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	<title>Arquivos Festival do Rio &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 15:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-transamazonia-e-ainda-estou-aqui-da-tv-ao-teatro-philipp-lavra-reflete-sobre-sua-trajetoria-como-ator/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36695" aria-describedby="caption-attachment-36695" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png" alt="Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36695" class="wp-caption-text">O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/04/7130300-artes-nao-se-afastam-se-integram-afirma-o-ator-e-fotografo-philipp-lavra.html"><span style="font-weight: 400;">Philipp Lavra</span></a><span style="font-weight: 400;"> é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.</span></p>
<p><span id="more-36691"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse desejo de atravessar linguagens e territórios se manifesta de forma especialmente nítida nos projetos que o levam para fora dos grandes centros e dos formatos mais convencionais. Ao longo dos últimos anos, Philipp tem se envolvido em produções que exigem não apenas preparo técnico, mas também disposição para lidar com o estranhamento, seja ele cultural, geográfico ou simbólico – movimento que convive, inclusive, com sua passagem recente pela televisão aberta, na novela </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/garota-do-momento/personagem/orlando/"><span style="font-weight: 400;">Garota do Momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), exibida pela Globo.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/"><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge, então, como um desses encontros. Dirigido pela sul-africana, Pia Marais, o filme carrega um contraste fundamental: uma coprodução internacional que se propõe a encenar conflitos históricos, ambientais e espirituais no território brasileiro, marcado por disputas e feridas abertas. Para Philipp Lavra, que interpreta Júnior, um madeireiro envolvido nas tensões que atravessam a narrativa, a curiosidade surgiu do estranhamento.</span></p>
<h3><b>O primeiro contato com o projeto</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a proposta de Transamazônia chegou até Philipp Lavra, o primeiro sentimento foi de curiosidade. O projeto ainda estava em circulação entre testes e conversas iniciais quando ele ouviu que se tratava de </span><b>“</b><b><i>um filme gringo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> ambientado na transamazônia. A combinação soou inesperada. </span><b>“</b><b><i>Um filme gringo na transamazônia? Curioso</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, lembra. O estranhamento inicial, porém, não funcionou como barreira, ao contrário, abriu espaço para o interesse em compreender melhor o que estava em jogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que foi se aproximando do material e do contexto da produção, a desconfiança deu lugar à percepção de que aquele deslocamento fazia parte da própria natureza do filme. A história de um madeireiro inserido em uma região de conflito, atravessada por tensões políticas, ambientais e culturais, ganhou outra densidade quando Philipp entendeu também os limites concretos da realização. </span></p>
<figure id="attachment_36692" aria-describedby="caption-attachment-36692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png" alt="Plano médio mostra Philipp Lavra debruçado na janela de um carro, olhando para a direita. Ele usa uma camisa azul clara sem mangas e tem bigode. Ao fundo, fora de foco, o ator Rômulo Braga observa a cena com expressão séria." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36692" class="wp-caption-text">Philipp Lavra interpreta Júnior em Transamazônia, personagem marcado pela relação hierárquica e conflituosa com o irmão, vivido por Rômulo Braga (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>Família, trabalho e ruína</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, o personagem Júnior é definido pela relação com o irmão mais velho, interpretado por </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma dinâmica atravessada por afeto, conflito e hierarquia, tanto familiar quanto profissional. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O nome Júnior, no Brasil, carrega um peso grande”</i></b><span style="font-weight: 400;">, observa Philipp. </span><b><i>“Ele é Júnior porque carrega o nome do pai, mas também porque é o irmão mais novo. É um duplo lugar.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse detalhe serviu como ponto de partida para a construção do personagem. </span><b>“</b><b><i>O personagem do Rômulo vive um conflito enorme, e isso faz com que a família comece a se fragmentar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, explica. No filme, trabalho e laço familiar se confundem, reproduzindo uma lógica comum no contexto brasileiro. </span><b>“</b><b><i>A gente tentou mostrar esse ambiente familiar que está ruindo e que também é um ambiente de trabalho. Aqui, essas coisas estão muito unidas</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h3><b>O sentimento de ser estrangeiro</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de brasileiro, Philipp descreve a experiência de filmar na Amazônia como um confronto direto com a própria ideia de pertencimento. </span><b>“</b><b><i>Eu sou sudestino, isso eu já sei. Mas quando você chega lá, você vê o tamanho da dimensão do Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. Em determinado momento das filmagens, a percepção se tornou coletiva. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O elenco internacional falava: ‘é muito difícil para a gente, porque somos estrangeiros aqui’. E eu falei: ‘eu também’. Todo mundo ali era estrangeiro.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DTajU6bDrGE/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">constatação</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas geográfica, revela uma fratura simbólica: a distância entre o imaginário nacional e a realidade amazônica. </span><b>“</b><b><i>Mesmo sendo brasileiro, lá no meio a gente também parece estrangeiro</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Para ele, esse reconhecimento só foi possível a partir da vivência. </span><b>“</b><b><i>Eu não tinha entendido isso antes de estar lá</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estrangeiridade também se materializou nas escolhas da produção. </span><b>“</b><b><i>A gente só filmou na Guiana Francesa porque dentro do território brasileiro nenhuma madeireira aceitou fazer. Ninguém aceitou que a gente filmasse dentro das madeireiras</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relata. Além de um obstáculo logístico, a decisão expôs os limites de acesso e os interesses em jogo na região, reforçando a percepção de que Transamazônia lidava com tensões que extrapolavam a ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Philipp, o cuidado com o território foi um ponto central do processo. </span><b>“</b><b><i>A gente sabe que o cinema, às vezes, atropela o lugar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, reflete. Ainda assim, ele destaca o esforço da equipe em estabelecer uma relação de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2025/02/turismo-cinematografico-como-a-industria-do-cinema-impacta-os-destinos-de-viagem/"><span style="font-weight: 400;">respeito com o espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>“</b><b><i>Achei que houve muito cuidado, uma ligação muito forte entre as equipes para fazer o melhor trabalho possível</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36694" aria-describedby="caption-attachment-36694" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36694" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png" alt="Plano aberto mostra uma casa de madeira desgastada sobre palafitas. No terreiro de terra batida à frente da casa, Philipp Lavra e Rômulo Braga caminham lado a lado. Há um quadriciclo verde estacionado à direita e barris azuis e rosados à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36694" class="wp-caption-text">Os irmãos representam a ruína das relações de exploração (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>A cena quase cortada de Ainda Estou Aqui</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio das filmagens de Transamazônia, Philipp Lavra viveu uma situação-limite que quase o afastou de uma das cenas mais emblemáticas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), dirigido por Walter Salles. A sequência do fotógrafo, que mais tarde ganharia grande repercussão nas redes, dependia de um detalhe incontrolável: a luz natural.</span> <b>“</b><b><i>Era a cena da foto, e no dia fez um dia horrível. Fechou o tempo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relembra. Para o diretor, a luz era inegociável. </span><b>“</b><b><i>O Walter queria muito uma luz natural, e não dava</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impasse ganhou contornos ainda mais delicados por causa do cronograma. A cena estava prevista para uma segunda-feira, enquanto a viagem de Philipp para a Amazônia aconteceria poucos dias depois. Com a gravação cancelada, a possibilidade de refazer a cena parecia cada vez menor. </span><b>“</b><b><i>Eu já estava preparado para não fazer. Falei: ‘bom, então não vai dar, porque eu viajo no domingo’</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. A equipe, no entanto, insistiu em tentar uma última alternativa. Contra as previsões, a gravação foi remarcada para o sábado seguinte. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Tinha que ser aquele sábado. E foi um dia lindo, fez um sol maravilhoso no Rio de Janeiro. A gente conseguiu filmar. Eu viajei no dia seguinte, mas quase não fiz. Foi por muito pouco mesmo.”</i></b></p></blockquote>
<p><b>“</b><b><i>São dois filmes completamente diferentes</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, observa. </span><b>“</b><b><i>Uma produção no Rio, com toda a familiaridade que eu tenho, e a outra 100% novidade</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No intervalo apertado entre um set e outro, o ator se viu atravessado por ritmos, linguagens e territórios opostos, uma experiência intensa, mas que ele define, sem hesitar, como </span><b>“</b><b><i>bem legal</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36693" aria-describedby="caption-attachment-36693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png" alt="Philipp Lavra, à direita, sorri levemente enquanto manuseia uma câmera fotográfica antiga de médio formato sobre um tripé. Ele veste camisa azul clara. Ao seu lado, um homem negro de terno marrom observa. O cenário é um jardim ensolarado com muro branco e plantas verdes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36693" class="wp-caption-text">A cena do fotógrafo em Ainda Estou Aqui que quase foi cancelada devido a conflitos de agenda (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<h3><b>Criar laços, mesmo sem pertencer</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao pensar no futuro, Philipp não fala em formatos específicos, mas em deslocamentos. </span><b>“</b><b><i>Eu gosto muito de viajar pelo Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Filmes que se debruçam sobre culturas e territórios específicos despertam seu interesse justamente pela possibilidade de troca. </span><b>“</b><b><i>Conhecer e, depois, poder passar essa palavra</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência se repetiu inclusive, no ano seguinte à Transamazônia, ele voltou à região para filmar em Cametá, no Pará. </span><b>“</b><b><i>Fiquei 40 dias na Amazônia. Você não se torna uma pessoa daquele lugar, mas cria laços com o espaço, com as pessoas. Laços afetivos</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja aí que o Cinema, para Philipp Lavra, encontre sua função mais honesta: não a de explicar territórios complexos, mas a de atravessá-los com atenção, reconhecendo limites, distâncias e vínculos possíveis. Porque, às vezes, estar presente, mesmo como estrangeiro, já é um gesto de escuta.</span></p>
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		<title>No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 17:43:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36676" aria-describedby="caption-attachment-36676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png" alt="Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36676" class="wp-caption-text">A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/pia-marais-fala-sobre-transamazonia-filme-que-retrata-exploracao-da-fe-e-da-floresta"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.</span></p>
<p><span id="more-36669"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Rebecca (Helena Zengel), jovem que sobrevive à queda de um avião na floresta amazônica e passa a ser vista como um milagre vivo pela comunidade religiosa pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido). A partir desse ponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">articula três vertentes narrativas: a relação entre pai e filha, marcada por manipulação e silêncio; a aculturação religiosa como prática histórica de dominação; e o embate entre </span><a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2025/07/08/madeireiros-ilegais-lucram-com-projetos-de-credito-de-carbono-na-amazonia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">madeireiros ilegais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma comunidade indígena que protege seu território. A ambição da obra está justamente em fazer esses eixos colidirem, mas sua fragilidade aparece quando nenhum deles é aprofundado o suficiente para sustentar o peso das questões que levanta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro emocional da narrativa está a relação entre Rebecca e Lawrence. A ascensão da jovem como figura milagrosa, capaz de fazer pessoas voltarem a andar ou despertarem de um coma, é instrumentalizada pelo pai como capital simbólico de sua igreja. </span><a href="https://www.lagoanerd.com.br/post/a-lenda-de-ochi-fantasia-da-a24-ganha-novos-cartazes"><span style="font-weight: 400;">Helena Zengel</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance contida, que sugere fissuras internas mais interessantes do que se é permitido explorar no roteiro, assinado por Pia Marais, Willem Droste e Martin Rosefeldt. Já Jeremy Xido constrói um Lawrence ambíguo, dividido entre fé, poder e paternidade, mas limitado por um arco dramático que frequentemente soa mal resolvido. Revelações tardias e pouco orgânicas, como segredos familiares descobertos de maneira abrupta, enfraquecem o conflito íntimo que poderia funcionar como espelho das ruínas morais provocadas pela ganância humana.</span></p>
<figure id="attachment_36675" aria-describedby="caption-attachment-36675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png" alt="Sob uma iluminação fria e azulada, Rebecca (Helena Zengel) e seu pai Lawrence (Jeremy Xido) estão de pé, lado a lado, segurando microfones próximos à boca. Ambos vestem roupas brancas e parecem cantar ou orar de olhos fechados ou baixos. O fundo é composto por uma cortina branca translúcida." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36675" class="wp-caption-text">A ascensão da jovem Rebecca como figura &#8220;milagrosa&#8221; é instrumentalizada pelo pai missionário como capital simbólico para sua igreja pentecostal (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a perspectiva de Pia Marais, a aculturação religiosa surge como um costume que o Brasil conhece desde os primeiros anos da colonização. O missionarismo de Lawrence além de prática espiritual, é uma forma de reorganizar o ambiente, os corpos e as crenças locais. O filme acerta ao apontar esse mecanismo como parte de um novo colonialismo, no qual </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/faltou-dizer-colunas-e-blogs/juros-aos-ceus-existe-uma-linha-tenue-entre-fe-lucro-e-manipulacao-697496/"><span style="font-weight: 400;">fé, lucro e poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> caminham juntos. No entanto, permanece no limiar da denúncia: identifica o problema, mas evita tensioná-lo até as últimas consequências, preferindo uma abordagem ambígua que nunca se transforma em confronto direto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo ocorre no eixo ambiental. Filmado majoritariamente no território indígena </span><a href="https://cop.dol.com.br/belem-para/povo-asurini-lanca-plano-de-gestao-ambiental-para-terra-indigena-koatinemo/7046/"><span style="font-weight: 400;">Asurini do Xingu</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sequências rodadas também na Guiana Francesa, em áreas liberadas para o desmatamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o conflito entre madeireiros ilegais e povos originários como pano de fundo constante. Há momentos de forte presença dos personagens indígenas, como o Silas, interpretado por Hamã Sateré, descendente das etnias Tikuna e Sateré-Mawé, cuja performance se destaca justamente pela economia de palavras e intensidade corporal. Ainda assim, esses personagens raramente têm voz narrativa própria. O longa opta por observá-los à distância, reduzindo sua participação a reações de raiva ou resistência, sem lhes conceder perspectiva, discurso ou centralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha revela um problema estrutural que atravessa seus 112 minutos. O conflito se organiza, em grande medida, como o embate entre dois grupos de personagens brancos – missionários e exploradores – tendo os povos indígenas como objeto da disputa, e não como sujeitos da narrativa. O resultado é uma sensação de déjà-vu: esse conceito já foi explorado inúmeras vezes pelo Cinema, e a expectativa era por uma abordagem mais revolucionária. Em vez disso, a produção flerta perigosamente com a lógica do </span><a href="https://mundonegro.inf.br/o-complexo-do-branco-salvador-no-cinema-norte-americano/"><i><span style="font-weight: 400;">white savior</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se a intenção era escapar dessa armadilha, o resultado final não consegue se desvencilhar dela.</span></p>
<figure id="attachment_36670" aria-describedby="caption-attachment-36670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg" alt="Um close-up na floresta mostra Silas (Hamã Sateré), um jovem indígena de cabelos escuros e colar de contas olhando seriamente para a esquerda, ao lado de Rebecca (Helena Zengel), uma jovem branca de cabelos loiros cacheados olhando para a direita. Ela usa um colar com uma pequena cruz dourada. O fundo é uma vegetação densa e desfocada." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1.jpg 1202w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36670" class="wp-caption-text">Os personagens indígenas, apesar de performances intensas, por vezes são observados à distância, sem centralidade narrativa (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Formalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">é dirigido com segurança. A fotografia de Mathieu de Montgrand constrói uma Amazônia imersiva e atmosférica, frequentemente celebrada pela crítica por sua beleza e força sensorial. A floresta garante uma atmosfera sobrenatural, conferindo à obra um tom entre o thriller ambiental e o drama espiritual. No entanto, essa mesma atmosfera, em alguns momentos, se sobrepõe à densidade dramática: a forma engole o conflito, e o impacto estético não se converte em aprofundamento narrativo. O elenco de apoio – que inclui os brasileiros </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sua presença sempre sólida, e Philipp Lavra – reforça essa sensação de potencial subutilizado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">se revela um filme de intenções claras e execução contida. As três vertentes que estruturam a narrativa coexistem, mas não se atravessam com a força que prometem. Ainda assim, por mais que o longa não aprofunde plenamente esses tópicos, ele é suficiente para colocar holofotes sobre discussões urgentes, especialmente no contexto contemporâneo de exploração ambiental e fé lucrativa. Pia Marais entrega um retrato </span><a href="https://agenciadecomunicacao.uneb.br/primeira-escola-brasileira-do-pensamento-decolonial-inicia-atividades-na-uneb-programacao-vai-ate-30-08/"><span style="font-weight: 400;">anticolonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece à beira de seu verdadeiro potencial: observando fissuras importantes, mas hesitando em atravessá-las.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Transamazônia - Trailer Nacional " width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/maVmquAkRs0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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		<title>Continente e sua perturbadora sede de sangue</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 18:24:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira Continente faz parte da seção Mostra Brasil na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/continente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Continente e sua perturbadora sede de sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34255" aria-describedby="caption-attachment-34255" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-12.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos o rosto de Amanda coberto de sangue. Amanda, mulher branca com olhos e cabelos castanhos, encontra-se boquiaberta e com muito sangue ao redor de sua boca. Ao fundo da foto está escuro." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34255" class="wp-caption-text">Davi Pretto recebeu o prêmio de Melhor Direção na categoria Novos Rumos do Festival do Rio 2024 (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida nos prestigiados Festival Internacional de Cinema de Munich e Festival do Rio, a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte da seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de um simples vilarejo nas planícies do Sul do país, mostra uma narrativa muito distópica que aborda o colonialismo, misturando drama com horror. </span></p>
<p><span id="more-34253"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/continente-novos-rumos-festival-do-rio-2024"><span style="font-weight: 400;">Davi Pretto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuído pela Vitrine Filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">mergulha na vida de Amanda (interpretada por Olivia Torres) que está de volta ao Brasil após passar 15 longos anos morando na França com seu namorado Martin (Corentin Fila). Na trama, a jovem retorna ao país pois seu pai, Agenor, adoece e está à beira da morte, o que acarreta diversos rumores a respeito da saúde do velho fazendeiro que comanda a pequena cidade pacata sulista.</span></p>
<figure id="attachment_34254" aria-describedby="caption-attachment-34254" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png" alt="Cena do filme Continente. Na foto vemos Helô fechando um container. Helô, mulher negra de cabelos castanhos curtos, usa uma blusa azul bebê. Sua mão esquerda e o restante de seu corpo estão apoiados na porta de um grande container de metal." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-11-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34254" class="wp-caption-text">Continente apresenta uma visão colonialista do mundo (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma estética ruralista que se aproxima a </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a obra de Davi Pretto carrega muito suspense e mistério, que fazem parte da construção narrativa, criando uma atmosfera de tensão e expectativa no espectador. Personificando os trabalhadores rurais através de atos vampirescos, os zumbificando e deixando à mercê de seu patrão – que explora sua mão de obra –, os moradores da pequena cidade se veem em uma posição que remete a escravidão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrepondo o peso de que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mentira corrói a alma de quem mente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a Fotografia de Luciana Baseggio adota um tom sombrio, com cores escuras e elementos filmados pela câmera que nos deixam desconfortáveis. Apesar de ter uma ótima trama, seu ritmo delibera sua atmosfera e acaba tornando-a muito lenta, o que deixa a desejar em determinados </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">do longa, abrindo abas para a falta de clareza e </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-continente-terror-rural-com-ares-vampirescos-festival-do-rio-2024-580762/"><span style="font-weight: 400;">entendimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de certos acontecimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de componentes que remetem a </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-desejo-e-obsessao-2001/"><i><span style="font-weight: 400;">Desejo e Obsessão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001) de Claire Denis, a sonoridade é o que mais chama atenção dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i><span style="font-weight: 400;">. O prazer no apetite voraz dos personagens pelo sangue e o perturbador ‘acordo’ que os moradores possuem com dono da grande propriedade cumprem com seu objetivo de abordar um lado feroz e metafórico, ressaltando a crítica sobre  ‘dar o sangue pelo trabalho’ feita pelo longa.  </span></p>
<figure id="attachment_34256" aria-describedby="caption-attachment-34256" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34256" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png" alt="Cena do filme Continente. Na imagem vemos Amanda olhando para o horizonte. Amanda, mulher branca de cabelos castanhos, usa camisa de botão bege. Ela está olhando através de uma janela à sua esquerda. Ao fundo é possível observar o interior de sua casa." width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-7-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34256" class="wp-caption-text">A produção do filme teve colaboração de cinco países (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de buscar um apelo para o lado visceral do Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta uma história um tanto </span><a href="https://conectageek.com.br/critica-continente/"><span style="font-weight: 400;">macabra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e selvagem. Em um ato metafórico e explícito que caminha entre a persistência de um sistema hierárquico e as marcas do colonialismo, o longa se sobrepõe como uma excelente produção de horror brasileira.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Continente </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega um enredo profundo, em que as relações de poder são tanto elementos de conflito quanto de reflexão, ecoando as vozes do presente e do passado em um Brasil que é, ao mesmo tempo, uma </span><a href="https://enlatado.com.br/tag/davi-pretto/"><span style="font-weight: 400;">herança</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma prisão. Os símbolos e valores se rompem em um grande mar de sangue, nos deixando uma reflexão: no fim, quem suga o sangue de quem?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CONTINENTE | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7FqR9GOCFyM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Às vezes, nós não Precisamos Falar…</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 22:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira Precisamos Falar mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/precisamos-falar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, nós não Precisamos Falar…"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34235" aria-describedby="caption-attachment-34235" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Sandra e Paulo pensando em algo. Sandra, mulher branca com cabelos castanhos, veste um top azul e corta-vento cinza, seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camisa de botão listrada branca e vinho. Ao fundo dos dois é possível ver uma geladeira." width="770" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9-768x528.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34235" class="wp-caption-text">Precisamos Falar aborda negacionismo e narcisismo (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">O Jantar</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Herman Koch, o filme mostra a reflexão sobre até onde os pais vão para proteger seus filhos.</span></p>
<p><span id="more-34234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico</span> <span style="font-weight: 400;">explora o pior do alto escalão da classe média carioca. Acompanhando os casais Sandra (</span><a href="https://istoe.com.br/marjorie-estiano-celebra-novo-trabalho-com-alexandre-nero-e-critica-personagem-negacionista/"><span style="font-weight: 400;">Marjorie Estiano</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Paulo (Alexandre Nero), e Celso (Emílio de Mello) e Anna (Hermila Guedes), a trama gira em torno da descoberta de um terrível homicídio cometido por seus filhos adolescentes – o que acaba ocasionando tensões nas relações das famílias.</span></p>
<figure id="attachment_34236" aria-describedby="caption-attachment-34236" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-10.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Jefferson e Rick caminhando em um parque. Jefferson, adolescente negro com cabelo preto, usa blusa manga longa verde, calça preta e um tênis branco. Rick, adolescente branco de cabelos castanhos, veste camisa xadrez, calça e tênis ambos preto. Os dois estão caminhando de costas para a câmera." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34236" class="wp-caption-text">A dupla Jefferson e Rick procura incriminar o primo Michel (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando a </span><a href="https://telaviva.com.br/29/08/2023/conspiracao-filmes-roda-o-longa-precisamos-falar-sobre-nossos-filhos/"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre os direitos humanos para humanos direitos, o longa nos convida a uma dolorosa introspecção sobre a natureza da nossa responsabilidade. Apesar de tratar de um assunto muito batido e que bate sempre na mesma tecla de ‘criticar a elite brasileira’, a produção de Waddington e Diniz foi bastante perspicaz ao abordar o negacionismo justamente em um período pós-governo bolsonarista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maturidade artística dos atores mais novos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe uma construção muito bem interpretada, já os adultos deixam um pouco a desejar. O personagem de Alexandre Nero é intragável, um homem nazifacista que é contra todos os direitos da população pobre, que se vê na posição de julgar o que acha certo e errado dentro da sociedade. Já o núcleo adolescente da produção contempla um </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-1000011295/criticas-adorocinema/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> excelente, além de alimentar a curiosidade do público sobre os acontecimentos da trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando em ângulos que enfatizam o desconforto moral dos personagens, o longa permite a escolha de uma narrativa que contemple a incerteza. Em meio a diversas chantagens, a cultura contemporânea brasileira é apresentada de forma extremamente provocativa e fragmentada. Como em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver &#8211; Motorista de Táxi</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976), a ‘libertação’ que Michel (Thiago Voltolini) tanto fala e reproduz está pautada no seu senso de exclusão e eliminação do outro, como um paradoxo aos pactos conservadores de direita, que utilizam de atos de violência como forma de ‘limpar’ o ambiente ao seu redor.</span></p>
<figure id="attachment_34237" aria-describedby="caption-attachment-34237" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-5.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na foto vemos Rick, Anna e Celso se despedindo. Rick, adolescente branco com cabelos castanhos, veste um moletom cinza e em suas costas carrega uma mochila preta. Anna, mulher branca de cabelos castanhos, veste uma camisa clara. Sua mão esquerda segura o peito de seu filho Rick. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camiseta cinza sobreposta por uma camisa de botões azul. Anna e Celso estão se despedindo de Rick. No fundo é possível ver uma parede branca com um quadro ao centro." width="574" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34237" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival do Rio em 2024 (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> encara o lado direitista, negacionista e narcisista da população brasileira. A obra, que causa </span><a href="https://caras.com.br/atualidades/marjorie-estiano-retrata-relacoes-familiares-no-cinema-uma-provocacao.phtml"><span style="font-weight: 400;">desconforto</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espectador do início ao fim,  vai além do entretenimento e nos faz questionar sobre até que ponto a impunidade é dada às riscas para o ser humano. O que nos resta, é esperar sentados e aguardar por uma resposta. Afinal, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a verdade ama se esconde</span></i><span style="font-weight: 400;">r” – como mostra o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan </span></i><span style="font-weight: 400;">do filme.</span></p>
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		<title>Qual é o preço do Pedágio?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 20:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, institucionalizada e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está socialmente arraigado de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedagio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual é o preço do Pedágio?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32006" aria-describedby="caption-attachment-32006" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32006 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos Suellen, personagem interpretada por Maeve Jinkings, com o ombro escorado na coluna de um pedágio. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, que usa brincos de argola dourados nas orelhas e veste um colete verde. Ela tem uma feição apreensiva e olha para frente." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32006" class="wp-caption-text">Antes de iniciar seu ciclo comercial, Pedágio também teve passagem na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Mostra Brasil (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2023/10/presidente-de-comissao-da-camara-quer-votar-cura-gay-ate-o-final-do-ano.shtml"><span style="font-weight: 400;">institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está </span><a href="https://queer.ig.com.br/2023-11-29/a-homofobia-esta-arraigada-na-sociedade-diz-diretora-de-pedagio.html"><span style="font-weight: 400;">socialmente arraigado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira quase intransigível, em nome de uma luta que opera contra seus próprios interesses. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme nacional que chegou aos cinemas em Novembro, assume todas as facetas desse fenômeno, através de uma trama que não poderia irromper de outra forma, que não em um humor tragicamente mordaz. </span></p>
<p><span id="more-32005"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/conheca-carolina-markowicz-diretora-que-fez-de-pedagio-um-hit-dos-festivais"><span style="font-weight: 400;">Carolina Markowicz</span></a><span style="font-weight: 400;"> já ostenta uma trajetória excepcional e uma carreira tão promissora quanto consolidada. Antes de peregrinar pelo universo de longas-metragens, ela dirigiu seis curtas que percorreram o mundo, entre 2007 e 2019, recebendo exibições em eventos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-internacional-de-cinema-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">TIFF</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Festival Internacional de Cinema de Toronto), </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2023-10-12/what-is-sxsw-sydney-how-to-get-involved/102938006"><span style="font-weight: 400;">SXSW</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">South by Southwest</span></i><span style="font-weight: 400;">) e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-locarno/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Locarno</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua maior premiação veio em 2018, quando conquistou o </span><a href="https://www.sortiraparis.com/pt/o-que-fazer-em-paris/cinema-serie/articles/294212-festival-de-cannes-2023-palma-queer-atribuida-a-monstro-de-kore-eda"><i><span style="font-weight: 400;">Queer Palm</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – prêmio do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> destinado ao audiovisual LGBTQIA+ – pelo curta-metragem </span><a href="https://vimeo.com/377193784"><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32008" aria-describedby="caption-attachment-32008" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, as personagens Suellen, interpretada por Maeve Jinkings, Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, estão um de frente para o outro, iluminados por luzes coloridas de discoteca. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, e Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, vestindo uma camiseta azul com a estampa de um unicórnio. Os dois desviam os olhares, evitando encarar um ao outro. O cenário é o banheiro de uma residência." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32008" class="wp-caption-text">Em Setembro, Carolina Markowicz se tornou a primeira brasileira da história a receber o Tribute Awards, no Festival de Toronto (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançando seu segundo longa-metragem, Markowicz aposta em mais uma narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém a partir de lentes antagônicas. Desta vez, acompanhamos Suellen (</span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/maeve-jinkings-de-os-outros-fala-de-fase-feliz-no-amor-nunca-havia-me-apaixonado-por-mulher.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma humilde cobradora de pedágio em Cubatão, São Paulo, que precisa conciliar suas longas jornadas de trabalho com os cuidados de seu filho adolescente, Tiquinho (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/kauan-alvarenga-se-inspirou-em-pabllo-vittar-para-papel-em-pedagio"><span style="font-weight: 400;">Kauan Alvarenga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Contudo, prestes a completar 18 anos, o garoto apresenta cada vez mais comportamentos afeminados, desafiando a mentalidade ignorante da mãe, que decide ir até as últimas consequências para financiar sua ida a um exorbitante curso de um pastor gringo, com a ostensiva promessa de ‘</span><a href="https://s3.amazonaws.com/s3.allout.org/images/All_Out_Instituto_Matizes_Relatorio_Completo_Entre_Curas_E_Terapias.pdf"><span style="font-weight: 400;">cura gay</span></a><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma premissa centralizada em uma retórica tão abjeta, este drama familiar encontra porto-seguro na humanidade que transborda de seus atores. Não é à toa que a obra foi a mais premiada do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2023, levando </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/festival-do-rio-2023-premiados"><span style="font-weight: 400;">três das quatro categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de interpretação. Maeve Jinkings – que já havia trabalhado com a diretora em </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) – dá vida a uma Suellen melindrosa, que apesar do incontestável amor que sente pelo filho, não consegue se desvencilhar de seus preconceitos. Por outro lado, a sensibilidade de Kauan Alvarenga – protagonista do curta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão –</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o público sinta cada uma das frustrações de um garoto que, independentemente das tentativas, nunca será o suficiente para sua mãe. Uma premissa difícil, sim, mas </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/com-26-formatos-no-brasil-cura-gay-e-tortura-alertam-especialistas/"><span style="font-weight: 400;">inevitavelmente ordinária</span></a><span style="font-weight: 400;"> e profundamente identificável.</span></p>
<figure id="attachment_32007" aria-describedby="caption-attachment-32007" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, o personagem Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, levanta os braços e dança sorridente em uma residência tradicional. Ele é um garoto negro, de olhos escuros. Ele usa uma maquiagem brilhante nos olhos e veste uma fantasia vermelha, cheia de penas que se assemelham a um pássaro, e um chapéu com uma grande aba preta, que lembra um bico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32007" class="wp-caption-text">Pedágio esteve presente na lista de finalistas para representar o Brasil na corrida pela indicação de Melhor Filme Internacional, no Oscar 2024 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte de Vicente Saldanha, também reconhecida pelo Festival do Rio, cria imagens belíssimas a partir de uma visão corriqueira no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional independente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com composições secas em um tom melancólico, elevado por longos silêncios e cortes bruscos entre cenas. A fotografia de Luis Armando Arteaga brinca com imagens naturalistas, peliculares e uma gradação acinzentada, que passeia esporadicamente por cores vibrantes. O destaque, todavia, está em uma narrativa que demonstra como essa estética, aparentemente sóbria e realista, não passa de um cenário absolutamente patético.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Markowicz, que também assina o roteiro, foge da batida história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcada em violências para, em uma absoluta quebra de expectativas, entregar uma verdadeira sátira. A linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cínica, amarga, espelhando a </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/p%C3%B3s%20ironia/"><span style="font-weight: 400;">pós-ironia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração que, ao se ver enfiada nos cenários mais apocalipticamente absurdos, não consegue parar de rir. Uma diegese que certamente bebe do </span><a href="https://medium.com/@_eusouyuri/manifesto-afro-surreal-preto-%C3%A9-o-novo-preto-um-manifesto-do-s%C3%A9culo-xxi-4b984c995b65"><span style="font-weight: 400;">afrossurrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao usar da própria realidade para expor o discurso homofóbico-religioso ao completo ridículo. É impossível assistir à cena de um grupo de jovens em roda moldando órgãos genitais com massinha colorida, por ordem de um pastor </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sotaque excessivamente português, e não se ver instantaneamente dentro de um episódio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-3-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atlanta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32009" aria-describedby="caption-attachment-32009" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, os personagens Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, e Rick, interpretado por Caio Machado, estão sentados em cima de uma grande estátua de sereia, com uma cauda verde, cabelos vermelhos e uma expressão agressiva. Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, que veste uma camiseta polo verde e azul, enquanto Rick é um garoto branco, com barba por fazer, vestindo uma camiseta azul estampada e um boné verde-musgo. Tiquinho olha para frente enquanto Rick olha para baixo, e ambos têm um olhar melancólico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32009" class="wp-caption-text">Levantamento feito pelo Instituto Matizes e All Out, em 2023, identificou 26 formatos de terapia de conversão sexual vigentes no Brasil hoje; o método é proibido pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é a partir dessas caricaturas múltiplas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá vazão para que as nuances de seus dois protagonistas se manifestem. Como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jnF7r-toE5c"><span style="font-weight: 400;">própria Jinkings define</span></a><span style="font-weight: 400;">, Suellen é um reflexo do brasileiro médio. Uma mulher que se agarra a uma religiosidade menos por convicções pessoais, e mais pela falta de contato com qualquer outra perspectiva. Uma mãe solo que, ao ver seu filho trilhar um caminho tão distinto do seu, acredita que errou. E, em busca da resolução de um problema estruturalmente fabricado, trilha um caminho de escuridão, até que se veja obrigada a pagar um preço que sequer lhe pertencia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a esperança em meio a este contexto catastrófico se expressa em Tiquinho. Em paralelo e oposição a sua mãe, acompanhamos o amadurecimento do garoto que, mesmo com todas as probabilidades contra si, faz com que rosas floresçam do asfalto. Porém, mesmo assim, o longa rejeita a utopia. No seu momento de maior catarse, o personagem é arrebatado de volta à realidade, no mais ácido retrato de sua condição. Essa é a única alternativa honesta que Markowicz encontra para tratar de uma perversidade que </span><a href="https://www.poder360.com.br/brasil/morre-karol-eller-36-anos-influenciadora-lesbica-pro-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">vitima</span></a><span style="font-weight: 400;"> pessoas LGBTQIA+ até hoje. A superação é </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/apos-a-morte-de-karol-eller-erika-hilton-propoe-lei-para-equiparar-cura-gay-ao-crime-de-tortura/"><span style="font-weight: 400;">um processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nossa disputa está longe de acabar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pedágio | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XfKBMN2RJqg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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		<title>Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 20:18:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez  Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se Maria Antonieta terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda casa mais famosa dos Estados Unidos. Em Priscilla, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31654" aria-describedby="caption-attachment-31654" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png" alt="Cena do filme Priscilla. A cena mostra os dois atrás de uma mesa com um bolo de casamento. Priscilla, à esquerda, veste um vestido de casamento branco. Elvis, à direita, vestre um terno preto e fuma um cigarro. Os dois olham para a câmera. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31654" class="wp-caption-text">Priscilla chegou ao Brasil pelo Festival do Rio 2023 e foi um dos filmes exibidos na Gala de Encerramento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta </span></i><span style="font-weight: 400;">terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64286114"><span style="font-weight: 400;">casa mais famosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis and Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora e roteirista deixa o nome do Rei do Rock de lado para direcionar o olhar à personagem-título.</span></p>
<p><span id="more-31647"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já sabemos o que precisamos sobre Elvis Presley. Para além da cultura popular, a </span><span style="font-weight: 400;">recente cinebiografia</span><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Baz Luhrmann mostra a ascensão e queda do cantor, incluindo seu relacionamento com Priscilla Presley e com a fama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">existe no mesmo contexto, mas Coppola &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">que esclareceu que fez o </span><a href="https://www.vogue.com/article/sofia-coppola-priscilla-instagram"><span style="font-weight: 400;">filme para ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; procura o lado da menina que chegou perto demais do brilho de uma estrela e teve o seu próprio apagado.</span></p>
<figure id="attachment_31650" aria-describedby="caption-attachment-31650" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png" alt="" width="828" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31650" class="wp-caption-text">A direção de arte e departamentos de figurino e maquiagem de Priscilla fizeram de Jacob Elordi um Elvis Presley digno de estampar capas de discos e revistas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Elvis (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYhCj2J4gJo"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a protagonista &#8211; ainda então Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) &#8211; na Alemanha, quando servia o exército. Na época, ele já era um astro da Música, tendo todos os olhos voltados para ele mesmo no exterior. Casualmente, a menina é convidada para um evento na casa dele e prova um pouco de sua atenção, que não seria constante pelo resto do casamento dos dois. Presley era a típica celebridade cercada de pessoas a seu dispor, dando palhinhas de seu talento e usando seu charme para questionar à protagonista qual era sua canção favorita dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda adolescente dos anos 1960, Priscilla era fã de Elvis Presley e seus pôsteres na parede não a deixam mentir. Mesmo no nono ano da escola, como o cantor rapidamente descobre &#8211; e </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/destaques/elvis-presley-e-dixie-a-polemica-relacao-sexual-adolescente-do-rei-do-rock"><span style="font-weight: 400;">não parece ligar</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, ela ganha a afeição do artista e conhece seu lado mais frágil e carinhoso. Ele estava de luto pela mãe, precisava de companhia e não media esforços para conquistar ela e os pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no primeiro ato, Sofia Coppola mostra um Elvis Presley apaixonado. Se a história do casal se desdobrou para um divórcio conturbado, o início não se mostrava assim. A cineasta</span> <span style="font-weight: 400;">não vê necessidade em discorrer sobre a carreira do Rei antes da entrada da protagonista em sua vida e, acertadamente, distorce o título do livro adaptado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quem quiser assistir sobre a vida completa do astro, pode procurar essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">história em outras obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o antes, durante e depois do casamento deles se torna a trama principal e a mudança de tom no relacionamento entre os dois, o grande chamativo.</span></p>
<figure id="attachment_31652" aria-describedby="caption-attachment-31652" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png" alt="" width="818" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31652" class="wp-caption-text">O selo que detém os direitos das músicas de Elvis Presley não liberou seu uso para Priscilla; como resposta, a curadoria de Thomas Mars, vocalista da banda Phoenix e marido de Coppola, tornou o longa ainda mais original (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, é palpável a influência que Elvis Presley exerce sobre Priscilla &#8211; e, diga-se de passagem, todos a seu redor. Com uma atuação contida e inquietante de Jacob Elordi, o artista usa todo seu charme para provar à protagonista que, por trás do </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">topete invejáve</span></a><span style="font-weight: 400;">l, bate um coração. No entanto, é só dele mesmo que Elvis sabe falar e todas as pessoas ao seu entorno parecem estar ali para meramente entretê-lo ou servi-lo, como a bizarra </span><i><span style="font-weight: 400;">Memphis Mafia </span></i><span style="font-weight: 400;">de urubus que nunca sai de perto. Ela aparenta ser a exceção, até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para impor o desenrolar da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">se preocupa mais em contextualizar como a personagem foi parar em </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-aconteceu-com-graceland-famosa-mansao-de-elvis-presley.phtml"><span style="font-weight: 400;">Graceland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e trocou o Beaulieu por Presley do que o que vem depois. Também a partir da influência do futuro marido, a menina vai e vem entre os Estados Unidos e a Alemanha, até que ele convence os pais dela a aprovarem a mudança para Memphis, sob </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/18/por-tras-de-elvis-presley-quem-era-colonel-tom-parker-tirano-e-psicopata.htm"><span style="font-weight: 400;">tutoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pai de Elvis e estudando em uma escola católica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como seria no restante do relacionamento, a protagonista deve se encaixar se quiser pertencer à vida do cantor. Ele está sempre entre trabalhos, seja na gravação de um filme com fofocas de envolvimento com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzPSldehZJw"><span style="font-weight: 400;">alguma atriz da época</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou projetos musicais &#8211; e o artista faz questão de lembrá-la o quão sortuda ela é pelo privilégio de estar com o Rei do Rock. Até quando o astro não quer aprofundar a relação íntima dos dois, ele faz questão de lembrá-la que, se ela não for a mulher que ele precisa, haverão outras.</span></p>
<figure id="attachment_31655" aria-describedby="caption-attachment-31655" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png" alt="" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1200x540.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31655" class="wp-caption-text">Em Priscilla, a trilha musical funciona como contadora de histórias e, segundo Thomas Mars, a canção Crimson &amp; Clover revela as emoções adolescentes de uma protagonista apaixonada (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para apresentar as nuances do relacionamento dos dois, a direção de Coppola se une ao trabalho primoroso de Cailee Spaeny e Jacob Elordi. Presley poderia ser o homem mais apaixonado do mundo, mas sua demonstração iria apenas até a página dois. Elordi incorpora a visão da cineasta em mostrar como o cantor passou a usar o carinho pela namorada como uma forma de controlá-la, dizendo a como </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/ex-esposa-de-elvis-presley-entra-em-disputa-milionaria-por-heranca-da-familia"><span style="font-weight: 400;">se portar</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentir e vestir. Em uma das cenas mais emblemáticas, Elvis convence a menina a trocar os cabelos castanhos por uma tintura preta e a maquiagem suave por um lápis escuro que destacaria os olhos, uma imagem que estamparia o álbum de casamento dos dois e as revistas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em menos de duas horas, o ator conduz um homem misterioso e apaixonado a um marido distante, indiferente e violento em todos os sentidos. Ao contrário de sua outra versão no Cinema, o Elvis de </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">não ganha tons extravagantes, mas uma aura de intocabilidade e fascínio envolvente, principalmente ao reconhecer seu verdadeiro caráter e assistir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/11/12-mil-remedios-e-autopsia-em-segredo-os-misterios-da-morte-de-elvis.htm"><span style="font-weight: 400;">seu declínio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://variety.com/2023/scene/news/priscilla-cailee-spaeny-sofia-coppola-nyff-1235747399/"><span style="font-weight: 400;">Spaeny</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o contrário. De uma menina inocente que saiu de casa para doar sua vida a Presley e se gabava de namorar o ídolo na escola, Priscilla cativa ao finalmente levantar a voz, mesmo que isso signifique ser calada e repreendida. No entanto, antes disso tudo, ela se entrega à própria solidão e quietude de forma gritante, apenas no interior. Andando perdida e solitária por uma Graceland vazia na ausência de Elvis Presley ou cheia de gente indiferente em sua presença, ela é acompanhada da própria solidão e da fantasia de estar do lado de um astro, retrato que a rendeu o prêmio de </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230909-cailee-spaeny-wins-venice-best-actress-for-priscilla"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_31653" aria-describedby="caption-attachment-31653" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31653" class="wp-caption-text">Priscilla Presley fez parte da concepção de Priscilla; além do livro adaptado, ela participou como produtora executiva (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é marca registrada em outras obras, Sofia Coppola abusa dos detalhes. A visão do universo feminino de uma maneira sensível se une à </span><a href="https://www.billboard.com/culture/tv-film/sofia-coppola-priscilla-movie-songs-elvis-1235439666/"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas pequenas coisas. Unida a uma direção de arte e uma fotografia cuidadosa &#8211; essa segunda por responsabilidade de Philipe Le Sourd -, os pôsteres nas paredes, o quarto do casal decorado pelo cantor (sem um detalhe sequer lembrando a esposa), a recriação das capas de álbuns e revistas, e as pílulas cada vez em maior quantidade ganham atenção especial da câmera, como se naquele casamento, o diabo realmente estivesse nos detalhes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a sensibilidade do retrato de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CyTLVQ0uGMh/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Priscilla Presley</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; apoiado, inclusive, pela própria celebridade, que exerceu o cargo de </span><a href="https://people.com/sofia-coppola-was-really-nervous-to-meet-priscilla-presley-exclusive-7970326"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme &#8211; encontra seu fraco no roteiro, também realizado por Coppola. O relacionamento dos artistas e como ambos se desenvolvem para melhor ou pior dentro dele cria a atmosfera envolvente de observar duas pessoas reais, cegadas pelos holofotes e pela atenção, em uma situação já conhecida na cultural popular, mas vista de dentro. É aliada à montagem de Sarah Flack (colaboradora da cineasta desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i><span style="font-weight: 400;">) que a narrativa se dedica demais a alguns pontos, enquanto esquece outros.</span></p>
<figure id="attachment_31651" aria-describedby="caption-attachment-31651" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png" alt="" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31651" class="wp-caption-text">Priscilla integrou a programação do Festival de Veneza e recebeu o sinal verde para divulgar o filme no evento, mesmo em meio à greve dos atores e roteiristas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, enquanto roteirista, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/sofia-coppola-archive-memoir-memories-book-extract-lost-translation-virgin-suicides"><span style="font-weight: 400;">Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa mais tempo pintando o quadro de Priscilla como uma doce menina submissa do que mostrando os momentos em que a jovem cresce para além da sombra perversa do marido. Inclusive, a cineasta acena para aqueles da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que decidiram que as cenas de sexo não agregam à narrativa como um de seus maiores pecados: depois de anos desejando a atenção do marido, quando Priscilla e Elvis finalmente concretizam o casamento, a cena que poderia ser a mais íntima e reveladora de como o matrimônio dos dois seguiria é esquecida &#8211; ou simplesmente deixada de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não há espaço para interpretações errôneas e é notável o quanto, ao longo dos mais de seis anos que passaram juntos, os Presleys mudaram &#8211; inclusive um ao outro. Sem esconder os abusos físicos, verbais e psicológicos de Elvis, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/sofia-coppola-priscilla-cover-story-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não romantiza, mas também não desrespeita a biografia da protagonista e passa a mensagem de que, para além de um vilão maniqueísta, Elvis fez parte de sua vida. Apesar do ponto de virada acontecer durante todo o tempo em que estiveram juntos e não do dia para a noite, ainda é amarga a sensação de que são poucos os minutos dedicados à emancipação de Priscilla, agora uma mulher junto da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/07/14/lisa-marie-presley-filha-de-elvis-morreu-por-complicacoes-de-cirurgia-bariatrica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, das garras da fama, luxo e falsidade dos jardins de Graceland, deixando um gosto de quero mais para um clímax curto demais.</span></p>
<figure id="attachment_31649" aria-describedby="caption-attachment-31649" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x320.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31649" class="wp-caption-text">Cailee Spaeny foi indicada como Melhor Performance Principal ao Gotham Awards, premição que se tornou um termômetro do Oscar (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido com uma sessão lotada na Gala de Encerramento da 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/priscilla"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">prova novamente e mais uma vez o talento de Sofia Coppola em tornar narrativas peculiares, universais. Sob sua visão única, até a trilha sonora encabeçada por Phoenix, que de Elvis Presley não tem nada, vira uma grande contadora de histórias. De comum os Presley não entendem, mas a cineasta sim: a solidão e o enclausuramento são os mesmo em Memphis da década de 1960 ou na França do século 18. O que muda é que, de repetido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBWk6BohVXk"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nem o título.</span></p>
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