao usar a única lembrança física da sua antiga casa como arma) como não tem medo de Clark ou dos salões. É comum que alguns filmes caiam no desgosto do público quando revelam o visual de seus algozes, mas nesse caso tudo se amarra e faz sentido. Continuar filmando os planos da mesma forma que a metade do filme seria uma decisão contraditória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kane Parsons estreia um Terror interessante que fraqueja numa sequência de muito diálogo expositivo – o que cheira a </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas não dá para confirmar – que se opõe a tudo apresentado anteriormente. O pior é que nada dito ali é uma informação ou algo que o público não entendeu: “</span><i><span style="font-weight: 400;">este lugar é a cópia de tudo que já existiu</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Clark. Ora, isso foi mostrado na última uma hora e meia com as semelhanças à loja dele. Pode parecer que este texto soa contraditório por dizer antes que </span><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms: Um Não-Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa, sobretudo, do visual para discursar, porém um conjunto de cenas fora de eixo não representa o filme todo. E diante de tanta destreza que os </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontuais deste filme têm, imagine o que Parsons não faria com 120 minutos de Terror frontal. Esse </span><i><span style="font-weight: 400;">backrooms</span></i><span style="font-weight: 400;"> eu pago para entrar. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Backrooms | Official Teaser HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BjRndcTYqJo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/backrooms-um-nao-lugar-critica/">Deixa o menino brincar: Kane Parsons e o seu Backrooms: Um Não-Lugar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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