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	<title>Arquivos Filosofia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 20:51:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30726" aria-describedby="caption-attachment-30726" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo &quot;escute as feras&quot; em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito &quot;Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas e &quot;Enzo Caramori&quot; em letras cinzas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30726" class="wp-caption-text">Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gcn42bH6IkA">Desterrando o susto</a>’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressonante no livro </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111&amp;busca=escute%20as%20feras"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.</span></p>
<p><span id="more-30721"></span></p>
<p><a href="https://leituras.org/escute/"><span style="font-weight: 400;">Ursa-mulher e mulher-ursa</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma foge para dentro da bruma, com pedaços de uma mandíbula e ferida por um quebra-gelo; a outra, guarda-se na neve, vermelha de seu próprio sangue. Na falta do que se doou na troca desse primal encontro, refunda-se um sistema de crenças de povos como os </span><a href="https://www.editionsladecouverte.fr/a_l_est_des_reves-9782359251241#:~:text=Apr%C3%A8s%20avoir%20travaill%C3%A9,monde%20sa%20vitalit%C3%A9."><i><span style="font-weight: 400;">evenki</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – estudados por Martin em 2015, quando é desfigurada – em que a predestinação do enlace de seus destinos é a base do exercício da vida, animal e humana, em comunidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras, </span></i><span style="font-weight: 400;">trazido ao Brasil pela tradução de Camila Boldrini e Daniel Lühmanné, é regido pelo atrito que a própria autora estabelece entre si mesma e sua imersão em modelos de visualização da vida vinculados ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1010200620.htm"><span style="font-weight: 400;">animismo</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma união do ambiente e da existência humana e animal em um único fluxo vital. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Miêdka”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">matukha”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são termos do idioma </span><i><span style="font-weight: 400;">even</span></i><span style="font-weight: 400;"> que identificam sua condição de sobrevivência e transmutação, após o enfrentamento com o urso, à situação anormal de humanidade que lhe é atribuída. À </span><a href="https://erratanaturae.com/autores/nastassja-martin/"><span style="font-weight: 400;">antropóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse estado de pária estrutura uma mudança na maneira que enxerga a si mesma – em um espaço de excepcionalidade, um tanto </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/learning-to-love-the-bear-that-attacked-you#:~:text=I%20assumed%20that,of%20her%20experience."><span style="font-weight: 400;">inadequado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu desenvolvimento de pesquisadora –, que altera o tom etnográfico para, também, hibridizar o texto.</span></p>
<figure id="attachment_30723" aria-describedby="caption-attachment-30723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg" alt="Foto em preto e branco da antropóloga Nastassja Martin. No primeiro plano, uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque desarrumado que cai em sua nuca. Ela olha ao horizonte e está vestida com uma blusa clara e um casaco, similar a uma jaqueta, preto. Ao fundo, montanhas rochosas e um céu nebuloso." width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1200x706.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1.jpg 1224w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30723" class="wp-caption-text">Orientada pelo antropólogo Philippe Descola, Nastassja Martin escreve sua tese de doutorado sobre o povo Gwich’in, do Alasca (Foto: Alexandre Lacroix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estilisticamente, Martin constrói um registro experimental e total do que se dedicou a analisar, no exercício de sua ciência, e de suas inscrições sensíveis aos acontecimentos, meticulosamente medidas pela sua escrita. Entre a etnografia e a autobiografia, a metodologia de Martin é o cruzamento de dois cadernos de viagem, descritos como diurno e noturno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro tem suas páginas preenchidas por notas de viagem, fragmentos do que percebe em sua imersão com os </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">e a desperta atenção, mesmo com todos os dilemas que atravessam a etnografia. O segundo é do âmbito da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7Z6AZnD9hc"><span style="font-weight: 400;">escrita do sonho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que evoca o íntimo e o exterior numa poética de imagens quase ritualísticas, como pinturas rupestres que reincidem um mundo do sentimento selvagem e da máxima expressão da vida, na igualdade da relação animal ou humana. São contrastes significativos tanto em sua maneira de visualização do mundo e de sua própria sobrevivência que, na narrativa, não se institui de uma moralização da violência nem de um arco de redenção; quanto de sua escrita: variável de momentos cirúrgicos de descrição a até fluxos bestiais e oníricos de prosa.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Fantasmático do desejo próprio às florestas, aos predadores solitários, à sua raiva, ao seu orgulho e à sua vigília. Tensão de seus encontros inesperados, inconfessáveis, improváveis, em devir, no entanto. Porque sozinhos eles se perdem, porque sozinhos eles se fecham, porque sozinhos eles esquecem. O cruzamento de seus olhares os salva de si mesmos ao projetá-los na alteridade daquele que os enfrenta. O cruzamento de seus olhares os mantém vivos.’’</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na dualidade estabelecida à estrutura de seu texto, a autora mobiliza a etnografia para a escrita de si quando desafiada a </span><a href="https://www.philomag.com/articles/nastassja-martin-je-minteresse-la-possibilite-dune-metamorphose"><span style="font-weight: 400;">redescobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesma – com seu rosto desfigurado, do qual a ursa tomou-lhe parte da maçã do rosto e da mandíbula –, nesse novo território tomado de tensões: o seu próprio corpo. As questões psicológicas que a atravessam durante transferências incessantes por antigos hospitais da antiga ordem soviética, onde é posta à selvageria dos procedimentos médicos e legais envolvendo nacionalidade e gênero, é onde pensa um motivo maior a seu fatal encontro, que lhe propõe um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2021/10/antropologa-perdoa-urso-que-a-atacou-em-livro-que-iguala-homens-e-animais.shtml"><span style="font-weight: 400;">novo significado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ainda estar viva. Portanto, no equívoco de sua epistemologia mas no exercício de uma liricidade autobiográfica, a evidente marca deixada pela espécie companheira à crença </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais uma oportunidade individual de entender-se do que realmente uma maneira de debruçar-se sobre sua estrutura de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_30724" aria-describedby="caption-attachment-30724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg" alt="Rascunho feito a grafite pelo artista expressionista Edvard Munch. Na esquerda, observa-se um vulto de uma mulher ajoelhada abraçando um urso, não preenchido, o que lhe dá a impressão de ser branco ou claro. Os traços de grafites são evidentes. À direita, observa-se uma figura parecida, no entanto a mulher está mais agachada e abraça um urso agora escuro, negro, preenchdio pelo grafite." width="800" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear-768x583.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30724" class="wp-caption-text">‘‘Há tempos vim preparando o terreno que me levaria até a boca do urso, em direção ao seu beijo’’ (Arte: Edvard Munch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo das mitologias. Existe, nos gestos conflitantes do enquadramento de seu encontro com a ursa — muitas vezes descrito enquanto um abraço e um beijo — uma determinada </span><a href="https://thebaffler.com/latest/bear-witness-goldman"><span style="font-weight: 400;">eroticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parte da percepção de uma afetação, para além de necessariamente, de afeto, na qual a violência torna-se um espaço de proximidade inigualável. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma fábula calculada nesses contrastes e escrita sobre a tradição indígena do sonho explorada por Ailton Krenak e pelas filosofias yanomami estudadas por </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/sonhou-com-o-que/hanna-limulja-fala-da-cultura-yanomami-a-partir-de-seus-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Hanna Limulja</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua moral naturalmente reivindica outros modos de vida, ou, como colocado pela pensadora </span><a href="https://personaunesp.com.br/eo-critica/#:~:text=pensadora%20Donna%20Haraway"><span style="font-weight: 400;">Donna Haraway</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">autre-mondialisation</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; (outra-mundialização). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o pulso ferino de primalidade toma conta da experimentação de Nastassja Martin, é pela memória que constrói um espaço conjunto e verdadeiro. Aquele que, como nas imagens feitas a dedo em escuras grutas, remonta um </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/sonho-de-outras-feras/"><span style="font-weight: 400;">passado mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possível, por outros exercícios de fazer o mundo, onde a técnica não colocou um corpo acima do outro, uma mulher abaixo de um homem e um humano-bixo acima de outras vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escavar o susto é, para essa </span><a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2021%2F12%2Fescute-as-feras-nos-desperta-o-desejo-de-conhecer-um-urso.shtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomada de divagações — importantes para a composição do retrato sensível de si mesma —, encontrar sua própria essência, ao mesmo tempo que acessa a realidade antropológica da península de </span><span style="font-weight: 400;"> Kamtchátka, o lugar de</span><span style="font-weight: 400;"> seus estudos. Para a mitologia </span><i><span style="font-weight: 400;">even, </span></i><span style="font-weight: 400;">o olhar do urso em si não é perigoso pela tentativa de vingança do antropocentrismo ou do domínio de um espaço vital, mas sim pelo fato de que, nos olhos da animalidade humana, as outras formas de vida encontram-se e entendem a si próprias em sua condição de alteridade. </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/24/books/review-in-eye-of-wild-nastassja-martin.html"><span style="font-weight: 400;">A ursa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tanto atacada por Nastassja – uma fera, em seus próprio papel – quanto devolve o susto, em uma metáfora da vida real sobre o misterioso assombro que é entender a si no outro.</span></p>
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		<title>Os 5 anos de The Good Place nos deixam uma pergunta: o que devemos uns aos outros?</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 15:14:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gina Zapparoli Nunca é esperado que alguém tome notas de ações boas e ruins que fazemos durante o tempo em que as pessoas passam na Terra, correto? Talvez colar em uma prova importante a qual você queira muito passar ou comprar uma &#8220;mistura de margarita para mulheres solitárias&#8221; para passar o fim de semana não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 5 anos de The Good Place nos deixam uma pergunta: o que devemos uns aos outros?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23763" aria-describedby="caption-attachment-23763" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-1.png" alt="Cena da série The Good Place. A imagem mostra os seis personagens principais dentro de um balão, eles sorriem e olham para a câmera. " width="650" height="292" /><figcaption id="caption-attachment-23763" class="wp-caption-text">Seis narrativas diferentes que trazem uma história única (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><b>Gina Zapparoli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nunca é esperado que alguém </span><a href="https://youtu.be/ut0ai4s4mjU"><span style="font-weight: 400;">tome notas de ações boas e ruins</span></a><span style="font-weight: 400;"> que fazemos durante o tempo em que as pessoas passam na Terra, correto? Talvez colar em uma prova importante a qual você queira muito passar ou comprar uma </span><a href="https://youtu.be/og0WTK4sobY"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;mistura de margarita para mulheres solitárias&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para passar o fim de semana não parecem ser opções tão ruins vez ou outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, </span><a href="http://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que há sempre uma pessoa anotando seus erros e acertos e que, bem, isso poderá te dar uma futura dor de cabeça. A narrativa da série se baseia em como as decisões dos personagens principais Eleanor Shellstrop (Kristen</span> <span style="font-weight: 400;">Bell), Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil), Jason Mendoza (Manny Jacinto) e Chidi Anagonye (William Jackson Harper), por mais bobas que sejam, tragam grandes consequências para os mesmos.</span></p>
<p><span id="more-23762"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos quatro protagonistas, a história ainda acompanha Michael (</span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/170185-ted-danson-comenta-sobre-o-destino-de-seu-personagem-em-the-good-place.htm"><span style="font-weight: 400;">Ted Danson</span></a><span style="font-weight: 400;">), o suposto arquiteto que planejou toda a vizinhança que geraria o Bom</span> <span style="font-weight: 400;">Lugar</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sua assistente que possui conhecimento de tudo, Janet (</span><a href="https://feededigno.com.br/serie/the-good-place-darcy-carden-fala-sobre-despedida-da-serie/"><span style="font-weight: 400;">D’Arcy Carden</span></a><span style="font-weight: 400;">). Ambos personagens trazem ao grupo o “ar” fantasioso que a série brinca &#8211; principalmente ao considerar que Janet é alguém que detém todo conhecimento do mundo, enquanto Michael consegue produzir lugares para o pós-vida.</span></p>
<figure id="attachment_23766" aria-describedby="caption-attachment-23766" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-2.png" alt="Cena da série The Good Place. A imagem mostra os personagens principais abraçados uns aos outros. O do meio, um homem caucasiano de cabelos grisalhos e óculos, olha diretamente para a câmera, enquanto os outros mantém um sorriso e olhos fechados. " width="650" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-23766" class="wp-caption-text">Cada um dos personagens traz consigo seus próprios demônios &#8211; por mais literais que possam ser (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama inicial gira em torno de Eleanor percebendo que não pertence a vizinhança, já que este é basicamente o lugar onde todas as auras bondosas e benfeitoras do mundo foram alocadas no pós-vida. E, bem… Ela está meio longe de fazer parte dessa minoria de pessoas que causaram uma real mudança nele. Chidi acaba sendo puxado para dentro dessa bagunça criada por Eleanor ao receber o papel de sua “</span><a href="https://youtu.be/NKuTyKuSla0"><span style="font-weight: 400;">alma-gêmea</span></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante frisar que Eleanor e Chidi são como faces opostas da mesma moeda. Ela é impulsiva e não consegue ter tanta empatia pelos outros, enquanto ele se baseia em pensar demais e é sua gentileza que faz com que a farsa de Eleanor continue. Michael, mais adiante na série, admite que o pareamento dos dois era para incomodá-los, mas eles fazem com que tudo aquilo dê certo.</span></p>
<figure id="attachment_23767" aria-describedby="caption-attachment-23767" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-3.png" alt="Cena da série The Good Place. Na cena estão duas pessoas olhando com expressões incrédulas uma para a outra." width="650" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-23767" class="wp-caption-text">Chidi e Eleanor são a resposta (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a história se desenrola. Eleanor passa por bons bocados durante a primeira temporada, enquanto tenta se alocar aos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-52928657"><span style="font-weight: 400;">padrões éticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Chidi a ensina. Ao mesmo passo, a protagonista tenta ser ajudante de Michael para que ele não a descubra como uma “penetra” na vizinhança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As coisas se tornam mais complicadas, quando Eleanor descobre que o monge Jianyu, na verdade, é um aspirante a </span><i><span style="font-weight: 400;">DJ</span></i><span style="font-weight: 400;"> originário da Flórida. O grande clímax da história é que, ao Michael descobrir a existência de Jason e da Eleanor “falsa”, como ela passa a ser chamada, ele precisa mandá-los para o Lugar Ruim. Mas… Surpresa! </span><a href="https://youtu.be/JWd1m83fptY"><span style="font-weight: 400;">Eles já estavam lá</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23768" aria-describedby="caption-attachment-23768" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-4.gif" alt="GIF da série The Good Place, na qual uma das personagens diz ao outro que ‘este é o lugar ruim’ enquanto abre os braços para demonstrar a descoberta." width="650" height="325" /><figcaption id="caption-attachment-23768" class="wp-caption-text">Ninguém esperava por essa, nem mesmo o próprio Michael (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E sim, eles realmente estavam no Lugar Ruim. Toda a farsa sobre o Bom Lugar era um plano novo de tortura que Michael gostaria de apresentar para seu chefe e seus companheiros de trabalho. Ao ser descoberto, o até então arquiteto apaga a mente das pessoas de seu experimento, incluindo Janet. E, com isso, a primeira temporada termina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o objetivo dessa resenha não é discorrer  sobre como as quatro temporadas são desenvolvidas &#8211; já que isso daria um texto muito grande. Ela é voltada para os pontos positivos que faz dessa série única. Um deles é baseado na escolha narrativa da obra, sendo a série toda pautada em filosofia. Até o conceito da tortura proposta por Michael é baseado em uma teoria filosófica apresentada por </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/jean-paul-sartre/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Paul Sartre</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o Inferno são os outros&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; essa frase se dá pela peça, </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/entre-quatro-paredes/5361"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Quatro Paredes (Huis Clo)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> do filósofo. </span></p>
<figure id="attachment_23769" aria-describedby="caption-attachment-23769" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-5.png" alt="Foto em preto e branco do filósofo Jean-Paul Sartre, na foto ele segura um cachimbo e o seu fundo é composto por vários livros." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-23769" class="wp-caption-text">Jean-Paul Sartre é uma das maiores influências da série e um dos nomes mais conhecidos do Existencialismo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça se baseia na ideia de três pessoas que convivem entre quatro paredes e basicamente se torturam psicologicamente, enquanto discutem sobre seus pecados. Toda essa ideia é bem próxima da primeira temporada da </span><a href="https://minhaseriefavorita.com/2019/06/01/sitcom-seriado-serie-diferenca/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2016</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas a tese de Sartre é discutida. Durante os anos seguintes, novas teorias são levantadas e comentadas, de maneira cômica e até educativa. Filósofos como </span><a href="https://monografias.brasilescola.uol.com.br/administracao-financas/platao-aristoteles.htm"><span style="font-weight: 400;">Aristóteles e Platão</span></a><span style="font-weight: 400;"> são citados, como nomes para a construção da moral e da ética. E truques de filosofia, no qual se destaca </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://youtu.be/9xpnaYrtO3A"><i><span style="font-weight: 400;">o problema do bonde</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;">, são colocados para fazerem analogia com o contexto que os personagens passam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma aventura de auto-descoberta </span><a href="https://youtu.be/stHk4_VePds"><span style="font-weight: 400;">filosófica da ética e da moral</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos próprios telespectadores. A questão da possibilidade de mudança também é um assunto bastante discutido, sendo mostrado que várias vezes, por mais difícil que seja, é possível mudar.</span></p>
<figure id="attachment_23770" aria-describedby="caption-attachment-23770" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-6.gif" alt="GIF da série The Good Place onde é apresentado a uma personagem feminina. No GIF está escrito: “é uma grande confusão lá embaixo, sabe?”, se referindo a terra. A personagem usa roupas estereotipadas de um juiz nos Estados Unidos. " width="650" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-23770" class="wp-caption-text">A vida humana é tão confusa que nem a Juíza consegue entender (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas temporadas, existe esse </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://youtu.be/brZtP21eLrs"><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;"> da realidade, tendo que começar de novo e de novo os universos alternativos que os personagens passam.  Em todas as tentativas, eles crescem juntos &#8211; tanto que é isso que arruína várias e várias vezes os planos de Michael em torturá-los, já que sempre que tentava apertar as feridas dos protagonistas, eles se juntam e se reerguem, cada vez melhores.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente questiona o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/determinismo.htm"><span style="font-weight: 400;">determinismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. São várias as vezes que ela demonstra que até mesmo uma Zé Ninguém de Phoenix pode ser alguém moralmente boa &#8211; mesmo que essa pessoa tenha nascido em uma casa desestruturada e sem pessoas eticamente boas para guiá-la. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ver Eleanor ajudar a mãe Donna Shellstrop (Leslie Grossman), com quem ela tem uma </span><a href="https://youtu.be/1spMbeEPF_w"><span style="font-weight: 400;">parede emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> grande e se sente inferior já que não recebeu o amor materno o qual ela desejava, é doloroso. Mas, ao mesmo passo, mostra como a personagem cresceu de uma ladra de camarões em festa, para uma personagem que consegue sentir empatia e se colocar em segundo plano para salvar quem ama.</span></p>
<figure id="attachment_23771" aria-describedby="caption-attachment-23771" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23771" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-7.gif" alt="GIF da série The Good Place onde uma personagem feminina expressa a dor quanto a cena passada. No GIF está escrito: “isso significa que ela sempre foi capaz de mudança”. A mulher usa uma jaqueta jeans e uma blusa com listras coloridas." width="650" height="289" /><figcaption id="caption-attachment-23771" class="wp-caption-text">A dor da rejeição materna é grande demais, ainda mais quando a mesma sempre pôde mudar (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> também discorre temas sociais, como o desenvolvimento do capitalismo, as questões penais e de gênero e sexualidade. A série traz essa última em um tom leve e sem muita profundidade, mas em vários momentos é possível ver Eleanor comentando sobre bissexualidade e demonstrando interesses em pessoas de gêneros opostos &#8211; tanto que em um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">reboots</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua alma gêmea é Tahani e ela já comentou sobre se atrair por Janet. Além é claro, de Janet, que se intitula como </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;not a girl&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; remetendo a possibilidade da ajudante de Michael ser uma representação </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2021/05/o-que-e-genero-nao-binario-e-como-usar-linguagem-neutra-no-dia-dia.html"><span style="font-weight: 400;">não-binária</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda neste tópico, é possível ver problemas reais como o abandono maternal e negligência familiar &#8211; tanto no caso de Eleanor quanto no de Jason e Tahani, além do </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/ansiedade-transtorno-de-ansiedade-generalizada/"><span style="font-weight: 400;">transtorno de ansiedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chidi. Esse último caso é relatado em  por volta de 19 milhões de brasileiros, segundo uma </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/12/06/ansiedade-e-o-transtorno-mais-comum-entre-os-brasileiros-sintomas-pioraram-durante-a-pandemia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">reportagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> do <em>Fantástico</em>. Tais situações próximas da realidade de muitas pessoas, faz com que a representação desses personagens seja mais “crua” e, logo, mais próxima de se tornar identificável.</span></p>
<figure id="attachment_23772" aria-describedby="caption-attachment-23772" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23772" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-8.gif" alt="GIF da série The Good Place onde são apresentados uma personagem, possivelmente, não-binária e um rapaz. No GIF está escrito: “Não quero perder você, garota”, seguido por: “Eu não sou uma garota”. " width="650" height="277" /><figcaption id="caption-attachment-23772" class="wp-caption-text">A diversidade apresentada na série é algo que a destaca (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O quê anti-capitalista também é presente na série. Durante as várias idas e vindas do grupo, descobrimos que ninguém sobe para o Bom Lugar há mais de quinhentos anos e, ainda nesse episódio, é apresentado que a vida contemporânea é complicada, </span><a href="https://youtu.be/hY-Rzou38k4"><span style="font-weight: 400;">porque o capitalismo faz com que ela o seja</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ato de dar uma flor no passado causava pontos positivos; enquanto a mesma ação, nos dias atuais, faz com que a pessoa os perca, já que o mercado é algo volátil e que muitas vezes não colabora com o meio ambiente ou com a sociedade em uma esfera maior &#8211; o exemplo dado na série, por exemplo, faz com que o personagem possua uma desvantagem por ter contribuído com o trabalho em condições insalubres e com um empresário acusado por assédio, mesmo que o comprador de uma simples flor não soubesse disso. No fim, </span><a href="https://youtu.be/R8m_5HDZF7w"><span style="font-weight: 400;">não há uma ética no capitalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As questões penais também pesam durante a quarta e última temporada, onde os personagens são julgados a quase serem apagados da história, já que o novo experimento conduzido por Michael, dessa vez para salvar a humanidade, dá errado. </span><a href="https://ferlap.pt/good-placeseason-4-episode-10-review"><i><span style="font-weight: 400;">Você mudou, cara</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (You’ve Changed, Man)</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo episódio que discorre sobre como o sistema judicial poderia reintegrar e re-educar as pessoas que já foram punidas por ele mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_23774" aria-describedby="caption-attachment-23774" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-9.png" alt="Cena da série The Good Place onde os quatro personagens principais estão meio agachados, conversando entre si. No fundo está uma personagem olhando para cima e esperando o grupo acabar o diálogo." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-23774" class="wp-caption-text">Os personagens não desistem da humanidade, por mais falha e complicada que ela seja (Foto: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, tudo dá certo. O Bom Lugar passa por uma nova </span><a href="https://youtu.be/cWrYyvXJRHI"><span style="font-weight: 400;">reforma estrutural</span></a><span style="font-weight: 400;"> e passa a ser o objetivo de todos, que colocam um processo de reeducação dos erros cometidos na vida passada. Aquela realidade parece perfeita, os personagens finalmente tem aqueles minutinhos de paz para só aproveitarem tudo que alcançaram até ali. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que eles percebem que a eternidade não é tudo isso, ainda mais em um lugar utópico como o que estão. Um por um, os protagonistas conseguem reparar que já atingiram sua meta naquele lugar e, vendo que não existe mais a necessidade de ajudarem outras pessoas ou aproveitarem o suposto paraíso, os personagens se </span><a href="https://youtu.be/l1IchzbtNj0"><span style="font-weight: 400;">despedem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para voltarem ao universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se ver solitário naquela utopia que Michael criou, ele decide </span><a href="https://youtu.be/YeWBBBVFQyI"><span style="font-weight: 400;">desistir do paraíso em que vivia e tentar viver de forma humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; por mais que ele saiba as dificuldades, as questões de ter um trabalho e de possuir glândulas sudoríparas. Dando assim, um fim ao ciclo. Fechando os pontos soltos das histórias: Tahani conseguindo ser alguém importante sem estar a sombra de sua irmã, Chidi se contentando com as coisas ao seu redor e Jason desistindo de todos os objetivos bobões que ele possuía, tendo Janet ao seu lado.</span></p>
<figure id="attachment_23775" aria-describedby="caption-attachment-23775" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-10.gif" alt="GIF da série The Good Place onde mostra uma mulher andando em uma floresta, em direção a um portal composto por árvores. " width="650" height="314" /><figcaption id="caption-attachment-23775" class="wp-caption-text">O encerramento da série mostra o crescimento pessoal de todos os personagens, principalmente de Eleanor (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eleanor também se </span><a href="https://youtu.be/hDAczwSmzRU"><span style="font-weight: 400;">despede</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lugar, dando adeus para seus pensamentos mesquinhos, dias solitários e a autossuficiência que desenvolveu como mecanismo de defesa. É um arco que completa a personagem, que agora entende a importância de ouvir e ser ouvida.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz questões importantes de </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/series-e-tv/2019/12/06/noticias-series-e-tv,253864/the-good-place-da-uma-aula-de-filosofia-por-meio-do-humor.shtml"><span style="font-weight: 400;">forma gostosa de se acompanhar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo um humor leve e inteligente que faz com que o entendimento de bases filosóficas antigas e acadêmicas seja mais acessível e amplo. Sua narrativa, vez ou outra, soa liberal, mas não diminui as questões sociais e ético-morais que a série nos apresenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história possui personagens envolventes que crescem e nos fazem rir e chorar junto. Questões como não se sentir o suficiente para ser amado, as dificuldades envolvendo a ansiedade de Chidi, da inferioridade de Tahani, a vontade de Jason de ser uma pessoa melhor. Sua narrativa é acolhedora e nos ensina que todos somos capazes de mudança e de melhora.</span></p>
<figure id="attachment_23776" aria-describedby="caption-attachment-23776" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/tgp-11.gif" alt="GIF da série The Good Place onde mostra dois personagens, a primeira estende a mão para o segundo, que em seguida a abraça. " width="650" height="289" /><figcaption id="caption-attachment-23776" class="wp-caption-text">Às vezes, sentimos que não somos dignos de mudanças, mas sempre há a possibilidade de melhora (GIF: NBC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além, é claro, de Chidi e Eleanor. É realmente possível acreditar na questão de </span><a href="https://youtu.be/Uzsa1Nc4CaM"><span style="font-weight: 400;">almas-gêmeas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao vê-los se reencontrando tantas vezes e, em todas elas, conseguindo manter um elo forte e seguro. Um ajudando o outro com suas falhas, havendo o aprendizado de ambos os lados, possuindo a vontade de sempre se encontrarem. É um amor </span><a href="https://maestrovirtuale.com/william-shakespeare-biografia-generos-e-estilo/"><span style="font-weight: 400;">estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespeariano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que parece dar certo em seus próprios moldes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a pergunta que fica é: </span><a href="https://mosteirodoconhecimento.wordpress.com/2020/01/08/o-que-nos-devemos-aos-outros-o-contratualismo-moral-de-t-m-scanlon/"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o que devemos uns aos outros?&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; outra vertente da filosofia que a série usa como esqueleto, mas que também serve como questionamento para o dia a dia: o que se pode aprender da pessoa com quem você convive? E o que pode ensinar? Por ora, o ensinamento que esse texto tem a dar é: reassista </span><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda há muito que os 5 anos da série podem lhe entregar.</span></p>
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		<title>O sofrimento transcende o tempo em Regresso a Reims (Fragmentos)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2021 16:11:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Parte considerável dos conflitos geracionais consiste em renegar a vida pregressa do indivíduo que está bem diante de você, comumente associado a alguém antiquado à época. Essa ausência de visão pode transformá-lo em um ser suportável, mas diminuí-lo como ser humano. Pelo menos essa é a lição que tiramos de Pais e Filhos, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/regresso-a-reims-fragmentos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O sofrimento transcende o tempo em Regresso a Reims (Fragmentos)"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24090" aria-describedby="caption-attachment-24090" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1.jpg" alt="Fotografia colorida de uma família francesa. Na foto, da esquerda para a direita, há um homem de cabelos grisalhos, vestindo terno cinza e camisa branca, de braços cruzados e boca semi-aberta; depois, há um homem com cabelos pretos lisos, sorrindo de boca fechada, vestindo uma blusa azul, camisa branca e uma calça azul. Também está de braços cruzados. À sua esquerda, há uma mulher de braços cruzados, vestindo um vestido de cor verde, com uma bolsa em cor marrom pendurada em seu braço esquerdo. Ela possui um cabelo liso de cor preta, que cobre suas orelhas. Depois, há uma menina de cabelo castanho liso, utilizando um vestido de cor verde com bolinhas brancas. Ela está com os dois braços cruzados atrás das costas. Essas 4 pessoas são brancas. Ao fundo estão alguns pessoas caminhando, com bandeiras com as cores da França expostas." width="1000" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1-800x562.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-1-768x539.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24090" class="wp-caption-text">Integrando a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Regresso a Reims (Fragmentos) é um recorte da história da classe média na França [Foto: Les Films de Pierre]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte considerável dos conflitos geracionais consiste em renegar a vida pregressa do indivíduo que está bem diante de você, comumente associado a alguém antiquado à época. Essa ausência de visão pode transformá-lo em um ser suportável, mas diminuí-lo como ser humano. Pelo menos essa é a lição que tiramos de </span><a href="https://www.literatamy.com/post/pais-e-filhos-ivan-turgueniev"><i><span style="font-weight: 400;">Pais e Filhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Ivan Turguêniev. A essa postura, o diretor e roteirista Jean-Gabriel Périot se opõe ferozmente, e joga luz sobre a história dos trabalhadores franceses em seu documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims (Fragmentos)</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.   </span></p>
<p><span id="more-24089"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Retorno a Reims</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo filósofo </span><a href="https://ionline.sapo.pt/artigo/723627/didier-eribon-do-operariado-que-vota-na-extrema-direita?seccao=Mais_i"><span style="font-weight: 400;">Didier Eribon</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em decorrência das experiências de vida narradas nas páginas, principalmente o testemunho da infância da mãe de Eribon, a obra teve um grande impacto na França quando publicada, em 2009, e tornou-se um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos escritos, o autor traça um regresso metafísico a Reims, comuna francesa onde cresceu, denunciando a opressão das minorias no país ocasionada pelo uso político da pobreza por aqueles que idealmente deveriam atacar essas estruturas de dominação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Propiciando reflexões através de imagens pessoais e de época, que vão desde os anos 1950 até os dias atuais, o filme de Périot opta pelo ensaio, adaptando livremente os capítulos originais. Com a narração de trechos do livro a cargo da atriz </span><a href="https://personaunesp.com.br/retrato-jovem-chamas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adèle Haenel</span></a><span style="font-weight: 400;"> — os </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Fragmentos’ </span></i><span style="font-weight: 400;">a que se refere o título —, alternadamente aos testemunhos dos trabalhadores, o documentário transforma o particular em universal, apontando para a vasta multidão de negligenciados como protagonistas da história, com as cenas de arquivos denunciando a longa trajetória de abuso e humilhação sofrida por essas classes mais baixas.</span></p>
<figure id="attachment_24091" aria-describedby="caption-attachment-24091" style="width: 999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24091" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2.jpg" alt="Foto do diretor Jean-Gabriel Périot. Ele é um homem branco e loiro, possui olhos verdes, cabelos lisos e rasos e uma barba rala. Ele está utilizando um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta; veste uma camisa branca, um suéter de cor preta e uma jaqueta também de cor preta. Ele está parado olhando fixamente para a câmera, e o fundo da imagem é em cor cinza." width="999" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2-800x562.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-2-768x540.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24091" class="wp-caption-text">A técnica de mesclar documentos históricos e narrações já foi utilizada por Jean-Gabriel Périot em trabalhos anteriores, principalmente em seus curta-metragens e no longa Juventude Alemã, indicado ao Prêmio César em 2016 (Foto: Les Films de Pierre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse extenso panorama traz evidências de algo previsível: os pais oprimidos transmitem a opressão aos seus filhos, transformando o sofrimento em algo hereditário. O que fica claro é que esse sistema se mantém vivo na contemporaneidade, principalmente quando enxergamos, por exemplo, as visíveis desigualdades no trabalho, além da exploração a qual se submetem os mais pobres, numa tentativa de sobreviver em um mundo que parece ter se esquecido deles — ou que, provavelmente, nunca os considerou. Como diz um trabalhador em um trecho do filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">“ao envelhecer, o corpo do operário exibe a realidade das coisas&#8221;.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A deterioração lenta do corpo desses trabalhadores, e a alienação imposta a esses indivíduos, permite enxergar ao passar das cenas que, na realidade, só existem </span><i><span style="font-weight: 400;">“as classes altas e as classes baixas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como escreveu George Orwell em </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/saiba-mais-sobre-o-livro-1984-de-george-orwell/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dar voz aos oprimidos, sem qualquer intervenção, é uma das grandes manobras do diretor. Em alguns momentos, enxergamos a mão de alguém segurando um microfone, mas essa pessoa nunca aparece ou impõe algo aos entrevistados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência aparentemente cronológica de imagens mostra os motivos ocultos que levaram ex-comunistas a votarem em peso em pessoas como </span><a href="https://observador.pt/2021/10/22/lider-da-extrema-direita-francesa-apoia-primeiro-ministro-polaco-na-crise-com-ue/"><span style="font-weight: 400;">Marine Le Pen</span></a><span style="font-weight: 400;">, motivados pelo descontentamento com a hierarquia social, numa tentativa desesperada de consolidar a própria identidade. Conforme o enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Retour à Reims</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) aproxima-se dos tempos atuais, conseguimos vislumbrar ecos de </span><a href="https://outraspalavras.net/sem-categoria/para-compreender-a-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">A sociedade do espetáculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973), filme de Guy Debord baseado em seu livro homônimo de 1967 — uma das grandes influências de Périot.</span></p>
<p><figure id="attachment_24092" aria-describedby="caption-attachment-24092" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24092 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Retorno a Reims, de Didier Eribon. Na imagem, há um desenho de um cachorro de cor branca, com duas manchas castanhas em cada um de seus olhos. Ele está deitado sobre um tapete de cor vermelha, com riscos de cor azul, marrom e laranja. O fundo da imagem é cinza. Na parte superior, de forma centralizada, está escrito Didier Eribon, em fonte de cor branca. Abaixo dessas duas palavras, também em fonte de cor branca, está escrito Retorno a Reims." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/FOTO-3.jpg 1417w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24092" class="wp-caption-text">Capa da obra escrita pelo filósofo Didier Eribon, que inspirou o documentário Regresso a Reims (Fragmentos); o livro é publicado no Brasil pela editora Âyiné, sob tradução de Cecilia Schuback [Foto: Âyiné]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">À medida que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega ao fim, vemos os oprimidos cada vez mais desiludidos com promessas eleitorais vazias. O filme mostra a visão dos trabalhadores sobre políticos de esquerda e direita, pois, durante os anos 1980, aqueles alinhados à esquerda não enxergaram qualquer tipo de avanço em suas vidas, ficando presos a ideais que não lhes entregavam comida na mesa, enquanto facções de extrema-direita tentavam tirar vantagem dessa situação, enganando deliberadamente a população.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de 80 minutos nos emudece e transporta à </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma simples troca de imagem, visto que as falas dos trabalhadores acompanham sempre um sorriso perdido, com olhares evasivos e afirmações do tipo </span><i><span style="font-weight: 400;">“é assim que as coisas são”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O poder do documentário de Jean-Gabriel Périot (como também da obra de Didier Eribon) é o de construir, de forma singela, um mosaico para compreender — mesmo que parcialmente — o motivo de certas coisas acontecerem ainda em 2021, como a adesão praticamente inconsciente de classes mais baixas a grupos de extrema-direita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos querem ter uma vida minimamente decente, e por essa razão são incapazes de enxergar golpes e enganações, tornando-se cegos diante dos fatos. A bem da verdade, esses indivíduos não podem enxergar, pois seus olhos foram deixados em algum chão de fábrica. A principal mensagem deixada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Regresso a Reims</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de que a desigualdade social é um dos maiores fracassos da civilização. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RETOUR A REIMS [FRAGMENTS] (Jean-Gabriel Périot) | L&#039;Alternativa Internacional. Llargmetratge | 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/35IiPdQ1KyQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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